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Conto dividido em seis partes. Aguarde a página carregar..
Parte I
No dia 20 de setembro, 2436, Perry Rhodan e a tripulação da Crest IV, a bordo de duas naves halutenses, partem em vôo dimetrans com destino a Via Láctea. Para tanto, eles abandonaram a orgulhosa nave capitânia Crest IV que tinha exaurido seus conversores lineares e poderia voar apenas à velocidade sub-luz dali em diante. Rhodan conseguiu chegar a Via Láctea, mas e a Crest IV, que destino lhe foi reservado?
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As 0602 horas do dia 20 de setembro, 2436, hora universal, Perry Rhodan, com a ajuda de um sinalizador, ativou o autopiloto a bordo da Crest IV. A gigantesca nave pôs-se em movimento, e as duas unidades halutenses seguiram-na em curtos intervalos.
O tempo passou depressa. Depois de menos de três horas, a velocidade das três naves em relação a posição na qual se iniciara a viagem era de um terço da velocidade da luz.
O instante da despedida definitiva ocorreu às 0925 horas.
As duas unidades halutenses desapareceram no espaço linear. Para trás, na escuridão infinita, ficou a Crest IV, a nave fantasma, a caminho através de um abismo de vinte e sete milhões de anos luz.
Solitária, a Crest continuou acelerando constantemente com apenas 10 km/s2. Cerca de 5 horas mais tarde, a velocidade estava próxima do limite máximo.
No interior da nave, apenas o autopiloto conjugado com a positrônica central e alguns robôs da seção de engenharia, mantinham "vida". Se tudo corre-se bem, a viagem duraria, para estas máquinas, pouco mais de 24 horas relativisticamente.
O autopiloto era capacitado para desviar de qualquer corpo que porventura cruza-se a rota da nave, mantendo o curso para a Via Láctea. Os sensores acoplados, informavam-no em tempo de modo que as respectivas manobras podiam ser realizadas.
O campo defensivo hiperenergético verde cercava a nave a plena carga, dessa forma, pequenos corpos não representavam ameaça para a nave, mesmo na velocidade atual.
Todas as armas e robôs de guerra, jaziam desativadas em posição de repouso. Pelas alas e corredores da nave, apenas o som dos geradores, propulsores e instrumentos positrônicos soavam. Não se ouvia mais o som das vozes e risadas que haviam enchido o lugar a menos de 12 horas.
A nave fantasma mantinha seu curso, rumando para seu destino longínquo.
Os sensores acusaram a presença constante de corpos acompanhando os movimentos da Crest depois da partida das naves halutenses. Esses corpos, tinham em média o tamanho de uma casa e se moviam sem uma forma de propulsão visível.
Protegida pelo campo defensivo, a nave continuava sua viagem sem se importar com seus acompanhantes. Diversas vezes alguns desses corpos se chocaram com o campo defensivo e foram destruídos. Nenhum conseguiu penetrar em suas defesas.
Para a positrônica central eles não representavam nenhum perigo. Ela desconhecia a origem ou intenções dos objetos. Não sabia que esses objetos tinham sido analisados pelos tripulantes da Crest depois de sua separação.
Os objetos eram seres vivos. Eram compostos de matéria rochosa poliestruturada. Criaturas que viviam no vazio entre as galáxias, sobrevivendo de raios-X e raios cósmicos que captavam e transformavam em seus corpos. Eram inteligentes, mas seu interesse pela nave gigantesca era um completo mistério.
Outros corpos foram registrados, tais como pequenos planetóides, rochas e corpos escuros. Em nenhum momento a nave correu perigo. Parecia que tudo correria como tinha sido idealizado.
A nave percorreu cerca de cinqüenta anos luz.
Os sensores captavam e armazenavam todos os objetos celestes encontrados ao redor. Galáxias, estrelas, pulsares, quasares, novas e fenômenos variados eram registrados e utilizados para a navegação correta da nave.
Entretanto, a solidão da nave continuava. Fora os poucos estranhos que ainda a acompanhavam, a nave estava solitária no cosmo.
No entanto, algo não estava correto. A positrônica registrou uma série de incoerências. A rota da nave era constantemente desviada, mas nenhum corpo de grande massa podia ser registrado.
Sempre que a rota era corrigida, em pouco tempo novamente se apresentavam desvios.... isso era ilógico, e como o espaço estava vazio, contraditório.
Aos poucos os sensores começaram a captar mais anomalias. A matéria interestelar (normalmente alguns poucos átomos por metro cúbico) estava aumentando. Verdadeiros fluxos e "ventos" sopravam contra os campos energéticos da nave.
Conforme o tempo passava a matéria foi se adensando e de simples átomos se passou a moléculas e pouco a pouco foram aparecendo os primeiros pedaços maiores de matéria. Pequenas rochas que com o tempo foram aumentado para grandes asteróides.
Para a positrônica tudo era um grande mistério. Não deveria haver nada nesta parte do espaço. Muito menos grupos inteiros de asteróides.
Finalmente os sensores começaram a captar dados mais precisos, mas nem por isso mais esclarecedores.
Pequenas nebulosas foram registradas, quase ocultas pela matéria que flutuava ao seu redor, encobrindo seu brilho.
E estrelas.... algumas poucas e esparsas, mas brilhantes.
Em sua maioria eram estrelas velhas, vermelhas e algumas quase que totalmente apagadas.
Decididamente isso não deveria estar aqui no meio de lugar nenhum....
A positrônica iniciou cálculos e mais cálculos, mas nenhum resultado positivo foi obtido, todas as soluções encontradas tinham baixa probabilidade.
Entre as soluções se apresentaram desde a possibilidade de se tratar dos restos de uma galáxia extinta até a possibilidade contrária de que se tratasse dos primeiros sinais da formação de uma nova galáxia.
A positrônica estava decididamente intrigada. No entanto, ela não tinha como ficar na região tentando encontrar uma solução. Suas ordens eram claras.... deveria seguir para a Via Láctea o mais rápido possível.
A navegação tinha sido afetada. O curso tinha ficado difícil de ser traçado e mantido no meio de tudo aquilo.
Para aumentar ainda mais as dificuldades, os sensores estruturais registraram as curvas características formadas pelo salto de naves pelo hiperespaço. Não exatamente na posição e curso da nave, mas nas proximidades.
A positrônica transmitiu um alerta para os diversos postos colocando tudo em sobreaviso.
Elegante, a nave continuou sua viagem para casa.
Mais alguns anos luz foram percorridos.
Em dado momento um novo fenômeno veio finalmente trazer a explicação para a existência de tão estranho agrupamento de matéria.
A nave pode registrar e logo depois experimentar a força que atravessava o espaço na forma de fortes campos gravitacionais que interagiam e se cruzavam. Naqueles pontos tudo dançava nos ritmos mais loucos e alucinantes.
Estrelas e planetas eram carregados e turbilhonavam uns ao redor dos outros chegando muitas vezes a se chocarem. De tempos em tempos podia-se registrar estranhas explosões resultantes do choque entre estrelas. Diferentes da explosão de uma nova, estas brilhavam pouco e eram logo desmanchadas pelas correntes gravitacionais sendo formadas novas estrelas ou então tendo seus gases espalhados para as nebulosas ao redor.
Com muita dificuldade a nave tomou um desvio para não ser capturada pelas correntes gravitacionais desde local. Somente muito lentamente a nave pode se desviar e escapar.
Ainda por muito tempo a positrônica registrou os efeitos que essas correntes tinham sobre a navegação. No entanto essas correntes foram a pista que levou a positrônica a desvendar o mistério daquele local estranho.
Uma teoria dizia que entre corpos se formavam campos gravitacionais e que em determinados locais iriam se formar pontos de compensação onde surgiriam estranhos campos e corrente resultantes da interação dos campos gravitacionais dos dois corpos.
Sabia-se que isso ocorria entre planetas, entre sois e agora, a positrônica tinha descoberto que entre galáxias isso também era real.
Algum tempo depois a positrônica pode medir e fotografar as duas galáxias que formavam aquele ponto de compensação. Por puro acaso a nave tinha passado justamente por um dos tais pontos.
As correntes gravitacionais tinham puxado para este local a matéria de vários pontos e a reunido surgindo então a possibilidade de se formarem estrelas e planetas. Talvez até tenham sido arrastadas estrelas inteiras com seus respectivos sistemas solares.
Essa maravilha tinha sido criada por duas galáxias apenas, uma com apenas a metade da massa da Via Láctea e a outra com quase a massa da Via Láctea.
Que tipo de ponto de compensação se formaria entre a Via Láctea e Andrômeda? E entre mais de duas galáxias? Essas perguntas foram feitas pela positrônica que as registrou e calculou as possibilidades.
Quem sabe, quando a nave retornasse para casa, esse conhecimento poderia ser útil?
No entanto, o perigo ainda não tinha sido de todo afastado.
Um sistema solar ainda estava no caminho da nave, e para piorar ele era abitado.
Os sensores registravam facilmente a atividade dos diversos tipos de propulsores e os saltos que as naves executavam nas imediações do sistema.
A positrônica calculou e ordenou uma manobra de desvio do sistema, contornando a uma distância segura este local perigoso.
Muito dependeria da sorte.
Algum tempo se passou e metade da manobra já tinha sido executada quando uma nave materializou nas proximidades da nave fantasma.
Imediatamente a positrônica soou o alarme. Os robôs foram reativados e correram para os postos de combate. As torres dos canhões foram levantadas e as miras enquadraram o alvo.
Sinais de sensores foram captados e logo ondas de rádio se seguiram. No entanto numa linguagem desconhecida e portanto não havia como responder.
Logo, mais naves se juntaram à primeira e as primeiras manobras mais ousadas foram tentadas. Pequenas naves foram mandadas para as proximidades e depois de algum tempo começaram a atirar a frente da nave.
A positrônica ordenou que se responde-se ao fogo mas que não se fizesse nenhuma manobra de desvio. Os canhões térmicos e desintegradores abriram fogo.
As pequenas naves não foram atingidas, mas manobraram rapidamente para fora do alcance.
Depois foi a vez das naves maiores. Elas voaram em formação de cunha e semi-esfera contra a nave. De uma certa distância começaram a atirar contra a Crest.
O campo hiperenergético foi exigido em 30 % da sua capacidade. Para a positrônica isso era o sinal de que as coisas poderiam acabar muito mal.
As ordens foram dadas e os canhões conversores foram carregados. Um anel de disparos foi criado atrás da nave.
Os gigasois formados se uniram formando uma parede de fogo impenetrável. As naves inimigas voaram manobras de desvio e fugiram em pânico.
Algum tempo depois ainda se pode registrar uma ou outra nave que se acercava da Crest, mas sem atacar. Elas apenas sondavam e faziam tentativas esporádicas de comunicação.
Quando a Crest se afastou alguns anos luz daquele sistema, nenhuma nave mais veio incomodá-la. A viagem da nave fantasma podia continuar.
