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Imagem de Roberto Kiss feita especialmente para a Série. Novela dividida em doze capítulos. Aguarde a página carregar.
A nave classe Ambassador experimental chamada USS
Atlantis NCC 1025 foi comissionada em 2.327, sendo comandada pela Capitã Diana O'Conell e sua Primeira-Oficial
Sarah McKenna. Elas são responsáveis por um grupo de elite que trabalhou, direta e indiretamente, concordando
ou não, em um departamento denominado Dissuasão. Uma espécie de Serviço Secreto da Federação que as marca pelo
resto da vida. Agora toda a tripulação foi designada para missões na fronteira do Quadrante Alfa com o Quadrante
Delta, sem no entanto deixarem de prestar serviços mirabolantes para a Frota e para outras facções secretas que
estão por toda parte. A questão é: em quem se deve confiar? Ordens são ordens e devem ser cumpridas...
A Classe Ambassador foi oficialmente comissionada em meados de 2.340, contudo a Atlantis é uma nave experimental
que está vinculado a Frota secretamente e tem como meta principal tanto testar seus dispositivos como cumprir
missões mirabolantes para a Dissuasão.
Além de ser a segunda aventura da USS ATLANTIS, Forças Antagônicas é continuação de Fatos Consumados, porém as duas
podem ser lidas separadamente. Kortan e Utzar reaparecem aqui como enviados do Império Klingon
em uma missão de mútua cooperação com a Federação. A ATLANTIS sai em uma caçada onde a presa pode
se tornar o caçador e uma Ave de Rapina pode ser a armadilha fatal.
Agradecimentos Especiais: Aos leitores que nos dão muitas alegrias.
A Roberto Kiss que gentilmente confeccionou as imagens do conto. A Eduardo Fonseca que fez todas as traduções
para a língua Klingon.
Personagens nesta aventura.
- Andor Khya - Oficial de comunicação da USS ATLANTIS. Centauriano.
- Ann McKenna - Esposa falecida de Roger McKenna.
- Armek - Almirante vulcano. Primeiro vulcano a comandar uma Deep Space.
- Antony Smith - Cientista coordenando colonização em Áurea Borellis II.
- Diana Helena O'Conell - Capitã da USS ATLANTIS. Terráquea - irlandesa.
- Dyllan Sanches - Engenheiro Jr. e Alferes executivo. Terráqueo - mexicano.
- Esther Benrubi - Civil, ex-mulher de Joshua Benrubi.
- Ethula - Esposa de Kortan. Tenente Comandante sob baixa e guerreira klingon.
- Fabrizia - Civil, ex-mulher de Jordan D'Angelis.
- Faey Jokovick - Tenente engenheira da USS ATLANTIS. Terráquea - croata.
- François Rinaldi - Chefe de cozinha da Atlantis e excelente armeiro.
- Galloway - Almirante da Frota Estelar, membro do Conselho da Frota.
- Getard - Médico Chefe da colônia Áurea Borellis II.
- Giacomo D'Angelis - Civil, filho de Jordan D'Angelis com seis anos.
- George Winston - Civil, Marido atual de Fabrizia.
- Gomes - Engenheiro jr. Da USS ATLANTIS. Terráqueo - brasileiro.
- Hans Düff - Médico-Chefe da USS ATLANTIS. Terráqueo - alemão.
- Jesse Walker - Assessor do conselho da Frota Estelar. Oficial gabaritado.
- Jéssica Konnery - Almirante da Frota Estelar, membro do Conselho da Frota.
- John Simons - Operador dos transportes. Terráqueo - canadense.
- Jordan D'Angelis - Engenheiro - chefe da USS ALTLANTIS. Terráqueo - italiano.
- Joshua Benrubi - Chefe da Segurança da USS ATLANTIS. Terráqueo - israelense.
- Kherrtar - Chefe do Alto Conselho Klingon.
- Klang - Klingon, General suspeito, deseja dominar a Federação.
- Kortan - Capitão da Nave Klingon KTARNAC, general e guerreiro.
- Kragen - Piloto Klingon nave KTANARC.
- Lerr Far Berna - Tenente Biólogo especialista em ecologia planetária. Antosiano.
- Listisin - Tenente Oficial de comunicação em Áurea Borellis II.
- Martina Dickens - Enfermeira-Chefe da USS ATLANTIS. Procedência desconhecida.
- Melrik Filho de Sartoc - Oficial de ciências da USS ATLANTIS. Vulcano.
- Michael Carlyle - Tenente-Engenheiro da USS ATLANTIS.
- Milla Stauber - Bióloga comandada por Roger McKenna.
- Nogura - Chefe do Conselho da Frota Estelar.
- Rebecca Benrubi - Civil, filha de Joshua Benrubi.
- Reginald Lewis - Capitão da USS POTENKIN classe Excelsior. Terráqueo - Galês.
- Richard O'Conell - Importante Conselheiro da Federação e pai de Diana O'Conell.
- Roger McKenna - Tenente Exobiólogo da USS ATLANTIS. Terráqueo - escocês.
- Rur-Lo - Engenheiro de origem tellarita. Capturado e servindo na K'Tar On Virr.
- S'Tamur - Cientista Romulano aliado da causa de Klang.
- Samuel Wiser - Co-piloto. Substitui Sarah no posto de piloto. Paris IX.
- Sarah McKenna - Primeira Oficial da USS ATLANTIS. Híbrida - vulcana e humana.
- Shianka - Cientista e especialista em meteorologia. Andoriano. K'tar On Virr.
- Tarkal - Centurião do Cruzador Romulano S'Thorius.
- Tian Sing - Cientista Botânico coordenando colonização em Áurea Borellis II.
- Trostsy - Capitão da USS Pegasus nave classe Oberth. Procedência desconhecida.
- Tsi-Lao Kenjiro - Mestre em artes marciais e Oficial de Segurança. Marte.
- Yves Melarmé - Capitão da USS ENDEVOR. Terráqueo - francês.
- Wekar - Guarda-Costa de Wirgon, segurança Klingon.
- Willian Ness - Alferes de ponte da USS ATLANTIS. Terráqueo - irlandês.
- Wind Chayenne - Tenente navegadora da USS ATLANTIS. Terráquea - índia Cherokee.
- Wilson - Tenente Oficial. Segundo em comando na segurança. Ganimedes Marte
- Wirgon - Cientísta Klingon.
- Utzar - Oficial engenheiro da Nave KTARNAC, filho adotivo de Kortan, Klingon.
- Zetor'v - Capitão da Base espacial klingon K'Vort.
****
Capítulo I.
Sarah McKenna saiu do elevador e seguiu em passadas rápidas e
firmes pelo corredor claro e amplo, num tom azul acinzentado que passava uma sensação de tranqüilidade
suave às portas e painéis em sua extensão. Seu uniforme vermelho e preto era impecável, evidenciando com
clareza seu porte ereto e seu corpo atlético, mas não uma típica pose vulcana, rígida, apesar de suas
orelhas pontudas emergirem ostensivamente dos cabelos densos e castanhos presos num rabo de cavalo.
A nave zarpara há dois meses e quando a Imediato metódica e
exigente emergia em algum corredor com seu olhar reto e perscrutador, cada Alferes e Oficial que a viam
engoliam em seco, um medo tolo e irracional de que seus trabalhos não estivessem bons o suficiente para
passarem pelo crivo analítico da mulher que controlava suas fichas e evidentemente suas carreiras. A
Capitã O'Conell era gentil, mas pouco acessível: sua obrigação era decidir e responder por essas decisões
e era através de seus Oficiais Comandantes que a nave funcionava a contento. Por conta disso, ainda era
difícil para a tripulação saber se estavam correspondendo aos critérios estabelecidos por Sarah McKenna
logo no segundo dia deles no espaço. Ela iria exigir o sangue deles e aquilo, aparentemente, não era um
eufemismo.
Não havia um só canto daquela nave que ela não surgisse de repente,
a qualquer hora, tendo ganho o "gentil" apelido de "Aquela que não dorme", coisa que Sarah
fingia não saber.
Düff resmungava que ela estava se divertindo muito com aquilo
e Sarah admitia que sim, pois sabia que era temporário - quando a fase de adaptação passasse eles continuariam
cientes de sua exigência criteriosa quanto ao trabalho, mas aprenderiam a reconhecer o quão importante era o
valor que ela atribuiria a seus esforços e talentos - coisa que McKenna sabia reconhecer com justiça em amigos
e inimigos.
Quando entrou no laboratório de Exobiologia, viu que Melrik estava
lá, conferindo os dados das amostras que seriam enviadas para a colônia.
Eles fitaram-se com seca formalidade vulcana mas o vulcano alto
e de perfeitos e brilhantes cabelos negros foi na direção dela sem hesitação. Ainda havia entre eles um
certo quê de desconfiança ou, como os vulcanos preferiam, uma neutralidade lógica entre pessoas que não
tinham nenhuma intimidade. Melrik era um homem bonito dentro dos padrões humanos e Sarah, mesmo sem usar
sua P.E.S., percebia divertida o encantamento que o austero vulcano conseguia provocar nas mulheres humanóides
com as quais trabalhava.
- As plantas para a nova colônia passaram pela última bateria
de testes de gravidade simulada e correspondem satisfatoriamente aos padrões esperados, Sra. Imediato.
Sarah não o encarou, sabendo que ele "odiava" ser encarado
por ela:
- A situação geológica e climática do planeta novo ainda não
está estabelecida por completo, Sr. Melrik, então satisfatório é aceitável no momento.
Melrik não esperava aquela reação dela. Na verdade esperava
que McKenna exigisse, como era de seu hábito, que os resultados fossem elevados para além de
"satisfatório", coisa para a qual Melrik já estava preparado.
- Iniciaremos novos testes quando orbitarmos o planeta, Sra.-
A exobióloga se manifestou, também percebendo a flexibilidade da Imediato.
- Ótimo. Senhores. - Ela aprovou, erguendo os olhos da tela
com os dados da pesquisa. Seus olhos castanhos se cruzaram com os de Melrik e por um brevíssimo instante
sentiu algo "fora do lugar" na mente metódica e clara do amigo de O'Conell. Mas não se meteria
na vida dele. Melrik jamais a chamara pelo nome e não havia confiança pessoal entre eles para tanto. Se
ergueu e se foi.
MAIS TARDE, NO REFEITÓRIO...
Düff e Sarah passaram pela mesa cheia de ordenanças e ela
retribuiu o cumprimento deles com uma inclinação gentil de cabeça e ele com uma continência, indo ambos
para uma pequena mesa próxima ao processador de alimentos.
A tripulação já estava se acostumando a vê-los sempre juntos.
Apesar de haver um pouco de maldade aqui e ali ainda era difícil para a maioria acreditar que a vulcana
tivesse qualquer coisa íntima ou até mesmo uma forte amizade com alguém tão acessível e bem humorado
quanto o Médico Chefe da Atlantis.
Dyllan Sanchez sabia que aquilo era mais do que possível, pois
vira a intimidade e amizade deles duas ou três vezes quando fôra até os alojamentos dela para um ou outro
serviço.
- Apesar de vulcana a Imediato McKenna é muito legal - Ness,
o jovem ordenança de ponte, muito ruivo, cortou os pensamentos de Dyllan.
Dyllan a olhou impecável em seu uniforme e baixou a cabeça com
um sorriso matreiro. Lembrou-se do conteúdo de uma gaveta nos alojamentos da Imediato e sabia que ela deveria
estar usando algo excitante e rendado. Tomou um gole de seu chá e sorriu para Ness, muito jovem e ingênuo
e, talvez por isso mesmo, fosse um dos pouquíssimos seres da tripulação o qual a vulcana tratasse com
"delicadeza". Aliás, ninguém em sã consciência teria coragem de tratar aquele rapaz de outra forma.
- Sim, William, mas ela também é um pouco humana... - Sua voz
era polida e seu tom quase indiferente. Afinal, não poderia passar outra imagem aos jovens ordenanças,
cujos postos eram da mais extremada confiança. Faye Jokovick sorriu para ele:
- Ela age como humana com você, Dyllan?
Ele lhe retribuiu o sorriso. - Acha que escalariam alguém para
ser seu ordenança se ambos não agissem como Oficiais cientes, Faye ? - Sanchez entrou no assunto devagar,
sabendo exatamente onde ela queria chegar. - Ou você, por acaso, tem algum arcaico preconceito sexual?
Ness concordou com um aceno.
- Você está sendo boba, Faye. Ambas, Capitã e Imediato, são
Oficiais de carreira. Acha que chegaram a esse ponto agindo levianamente?
Jokovick voltou a rir.
- Homens! Vocês são tão "ingênuos"! Acham que, exatamente
por isso, elas vão se importar com os sentimentos de alguém?
Sanchez a olhou sério e ao mesmo tempo pôde ver Sarah na outra
mesa, de costas, virar a cabeça na direção deles. Ness também o notara e ficou imediatamente vermelho.
- Você está falando alto, Sra. Jokovick... - disse, mesmo
sabendo que não era verdade.
Faye terminou seu café e se levantou, sabendo que aquele assunto
era inútil.
-Não morra de medo, Ness. Até logo, meninos.
Dyllan passou a língua nos lábios, olhando fixamente para o
conteúdo de sua caneca.
- Você já arranjou alguma namorada, Ness?
- Não - William balançou a cabeça, distraído. - E você?
Dyllan sorriu de novo. - Não creio mais no namoro desde que
saí da Academia...
Ness o olhou confuso. - Isso parece muito drástico.
Sanchez sorriu estranhamente: - Vamos embora, garoto, temos
muito o que fazer.
Enquanto Ness e Sanchez saíam D'Angelis e Benrubi entravam no
refeitório e ao avistarem o médico se encaminharam para lá.
- Boa tarde. Senhores! - Hans cumprimentou-os com um sorriso
fazendo um gesto para que se sentassem junto com eles. - O que está acontecendo nesta nave? Todos os
Tenentes Comandantes ficaram de folga de repente?
D'Angelis sorriu, com vontade de perguntar se ele e Sarah
McKenna só comiam juntos também:
- Eu tenho uma hora para o almoço mas creio que Benrubi está
de folga.
Joshua assentiu, com o olhar castanho de Sarah queimando seu
rosto: "... o que diabos ela estava olhando?..."
- Vou reunir alguns alferes mais graduados para um treino mais
puxado daqui a quarenta e cinco minutos.
- Abrindo mão de sua folga, Joshua? - e Hans balançou a cabeça.
- O que é isso? Uma espécie de doença que está se espalhando pela nave? - e se voltou para Sarah: - Isso
é culpa sua, vulcana. Quer você queira ou não eles são humanos. Deixe os bichinhos em paz ás vezes!
Sarah suspirou e depois deu um sorriso curto.
- Vocês humanos adoram essa desculpa, Hans Düff.
O tom dela foi suave, quase bem humorado. Jordan sorriu admirado
da forma especial como eles se tratavam. Era evidente que tinham passado muitas coisas juntos e que a
personalidade contagiante do alemão havia contribuído de alguma forma para amenizar, vez por outra, a da
vulcana. Não acreditava, como Benrubi, que eles tivessem um caso, mas para Joshua isso não era evidente,
como para ele não era muito claro o relacionamento da Capitã com Oficial vulcano Melrik.
- Estamos fazendo o máximo por esta nave, Sra. McKenna.
- Jordan disse sem querer desrespeitá-la, e, já que havia surgido uma oportunidade... - Considero seu
trabalho com os recém saídos da Academia excepcional, mas há alguns Oficiais que estão se sentindo sobrecarregados.
Sarah pareceu sorrir para o Engenheiro Chefe: - E qual seria a minha idéia, D'Angelis?
- Qual? - Jordan pareceu confuso, esperando dela qualquer
coisa, menos uma pergunta retórica. - A Imediato McKenna quer conquistar a confiança dos jovens no
trabalho de campo e ver se seus comandantes realmente podem comandá-los.
- Muito bem, Benrubi - Düff cortou-os sem cerimônia - Agora
que todos fizeram a lição de casa é a minha vez de receitar um pouco menos de tensão e mais fibras nesses
pratos.
Os três resmungaram e D'Angelis disse: - É isso o que dá
almoçar com médicos!
- Sinta-se feliz, D'Angelis: eu ouço isso há mais de vinte anos!
Os quatro riram, dirigindo a conversa para assuntos mais amenos.
- Vocês se conhecem há vinte anos, Düff ? - Joshua perguntou
timidamente mas morto de curiosidade.
- vinte anos, sete meses, treze dias e... - olhou no cronômetro com
a maior seriedade: - trinta e quatro minutos. Vamos dispensar os segundos.
D'Angelis deu uma risadinha e Sarah balançou a cabeça:
- É um desperdício a sua implicância com a precisão vulcana, Düff.
- Você me diz isso há vinte anos, Sarah.
- Eu sei. Como sei que sou ignorada solenemente todas as vezes.
Jordan sorriu. - A amizade de vocês é digna de constar nos manuais da Frota.
Düff sorriu e seus olhos se cruzaram com os de Joshua. O alemão
entendeu, naquele instante, que precisava conversar um pouquinho com o vistoso Oficial de Segurança da Atlantis.
Depois. Ele merecia remoer um pouquinho suas idéias, apesar de saber bem o conceito sexual que Sarah já
arquivara em sua mente sobre ele. Riu consigo mesmo: "... era engraçado como sua amiga meio vulcana e meio humana
engendrada... por Deus, não gostava nem mesmo de pensar naquilo... analisava os homens que tinham a mínima possibilidade
de se tornarem - como poderia ser ameno? - "futuras relações sexuais", “casos”..."
- Hans Düff é um dos poucos humanos que conheço cujas palavras
são dignas de constar nos manuais da Frota: - e Sarah afastou a cadeira silenciosamente, indicando que ia se
levantar - expressam exatamente aquilo que pensa.
D'Angelis a encarou com seriedade: - Talvez a Sra. McKenna não conheça muitos humanos.
Ela se levantou e eles a imitaram.
- Talvez eu conheça humanos demais - e, quando seu olhar prendeu o
de Jordan, ele sentiu um frio na barriga, como se uma teia de aranha gigante o tivesse envolvido.
Hans pôs a mão no ombro de Sarah e esta sorriu para ele, e os dois saíram em seguida.
Benrubi olhou para Jordan.
- O que foi? Você olhou para ela de um jeito tão estranho!...
- Tive a impressão que ela estava lendo meus pensamentos e depois
tive certeza de ter ouvido a voz do doutor chamando-a... - D'Angelis sibilou um suspiro meio aliviado.
- Diabos... - Joshua murmurou olhando na direção em que Sarah
se fôra acompanhada do médico. - Ela estava lendo sua mente sem tocar em você... !
D'Angelis o olhou como se ele estivesse maluco:
- Os vulcanos não podem fazer isso, Joshua.
O israelense bateu no ombro do colega com um ar muito sério:
- Acredite em mim: ela pode.
Eles também se foram e Jordan só tinha uma coisa em mente:
"...se a vulcana podia ler as mentes deles com aquela facilidade, o que a impediria de vasculhar a
mente de todos ali...?"
Depois ele lembrou-se da voz firme e amigável de Hans Düff
soando de repente em seus ouvidos junto com o zumbido suave dos motores de dobra que passou a ouvir
assim que atravessou as portas da Engenharia.
****
Melrik entrou no gabinete de Diana e estendeu para ela uma
prancheta eletrônica com os dados que ela havia solicitado sobre o planeta da nova colônia para a qual
se dirigiam.
Ela estava sentada e se apoiou com o antebraço na mesa analisando
os dados. Fez um sinal rápido com a mão para que ele se sentasse, tudo lá fora parecia calmo, mas constante a
escotilha a esquerda deles mostrava as estrelas riscando o espaço a nave viajava em velocidade de cruzeiro em
direção da colônia Áurea Borellis II, um planeta com solo fértil e com clima ameno.
Era fácil trabalhar com Diana para ele. Aquela mulher humana,
que poderia com facilidade devido a sua forte personalidade externar todos os típicos rompantes humanos,
era a mais singular e por vezes a mais estóica de todas as pessoas de sua raça que o vulcano já havia
conhecido. Seu trabalho, como o dele, era metódico e preciso e não havia uso de emoções de qualquer tipo
em suas decisões e atitudes de comando e ás vezes até nas de cunho pessoal, também.
Isso ele presenciara muitas vezes já para não ter dúvidas quanto
a seu modo de agir. E ainda assim quando Melrik a observava algumas vezes podia sentir dela uma tristeza
tão funda, um amargor tão intenso que chegavam, vez ou outra, a embotar sua perfeita e afiada lógica vulcana.
Ele a respeitava completamente, num sentido que os humanos não entediam, a fidelidade daquele homem alto
e austero pertencia àquela mulher elegante e com ar aristocrático cujos cabelos curtos e lisos faziam-na
parecer muito mais jovem do que ela gostava.
Diana levantou a cabeça para ele e o encarou de forma a parecer
que perguntava alguma coisa que só ele entenderia.
- Diana? - Ele a encarou.
Ela sorriu afinal: - Estava me lembrando de um certo dia na
Academia... Coisa estranha de se fazer em pleno limite entre o quadrante Delta e Beta você não acha,
Melrik? Ela riu diante desta explicação tacanha...
- Pensamentos dispersivos são um desperdício de energia, eu
diria, mas isso é bastante comum nos humanos Diana e por mais que você tenha adquirido bons hábitos ao
longo dos anos você sempre será humana.
Diana sempre tinha vontade de rir quando Melrik conversava
com ela assuntos banais como se estivesse dando uma palestra. Mas conteve-se e assumiu uma pose passiva.
- Você está me dizendo que adquiri bons hábitos com você,
Melrik? Ser convencido é um mau hábito humano! - Ela riu levemente não podendo sustentar a pose
anteriormente assumida.
Ele ouviu a curta risada dela fingindo estar impassível:
- Pensei que estivesse elogiando você. - ele respondeu com a entonação e o rosto mais puros da galáxia.
Diana interpretava aquilo como "tentativa de senso de humor vulcano",
mas sabia que isso era apenas o desejo de sua mente tentando ver em Melrik um sentimento que ele não
tinha ou se tinha controlava muito bem. Foram raras ás vezes que Diana viu naqueles olhos vulcanos,
naquele semblante, sentimentos quase extravasado, mas que Melrik dominava um segundo depois para que eles
não transparecessem.
Por anos tentou mensurar a energia gasta pela mente dele para
conter sentimentos que ela se obrigava a conter, tudo em nome das missões, da carreira e da sanidade, mas
ela sabia que se para ela era difícil drenar a sensibilidade para ele era difícil manter a passividade
cercado de tantas emoções conflitantes - as dela principalmente.
Eram tantos anos juntos e nunca se sentiu invadida em seus
pensamentos, com o tempo sem pensar ela foi adquirindo os mesmos hábitos dele, ás vezes a mesma forma de
falar, mas ainda não conseguia entender completamente aquela mente intrincada, talvez algum dia ela
entendesse...
Diana sorriu para ele e mostrou algo na prancheta para que
ambos continuassem o trabalho de modo que o vulcano não precisasse usar os músculos da face.
- E a respeito do pessoal que vai compor a área de pesquisa? -
Ela voltou-se totalmente para o serviço enquanto Melrik deixava a prancheta repousar sobre a mesa.
- Dois biólogos, um astrofísico e três assistentes de
laboratório, um dos biólogos é o tenente Roger McKenna. - Ele soltou calmamente esperando Diana absorver
a informação.
- Não me diga... - Ela o encarou. - Um parente de nossa
Primeira-Oficial?
- Sim, do ramo escocês.
Diana acessou a tela do computador e solicitou a ficha de
Roger que apareceu em letras azuis.
Ela repassou rapidamente os tópicos. - Especialista em
botânica e entomologia. Amplos conhecimentos em paleontologia e pesquisa de campo.
Ela virou-se para Melrik: - Bem isso sana algumas deficiências
em nosso departamento de biologia. - Ela complementou satisfeita. - Se isso foi idéia de Sarah, ela teve
uma excelente idéia...
- Deixaremos os substitutos no planeta segundo o cronograma e
os demais serão parte efetiva de nossa tripulação.
Diana o encarou depois de apagar os dados da tela do computador.
- Bem parece que terão que abandonar o paraíso para se juntar
a nós... E as demais transferências?
- Tudo catalogado e testado, mas teremos que efetuar mais
teste quando orbitarmos o planeta...
Diana levantou-se e aproximou-se da escotilha. O espaço negro
passava rápido e as estrelas escorriam em uma fina linha de luz distorcida.
- Vamos aguardar Sarah, verificaremos em conjunto os dados...
Diana se voltou para Melrik e notou um certo desconforto no
olhar dele imperceptível mas estava lá. Tinha que falar com ele , saber o por quê daquelas oscilações de
comportamento que ele insistia em esconder dela. Logo dela a pessoa que ele mais confiava.
- Melrik, eu não vou perguntar de novo... - Ela sentou na
beira da mesa o encarando, não era a primeira vez naqueles dois meses que ela tentava descobrir algo
naquele comportamento latente. - Não gosto de bater na mesma tecla e você sabe muito bem disso - ela
insistiu.
Ele empertigou-se na poltrona e mirou os olhos verdes dela,
um verde suave e constante, não era confortável falar daquele assunto, era admitir que suas barreiras,
que Diana presumia intransponíveis, estavam ali em pé, mas que o poder mental de Sarah McKenna mesmo que
inconstante agia sobre seus muros como ondas do mar intermitentes, as quais não feriam, não entravam na
fortaleza, mas que incomodavam e o fazia sentir a presença dela a cercá-lo toda vez que estava próxima
esperando uma oportunidade de entrar.
Diana era como nuvens calmas em cima da fortaleza, que ás
vezes largava a chuva sobre os muros, mas era uma chuva recebida de bom grado como a vida depois da
morte, como explicar isso a ela, que possuía uma P.E.S. adormecida pelo sofrimento...
- O poder dela é muito grande - Ele disse sem emoção.
Diana aproximou-se dele e sentou-se na poltrona do lado,
ouvindo com muita atenção.
- Se ela desejar de fato, ela poderá entrar em minha mente.
- Você acha que isso pode acontecer sem seu consentimento?
- Sarah é altamente treinada, e para todos que recebem treinamento
vulcano é vedado a invasão em mentes alheias sem um consentimento antecipado, isso é o mesmo... - ele
hesitou antes de continuar.
- Que a morte para um vulcano - Diana completou. - Talvez eu
tenha que falar com ela, você é o único vulcano da tripulação incomodado com a presença dela.
- Diana, - ele a fitou mais intensamente - ela só faz isso
quando quer, mesmo não sendo uma intromissão efetiva em minha mente ela fica a perscrutá-la, talvez ela
queira chegar até você. - Ele disse, dando um suspiro. - Eu sei tudo sobre você...
- Deixe ela saber - Diana o olhou com um ar de afabilidade.
- Ela saberá tudo sobre mim mais cedo ou mais tarde, não se torture para guardar segredos sobre mim, se
preocupe apenas com os seus segredos.
Ela pensou na gravidade daquelas palavras, queria proteger
Melrik a todo custo.
- Não posso - Ele se levantou. - Eu tenho que falar com Sarah
McKenna, mas não agora, ainda é cedo, ela é algo com que nunca travei conhecimento antes. Devo experimentar
e testar para depois concluir. Este é o modo vulcano e é meu modo de agir.
- Você é um teimoso - Diana girou a poltrona de modo a ficar
de frente para ele. - Mas eu concordo com você, seja qual for seu plano. Diana sorriu para ele tentando
animá-lo.
- Pôr que você transforma tudo em uma irônica questão simples,
minha Diana?
- Para tentar fazer você rir , de vez em quando...
- Totalmente irrelevante e ilógico, pensei que tratávamos de
um assunto sério.
Ela o encarou - Para mim é mais sério do que você imagina...
