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INFORMAÇÕES    
Autor: Rodrigo Marques.
Título: Sacrifício do Anjo.
Publicação: 01/01/2006.
Categoria: Ficção Fantástica.
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Texto Segundo Colocado do desafio de abril com o tema: Anjos. Grupo de Escritores da Fábrica de Sonhos.

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FICÇÃO FANTÁSTICA      
Sacrifício do Anjo.
Por: Rodrigo Marques.

Imagem da Internet

Aquela era mais uma maldita noite ordinária para John Constantine, os malditos pardais iriam piar ao amanhecer, as terríveis pombas iriam cagar nos transeuntes e as demoníacas raposas iriam comer as pobres galinhas.

Alias era o que deveria estar acontecendo na esquina, gritos abafados de uma mulher, contra risadas causticas de malandros demoníacos. Constantine acendeu seu Silk Cute e decidiu que estava na hora de tomar um drink.

Entrou no bar, sentou na cadeira de carvalho maciço e deu um sorriso para o barman, com fumaça saindo da boca.

- Jack Daniel’s, duas pedras de gelo.

Uma garota, cabelo por do sol, usando um vestido preto sai do canto do bar e se aproxima de Constantine.

- Tem um cigarro?

Constantine olhou pra ela de cima em baixo, dando ênfases em cima e em baixo.

- Não quero matá-la.

- Não se preocupe com isso. – mostrando os diamantes de sua boca.

- Fogo também?

Ela deu uma primeira tragada bem profunda.

- Posso me sentar?

Constantine ofereceu o colo. Ela puxou a cadeira.

- Espero não tê-lo decepcionado.

- Só se fosse um maldito demônio.

- Nesse caso vou ter que ser bem má com você.

- Você nunca seria má o suficiente.

- Para que?

- Para me fazer lembrar do inferno.

- Eu posso ser má o bastante.

- Isso podemos descobrir.

- Claro! – Samir? Meia de seda.

- Você vem sempre aqui?

- Só quando acho que vai ter uma presa interessante.

Constantine assentiu com as sobrancelhas, como se estivesse impressionado.

- E você?

- Só quando acho que vou ter uma noite quente dos infernos.

- Você parece gostar dos infernos.

- Na verdade são eles que gostam de mim.

- Já viu algum demônio.

- Eles me caçam. – tentando impressionar.

Ela assentiu com as sobrancelhas, como se estivesse impressionada.

Constantine acendeu mais um cigarro.

- Você faz o que, vampira?

- Um, termo interessante. Eu faço negócios.

- Que ótimo. E a noite vem se divertir no bar.

- Na verdade faço negócios aqui também.

- Que tipo de negócios?

- Quer vender a sua alma? – ela deu um largo sorriso.

- Pra você eu até venderia, mas ela já esta empenhada com três demônios.

Subitamente ela parou de rir.

- Qual o seu nome?

- Chas.

- Tem certeza?

- Por que não?

- Deixa eu ver a maldita marca desse cigarro... Silk Cute. Tem certeza que seu nome é Chas, John Constantine?

- Quem é você? Maga, feiticeira, vampira... pra saber disso.

- Eu sou Magdalena, da quarta legião, sob o serviço de Baal Zebu.

Constantine deu um sorriso cínico para frente, tomou mais um gole de Daniel’s, uma tragada forte no cigarro e mostrou o dedo do meio na cara da demônio.

- Eu sempre faço isso para vocês! – mantendo o sorriso cínico.

Magdalena, que sabia que não podia tocar em Constantine apenas retribuiu o sorriso cínico e lambeu o dedo do meio de Constantine, até que sua língua foi ficando maior e maior, demoniacamente maior. Ele tirou a mão de lá e retribuiu dando um soco forte no nariz dela. O bar inteiro olhou pra ele. Que acabou de tomar o Jack, jogou uma nota de cinco libras em cima da mesa e saiu dali. Magdalena não tardou se recuperar e foi atrás dele.

- Vai embora, já fechei minha lojinha com os demônios.

- Seu maldito sortudo, eu mataria você se não fosse...

- Se você pudesse. Cai fora.

- Espera, famoso John Constantine, pra mim você é um bosta e é verdade que eu não posso encostar em você, mas isso não muda o fato que você é um bosta.

- Ah é? – Constantine voltou na direção dela e deu mais um soco na cara dela, derrubando-a no chão. – O bosta aqui te um soco, duas vezes.

Ela se levantou rapidamente, fazendo seu próprio tamanho aumentar, chifres começaram a sair dos ombros e da cabeça, rosto começou deformar-se com uma taboa de passar roupa. Constantine ficou tão impressionado que apagou o cigarro no umbigo do demônio.

- Constantine! Saiba que eu posso matar você sim. Posso morrer também, mas eu posso matar você!

- Eu realmente duvido que um ser como você, vá gastar sua imortalidade comigo. – e virou-lhe as costas e saiu andando.

- Espere!

Ele se virou de volta para a demônio.

- Existem negócios que podem interessar a você.

- Que tipo de negócios?

Nesse momento um grupo de marginais sai de trás de um beco, como quem havia terminado um serviço.

- Eu e você, juntos, podemos capturar uma pessoa, um ser.

- E o que eu ganho nisso?

- Eu não mato você, aqui agora.

Lúcifer era conhecido como o pai da mentira, mas não parecia que desta vez Magdalena estivesse mentindo. Mas Constantine era um jogador.