Novamente os estranhos acompanhantes, aqueles seres que pareciam rochas espaciais vieram se juntar ao vôo da nave. Eles tinham desaparecido durante algum tempo, enquanto a nave cruzava pelo ponto de compensação, mas agora estavam de volta.
E a viagem continuou........
Parte II
Repentinamente os sensores registraram um abalo da estrutura espaço tempo que deveria ter ocorrido a cerca de 800 anos luz.
Dentro de uma galáxia, 800 anos luz seria uma distância grande o suficiente para que não se pudesse rastrear o corpo em questão e que ele não pudesse rastrear a Crest.
Mas no vazio entre as ilhas cósmicas, a energia liberada pela nave devia ser facilmente registrada pelo corpo que havia surgido ali tão próximo.
De acordo com os resultados dos sensores, a positrônica calculou que o corpo deveria ter dimensões planetárias e que ele emanava energia mais que suficiente para mover uma estrela do seu lugar.
Uma hora após (em tempo normal/real), um grupo de 20 naves com a forma aproximada de pirâmides voando com a ponta para a frente, se aproximaram da Crest. Ondas de rastreamento atingiram a nave sendo sucedidas por irradiações de rádio em todas as freqüências conhecidas.
Os seres que haviam acompanhado a Crest até então, foram rapidamente enxotados pelas naves piramidais com o uso de raios desintegradores.
Após algum tempo, as naves piramidais irradiaram mensagens com destino a sua nave mãe, informando suas descobertas e a impossibilidade de contatar os ocupantes da Crest, que eles presumiam estar tripulada por seres vivos.
Pouco depois, uma enorme nave iniciou a perseguição da Crest. O veículo desconhecido tinha o formato aproximado de uma caixa de sapatos, medindo 100 x 60 x 40 km de arestas.
Com manobras abeis, demostrando grande conhecimento por parte dos tripulantes, a nave desconhecida se aproximou a cerca de mil quilômetros da Crest.
A positrônica a bordo da Crest soou o alarme e ativou os robôs. Alguns dos canhões energéticos puderam ser guarnecidos pelas máquinas que começaram a dar tiros de alerta contra a estrutura estranha.
Pouco depois, os instrumentos começaram a registrar uma queda de energia nos campos defensivos e nos propulsores.
Mesmo os geradores que se encontravam na parte central da nave apresentaram queda no seu funcionamento. Pouco a pouco as máquinas e instrumentos, bem como as armas, foram parando por falta de energia.
Os propulsores silenciaram e o campo defensivo ruiu. Por alguns instantes, até as baterias de emergência tiveram parte da sua energia sugada.
Logo que a Crest ficou indefesa, um raio trator trouxe-a para perto do veículo alienígena. Uma escotilha gigantesca foi aberta, revelando o espaço de um hangar vazio onde a Crest foi introduzida.
Num último impulso, a positrônica conseguiu fazer sair as colunas de sustentação, liberando as travas do sistema hidráulico. Com um cuidado quase que cirúrgico, a gigantesca nave foi posicionada sobre uma enorme área livre e desceu até tocar no chão do hangar.
Doze minutos se passaram até que os primeiros instrumentos recomeçaram a funcionar a bordo da Crest. O campo defensivo, os canhões e os propulsores continuaram inoperantes, mas os pequenos geradores auxiliares e os geradores independentes dos robôs voltaram a funcionar quase sem perturbações.
A positrônica reiniciou suas atividades ativando os sensores e cameras externas, vasculhando e coletando dados sobre o ambiente e interpretando os acontecimentos.
Durante horas a situação permaneceu sem modificações. Os sensores não conseguiam romper as paredes do hangar, e portanto, não puderam registrar a viagem empreendida pelo veículo monstruoso até seu ponto de partida, onde um objeto inimaginável flutuava no vácuo entre as ilhas.
Várias vezes foram captados sinais de rádio e ondas de rastreamento. Parecia que os estranhos estavam analisando com muito cuidado a presa que tinham feito, antes de tomar outras atitudes.
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Vinte minutos se passaram e então se iniciou o assalto à nave. De todos os lados se aproximaram robôs de estranha construção. Tinham as mais diversas formas, seguindo os conceitos de utilidade e praticidade.
Em pouco tempo a horda conseguiu abrir várias eclusas e penetrar nos corredores da Crest. Nos primeiros minutos, a positrônica enviou todos os robôs em funcionamento contra os intrusos.
Os robôs terranos eram superiores em poder de fogo e agilidade, mas seu número era insuficiente contra os milhares de máquinas alienígenas. Logo que se apercebeu de que seria impossível derrotar o inimigo mediante o uso da força, a positrônica elaborou um plano alternativo.
Os terranos haviam programado a positrônica para levar a nave em segurança para a Via Láctea. Essa ordem tinha de ser cumprida. Era o comando segundo o qual se guiava a lógica da máquina.
Assim sendo, a nave não deveria ser danificada desnecessariamente.
Ao chegar a essa conclusão, a positrônica suspendeu os ataques. Imediatamente deu ordens para que a maioria dos robôs se recolhe-se a esconderijos onde não pudessem ser encontrados e aguardassem pelo comando para entrar em ação. Cada unidade recebeu suas ordens, as armazenou e se recolheu ao lugar indicado.
Um grupo de cerca de 200 unidades mistas recuou até próximo do centro de comando da nave onde montou resistência durante mais meia hora contra os invasores. Pouco a pouco as unidades foram se desligando, passando a impressão de que falhavam ou esgotavam sua energia.
A positrônica desligou a maior parte de seus bancos de dados e travou o acesso. Depois disso se pôs a esperar.....
Depois que a última unidade terrana se desligou, os robôs invasores avançaram e tomaram conta de toda a nave. Durante horas foram os únicos a percorrer e investigar a nave.
Quando finalmente os primeiro ser orgânico pisou na nave, a positrônica dirigiu todos os sensores disponíveis para o invasor. Em pouco tempo a conclusão de que se tratava de uma raça desconhecida foi comprovada. Não havia registros de seres como aquele.
Fisicamente eles eram humanóides. Tinham braços longos que chegavam quase até os joelhos. As pernas também eram longas, com o que o ser chegava quase aos dois metros e vinte. Sua cabeça era ovóide, com a ponta para a frente, e descansava sobre um pescoço fino e curto. Na ponta estavam os órgãos sensoriais do ser: 4 olhos pequenos enfileirados lado a lado, uma narina grande e pequenos orifícios auditivos, dois de cada lado da cabeça próximos aos olhos.
Sobre a cabeça descansava uma placa óssea que dava a impressão de que o ser usava um capacete.
A cor da pele era um marrom, puxado para o vermelho.
Sob as narinas existia um pequeno bico curvo, a boca da estranha criatura, que por enquanto permanecia fechada. Ainda não era possível saber se a criatura emitiria sons para se comunicar por aquele bico.
No geral, a figura do alienígena era esguia, sem ser exageradamente delicada ou frágil. Em força e resistência, devia ser próximo aos terranos. Tanto quanto se podia perceber, respirava oxigênio como os terranos.
Lentamente a criatura percorreu os corredores da nave, tentando encontrar um caminho até a sala de comando. Para tanto, levou quase uma hora e meia, mesmo sendo o caminho indicado por tabuletas e sinais.
Diante disso, a positrônica concluiu que o intercosmo era desconhecido desses seres e provavelmente, jamais houve um encontro desses seres com os terranos.
Ao entrar na sala de comando, a criatura iniciou uma inspeção dos painéis e instrumentos. Lentamente percorreu tudo, observando com muita atenção toda a tecnologia presente ali.
Satisfeito com o que encontrou, a criatura ativou um aparelho de rádio pequeno que trazia preso ao pulso.
A positrônica pode registrar os sons que foram emitidos e os que foram recebidos graças aos microfones espalhados por toda a parte. Imediatamente se iniciou o processo de análise da língua desconhecida.
Outras criaturas entraram na nave juntamente com outros robôs e vários instrumentos e aparelhos de análise. Em pouco tempo, a nave estava tomada pelos estranhos, que examinaram tudo que encontraram pela frente.
Aos poucos a tecnologia terrana foi sendo desvendada por eles (pelo menos superficialmente).
Passou-se um mês durante o qual sempre houve grandes contingentes dentro da Crest, impossibilitando qualquer ação da positrônica.
Durante este período, a maior parte das instalações foram examinadas e sistematicamente desligadas. As vezes eram cortados feixes de cabos de ligação de força, outras vezes, blocos inteiros era desconectados e afastados.
Vigilante, a positrônica observava tudo enquanto recolhia mais e mais informações sobre os invasores.
Dentro de pouco tempo ela tinha recolhido informações suficientes para formar uma opinião com base na interpretação de conversas captadas.
De acordo com suas conclusões, os estranhos logo iriam partir, tendo por destino a galáxia de origem da Crest IV. Os estranhos procuravam por algum tipo de ajuda, e segundo o que parecia, achavam que talvez fossem encontrar essa ajuda com os terranos, se estes tivessem conseguido sobreviver ao ataque das bestas feras.
Como todas as instalações eram desligadas depois de estudas, a positrônica calculou que em breve seria desativada, assim que suas informações tivessem sido copiadas.
Com base nisso, a positrônica ativou um pequeno grupo de robôs e lhes deu um programação especial. De acordo com ela, eles aguardariam até que os estranhos tivessem se retirado e então iriam começar a reparar a nave, começando pela positrônica. Todos os aparelhos, instrumentos, reatores, propulsores e armas seriam colocados em condições de funcionamento, para que uma fuga fosse possível.
Quando os estranhos desligaram a positrônica central, eles não imaginavam a vida mecânica que começou a se movimentar nas entranhas, agora escuras e abandonadas, da Crest IV.
A única preocupação dos estranhos era com seu novo destino, uma pequena galáxia em forma de espiral, com duas acompanhantes anãs. As coordenadas eram conhecidas, e portanto, uma viagem até o local podia ser iniciada.
Eles só se preocupavam com o que iriam encontrar lá. Sabiam que os seres que tinham construído a nave, que tinham capturado no grande vazio, eram muito evoluídos e bondosos, mas também muito decididos e tinham um grande potencial militar. Um contato entre eles seria muito benéfico para ambas as raças, mas como se procederia tal contato?
Com esses pensamentos em mente eles preparam os primeiros saltos, levariam muito tempo viajando, mas iriam chegar ao seu destino.
Enquanto isso, criaturas de metal iniciaram seu trabalho na nave que deveria estar morta, na nave fantasma que buscava cumprir seu destino.......
Parte III
Durante semanas seus corpos metálicos ficaram parados escondidos mantendo apenas os sensores externos funcionando e aguardando o momento certo de agir. Em suas mentes havia um esquema, um plano definido, estabelecido pela positrônica central da nave e que seria posto em prática assim que as condições estivessem ideais.
Por semanas ele estavam aguardando que as criaturas que haviam capturado a nave terminassem de estudá-la e se retirassem. Por várias vezes houve perigo de algum daqueles seres descobrir por acidente o que tinha sido preparado pela positrônica. Mas a sorte parecia estar do lado da Crest IV.
