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Autor: Abelardo Pedroga.
Título: Zeugma.
Publicação: 17/03/2006.
Categoria: Jornada nas Estrelas.
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Zeugma, o perigo dos Zrraals.
Por: Abelardo Pedroga.

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PERSONAGENS PRINCIPAIS

MARLON - masculino, idade - indefinida acredita-se que tenha perto de 2.000 anos terrestres. Origem- Indefinida foi encontrado flutuando no espaço, dentro do módulo de sobrevivência de uma nave desconhecida, isso há 300 anos terrestres. Perfil Psicológico - todas as análises efetuadas não conseguiram chegar a nenhuma conclusão, também pode se enquadrado como desconhecido. Possui 1,85m altura, corpo atlético, olhos azuis , sorriso sempre enigmático, cabelos cor de cobre, físico totalmente humanóide, possuí enorme força física testes realizados lhe asseguram uma força igual a de 20 homens normais. Q.I. - não determinado, não houve consenso entre os analisadores para se chegar ao número exato. Recatado e extremamente reservado em suas folgas, quando no comando de uma nave espacial é um homem frio e sem igual, sua capacidade de reação mostra que o que poderia ser chamado de "reator instantâneo", seu cérebro parece desenvolver três , quatro, até cinco linhas de raciocínio simultâneo e independentes algo só encontrado em computadores de gigantesco porte. Capitão estelar.

DÊNIS BATISTA – Capitão, terrano, brasileiro, primeiro oficial, um dos melhores oficiais encontrados na frota, há muito deveria estar no comando de alguma nave mas problemas de relacionamento com o Estado Maior, um tio seu por parte de mãe não se relaciona bem com ele, esse tio é o comandante da frota estelar setor Terra, zona Sul, atrapalham sua promoção, homem jovem - 35 anos, dotado de inteligência acima da média, é considerado um homem belo e agradável para o sexo feminino, as muitas histórias de amores deste homem confirmam essa suposição, apesar da pouca idade é um homem já experiente em viagens espaciais, sua formatura na academia da frota deu-se quando tinha 13 anos, um record até agora não igualado, com 14 anos era alferes galgando rapidamente todos os degraus da hierarquia da frota chegando aos 24 anos ao posto de primeiro oficial.

LASTRA - Primeira austriana a se formar na Academia espacial, jovem e extremamente bela, é oficial de comunicações, sua posição social de origem no império Austrin é desconhecida, comenta-se que pode ser a filha da imperatriz de Austrin, dado não confirmado, sua facilidade em aparelhos de comunicação fazem desta bela mulher a mais confiável oficial de comunicações da frota, sua beleza estética somente possui um senão sua pele é da cor marrom, o que causa um contraste forte com o uniforme azul celeste da frota.

KARIN - Original de Shyrtwan I, planeta localizado 550.000 anos luz da Terra, o planeta de origem deste ser é dominado por um sistema trinário de estrelas, a gravitação extremamente elevada deste mundo, para os padrões terrestres, dá a Karin uma força física invejável e temida, é o primeiro shyrtwaniano a ser aceito e formado na Academia Espacial, responsável pelos armamentos da nave, possuí uma altura de 2,20 M , aparência humanóide, nas naves em que serve faz-se necessário a adaptação dos comandos para as suas mãos gigantescas e fortes, sua tez é de um vermelho forte, algo natural para os originários de seu planeta.

MECANO - Ser originário de Mecanor, planeta distante 672.000 anos luz da Terra, acredita-se que sejam descendentes dos Borg, pois tal qual estes são seres metade orgânicos, metade máquinas, mas diferente dos Borg não vivem em função da sua coletividade possuindo individualidades, é o engenheiro chefe de maior prestígio na atualidade dentre os disponíveis na Frota Estelar, sua facilidade com máquinas e equipamentos das mais diversas origens é o que o distingue dentre os engenheiros da Frota Estelar.

SÍLVIA - Oficial de navegação, brasileira, mulher extremamente sensual e inteligente, tendo se formada como a primeira em sua turma na academia, é uma navegadora espetacular, em simulações realizadas foi a única a encontrar a saída do Cinturão de Habib, o mais intrincado emaranhado de nuvens e gases que se encontra na galáxia, mulher de hábitos simples e muito expansiva, mas uma oficial da melhor reputação e muito requisitada por diversos capitães que já lhe ofereceram postos em suas astronaves.

TALUL - Jarboriano, raça extremamente reservada e apartada da comunhão dos povos estelares, os naturais de Jarbor são seres diferentes de todos os já encontrados, seu altura chega a 3,50 m, não possuem pescoço, sua cabeça é uma meia lua saindo diretamente da linha dos ombros, possuem 04 olhos de um vermelho intenso e sem pálpebras, possuem 04 braços sendo dois enorme quase se arrastando ao chão e dois menores que podem se for o caso se transformar em "pernas auxiliares ", estes seres, apesar de manterem a postura bípede, as vezes se locomovem sob quatro membros utilizando os braços auxiliares como essas pernas auxiliares. Esses seres são as mais perfeitas máquinas de guerra conhecida da galáxia, sua performance em combate eqüivale e de duas ou mais divisões inteiras, possuem a característica, única nos povos conhecidos, de modificar a estrutura celular de seu corpo transformando o mesmo em um material semelhante ao metalplast com que são construídas as naves de combate, em testes um Jarboriano em alta velocidade ultrapassou como quis uma barreira de metalplast de 04 metros de espessura, esses seres são extremamente inteligentes, as vezes se alistam em naves da Frota Estelar servindo como oficiais científicos, a localização de seu mundo natal Jarbor é um mistério que ninguém conseguiu descobrir até agora.

****

PRÓLOGO

O Universo neste distante ano de 3.500 é bem diferente daquele nosso conhecido, para começar a galáxia apresenta uma paz raras vezes vista, mas essa paz teve um preço cruel, muitos povos, nossos conhecidos, hoje ou não existem mais ou estão condenados definitivamente á extinção.

Quanto aos romulanos as notícias que temos a relatar é que Romulus foi totalmente destruído, desintegrado por uma frota Borg composta de 2.500 cubos, a guerra entre esses povos destruiu o império romulano culminando com a destruição do planeta natal destes, mas antes de serem destruídos os romulanos conseguiram desenvolver uma bactéria técnico-orgânica que afeta os Borgs, como resultado nesta guerra também o império Borg foi destruído, a raça Borg hoje é apenas material de hologramas de história, não sobreviveu nenhuma comunidade Borg, o trabalho dos romulanos foi muito bem feito.

Klingons e Cardassianos também se envolveram em uma guerra inútil e sem fundamento, o resultado foi um empate técnico, ambos as raças hoje não representam mais nada em termos galáticos, estando ambas tentando reconstruir seus planetas destruídos e devastados por uma guerra ridícula e desnecessária.

Os Ferengui até que se aproveitaram bem das situações calamitosas dos povos envolvidos nos combates e hoje lucram bilhões de solaris comerciando os materiais necessários para os povos Klingon e Cardassiano.

Quanto aos nossos melhores amigos, os vulcanos, seu destino está nebuloso, os mais tradicionalistas chegaram ao poder no planeta e estão reescrevendo a história, todos os vulcanos que se encontravam fora de seu sistema foram convocados, rituais muito antigos estão sendo efetuados, como dizem as informações, Vulcano está se voltando para si mesmo, seu povo faz uma longa e criteriosa volta ás origens, á filosofia, tentando se livrar das influências externas, esse processo de lavagem da alma ainda tomará algumas dezenas de ano, o que vai sair desse processo é um mistério.

A Terra manteve-se cautelosamente longe deste emaranhado de confrontos e guerras e surge hoje como a única potência do cosmos, a Frota Estelar alcançou distâncias e dimensões jamais vistas antes, o famoso Quadrante Delta está totalmente explorado e inicia-se a colonização do mesmo, apenas um ponto permanece obscuro no Cosmos, o subquadrante Zeugma permanece um mistério, até o momento nenhuma nave da Federação foi enviada a este subquadrante, desvendar os segredos deste setor do espaço, efetivamente a última fronteira, o local perfeito aonde se aplicaria o refrão:

" ... indo aonde nenhum homem jamais foi...".

Capítulo I - USS BRASIL

O capitão Marlon já há duas horas aguardava impaciente e estoicamente na ante sala do Almirante Xanther, a bela secretária do almirante era uma moça bonita e encantadora, percebia-se claramente os olhares cheio de indiscrição que a moça lançava ao capitão, Marlon já estava acostumado com esse tipo de assédio do sexo feminino, sua atual forma humanóide era uma das mais belas que esse transmorfo já havia adquirido, é lógico que essa característica transmorfa era desconhecida do pessoal da Frota Estelar, Marlon era reservado e discreto sobre sua ascendência, em sua ficha médica havia a indicação que quando da sua descoberta pela USS MIAMI há 300 anos atrás sua memória havia sido apagada por algum processo desconhecido da cúpula médica da federação, mas a verdade era bem outra.

O intercomunicador da secretária, Xaria era seu nome, se ativou, o Almirante Xanther finalmente resolvera convocar o capitão para a sua conversa, elegantemente Xaria se levantou pedindo ao capitão que a acompanhasse, o rebolado da humana era uma indicação precisa de que se desejasse Marlon não passaria aquela noite desacompanhado, mas estes desejos, no momento, não passavam pela cabeça do capitão, finalmente Marlon se viu frente a frente com o lendário Almirante Xanther, esse homem era uma lenda na frota estelar, Xanther era velho, aparentava cerca de 70 anos, na realidade possuía mais de 130, ainda possuía o visco de uma juventude e maioridade cheia de aventuras no comando de uma infinidade de naves espaciais nas mais distantes fronteiras da Federação, suas feições eram duras, olhos negros se destacando contra o branco indescritível destes olhos, eram olhos acostumados ao comando, frios, calculistas, Marlon usou seus desconhecidos poderes mentais para sondar a mente daquele homem, o que descobriu o deixou contente.

- Sente-se capitão, quero lhe dizer que sou um homem prático e gostaria de ir diretamente ao motivo da sua convocação.

- Bom senhor, sou todo ouvidos.

O velho almirante gostou da atitude daquele misterioso homem.

- Como sabe capitão, todos os planetas da Confederação Estelar cedem homens e naves para compor a frota de Federação, mas a frota se reversa o direito de escolher a tripulação quando a nave é construída nas suas oficinas.

Direto ao ponto, muito bom, pensava Marlon

- Bom capitão, temos uma novidade saindo de nossas oficinas, é uma nave da classe Universo, mas com algumas, hã, modificações em relação ao projeto normal de naves dessa classe, ela é equipada com o que de mais moderno existe em termos tecnológicos, a tripulação da mesma está sendo escolhida a dedo, após uma cuidadosa análise do perfil de milhares de candidatos em potencial, e capitão, mesmo eu sendo contra, seu nome foi indicado como comandante desta nave, seu nome é USS BRASIL, este relatório á sua direita é a tripulação escolhida, sua indicação está no relatório á sua esquerda, este não é um convite capitão, é uma ordem direta, pessoas influentes nos mais altos escalões querem que você e essa tripulação testem a USS BRASIL, a nave se encontra no hangar número 20 da base localizada em Caronte, lua de Plutão, bem capitão, há algo que queira expor ou algum esclarecimento que deseje.

- Não senhor, a que horas parte o transporte que me levará para Caronte?

- Veja com Xaria, ela lhe dará as instruções necessárias, hã capitão.

- Sim senhor?

- Sei de sua reputação, a disciplina e dureza com que costuma moldar suas tripulações, mas gostaria de lhe pedir um favor, não seja extremamente duro com Sílvia, é minha sobrinha, molde-a para a disciplina, mas não maltrate minha menina, é a única parente viva que possuo, gostaria de lhe pedir somente este favor.

- Almirante, verei o que é possível fazer.

- Dispensado.

Então na tripulação havia uma sobrinha do almirante, interessante, uma clara indicação da recusa de seu nome para o cargo de capitão que o almirante havia deixado bem claro, ele comandaria a nave mesmo contra a vontade do almirante que decerto perdeu nas considerações finais do conselho.

Do lado de fora uma sorridente Xaria apressou-se em dar ao capitão hora e local de embarque deste para Caronte, assim como os demais documentos necessários, era visível no olhar da jovem a decepção desta que o embarque de Marlon ocorresse dali a duas horas, bem, talvez em outra ocasião.

Marlon ao sondar os pensamentos da jovem ficou com o rosto ligeiramente rubro, pegou suas instruções e saiu apressadamente dali.

Enquanto esperava o transporte para Caronte, Marlon deu uma rápida olhada nos nomes da sua tripulação, o que leu acabou lhe agradando, uma tripulação jovem, alguma experiência, poucos humanos, a raça humana começava seu processo de decadência, após um período áureo que durou de 2.300 até perto de 3.200 os seres humanos naturais da Terra eram cada vez mais raros nas naves estelares, diversos povos da Federação, mais jovens, ou mais impetuosos desbancavam os terranos nas academias da frota, se algo não fosse feito em breve essa raça entraria em decadência e outro ocuparia o seu lugar de "dona" do Universo, mas esse problema não era para ser resolvido por Marlon, os humanos que se virassem quando chegasse a hora.

O transporte que o levaria a Caronte finalmente chegou, o embarque foi rápido, somente Marlon e mais alguns poucos oficiais estavam indo para a lua de Plutão, o vôo teria a duração de duas horas, pois dentro do sistema solar era proibido ultrapassar a velocidade de dobra 05, algo natural tendo em vista o grande fluxo de espaçonaves que circulavam dentro do sistema solar, naves com velocidades superiores eram gentilmente convidadas a baixar a velocidade ou teriam que prestar contas a naves combatentes da Federação, fora-lhe dito que as instruções quanto á primeira missão da nova nave seriam entregues no tempo aprazado.

Marlon sentou-se confortavelmente em sua cabine particular, estava há 45 dias sem dormir, mas seu ciclo de sono somente chegaria daí a mais 135 dias, portanto tinha tempo de sobra, o que ele gostaria era de voltar á sua forma original, mas ali era perigoso, há tanto tempo o transmorfo não readquiria sua forma original que tinha medo de não se lembrar qual era, ao lembrar disso um sorriso fortuito aflorou em seus lábios quase sempre sisudos.

Ao chegar á Caronte Marlon foi recebido pelo comandante da base, General do Espaço Nertze, um afro terrano de bons modos e excelente educação, já havia lido algo desse homem, quando da última crise em Cercer I, ele havia derrotado os piratas com sabedoria e habilidade, nada mal para um terrano, Nertze o recebeu com um sorriso nos lábios.

- Então tenho diante de mim, o mais do que famoso Cap. Marlon, senhor, é um prazer receber uma lenda viva nesta humilde base.

- General Nertze, é um prazer estar em sua base, gostaria que me fossem passados os dados técnicos da nova USS BRASIL, pelo que o almirante Xanther me disse essa nave possuí algumas características próprias que a distingue de naves comuns.

- Sim senhor capitão, a USS BRASIL é uma maravilha, seu raio de ação pode chegar a 30.000 anos luz, segundo nossos técnicos seus conversores podem atingir dobra 14, sua capacidade de reação é 10 vezes mais rápida do que uma nave normal, seu poder de fogo é superior a de toda uma frota de naves da classe planeta, sim senhor, uma bela obra de arte da engenharia de astronavegação dos engenheiros da frota.

A descrição da nave acabou tomando a tarde inteira, o general Nertze falava com entusiasmo da nave que fora construída em seus terminais, uma completa planta holográfica da mesma foi passada para Marlon, a vistoria que antecede qualquer lançamento seria feita daí a dois dias até lá Nertze fazia questão que ninguém da tripulação pudesse se aproximar da nave, nem o capitão, Marlon interpretou isso como sendo o orgulho de um general quando faz algo muito bem feito, o general não escondia de ninguém o orgulho que tinha de que uma nave daquelas tivesse sido construída nos estaleiros da base que ele dirigia há mais de 05 anos com mão de ferro.

A chegada do restante da tripulação estava marcada para daí a 03 dias, até lá Marlon teria tempo para se familiarizar com a planta holográfica da nave, seus comandos e principalmente suas novidades, para um ser que ainda estava muito distante de seu ciclo do sono seria tempo mais do que suficiente para isso.

Capítulo II - Vôo para a Eternidade.

- Capitão na ponte.

O forte grito dado por Dênis Batista colocou toda a equipe de oficias em prontidão, Marlon adentrava-se á ponte de comando verificando tudo, Dênis estava em posição de sentido, ao lado da cadeira de comando como convinha a um primeiro oficial quando da ausência do capitão da nave, tudo estritamente de acordo com os ensinamentos e mandamentos da Academia Espacial, tudo excessivamente formal pensava Marlon.

