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“O maior sonho do homem é encontrar um caminho para as estrelas. Mas, o que aconteceria se ele descobrisse toda uma estrada, pronta para ser usada?”
I
Joshua olhou pela janela da nave. A sensação sofrida durante a desaceleração era quase imperceptível mas ainda assim era como se sua alma, lá no fundo, trepidasse a medida que a seu corpo era transportado através do espaço. Quebrando essa sensação quase que psicológica surgiu uma voz fria e metálica que ecoou estranhamente aos seus ouvidos.
- A nave aterrará dentro de duas horas. Permaneçam em seus lugares até que o pouso esteja completo.
A paisagem vista pela janela da cabine pressurizada era belíssima. Uma parte do planeta estava iluminada pela luz do Sol, que se afastava, muito distante. Mesmo assim, a parte do astro que estava a mostra só podia ser visto diretamente com o auxílio do visor polarizado nas janelas.
E a outra parte do planeta apresentava uma coloração levemente avermelhada. Sendo que, mesmo a distância, alguns traços do planeta já eram característicos, já sendo possível observar as luzes da grande cidade-capital Ares. Além disso, levantando os olhos um pouco, ainda era possível ver as luas de Fobos e Deimos, eternas companheiras do planeta Marte.
- “Será que falta muito ainda, todo esse suspense me deixa um pouco nervoso...” Pensou.
Um pouco entediado Joshua Evander pousou as duas mãos sob o colo. Em sua mente estava a pergunta que vinha tentando responder desde que receberá o pedido do governo terrano para realizar a viagem até Marte. O que a Federação Terrana, com todas as suas preocupações com a pesquisa e exploração do espaço poderia querer com um cientista ganhador do prêmio Nobel em medicina e biologia molecular, totalmente especializado nas questões do desenvolvimento de animais?
- Atracagem em dois minutos. Aguardar...
A voz metálica ecoou novamente pelos alto-falantes. Ares já estava bem mais visível e seus grandes prédios metálicos e suas abóbadas prateadas ainda lembravam a todos que o viam que Marte precisou de bastante tempo para que o processo de Terraformação possibilitasse a total habitação do planeta.
Quando o projeto finalmente terminou e foi considerado um sucesso, mais do que rapidamente a comunidade do planeta saltou de apenas algumas centenas de cientistas para a marca de dois bilhões de habitantes. Sendo que em mesmo após algumas décadas esse número continuava crescendo, mesmo que mais lentamente nos últimos anos.
Todo esse rápido crescimento, é claro, foi causado pela superpopulação da Terra que já havia atingido mais de 8 bilhões de habitantes. E mesmo com uma grande estação orbital, mais a cidade superpopulosa na lua, sem contar com todo o trabalho de controle de natalidade e educação que o planeta recebeu, o problema da superpopulação só foi realmente resolvido com a colonização efetiva de Marte.
- Atracagem realizada. Queiram por gentileza se dirigir até a saída...
Realmente! Mesmo tentando serem simpáticas, as máquinas não chegam nem perto da amabilidade humana, coisa que até mesmo um solitário convicto como Joshua já sabia.
Ele se levantou lentamente e foi caminhando calmamente para a saída. A viagem havia sido bastante agradável, apesar de lenta, pois apenas as naves militares e de pesquisa eram adaptadas com motores de aceleração A.T.A.
Joshua relembrou que uma vez conseguira conversar com o amável físico Erick Drunn Vandervalk, que apesar de seus 88 anos ainda sabia manter a cabeça afiada e a língua cheia de piadas picantes. Essa memória remontava bem do início de sua vida acadêmica sendo que nessa época, numa palestra para as turmas da faculdade o físico até chegou a confessar que não esperava que sua descoberta fosse fazer tanto barulho.
No entanto, apesar do pensamento contrário de seu descobridor, o planeta inteiro festejou quando no dia 02 de setembro de 2165, aconteceu a descoberta de uma equação que criava o fenômeno hoje conhecido como Aceleração Translatorial dos Átomos, ou apenas, A.T.A.
Essa equação abriu novas portas para a capacidade da exploração humana, pois a equação A.T.A. possibilitou criar toda uma tecnologia capaz de lançar os veículos espaciais a uma velocidade nunca alcançada antes, aproximadamente 150.000.000 km/s, ou seja, metade da velocidade da luz.
De alguma maneira incompreensível para os não-físicos a equação A.T.A. possibilitava essa velocidade em disparos sucessivos, ou seja, saltos de um ponto ao outro, possibilitando a mobilidade rápida sem as desvantagens apresentadas pela teoria da relatividade.
E mesmo para muitos dos consagrados físicos da comunidade científica da época, grande parte da equação nunca se tornou totalmente clara, sendo que grande parte do projeto desenvolvido pelo professor só pode ser terminado, com todos os seus problemas resolvidos apenas porque foi possível contar com o auxílio dos novos computadores de Inteligência Artificial que começavam a se espalhar pela comunidade científica.
A “pequena” descoberta do professor Erick deslanchou o desenvolvimento tecnológico e social de todo o planeta já que fez todo o Sistema Solar um quintal para a humanidade. Dessa maneira, já no ano de 2175 a lua se tornava a primeira moradia extraterrestre autosuficiente, permitindo que logo depois o homem se dirigisse até seu vizinho, o planeta Marte.
Incrível pensar nisso! Principalmente que hoje já existem grandes colônias em IO, Titã e Europa, três das várias luas de Júpiter, grandes estações mineradoras no cinturão interno de asteróides e uma novíssima estação de pesquisa localizada bem na órbita de Urano, quase no fim de nosso Sistema.
***
Já que a nave Entrépida conseguiu atracar sem problemas em segundos a doca espacial já estava cheia de pessoas indo e vindo. Muitas dessas estavam vindo receber os viajantes, mas também eram muitos os técnicos que faziam a manutenção das naves.
Os passageiros começaram a descer. Aqueles que tinham parentes morando em Marte ou eram nascidos de lá mostravam um maior desembaraço frente a gravidade diferenciada do planeta que era um pouco menor que a do planeta Terra.
Joshua que nunca havia viajado para fora da atmosfera terrana se sentia um pouco desconfortável, tendo a sensação constante de que se largasse a bagagem iria acabar flutuando.
Parado no umbral do corredor de atracagem, sentado num pequeno banco, estava seu contato. Este se mostrava mal-humorado e agitado pois olhava constantemente no relógio enquanto tentava enxergar por cima da multidão. Joshua se dirigiu até ele. Foi então que os dois se fitaram, mostrando sinais de claro reconhecimento.
Seu contato tinha o corpo magro e o rosto macilento e pálido, detalhes característicos que já estavam quase se tornando marca registrada dos nascidos em Marte. Os olhos de um azul pálido, estavam profundamente encravados num rosto moreno de linhas cortantes, contrastando com o forro amarelo do tecido que recobria seu traje espacial.
Os nascidos em Marte ainda conservavam certos sinais inconfundíveis dos terranos, mas nenhum daqueles nascidos, como dizem, de segunda geração poderiam ser considerados terranos no mesmo sentido em que um nascido no planeta terra o era.
- Você é o Doutor Joshua Evander. O ganhador do Prêmio Nobel em medicina e biologia molecular?
- Sim, eu mesmo. E você deve ser Carlos Almeida Hanz. Doutor em física quântica. Eu o conheci quando você ainda era apenas o auxiliar do doutor Erick Drunn.
Carlos sorriu suavemente e voltou seu corpo em direção dos carros estacionados próximos ao deck de atracagem. Ergueu-se e caminhou para os veículos parados fora do prédio. Joshua o acompanhava. Um som abafado vindo de suas botas era ouvido a cada passo. Parou próximo do veículo para olhar novamente o relógio e disse.
- Desculpe minha indiscrição doutor Joshua, mas estamos atrasados para nosso encontro no prédio central e fico extremamente nervoso quando isso acontece, vamos então?
II
Joshua se dirigiu até o carro e entrou. Não sem antes notar que o veículo não possuía rodas e sim um conjunto de rotores. Provavelmente ele funcionaria com o mesmo princípio do antigo Hovercraft da terra.
Como que para confirmar sua teoria, Carlos, depois de ter guardado as malas do Doutor, ligou o veículo e este numa vibração leve e silenciosa levantou alguns centímetros do solo e começou a se mover.
Com bastante habilidade Carlos dirigiu o veículo até a rodovia mais próxima. Uma vez dentro dela apenas apertou o botão de destino e deixou que o carro os levasse sem problemas e com extrema rapidez até o prédio central da cidade Ares, capital de Marte.