Um dos alienígenas parecia ter mais interesse por tudo do que os seus irmãos. Parecia até que ele desconfiava de alguma coisa. Mas não parecia certo do que era.
Finalmente após uma longa espera a nave foi abandonada. Muito raramente alguns dos alienígenas ainda entrava na nave para estudar algum equipamento ou apreciar o veículo dos terranos.
Apenas um grupo de robôs vigiava as entradas e saídas. Nenhuma máquina permanecia no interior da Crest IV.
Era a hora.
Corpos metálicos que até então pareciam não ter mais nenhuma energia dentro de si repentinamente voltaram a vida e começaram a se mover. Por toda a nave portas secretas se abriram e vultos saíram andando de pequenos compartimentos onde estiveram escondidos aguardando.
Rapidamente se estabeleceu uma ordem no caos e os reparos foram iniciados. Todos os equipamentos danificados ou desligados pelos alienígenas foram consertados e novamente reconectados.
A positrônica voltou a funcionar e estabeleceu as metas para seus próximos movimentos.
Um exército metálico até então adormecido acordou para a vida e iniciou a sua caminhada.
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Baglash's percorria os corredores da nave dos estranhos bondosos que havia sido capturada no grande vazio, por onde seu povo peregrinava há muito tempo.
Para ele era como andar por um país de maravilhas. Um sonho que se realizava. Toda aquela tecnologia, toda aquela cultura diferente da dele.
Baglash's era uma mistura de sociólogo, psicólogo e historiador. Era sua função estudar os estranhos bondosos para que um encontro com eles não acabasse num desastre. Dele dependia que seu povo encontra-se um aliado e não fizesse um novo inimigo.
No momento ele estava interessado na grande positrônica que havia a bordo da nave. Ele pretendia estabelecer uma conversação com a máquina e tentar estabelecer mais alguns parâmetros sobre os estranhos bondosos e tirar uma dúvida que o acometera quando se retirou os dados da memória da máquina.
Ele se lembrava da discussão acirrada que tivera com seus superiores há algumas semanas atrás quando a grande arca iniciara sua viagem com destino a galáxia de origem da nave capturada.
Para ele ainda não estava claro qual era o problema que ele via com as coordenadas tiradas da memória da máquina da nave estranha, mas algo não parecia certo para ele. Uma vaga impressão não o abandonava e não deixava que seu espírito tivesse a paz.
Novamente ele admirou enquanto andava aqueles corredores construídos de forma prática e eficiente. Sentiu um arrepio lhe percorrer a nuca enquanto entrava num dos tubos que funcionavam como elevadores antigravitacionais.
A grande arca fora construída por ser povo como sua morada, assim sendo, tudo fora feito de forma a parecer um espécie de lar. Todos os corredores eram enfeitados com hologramas e mesmo plantas. Havia grandes escadarias e espaços que funcionavam como praças.
A cada pouco se podia encontrar parques com plantas e lagos. Tudo era feito para parecer mais suportável e agradável. Haviam até veículos individuais para se locomover pelas ruas e nos alojamentos se podia encontrar espaços para se montar jardins e até garagens.
Mas a nave dos estranhos era diferente. Havia um grande solário e em alguns locais se encontrava a projeção de paisagens e plantas. Mas podia-se ver que os seres que tinham construído esta nave viviam preferivelmente em planetas e utilizavam naves apenas para o transporte entre um ponto e outro.
E sempre lhe voltava a mente aquela impressão de que algo devia estar errado com os dados que haviam tirado da positrônica da nave. Ele não conseguia se livrar da impressão de que tinham sido enganados.
Mas os dados tinham sido checados e considerados corretos. A galáxia tinha sido encontrada na posição fornecida pela máquina e a descrição batia com aquela que tinha sido encontrada nos bancos de dados.
Então o que estava tão errado que lhe incomodava tanto? O que tinha passado despercebido?
Baglash's se perguntava se não estava perdendo a razão. Será que ele estava ficando esquizofrênico?
Talvez os anos de estudo e simulações criadas pelos computadores tivessem sido demais para ele, ou então a emoção de poder lidar com fatos reais tivesse afetado suas capacidades mentais....
Não! Definitivamente não! Era algo real, algo que não podia explicar mas que existia. Não era criação de sua mente. Algo estava errado com os dados do destino.
Finalmente ele chegou a frente da porta que dava para a sala da positrônica da nave. Fora muito difícil para seu povo desvendar os segredos guardados dentro dos bancos de dados, mas os técnicos e cientistas tinham conseguido fazê-lo apesar de tudo.
A porta se abriu e Baglash's entrou. Cuidadosamente ele ativou os comandos que conectariam a positrônica ao fornecimento de energia da nave.
Aos poucos os bancos de dados começaram a funcionar. Telas se acenderam em diversas partes. Painéis entraram em operação e estalos e sussurros percorreram a grande sala.
Baglash's se sentou a frente de um dos terminais e aguardou que a tecla de início se acendesse. Ele então a pressionou e aguardou pela resposta da máquina.
- O que deseja? - inquiriu a voz em intercosmo vinda dos pequenos alto falantes a sua frente.
- Tenho perguntas relacionadas com o povo que construiu esta nave. Por que eles cruzaram o grande vazio e deixaram a nave abandonada viajando sozinha? - perguntou Baglash's.
- Não era intenção dos terranos avançar até M87. Um acidente durante o confronto com os condicionados em segundo grau ocasionou o choque entre campos paratrons dos dolans com o da nave dos halutenses. Um efeito hiperfísico lançou a nave para M87. Os terranos iniciaram sua jornada de volta a via-láctea mas depois da queima do último conversor linear a Crest IV teve de ser abandonada no vazio, e seguiu se rumo enquanto os terranos embarcaram a bordo de duas naves halutenses.
- Isso já tinha sido explicado pelos dados encontrados em seu banco de dados. O que eu não compreendo é por que ele deixaram a nave viajando para a sua galáxia de origem. Por que não a destruíram ou então a deixaram parada desativada no grande vazio? Por que a programaram para que continuasse viajando sozinha pelo espaço normal?
- A explicação para o fato não é muito clara. Apoia-se no espírito humano. Os humanos amam aquilo que constróem e com o qual convivem. Para eles a Crest IV era mais do que apenas um abrigo, um transporte, uma nave ou uma arma. Era quase um ser vivo pensante e independente. Eles jamais abandonariam a nave se não tivessem se visto forçados a isso. Eles não abandonam aqueles a quem consideram como amigos. E para eles a Crest IV representava uma amiga.
- O que nos leva a minha próxima pergunta....... - continuou Baglash's. Durante horas ele fez perguntas, analisou respostas e tentou tirar conclusões sobre os estranhos bondosos, os terranos ou humanos.
Finalmente ele se sentiu exausto demais para continuar. Ele deu por encerrada a discussão e se levantou.
Com poucos movimentos ele desligou novamente a força e pôs a máquina para dormir.
Baglash's então tomou o rumo da saída ainda remoendo o que tinha descoberto sobre os terranos. Algumas das conclusões o deixavam convencido de que eles seriam os aliados que eles procuravam, mas algumas observações o alertavam para que se tivesse algum cuidado pois os terranos também eram inteligentes e desconfiados.
Enquanto Baglash's se afastava da central da positrônica um ligeiro sinal era emitido por ela para um grupo de receptores.
Logo que se teve como certo que Baglash's realmente iria sair da nave, toda a farsa na sala da positrônica se desfez. As luzes se ativaram sozinhas e os painéis voltaram a se iluminar.
Enquanto isso em outra parte da nave um grupo que tinha uma missão especial estava se preparando para cumpri-la.
Três robôs de combate ligaram seus campos de deflexão e ficaram invisíveis para a maioria dos sensores e olhos. Eles então se dirigiram para a saída que seria usada por Baglash's para deixar a nave.
A positrônica tinha calculado como certo que os alienígenas iriam cair no truque que ela tinha implementado antes da sua captura. Mas ela teria de encontrar uma maneira de saber exatamente quando a grande arca tivesse chegado ao destino para então poder iniciar a tentativa de fuga.
Para conseguir coletar esses dados três robôs foram enviados para o interior da grande arca. Eles iriam acompanhar Baglash's invisíveis, mas atentos a tudo.
Era muito importante coletar todos os tipos de dados sobre aqueles alienígenas.
Os três agentes acompanharam Baglash's enquanto ele deixava a nave. Silenciosamente eles foram atrás dele pelos corredores que se afastavam do hangar onde a Crest IV tinha sido estacionada.
Quando Baglash's tomou um veículo e o acelerou para uma via rápida os três tiveram de tomar sua primeira decisão. Deviam continuar com ele ou tomar outro caminho?
Em poucos segundos decidiram que um dele tinha mais chance de seguir Baglash's sem ser detectado, enquanto os outros dois tomariam caminhos diferentes em busca de informações.
R234 tomou a si o cargo de perseguidor de Baglash's e partiu atrás do veículo dele.
R78 e R459 tomaram um corredor que parecia levar a um local público.
Eles entraram num grande salão cujo teto era escondido por um holograma simulando o céu.
Do outro lado do salão eles podiam ver uma construção que parecia um templo ou outro prédio público.
Enquanto isso R234 perseguia o veículo de Baglash's por ruas e avenidas.
Parecia que Baglash's não tinha um destino certo pois mudava constantemente de direção. No entanto depois de algum tempo uma direção se firmou.
Pouco a pouco R234 ia avançando para o coração da grande arca.......
Parte IV
R78 comunicou a R459 sua intenção de entrar na construção que se assemelhava a um templo. Pelo menos era o que pareceria a um terrano se ele olha-se para o edifício a frente dos robôs.
R459 resolveu que seria melhor que ele ficasse do lado de fora examinando o terreno ao redor do edifício.
Um som muito fraco chegou aos receptores de R78 enquanto ele subia as escadas em direção ao portal de entrada. Após alguns segundos ele pode identificar o som como sendo de uma música que parecia ser executada por instrumentos de sopro e corda.
Ele não conseguia definir o que a música representava, mas pelo seu ritmo e volume ele concluiu que deveria ser algum tipo de fundo musical relaxante para os que freqüentassem o templo.
Durante alguns minutos ele ficou parado ao lado do portal olhando para o interior da construção e aguardando que alguém entrasse ou saísse dela. No entanto não havia ninguém naquele local. Parecia que mesmo o interior do prédio estava deserto.
Tentando ser o mais silencioso possível R78 entrou pelo portal. O interior era escuro e fresco. Apenas algumas poucas luzes se espalhavam pelas paredes, parecendo mais acentuar a escuridão ao redor do que desfaze-la.
Os sensores de R78 não puderam captar nenhum ser vivente ali dentro. Realmente parecia que pelo menos esta parte da construção estava deserta.
Enquanto isso, R459 tratou de explorar o jardim que circundava o templo.
