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Autor: Daniel Gomes.
Título: Imerso na Escuridão...
Publicação: 20/10/2006.
Categoria: Fantasia.
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Página - Star Trek Unlimited.

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...Imerso na escuridão, na Batalha Findará...
Por: Daniel Gomes.

Imagem da Internet.

Chuva, lágrimas, choro e grito, eram tudo que poderiam ser ouvidos num raio de vários metros, quem sabe quilômetros. Uma forte tempestade torrencial caía nas planícies de Metronomon, ao Norte do Reino de Ravalia. O local era o foco principal de uma batalha dantesca entre o exército de Ravalia e os poucos soldados – apesar de bem treinados e, também, de terem um renome antigo e peculiar – daquele local.

As poucas crianças que ali estavam eram cuidadas pelas mulheres idosas escondidas nas cavernas que ficavam abaixo da gigantesca cidade de Somahi, a única cidade do antigo Reino que dava o nome a planície, e as outras, com idade suficiente para empunhar uma arma que fosse, estavam em batalha na superfície, até mesmo as mulheres do lugar lutavam pela esperança de conseguirem viver por mais um dia.

Ao longe, acima de tudo, havia um homem que observava toda a movimentação do pelotão. A chuva que caía furiosamente sobre a terra, descia em seu rosto quase delicadamente e ensopava toda a sua roupa. O seu rosto jazia uma face sem expressão e seus olhos não faziam qualquer movimento brusco. A cada relâmpago que era dado, refletia-se em suas retinas. Nada, nada mesmo o fazia desviar-lhe a atenção aos acontecimentos ali a frente.

(...)

- Meu Rei... – Disse o Capitão da Guarda Real. – Estamos prontos para seguir viagem de acordo como planejado.

O Rei, um homem corpulento e com uma idade um tanto quanto avançada, ao ouvir aquelas palavras, sorrira maliciosamente. Estava apoiado pelo seu braço direito e recostava-se em seu trono. Trazia consigo um manto cor azul-petroleo, uma pequena tiara que lhe dava o Status de coroa real, e anéis das mais diversas jóias tomadas, desenterradas e escavadas dos mais longínquos lugares da terra conhecida.

Ele era conhecido por sua ambição quase infinita e por suas “bravas” jornadas de guerra contra os seus muitos inimigos espalhados pelos quatro ventos do mundo. Com o seu reinado Ravalia cresceu mais do que outros reinos conhecidos e, ainda, mais do que seus antecessores. Era conclamado e adorado por muitos e poucos o desafiavam.

- Ótimo. – Disse – Os monges disseram a verdade? – Indagou.

O Capitão, a sua frente, sem piscar e pensar, respondeu:

- Sim meu Rei. Depois de muito a torturá-los conseguimos todas as informações, mas não estaríamos indo longe demais?

O Rei remexeu-se em seu trono, quase como que fosse incomodado pela súbita insubordinação do seu mais leal lacaio.

- Como assim? Não me diga que o Senhor, Capitão, tem medo de superstições tolas, contadas para crianças na hora de dormir. – Rindo do “medo” de seu capitão.

O Homem a frente do Rei, respirou profundamente, não temia a nada e nem a ninguém e, muito menos, aquele homem a sua frente. Se o pudesse, mataria ali mesmo, mas não. Não queria confusão do seu lado e pouco importava o que aquele homem vil e maquiavélico pudesse fazer para com o Território de Ravalia. Mas, ainda assim, tinha um certo “medo” sobre o que os monges disseram, pois estava ligado ao seu passado.

- Então? Tens medo? – Dando um sorriso sarcástico e um olhar irônico ao Capitão.

- De forma alguma, meu Senhor. Sabes muito bem que sou um soldado de Ravalia e soldado nenhum tem medo de superstições tolas e pueris. Tudo foi feito para espantar os covardes, seres com medo de viver e que não merecem a vida que levam. – Retorquiu o Capitão, olhando pesadamente para o Rei.

Mais uma vez o Rei sentiu-se atormentado e, deveras, sentira medo com aquele olhar. Nunca, homem algum, pusera em palavras tão exatas a vida dele como é.

- Então sabes o que fazer... – Se levantou e dera a mão ao Capitão. Este, por sinal de respeito a beijara. – Vá.

(...)

