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Dados de Batalha
- O Capitão está morto. – Gritou um dos oficiais que estavam próximos ao oficial, líder do esquadrão. O Choque Omega tinha destruído 2/5 do total da tropa. A chuva ainda continuava, torrencialmente, a descer no descampado semiplano onde ocorria à batalha. A visibilidade não era lá das melhores, ainda por cima.
Os poucos soldados que restavam tentavam se aproximar do corpo do seu capitão e, assim, formar tentar continuar a avançar sobre o inimigo, coisa, na qual e no momento, pareciam difíceis de ocorrer. Tiros e mais tiros estavam vindo direto do Fronte de batalha fazendo, assim, muitos mais soldados daquele Capitão, que jazia morto, caírem ao chão, tal qual o seu superior.
- Aqui... aqui. – Dizia um soldado enquanto tentava montar uma trincheira. – Quantos somos ainda?
Um dos que haviam chegado a trincheira improvisada procurava pelo equipamento de localização, no qual dava, ainda, dados de sinais de vida dos oficiais ali destacados.
- Um pouco mais de 200 e diminuindo. Se o reforço não chegar logo estaremos ferrados em pouquíssimo tempo. – Disse o técnico que estava analisando os dados. – Só não podemos ficar aqui parados esperando uma bomba descer em nossas cabeças.
- Sim... o que podemos fazer então? – Disse aquele que estava mais próximo do corpo do capitão, que, agora, estava começando a se carcomer. Era incrível a velocidade da radiação que o Choque Omega tinha. Os outros soldados que estavam perto do capitão haviam se desintegrado e alguns outros estavam vivos por causa do manipulo genético que lhes dava a capacidade de suportar níveis altíssimos de radiação. – Se começamos a andar, atirando para todos os lados, as nossas armas irão ficar incapacitadas em pouquíssimo tempo.
Enquanto falavam uma tropa de inimigos apareceu num dos lados da trincheira e jogaram granadas sônicas jogando-os quase para fora da mesma. O som que fazia aquele artefato, após a onda de impacto, era ensurdecedor a tal ponto de fazer, em alguns, o efeito nefasto de estourar tímpanos.
- Mas que droga... – Disse um dos soldados atirando contra as granadas, mas, sem um senso de direção, por causa da desorientação sonora que aquele artefato fazia, não conseguira mirar direito.
Então um dos soldados se jogou sobre uma das granadas, abafando o som e, assim, diminuindo a barulheira, outros fizeram o mesmo, mas, assim, sacrificaram as suas vidas, pois o inimigo ainda estava próximo.
Enquanto o inimigo estava distraído, os outros soldados que estavam longe, pois haviam sido jogados para fora da trincheira, viram a cena brutal que se seguira, e sem mais pensar foram para cima dos soldados do inimigo. Tirando com tudo o que tinham de direito. Foi, então, que um outro Choque Omega veio na direção deles e já por demais debilitados, foram arrasados com aquilo.
(...)
Uma aeronave planava pelo campo de batalha. Muitos estavam sendo massacrados lá abaixo. Simplesmente uma das piores tragédias que os Humanos poderiam estar sofrendo no momento. Já haviam perdido a Terra e, agora, perdiam Vênus. Malditos sejam os Neomanos.
(...)
Desde a criação dos Neomanos, que eram, na verdade, humanos geneticamente melhorados e que serviriam para trabalhar em vários setores onde os humanos normais não conseguiriam trabalhar, os seres humanos nunca haviam sentido a ameaça da uma possível extinção da própria espécie.
Só que, a um pouco mais de 10 anos, um Neomano, de nome Chatak Hass, vira como eram tratados os da sua raça e pediu pleito para com a OCTU – Organização das Colônias Terrestres Unidas – sobre o trabalho escravo no qual os Neomanos tinham que exercer.
Quando isso ocorreu, foi um total motivo de chacota entre os vários representantes das Colônias Terrestres e fora posto para fora do prédio da OCTU a força. Do lado de fora muitos manifestantes Neomanos esperavam que o pleito fosse um sucesso e pudessem, assim, serem tratados com respeito tal qual os seus parentes genéticos. Mas ledo engano.
(...)
O General de Ar, Marcus Tomhanssen, monitorava os últimos informes da Batalha que ocorria. Os dados eram ainda piores do que as resoluções feitas por computador. Simplesmente um dos maiores desastres militares já presenciados pela Força Unida Humana desde a Batalha de FrontLong, no derradeiro forte humano na Terra, na Austrália, isto a mais de 3 anos.