- Descansar, senhor Dênis, informe a situação.

- Senhor, simulação efetuada com sucesso, todos os sistemas principais e auxiliares checados e aprovados, os novos melhoramentos tecnológicos estão aprovados senhor, a USS BRASIL se encontra pronta para partir tão logo seja dada a ordem senhor.

- Muito bem senhores, as informações são satisfatórias, em 02:00 horas, tempo padrão iniciaremo o vôo desta nave, alguém gostaria de falar alguma coisa ?

Um silêncio constrangedor tomou conta da sala, Marlon percebeu que pairava algo no ar, mas não quis efetuar sondagem telepática na mente de nenhum dos seus oficiais, foi Sílvia quem quebrou o silêncio.

- Senhor, gostaria de expressar a alegria e contentamento da tripulação em termos o melhor capitão da frota no comando desta missão.

Marlon escutou embrevecido as palavras da jovem oficial, olhou em volta vendo a sinceridade no rosto de todos os oficiais e agradeceu.

- Obrigado oficial Sílvia, é bom saber que os oficiais possuem este pensamento, muito grato mesmo. Sr. Dênis, assuma, estarei em repouso em minha cabine.

Antes de sair Marlon resolveu sondar a mente de seu primeiro oficial, e se surpreendeu ao não conseguir, utilizando sua memória fotográfica lembrou-se de que Dênis há cerca de 05 anos foi submetido a uma operação craniana que implantou em sua cabeça uma prótese de titânio 235, material levemente radiativo que influenciava na capacidade de ler mentes do transmorfo.

Marlon dirigiu-se ao seus aposentos, ao entrar colocou seu apartamento em alerta 01, o computador de bordo neste caso somente atenderia aos comandos do capitão.

- Computador, travar a porta e desligar sistema de imagens do quarto, apagar a luz, este dormitório se encontra em alerta 01, informar quando a nave se encontrar há 60 minutos da partida, é tudo.

Feito isso Marlon se despiu e voltou á forma original de sua espécie, seus feições foram se modificando e alterando a cor de seu cabelo e de sua pele, sua unhas cresceram, a forma física típica de um Anderlechiano, uma raça que as inteligências desta galáxia não conheciam, Marlon na verdade viera de uma galáxia distante mais de 3 milhões de anos luz , uma distância que as inteligências desta galáxia ainda não tinham condições de vencer, condenando o Anderlechiano a viver, talvez, indefinidamente neste setor do Universo.

Na sala de comando os oficiais estavam á postos, a nave sairia em menos de 02 horas tempo padrão, os últimos testes e acertos eram realizados, ninguém na tripulação, conhecia o destino da primeira missão, mas todos estavam confiantes, a nave USS BRASIL parecia um fenômeno tecnológico, todos comentavam que a capacidade de resposta dos sistemas era algo assombroso, apenas Karin ainda não havia testado os armamentos, afinal não era aconselhável testar armamentos dentro de uma base da frota.

A tripulação sabia que ainda faltava um membro na tripulação, o oficial de ciências ainda não havia se apresentado, apenas sabiam que se chamava TALUL, não sabiam que era um Jarboriano, aliás a visão de um jarboriano era raro nas naves da Federação, além de Dênis e de Marlon, não havia ninguém na nave que houvesse algum dia visto um ser desta espécie o susto da tripulação iria ser grande, se bem que os controles dos sistemas utilizados pelo oficial de ciências da nave já houvessem sido modificados e adaptados para as necessidades físicas do jarboriano, todos sabiam apenas que se tratava de um ser de grande dimensões.

- Aqui é o computador central comandante, a ponte solicita lhe informar que o oficial de ciências está chegando pelo teleporte, solicitam sua presença na câmara de transporte 23.

Marlon assumiu novamente a forma física que usava há 300 anos e se dirigiu até a câmara 23.

- Comandante na sala de teleporte.

- A vontade senhores, o nosso oficial de ciências está á caminho ?

- Sim senhor comandante, sua chegada é estimada em 10 segundos.

Marlon deu um sorriso de satisfação, realmente o almirantado da frota soubera escolher bem essa tripulação, enquanto pensava nisso o brilho característico de uma teleportação encheu a sala, e perante os olhos até atônitos dos oficiais a figura gigantesca do jarboriano foi se formando lentamente, alguns fizeram menção de puxar seus chasers ( chasers = geração de armas desenvolvidas para substitiuir os antigos phasers ), mas um olhar forte do comandante impediu o erro, finalmente o gigante se forma na sala, sua altura impressiona a todos, somente Marlon e Dênis já haviam visto um jarboriano.

- Oficial de ciências Talul se apresentando senhor, desculpe a demora, estava em missão no sistema de Nexus para o alto almirantado senhor.

- Muito bem oficial Talul, é um prazer tê-lo á bordo da USS BRASIL, nossa partida se dará em uma hora, gostaria de conhecer a nave?

- Não há necessidade senhor, meu cérebro suplementar já assimilou todas as informações da nave, as plantas que me foram dadas para análise mostram uma nave excepcional, meu alojamento fica no convés E - quarto número 34, já se encontra devidamente adaptado para minhas condições físicas, senhor, se não se importar vou para meus aposentos, desfazer minhas malas.

- Permissão concedida Sr. Talul, gostaria que estivesse na ponte de comando em 30 minutos.

Dito isso o gigante pegou uma gigantesca mala teleportada juntamente com ele para a nave, com precisão de um autônomo o gigante saiu da sala de teleporte, dirigindo-se sem problemas ao seu alojamento.

Marlon se dirigiu juntamente com seus oficiais para a sala de comando da nave, percebia os olhos assustados dos oficiais, realmente a visão de um jarboriano era algo raro e ao mesmo tempo assustador para aqueles que não conheciam a raça, se esses humanos e povos aliados vissem um anderlechiano em sua forma natural seu susto seria no mínimo umas 10 vezes maior.

- Atenção senhores, partida em 10 minutos, chequem seus controles, a partida se dará em direção a Alfa Centauri, quando estivermos 2.000 anos luz daqui o computador nos dará as instruções da primeira missão desta nave, gostaria de avisá-los que o almirantado da frota nos brindou com uma nave sem igual no Universo, façamos por merecer essa confiança. Sr Dênis, alerta amarelo, todos em seus postos, iniciar contagem regressiva, Sr. Talul, Sr. Dênis, algo a acrescentar?

- Não senhor. - Foi a resposta de Dênis

- Nada a acrescentar comandante - rugiu a possante voz do jarboriano.

- Muito bem, alguém gostaria de fazer alguma colocação ?

O silêncio foi a resposta.

- Dez, nove, oito...

A impessoal voz do computador de bordo chegava ao final da contagem regressiva.

- ... sete, seis, cinco, quatro.

- Navegadora para comandante, todos os sistemas funcionando satisfatoriamente.

- Casa de máquinas, energia fluindo normalmente.

- Primeiro oficial ao comandante, tudo transcorrendo normalmente senhor.

- Três, dois, um, decolar.

Um gigante da técnica e da engenharia dos povos da Federação alça seu vôo, as mãos ágeis e firmes de Sílvia mal podiam ser vistas tal a agilidade com que a navegadora executava suas funções.

Após a saída para o espaço a ordem de Marlon se fez ouvir.

- Oficial Sílvia, rumo Alfa Centauri, ao sair do sistema solar dobra 10, vamos começar a testar essa belezinha.

- Sr. Dobra 10 ?

- Foi o que eu falei oficial.

- Pois não senhor, senhor. Mecano preparar para alcançar dobra 10 em 20 minutos.

A nave foi sendo acelerada, Sílvia desenvolvia um excelente trabalho, no rumo previamente traçado.

- Senhor, comunicado da frota.

- Passe para a tela oficial Lastra.

A figura imponente de Xanther se forma na tela de comunicação.

- Comandante Marlon, tudo em ordem?

- Sim Almirante Xanther, estamos nos deslocando para fora do sistema solar, iremos para as coordenadas em dobra 10 senhor.

- Dobra 10, muito bem, comandante, ao chegar na base Alfa II irá receber suas instruções para sua primeira missão, bom vôo, se necessitar de algo.

- Não senhor, no momento tudo funciona a contendo almirante.

- Ótimo, boa viagem comandante.

- Senhores, vamos lá. Oficial Sílvia, velocidade atual.

- Dobra 7 e subindo senhor.

E lá estava a USS BRASIL, indo para sua primeira e misteriosa missão.

Capítulo III – Rumo a Zeugma.

- Diário de bordo, data estelar 3.2.2.1, a nave se comporta muito bem, a jovem tripulação está se saindo excelente no cumprimento de seus deveres, no momento estamos em dobra 10, rumando para a base Alfa II, lá teremos finalmente desvendado o destino de nossa primeira missão. Comandante Marlon desligando.

Na cabine de comando se vivia uma situação de completa normalidade, a nave seguia em dobra 10, sem nenhum tipo de anormalidade que pudesse ser notada, Marlon se encontrava na ponte de comando quando resolveu dar uma treinada em seu oficial de armamentos, até aquele momento Karin não havia tido a chance de demonstrar os armamentos daquela nave.

- Oficial Talul, me informe qual o maior meteoro em rota por esta região.

- Senhor, temos um na rota 4534, é um grande senhor, cerca de 2 Km.

- Computador, alerta 01 em toda a nave, travar nas coordenadas 4534, rota de colisão com o meteoro, deixar destravado apenas os controles de armamento, velocidade aumentada para dobra 11, calcular tempo de impacto com meteoro.

A ordem deixou a todos na sala de comando apreensivos, o que o comandante queria com isso?

- Impacto calculado em 80 segundos a partir deste momento.

A impessoal voz do computador se fez ouvir.

- Sr. Karin, estamos em rota de colisão com um meteoro que nos destruíra os comandos de armamentos são os únicos que se encontram destravados, você possui menos de 80 segundos para salvar a USS BRASIL, Sr. Karin no momento as ordens são suas.

Karin, deu uma risada sarcástica, havia entendido aonde o comandante queria chegar, afinal até aquele momento o setor de armamentos da nave não havia sido testado.

- Computador, travar chasers em 4534, ligar escudos fotônicos ao máximo, preparar torpedos 1, 2 e 3, atirar com intervalos de 05 segundos, aguardar minhas ordens para disparar.

- Impacto em T-60 segundos.

Uma risada retumbante cortou a apreensão de todos na nave, era o jarboriano, a risada deste gigante afetava os ouvidos de todos os tripulantes da ponte de comando.

- Impacto em T-50 segundos.

A cada 10 segundos o computador informava a perspectiva da catástrofe eminente.

- Atenção computador disparar canhões de chasers, mais 15segundos.

Marlon permanecia impassível, com toda a nave travada pelo comando de alerta 01 só lhe restava aguardar seu oficial de armamentos dar a ordem que salvaria sua nave.

- Iniciando disparo de chasers, conforme comando.

- Iniciar disparo dos torpedos 05 segundos após a confirmação do impacto dos chasers.

Excelente, pensou Marlon, ele é extremamente consciente do que está fazendo, o impacto dos chasers fará diminuir a velocidade do meteoro, o impacto dos torpedos destruíra o mesmo, a diferença de 05 segundos entre os lançamentos é a certeza de que os destroços serão pulverizados e destruídos, assim realmente aconteceu.

O impacto dos chasers foi tremendo, com a nave em dobra 11 o impacto conseguiu colocar um freio na velocidade do meteoro, o impacto dos torpedos fez o trabalho, a destruição do corpo espacial foi completa, a USS BRASIL passou por sobre a nuvem de poeira cósmica em que havia se transformado aquele meteoro 03 segundos após a sua destruição, o cálculo de velocidade de Karin havia sido perfeito.

- Oficial Karin informando senhor, ordens já cumpridas, o meteoro foi reduzido a cinzas, passamos por ela há pouco menos de 05 segundos.

- Computador, revogar alerta 01, Sr. Karin, excelente trabalho, eu o parabenizo pelo excelência do cálculo realizado.

- Obrigado senhor, em meu mundo costumamos deixar uma margem de segurança menor, aqui na nave resolvi aumentar a margem para três segundos, conforme instruções dos manuais da Academia Espacial.

- Senhor, primeiro oficial Dênis Batista gostaria que fosse incluído no diário de bordo sua discordância em relação á trava de todos os comandos da nave em virtude de alerta 01 senhor, poderíamos Ter sido destruídos.

- Computador, faça a anotação do primeiro oficial, Oficial Sílvia, retorne ao nosso curso, vá agora em dobra 12,5 precisamos repor o tempo gasto neste treinamento de armamentos.

A USS BRASIL lançou-se espaço afora com seu sistema como que travado na velocidade de dobra 12.5, Silvia havia, por conta própria chegado até 12.8, a nave respondia aos comandos de forma normal, isto já era um novo record de velocidade na frota estelar, e segundo informações técnicas a nave ainda poderia alcançar dobra 14 ou mais.

O resto da viagem transcorreu sem problemas.

- Data estelar 3.2.2.2 - finalmente chegamos á base Alfa II, a nave pousou suavemente em seu hangar naquela base, um posto avançado da Federação, aqui receberemos nossas novas ordens, Primeiro oficial Dênis desligando.

A recepção da nave na base foi cordial e formal, como sempre acontecia nessas ocasiões, o comandante da base, General do ar Armandillo nos deu as boas vindas em nome da Federação e nos indicou que as novas ordens somente seriam passadas no dia seguinte, inesperadamente a tripulação ganhou um dia de folga, algo raro de acontecer, Mecano aproveitou o tempo para dar uma checada em todas as máquinas o jarboriano e Karin ficaram na cantina da base bebendo enormes quantidades de bebida e comendo como um verdadeiro batalhão, quem tivera a idéia de reunir um jarboriano e um shyrtwaniano na mesma tripulação ? Lastra aproveitou para entrar em contato com sua família, a convivência familiar era algo muito arraigado no império Austri, Sílvia ficava na cantina flertando alegremente com os rapazes da base espacial e com membros da tripulação, ah esse juventude, apenas Dênis permaneceu em seu camarote, o primeiro oficial não era muito dado a convivências sociais, por minha vez fiquei com os oficiais da base até 22:00 h, tempo padrão, me recolhendo posteriormente ao meu dormitório, lá coloquei tudo em alerta 01 e recompus minha forma original, não que não gostasse da forma humana, mas para nós anderlechianos sempre era gostoso reassumir nossa forma física original, é claro que essa parte de minha fisiologia não era conhecida de nenhum humano ou povo deste lado da galáxia, sentia saudades de Anderlech, meu mundo natal, mas sabia que dificilmente o veria de novo, afinal 3 milhões de anos luz eram uma distância praticamente impossível de ser vencida pelos antiquados conceitos científicos dos seres deste lado da galáxia, até parecia que tinha sido há pouco tempo que minha nave havia entrado inadvertidamente em um buraco negro, nossos sensores estavam com defeito não conseguimos localiza-lo á tempo, nossa nave era de pesquisas, estávamos há cerca de 1 ano pesquisando este lado da galáxia, nossa nave era experimental, a primeira de meu povo a pular o grande abismo, acho que fui o único sobrevivente, nunca fiquei sabendo de mais nenhum anderlechiano neste setor da galáxia, meu módulo de sobrevivência reduziu minhas necessidades fisiológicas ao mínimo possível, quando aquela nave da Federação me localizou fui desperto pela nave e sondei a mente dos meus salvadores, acabei adotando o padrão físico de uma jovem tenente daquela nave que no momento pensava em seu namorado, meus dotes psíquicos me ajudaram a montar a imagem, a pobre tenente levou um susto quando apareci na frente dela com todo o charme e desenvoltura de seu namorado.

Uma das coisas ruins em ser um anderlechiano é com referência ao tempo de repouso, ficava horas e horas sem Ter nada que fazer, afinal não podia ficar andando para lá e para cá em minha forma original e na forma de Marlon iriam começar a perguntar se o capitão nunca dorme, seria difícil responder a isso sem levantar algum tipo de suspeita, o problema era nos momentos em que meu ciclo de sono se iniciava, quando estava em comando de alguma nave, como poderia explicar que precisava dormir pelo menos 120 horas seguidas?

Mas isso eram preocupações para quando chegasse a hora, no momento me preocupava com todo o mistério que envolvia essa missão, normalmente uma nave sai da doca com um destino certo e uma missão definida, essa aqui era um mistério em cima de outro mistério.