A sua cota de Mithryll estava totalmente molhada pela chuva, assim como a sua calça e seus sapatos, mas pouco importava. O som da batalha continuava extremamente alto e, ainda mais, perturbador. Pedidos de clemência, na língua nativa, podiam-se serem ouvidos por vários metros, até mesmo, onde ele estava.

Pouco importava para ele. Não gostava de estar ali, mas deveria estar ali, pois os desígnios do seu passado, presente e futuro, necessitavam e mostravam que ele deveria ir àquele lugar. Um sentimento de tensão era sentido por todo o seu corpo e, a cada segundo que passava, sentia-se mais próximo de seu destino.

Os seus longos cabelos negros, com várias linhas brancas – que, diga-se, não é efeito da passagem de anos, nem bruxaria, nem qualquer outra coisa que a ciência pudesse explicar – encharcados pela chuva cobriam, em parte, o brasão do Reino de Ravalia. Um dragão azulado que brigava com um Leão avermelhado, pois, antigamente, Ravalia era dividida em duas regiões que foram unidas depois de milhares de anos de Guerra.

Segurava, em sua mão esquerda, uma espada ebanica – criada a muito tempo pelo povo que se chamavam de Ébanos -. Tal espada seguia linhas desconhecidas da dos ferreiros locais de Ravalia e tinha forjada com aço Pergamum – muitos tentaram recriar esse aço, mas todas as tentativas foram em vão – que dava um tom negro a lâmina da espada. O seu cabo era feito em platina, ferro e pequenas porções de ouro e, ao longo da lâmina, existiam runas de uma língua estranha e esquecida a muitas gerações. Enquanto essa arma jazia em sua mão esquerda, na sua mão direita estava um pedaço de papel que continha o mapa do desenho da cidade. Por poucos segundos, desviara a atenção para aquele pedaço de matéria morta.

(...)

- Entre meu filho. – Disse uma senhora no Festival das Rosas de Prata de Ravalia apontando para uma pequena barraca entre dezenas que estavam na praça Central da Cidade de Meziot, a Capital de Ravalia. – Por favor, não tenha medo.

A Senhora, já idosa, vira aquele jovem rapaz, que parecia ter acabado de entrar para a Força Armada Real de Ravalia, e sentira algo estranho, algo que a muito não sentia e estava sendo compelida a conversar com ele.

O Jovem, que estava de guarda no Festival – pois na noite passada ficara de porre no Bar dos Elefantes, um dos mais freqüentados de Meziot e, agora, estava pagando pelo que fizera, pois desrespeitara a casa e o seu dono - , relutara no começo, mas, do mesmo modo que a Velha Senhora, sentia-se compelido para entrar naquela pequena barraca. Pedira para um colega para que ficasse em seu lugar e prometera-lhe 3 peças de ouro se não contasse a ninguém.

Ele, então, se sentou e ficara esperando, pacientemente, a senhora contornar a mesa e se sentar a frente dele. O local parecia, ao mesmo tempo, acalentador e assustador. Havia peças de um antigo vestuário de uma bruxa, ou cartomante dependendo do gosto do freguês e de suas crenças, que não mais se ajustava no corpo bolorento e um pouco inchado pela idade da Velha Senhora, ainda havia alguns baús, fechados, e, ainda, cordões de ouro e gaiolas agora vazias.

A sua frente, a Velha Senhora e, também, uma bola de Cristal, claramente para enganar os trouxas – sempre pensará ele deste modo – Cartas para ler o passado, presente e o futuro e outros apetrechos para criar engodos para os mais desavisados. Sinceramente, para ele, não deveria estar ali, mas se sentia, ainda mais, compelido a estar ali.

- Me dê a sua mão. – Disse a Senhora.

Sem pensar, ele, rapidamente, dera-lhe a mão. Ela a pegara com firmeza, tal qual, que impressionara o rapaz, não pensaria que a Mulher, tivesse tanta força.

A Senhora apertou a mão com força e passara os seus dedos enrugados sobre as linhas da palma da mão, com uma força que poderia, se forçasse mais, ou se a pele do Jovem fosse mais fina, rasgar a mão dele.

- Sim... Sim... – Disse ela.

Ele continuava calado, apenas observando calado toda aquela movimentação, talvez uma enrolação da Velha, de ler o seu passado e o seu futuro.