Desde então, as várias colônias terrestres vieram a ser tomadas pelos Neomanos. Depois da Terra, foi a Lua, em seguida, Marte e as duas luas. Fazendo, assim, uma separação entre a Força Unida em Vênus das outras colônias Terrestres no Sistema Solar.
Eles não podiam, de forma alguma, perder aquela posição. Era um local estratégico para futuras ofensivas contra os Neomanos na Terra, mas, atualmente, isto era impossível. Faltavam-lhes suprimento e, o principalmente, reforço militar, pois os Neomanos, ainda, estavam batendo de frente com a Força Unida Humana em Europa, uma das colônias terrestres, fazendo, assim, que os humanos ficassem em situação de tocaia.
- Mandem os Gears, agora. – Ordenou o General.
Elemento Surpresa
A situação continuava critica em Vênus. Os muitos soldados da FUH estavam, a cada instante, sendo mortos. Daqui a um tempo nada mais restaria daquela batalha a não ser corpos para serem recolhidos. Mas, se comparado com batalhas anteriores, até que o número de baixas era consideravelmente menor. Pois na Batalha do Ultima Linha – de FrontLong- mais de 10 milhões de seres humanos foram mortos antes da evacuação completa da Terra.
Os Neomanos haviam, quando Chatak Hass começou a revolta, tomando várias posições estratégicas nos setores militares e de telecomunicações assim fazendo com que a humanidade ficasse mais, diga-se, desprotegida.
Sabendo que algo do tipo poderia ocorrer, o Governo da Terra – pelos canais de inteligência – tomaram as devidas providências como, em questão, levar uma boa parte da população da Terra as colônias sem levantar suspeitas e uma parte do material bélico para tais colônias, sendo feita tal operação com meio sucesso.
Pois, seis meses após ter tentado o reconhecimento aos direitos humanos na OCTU, os Neomanos atacaram com força máxima minando cada base militar humana nos pontos importantes da Terra e matando, sem qualquer remorsos, famílias humanas.
Antes de tomarem a Terra por completo, foram mortos mais de 2 Bilhões de seres humanos ao passo que existiam, já, mais de 1.8 Bilhão de Neomanos, muitos deles eram gerados artificialmente e, depois, eram acelerados para um crescimento também artificial.
Agora a Terra, Marte e uma parte de Vênus estava nas mãos dos Neomanos, mas essa situação não poderia perdurar por muito tempo, pensavam os governantes das Colônias restantes dos humanos, como era o caso das muitas luas de Saturno, de Júpiter, assim como outras mais distantes como as estações orbitais em Netuno e Urano. O ataque a Vênus fora a gota d´água.
Aos poucos os soldados restantes naquele local, que ainda chovia fortemente, tentavam reter as suas posições enquanto os Neomanos, com suas armas – algumas delas superiores – avançavam sempre e sempre.
De repente, sob as ordens do General de Ar, Marcus Tomhassen, os Gears, máquinas criadas, primordialmente, com o intuito de substituir o homem em trabalhos mais pesados, já estavam ao chão. Eram, no total, 3 Gears, mais do que o suficiente, pensava o General, para tomar conta da situação.
Os Gears eram grandes máquinas, com cerca de 12 metros de altura que foram reajustados para servir em combate. Cada qual possuía, em sua mão esquerda, uma metralhadora de plasma e, em sua mão direita, um lança-misseis. Assim como uma espécie de escudo superficial para ataques terra-terra. A sua aparência era um verde musgo. Assim que estavam ao chão o combate contra os Neomanos foi reiniciado, com uma força, diga-se, inesperada.
Tiros de plasma estavam sendo espalhados por todos os cantos fazendo, assim, pegar as tropas Neomanas de surpresa. A raça antagônica dos humanos nunca haviam pensado que esses tinham tal tipo de armamento em mãos.
- Como isso é possível? – Dizia o Neomano em Comando da Base Avançada de Vênus, Archan. – Como os seres humanos tem tal tecnologia? Como isso escapou de nossas investigações na Terra?
- Possivelmente... – tentara responder o segundo em comando Tarek Nor – possivelmente eles estivessem sendo desenvolvidos fora da Terra, talvez nas colônias.