Joshua contemplou a cidade que passava frente a seus olhos. Os imensos prédios metálicos ocultavam boa parte do céu, além disso, as diversas rampas suspensas aumentavam mais ainda a sensação de aperto que sentia. Apesar disso, algo chamou bastante sua atenção.
Diferentemente dos nascidos no planeta Terra, todos os habitantes de Marte tinham o costume de manter suas cidades o mais agradável possível. Dessa forma, suas ruas eram largas e bem arborizadas e se bem observado, mesmo abaixo das rampas suspensas imensas lâmpadas de luz natural iluminavam os passantes e a natureza a volta.
Joshua começava a notar esses detalhes quando um enorme prédio chamou sua atenção. O prédio, com sua arquitetura exuberante, fora construído no local de descida da primeira nave que iniciara o trabalho de preparar o planeta para a colonização. Sendo que, o que mais chamava a atenção, eram as duas esculturas gigantescas representando um homem e uma mulher bem na praça que ficava em frente. Grandes inscrições holográficas flutuavam em volta das estátuas e um som ecoava:
“A todos aqueles que fizeram do sonho uma realidade. Aos desbravadores do novo mundo. Este é o símbolo da nova era que se inicia para a humanidade!”
O carro fez a volta e entrou numa pista secundária, lá começou a se dirigir até um portão que se localizava ao lado esquerdo do grande prédio. Carlos que permanecia tão distraído e silencioso quanto Joshua voltou suas mãos aos controles e começou a manobrar para dentro. Quase que silenciosamente o veículo entrou e lá, Carlos buscou encontrar uma vaga, parando assim bem no fundo da grande garagem.
- Quem iremos ver Carlos? - Perguntou Joshua quebrando o silêncio. - Eu gostaria que alguém pudesse me explicar a razão de minha convocação.
Carlos voltou seus olhos para Joshua e disse com tocante amabilidade que todas as explicações seriam dadas no momento certo e que o próprio Presidente do planeta o esperava. Um arrepio passou pela espinha de Joshua quando tentou imaginar qual motivo seria grande o suficiente para fazer o Presidente do planeta esperar.
Os dois se dirigiram até o turboelevador mais próximo. Carlos entrou na frente e aguardou que Joshua entrasse, logo depois ele proferiu o andar e o elevador começou a se mover lentamente. O destino era a cobertura, mais precisamente o andar de número 300. Destino esse percorrido rapidamente, sem que houvesse sensação de movimento ou ruído exceto um zumbido baixo.
A porta se abriu silenciosamente no último andar. Os dois saíram e foram se dirigindo até a sala adjacente. Entrando foram recebidos pelos olhares desconfiados de dois grandes guardas de segurança que guardavam a porta lado a lado. O segurança da direita, que para Joshua estranhamento lembrou a aparência de um gorila que vira certa vez num museu disse:
- Identificação por favor...
- Sou Carlos Almeida Hanz, doutor em física quântica. E este é Joshua Evander, doutor em medicina e biologia molecular. O presidente está nos esperando.
Com uma cara de poucos amigos o segurança verificou os cartões de identificação e ainda com ares de desconfiado fez com que tanto Carlos quanto Joshua fizessem a identificação retiniana. Logo depois de confirmar suas identidades ele falou rapidamente em seu comunicador e abriu a porta.
Quando adentrou a sala, Joshua notou que o luxo e a riqueza já haviam chegado à Marte a muito tempo. A grande sala exibia em suas paredes diversos quadros holográficos e em seu interior possuía móveis tão belos que tinha certeza que toda uma vida na universidade e ele nunca teria oportunidade de comprar nem mesmo uma cadeira daquelas sequer.
Dois homens estavam sentados na ponta da grande mesa central de vinte lugares. Na cadeira no canto da mesa estava um homem que aparentava uns quarenta anos, porém, em seus olhos Joshua podia ver a força da experiência e do comando, algo que muito suplantava sua aparência franzina. Aquele era o presidente do planeta Marte, o segundo homem mais poderoso da Federação Humana de Planetas, apenas igualado pelo presidente da Terra.
Então, ao olhar para o segundo integrante da mesa tomou um susto. Rápidas imagens passaram em sua cabeça enquanto pensava: “Pelas moléculas nunca sonhadas! Aquele ao lado do presidente é o capitão da nave de guerra Odisseus, a lenda viva, o homem que havia detido sozinho a revolta espacial terrestre no ano 2178, o Capitão Jonh Frederic Wolf. O que está acontecendo aqui!!!” Pensou o surpreso Joshua.
- Seja bem vindo Doutor Joshua a nosso humilde planeta. – Começou o presidente Arthur Gollan – Espero que tenha feito uma boa viagem, e espero poder responder todas as suas perguntas já que você foi apontado como o maior estudioso no campo da biologia nos dias de hoje.
- “Droga, o que você quer de mim! O que é isso! Que amabilidade estranha e nervosa é essa?” – Pensou Joshua enquanto sentava na cadeira indicada pelo presidente, bem ao lado do lugar onde estava o Capitão Jonh Wolf. Um frio subia a espinha de Arthur lentamente, enquanto isso o Presidente continuava.
- Nós pedimos a sua presença aqui em Marte doutor porque seus conhecimentos serão necessários para a realização de um novo projeto que estamos para concretizar. Como sabe Marte teve sua atmosfera modificada para que o homem pudesse habitar facilmente esse planeta, sendo que inicialmente ele serviu como meio de escape para o crescimento populacional da terra.
- Logo depois de Marte a humanidade criou bases de pesquisa e mineração nas luas de Júpiter e de Saturno, sendo que no anel interno de asteróides várias fábricas de exploração de minérios foram instaladas. Além disso, muitas foram as surpresas quando foram descobertos nas luas de Júpiter exemplares vivos de plantas e animais alienígenas a mais ou menos doze anos atrás, coisa que possibilitou a criação da Xenobiologia, que se tornaria uma das primeiras novas ciências dessa grande era espacial.
- Você pode não estar entendendo o porque dessa explicação quase que acadêmica, mas já vou chegar ao assunto. Continuando, tudo acontecia a tal velocidade que o Planeta Marte já estava completamente colonizado num período de décadas. Grandes cidades se espalharam e poucos lugares nesse planeta ainda não foram explorados completamente.
- Foi então que em 2175, no dia 06 de janeiro pra ser mais exato, uma expedição turística descobriu num dos grandes desertos, não a existência de vida em Marte, mas a confirmação de vida inteligente em Marte! Ou seja, foi descoberto uma construção tão antiga quanto o próprio planeta. Imagine nosso espanto, já que essas ruínas estavam localizadas a apenas 200km da base científica mais próxima. Pudemos entender o porque disso. Tudo aconteceu devido as diversas tempestades de areia da região, que com toda a certeza impediram que a estrutura nunca fosse localizada antes.
- “Um momento! Dia 06 de janeiro de 2175! Isso não faz nem um ano. Como isso não apareceu nos noticiários da Rede Espacial?” – Disse Joshua, interrompendo a fala do presidente. Quando todos na mesa se viraram na sua direção, ele se calou rapidamente sentindo que não fora uma boa coisa ter interrompido o monólogo. Quase ao mesmo tempo que sua face ficou rubra, com um sorriso leve, o presidente respondeu.
- Você pode estar pensando porque isso não apareceu em nenhum dos noticiários. Bem, isso não ocorreu porque nossos grupos de segurança conseguiram conter a curiosidade dos jornalistas a uma distância segura. E também porque o local não facilita a exploração sem material especializado. Sendo assim, no período desses oito meses o congresso decidiu criar um grupo de pesquisa formado pelas melhores mentes da federação, para investigar a descoberta e somente depois divulgar isso ao público. Foi essa a rezão de você ter sido chamado.
- Senhor Presidente, eu não gostaria de forma alguma desabonar minha participação nessa expedição. Eu só gostaria de saber porque eu? Já que não tenho conhecimento nenhum na área de arqueologia ou exploração de, digamos, fósseis alienígenas.
Logo depois desse comentário o capitão Jonh Wolf voltou sua cabeça em direção de Joshua. Seus olhos possuíam a frieza daqueles que já viram a morte e seu rosto era liso, porém endurecido pelas sucessivas batalhas que formaram sua vida. Lentamente e com uma voz grossa e de boa entonação ele disse.