O rosto de Diana perdeu a leveza do sorriso.
- Vamos voltar as análises.
Ele sentou e começou a emitir ordens para o computador.
****
Capítulo II.
NO PLANETA KLIN...
Kortan acabara de receber o Chefe do Alto Conselho do Império
Klingon, não era sempre que aquele homem já idoso até mesmo para um klingon se metia pessoalmente nas rusgas
da política interna do Império ele tinha assistentes, os quais trabalhavam por ele na cena da ação política,
quando necessário.
Kherrtar um dos mais importantes membros do Império, o qual só
devia explicações ao Imperador em pessoa, tinha passado as últimas duas horas em sua companhia na ampla
biblioteca de sua casa e depois jantado com ele um excelente "Kai'danh" . Kortan estava sentado
na sua confortável poltrona de couro feita de legitimo Bashir, sua textura sedosa, contrariava qualquer
estilo decorativo da cultura klingon, onde o conforto era renegado ao segundo plano. As paredes - onde nas
outras casas deveria existir espólios de guerra e brasões familiares - estavam instaladas prateleiras e
mais prateleiras de livros, livros em várias línguas do Império Klingon e de seus mundos conquistados, e
agora também em língua da Federação, livros que outrora ele devia esconder dos olhares curiosos e de delatores,
agora não passavam incólumes dos visitantes que aportavam naquela casa. A casa de um guerreiro cosmopolita.
Kherrtar passou os primeiros quinze minutos admirando aquela
biblioteca, os dois se encontravam num aposento onde a paz reinava, não haviam crianças pequenas na casa
de Kortan e há muito seus filhos já haviam tomado o rumo de suas carreiras, sua mulher como boa dona de
casa klingon preparava junto com criados o jantar para o ilustre convidado surpresa.
- Sua biblioteca , expressa o homem que você é meu amigo -
Kherrtar olhou de soslaio para Kortan que espera em pé a sua direita. - Seu pai sempre me falava sobre o
seu gosto apurado por livros, algo creio... que ele nunca compreendeu.
- Sim, mas ele viu que um homem não se faz somente de armas ou
guerras. - Kortan se sentou depois de seu visitante.
Kherrtar exibia sua farta cabeleira grisalha e sua barba comprida,
suas vestimentas de guerreiro e seu símbolo de Chefe do Conselho. Seus olhos eram duros e perscrutadores,
e a força que vinham deles era como se um jovem surgisse de repente por de baixo daquele corpo velho e experiente.
- Você esteve na última reunião do Conselho, e participou da
votação final...
- Sim. - Kortan o encarou nos olhos como o outro fazia com ele e
ponderou sobre o assunto que o velho estava tentando introduzir.
- A decisão foi acertada? Qual a sua opinião?
- Excelência... - Kortan ponderou - creio que nossa adesão a
Federação já foi decidida e não há mais nada a se discutir.
- Pare com as formalidades, você é como um filho para mim -
Kherrtar riu matreiramente como sempre fazia.
- Não darei minha opinião informal a respeito, esta ficará
apenas em minha mente, é um assunto o qual não discutiremos mais, o Senhor sabe disso - Kortan deixou-se
levar pela lógica, não queria externar seus verdadeiros sentimentos, os quais sempre o levaram a acreditar
que a paz com a Federação deveria ter sido feita há muito tempo, bem antes de Práxis explodir, eles estavam
em 2.327 e só agora os acordos finais estavam sendo solidificados mas muita coisa ainda deveria ser feita
para acertar de vez a paz com a Federação.
- Sempre desconfiei que você queria a paz, e a união com os
Federados, isso é bem típico de você, a paz para a prosperidade. Bem, no meu tempo não poderia pensar
assim, eu seria morto por traição ao Império. - Kherrtar continuou - Mas hoje os tempos são outros e
acredito na mútua cooperação, no entanto não admito certas interferências da Federação, não admito sermos
obrigados a assumir os costumes de língua, são eles que devem aprender nossa língua... - Kherrtar
esmurrou o braço da poltrona onde estava sentado com certa raiva.
Kortan lembrou da terráquea que havia conhecido pessoalmente
há cerca de dois meses e que falava a língua klingon com desenvoltura, "...que tipo de tortura, sofrimento ou missão a levou a aprender a língua klingon tão bem..?."
Aquele tipo de informação estava longe das mãos de Kortan, mesmo em suas tentativas de descobrir algo mais
sobre ela.
- Não se irrite tanto senhor, eles aprenderão nossa língua e
nós aprenderemos a língua deles isso já faz parte de nossos caminhos. - Kortan disse em tom apaziguador.
- Mas creio que não é isso que o trás a minha casa, não é sempre que recebo sua visita.
- Vim para discutir um assunto delicado, você já devia suspeitar
deste meu objetivo, mas gosto de conversar com você, por isso agora falarei claramente. - Kherrtar estreitou
os olhos e se encostou melhor no espaldar da cadeira. - Vim falar de Klang...
Uma pontada de preocupação tomou a mente de Kortan que havia
tentado se esquecer do incidente com Klang, mesmo no Conselho nada foi mencionado sobre o General renegado,
todos voltaram-se apenas para os assuntos relativos a política externa e os acordos com a Federação, os
assuntos internos foram debatidos rapidamente e nada incluía o assunto Klang, certamente já era coisa
confidencial e não seria levado a baila em uma reunião com os chefes políticos e governadores das colônias
do Império.
- Pensei que este assunto já tivesse sido resolvido...
Kortan tentava demonstrar desinteresse a respeito, mas seu cérebro
fervilhava atrás de resposta.
- Aparentemente nossas buscas fracassaram - Kherrtar fez um
esgar com a boca mostrando sua contrariedade.
- Um General com uma Ave de Rapina não encontrada, parece que
Klang sabe muito bem o que quer...
- Kortan - Kherrtar o olhou serio - Ele conseguiu fazer a arma funcionar...
Kortan estreitou os olhos e posicionou-se tenso não podendo
conter agora sua preocupação em face do que o velho chefe dizia com um brilho nos olhos.
- Se fosse em tempo de guerra eu ficaria orgulhoso, mas agora
estamos tentando manter a paz, precisamos dela, creio que nunca entenderei por que a busco como você a
busca, admito estou velho mas preciso me adaptar aos novos costumes, mesmo que eu os ache uma afronta aos
meus costumes Klingons.
Kherrtar estava sendo muito sincero, o que deixou Kortan mais
aflito ainda, sua mente fervilhava, "...esteve com Klang em sua frente naquela ocasião por que não o matou
ali mesmo, rápido e silenciosamente..."
- Onde ele encontrou os técnicos?
- Não sabemos ainda, talvez klingons que aderiram a causa dele,
talvez tellaritas capturados ou simpatizantes, impossível de dizer.
- Causa!! - Kortan disse se levantando com irritabilidade - A causa de um klingon louco.
- Por isso estou aqui... - Kherrtar o encarou - Você irá em missão incógnita
atrás dele...
Kortan analisou aquela ordem e pensou nas implicações.
Kherrtar continuou sem esperar a resposta do homem que estava
em pé em frente da lareira com os braços para trás, esperando uma explicação.
- Recebemos informações do Jan'rtuhik, você compreende que
este serviço está sendo supervisionado por nosso setor secreto.
Kortan assentiu com a cabeça.
- A Federação está começando uma investigação a respeito de
dois ataques em colônias no quadrante Beta, sem motivo aparente. Pelo tipo de ataque, foi especulado
sobre um possível ataque klingon, mas a arma é desconhecida. Assim eles não tem provas contra nós, mas
com certeza farão de tudo para botar a mão naquela nova arma.
- Eles conhecem a atual situação sobre klingons revoltosos e
eles sabem que estamos tomando providências... - Kortan se pôs a falar calmamente, sinal que estava
raciocinando.
- Sim eles sabem disso, mas querem uma ação imediata, eles
ainda não provaram que foi um ataque klingon de fato. Eles colocarão uma nave da Frota especialmente
incumbida para achar esta nave e de uma forma ou de outra colocar as mãos em tal arma. Sua missão é
encontrar Klang quero julgá-lo pelas leis klingons e não pelas leis da Federação e destrua a arma antes
que os engenheiros e técnicos da Federação possam analisá-la, não podemos deixar que suspeitas recaiam
sobre nós, podemos alegar que a arma foi fabricada por qualquer outra raça tecnologicamente avançada.
Faça de tudo para trazer Klang de volta vivo. Ele receberá um tratamento especial. Quero que ele morra
sem lutar, como um klingon desonrado.
Kherrtar ressaltou as últimas palavras com uma ira profunda.
- Ele é seu filho... um pai não o deixaria morrer lutando? -
Kortan se sentia impotente ante o ódio de um pai traído.
- Eu mesmo o matarei, devo lavar a honra de meu clã, e Klang
manchou nossa honra.- Kherrtar o encarou mais intensamente e seu olhar era mais duro ainda, sua dor
interna seu drama familiar sua angústia por ter tomado aquela decisão eram como pontas de d'ktahg que
perfuravam o coração klingon daquele guerreiro.
Kortan compreendia o desejo daquele pai em manter a honra e
dignidade da família, mas não o gosto de sangue em suas palavras o sangue de seu próprio filho, mas não
ousou interferir em seu juízo, ele nunca havia passado por isso e até mesmo Utzar seu filho adotivo só
lhe dava motivos para orgulho, "...como seria ter que tirar a vida de seu filho..." mudou de
pensamento...
- Se é sua decisão eu a cumprirei - Kortan assentiu olhando
para aquele homem que mostrava mais força depois de desabafar.
- Você deve esperar mais instruções, mas de antemão ressalto
que talvez tenhamos que trabalhar em conjunto com a Frota Estelar. - Kherrtar disse meio desanimado,
sabendo que se isso acontecesse seus motivos pessoais seriam renegados a um segundo plano. Este foi o
outro motivo que me trouxe aqui recebi relatórios a respeito de sua última viagem, e descobri que você
travou contato com uma nave da Federação.
Kortan o olhou confirmando com um aceno. - Sim, mas foi um
incidente pequeno, quando trazíamos o renegado Wirgon e a arma para cá.
- Eu sei, Wirgon morreu no incidente... - Kherrtar procurava
achar uma segundo intenção nos olhos de Kortan procurando saber se mataram o cientista associado aos
romulanos de propósito.
- Falhamos em trazê-lo vivo, mas creio que isso adiou os
planos de Klang, pena que foi por pouco tempo.
Kortan encheu o copo de Kherrtar com um líquido alaranjado
viscoso, algo de sua adega particular e muito antigo.
Kherrtar agradeceu com um assentimento de cabeça, aquilo era
uma prova de estima, e de aceitação da missão incumbida ao filho do seu melhor amigo, agora morto e
entregue ao seu destino de guerreiro.
- "...Nag'tin..." - Kherrtar sussurrou o nome pelo
qual era conhecido seu velho amigo. - Como Chefe do Conselho recebo toda a informação secreta e você está
ciente disso. Descobrirei qual a nave que será incumbida da missão, vamos torcer que seja a mesma a qual
você travou contato anteriormente. Como são seus Oficiais?
- Não posso afirmar quase nada a respeito deles, Senhor, pois
meu contato foi muito breve, mas creio que temos uma chance pequena de consumar nossos propósitos -
Kortan sorriu levemente ao lembrar da equipe de três Ofciais que acompanhavam O'Conell.
- E você acha que isso é um começo?
- Se for esta a nave incumbida, sim. - Kortan ponderou com o
copo a meio caminho da boca - Preciso de uma equipe.
- Deixo os detalhes da missão ao seu encargo, mas lembre-se traga Klang vivo.
Kortan sorveu o líquido acompanhado de Kherrtar, neste
instante Ethula entrava na biblioteca, uma fêmea klingon extremamente bonita já na meia idade, seus
cabelos negros e densos estavam aparados com uma tiara verde e suas roupas eram a de uma senhora casada
que dedicava-se ao lar, mas no seu cinto cravejado de pedras foscas estava a Qut'luch, a faca de uma
guerreira o que de fato ela tinha sido antes de devotar seu amor a Kortan.
- Srs. O jantar os aguarda.
Ela sorriu levemente para Kortan que retribuiu o olhar sedutor
dela. Ela saiu do aposento seguida dos dois klingons que estavam fazendo comentários a respeito do aroma
que se espalhara pela casa...
****
Utzar abriu os olhos e sentou-se na beira da cama, olhou de
relance o corpo da klingon que o acompanhou na ardente recreação noturna e deu um sorriso leve, com certeza
não a veria mais, essa era a vantagem de não se envolver. Poderia acordar e ir embora sem dar nenhuma
satisfação, uma espécie de liberdade a qual se habituou com o passar dos anos. Ela acordou, seus cabelos
cor de cobre espalhavam-se por seus ombros e escorriam por sua silhueta bem definida e esbelta, tocou as
costas dele, a pele quente que cobria seus músculos e sentiu o pulsar da vida sob suas mãos.
Ela sentou-se ao lado dele e o encarou e ele retribuiu aquele
olhar os braços dela o enlaçaram e apertaram o corpo dele contra o seu próprio, não era um novo convite
para prazeres sexuais secretos, os quais ela conhecia muito bem, mas uma despedida, deram um longo beijo
tempestuoso e passional como todo toque klingon e se fitaram pela última vez.
Momentos depois Utzar seguiu para seus afazeres na Academia de
Estudos Klingon localizado nas redondezas da capital Khal. Lá estava desenvolvendo suas habilidades como
engenheiro de armada e passando conhecimento para uma nova tropa de guerreiros.
A temperatura era estável e o céu estava cinza como sempre
devido ao constante efeito estufa, que apesar de toda tecnologia disponível ainda não havia sido amenizado,
coisas para gerações futuras que se preocupariam mais com a paz e a prosperidade do que com as guerras e
batalhas , "...se é que ainda pensariam assim algum dia..."
Pensou se receberia uma nova missão. Depois da morte de Wirgon
o Quartel General klingon - A força de defesa - tinha colocado todos da Ktarnac de molho por uns tempos
para que as contentas entre grupos dispersos de comandantes e conselheiros se dissipassem. Não era fácil
para Utzar ficar em terra klingon por muito tempo, era tratado cordialmente, mas ele sabia que internamente
o viam como um bastardo meio klingon, apenas na casa de Kortan se sentia seguro e protegido dos olhares
preconceituosos de vários colegas de pesquisa e comandantes.
Passara por todas as fases de aprendizado Klin, o teste de maturidade
aos sete anos Kahs'wan, onde deveria provar saber se defender sozinho nas difíceis estepes de
Khlinzai, recebeu sua Qu'tluch a qual usa diariamente desde então, sempre defendeu a honra de
sua família adotiva sendo devoto de seu mentor e pai adotivo Kortan. Desempenhou bravamente seu papel no
teste ritual dos guerreiros, quando incorporou o Brak'lul e tornou-se um guerreiro completo.
Mesmo assim sentia os olhares sobre si. Quando perderia aquela
sensação? Talvez nunca. Pensou vários dias sobre a oferta de Kortan em ser um dos adidos consulares na
Federação, sabia que podia chegar a ser um, tinha conhecimento de política, e ciência social, conhecia
várias línguas e culturas, "... por que não...?" Porém esta era uma decisão difícil, e devia
ponderar muito a respeito.
Notou que seu comunicador mostrava uma luz vermelha intermitente,
era alguém chamando, clicou o botão de acesso e viu Kortan na mini tela de comunicação.
- Preciso falar com você imediatamente. - Kortan falou rápido e sério.
- Estou a caminho, pai...
- Estou no aguardo. - O comunicador se desligou.
Utzar repetiu em sua mente aquela palavra, "...pai...",
sempre sentia algo estranho quando a pronunciava.
A face de Kortan estava séria e seus olhos estavam frios, algo
muito importante seria discutido. Utzar mudou o rumo que tomava ao mesmo tempo que comunicava ao departamento
de engenharia que ia se atrasar. Tomou o caminho de casa.
EM ÁUREA BORELLIS...
Roger levantou a cabeça apreciando a paisagem que a janela
oferecia, tinha terminado o relatório com os novos dados a respeito da colônia Áurea Borellis II. Era
realmente um planeta lindo, com solo fértil, vegetação e água em abundância, clima ameno sem muita variação
de temperatura. Perfeito para uma nova colônia e certamente para fartas plantações.
Ao longe distingüiu entre as árvores dois silos enormes, com
seu metal brilhando sob o sol amarelo, logo seriam construídos os demais, a ocupação de Áurea Borellis
tinha sido planejada para transformar o planeta em uma grande fazenda, seria um planeta exportador de
grãos, coisa indispensável neste setor. Sabia que com o tempo pequenas cidades se formariam, onde começaria
um comércio interno, só esperava que não houvesse uma super população ou visitantes em excesso
"...onde há fartura de comida há fartura de gente..." , Roger lembrou de uma de suas aulas de
ecologia. Neste aspecto ele não precisava se preocupar pois a Atlantis traria o pessoal especializado em
ecologia planetária de larga escala, seria impensável destruir a capacidade agrária daquele solo. Um
achado.
Ele levantou-se e espreguiçou-se, olhou para a foto de Ann.
Por mais que tentasse não conseguia se desfazer daquela foto, os cabelos loiros finos como a seda caiam
sobre os ombros delicados dela, seus olhos verdes como duas esmeraldas brilhavam e seu sorriso doce e
sincero. "...nunca mais veria aquele sorriso pessoalmente..."
Ela adorava a natureza, as paisagens e passaram boa parte de
sua vida estudando as paisagens de planetas estranhos. Roger sorriu ao lembrar de uma ocasião quando os
dois foram feitos prisioneiros por uma tribo nômade em PARDIX IX. Tempos que jamais voltariam. Voltou no
tempo novamente o tempo de sua memória e lembrou o dia que recebera a notícia, não acreditou, como
poderia acreditar? Depois que duas pessoas passam dez anos juntas é difícil de acreditar que uma delas
não existe mais. Lembrou das críticas por não ter comparecido ao enterro, como ninguém podia entender?
"...Eu quero lembrar dela viva... viva, viva...!"
- O quê que há velhinho...?
Roger virou-se abruptamente e encarou Antony, homem de olhar
matreiro e que possuía uma cômica careca que lembrava à Roger, São Francisco de Assis.
Ele sempre falava velhinho... mas ele era o mais velho de
todos os técnicos, disse ele uma vez que esta era uma expressão usada no século XX, mas Roger nunca tinha
ouvido falar em uma expressão deste tipo.
- Terminei os relatórios - Roger falou sorrindo ao ver o companheiro
biólogo atarefado com uma pilha de caixas.
- Até que enfim...sabe onde coloquei o tricorder espectrográfico?
- Está na prateleira atrás de você.
- Se fosse uma cobra tinha me picado... - Antony sorriu ao ver o sorriso débil que Roger soltou ao ouvir uma de suas frases antigas.
- E os fazendeiros, estão com os equipamentos instalados?
- Vou para lá esta tarde, só espero que todos já tenham terminado a instalação são maravilhas da tecnologia, mas não deixam de ser deveras complicadas... - Antony sorriu e
sentou-se servindo-se de uma xícara de café.
- Falando biologicamente, creio que o planeta nos recebeu
muito bem, mas ainda e cedo para dizer, esta colônia esta residente aqui a apenas um ano e isso é muito
pouco para se dizer qualquer coisa...
Roger o acompanhou com outra xícara e sentou-se na frente dele.
- As chuvas virão em dois meses, eles se sairão bem, este
clima é maravilhoso e as fazendas vão produzir mais do que qualquer outra colônia que eu tenha conhecido.
- Sim ...isto aqui é um milagre, como Tian-sing gosta de ressaltar, um achado.
Os dois sorriram ao lembrar-se do japonês botânico, Roger
tinha uma certa simpatia pelo japonês taciturno e fechado, mas era muito mais pela especialidade dele a
botânica, do que pela personalidade do colega de carreira.
- Quando a Atlantis chegará? - Antony mudou de assunto.
- Em dois dias. Já recebemos o comunicado de confirmação e
agora só falta encaixotar algumas amostras.
- Eles ainda vão fazer testes por aqui?
- Creio que sim, mas será coisa pouca, apenas testarão algumas
espécies trazidas da Terra. As quais eu solicitei.
- Não vejo a hora de voltar ao lar, minhas férias merecidas,
voltar para os braços da minha Margarida...querida. - Antony suspirou com um sorriso sincero.
Roger sorriu ouvindo aquele sotaque americano arrastado que
para ele soava tão musical.
- Fui transferido, vou ficar na Atlantis.
- Aposto que isso tem haver com sua prima querida... - Antony
sorriu matreiro querendo arrancar mais informações do retraído Roger.
- Mais ou menos, creio que será bom, eles estão precisando de
botânicos e de um tenente como eu...- Roger sorriu cinicamente apontando o polegar em sua direção.
- Rá... rá... não, não, naves não são para mim, ficar preso
entre toneladas de metal boiando pelo espaço, nem pensar, vou saltar na primeira estação espacial e
voltarei para a Terra, para minhas férias... - Antony sorveu um gole de seu café.
- Você está contrariando suas raízes,onde está o espírito dos
desbravadores do Oeste? - Antony fez um muxoxo no ar... e continuou ante o olhar ingênuo de Roger que
estava tirando graça da cara dele.
- Não me venha com esta história de raízes principalmente dos
sanguinários pistoleiros, se não começo a falar dos sanguinários "Highlanders".
- Eles podiam ser meio rebeldes, mas eram muito sinceros, os
"highlanders" e claro... - Roger riu gostosamente e depois ficou serio - Bem, não estou pronto
para voltar, pelo menos ainda não - Roger repassou a imagem de Ann em sua mente.
Antony o encarou por um instante e ficou resignado...
- Um dia você vai estar preparado e eu espero que seja breve
meu amigo...
- Um dia eu voltarei quem sabe? - Roger voltou a sorrir ante a simpatia de Antony.
Naquele mesmo instante ouviram um estrondo vindo de fora.
- Olhe...!!!
Correram para a janela e viram raios colidindo com o solo
abrindo crateras até onde a vista alcançava e o raio vinha na direção deles um medo irracional ativou a
adrenalina dos dois homens que saíram correndo da sala e se puseram a alertar todos no prédio, os raios
continuavam a colidir sobre o solo. Eles iam na direção a saída.
- Todos para fora!!! Todos para fora!!!
As janelas estilhaçaram em mil cacos os demais técnicos saíram
correndo em direção ao "Hall" principal e depois para a saída. O chão sob seus pés tremia e o
som era ensurdecedor.
Os raios vermelhos vindo do espaço explodiam os jardins em
torno do prédio do laboratório central e em poucos segundo o próprio prédio de dois andares estava no
chão, algumas pessoas estavam no chão com escoriações , outras cortadas e sangrando muito, outras
construções foram destruídas nos arredores, a biblioteca e os dormitórios...tudo tinha virado escombros,
os que estavam bem olharam assustados com ímpetos de pavor um raio mais denso correr pelo solo rasgando
a terra ao longe em dois pedaços criando um precipício, o tremor era comparável ao grau sete da escala
Richter e o que eram antes terras aráveis agora era um profundo barranco.
"...o que eles teriam feito com o resto do planeta..."
Roger pode ver os silos ao longe escorregando pouco a pouco
para dentro da fenda, mas felizmente as construções da fazenda pareciam intactas dali onde ele estava.
O Raio parecia querer cortar o planeta ao meio, e irou-se ao
lembrar que eles não tinham nenhuma tática de defesa, pois aquele pedaço do espaço era da Federação, onde
estava a Federação? Olhou para seu uniforme e lembrou que ele era a Federação ali...
O raio parecia ter se fartado pois tão rápido quanto apareceu,
desapareceu, parecia mais um teste, um teste com todos no planeta, teste de destruição. Mais alguns tremores
leves foram sentidos com intervalo de tempo maior.
Antony não acreditava no que via, tudo que era verde nas redondezas
tinha se transformado em cinza... Teriam que trabalhar muito para recuperar aquilo. Algumas pessoas ao
longe se aglomeravam próximos a fenda enorme, mas não se atreviam a se aproximar demais.
O ar ficou impregnado de odores de batalha, ar ionizado,
enxofre, fumaça, e carvão...Sons que vinham de longe pareciam ecos distantes de água, pedras e terra se
deslocando.
-AQUI E DR.GERTARD, ALGUÉM NA ESCUTA...?
- Aqui é Roger Dr. Estou na escuta.
- A SITUAÇÃO AQUI NA FAZENDA É ESTÁVEL, POUCOS FERIDOS, ESTOU ME ENCAMINHANDO PARA SEU SETOR.
- Estarei reunindo o pessoal, venha rápido temos muitos feridos. Desligando.
Roger desligou seu comunicador e ordenou aos que estavam em
boas condições a providenciarem transporte aos feridos, que estavam no chão, uns já sendo medicados pelos
demais médicos e alguns enfermeiros.
Roger correu para o que sobrara da sala de comunicação próximo
ao refeitório e deu de cara com Listsin que já entrava em comunicação com a Frota.
Olhou de soslaio para Roger e só teve tempo de dizer:
- Felizmente eles não acertaram o rádio...
- Contate a Atlantis ela é a nave mais próxima!
- OK... já estou passando a mensagem...
Roger correu para fora em direção ao jardim principal e notou
que a maioria dos feridos estava sendo levada para o refeitório e acomodada, seguiu com os demais para lá.
Olhou para o prédio onde estava sua sala e só viu escombros e mais escombros pensou com seus botões...
"...agora consegui me livrar daquela foto..."
****
Capítulo III.
NA ATLANTIS AO MESMO TEMPO...
Joshua preparava mais duas filas mistas de Alferes e deu as
ordens para o começo do treinamento de defesa pessoal, cada um estava lutando com seu parceiro da frente
empenhando-se em derrubar o oponente, as duplas, doze no total, espalharam-se pelo salão de treinamento e
de vez em quando ouvia-se o som abafado de um oponente caindo ao chão, depois faziam o revezamento o qual
consistia na troca de parceiros, não importando a raça do oponente. Era bom misturar terráqueos e andorianos
com centaurianos, era bom para testar a habilidade e ampliar o campo de conhecimento de cada um na arte
da defesa sem armas.
Joshua observava tudo de perto e dava instruções mais detalhadas
aos lutadores que viam-se em dificuldade, tenente Wilson o auxiliava nesta tarefa, pois era o segundo na
segurança.
Alguns dos outros cadetes principalmente o das aulas de arte
marciais que já haviam concluído o treino observavam de longe o treino aglomerando-se ao redor do círculo
destinado ao treinamento do pessoal da segurança. Assim aproveitavam para descansar um pouco.
O treino se estendia por várias etapas e os Alferes seguiam a
risca as instruções de Joshua. Nunca se sabia quando deviam entrar em ação, mas deveriam sempre estar
treinados e em alerta.
Bem próximo do deck de treinamento Sarah saía do
elevador pensando na reunião com Diana e Melrik que ocorrera a poucos minutos atrás, falaram sobre Áurea
Borellis II e sobre os especialistas em ecologia que deixariam lá e sobre as amostras que até agora
estavam mostrando bons resultados com os testes de gravidade simulada. Mas isso tudo era irrelevante na
mente de Sarah ante o comportamento de Melrik, que parecia mais retraído do que nunca, no fundo achava
divertido tentar transpor as barreiras mentais de Melrik, sem no entanto invadi-lo, já havia conhecido
muitos vulcanos com controle mental excepcional, mas Melrik era realmente uma surpresa e tinha um controle
acima da média, o que mais a intrigava era o que um vulcano como ele fazia ali na Frota Estelar? Um
vulcano como ele podia ser usado como controlador de mentes como tutor ou especialista em cura mental.