- É bem provável. – Respondeu cordialmente Archan – Mas como são tolos os humanos, pensando que uma máquina como esta poderá nos deter de tomar Vênus e, futuramente, tudo que pertence a eles.
Um Neomano, ali próximo, chegara junto ao Comandante e entregara os últimos relatos do Fronte, apesar de estar claro as muitas baixas que os Neomanos iriam sofrer dali por diante.
- Obrigado... – Disse Archan – Diga ao Chefe que continue avançado mesmo que percamos metade de nossos soldados... não quero que os humanos pensem que estão conseguindo nos intimidar. Pensando melhor solta-a. – Ordenou Archan.
Nor olhou de soslaio para com Archan. Não imaginaria que ele fosse pedir para soltá-la, não ali, não naquele lugar. Se bem que a missão deles era acabar com os humanos, mas, mesmo assim, seria cruel demais, não para os humanos, e sim para o planeta. Se soltassem ela ali dificilmente, pelo menos no local, seria possível ficar habitável durante um bom tempo.
- O que você está esperando? – Perguntou Archan.
- Tem certeza disso senhor? – Perguntou de volta Nor.
- Claro... vamos dispersá-los o mais rápido possível e, depois, a nave que está em órbita cuidará do resto naquela parte do Fronte. Em seguida tomaremos uma das cidades principais deles. Eles verão o que é bom para tosse, como eles dizem. – Respondeu Archan olhando desconfiado para Nor.
Nor, ainda, estava parado. Não queria dar aquela ordem.
- Então? – Disse Archan exasperado.
Mas antes de Nor sair do recinto, uma coisa incrível de se imaginar ocorreu, os humanos estavam se retirando do local, os Gears, mais a frente do Fronte estavam de retaguarda, enquanto várias naves estavam pegando os feridos, os vivos e alguns poucos corpos do campo de Batalha.
- Mas o que diabos? O que que é que eles estão fazendo? – Enquanto tentava pensar o que estava ocorrendo Archan ouvira um barulho ensurdecedor vindo de algum lugar, depois este aumentara e, agora, estava vindo de todos os lugares. – O que está acontecendo?
Nor olhara para os monitores e nada de acontecer alguma coisa somente as naves humanas ainda acolhendo alguns poucos corpos, seguidamente dos Gears sendo recolhidos. Depois um clarão branco tomou conta de todo o local que estava sendo monitorado.
Depois de alguns segundos o verdadeiro horror, um gigantesco buraco circular, de um pouco mais de 12 Km de raio por todo o local. Lava se misturava com o solo chamuscado. Não havia mais quaisquer forma de vida, seja animal ou planta. Os corpos ali restante dos humanos haviam sido incinerados. Não havia mais nenhuma evidência, também, de qualquer soldado Neomano.
- Como???? – Irou-se Archon socando o console de controle a sua frente destruindo-o. – Mas o que diabos aconteceu?
(...)
Enquanto isso na aeronave do General, este monitorava a atual situação.
- Senhor, o Prometheus está pronto para um outro disparo. – Disse o Chefe tático.
Tomhanssen apenas abaixou a cabeça e gritou.
- Fogo.
(...)
No espaço uma gigantesca arma, antes camuflada, estava agora pronta para um novo disparo. Quando, então, recebera ordens do mesmo. Mirara para o alvo que fora ordenado. Passou-se alguns segundos já estava carregando o seu tiro certeiro e mortal.
Uma nave Neomana estava próxima e tentara, em vão, atirar no canhão geo-orbital Prometheus, pois, este tinha uma espécie de escudo. E, ainda, uma nave de Classe Hawk conseguira chegar por hiper-impulso ao local de batalha destruindo, quase que por completo, a nave Neomana.
O canhão, então, dera o seu tiro. Um gigantesco feixe de luz energizada passou pela atmosfera do planeta fazendo, assim, as nuvens de chuva se eletrizarem e começarem, então, a soltarem vários raios. Quando o feixe chegara ao chão, próximo do impacto, um gigantesco tremor de terra se espalhara. Criando rachaduras por todo o local. O tremor era tão grande que podia ser sentido a mais de 200 Km de distância, muitas cidades ficariam abaladas com isso.
O alvo designado tinha sido a base dos Neomanos em Vênus. A força do tiro era tão grande que o calor se aproximava de mais de 12000 °C apenas na parte externa do tiro.