- Caro Doutor. Nós conhecemos seu interesse na área da Xenobiologia e iremos precisar de seu auxílio caso ocorra uma infecção em nossos homens se estes entrarem em contato com algum organismo desconhecido. Além disso, seu conhecimento nos possibilita um maior preparo sobre aquilo que podemos encontrar. Da mesma maneira,e pelas mesmas razões, convocamos o Doutor Carlos Hanz e outros cientistas de diversas outras áreas. Tudo porque seus conhecimentos nos serão úteis para o sucesso dessa missão. Espero que sua questão esteja esclarecida agora?
Os olhos de todos na sala estavam voltados para Joshua naquele momento. Rubro ele só conseguia balançar a cabeça afirmativamente. O presidente continuou a falar por alguns minutos entrando em detalhes não tão importantes e por fim disse que a responsabilidade da segurança e realização da expedição estariam a cargo do Capitão Jonh Wolf.
Com a reunião terminada todos se retiraram. O Doutor Joshua foi mandado para o Hotel Réia, onde poderia descansar da viagem e desfazer suas malas. Ele sabia que precisava descansar e recuperar todas suas forças, pois logo na manhã seguinte aconteceria a reunião com o objetivo de traçar os últimos detalhes da expedição à construção alienígena.
III
Marte é o nome do deus da guerra na mitologia romana. Possuidor dos emblemas da lança e da tocha ardente. Sua figura está ligada a numerosos episódios míticos da vida dos deuses, muitos ligados à sua característica da marcialidade, da Guerra. O planeta por vezes parece refletir o nome que traz para si, pois o seu eixo inclinado de 55.2° e a terraformação deixaram seqüelas sobre o planeta que fez com que determinadas regiões tenham realmente a fúria de um deus mítico. Essas regiões são formadas por desertos de tempestades destruidoras e seria numa dessas regiões que estava o objetivo da exploração.
A voz que ouvia dizendo isso parecia hora do Capitão Jonh Wolf, hora do presidente de marte. Entre cenas oníricas e memórias passadas as palavras do discurso começaram a desvanecer enquanto um outro ruído aumentava até se fazer bem audível. Era o computador do quarto chamando.
Joshua acordou com a cara toda amassada, tendo a impressão que for a assolado por uma noite inteira de pesadelos horríveis. Sentou na cama e disse:
- Abrir tela computador!
A tela ao lado de sua cama se iluminou e apareceu a imagem do Doutor Carlos.
- Bom dia Doutor! Estou esperando por você aqui no térreo, a reunião vai acontecer logo.
Olhando para o relógio e coçando a cabeça respondeu. - Estarei descendo logo. Espere alguns minutos.
A tela escureceu e Joshua se levantou com cuidado pois ainda não se acostumara com a diferença de gravidade e logo cedo, independente do planeja, sempre era difícil reagir direito. Caminhou até o banheiro e minutos depois já estava com uma aparência melhor, no mínimo apresentável.
Saiu do seu quarto deixando ordens expressas no computador para que ninguém abrisse a porta, pois odiava imaginar que pudessem mexer em suas malas até ele voltar. Carlos já havia saído e estava dentro do carro esperando.
- “Para de olhar para o relógio! Isso me deixa nervoso!” – Pensou Joshua enquanto entrava no carro. O carro disparou por uma das avenidas e começou a fazer uma viagem familiar para Joshua, o mesmo caminho que fizera ontem quando chegara. Apenas quando o grande prédio e as estátuas se afastaram que perguntou:
- Carlos onde estamos indo? – Disse Joshua sem se importar com a classificação acadêmica. Carlos abriu um sorriso e respondeu:
- Não se preocupe Doutor. Estamos indo para as docas de atracagem, a reunião vai acontecer dentro da nave de guerra Odisseus.
Foi preciso alguns segundos para que toda a frase tomasse sentido na mente de Joshua. Pois a resposta de Carlos era como um sonho distante se tornando realidade. Quer dizer então que eles estavam indo para as docas. Onde iriam entrar na nave de guerra Odisseus. Não uma nave qualquer. Mas a maior nave já criada pelo homem, o veículo espacial mais rápido de toda a armada.
***
- A nave Odisseus é a única nave guerreira de classe Destróier, possuí 11.500 metros cúbicos contra os 2.300 a 6.000 metros cúbicos das outras naves da armada. Sua blindagem é formada por uma liga metálica diferenciada, e é a primeira a ser desenvolvida em fábricas de gravidade zero, fazendo com que não possua aerodinâmica, pois seu objetivo se concentra totalmente no espaço. Sua capacidade bélica pode desintegrar qualquer cidade de um planeta em questões de segundos, principalmente porque como ela leva a bordo a última palavra em Mísseis de Fissão e Feixes de Partículas.
Joshua ouvia as explicações do tenente Malic Jafar, um descendente de árabes que os encontrou nas docas de atracagem, ele estava explicando o porquê da Nave Odisseus apenas permanecer em órbita, sendo assim necessário o embarque na nave auxiliar onde estavam.
- Apenas por curiosidade Tenente, eu gostaria de saber porque quando você se refere ao tamanho da nave você sempre fala em metros cúbicos?
O tenente Malic abriu um sorriso e continuou sua explicação. O capitão sempre o designava para o primeiro contato com os civis, pois uma de suas características era a paciência inata dos professores.
- Eu me expresso sempre em metros cúbicos pois esse é o tamanho do casco da nave espacial. E é o tamanho do casco que determina quanta coisa pode ser acondicionada dentro dele.
Por exemplo. A nave transporte que o trouxe até Marte, tem apenas 380 metros cúbicos, sendo que grande parte do espaço é ocupado pelos motores de reação que propulsionam a nave numa direção projetando alguma massa de reação na direção oposta.
Esta nave auxiliar que vamos usar possui apenas lugar para seis pessoas, sendo que o resto é ocupado pelo motor de reação e os outros equipamentos, tendo assim apenas 60 metros cúbicos, além é claro de possuir a aerodinâmica necessária para se viajar pela atmosfera.
Enquanto ia dando mais explicações, o tenente Malic embarcou seus convidados e começou a conduzir a nave auxiliar para o ponto das docas onde ocorreria a decolagem. Rapidamente o computador comunicou até o controle de lançamento a saída da nave auxiliar e obtendo a autorização devida ligou os motores e partiu.
Depois de algum tempo, eles puderam escapar da atmosfera do planeta. De volta ao espaço, Joshua sentiu seu corpo mais leve. Sendo que apenas as tiras da cadeira o impediam de flutuar pela cabine. Apesar disso, essa sensação de falta de peso era algo com que ele já estava começando a se acostumar.
- Lá está! A nave Odisseus. - Proferiu Malic. Em seu rosto transparecia o respeito e a alegria de rever a nave que considerava seu lar.
Após tantos anos de naves espaciais que eram em sua maioria tanques de combustível, a Odisseus era quase inacreditável. Ela parecia ter janelas demais e havia escotilhas de entrada nos lugares mais improváveis. Era difícil acreditar que aquele grande retângulo, com o brilhante anel do defletor de radiação circundando a unidade motriz fosse um dos mais rápidos objetos construídos pelo homem.
O vôo de vinte minutos da superfície para a órbita de atracagem fora realizada com extrema eficiência e Joshua notou que todos os movimentos de Malic eram feitos com muita naturalidade, provavelmente causados pelo constante treinamento imposto para todos aqueles que serviam a frota espacial.
A atracagem se seguiu de maneira rápida e bem coordenada. E Joshua sabia que da mesma forma como viera da terra, todo o tempo permaneceria com os cintos de segurança presos ou teria de experimentar um pouco mais os acasos da falta de peso.
Um grupo os aguardava, e tanto Joshua quanto Carlos foram ajudados a se locomover pelos corredores da nave, muitas vezes sendo transformandos em apenas pacotes inertes e sem resistência. Logo atrás vinha Malic com desembaraço e habilidade, agindo como se tivesse nascido em algum lugar sem gravidade.
O ânimo de Joshua elevou-se um pouco, depois que adquiriu bastante confiança para se movimentar em gravidade zero. Eles foram conduzidos pelos corredores até um grande salão onde uma dúzia de outros passageiros que mesmo presos a seus assentos também demonstravam inaptidão na ausência de gravidade. Deviam ser estes os outros estudiosos citados pelo presidente, imaginou.
- Bom dia! Doutor Joshua e Doutor Carlos, estávamos apenas aguardando vocês. Sentem-se em seus lugares e deixem-me explicar a situação a todos. - Disse o capitão Jonh Wolf. Sem nem esperar que tivessem entrado totalmente no salão para lhes proferir as boas vindas ele se virou para a tela escura, demonstrando que era necessário rapidez.