Era muito estranho vê-lo longe de seu hábitat condicional - o planeta Vulcan -
onde podia desenvolver suas técnicas de controle e repassá-las aos demais. Será que o "sentimento" dele
por Diana era tão forte que o obrigava a ficar eternamente como sombra dela?
"...E Diana?..." Sarah pensou por um instante...
Ainda não tinha tentado invadir a mente dela, nem se quer
captar seus pensamentos, não podia fazer aquilo, principalmente sabendo que Melrik estava preparado para
qualquer intrusão na mente da Capitã, além disso não seria certo neste momento, o máximo que se permitiu
foi captar pequenas ondulações de emoção coisas bem díspares, primeiro afeto, depois arrependimento,
depois carinho, depois compromisso e preocupações, fatos alheios e sem sentido como grãos de areia espalhados,
mas que juntos formavam uma teia de respostas, mas Sarah estava deixando para uma ocasião melhor entrar na mente
dela para saber mais detalhes.
Pelo corredor passavam alguns cadetes com sua indumentária de
treino olhavam para Sarah e a cumprimentavam com uma mensura respeitosa, a presença dela sempre surtia
este efeito em todos, entrou no salão de treino e viu no fundo a esquerda Joshua Benrubi se esforçando
para treinar seus subordinados. Alguma coisa a impeliu naquela direção, afinal iria encontrar Mestre Kenjiro no
salão anexo onde haveria um treino de artes marciais entre o experiente Mestre Kenjiro e ela, mas decidiu
dar uma olhada no treino dos alferes antes de ir ao seu destino final.
O método dele era o mesmo empregado na Academia, efetivar a
troca de parceiros na luta corpo a corpo, "... isso era bem lógico..."
Sarah levantou a sobrancelha esquerda e seguiu estoicamente
para perto do círculo onde se desenrolava o treinamento. Os cadetes e outros oficiais abriram caminho para
ela que se posicionou em uma das bordas não muito próxima a ação do treino.
Joshua a observou de soslaio e a cumprimentou levemente com um
menear de cabeça, notou que os alferes pareciam mais apreensivos com a presença da Primeira-Oficial, e
ordenou que parassem por um breve espaço de tempo, para recuperarem o fôlego. Mas na verdade o intervalo
era para que eles se habituassem à presença dela.
Joshua se dirigiu para onde ela estava enquanto alguns cadetes
sentavam na beira do círculo e outros ficavam em pé recuperando as forças por alguns instantes, Wilson falava
com alguns que faziam algumas perguntas pertinentes ao treino.
- Não esperava sua presença tão cedo...
Ele olhou para ela com seus olhos castanhos franzindo as
sobrancelhas.
Seu tórax bem delineado por músculos estava nu e suado devido
ao treino. Foi impossível Sarah não olhar rapidamente para aquele corpo mas não deixou ele notar seu
interesse.
- Como disse gosto de inspecionar tudo pessoalmente, o treino
do pessoal de segurança é de importância vital para esta nave, você sabe disso, Sr. Benrubi - Sarah olhou
para os homens e as mulheres com a roupa desgrenhada devido as lutas a uns vinte metros de distância.
- Vejo por sua roupa que encontrará Kenjiro...
- Ele me aguarda no salão anexo. - Sarah apertou mais sua
faixa de cor preta a qual prendia o quimono. - Eles parecem em forma, apesar do treino exaustivo...
- Procuro mantê-los assim...
- Excelente... - Ela se limitou a dizer.
- Por que você não dá algumas dicas a eles, fiquei sabendo que
você foi campeã em lutas marciais pela Academia. Eu poderia ser seu oponente. - Ele falou sorrindo.
- Por que não..? - Sarah decidiu entrar na brincadeira, mas
já sabia que deveria mostrar para ele que devia ser menos presunçoso.
Joshua pediu para seus alunos prestarem atenção em uma técnica
que iria demonstrar para eles com o auxílio da Primeira-Oficial.
Sarah calculou que ele aproveitara-se dela já que ela estava
pronta para treinar com Mestre Kenjiro que a aguardava.
Os dois se posicionaram frente a frente no meio do círculo
observados atentamente por todos ali, Joshua agarrou os ombros dela e deu um sorriso maroto a derrubando,
Sarah se deixou levar e caiu levemente no chão. Levantou-se rapidamente, ficou de novo frente a frente
com Joshua que se preparava para o segundo golpe.
Sarah foi mais rápida e golpeou com sua perna direita o flanco
esquerdo dele isso o fez cair, as mãos dele que a tentavam empurrar foram imobilizadas a cima da cabeça e
o joelho dela firmou-se entre o tórax e o pescoço o deixando sem ação. Ela voltou seu rosto para os
Alferes atônitos, pôs as mãos para trás entreabriu as pernas ficando em posição relaxada.
Ele a fitou entre confuso e irritado enquanto dizia aos Alferes...
- Como podem ver senhores, não devemos levar em consideração a possível
formação filosófica do inimigo: até mesmo vulcanos podem ser traiçoeiros. - O tom de voz de Joshua não
tinha nenhum humor, o que fez, paradoxalmente, um novo sorriso aparecer no rosto da Primeira-Oficial.
- Homens humanos... - Seu tom de voz estava evidentemente
caçoando dele. Benrubi já estava de pé e McKenna aproximou-se dele sob o olhar animado dos Oficiais
presentes. - De qualquer forma, Sr. Benrubi, creio ter sido inspirador este nosso primeiro embate. - e
olhou para os demais - Senhores com sua licença volto aos meus afazeres.
Alguns dos cadetes não tinham entendido o acontecido, mas
levaram em consideração a lição. Geralmente a força e a destreza do vulcano era renegada a segundo plano,
pois reza a tradição na Academia que eles são pacíficos e incapazes de atacar.
Benrubi a encarou e agradeceu o auxílio a encarando bem nos
olhos como quem dizia:
"...aguarde minha vez vulcana..." "...Quem essa maldita vulcana pensa que é?..."
Naquele momento, sem perceber, começava a criar uma vontade genuína de dar uma lição bem dada naquela
Primeira-Oficial. Havia um toque felino quando ele olhou de volta para o grupo e reiniciou o treinamento.
Sarah captou aqueles pensamentos deliciada, era muito intrigante os
sentimentos antagônicos que despertava em Joshua Benrubi e isso a divertia por dentro. Se pôs a caminho
do salão anexo onde Kenjiro da passagem entre os dois salões apreciava a demonstração recém dada por Sarah McKenna.
MAIS TARDE NA PONTE...
Chayenne verificava o curso, tudo estava certo, chegariam a
Áurea Borellis dois em vinte horas na velocidade de cruzeiro, os motores estavam perfeitos e a ponte calma,
a Capitã acabava de chegar a ponte e estava de pé junto a Melrik confirmando o número de amostras e o
local para descarregá-las, já tinham verificado todos os dispositivos da nave auxiliar Asteca, a qual
seria útil para transportar alguns espécimes que não se adaptaram aos feixes do teletransporte.
O antosiano Lerr Fan Berna, um dos poucos de sua raça a
ingressar na Frota Estelar acompanhava os dados do computador de Melrik ao lado da Capitã, ele era um
biólogo especialista em ecologia planetária, seu rosto oval com traços finos era quase angelical e seus
cabelos presos acima da nuca num rabo de cavalo curto era fato que chamava a atenção de muitos na nave -
a ele era permitido usar o penteado de sua raça isso o qualificava como antosiano - ele era calvo até o
meio do crânio e daí em diante se via uma vasta cabeleira branca devidamente presa pelo rabo de cavalo.
Seu planeta natal é mortalmente frio e cedo seu povo teve que se preocupar com a ecologia local, pois a
vegetação e a água são muito escassas. Todos no planeta vivem sob cúpulas.
Lerr apontou para uma das espécies e a assinalou para que esta
fosse transportada pela nave auxiliar, Melrik concordou com um menear de cabeça.
Diana se dirigiu para sua poltrona e sentou dando uma olhada
de relance nos controles no braço da cadeira...
Estava pensando na conversa que teve com Melrik, pensou friamente
sobre a questão, sabia que ele era um vulcano com controle mental acima da média dos seus conterrâneos e
ficou um pouco abismada com a afirmação dele:
"... Sarah era capaz de sondar sua mente mesmo que superficialmente..." "...E isso quando queria..."
Diana procurava uma forma de abordá-la com esta questão e dar
um fim a essa tortura mental em Melrik, que tipo de prazer oculto isso desencadeava em Sarah? Atormentar
uma mente vulcana...
Khya o centauriano de cabelos negros e sorriso cativante se
endireitou em sua poltrona e apertou vários botões ao mesmo tempo...
- Capitã, mensagem urgente de prioridade um de Áurea Borellis dois.
Diana se levantou e olhou para ele. Tirando de sua mente qualquer pensamento
anterior.
- Na tela.
Eles viram o rosto de um homem jovem com cerca de trinta e cinco anos,
seu rosto estava sujo de fuligem e suado devido a algum esforço.
- SOU OFICIAL DE COMUNICAÇÃO LISTSIN . PLANETA BORELLIS II
FOI ATACADO, REPITO ATACADO POR FORÇA DESCONHECIDA, NÃO SABEMOS A EXTENSÃO DO ATAQUE, ESTAMOS REGISTRANDO
MORTOS E FERIDOS. SOLICITAMOS O SOCORRO DE QUALQUER NAVE DO SETOR.
A imagem saiu de foco duas vezes e a voz do Oficial Listsin
era abafada junto.
- Equalizar, Khya - Diana falou rápido.
A imagem melhorou e Listsin repetia a mensagem. Ela tinha
sido gravada, talvez tivessem salvo algum equipamento, mas não poderiam transmitir instantaneamente.
- Mande mensagem prioritária para a Frota e responda a
mensagem deles, diga que a Atlantis recebeu o pedido de socorro e segue imediatamente para Áurea Borellis II.
- Perfeitamente, Capitã.
- Acionar alerta vermelho.
Neste exato momento o computador automaticamente acendeu as luzes laterais
indicando o sinal de alerta e perigo eminente, emitindo a princípio o aviso para todos os decks.
Depois do segundo aviso sonoro, só restaram o apagar e acender de luzes vermelhas nos sinalizadores de
parede.
- Chayenne, velocidade máxima, dobra nove em direção ao curso atual.
- Sim, Capitã.
Chayenne apertou alguns botões e a nave sentiu um leve tremor,
quando passou para dobra nove.
- Aqui é a Capitã, para a engenharia.
Ao mesmo tempo que passava a falar com D'Angelis, olhou para
Melrik e pediu tempo estimado e probabilidades.
- AQUI É D'ANGELIS, O QUE ACONTECEU AI EM CIMA...?
- Aqui e O'Conell, dê o máximo que puder no motor estamos em
alerta vermelho.
- CAPITÃ, GARANTO DOBRA NOVE DURANTE DUAS HORAS, NÃO MAIS.
Diana voltou-se para Melrik transferindo a questão para ele.
- Duas horas e quarenta e cinco minutos. Capitã.
- Ouviu D'Angelis, preciso de mais quarenta e cinco min. Faça e
não reclame.
- VOU VER O QUE POSSO ARRANJAR.
- Isso não é meu problema, arranje qualquer coisa, mas quero
dobra nove, Diana desligando. Aqui é Capitã para Sarah.
- ESTOU A CAMINHO CAPITÃ , BENRUBI ESTÁ COMIGO.
- Me encontrem na sala de reunião um.
****
Jordan acionou o pessoal da engenharia e ordenou que mantivessem
os olhos abertos nos retentores de matéria e antimatéria, essas duas formas de energia desencadeadas pelos
cristais de dilitium seriam constantemente misturadas para suprir a necessidade energética dos motores de
dobra. Manter os níveis de radiação plausíveis depois de duas horas era uma tarefa deveras difícil tendo
em vista que manteriam dobra nove, mas teria que ser feito, ainda tinham que pensar nos outros quarenta e cinco minutos, exigidos.
O pessoal da engenharia se movimentava rapidamente, Gomes chegou acompanhado de Jokovick
os dois já estavam com suas tabelas automáticas em frente aos painéis de contenção, fazendo novos cálculos
para dispêndio e rescaldo de energia. Tinham de dividir a força entre os motores, armamento e o abastecimento básico da nave.
- Acho que tudo começou no salão de treinamento - Jokovick soltou divertida tentando
afastar a tensão do rosto de Gomes, que estava concentrado em suas medições.
- Começou o que? - Gomes não tirava os olhos do monitor.
- O desentendimento entre a Primeira-Oficial e o Sr. Benrubi,
parece que ela o deixou bem irritado, hoje, afinal hoje não foi um bom dia para quase ninguém. - Faye olhou
de soslaio para a tela que protegia o motor.
- Ah! entendi, depois veio o alerta vermelho... - Ele sorriu
levemente levando os dados para outro painel.
- Exato, algo deve ter pego fogo lá em cima... - Ela sorriu.
- Isso não é treino, parem de falar besteira - Michael Carlyle
também conhecido como tenente certinho chamou a atenção dos dois e seguiu para levar o primeiro relatório para o
Tenente Comandante D'Angelis.
Faye o seguiu com o canto do olho e deu um leve suspiro voltando ao
seu trabalho.
****
Diana se levantou e ficou apoiada no espaldar da poltrona do
final da mesa oval da sala de reunião anexa a ponte. Já estavam ali fazendo conjecturas e coletando dados a 45 min, as
estrelas do espaço corriam mais depressa e não podiam ser vistas muito claramente devido a velocidade que a Atlantis estava desempenhando.
Olhou para Sarah que expunha suas conclusões mas não podia esperar muito da vulcana mesmo ela
sendo excepcional em suas conclusões rotineiramente, agora ela não possuía todas as informações para dar
uma resposta conclusiva sobre o ataque em Áurea Borellis II.
Viram duas vezes a gravação do Tenente de Comunicação Listsin
e juntaram isso a localização do planeta sua utilidade e a espécie de pessoas que integravam a população
local. Não conseguiram achar nada que desse um indício certo, apenas concordaram em listar suposições.
- Quem se interessaria em atacar uma colônia agrícola em formação?
- Diana soltou a pergunta olhando para o teto.
- Pode ser o começo de um ataque mais abrangente, Áurea
Borrelis II tem uma excelente localização e certamente pode ser usado como porto espacial. - Joshua
Benrubi cruzou as pernas e encarou a Capitã muito sério.
Diana o encarou e olhou dele para Sarah, naquela altura ainda
não sabia do desentendimento dos dois na sala de treino, mas pouca gente havia notado os olhares de um
para o outro naquela ocasião.
- Creio que é um chamariz, o começo de um ataque apenas para
causar desentendimento e discórdia.
- Não descartamos que pode ser um ataque klingon ou romulano.
- Sarah ressaltou.
- Os romulanos apesar de serem abertamente nossos inimigos,
estão relativamente parados nos últimos meses e não me admiraria uma surpresa dessa. Mas atacar este
planeta em questão é totalmente ilógico e sem propósito, até mesmo para um romulano.
Melrik olhou na direção de Sarah, que meneou a cabeça
concordando o encarando de maneira séria. Mas Melrik evitou aquele olhar voltando-se para Diana que andava
de um lado para o outro em frente a escotilha.
- Estamos com problemas em relação ao Império Klingon, existem
muitos rebeldes, os quais ainda não aceitaram os acordo entre a Federação e o novo Imperador.
- Estes acordos vêem se arrastando desde 2.298, isto é muito
tempo. - Joshua retrucou.
- Muito tempo para colocar acordos em risco.
- Por isso mesmo creio que são rebeldes.
- Mas também pode ser que não, pode ser que eles queiram que
acreditemos nisso. - Sarah se recostou melhor na poltrona.
- Não creio que eles queiram a guerra, não nesta situação. -
Diana meditou por um instante - Mas tudo é possível com klingons.
- Este planeta não possui nenhum sistema de defesa, dificilmente
conseguiram captar a nave, seu espectro suas características.
- É isso que me deixa mais desnorteado, nada nenhuma pista
visual. - Benrubi bateu o punho na mesa devagar.
- Vamos descer e vasculhar a área, atrás de pistas. - Diana
olhou para Sarah - Providencie o pessoal necessário, quero exames espectrográficos, residuais e de emissão de
raios defletores, quando orbitarmos o planeta. Deve haver um rastro de partículas de antiprótons ou raio gama
em algum lugar por lá.
- Não se preocupe quanto a isso, vou reunir o pessoal adequado.
- Joshua trabalhará em conjunto com você.
- Perfeitamente Capitã - Joshua falou serio olhando para Sarah de soslaio.
- Melrik cuide para que a carga de plantas e utensílios sejam deixadas no
planeta de acordo com o cronograma oficial. Agora eles precisarão de toda ajuda possível. - Diana
sentou-se. - Peça para Dr. Düff reunir seu pessoal para auxiliar os médicos do planeta, não sabemos qual
é a real situação por lá. - Diana falou rápido para Sarah, que já arquivava as ordens e definia um plano
de ação.
Todos levantaram-se e seguiram para seus afazeres, era de suma
importância reunir o pessoal certo para a ocasião, deveriam trabalhar rápido e com toda eficiência. O que mais preocupava
Diana era o silêncio da Frota, mas já havia ordenado para Khya que retransmitisse o chamado de socorro para qualquer nave
próximo ao setor onde estava localizado o planeta, assim esperava contato a qualquer momento.
****
Capítulo IV.
BASE ESPACIAL K'VORT EM TERRITÓRIO KLINGON...
Utzar ponderou sobre toda a informação que recebera nos últimos
dois dias. Kortan falara a respeito de Klang e os planos de Kherrtar de liquidá-lo pessoalmente, isso ficou
marcado na mente de Utzar como ferro em brasa, não conseguia ver-se no papel do pai que mata o próprio filho,
mas respeitava os motivos de Kherrtar.
Sobre os ataques de Klang, na hora ficou chocado, primeiro com
a possibilidade daquela arma estar funcionando e proporcionando resultados devastadores. Depois por ter
ele mesmo feito parte do projeto inicial da arma conversora de quark's inativos em ativos.
Lembrou-se que foi um achado na época, Wirgon estava muito entusiasmado
com a possibilidade de aproveitar os resíduos deixados pelas naves de guerra, a arma teria potência suficiente
para rachar um planeta ao meio e não consumiria tanta energia como se imaginara no princípio da elaboração do
projeto, claro os quark's inativos convertidos não eram sua única fonte de energia, a arma precisava dos
cristais de trilitium, - para a conversão - este cristal era a fundamental substância enriquecida e derivada dos
cristais de dilitium, mas isso era fácil de conseguir no mercado negro.
Uma arma leve, prática, fácil de montar e de esconder, facilmente adaptável
ao casco de qualquer nave de guerra, ou podendo ser utilizada internamente de dentro de um hangar tomado
pelo vácuo. Um invento muito pragmático derivado da tecnologia klingon.
Wirgon se entusiasmara tanto que deixou informações preciosas
vazarem o que levou ao seu fim. Logo os romulanos tomaram conhecimento do novo invento klingon e capturaram o
cientista ingênuo. Tarde ele descobriu que seu invento só serviria a um propósito a destruição do próprio
Império Klingon.
Utzar olhou pela escotilha e viu uma nave da Federação se aproximar,
era tão estranho ver uma daquelas naves ali em território klingon e aproximando-se de uma base armada, sem ao
menos ativar seus escudos defletores. Ela não era como a Atlantis, a nave a qual tinha visto recentemente,
ela era de um modelo mais antigo a chamada Classe Oberth, tinha aproximadamente cento e trinta e dois
metros de extensão e possuía duas nacelas pequenas a encimando-a parecendo duas asas. O nome dela era
USS Pegasus.
Sabia que seriam transportados naquela nave pequena, mas seu
destino ainda não havia sido revelado, eles seriam levados naquela pequena nave científica, muito discreta.
Kortan aproximava-se com Zetor'V o comandante da Estação o qual já sabia do conteúdo da missão, quando
trouxessem Klang deveriam entregá-lo ali naquela estação.
Kortan virou para Utzar. - Pegasus, o "Cavalo Alado..."
Kortan sorriu levemente e fixou seu olhar nas manobras de
aportagem da nave na estação, a nave quase perdia-se ante a construção klingon. Kortan pensou que foi
engenhoso transformar aquela pequena nave em uma fachada da Dissuasão aos serviços da Frota Estelar.
Pequena e com motor modificado para se tornar mais veloz.
A estação klingon tinha forma oval com bicos nas laterais
lembrando garras de gavião, lá se escondiam potentes canhões de phaser e lançadores de torpedos, uma
cúpula de metal protegia o centro com escotilhas em toda sua volta para a observação do espaço, abaixo
da enorme cúpula a construção ficava afunilada como um pião, lá se encontravam as docas de entrada e
saída, protegidas por canhões de phaser espalhados nas laterais, entre a cúpula superior e o cone
inferior um vasto anel oval servia de ancoradouro para naves visitantes. Era lá que o Capitão Trotsy
havia encaixado sua nave.
Zetor'V entrou em contato com Trostsy acertando a transferência
de Kortan e Utzar, Kortan impressionou-se com a fluência de Zertor'V e imaginou se ele já esteve em
muitas missões atrás das linhas da Federação. Zetor'V podia estar agora no comando de uma Base Espacial,
mas já havia comandado muitas naves klingons e viajado para muitos lugares, sem falar que a Base Espacial
K'Vort era a mais próxima da ex-zona neutra Klingon/Federação um lugar que tornara-se de suma importância
nos últimos tempos. Kortan olhou para Utzar, quando estivessem na Nave Pegasus revelaria a ele, que se
encontrariam novamente com a Atlantis.
EM ÁUREA BORELLIS II...
Roger ficou aliviado ao receber o comunicado da Atlantis, ela
estava geosincronizada ao planeta e passou os últimos trinta minutos descendo os grupos avançados. Em breve
a nave auxiliar Asteca também desceria com suprimentos e materiais diversos.
O primeiro grupo avançado foi composto pela Primeira Oficial e
a equipe médica que foi inteirada da situação no planeta.
Dr. Gertard, esperara pela equipe no refeitório onde tinha
montado a enfermaria provisória, foi um dos poucos prédios que haviam restado quase intactos depois do
inesperado ataque. Roger viu-os se materializando a dois metros da entrada do refeitório e sorriu ao ver
Sarah.
Ela não tinha mudado muito em dois anos, o mesmo cabelo preso
num rabo de cavalo, as orelhas pontudas a mostra e o mesmo sorriso leve que a distinguia de qualquer outro
vulcano que conhecera.
- Como vai Tenente? - Ela falou com um meio sorriso seguida de
Hans Düff.
- Estamos satisfeitos em ver vocês da Atlantis, comandante
- Ele soltou com um leve sorriso. Quando em trabalho eles sempre se tratavam pelo posto, o que facilitava
muita coisa. - Dr. Düff, creio que sua equipe já pode dirigir-se ao refeitório. - Roger estendeu a mão em
direção ao prédio bem iluminado que já tivera janelas amplas, as quais agora estavam estilhaçadas pelo
chão.
Hans saiu rápido falando de soslaio - Ótimo lugar, bastante
luz. - E seguiu com sua equipe, enfermeiros e demais médicos, encontrou o Dr. Gertard sobre um paciente
e entrou em ação, alguns já haviam sido tratados e estavam deitados em camas improvisadas, e outros estavam
sendo medicados.
Rapidamente uma tropa de homens da Atlantis entrou no refeitório
trazendo camas portáteis e re-alojando os doentes. Düff falou rapidamente com Gertard e concordaram em transferir
três casos mais graves para a Atlantis para uma cirurgia mais delicada. O que foi acertado rapidamente.
Hans perdeu Sarah de vista que tinha ido com outro grupo inspecionar a
cratera deixada pelos raios destruidores.
****
Roger aguardava a Capitã em uma das salas da fazenda norte uma
das quais havia se salvado, os feridos tinham sido transferidos para o refeitório através de veículos "holover",
que flutuavam com a ajuda de neutralizadores de gravidade. A fazenda encontrava-se quase vazia, com exceção
de alguns funcionários e fazendeiros, que apesar dos acontecimentos continuavam a ligar as máquinas e a
reconstruir o que havia sido destruído. Mas muita coisa não poderia ser recuperada, antigos rios tiveram
suas rotas mudadas, e lagos interiores foram destruídos e a fenda tinha marcado para sempre aquele continente
- Roger desviou seus pensamentos para os fazendeiros - Os animais introduzidos, como vacas, bois, galinhas e
patos, precisavam ser atendidos, e mesmo a adaptação deles sendo surpreendente e o planeta os acolhendo
de maneira recíproca, eles não podiam ficar confinados e passando fome, alguém tinha que continuar com os
serviços rotineiros.
A janela mostrava um jardim hábito trazido pelos fazendeiros e
disseminado por todas as construções do planeta, a colônia abrangia cento e vinte mil Km² isso era muita
terra, toda subdividida em terras para agricultura e terras para pecuária, mas o forte do planeta seria
mesmo a agricultura, ainda faltava muito o que fazer na colônia, pois aquele planeta era do tamanho da
Terra, e muitos lugares ainda não conheciam a civilização, seus estudos em loco mostravam quais as terras
aráveis e quais deveriam ser preservadas, os pequenos mamíferos nativos eram dóceis e conviviam muito bem
com as espécies introduzidas.
"... Como tudo aquilo ficaria agora? O clima fatalmente iria mudar
e as antigas nascentes perderiam seu poder de manter os rios próximos à fenda, que cuidou muito bem de destruir
todos os leitos próximos..."
Aquele planeta era realmente um achado como dizia Tian-Sing,
agora morto, ele dera um duro danado por aquele planeta foi um dos primeiros a sugerir a criação da colônia
agrícola e foi o que mais lutou para ela dar certo. Seria muito louvável se chamassem aquela colônia :
Tian-Sing de Áurea Borellis II.
"... Ela tinha que dar certo mesmo com a mudanças iminentes..."
- Roger refletiu por um momento - "...Que tipo de arma seria aquela, capaz de destruir um planeta e mudar seu ecossistema..."
A Capitã materializou-se na varanda a poucos metros dele, ele
dirigiu-se para lá e viu uma mulher de cerca de trinta e cinco anos, com corpo esbelto e olhos verdes,
seus traços eram europeus, mas seus olhos eram amendoados o que classificaria ela como latina ou até
mesmo com um parentesco oriental. Mas seu porte era aristocrático e empunha respeito, Roger ponderou a
respeito e chegou a conclusão que os Capitães eram talhados para assumir uma pose de autoridade e respeito.
Ela tinha cerca de um metro e setenta centímetros, um pouco mais baixa que ele.
- Capitã - Roger estendeu a mão para cumprimentá-la.
Ela o encarou e retribuiu o aperto de mão firme que ele deu.
- Tenente McKenna, sinto que sejamos apresentados em circunstância
tão triste.
Ele mostrou o caminho com a mão estendida e esperou ela entrar
e sentar em uma das cadeiras da sala ampla e cheia de quadros, alguns caídos no chão.
Ele se sentou após ela e comentou rapidamente que também sentia
o mesmo, mas que aquelas eram as circunstâncias.
- O Senhor se juntará a nós, espero - Ela disse sorrindo levemente.
- Sim, logo que vocês zarparem eu irei, há muitos biólogos e
técnicos que suprirão bem as necessidades do planeta, ainda mais agora que ele foi afetado por esta causa
destruidora.
- Bem é sobre isso que gostaria de conversar com o Senhor,
fiquei sabendo que o Senhor foi uma testemunha ocular dos raios e por isso preciso saber de todos os
detalhes do acontecido.
- Perfeitamente.