Ele percorreu os caminhos que se estendiam por entre pequenas árvores e arbustos de espécies desconhecidas. Numa pequena fonte ele encontrou uma escultura que emitia vibrações sonoras conforme o vento sopra-se por ela.
Somente neste momento ele computou o dado de que havia uma brisa passando pelo jardim. A temperatura deveria estar em torno de 22° C e a umidade em 78%.
R459 não conseguiu encontrar nenhum dos seres que tinha aprisionado a Crest IV. Parecia que ninguém tinha interesse em passear por ali, pelo menos não neste horário.
Mesmo uma máquina como R459 entendia que os seres vivos como os terranos sempre tendiam a manter os parques em perfeito estado de funcionamento a qualquer hora do dia, para que qualquer um pudesse andar por eles e fazer outras atividades que visavam o seu bem estar.
Era estranho que não houvesse ninguém para aproveitar a beleza que se estendia a frente dos sensores de R459.
O parque estava sendo bem cuidado e conservado, portanto, deveria ser usado, mas por que não estava sendo utilizado justo naquela hora?
Será que era uma armadilha? Alguém estaria observando os dois robôs mesmo estando os mesmos com os campos de deflexão ativados? Haveria algum equipamento tão sofisticado funcionando ali?
R459 examinou as redondezas com seus sensores ao máximo, mas não conseguiu encontrar nada de anormal. As únicas leituras de energia que captava eram as das máquinas que mantinham o parque funcionando, suprindo de água e luz.
R459 se encontrava diante de um mistério.
****
Baglash´s deixou que o computador do seu veículo o conduzi-se pelas ruas e túneis expressos, enquanto mergulhou em profunda reflexão.
Ele ainda não conseguia explicar porque se sentia incomodado com as coordenadas retiradas dos bancos de dados da nave dos estranhos. Alguma coisa não estava certa, mas ele não conseguia definir o que era.
Os dados tinham sido checados pelos mais experientes astrônomos que sua raça dispunha. Eles estavam corretos. No local para onde eles apontavam existia uma galáxia com duas pequenas companheiras.
Então o que não estava certo?
Logo que os primeiros dados retirados da nave foram interpretados, os membros do conselho de Sarksr tinham ordenado aos Executores que programassem um curso para a galáxia natal dos terranos e dessem a partida à grande Arca.
Os cálculos indicaram que a viagem levaria cerca de 17 anos e meio (em tempo terrano).
Os grandes propulsores de salto da Arca seriam usados 910 vezes. A cada salto seriam percorridos cerca de 30000 anos luz. Entre cada salto haveria um tempo de descanso e de manutenção de uma semana.
Baglash´s sabia que seu povo fazia este tipo de viagem já a uma centena de séculos ou até mais. Não estava muito certo de quantas galáxias já tinham sido visitadas por eles em busca de um lar definitivo.
Parecia que a maldição que perseguia seu povo não tinha mais fim. Em nenhuma parte eles conseguiam encontrar paz. Por várias vezes eles tinham chegado perto de conseguir, mas sempre apareciam situações que colocavam por terra as tentativas do seu povo.
Será que eles estavam indo de encontro ao sucesso ou a um novo fracasso?
Seus sentimentos diziam que algo não estava certo. Será que era um aviso de fracasso? Talvez até de uma tragédia?
Baglash´s permanecia com os olhos obscurecidos pelos pensamentos sombrios. Ele não encontrava respostas para suas perguntas.
R234 conseguia acompanhar o veículo de Baglash´s com facilidade. Ele não ia exatamente rápido e portanto não havia o risco de perdê-lo de vista.
R234 examinava os lugares por onde passava com toda a atenção possível. Ele tinha de colher o máximo de dados possíveis para sua missão de espionagem e mesmo para poder encontrar o caminho de volta a nave.
Não viu muitos seres como Baglash´s, na verdade encontrou pouca "vida", mesmo nos lugares amplos ou terminais de veículos pelos quais passou.
Havia poucos veículos se movimentando, a maioria era de transportadores automatizados ou de veículos de limpeza e manutenção automáticos. Alguns poucos pareciam ser veículos de transporte particular, mas pouco se podia observar pelo vidros escuros.
R234 tentou calcular qual deveria ser a população que habitava aquele estranho veículo interestelar. Não deveriam ser tantos quanto tinha parecido no primeiro instante quando centenas deles invadiram e revistaram a Crest IV em busca de informações e conhecimento.
Na realidade, R234 calculou que deveriam haver um pouco mais de 6 bilhões de alienígenas no veículo (isto se a densidade populacional fosse igual em todos os outros lugares).
Isso era estranho considerando o tamanho do veículo alienígena e as instalações que ele pode observar por onde eles passavam.
Ele percebeu que Baglash´s estava diminuindo e manobrando para um pátio. Desde a partida haviam se passado cerca de duas horas. Uma distância de pelo menos 400 km tinha sido vencida durante este período de tempo.
Baglash´s desceu do veículo e tomou um esteira rolante para que o levou para o interior de um edifício com amplos vitrais coloridos nas paredes.
R234 admirou os motivos expostos nos vitrais. Pareciam a descrição de um mundo diferente daquele onde eles estavam. Havia selvas, parques e cidades, naves e pessoas.
Ele presumiu que deviam ser imagens do mundo natal dos alienígenas.
R234 viu Baglash´s manipular uma esfera na porta do edifício. A porta se abriu e ele entrou rapidamente, seguido de perto pelo robô.
O interior do edifício era decorado de forma simples, mas inspirando um equilíbrio espiritual.
Não havia cores divergentes. Eram usados tons claros e que passavam um sentimento de calma e paz.
R234 pode observar plantas em vasos e pequenos jardins decorando cantos e pequenos nichos.
Baglash´s respirou fundo ao entrar no prédio. Aquele lugar era como se fosse sua casa. Ele se sentia muito bem ali.
Ele seguiu para um elevador. Era um buraco na parede como os elevadores antigravitacionais dos terranos. O tubo o levou rapidamente para o andar que ele queria.
Suavemente o campo repulsor o colocou sobre um tapete a frente da saída do elevador. Ele então caminhou em direção a uma das portas do lado direito.
Um leve movimento de sua mão sobre um sensor foi o bastante para abrir a porta. Ele entrou na sala sem olhar para os lados.
R234 no entanto, observou com atenção todos os detalhes que pode. Não havia ninguém naquele local além deles. Várias mesas se encontravam espalhadas pela sala, mas não havia ninguém ocupando elas.
Tudo estava limpo e arrumado. Alguns terminais de computador estavam ligadas, mas não pareciam ser importantes, pois Baglash´s nem olhou para eles.
Com passos rápidos ele percorreu a sala até uma outra porta. Lá dentro havia uma sala menor, com grandes estantes uma mesa e alguns armários de tamanhos diferentes.
Baglash´s se sentou a mesa e ligou um terminal de vídeo.
Uma imagem se formou, mostrando um outro ser da raça de Baglash´s. Não havia muito para diferenciar os dois, apenas Baglahs´s tinha o bico um pouco mais escuro que o outro ser.
- Conselheiro Baglash´s informando retorno da nave dos estranhos. Nenhuma novidade a informar.
- Então não encontrou as respostas que procurava? - perguntou o outro alienígena.
Baglash´s pensou um pouco antes de responder.
- Não, não encontrei nada que pudesse confirmar ou acabar com a desconfiança que tenho. Ainda não sei o que há de errado, mas sei que há alguma coisa.
- Baglash´s, você talvez deva se submeter a um período de férias. Você talvez esteja só muito cansado, estafado ou estressado. Você é um dos que mais tem trabalhado desde que capturamos a nave. Primeiro na coleta de arquivos, depois na tradução e interpretação. Sei que você não tem descansado como deveria.
- Vergst´s, eu não quero lhe ofender, mas a minha saúde é algo que diz respeito apenas a mim mesmo. Eu tenho descansado o suficiente. Ainda é muito cedo para que eu tire um período de descanso. Minha desconfiança é algo real e não causado por algum distúrbio do meu sistema nervoso superexigido. Há algo errado nisso tudo.
Vergst´s ergueu uma das mãos em sinal de conciliação.
- Não quero lhe ofender Baglash´s. Eu só estou tentando encontrar uma explicação para o que você tem sentido.
Baglash´s olhou pensativamente para a tampa da mesa.
- Existe um erro, mas eu não consigo encontrá-lo.
- Já submeteu suas dúvidas aos computadores?
- Já. Mas eles também não encontraram nada. O caso é que as coordenadas tiradas do computador da nave me incomodam de alguma forma que não sei explicar. Só posso dizer que sinto que algo nisso tudo está errado.
Vergst´s sacudiu a cabeça e encarou seu colega pelo vídeo.
- Tente descansar um pouco. Talvez assim você consiga descobrir o que é. Venha jantar conosco hoje a noite. Traga sua companheira Tshas´la.
- Verei o que posso fazer. Ela anda muito ocupada com o controle da estação de colheita de Crossn. Parece que algumas das plantas não maduraram corretamente e terão de colher as plantações por faixas com semanas de intervalo.
- Em todo o caso esperamos você ou vocês no horário de sempre. Até mais tarde.
- Até.
Baglash´s desligou o vídeo. Depois de pensar um pouco ele digitou um novo número e falou durante alguns minutos com Tshas´la sobre o convite. Ela concordou, mas disse que ia encontrá-lo lá pois ainda ia demorar muito até terminar seu turno.
Ele então passou a olhar para os registros em seu computador. Com calma ele repassou as informações que tinham colhido na nave dos estranhos. Comparou os mesmos com os dados que os computadores da Arca forneceram do espaço ao redor.
Tudo estava certo. No entanto ele não conseguia se livrar da sensação de erro. Que erro?
R234 registrou com muito cuidado todos os dados que apareceram na tela a frente do alienígena. Pelo que conseguiu compreender a grande nave onde estavam prisioneiros estava se movendo em direção as coordenadas retiradas dos bancos de dados da Crest IV sobre a Via-Láctea.
O tempo da jornada também estava calculado. R234 registrou tudo com cuidado. Também anotou tudo que havia sido dito nas comunicações de Baglash´s com Vergst´s e Tshas´la. Qualquer coisa poderia ser de utilidade para a positrônica da Crest IV.
Baglash´s trabalhou mais algumas horas e finalmente deu por encerrado o período. Com calma ele arrumou tudo em sua mesa e deixou o prédio. Tomou seu veículo e rumou para uma outra região ali perto.
Depois de 15 minutos de viagem ele chegou a frente de uma propriedade com um grande jardim. Ele estacionou o seu veículo e foi andando a pé devagar pelo jardim rumo a uma construção no centro do mesmo.
R234 não conseguiu entrar quando os moradores do lugar receberam Baglash´s e o convidaram a entrar. Ele então andou ao redor do prédio examinando tudo, mas não havia outro lugar aberto. E se tentasse forçar a entrada provavelmente os que estavam no interior iriam notar.