Tanto Joshua quanto Carlos se dirigiram aos lugares indicados. Ao lado deles o tenente Malic já se prendia com habilidade e rapidez. O capitão Jonh Wolf esperou com impaciência todos se viraram para ele.
- Muitos podem estar se perguntando o porque de tê-los trazido até aqui. Já que esta reunião poderia ter acontecido no planeta mesmo. Apenas considerem isso uma medida de segurança pois não sabemos o que pode ser encontrado lá em baixo e nem o que pode causar nossa descoberta para toda a humanidade.
O tenente Malic Jafar já esteve com o primeiro grupo avançado de pesquisa formado por apenas soldados, engenheiros e técnicos que analisaram a estrutura externamente e ele nos explicará o que foi descoberto.
O tenente Malic se mexeu em sua cadeira e tocou os controles na mesa. Rapidamente enquanto digitava ordens para o computador este mostrava na tela várias imagens holográficas de alta resolução, muitas acompanhadas de fotos e esquemas conseguidos pelo primeiro grupo.
- Pois bem. A pesquisa nos revelou que é a estrutura possúi formas geométricas perfeitas. Possui sessenta metros sobre a areia enquanto esconde mais oitenta metros sob ela. Pelas projeções do computador possui o formato aproximado de uma torre de base quadrada com duzentos de raio. É formada por um material que nenhum de nossos instrumentos ou cientistas conseguiu avaliar totalmente. O Doutor Oscar Shambler pode nos explicar melhor.
Um homem alto, de aparência cansada se mexeu na cadeira, alisou o pequeno bigode e respondeu:
- Obrigado Tenente! O material parece ser formado de uma liga metálica de características duvidosas. Não emite radiação, porém, absorve qualquer uma que emitimos. Tem solidez, porém, apresenta uma certa maleabilidade. E, para essa análise que vou apresentar ter sido feita foi necessário um maçarico na potência máxima para conseguirmos retirar apenas uma pequena amostra de lá.
Como todos sabem, a tabela periódica é única sendo muito dificil o aparecimento de um novo material totalmente desconhecido. Sendo assim, o que temos aqui é uma liga metálica desconhecida, especificamente formada por uma liga metalo-orgânica ou um composto orgânico a base de silício.
Pelas nossas teorias, as ligas metalo-orgânicas podem ser viáveis já que existem compostos de argila intercalados com metais e/ou substâncias orgânicas o que proferem diferentes propriedades à esses curiosos materiais.
Esse composto orgânico a base de silício em especial é muito interessante, principalmente que ainda nossos cientistas, apesar de terem identificado facilmente determinariam que a liga era feita de silício eles não conseguiram saber a composição e estruturas exatas da matéria.
Com um toque nos controles, o tenente mudou a imagem holográfica da análise da amostra, apresentando símbolos estranhos.
- Além de nossos exames existe mais uma coisa que vai interessar agora ao segundo grupo. Já que a parte estrutural externa já foi observada, chegou a hora da parte interna ser explorada. Só existe uma porta sobre a areia e inscrito no mesmo material existiam esses símbolos. Os senhores, como estudiosos e especialistas que são, talvez possam notar alguma coisa que nos tenha escapado. O computador escaneou os símbolos porém não encontrou nenhuma referência em seu banco de dados.
Todos os presentes se aproximaram da mesa, como que para facilitar o exame das imagens que apareciam no computador. Para Joshua aquilo não parecia nada que já tivesse visto, principalmente porque sua especialidade era a biologia. Porém seu interesse não era pequeno, já que quem escrevera aquilo provavelmente não era humano.
Dois historiadores sentados ao lado de Carlos começaram a a se mexer e a confabular rapidamente, vez ou outra verificavam seus computadores pessoais. Primeiro eles pediram para acessar o banco de dados da universidade de cada um utilizando a comunicação da nave. Depois pediram ao sistema de Inteligência Artificial que procurasse referências por aproximação dos símbolos.
Alguns minutos se passaram para o computador responder. Logo depois, sorrisos de satisfação apareceram em seus rostos. Com um sinal de respeito, o mais jovem permanceu calado enquanto o cientista que aparentava mais experiência se dirigiu ao grupo.
- Meu nome é Ithalo Sverdvosk da Universidade Alemã Terrena e tanto minha especialidade quanto a de meu colega da Universidade de Ares é história antiga e civilizações ocidentais. Acredito que nenhum de vocês deva se lembrar da lenda de Gilgamesh, um poema muito difundido no vale dos rios Tigre e Eufrates pela religião Sumeriana?
Notando o silêncio e os olhares de dúvida que se formaram, o outro historiador pediu a palavra. Ele parecia mais jovem, porém seus olhos demonstravam que poderia discutir com sabedoria os detalhes da missão, tal qual seu companheiro.
- Desculpem meu colega, ele não consegue discutir um tema se os presentes não estiverem ao menos preparados para o que ele vai dizer. Meu nome é Jackes Kalland, antropólogo e historiador da Universidade de Ares. Explicando a questão levantada por meu colega. Esses símbolos encontrados pelo Tenente Malic tem uma aparência muito próxima a da linguagem sumeriana, uma civilização que existiu no ano de 2375 antes de Cristo.
O capitão Jonh Wolf interrompeu a explicação quando citou uma frase que conseguiu deixar os dois estudiosos boquiabertos. Joshua se lembraria daquela frase por muito tempo.
- “...no an-ki os deuses se moviam com seus barcos e nos trouxeram sua sabedoria dos céus...” – Ainda boquiaberto, pela frase que ouviu, Jackes buscou continuar.
- Como é citado nas lendas sumerianas, inclusive nessa passagem que o Capitão citou, an-ki significa na tradução literal de céu e terra. O que nos interessa aqui, é que, a linguagem em que foi escrito a lenda de Gilgamesh é uma variação do Sumeriano padrão. E por mais incrível que possa parecer, nossa análise mostra que os símbolos parecem ter sido feitos da mesma forma. Sendo assim, podemos traduzir a inscrição exatamente como “O EXILADO” ou algo aproximado, sendo que estes dois outros símbolos no final trazem algo como “AQUELE QUE AGUARDA...”
Joshua não conseguindo se conter se mexia constantemente na cadeira, até que disse com uma voz mista de descrença e esperança.
- Vocês querem dizer que existe uma estrutura de mais de dois mil anos enterrada em Marte que possui inscrições sumerianas! Se isso for verdadeiro, todas as teorias refutadas sobre contatos alienígenas no decorrer destes séculos poderão se mostrar corretas?!
O grupo todo se olhou abismado. O comentário de Joshua havia promovido uma tempestade mental entre os estudiosos. Comentários acalorados começaram a pipocar por toda a sala, sendo que apenas uma pessoa permanecia em silêncio em meio ao burburinho. Era o capitão Jonh Wolf e este apenas refletia.
IV
Os furacões rugiam pelo deserto como se fossem senhores de tudo. Ventos de mais de 200 Quilômetros por hora varriam toda a região, tornando a viagem extremamente difícil para aqueles que não possuiriam equipamento técnico especializado.
Mesmo para o grupo avançado de pesquisa formado por Malic Jafar, Joshua Evander, Carlos Almeida Hanz e mais doze pessoas entre cientistas e soldados, encontravam certa dificuldade em se locomover com seus veículos especiais.
Cada um estava usando uma roupa protetora criada especificamente para enfrentar condições críticas à vida. Respiradores, máscaras e todo um equipamento avançado promoviam a proteção total. Além disso, o veículo auxiliar que os levava fora modificado para ter mais potência e assim vencer os poderosos ventos que rugiam por todos os lados.
Malic conduzia o piloto pela tempestade, apenas seu conhecimento do terreno e com a ajuda dos poderosos instrumentos é que poderiam encontrar algo. A tela apenas mostrava uma imagem borrada, algo aproximado do que acontecia lá fora. A viagem já durava pouco mais de trinta minutos quando o grupo avistou sob a tempestade uma grande sombra.
Logo a imagem foi se definindo, e a grande construção alienígena começou a aparecer. Ela se erguia incólume sob o céu raivoso. E apesar de terem visto as fotos e os esquemas de Malic, nada se comparava à sensação de observar uma construção que nunca for a tocada pela mão do homem, algo criado por seres desconhecidos, de origem totalmente alienígena.
Malic dirigiu a nave até a entrada da estrutura. Os ventos eram menores próximos dela, possibilitando que todos pudessem descer sem o perigo de serem arrastados pelos ventos e rasgados em pedaços.