O dia seguinte me encontrou disposto, minha tripulação também parecia disposta e alegre, aquele dia inesperado de folga fez muito bem a todos(as), apenas Karin estava com uma cara não muito amigável, parece que havia perdido para o jarboriano quando começaram a disputar quem bebia mais, não me preocupei com isso, sabia que tanto Karin, quanto o jarboriano possuíam um sistema fisiológico que diluía o excesso de álcool em pouco tempo, àquela hora o excesso já estava diluído na fisiologia destes seres.

Fui chamado á sala do comandante da base, acabei solicitando que Dênis e Sílvia me acompanhassem, afinal eram meus substitutos imediatos.

Ao chegar lá já encontrei o General do Ar Armandillo e seus oficiais mais graduados, as ordens foram enviadas através de psicoholograma, somente a senha especial de Armandillo e a minha juntas conseguiriam abrir o lacre desta mensagem, eram medidas de segurança raras de serem tomadas.

Decodifiquei minha senha, e esperei Armandillo fazer o mesmo, imediatamente a figura do Almirante Porus se apresentou, Porus era comandante supremo da Frota Estelar naquele quadrante, algo muito estranho e talvez até perigoso aguardava meus homens nesta missão.

Porus foi suscinto nas informações, nos deu as ordens que deveriam ser seguidas tanto pela minha tripulação, quanto ao apoio que deveria ser dado pela base, ao sair percebi um misto de temor e desilusão nos olhos de meus dois oficiais, ninguém havia sequer conjecturado que nosso destino era aquele.

Nossa rota - Subquadrante Zeugma, missão, procurar as naves da Federação perdidas naquele setor do espaço.

Capítulo IV - Os Mistério Do Subquadrante Zeugma.

Partimos naquela tarde mesmo, a USS BRASIL capitaneava uma flotilha composta da nossa e mais 04 naves menores, as mesmas ficariam em rota estacionária no início do subquadrante Zeugma, seriam nossa base de apoio em caso de alguma necessidade.

Antes de chegar ao objetivo da missão expus aos oficiais e membros da tripulação qual era a missão e quais as ordens, sempre gostava de deixar os homens e mulheres sob meu comando bem a par da situação, ajudava a manter elevado o moral de todos.

- Bem senhores, as ordens são essas, devemos nos locomover até o subquadrante Zeugma e verificar o que aconteceu com as outras naves enviadas antes da nossa, nossas ordens são de localizar as naves, verificar se há sobreviventes, quais seriam os motivos que impediram a volta destas naves e se há alguma anomalia neste setor do espaço, bom em síntese é isso, alguém quer falar alguma coisa?

- Senhor, oficial Lastra pede permissão para falar.

- Permissão concedida oficial.

- Senhor, segundo relatos que correm na frota o subquadrante Zeugma é conhecido como sendo uma região aonde misteriosamente os meios de comunicação não funcionam, se houver algum problema com nossa nave como conseguiremos alertar a frota que ficara nas imediações senhor.

- Bom oficial Lastra a pergunta somente poderá ser respondida após nossa entrada no setor. Mais alguém ?

- Senhor, Talul pedindo permissão para falar.

- Permissão concedida Talul, desde que fale em um nível que seja suportável pelos ouvidos humanos.

A risada do jarboriano feriu ainda mais os tímpanos de todos.

- Senhor, meu povo desenvolveu um equipamento de rádio que funciona em bases hexadimensionais, eu tenho um aparelho destes em minha bagagem, em caso de alguma falha no equipamento convencional podemos tentar usar este modelo, seu manuseio é fácil, acredito que com poucas instruções a austriana conseguirá operar o equipamento senhor.

- Ótimo Sr. Talul, mais alguma coisa ?

- Sr. Primeiro Oficial Dênis pedindo permissão para falar.

- Permissão concedida primeiro oficial.

- Senhor o subquadrante é conhecido por estar em uma região onde a poeira estelar é encontrada em grande intensidade, pelo menos na região periférica conhecida, isso não pode interferir em nossos equipamentos ?

- Pode Sr. Dênis, mas se for assim invertemos o sistema de navegação para forma manual, essa nave é muito fácil de pilotar e responde rapidamente aos comandos, mesmo sendo manual, acredito que Silvia não teria dificuldades em uma pilotagem manual se necessário.

- Bem senhores, se ninguém tiver mais nada, vamos voltar aos nossos afazeres, temos um trabalho a ser feito, e o faremos.

As naves seguiam em direção ao seu objetivo, por causa das naves que a seguiam a USS BRASIL não podia entrar em dobra superior a 9, as outras naves não conseguiriam segui-la se assim o fizesse.

- Data estelar 3.2.2.3 primeiro oficial Dênis, chegamos á concentração de poeira e gases estelares denominada subquadrante Zeugma, as naves da base Alfa II que nos seguem já estão em órbita em torno de um sol vermelho que existe aqui nas proximidades, estamos preparando a USS BRASIL para entrar nesta região do espaço, não sabemos o que vamos encontrar, mas seja lá o que for as ordens são claras.

- Capitão na ponte.

- Oficial Lastra, como estão os equipamentos de transmissão ?

- Em ordem senhor, estou captando enorme estática.

- Sr. Dênis, velocidade sub dobra, vamos entrar nesta nuvem e descobrir o que está acontecendo.

- Sim senhor, oficial Sílvia, velocidade 0.9 de dobra, vamos entrar.

A nave foi entrando lentamente na grande nuvem de gases e poeira que marcava o início do subquadrante Zeugma, as imagens na tela mostravam apenas um vermelho intenso, ao fundo, era como se tempestades gigantescas estivessem em curso, nossos sensores estavam ligados no máximo da capacidade, o que para uma nave como a USS BRASIL significava um alcance em torno de 50 anos luz, a visão era fantasmagórica.

- Senhor, grande quantidade de energia localizada há 1 ano luz setor 3.4.3.3. origem desconhecida.

- Lastra, algum sinal de comunicação?

- Não senhor, apenas estática.

A nave seguia, continuávamos em subdobra, apesar da enorme quantidade de poeira Silvia controlava a nave com maestria, Lastra ainda conseguia enviar mensagens para as naves de nossa escolta, nada parecia indicar algum perigo imediato, se soubéssemos como estávamos enganados naquele momento.

- Senhor

- Sim oficial Talul

- Meus aparelhos registram uma grande massa de matéria sólida há 02 anos luz daqui, setor 3.3.2.4, parece ser um planeta.

- Um planeta nessa massa de nuvens e gases, confira oficial, nossos cientistas nunca acreditaram na existência de planetas nessa massa gasosa.

- Os aparelhos confirmam senhor, é um planeta, pouco menor que a Terra.

- Oficial Lastra, como estão as comunicações ?

- Ainda consigo enviar mensagens e captar as que a frota de apoio nos envia capitão.

- Oficial Sílvia, siga para as coordenadas 3.3.2.4, velocidade de dobra 1.5, nesta velocidade alcançaremos as coordenadas deste planeta em 05 horas, Lastra informe á frota que vamos investigar esse planeta misterioso.

Conforme nos aproximávamos daquele misterioso planeta as condições de vôo se deterioravam, Sílvia usava todos os aparelhos para poder conduzir a nave, Lastra não desgrudava um segundo de seus cosmoscomunicadores e o gigante jarboriano, Talul, estava indócil, controlando seus aparelhos adaptados, o resto da tripulação mantinha-se apreensiva.

Conforme nos aproximávamos das coordenadas onde Talul havia indicado a presença do misterioso planeta a concentração de gases e poeira aumentava consideravelmente, a tela externa nos mostrava um universo poucas vezes visto, era lindo e ao mesmo tempo pavoroso, as descargas elétricas eram constantes e ameaçadoras, estávamos com os escudos ligados, mas mesmo assim um raio poderia nos atingir, as leituras dos aparelhos indicavam que alguns raios de grande concentração energética passavam a pouco menos de 1 km da nave, espero que não sejamos atingidos.

- Senhor, os aparelhos indicam uma zona estável bem á nossa frente.

- Uma zona estável? Explique sr. Talul.

- Bem senhor, meus aparelhos indicam uma região com pouca poeira e sem descargas elétricas, parece que nosso planeta fica dentro dessa zona de calmaria.

Aquilo era impossível, uma região estável dentro de uma nuvem de poeira como essa que era a Zeugma ?

De repente, lá estávamos entramos em uma região que nos lembrava o cosmos normal, vimos algumas poucas estrelas, e conforme a descrição de Talul, lá estava ele, o planeta misterioso.

- Sr. Estamos recebendo uma tranmissão, ela vem do planeta, com áudio

- Ponha na tela.

O que vimos nos deixou aterrorizados, principalmente a mim, do outro lado da tela um ser parecido com um monstro, saído dos piores pesadelos estava na tela, era enorme, sua pele azul dava um contraste pavoroso com seus olhos vermelhos, somente na cabeça se notava uma vasta cabeleira totalmente branca, a cabeça daquela coisa era parecida com a de Talul, um excrecência em forma de meia lua que saía diretamente do tronco, sem pescoço, parecia possuir três olhos, se percebia que possuía uma força física descomunal, sim não havia dúvidas, eu conhecia aquela raça, em minha galáxia natal, distante 03 milhões de anos luz desta eles não eram nada populares, eram Zrraal, a raça mais odiosa de minha galáxia, eram donos de metade de nossa galáxia e tentavam conquistar o restante. A visão de um zrraal tão longe de seu lugar de origem me deixou apavorado, como essas coisas chegaram aqui?

Alguns sons inarticulados saíram da boca daquela coisa, eu conhecia aquele idioma, mas não teria como explicar isso para a tripulação, não sem Ter de relatar toda a verdade que eu escondia há 300 anos terrestres.

- Ligar tradutora universal, vamos ver se conseguimos entender o que dizem.

- Senhor, outra transmissão está se sobrepondo.

- Lastra ponha na tela rápido.

Um ser humano apareceu na tela, usava o uniforme da frota, tinha insígnias de capitão de astronave, na ponte de comando ficamos estupefatos, ali sem dúvida estava o capitão de uma das naves perdidas nesta região.

- Capitão, permita-me me apresentar, sou o capitão Jean Luc Picard, da USS ENTERPRISE.

Capítulo V - A Zona Morta.

Aquelas palavras deixaram todos atônitos, os registros do cap. Jean Luc Picard remontavam ao século XXIV, como este homem poderia estar vivo, e outra pergunta se sobrepunha, como ou o quê o mesmo estava fazendo neste setor desconhecido do espaço, ainda mais estando ao lado de um zrraal. A transmissão continuou

- Capitão, dou-lhe as boas vindas á estação da Zona Morta, o nome foi traduzido da linguagem zrraal, meio mórbido mas é a tradução literal que encontramos, gostaria de convidá-lo a vir para a base, temos muito o que explicar e conversar.

- Com certeza capitão, passe os dados para o teleporte, vamos aproveitar a hospitalidade de sua estação da Zona Morta.

A transmissão foi cortada, assim como a do zrraal, um mistério de grandes proporções se descortinava perante os nossos olhos.

- Sr. Dênis, Sr. Talul e Sr. Karin, me acompanhem, capitão para teleporter, já receberam o sinal da base ?

- Sim comandante, a sala 22 está com o sinal pronta para teleportar.

- Ótimos, vamos, vamos ver o mistério que se encontra neste planeta.

O teleporter foi normal, como sempre, apenas senti uma ligeira sensação, como se meu corpo estivesse sendo sondado por sondas invisíveis, mas como nenhum tripulante comentou nada fiquei com essa estranha sensação, não confiava nos zrraal, esse povo havia trazido a desgraça para minha galáxia de origem, sua presença aqui somente poderia significar que mais tragédias poderiam se abater sob o povo desta galáxia.

Ao nos materializarmos nos deparamos com aquele homem que se identificou como cap. Jean Luc Picard acompanhado de mais dois homens, um vulcano, as orelhas não negavam e outro que usava o uniforme de médico de bordo, mais ao fundo tínhamos a presença de um zrraal.

- Capitão, permita-me apresentar o Sr. Spock meio vulcano que serve a bordo da Enterprise e aqui o Dr. Mc Koy, médico de bordo.

Aquilo era uma caixa de surpresas, pelo que me lembrava Picard, Spock e Mc Koy eram originários de eras diferentes, o vulcano e o doutor eram do século XXII, e o capitão do século XXIV, como poderiam estar juntos?

- Capitão Picard, sou o capitão Marlon, da USS BRASIL, este é meu oficial de ciências, Dr. Talul e meu primeiro oficial Sr. Dênis, mas me diga capitão, quem é esse ser que se mantém afastado de nós?

- Há capitão, essa raça se autodenomina zrraal, são eles que construíram essa base e também os responsáveis por nossa vida, eles são de uma galáxia distante dessa, 3 milhões de anos luz para ser mais exato.

- Mas capitão, como conseguiram vencer essa distância toda, há quanto tempo estão aqui.

- Há, a curiosidade nata da juventude, muito bem capitão, sabemos que está cheio de perguntas e vai querer diversas respostas, bom gostaria de convidá-lo para um jantar hoje, ás 20:00 h, hora padrão de sua nave, lhe garanto que teremos muitas respostas para suas perguntas, agora se quiser nos acompanhar, vamos mostrar algumas maravilhas desta base, bem como novos companheiros nossos que também se encontram aqui.

Aquilo era incrível demais, uma base zrraal bem nas barbas da federação, eu conversando com personagens da história da frota estelar mortos há um ou mais de um milênio, sim aqui havia uma quantidade de mistérios a ser desvendada que eu nunca encontrara em meus 2.000 anos de vida.

Picard era um anfitrião da melhor estirpe, nos levou em uma bem detalhada visita á base, o espaçoporto da mesma era gigantesco, pude vislumbrar pelo menos 20 naves da federação e outros tanto de naves zrraal estacionadas, e um porta-aviões zrraal também, esse era gigantesco, estava claro que Picard somente nos mostrava os aposentos ocupados por humanos, em toda nossa visita não fomos acompanhados por nenhum zrraal um minuto sequer, nosso oficial de ciências questionou como a atmosfera era mantida, a resposta foi dada pelo vulcano de nome Spock

- É claro que este planeta não é natural daqui, para ser franco este é um meteoro gigante cuja rota foi interceptada por uma nave zrraal e deslocada para cá, estabilizada graças a conceitos tecnológicos que desconhecemos, os zrraal não nos falam muito de sua tecnologia, a zona estável que mantém a atual órbita deste "planeta" é graças a um aparelho que afasta as nuvens e gases, como um campo de força, expulsando as impurezas, graças a isso temos a zona estável que permite manter o planeta.

- Fantástico, nem em Jarbor temos tecnologia semelhante.

O telecomunicador de Picard emitiu sinal, o mesmo ao atender falou na linguagem zrraal, eu possuía alguns conhecimentos desta linguagem, pelo que pude entender a presença do capitão era solicitada na central de comando da base. O capitão se desculpou, e solicitou a Spock que continuasse a nos ciceronear em nossa visita, o vulcano gentilmente continuou nossa pequena excursão.

Algo estava muito errado, mas por mais que fizéssemos perguntas Spock apenas nos relatava para aguardarmos o jantar, nossas perguntas seriam respondidas neste jantar.

Ás 17:00 h, tempo padrão fomos teleportados novamente para nossa nave, a mesma permanecia em rota estreita em torno do planeta, ao chegarmos Sílvia já nos forneceu alguns dados interessantes.

- Capitão, fizemos uma pesquisa, descobrimos que o capitão Jean Luc Piccard faleceu em 2508, aos 122 anos de idade em uma vila nas proximidades de Paris de propriedade de sua família, seu corpo está enterrado no cemitério familiar mantido nesta propriedade, o Dr. Mc. Koy e o Dr. Spock eram tripulantes da USS ENTERPRISE comandada pelo lendário cap. Kirk, século XXII, ambos estão mortos senhor, o Dr. Spock faleceu em seu planeta natal Vulcano, aos 156 anos de idade seus restos repousam na cripta de seus antepassados em Vulcano, o Dr. Mc. Koy faleceu em San Francisco ano de 2203, portanto fica impossível acreditar que eles sejam quem estão falando que são senhor. Outra coisa senhor, Lastra nos informa que as comunicações estão totalmente mudas senhor, mesmo o aparelho que Talul nos cedeu se encontra mudo, Mecano nos informou que temos uma perda de energia, como se a mesma estivesse sendo sugada, e não há nenhum defeito nas máquinas. Senhor, algo muito estranho está acontecendo por aqui.

Me aproximei de minha cadeira na ponte e fiz uma ligação com Mecano.