Em segundos todo o local estava devastado e os poucos Neomanos distantes estavam sendo feito prisioneiros ou mortos.
Tomhanssen apenas via a destruição que ele perpetuou.
- Sigamos em frente. – Disse ao navegador enquanto deixava aquela desolada área.
(...)
Crônicas de Guerra – Missão: Marte
As planícies avermelhadas de Marte secas e áridas, com sua placidez, contrastavam, ao longe, com o fogo e fumaça dos ataques, recentes, dos Neomanos a cidade de Marrakesh Nogrofond, umas das primeiras cidades feitas pelos humanos na Primeira Grande Colonização espacial, que preencheu, primeiramente, a lua, Marte e Vênus – este último após a terraformação.
A nave de patrulha planava sorrateiramente entre os pequenos morros e os profundos precipícios que ali rasgavam o solo marciano. Num primeiro momento foi tentada uma terraformação que foi paralisada de forma desastrosa – motivos os quais ainda são alheios à ciência atual -. Então foi liberado a criação de cidades-colônias comportadas em redomas de plasti-aço.
Depois de vários minutos, viajando em velocidade baixíssima para não ser detectada, a nave chega a entrada de uma gigantesca caverna. Adentrando na mesma, vagarosamente aterrissa e abre uma comporta do lado direito. Seis homens armados – com rifles de plasma – utilizando uma roupa protetora e com a insígnia dos Marines da Força Colonial descem da nave. Um deles, com patente de sargento, sinaliza para a nave dar meia volta e seguir curso em direção a base secreta criada pela Força Colonial em Marte.
Fez, então, um sinal para que todos avançarem caverna adentro. Ligou a lanterna e o sistema de scanner que estava acoplado à roupa protetora. Seguiam eles a passos lentos, pois, daquelas cavernas pouco, ou quase nada, se sabia.
(...)
Algumas horas mais tarde estavam na entrada do sistema de cavernas que existia em Marte e que fora descoberto por acaso quando começaram as primeiras escavações. Muito dessas estruturas foram usadas para a construção das bases e, assim, podendo as pessoas das mesmas andarem no sistema e seguir para outras bases sem a necessidade do uso de roupas de proteção já que, bem abaixo da superfície, mesmo que rarefeito, havia ar respirável.
Os Marines, por ordem do sargento, retiraram os seus capacetes.
- Senhores. – Disse o Sargento se aproximando dos outros e, em seguida, retirou um holomapa de um bolso da sua roupa/armadura protetora, colocando-o no chão. – Estamos, exatamente, a um pouco mais de 8 Km da Base Subterrânea Marte 1. Para ser mais exato, estamos na escavação da antiga primeira base marciana. – apontou ele.
Os seus seguidores apenas abanavam positivamente a cabeça, apesar dos rumores que ali perpetravam naqueles túneis. Sabiam que aquele lugar era o único modo de pegar os Neomanos de surpresa, pois não tem qualquer notícia de Neomanos naquela região.
- Contudo. – Continuou – Os sensores Neomanos são fortes o bastante para nos localizar até a 2 Km de rocha pura. Com isso teremos que percorrer este curso aqui apontado. Pelas análises preliminares só temos, apenas, 40% do local mapeado.
- Só 40% senhor? Mas não é um tanto perigoso? – Disse um soldado receoso.
- O perigo maior, caro senhor Maltes, é sermos pegos pelos Neomanos. Qual é o problema, tem medo dos mitos aqui presentes? Essas histórias para criancinha ficar assustada na hora de dormir? É isso Soldado? – Disse o Sargento asperamente.
- Não senhor... – Respondeu Maltes em posição de respeito.
- Espero que mais nenhuma das senhoritas tenham medo de fantasma que nem o Senhor Maltes. – Falou o Sargento sarcasticamente.
- Alguns soltaram pequenas risadinhas, mas, em seguida, ficaram sérios quando viram que o próprio sargento não rira nem nada.
- Então senhor. – Continuou um outro. – Iremos seguir por esse caminho indicado e quando chegarmos na base?
- Ficaremos de surdina. – Disse O sargento. – Quando chegarmos na Base tentaremos desativar o sistema de sensores para que, assim, os bombardeios possam atacar os pontos principais de defesa. Mas temos, apenas, 22 horas, a partir do momento atual, para que consigamos completar a missão. Se não assim o fizermos estaremos presos aqui.
