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“... e Deus fez o homem à sua imagem e semelhança...” Assim estava escrito na “Bíblia”, antigo livro sagrado do planeta Terra
O planeta Hahrad possui muitas semelhanças com o planeta Terra; a começar pela complexa forma de vida carbonada, estruturada por milhões e milhões de moléculas, que integram diferentemente cada parte dos componentes dos seus corpos, numa intrincável rede de informação genética. Numa análise comparativa entre ambos seres - com um humano capturado é claro -, percebeu-se que, quando passados na máquina de performance estrutural biomolecular, que as modificações acontecidas em bilhões de anos de evolução foram poucos significativas, as duas raças sofreram pequenas transformações. Um humano e um hahradiano não possuíam nenhuma diferença interior nem exterior; as mesmas quantidades de ossos, órgãos funcionais e membros idênticos. Inclusive nas leituras neuro-cerebrais, as correntes elétricas mantinham o mesmo padrão, levando em consideração que os desníveis entre um e outro, eram tão mínimos que os cientistas resolveram nem levar em conta.
Mas por que os cientistas do planeta Hahrad estavam tão interessados no planeta Terra? Qual importância possuía este planeta?
Já haviam praticamente capturado centenas de humanos de diversas regiões do planeta, como mostrava o imenso Salão Científico, onde se podiam perceber vários corpos protegidos por redomas transparentes, e flutuando em uma gelatina esverdeada de energia irradiante. Eram brancos, negros, amarelos, pardos, crianças, mulheres, homens, bebês e fetos em diversos estágios de crescimento. Toda aquela parafernália de equipamento estranho fazia parte das incessantes pesquisas que buscavam respostas, através das análises díspares, e dos resultados conseguidos até aquele momento. Pareciam mortos, mas não estavam; permaneciam em estado de hibernação metabólica, com seus organismos vitais funcionando fracionados a níveis baixíssimos. Havia apenas uma tênue linha de energia que os mantinha em animação suspensa, para a segurança e bem-estar de todos.
Desde que surgiram as primeiras criaturas antropóides na Terra, que eles começaram a capturá-los. No início, foi a cada período glacial em pontos remotos, depois em outros períodos do tempo, até que houve a necessidade de se recolocarem alguns humanos, em determinadas partes do planeta para que o mesmo não retornasse a eras bem mais primitivas, habitadas apenas por animais gigantescos. Realmente, foi uma época de bastante preocupação, pois havia mais bestas assassinas grassando pela imensa ilha - assim que era a Terra vista do espaço -, do que hominídeos. Essa escassez foi que levou os cientistas de Hahrad, a tomarem uma decisão que afetaria e modificaria para sempre os habitantes do planeta: Estocar humanos!
Era algo fora de cogitação! Impensável! Não podiam simplesmente capturar aquelas criaturas, tirá-las do seu planeta, escravizá-las e trazerem para o mundo deles, só por acharem conveniente, e que deveria ser assim. Mas, o que eles, os humanos, pensariam a respeito? Era bem mais complicado. Não se podia colocá-los em cativeiros, como estavam acostumados a fazer com outros espécimes inferiores, considerados como tal por eles, mas que podiam também não os ser! Uma questão difícil de se resolver, mas nada era impossível. E o que fizeram foi desenvolver um complexo sistema de sobrevida. Possuíam uma ciência avançadíssima e uma tecnologia biocibernética sofisticada, apuradíssima que resolveria todos os fatores relacionados aos seres humanos.
Aqueles grupos sociais, que a princípio, argumentavam violentamente contra a idéia de estocagem de humanos, cederam finalmente, pois acreditavam que num futuro não muito distante, os cientistas haveriam de recompensá-los com suas pesquisas. E assim, de uma hora para outra, todo o planeta Hahrad se viu numa missão única, onde sabiam que depois de iniciada, não haveria mais como voltar, pois infringiriam leis fundamentais que regiam o universo, feririam os valores morais, éticos e religiosos e, em especial, a O.N.F.I. Organização das Nações Federativas Intergalácticas em seu estatuto e artigos.
Houve uma época em que os habitantes do planeta, por problemas políticos/religiosos, se envolveram numa dramática guerra interna, que os levou quase ao extermínio. até que numa revelação ímpar, voltaram-se para questões mais prementes, vitais, e menos filosóficas. Concluíram que era mais importante a vida do que a complexidade das emoções e sentimentos voláteis. Precisavam evoluir, crescer, alcançar metas nunca antes alcançadas em conseqüência de tais arroubos de paixões e espíritos belicosos. Precisavam retornar às raízes, ao pensamento puro, tecnológico.