O robô teve de esperar algumas horas até que Baglash´s saísse acompanhado por um outro representante da sua espécie. Devia ser Tshas´la.
Eles caminharam silenciosamente até o veículo de Baglash´s. Então eles rumaram de volta à região onde ficava o prédio onde tinham estado antes.
A noite havia descido na maior parte dos locais por onde eles passaram.
Eles não foram ao mesmo prédio onde tinha estado antes. Desta vez entraram numa propriedade similar aquela onde estiveram agora a pouco.
Baglash´s guardou o veículo numa pequena garagem e entrou com Tshas´la na construção principal do local.
Novamente não houve tempo para R234 passar pela porta e ele teve de ficar do lado de fora.
Ele calculou que não poderia mais conseguir muitas informações além daquelas que já tinha conseguido e que era de vital importância transmitir tudo a positrônica da Crest IV. Não deveria estabelecer comunicação por rádio, pois poderia ser rastreado e por tudo a perder.
Em alta velocidade ele tomou o caminho que tinha percorrido para chegar até ali e voltou para o local onde a Crest IV permanecia estacionada.
****
A positrônica da Crest IV analisou os dados que as três unidades tinham conseguido. Não parecia haver dúvida quanto ao resultado. Eles estavam indo para casa.
No entanto, a positrônica resolveu tomar mais cuidado ainda, uma vez que Baglash´s estava desconfiado. Ele talvez pudesse descobrir o plano da positrônica.
Todos os consertos tinham sido feitos. De fora nada poderia ser notado, mas a Crest IV estava totalmente funcional.
Mas ainda não era hora para agir. Se tudo corresse bem, os alienígenas iriam encurtar bastante a viagem da Crest IV. Era vantajoso permanecer no interior do veículo.
Seriam quase dezoito anos. Neste período muita coisa poderia acontecer.
A positrônica ordenou que os robôs voltassem aos seus lugares.
De tempos em tempos alguns teriam de sair e procurar por informações sobre a viagem, mas não deveria ser problema.
A grande viagem poderia prosseguir rumo as coordenadas fornecidas pela positrônica da Crest IV aos alienígenas.
Parte V
- Agente Silf-Treer reportando últimos acontecimentos no setor Dravi-Thor. Naves Metanitas tem sido avistadas patrulhando ocasionalmente os sistemas locais. Nenhuma concentração maior tem sido avistada, o que nos leva a conclusão que os contingentes Tefrodenses não foram avistados. Comandante Cravthor permanece confiante de que ninguém irá notar a concentração da frota até que seja muito tarde. Comando central Tefroda permanece firme com os planos para a conquista dos sistemas solares alvo. Não há indicação de que eles venham a realizar a ação pacificamente. Nova comunicação em seis dias padrão. Fim.
Silf-Treer desligou o pequeno aparelho onde havia gravado num minúsculo cristal a mensagem a ser enviada para a Contra Espionagem Terrana. Com muito cuidado ele retirou o cristal e colocou o aparelho novamente no encaixe do seu cinto. Depois ele abriu a tampa de sua pulseira e prendeu o cristal numa pequena base. Uma leve pressão sobre uma das pequenas pedras ativou o transmissor. Em menos de um segundo a mensagem foi enviada para a base mais próxima da Contra Espionagem.
Silf-Treer então saiu do pequeno compartimento de reparos e se dirigiu para a cantina da nave. A Droong estava numa órbita apertada ao redor de uma estrela amarela do setor Dravi-Thor. Outras 1677 naves executavam o mesmo tipo de manobra de camuflagem ao redor da mesma estrela e de outras próximas.
O comandante da Droong, Ar`Car d`Gav, mantinha a tripulação em estado semi-alerta, esperando a qualquer momento que os Maahks descobrissem a frota Tefrodense.
Até aquele momento isso não havia acontecido. Por mais de duas semanas o jogo de esconde-esconde estava funcionando. Em breve todas as 1700 naves designadas para a missão estariam reunidas. Então os ataques e ocupações começariam.
Silf-Treer chegou a cantina e se serviu de uma refeição leve do autômato de distribuição. Sentou numa das mesas livres, havia muitas naquele horário, e começou a comer.
Um pequeno grupo de técnicos estava conversando baixo numa das mesas vizinhas, enquanto um grupo de soldados de infantaria fazia sua refeição em silencio nas duas mesas mais ao fundo.
Alguns minutos depois um Tefrodense alto e magro entrou na cantina. Pela sua estatura e palidez da pele, Silf-Treer poderia ser levado a acreditar que se tratava de um arcônida usando uma peruca escura, se estivessem na via-láctea. Não era comum entre os tefrodenses de Andrômeda aquela magreza e palidez.
Silf-Treer não conseguira ainda deixar de sentir um arrepio toda vez que se encontrava com o imediato da nave Kandur Mnstriel. Silf-Treer tinha sido escolhido como agente da Contra Espionagem Solar devido a suas características físicas semelhantes a um tefrodense. Aquele imediato não se encaixava de nenhuma forma no arquétipo tefrodense.
Além de sua aparência, o imediato era conhecido pela sua crueldade, que tentava esconder atrás de uma aparência de refinamento e boa educação.
Silf-Treer se sentiu levemente irritado quando o imediato se sentou a sua mesa. Realmente aquele não era seu dia. Já não bastava as péssimas horas que tinha passado chefiando a central de rádio, agora ainda iria ter de aturar aquele imediato empolado e traiçoeiro.
- As coisas parecem estar calmas lá fora, não é mesmo? - Perguntou o imediato ao chefe da central de rádio.
Silf-Treer olhou por cima de seu prato até poder observar os olhos pequenos e desconfiados do imediato e deu sua resposta entre duas garfadas: - Nenhuma transmissão de importância, nenhuma movimentação suspeita, apenas as interferências e problemas de sempre.
Kandur percebeu o leve tom de irritação e cansaço na voz de seu interlocutor. Ele não percebeu que parte daquele tom era voltado contra ele, e continuou a perturbar a refeição de seu vizinho de mesa.
- Nada lá fora.... mas só por enquanto. Assim que começarmos nosso ataque os metanitas vão enviar naves para defender este setor. Enquanto o resto das naves da nossa frota estará realizando os ataques aos alvos escolhidos no resto da galáxia.... teremos muita agitação nos próximos meses....
Um leve brilho fanático pode ser percebido nos olhos de Kandur enquanto falava essas palavras.
Para Silf-Treer era mais do que certo que este tefrodense era algum tipo de psicopata criado pela educação militar tefroda. Para um terrano, aquilo era algo revoltoso.
Silf-Treer terminou sua refeição rapidamente e se retirou da mesa com um pedido de desculpas. Sair de perto daquele imediato sempre era um alívio para ele. E naquele momento, em que os eventos estavam próximos de se desencadear, mais do que nunca ele queria um pouco de sossego e paz.
A porta da central de rádio se abriu a sua frente e seus homens o olharam apenas rapidamente antes de voltarem a olhar para seus monitores e painéis.
“Seus homens”, por um instante o terrano ficou pensativo sobre como a expressão lhe tinha vindo a mente com facilidade. Realmente, se aquela não fosse uma nave Tefrodense, aqueles jovens na sala seriam “seus homens”. A bordo de uma nave Terrana, seriam jovens com um futuro promissor pela frente. Mas ali... era melhor ele pensar em outra coisa.
Um rápido passar de olhos pelo seu painel de comando lhe provou que nada de especial havia acontecido durante o seu intervalo. Apenas um dos fusíveis do transformador secundário havia se queimado. Coisa comum de acontecer devido a super exigência do material naquela proximidade da estrela amarela.
Não havia planetas circulando ao redor daquela estrela. Apenas alguns pedaços de rocha... restos da formação daquele sistema solar provavelmente.
Silf-Treer mergulhou e seu trabalho e esqueceu por algumas horas do motivo pelo qual estava ali.
O sinal de alerta o surpreendeu por alguns segundos quando soou.
Uma chamada do alto comando Tefroda. Uma rápida chamada informou o comandante da nave que pediu para receber a chamada em seu painel de comando. Uma comutação foi tudo que Silf-Treer precisou fazer para que a ligação se completasse.
No entanto ele manteve um canal aberto para que pudesse se informar do motivo da chamada.
Cranter Faarn, alto comandante da forças Tefrodas em pessoa estava chamando. Ele informou a Ar`Car d`Gav que se havia decidido acelerar o cronograma. O ataque desviacionista comandado pela Droong deveria ser iniciado imediatamente. Não havia motivo para esperar pela chegada das poucas naves que faltavam.
Ar`Car d`Gav confirmou a recepção das ordens. Um segundo depois de a tela se apagar seu punho atingiu o botão de alerta geral. Sirenes soaram por toda nave, fazendo os tripulantes pularem de seus beliches e correrem para seus postos como se o próprio inferno estivesse atrás deles.
Silf-Treer inspecionou rapidamente seu painel e se preparou para entrar em contato com as outras naves da frota. Poucos segundos depois ele recebeu de Ar`Car d`Gav a ordem de partida para as outras naves.
Um chamado ligeiro chamado geral e Silf-Treer recebeu a confirmação das naves.
Pouco depois o som dos propulsores pode ser ouvido por toda a nave funcionando a máxima potência. As vibrações faziam os monitores tremerem e sofrerem ligeiras interferências.
Aos poucos a Droong saiu de sua órbita e começou a se afastar da estrela. Outros pontos também começaram a se destacar do brilho da estrela amarela.
Em poucos minutos a frota se dividiu em três grupos distintos e acelerou para entrar no espaço linear. Seus alvos já tinham sido escolhidos com antecedência. Eram duas bases dos metanitas e uma colônia Maahk.
Silf-Treer se preparou para a batalha ao seu modo. Uma leve pressão sobre uma das pedras do seu bracelete enviou a mensagem já preparada, anunciando o início do ataque para a base da Contra Espionagem Solar.
Disfarçadamente ele checou a carga de sua arma no coldre do cinturão e lançou um olhar rápido para a base do seu painel, onde uma placa escondia uma abertura com uma certa quantidade de micro-bombas.
Em caso de necessidade ele usaria todo o pequeno arsenal que havia trazido a bordo contra a tripulação da nave.
Um rápido vôo linear levou o grupo de ataque para a posição sobre o seu planeta alvo. Uma base dos metanitas que ficava próxima ao equador do planeta seria atacada de surpresa e totalmente destruída.
Ar`Car d`Gav ordenou o início do bombardeio assim que as naves confirmaram suas posições.
As primeiras bombas foram lançadas sobre o alvo.
- Comandante, estamos recebendo ecos múltiplos atrás de nós. Um grupo de naves - parece ter saído do espaço linear nas nossas costas e estão se aproximando rápido. Captamos..... 1200 naves...
- Como é?! Que naves são essas?
- Maahks Comandante! Estão disparando contra nós!