- Sr. Mecano, a perda de energia permanece

- Sim capitão, minha equipe já revisou toda a nave praticamente, não conseguimos localizar.

- Capitão, nova transmissão do planeta.

A conhecida figura de Picard foi lentamente se destacando na tela.

- Capitão, um pequeno lembrete, os zrraal fazem questão que compareçam no jantar, não tente sair de perto do planeta.

- Malditos, o que estão fazendo com minha nave, a queda de energia, a falha nas comunicações, o que vocês estão fazendo?

- Suas respostas somente poderão ser respondidas no jantar, desligando.

- Capitão, posso pegar alguns homens armados com chasers descer no planeta e acabar com a festa destes malditos.

Dênis se mostrava exaltado, mas achei melhor dar outra solução.

- Calma imediato, fazem muita questão deste jantar, pois bem iremos dar-lhes a honra deste jantar.

Conhecia os zrraal, mas não esses seres parecidos com personalidades históricas da frota, mesmo assim meu plano tinha condições de dar certo, tudo dependeria do jantar.

Ás 20:00 h, tempo padrão eu e minha equipe estávamos no hangar do teleporte 22, por precaução deixei meu imediato á bordo, levei Karin em seu lugar, se houvesse luta, um jarboriano, aliado a um shirtwaniano com meus poderes transmorfo formariam uma equipe muito boa, os zrraal não sabiam com quem estavam lidando, melhor mantê-los na ignorância, pelo menos por enquanto.

Capítulo VI - Desvenda-Se O Mistério.

Ao nos materializarmos, percebi de imediato que estávamos em outro setor da base, na nossa frente Picard, Spock e um zrraal nos aguardavam, novamente fiquei com a sensação de que sondas estavam sendo utilizadas em meu corpo, essa estranha sensação já havia percebido quando da primeira visita a esta base.

- Capitão Marlon, nos siga por favor, espero que o nosso humilde jantar seja de vosso agrado.

Na volta á nave havia lido algo de Picard, um aristocrata e perfeito cavalheiro, seus modos refinados coincidiam com o que encontrara no computador da nave, mas mesmo assim havia algo diferente, com Spock tinha a mesma sensação, o meio vulcano era frio, lógico, não demonstrava emoções, mas minha sensação com relação a esses seres me deixava em alerta, tentei sondar as mentes deles, sem sucesso.

Na sala do jantar havia diversos oficiais da frota estelar, e pela primeira vez desde que chegamos neste mundo pude ver grande concentração de zrraals, a mesa era farta, o jarboriano e o shyrtwaniano se serviram lautamente, o metabolismos desses dois seres era fantástico e exigia grandes quantidades de alimento para serem satisfeitos.

Picard falava apenas de amenidades, as minhas perguntas ainda estavam sem respostas, na sala de jantar haviam duas grandes mesas, em uma ficavam os humanos, os zrraal ficaram em outra, conhecia algo da hierarquia militar deste povo, percebi pelas vestes utilizadas que ali se encontravam altas patentes deste povo, havia pelo menos três com patentes semelhantes ao do generalato da frota, durante todo o lauto banquete nada do que queríamos saber foi respondido.

Finalmente Picard ergue uma taça e pede para brindarmos.

- Capitão, se me permite brindaremos ao quê ?

A pergunta de shyrtwaniano desta vez não ficou sem resposta.

- Brindemos á anexação da Federação ao império Zrraal.

- Que brincadeira é esta Picard?

- Suas perguntas serão respondidas capitão, preste atenção no holograma que será exibido agora.

A sala imediatamente ficou na penumbra e um gigantesco holograma foi sendo exibido bem no centro.

Era uma história, a história do império Zrraal, desde seu início, coisa de 5.000 anos atrás, mostrava as conquistas tecnológicas e militares deste povo, mostrava a felicidade ( falsa ) de outras civilizações e povos que tiveram sua independência ceifada por este povo, e do orgulho ( também falso ) destes povos de agora fazerem parte do império Zrraal.

O holograma foi descrevendo uma história montada, nela os zrraal pareciam como salvadores e bem feitores dos povos conquistados, não se mostrava a violência de um estado militar nem o extermínio em massa de dissidentes.

A longa exposição finalmente chegou á parte que nos interessava, mostrou a captura de um gigantesco meteoro por naves especiais dos zrraals, este meteoro foi capturado por meio de raios tratores especialmente desenvolvidos para esse fim, mostrou também como os zrraals chegaram á nossa galáxia, um novo sistema de propulsão havia permitido a esse povo vencer a gigantesca distância de 03 anos luz em menos de 01 ano, realmente a ciência deles era fantástica, minha nave havia demorado 03 anos para vencer essa distância, o sub-quadrante Zeugma foi uma escolha natural, afinal não fora ainda explorado pelos povos desta galáxia, a concentração de nuvens e gases foi solucionada com um aparelho que simulava um campo de força, mas diferente dos campos de força convencionais esse conseguia "limpar" a área em volta de quaisquer tipos de impureza, com isso se conseguia uma zona estável no meio da poeira , depois foi só colocar o meteoro capturado no centro da zona estável que fora criada, a estabilização da rota deste novo "planeta" fora conseguida por intermédio de gigantescos geradores que estabilizavam mesma.

Pelo que pudemos observar a base já tinha mais de 100 anos, um fluxo regular de naves chegava e partia constantemente, eles estavam aumentando sua base.

O holograma fecha com uma visão da base e o símbolo do império, um breve silêncio fecha a exposição.

- Cap. Picard, se me permite, como sabe que a Federação aceitará o domínio destes zrraals, como sabe os povos deste lado da galáxia prezam muito sua liberdade e independência, a própria Federação foi criada para manter uma união de povos livres, e não de povos escravos.

- Capitão, os povos desta galáxia não terão opção, ou se colocam sob nossa tutela ou serão esmagados como insetos.

- Se me permite Picard, você também é humano, ou estarei enganado? Pelo que consta nos arquivos da Federação, sua tripulação passou por enormes dificuldades para manter a paz e a ordem nesta galáxia, seus homens concordam em se submeter a essa raça alienígena?

Não percebemos a aproximação de um zrraal, pelas insígnias que usava devia ser o comandante da base.

- Permita-me esclarecer cap. Marlon.

O mesmo falou em intergalático, a linguagem universal de nossa galáxia, havia sido implementada em 2900, os vulcanos haviam chegado á conclusão de que a comunicação entre os povos da galáxia carecia de uma linguagem comum a todos , seus estudos haviam levado ao desenvolvimento desta linguagem que fora universalmente aceita.

- Sou o comandante desta base, meu nome em sua língua é impronunciável, nossas línguas possuem raízes fonéticas diferentes, para efeito de identificação me chame simplesmente de zrraal 1.

- Pois não zrraal 1, sou todo ouvidos.

- Capitão, pôde perceber que em nosso espaçoporto possuímos 20 naves da federação, e sua civilização há muito conhece os processos de clonagem, bem todos os povos seguem seus líderes, esse é um padrão universal, no caso de seus líderes aceitarem nosso domínio não acreditamos em resistência.

- Clonagem, então é isso, esses terranos que se encontram nesta base não passam de clones, bem feitos, vocês pretendem enviar esses clones de volta para a galáxia e substituir nossos dirigentes , por isso que vemos aqui homens mortos há mais de um milênio, aproveitaram os dados constantes nos computadores das naves que capturaram para desenvolver clones.

- Sua astúcia me impressiona capitão, sim, pegamos as 20 tripulações das naves para nossos estudos, desenvolvemos o processo de clonagem, aproveitando para clonar personalidades históricas, como pode ver obtivemos êxito, quando clonarmos sua tripulação e a enviarmos de volta ao seio da Federação não há como duvidar de nosso êxito.

- Capitão para USS BRASIL, nos tire daqui.

- Eh, eh, eh, capitão, você me espanta, acha mesmo que conseguiria se evadir daqui? Sua nave está apenas com os suportes de vida funcionando, nossos aparelhos cuidam de drenar sua energia, sua única saída daqui será para o aparelho de clonagem, peguem-nos.

Neste momento minha escolha em meus acompanhantes revelou-se correta, o jarboriano imediatamente modificou sua estrutura molecular e se lançou em minha direção, destruindo tudo e todos em sua passagem, não havia como se deter um jarboriano neste estado, Karin tirou seu chaser e atirando em semicírculo derrubou um sem número de clones, os zrraals tentaram se aproximar, somente colheram retumbante derrota, mesmo um zrraal não era páreo para um jarboriano, peguei meu chaser e derrubei mais três clones que se aproximavam.

- Vamos para a sala de teleporter.

O jarboriano foi na frente abrindo caminho, nada poderia detê-lo, o shyrtwaniano compunha a retaguarda atirando em tudo que se mexia, tentei entrar em contato com a nave.

- Sílvia, nos tire daqui, rápido.

- Impossível capitão, a energia que possuímos apenas mantém o sistema de manutenção de vida, Mecano não conseguiu descobrir o que está drenando nossa energia.

- Mande ele desviar a ligação dos geradores, inverta e concentre a energia para os sistemas principais.

- Um momento capitão.

Nosso avanço para a sala de teleporte foi detido por um comando zrraal, eles havia construído uma barreira no acesso e possuíam armas pesadas, o jarboriano absorvia o impacto dos disparos e continuava avançando, meu temor de que um ataque concentrado de diversas armas pudesse afetar a Talul foi lentamente se dissipando, eu e Karin mantínhamos uma situação desesperadora na retaguarda, de todos os lados surgiam clones e zrraals com armamentos pesados, finalmente Talul conseguiu destroçar a barreira e pudemos avançar.

- Capitão, Mecano conseguiu, iniciando processo de teleportação.

No exato momento em que sentimos o comichão característico de uma teleportação uma plataforma antigravitacional dos zrraals com um potente canhão transformador aparecia para nos pulverizar, quando finalmente fomos transportados o tiro não nos pegou por apenas 01 segundo.

Capítulo VII - Marlon Em Ação.

Ao rematerializarmos na nave imediatamente a mesma foi violentamente sacudida, estavam atirando em nós, me dirigi á sala de comando, ao entrar o caos estava á solta, Dênis havia caído e um forte filete de sangue escorria do mesmo. Sílvia estava em minha cadeira gritando ordens para todos.

- Karin, veja como estão os armamentos, dispare os foguetes e tudo que tivermos em direção a essa base. Lastra, tente entrar em contato com as naves da escolta.

- Mecano falando senhor, consegui inverter todas as transmissões de energia, mas os escudos estão apenas a 50% de seu potencial.

Neste momento mais um violento baque sacudiu a nave.

- Senhor transmissão da base alienígena

- Ponha na tela

A figura inconfundível de zrraal 1 apareceu na tela.

- Ah, capitão, pare com seus esforços, é questão de minutos para revertemos nossas máquinas e drenarmos sua energia novamente, ou se entregue pacificamente ou adiaremos nossos planos e destruiremos sua nave, ou se preferir posso mandar comandos e tomar a nave, poupe seus homens capitão.

Nossa situação era desesperadora, sem comunicações com nossa frota de apoio e com o perigo de termos nossa energia drenada novamente não havia como fazer frente aos zrraal, neste momento o jarboriano teve uma idéia que poderia dar certo.

- Capitão, se tivermos energia para entrar em dobra podemos sair deste inferno, precisaremos desligar os escudos e reduzir o sistema de suporte de vida para 30%, chance de sucesso 35%.

- Mecano, siga as instruções de Talul.

Mais um baque na nave, a violência foi tão grande que até o gigantesco Talul foi ao chão.

- Karin, como estão os foguetes?

- Sem energia senhor, quanto aos chasers também não temos como disparar.

Visualizei novamente o zrraal 1, esse mantinha em seu rosto(?), o que seria similar a um sorriso terrano.

- Desista capitão, não há como escapar.

Olhei em volta, aqueles homens, mulheres e alienígenas estavam com a vida por um fio, tinha minha responsabilidade para com eles, não adiantava sacrificar suas vidas em vão.

- Ok zrraal 1, nos entregamos

Olhei os olhos desanimados de minha tripulação, a excelente idéia de Talul precisava de tempo para ser posta em prática e tempo era algo que não tínhamos neste momento, estava com um plano se desenhando em minha cabeça, afinal para que serve um transmorfo?

- Zrraal 1, diga suas exigências.

- Pouse a nave no espaçoporto, lá terão novas orientações, não tente nada capitão já colocamos 10 naves no ar para evitar que tenha algum pensamento inútil.

- Não tentaremos nada zrraal.

- Sílvia, pouse a nave no espaçoporto da base zrraal.

Nosso pouso foi perfeito, imediatamente fomos recebidos por clones e zrraals armados que nos renderam e se apossaram da nave, toda a tripulação foi algemada e conduzida para um prédio que se assemelhava a uma prisão. O Jarboriano foi colocado em um estado de letargia por intermédio de um clone com uniforme de médico, eu fui levado para outro local, acho que o zrraal 1 queria falar comigo.

Resolvi colocar meu plano em ação, como estava sendo escoltado apenas por dois clones e um zrraal não teria dificuldades, usando minhas capacidades transmorfas assumi as feições de um jarboriano, com facilidade quebrei as algemas e ataquei os guardas, estes foram tomados por uma surpresa tão grande que não conseguiram chamar reforços e nem tiveram tempo de usar suas armas, matei os três com as próprias mãos em uma luta rápida, escondi os corpos o melhor que pude e assumi as feições do zrraal 1, como este mesmo tinha dito, o povo segue seus líderes.

Perdi alguns momentos me orientando, aquela base era gigantesca mesmo, mas logo me dirigi a umas construções que me pareceram ser o centro de comando, se conseguisse destruir o aparelho que sugava a energia da nave libertaria minha tripulação e daríamos o fora deste inferno.

No caminho cruzei com outros clones e outros zrraal, todos me cumprimentaram respeitosamente, minhas capacidades transmorfas me permitiam um disfarce perfeito, somente esperava não encontrar o verdadeiro zrraal 1 no caminho.

Ao entrar naquelas construções procurei uma central de informações eletrônica, conhecia aquele aparelho dos zrraal, ao colocar minha mão no aparelho este confirmou minha identidade como sendo a mesma do zrraal 1, ali consegui saber que a sala em que ficava o aparelho que drenava a energia da nave localizava-se perto do local aonde eram feitos os clones.

Era um plano arriscado, atacaria a central de comando daquela máquina como um jarboriano, quando tivesse destruído a mesma iria tentar destruir a sala de clones, não sem antes tentar saber quem já havia sido clonado, com meu cérebro programador em atividade não teria dificuldades em armazenar estes dados, nada me tirava da cabeça que altas autoridades de nossa galáxia já poderiam Ter sido substituídos por clones leais aos zrraals.

Finalmente me vi em frente á sala que procurava, como não havia ninguém no corredor reassumi a forma do jarboriano e entrei como um foguete, o primeiro zrraal que me viu nem teve tempo de acionar o alarme com as mãos destrocei rapidamente o infeliz, avançando em alta velocidade, como não sabia qual daquele emaranhado de máquinas poderia ser a que procurava resolvi destruir tudo, nessa forma não teria dificuldades de destruir as máquinas com as próprias mãos, a resistência dos clones e zrraals daquela sala eliminei em poucos segundos e iniciei a destruição.

É lógico que o alarme automático soou tão logo destruí o primeiro console, mas os corredores daquele setor estavam vazios, demorariam um pouco até chegarem ali, tempo suficiente para completar minha obra.

As destruir a última máquina, um autêntico pelotão de zrraals com armamentos pesados entrou pelas portas da sala atirando em todas as direções, consegui absorver os impactos e fiz uma saída para mim, me coloquei sob os braços de corrida utilizados pelos jarborianos e fui em velocidade alucinante ao encontro daquele pelotão, consegui derrubar a todos, sumindo rapidamente pelos corredores, quando me vi em relativa segurança assumi novamente a forma do zrraal 1, bem na hora, um novo comando surgiu no corredor á minha esquerda, imediatamente dei ordens para que fossem para a casa das máquinas pois o jarboriano tinha se libertado e estava encurralado naquele setor, sem questionar minhas ordens o comandante daqueles seres imediatamente deu suas ordens e se dirigiu para a destruída sala das máquinas, ganhei mais alguns segundos com isso, meu novo alvo era a sala de clonagem e me dirigi para lá rapidamente.

