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INFORMAÇÕES    
Autor: Waldy Pereira Filho.
Título: Hermes Desperta.
Publicação: 15/01/2005.
Publicação Original: 08/10/2003.
Categoria: Ficção Científica.
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OUTRAS OBRAS DO AUTOR
A Notícia.
Natal no Eridanus.
FICÇÃO CIENTÍFICA      
Hermes Desperta
Por: Waldy Pereira Filho

Imagem da Internet

Última parada do Eridanus, a atividade na nave é intensa com a constante ida e vinda das servo-naves que transportam minérios da superfície do planeta para o cargueiro. Toda a tripulação está envolvida na tarefa de recepção e controle de tráfego das servo naves, do transporte de containeres de minério para o local de estocagem dentro do cargueiro.

Na sala de comando o capitão Hermes e seu segundo, o jovem oficial Nakano, observam os monitores coordenando a operação em curso. Nakano no final desta viagem assumirá o comando da nave, Hermes está terminando sua jornada como capitão da frota da companhia e pretende descansar voltando a seu planeta natal.

_Capitão Hermes, ultima servo-nave transportadora retornou... informa Nakano.

_Muito bem! Vamos as formalidades de liberação. Pode fazer as honras Nakano.

_Aqui é o Cargueiro Estelar Eridanus, carga completa e ultima servo-nave liberada, pedimos permissão para deixar órbita.

_Eridanus liberado para deixar nossa órbita, boa viagem de retorno e capitão Hermes boa sorte ao amigo que nos deixará, felicidades em sua nova vida.

_Obrigado Tales, foi muito bom trabalhar com vocês. Eridanus desliga.

A comunicação com a mina no planeta abaixo é interrompida e os motores são acionados fazendo toda nave vibrar enquanto sai de órbita e ganha velocidade para iniciar a jornada de retorno. As atividades da tripulação com as últimas checagens de acomodação da carga ainda permanecem por algum tempo. Hermes e Nakano programam o retorno e os pontos de despertar para checagem.

_Este ponto de checagem esta fora do parâmetro, acontecera bem antes do previsto... Senhor. Observa Nakano ao capitão com expressão interrogativa.

_Sim! Eu sei, mas é minha última viagem por este quadrante da galáxia e preciso rever um pequeno planeta azul. Não posso explicar, mas é algo que ainda quero fazer. Creio que posso me dar a esse luxo. Responde Hermes com o olhar perdido, observando o monitor principal o planeta de onde acabaram de partir e que tornara-se na distância uma pequena bola avermelhada.

Após a refeição, todos dominados pelo cansaço dirigem-se a seus casulos e iniciam sua hibernação. Hermes e Nakano também despedem-se, pois só tornaram a conversar no final da viagem, até lá despertarão em pontos de checagem alternados.

****

O casulo de hibernação abre e Hermes emerge... Emite os grunhidos habituais que fazem parte de seu ritual de despertar.

_É!... Nunca acostumei com isto... E essa solução de eletrólitos torna-se pior a cada vez. Resmunga Hermes observando o fundo do frasco em sua mão.

Após realizar a rotina de checagem padrão, pede ao computador:

_Mostre-me o que temos ai fora...

No visor principal surge a bela imagem de um cometa de cauda dupla, afastando-se do sol em seu mergulho para as profundezas do universo.

_Ai temos um verdadeiro cargueiro estelar, deixando sua carga em seu caminho para a estrela principal deste sistema e ao reiniciar sua viagem para os confins deste sistema, vai recolhendo a poeira estelar, fruto do trabalho de mineiros galácticos. Poderia chamá-lo de Eridanus e talvez encontre em seu comando um capitão Hermes, que um dia se aposentará. É! Esta nave e aquele cometa tem vidas iguais...São iguais. Hermes deixa-se afundar na poltrona contemplando ao cometa, olhar perdido...

Muito tempo depois desperta do abatimento em que havia mergulhado e ordena ao computador.

_Vamos lá meu amigo! Mostre-me o planeta azul.

Na tela surge o planeta.

_Faça uma varredura, vejamos se existem sinais de evolução.

Os dados surgem na base da tela.

_Ora... Ora! Muitas fontes de energia, inclusive atômica, sinais de transmissões eletromagnéticas, satélites em órbita. Parece que meus amigos realmente evoluíram e neste ritmo em breve farão parte da confederação.

A sala se ilumina com luz suave e uma voz já conhecida de Hermes se faz ouvir.

_Saudações caro amigo, Hermes. Não se engane com os sinais de evolução tecnológica visíveis, lembre-se que a evolução a qual me referi não pode ser mensurada com aparelhos, por mais sofisticados que sejam. Você meu amigo, vem de uma civilização tecnologicamente muito evoluída, mas como a que habita neste planeta, muito longe de encontrar a si própria. Você mesmo, há alguns momentos atrás, sentiu este isolamento que habita em muitos corações e que não pode ser preenchido por conforto material. Muitos sentimentos interagem nos povos deste planeta, alguns como a violência e ódios raciais que foram extirpados nos mundos da federação, convivem com sentimentos nobres que também desapareceram em tua civilização, varridos pela tecnologia. Hoje o que lhe corroe a alma é a ausência destes sentimentos mais nobres, que em última analise dão sentido a existência de todo ser inteligente.

Hermes se da conta do vazio que existia em seu interior, algo visível no semblante de todos com quem se relacionara. Uma característica de sua civilização e de outras com quem tivera contato, algo que só agora nesta fase de sua vida emerge. Sempre existira, mas a atividade febril a que todos se lançam, impede sua manifestação. Talvez isto explique o porque de uma grande maioria não superar esta fase da vida e os que conseguem torna-se parias na sociedade e isolam-se na busca de algo que nem eles próprios sabem o que é. Será que estaria indo neste caminho? Ouvindo vozes, vendo luzes.

_Não Hermes, você está tomando consciência da existência de algo mais além da máquina gerida por grandes companhias. De necessidades que não podem ser preenchidas através da compra de um produto ou serviço. Você é parte de um grupo que começa a despertar e terá a missão de alterar o rumo do pensamento que guia as civilizações que compõem a Federação.

Hermes esta perplexo, nunca entendera a necessidade que sentira de retornar a ver este sistema e agora desejava estar em seu casulo, que tudo não passa-se de um sonho.

_Não pretendo ser um revolucionário. Balbuciou Hermes quase para si mesmo.

_Não te preocupes Hermes, não serás um revolucionário e sim um agricultor. Plantarás sementes que produziram os frutos e estes frutos serão uma nova forma de sentir e viver. Procure ver a beleza e o lado positivo de tudo, não olhe para traz e procure viver intensamente, pois novas experiências surgiram a todo momento. Demonstre a todos sua vontade de viver e de ajudar sempre de forma construtiva.

Das paredes da sala jorram pequenos jatos de luz das mais diversas cores e melodias indescritíveis preenchem o ambiente, enquanto o corpo de Hermes flutua a alguns centímetros do chão. Sua mente é invadida por imagens de paisagens de beleza sem par e uma sensação de harmonia e paz lhe enchem de alegria o coração.

Hermes desperta, na tela as últimas informações pedidas se mantém e o Planeta não é mais que um ponto à distância. A sala retornara a sua normalidade e tudo permanecia como se nada ocorrera, um sorriso aflora nos lábios de Hermes, o primeiro de sua vida.

_Não foi um sonho, foi o renascer. É hora de começar a viver... Grita sem conseguir se conter.

Fim

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