Quando surgiram os primeiros Salões Científicos expondo humanos em redomas, foi um impacto visual tão grande, que milhares e milhares de hahradianos se puseram em marcha de revolta, contra aquela exposição desumana e ultrajante. Muitos ainda não haviam se acostumado com o novo preceito social biotecnológico, nem com as novas realidades genéticas que se afrontavam. O que estava arraigado de princípios morais, éticos e religiosos tinha de ser extirpado para todo o sempre, pois uma nova ordem, um novo horizonte cheio de perspectivas promissoras se vaticinava para todo o povo do planeta Hahrad.
Durante muito tempo o Salão Científico ficou aberto ao público em geral. Era uma maratona extragaláctica. Havia sempre visitantes locais e de outras partes do planeta que se amontoavam em filas enormes para conhecerem aquela forma de vida, - que não poderia ser estranha, pois se parecia com os seus anfitriões -, turistas de mundos e dimensões próximas eram convidados para satisfazerem suas curiosidades, e até viajarem ao planeta Terra, para verem “In loco” aqueles seres em seus “habitats”, assim como seu “modus vivendi”. Era realmente uma novidade a existência de raças parecidas no universo. Contudo, só havia a comparação, pois em grau de sociabilidade, cultura, tecnologia eram opostos em quase tudo. A Terra era atrasada em muitos aspectos.
O sistema mestre que usava a sigla D.E.U.S (Desenvolvimento Em Unidades Semelhantes), abriu o caminho para que os cientistas desativassem todos Salões Científicos; e que se determinassem também a devolver os humanos ao planeta de origem. Tinham a mais completa certeza do que faziam. Não gostavam de manter os corpos humanos em estado de animação suspensa por muito tempo. O período de esclarecimentos, adoração e sonhos terminava. O povo de Hahrad precisava de respostas imediatas, pois sacrificaram suas ideologias em prol de uma esperança.
Nos mesmos locais onde se localizavam os Salões Científicos, surgiram as fantásticas construções em cristais reluzentes, que se arrojavam aos céus numa criação majestosa e divinal. À frente dos prédios, no meio de um imenso jardim gramado e repleto de flores exóticas, havia a escultura de um casal elevando uma criança nos braços, como em adoração, e abaixo, no pedestal, uma placa em aço marmóreo, estava escrito: BIO INCUBADORA SELETIVA - LINHA DE MONTAGEM – Núcleo Yz1952. Mais adiante, num portão dourado um grande logotipo com as iniciais “BiS”. E o pingo da letra “i” era uma reluzente cópia do globo terrestre.
Nos microprocessadores sinergéticos pessoais e comunitários começaram a surgir notas e matérias a respeito das Bio Incubadoras Seletivas. A chamada principal alardeava: TENHA UM FILHO HOJE! E continuava: Com um simples toque e dez movimentos, você realiza o seu sonho!
As informações eram recebidas com certa desconfiança e muita surpresa. Que prodígios científicos estariam se realizando? Qual a finalidade daquilo tudo?
Folhetos explicativos eram distribuídos nas principais cidades, e indutores televisivos alardeavam a novidade para todos os cidadãos hahradianos, em meio a uma forte campanha publicitária. Dizia o texto:
“Durante muito e muito tempo, apenas pudemos apreciar as criaturas humanas através das redomas transparentes. Admiramos suas formas, cada particularidade das suas feições através das imagens gravadas, observamos e sentimos tudo o que nos era possível. Mas a partir de agora, nossos sonhos começam a se tornar realidade. Por quê? Nossos brilhantes gênios científicos estudaram cada osso, cada músculo, cada célula, cada molécula dos corpos expostos no Salão Científico. Nas amostragens antropomórficas e comparativas da anatomia e fisiologia, nas análises biológicas e estruturais nada ficou a dever a um de nós. Ocorreram mínimas diferenças no sistema respiratório, mas tudo foi solucionado com pequenas modificações na base seqüencial da molécula de DNA. Foi desenvolvida a construção de cada molécula de DNA de acordo com um plano exclusivo. Para cada trilhão ocasionamos a falta de uma base de molécula, e implantamos bases modificadas de moléculas matrizes harhadianas. Enfim, as pesquisas chegaram à exaustão a ponto do Departamento de Engenharia Genética criar diversas Seções Intermoleculares para estudo de cada célula do órgão humano. E a conclusão foi a criação de um gigantesco banco de células classificadas e organizadas, dentro do sistema mestre chamado D.E.U.S. A sigla é uma homenagem ao Criador, Entidade Máxima venerada pelo povo do planeta Terra. Isto quer dizer que, a partir de agora, segundo a vontade de D.E.U.S todos poderão criar um ente humano com um simples toque e 10 movimentos à sua imagem e semelhança”.
