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O relógio marcava nove horas. Quando seria? Quando ocorreria o fim do mundo? Ele não sabia. O eclipse estava acontecendo, mas, fora o fato de estar um lindo dia, e de todos estarem indo ao seu trabalho, nada indicava nenhum sinal de calamidade.
Indo ao trabalho... será que não sabiam o que estava ocorrendo? O mundo estava para acabar. Nostradamus tinha previsto isto. Entre muitas outras coisas alias. Quando seu corpo foi exumado, encontraram uma placa no seu peito. Nela dizia: 1900, era o ano em que estavam. Quando ainda era jovem, um jovem padre passou por ele. Ele saiu correndo e beijou a mão do padre. Quando o padre perguntou o que ele estava fazendo, ele apenas disse: Apenas acho que é certo beijar a mão de um papa. E, aquele jovem padre acabou sendo papa mesmo.
Não, ele não tinha errado. O que tinha ocorrido era que devido a ele ter escrito suas visões em forma de enigmas (versos estranhos) muita má interpretação tinha ocorrido. Mas esta não podia ser incorreta. Tudo estava certo. Era o período aproximado que ele tinha previsto, o sétimo mês, agora, pelo calendário que a humanidade usava, seria o oitavo.
- E ai? O mundo já acabou?
Ele olhou sobressaltado para o seu amigo.
- Não, respondeu. E não fique brincando com isto.
- Não estou brincando, apenas acho que é idiotice se preocupar com algo sobre o qual não se pode fazer nada.
- Você não entende...
- Tem razão – cortou ele – não entendo mesmo. Por que tanta preocupação? Tanta angústia?
- Como se sentiria se tudo o que conhecesse fosse acabar? Com tanta coisa que queria fazer e não fez?
- Indiferente – respondeu calmamente – por que deveria sentir alguma coisa?
- Esquece – ele já estava irritado – me deixe em paz.
Ele deu de ombros e foi a sua mesa trabalhar. Acabou fazendo o mesmo, embora fosse difícil. As horas foram passando e nada. A noite chegou e ele viu que tudo estava igual. De uma certa forma, ele ficou desiludido. Fora terem ocorrido dois terremotos em locais diferentes – algo um pouco raro de ocorrer – nada de estranho mesmo tinha acontecido.
Ele estava saindo do serviço quando o seu amigo o interpelou novamente.
- Aliviado?
- Não sei bem. Acho que me sinto tolo. Com tanta gente comentando, tantas notícias a respeito, a gente acaba pensando na coisa. Fui um idiota. Acho que o mundo nunca vai acabar.
- Claro que vai – tornou ele – mais cedo ou mais tarde, tudo o que te um começo, tem um fim. Agora, se é algo para breve ou para milhões de anos, isto é outra história.
- O sétimo mês.. que besteira.
- Como?
- A profecia. Dizia que o mundo iria acabar no sétimo mês.
Ele parou um pouco e ficou pensativo.
- O que foi?
- Bem, talvez você ainda tenha chance de ver o fim do mundo.
- Como assim?
- Ora... ele sorria como uma criança levada – quando o calendário gregoriano foi adotado, mudaram a contagem de dez meses para doze meses ao ano. Inseriram dois meses novos mas eles mantiveram alguns dos nomes dos meses antigos. Setembro, Outubro, Novembro e Dezembro são sobras deste outro calendário, e significam, respectivamente, sétimo, oitavo, nono e décimo mês. Setembro, apesar de para nós ser o nono mês, significa, e isto em muitas línguas, sétimo mês. E era o mesmo nome usado na época de Nostradamus. Ele pode muito bem ter sido confundido com isto, embora eu ache estranho ele não ter previsto a mudança de calendário.
Ficou pensando naquilo por alguns instantes. Seu amigo se despediu e se foi. Após alguns minutos ele saiu também. Chegando em casa, seu vizinho brincou com ele.
- Viu? O mundo não acabou.
- É – respondeu ele – ainda não....
Uma vez pessimista...
Fim.
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