Uma gigantesca martelada atingiu a Droong. Fusíveis se queimaram, painéis explodiram e telas se quebraram. Um caos de destroços, fagulhas e corpos de pessoas passou a frente de Ar`Car d`Gav enquanto ele gritava para todos fecharem seus trajes de proteção e ligarem os campos defensivos.
Tremores sacudiram a nave repetidas vezes. Silf-Treer foi jogado contra os cintos que o prendiam a cadeira quando a gravidade repentinamente falhou. Diversos dos homens na sala de rádio se viram flutuando junto com os destroços que se espalhavam.
Silf-Treer olhou rapidamente para sua tela e se certificou de que o transmissor de rádio havia parado de funcionar. Nada poderia ser enviado ou recebido por enquanto.
Os tremores cessaram, mas a gravidade não voltou. Aparentemente os geradores haviam sido atingidos.
As luzes haviam se apagado logo após o primeiro impacto. Aos poucos algumas luzes de emergência começaram a funcionar, permitindo a Silf-Treer encontrar o caminho para a sala de comando da nave.
Ar`Car d`Gav estava tentando entrar em contato com a engenharia da nave, mas não recebia nenhuma resposta. Seus olhar percorreu a sala e encontrou Silf-Treer que tentava passar entre os destroços do que já fora uma cadeira.
- Estamos recebendo alguma coisa? - Foi sua primeira pergunta para Silf-Treer.
Nada Comandante. E não podemos transmitir também. Temos que localizar os estragos primeiro. Mas no meio dessa bagunça vai demorar. O que nos atingiu?- foi a resposta de Silf-Treer.
- Maahks. Era uma armadilha. Parece que eles já sabiam da nossa vinda. Vamos a engenharia ver o que aconteceu por lá.
Os dois então começaram a difícil jornada pelos corredores e elevadores. Apenas uma parte das lâmpadas de emergência estavam funcionando.
A escotilha para a engenharia estava trancada e não se abria com a falta de energia.
Teremos que forçar isso ou então abri-la a tiros. Veja se encontra alguma coisa para forçarmos a escotilha Silf.
Silf-Treer flutuou pelo corredor escuro procurando por uma barra de metal, sem sucesso. Ao voltar até a escotilha, um painel ao lado chamou a sua atenção. Quando Ar`Car d`Gav voltou, Silf-Treer apontou para o painel.
- Pela escuridão da nuvem de Ukla! Atrás desta porta há vácuo. Algum disparo deve Ter atingido e aberto o casco da nave até a sala de máquinas. Teremos que procurar outra forma de entrar.
- Estamos com os trajes espaciais. Podemos sair por uma das comportas e tentar chegar a sala pelo buraco no casco, mas ele talvez seja muito pequeno e não consigamos passar. É melhor lacrar um setor do corredor e abrir esta escotilha mesmo. - Opinou Silf-Treer.
Os dois então trancaram as escotilhas de acesso para o corredor e se colocaram um de cada lado da escotilha para a sala de máquinas. Juntos forçaram a escotilha até ouvirem o chiado do ar escapando.
Quando todo o ar do corredor havia escapado os dois abriram a escotilha. A escuridão no interior da sala era total.
Silf-Treer ligou a lanterna do seu traje e percorreu com o jato de luz o interior.
Destroços de todos os tamanhos flutuavam pela sala. Corpos dos engenheiros se juntavam a confusão de metal. Das máquinas restava muito pouco.
- Não sei se voltaremos a funcionar Comandante.
Uma chuva de impropérios tefrodenses encheu o capacete de Silf-Treer. Ar`Car d`Gav realmente estava furioso.
Quinze minutos depois os dois conseguiram voltar para a sala de comando. Quatro membros da tripulação sobrevivente se juntaram a eles pelo caminho. Um deles havia conseguido fazer algumas medidas numa das câmaras externas, e aparentemente a nave estava se afastando do planeta com um impulso residual dos disparos recebidos. Mas em breve o impulso deveria cessar e a nave começaria a cair em direção ao planeta.
- Vou ser breve. Não há como concertar nenhum dos propulsores em tempo hábil. Provavelmente levaria pelo menos uma semana para repararmos tudo num porto. Então nossos planos serão simples. Vamos verificar se alguma nave auxiliar sobreviveu. Caso alguma delas possa ser colocada para funcionar decolaremos o mais rápido possível e tentaremos escapar antes que as naves Maahks nos atinjam. - foi o que Ar`Car d`Gav definiu para a tripulação sobrevivente.
Silf-Treer olhou a sua volta. Dificilmente ele conseguiria encontrar algum dos armamentos que havia escondido pela nave em meio aquela confusão toda. De agora em diante ele estava atrelado com o destino do resto da tripulação da Droong.
Em fila, o que restou da tripulação da Droong foi flutuando em direção aos hangares externos da nave. Um a um eles checaram os hangares e as naves que lá estavam ancoradas.
- Temos algumas opções. Três das naves auxiliares estão funcionando. Podemos nos distribuir por elas e tentar escapar em diferentes direções comandante. - Foi o que informou o imediato da nave, com um tom de voz bem estranho, resultado do nariz quebrado.
- Não sei se isso seria o mais indicado. - Discordou Silf-Treer.
Os olhos do imediato se fixaram sobre Silf-Treer brilhando em fúria. Ar`Car d`Gav, interveio sem perceber a tensão que se havia estabelecido entre os dois.
- O que você acha que é melhor? Tem algum plano? - Perguntou a Silf-Treer.
- Poderíamos enviar uma ou duas das naves por controle remoto. Isso atrairia a atenção dos Maahks para elas, enquanto fugimos na última. - Respondeu Silf-Treer, tomando o cuidado de anotar mentalmente a possibilidade do imediato tentar algo contra ele.
- Hmm... talvez seja uma boa idéia. Não sabemos exatamente onde as naves Maahks estão. Talvez tenham ido embora, talvez estejam por perto só esperando um sinal de vida nosso. Faremos isso então.
- Mas Comandante, distribuindo a tripulação nas naves, aumentamos a chance de alguém conseguir escapar com vida. - Questionou o imediato.
- Deixe de ser idiota. Temos uma maior chance se formos todos juntos numa das naves e usarmos as outras para distrair a atenção dos Maahks.
- Mas Comandante....
- Cale-se. Vamos todos trabalhar. Vamos programar as outras naves e nos prepararmos. Colocaremos a programação para decolar as duas primeiras naves com intervalos de vinte segundos. Decolaremos então após 40 segundos. Isso deverá confundir os Maahks o suficiente para conseguirmos fugir.
Os tripulantes restantes se dividiram em três grupos e preparam as naves restantes conforme a programação do Comandante.
Silf-Treer ficou encarregado de fazer a programação da segunda nave. Uma vez terminada ele se encaminhou para fora do hangar. Seus homens já tinham preparado tudo para que as comportas se abrissem a um impulso do computador da nave auxiliar.
Um objeto desceu sobre seu capacete e Silf-Treer mergulhou na escuridão da inconsciência. Por um instante lhe pareceu ver um rosto pálido com um sorriso diabólico, depois tudo se apagou.
****
Silf-Treer acordou sentindo uma enorme dor de cabeça. A sua volta tudo estava escuro e ele quase não podia se mexer. Devia estar dentro de um local bem apertado. Um tremor parecia vir do material a sua volta. Sua mente passou a se perguntar onde estava.
Sua lanterna iluminou uma portinhola e ele conseguiu forçar sua saída.
Uma vez do lado de fora, verificou que estava a bordo de uma nave auxiliar. Mas qual seria? E como havia chegado até ali? Será que o imediato havia feto aquilo? Era bem possível. Combinava com sua índole.
Uma rápida corrida até a sala de comando lhe mostrou que estava a bordo da primeira nave. Mas pelo seu relógio já fazia mais de meia hora que a nave havia decolado.
Será que não havia mais nenhum Maahk no setor? O plano de distração teria sido em vão?
Uma rápida checagem dos sensores lhe mostrou que nem tudo estava certo. Ele localizou atrás de si um grupo de naves Maahks circulando ao redor do planeta. Havia muitos restos de metal espalhados por uma grande região ao redor do planeta. Não havia como ele saber se alguém tinha escapado ou não.
Com cuidado ele verificou o funcionamento do sistema de propulsão normal e linear. Todos estavam funcionando corretamente.
A nave havia acelerado rapidamente ao partir, mas por um breve intervalo de tempo. Aparentemente os Maahks não tiveram interesse pela nave. Talvez tenham percebido logo que era uma isca.
Será que o resto da tripulação tinha conseguido se salvar?
Ele no momento estava a uma distância segura das naves Maahks.
Rapidamente programou uma rota no sistema de navegação e deu partida na propulsão.
Algumas naves Maahks mudaram de curso, mas já era muito tarde para alcançá-lo. Em poucos minutos ele entrou no espaço linear.
Respirando aliviado, ele dirigiu a nave para um planeta onde havia uma base da Contra Espionagem Solar.
Uma rápida saída para orientação e ele se viu no meio de uma batalha. Naves Maahks e Tefrodenses se digladiavam a sua volta. Aparentemente uma parte da frota havia sobrevivido a armadilha Maahk e agora tentava escapar.
Silf-Treer tentou voltar para o espaço linear e fugir, mas o mundo ficou de cabeça para baixo antes que pudesse acionar o propulsor linear outra vez.
Sua nave foi sacudida como se estivesse num furacão. Nenhum instrumento mostrava uma leitura correta.
- É o meu fim. - pensou Silf-Treer, imaginando Ter sido atingido pelo disparos vindo de um dos dois lados.
Aos poucos a situação foi se normalizando. Silf-Treer pode começar a sorrir aliviado.
Talvez tudo não tivesse passado de um tiro de raspão. Com um pouco de sorte ele ainda iria conseguir escapar para o espaço linear.
Sua mão desceu sobre a chave que ligava o propulsor linear e a pressionou para baixo.
Nada aconteceu.
Desesperado Silf-Treer pressionou repetidamente o contato, mas o propulsor não foi ativado.
- Será que ele foi danificado? Tenho que encontrar uma forma de fazê-lo funcionar antes que me atinjam novamente.
Silf-Treer correu para fora da sala de comando em direção a parte inferior da nave, onde ficava instalado o sistema de propulsão linear Tefroda.
Um cheiro de ozônio chegou a suas narinas logo que entrou na sala. De alguns painéis saia uma fumaça azulada, enquanto centelhas ainda podiam ser vistas por baixo da tampa arrebentada da caixa de fusíveis.
Com um gesto rápido ele cortou a energia para o propulsor. Provavelmente havia acontecido algum curto em algum lugar quando a nave foi atingida.
Ele abriu um dos painéis e começou a examiná-lo. Por alguns minutos ele ficou completamente concentrado nesse trabalho. Checou um por um os contatos e as placas de circuito, isolando e separando as que haviam se danificado.
Ele estendeu a mão para pegar uma das ferramentas quando um pensamento atingiu seu consciente e paralisou seu gesto. Por que tudo estava tão calmo?