“Com D.E.U.S estão guardados quintilhões e quintilhões de informações sobre o corpo humano: cabeça, órgãos do corpo, células, esqueleto, crânio, espinha, ossos e articulações, músculos, mãos, pés, pele e pêlos, cérebro, sistema nervoso, olho, ouvido, nariz, boca e garganta, dentes, sistema digestivo, coração, sistemas circulatório, respiratório, urinário e reprodutor, além de explicações bastante detalhadas sobre o desenvolvimento de um bebê, depois, uma criança e, em seguida, as fases mutativas para se chegar a um adulto perfeito!”.
“Com um simples toque e 10 movimentos, você pode definir a característica do seu filho, a cor dos olhos, a tonalidade da pele, o sexo, o tipo de cabelo, a característica regional, o idioma, o grau de conhecimento, o Q.I, etc. Depois com um simples toque, finaliza a operação e visualiza no IT – Indutor Televiso a projeção da criatura concluída através de programa de efeitos virtuais”.
“Mas enquanto se procede o desenvolvimento, a gestação e a incubação do seu pedido, aguarde confortavelmente na sala de espera, para ser chamado pela recepção, e buscar o seu filho com a idade e formação à sua escolha”.
NOVIDADE!
COM O NOVO PROCESSO DE ACELERAÇÃO INTRAMOLECULAR, VOCÊ JÁ PODE TER O SEU FILHO COM A IDADE DE ATÉ 10 ANOS COMPLETOS!
“Obs: Nesse caso o processo de seleção escolhido demora 24 horas terrestres. Apenas 1.440 minutos do seu precioso tempo, que você pode aguardar, usufruindo informações importantíssimas, e aprendendo como criar o seu novo filho que está em incubação, e breve estará indo para o conforto do seu lar”.
“As Bio Incubadoras Seletivas também podem lhe oferecer com a matriz, outras cópias idênticas ou clones, como queiram chamar. Se desejarem ter mais de um filho, é muito mais fácil! Com um simples toque, você pode selecionar o sexo: masculino ou feminino. Não se esqueçam: basta fazer o pedido que D.E.U.S atende!”.
NOTA IMPORTANTE
“No planeta Terra, um bebê demora em média 9 meses, ou seja, 273 dias para nascer, e o processo biológico se passa dentro da barriga de uma mulher, que sofre todos os tipos de transformações físicas possíveis para acomodar a criatura, até a sua constituição biofísica estar completa. É um processo muito primitivo, para o qual não existem garantias, nem a segurança de que a criatura irá nascer com saúde perfeita. O nascimento também transcorre de forma muito perigosa e com risco de vida, tanto para a mulher quanto para o bebê. Após a gestação, inicia-se então, a fase de crescimento que é definida nominalmente por ano. Para se completar a idade de 10 anos de idade, demora-se 3.650 dias o que equivale a 87.600 horas ou 52.560 minutos”
De início foi uma confusão generalizada. Todos os hahradianos queriam o privilégio de ter um filho naquelas condições, ainda mais de um ser humano exclusivo, com detalhes e características só suas. E nasciam bebês com olhos castanhos e azuis, cabelos mesclados, peles multicores, hermafroditas e uma seqüência de deformidades. Apesar de todas as informações, ninguém sabia de nada. Aquela ansiedade de possuir uma cria humana os fazia esquecer as regras e as determinações, as quais se baseavam os processos seletivos de adoção.
Todos os interessados deveriam passar por um recadastramento específico e podiam fazer seus pedidos através dos seus microprocessadores sinergéticos portáteis, com um código particular de acesso: conectando a espátula ótica lingual ao aparelho, deslizava-a lentamente sobre a língua, quando se procedia à leitura espectral que era enviada a D.E.U.S que classificava as informações recebidas dos inscritos, comparando-as com os dados já existentes. Esse procedimento se fazia apenas uma vez. Duas ou mais vezes era completamente irregular e tornava o recadastramento nulo. Mas podia-se fazer nova inscrição no dia seguinte.