Quando se aproximaram da grande porta, Joshua não conseguiu resistir à tentação e colocou a mão sobre a estrutura assim que se aproximou. A sensação era quase nula por causa da luva que usava, mas mesmo assim ele teve a impressão de sentir uma leve emanação de calor vinda da estrutura, apesar de todos os sensores não estarem indicando a presença de radiação eletromagnética.
- Interessante não? Parece rocha, porém apresenta características metálicas. E tem até esse pequeno calor que não conseguimos saber de onde vem.
A voz de Malic soava pelo comunicador de Joshua tão perfeitamente que parecia que lhe falavam ao ouvido. Joshua não resistiu e soltou um comentário.
- Posso não saber muito bem de arquitetura, porém é óbvio que uma estrutura dessas não poderia resistir por muito tempo num lugar como esse. Que tecnologia dever ter construído isso?
- Algo que nós iremos descobrir logo. – Respondeu Carlos imediatamente se aproximando da porta.
Os dois historiadores, Jackes Kalland e Ithalo Sverdvosk começaram a analisar as inscrições da porta. Enquanto realizavam testes e vasculhavam em seus computadores informações adicionais, o restante do grupo observava os detalhes da construção. Observando mais apuradamente puderam notar que toda a estrutura a sua frente não possuía frestas nem falhas. Tinha um encaixe perfeito e só parecia que abriria através da porta cheia de inscrições. Era preciso encontrar apenas o modo de se fazer isso.
Os estudiosos depois de algum tempo, começaram a tocar nos símbolos sem que nada acontecesse. Tentaram diversas combinações e nada. Depois de um tempo, suas possibilidades e teorias começaram a se esgotar. Por fim, depois de algumas horas, nada conseguiram fazer. Foi nesse momento que Malik, decidiu que era necessário o uso da força bruta.
Um soldado vestiu um exoesqueleto robótico. Este equipamento consistia numa estrutura aberta de “músculos” artificiais. Que possúia sensores por toda sua extensão. Sendo assim, quando o usuário se movia os sensores do traje reagiam de acordo. Malik acreditou que onde a capacidade do homem era limitada talvez o exoesqueleto pudesse encontrar um caminho.
Com grande habilidade o soldado começou a tentar abrir a porta. Depois de vários minutos, foi possível introduzir alavancas no centro da porta, no entanto, devido a extrema resistência do material, foram necessários mais de quinze minutos e muitos deslizes para conseguir abrir uma fresta grande o bastante para um ser humano passar.
Uma névoa muito fina saia pela fresta. E apesar do receio inicial, os instrumentos indicavam que era apenas a atmosfera original de Marte. Tal como insinuara o tenente Malic, a estrutura esteve hermeticamente lacrada por séculos.
Finalmente, depois de tanto tempo, os homens novamente iriam se aventurar frente ao desconhecido. Mostrando mais uma vez que o objetivo do ser humano realmente é o de sempre buscar respostas para suas perguntas. Sendo a curiosidade, a eterna companheira do ser humano.
Malic Jafar selecionou cinco homens do grupo. Estes estavam entre os melhores soldados da Federação Humana de Planetas. Possuíam conhecimento em combate espacial e planetário e seu equipamento padrão seria capaz de arrasar um pequeno exército alguns séculos antes.
Quando entraram na estrutura todo o restante do grupo se afastou da porta. Muitos observavam a entrada, e em seus corações surgia o medo primordial do desconhecido. Outros mais curiosos e controlados observaram a tela de transmissão que estava armada próxima à nave. Câmeras preparadas em cada soldado transmitiam as imagens do interior da estrutura.
Joshua observava os objetos. Entre seus pensamentos a idéia fixa de como seria um organismo alienígena. Se as teorias que estudara nos últimos anos estariam corretas ou não.
A estrutura era muito grande. No entanto, a passagem conduziu os soldados para uma sala de um tamanho médio. Possuindo cento e cinqüenta metros de raio e mais duzentos metros de altura. Por dentro a sala era completamente vazia, exceto um estranho objeto no centro da mesma.
Os soldados começaram a se aproximar do objeto lentamente. De repente seus detectores de radiação dispararam. Para cada metro que avançavam o objeto parecia emitir uma grande quantidade de radiação. Rapidamente os computadores da nave analisaram a radiação e concluíram que o objeto estava emitindo partículas Alpha.
A intensidade das radiações Alpha ficavam maiores a cada metro avançado. Joshua conseguiu ver pela tela do visor o objeto. Este possuía um formato de gota com uma extremidade bem arredondada, era de uma cor escura e de uma material que lembrava a estrutura externa.
A característica mais marcante deste estranho objeto era que ele tinha o tamanho de um grande veículo terrestre, só que não possuía rodas nem qualquer outro dispositivo externo, sua superfície era inteiramente lisa e brilhante.
Logo depois de observarem o objeto por algum tempo os soldados começaram a investigar toda a estrutura restante e já que nenhuma outra passagem foi encontrada Malic permitiu que o grupo de cientistas entrasse na estrutura.
Todos se dirigiram à entrada. O grupo de soldados já os esperava e suas potentes luzes brilhavam iluminando todo o ambiente. Os cientistas entraram e se dirigiram até a sala onde se encontrava o objeto.
Malic notou que a iluminação deveria ser melhorada para assim analisar uma maneira de transportar o objeto para a nave. Com algumas ordens organizou dois grupos, sendo que o primeiro cuidaria para que potentes luzes fossem instaladas.
Enquanto o primeiro grupo puxava fios e instalava uma iluminação mas forte, o segundo grupo iniciou uma análise mais próxima do objeto, medindo, gravando e registrando todos os dados possíveis em diversos equipamentos. Foi no meio de todo esse trabalho que um dos soldados tocou o objeto. Quando fez isso, foi como se um choque o atingisse e o jogasse alguns metros para trás.
O grupo mal conseguiu ajudar o soldado a se levantar, quando outro fenômeno estranho começou a ocorrer. Lentamente, mantendo ainda total silêncio, o objeto começou a se mover em sua base. Os cientistas espantados olhavam para aquilo fixamente, e principalmente Carlos mantinha um olhar quase que religioso sobre o objeto, quase que inconsciente balbuciava algumas palavras.
Joshua que estava a seu lado acabou ouvindo nitidamente uma parte do que ele falou. Era algo como – Anulação da gravidade! Antigravidade!! Ele podia ser um leigo na física, mas conseguia imaginar que a solução para muitos dos problemas atuais nas viagens espaciais era a falta de gravidade nas naves, algo que sentira na pele quando esteve dentro da Odisseus. Devia ser por isso que Carlos permanecia estupefato perante o objeto que agora já estava a meio metro do chão e continuava a subir muito lentamente.
Uma pergunta então começou a pairar no ar, subindo lentamente junto com o objeto. Que segredos mais poderiam estar guardados na câmara? Seria esse objeto que carregava o significado sobre o nome o “Exilado”?
V
Joshua arregalou cada vez mais os olhos enquanto Carlos mantinha um rosto de espanto e adoração crescente enquanto observava o estranho objeto se elevar no ar. Os outros cientistas, estagnados, faziam medições e observavam incrédulos ao fato.
A ciência desistira depois de décadas de pesquisas infrutíferas por sua busca pela antigravidade. Um gerador nunca pode ser construído pois os cálculos sempre pareciam conflitantes, agora, sem mais nem menos, um objeto estranho provava a todos que a humanidade ainda nem conseguiu chegar perto de vislumbrar os verdadeiros segredos do universo.
Malic Jafar permanecia próximo a porta. Quando notou que o objeto estava se deslocando, mesmo que lentamente para a saída, sua primeira atitude foi designar dois soldados vestidos com exoesqueletos para que ficassem de prontidão. Não seria permitido que um segredo desses “flutuasse para fora” simplesmente.
O objeto continuava a se aproximar lentamente. Malic com um sinal mandou que os soldados detivessem o movimento. Quando os exoesqueletos se moveram Malic notou que sua confiança pela tecnologia humana acabava novamente sendo por demais exagerada.
Os Exoesqueletos rangiam em potência máxima, enquanto tentavam deter o movimento inexorável do objeto, no entanto, eram eles que agora estavam sendo arrastados para fora numa velocidade lenta, porém contínua.
Quando Malic proferiu o sinal de alarme, o objeto já estava com parte de sua estrutura ultrapassando a entrada da porta. Carlos ainda mantinha seu olhar de adoração ao objeto e ao mesmo tempo, como que seguindo um ímpeto religioso, fazia diversos cálculos com seu computador.