- Sua mãe e seu pai... sinto muito.

Aquilo ele achara estranho, mas, também, poderia ser uma jogada dela, pois muitos dos jovens de sua idade perderam seus pais numa doença, até agora, desconhecida. O mais estranho é que pais com mais de um filho não foram mortos e os descendentes dos pais mortos ficaram com uma espécie de cicatriz avermelhada em alguma parte do corpo, como se fosse uma espécie de marca, e a sua ficava exatamente em seu braço direito e a mão que a velha estava segurando era justamente a direita.

- Sinto algo de grande em você. – E deslizou a mão no seu braço direito. Quando chegara a tocar a cicatriz do rapaz, jogara-se para trás quase como impulso. Todo o seu corpo começara a suar. – Grande força... – Falara fracamente a Velha.

(...)

A sua cicatriz começara, quando chegara aquele lugar, a arder como uma brasa que caí em alguma parte do corpo. A cada passo que dava e se aproximava da cidade, a dor não apaziguava apenas aumentava, fazendo-o segurar com mais força o pedaço de papel em sua mão direita.

Essa dor começara a um pouco mais de dois dias, quando, finalmente, chegara próximo ao limiar que separava Ravalia do Reino Esquecido. Não podia explicar aquela dor, mas sentia que era alguma espécie de ligação para com os acontecimentos que iriam ocorrer naquele lugar.

Um dia antes de chegar ao local da Batalha tivera um sonho tão profundamente estranho e louco que acordara, no dia seguinte, banhado em sangue e suor. Ao abrir os seus olhos, vira essa cena horrenda e gritara. Nenhum dos Curandeiros pudera explicar porquê o seu corpo havia expelido sangue, mas, o mais estranho, que aquele sangue não era dele. No sonho, ele matava um monstro de 4 metros de altura com o corpo totalmente desfigurado e, no seu meio, havia uma jóia encravada. Sentia que era a Tomil Ardon, a Pedra Sagrada que, diziam os monges capturados pelo Rei, estava guardada no Reino Esquecido.

Ao cortar o monstro, sentira dores por todo o corpo. Não conseguia ver a expressão de dor daquele dito cujo, mas podia ouvir os seus gritos de lamúria. Os cortes, com a sua espada, estavam ficando cada vez mais profundos e a criatura começara a recuar, ao tentar chegar próximo da Tomil Ardon, uma dor sem qualquer precedente que pudera se lembrar permeou todo o seu ser e, isto, o fizera acordar.

Foi aí que sentira, ainda mais forte, a dor que trazia para consigo na sua cicatriz. A dor que sentira em todo o seu corpo, agora, se reduzia num único ponto que, por vez, precisava, cada vez mais se concentrar para não tentar senti-la por completo.

De repente, uma fecha passara próximo ao local onde ele estava. Um grupo de Jenavantes, seres meio homem, meio Moradores dos Bosques – humanóides com orelhas pontiagudas, olhos negros e fala estranha – passara batido no local onde ele estava, não haviam prestado atenção naquela figura que ali estava parada. Este grupo estava indo em direção a batalha para ajudar os moradores do Reino Esquecido.

- Ao mundo e a vida. – Gritou deles e, em seguida, um coro completo de Jenavantes gritou de volta – Ao mundo e a vida. – E avançaram sobre a horda de cavaleiros, espadachins e arqueiros de Ravalia.

A dor que sentia, agora aumentara ainda mais.

(...)

A Velha o olhava aturdida. A dor ainda não havia passado por completo. Aquele jovem tem sim algum futuro, mas ainda não sabia responder qual. Resolvera, então, pegar as cartas. Elas eram, muitas vezes, reveladoras para o destino de muita gente. A Senhora depositava muita fé nestas e, como um favor, elas devolviam as respostas que necessitava.

- Meu jovem. Pegue este deck de cartas e faça-me o favor de embaralhá-las.

Ele, um pouco descrente daquilo tudo, fizera o que a Senhora pedira-lhe para fazer. Pegou as cartas, que eram maiores que a sua mão podia comportar, apesar de ser alto. Sentira que elas eram um tanto quanto ásperas no lado das figuras, parecia que aqueles desenhos foram feitos com areia e na parte contrária eram lisas e macias como uma pele de mulher.