Havia uma espécie de controle técnico, apenas para que todos os hahradianos pudessem ter, cada um, a sua oportunidade. Fazia-se necessário um sistema rígido de segurança, para impedir que voltassem a surgir aberrações ou criaturas bestiais, contudo, nada disso ainda estava impossibilitado de acontecer.
Durante a instalação das Linhas de Montagens, os cientistas comprovaram que era preciso apenas um simples toque com 10 movimentos para se criar um ente humano perfeito. Mais do que isso implicavam em outros interesses científicos: A partir do décimo primeiro movimento, conectava-se com áreas mais profundas da inteligência as quais eram, particularmente, cheias de restrições. Não que todos não pudessem, nem tivessem conhecimento destes movimentos avançados, mas sabiam que, um simples toque com 10 movimentos, era mais do que necessário para se alcançar a perfeição divinamente humana.
A Linha de Montagem da Bio Incubadora Seletiva possuía uma estrutura gerencial muito simples, e o suporte de atendimento tratava o cidadão hahradiano como cliente preferencial, e, como tal, ele tinha a participação ativa na administração, em parte, do processo de gerenciamento dos seus pedidos. Nos casos mais comuns, quando se fazia apenas a complementação de células – no caso específico, desenvolvimento de tecidos para transplantes de órgãos, nos hahradianos que perderam membros durante o período de guerra, ou estivessem em listas de esperas para captação de órgão -, os cidadãos/clientes faziam o acompanhamento de suas próprias encomendas e, em outras circunstâncias, recebiam a criatura/filho num invólucro acolchoado de material metalizado e em temperatura ambiente. Nas versões mais sofisticadas, a participação do cidadão/cliente se configurava numa esquematização mais elaborada; era quando o cidadão/cliente fazia o seu pedido via microprocessador sinergético pessoal, e recebia o seu pedido/filho por transporte em embalagem especial. Geralmente, a forma mais simples, de um atendimento rápido, era ir pessoalmente à Linha de Montagem fazer o seu próprio pedido diretamente a D.E.U.S. Havia uma predisposição preferencial para aqueles que participavam ativamente de todo o processo de gestação virtual e conclusão real, na elaboração de cada criatura/filho.
E com uma nova programação a partir de diretrizes ordenadas pelo sistema Mestre D.E.U.S, as Bio Incubadoras Seletivas passaram a adotar a reengenharia genética de processamento, e a participação do cidadão/cliente tornou-se mais eficaz, melhorando, inclusive, a capacidade de desenvolvimento e gerenciamento dos pedidos, através de nova geração de equipamentos; e em níveis mais elevados, os cidadãos/clientes passaram a ter atendimento em tempo real, e os pedidos que duravam até 12 horas para incubação e gestação, foram reduzidos para apenas 2 horas!.
Durante esse período de transformações muitos grupos e sociedades de seres místicos que negociavam e conviviam com o povo do planeta Hahrad, ressentiram-se da valorização ao extremo da tecnologia, e o abandono por completo da religiosidade e doutrina espiritual. Questionavam a todo instante onde eles haviam guardado a crença, a fé e a esperança?
E os hahradianos apontavam em direção às Bio Incubadoras Seletivas. Não discutiam mais sobre esses assuntos. Aprenderam uma lição. Espírito ou alma era apenas uma denominação da energia unificada que compunha todas as moléculas e células de cada corpo. Uma molécula isolada era apenas uma parte complexa de uma estrutura em composição. Mas quando todas se complementavam, unidas, encaixando-se numa interação organizada, fundiam-se através de descargas eletromagnéticas numa explosão atômica no TODO.
O calor, a energia que emanava do corpo, essa coisa chamada alma ou espírito, era pura questão de crendice e teorias religiosas, ou mitos fantásticos implantados no subconsciente do homem primitivo, por meio da força da necessidade de se acreditar em algo, e até nele mesmo. O pensamento humano que dizia: “Amar ao próximo como a ti mesmo” era o exemplo cientifico/filosófico do respeito que o ser humano tinha pelo seu corpo. Não havia nada de emoção ou sentimento altruísta naquela mensagem, e sim o divino respeito que se devia ter pelo seu próprio corpo e do seu próximo, em virtude dos mesmos serem os guardiões de toda a essência da vida. Agora, o amor como era interpretado, não passava de equivocadas expressões externas do meio ambiente, moldado através das gerações.