- Senhor? – Perguntara surpreso.
- Sim... estamos por nós mesmos e mais ninguém. – Pegou o holomapa e guardou-o. – Vamos senhores.
O Grupo, então, começara a avançar adentro nos sistemas de caverna marciano.
(...)
Quanto mais avançavam, mais sinistro aquele lugar ficava. Parecia que aquilo não era natural e sim fora construída por algo ou por alguém. As paredes, ao contrário das cavernas naturais terrestres, pareciam que foram alisadas com lixa. O chão do mesmo era pouquíssimo acidentado. Estalactites não existiam de forma alguma. A luz das lanternas, o que era mais estranho, iluminavam paredes de cor azul petróleo e não avermelhada como na superfície. Realmente aquele lugar era fora do comum.
Um pouco mais adiante chegaram na parte onde o mapeamento havia acabado, este só se reiniciaria próximo a base. Havia relatos que os muitos grupos que tentarem mapear essa região do Sistema de cavernas marcianas, poucos voltavam e os que voltavam alguns integrantes dos mesmos voltavam com uma espécie de distúrbio psicológico. Claro que a inteligência da Força Colonial, de todas as formas, ocultaram tais informações e poucos tiveram acesso as mesmas. Então quando o grupo chegara ao local foram pegos com uma espécie de surpresa. O local era composto por túneis que tinham paredes cheias de desenhos e iluminadas por uma cor amarelo fosco etéreo – sendo que não havia qualquer explicação aparente donde aquilo vinha -.
- Impressionante. – Falou um dos soldados.
- Olhem só estes desenhos. – Disse outro observando os desenhos que ali estavam na parede.
Os desenhos na parede continham, até onde dava para se ver, várias formas humanóides com braços jogados para cima. Ao centro, numa das figuras, um ser enorme aparecia.
- Senhores... deixemos a aula de xeno-história para os cientistas. Temos trabalho a fazer. – Disse o Sargento.
- Sim senhor. – Disseram os soldados em coro.
Enquanto ainda caminhavam, um dos desenhos começou a brilhar em verde incessantemente.
(...)
Crônicas de Guerra: Agouros
Os seis homens armados dos Marines da Força Colonial continuavam a andar silenciosamente naquele lugar lúgubre e nefasto. Só se podia ouvir o respirar daqueles oficiais, o andar de seus pés e o mover de suas armas vasculhando todo o local. Era, simplesmente, uma coisa aterradora aquele túnel.
Mas eles estavam preparados. Foram treinados para qualquer situação que fosse. Podiam andar em qualquer planeta, túnel, caverna, prédio e, até mesmo, estrada de pirraça. A Força Colonial treinava os seus soldados e, especialmente, os Marines para toda e qualquer situação que eles pudessem passar. Um treino árduo e continuo obriga-os a serem seres da mais alta estirpe podendo lutar face-a-face com qualquer soldado Neomano.
A iluminação amarelada, no entanto, deixava aquele grupo de seis homens com uma tensão grande o bastante que seria possível corta-la com uma faca. Aquele lugar, simplesmente, agia sobrenaturalmente na mente daqueles homens. Ao andar do grupo sussurros e respiros podiam ser ouvidos, mas com medo – ou por vergonha – não informavam nada para o Sargento que seguia a frente do grupo. Foi então que ele parou.
- Ouviram isso? – Perguntou ele quase arfando. A sua respiração estava entrecortada.
- Senhor? – Perguntou um eu estava logo atrás do Sargento.
- Um respirar intenso e insano. – Disse ele.
- Eu ouço vozes senhor. – Disse o que ficava na retaguarda do grupo.
Com um dedilhar rápido do sargento e um movimento ágil do mesmo o grupo ficou no meio do túnel e um deles procurou o sensor de movimento, um outro tinha um sensor para procurar freqüência de comunicação enquanto outros dois faziam a checagem – sem se afastarem muito – do perímetro visualmente.
- Tudo limpo. – Disse um que estava fazendo a checagem visual do perímetro andara um pouco mais de 10 metros a frente do grupo.
Assim disse, também, o outro. O do sensores de movimento balançou a cabeça negativamente e o outro do sensor de freqüência fez um sinal que o rádio estava em completo silêncio. O Sargento ficara ainda mais indagado com aquilo.