A Senhora havia recebido aquelas cartas a mais de 150 anos por uma jovem que andava tranqüilamente numa estrada próximo a Armetiza, a cidade natal da Velha. Ela havia dito a Velha.

- Grande poder elas lhe trarão. Mas, se usá-las para beneficio próprio será amaldiçoada até que o Destino de Todos chegue e ficarás livre do seu fardo. – Então lhe dera as cartas, pois não conseguira recusá-las, de forma alguma.

- Agora coloca-as na forma de um quadrado perfeito. Dispondo-as três de cada lado. Três em cima, três no meio. Três embaixo.

Pouco a pouco o Jovem foi colocando as Cartas sobre a mesa.

- Obrigado meu querido. – Disse a Velha. – Trinta e seis são as cartas que selam o destino de muitos, mas, apenas uma sela o Destino de Todos. – Haviam 6 Cartas em cima da mesa

A Primeira Carta foi virada, era a primeira na parte esquerda superior do quadrado. Era o Lobo.

- Vida vil e sorrateira você passou ao longo dos anos. Um Lobo entre Cordeiros você viveu. Sempre andando sozinho. Um lobo que continuará, para sempre, desgarrado da sua alcatéia.

O Jovem olhara para aquela Velha. Nada mais poderia ser dito além dela estar dizendo a mais pura verdade. Desde a morte dos pais, nunca se entrosara com a tia, com quem vivera, nem com seus primos. Quando foi para a Força Real, tão pouco tinha muitos amigos, apenas alguns que tinham a mesma linha de raciocínio que ele.

A Segunda Carta fora virada, ficava abaixo do Lobo. Era o Olho.

- Desconfiado de tudo e de todos. Nunca confiara, nem em ninguém próximo. Esta desconfiança o matará.

Virara a Terceira Carta, ficava na última linha e na ultima coluna, da Esquerda para a Direita. Era o Sol.

- Num fim muito próximo, você verá a luz.

Virara a Quarta Carta, que ficava acima da Terceira Carta. Era o Gigante.

- Essa luz terá a forma de um Gigante. Possivelmente um Gigante de luz.

Virara, então, a Quinta carta, esta ficava no lado diametralmente oposto do Gigante e abaixo do Olho. Era o Grito.

- Essa Luz Gigantesca estourará sobre você, como um grito.

Virara a Sexta Carta, a Segunda da primeira linha. Era As Palavras.

- Tome cuidado com o Gigante de Luz. Pois as suas palavras poderão seduzir-lhe. Essas Palavras poderão ser perigosas.

Virara, agora, a Sétima Carta. Era o Aço.

- O Gigante poderá ser parado com o Aço que você terá em suas mãos. Mas, tome cuidado, o Metal que você segura poderá dominá-lo, pois o elemento que o foi feito é especial e impuro.

Virara a penúltima carta que ali era mostrada.

- Sangue... – Nada mais dissera a Velha e, agora, tinha receio em levantar e virar a ultima carta do baralho que estava disposto em cima da mesa.

Ela, como se sua mão tivesse vontade própria então, virara a Carta do Meio. A Segunda da Segunda Linha e a Segunda da Segunda Coluna. Era o Destino de Todos. Desenhado com um globo em sua forma circular e que reluzia cores que variavam de observador a observador. Indo do verde ao vermelho sangue.

- Sangue e Chuva. Carne e Metal. – Começara a falar automaticamente a Velha. – Estas serão as únicas coisas que poderá sentir na sua vida para daqui a frente. Não sentira pena, não sentira medo, nem clamor pela vitória. Apenas que a sua vida está sendo guiada para um fim. Uma Batalha, sim... uma Batalha, infindável, nauseante, estafante. Vai ser o seu lugar de derrota, derrocada e julgamento.

- Ficará, pela sua vida, imerso na Escuridão. Clamando por um fim, mas que fim será esse? Que fim você vai querer? Esse fim, por mais que tente fugir, é seu e somente seu, mas, ainda, não será somente seu, decidirá, por nós, o que deve ser, ou não, preservado. A Tomil Ardon, meu rapaz, lhe espera. Depois de tanto tempo, tantos anos.

Aquele Jovem-Homem ficara com medo com as palavras da Velha, nunca havia sentido coisa igual. Parecia que toda sua vida, no tempo passado, presente e futuro, passava por todo o seu ser e ficava, a cada segundo, cada vez mais velho. Queria sair dali, queria sair de lá já.