- Isso não basta. Faça-me uma oferta melhor.

Magdalena ficou confusa por um instante, Constantine não daria valor a própria vida?

Constantine acendeu um cigarro.

- O que você quer?

- Sorte, muita sorte.

****

Magdalena e Constantine saíram andando pelas ruas de NewCastle em direção a um cemitério - o D’Orleans. Ao chegar à entrada, os portões estavam fechados, mas um grupo de góticos forçava passagem, pulando o muro, seguidos pelo casal mais estranho do Reino Unido.

Ao entrar no cemitério o grupo se dividiu, tinham um plano bem preparado: cada um procura em metade das tumbas. Constantine passou longe do grupo de góticos, que faziam, ajoelhados sob uma tumba, alguma coisa que poderia ser descrita como uma invocação/suruba. Não que a idéia de participar de uma suruba não fosse boa, mas Magdalena poderia aparecer assustando todo mundo e estragaria tudo, se ele fosse dez anos mais jovem não se preocuparia com isso, dez anos mais jovem.

Constantine continuou a procurar pelas tumbas até que encontrou um enorme aviso escrito: “nothing of him that doth fade, but doth suffer a sea-change, into something rich and strange”, sim, sem dúvida era a tumba de Percy Shelley, um famoso escritor inglês, nascido em MDCCXCII, como escrito em sua tumba.

- Constantine. – ele deu um pulo para o lado com o susto. Era Magdalena atrás dele, ao se recuperar ele acendeu um Silk Cute.

- Como você percebeu, eu achei a tumba.

- E eu achei você.

- Ótimo, então me ajuda a empurrar a tumba e vamos ver o que achamos juntos.

Os dois empurraram a lápide. Não havia mais cheiro de podridão, já que havia se passado muito tempo.

- Não há nada!

- Se você realmente quisesse esconder alguma coisa iria deixar no meio da tumba? – com o cigarro na boca?

Constantine começou a procurar algum compartimento secreto dentro da tumba, até que um tijolo se soltou, ele o puxou e dentro do buraco havia um plástico com um papel e uma chave dentro.

- Encontramos. Vamos sair daqui.

Saíram de lá o mais rápido que podiam, sem ser percebidos, voltaram para a rua.

- Qual é o endereço Constantine?

- LongCastle, 392. É perto daqui.

Seguiram em passos rápidos e qual não foi sua surpresa quando descobriram que o endereço dava em uma pequena igreja anglicana. Eles olharam a igreja pela frente e pelos lados, até que notaram uma pequena porta pelos fundos e por lá foram.

Constantine forçou a porta, mas ela não abria. Magdalena deu um leve sorriso para ele e com uma das mãos e uma força dos infernos fez a porta abrir.

- Primeiro as damas. – disse acendendo um cigarro.

Seguiram por um corredor escuro que dava no meio da nave principal da igreja.

- E agora o que?

- Existe uma passagem sob o altar.

E mais uma vez empurraram alguma coisa naquela noite, quando os malditos pardais começaram a piar.

- E melhor darmos um tempo aí dentro, em poucas horas vai ter uma missa e eu quero ver você fritando. – com seu sorriso cínico.

Magdalena nada respondeu.

Desceram uma escada que dava em um novo corredor, onde havia uma série de tumbas, escavadas na própria parede. Seguiram com cuidado, guiados no escuro apenas pelo isqueiro de John. Quando deram em uma porta.

- Agora podemos usar a sutileza feminina ou tentar a chave, o que você quer?

- A chave. – disse enquanto se transformava em demônio novamente.

- Por que eu tenho a impressão de que você não conseguiria abrir está porta só na força?

- Abra logo.

- Pra onde foi se senso de humor?

- Abra.

- Eu sei, você está com medo. Já devia conhecê-lo há algum tempo, certo?

- Sim, mas isso não interessa agora, abra a porta.

Sem mais insinuar, Constantine abriu a porta. Dentro, pelo que seu isqueiro podia revelar, uma sala pequena, com o que aparentava ser um homem preso em correntes. Um corpo decrepto, que mais provavelmente estaria morto do que vivo.

- Gabriel? – enquanto pisava sobre o cigarro que jogou no chão.

O homem acorrentado se moveu e levantou o rosto. Um rosto andrógino.

- Há quanto tempo mantêm você aqui, Gabriel? Apenas para tolherem seu sangue e fazerem pequenos milagres, estatuas chorar, transformar vinho em sangue ou pequenas curas? É para isso que se usa um Anjo despedido? – disse a antes bela mulher.

O rosto de Gabriel era amargurado, com a proximidade era possível ver suas asas arrancadas.

- O que... Vocês... Vieram fazer comigo?

- Libertá-lo!

Constantine se aproximou do anjo e segurou uma de suas mão contra a parede e olhou para Magdalena, que com sua poderosa garra arrancou a cabeça de Gabriel fora, em um só golpe. Constantine fechou os olhos com o sangue respingado, soltou a mão do anjo e acendeu um cigarro.

- Vamos dar o fora daqui.

Magdalena apenas assentiu, pegou a cabeça de Gabriel, para servir como troféu e deram o fora dali.

Quando já estavam na rua e a quarteirões dali:

- O que você vai fazer agora Constantine? Inimigo dos céus e do inferno?

- Vou a um... – acendeu um cigarro – a um maldito cassino, preciso pagar algumas dividas.

Não sabia porque, mas tinha a sensação de ter feito uma boa ação.

****

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