- Dizem. – Passou a falar um soldado que estava do lado do Sargento e nada tinha feito até agora. – Dizem que os túneis marcianos são habitados por criaturas grotescas e indecifráveis. Muitos mineiros, no começo da exploração marciana, parecem que haviam voltado loucos ou não haviam voltado.
- Deixe de falar besteira. – Disse o que estava vigiando o perímetro falando baixo. – Até agora ninguém conseguiu provar que existe vida fora da Terra. Isto é história para criança dormir.
- Mas não sou eu que digo isso... se eles ficaram louco, deve ter sido por alguma coisa. – Continuou o que não tinha feito nada.
- Lenda ou não. – Disse o Sargento. – devemos continuar com a nossa missão. Não estamos aqui para discutir sobre fantasmas marcianos. Continuem andando.
(...)
O dia passava e mais e mais aquele grupo adentrava nas cavernas obscuras daquele planeta sórdido. Uma massa rochosa já sem vida a muito. Até o presente momento nenhum cientista tinha uma resposta totalmente plausível para o desaparecimento da vida no planeta, no qual era muito parecido com a Terra em tempos remotos. Foram feitas muitas conjecturas, mas nenhuma foi totalmente comprovada ou, de fato, não tinham viés cientificas. Muitas delas trabalhavam somente com a especulação em si da vida que essa sumira como um Evento de Extinção em Massa, ou um EEM, do mesmo modo como quase ocorrera na Terra quando um meteoro caíra a tempos no planeta.
Mas o grupo não estava ali para tentar decifrar o que poderia ter acontecido com o planeta, estavam lá para cumprir uma missão e era isto que eles iriam fazer. Apesar que aquele lugar estava dando arrepios de gelar até a espinha do mais bem treinado Marine.
O Sargento seguia na frente irresoluto, apesar dos vários barulhos, sussurros e, agora, gritos, que estava ouvindo. Pensara, num dado momento, se não estava enlouquecendo, mas quando ouvira os seus oficiais comandados comentarem os barulhos estranhos se conformou que não estava sozinho naquela empreitada.
O oficial que estava utilizando o equipamento dos sensores sentira um pequeno toque gelado em sua nuca. Parou, olhou para trás e vira que não tinha ninguém. Quando voltara a sua visão para frente uma enorme face enegrecida aparecera bem a sua frente. Caiu, então, para trás e começara a gritar com os olhos fechados.
O grupo, já um pouco a frente, parara e fora socorrer o pobre coitado que se debatia alucinado contra si mesmo ao solo.
- Soldado. Soldado. – Sacudindo o oficial que estava enlouquecido. – O que está havendo soldado? – Perguntou o Sargento. – Vamos me ajudem...
Todos, ao mesmo tempo, sacudiram o pobre rapaz que agora ficara mudo e, depois, parara de se mexer.
- Soldado? – Perguntou o Sargento.
Ele abrira os olhos e estava totalmente desnorteado. Olhava para todos os cantos daquela caverna lúgubre e misteriosa e arfava com uma ânsia incontrolável.
- Eu.... eu...
- Calma soldado. Respire e conte o que você viu. – Disse o Sargento gentilmente.
- Uma face... não parecia humano... ele... ele... estava atrás de mim... me tocou... quando eu... eu... me virei... lá estava ele. Sentia ele conversando comigo dentro de minha cabeça...
Um dos marines, com um rápido mando do Sargento com os dedos, pegara os sensores e tentara analisar todo o local. Não havia nenhuma forma de vida ou rastro energético sem ser o deles e de seus equipamentos. Por fim balançara a cabeça negativamente.
- Não tem ninguém aqui soldado. – Disse o Sargento. – Você deveria estar delirando.
- Não... não estava... ele estava aqui... na minha frente... eu juro... eu ouvi ele falar comigo... ou acho que estava falando.
- O que foi que ele disse?
- Ele... ele... disse que iria nos levar... – Disse quase sussurando.
- Me diga Marine, o que foi que ele disse, AGORA- Disse impaciente o Sargento.
- Para o inferno... – falou como se estivesse morrendo.
De repente uma gigantesca luz esverdeada tomou conta do lugar e os seis homens da Força Colonial sumiram totalmente da caverna.
(...)