No caminho encontrei novos comandos e a todos mandei se dirigirem para a sala de máquinas, finalmente achei a sala, meus conhecimentos da linguagem zrraal me ajudaram sobremaneira, entrei na sala, por incrível que pareça a mesma se encontrava vazia, visualizei aqueles enormes aparelhos tentando adivinhar como funcionavam, mas desisti, a tecnologia zrraal realmente era complexa demais e muito avançada, finalmente consegui visualizar o que me levara até aquela sala, um terminal de computador zrraal, assumi a forma de um biotrônico, eram seres da minha galáxia com algumas características em comum com os borgs, ou seja eram um misto de máquinas com seres biológicos, nesta forma consegui me conectar ao terminal e absorver as informações ali contidas, meu cérebro suplementar programador sintetizaria esses dados, posteriormente poderia colocar isso em algum terminal da Federação, mas no momento este era o menor de meus problemas, um cientista zrraal adentrou-se á sala e imediatamente acionou o alarme, como já havia absorvido as informações que desejava, me transformei novamente em um jarboriano e iniciei a destruição daquelas máquinas, o cientista havia fugido, decerto fora chamar as forças de segurança da base.

A destruição das máquinas foi rápida, naquela forma acabei indo novamente para o corredor, o mesmo ainda se encontrava vazio, mas já escutava os passos fortes e apressados de um pelotão inteiro, imediatamente reassumi a forma do zrraal 1, resolvi que comandaria a busca daquele pelotão, ao me vislumbrarem percebi algo errado, o chefe do pelotão confabulou em voz baixa com um dos clones e imediatamente me vi sob fogo cerrado dos zrraal, de alguma forma meu disfarce havia sido descoberto.

Corri de encontro aquela muralha de zrraals e clones, já sob a forma do jarboriano, ao ultrapassar esse obstáculo qual não foi minha surpresa ao me deparar com diversas plataformas antigravitacionais comandadas diretamente pelo zrraal 1, por isso meu disfarce fora descoberto, encurralado tomei uma decisão meio que suicida, afinal o poder de duplicação natural em minha raça somente podia ser usado com muito cuidado, duplicações demais exigiam muita energia vital e eu poderia morrer se utilizasse esse poder em demasia, me concentrei, esperando que a forma do jarboriano conseguisse resistir tempo suficiente para completar o processo, por sorte consegui, ao se depararem com dois jarborianos o comando inimigo assustou-se consegui aproveitar esse momento de distração e furar o bloqueio, fui diretamente para a saída que dava no espaçoporto, eu e minha cópia ainda tivemos de enfrentar alguns clones que apareceram no caminho, mas nada que pudesse ser impecilho, queria me deslocar para a sala onde minha tripulação era mantida prisioneira.

Capítulo VIII - O Grande Denis.

Aquela sucessão de explosões e a correria que se seguiu somente poderia significar que alguma anormalidade estava ocorrendo na base, percebi que todos os clones correram em direção á saída e que somente zrraals permaneciam na nossa vigilância, a tripulação estava em bom estado Sílvia e Lastra tinham ferimentos leves, causados pelos choques que a nave havia levado, Karin permanecia silencioso, Mecano observava com certo interesse o sistema que nos mantinha prisioneiros naquela sela, apenas Talul não se encontrava na mesma sala, pelo que pudemos perceber o jarboriano fora colocado sob fortes sedativos, a base não tinha uma prisão apropriada que pudesse deter esse ser, como alternativa os zrraals haviam se utlizado deste subterfúgio como maneira de deter Talul.

Bom, quanto ao capitão não sabemos o que é feito dele, mas como oficial em comando é meu dever se preocupar primeiro com a tripulação, tinha um plano, decerto aqueles zrraals não conheciam corretamente as maneiras e modos de agir dos seres desta galáxia, tentaria usar este fato como um fator a nosso favor. Expus meu plano para os oficiais, apesar do fator de perigo implícito no mesmo todos acabaram concordando, o plano era simples, eu e Mecano simularíamos uma luta, quando os zrraals entrassem na sela para nos apartar dominaríamos estes e tentaríamos ganhar a liberdade, apesar do disparate de forças entre humanos e zrraals tínhamos o shyrtwaniano ao nosso lado, a força física deste ser somente era superada pelo jarboriano.

Eu e Mecano iniciamos nossa simulação de luta, nossas duas tripulantes iniciaram uma série de gritos tentando chamar a atenção de nossos captores

- Socorro, separem aqui.....socorro

A voz forte e possante era de Lastra, quem diria que uma jovem tão delicada poderia gritar tanto? Sílvia não ficava atrás seus gritos eram bem visíveis.

Na simulação de minha luta com Mecano estava levando a pior o mecarnoniano era bem mais forte do que eu, em um combate verdadeiro não teria menor chance, ainda mais que a parte máquina de Mecano dava-lhe uma força similar até á do shyrtwaniano.

A figura de um zrraal surgiu em frente á saída da cela, olhando o que estava acontecendo, Sílvia e Lastra gritavam sem parar, talvez isso aliado ao fato de eu estar ensanguentado ( eu ainda não havia conseguido limpar o sangue que escorrera de meu rosto quando do ataque á nossa nave ) fez crer ao zrraals que nossa luta era para valer, vi de relance quando o alienígena mexeu nos comandos que abriam a grade energética, após a abertura dessa dois guardar vieram em minha direção no intuito de apartar aquela briga, bem era agora ou nunca.

- Karin, Mecano, agora.

Sob as minhas ordens o shrtwaniano rapidamente se atracou com os dois guardas, Mecano saiu da sala colocando o outro fora de combate, me surpreendi com a força que este possuía, por sorte somente havia três guardas ali, as explosões que ouvíamos ao longe nos deu uma ligeira razão para supor que algo muito errado acontecia na base naquele momento.

Uma vez livres de nossa sela Mecano estudou por alguns segundos os aparelhos em volta e descobriu quais eram as chaves que liberavam as grades de energia que prendiam nossa tripulação, em pouco tempo todos estavam libertos, bem tinhamos duas opções agora, uma seria tentar a todo custo chegar na nave e decolar daquele local, mas para isso teríamos de sacrificar o jarboriano e nosso capitão, de outro lado se não aproveitássemos da confusão que reinava na base naquele momento poderíamos não Ter outra oportunidade tão concreta de nos libertar.

Mecano neste momento me impressionou, o mercaniano, usando sua parte máquina plugara-se em um terminal de computador e estava absorvendo os dados deste.

- Sr. Dênis, acabei de descobrir que dois jarborianos estão fazendo um grande estrago na base, além disso há um arsenal dos clones na sala ao lado, podemos armar nossos homens e tentar chegar até a nave.

Dois jarborianos? Bem não tinha tempo de pensar nisso agora, dei ordens para que Sílvia, Lastra e Karin conduzissem um grupo para pegar armas no arsenal, e para Mecano instruí que conseguisse localizar Talul, se dois jarborianos já deixavam a base em polvorosa tentei pensar como se sairiam com três.

Mecano acabou conseguindo localizar Talul, o jarboriano estava em uma sala alguns andares acima de onde estávamos, na confusão em que se encontrava a base acreditei que valia a pena o risco. Nos deslocamos até o primeiro túnel de elevação que encontramos, aquele setor da base estava realmente deserto, todos os clones e zrraals deviam Ter sido convocados para o combate com aqueles misteriosos jarborianos, aproveitando deste estado de coisas não demoramos muito para encontrar Talul, o mesmo estava em uma grade de contenção energética e ainda se encontrava sob efeito de sedativos, a grade foi facilmente desligada por Mecano, agora precisávamos dar um jeito de colocar Talul novamente em forma, pena que nosso médico de bordo não estivesse conosco, mas a sorte costuma ajudar um pouco as vezes, livre das amarras energéticas que o mantinham preso Talul deu mostras de que estava recobrando a consciência um acaso feliz.

Mecano permanecia ligado a um terminal e enquanto aguardávamos Talul se recuperar totalmente, me transmitia as informações, os misteriosos jarborianos faziam um belo estrago na base, mas por outro lado nossa tripulação fora descoberta e estava cercada no arsenal dos clones, resistiam bravamente, mas as plataformas antigravitacionais dos zrraals os mantinham sob cerco feroz.

- Senhor, obrigado pela ajuda.

Finalmente Talul estava em forma novamente, me comuniquei com Sílvia, querendo saber a situação do momento.

- Estamos em um impasse senhor, não conseguimos sair do arsenal, mas os malditos também não se arriscam a vir até aqui, espere, chegou um pelotão de clones, aquele falso Picard está comandando estes, estão mirando um canhão transformador para cá.

Nem sei direito o que aconteceu depois, Talul com sua estrutura celular já modificada indo em direção ás tropas que cercavam nossa tripulação, Mecano me informou que se furássemos o cerco o caminho para a USS BRASIL estava livre, pois todas as tropas disponíveis davam caça aos estranhos jarborianos, era nossa chance, não havia como procurar o capitão, teríamos de tentar nos lançar ao espaço sem ele.

Corremos, eu e Mecano, em direção ao arsenal, Talul havia chegado e destroçava as plataformas dos zrraals e dos clones, isso aliado ao fogo de barragem da tripulação fazia com que ganhássemos terreno em nosso esforço de chegar até a nave. A conexão de Mecano com o terminal havia nos trazido uma informação muito importante, o maldito aparelho que sugara as energias de nossa naves estava destruído portanto se chegássemos nela poderíamos partir deste inferno.

Não conseguíramos informações do capitão Marlon, ao chegarmos no arsenal pudemos ver que as forças de clones e dos zrraals fugiam do ataque insano do jarboriano, abrindo caminho para nossos homens.

- Karin, pegue algumas bombas, vamos ver se conseguimos destruir algumas naves.

Mesmo que alcançássemos o espaço aqueles malditos tinham um bela frota para nos perseguir, meu maior receio era aquela nave gigantesca que estava estacionada perto da USS BRASIL, enquanto Talul e a tripulação já devidamente armada abriam caminho instruí Karin a tentar colocar algumas minas naquele gigante e também em algumas naves próximas, estávamos quase alcançando a comporta da nave quando do nada apareceram os dois jarborianos que tanto estrago estavam fazendo, sem que dissesse nada um destes pegou algumas minas que estavam com Karin e foi cuidar de colocar nas naves próximas, as tropas zrraals e dos clones não sabiam direito o que fazer pois três jarborianos era demais para se enfrentar, por sorte eles estavam do nosso lado.

Não sabia ainda que aqueles dois seres na realidade eram nosso capitão.

Capítulo IX - A Dúvida De Marlon.

Minha duplicata e o jarboriano haviam colocado minas em diversas naves daquelas estacionadas no espaçoporto, eu por minha vez estava me dirigindo para o gigantesco porta-aviões zrraal, um gigantesco fogo de barragem tentava impedir que me aproximasse, os malditos estavam usando equipamento pesado na tentativa de nos deter, minha estrutura orgânica estava extremamente dura, não fosse isso não conseguiria resistir ao fogo concentrado que me dirigiam, quando a situação parecia quase perdida Talul apareceu por trás dos malditos espalhando a destruição, finalmente consegui espalhar as minas que roubáramos dos clones em volta do porta-aviões e saí em disparada, neste momento os primeiros membros da tripulação chegavam as portas da nossa nave que se encontravam abertas, o combate era terrível, pelo menos 30 membros de minha gente já havia perecido nos combates, somente o fato de estarmos lutando com três jarborianos de nosso lado é que nos dava alguma chance, neste instante visualizei uma grande concentração de plataformas antigravitacionais que vinham em nossa direção, exatamente do lado do porta-aviões, mesmo na forma do jarboriano sabia que não conseguiríamos enfrentar tal quantidade de inimigos, quando as tropas dos clones e zrraals se aglutinaram o acaso veio em nosso auxílio, um tripulante de minha nave acertou um tiro em cheio em uma das minas adiantando a explosão daquele monstro, a violência da explosão detonou outras minas e um verdadeiro inferno foi desencadeado no espaçoporto, infelizmente muitos de meus tripulantes pereceram na explosão, mas o caminho para a USS BRASIL estava finalmente livre, aqueles que ainda não haviam conseguido chegar até a nave correram como nunca aproveitando o caos formado em volta, as explosões se sucediam de maneira incrível e violenta.

Foi quando vi um milagre, ali, naquele emaranhado de explosões e destroços estava intacta uma nave anderlechiana, uma nave para dez tripulantes, equipada com o mesmo sistema de conversores que possibilitaram á minha nave de pesquisa a viagem de três milhões de anos luz para cá, uma chance de voltar para minha casa, somente o ruído ensurdecedor das explosões que continuavam me trouxe de volta á realidade, se conseguisse alcançar aquela nave poderia voltar para Anderlech em três anos, telepaticamente enviei ordens para minha duplicata abrir caminho até aquela nave, meus tripulantes haviam aproveitado a grande confusão reinante entre clones e zrraals e conseguiram entrar na nave, Talul também entrara na mesma, ou seja apenas eu e minha duplicata ainda estávamos do lado de fora, neste momento teria sido fácil voltar á minha forma de Marlon e entrar correndo na nave, a mesma ainda estava sendo colocada em condições de vôo, mas Karin já ligara os sistemas de defesa e mesmo em terra fustigava a base zrraal com os canhões de chasers, mas aquela nave anderlechiana estava ali, ao meu alcançe, voltar para meu querido Anderlech após 300 anos de ausência era uma chance talvez única que o destino me oferecera em todos estes anos, finalmente me decidi, fui decidido na direção daquela nave, esmagando os poucos clones que tentaram opor alguma resistência, telepaticamente instruí minha duplicata a se dirigir para ela também, no espaçoporto haviam restado poucas naves intatas, mesmo estas eram as da Frota Estelar que estavam dadas como desaparecidas, por sorte conseguíramos destruir todas as naves dos zrraals, era claro que estes malditos iriam tentar interceptar a USS BRASIL na confusão de poeira que caracterizava Zeugma, sem mais resistências cheguei finalmente na nave Anderlechiana, ao entrar os dois zrraals que estavam na nave tentaram me impedir, seu fim foi rápido e doloroso, a duplicata estava fechando a retaguarda mas não encontrava oposição, aparentemente a destruição das naves e o início da fuga da USS BRASIL deixaram nossos inimigos totalmente desorientados, quando minha duplicata entrou fechei as comportas e recolhi a mesma, pela primeira vez em séculos assumi a forma anderlechiana no comando de uma nave, os controles eram os mesmos iguais, aos que estava acostumado, com simplicidade ergui-a do solo, no mesmo instante que Dênis e Sílvia conseguiam decolar com a USS BRASIL e sua tripulação, resolvi acompanhar a nave, deixamos atrás um inferno de caos e destruição, parecia que ninguém conseguiria nos impedir, tinha certeza que com o relatório de Dênis a Frota iria tomar providências para ocupar essa base e ficariam alertas contra o perigo destes malditos zrraals.

Sempre acompanhando a nave alcançamos em poucos minutos o espaço que denomináramos zona morta, a região livre de poeira que havia em volta daquele asteróide gigante que os zrraals haviam transformado em planeta e construído sua base, meu cosmoscomunicador se acionou e pude escutar a voz de Lastra.

- Nave desconhecida se identifique ou seremos obrigados a abrir fogo.

Deuses com certeza eles abririam fogo, enviei uma mensagem simples e condensada na mesma freqüência da frota.

- Não se preocupem comigo, aproveitei a confusão que vocês causaram para escapar também, não sou desta galáxia, voltarei para casa.

É claro que enviei a mensagem sem acionar o contato visual, neste momento uma tremenda onda atingiu a USS BRASIL fazendo-a balançar perigosamente, pude perceber que 05 naves da frota haviam alçado vôo da base zrraal e estavam atirando na nave, somente atiravam na nave terrana, a minha não era atingida.

Por sorte os escudos da USS BRASIL eram tríplices, poderiam agüentar por alguns momentos o fogo das cinco naves adversárias, escutei pela freqüência aberta a possante voz de Picard exigindo a rendição incondicional da nave sob pena da mesma ser destruída, então Zrraal 1 usava os clones para pilotar a nave da Federação, malditos, nova descarga dos clones atingiu meus companheiros, desta vez o fogo concentrado quase vence os escudos.

A resposta foi imediata, pude ver que os canhões chasers começaram seu trabalho de destuição, Karin aparentemente atirava em todas as direções, a nave dos clones que se encontrava mais próxima explodiu em uma fantástica profusão de cores, mas enquanto destruía esta novos tiros atingiram os escudos.

Como estava na freqüência da frota acompanhava as conversas entre meus subordinados.

- Senhor, escudos reduzidos a 50%.

- Karin, dispare com tudo que tiver, Sílvia nos tire deste inferno.

