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INFORMAÇÕES    
Autor: Alecsander Machado.
Título: A Irmandade.
Publicação: 20/08/2004.
Categoria: Fantasia.
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A Irmandande
Por: Alecsander Machado

Imagem da Internet

A vida de um homem na Terra não é composta somente de fatos memoráveis. Durante a maior parte do tempo há a rotina, a desilusão, a tristeza e os recomeços. Talvez por isso sejam tão famosas as histórias dos personagens que dedicaram sua vida a atos heróicos. E esta é mais uma dessas histórias..

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A vida de um homem na Terra não é composta somente de fatos memoráveis. Durante a maior parte do tempo há a rotina, a desilusão, a tristeza e os recomeços. Talvez por isso sejam tão famosas as histórias dos personagens que dedicaram sua vida a atos heróicos.

A história de hoje se passou comigo há muito tempo, tanto que tenho que me esforçar para lembrar dos detalhes.

Eu era um guerreiro árabe. Desde cedo fui fascinado por viagens, e foi assim que fui parar no velho mundo. E o que eu vi me abalou. Povos irmãos lutavam entre si, em nome de clãs que muitas vezes eles mal conheciam. Sem querer, mesmo sendo um estrangeiro, acabei me envolvendo nas lutas, onde decidi defender as pessoas comuns que, sem ter nada a ver com as guerras, viam seus pertences serem saqueados e suas famílias serem mortas.

Naquele dia éramos doze homens. Estávamos visitando um ferreiro quando a cidade foi atacada. Albany era uma cidade pacata. Vivia do comércio com as cidades vizinhas, e não possuía guerreiros. Poucos de seus jovens eram enviados para o exército de Saint-Marchand. Este era o nome da cidade vizinha, que ficava a dois dias de caminhada. Pelo que sabíamos, nunca havia sido atacada, pois não oferecia risco a nenhum clã das redondezas, e o único poço público que possuíam fornecia água tanto para a cidade quanto para as pequenas tropas que eventualmente ali passavam.

Não esperávamos lutar aquele dia.

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Eu estava acuado, em uma viela ao norte da cidade. Nós havíamos sido a única defesa da cidade e confesso, foi uma atuação ridícula. Centenas de soldados invadiram a cidade, e nós éramos apenas doze. Lutamos com honra, e desfalcamos um destacamento inteiro dos atacantes. mas logo outros surgiram, e vi vários de meus amigos tombarem no campo de batalha. Recuamos, mas eu não sabia quantos haviam sobrevivido - caso houvesse ainda alguém além de mim. Naquele momento a cidade estava sendo pilhada, e nenhuma resistência mais havia a oferecer.

Passei a mão no fio de minha espada, suja e amassada devido a um golpe mal dado em uma proteção de metal. Era tudo o que eu tinha. Decidi que meus companheiros não podiam ter morrido em vão, e se a luta também custasse a minha vida, tanto melhor. Iríamos nos encontrar frente ao trono de Allah, mostrando nossas roupas e armas sujas na defesa dos inocentes.

Levantei-me e, ao dar o primeiro passo à frente, uma mão segurou meu ombro.

Pensando ser um guerreiro inimigo, voltei-me feroz, e o que vi me impressionou muito. Eram dezenas de soldados, com armaduras que brilhavam como ouro. Haviam vários símbolos em seus uniformes - impecavelmente limpos - e eu desconhecia a maioria destes símbolos. Assim como eu, eles vinham se esgueirando, preparando um ataque surpresa.

O homem, que rapidamente retirou a mão do meu ombro, não era jovem. Certamente fazia parte do comando daquele destacamento.

- Não tema, não vamos lhe fazer mal algum. Acompanhamos sua luta e a de seus companheiros a muito tempo, e estamos do seu lado.

- Vieram em boa hora, pena que não chegaram antes.

- Descanse sua espada. Você foi bravo, e lamentamos a perda de seus companheiros. Nós iremos na frente agora.