O objeto estava saindo pela porta. E enquanto deixava a estrutura, levava com ele a chance da humanidade em conhecer os segredos de uma raça totalmente alienígena. A única coisa que todos pareciam concordar é que a “equipe de resgate” acabaria apenas com um gosto amargo de humilhação na boca...
Lá fora, a tempestade irrompia com força total. Sendo que uma parte de fora da estrutura parecia com um muro de areia. Ventos furiosos fustigavam a nave auxiliar e dois dos veículos que haviam trazido parte do equipamento do grupo já havia desaparecido sob a tempestade.
Um estrondo furioso irrompeu novamente na tempestade e nesse momento, os ventos pareceram querer invadir a estrutura alienígena. Joshua tremeu dos pés à cabeça, ele não estava preparado para isso, o que ele pode notar é que ninguém estava.
Malic se distraiu por um segundo e quando recuperou o equilíbrio pode notar que o objeto havia desaparecido porta afora e que os exoesqueletos estavam no chão, completamente parados. Correu em direção destes e só quando constatou que os soldados estavam bem é que conseguiu olhar para fora.
A tempestade rugia com potência triplicada, no entanto, o objeto estava lá. Parado. Flutuando bem no meio da tempestade, à alguns metros da estrutura. O vento parecia se desviar e dobrar quando atingia o estranho objeto. Sua superfície refletia o solo e a areia, porém, Malic teve certeza de ver um estranho brilho pulsando através dele.
À cada pulsação a tempestade parecia se retrair. Os ventos se afastavam da estrutura e o barulho do vento diminuía. Malic Jafar reconheceu a oportunidade de sair com vida e coordenou seus homens e os cientistas para retornarem à nave auxiliar.
Seguindo sua ordem, os homens largaram seus equipamentos e correram. Os cientistas seguiram logo atrás, Joshua foi um dos últimos a conseguir entrar na nave. Quando todos haviam se colocado em seus lugares a tempestade começou a avançar novamente.
O estranho objeto alienígena pulsava cada vez mais rápido e num instante começou a se elevar lentamente. Enquanto fazia isso a tempestade, como que livre de sua influência, iniciou seu caminho destrutivo em direção à nave auxiliar.
Malic já estava com os motores ligados quando a primeira rajada os atingiu. Os mostradores dispararam, e o sistema de segurança foi ligado. O alarme tocava em algum lugar do painel, avisando que mais uma rajada de vento como aquela e a nave auxiliar seria jogada desordenadamente para o meio da tempestade. Rapidamente, frente à situação nada agradável, Malic deu empuxo máximo nos motores e buscou tentar sair de órbita, se afastando ao máximo da tempestade.
Joshua nunca iria se esquecer da sensação que teve. A nave parecia um brinquedo que o vento jogava para todos os lados. Sua cabeça girava e seu estômago pulava incontrolável. Totalmente desordenado, seus pensamentos não conseguiam se apegar em nada.
Quando a nave auxiliar estava longe o suficiente da tempestade, o tenente Malic se comunicou com a Nave Odisseus e explicou direto ao capitão o que havia acontecido. Joshua e Carlos observavam o planeta pela escotilha e se perguntavam onde estaria o estranho objeto.
O percurso de volta apesar de rápido foi percorrido em silêncio. A sensação de ter visto a morte de perto não é agradável a ninguém e mesmo os soldados treinados para isso permaneciam calados.
Quando atracaram na nave, um outro grupamento de soldados esperava os cientistas. Estes foram conduzidos diretamente para a sala de reuniões. Minutos depois, quando Malic entrou já trazia em sua mão um relatório detalhado do que acontecera. O capitão havia acompanhado todo o desenrolar da história por meio das câmeras fazendo com que qualquer comentário a mais fosse desnecessário.
Malic estava em posição de sentido e o capitão o observou por um momento, depois disso ele atravessou a ponte de comando e pousou a mão no ombro do tenente. Sua reação era nítida. Havia muita amizade e companheirismo entre eles.
O capitão Jonh Wolf apesar de ser um homem de poucas palavras e muita ação trasparecia para quem não o conhecesse que era um homem sem sentimentos, daqueles que dá mais valor para sua nave que pelas pessoas. Joshua e outros cientistas acabaram reformulando seu julgamento no momento que passou a observar que o respeito dos soldados por aquele homem surgia da admiração por ele, não do medo.
Um sinal começou a apitar no mostrador de um dos vários computadores da ponte de comando da nave. Um oficial designado começou a manusear os controles de uma maneira rápida, porém calma e ordenada. Demonstrando uma habilidade que só pode ser desenvolvida após um treinamento rígido e intenso.
- Capitão! Os sensores indicam a presença de um estranho objeto se movendo para fora do planeta. Segundo as análises desenvolvidas pelo grupo de descida acho que é nossa descoberta, Senhor!
- Ao seus postos! Sensores ao máximo! Tenente Malic, mantenha os civis na sala de reuniões. Fique com eles porém mantenha um olho no painel. Parece que essa história ainda não acabou.
Malic fez uma continência e sentou. Apesar de presos em suas cadeiras podia-se notar a excitação nos olhos de cada um dos cientistas na sala. O capitão rapidamente saiu da sala seguindo para a ponte de controle.
Joshua sentou na cadeira indicada por Malic e Carlos sentou ao seu lado. Malic ligou o monitor central e a imagem da ponte de comando apareceu. Podia-se notar que cada homem daquela nave estava ansioso por saber o que o capitão iria fazer.
- Piloto, vamos nos aproximar do objeto. Mantenha o curso à uma velocidade mediana. Preparar armas de defesa. Continuaremos seguindo o planejado, não quero riscos desnecessários.
Todos se moviam rapidamente em meio às ordens. A grande nave Odisseus começou a se mover na direção do objeto. Este se movia lentamente para longe do planeta e parecia não notar a presença da nave.
Sua superfície escura o tornava quase que invisível no espaço a olho nu. Somente através dos sensores da nave é que era possível observar o objeto.
Porém, os sensores também começaram a indicar que toda vez que a nave se aproximava de uma determinada distância do objeto, este se movia numa velocidade muito mais rápida do que estava fazendo antes, buscando sempre compensar a distância. Mantinha seu curso para longe do planeta ao mesmo tempo que buscava manter uma distância mediana da nave.
-Vamos tentar se aproximar. Aumentem a potência! E preparem-se...
O motor de reação foi ligado na sua potência máxima e a nave começou a se aproximar. No entanto, apesar da velocidade sempre crescente da Odisseus, o objeto começou a compensar a distância mantendo sempre uma velocidade e distância equivalente da nave.
Quando os motores de reação entraram em potência máxima o capitão Jonh Wolf notou que o objeto agora começava a se afastar deles. Parecia que agora ele não queria mais manter apenas uma determinada distância.
A sensação de estarem perdendo o objeto fez com que os cientistas se agitassem ainda mais. Não entendiam como a maior e melhor nave de toda a humanidade não conseguia alcançar um objeto tão pequeno.
Com a distância aumentando cada vez mais, o capitão só conseguia seguir o objeto por causa dos sensores da nave. Minutos se passaram, fazendo com que toda a visualização agora não fosse mais possível sem os sensores de longo alcance.
- Tenente Graham. Qual a posição do objeto?
- Ele se encontra em direção exata para fora do sistema Capitão. Se continuar acelerando da maneira como está, nós o perderemos em questão de minutos.
- Pois bem. Se esse objeto acha que nós o deixaremos partir tão facilmente é porque ele ainda não conheceu a teimosia humana. Tenente, iniciar seqüência de aceleração A.T.A., código vermelho.
Uma sinal estridente se fez ouvir. Por toda a nave os tripulantes corriam para seus postos e se prendiam. A aceleração A.T.A. não era usada com freqüência por isso todos agiam com extrema cautela.
Joshua não continha sua curiosidade e observava pelo monitor todos os movimentos e palavras da ponte de comando. Ele sabia que aquela era uma experiência única e não poderia perder por nada.
No entanto, bem no fundo de sua mente um medo característico começava. A mesma sensação que teve quando embarcou na nave até marte parecia querer aflorar. Sua alma de cientista buscava compensar essa sensação aumentando ainda mais sua curiosidade mantendo-no assim distraído, porém controlado.
Para Carlos, no entanto, viagens espaciais eram rotineiras. Como físico renomado, ele fazia viagens periódicas para a terra ou para as estações de pesquisa. No entanto, a capacidade de passar pela experiência da aceleração A.T.A. Também era algo que ele nunca antes havia experimentado. Essa era uma experiência que não imaginava que teria nessa missão. Ele também começava a ficar ansioso com aquilo.
