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O círculo com que se manifesta o sentido infinito do universo,
deve ter em seu interminável caminho uma forma de retorno, como hoje se pode viajar pela terra em uma
"circunvolução" perfeita, e talvez em um futuro bem próximo locomover-se por este sistema planetário,
ou, quem sabe, fazer viagens intergalácticas.
Sou modesto por construção, não por humildade, mas limito-me
aos métodos físicos que usa o caminhante, terra, mar e ar, assim, formo o conhecimento interno e externo
caminhando em contato com o mundo de fora. - ESTA SERÁ, POIS, UMA VIAGEM AO TEMPO, ÀS IDADES, ÁS RAÇAS E
ÁS ORIGENS. - Sejamos um pouco jesuítas e respondamos com perguntas às próprias perguntas que possam ser
formuladas na mente; regredir ao útero materno ou ao útero terrestre não é penetrar em nós mesmos? -
Descobre teu passado, oh! Tu, cujo nome agora é humanidade.
Vive o que o tempo não te permitiu, deixa as épocas virem à ti,
e que nela encontres paisagens ou vivências que particularmente viveste em outra existência, por isso nada
há de te parecer absolutamente desconhecido nem podes, tu és a viagem, humanidade, no vazio do tempo.
Os métodos de locomoção serão natural e estático, não vamos aos
lugares, os lugares virão à nós. Nunca, como neste caso, podemos afirmar com tanta certeza que a ordem
dos fatores não altera o produto.
Nossa excursão ao tempo, estará sempre ligada à possíveis e necessárias
descobertas, já que nosso tratado não passa de um guia de estrada de ferro, daqueles que na Antigüidade
nos davam não só o horário e o roteiro dos trens, mas também a descrição das cidades por onde passavam.
São como os alambiques e destilarias onde se produzem as aguardentes que nos embriagam e entontecem, e
os saborosos vinhos que nos dão alegria e tonificam.
Começa a viagem. A noite é escura e nesse firmamento somente
pontos de luz que formam as galáxias, graciosamente piscam para nós, dando um sentido de iluminação similar
a quando se viaja de carro ou de avião, e se vê, em baixo ou no horizonte, as luzes de uma distante cidade.
Caminha; caminha pela noite do tempo para conseguires um amanhecer no
dia da ressurreição, voaste pelos cosmos e te converteste na púrpura forma que há de ser a semente para
essa humanidade. Vais viver milhões de vidas, vais saber de algo que encerra a tristeza, bem dentro de
seu nome, em teu peito trazes gozos e dores, que durará tanto quanto tua existência há de chamar amor!
- O firmamento chora, pois compreende o destino que te espera no planeta Terra.
Somos o atemporal que se fez vida e como em nenhum outro
momento de nossa existência, duvidamos da imortalidade e sentimos a presença do infinito. O tempo de um
trilhão de anos ou de um minuto em nós não existe; “Já te dás conta da responsabilidade do teu pré-nascer,
humanidade?" - Que começa em uma estrela e acaba em um gemido que lança uma mulher?
A criança é a primavera; converte-a em verão, que é ardor,
desejo e luxúria da torpe juventude, que esbanja e desgasta. Transmuda-se em outono; caem as folhas da
arvore das ilusões e entra no inverno frio da velhice! Dele só há salvação se o ancião se formar; este
é criança outra vez...
Seguimos à viagem interna da loucura, não tem paisagem, não
existe horizonte, não há parede, não há final. São milhares de seres drogados representando a decadência,
uma existência e um estado de ânimo; que é a prisão de todas as liberdades porque não há tempo, não há
espaço, há somente gente. Gente que vive a obsessão do momento sem poder dela sair, sem apartar-se do
circulo que as fez prisioneiras. A adversidade é o microscópio que nos ensina a olhar a vida com mais
profundidade.
Tu caminhante; viajante, audaz explorador, se empreenderes
esta viagem pelo mundo encantado, do fogo eterno dos templos de Apolo e das piras sagradas, terás que
saber que esse é o reino das transmutações. É o espaço que a criança percorre alegre ao transformar-se
adulto, de modificar formas e critérios e saber que somente cresces quando consegues sentir-te bem pequeno.