Roger começou a explanar sobre o acontecido, e sobre o efeito
dos raios, já haviam feito uma vistoria do planeta com auxilio de vários veículos e equipes de técnicos e
constataram que a rachadura praticamente tomou metade do planeta e que dificilmente poderia ser revertida,
por sorte ela seguiu apenas por uma direção e daqui a cem anos seria apenas vista como um grande canal de
cerca de duzentos metros de profundidade. Mas o leito dos rios ficariam danificados para sempre, o curso
das águas mudaria de direção naquele continente e o clima seria afetado. Onde não houve enchentes havia
destruição. Haviam pequenas lagoas que brotavam do fundo da cratera - fenda e o primeiro passo seria reforçar
as laterais com vegetação e aproveitar as laterais rochosas. Não seria um trabalho fácil talvez levasse cerca
de dez anos no período terrestre, para estruturar todos os locais, mas deviam fazer o trabalho de contenção
emergencial antes da temporada das chuvas dali a dois meses isto é se elas chegassem agora com a mesma
intensidade de antes, ou talvez mais fortes causando mais inundações.
Diana ouviu tudo muito atenta e comparou com os relatórios que
havia recebido dele antes de descer, conversou com ele cerca de uma hora, quando foi interrompida por um
chamado de Khya que lhe transmitiu um chamado da Frota. Era o tão esperado chamado, o qual sabia tinha
haver com os raios misteriosos.
Olhou para Roger e notou um certo interesse dele naquele assunto,
mas fingiu não ter notado, a primeira vista tinha gostado dele, era uma pessoa prática, e era disso que
se precisava na Atlantis.
Diana levantou-se seguida dele e despediu-se, recomendou que
ele começasse sua mudança para a nave o mais breve possível e disse para ele procurar um ordenança de
nome Ness, o qual o encaminharia para os devidos alojamentos e poderia mostrar a nave.
Ele agradeceu e se comprometeu em embarcar assim que se despedisse
de alguns amigos.
Diana contatou a nave e se desmaterializou.
NA ATLANTIS...
Enquanto se dirigia para a ponte Khya lhe informou que mais
uma nave havia chegado era a USS Potenkin uma nave Classe Excelsior. Diana agradeceu aos céus, era um bom
presságio conhecia muito bem o Capitão da Potenkin, Reginald Lewis e seria fácil o diálogo com ele.
Diana entrou na ponte e instantaneamente se pôs a frente da
tela principal da nave, a voz do computador soou avisando que a mensagem era código C nave a nave, khya
apertou alguns botões e começou a transmitir. Viu a face do homem de quarenta anos, Reginald com seus
cabelos grisalhos e o sorriso franco, seu nariz fino e as feições cordiais com as maçãs do rosto sempre
rosadas, parecia não ter mudado nada nestes três anos.
- Diana fiquei grato em saber que você era a Capitã da Atlantis.
- Ele disse sem rodeios.
- É... o vento corre em diferentes direções - Ela sorriu.
Ele sorriu também, tinha levado Diana O'Conell e Melrik até um posto
avançado há três anos atrás para eles seguirem para as linhas inimigas romulanas. Mas já a conhecia desde
do tempo em que a Alferes O'Conell servira com ele na Dedalus e naquela ocasião aprendeu a admirar Diana,
criando um laço de amizade duradoura.
- Estou passando todas as informações que tenho para sua nave,
em breve receberei novos relatórios que mandarei para seu pessoal. - Ela falou ao mesmo tempo que fazia um
sinal para Khya ordenando a transferência de dados.
- Vou descer os grupos avançados, estamos com todo o pessoal
solicitado para a contenção de emergência, inclusive os meteorologistas, parece que deixaram uma grande
fenda no planeta.
- Se o comprimento de oitenta mil quilômetros é grande para você...
Ele assobiou ante o espanto.
- Quando os sensores captaram pensei que fosse uma antiga fenda - Ele
concluiu.
- Este planeta era plano como um jardim, apenas com os acidentes
geográficos esperados agora possui seu primeiro desastre geográfico...É uma pena...
- Espero que consigamos reparar as proporções.
- Eu também espero.
- Vou dar seqüência ao cronograma, logo mais quero falar algo
com você.
Ele mudou levemente o tom de voz insinuando que tal assunto
era de grande interesse, Diana arquivou aquela informação e torceu para que não fosse uma notícia da
Dissuasão.
- Tudo bem, antes de sair daqui eu falo com você.
- Lewis desligando.
A face de Reginald sumiu da tela, e o espaço com o planeta ao
fundo reapareceu.
- Khya transfira o chamado da frota para meu gabinete.
- Eles estão uma fera Capitã.
- Problema deles, eles me fizeram esperar muito tempo eles que
esperem também.
Diana seguiu para o gabinete, deixando um Khya cismado na
ponte olhando para Chayenne que compartilhava o espanto.
NO PLANETA...
Sarah olhou para Melrik e assentiu ante a teoria dele, mas ela
própria já tinha suas teorias, olhando pessoalmente as gretas deixadas na rocha os dois se encontravam em
um parapeito rochoso conseqüência do deslocamento de duas placas de pedra, há cerca de trinta metros de
profundidade em relação ao solo. Os outros técnicos estavam em alturas diferentes analisando cada camada
de rocha ou terra, mais abaixo corria um rio lodacento que carregava mais e mais terra para o lado sul do
continente todos colhiam amostras e repassavam tudo para a USS Potenkin, que seria a nave responsável em
sanar os problemas mais imediatos do planeta.
Os dois subiram auxiliados por suas botas antigravitacionais e
se puseram na beirada do precipício.
Sarah olhou até onde a vista alcançava e notou que a fenda se
estendia por um longo caminho, olhou em direção norte e distingüiu algumas construções que eram fazendas,
todas baixas com silos intactos. Ela chegou a conclusão que tinha sido um tiro ao acaso, como se eles estivessem
testando a capacidade do dispositivo que ativara os raios, encontraram na rocha uma quantidade grande de
quark's inativos e isso era realmente estranho naquelas circunstâncias.
Deu seu equipamento para um dos Alferes que estavam por perto
e olhou para Melrik que fazia as últimas anotações em seu datapadd eletrônico. O vulcano estava mais controlado
do que o usual, talvez tivesse desencadeado sua mais potente forma de controle tendo em vista que ficaria em
companhia dela por várias horas, mas no momento Sarah não procurava uma maneira de atormentá-lo apenas de
esquivar as ondas mentais que emanavam dele coisa que ás vezes a perturbava.
Ele virou abruptamente para ela.
- Acabamos por aqui os dados estão sendo passados para a Potenkin e
os técnicos já estão se familiarizando com a situação, creio que podemos subir.
- Diana deve estar esperando nossas conclusões - Sarah falou
casualmente para ver a reação dele.
- Certamente a Capitã, quer algumas respostas, mas creio que
ela já deve ter elaborado uma teoria.
- E você Melrik? Qual a sua teoria? - Sarah o encarava caminhando
ao lado dele para o ponto de desmaterialização.
- Método intrigante, arma desconhecida. - Ele ergueu uma das
sobrancelhas respondendo algo sem nexo.
- Grande resposta Melrik, muito científica - Sarah sorriu levemente
com ironia. - Simons, aqui e McKenna dois para transportar...
Os dois sumiram automaticamente.
NA ATLANTIS...
Diana ponderou por um instante sentada de frente para a escotilha,
a visão do planeta azul amarelado lembrava a Terra.
Almirante Galloway pessoalmente tinha transmitido as ordens com uma
diferença de cinco minutos sub-espaciais, o que era aceitável... ela sorriu ante a maneira dele de se
expressar, com um sotaque inglês rebuscado.
Voltou-se para o computador e pediu todos os dados sobre o setor 36.23
do Quadrante Beta, era uma localização próxima, mas se suas suspeitas estavam certas, era um local muito
distante do Império Klingon.
Eles escondiam algo, era sempre assim as ordens nunca eram dadas
as claras sempre faltava um detalhe, mas essa era a regra para as ordens apenas informar o necessário para
que a missão tenha êxito. Quando viu a face de Galloway já sabia, era coisa da Dissuasão, quando ele falou para
encontrar nave Classe Oberth ela imaginou, uma das naves fachada da Frota. Tudo se encaixou, mas faltavam
detalhes, e esperava encontrá-los com Reginald Lewis...
Diana saiu para a ponte.
- Chayenne programar curso 5667-98 setor 36.23 Quadrante Beta,
em dobra oito. Deixe tudo pronto para quando eu voltar. - Khya encarou a Capitã enquanto Chayenne meneava
a cabeça confirmando o recebimento das ordens. - Vou a Potenkin e volto em trinta minutos.
- Certo Capitã.
Neste momento Sarah e Melrik saíram do elevador, muito sérios.
Diana virou-se para eles.
- Capitã conseguimos várias informações.
- Ótimo - Diana olhou para Sarah com uma certa agitação interna.
- Irei a Potenkin e estarei de volta em breve. Recebi novas ordens e partiremos assim que todos estiverem
a bordo, providencie para que ninguém perca o navio. Sarah a ponte é sua - Diana sorriu levemente encarando
Melrik que erguia a sobrancelha, ante o desaparecimento dela atrás das portas do elevador.
- O que deu nela? - Khya soltou rápido olhando para Sarah que
o encarou com um ar reprovador.
- Não sei, pergunte para o Oficial de Ciências.
Sarah aproximou-se dos comandos de Chayenne para confirmar a
rota.
- Pensei minha cara que era você que sabia de todas as respostas
nesta nave. - Melrik se dirigiu para os controles de ciência, para verificar se todas as entregas para o
planeta tinham sido completadas.
Sarah se voltou para ele divertida e sorriu levemente.
- Muito espirituoso...
Khya sorriu e voltou-se para a comunicação devia avisar todos
que ainda se encontravam no planeta que a nave iria partir.
NA POTENKIN...
Diana materializou-se na sala de transporte da Potenkin, olhou dois Alferes um
nos controles do teletransporte e outro o auxiliando, viu a direita próximo a porta, Reginald Lewis, seus
cabelos grisalhos penteados cuidadosamente para o lado e um sorriso jovial que não condizia com a idade dele,
seus olhos castanhos claros eram resguardados por sobrancelhas bem desenhadas, era um homem muito atraente.
- Diana é um prazer revê-la - Ele estendeu a mão para cumprimentá-la.
- Digo o mesmo, meu amigo - ela seguiu ao lado dele.
No caminho conversaram amenidades sobre a nave e sobre a família, Reginald
relatou que tinha recebido o Conselheiro O'Conell recentemente e que tinham conversado muito sobre a velha
Irlanda. Diana procurou não pensar no que seu pai haveria dito sobre ela, Reginald procurou não tocar neste
ponto da conversa dos dois talvez por delicadeza. Chegaram a ponte e Diana cumprimentou o Primeiro-Oficial e os
demais e foram em direção ao gabinete anexo que tinha o toque pessoal do Galês.
- Bem, acho que podemos conversar a respeito do assunto que a
trás aqui, Diana.
- Vim também para ver como estava este velho amigo - Ela sentou na
poltrona em frente a mesa dele.
- Estou muito bem, como você diz, quase capturado - Ele riu descontraindo-se.
- Não me diga que é Helen? - ela sorriu ante o velho amor da vida de Reginald,
parecia que ele tinha conseguido conquistar a médica relutante.
- Um dia tinha que acontecer, não é mesmo? - Ele ofereceu a
ela uma xícara de chá, que foi prontamente aceita.
- Que bom... - Diana disse sincera - Agora você não estará
mais sozinho no espaço - Diana sorriu.
- Realmente... - Ele assentiu mudando repentinamente de assunto
- Bem, recebi algumas informações na semana passada, e creio que tem relação com este ataque.
- Ataque..! - ela pousou a xícara na mesa.
- Olhe para mim, e diga que ainda não recebeu ordens lá de
cima - ele apontou um dedo para o teto da nave.
Ela sorriu - Você está ótimo como vidente...
- Não é a primeira vez que acontece, para dizer a verdade é a
terceira, parece que há um maníaco solto com uma nave que tem poder de se camuflar e que possui uma arma
muito avançada. - soltou cauteloso.
- Não me diga. - ela o encarou.
- Diana, quando você faz esta cara, é que você está matutando
algo muito interessante.
- Realmente... - Ela sorriu - Estes detalhes eu desconhecia.
- Este padrão foi detectado a dez parsecs daqui, tiro a esmo, como
se fosse um teste ou demonstração....ou - ele encarou Diana.
- Um motivo para bode expiatório - Ela completou.
- Exato.
- Onde você conseguiu a informação?
- Eu nunca revelo minhas fontes, mas já que é para você - Ele
disse cínico - Entrei em contato com um mercador de Orion, você sabe eles sempre atravessam a Zona Neutra
romulana para pilhar e contrabandear...
- Pensei que estivéssemos aqui para prendê-los - Ela o olhou cínica.
- Olha quem fala, mesmo assim eles estavam em dificuldades
operacionais, você não queria que eu deixasse eles a deriva - ele sorriu cínico. - Eles falaram a respeito de
uma nova arma, e os romulanos estavam bem agitados a respeito, pararam este mercador em questão e revistaram a
nave dele de cima a baixo atrás da tal arma. Mas ele não estava com ela, segundo ele foi por pouco que ele
escapou da morte nas mãos romulanas.
- Os mercadores Orions, estranho eles não estarem com a arma,
eles saberiam comercializá-la muito bem.
- Ele também esperava ter ela nas mãos, mas disse que a arma
estava em poder de uma nave klingon.
- klingon...- Diana limitou-se a repetir.
- Diana pare de me repetir!
Ela sorriu, sempre fazia aquilo com ele para irritá-lo conhecia
bem a falta de paciência de Reginald.
- Ele chegou a dizer como a arma era? Ou qual o nome da nave
klingon?
- A arma é de médio porte mas de efeito devastador, ele tentou roubá-la
para comercializar com os próprios romulanos, o nome da nave klingon era Ktarnac.
Diana deu graças por não ter mais a xícara em suas mãos pois
certamente a derrubaria. Ficou aturdida por um instante, mas controlou-se.
- Como você conseguiu que ele falasse? - Diana lembrou como
era difícil tirar informações dos traiçoeiros Orions.
- Tenho os meus métodos de persuasão. - Ele falou cínico.
- Este nome diz algo para você? - Ele pousou a xícara na mesa.
- Eu encontrei esta nave há dois meses próximo a Camaris.
- Hum... - ele falou surpreso - Parece que você está tendo
muita agitação em sua volta a ativa... - Ele riu.
- Pare com isso Reginald. É sério.
- Esta bem, esta bem... - Ele a encarou sério. Quem o visse
risonho e descontraído, nunca diria que o Capitão Lewis era o homem sério e compenetrado da USS Potenkin.
- Bem devo voltar para a Atlantis. - Ela levantou-se seguida dele.
- Diana - ele se aproximou - Não sei o que você vai encontrar lá fora,
mas você sabe que pode contar comigo, mesmo que eu tenha que sair daqui. - Ele abraçou ela e ela retribuiu.
- Obrigada... - Ela o encarou.
Ele sorriu.
- De qualquer forma eu devo minha vida a você - Ele a acompanhou - e
nunca vou esquecer disto.
- Acho que Helen também não, pois ela e que vai ter que cuidar
de você agora...
Ela sorriu levemente.
- Bem ela vai ter que se acostumar comigo. - Ele riu.
- Você deve ter usado seu método de persuasão, com ela.
Os dois saíram e tomaram o elevador indo em direção a sala
de teletransporte. Ele acompanhou Diana e viu ela desaparecer rapidamente sobre a plataforma.
- Boa sorte minha amiga... - Ele sorriu levemente e retirou-se
para a ponte.
****
Capítulo V.
NA PEGASUS...
O Capitão Trotsy da USS Pegasus, assinalou para o navegador que
confirmou a posição no setor 36.23. Quando chegassem lá aguardariam a Atlantis e entregariam os dois passageiros.
Trotsy era um veterano da Dissuasão e não se espantou de ter que levar dois klingons para uma nave da Federação,
ele sabia que a Atlantis era também uma nave de "fachada" da Frota. Mas uma nave muito poderosa
em comparação com sua valente Pegasus, sua missão basicamente era sempre a mesma, transportar gente de um
lugar para o outro e ser uma nave científica nos horários de folga, era isso que o interessava e era só
isso que desejava saber. Aprendeu muito cedo que devia manter os olhos e ouvidos abertos e a boca fechada,
então limitou-se a receber os convidados, instalá-los e comunicar a hora da chegada.
- Acionar... - Ele sentou-se comodamente na sua poltrona de Capitão e começou a dar instruções.
A nave USS Pegasus riscou o céu em velocidade de dobra pondo-se a caminho do local marcado.
EM ÁUREA BORELLIS II...
- Vou sentir saudades de suas frases espirituosas... - Roger
abraçou o amigo Antony, que ficaria no planeta mais uma temporada adiando suas férias.
- Acho que vou chamar minha Margarida, para vir para cá. Ela
sempre gostou de fazendas...
- É uma boa idéia. - Roger o encarou.
- Também vou sentir saudades de você amigo...Tome leve isto
com você, ele é muito antigo, mas acho que você vai gostar dele afinal você é mais explorador do que eu.
- Roger agradeceu e abriu a caixinha, viu um antigo astrolábio,
e sorriu ante o presente pelo qual ele se impressionara quando Antony o mostrou pela primeira vez e que
por muita insistência o tinha ensinado a usar.
O americano o encarou pela última vez. - Espero que você o use
quando voltar para a Terra. Afinal ele só funciona direito com nossas estrelas...- ele sorriu levemente.
Roger agradeceu com um menear de cabeça e saiu do refeitório
que agora estava mais vazio, os feridos mais graves foram transferidos para a Potenkin e os que haviam
sofrido cirurgia na Atlantis, já estavam são e salvos na enfermaria da nave que ficaria a zelar pelo
planeta na sua recuperação.
Andou cerca de duzentos metros e viu um homem alto de fartos
cabelos castanhos, dando ordens aos últimos grupos de descida.
- Meu nome é Joshua Benrubi - Ele sorriu simpaticamente estendendo
uma das mãos enquanto segurava um comunicador na outra.
- Roger McKenna - Roger sorriu retribuindo o aperto de mão e
segurando suas coisas com o auxílio da outra mão.
- Você é parente de Sarah? - Joshua parou de sorrir.
- Sim... - Ele disse inocentemente.
- Mais um! - Joshua soltou, mudando de assunto pois agora
recebia autorização para se teletransportar.
Roger não havia entendido, mas achou melhor não perguntar, ao
chegar na sala de teletransporte viu um rapaz ruivo muito sorridente e concluiu que ele era o ordenança Ness...
Viu Joshua Benrubi dar algumas instruções para o Alferes dos
controles de teletransporte enquanto cumprimentava o rapaz simpático.
- Cuidado, Ness! - Joshua passou por ele dando um tapinha camarada
nas costas de Roger. - Eis aqui mais um do clã McKenna - e saiu apressadamente para um encontro na ponte.
- Para onde ele vai tão apressado? - Roger indagou Ness.
- Para a ponte, a Capitã está fazendo uma reunião com os Comandantes
- Ness sorriu e levou o recém chegado para seus alojamentos.
MOMENTOS DEPOIS...
Todos os grupos avançados encontravam-se novamente abordo da
USS Atlantis, todo o material destinado ao planeta havia sido entregue e os cientistas que haviam sido
transferidos para a colônia já estavam na ativa cumprindo com seus deveres no planeta que apesar do
acidente geográfico ainda podia ser considerado um paraíso.
Logo a USS Potenkin receberia a companhia de outras duas naves,
uma com suprimentos e outra para defesa, mas esta última não ficaria a disposição por muito tempo, depois
que as coisas se acalmassem ela seria designada para outro local. Diana só esperava que o tal ataque não
voltasse a acontecer, sabia que os ataques seguiam um padrão e nunca voltavam ao mesmo planeta, isso foi
confirmado por Lewis, a quem seria eternamente grata pois ele sempre fornecia informações valiosas.
Diana tinha meditado a caminho da ponte a respeito das informações
de Lewis, e muitas de suas dúvidas foram respondidas, se não todas. Agora já tinha uma idéia do que os
aguardava na USS Pegasus.
A Atlantis tomou seu caminho e riscou o espaço em velocidade
de dobra oito.
****
Diana convocara Sarah em separado para falar-lhe sobre os detalhes
da missão e sobre as revelações de Lewis, Sarah prontamente começou a explanar sobre a análise dos resíduos
encontrados na fenda de Áurea Borellis e comparou outros fatos que reforçavam a teoria formulada por ela
e Melrik de que era realmente uma arma que convertia quark's inativos, era uma solução extraordinária,
mas que podia ser verdadeira.
Era uma técnica revolucionária, o homem tinha demorado anos
para descobrir a existência de quark's nos prótons e neutrons, os vulcanos levaram quase um século para
descobrir a existência de quark's ativos e inativos, e parecia que alguns klingons tinham descoberto como
apanhar estes quark's inativos e converte-los em um poderoso emissor de energia, canalizando está força e
controlando.
O que mais impressionara Sarah, era que Diana dissera que a
tal arma era de médio porte, isso facilitava muita coisa, o transporte, o manejo e principalmente o comércio.
Lembrou do encontro com a comitiva klingon em Camaris IV, e vislumbrou
por um instante os sentimentos conflitantes daqueles klingons, principalmente Wirgon, ele tinha o conhecimento
e a arma estava em poder deles. Sarah visualizou o rosto de Utzar e sorriu se lembrando de como foi fácil
sondar aquela mente desguarnecida.
Enquanto Diana falava, ela focalizou aquela imagem, no fundo
sentia uma ponta de atração por aquele Klingon mestiço. Refreou seus desejos e voltou a prestar atenção
em Diana.
NA PONTE DA ATLANTIS...
Chayenne passou apressadamente pelo corredor ajeitando discretamente
a parte de cima do uniforme. A nave estava um burburinho só, mas os boatos tinham que ser renegados a um
segundo plano. Estavam indo para uma coordenada pré-determinada para encontrar-se com uma nave da Frota
ou pelo menos era isso que constava no novo cronograma. Pensou pesarosa em Áurea Borellis II, um planeta
tão bonito e nem teve chance de descer para esticar as pernas! A comandante McKenna tinha sido direta:
apenas haviam descido o pessoal a serviço, mais ninguém. Ela entrou na ponte e a primeira pessoa que viu
foi Sanchez, ele voltou-se para ela com um meio sorriso nos lábios.
- Dezenove minutos adiantada, Sra. Chayenne? Não confia em
mim? - Ele abriu passagem para ela sentar em sua poltrona, tinha permissão para alimentar-se durante meia
hora, mas não conseguiu usufruir aqueles momentos, estava muito tensa para comer, e muito tensa para pensar
em ficar longe da ponte.
Wiser fez um gesto de cabeça como que a cumprimentando e
sorriu.
-Sem fome? - ele apertou alguns sensores...
-Como você acha que eu posso ter fome em uma hora dessas?
- Ela olhou tensa para Sanchez.
-Ela está... - e voltou a cabeça para o gabinete anexo a ponte.
-Sim, com a Capitã e o resto da cúpula...pelo menos quase toda...
- Mini reunião de cúpula... - Chayenne disse preocupada.
Neste momento Jordan D'Angelis chegou a ponte e foi logo entrando
no gabinete anexo.
Sarah o encarou não muito lisonjeira devido ao atraso. Melrik já
estava lá dentro acompanhado de Düff e de Joshua, Jordan sentou-se e foi logo falando com um ar de preocupação
que a nave estava sofrendo uma sobre carga e queria saber o por que daquela pressa toda.
Todos os cinco Comandantes da Atlantis mais o Médico Chefe
ficaram reunidos falando sobre as ordens cerca de duas horas, enquanto isso a Atlantis encaminhava-se
para o ponto de encontro.
ENQUANTO ISSO NA PEGASUS...
Kortan sentou na cama do alojamento, não conseguindo relaxar,
Utzar encontrava-se sentado concentrado em um computador analisando o projeto da arma conversora. Já era
a quinta vez que ele repassava aqueles estudos. Talvez tentando achar uma maneira de destruí-la ou salvá-la.
Levantou-se e pediu um copo d'água para o sintetizador, lembrou-se em converter a medida klingon em medida
terráquea quando a água veio morna.
- Você parece muito concentrado. - Kortan olhou para seu filho adotivo.
- Estou tentando ocupar a mente - Ele sorriu levemente recostando-se melhor na cadeira.
- Pena, não posso usar este artifício, minha mente está cheia de mais.
- Kortan riu tentando ficar relaxado.
- Pelo menos vai ser a Atlantis - Utzar encarou Kortan.
- Por isso estou preocupado, a princípio achava esta possibilidade
encantadora, pois já travamos contato com esta nave, mas quando recebi mais informações sobre os Comandantes...
Parece que as chances diminuíram muito. - Kortan pegou o copo agora com água fresca. - A Capitã me pareceu muito
sensata, mas a situação era outra. - Kortan continuou.
- Não confio naquela mulher. - Utzar soltou com um esgar.
- Vamos ter que confiar nela - Kortan sorriu.
- Senhor... vai contar a ela sobre o nosso real propósito a
respeito de Klang? - Utzar o encarou com certa surpresa.
- Ainda não decidi, mas quando tomar esta decisão você saberá.
- Kortan sorveu a água e solicitou uma refeição.
Utzar recusou a comida e decidiu passear pela nave, ele sabia
que alguns tripulantes poderiam estranhar, mas precisava andar para pensar melhor, o Capitão Trotsy havia
falado com eles na chegada e disse que os dois poderiam andar pela nave sem problema, naquele instante Utzar
constatou que aquela nave estava acostumada a carregar gente como ele, e eles passaram a ser tratados como convidados.
Pelos corredores Utzar era cumprimentado pelos tripulantes de várias
raças que compunham aquela nave, e nenhum pareceu estranhar a presença de um klingon andando pela nave.
Lembrou do dia que conseguiu capturar Wirgon, ele estava em uma nave romulana e tiveram que usar da astúcia
para entrar naquela nave armada até os dentes, aquela captura quase causara a destruição da Ktarnac.
Ele tinha separado o mecanismo de indução o qual desencadeava
o processo de conversão dos quark's inativos, era uma peça pequena que podia ser guardada em qualquer lugar,
ela era menor que a palma da mão de um klingon e não teve problemas de entregá-la a Kortan mesmo sobre a
vigilância de Wekar, o homem destacado para cuidar pessoalmente de Wirgon e reportá-lo para o chefe do
Jan'rtuhik. O Serviço Secreto do Império.
Qual não foi sua surpresa quando conseguiram reproduzir aquele
mecanismo e implantaram novamente na arma, será que haviam fabricado mais iguais aquela? Era um protótipo,
mas podia ser copiada e multiplicada, ela já tinha provado sua eficácia, Utzar enumerou o nome de todos os
técnicos e engenheiros que fizeram parte do projeto, cada um tinha recebido uma incumbência limitada, as
partes da arma eram montadas separadamente para que nenhum dos envolvidos tomassem conhecimento do real uso
das peças, só quem viu o projeto final além dele foi Wirgon, Kherrtar e o Imperador, mesmo assim este
último ficou a sós com Wirgon.
"...Alguém mais teve acesso a arma e ao projeto todo, Klang sozinho
não seria capaz de fazer a arma funcionar. Talvez algum romulano que tenha sondando a mente de Wirgon antes
dele ser recuperado pela Ktarnac...?"
Utzar apagou aquilo da mente e ao mesmo tempo lembrou da vulcana.
"...mulher estranha para uma vulcana, mesmo para uma romulana... O que seria ela afinal...?"
Lembrou do cabelo dela preso, imaginou como eles ficariam soltos,
mas não conseguiu imaginar, era uma mulher atraente mesmo para ele que se condicionara a beleza proporcionada
pelas mulheres klingons, na verdade gostava de mulheres de outras raças, gostava da leveza das formas dos
corpos torneados e da maneira de ser de mulheres criadas em culturas diferentes.