Foi quando aconteceu, se materializando diretamente do sub-espaço surgiu uma enorme nave de combate zrraal, não poderia haver momento pior para ela aparecer, a Segunda nave dos clones explodiu sob um fogo concentrado dos chasers de Karin, contra as naves da Federação a USS BRASIL poderia se sair bem, mas mesmo ela não teria chance contra a nave zrraal, a mesma se dirigia para a base, talvez houvesse tempo de escapar ainda.

As naves dos clones mudaram sua tática, as três restantes fizeram uma formação bombardeando em um ponto único, usando tudo que tinham, pelos comunicadores escutei as dificuldades de minha gente.

- Sr Dênis, escudos há 40%, se este bombardeiro continuar vamos perder todos os escudos.

- Karin envie alguns foguetes contra aquelas coisas, vamos mostrar do que somos capazes.

- Silvia, dobra 2 nos tire de perto desta base.

A explosão da mais duas naves dos clones confirmou que Karin estava utilizando os torpedos multifotônicos, uma novidade em armamento na frota, seu poder de destruição era pelo menos 20 vezes superior ao dos torpedos fotônicos até então em uso pelas naves da frota, a nave fugia para a aglomeração de poeira que caracterizava o subquadrante Zeugma, sendo perseguida pela última nave dos clones, pelo jeito a nave zrraal não iria se juntar aos combatentes, com isso na mente comecei a programar o computador de bordo para a rota que me levaria para fora daquela confusão, pensei que os terranos estariam nesta altura se dirigindo na velocidade máxima permitida naquelas condições para longe dali.

Por via das dúvidas liguei os sensores da nave em que estava e descobri o rumo tomado pela nave terrana, me dirigi em velocidade para a mesma rota, se havia alguém que poderia sair daquilo era Sílvia, e eu logicamente aproveitaria a "carona".

Capítulo X - Duelo De Titãs.

Diário do Primeiro Oficial, conseguimos escapar daquele inferno, agora estamos dependendo de Sílvia para nos tirar desta regão, infelizmente não conseguimos localizar o capitão, deve estar preso na base dos zrraals, duas naves ainda nos seguem, uma é a última da frota dos clones, mas nesta profusão de poeira e partículas deve Ter perdido nossa rota, não identificamos a outra pequena que se encontra em nossos calcanhares , é incrível como consegue nos acompanhar nesta região, neste momento não temos tempo para investigar esse estranho, deve ser algum prisioneiro que conseguiu escapar da base inimiga no meio da confusão que fizemos.

Sílvia pilota com precisão, em nossa fuga não tivemos tempo de voltar pelo caminho pelo qual viemos, mas confiava que acharíamos a saída, nas telas óticas somente conseguíamos ver um espaço avermelhado, bem característico das regiões muito empoeiradas, Talul estava com Mecano na casa de máquinas, Karin permanecia grudado em seus controles de armamentos e Lastra tentava, até agora em vão contatar as 04 naves da base Alfa II que nos acompanharam até a entrada deste maldito lugar.

- Lastra, conseguiu algum contato

- Nada senhor, somente estática.

- Algum comunicado da pequena nave que nos acompanha?

- Não, ou também não consegue se comunicar ou não está interessada em manter contato, pelo menos não se demonstra hostil.

- Silvia vamos conseguir sair deste inferno?

- Saímos em coordenadas diferentes daquela que entramos, estou procurando me orientar melhor, acho que teremos algum trabalho para sair daqui.

- Sr. Talul, aonde está seu hipercomunicador, o mesmo conseguirá vencer a estática atual?

- Vou á minha cabine pegar o aparelho senhor.

- Seja rápido Talul, precisamos informar á Frota o mais rápido possível o que está acontecendo aqui.

- Sr. Comunicado da misteriosa nave que nos segue.

- Com visual?

- Não, apenas sonora.

- O que diz esse misterioso?

- Apenas nos alerta que uma nave dos clones ainda se encontra nas proximidades, também alerta que uma nave de combate dos zrraals pousou na base antes de sairmos das imediações da base, já desligou.

Bem, nosso misterioso acompanhante não queria se identificar....

- Sr, eis o meu hipercomunicador especial, vou ligar na aparelhagem de bordo, vamos ver se conseguimos algum contato com as naves de Alfa II.

- Ótimo, Lastra acompanhe Talul, precisamos de algum contato externo.

Talul efetuou as ligações e comutações necessárias, em pouco tempo seu aparelho estava operacional, Lastra acompanhava atentamente as instruções de funcionamento do aparelho, era nossa última chance de contato, neste momento nossa nave foi violentamente balançada, algo nos atingira.

- O que é isso?

- Um disparo de plasma direto senhor, capacidade superior ao das naves da frota, não deve ser a nave dos clones.

Novo impacto.

- Capacidade dos escudos reduzida para 30%.

- Sílvia nos tire daqui...

Novo impacto direto, nossos escudos foram exigidos em sua capacidade máxima, seja lá o que for que nos atingia era dotado de um poder de fogo tremendo.

- Karin responda ao fogo, o que está esperando.

O shyrtwaniano neste momento parecia um autônomo, disparava nossos chasers e os torpedos entraram em ação, pelos sensores Karin havia conseguido determinar a direção dos disparos que nos atingiam e revidava com todo o poder de fogo que dispunhamos.

- Senhor, uma transmissão da nave que nos ataca, são os zrraals.

- Ponha na tela.

- Aqui é o zrraal 1 retornem á base ou se preparem para serem destruídos, sua nave não pode resistir muito tempo.

- Pois venha atrás de nós seu desgraçado.

- Sílvia, dobra 12

- Senhor, mal estamos conseguindo manobrar em dobra 2 quanto mais em dobra 12.

Novo impacto...nossos escudos ultrapassaram sua capacidade tomando energia de outros sistemas para absorver a tremenda descarga de energia que nos atingira.

- Dobra 12 Sílvia, se não escaparmos daqui imediatamente não sobreviveremos muito tempo.

- Impacto direto senhor, meus torpedos atingiram os malditos.

Enquanto isso na nave Anderlechiana

****

Meus sensores captaram o gigante zrraal bem no momento em que a mesma lançava um devastador ataque contra a USS BRASIL, os canhões de plasma concentrado dos malditos por pouco não penetrou os escudos dos terranos, vi também que o contra ataque de Dênis foi devastador, os torpedos ultrafotônicos seguidos pelos canhões chasers também exigiram bem dos escudos adversários, mas mesmo assim não o suficiente, o próprio Zrraal 1 estava no comando de sua nave de combate, o clone de Picard comandava a nave da Federação sob o comando dos clones, o computador de bordo estava no meio do cálculo de rota para Anderlech, por alguma razão não se preocupavam comigo mesmo minha nave estando bem nítida em seus sensores, decerto seu interesse maior era na ultranave terrana, a mesma tentava aumentar sua velocidade, mas naquela confusão de poeira era impossível, ouvira pela freqüência de rádio que Dênis solicitara de Silvia dobra 12, impossível naquelas condições de vôo, o aparelho doj jarboriano também se mostrava inútil para vencer a estática, minha nave tinha condições de deter o couraçado zrraal, mas se me envolvesse perderia toda a condição de voar de volta para Anderlech, um sonho acalentado há 300 anos. Nestas condições de dúvida a USS BRASIL foi novamente atingida pelos zrraals, meus aparelhos mediram que o escudo chegara a 2% apenas, um outro tiro destes e minha tripulação se transformaria em um monte de partículas espalhadas no seio daquele amontoado de poeira cósmica.

- Computador, travar canhões ultraplasma na nave zrraal.

A impessoal voz do computador respondeu

- O travamento dos canhões influenciará no cálculo para o transporte até Anderlech, favor confirmar ordens.

Meu regresso ou meus amigos? O que seria o mais correto, a nave terrana neste momento apresentava-se com pouca energia, a fuga em velocidade de dobra 12 como solicitado por Dênis era impossível, os armamentos desta apesar de muito poderosos não chegavam a colocar a nave zrraal em perigo, bem, mesmo que ajudasse os terranos ainda teria a nave anderlechiana para programar novo vôo, resolvi ajudar meus amigos.

- Canhões ultraplasma em toda potência, atirar na nave zrraal, suspender cálculo de rota para Anderlech.

Meu disparo foi certeiro, com precisão milimétrica acertei a nave zrraal bem em sua cabine de comando, a mesma adernou violentamente, meus sensores captaram que a utilização dos escudos dos zrraals foi de 96%, dei ordens para que o sistema de mira automática bombardeasse incessantemente a nave dos malditos, uma saraivada de explosões se fizeram sentir na astronave dos malditos, a USS BRASIL, com a energia já novamente estabilizada também juntou-se ao pesado bombardeio de minha nave, foi quando um descuido imperdoável de minha parte pôs tudo a perder, no anseio de bombardear os zrraals me esqueci da nave da frota ocupada pelos clones, somente quando recebi em cheio o impacto de torpedos fotônicos foi que me dei conta de meu erro, nas naves anderlechianas o uso dos canhões ultraplasmáticos exigiam perto de 80% da energia da nave, enfraquecendo os escudos, o torpedo dos clones me atingiu em cheio, o violento impacto deixou minha nave praticamente inoperante, isso no exato momento que novos disparos de minha nave combinados com os disparos da USS BRASIL finalmente venciam os escudos dos zrraals e transformavam a mesma em uma infinidade de partículas tão pequenas que somente um microscópio extremamente potente permitiria a visão. O impacto foi tão violento em minha nave que desfaleci quase que de imediato.

Capítulo XI - A Volta Do Capitão.

Momentos antes de desfalecer reassumi a forma de Marlon, o sistema de manutenção de vida de minha nave entrou imediatamente em ação, antes de desfalecer ainda escutei a voz monótona do computador de bordo.

- Nave extremamente avariada, auto reparo não é possível, iniciando processo de manutenção das formas orgânicas.

O que se passou depois eu não estava consciente para perceber.

O computador ao iniciar o processo de manutenção de forma orgânica fez descer sob meu corpo um suave raio de conservação celular, essa era a primeira fase, a Segunda consistia em acionar a cápsula vital, os cientistas de nosso povo haviam inventado um salva vidas energético, ou seja as formas orgânicas de uma nave irremediavelmente avariadas eram envoltos em uma armadura energética que se solidificava, assumindo a aparência de uma cápsula de conservação vital, após a solidificação era ejetado ao espaço na esperança de que alguma outra nave recolhesse essa cápsula salvando a vida orgânica que se encontrasse nessa nave destruída.

Isso se passava em questão de segundos, e no exato momento em que minha nave explodia fui ejetado ao espaço, estava inconsciente e assim permaneceria até que alguém abrisse a cápsula energética sólida que envolvia meu corpo.

****

Diário do Primeiro Oficial

A nave desconhecida nos ajudou no combate, finalmente nossos armamentos conseguiram furar a defesa da nave zrraal, mas nos esquecemos da nave dos clones, enquanto destruíamos os malditos nosso aliado misterioso recebeu em cheio o impacto de 03 torpedos e se desmanchou numa infinidade de partículas.

Nos viramos para enfrentar a nave dos clones, com a USS BRASIL não teríamos como perder, Karin mostrou sua competência novamente, nova saraivada de chasers bem orientados combinados com o disparo do novo torpedo hiperfotônico foram demais para o adversário, a explosão que se seguiu demonstrou de uma vez por todas a superioridade de nossa nave.

- Capitão

- Sim Lastra.

- Os sensores detectaram uma célula de sobrevivência rota 3489, há forma orgânica viva por lá.

- Silvia rota 3489, capture aquela célula com nossos raios tratores e vamos dar um jeito de sair deste inferno antes que os zrraals mandem mais naves ao nosso encontro.

Sílvia foi soberba, como sempre, em poucos minutos interceptamos a célula de sobrevivência e a trouxemos a bordo, com a destruição da frotilha que nos perseguia teríamos algum tempo para determinar de uma vez por todos a rota que nos levaria para fora daquele inferno, havia muito trabalho a ser feito, infelizmente mesmo com o aparelho de hiperádio de Talul as comunicações permaneciam impossíveis, Lastra havia tentado de tudo, usara todas seus conhecimentos e técnicas mas a estática daquele inferno de poeira e radiações vencia o mais potente dos aparelhos.

A equipe médica finalmente informou sobre a forma de vida que resgatamos do espaço, o espanto na torre de comando foi geral, havíamos recolhido o capitão Marlon á bordo.

****

Ao recuperar os sentidos me vi no compartimento médico da nave, uma infinidade de fios me ligavam a aparelhos diversos, meu relógio biológico me informou que dois dias haviam se passado desde o momento em que fui ejetado para o espaço pelo programa de sobrevivência do computador anderlechiano.

Abrindo os olhos pude ver nosso médico de bordo, ao lado dele Dênis e Talul me olhavam com curiosidade e alívio pela minha recuperação.

Tentei me levantar, somente para deitar de novo, com certeza mesmo meu metabolismo anderlechiano não conseguira ainda colocar meu corpo em ordem.

- Fique deitado capitão, ainda está muito fraco para fazer qualquer coisa, a nave está bem, conseguimos finalmente estabelecer uma rota para fora deste setor, acredito que em cinco horas estaremos fora de Zeugma.

- Muito bem oficial Dênis, como está a tripulação?

- Em ótimo estado senhor, dentro das circunstâncias, tivemos perto de 40 perdas na fuga da base zrraal.

Dito isso desmaiei novamente, nosso bom doutor havia me aplicado mais um pouco de relaxante muscular tonificado, dormiria mais algumas horas e quando acordasse me sentiria novo em folha.

****

Quartel General da Frota Estelar, escritório do almirante Xanther.

- Senhor

- Pois não Xaria?

- Ligação da base estelar Alfa II, capitão Nertze.

- Passe para cá, computador alerta 01 neste escritório, desligar sistemas de gravação e vídeo.

O rosto de Nertze apareceu na tela holográfica

- Almirante, o imprevisto aconteceu, entrar com o plano Delta, Delta, Alfa, desligo.

Aquele maldito escapara.

- Xaria, me ligue com a USS PONTOMAC, capitão Darmon.

- Pois não senhor.

****

A USS PONTOMAC era uma nave nova, estava sendo testada no quadrante Beta, seu capitão era considerado um dos melhores, senão o melhor oficial combatente de toda Frota Estelar, a performance deste homem - capitão Darmon, no recente conflito na lua Endor IV havia sido brilhante, com uma única nave havia derrotado 04 naves inimigas, isso com os modelos antigos.

- Senhor, comunicado do almirante Xanther, ponho na tela.

- Não, transfira para meus aposentos.

Entrando no quarto Darmon colocou seu dormitório em alerta 01, o rosto do almirante Xanther demonstrava que o mesmo não estava muito satisfeito.

****

Finalmente o metabolismo anderlechiano, ajudado pelos medicamentos terranos me colocaram de novo em forma, responder á pergunta de como fui parar em uma nave estranha foi um pouco complicado, mas expliquei á minha tripulação que os dois jarborianos haviam me libertado e chegaram a me acompanhar em direção áquela nave estranha, menti que os comandos eram simples, bem parecidos com os utilizados na Frota Estelar e com isso consegui sair do planeta, por sorte a direção tomada havia sido a mesma da USS BRASIL, e quando vi a nave em perigo utilizei-me dos sistemas de armas da mesma ajudando na destruição da nave zrraal.

Percebi que Talul e Dênis ficaram com diversas dúvidas, o que havia sido feito dos jarborianos que nos ajudaram, qual a razão de não Ter entrado em contato com eles antes, e como havia escapado e conseguido entrar naquela estranha cápsula de sobrevivência que agora era analisada no hangar da nave.

Deixei meus oficiais com essas perguntas em sua cabeça, afinal a resposta poderia colocar trazer minha verdadeira identidade á tona, e isso era a última coisa que eu gostaria que acontecesse.

Dentro da USS PONTOMAC

- .... e assim senhores, o almirante Xanther possuí provas mais do que conclusivas para afirmar que a USS BRASIL teve sua tripulação substituída por clones desta estranha raça descoberta no subquadrante Zeugma, como a nave em questão é do mesmo tipo especial que a nossa, coube á nossa tripulação dar um fim nestes malditos, a ordem do almirante é destruir a USS BRASIL.

As palavras ditas por Darmon espantaram a tripulação, mas essa era formada por excelentes oficiais e tripulantes, a ordem fora dada, não cabia nenhum tipo de dúvida, um dos representantes de maior hierarquia dentro do almirantado havia dado ordem direta.

A USS PONTOMAC, cessou seus exercícios e se dirigiu em dobra 14 para ZEUGMA.