Destino: Inferno
A enorme luz esverdeada cessou de repente. Os seis marines, agora, estavam num local totalmente desconhecido. O Sargento olhou todo o perímetro em volta e vira, simplesmente, que não estava mais em Marte. No horizonte, em qualquer direção, o que se poderia ver era um vasto paredão que se estendia a alturas inimagináveis. Um pouco mais a frente do local onde estavam parecia haver uma pequena cabana. Dois oficiais, então, ajudaram àquele que tinha sido “atacado” pela a aparição e foram até aquele local.
Dois oficiais a frente, seguidos pelo Sargento e atrás os três oficiais restantes. Andavam cautelosos. A respiração naquele lugar era extremamente difícil e pesada. O ar quando entrava nas vias aéreas parecia queimar e uma catinga de enxofre, metano e etano, podia ser sentida a cada respiração. Era algo degradante e angustiante.
Ao chegarem perto da cabana, um dos oficiais analisou o lugar com os sensores e os mesmos indicavam que não havia qualquer perigo no lugar. Rapidamente os seis marines adentraram no local. Quando deixaram o marine atacado num canto da cabana um estalar de armas foi ouvido.
Eram cerca de cinco homens, por barba por fazer, fortemente armados e com face de assustados. A respiração deles era entrecortadas e as suas armas tremiam ante a força que faziam para segurá-las.
- Quem são vocês? – Perguntou um dos homens.
- Eu sou o Sargento Tepes... calma... não queremos fazer qualquer mal. – Disse o Sargento. – Estes são os meus oficiais. Tenente Somali, Tenente Junior Tapping, Alferes Genosha, Alferes Hansen e Adido Maltes. – Continuou ele. – Somos da Força Colonial.
- Vocês finalmente vieram nos resgatar? – Perguntou uma jovem moça que estava com os cabelos mal cuidados e parecia mais velha do que era em sua idade biológica.
- Não sei o que vocês estão falando. – Disse o Sargento.
- Como não? Nós somos um dos grupos de cientistas que se perderam aqui neste lugar infernal. – Disse um outro que estava perto da porta fechando-a. – Estamos presos aqui a mais 10 anos, desde que o ultimo grupo chegou aqui.
- Como assim? Ultimo grupo? – Perguntou a Tenente Junior Tapping que ainda estava em pé e com as mãos em seu rifle.
- Somos, cada um, de um grupo diferente que veio a este lugar atrás dos grupos anteriores. Tudo isso se deu com a tecnologia de teletransporte que, como podem ver, foi algo totalmente mal-sucedido. Desde então estamos presos aqui.
- Vocês dizem 10 anos? – Perguntou o Alferes Genosha.
- Sim, dez anos porque? – Perguntou outra moça que estava próximo ao Sargento.
- Porque os experimentos de teletransporte feitos em Marte se encerraram a mais de 40 anos com nenhum sucesso relativo. – Explicou o Sargento.
- Quer dizer que? – Falou o primeiro homem que falara com os soldados. – Estamos aqui a mais de 40 anos?
- Maldito LUGAR... – Disse a jovem moça.
- Calma... calma... vocês dois. E o que a Força Colonial fez quando desaparecemos? – Perguntou o quinto homem que estava calado até o momento.
- Até onde eu sei toda a pesquisa de teletransporte foi arquivada e o local onde estava sendo feita a mesma foi fechado para avaliação técnica. – Disse o Sargento.
- Quer dizer que nos abandonaram????? – Disse o que estava perto da porta. – quer dizer que nos esqueceram por completo? – Carregou a sua arma de energia.
- Calma Simpson. – Disse o quinto homem. – Eles não tem culpa pela a falta de consciência da Força Colonial. – Ele abaixou as armas. – Sou Ardren, Dr. Ardren. Aquele a frente da porta é o Dr. Simpson, as duas moças são Alienne e Sammy, este, ao meu lado é o Dr. Fervi. – E abaixou a sua arma. – Ficamos entristecidos que vocês tenham chegado até aqui. – E olhou suspeito – Como vocês chegaram aqui?
- Não sabemos... – Disse o Sargento.
- Como não? Não vieram de teletransporte? – Perguntou Ardren.
- Se foi... não foi nós que acionamos isso.- Disse Tapping.
- Nós estávamos nas cavernas subterrâneas em direção a Marrakesh Nogrofond quando fomos atacados por uma entidade desconhecida trazendo-nos até aqui.
- Será que? – Perscrutou Alienne.
- É bem provável. – Disse Ardren.
- O que seria bem provável? – Perguntou o Sargento.
- Vocês devem ter sido trazidos por Anton Cartash.