Deteve-se neste pensamento e meditou sobre a adaga que ela descobrira.
"...certamente captou os meus pensamentos, será que ela captara tudo? Que tipo de poder era este,
no qual ela não precisava tocá-lo para saber que ele estava pensando naquela adaga...?"
Utzar voltou para o alojamento devia falar do incidente da adaga e
sua briga com a vulcana para seu pai, algo que ele não revelara para ninguém, eles deviam se preparar de
alguma forma para que seus pensamentos não fossem sondados tão facilmente.
"...será que conseguiriam...?"
DUAS HORAS DEPOIS...
Melrik sentou-se calmamente em uma das poltronas de seu alojamento,
olhou para os símbolos vulcanos acima da chama cerimonial e mentalizou as palavras.
"...esvazie a mente, esvazie a mente..."
Entrou em transe profundo em poucos minutos e começou a passar
por corredores sólidos construídos com pedras enormes, andava calmamente e ia olhando detalhadamente a
junção de cada pedra, vendo se existiam fendas ou gretas, ia mentalizando cada fenda encontrada e fechando-as
com a força da vontade própria. Desceu mais fundo e mentalizou seus segredos mais escondidos, eles estavam
seguros em uma parte muito funda de sua mente aparentemente até mesmo inacessível para Sarah. Ele começou
a subir devagar analisando as correntes de informações que subiam pelo corredor como elos de uma história
muito maior e pouco a pouco foi imergindo para a claridade.
Abriu os olhos e olhou para o crono, notou que haviam se passado
trinta minutos, de fato o tempo da mente era diferente do tempo real, esticou as pernas e foi para a escotilha,
ele fez um calculo mental e chegou a conclusão que breve estariam no ponto de encontro.
Se sentia mais relaxado sem Sarah por perto, e notara que o
foco de atenção dela mudara desde que Diana tinha falado sobre a missão e sobre a chegada de Kortan e
principalmente Utzar, foram lampejos leves mas que o vulcano tinha captado naturalmente. Melrik ergueu
uma das sobrancelhas e pensou quase divertido sobre o comportamento de Sarah em relação ao klingon, sabia
que ele carregava uma adaga naquela ocasião e a luta era uma forma de autodefesa de Sarah, mas ela não
precisava se valer de uma luta corpo a corpo para desencorajá-lo.
"...No fundo creio que ela se divertiu com ele, coisa que ela faz muito bem com os machos de qualquer espécie..."
Melrik, pensou nos anos que passou recebendo treinamento vulcano,
nas táticas exaustivas que aprendeu para controlar mentes e a sua própria mente, e sentiu um certo misto
de ira e temor ante os poderes de Sarah McKenna e o propósito egoísta que ela dava aos sagrados ensinamentos
vulcanos.
Tinha que saber mais sobre aquela mulher, nem que tivesse que
voltar em Vulcan para obter respostas, não poderia deixar Diana sem proteção ante aquela mente poderosíssima.
Ele voltou-se ao intercom e ouviu a voz de Khya.
- SR. MELRIK CHEGAMOS AO PONTO DE ENCONTRO A CAPITÃ LHE AGUARDA NA SALA DE TRANSPORTE DOIS.
- Estou a caminho, desligando.
Melrik fechou a sua túnica e saiu do alojamento esquecendo Sarah McKenna por completo.
NA SALA DE TELETRANSPORTE...
Kortan e Utzar materializaram-se e desceram da plataforma,
cumprimentaram Diana, Melrik e Joshua, o qual estava designado a acompanhar os dois convidados aos seus
alojamentos. Sarah estava na ponte se despedindo de Trotsy. Ela conhecia aquele homem que já havia
transportado ela uma vez, ele continuava o mesmo: seguia as ordens a risca e falava o mínimo possível.
Sarah ficou grata por não te que tolerar aquele rosto inexpressivo e horripilante por muito tempo.
A partir de agora estavam atrás de qualquer nave suspeita que
levasse ao autor dos disparos e àquela arma.
****
Diana olhou para o General klingon e recebeu dele um disco com informações
sobre a nave a qual eles suspeitavam conter a arma, nesta altura não era mais possível esconder que estavam
atrás de uma nave klingon. Era inútil conversar qualquer coisa naquele momento, limitaram-se a cumprimentos
e calaram-se.
Antes de sair da sala de transporte ele virou-se para ela e
solicitou uma conversa particular, a qual ela disse atender depois que verificasse o conteúdo das informações.
Ele meneou a cabeça em assentimento e seguiu Joshua Benrubi acompanhado de Utzar.
Diana seguiu em direção contrária acompanhada de Melrik.
- Ponte - Ela ordenou para o elevador. Olhou para Melrik que a encarava.
- Então, o que me diz? Sei que você estava sondando algo poucos
minutos atrás...
Ela sorriu para ele.
- Eles estão com muitas preocupações, parece que o caso não se
resume em só capturar uma nave ou buscar tal arma.
- Incrível... - Ela sorriu cínica - Você reclama de Sarah, mas
faz a mesma coisa que ela, lê mentes...
- Eu apenas senti um desconforto nos dois klingons o resto são
suposições, apesar disso em relação a ler mentes eu não consigo sem o toque vulcano, meus propósitos são
outros, Diana, você sabe disso...
- Eu sei... - Ela sorriu amavelmente - Só falei isso para implicar com você.
- Ás vezes me pergunto qual a lógica de suas implicâncias rotineiras.
- Elas não têm lógica.
- Bem típico de você, terminar um diálogo que está perdendo.
- Calma aí, moço, eu sou a Capitã, por isso tenho que ganhar sempre...- Ela sorriu.
- Reposta irrefutável...
Os dois saíram na ponte acompanhados pelo olhar de Sarah, que foi
logo chamada para o painel de ciências com eles para analisar em conjunto as informações klingons a respeito
da nave em questão.
- Aqui está parte de nossa resposta - Diana olhou para Sarah enquanto Melrik acessava as informações.
Khya aguardava qualquer sinal de comunicação subespacial no perímetro e Chayenne fazia uma varredura de
ampla magnitude em todas as coordenadas ordenadas por Sarah, Wiser estava no posto de Piloto e acompanhava as coordenadas
mostradas no computador de ponte. A ponte ainda possuía Ness atento as ordens de Diana que vez por outra
solicitava uma informação do rapaz, ele estava lá para agilizar os acessos aos bancos de dados da nave.
Sarah olhou aquela planta da nave klingon e notou que era um
modelo de Ave de Rapina klingon classe K'Vort, muito bem armada e com autonomia de dezoito meses em
espaço sem comunicação nenhuma com o exterior. Ela podia pousar em planetas e partir em viagem de dobra
espacial, sem falar que era equipada com dispositivo de camuflagem. Uma nave pequena, ágil e traiçoeira.
"... A nave do General Klang..."
Sarah piscou os olhos e pediu para que o computador voltasse a última
imagem da nave, ela estava pousada no hangar da base espacial klingon em Kronos, ela olhou para Melrik e
voltou-se para a imagem.
- Computador, magnificar em trinta por cento, esquerda acima!
- O computador alinhou a imagem e aproximou o ponto estipulado por Sarah, Diana estreitou as sobrancelhas
para tentar ver melhor... - Magnificar em vinte por cento, centro dois graus.
Eles puderam ver os símbolos que haviam sido pintados na
lateral e Sarah pode confirma o que imaginava, mesmo não sendo fluente em klingon não poderia esquecer tão facilmente daqueles símbolos.
- K'Tar On Virr ...- Diana sussurrou.
- Klang.... - Sarah concluiu.
****
Capítulo VI.
NA ATLANTIS...
A Atlantis seguia seu caminho, doze horas havia se passado
desde que Kortan e Utzar chegaram a nave, estavam instalados nos seus alojamentos e poderiam andar pela
nave se assim o desejassem, Diana havia escalado Ness para ser o guia oficial dos dois e apenas por medida
de segurança tinha recebido ordens diretas de comunicar qualquer fato estranho que algum dos dois klingons
viesse a desencadear. Enquanto isso na ponte Diana e Melrik estavam atentos as coordenadas, as comunicações
e aos mapas estelares, os ordens recebidas tinham sido claras, descobrir a nave, escoltá-la e confiscar
a arma e prender o comandante ilegal.
Diana tentara não preocupar-se, mas era impossível Kortan
solicitara sua presença para uma conversa em particular e isso parecia que ia mudar a tática de aproximação
do alvo em questão, teria que ir a presença dele já não podia adiar mais aquela conversa.
"...O que ele planejava? Que assunto trataria? Por que
mandaram logo ele? Talvez por que era o responsável direto pela arma quando em comando da Ktarnac.
Seria uma espécie de punição?..."
NA ENGENHARIA...
Sarah estava na engenharia, verificava todos os pontos de
perto junto com D'Angelis que a princípio pareceu meio incomodado com a presença da vulcana tão perto,
lembrou rapidamente do episódio do refeitório mas logo tirou aquilo da cabeça.
"...como uma vulcana poderia ler a mente de alguém sem
tocá-lo, sem uma preparação prévia e sem o consentimento dele..."
Ele voltou-se ao misturador de matéria e antimatéria preocupado
em suprir a nave com capacidade de dobra imediata se necessário e manter uma força de reserva para os escudos
defletores em caso de ataque direto da tal arma conversora. Era realmente uma tecnologia assustadora um
mecanismo capaz de canalizar quark's inativos e transformá-los em ativos desencadeando uma força maior do
que de cem bombas atômicas. Uma explosão de forma direcionada através de raios potentíssimos, isso era
fantástico tudo acondicionado em uma arma de médio porte, fácil de transportar.
Sarah olhou atenta para o mapa de códigos a sua frente, a tela
de cristal escuro mostrava os caracteres em vermelho e azul segundo sua importância, fez todos os cálculos
de contenção de força em caso de ataque e verificou a força de propulsão em caso de manobras rápidas,
tudo parecia perfeito.
Olhou para Jordan de soslaio e com poucas palavras confirmava
os números que tinha a sua frente. Todos na engenharia estavam ativos e uma certa apreensão tomava conta
de todos que sentiam que um ataque iminente era possível a qualquer momento, a luz intermitente do alerta
vermelho tinha sido acionada novamente quando saíram da colônia semidestruída e não pararia de piscar tão
cedo.
Um certo silêncio inconveniente nos passos dos engenheiros se
fez quando a imagem do klingon de longos cabelos claros apareceu no deck do motor de dobra. Ness
vinha logo atrás dele com o semblante preocupado, aquele era um local ao qual um visitante não poderia
entrar sem mais nem menos, mas o klingon tinha um método de persuasão o qual surpreendeu até mesmo Ness.
Quando Ness viu Sarah se acalmou e sentiu que nada aconteceria com
a Primeira-Oficial ali a espreita, dificilmente ele conseguiria o código dos escudos da nave ou das armas,
pois eles ficavam em um deck separado do motor de dobra em uma sala anexa a qual só poderia entrar pessoal
autorizado. Talvez, Ness confabulou com seus botões, não tivesse tanta importância deixar Utzar olhar os
motores... Willian voltou-se para Sarah e introduziu o klingon o apresentando.
Sarah o encarou levemente e lembrou ao jovem Alferes que já
conhecia aquele engenheiro klingon, rapidamente ele voltou-se para Jordan D'Angelis que estendeu a mão o
cumprimentando, Utzar foi polido e permaneceu olhando quase extasiado o fluxo do motor de dobra que tinha
um movimento hipnotizante.
EM OUTRO SETOR DA NAVE...
Kortan aproximou-se da escotilha, pela velocidade que as estrelas
riscavam o espaço deduziu que a nave estava em velocidade de cruzeiro. Aguardava a Capitã O'Conell com
quem precisava falar antes de encontrarem a K'Tar On Virr. As coordenadas supostas tinham sido entregues
e aquela era a parte da operação que os klingons se comprometeram em realizar
“Mostrar a possível localização do general renegado e entregá-lo ao Alto Conselho da Federação Unidas
dos Planetas para ser julgado com direito da defesa de um advogado Klingon.”
"...Um advogado Klingon..."
Kortan sorriu ante esta idéia.
"...quem seria capaz de defender um klingon que desonrou seu clã...?"
O alojamento era espaçoso e mais confortável do que o alojamento da Pegasus, a
Atlantis era uma nave que causava admiração. Pensou que antes dos acordos entre os Federados e os klingons
daria tudo para estar em uma nave destas e descobrir os códigos dos escudos defletores. Mas na verdade
lutaria antes por um acordo.
"...certamente seria eliminado pelo Império por pensar nisso há anos atrás..."
Estava com os códigos da Ave de Rapina em poder dele e os passaria para O'Conell se ela concordasse com o
plano dele. Algo em seu âmago dizia que ela concordaria, mas não podia contar com a vitória antes de obtê-la,
assim só saberia da decisão dela depois da conversa que teriam.
Ouviu um blip na porta de acesso e abriu a porta com uma ordem
ao computador. Diana o encarou sem sentimentos, algo aprendido com Melrik. Ela entrou calmamente e os dois
sentaram nas poltronas instaladas próximo a escotilha.
Ela fitou o klingon.
- Não esperava vê-lo tão cedo - Ela falou em língua da Federação.
- Acredite, eu sinto o mesmo - Ele disse parecendo ter aprendido a
língua da Federação um pouco mais, mas ainda tinha dificuldade para pronunciar certas vogais.
- Podemos falar em klingon se desejares - Ela disse com um meio sorriso.
- K'adlo - Ele proferiu o agradecimento em língua klingon.
- "majawtaHbogh qonlu' 'e' vISIv. neHlu'DI' De'wI'mey pojlaH." - Pensei que as conversas em naves estelares fossem todas gravadas para posterior investigação se for o caso.
Diana sorriu e falou sem sotaque e fluentemente a língua nativa de Kortan:
- "DujDaq majawtaHbogh wIqonbe'." -Isso não é necessariamente verdade nesta nave.
- "bopabbe' 'e' vIqel." - Vocês são muito independentes, pelo que posso notar.
- "mapab'egh 'ej Qochbe' yuQjIjQa'." -Temos nosso modo de agir o qual a Frota acha conveniente não mudar.
- "maj." - Isso é ótimo.
Ele recostou-se melhor na poltrona a qual era muito confortável, mais do que estava acostumado.
- "qaSov vIneH 'ach Qatlhqu' SoH De'mey Suqlu'meH." - Fiquei muito curioso a seu respeito, mas admito é difícil conseguir informações a seu respeito.
- "ngeDbe' SoH Sa' ngoQmey je Sovlu'meH je." - Também não é fácil saber sobre você e seus intentos de general.
- "matlhbe' tlhIngan Sa' patlhwIj 'ach reH Qu' vIta'chu'. tlhIngan Hubbeq teywI'meyDaq vIQatbe'." - Minha carreira de comandante e general não é muito louvável se olharmos estritamente pela ótica klingon. Mas sempre cumpri com meus deveres. Assim meu nome é vagamente listado em arquivos da Força de Defesa Klingon.
- "Do'Ha' muSovchu' tlhIngan Hubbeq. rut DIra'DI' Sovbe'lu'chu'." - Pena que eu não possa dizer o mesmo a respeito dos arquivos klingons; infelizmente o meu nome aparece em alguns, mas quanto a carreira ás vezes as decisões do comando não são devidamente compreendidas.
- "pIj SovlaHbe'chu' chaH. pabnIS ra'wI'." -Compreensão é o que falta a todos nós. Ordens são ordens e cumpri-las é uma questão de obrigação com o comando.
-"rut mara'qangbe'" - Ás vezes o comando não representa nossa vontade...
Ela sorriu para ele tentando descobrir algo mais naquelas palavras que ele dizia calmamente. Cada sentença proferida com muito equilíbrio como se Kortan tivesse jogando xadrez com ela.
- "Qaghen Sa' DaSovchu' 'e' vIloy." - Parece que você conheceu muito bem General Kragen...
Ele sorriu de sua maneira o que para um terráqueo seria interpretado como uma careta.
-"Qo'noS nuvpu' law' vISov 'ach Do'Ha' vIqawlaHchu'be'." -Eu conheci muita gente em Kronos, pena que da maioria eu não guardo boas lembranças... - Ela sorriu cinicamente.
Ele soltou uma gargalhada pegando Diana de surpresa.
- "'e' DaparHa', qar'a'." -Parece que você gostou muito de saber disso... - Ela ainda sorria. "nIjonDI' tlhInganpu' QatlhchoHqu' yInlIj." - Ser capturada por klingons eu admito não é muito aconselhável.
Ele sibilou com voz grave.
- "mujonDI' tlhInganpu' Dochmey law' vIghojnIS. Qatlhqu'." - Naquela época ainda tinha muita coisa a aprender, a primeira vez sempre dói mais.
- "'oy' SIQmeH be'pu'vaD Qatlh)(yIn DayajmeH 'oy' yISIQ" * - Realmente principalmente se tratando de fêmeas.
Ele sorriu.
- "QaQ 'ebvetlh tlhIngan to' HochHom vIghojmeH. jaghmey jontaHbogh tlhInganpu' 'ej jaghmey joytaHbogh tlhInganpu' 'e' vIleghlaH." - Mas foi uma boa oportunidade de
aprender o método klingon de captura e tortura.
- "Urtz'karl - 'utlhqaw"
Ele proferiu o nome de uma das prisões em Rura Penthe.
- "Hija'. 'utlhqawDaq tlhIngan Hol vIghojlaH." - Sim, Urtz'karl foi lá que aprendi a falar klingon.
- "'utlhqaw tlhIngan Hol Daghojchu'." - Agora já sei como você aprendeu tão bem nossa língua.
- "ghojmoHwI' pov ghaHpu' Qaghen'e'. maSovchuqchu'." - Kragen era um excelente professor.
No final já estávamos acostumados um com a cara do outro.
Ela sorriu amargamente.
- "ghaytan ghoqwI'pu'qoq wo' jagh je San DaSov, qar'a'."
- Bem, você já devia saber o que ocorria a supostos espiões. E inimigos do Império...
- "HIja'. DaSovchu'. Daqvetlh vIvumtaHDI' wej HoD jIH 'e' DaSov."
- Sim, sim, sem sombra de dúvida. Mas naquela época ainda não tinha assumido este papel como você deve saber.
- "'e' DaSovba'. rut vumbe'chu'" *
- Claro esta parte eu conheço.
Ele meneou a cabeça concordando.
- "tlhIngan pegh 'obe'." *
- Pena que nas outras vezes o Serviço Secreto Klingon não desempenhou seu papel de maneira eficaz.
Diana riu ante a lembrança de ter ludibriado o serviço klingon
e ter escapado em um cargueiro incógnita com ajuda de Melrik.
- "rut QotDI' gheD tlhIj wanwI'" **.
- Há dias em que a caça é vitoriosa e o caçador fica com os espólios.
- "batlh Hegh chaH 'e' yIqel." - A morte foi bem
recebida por eles se é isso que você chama de espólio.
- "jIHojpu'qu'. yIntaHchugh muHoHbej."
- Cada um sabe onde pisa, se eles vivessem eu não estaria aqui conversando com você.
Diana havia passado por muitas situações assim onde a conversa
poderia demorar horas antes que os fatos fossem postos à mesa, era um modo muito peculiar de conversa
principalmente vindo de um klingon conhecidos por irem direto ao assunto. Este tipo de demora demonstrava
que Kortan sabia muito mais do que dizia saber e que queria algo muito diferente das ordens que ela recebera
e tinha que cumprir. Mas até que ponto ela poderia levar aquela conversa ou cumprir suas ordens.
Ele tirou de um dos bolsos de sua túnica de comandante um
disco pequeno e entregou para ela.
- "t'qar 'on vIH botjan ngoq 'oHvam. So'wI' luchu' cha' ngoqmeyvam." *
- Aqui está o código do escudo defletor e dois códigos do dispositivo de invisibilidade da T'kar On Virr.
- "qatlh ngoq rap pol ghaH."
- Por que você acha que ele manteve o mesmo código?
Ela indagou segurando o pequeno disco entre as mãos.
- "yuQjIjQa'vaD loDvetlh qopmeH boSuDtaH."
- Porque ele é um homem insano e este é o código universal das naves classe K'Vort.
Ele a encarou sério.
- "yuQjIjQa'vaD loDvetlh qopmeH boSuDtaH"
- Vocês estão arriscando muito para entregar um sujeito nas mãos da Federação, chamaria isto de além das expectativas.
Diana sorriu cinicamente e lembrou da Primeira-Oficial que vivia
dizendo aquelas palavras.
- "yuQjIjQa'vaD vIqopqangbe'" - Eu não vou entregá-lo a Federação.
- "qatlh yuQjIjQa'vaD vIqopqangbe'"
- Não ... Por que você não esta disposto a entregá-lo à Federação?
Diana sorriu.
- "yIntaHvIS Qo'noSDaq ghaH vIDevqa'nIS"
- Preciso levá-lo vivo de volta a Kronos.
- "Sa', Dapab'a'" - Isso são ordens general?
- "mura'taH pagh. quv Hap 'oH "
- Isso não tem nada haver com ordens e sim com honra.
Ele disse em tom grave mas calmamente.
- "quvmo' Hovtay' DIQaw'laHchu'" - Honra klingon,
capaz de destruir raças inteiras e dizimar sistemas por puro capricho.
- "tlhIngan quv vIyajlaHbe'"
- Nosso padrão de honra não é comparável ao dos terráqueos, você sabe disso.
- "bIlugh. quvlIj DapolmeH bota'laH 'e' vISovvIp".
- Sim eu sei, isso que mais me assusta aqui, não sei o que você é capaz de fazer em nome desta honra.
- "rom wIta'chugh vaj cholob. Dujvam Dara'".
- Se ficarmos de acordo, farei o que você ordenar afinal esta é a sua nave.
- "'utlhar SoH je bejtaHvIS 'avwI'pu' qavoqlaHlaw'"
- Belo modo de coação Kortan. Ela sorriu irônica - Você está jogando no escuro, mas mesmo assim devo lhe
dar um voto de confiança, pelo menos enquanto meus homens estiverem de olho em seus passos e em Utzar.
- "toQDuj wItu'DI' qaS 'e' DaSovbe'"
- Mas você não sabe o que acontecerá quando encontrarmos a Ave de Rapina.
Diana disse mais séria. - "'e' vIloylaHbe' 'ach vISIvlaH neH"
- Eu não vejo o futuro, apenas faço suposições.
- "qaSbogh wanI''e' Daloy vIneHbe'. choboQ vIneH"
- Eu não quero que você veja o futuro, eu quero sua colaboração.
Ele falou mudando o tom como uma suplica coisa que deixou
Diana atônita por dentro, mas ela não podia demonstrar o que sentia. Certamente era um assunto muito
próximo a ele e ele devia ter empenhado sua palavra.
Diana sorriu levemente e se levantou com o disco na mão indo
na direção a porta.
- "yISaHbe'. reH juppu'wI'vaD Hoch vIta' 'ej rut jaghmey vIta' je."
- Não se preocupe sempre faço tudo pelos amigos - e ela sorriu - e ás vezes pelos inimigos também...
****
Utzar olhou de soslaio para aquela vulcana, ela era extremamente
bonita apesar das orelhas pontudas, ela estava do lado do engenheiro da Atlantis que lhe explicava
rapidamente o processo de armazenamento de antimatéria das naves da Frota Estelar.
Utzar meneou a cabeça indicando que agradecia a explicação e
notou que a Primeira-Oficial da Atlantis estava disposta a acompanhá-lo no passeio pelo deck do motor da
nave.
"... Ou seria apenas uma desconfiança que ela nutria sobre a presença dele ali?..."
Ele lembrou de como ela era capaz de ler mentes ou pelo menos descobrir o que queria, tentou
limpar a mente e não pensar nos propósitos de Kortan naquela nave, e tirou a arma da cabeça.
Sarah captava leves preocupações emanadas de Utzar, era muito
fácil sentir as vibrações mentais dele e Sarah procurava obter alguma informação daquilo, mas de algum
modo nos últimos instantes ele tinha se voltado a outros pensamentos. Sarah se divertiu por dentro
notando que o klingon estava interessado nela muito mais do que profissionalmente.
Sarah não pode deixar de usar esta oportunidade para saber de
alguns detalhes sobre a arma ou mesmo Klang e agiu depressa soltando de supetão um pedido que
interpretado por klingons seria um verdadeiro convite sexual.
- Você chegou a nave há praticamente doze horas, e creio que
não teve oportunidade de ver a eficiência de nossos sintetizadores. - Ela soltou de súbito mantendo um
ar de indiferença. - Você gostaria de me acompanhar em um drink?
D'Angelis que estava por perto estancou no meio do caminho,
mas não demonstrou estardalhaço, olhou para frente em direção ao motor e deu um sorriso cínico sem
deixar que os dois percebessem. Um convite deste nível só significava uma coisa na cultura klingon e
Jordan sabia muito bem o que significava um verdadeiro convite sexual...
"Sarah convidando um Klingon para beber..."
Ele suspirou de repente. Quando se voltou para trás os dois
já haviam partido.
Utzar fora pego de surpresa, será que ela sabia a implicação
daquele oferecimento a um klingon? Claro que sabia, mas na verdade Utzar ficou em dúvida e não queria
imaginar até onde ela desejava ir. Então olhou para ela ao seu lado e teve uma nítida impressão que ela
queria lhe arrancar algumas informações nem que para isso tivesse que usá-lo. Ele sorriu levemente ao
sair no deck dos refeitórios pensando no tipo de prazer que sentiria indo para cama com aquela vulcana,
um pensamento muito estranho para aquela ocasião, mas tirou logo isso da cabeça, pois no refeitório
mesmo sendo o privado dos oficiais o qual eles se dirigiam, não poderia mostrar para ela o que um
convite daquele tipo significava na cultura klingon, ela sabendo ou não do que se tratava.
PRÓXIMO A PONTE...
Ness se encaminhou para a ponte tinha ficado de certa forma
aliviado afinal Comandante McKenna tinha se incumbido de ficar com Utzar, e isso era realmente um alívio,
no caminho deu de cara com Joshua Benrubi que parecia apressado segurando um datapadd nas mãos os dois
entraram no mesmo elevador que seguia para a ponte.
- Parece que hoje todos estão agitados.
Ness soltou cordialmente depois que indicou ao computador o
caminho da ponte.
- É que estamos próximos ao dia D, meu caro Ness.
Joshua soltou um sorriso. Olhou para o jovem ruivo de olhos
verdes, e pensou na ficha dele um excelente aluno da academia, que sabia lutar muito bem apesar da
aparência de adolescente isso era muito bom para ludibriar possíveis adversários.
"...Ele teria que aprender muita coisa enquanto estivesse na
Atlantis, principalmente sobre as pessoas, elas nunca aparentavam o que eram... seria um bom modo dele
aprender sobre a vida..."
Joshua teve um pouco de inveja da pureza de Willian, há muito
tinha perdido esta característica e aprendeu a duras penas que as aparências sempre enganam.
- Você por acaso viu a Primeira-Oficial? - Joshua soltou
saindo ao lado de Ness na ponte.
- Sim, Sr. Ela está em companhia do klingon de nome Utzar. O
engenheiro. - Ness soltou a última palavra achando estranho um klingon como aquele ser engenheiro.
- Não me diga... - Joshua soltou um sorriso cínico.
- Deseja mais alguma coisa, sr? - Ness disse solicito como sempre.
- Não, Ness, vou me ocupar das armas agora...
Joshua se voltou indo para o lado direito da ponte, viu de
relance Melrik que estudava as coordenadas ao lado de Chayenne na estação de navegação. Ele era alto da
mesma altura que ele próprio, e mantinha um porte de dignidade extrema como todo bom vulcano, voltou-se
para o painel e conferia um a um os mecanismos de acionamento dos torpedos fotônicos e raios phaser.