Capítulo XII - Marlon X Darmon.

Diário do Capitão.

" Demoramos mais do quê prevíamos para sair de Zeugma, ao sairmos nas imediações do Sol no qual a frota da base estelar Alfa II, deveria estar, fomos surpreendidos com a ausências destes, algo estava errado, aquelas naves somente sairiam daquele lugar se houvesse recebido alguma ordem de extrema urgência."

Nossa nave precisava de alguns reparos, mas não havia tempo para isso, ordenei a Lastra que entrasse em contato com a base Alfa II as informações de que dispúnhamos eram importantes e deveriam ser enviadas para o almirantado na Terra o mais rápido possível.

- Senhor, capitão Nertze, passando para a tela.

Um rosto sério e taciturno apareceu na nossa frente.

- Capitão Marlon, ficamos felizes que tenha conseguido entrar e sair de Zeugma, alguma ocorrência a ser relatada?

- Capitão Nertze, temos muita coisa a relatar, a Federação passa por um grande perigo, Lastra já esta enviando o relatório condensado para o almirantado da Frota Estelar, temos muitas providências para serem tomadas, mas me diga uma coisa capitão, aonde estão as naves que nos serviriam de apoio?

- Foram solicitadas para uma missão especial.

Aquilo estava muito estranho, Nertze parecia distante, respondia e perguntava como se fosse um autônomo, a sua desculpa para as naves não estarem nos aguardando deixava margens a muitas dúvidas.

- Capitão Nertze, estamos nos dirigindo á vossa base, chegada prevista em 02 dias, iremos com nossa velocidade máxima, nos aguarde, temos muito o que relatar desligando.

- Capitão

- Sim Lastra

- Algo esta interferindo em nossa transmissão, parece até um bloqueador dos utilizados pela frota.

- Um bloqueador, têm certeza Lastra?

- Senhor tenho certeza absoluta a freqüência é a mesma, estão bloqueando nossas transmissões, nosso relatório condensado não chegou no quartel general da Frota em São Francisco.

- Sr. Talul

- Sim capitão

- Seu aparelho de transmissão conseguiria furar o bloqueio deste bloqueador?

- Não tenho dúvidas senhor.

- Lastra, utilize o aparelho do jarboriano, vamos ver eles conseguirem bloquear isso, um detalhe Lastra, ponha na mensagem que o almirante Xhanter não deve ser informado de nosso retorno e nem do relatório.

- Mas senhor, Xanther é uma das mais altas autoridades da frota, uma situação dessas é importantíssima para que o mesmo tome suas providências.

- Lastra, transmita esse relatório com este adendo diretamente para o almirante Zardor, para mais ninguém.

Mesmo sem entender Lastra cumpriu minhas ordens e nosso relatório foi transmitido.

- Sílvia, mude a rota, vamos para a Terra.

- Mas senhor, informamos á base Alfa II que iríamos para lá, devo comunicar mudança nos planos para o capitão Nertze?

- Não.

- Capitão

- Pois não Sr. Dênis

- Vosso comportamente com essas ordens contradiz diretamente as normas e instruções da frota, quero deixar patente meu protesto em obedecer a estas ordens.

- Computador, tome nota do protesto do nosso primeiro oficial. Sílvia já traçou o curso para a Terra?

Neste momento fomos violentamente sacudidos, não havia dúvidas, estávamos sob ataque.

****

A USS PONTOMAC, era equipada com alguns equipamentos diferentes da USS BRASIL, para começar tinha um poder de fogo maior, seus torpedos ultrafotônicos eram mais potentes, possuía um número maior de baterias de costado que lhe davam maior alcance quando havia necessidade de utilizar os chasers, além disso essa nave possuía uma versão muito aperfeiçoada do sistema de camuflagem utilizado pelos Klingos em suas naves de rapina.

****

- Fomos atingidos por torpedos ultrafotônicos senhor, mesmo sistema utilizado pela Frota, mas com poder de fogo superior, é superior até mesmo aos nossos.

- Isso é impossível Dênis, o que dizem os sensores, localizaram o agressor?

Novo impacto direto, nossos escudos foram exigidos ao máximo de sua capacidade.

- Mecano, pode dar mais força para os escudos.

- Capitão, somente se desligarmos alguns dos sistemas de manutenção da vida.

- Lastra, conseguiu interceptar alguma transmissão.

- Não capitão, seja lá quem forem estão em silêncio total de rádio.

- Karin, conseguiu algo para responder ao fogo ?

- Senhor, como conseguirei responder a este fogo se nem sei de onde estão sendo efetuados os disparos.

Nossa situação estava delicada, recebemos mais dois impactos diretos, resolvi que seria melhor se saíssemos daquele local.

- Sílvia, rápido nos tire daqui, dobra 13 para qualquer direção.

Nossa piloto escolheu uma rota aleatória e acelerou a nave na velocidade indicada, não tínhamos condições de responder ao fogo de nosso agressor invisível.

Aceleramos por mais de três horas, em dobra 13 tínhamos certeza que não poderíamos ser alcançados, ao voltarmos ao espaço tempo normal procuramos de imediato uma estrela que pudesse nos servir de proteção contra rastreamento, nosso engano foi breve, mais um impacto de três mísseis ultrafotônicos nos mostrou que nosso misterioso inimigo de alguma forma havia nos seguido.

- Karin, tente verificar de onde estão vindo os torpedos, esses malditos ao dispararem devem pelo menos apresentar algum tipo de reflexo luminoso, essa pode ser a nossa chance.

****

Dentro da USS PONTOMAC.

- Sr. Katrich, prepare nova salva de torpedos, os escudos desses miseráveis não podem durar tanto.

A tripulação da USS PONTOMAC era constituída quase que exclusivamente de Klingons uma batalha como essa para esses demônios era um deleite, Darmon escolhia bem sua tripulação.

****

- Impossível Capitão, estes malditos parecem possuir algum tipo de aparelho que inibe as fagulhas emitidas quando dos disparos, desculpe senhor.

Mais essa.

- Senhor

- Fale Mecano

- Bem senhor, pode ser uma idéia meio maluca, mas se transferirmos toda a energia da nave, menos o de manutenção vital de emergência, para o sistema de teletransporte e calcularmos a massa metálica de nosso atacante podemos programar o teletransporte para enviar uma bomba ou um comando para dentro do objeto que tiver essa massa metálica, neste caso não precisamos ver nosso atacante, com o cálculo de massa e o teletransporte programado há uma chance de sermos enviados diretamente para dentro de nosso agressor.

- Senhor, os sensores não mostram nenhum objeto em volta da nossa posição que possa Ter a massa de uma astronave, a idéia de Mecano pode dar certo.

- Dênis prepare um comando de abordagem, leve Talul consigo, Mecano ponha sua idéia em funcionamento, mas e os escudos de nosso adversário, não serão empecilho?

- Senhor, com a força que o teletransporte vai receber nenhum escudo é suficiente para deter a teleportação.

Confesso que o plano me parecia excessivamente maluco, além do que o desvio de todos os sistemas energéticos para o sistema de teletransporte nos deixaria por alguns segundos sem escudos, um risco excessivamente alto, mas era a única alternativa.

****

- Capitão Darmon, os sistemas da USS BRASIL estão sendo desligados senhor.

- Alguma pane que justifique isso?

- Bem o casco da nave está inteiro, nosso torpedos ainda não conseguiram furar os escudos da mesma, mas não podemos saber como se encontra o interior da nave.

- Cesse fogo por alguns momentos, vamos aguardar os acontecimentos, se conseguirmos capturar esses clones vivos podemos conseguir informações muito importantes para o alto comando.

Capítulo XIII A Tomada Da Pontomac.

Diário do Primeiro Oficial

- Confesso que a idéia de Mecano me parece coerente cientificamente, mas dúvidas me assaltam, o teletransporte exige que as coordenadas do ponto de destino sejam exatas, como conseguir essa exatidão? Além disso somos 20 membros da segurança mais eu e o Jarboriano, daremos conta da nave atacante?

Essas dúvidas me assaltavam quando me dirigi com Talul para a sala de teletransporte, ao chegar já encontramos o comando formado e nos aguardando, resolvi dar algumas instruções rápidas.

- Bem senhores, as ordens são para irmos para dentro de nosso atacante e dominarmos a ponte de comando da mesma, não sabemos exatamente em que parte da nave iremos sair, preparem os chasers para tonteio programados para fisiologia klingon, desconfiamos que a nave em que iremos nos materializar é uma Ave de Rapina destes.

Ao chegarmos sejam rápidos, precisamos tomar a ponte de comando, capturar os oficiais e exigir a rendição da nave, algo mais para ser esclarecido?

O silêncio foi a resposta, todos tinham entendido minhas palavras.

O salto para o incerto e duvidoso estava sendo programado, percebi que os tripulantes que manejavam o teletransporte giravam seus botões com segurança, mas mesmo assim um resquício de dúvida podia ser visto no semblante desses homens, nunca um salto desses fora tentado, se Mecano estivesse correto teríamos uma dura batalha pela frente, se estivesse errado eu e mais 21 seres seríamos transferidos para o além.

****

A USS BRASIL desligou todos os seus sistemas senhores, somente os responsáveis pela manutenção vital de emergência estão ligados.

Darmon experimentou um sabor de vitória nestas palavras, iria comandar pessoalmente o comando de abordagem que iria dominar a nave e colocar todos aqueles clones sob ferros, e aguardaria novas ordens do almirante Xanther, fora uma missão mais bem sucedida do que ele aguardara, e além de capturar toda a tripulação dos clones ainda havia conseguido poupar a nave, sem dúvida o alto almirantado reconheceria suas qualidades e da sua tripulação.

De repente, um tremeluzir do ar bem típico da materialização de seres teletransportados ocorreu bem na sua frente, quando as figuras tomaram formas Darmon deu de cara com o fantástico jarboriano.

Apesar de meu receio inicial a idéia de Mecano dera resultado ao materializarmos vislumbrei um humano na cadeira de comando do capitão, nossas suspeitas de quê estávamos em uma nave Klingon quase se confirmaram, a maioria dos oficiais que vislumbramos eram dessa raça, mas o formato e aparelhos encontrados naquele setor da nave, sem dúvida nenhuma era a ponte de comando, não deixavam dúvidas, estávamos em uma nave da própria Federação.

Meus homens foram rápidos, com os chasers para tonteio e a máquina de guerra jarboriana sufocando a pequena resistência encontrada dominamos rapidamente a ponte de comando bloqueando imediatamente o acesso á mesma.

Talul, imediatamente encontrou e desligou o sistema de camuflagem da espaçonave e travou todos os armamentos da mesma, entrei em contato com nossa nave.

- Capitão, missão bem sucedida senhor, materializamos na torre de comando da nave e já conseguimos dominar este setor da nave, Talul acabou de desligar o sistema de camuflagem da nave e travou todos os sistemas militares, por enquanto não houve por parte da tripulação nenhuma tentativa de retomar a ponte, aguardando ordens.

- Senhor Dênis, capture o capitão, o navegador, o primeiro oficial, e traga-os á bordo da USS BRASIL, Talul deverá permanecer com mais alguns homens na torre de comando desta nave e manter posição, enviarei Karin para ajudar a manter essa posição.

Alguns segundos depois Karin e mais alguns homens materializaram na sala de comando, Talul havia desligado o bloqueador de teleporte e também o bloqueador de comunicações, havia armamento pesado na bagagem dos novos homens, resolvi que seria melhor enviar os nossos prisioneiros através de um oficial da segurança e permanecer na nave, a manutenção da ponte de comando era muito importante naquele momento.

****

Diário do Capitão.

Dênis fora estupendo, tínhamos agora sob nosso controle o capitão daquela nave, mais seu navegador e primeiro oficial, foram enviados para nossa nave ainda desacordados, estava presente quando da rematerialização deles em nossa nave, não foi sem espanto que reconheci imediatamente o capitão Darmon como o oficial que se encontrava enfiados nos trajes da Frota Estelar, meu cérebro auxiliar ou programador ainda estava analisando alguns dados que havia conseguido na base Zrraal, mas tudo se encaixava perfeitamente, eu e minha nave éramos foras da lei perante a Federação, e havia somente um homem que tinha poder para tanto.

Nosso médico de bordo deu atenção especial ao capitão Darmon tirando o mesmo em pouco tempo do estado de inconsciência causado pelos chasers.

Ao recobrar os sentidos Darmon olhou em volta assustado, meus poderes telepáticos iniciaram uma sondagem pesada na cabeça daquele homem, minhas suspeitas começaram a ser confirmadas.

- Capitão Marlon, ou devo dizer o clone do capitão Marlon?

Sim, aquilo batia com os resultados de minhas sondagem psíquica.

- Está enganado capitão, somos a tripulação original da USS BRASIL, conseguimos escapar da base Zrraal antes de iniciarem o processo de clonagem.

- Zrraals? De quê está falando maldito, só o que sei é que um inimigo poderoso capturou todos vocês e os clonou, minhas ordens são para destruir sua nave ou pelo menos capturar a todos vocês e entregar para o almirante Xanther.

Ok, tudo estava correto, Darmon fora tapeado por ordens do almirante Xanther antes mesmo que tivéssemos tempo de expor nossos relatórios para qualquer nave, base ou alguém do alto escalão do almirantado.

- Bem capitão, parece que teremos de Ter uma longa conversa, o mínimo que posso lhe dizer é que está enganado em relação a min e meus homens, vamos para a sala de conferências, lá poderá ver a legitimidade de nossos holofilmes, e poderá tirar suas próprias conclusões, como sabe os holofilmadores das naves da Federação registram tudo o que acontece á bordo da nave, a não ser que o capitão da mesma a coloque em alerta 01 e peça ao computador de bordo para cessar as gravações.

Darmon estava muito desconfiado, mas ao ver seu primeiro oficial e sua navegadora em bom estado e já recuperados concordou com minha sugestão, somente solicitou uma ligação com sua nave para verificar se tudo estava bem, foi plenamente satisfeito, pôde conversar com seus homens e deu ordens para que não tentassem retomar a ponte de comando, pelo menos por um prazo de 02 horas.

Fomos até a sala de holoconferências e solicitei ao computador que fizesse um resumo de todas os acontecimentos dos últimos 30 dias, imediatamente o computador iniciou a projeção das imagens, fazendo explicando os acontecimentos.

Darmon acompanhou a exibição com um misto de desconfiança e surpresa, estava claro que as ordens de Xanther foram simples e diretas: "... destrua a USS BRASIL, a mesma foi capturada por uma raça inimiga desconhecida e teve sua tripulação substituída por clones, a Federação está armando, em segredo, um ataque contra a base desses inimigos, cumpra essas ordens em segredo, não são todos os almirantes da frota que estão a par do ocorrido, se precisar de algum auxílio recorra ao capitão Nertze da base Alfa-Centauri...".

Ao chegar ao fim a exibição holográfica a única reação de Darmon foi solicitar uma ligação para sua nave, tinha ordens a serem dadas, após proferir suas ordens solicitou que uma equipe de sua nave viesse á bordo da USS BRASIL para verificar a autenticidade da fita holográfica, permiti isso sem maiores preocupações, comecei a esboçar um plano que poderia nos ajudar a por um fim nas maquinações de Xanther.

Capítulo XIV - O Xadrez Cósmico.

O capitão Darmon se reuniu com seus oficiais á bordo da Pontomac, a análise do nosso sistema de hologravação finalmente convenceu-o de que dizíamos a verdade, á bordo da Brasil esperávamos o contato dele para a partir daí tomarmos as providências que se faziam necessárias.

- Capitão.

- Sim Lastra.

- Finalmente consegui transmitir o relatório para o almirante Zardor, recebi a confirmação de recebimento.

- Ótimo Lastra, excelente trabalho.

- Senhor, mensagem da Pontomac.

- Transfira para a tela de imagens.

O rosto de Darmon surgiu na tela, ao lado a imagem estava um pouco afastada, motivo pelo qual conseguimos ver de relance que ele reunira seu staff para as deliberações.

- Capitão Marlon, a USS PONTOMAC, e todos seus tripulantes se colocam ao seu dispor para as medidas que achar conveniente e necessárias.

- Ótimo Capitão, obrigado pelo voto de confiança, solicitaria que novamente viesse a bordo da minha nave para podermos traçar a estratégia a ser usada neste caso.

Bem, o plano que eu traçara era simples e objetivo, com a ajuda de Darmon as chances de conseguirmos leva-lo a bom termo eram excelentes, iniciava-se aquilo que denominamos com o nome código de " Operação Xadrez Cósmico ".