O povo hahradiano não tinha e não queria perder mais tempo com questões espirituais.
As Bio Incubadoras Seletivas comprovavam que com apenas um simples toque e 10 movimentos, podiam se desenvolver perfeitas criaturas, com todas as características humanas, mas voltadas ao meio ambiente do planeta Hahrad. Não havia nenhum clima de racionalidade, nem desprendimento emocional exacerbado por parte das criaturas/filhos dos cidadãos; muito pelo contrário, desempenhavam suas funções satisfatória e plenamente. O que podia se esperar era que o próprio convívio social despertasse um estado de emoção equivalente. Muitas das crianças, como prêmio, faziam testes de garantia e qualidade performática, estudando e convivendo com pais adotivos, em lares, no planeta Terra, e agiam como todas as crianças locais. O fato é que muitas criaturas foram deixadas em diversas cidades do planeta Terra para vivenciarem o ambiente. E muitas, agiram e reagiram como todos os seres humanos fariam em quaisquer situações: de forma humana e emocional. Aqueles que se enquadraram realmente no cotidiano e tiveram fortes rupturas e desnivelamentos sociais, retornaram para Hahrad às pressas, e tiveram seus fins predeterminados por D.E.U.S. A intenção dos testes era comprovar a perfeição das criaturas em ambientes sociais, para a aprovação de modelos padrões, sem, contudo, deixá-los interferirem na vida comum dos habitantes terrestres, já que possuíam uma inteligência superiora. Em casos como os que aconteceram anteriormente, foi necessário agir rápido antes que houvesse muito mais danos.
Mas houve aqueles que, passado o período de experiência da adoção, rejeitaram seus filhos, e, através de Pedidos de Devolução Espontânea, enviavam-nos para as Bio Incubadoras Seletivas, sem darem o menor motivo ou explicação. A grande maioria, entretanto, respondeu simplesmente: incompatibilidade de personalidade ou rebeldia social. E não eram 100 ou 200, mas milhares de Pedidos de Devolução Espontânea de criaturas/filhos de todas as idades que chegavam; e assim como acontecia no processo da Linha de Montagem, no desenvolvimento dos bebês, as criaturas/filhos foram levadas para o Depósito de Desestruturação Biomolecular, ou Desatomizador Celular. E os computadores ativaram os banco de dados e D.E.U.S excluía os “Backups” de arquivos, eliminando de vez todo o conteúdo vital. Só havia uma regra no complexo cibernético: Somente D.E.U.S tinha o poder de fazer ou se desfazer das suas criaturas.
Os cidadãos/clientes que devolviam seus filhos eram eliminados do cadastro geral e incluídos na lista de rejeitados. E nunca mais poderiam fazer novo pedido, pois seus registros e cadastros levavam uma tarja vermelha com a logo “BIS” ao centro.
Quando os cientistas resolveram devolver os humanos ao seu planeta de origem, atentaram para um fato importante. A Terra passava por um período conturbado. Tal como já havia acontecido com eles e era uma experiência traumatizante. As grandes potências haviam se declarado a guerra. E os cientistas de Hahrad pensaram que, assim como sucedera em seu planeta, poderia também se suceder ali. Retornaram com os humanos naquele momento crucial, levando algumas mentes brilhantes que poderiam orientar aos homens da ciência, bem como desenvolver equipamentos que ajudassem na reprodução de órgãos para as vítimas de mutilações de guerra, assim como o descobrimento de medicamentos eficazes na cura de doenças mortais. Era um gesto de gratidão ao povo da Terra pelo muito que fizeram por eles em todas Eras.
NOTA DO NAVEGADOR: Pelo que pude entender, as centenas de humanos que retornaram ao planeta Terra, fizeram-no muito a contragosto dos hahradianos. O que consta nas minhas pesquisas é que praticamente quase todos os terrestres foram mortos por forças inimigas, e a maioria reduzida a nada, numa explosão atômica. Eu, pessoalmente, considerei a idéia e a hora erradas para enviar os humanos. Ingenuidade ou imprudência? E acredito que alguém perdeu uma grande oportunidade. Mas quem sou eu para julgar?
Fim
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