Principalmente que conviver anos com o cientista que desenvolvera a equação da Aceleração Translatorial dos Átomos era uma coisa, agora, ter seu corpo acelerado por máquinas que seguiam os princípios descobertos por ela era algo totalmente diferente.
Logo, todos os cientistas, mesmo presos em suas cadeiras, demonstravam sua ansiosidade teclando e utilizando todos os seus conhecimentos para entender o que estavam passando.
A nave começou a tremer levemente enquanto o motor de aceleração foi se aquecendo. Um leve zumbido começou a incomodar Joshua. Pois a sensação era crescente, e parecia que todo seu corpo estava começando a tremer rapidamente. Antes que pudesse encontrar pensamentos diante daquilo, ele teve outra sensação em seguida ainda mais estranha.
Todos os tripulantes da nave sentiram como se tivessem tomado um choque e seus músculos instantaneamente parassem de tremer e se retessassem fortemente. Visualmente era como se os seus corpos passassem a reagir de forma mais rápida que o normal. Na prática tudo parecia estar normal, tanto a movimentação quanto as sensações, mas a estranha sensação de aceleração que todos estavam sentindo não sumia.
- Tenente Graham. Qual a posição do objeto? – Perguntou o Capitão. Como já estava acostumado com a sensação causado pela aceleração A.T.A. todos os tripulantes reagiam normalmente diante de suas ordens.
- Se afastando Senhor. Já passou da órbita de Saturno. Eu nunca vi algo tão rápido senhor!!!
- Se atenha as observações técnicas Tenente. Se continuar nessa trajetória onde o objeto irá chegar?
O Tenente calculou rapidamente e conferiu os mapas estelares. Sua face reagiu ao resultado, mostrando um tremor de preocupação.
- Está indo direto para fora da órbita do sistema solar. Segundo a análise do computador, ultrapassando Plutão só existe um lugar que ele pode atingir.
- Eu sei. O décimo segundo planeta! O planeta das lendas chamado Nibiru!
Joshua e Carlos tomaram um susto quando a voz do capitão saiu com aquele comentário pelo vídeo. Desde pequenos todos os civis presentes na nave nunca haviam ouvido falar de um décimo primeiro planeta! E como membros do corpo acadêmico, também sabiam que nada disso já havia sido cogitado. Suas mentes exigiam respostas. Dentro de seus íntimos eles se perguntavam. - O que estava acontecendo!?!
A Nave Odisseus saiu da aceleração A.T.A. quando estava bem próxima da estação Quartzo II. Esta estação de pesquisa avançada que estava em órbita próxima do planeta Netuno existia sob dois pretextos, um científico e conhecido do público e um militar.
O pretexto científico era a observação e o estudo do planeta, sendo também que as estações-robô de extração de minérios do cinturão de asteróides externo ficavam sob sua responsabilidade. O pretexto militar começava a ser explicado aos cientistas pelo capitão Jonh Wolf na sala de reuniões da nave.
- Senhores! Apesar de muitos de vocês aqui reunidos pertencerem à classe das mentes mais avançadas entre todos os cientistas, são poucos que sabem que que à algumas décadas um grupo de exploração avançado encontrou um planeta do tamanho da Terra logo depois do grande cinturão de Asteróides.
A capacidade de Jonh Wolf em ser tão direto pareceu causar alguma indignação e espanto em muitos dos cientistas presentes. Os comentários entrecortados que começaram a surgir foram silenciados rapidamente com um movimento de mão pedindo silêncio. A face do capitão indicava sua indisposição em ser interrompido.
- Esse planeta foi pelos cientistas autorizados chamado de Nibiru. O décimo primeiro planeta citado em inúmeras lendas do passado. A razão dos senhores desconhecerem qualquer coisa sobre ele só pode ser explicado a pouco tempo após a descoberta de um estranho material nas rochas do planeta que parece emitir um sinal que deixa o planeta virtualmente invisível a maioria dos equipamentos do último século. - Com um leve suspiro continuou.
- Agora nossa estranha descoberta ruma diretamente a esse planeta. Em direção a algo que não foi descoberto em mais de trinta anos de pesquisa e exploração. Alguma opinião à respeito?
Diversas opiniões rápidas foram dirigidas ao capitão. Joshua perguntou se a natureza da atmosfera do planeta criava a possibilidade de haver vida, mas sua pergunta foi refutado rapidamente, Carlos manteve-se calado.
- Pois bem. Se os senhores não tem mais nada a acrescentar devo lembra-los que essa missão está sob jurisdição do exército e toda informação deve ser mantida em segredo.
Jonh Wolf parou de falar, interrompido pela presença do tenente Graham que adentrava a sala trazendo na mão o último relatório de observação. Depois de bater continência iniciou seu relatório em voz alta.
- Como calculado pelos sensores, o objeto adentrou a atmosfera de Nibiru. O mais inédito é que sua chegada causou o aparecimento de uma grande construção bem no meio do grande deserto do planeta. É uma instalação similar porém bem maior do que aquela encontrada em Marte. Suas emanações estão agora indetectáveis. As observações confirmam que sua última posição agora só pode ser de dentro da estranha estrutura.
- Perfeito Tenente Graham. Como podem ver senhores – Se dirigiu o capitão aos cientistas da mesa. - Nosso objetivo é claro, preparem seus equipamentos que estaremos partindo em exatamente 15 minutos. Obrigado.
Apesar da maioria do corpo de cientistas estar se sentindo ultrajada pelo grande número de segredos que os militares estavam mantendo para sim, todos se levantaram e começaram a preparar seus equipamentos.
O principal motivo da rápida reação de todos era a certeza de que as revelações trazidas pelo estranho objeto significavam que cada vez mais era chegada a hora do homem de ver o universo com olhos novos, olhos de esperança, não de cobiça, pois o que viesse daquele planeta serviria a toda a humanidade.
A nave Odisseus depois de uma rápida parada na estação Quartzo II seguiu viagem a toda velocidade em direção do estranho planeta Nibiru. Segundo Malic Jafar aquele planeta era constituído apenas por desertos gigantescos e sem atmosfera, ambiente inconcebível para servir de habitat para seres vivos.
Quando a nave estava bem próxima do planeta os monitores detectaram uma emanação direcionada, vindo da construção. Era uma transmissão muito forte, sendo que a estranha estrutura estava localizada no lado leste do grande deserto central, bem no meio de uma cadeia de montanhas bastante gastas com a ação do tempo e dos meteoros.
A nave Odisseus parou de se movimentar e agora pairava próximo a atmosfera do planeta. Dois pequenos pontos saíram de dentro da comporta de embarque. Eram as naves auxiliares que levavam os cientistas e a equipe de combate principal da nave.
As naves auxiliares descreveram um caminho elíptico se aproximando cada vez mais de seu destino. O de explorar a grande construção alienígena.
Os medidores de radiação não se mexiam e apenas alguns dos instrumentos mais sensíveis reagia. A suposta transmissão vinda da estrutura não podia ser interpretada, causando a nítida sensação de que algo tentava se comunicar. Algo perdido naquelas areias por um tempo longo demais.
Joshua, se encontrava extremamente preocupado. Ele já sabia que a presença de vida nesse planeta era nula e que tudo o que poderia fazer para ajudar era ficar fora do caminho dos outros. Essa resolução era dolorosa e inaceitável para alguém tão exigente consigo mesmo.
As naves pousaram próximos da estranha estrutura que agora podia ser vista através dos monitores. Era enorme, muito maior que aquela encontrada em Marte, com estruturas maiores e inscrições por toda a extensão de suas paredes bem mais intrincadas, diferentes daquelas encontrados anteriormente.
Todos estavam preparados para a falta de atmosfera e para o uso de equipamento espacial mais pesado, preparado para ambiente com pouca ou nenhuma atmosfera. No entanto, os trajes que todos foram direcionados a usar era de uma liga e de uma construção nunca antes vista por eles. Segundo Malic Jafar a maioria dos trajes recém criados pelos cientistas espaciais eram testados por homens da Odisseus e estes eram trajes espaciais de última geração.
Uma grande porta dupla estava como que esculpida num dos lados da estrutura. Era larga e forte e como na construção de Marte continha entalhes diversos, mostrando inscrições que pareciam brilhar levemente.