Joshua nutria uma curiosidade a respeito de Melrik, mas não
era íntimo o suficiente para ter certeza ou não sobre o relacionamento dele com a Capitã O'Conell.
"...Que tipo de relacionamento seria este, algo somente mental..."
Ele nunca tinha engolido esta história sobre elos somente
mentais, algo tão forte e que durava tanto tempo fatalmente enveredava pelo caminho do corpo também,
aquele vulcano já tinha colocado a vida em risco varias vezes para salvar Diana O'Conell se ele fosse
como um terráqueo diria que era amor.
“...sim, amor...será que eram amantes?"
Joshua desviou o olhar quando o vulcano o encarou impassível,
tinha sido pego de surpresa por aquele olhar castanho perscrutador. Melrik voltou-se novamente para a
tela de navegação. E Joshua tomou mais cuidado com seus pensamentos, não era sensato pensar nisso agora
e ainda mais perto de qualquer vulcano da tripulação.
NO REFEITÓRIO DOS OFICIAIS...
Sarah bebeu mais um gole da bebida fermentada, era um gosto
de álcool que ela sabia não estava apreciando devidamente, seus pensamentos estavam naquele klingon e
sobre aquela arma. Tinha passado as primeiras horas desde da chegada deles ali averiguando informações
a respeito daqueles dois e o envolvimento mais específico do engenheiro klingon na confecção e projeto
da arma.
"...Quem disse que o serviço secreto Klingon é inviolável..?"
- Ela sorriu levemente.
- Você não é vulcana, é? - Ele falou num perfeito linguajar da Frota Estelar, ele tinha afinal aprendido depressa a língua.
Já estavam ali a meia hora falando de vários assuntos referente aos recentes acordos klingons e Federação, aquilo era de conhecimento de todos e não fazia mal falar a respeito.
O refeitório estava vazio, e todos na nave estavam atentos aos seus afazeres. Mesmo assim o refeitório dos oficiais era restrito e ainda não tinha sido usado,
pelo menos era o que parecia aos olhos de Utzar.
- Não totalmente - Ela sorriu o encarando nos olhos, que eram verdes, coisa incomum em klingons.
- Bem então empatamos, não sou totalmente klingon também.
Ele levantou o copo e sorveu o líquido castanho. - Uísque - ele sussurrou.
- Sim - ela proferiu calmamente...
- Líquido divino devo confessar, falando nisso não é meio imprudente estar aqui bebendo comigo enquanto todos na nave parecem atarefados trabalhando...?
- Quem disse que eu não estou trabalhando? - Ela o encarou sorrindo levemente.
- Belo modo de trabalhar...
- Fale-me sobre a arma - Ela foi direto ao assunto como era de seu feitio, não adiantava ficar enrolando aquele klingon, e o metabolismo dele ainda agüentaria muito álcool antes de cair chapado de bêbado.
Utzar soltou uma gargalhada forte e se serviu de mais um copo pois Sarah instruíra François Rinaldi para trazer uma de suas garrafas de Scoty as quais o chefe de cozinha da Atlantis guardava a sete chaves na cozinha da nave, anexa ao refeitório dos Oficiais.
- Então foi pra isso que você me convidou para beber?
Ele sorriu, mostrando os dentes perfeitos; Sarah desconfiava cada vez mais que ele era uma mistura de klingon com humanos e mais uma variação genética qualquer. Ele era atraente.
- Talvez eu não tenha o convidado somente para isso, mas admito que este é meu principal interesse.
- Você age como uma romulana eu diria...
- Pense o que quiser, Utzar.
- Bem pensei que seu engenheiro e seu Oficial de Ciências já tivessem desvendado o mistério da arma.
- Uma conversora de quark's inativos em ativos que converge as forças do caos em um raio único com potência para destruir metade de um planeta simulando o impacto de um meteoro de grandes proporções. Porém ela possui um corte tão especifico que parte o planeta em dois como se fosse um pedaço de pão sendo cortado ao meio.
- Bravo - ele disse irônico. - Você deveria fazer engenharia, minha cara...ou culinarista.
- Deixo isso para os outros. - Ela o olhou séria. - Você sabe o que eu quero saber, e o mecanismo da arma ou como ela funciona são irrelevantes ante a informação que quero. - Se ela fosse emotiva teria dado um murro na mesa diante da vontade que tinha de esganar aquele klingon cínico. Ela cruzou as pernas e o encarou - Quero saber por que Klang está envolvido e por que vocês foram incumbidos de participar desta operação... Não ouse mentir para mim, Utzar.
Ele a encarou sério. - Você é uma coisinha persistente. - Ele falou com raiva. Mas ante o olhar dela não teve outra alternativa se levantou fazendo menção que ia sair, ela não esperou e se levantou se postando na frente dele o impedindo de passar.
- Sou capaz de fazer você passar o resto desta viagem na enfermaria sem dizer, ver ou fazer qualquer coisa.
-Não duvido disso, minha cara...
Ele sorriu para ela e cedendo aos seus impulsos a abraçou fortemente e deu-lhe um beijo puxando o corpo dela fortemente contra o seu. Sarah nem sequer lutou, no fundo desejava por isso, e de qualquer forma arrancaria dele todas as informações que queria.
****
Capítulo VII.
O espaço estava limpo àquela altura, a telemetria da nave não
captava nada em nenhuma magnitude, e todos estavam satisfeitos com os últimos acontecimentos, a experiência
com a arma tinha se mostrado satisfatória, e os coordenadores da Nova Aliança estavam comemorando os resultados
das últimas semanas.
S'Tamur olhou de soslaio para a arma, da onde estava o hangar
parecia pequeno e desprotegido, quem olhasse aquele equipamento nunca diria que há dois dias atrás ele quase
partira um planeta ao meio, seus esforços foram recompensados e a pressão da Nova Aliança não era tão grande
agora. Na verdade S'Tamur analisou a situação friamente como era de seu feitio, ganharia muito dinheiro
com está tecnologia, a causa da Nova Aliança pouco importava, sempre se achou um mercenário, e sempre
seria um, afinal S'Tamur pensou com seus botões:
"... ser um cientista é ser um mercenário, um mercenário do conhecimento..."
Ele apertou alguns botões e ordenou ao computador que começasse a
pressurização do hangar, aos poucos o vácuo foi substituído por oxigênio enriquecido. S'Tamur pegou seus
equipamentos e dirigiu-se para o conversor, era sua vez de verificar o retentor de energia, tinha que
deixar a arma pronta para outra demonstração se assim o todo poderoso Klang desejasse.
Quando conheceu o General Klang, não deu muito ouvidos a sua
ladainha política e ideológica... Afinal um inconformado sempre usa as mesmas técnicas e palavras para
desafiar qualquer um que não concorde com ele, até esta parte da conversa S'Tamur não deu importância aos
motivos de Klang, mas quando se falou de recompensa... Diga-se de passagem uma gorda recompensa, S'Tamur
direcionou seus ouvidos àquela conversa.
Seu preço não era baixo, mas foi aceito por Klang que já tinha
providenciado metade do pagamento em espécie, ouro-latinum. Os outros envolvidos no projeto de Klang, engenheiros
e físicos, ainda estavam em dúvida naquele momento, alguns aceitariam outros seriam mortos, mas os mais
necessários foram poupados e seqüestrados, ameaçados ou acabaram se conformando e ficando, preço pequeno
para se pagar por um causa perdida... Uma arma impossível de existir.
Foi o que S'Tamur pensou naquela ocasião, como uma arma dessas
poderia acabar com uma nave da Federação, tinha pensado logicamente e não pensou nos prováveis fatos futuros,
quando a viu funcionando pela primeira vez sentiu algo que pelos padrões romulanos poderia ser chamado de
incomensurável orgulho, e agradeceu todos os anos que passou estudando na Academia de Ciências de Romulos.
Bem um romulano sabe mesmo expressar seus sentimentos quando quer... Ele sorriu levemente abrindo um painel na arma.
Agora tinha que achar um jeito de escapar das garras de Klang
e levar o segredo com ele, não seria fácil, mentir era fácil, mas se manter vivo com um klingon desconfiado
a suas costas não era lá coisa muito recomendável, os romulanos sempre tiraram vantagens dos klingons, e
aquele klingon em potencial só o aturava por ele ser necessário para os propósitos da Nova Aliança, pelo
menos até a arma estar completamente ajustada, e este momento estava chegando, seria muito fácil Klang
se livrar de um romulano calado e metido a esperto...
S'Tamur tirou o sorriso leve do rosto e se concentrou na arma.
****
A poucos metros dali, Wekar observava o trabalho do romulano,
sem ser notado apreciou a arma por um instante, mas não tirou os olhos de seu alvo, ainda não tinha recebido
a ordem final, mas em breve esmagaria aquele romulano com muito prazer...
Wekar era o contato permanente de Klang, e não tinha sido
fácil remeter informações sobre Wirgon e suas operações em Romulos e depois na nave Ktarnac de Kortan,
não era fácil ser o cão de guarda de Klang, mas devia a vida a Klang e deveria obedecê-lo a cima de tudo.
Pensou nos objetivos da Nova Aliança, Klang o chefe supremo com seus aliados, alguns fugitivos do Império,
alguns contatos nos dois lados políticos, seria uma grande aliança com o poder daquela nova tecnologia a
serviço da destruição de todos os traidores do Império Klingon...
EM OUTRO SETOR DA AVE DE RAPINA K'TAR ON VIRR...
Haviam mapas estelares dispostos no holograma do computador,
naquele momento Klang, sentado em sua poltrona, observava atentamente toda a antiga Zona Neutra Klingon
que um dia já constituíra barreira para as naves Federadas, mas agora não passavam de enfeites nos mapas
do Império.
Ele olhou com um sorriso cínico em seu rosto aquele mapa e
murmurou - "...barreira..." - Estava em seu alojamento espartano como todos os outros que existiam
naquela nave, uma nave de guerreiros, onde o conforto sempre era renegado a um segundo plano, esticou as
pernas e colocou os pés em cima da mesa solicitando ao computador que mostrasse outra coordenada daquele
setor klingon.
Estava meditando há doze horas sobre o último informe que recebera
de seu imediato, sobre a estratégia da Federação quanto ao último planeta no qual testaram a arma, era
intrigante, esperaram que três planetas fossem atacados para tomar alguma providência, mesmo assim não
esperava que o Império Klingon se envolvesse no caso, mas isso era por demais lógico
"... Kherrtar não quer que nada abale os acordos entre a Federação e o Império, e isso certamente causaria
um sério incidente diplomático, ainda mais quando descobrissem que a tecnologia para a arma é de autoria
do Império e seus cientistas..."
Ele lembrou rapidamente da imagem do seu pai, mas não queria
desperdiçar seu tempo com reminiscências do passado, tinha tomado sua decisão, e por Khaless, estava certo
do que fazia, não podia aceitar a supremacia da Federação as mudanças impostas por tratados onde os klingons
ficavam a mercê das leis da Federação...não ...não podia aceitar isso...
Mas agora tinha que pensar em sua estratégia, como manter seus
aliados e como conquistar mais simpatizantes para sua causa, tinha que usar a força se necessário, mas
atingiria sua meta? A formação de uma Nova Aliança independente da Federação, com vida própria e sistemas
próprios. Antes porém tinha que se livrar dos indesejados mas isso seria fácil, o mais importante era primeiramente
se livrar de qualquer plano desencadeado pela Federação.
Kortan poderia estar de seu lado agora, como irmãos lutando
pela mesma causa, mas nossos objetivos eram diferentes, nossas razões eram diferentes...
Klang levantou-se e desligou o computador, voltou-se para o
comunicador e falou em sua língua nativa em tom sério.
- Consiga um canal de comunicação subespacial para Zetor'V, urgente!
- Sim Senhor!
Klang colocou sua indumentária de capitão - "...agora vou saber de mais detalhes..."
PERTO DALI AINDA NA K'TAR ON VIRR...
Rur'lo olhou para as análises do resultado e encarou o andoriano
taciturno que observava outras análises ligadas aos efeitos no planeta.
- E então tudo confere com o desejado?
Rur'lo um tellarita que estava ali para salvar a própria pele
o indagou sem paciência.
- É engraçado não é? Colocar duas pessoas como nós juntas em
um espaço tão pequeno... - Shianka o andoriano o encarou sério baixando as antenas para perceber o tellarita
melhor.
- Não me venha com problemas de convivência, vocês tem este
tipo de problema com todo mundo, quero saber se os resultados foram alcançados...
- Sim está tudo perfeito, a arma funciona, em todos os níveis
de destruição, se você quiser uma cratera ela faz, se você quiser uma fenda ela faz, se você quiser uma
explosão ela faz, tudo ao gosto do cliente...
Shianka falou calmamente não dando importância a agitação do
engenheiro tellarita, que estava ali para fazer a máquina funcionar e realmente fez muito bem seu serviço.
- S'Tamur já mandou as novas verificações?
Rur-lo o metralhou com a pergunta sentando em uma poltrona próxima.
- Não...talvez um klingon já tenha se livrado dele.
O andoriano falou calmo e sério clicando algumas teclas de comando na
língua klingon que foi obrigado a aprender rapidamente evidentemente com falhas.
- Sabe o que eu acho, logo eles virão é se livrar de nós...
- Eles precisam de você, afinal você deu vida nova a arma, eu sou apenas um
analisador dos efeitos, uma peça descartável você sabe bem disso...
- Ele precisa de auxílio de todos os lados, não matará a nós
assim tão rapidamente, eu quero é voltar para meu posto avançado de onde eu nunca deveria ter saído...
Rur-lo começou a se lamentar como sempre fazia...
- Esqueça seu posto avançado, nós nunca mais o veremos.
Shianka disse convicto enquanto verificava mais dados, sabia que
o general klingon jamais deixaria qualquer um que participasse do projeto sair vivo daquela nave, seria
um risco desnecessário, pois se alguém saísse dali certamente levaria consigo o segredo da arma e venderia ao
primeiro que oferecesse um preço justo.
Shianka lembrou do tempo que era apenas um analisador meteorologista
num dos postos avançados da Federação, era um tempo bom aquele quando sua única preocupação era manter a
regularidade dos relatórios sobre algum planeta perdido naquele sistema, Klang tinha literalmente capturado
os melhores e metido naquela Ave de Rapina, e a Federação na certa soube manter tudo bem as escondidas para
não causar incidentes diplomáticos, tudo em nome da política.
Neste momento Klang entrou no deck disponibilizado
para os testes e análises. Sua imponência e altivez arrancava de todos um ar de respeito para com aquele
klingon, seus cabelos curtos já esbranquiçados denotavam sua meia idade klingon, mas seu porte alto e
forte denotavam o guerreiro que ainda era... A honra era outra questão, que nenhum dos presentes em sã
consciência ali iria discutir com aquele klingon.
- Fiquei satisfeito com os resultados alcançados em nosso
último teste, e ainda mais com os relatórios emitidos, vocês estão correspondendo perfeitamente as minhas
ordens e serão devidamente recompensados, a Aliança sempre ficará em dívida para com vocês.
Neste momento dois guardas klingons entraram no aposento com
seus disrruptores em punho.
Shianka, largou o disco que segurava, e olhou fixamente para
Klang, no seu íntimo sabia que sua hora havia chegado e como um bom andoriano, preferia morrer rapidamente
e sem dor. Assim, ser atingido por um daqueles disrruptores não era o ideal da morte sem dor.
Klang por outro lado o encarou como que entendendo o que se
passava com a mente do andoriano, e o admirava por isso, de certa forma ele entendia o que era morrer
honrosamente e sabia que sua missão já havia terminado em relação a Nova Aliança, na verdade um andoriano
não viveria muito naquela nave Klingon e não poderia viver mesmo para não poder levar o segredo da arma
para onde bem fosse. Klang tirou sua Qut'luck, da bainha onde a carregava e a entregou para o andoriano,
que estendeu a mão e entendeu perfeitamente o que deveria ser feito.
Rur-lo olhava a cena estupefato, em meses era a primeira vez
que ficava sem emitir um som, sem falar nada, como que apreciando aquele momento cerimonial, na verdade
não sabia o que fazer, o próximo seria ele, mas não teria a coragem de Shianka não conseguiria tirar a
própria vida por mais que odiasse aquele klingon.
Shianka foi rápido e seguro, firme em sua manobra de suicídio,
enfiou a adaga klingon na altura do tórax cravando-a no seu órgão vital, sem emitir nenhum som, sem se
contorcer ao menos, torceu a adaga na direção horária e desfaleceu sobre o chão... Seu sangue azul
escorria levemente em um filete que alcançava a sua mão, que ficara segurando a adaga.
Rur-lo viu a cena chocado como em "slow motion", a
cena se repetia e se repetia em sua mente bem devagar e continuamente, Klang aproximou-se do andoriano
e retirou sua adaga, olhou para o telarrita que estava chocado, paralisado e não tirava os olhos do andoriano
que até poucos minutos atrás estava fazendo análises de solo e temperatura no computador.
- Tens alguma coisa a dizer caro Rur-lo? Meu engenheiro predileto.
Klang sorriu um esgar de dentes para o tellarita, petrificado
em sua poltrona.
Rur-lo em um ímpeto de raiva se atirou contra o klingon, mas
antes de alcançar seu alvo um dos guardas acionou o disrruptor e acabou com a vida de Rur-lo, que não
morreu tão dramaticamente quanto Shianka, mas que fez a arma da destruição renascer das cinzas.
Klang fez um assentimento para os guardas.
- Limpem tudo, e fiquem de olho no romulano.
- Sim Senhor!
Klang saiu para meditar sobre as boas novas recém enviadas
por Zerto'V, que tinha falado a respeito de Kortan e Utzar embarcando em uma nave da Federação...
Quem detinha a informação ganhava a guerra.
NA ATLANTIS...
Sarah levantou-se e saiu silenciosamente do aposento, deixando
para trás um Utzar adormecido. Não estava cansada apesar de tudo e tinha sido extremamente divertido. Sarah
passou pelo corredor com sua pose altiva sendo cumprimentada com respeito por alguns tripulantes que passavam,
ela sorriu internamente como que guardando um segredo que só ela sabia, essa era a melhor parte: descobrir as
coisas ocultas e fazer coisas que ninguém poderia imaginar e tudo com um propósito anteriormente calculado.
Começou a gostar de estar naquela nave sob o comando de O'Conell, que não aprovava inteiramente seus métodos,
mas aceitava-os de bom grado quando isso envolvia uma missão e a Atlantis.
Ainda achava interessante como a terráquea se apegou a nave e
a tripulação tão rapidamente em apenas alguns meses no espaço. Talvez esse tipo de sentimento vindo de
Diana fosse desencadeado pelas naves que já teve nas mãos e que não conseguiu manter sob seu comando.
Ainda teria que descobrir mais sobre ela, mas isso não seria difícil agora que estava aproximando-se mais
da Capitã da Atlantis. Voltou rapidamente seus pensamentos para Utzar e entrou no elevador.
"Nada mau... Se eu vivesse em Romulus compraria ele como escravo..."
E soltou um sorriso rápido antes de sair no deck dos alojamentos dos Oficiais.
NA PONTE...
Há trinta e seis horas a Atlantis vinha rastreando qualquer
sinal suspeito naquele setor e apenas suposições vinham na mente de Diana, a Frota Estelar tinha informado
sobre outro ataque, em um planeta habitado a meio ano luz da onde se encontravam agora, felizmente atiraram
em uma área deserta do planeta, uma vasta superfície agora tinha virado uma enorme cratera. Melrik tinha
suas teorias e Sarah, logo, logo, traria boas novas, tinha designado a Primeira Oficial para colher informações,
não importando os métodos empregados, Diana sorriu rapidamente imaginando quais o métodos que a vulcana
empregaria... Mas tirou logo o pensamento da cabeça quando foi interpelada por Khya.
- Chamado da Frota código Alfa, Capitã!
- Passe para meu gabinete, Khya.
- Sim Senhora.
Diana entrou em seu gabinete anexo a ponte, seguida pelo olhar
de Melrik e Joshua, que não escondia a curiosidade, mas não podia almejar saber de nada agora, ela só
diria o necessário já havia aprendido isso nos poucos meses sob o seu comando.
Diana sentou-se em frente a tela de comunicação a aprumou as
costas para esconder seu cansaço. Em seguida o símbolo da Frota Estelar apareceu em destaque e o aviso
da diferença em três minutos na mensagem enviada.
Um rosto conhecido despontou na tela, era Ivês Melarmê,
"...sim seu velho conhecido." Diana meditou com seus botões e começou achar esta missão muito
inconveniente, pois muita gente de seu passado estava aparecendo de uma hora para outra.
Ivês era francês, o tipo de francês pedante, mas suportável,
foi aí que Diana aprendeu que os franceses não são os típicos conquistadores e que a maioria deles só
está no mundo para se auto adular, ele tinha os cabelos ralos agora de um loiro pálido a testa sempre
franzida e os olhos como de uma águia, observando com olhos de raio X o interlocutor, seu nariz não era
adunco, parecia bem normal, isso definitivamente ele não tinha de francês, e seus lábios finos
denunciavam sua arrogância, "...mas qual tinha sido o maldito que ordenara este "ser" entrar em contato comigo..."
Diana sorriu levemente, esperando Ivês começar o diálogo.
- Minha cara Diana, ou deveria dizer, querida Diana...
Ele sorriu levemente cruzando as pernas de sua poltrona,
sempre gostava de mostrar o corpo inteiro.
- Minha cara é melhor, mas que boas novas o trás até mim, meu
caro colega Melarmê? - Diana tentou brecar sua ironia mas foi impossível, Melarmê tinha algo que a tirava
do sério.
- Bem, Diana, não digo que são boas novas, mas certamente é
algo muito importante para sua missão, seja ela qual for, só recebi ordens de lhe transmitir algo o que
estou fazendo prontamente, como o bom Capitão que sou obedeço todas as ordens, bem diferente de uma
pessoa que conheço... - ele sorriu cinicamente.
- Bem, Ivês, então diga logo, não fique enrolando! - Diana
vociferou rápido...
- Calma, minha querida, já foi o tempo que você era minha
superiora... Agora estamos no mesmo patamar... - ele fechou o sorriso.
- Minhas desculpas, sabe como é... Força do hábito... Um
defeito que não consigo me livrar. - Ela relaxou na poltrona esperando a boa vontade de Ivês.
- A mais ou menos cinco horas atrás interceptamos um comunicado
de origem desconhecida, mas com rumo certo, ela estava endereçada a uma Base Estelar Klingon em território
da ex-Zona Neutra, toda a gravação vai ser passada para sua nave agora, não posso negar que isso atiçou
minha curiosidade, mas infelizmente não estou inteirado de todos os acontecimentos e não entendi muita
coisa, afinal a especialista em klingons aqui é você e não eu.
Ivês falava em tom mordaz, como que tentando ferir os sentimentos
de Diana, que automaticamente revestiu-se de uma couraça protetora, coisa aprendida com Melrik.
Diana acionou seu comunicador e deu ordens a Khya que
recebesse a mensagem.
- Ah... Minha querida, quase ia me esquecendo, parabéns por
sua nova nave, devo admitir, estava louco pela Atlantis, mas creio que você já deve saber disso, espero
que você a mantenha segura de qualquer intervenção inimiga. - Ele sorriu.
- A mensagem já foi recebida, capitão, e obrigada por seus
votos, e não se preocupe, eu só estou testando esta aqui, logo você também terá uma. Sempre quis uma
Excelsior e você tem uma que eu não posso ter... - Ela sorriu levemente.
- A Excelsior é boa, mas não é uma Ambassador, porém como
você sempre disse, "o vento sopra em várias direções", Melarmê desligando...
A imagem dele se apagou, e o símbolo da Frota apareceu na
tela novamente. Diana sentiu-se aliviada, e voltou-se para seu comunicador de mesa.
- Sarah, apresente-se imediatamente em meu gabinete.
Diana falara rapidamente com Khya e pediu a transferência da
gravação para sua sala, ouviu atentamente as palavras e quase deu um murro na escotilha, neste instante
Melrik entrou e observou aquela cena intrigado, a gravação emitia palavras klingons meio baixas e
desconexas, mas algumas eram facilmente distinguidas, ele rapidamente as interpretava, pois sabia tão
bem o klingon quando sua língua nativa o vulcano.
- Você precisa dormir um pouco, afinal seu metabolismo
necessita de descanso, vou chamar Dr. Düff para lhe administrar algo...
Melrik apertou alguns botões do comunicador.
- Pare já com isso, agora não posso dormir, você entendeu
muito bem o que estas palavras querem dizer.
Ela voltou-se para ele o impedindo de apertar qualquer tecla
do comunicador.
- Certamente. - Ele ficou ali parado em frente dela, e a
gravação parou finalmente.
- Sente-se, Sarah está chegando quero discutir isso com ela
e Joshua, agora temos que ter cuidado redobrado, não sabemos se Kortan ou Utzar estão envolvidos nesta
traição.
Alguns segundos se passaram e Sarah adentrou o aposento
seguida de Joshua, que fazia tudo para ignorar a presença da Primeira-Oficial que a um dia atrás o
humilhara perante seus Alferes, era assim que ele se sentia, mas não era isso que Sarah sentia, no fundo
nem se lembrava do incidente no treinamento com os Alferes, aquilo parecia estar a anos luz de distância,
ainda mais que agora estava com outras preocupações em mente, como por exemplo contar tudo o que tinha
arrancado de Utzar na noite anterior de um modo nada honesto, mas muito prazeroso.
Eles sentaram em torno da mesa de reunião, e ouviram atentamente
a gravação, era rápida, com palavras desconexas, na verdade Sarah, não sabia muito da língua klingon um
defeito que deveria remediar logo, logo. Joshua nunca se importou com a língua klingon, mas conhecia
alguma coisa sim, por força de seu posto na Dissuasão.
Foi Joshua que quebrou o silêncio e sussurrou
-...Zetor'V... Ele não é o chefe da Base Espacial Klingon, a
qual se não me engano, Kortan e Utzar estavam antes de embarcarem na nave do pirata do espaço...?
Ele sorriu a lembrar de Trotsy...
- Muito pitoresco - Melrik limitou a dizer...
- Sei que não gostamos de Trosty, mas lembre-se ele é um
homem valente e já tirou muita gente de lugares de impossível acesso para uma nave comum da Frota
Estelar.
Diana falou séria, como que profundamente ofendida por Trotsy,
na verdade ela era muito grata aquele capitão exótico da Frota Estelar ou melhor dizer da Dissuasão.
- Bem se Zetor'V está envolvido com Klang, e lhe passando
informações, Kortan é um suspeito - Joshua falou sério cruzando as pernas, como sempre fazia quando
começava a falar.
- Não temos provas para fazer tal afirmação, ainda - Sarah
moveu o rosto em direção de Joshua, finalmente se pronunciando e Diana calculou que pela demora Sarah
sabia muito mais do que estava pretendo dizer.
- Como você pode ter certeza disso? - Diana soltou rápido.
- Eles foram mandados para esta missão com ordens de Kherrtar
o Chefe do Conselho Klingon, Zetor'V é "peixe" pequeno na hierarquia klingon e não está nada
satisfeito de ter sido transferido para uma base quando já comandou Cruzadores e conquistou planetas para
o Império.
- Você quer dizer, já assassinou muita gente pelo Império
- Joshua a encarou sério.
- Os métodos klingons não estão em questão aqui. - Diana ficou
em pé, estava mais nervosa do que o normal, e ela sabia por que, Melarmê aquele maldito a fazia lembrar
do seu passado, e do tempo que era Primeira-Oficial, do tempo que perdeu vidas, do tempo que não sabia o
que era certo e o que tinha que parecer certo.
Sarah não teve como evitar perceber aquele redemoinho nos
pensamentos de Diana, mas a barreira de Melrik estava ali bem a vista. - "...então você domina esta técnica também..."
