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INFORMAÇÕES    
Autor: Alecsander Machado.
Título: Uma Bela Cigana...
Publicação: 25/01/2005.
Publicação Original: 21/08/2003.
Categoria: Fantasia.
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FANTASIA      
Uma Bela Cigana...
Por: Alecsander Machado

Imagem da Internet

Geralmente sendo perseguidos pelo preconceito, a raça cigana sempre foi depositária de muita beleza e mistérios. E apenas os iniciados poderão saber.

****

Fui atraído pelo barulho ruidoso que eles faziam. O espetáculo estava armado, e as ciganas mais jovens faziam a dança que aprenderam desde a infância. Ágeis e encantadoras, com seus risos e movimentos encantavam toda a platéia. Não que eu fosse imune a todo aquele encantamento, mas eu observava com olhos diferentes.

Conhecia um pouco do povo cigano, de suas lendas e histórias passionais. Eu podia ver no brilho de cada olhar a paixão, o ciúme, a vontade de ser mais forte, e a gana de sobreviver.

Assisti a todo o espetáculo, como todos os demais mortais, e dei algumas de minhas moedas, como a maioria também fazia. Era, sem dúvida, um belo espetáculo. Aguardei todos irem embora, e esperei próximo ao acampamento.

Calmamente caminhei entre as carruagens. A maioria já estava apagada, apenas algumas ainda estavam acesas, e ninguém ais estava do lado de fora, exceto alguns clientes que haviam bebido demais.

De repente, do meio da escuridão surgiu uma pequena jovem. Aparentava não mais de dezesseis anos, certamente uma cigana pelas vestes, mas eu não a havia visto durante a noite.

- Quem é você?

- Uma amiga. Vim trazer algumas respostas.

- Estou precisando, mas como sabia que eu viria aqui, e como pode me ajudar?

- A mágica está neste lugar, assim como dentro de mim e de você, enquanto acreditarmos nela.

- Você é uma feiticeira?

- Os ciganos não nos chamam de feiticeiras, mas de herdeiras do Dom.

- E qual é o seu dom?

- O mesmo de todas as mulheres. Posso ver dentro do coração dos homens. Até o dia que me apaixonar.

- Você vê meu coração?

- Seus sentimentos não podem se ocultar de mim. Embora você possa encobri-los da maioria das pessoas, você não tem como se esconder de mim – E sorriu, como se conhecesse toda a minha alma.

- Vim te trazer um recado – ela continuou – de alguém que você ama muito. Ela também te procura. Também se lembra de você, e aguarda a sua chegada. O amor de vocês é forte, e vai vencer. Vocês estão há muitas vidas juntos.

- E onde ela está?

- Ao norte. O caminho é longo, e vai te reservar muitas surpresas. Não desista.

- Não vou desistir. Mas como saberei se está falando a verdade?

- Ouça seu coração, sempre. Só ele é capaz de te dar o caminho verdadeiro. A razão erra muito, pois não enxerga a alma e o coração. E há mais uma coisa...

Lentamente, ela se aproximou de mim. Tocou meu peito com sua mão direita, e comecei a sentir um pequeno formigamento. A sensação rapidamente aumentou, e eu senti, com toda a força, um amor tão forte, que perdi o equilíbrio e caí de joelhos em frente à cigana. Lágrimas de saudade escorriam pelos meus olhos, e perdi totalmente o controle.

Com suavidade ela retirou a mão, e me ergueu. Enxugou minhas lágrimas, e me manteve abraçado a ela até me acalmar um pouco mais.

- Esse é o amor que você sente, e ela corresponde. Agora sabe que conheço você muito bem. Não estou mentindo. Siga esse sentimento em tudo o que fizer, e estará no caminho certo. Vá em frente.

Coloquei de volta minha capa, e cobri o rosto com meu capuz. Caminhei rapidamente até a saída do acampamento, montei em meu cavalo e saí em disparada, rumo ao norte. Finalmente eu tinha uma direção.

****

Uma figura masculina, forte e com espírito decidido me observava desaparecer na estrada. De dentro do acampamento, ele divisou minha figura até que desapareci na última curva. Azrael, líder do acampamento, abraçado à sua filha de criação, Margareth, tinha o olhar preocupado.

- Será que ele vai conseguir?

- Sim, meu pai. Ele irá conseguir. Mas seu destino está cheio de espinhos, e sinto que preciso ajudar.

- Sofro só de pensar em te perder.

- Você não me perderá, meu pai. Tua alma irá comigo. Mas preciso cumprir o que me foi destinado. E isso não me traz pesar, pois sei que é o certo.

- Seu coração está cego, querida. Este homem nunca será seu.

- Eu sei, mas preciso estar perto dele. Não quero que ele esteja sozinho quando o seu momento de escuridão chegar. Sua alma correrá perigo.

- E sinto que já perdi a sua, querida.

Com um breve sorriso, Margareth beijou o rosto de seu pai. Abraçados, ambos voltaram para dentro de suas carroças. No dia seguinte Margareth deixaria o grupo, partindo em minha perseguição.

Assim me foi contado, muito tempo depois.

Rio de Janeiro, 21/08/2003 – 00:15.

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