O próprio capitão Jonh Wolf comandava a expedição dessa vez. Direcionando seus soldados para ficarem em posições de defesa e ataque por toda a entrada da estrutura, acompanhou junto com Malik Jafar a equipe de cientistas até bem próximo da grande porta.
Os historiadores Jackes Kalland e Ithalo Sverdvosk levaram seus aparelhos até a porta para analisar os sinais. Depois de algum tempo de análise, se voltaram ao grupo exultantes. Movidos pela excitação seus comentários e detalhes eram ditos numa velocidade tão grande que era ficava difícil entender.
Resumindo os detalhes mais técnicos ou as teorias mais específicas sobre cada palavra, o que teor principal da conversa dos dois foi:
- Claramente o que estamos vendo é uma derivação da língua Suméria mais antiga, algo como que datado 3500 A.C.. Ela possúi características pictográficas estranhas e intricadas, no entanto nossos bancos de dados estão tendo condições de traduzir para algo mais legível.
- Exatamente Ithalo! Aqui, em especial, está escrito: “O an-ki recebe os barcos dos viajantes e lhes entrega a última parte da sabedoria dos céus.” Isso é Incrível!
- Verdadeiramente Jackes! Essa inscrição parece se referir ao antigo documento sumério que continha uma parte da lenda de Gilgamesh. Essa lenda dizia que o Grande herói e rei Gilgamesh havia ganho dos deuses o direito de entender os segredos da sua vida. Mas da mesma forma, ele deixava entender que ainda havia muitos segredos e detalhes para serem descobertos. Isso nos faz imaginar, se era isso a que ele se referia.
- Parece-me Capitão Wolf, que não precisaremos usar exoesqueletos dessa vez., Parece-me que existem instruções nas inscrições, dizendo que a simples pressão desses símbolos na ordem certa vão fazer funcionar o mecanismo da porta. É claro que parece termos que responder uma charada antes disso. Aqui diz “Delineai as escolhas da alma, do coração e do corpo e terás a mesma honra de Gilgamesh”.
O capitão Jonh Wolf se aproximou destes e transparecia não querer perder por nada a oportunidade de ajudar nessa descoberta. Junto com os dois cientistas, ele mostrou que sua capacidade ia mais além que a liderança e o combate espacial.
Depois de alguns minutos analisando e relembrando toda a lenda de Gilgamesh ele proferiu a seguinte frase:
- Assim dizem as lendas. Gilgamesh escolheu o combate para a alma, o irmão para o coração e o amor para o corpo. Por isso que ele lutava com todas as pessoas próximas dele até ser impedido por seu “irmão” Enki mandado dos céus pelos deuses. Depois ainda se tornou esposo de uma belíssima mulher.
Os historiadores concordavam inteiramente com as conclusões. E com, o máximo de cuidado digitaram as respostas, pressionando as palavras corretamente. Minutos após isso, uma pequena vibração foi sentida e silenciosamente a grande porta começou a se mover.
Todos se afastaram. Apenas Jonh Wolf permanecia estático, esperando o que a resposta que ajudara a encontrar revelaria. Uma leve luminescência emanava das paredes internas.
Já na entrada da estranha estrutura diversas caixas pequenas de um material similar à porta, mas bem mais fino estavam no chão. Por toda a extensão da estrutura, até o fundo da sala estavam mais caixas, só que desta vez grandes caixas que variavam de tamanho, algumas tinham o tamanho de pequenos carros, outras de empilhadeiras-robô de 10 toneladas.
No centro disso tudo existia um estranha plataforma circular que emanava uma luz quase que imperceptível e mais ao fundo, numa plataforma um pouco elevada podia-se ver o objeto que fugira deles desde Marte. Ele estava inerte e parecia sem nenhuma energia.
Quando avançaram cada vez mais para dentro da sala, a sensação de todos era de uma estranha reverência. A Quantidade de objetos espalhados por toda a estrutura era de espantar. No entanto, antes que alguém pudesse abrir alguma das caixas a estranha plataforma circular começou a gerar uma luz mais forte formando um tubo onde uma outra imagem mais coesa surgiu. Joshua arregalou os olhos quando a imagem ficou coesa o bastante e pensou:
- “É um ser bípede de características humanóides completas! Incrível, tirando sua cor de pele, seus dois polegares opositores e sua estatura de mais ou menos 2 metros ele é muito parecido com um ser humano. As teorias da evolução adaptativa parecem valer até mesmo para fora do planeta!!!”
A estranha imagem, agora com toda a nitidez parecia estar viva. Quase era possível tocá-la de tão perfeita que se encontrava. No entanto hologramas já eram uma tecnologia conhecida pelos terrenos e estes não ficaram tão impressionados com ela. Todos estavam interessados era na aparência do estranho ser.
Sua boca se moveu enquanto seus olhos corriam pela sala. Um som quase que gutural saia de sua boca e ecoava por toda a estrutura. Os dois historiadores avançaram para bem próximo do capitão e disseram:
- Ele está falando Sumeriano clássico! Tirando algumas inflexões, é quase a língua inteira! Vamos ligar nossos comunicadores ao banco de dados da nave. Vamos tentar traduzir o que ele diz rapidamente!
Um soldado rapidamente fez os ajustes no comunicador dos cientistas. A estranha criatura parou de falar ficando inerte por alguns minutos. Todos esperaram uma Segunda tentativa de comunicação do estranho ser. A gravação dele reiniciou e novamente eles puderam gravar toda a mensagem.
Minutos se passaram e a mensagem pode ser interpretada da seguinte maneira:
- Bendito o Sol que os guiou até aqui. Se os habitantes do terceiro planeta tiveram a capacidade de acordar aquele que aguardava eu me regozijo por ele ter trazido vocês a nós. Essa estrutura é o que resta de meu povo, os Ak-Sharta, guardiões dos ventos estelares, viajantes dos mundos. - Enquanto os cientistas traduziam as falas a estranha criatura parecia piscar com suas duas pálpebras rapidamente antes de continuar.
- Meu nome é Aksheron e esta é nossa história. À alguns séculos, uma cataclisma fez nosso planeta sair de órbita, acabando por se tornar um mundo desgarrado. Tendo tempo, nos preparamos e tivemos de nos tornar viajantes espaciais até encontrar um novo mundo. Depois de séculos vagando, nosso antigo lar, que havia sido reduzido a uma rocha estéril ficou preso em seu sistema solar. Quando viemos prestar homenagens aos que faleceram antes de escapar do cataclisma, nós resolvemos checar e chegamos a seu pequeno planeta onde estabelecemos uma base de observação por lá. Devido a nossa intensa curiosidade acabamos por mandar observadores para analisar e aprender sua cultura. Vocês eram, naquela época, um povo belicoso e pouco preparado tecnologicamente. Mas hoje acredito no fundo de meu coração que vocês se tornaram melhores...
Todos os presentes observavam a estranha criatura chamada Aksheron. E entre alguns soldados e cientistas algumas rápidas orações foram proferidas. O pedido de cada uma era que a afirmação daquele ser estivesse certa. Que agora estávamos melhores.
- Como nosso legado, nós plantamos sementes de desenvolvimento por todo seu povo. Em várias partes do seu mundo civilizações cresceram com nossa ajuda. Agora, mais uma vez trago a vocês o restante de nosso legado e um pedido. Nosso povo vagou por séculos e séculos pelas estrelas procurando outros povos como ele. Em seu planeta, por sua vez, muitos dos nossos ajudaram seu povo evoluindo seus genes buscando dessa maneira, fazer de vocês uno com nosso povo.
Atrás e em volta dessa imagem que um dia eu fui se encontram exemplos da tecnologia de nosso povo. Equipamentos que possibilitarão um reencontro entre nossas raças. Esse presente é uma mostra do que podemos oferecer em troca se vocês se mostrarem capazes de cumprir o nosso pedido.
Sejam sábios onde poucos foram. Encontrem o caminho para a sua libertação. Meu povo os aguarda num mundo chamado Anktrinn nas coordenadas já delineadas em nossos instrumentos. Fica a cargo de vocês descobrir como. Por isso boa sorte e tenham sabedoria...
A imagem sumiu tão rápido quanto havia surgido. Jonh Wolf, Joshua, Carlos, e os demais que estavam na sala sabiam que nada daquilo que esperavam descobrir poderia valer mais que aquilo que haviam recebido.
Enfim, era a passagem para o futuro de toda a humanidade. E era responsabilidade deles iniciar esse processo...
O processo que um fia permitiria a eles reencontrarem seus “irmãos”, os Ak-Sharta num planeta chamado Anktrinn.
Fim ...ou apenas um novo começo...
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