****

Três dias depois, local base Alfa II, a USS PONTOMAC se aproxima da doca de atracação, a base não aguardava essa visita inesperada de Darmon e seus klingons, ainda mais que Armandillo havia sido substituído em comando por Nertze, que não estava informado da chegada da nave.

O pouso ocorreu suavemente, Darmon solicitou uma reunião particular com o chefe da base, sem no entanto expor os motivos para isso.

Nertze concedeu a Darmon a sua reunião, mas as dúvidas pairavam no ar, pois o capitão da PONTOMAC solicitara que o almirante Xanther acompanhasse pelos sistemas de holotransmissão o que se passava na base Alfa II.

Enquanto isso, nas proximidades do sistema solar.

- Capitão, estamos há 02 anos luz do sistema solar, se o plano estabelecido estiver sendo seguido pelo capitão Darmon, o peão está a quatro do rei.

- Obrigado Sr. Dênis, procure uma estrela que nos proteja contra rastreamento, não gostaria de ser descoberto agora que estamos perto de nossos objetivos.

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Na base Alfa II.

- Capitão Darmon, espero que o motivo desta reunião seja realmente importante, tenho muitos afazeres hoje aqui no comando, e o capitão Nertze também está com muitos afazeres.

- Bem senhores, estava apenas querendo relatar que as ordens dadas foram cumpridas á contendo, a USS BRASIL foi totalmente destruída o perigo que o alto almirantado detectou não mais existe, como o fato é altamente sigiloso acreditei ser melhor dar a notícia pessoalmente, afinal em uma transmissão sempre existe o perigo da mesma ser intercpetada.

Nertze olhou para a tela holográfica aonde o rosto de Xanther demonstrava sinais de satisfação, o perigo havia sido destruído, os planos poderiam continuar, mais um ou dois anos e a " operação substituição ", seria iniciada.

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Diário do capitão.

Minha pequena nave estava pronta para partir, apesar do protesto de Dênis eu iria sozinho á Terra, isso se fazia necessário pois teria de usar meus poderes de transmorfo na empreitada que realizaria, era hora de " movimentar o cavalo ". Para manter minhas faculdades em segredo era impreterível que eu fosse sozinho.

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Base Alfa II.

- Bem senhores, se não há mais nada para ser relatado eu me despeço, estou com minha agenda completamente tomada hoje, capitão Darmon, meus parabéns pela missão cumprida, fique alguns dias na base Alfa II, seus homens bem que merecem uma ou duas semanas de folga, não preciso lembrar que se deve manter segredo sobre todos os acontecimentos e sobre o que foi tratado nesta reunião, desligando.

Nertze olhou nos olhos do capitão Darmon com um sorriso de satisfação e dever cumprido, mas nunca esperava o que aconteceu em seguida.

- Capitão Nertze, pelos poderes a min conferidos pela Federação dos Planetas Unidos eu lhe dou voz de prisão, seu clone miserável.

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Diário do Primeiro Oficial.

"Estamos circulando uma estrela azul, há dois anos luz do sistema solar, o capitão Marlon insistiu em ir sozinho naquela missão extremamente perigosa, era claro que sua vida corria perigo, se o cronograma de nosso plano estivesse correto a "torre havia sido movida ".

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Fiz uma coisa proibida pela Federação, utilizando os novos conversores que haviam sido instalados na minha nave aproximei-me da Terra em velocidade de dobra 10, minha tripulação havia pintado a pequena maravilha tecnológica que eu pilotava, apagando toda e qualquer marca de que a mesma pertencia á USS BRASIL, precisava chegar em São Francisco, somente lá, com a ajuda do almirante Zardor, este era o único em quem eu confiava no momento, conseguiria "movimentar minha rainha " e acabar de vez com a conspiração Zrraal.

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Base Alfa II.

- Capitão Darmon, espero que tenha um bom motivo para me apontar esse chaser, isso já é motivo mais do que suficiente para pegar corte marcial.

- Calma capitão Nertze, calma, tudo será esclarecido no seu devido tempo, capitão para teletransporte, dois subindo, mantenham a nave em prontidão de combate, programar a partida para o exato momento em que eu estiver de volta á bordo.

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Utilizando-se de suas prerrogativas, Xanther estava em seu gabinete utilizando-se de seu sistema particular de transmissão, muitas pessoas ficariam admiradas com a capacidade deste aparelho, não era material utilizado pela frota, tinha claras indicações de pertencer a uma raça alienígena desconhecida, ficariam mais estupefatos ainda se conseguissem ver com quem o honrado almirante estava falando.

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" A torre da rainha estava em movimento ", conforme eu aguardava, fui interceptado por uma nave de vigilância da frota estelar que pediu minha identificação e a diminuição de minha velocidade sob pena de ser destruído. Utilizei meus poderes transmorfos e me apresentei ao capitão da nave como um comerciante Ferengui que comprar aquela nave, como tinha negócios a tratar na Terra estava me utilizando da mesma. Parece que minha desculpa, meio fraca concordo, foi aceita pelo capitão da nave de vigilância que apenas me mandou diminuir a velocidade, pediu meus dados para identificação e satisfeito autorizou meu pouso. Ótimo pensei, tive receio de que naquela fase tão problemática do plano traçado houvesse algum tipo de interferência que poderia por tudo a perder.

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Á bordo da USS PONTOMAC.

- Toda velocidade para o sistema solar, tracem a rota mais curta para a Terra, temos que levar nosso convidado para uma reunião inesperada.

As ordens de Darmon foram obedecidas sem hesitação, na cabeça de Darmon estava a frase " o bispo avançou ". Se tudo estivesse correndo bem com Marlon havia "um perigo de xeque " contra os misteriosos Zrraals e seus planos.

Capítulo XV Xeque Mate.

Diário particular do capitão.

" Até aqui as etapas do plano correm bem. Estão de acordo com o que foi traçado. Se nenhuma anomalia acontecer logo teremos um xeque mate nos planos zrraals."

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No gabinete do almirante Xanther.

- Xaria, desmarque os compromissos que tenho após o almoço, há uma reunião de emergência do alto almirantado.

- Tudo bem senhor, há poucos compromissos oficiais, sua esposa solicitou uma ligação tão logo esteja disponível senhor.

- Obrigado Xaria, vou almoçar agora a reunião se inicia em 01 hora.

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No espaço cósmico a USS PONTOMAC seguia com dobra 14 em direção à Terra. O cavalo da rainha se preparava para a sua jogada, o perigo de cheque aos poucos se descortinava.

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- Capitão Marlon, espero que tenha provas de tudo que me foi transmitido, saiba que as acusações que está fazendo contra pessoas que ocupam altos postos no almirantado pode colocá-lo sob corte marcial se não haver provas suficientes que as comprovem.

- Senhor, tenha certeza de que tudo que lhe relatei é a pura verdade, na hora da reunião colocarei as provas que tenho para a devida análise.

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USS PONTOMAC

- Capitão Darmon, exigo explicações, sou um General da Frota, vou colocá-lo sob corte marcial tão logo essa loucura chegue a um final.

- Cale a boca clone maldito, já sabemos de seus planos, sei que você não passa de uma maldita imitação dos zrraals.

- Pare com essa loucura capitão, do que é que está falando? Zrraals, clone, está maluco homem?

- Quisera estar, mas as provas são irrefutáveis. Veja esses hologramas, sua máscara caiu.

No mesmo instante uma interessante hologravação foi colocada, ali o General Nertze finalmente se convenceu de quê a farsa havia chegado ao final. Estoicamente se calou assistindo às cenas que acabavam de uma vez com suas esperanças.

Alto Almirantado da Frota Estelar, sala de reuniões.

- Senhores, vou diretamente ao ponto, tive informações confiáveis de que uma raça alienígena está com uma base instalada no sub quadrante Zeugma. Algum dos senhores possuí essa informação.

Ah, o velho Zardor, sempre correto, sincero e indo direto ao ponto, do local que me encontrava vi de relance o terror passar pelos olhos de Xanther. Mas o maldito era dotado de um autodomínio eficaz, após o susto inicial recuperou-se tentando não deixar transparecer a tenção que lhe tomava conta.

Xanther solicitou a palavra.

- Almirante Zardor, espero que esteja certo nessa afirmação, os últimos relatórios que recebemos da base Alfa II, a mais próxima de Zeugma não dão a menor indicação de anomalia. Se há algo acontecendo por lá eu estaria devidamente informado, afinal Zeugma é setor sob minha responsabilidade.

- Temos provas Xanther, me permitam chamar mais uma pessoa para essa reunião. Capitão Marlon por favor.

Ao me ver ali Xanther se desesperou percebi isso pelas suas emanações psíquicas, ser um telepata proporcionava muitas vantagens ao seu possuidor.

- Almirante Zardor, senhores almirantes, antes de qualquer comentário faço questão de lhes mostrar uma holofita gravada pelo sistema de gravação automático da USS BRASIL.

Coloquei a fita, o que se desenrolou depois foi exatamente como o planejado, ZRRAALS, perigo de cheque, torre e cavalo pressionando a casa de seu rei.

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- Sr., estamos entrando no espaço do sistema solar, convém lembrar que não podemos trafegar por aqui em velocidade superior a dobra 3.

- Não se preocupe, se o plano estiver sendo seguido à risca estamos autorizados a fazer essa violação desta norma.

****

Durante três horas a holofita foi sendo revelada, os olhos daqueles homens que ocupavam altos postos no Almirantado da Frota era um misto de espanto e indignação.

Xanther permanecia impassível, o fato de estar vivo já o assustava, e a hologravação era uma prova irrefutável. O sistema de gravação de uma nave da Frota Estelar não tinha como ser violado. Bem, era isso que meus amigos terranos acreditavam, nestas horas ser um anderlechiano tinha suas vantagens.

****

- Senhor Dênis.

- Sim Lastra.

- Recebi uma mensagem da PONTOMAC, o cavalo está a caminho.

- Ótimo, Mecano toda força à frente, tracem o rumo para a Terra, quero tudo que as máquinas podem fornecer. Talul, veja com Mecano a localização correta da sala aonde se realiza a reunião, teremos de enviar uma equipe de reforço para o capitão Marlon o mais urgente possível.

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- Capitão Darmon, uma nave da frota de vigilância solicitou que a velocidade seja diminuída.

- Não dê resposta...toda força à frente, usar sistema de invisibilidade, temos um cavalo e um bispo para movimentar.

****

- Senhores, esses são os fatos acontecidos quando da descoberta da base desses Zrraals, como podem ver estamos diante de uma raça poderosa e muito inteligente. Se o plano desses malditos de clonar nossos líderes for levado adiante não teremos como nos defender, afinal qualquer um poderá ser um clone.

Xanther resolveu dar sua última cartada.

- Capitão Marlon, os fatos não são questionáveis, a holofita, todos sabem é inviolável, mas o que garante que o senhor não é um desses clones dessa raça.

- Simples senhor, essa outra fita que está em minha mão é a prova de quê não sou um clone. Consegui descobrir que esses seres possuem uma variação nas suas ondas eletroencefálicas, um ser humano alcança no máximo 150 pulsações cefálicas por minuto. Nos arquivos médicos da Frota nunca foi constatada numeração superior à essa numeração, os clones apresentam 154 pulsações senhor.

Xanther recebeu o impacto em cheio. O disfarce tão bem montado chegara ao fim.

Zardor, a "rainha" deste xadrez cósmico, resolveu dar o lance final do jogo.

- Senhores, ao receber do capitão Marlon essas informações eu mandei que uma equipe de médicos fizessem uma monitoração das pulsações cefálicas de todos os aqui presentes. O resultado nos demonstrou algumas surpresas.

Xanther neste momento não conseguiu mais manter sua aparente calma, sacando uma pistola de chaser apontou em minha direção disparando, mas o reflexo de um anderlechiano era cerca de 20 vezes mais rápido do que um terrano, consegui me salvar daquele disparo, peguei minha arma, regulada para tonteio e disparei na direção do maldito, errei.

- Capitão Darmon, aqui 1°Oficial da USS BRASIL, estamos bem atrás dos senhores.

- Ótimo Sr. Dênis, vamos levar Nertze para seu chefe, faremos uma reunião de clones na Terra.

****

Xanther correu como um caça de última geração, disparando seu chaser sem parar foi abrindo caminho por entre os demais almirantes e eventuais soldados que apareceram pela frente. Por sorte ninguém foi atingido. A pistola do clone estava regulada para potência máxima.

- Deixe-o ir, o sistema de gravação vai nos revelar aonde fica a base destes malditos aqui na Terra. Capitão Marlon, sua idéia foi excelente, nunca me passaria pela cabeça que os clones pudessem apresentar alguma diferença em relação aos originais. Uma frota já foi enviada para a base Zrraal, vamos expulsar esses malditos de nosso espaço

Uma ligação de emergência irrompeu na tela, um tenente da segurança informava que Xanther havia entrado em seu gabinete, as forças da segurança entraram e o maldito sumira.

- Maldito, deve haver algum teletransportador na sala de Xanther.

Zardor desligou e enviou um alerta para os responsáveis pelo espaçoporto.

- Aqui almirante Zardor, alerta vermelho, não permitam que nenhuma nave saia do espaçoporto até segunda ordem, repito, nenhuma nave deve deixar o espaçoporto.

As ordens chegaram tarde demais, pois Xanther acabara de ligar sua nave e se deslocava rumo ao espaço, se o maldito fugisse perderíamos uma grande chance de descobrir a base dos clones na Terra. Não havia mais dúvidas que uma base Zrraal operada pelos clones se encontrava no planeta.

****

Sr. Dênis, uma nave do alto almirantado está em rota de colisão com a nave, os sensores indicam que se trata da nave particular do Almirante Xanther.

- Xanther, então o cheque mate está concluído, rápido Mecano, configure o teletransportador para enviar Talul para dentro dessa nave se Xanther escapar os Zrraals serão alertados de que seu plano foi descoberto.

Não precisei falar uma segunda vez, Mecano demonstrando sua incrível perícia com equipamentos já estava com os dados devidamente programados no sistema de teletransporte, Talul já se encontrava á bordo da nave. Contra um jarboriano os clones não tinham a menor chance.

****

Um mês depois, à bordo da USS BRASIL.

"Diário do capitão, data estelar 3.3.4.2. Computador me lembre de pedir novas explicações sobre essa nova maneira de contagem de tempo Muitos oficiais ainda se utilizam da forma antiga.

Os acontecimentos que se sucederam à prisão de Xanther, se desenvolveram de forma alucinante.

Como esperado Talul capturou Xanther, acompanhando o mesmo prendemos mais dois clones de soldados, uma grande frota de naves da Frota Estelar entrou no subquadrante Zeugma para ocupar a base dos Zrraals, os malditos abandonaram a sua base, somente alguns clones foram descobertos.

Na Terra, o Alto Almirantado era todo submetido a testes eletroencefálicos, até o momento mais 12 ( doze ) clones foram descobertos. Os malditos já se encontravam bem infiltrados na alta hierarquia da Frota. Também foram descobertos clones no meio de altas autoridades civis."

- Computador, alerta nível um no aposento.

Peguei meu hologravador pessoal e revi toda fita que acabara com o plano dos Zrraals, fora interessante, mas tremendamente cansativo fazer aquela fita sozinho. O fato de ser um transmorfo me ajudara, sem dúvida. Não sentia o menor remorso em ter enganado os almirantes da frota com aquela fita falsa. Fora a única maneira que consegui de dar alguma veracidade a meu relato sem expor a verdade sobre meu ser.

Os humanos eram um povo jovem, sem preconceitos, mas nem sempre fora assim. Se acaso revelasse que não sou humano havia variáveis que poderiam escapar ao meu controle.

A frota estava em alerta máximo, os testes ainda eram efetuados em uma grande quantidade de autoridades, logo todos os clones estariam identificados e presos.

Os relatórios sigilosos destes fatos eram transmitidos diretamente para meu gravador pessoal sem passar pela ponte de comando.

A nossa vitória fora parcial. Não havia dúvidas de que os Zrraals tornariam a aparecer e nos molestar. A frota estava se preparando para isso.

A base de Zeugma permanecia vigiada e ocupada por forças da Federação.

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A primeira partida de xadrez cósmico entre a Federação e os Zrraals fora vencida pelos primeiros, mas a qualquer momento os fabricantes de clones poderia voltar.

O que ocorrerá quando os Zrraals desafiarem a "FÚRIA DE ANDERLECHT ", a próxima aventura de Marlon & Cia.

Não percam mais essa emocionante história.....

Fim desta aventura...

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