- Não fuja do seu Destino, pois, coisas piores ocorreram. Se for atrás de um amor, será amaldiçoado eternamente até que se encontre com seu Destino. Não vá atrás de vingança, pois ela voltará a você com força maior. Seja o que você nasceu para ser. Um Homem do Mundo. O Destino dos Homens sobre Um. O Escolhido entre muitos. O Maldito. – E o semblante da Velha ficara cada vez mais Jovem. – Enfim, o Escolhido da maldição na qual estou livre. E que ficaras livre se escolher o certo – De Repente o corpo da mesma desaparecera por completo.

(...)

A Batalha havia terminado. O Homem segurava a sua espada com a mão esquerda, não agora no punho da mesma, e sim em sua lâmina. A ansiedade e a dor da cicatriz aumentaram e muito. Sangue e chuva se misturavam ao longo da poça de água a sua frente. Mas pouco prestara atenção neste aviso.

No Campo de Batalha jazia crianças, velhos, mulheres, homens e muitos outros elementos estranhos que vieram ajudar o Povo do Reino Esquecido. Metal e Carne se misturavam em uma Ode à Morte. O cheiro execrável ainda não podia ser sentido porque a chuva continuava a castigar o local, mas, em breve, o cheiro da morte será sentido por quilômetros inimagináveis.

Ele andou por entre os corpos inertes e pueris. Existia uma certa felicidade macabra no rosto dos atacantes e dos defensores. Pois, acima de tudo, acreditavam estar lutando pela honra do seu Reino. E era isto que movia muitos homens, a Honra acima de tudo.

O Homem apenas achava tudo aquilo uma perda de tempo. Dar a vida pela Honra? Dar a vida a um país com o governo corrupto e o governante estúpido? Que vida era aquela? Que honra havia? Não sentia repulsa máxima porque, a algum tempo atrás, faria a mesma coisa, maldita seja aquela Velha-Moça e seus truques e maldições.

Uma jovem, muito ferida, se erguera dum monte de corpos que estava acima dela. Com toda força possível retirara os corpos que estavam em cima dela e, num impulso, ficara de pé. Estava com a cara toda ensangüentada e respirava sofregamente. Ao ver o Homem, o único inteiro e “limpo”. Pedira-lhe ajuda.

- Senhor... – Os seus olhos se encheram de lagrimas, mas não podiam ser vistas por causa da chuva. – Me ajude Senhor. O Senhor parece ser uma boa pessoa... estou muito ferida. Por Favor.

Ele passara batido por ela.

- Por favor – Gritara com todas as suas forças. – Preciso de sua ajuda. Se tem um pouco de dignidade em seu ser, me ajude. – A jovem era, pelas marcas em sua testa, uma Cidadã Perdida.

Um soldado de Ravalia, dum lado mais distante, se levantara, juntamente com alguns outros e viera atrás do Homem, de Seu Capitão. Ao se aproximarem pegaram a Jovem-Menina e a trouxeram próximo ao Capitão.

- O que fazemos com ela Meu Senhor? – Disse um deles.

A Jovem estremecera-se toda. Não sabia que estava falando com um inimigo seu e sabia que o seu fim estava próximo. O Homem se aproximou do grupo e, com a sua espada, rasgou a garganta de um dos soldados. Em seguida passou a espada a poucos centímetros da axila da Menina perfurando o abdômen daquele que a segurava. O terceiro soldado correra dali com medo.

- Por que? – perguntou a Jovem.

Ele, apenas, se virou e continuou o seu percurso para dentro da Cidade Perdida de Somahi. O vento soprava hediondo pelas casas inertes e corpos caídos ao chão. A Morte abraçara aquele lugar como se estivesse em casa.

Os seus passos eram os únicos que podiam ser ouvidos por todo o local. Era triste entrar num local que, segundo as lendas, fora um dos mais proeminentes Reinos da Era Heróica, a mais de 5000 anos.

A sua cicatriz agora ardia com uma força sem igual, fazendo-o ajoelhar-se quando chegara no Templo de Ko´lo´mar. O criador daquela cidade e Pai-Mestre dos Jenavantes quando estes moravam no Reino Perdido. O local era muito maior que qualquer palácio que havia visto ou ouvido falar.