Ele deveria ter sido atingido por outros disparos, afinal tinha manobrado para tentar escapar para o espaço linear durante o primeiro ataque. Será que ninguém mais tinha interesse? Ou será que tudo já tinha acabado?
Ele correu de volta para a sala de comando da pequena nave e examinou a tela do rastreamento.
Não havia nenhuma nave nas proximidades. Aparentemente o combate tinha se afastado para algum outro setor, longe de onde estava.
Um asteróide gigantesco se aproximava perigosamente da rota da sua nave.
Silf-Treer começou uma manobra para se desviar do corpo quando percebeu que o desenho projetado na tela do radar era muito exato para ser natural. Parecia uma enorme caixa de sapatos. E como ele não tinha notado antes aquele planeta flutuando a poucas unidades astronômicas da sua posição? Não havia estrelas por perto e mesmo durante o combate o computador deveria ter assinalado a presença daquele corpo.
Uma olhada para o velocímetro mostrou a ele que havia algo muito errado acontecendo. A velocidade da sua pequena nave era de quase 60 por cento da luz. Nenhum corpo deveria se mover a uma velocidade tão elevada naturalmente. E aquele asteróide estava conseguindo se aproximar dele rapidamente.
Um sacudir percorreu a nave e por alguns instantes a força da desaceleração pode ser sentida, atirando Silf-Treer sobre o console de pilotagem e fazendo com que sua cabeça doesse muito mais do que já estava doendo.
Uma enorme sombra cobriu a tela e pouco depois Silf-Treer pode ver uma luz marcando o que parecia ser uma hangar.
Realmente parecia que ele estava muito encrencado desta vez. Parecia que algum dos lados tinha uma nova arma.
Com uma calma que o surpreendeu ele checou a carga da sua arma e preparou o traje para poder fecha-lo num instante. Quem sabe que tipo de atmosfera ele iria encontra lá fora.
Uma atmosfera de metano e hidrogênio não era bem o que seus pulmões gostavam.
Parte VI
Silf-Treer deu um murro no painel. Boa parte das cameras externas estava inoperante. Um dos setores que mais lhe importava no momento, a comporta da pequena nave auxiliar, não estava funcionando. Ele sabia que mais cedo ou mais tarde os metanitas entrariam por lá.
O rádio também era outra decepção. Tinha deixado de funcionar completamente desde o aparecimento daquela nave gigantesca que o engolira. O agente terrano pensou pela décima vez em 15 minutos se não seria melhor abrir a comporta e sair logo de uma vez, mas novamente chegou a conclusão que deveria ao menos dar algum trabalho aos respiradores de metano.
O som de metal sendo cortado chegou aos seus ouvidos vindo do fundo da nave. O terrano fechou seu capacete para evitar problemas quando a atmosfera de hidrogênio e metano entrasse pela abertura que estavam cortando, mas deixo os microfones e alto-falantes externos ligados.
Passos pesados puderam ser ouvidos se aproximando da sala de comando onde ele estava. Silf-Treer levou a mão ao coldre da sua pistola quando um vulto gigantesco obstruiu a abertura da porta.
- Não atire terrano. Não queremos lhe fazer mal.
Silf-Treer ficou realmente espantado. O vulto que ele identificou como um robô de formato estranho lhe chamara de terrano. E mais ainda, usara intercosmo. Desde quando os maahks sabiam diferenciar tão bem um terrano de um tefrodense?
- Fique calmo terrano. Não pretendemos lhe fazer nenhum mal. Você pode me compreender? Está ferido? Precisa de algum auxílio médico?
O agente terrano afastou a mão da arma e tentou examinar a situação. Algo não batia. Ou ele estava delirando, ou então alguma coisa estava muito errada em toda essa história. Ele resolveu responder ao seu estranho visitante.
- Eu estou bem. Não preciso de nenhum auxílio médico. Quem é você e onde é que eu estou? O que aconteceu com as outras naves?
- Eu sou um servo mecânico dos Aiiltur - respondeu a máquina - Meus senhores observaram que sua nave enfrentava dificuldades e o trouxeram a bordo. As outras naves que travavam combate na área se afastaram logo após a nossa chegada.
- De onde vocês conhecem a minha raça e a minha língua?
- Meus mestres vão lhe explicar tudo mais tarde. Por favor me siga.
A máquina recuou e seguiu para a escotilha por onde tinha entrado. O terrano hesitou por um instante, mas sua curiosidade já estava mais do que desperta e ele seguiu atrás do gigante de metal.
Do lado de fora da nave auxiliar um veículo esperava pelo terrano. Ao seu lado uma criatura alienígena estava de pé olhando para a nave auxiliar e para o terrano. Silf-Treer imaginou que o alienígena deveria ser um Aiiltur, mas resolveu não tirar conclusões precipitadas para não acabar incorrendo em algum erro grave.
- Seja bem-vindo terrano. Eu serei o seu guia e responsável pelo seu bem estar enquanto permanecer como hóspede entre nós. Meu nome é Baglash´s. Sou um dos encarregados pelos contatos com raças estrangeiras.
- Muito prazer Baglash´s. Espero que você não fique ofendido, mas eu estou um tanto quanto confuso com essa situação toda.
- É muito compreensível. Posso no entanto lhe assegurar que a explicação é bem simples. Talvez um pouco fantástica, mas você compreendera tudo. Antes porém devo lhe levar até seus aposentos e lhe permitir descansar um pouco, afinal, pelo que pudemos ver, você estava bem ocupado tentando sobreviver ao combate.
- É. Eu fui surpreendido ao sair do espaço linear.
Silf-Treer e Baglash´s entraram no veículo. O Aiiltur ativou um comando no painel e seguiu para uma abertura na parede. Um corredor longo os levou para as profundezas da gigantesca espaçonave.
O terrano ficou admirando a obra e a tecnologia dos seus hospedeiros. O veículo entrou numa abertura na parede do corredor que acabou se revelando um poço de elevador. Alguns andares abaixo o veículo entrou em outro corredor e logo depois numa grande sala.
O Aiiltur desceu do veículo por um instante e manipulou alguns comandos num painel que ficava atrás de uma proteção blindada. Dois postes de metal se elevaram do chão no meio da sala. Relâmpagos saltaram entre eles e um portal de transmissor se formou.
Baglash´s voltou ao veículo quando o tremor do portal se estabilizou e o pôs em movimento em direção ao centro do portal.
- Assim chegaremos ao setor residencial reservado para seu alojamento em poucos minutos. Se continuássemos viajando só neste veículo levaríamos dias para chegar até lá.
Silf-Treer sentiu um ligeiro repuxar e uma leve dor na nuca quando a escuridão o envolveu durante o fenômeno de transporte, mas quando voltou a clarear a sua volta já estavam na estação receptora.
Eles haviam materializado numa sala quase idêntica aquela de onde tinham acabado de partir. A única diferença que o terrano podia ver era que na saída da sala não se via um corredor e sim a paisagem de um parque arborizado.
O Aiiltur dirigiu o veículo para fora da sala e Silf-Treer viu que na verdade se tratava de um tipo de pavilhão, erigido na forma de um pequeno edifício em meio as plantas de um parque ou jardim.
Espantado, o terrano olhou a sua volta para a paisagem. Árvores gigantescas estendiam suas copas para o céu longínquo. Arbustos bem cuidados cercavam a estradinha por onde o veículo seguia com os dois ocupantes tão diferentes. Ocasionalmente canteiros de flores podiam ser vistos em encruzilhadas ou ao redor de pequenos edifícios que se encontravam espalhados pelo parque.
O terrano voltou seu olhos novamente para cima, para o céu e para o sol que lançava seus raios sobre a paisagem. Levou algum tempo para que seus olhos se acostumassem ao brilho, mas ele finalmente começou a perceber detalhes que lhe revelaram não se tratar de um céu de verdade e nem de um sol verdadeiro.
Baglash´s observou disfarçadamente a reação pensativa do terrano ao fazer sua descoberta. Fazia parte do seu plano de contato com os terranos fazer Silf-Treer perceber as dificuldades pelas quais o povo dos Aiiltur passavam e o tipo de ajuda que iriam pedir aos terranos. O passeio pelo parque servia a um propósito psicológico bem definido.
O veículo parou em frente a um conjunto de edifícios. Baglash´s convidou o terrano a descer e entrar no prédio mais próximo. Lá dentro o ar estava mais fresco, o que fez com que o terrano percebe-se que começara a suar durante o seu passeio.
Um grande salão recebeu os dois. Silf-Treer avistou apenas mais uma criatura naquele local. Um Aiiltur semelhante ao que o acompanhava estava sentado atrás de um balcão no fundo do salão, próximo a várias aberturas numa parede.
Baglash´s saldou o outro Aiiltur e se encaminhou para uma das aberturas na parede. Após pressionar um pequeno botão um brilho leitoso se acendeu no interior da abertura e o Aiiltur entrou, seguido do terrano. Silf-Treer percebeu então que se tratava de um elevador antigravitacional parecido com o que os terranos usavam. Só o brilho leitoso que parecia indicar o funcionamento do elevador lhe era estranho. Alguns andares acima o Aiiltur saiu do elevador e ajudou o terrano a descer também.
Baglash´s guiou o terrano por um corredor até uma sala pintada num tom claro de cinza e muito bem iluminado. Vários aparelhos estavam distribuídos pela sala, incluindo vários leitos e uma mesa de operações.
O terrano parou na porta da sala e ficou tenso. Sua desconfiança voltou a crescer e um aviso de perigo soou na sua mente. Baglash´s percebeu a hesitação do terrano e soube interpretar corretamente o que passava pela mente dele.
- Não precisa se preocupar. Não queremos lhe fazer nenhum mal. Estamos apenas interessados em saber se você realmente não sofreu nenhum ferimento quando sua nave foi danificada.
O Aiiltur apontou para uma crosta de sangue coagulado que havia na parte de trás da cabeça do terrano, entre seus cabelos. Só então Silf-Treer se lembrou de que fora atingido a traição antes da fuga das naves auxiliares.
A desconfiança do terrano cedeu um pouco. Ainda um tanto quanto hesitante ele entrou na sala ao lado de Baglash´s. Um outro Aiiltur recebeu os dois e, enquanto grasnava algo numa língua desconhecida para o terrano, apontou para uma máquina que ficava no centro da sala. Baglash´s traduziu para o terrano o que seu colega de espécie havia falado.
- Ele deseja que você entre no scanner biológico para que ele possa fazer um diagnostico completo. Ele pede que você não esqueça de tirar suas roupas.
O terrano ficou um pouco envergonhado, mas tirou suas roupas e entrou no aparelho sob o olhar atento da criatura que parecia ser o médico. Duas hastes metálicas começaram a girar ao redor do terrano zumbindo enquanto luzes de diferentes tonalidades eram lançadas alternadamente sobre ele.
O show de luzes durou dois minutos e então o terrano foi novamente liberado. Ele saiu do aparelho e voltou a colocar suas roupas. O médico alienígena leu algo que era mostrado numa tela durante alguns segundos. Ele então se afastou por alguns instantes e voltou com um frasco escuro que entregou ao terrano enquanto grasnava no estranho idioma, sendo traduzido por Baglash´s.