Melrik encarou Sarah, mas não insinuou nada, aquilo já estava indo longe demais.
- Desculpe-me senhores... Bem vamos seguir a linha de raciocínio lógico, estamos
com dois klingons em nossa nave, mandados para nos auxiliar na captura da Ave de Rapina e de Klang, o
qual deve ser entregue a Federação, a arma deve ser destruída. Ponto.
Diana sentou-se novamente, sob os olhares dos três.
- Mas não é isso que vai acontecer é? - Sarah percebeu um
brilho no olhar de Diana e isso denunciava tudo.
- Na verdade não nesta ordem ou com essa prioridade, vamos
dizer que temos outras prioridades, mas a principio devemos confiar em Kortan e em Utzar.
- Eu não consigo confiar neles mesmo, e creio que nunca
conseguirei - Joshua retrucou.
- Mas concordo com o fato que dependemos deles e eles de nós.
- Não preciso dizer que o que vou falar agora não saíra desta
sala. - Diana sorriu - Por vias das dúvidas vamos seguir o cronograma, mas vamos eliminar klang também...
Joshua riu gostosamente
- Agora sei por que todos no departamento "D",
ficavam agitados quando ouviam seu nome...
- Devo aceitar isso como um elogio? - Diana sorriu levemente.
- Claro Capitã, por que não? Era difícil agitar aquela gente, e
eles sempre gostavam de uma adrenalina...
- Bem eis o plano, senhores....
Eles ficaram trancados ali durante duas horas, enquanto isso
o pessoal da ponte continuava a rastrear alguma pista que levasse a localização da K'tar on Virr.
NA ENFERMARIA...
- Bem meu rapaz, você está ótimo... - Düff sorriu enquanto
dava o diagnóstico para Roger McKenna.
- Depois de tanto tempo você ainda usa esse linguajar?
- Roger vestiu seu uniforme, enquanto Hans analisava os últimos resultados no computador.
- Bem sempre falei assim, não vou mudar depois de velho...
- Não diga isso temos quase a mesma idade. - Roger sorriu.
- É bom reencontrar velhos amigos a bordo. Você sabe Sarah quase nunca estava por perto, mas mesmo assim nossa família é bastante unida.
- O lado terráqueo certamente. - Hans sorriu.
- O lado vulcano também, até parece Hans que você não está
inteirado daqueles inúmeros rituais de ligação vulcana. - Roger se encaminhou para a sala anexa seguindo
Hans e ambos se sentaram tendo a mesa os separando.
- Bem, Roger, há muitas formas de ligações, mas os laços
vulcanos transcendem a tudo que um terráqueo como eu ou você podem entender.
- Claro, isso é demais complicado para minha lógica de vida.
Mas procuro relevar as coisas exóticas de minha prima. Estranho não, falar de Sarah como prima...
Roger cruzou as pernas.
- Sarah é o tipo de pessoa, que parece não ter nenhum
familiar, e eu que o diga, a família dela é enorme.
- Sim...eu sei. Ramos espalhados por aí... - Roger sorriu.
- Sei que é por causa dela que estou aqui... - ele ficou sério de repente. - Foi um bom jeito de cuidar
de mim, não acha?
- Você se sente desconfortável com isso?
- Sim, creio que sim, afinal sou um homem adulto, sei cuidar
de meu destino.
- Se escondendo da realidade em planetas que ficam na beira
dos quadrantes?
- Pare de me acusar...
- Só estou tentando abrir seus olhos, você tem problemas com
a bebida, e isso não é de hoje, vou ser bem sincero com você, afinal Sarah é mais que minha parenta, e
devo este favor a ela e a você - Hans o encarou com um ar sereno: - Esqueça seu passado, aqui você terá
novas oportunidades, conhecerá novas pessoas, se solte, e viva a vida, a vida não é um problema para ser
resolvido, é um mistério para ser desvendado, viva um dia de cada vez...
- Essa é sua receita, doutor...?
- Sem bebida, sem fugas, sem arrependimento... Já tenho uma
Capitã neurótica, uma Primeira-Oficial teimosa e sabe lá Deus o que mais para cuidar nessa nave...
- Hans sorriu.
Roger se levantou - Vou seguir seu conselho, de qualquer
forma tenho que estar na linha, Sarah é famosa por seus puxões de orelha...
Roger saiu da enfermaria e seguiu para seu novo laboratório,
coisa que estava louco para fazer, desde que chegara naquela nave...
****
Sarah esperou Joshua e Melrik saírem da sala; Diana estava
sentada na ponta da mesa de reunião e ouvia pela quarta vez aquela gravação, como se pudesse extrair
algo mais de lá, algo como a inocência de Kortan em tudo aquilo.
- Isso trás lembranças do passado não é mesmo? - Sarah disse
calmamente.
Diana encerrou a gravação e encarou Sarah serenamente, mas
ainda transtornada com os acontecimentos que vinham como rajadas de tempestade.
- De certa forma sim...
- Kortan não está envolvido, na verdade ele é só uma peça de xadrez na mão do Império e de Kherrtar...
- Como você pode ter tanta certeza...
- Estou mais calma que você, estou mais descansada que você
e vejo tudo em vários aspectos, alguns bem diferentes dos seus preceitos do que é certo e errado...
- O certo e o errado às vezes não são o que parecem.
- Por que você pensa tanto em seu passado, nesse Melarmê...?
Diana se empertigou, foi impossível fingir a surpresa,
"...Sarah estava lendo sua mente? Como ousava tanto?..."
- Esta lendo minha mente Sarah?
- Não, o nome Melarmê está escrito em sua testa, depois que você recebeu está gravação ficou sensível e instável, e o Capitão que lhe transmitiu a gravação foi Ives Melarmê. Uma coisa leva a outra, só uso a lógica dedutiva.
- Você só usa essa lógica quando te convêm... - Diana falou ríspida, se empertigando, depois de alguns segundo se acalmou e voltou atrás - Sinto muito.
- Me falaram que Diana O'Conell nunca pede desculpas e nunca volta atrás...
- Quem te falou isso não me conhece, afinal as pessoas mudam...
- Me fale a respeito de Kragen é por isso que você ouve esta fita tantas vezes?
- Está me interrogando comandante McKenna? - Diana sorriu irônica.
- Utzar mencionou Kragen, e Rura Penthe. Quero ter certeza que essas coisas não vão incomodar você a ponto de interferir na missão.
- Utzar... Espero que tenha conseguido todas as informações que queria.
- Sim, todas as necessárias a missão e a meus propósitos.
- Que tipo de cobras colocaram sob meu comando? - Diana a encarou .
- Você sabe muito bem, - Sarah ficou de pé, havia leveza em seu tom de voz - afinal você é a mais perigosa de todas, por isso você está no comando. Quem olha para você não sabe o que você já foi capaz de fazer, ou o que será capaz de fazer. Nem eu sei ao certo como você vai agir, Diana. Ainda...
Diana refletiu sobre aquelas palavras, estava no comando de um corpo de elite, todos da Dissuasão, todos com seus preceitos de certo e errado,
todos já usados e desgastados pelo serviço secreto, pelas missões incógnitas, todos ansiosos por achar um
porto seguro, isso era responsabilidade demais para uma só pessoa, mas ela quis estar ali, ela decidiu
por isso, por que não dar alguma pista, dizer alguma coisa, afinal se ela não confiasse na segunda em
comando em quem poderia confiar, além de Melrik...ah... como era bom o tempo que Melrik era meu
Primeira-Oficial, não precisava nem emitir a ordem ele já sabia o que fazer...
- Eu fiquei uma temporada em Rura Penthe... Kragen era o
carrasco designado para minhas sessões de tortura e interrogatório... - Diana sorriu simplesmente como
desabafando - Não foi prazeroso, mas tive minhas lições.
- E depois?
- Bem esta parte é o mais engraçado, um tempo depois quando
eu ainda era prisioneira, Kragen foi acusado de traição ao Império, coisa que acredito ele fez, pois
estava envolvido com Zetor' V, afinal os dois não eram de muita confiança mesmo...bem advinha onde ele
foi preso?
- Que castigo - Sarah sorriu .
- É verdade, ele ficou junto com todos aqueles a quem
torturou...não é irônico, ficamos até chegados, afinal éramos considerados presos de alta
periculosidade, afinal éramos traidores. O final não é feliz para Kragen ou Gen. Kragen se preferir,
seu último pedido foi “mate-me”, o que fiz prontamente, na verdade não queria matá-lo, por mim ele
deveria sofrer mais um pouco, mas até eu tenho compaixão, ou chame de misericórdia se quiser, perdoei
meu carrasco e o matei. Foi um bom final para ele. Acho que fui recompensada pela minha boa ação um mês
depois estava fora daquele inferno.
- Viu? Não preciso ler sua mente, você me conta tudo.
- Bem, os vulcanos sempre exerceram em mim algo que não sei
explicar, acabo contando tudo para vocês. Bem que você para mim é uma incógnita ainda, mas o tempo dirá
o que você realmente é.
- O que eu sou e como eu procedo, você saberá na mesma medida
que eu descobrir o que você é e como trabalha. - Sarah se levantou. - Com sua permissão, Capitã, vou me
retirar.
- Só mais uma coisa, comandante.
- Sim.
- Não atormente Melrik...
- Atormentar... O próprio Melrik lhe diria que eu o incomodo,
voluntária e involuntariamente, bem mais que isso – suspirou. - Por que se importar, Diana O'Conell? Só
estou mantendo funcional um lado da mente dele que pode nos ser muito útil no futuro.
- Por que ele é muito especial para mim, só isso já constitui
um bom motivo para você se importar e parar de atormentá-lo com suas tentativas infrutíferas de adentrar
na mente dele.
- Isso é uma ordem, Capitã?
- Sim, é uma ordem, mas considere um pedido se quiser...
- Sim, Capitã.
- Um dia vocês ainda serão muito amigos...
Sarah se voltou da porta de saída:
- Não duvido nada, Diana, nada mesmo - e sorriu mordazmente. - Só estou "acenando" para ele, Capitã.
Melrik é muito mais talentoso, mas quanto a serem infrutíferas...
E saiu pensando em como descobrir por quê a lembrança de
Melarmê perturbava tanto Diana, isso seria descoberto...
****
Capítulo VIII.
Klang estava sentado em sua cadeira de comando no centro da
ponte da K'Tar on Virr, as luzes dos painéis eram como estrelas faiscantes que hipnotizavam, a tela principal
mostrava o espaço inerte com as estrelas reais ao fundo, plácidas e contemplativas, Wekar estava a sua
direita, como o fiel escudeiro que sempre fôra, e os demais oficiais estavam em seus postos prontos para
qualquer sinal de contato desencadeado por naves no setor, Klang esperava por este momento quando encontraria
o comandante Tarkal da Nave Romulana S'Thorius, não lhe agradava fazer negócios com romulanos, mas Tarkal
se mostrou simpatizante da causa da Nova Aliança e seria um excelente aliado, mas na verdade Klang não
era inocente e sabia o real interesse do romulano, que sem dúvida nenhuma estava direcionado a arma e
seu poder. Tarkal já tinha comprovado a eficiência da arma em um dos testes, este segundo encontro seria
apenas para acertar os últimos detalhes de uma sociedade entre os dois comandantes.
- Nave romulana entrando no setor, Senhor!
- Abra canais de comunicação.
O rosto do romulano apareceu na tela, era de meia idade, como
Klang, mas não tinha a sinceridade desencadeada pelo klingon, seu rosto escondia as reais intenções das
palavras ditas pelo romulano.
- Saudações, Klang.
- Saudações, Tarkal, então qual é sua resposta?
- Irei a sua nave para conversarmos melhor.
- O espero então.
Klang voltou-se para uns dos oficiais e assinalou positivamente
com a cabeça o ordenando a receber o sinal do teletransportado.
A tela voltou a mostrar o espaço, agora com um Cruzador romulano
como adorno, bem em frente da K'Tar on Virr.
****
S'Tamur olhou em volta não queria acordar, seu alojamento pequeno
e desprovido de conforto era agora seu melhor refúgio, não queria ter que sair dali e voltar a ver aquela
arma conversora, ou pior ver frente a frente Klang. Estava com dor de cabeça e se sentia nauseado, mas
se esforçou e levantou, a princípio ficou sentado na beira do catre, mas logo se dispôs as necessidades
fisiológicas que eram primordiais.
Aos poucos foi reunindo os fatos do dia anterior em sua mente,
teria que pensar rápido e encontrar uma solução para salvar a própria pele, não queria acabar como Shianka
ou Rur-lo, tinha que arrumar um jeito de sair dali.
Seu pagamento estava ali num canto do aposento, os klingons
podiam ser perigosos mas não eram ladrões, aquele ouro poderia ficar ali que ninguém ousaria mexer nele,
mas por via das dúvidas a embalagem protetora estava lacrada com código de segurança.
Vestiu suas roupas e saiu do alojamento para o refeitório, a
maioria dos Klingons já haviam comido naquele horário e agora seria sua vez de provar as "delícias"
do Império, agora já estava relativamente acostumado com aquela comida, de qualquer forma tinha que
pensar racionalmente, ou comia ou morria de fome, e isso seria bem conveniente para Klang. Ao passar por
uns dos corredores foi impossível não deixar de ouvir dois guardas que comentaram sobre a nave romulana,
S'Tamur teve um estalo, e pensou por que não?
"... Poderia fugir para a Nave romulana enquanto podia, os
testes com a arma conversora já haviam sido concluídos, e os escudos deveriam estar abaixados, certamente
era Tarkal que voltava até Klang, bem o Império Romulano ficaria muito feliz por informações sobre a arma,
e Tarkal ficaria muito feliz se não precisasse negociar com Klang pelas informações, eu poderia lhe dar
todas as informações, isto se eu não morrer antes..."
NA ATLANTIS...
Melrik sentou de frente para escotilha, pensou em todos os métodos
utilizados para caçar a Ave de Rapina tudo era muito ilógico, como achar uma nave em um espaço infinito,
era como achar uma agulha no palheiro... Ele pensou que estava sendo muito displicente empregando em uma
hora como aquela ditados terráqueos tão pueris, será que até mesmo ele já não estava cansado desta
procura inútil, de Kortan e Utzar, de Sarah, tinha notado que a vulcana tinha parado de atormentá-lo, e
isso era reconfortante, "...talvez até mesmo Sarah estivesse muito ocupada para ficar testando minhas habilidades..."
Melrik voltou-se para o som da campainha da porta de acesso.
- Entre.
Ele ergueu uma de suas sobrancelhas, e a encarou com frieza.
- Posso falar com você?
Sarah entrou e se sentou sem ser convidada, ficou de frente para o
vulcano que parecia bem a vontade com sua túnica aberta, mas ele estava em seus aposentos não estava a serviço
na nave, então não o repreenderia pelo desleixo aparente com o uniforme, isso seria cômico por demais.
- O que a trás aqui, Comandante?
- Estou curiosa a respeito de algo.
Ela cruzou elegantemente as pernas o encarando, Melrik continuou
na mesma, sentado rígido com as costas retas parecendo alheio a presença dela ali, por mais ilógico que
aquilo parecesse.
- Ora, isso muito me intriga, pensei que você nunca perguntasse
apenas arrancasse o que queria saber.
- Senso de humor, Melrik? Isso sim é que me intriga.
Ela deu um sorrisinho, que o mortificou. Como uma vulcana altamente
treinada jogava tudo pela janela e aderia a sentimentos comuns de uma forma tão infantil?
- Ora não se espante com meu sorriso, ele já é normal para mim, o que muito
me admira é como você não expressa seus sentimentos abertamente após conviver anos com uma terráquea...
- Ela soltou serenamente.
- Eu procuro não desperdiçar os anos de treinamento que tive,
é um processo longo... Você sabe disso.
- Mas não estamos em Vulcan, de qualquer forma não vim falar
de mim ou de você, quero saber sobre Melarmê.
Melrik finalmente moveu-se e posicionou-se mais resignado,
falaria ou não? Estava aliviado por Sarah não estar entrando em suas barreiras e pode pela primeira vez
na frente da vulcana abaixar um pouco seus escudos mentais os deixando dentro do padrão normal entre
vulcanos.
- Isso não é hora de perguntar sobre Melarmê, nossa preocupação
agora é outra.
- Nossa preocupação ainda não apareceu nos sensores, portanto,
posso me dar ao luxo de ter outras preocupações.
- Use um terminal do computador central você vai saber tudo
sobre ele. - Melrik falou friamente.
- Você sabe como isso mexeu com Diana O'Conell, nas últimas
horas ela estava irreconhecível.
- Ela estava deveras exausta, não esqueça: ela é humana, não
vulcana, precisa de descanso e Dr. Düff já providenciou isso a ela.
- É difícil para você lembrar todo o tempo que ela não é
vulcana, não é mesmo?
- Isso não vem ao caso... - Ele se remexeu novamente.
- Melrik, eu não quero ser sua inimiga, eu só estou atrás de
informações, sempre trabalhei assim, tenho que saber mais sobre Diana. Não posso prever qual será seu
próximo rompante emocional, por que ela ficou tão instável?
- Pergunte a ela.
- Ela não vai falar, pelo menos ainda não.
- Eles se conhecem há muito tempo, desde a Academia.
- Não quero saber das aventuras amorosas de O'Conell, quero
saber quando começaram a se desentender.
- Amorosa? - Se Melrik pudesse sorrir, faria isso agora, ante
as idéias de Sarah. - Bem eles sempre se desentenderam, e isso começou na Academia.
- Eu quero saber do tempo que ela era a Primeira-Oficial e
Melarmê estava sob seu comando.
- Sarah... - Melrik se levantou, tinha que se desviar daquele
olhar, era a primeira vez que ele a tratava pelo primeiro nome, isso era estranho.
Sarah se voltou para ele - Você não está traindo Diana, só
quero uma resposta.
- Melarmê culpa Diana pela morte de uma pessoa muito especial
para ele, Melarmê é o tipo de humano, vingativo que guarda uma ofensa por anos, e isso perturbaria
qualquer um.
- Então ele pode se vingar de Diana, conseqüentemente da nave
e da tripulação?
- Não sei ao certo até onde ele iria, mas de Diana certamente
ele se vingará, se tiver oportunidade.
- Bem quando Diana falou sobre possíveis inimigos que todos
nos possuímos, já imaginava que ela possuía inimigos dentro da Frota Estelar... Mas tão próximos...
- Diana tem inimigos e amigos por muitos lugares.
- Melrik, sua informação foi muito esclarecedora, sua Primeira-Oficial
agradece sua decisão.
- Agradece... - Melrik a encarou. - Muito atípico de sua parte.
- Melrik, você ainda vai se surpreender com o que sou capaz de fazer
ou dizer, por isso não me julgue ainda.
- Tentarei ser o mais imparcial possível com você.
- Até logo, Melrik.
Ela saiu no meio do corredor, deixando um Melrik muito
intrigado para trás.
NA ENFERMARIA
Düff tamborilou os dedos devagar sobre o teclado digital
enquanto terminava de examinar alguns dados rotineiros sobre a saúde da tripulação, ainda mais sob as
condições atuais de estresse. De qualquer forma estava se preparando ansiosamente para o primeiro exame
trimestral da tripulação da Atlantis e isso, por mais estranho que pudesse parecer, o estava deixando
muito animado.
- Acho que estou ficando velho...
Resmungou para si mesmo e ergueu-se para esticar o enorme
corpo que apesar de suas "conclusões", ainda estava em ótima forma.
Martina, que parecia estar sempre atenta a tudo que se
passava na enfermaria, aproximou-se dele com um olhar inquiridor.
Düff a encarou e sorriu.
- Dickens, ás vezes tenho certeza de que você está me
vigiando.
Ela retribuiu a observação ferina com um sorriso nada
retraído:
- Por que eu haveria de vigiá-lo, Dr.? Afinal, seus horários são tão impreterivelmente regulares que isso, se fosse meu atributo, seria desnecessário.
O sorriso de Düff se acentuou: "Que miserável".
- Você não tem um pingo de vergonha nessa cara, Martina.
Ela meneou a cabeça como se aquilo fosse verdadeiro, mas sem
importância, e se dirigiu para a sala de exames:
- Até depois de seu almoço Dr. Düff...
"Deixe ela comigo..." Düff lembrou da frase em tom
mordaz proferida por Sarah um dia antes quando se referiam a Martina, enquanto saia da enfermaria em
direção ao alojamento dos Oficiais.
NA K'TAR ON VIRR...
S'tamur entrou no hangar, seguiu seu cronograma a risca,
sentia Wekar constantemente seguindo seus passos, sabia que sua hora estava chegando, bastava apenas
um menear positivo de Klang e Wekar entraria em ação. Decidiu que não podia desperdiçar a oportunidade
de ir embora daquela nave.
Olhou o painel e registrou os últimos dados, talvez os dados
finais de meses de testes. Seu tricorder mesmo com a linguagem klingon seria facilmente decodificado em
um futuro próximo. Apertou alguns botões e localizou alguns sensores o mecanismo conversor que era a
alma daquela arma. S'tamur se levantou e guardou seu tricorder no bolso de sua jaqueta cinza, fechou
as telas de acesso para o computador central da arma e se assegurou que ninguém o observava, sentiu um
alívio a constatar que Wekar não estava por perto naquele momento. Andou até o corredor de saída,
apertou alguns botões no painel de controle ambiental do hangar e acionou a despressurização, a luz
ficou vermelha certificando seu comando anterior. Olhou mais uma vez para a arma de médio porte, seu
canhão de raios se sobressaia a um metro a frente do corpo da máquina, uma capsula oval fixada ao chão
por um tripé. O painel de comando ficava ao lado, um pedestal simples negro acompanhando a cor da arma.
Nunca mais queria ver ela assim naquela situação, nunca mais queria estar dentro de uma Ave de Rapina...
Fechou os olhos e se voltou para o turbo elevador saiu de lá rapidamente.
NA ATLANTIS NOS ALOJAMENTOS DE DÜFF
- Ele é instável sim, mas até sua última bateria de testes
antes de assumir essa nave, Melarmê ficou classificado dentro do "limite aceitável".
Sarah descruzou as pernas e voltou-se para Düff.
- Acharam que um "tantinho" de loucura o transformaria em um
capitão excepcional, mas até agora suas atuações foram..."Regulares", para sermos amenos.
- Prever um gênio operacional ainda é questão de sorte. Ele
tem muitos atributos, mas...
- Ele ainda está no espaço porque Almirante Walker quer.
Ness, recém saído dos cueiros, comandaria uma nave do porte da dele melhor que Melarmê.
- Não é a eficiência dele que está preocupando você...
McKenna suspirou - Não, Hans...É o quanto ele está disposto
a fazer para pegar Diana O'Conell...
Düff garfou uma folha de alface e a mordeu pensativo.
- Ele está perto demais de nós neste momento para ignorarmos
sua presença - e sorriu. - Parece-me que você terá muito o que fazer nesta nave, muito mais do que nós
dois podíamos imaginar.
McKenna meneou a cabeça concordando e Düff sabia que ela
estava sorrindo apesar de não ver isso claramente em seu rosto.
- Diana O'Conell está entrando num estado de espírito que a
fará capaz de qualquer coisa para defender esta nave.
- Isso é bom.
- Muito melhor do que qualquer inimigo dela possa imaginar,
pois este estado de espírito é múltiplo dentro desta nave...
Hans a fitou emocionado, reconhecendo a voz pausada e factual
que ouvira muitas vezes naqueles 20 anos juntos: a voz da premonição, que naquela meia vulcana em
especial sempre fôra excepcionalmente clara e acertiva.
- Também gosto desta nave.
Sarah sorriu e enrolou o macarrão verde no garfo.
- Eu também.
E ela agora sabia que aquilo uniria os membros do pacto*
numa união tão profunda que nem mesmo ela poderia prever.
****
D'Angelis enxugou o rosto com a toalha felpuda e por um
instante imaginou o que Diana fazia em suas horas de folga. Afastou o pensamento e voltou-se para
Benrubi que resmungara algo sobre os klingons.
- Não creio que os klingons sejam nossa maior preocupação
no momento, Joshua. A não ser que eles te incomodem por outros motivos... - e sorriu.
Benrubi o ignorou.
- O problema é que não sabemos com quantas facções diferentes estamos lidando...
- Parece que vamos ter um pouquinho de ação...
Joshua também sorriu. - Se tivermos sorte... Ou azar...
Jordan D'Angelis também tinha essa dúvida. Depois de ter passado um bom tempo em naves onde era
considerado um ótimo engenheiro, mas na verdade era um ótimo espião, começava a se indagar se finalmente
poderia ser apenas o engenheiro. Na Atlantis ele só respondia a Diana O'Conell e Sarah McKenna e já
sabia que poderia, ao menos ser tratado de igual para igual e que sua capacidade como engenheiro era
realmente valorizada e não uma fachada cômoda. E até ali tudo que aquela mulher havia lhe pedido,
quanto a suas habilidades extras, era usá-las a favor do grupo e da nave na qual haviam sido
cuidadosamente "guardados...".
- Precisamos encontrar essa arma logo antes que eles comecem
a ter idéias catastróficas...
- Ou antes que eles nos encontrem...
Jordan concordou com um aceno de cabeça.
LABORATÓRIO DE BIOLOGIA 1-A, DECK DE CIÊNCIAS...
Roger olhou em volta, seu laboratório era enorme, pelo menos
maior do que ele próprio esperava dentro de uma Nave Estelar, os equipamentos eram novos a mais avançada
tecnologia disponível na Federação, pensou por um instante que era interessante equiparem aquela nave
com que havia de melhor, uma nave que correria tantos riscos, a esta altura já estava a par dos
acontecimentos com os klingons e a caçada pelo responsável da destruição em Áurea Borellis II queria
botar os olhos nele se possível...
- Algum problema, Senhor?
Uma mulher negra alta quase de sua altura, o encarou
segurando um tricorder o arrumando em uma das prateleiras.
- Estava pensando... Somente pensando...- Ele se voltou para
ela e encarou aqueles enormes olhos verdes em um corpo escultural.
- Dra. Milla Stauber - ela estendeu a mão - muito prazer!
- Roger McKenna - ele sorriu levemente retribuindo o cumprimento daquela mulher de olhar misterioso.
- Então é você que vai mandar por aqui?
Ele não conteve o sorriso diante ao comentário displicente dela.
- Sim, sou o chefe por aqui...
- Devo te chamar de tenente ou de doutor? - Ela o encarou sorrindo com sua descontração habitual.
- Me chame de Roger, afinal já temos um McKenna na nave.
- É verdade...a mulher que nunca dorme... - Ela sorriu e de repente ficou séria, lembrando que Roger era parente de Sarah. - Oh..desculpe-me não pretendia ofender...
- Tudo bem, já vi muita gente chamar Sarah de muita coisa, mas “mulher que nunca dorme”... - ele sorriu - essa é nova para mim. E você não me ofendeu não.
- Ótimo já que vamos trabalhar juntos e bom que não tenhamos nenhum desentendimento...
- Concordo plenamente. - Ele acessou a tela do computador e perguntou de supetão... - Onde esta o alferes Ishikawa?
- Está classificando algumas amostras provenientes de Áurea Borellis, devo contatá-lo?
- Não, vou pessoalmente no hangar dar uma olhada.
- Até logo!
- Até - Roger saiu em meio ao corredor; gostou muito de ter a Dra. Stauber em sua equipe.
NO ALOJAMENTO DA CAPITÃ
Diana estava deitada, sua cama parecia macia demais aquela
altura do sono um sono induzido por drogas, Düff insistiu tanto que ela não tinha como recusar um bom
descanso, não sonhava com nada e nem tinha noção disso simplesmente estava dormindo alcançando o
subconsciente sem tocar no consciente, perdendo a melhor parte do sono, a parte dos lindos sonhos, mas
assim era melhor no estado que estava teria na verdade mais pesadelos do que sonhos para apreciar...