- E quem seria ele?
- Um de nossos antigos colegas de trabalho que primeiro encontrou uma rota “segura” de teletransporte. Quase que diariamente ele vinha a este lugar para fazer pesquisas. Trouxe até espécimes para o laboratório de pesquisa. Foi, até, interessante. Depois de um certo tempo, no entanto, ele começou a agir estranhamente e todo o laboratório, também, começou a ser invadido por sussurros, gritos e mortes aparentemente sem lógica. – Pigarreou – foi então que eles atacaram e levaram Anton com eles para esse lugar.
- Pensamos que – Continuou Alienne – poderíamos continuar as nossas pesquisas porque eles queriam apenas Anton, pois era ele que, continuamente trazia os seres para a nossa dimensão e perturbava, por demais, esse lugar.
- Está certo... está certo... estou entendendo tudo. – Disse o Sargento irônico – E quem seriam eles?
- Os seres originais de Marte. Os senhores de tudo aquilo que tange o planeta vermelho, tal qual as tecnologias que ali estavam quando os primeiros colonos chegaram no planeta.
- Marcianos??? – Perguntou o Adido Maltes.
- Sim. Os seres iniciais deste planeta. A muito tempo quando Marte havia prosperado e chegado a um nível tecnológico próximo ao da Terra atualmente uma grande guerra surgiu e quase todo o povo de marte foi destruído. Mas, para que isso não ocorresse – isto é, que todo a vida de Marte não fosse perdida – eles construíram vários postos avançados na Terra e distribuíram vários dos animais marcianos e, também, colonos no nosso planeta. Um indicio desta “invasão” são as lendas de Atlântida e Lemúria. Essas duas civilizações seriam os últimos resquícios da Civilização marciana.
- E como vocês sabem tudo isso?
- Está tudo aqui... neste lugar inóspito. Muitos outros marcianos se refugiaram para este lugar e se misturaram com a espécie deste lugar. Alguns outros conseguiram se desprender de seus corpos e sua essência vaga por esse lugar como uma alma penada. – Disse Sammy.
- E o que Anton tem haver com o que houve com vocês?
- Quando Anton desapareceu pensamos que poderíamos continuar as nossas pesquisas. Mas a cada grupo que mandávamos muitos poucos voltavam e os que voltavam estavam totalmente fora de si. Deixamos estes na Ala psiquiátrica do laboratório de pesquisas e, dias depois, estes desapareciam por completo sem deixar quaisquer vestígios. Três outros grupos foram mandados – Disse Sammy – Fui a ultima a ir no grupo três foi, então, que descobrimos toda a trama.
- Que trama? – Perguntou o Sargento.
- A trama é que Anton está possuído pela essência de um dos antigos marcianos. Ele queria fazer com que os humanos que seguiam para este lugar maldito fossem trocados pelas “almas” penadas de marte e conseguirem conquistar de volta o seu lugar de direito. – Continuou Sammy – Se que conseguimos mandar uma mensagem para o laboratório e, pelo que parece, funcionou perfeitamente fazendo o projeto de teletransporte ser fechado e também nos esquecer da gente.
- Sim. Funcionou até bem demais. O governo da Força Colonial vetou qualquer novo estudo do teletransporte até segunda ordem – Disse a Tenente Tapping.
O Sargento olhou para aquele grupo inusitado. Sabia que não poderia ficar ali parado apenas conversando e esperando que uma solução caísse do céu ou, no caso, do inferno naquele lugar.
- Vocês já tentaram voltar? – Perguntou ele.
- Não podemos... o único lugar e jeito para conseguimos fazer isso está fortemente resguardado.
- E onde seria isso?
- Ali. – E Ardren foi para uma janela da cabana apontando para um prédio gigantesco no final daquele lugar inóspito. – Ali nos levaria para onde está Anton e um jeito de voltarmos para a nossa dimensão normal.
- E como você tem tanta certeza?
- Quando éramos mais pessoas tentamos fazer isso... sabiamos que era ali a nossa passagem de volta. Mas existem vários demônios, seres grotescos que asseguram que ninguém passe por ali.
- Nós vamos... – Disse o Sargento. – E vocês irão conosco.
- Como?
- Tenho um plano...
(...)
Próximos Capítulos em andamento.
Fim.
Daniel Gomes é criador e responsável pelo Pbem
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STAR TREK UNLIMITED
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