Enquanto estava sentindo todo o seu corpo adormecido pela dor, um raio caíra a poucos metros de onde estava, mais aproximadamente da entrada do Templo, fazendo o chão começar a ceder.

Poucos segundos depois, a rachadura se aproximara de onde estava e o fizera cair num grande túnel. Esquecido a muito.

(...)

Pingos. Pingos. Pingos. Pingos. Pingos irritantes socavam-lhe a testa. Mais pingos. Queria poder gritar naquele instante para fazer parar aqueles pingos. Ao abrir os olhos vira que estava num local ermo e desconhecido.

Cuidadosamente se levantara, apoiando-se na parede próximo onde estava. Todo o seu corpo estava dormente, mas a dor dilacerante de seu corpo que o permeava por causa da cicatriz havia sumido.

Caminhou, vagarosamente, onde parecia ser – e vir – luz. Não sabia o que fazer, mas sentia a obrigação de caminhar por aquele lugar. Ao se aproximar do ponto de onde vinha a luz, a sua espada, que estava trazendo consigo, e suas runas, começou a brilhar. Do mesmo modo várias runas em toda a parede do local começaram a brilhar. Pareciam que estas se encaixavam perfeitamente.

No final do túnel havia uma gigantesca porta e apenas um único buraco retangular. De repente a sua espada fora impelida a seguir aquela direção. E, sem conseguir parar ela, esta se encaixara diretamente na abertura fazendo, em seguida, a porta se abrir.

Um gigantesco salão pôde ser visto pelo Homem. Apenas um pequeno pedestal no meio e uma pedra estavam vista de tudo. Ela brilhava tal qual a luz do Sol. Era a Tomil Ardon. Quando começara a se aproximar dela, começara a sentir vários estalos em todo o seu corpo. Sofregamente se aproximara da pedra.

- Está pronto? – Disse uma Voz alta o bastante para inundar todo um Castelo e fazê-lo ruir.

- Sim. – Disse o Homem.

- O Destino de Todos está nas suas mãos. Você escolhe...

A luz tomara a forma de um ser – tal qual parecido em seus sonhos.

- Agora escolha... – Disse a Voz.

Ele se aproximara do monstro, este nada fizera, várias vozes permeavam o seu ser, dizendo para pegar a Tomil Ardon e ficar com todo o poder e se tornar o mestre de tudo e de todos. Cada vez que se aproximava as vozes de egoísmo se tornavam cada vez mais fortes. “PEGUE A PEDRA... PEGUE A PEDRA... PEGUE A PEDRAAAA”

Sacou a espada a mão esquerda e se aproximou para pegar a pedra, a mão direita. Parecia que iria enfiar a espada no monstro e tentar confundir o mesmo quando, de repente, um segundo de resolução, esquecera as vozes, esquecera o que o Rei lhe pedira e sentia a necessidade da Escolha.

- Nem eu... nem ninguém... nunca fui o Escolhido... todos temos o Livre Arbítrio. – E, com as duas mãos, com toda a sua força quebrara a Tomil Ardon, fazendo a sua espada quebrar-se em estilhaços. Um deles penetrara no seu tórax, próximo ao coração.

- Por que? – Perguntara a Voz.

Apenas choro podia ser ouvido. Um choro de felicidade e lágrimas escorrendo pelo rosto do Homem.

- Por que?

- Nenhum homem tem o Direito de escolher o Destino dos outros Homens. Ninguém.... cof cof... – sangue saia de suas tossidas – pode...

Toda a luz solar, que vinha da Tomil Ardon, permeara todo o local e, em seguida, explodira numa expansão maravilhosa, iluminando todo aquele local e, indo mais além, iluminando a Cidade Esquecida. Os poucos sobreviventes do Massacre de Somahi viram aquela luz e, depois, a sagraram como a Luz do Novo Começo.

Três pequenas luzes saíram daquele local e sumiram para o horizonte. Cada uma carregando uma cor diferente.

(...)

Dizem que, depois do Massacre de Somahi e a Luz do Novo Começo, A Era das Ardins começou. Mas isto é uma outra História.

Fim.

Daniel Gomes é criador e responsável pelo Pbem "Play By E-mail", onde são desenvolvidas as histórias da USS Bishop. Visite a página da USS Bishop. STAR TREK UNLIMITED

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