- Ele disse que você sofreu um forte golpe na parte de trás da sua cabeça, mas que não foi nada grave. Ele pede que você tome um comprimido destes a cada quatro horas durante doze horas. Isso deve evitar que você sinta dores e ajudar na cicatrização. Caso surja alguma complicação ou você sinta algo errado ele pede que você avise imediatamente.
- Tudo bem. Eu vou seguir as recomendações dele corretamente. Diga a ele que agradeço pela sua atenção.
O médico alienígena ouviu Baglash´s traduzir a resposta e então emitiu um som de estalo com o bico e se afastou dos dois.
Baglash´s conduziu então o terrano de volta ao elevador antigravitacional e para fora do prédio. O veículo em que tinham vindo já tinha se retirado dali. Os dois seguiram para uma construção menor que havia ali ao lado e era cercada por um muro baixo, enfeitado por plantas trepadeiras.
Ao cruzar um portão no muro, os dois se viram num pequeno jardim que cercava uma harmoniosa construção de dois andares. Havia até um filete de água que nascia de um rochedo e corria entre plantas e pedras até desaguar num pequeno tanque onde nadavam pequenos peixes coloridos.
Baglash´s abriu a porta para o terrano e o introduziu numa sala decorada com muito bom gosto e pintada em cores suaves. Havia vários sofás e pequenas mesas, bem como um cubo de trivídeo. A um canto se via um balcão que numa casa terrana serviria de barzinho.
- Espero que goste daqui. Devo pedir para que descanse um pouco. O doutor disse que seu organismo esta muito estressado e sofreu com um choque muito forte. Vou pedir que um robô venha lhe ajudar a se instalar corretamente e que lhe faça uma refeição. Creio que podemos conversar melhor depois que estiver completamente recuperado, digamos daqui a umas quinze horas.
Silf-Treer acenou concordando enquanto Baglash´s o deixava sozinho. Ele olhou para os móveis ao seu redor examinando sua aparência e acabamento. Se não tivesse certeza de estar numa nave alienígena gigantesca, ele juraria estar em algum apartamento ou bangalô de Terrânia.
Ele se sentou num dos sofás e sentiu como ele se ajustava a forma do seu corpo para lhe deixar mais confortável.
- Igualzinho a meu velho apartamento na Terra.
Uma leve dor na sua nuca o fez lembrar do remédio que lhe haviam receitado. Ele abriu o frasco e engoliu um dos comprimidos. Depois ficou girando o frasco entre os dedos enquanto pensava na situação em que estava metido.
Cinco segundos depois ele estava de pé olhando fixo para o frasco. Suas mãos tremiam enquanto ele tentava ler o rótulo que estava grudado no lado de fora do frasco. Ele piscou várias vezes enquanto sua mente tentava assimilar que o rótulo estava escrito em inglês e intercosmo.
A porta da pequena residência se abriu com um leve chiado e um robô flutuou para dentro, saudando o terrano em intercosmo.
- Saudações meu senhor. Estou aqui para lhe ajudar a se acomodar e se recuperar.
Um boquiaberto Silf-Treer ficou olhando para o robô de construção terrana que flutuava a sua frente no meio da sala. O terrano só conseguia pensar que enlouquecera ou estava sonhando um sonho muito, muito louco.
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As quinze horas passaram relativamente depressa para Silf-Treer. O robô lhe preparou uma refeição ligeira enquanto ele se banhava. Depois de comer, Silf-Treer se recolheu a um quarto da casa e dormiu profundamente. O cansaço que sentia após todas as horas extenuantes de tensão e fortes emoções foi mais do que suficiente para reprimir sua curiosidade e inquietação.
Duas horas antes do prazo das quinze horas terminarem ele acordou descansado. Um novo banho seguido de uma refeição reforçada terminaram por lhe restituir as energias e clarear de vez a sua mente. Já nem se lembrava mais do seu ferimento.
Ele não conseguira nenhuma informação nova com o robô. Aparentemente os alienígenas haviam apagado de sua programação tudo que poderia lhes comprometer de alguma forma. O robô era realmente de confecção terrana. Uma rápida inspeção no interior do mesmo lhe trouxera a confirmação. No entanto ele não possuía nenhuma informação de como fora parar entre os alienígenas. Simplesmente fora ativado com uma programação padrão de serviçal caseiro pouco antes de entrar pela porta da casa.
O terrano refletiu durante a última hora sobre todas as possibilidades possíveis e não chegou a nenhum resultado satisfatório. Diante disso ele resolveu que deveria continuar se mantendo muito atento e desconfiado enquanto tratasse com os Aiilturs.
O som da campainha da porta o tirou de suas divagações. Baglash´s havia comparecido pontualmente, o que só vinha confirmar que os Aiilturs tinham um grande conhecimento dos terranos e da sua forma de medir o tempo.
- Bom dia terrano, espero que tenha descansado e se recuperado bem. Meus superiores estão ansiosos para lhe conhecer.
- Eu também estou ansioso por conhecê-los e receber algumas respostas para tudo isso, Baglash´s. Mas antes de mais nada eu gostaria de me apresentar corretamente, meu nome é Silf-Treer, e quero lhes agradecer novamente pelo socorro que me prestaram.
- Obrigado terrano Silf-Treer. Os Aiiltur estão contentes em poder ajudar. Por favor me siga.
O terrano e o Aiiltur seguiram juntos para um edifício que ficava próximo do hospital onde tinham examinado Silf-Treer. Ele era uma torre avermelhada de altura média que afinava conforme ganhava altura, terminando numa esfera azul escuro. Um elevador antigravitacional igual ao utilizado no hospital os levou até a esfera na ponta da torre.
Os dois entraram num salão feito com um material escuro, que refletia fracamente suas imagens. Baglash´s indicou ao terrano uma cadeira que ficava sobre uma leve elevação no chão.
Silf-Treer se sentou na cadeira e ela se modificou para acomodá-lo mais confortavelmente. Baglash´s começou então a falar para a parede em frente ao dois.
- Honrados membros do conselho de Sarksr, trago a vossa presença o terrano Silf-Treer.
Uma luz azul suave começou a se fazer presente a frente da cadeira do terrano e ele pode ver que não havia ali uma parede e sim uma tribuna composta por várias seções, que estavam quase totalmente ocupadas por Aiilturs. Baglash´s tinha falado em intercosmo, mas Silf-Treer tinha ouvido sons na direção da tribuna indicando que um aparelho de tradução universal estava funcionando.
"Nada mais lógico. É claro que os membros do conselho dirigente deles não tem tempo e nem necessidade de aprender a nossa língua." - pensou o terrano, enquanto aguardava pela resposta dos membros do conselho.
Um facho de luz amarela incidiu sobre um dos Aiilturs quando ele começou a falar. Um segundo depois a tradução pode ser ouvida pelo terrano vinda de alto-falantes habilmente instalados no encosto da sua cadeira.
- O conselho de Sarksr, líderes máximos da orgulhosa raça dos Aiilturs, saúda o terrano Silf-Treer e lhe deseja as boas vindas a bordo da grande Arca.
Baglash´s olhou para o terrano enquanto o facho de luz se apagou na tribuna. Silf-Treer compreendeu que deveria responder aos membros do conselho. Com calma ele dirigiu suas palavras a tribuna, escolhendo cuidadosamente suas palavras.
- Eu agradeço as boas vindas do honrado e sábio conselho de Sarksr assim como agradeço pela ajuda que recebi quando minha nave foi avariada. Sou igualmente grato pelo atendimento e atenção médica e pelas acomodações que me foram destinadas. Por tudo isso, tenho a raça dos Aiilturs e seus líderes em alto apreço e consideração.
Baglash´s pareceu demonstrar contentamento com a resposta do terrano e fez seu bico estalar de leve. O facho de luz amarela voltou a brilhar sobre a tribuna, iluminando um outro Aiiltur.
- Suas palavras agradam a todos nós. Estamos aqui para tentar entrar em contato com uma raça que soubemos ser muito honrada e sábia, forte mas bondosa, cujo povo escolhe democraticamente seus líderes. Estamos aqui para tentar encontrar os assim chamados Terranos, filhos do planeta Terra da estrela Sol.
O terrano enrugou um pouco a testa diante das palavras do membro do conselho e ouviu tenso o que ainda viria. Um outro facho amarelo se acendeu em outro pondo da tribuna e um outro membro do conselho começou a falar.
- Estamos aqui para encontra a raça dos terranos, Silf-Treer, mas apesar de o termos identificado como membro desta raça, dúvidas sobre a exatidão dessa informação foram trazidas ao nosso conhecimento e esperamos que você possa nos esclarecer.
- Farei o que for possível para responder as suas perguntas e tentar esclarecer suas dúvidas. - respondeu o terrano imaginando a origem das dúvidas, pois tinha vindo numa nave tefrodense e não terrana. Mas o caso é que ali era o lar dos tefrodenses e ele estivera infiltrado entre eles.
- Você aceitou a identificação de terrano, conhece a língua deste povo e biologicamente é igual a eles até onde pudemos averiguar. No entanto, examinamos sua nave e ela, apesar das semelhanças externas, utiliza uma construção e tecnologias, bem como uma linguagem que não são do povo terrano.
O terrano teve de sorrir por um instante. Aquela situação parecia um tanto quanto irreal, pois durante muito tempo ele fez de tudo para se passar por um tefrodense e agora ele teria de provar que não era um.
- Realmente parece estranho e entendo a desconfiança de vocês. Eu sou realmente um terrano, no entanto, me encontrava em missão junto a um povo biologicamente semelhante aos terranos, mas que em tempos antigos teve de se afastar do resto de nosso povo e viver afastado. É por causa disso que a tecnologia e a linguagem são diferentes, mas as formas e muitas outras coisas são iguais.
- São afirmações graves. Espero que não nos entenda mal, mas teremos que obter provas da sinceridade das suas afirmações. Não podemos incorrer em nenhum erro.
- Entendo perfeitamente e acho muito justo. Vou tentar colaborar o melhor que eu puder para a solução do problema.
- Pode nos fornecer alguma prova de suas palavras? Tem alguma forma de confirmar sua identidade como terrano?
O terrano fitou pensativo sua pulseira com as várias pedras incrustadas que escondia seu transmissor-receptor da contra-espionagem solar. Ele poderia servir como prova de suas palavras, mas não seria o suficiente para convencer os Aiilturs.
Além disso, uma idéia ainda o incomodava. Ele também ainda não estava totalmente convencido da identidade dos alienígenas e não sabia se não podia se tratar de uma armadilha de algum tipo.
Se os alienígenas estavam procurando por terranos, então o que eles queriam em Andrômeda? Por que não tinham ido para a Via-láctea? Isso era por demais estranho para que ele conseguisse confiar nos estranhos e se revelar para os dois...
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