És tu que golpeias para dar às formas e movimentos. E ao veres estas
formas, descobres que são como as do teu corpo, pois és escultor e escultura dentro deste contexto que é
o reino do fogo que não queima, mas que forja o ferro, o que parecia já ser impossível, porque fora
endurecido pelo tempo.
A riqueza é uma viagem em atributo de poucos. A ela aspiram
chegar quase todos, sem conseguir e sem saber que o preço a ser pago é, às vezes tão caro que leva à
falência dos verdadeiros valores do homem: - Liberdade, Espiritualidade e Comportamento.
Somente as riquezas coletivas, aquelas das quais podemos todos
desfrutar - sem ser patrimônio de uns poucos - são as que na realidade têm valor.
Ao amor tampouco se chega caminhando, é uma viagem por uma estrada
tortuosa com um túnel sem tempo, eterna oscilação. Tem seu epicentro, seu equilíbrio perfeito na metade
do caminho de ida ou retrocesso, e dita as emoções pela cabeça e pelo sexo. - O amor tem suas razões
que a própria razão desconhece...
Para buscar o amor, temos de conhecer anatomia espiritual, é
complexo, é vasto; - e parece blasfêmia - que há quem ame o dinheiro. Na traseira de um caminhão dessa
estrada empoeirada e tortuosa, chamou-me a atenção este mote escrito: - O amor não é regido por código algum.
Esta viagem precisa cuidado, porque nossa pretensão é chegar a
"Cidade do Infinito", e nós sabemos que isso poderia levar séculos e séculos, com a mesma
projeção do horizonte constantemente substituído por outro. É a miragem de uma cidade à qual parece
que vamos chegar no espaço cronológico, e notamos que, segundo vamos avançando, ela retrocede.
A Cidade do Infinito é a luz concentrada no relógio de sol da
existência, e é tão difícil logra-la quanto compreende-la, porque nada nasce e nada morre.
A viagem do sexo permite nossa existência, caso contrário não
haveria nosso diálogo. Não há aqui nada que nos impeça dizer que o sexo é transcendentemente o mundo da
criação; - No coito do Céu e da Terra, na possessão, o Céu ejacula a chuva na Rosa feminina e no Cravo
masculino; a esmeralda e o rubi tiveram um caso onde nasceu a pureza de um brilhante, e nos conceitos de
“astrolatria” são o Sol e a Lua que tem eternos amores, sem códigos éticos...
Cavalga o sexo, desenfreando na longa corrida da paixão,
subindo a montanha da luxúria, escalando o pico do desejo e penetrando na cova turbulenta dos ecos,
onde cada voz é um canto de Eros. É o universo do sexo que deixou as presenças que habitam nos desejos
de toda a humanidade, e se apaga, continua vivo em essência, por toda a eternidade.
Já viajamos por alguns paralelos de nosso paraíntimo e
sentimos uma tomada de consciência superior a uma purificação. Sabemos que a fantasia de hoje é a
realidade de amanhã, que a ficção do presente é a ciência do futuro e que ambas, devem ser atributos
daqueles que só possuem o dom de imaginar o fantástico da realidade, com a fantasia do irreal.
De uma coisa estou certo, acredito ter contribuído para uma
missão criadora, que permita ao leitor orientar-se, dirigindo a nave de alguns vôos, tendo como
combustível a imaginação e como motor uma engrenagem, que desde as origens foi criada pelo Grande
Arquiteto, o Sumo Alquimista e comandante do Universo.
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Atibaia, 21 de Fevereiro de 1.999.
"Aquele que ao ler sente agravar-se em seu coração caracteres profundos, e se
extasia contemplando as criações das obras e seu sentido, até que seus olhos se encham de lágrimas
e o coração irrequieto seja arrebatado por fortes emoções, tem um nobre espírito e pode alimentar o
desejo de criar coisas tão grandes como as que sabe admirar."
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