Embora não concordasse com as palavras do velho guerreiro, eu não era tão ágil quanto eles, e estava cansado. Eles se espalhavam como sombras, e em pouco tempo começou o som de uma luta abafada. Os sons iam aumentando pouco a pouco, e logo se formou a gritaria.

Vi o velho guerreiro festejar com os amigos vencedores, e saírem felizes, devolvendo a cidade aos seus donos verdadeiros.

E, de longe, eu os segui.

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Era uma sessão ordinária, e o Grão-mestre estava fazendo a leitura obrigatória, determinada pela Tradição da Ordem.

Sob a insígnia do Olho que Tudo Vê, estávamos cientes de nossa responsabilidade no mundo, e da honra de nossos companheiros falecidos no exercício do Dever.

As paredes, ornamentadas com milenares símbolos, considerados mágicos, eram testemunhas mudas de acontecimentos que a história tradicional jamais registraria.

Era uma noite normal, até que ouvimos um barulho fora do templo. Um segundo baque e a porta se abriu com força, não sei se por causa da violência do golpe ou da velocidade do vento com neve.

Junto com o frio, entrou pela porta um forte guerreiro. A ausência de barba, uma espada em forma de meia-lua na cintura e o rosto denunciaram sua origem árabe.

Talvez pela surpresa, não reagimos. O Grão mestre apenas sorriu...

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A pele sobre meus ombros não eliminava o frio. No fundo da sala eu vi o velho guerreiro que havia me falado. Ele estava vestido com uma roupa estranha, e tanto ela como as paredes estavam cobertos com os mesmos símbolos que eu havia visto em sua armadura.

Caminhei direto para ele, sem hesitar. A dois passos dele, puxei minha espada. Acho que fui rápido demais, pois todos os seus companheiros puxaram as suas, preparando um ataque.

Deitei a espada em meus punhos e, ajoelhando-me, a depus no chão. Ainda com um joelho no chão, olhei a espada e, em seguida, olhei o velho guerreiro nos olhos, sem medo. Ele sorria.

- Aqui estou eu, Aramat de Siro, guerreiro do Oriente. Há muito os venho seguindo, e vendo suas realizações. Assim como eu, lutam pela justiça, e são bravos. Não temem a morte ou a adversidade. Amam suas famílias e respeitam a dos outros. Por isso, e pela honra de minha família, eu coloco minha espada à vossa disposição. Desejo ingressar em tão nobre grupo e, se for aceito, juro respeitar e seguir seus mandamentos.

O velho guerreiro, sem demonstrar surpresa, falou, de forma a ser ouvido por todos na assembléia.

- Você nunca esteve escondido de nós, e acompanhamos todas as suas campanhas de investigação. O caminho de nossa irmandade é árduo. Você tem certeza que quer abandonar suas antigas crenças por uma vida em nome da justiça e da liberdade?

- Esse é o meu desejo.

- O conselho já aprovou o seu ingresso, se você conseguir vencer o treinamento, e se tornar digno de ostentar os símbolos mágicos da Irmandade, na paz e na guerra.

- Eu aceito.

Um olhar de aprovação foi trocado entre alguns dos mais velhos, e percebi que havia sido aceito.

- Temos uma primeira tarefa, para provar sua habilidade e responsabilidade.

- Estou às ordens!

- Conserte a porta, está entrando muito frio!

****

Permaneci na irmandade até minha morte. A vi se multiplicar e assumir vários nomes. Hoje vejo que ela floresceu, e que não há mais luta armada. As lutas são travadas com inteligência, e são desafios ainda maiores.

Não faço mais parte do grupo, mas deixo meu reconhecimento por centenas de anos em prol de uma humanidade mais livre, mais justa e mais feliz.

Rio de Janeiro, 18/11/2003 – 08:44
Rio de Janeiro, 26/11/2003 – 19:08-19:57

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