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INFORMAÇÕES    
Autor: Alecsander Machado.
Título: Aprendendo A Ver.
Publicação: 09/09/2004.
Publicação Original: 17/10/2003.
Categoria: Fantasia.
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FANTASIA      
Aprendendo a Ver
Por: Alecsander Machado

Imagem da Internet

Diamanne, nesta história, ensina nosso bruxo as artes da visão de luz, magia pura e simples ao alcance de qualquer um.

****

O dia amanheceu, e logo nos primeiros raios de sol despertei. Dormir ao relento não era ruim, desde que estivesse com os acessórios certos. O problema era a obrigatoriedade de acordar cedo. E depois de uma noite de festa, acordar cedo não era uma boa idéia.

Sentei-me na relva, ainda com alguns laços me prendendo ao plano astral, mas bem que eu poderia chamar isso de preguiça.

- Bom dia...

Aquela voz suave era de Diamanne, sem dúvida. Eu a conhecera no dia anterior e, até onde me lembrava, ela havia ficado dentro da casa.

- A quanto tempo está aí?

- Desde um pouco antes do amanhecer. Vi as primeiras estrelas desaparecerem no firmamento...

- Achei que todos ainda estivessem dormindo.

- A maioria está. Quando alegres, a maioria das pessoas tende a se exceder no vinho.

- Pelo visto não é o seu caso. Mas o que te trouxe até aqui?

- Curiosidade. Eu sabia que viriam várias pessoas antes da colheita, mas você é diferente. O que você busca?

- Conhecimento. Todo o reino conhece essa região por sua prosperidade, mas poucos sabem que ela se deve a vocês.

- É isso que quer? Aprender nossos segredos?

Muitos grupos ligados à magia eram fechados, e eu estava acostumado a encontrar algumas resistências iniciais. Por muitas vezes tive que insistir por semanas até conseguir a informação que precisava.

- Se forem segredos, não sei se conseguirei, mas viajei muito e sou insistente.

- E o que você tem para oferecer em troca?

- Mais conhecimento. É o que eu tenho de melhor.

- Para conhecer e entender nossos mistérios você terá que oferecer muito mais - e levantou-se rápido, sorrindo.

- Venha, o desjejum não vai demorar a sair, e antes quero te mostrar uma coisa...

Ela puxou-me rápido pela mão e atravessamos rápido uma campina. Logo após havia um pequeno monte, que subimos. Sempre ela na frente. Ela parecia que não tinha peso enquanto corria!

Após o monte havia um pequeno canteiro, cheio de mudas, baixinho, bem verde.

- Agora vou te mostrar, sente-se aqui.

Sentei-me de frente para aquelas plantinhas, sem saber ao certo o que fazer. Não era nada além de um canteiro. Um inseto aqui ou ali e era só. A luz do sol já brilhava sobre parte delas, o que acentuava os tons de verde.

- Agora preciso que você faça uma coisa, com sinceridade.

- É só dizer, pois ainda não vejo nada de mais.

- Você é capaz de sentir amor pela natureza?

Pergunta estranha, pensei. Mas já havia respondido - e por vezes formulado - muitas outras perguntas ainda mais estranhas.

- Sim, sou capaz.

- Então, olhe novamente as pequenas plantas, mas agora com amor.

- Como assim?

- Sinta amor por elas. Olhe-as e sinta que as ama, que as respeita e que quer que elas sintam felicidade.

****

Olhei para aquelas plantinhas e tentei seguir a orientação. No início foi difícil, como se eu estivesse tentando entender uma língua diferente. Mas, aos poucos, o sentimento foi fazendo parte de mim, e logo parecia que eu sentia o mesmo que as plantinhas, como se estivéssemos na mesma sintonia.

Um brilho esbranquiçado começou a se formar em volta de cada folha, e todo o canteiro começou a brilhar, como se fosse dotado de pequeninas luzes, cintilando. As cores tornaram-se mais vivas, e eu era capaz de sentir as folhas, o vento, a umidade da terra e a força natural do progresso - sobrevivendo à todo custo.

- Agora chegam vamos!

Foi como um estalo: num momento e eu já não via nada. O canteiro voltara a ser como antes.

- Como funciona? É só isso?

- Só? Você deu mais que imagina para realizar isso. Deu seu amor, seu sentimento mais profundo para enxergar além. E, quando conseguiu, expandiu sua própria alma, dividindo sua felicidade com outros seres da criação. Só com o conhecimento você jamais teria conseguido.

Eu não tinha palavras. Era tão simples... E não estava em nenhum livro, ao menos não de forma tão clara.

Ela me estendeu a mão e, de mãos dadas, voltamos por nossos passos.

- Há mais coisas, não há? Quer dizer, eu vi as luzes, mas isso ainda é pouco para o que vocês fazem, não é?.

- Sim, ainda há mais. E eu vou te mostrar. Só que agora estou com fome.

****

Era engraçado ver como o conhecimento da manipulação das forças da natureza combinava com a simplicidade daquela gente. Tive pena dos grandes estudiosos, que com seus enormes rolos de pergaminho não era capaz de ver a luz de uma folhinha.

****

Rio de Janeiro, 17/10/2003 – 20:03

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