Um som longe começava a atrapalhar seu subconsciente a
alertando pouco a pouco que algo estava acontecendo e seu organismo despertou a principio devagar,
Diana abriu os olhos devagar e sua visão estava embaçada, ouviu mais atentamente aquele som, era um
som conhecido...
- Droga!!!!
Ela sentou rapidamente na beira da cama e se levantou mais
rápido ainda, sentiu uma tontura e foi obrigada a se apoiar na cama novamente, pensou que o Dr. Düff
devia ter exagerado na dose. Aos poucos se levantou com raiva por seus movimentos ainda estarem lentos.
Era o alerta vermelho a voz do comunicador se acionou ao mesmo
tempo que ela vestia sua túnica.
Estava recuperando os movimentos e a cabeça parou de girar.
- MCKENNA PARA O'CONELL!
- Aqui é O'Conell, estou a caminho.
- ENCONTRAMOS, CAPITÃ. ELES ESTÃO NO VISUAL.
Sarah parecia indiferente ao acontecimento, fria e distante.
"...eles..." Diana saiu para o turbo elevador o
corredor estava com alguns alferes e cadetes correndo em várias direções.
- Ponte...
- PONTE.
Parecia uma eternidade. Finalmente tinham achado Klang, agora
a missão estava prestes a começar, só torcia para seu plano dar certo, afinal tinha muito em jogo a esta
altura.
****
Capítulo IX.
A ponte estava movimentada, Joshua estava sentado em frente a
sua estação verificando o comando tático, as armas, e a integridade dos escudos.
Melrik estava atento aos sensores sua face passiva destoava
com aquele momento decisivo, seus sensores mostravam claramente as duas naves uma Ave de Rapina Klingon
e um Cruzador Romulano.
Sarah estava no centro da ponte, tudo acontecendo rapidamente.
- Magnificar!
O visor aproximou a imagem que estava a cerca de duzentos e vinte e mim quilômetros,
a esta altura já tinham sido captados.
- Canais de comunicação direto com a engenharia. Senhor Khya.
Sua voz saia firme, como se aquele encontro fosse algo rotineiro.
Diana saiu do turbo elevador, a sensação de tontura havia passado,
mas estava com um gosto estranho em sua boca agora não era hora para se preocupar com isso ela olhou para
o visor.
- Agora já sei por que você falou "eles"!
****
Na K'Tar On Virr, Klang sorveu os dados emitidos pelo Oficial
do posto tático com prazer. Já tinha despedido-se de Tarkal há coisa de dez minutos e qual não foi a
surpresa para ambos quando ficaram sabendo que uma nave da Federação tinha sido captada em seus sensores.
****
- Quem diria, hein? - Chayenne soltou rápido do seu posto,
reprogramando as coordenadas. Sarah já estava no posto de piloto e traçava a abordagem mais adequada,
Diana observava as coordenadas e elaborava um plano de abordagem rápido o qual deixasse a Ave de Rapina
acuada.
- Que tipo de surpresa nos aguarda? - Joshua soltou de seu posto.
Sarah ao lado de Chayenne, estava atenta no visor e nos sensores.
- Eles estão se camuflando Capitã!
- Pelo menos não vão atirar ainda.
- Khya! Abrir canais de comunicação!
- Aqui é Capitã Diana O'Conell da USS Atlantis, sua atual
posição é uma grave ofensa aos acordos da Federação, exigimos sua rendição imediata, nave romulana.
Sarah olhou para ela de soslaio e pensou que tipo de estratégia era esta.
- Kortan e Utzar solicitam a permissão para vir a ponte, Capitã!
- Permissão negada.
- Nossos sensores indicam que eles estão prontos para atacar. Todas
as armas acionadas e prontas para disparar.
- Carregar torpedos fotônicos!
A aproximação era gradativa mas lenta, a preocupação era o
alvo e não a escapada, pelo menos ainda não...
- Força de empuxo em 2.5.
- O que eles estão esperando?
- Eles querem ter certeza que vão acertar no alvo.
- Nave romulana mudando de posição, captando distorções.
- Khya...
- Eles se recusam a responder, Capitã.
****
S'Tamur deu uma pancada firme e certa no klingon responsável
pelo teletransporte viu ele cair no chão, inacreditavelmente imóvel. Se aproximou do painel e solicitou
as coordenadas da nave romulana. Levou suas coisas para a plataforma e programou o teletransporte.
Estava estranhando nos últimos minutos ninguém ligou para
seus movimentos, isso era tão suspeito, mas aceitou a situação de bom grado, só esperava não ser uma
armadilha e chegar em breve em uma nave com tripulantes conhecidos de sua pátria... Claro seria preso e
isolado, mas tudo tinha uma explicação...
Ele posicionou-se na plataforma, ao mesmo tempo seu corpo
começou a se desmaterializar, neste instante o sinal de alerta vermelho começava a soar na nave klingon,
coisa que S'Tamur nem chegou a ver.
NA PONTE DA K'TAR ON VIRR.
- Temos muita sorte, vamos poder fazer uma demonstração na sua
presença centurião.
Klang falava para o visor, vendo a Atlantis se ocupar com o
Cruzador Romulano, seria fácil acertar a nave da Federação naquelas coordenadas.
- Será um ótimo teste, Sr! - Wekar olhava para o posto tático
ao mesmo tempo que não entendia o por quê da nave da Federação não atirar ainda, mas isso não ficaria
assim por muito tempo.
- Para mim significa muito mais meu caro...
Klang sabia que Kortan só poderia estar nesta nave, a nave
misteriosa que Zetor'V tinha se referido no seu último comunicado... Só podia ser esta...
- Wekar aponte para as coordenadas da USS Atlantis...Vamos
dar uma demonstração a esta Capitã.
As comunicações entre a Ave de Rapina e o Cruzador Romulano
foram cessadas no momento em que a Atlantis apareceu nos sensores. De qualquer forma da onde se encontrava
a K'Tar On Virr era fácil para eles ter ciência de todas as manobras, a nave da Federação apontava seus
torpedos para a S'Thorius e Tarkal já preparava-se para atacar, a Atlantis estava entre as duas naves e
seria fácil destruir aquela nave da Federação.
NA ATLANTIS...
- Ave de Rapina abrindo o hangar, Capitã!
- Escudos ao máximo, Benrubi.
- Estamos prontos, Capitã, armas acionadas e carregadas.
- Vamos torcer para os códigos estarem certos...
Melrik, acionar a decodificação.
- Sim, Capitã.
A nave klingon apareceu no espaço nítida e cristalina, Diana
pensou no susto que eles tiveram na ponte...
****
-Dispositivo de camuflagem desativado! - Wekar soltou rápido, agora definitivamente preocupado.
- O que?
- Atire!
Klang concentrou-se na visão da nave Atlantis próxima a eles
enquanto o cruzador romulano reaparecia mais distante deles, aquela distância era segura o suficiente
para que a nave da Federação fosse destruída sem afetar seus campos de contenção de inércia e radiação.
A S'Thorius atiraria ao mesmo tempo.
O raio de cor vermelha riscou o espaço em direção a Atlantis,
Klang esperava ansioso a destruição daquela nave, os segundo pareciam parar naquele instante.
Ele se levantou e deu um murro no braço de sua poltrona...
- Por Khaless!!!!
O Cruzador Romulano atirou na Atlantis, sem perceber o
reaparecimento da Ave de Rapina de Klang, rapidamente posicionou-se a frente da Atlantis que estava
desguarnecida contra a Ave de Rapina, Tarkal esperava pelo tiro de misericórdia de Klang na nave da
Federação.
****
- Sarah, marco 57.3. Agora!!!
- Fogo!!!!
A ponte Atlantis deu uma guinada para a direita ao mesmo
tempo que disparou um dos torpedos no Cruzador Romulano, neste mesmo instante houve uma grande explosão.
Diana se segurou em sua poltrona ante a trepidação causada pela
aproximação do raio vindo da K'Tar On Virr e do ofensiva do Cruzador Romulano que acertou a Atlantis a
Estibordo, porém os escudos agüentaram firme aquela investida. O raio da nave conversora de Klang tinha
acertado outro alvo...
A Atlantis posicionou-se a frente da nave de Klang, sentindo
toda a trepidação em ondas de energia que emanavam da explosão abrupta do Cruzador Romulano. Todos
olhavam para o visor e o oxigênio foi consumido rapidamente na explosão da S'Thorius, por um breve
momento a luz da explosão cegou a todos.
****
S'Tamur sentiu sua chegada na plataforma do teletransporte,
fechou os olhos e em poucos segundos os reabriu e olhou em volta com curiosidade... Seu corpo estava em
perfeita ordem e seu carregamento também, agora que estava seguro finalmente percebeu com certo choque
onde estava.
****
Diana olhou para frente e só via a Ave de Rapina, não entendia
por que ele não atirava de novo...
- Benrubi, coordenada um, Fogo!!!
O Phaser foi acionado, tinham que imobilizar aquela nave e
entrar nela de qualquer maneira.
Eles revidaram com um tiro certeiro que atingiu a Atlantis na
proa, a nave toda se sacudiu...
- Integridade dos escudos a sessenta por cento, mantendo...
- Transfira força para os escudos, não quero ser alvo fácil para Klang...
- Coordenada dois, Fogo!
Um segundo phaser atingiu a Ktar On Virr em uma das asas da Ave de rapina a direita,
porem só de raspão.
Sarah estava atenta e impassível, mantendo a Atlantis firme
em uma nova coordenada, já estabelecida para facilitar uma abordagem na Ave de rapina.
Agora elas estavam mais próximas...
- Entregue-se, Klang!
Khya fez um sinal com a cabeça...
- Eles se recusam a responder, Capitã.
****
Klang pegou Wekar pelo pescoço.
- O que houve com a arma, por que errou a Atlantis?!
Wekar o olhou com um misto de seriedade e raiva.
- Alguém mexeu nos sistema de controles das coordenadas!
- Onde está S'Tamur?!
Klang apertou mais o pescoço de Wekar sob os olhares de todos na ponte.
Wekar respondeu agora com mais dificuldade. - Ele será encontrado. Senhor...!
Klang largou Wekar que caiu debilmente no chão.
- Vamos sair daqui! Agora!!!!
A Ktar On Virr entrou em velocidade de dobra.
- Os escudos não vão agüentar por muito tempo, General!
- Siga para o cinturão de asteróides marco 678.98.
- Isso é suicídio - Wekar bradou agora já restabelecido.
- Não vou me entregar, nunca!!!
****
- Estabelecer coordenadas!
- Pronto, Capitã.
- Siga-a.
- Captando trilha de neutrinos.
A Atlantis seguiu a K'Tar On Virr em dobra oito.
NA ENGENHARIA...
Carlyle olhava todos em volta, havia um pouco de fumaça, não
era fácil para a nave, se mover tão depressa e atirar ao mesmo tempo que Capitã maluca, ele pensou com
seus botões. Foi em direção de Jokovick que estava caída no chão, a bela de língua ferina, finalmente
tinha sucumbido.
- Enfermaria, urgente, há feridos aqui na engenharia.
- JÁ ESTAMOS A CAMINHO. DIKENS DESLIGA.
D'Angelis, estava escorado na borda dos controles do misturador
central do motor, tentava equilibrar as quantidades de dilitium dentro dos fluxos de matéria e antimatéria,
estava preocupado, a nave tinha que parar para reparos, não podia seguir em dobra naquele momento.
- Aqui e D'Angelis para Capitã O'Conell.
- AQUI É O'CONELL.
- Não posso garantir a integridade dos escudos de radiação no
motor, temos que parar agora para uma manutenção.
- FAÇA A MANUTENÇÃO COM A NAVE EM MOVIMENTO! - Diana já estava
sem paciência com aquela estória toda.
- SÓ SE FOR PARA TODOS EXPLODIRMOS EM MOVIMENTO, CAPITÃ!
- D'Angelis bradou sem conter a raiva, quem ela pensa que é para ir contra as leis da física.
Diana ficou em silêncio por alguns momentos, olhou para os
sensores.
- Marque a coordenada, e mantenha os sensores de longo
alcance, eles só tem um caminho a seguir agora... - Diana olhou para Sarah.
- Eles não irão longe, Capitã, estão em pior estado que nós.
- Joshua retrucou de sua estação.
- Eles têm mais energia que nós na atual situação. - Sarah
virou-se para ambos.
- Porém tem menos integridade nos escudos. - Chayenne olhou
para Diana com um chama de esperança no olhar.
- Eles vão mudar a freqüência dos escudos se já não fizeram isso?
D'Angelis já estava prestes a parar tudo na engenharia, Gomes
o olhava com preocupação e Carlyle redirecionava a força.
- PARE TUDO, D'ANGELIS.
- Obrigada, Capitã.
- O'CONELL DESLIGA.
Carlyle olhou para D'Angelis. - Até que ela não é tão maluca
assim...
- Tomara que não seja mesmo... - D'Angelis retrucou.
MOMENTOS DEPOIS NA SALA DE REUNIÃO UM...
Kortan virou-se com raiva para Diana.
- Você o deixou escapar!!!
Diana sustentou aquele olhar, sem emoção nenhuma, não estava
ali para dar satisfação a ninguém do Império Klingon.
- Manere seu tom de voz, não esqueça que eu é que mando
aqui! - Ela disse calmamente sentada em sua poltrona.
- Bem sou um klingon, e não deixaria ele fugir.
- Você o mataria na primeira oportunidade, e não honraria com
sua promessa.
Kortan se sentou em frente a mesa.
- Vamos pegá-lo no cinturão de asteróides.
- Ele terá tempo de pensar em uma nova ofensiva, Klang não é
general a toa, Capitã... - ele falou com um certo desdém.
- Também não terá para onde ir, lá ele estará acuado será ele
ou nós.
- Espero que você esteja certa, para o bem de todos.
- Eu estou certa.
- CAPITÃ, AQUI É BENRUBI, ACHAMOS ALGO MUITO PECULIAR NA SALA
DE TRANSPORTE TRÊS. ACHO QUE VAI QUERER VER ISSO PESSOALMENTE.
Diana olhou para Kortan.
- Estou a caminho, O'Conell desliga.
- Posso acompanhá-la?
- Claro, sem problema, quem sabe não mandaram um presente
para nós.
Os dois saíram em direção a sala de transporte três, Diana
já não tinha tanta certeza se conseguiria trazer Klang vivo para a Atlantis e nem sabia se ele ficaria
vivo até chegar a Kherrtar, ou mesmo se Kortan saiba das reais ligações entre Klang e Zerto'V, isso
parecia tão complicado que sua mente estava flutuando entre o que era sensato fazer e o que ela queria
fazer naquele momento, por ela a Ave de Rapina já teria explodido há muito tempo.
****
Capítulo X.
S'Tamur encarava o Oficial de Segurança da Atlantis, um homem
alto de farta cabeleira castanha e com um ar de presunção, os dois na verdade se encaravam naquele momento.
S'Tamur sabia falar a língua da Federação afinal quem é que não sabia? Mas ele dificultaria as coisas ao
máximo para aquele humano de ar presunçoso. Na verdade já bolava algo para sair dali ou tirar vantagem da
situação.
De repente entrou uma fêmea vulcana, ela era extremamente
bonita e indiferente a situação ali, era a Primeira-Oficial, suas divisas mostravam bem quem era ela.
- E então?
O Oficial de Segurança que identificou-se com o nome de Benrubi
olhou para a vulcana com um ar irônico.
- Muito peculiar - Sarah o olhou indiferente. - A Capitã está
a caminho.
Neste momento Diana entrou na sala de teletransporte, seguida
de Kortan.
- Bem, senhores... - No meio da frase Diana foi interrompida.
S'Tamur a encarou sério, definitivamente era a Capitã da nave. A princípio
achou ela um tanto jovem com a aparência frágil, mas depois que cruzou com aquele olhar teve que admitir,
ela parecia perscrutá-lo internamente. Foi impossível não notar o klingon de meia idade que a acompanhava.
"...Desde de quando há klingons na Federação...?"
S'Tamur não conseguia desviar os olhos daquele klingon, enquanto
todos o encaravam.
Diana aproximou-se dele que agora estava sentado na beira da
plataforma. E não tirava os olhos de Kortan.
- Você veio da K'Tar On Virr ou do Cruzador Romulano?
Ela perguntou em língua da Federação, mas na verdade não
esperava que ele respondesse, mas se respondesse seria um bom começo.
S'Tamur falou em romulano se fazendo de desentendido.
- Ah ha, o passarinho falou! - Joshua sorriu finalmente.
Sarah encarou Benrubi, achando sua ironia muito sem propósito
naquele momento.
Diana virou-se para Sarah enquanto o romulano insistia com a
mesma frase.
- Bem, minha cara, parece que vamos precisar de uma interprete em romulano.
Sarah moveu a cabeça na direção dele. - De qualquer forma não adianta ele ficar
me dizendo que não vai falar nada.
Diana se virou para S'Tamur e sorriu calmamente. Infelizmente
romulano ela não dominava completamente.
- Capitã, sugiro que ele fique recluso até podermos investigar
sua origem e posto, farei o interrogatório eu mesma e vou começar imediatamente.
Sarah falou para ele se levantar.
- Sr. Benrubi, encaminhe o prisioneiro!
- Sim, Sra. - Ele saiu da sala de teletransporte observando
bem os passos de S'Tamur.
Diana olhou para a plataforma.
- E o que me diz destes objetos?
Sarah rapidamente se aproximou da caixa lacrada e de outros
objetos pequenos que estavam em poder do romulano.
- Creio que vou levar este tricorder para Melrik, Diana
- Sarah a encarou mostrando os símbolos klingon no visor.
- Bem, agora já sabemos da onde ele veio - Diana olhou de
soslaio para Kortan que se limitou a menear a cabeça positivamente.
- Sarah, fale com ele e arranque tudo que puder...
- Certamente, Capitã...
Sarah encarou Kortan com um olhar passivo, tentado descobrir
o por quê dele estar tão aliviado no momento, principalmente depois que descobriu que o romulano veio da
K'Tar On Virr. Sarah tirou aquela sensação de calma da mente e saiu em meio ao corredor pensando no
romulano que de certa forma seria útil para seu plano.
****
S'Tamur estava achando aquela nave muito estranha, Capitã
estranha, vulcanos falando romulano e agindo estranhamente, um klingon, o que mais estava reservado para
ele? De qualquer forma ele estava naquela nave e certamente algo devia ter acontecido com a nave de
Tarkal, se não o que mais poderia ter dado errado nas coordenadas?
Resolveu cooperar, mas não precisava falar toda a verdade.
****
Melrik olhou as informações do tricorder, e cada vez achava
mais fascinante a mente daquele romulano desastrado, Sarah já estava com S'Tamur há uma hora, agora ele
já tinha um nome, e o interrogatório se mostrou bem eficiente, ele de certa forma parecia querer cooperar,
mas será que Sarah já tinha falado para ele qual era sua verdadeira intenção?
Utzar, sorriu rapidamente em frente ao visor espectrográfico,
conseguindo fazer a última decodificação das instruções de S'Tamur no programa central do tricorder,
estava impressionado com a capacidade do cientista romulano e claro que não foi a toa que ele foi
capturado por Klang. De certa forma concordava com Melrik o romulano era extremamente desastrado mas
fora isso, possuía um talento inegável para engenharia e a física.
- Consegui os últimos resultados - Ele soltou olhando para Melrik.
Os dois pareciam se dar bem, era estranho, mas de certa forma
o vulcano parecia simpatizar com ele e Utzar também sentiu simpatia pelo vulcano. Era estranho como
Sarah e Melrik se tratavam algo como que distante, como se houvesse um escudo entre os dois. Mas essa
devia ser a maneira usual de dois vulcanos se confrontarem, neste momento foi impossível esquecer
Sarah...
Melrik colocou os últimos dados no computador central da nave
e os resultados apareciam nítidos na tela.
- Ele foi deveras esperto muito lógica a decisão dele em
colocar os dados em algo fácil de carregar.
- Este romulano como dizem os terráqueos "é cobra criada"...
Como meu pai sempre diz, nunca vire as costas para um romulano... - Utzar sorriu ante os dados.
Melrik ergueu as sobrancelhas, lembrando de um ditado vulcano...
"nunca vire as costas para um klingon...".
NA K'TAR ON VIRR
A navegação naquele estágio era extremamente delicada, a nave
não podia bater em nenhum daqueles asteróides e seguia na mesma direção do cinturão, se deixando levar
pela atração gravitacional que movia aquelas pedras. No momento procurava uma das grandes para usar como
escudo, caso a Atlantis apareça de repente. Era óbvio que arriscar uma nave do porte da Atlantis ali era
um ato perigoso a Ave de Rapina tinha muito mais agilidade entre aquele cinturão.
- Todos os motores parados...
Lorgh olhou para todos na ponte sabia que um motim era certo
aquela altura, ninguém estava muito motivado a morrer pela Nova Aliança depois do último rompante emocional
de Klang, mas de qualquer forma algo de fidelidade ainda existia e todos continuavam obedecendo esperando
que tudo isso acabasse logo, muitos estavam revoltados, sabiam que Tarkal seria importante para a causa
e para a comercialização da arma, seria dinheiro entrando no negócio, a maioria dos tripulantes era
mercenário e a causa pouco importava, só a cúpula entendia realmente o significado daquela arma e do
poder que ela podia proporcionar.
Wekar estava com uma pequena tropa a procura de S'Tamur, cada
vez mais desconfiava que o maldito romulano tinha se teletransportado para a S'Thorius e explodido com a
maldita nave romulana, nunca concordara com romulanos fazendo parte da Nova Aliança, nem por dinheiro, e
até ficou feliz quando a arma conversora atingiu o maldito Cruzador Romulano de Tarkal, agora já sabiam
S'Tamur tinha mexido no sistema de coordenadas e já estava pronto para dar seu relatório, se o romulano
não estava em nenhum canto daquela nave, certamente tinha se desintegrado no espaço e isso resolvia
muito dos seus problemas com Klang.
NA ATLANTIS...
Sarah perdeu a paciência e jogou S'Tamur na parede sabia que
o romulano tinha tanta força quanto ela, mas de propósito o pegou desprevenido.
Benrubi observava tudo sentando em frente a mesa e achou
aquilo até um tanto divertido, era difícil ver a vulcana perder a calma. Na verdade não sabia a razão,
pois não entendia romulano muito bem, na verdade não entendia nada do que os dois estavam falando.
Ela tinha ficado mais agitada depois que recebera o informe
de Melrik que estava trabalhando exaustivamente com o engenheiro klingon, pensou com certa curiosidade
nos sentimentos de Sarah para com aquele klingon.
S'Tamur levantou-se do chão e um filete de sangue verde rompeu
do canto de sua boca, não sabia se partia pra cima dela, mas isso seria meio arriscado já que o Oficial
de Segurança estava com um phaser a mão, sabia que ela precisava dele agora, mas ele não iria voltar a
K'Tar On Virr isso seria suicídio e a vida é algo que ele não queria perder. Nunca concordara com a
cultura romulana no que tange morrer para não ser capturado, na verdade não sabia se de fato teria
coragem de cometer o suicídio com uma pílula venenosa, preferia ser prisioneiro mesmo, pelo menos estaria vivo.
Ela novamente o inquiriu.
- Você vai nos ajudar, se não morre! - Ela proferiu em romulano.
- É uma alternativa bem sensata S'Tamur, você está em uma nave da Federação e dará uma ótima amostra da
fisiologia romulana para nossos cientistas, sem falar nas informações sobre Romulus que você pode nos dar.
Sabe, nós aqui nesta nave somos ótimos em fazer interrogatórios... - Sarah falou calmamente ajeitando o
uniforme impecável sentando-se em frente a ele.
- Estou vendo sua eficiência - ele retrucou, agora sentando
também e passando a mão no filete de sangue.
- Então você irá.
- Quanto ganho com isso, ou melhor o que ganho com isso?
- Um mercenário romulano - Ela o encarou com desdém.
- Muito peculiar eu diria - ela olhou para Benrubi e voltou-se rapidamente para S'Tamur. - Você ganha
sua vida, parece que isso é bem valioso para você.
- Que espécie de garantia é essa, se eu entrar lá certamente
morrerei, se não morrermos todos, sem falar que eles mantém a arma vigiada, ainda mais agora.
- Você foi bem esperto para sair de lá e preparar a arma para
errar o alvo, vai ser bem esperto para voltar e conseguí-la para nós.
- A Federação tem métodos bem estranhos, devo dizer. Isso não
fere a sua lei de primeira diretriz, ou sei lá o que vocês inventaram?
- Quem disse que "nós" é a Federação ou a Frota?
Ele ficou chocado com a revelação, e começou a temer pela própria
vida. Que tipo de gente era aquela?
****
Sanchez carregava uma série de uniformes para o alojamento de
Sarah McKenna, aquele serviço estava começando a entediá-lo, queria era mesmo estar na engenharia, mas
lembrou que foi capaz de aceitar aquele posto para estar ali e iria até o fim. Estendeu o uniforme
romulano sobre a cama, e pensou se ela continuaria com o mesmo charme dentro daquele uniforme horroroso.
Saiu rapidamente do alojamento e seguiu para a enfermaria, tinha que visitar Ness que havia se ferido no
deck doze dos laboratórios na hora que a Atlantis tinha sido atingida, e o pior de tudo ele
estava alojado em uma cama ao lado de Faye Jokovick, que pelo jeito já tinha recuperado sua fala; sentiu
um tanto de pena por Ness, que teria de ouvir os comentários mordazes de Faye durante a recuperação.
Entrou no turbo elevador e seguiu para o deck médico.
NA ENGENHARIA
Diana entrou e alguns dos Alferes e engenheiros por perto a
cumprimentavam ela retribuía, porém a maioria estava muito ocupada com sensores, fios, e conduítes para
prestar atenção na Capitã da nave. Ela seguiu para os sistemas próximos ao motor de dobra e observou os
painéis e os indicadores de radiação, olhou de soslaio para um rapaz loiro que trabalhava com afinco.
- Tenente Carlyle, Senhor.
- Como estão os reparos, tenente?
- Estamos fazendo a recomposição das telas de contenção de
radiação e já estamos redirecionando a força, os misturadores estão em ordem.
- Muito bem, onde está D'Angelis?
- Está no tubo D, Capitã. - Ele apontou para um orifício na
parede onde havia uma escada de metal fina e bem funcional, a qual ia em direção a um túnel cheio de
conduítes.
Ela foi naquela direção e começou a subir as escadas.
- Capitã, não é melhor esperar por ele aqui?
Ela olhou para Carlyle.
- Ás vezes é bom chegar de surpresa, tenente!
- Ela sumiu dentro do túnel.
Carlyle sorriu de repente e pensou que definitivamente ela
era meio maluca.
Diana se arrependeu de ser tão teimosa e se meter naquele
túnel, tudo era meio claustrofóbico, virou a direita, quando viu alguns fios sendo remexidos logo a
frente, certamente era D'Angelis, consertando algo em algum terminal do computador ligado a engenharia.
Ele estava tão atento que nem percebeu Diana chegando.
Ela vinha engatinhando tentando fazer menos barulho possível, na verdade estava pensando no tom nada
contido dele a respeito de "explodirem em movimento".
Ela o encarou, e ele nem a notou pois estava olhando
fixamente para um painel na parede em frente a ele.
- E então, D'Angelis, quando isso fica pronto?
Ele desequilibrou-se e teve que se apoiar na outra parede.
- Capitã! - ele a encarou. - Não acha melhor usar o comunicador
de vez em quando?!
- Para você me dizer que vamos "explodir em movimento"?
- Bem, devo um pedido de desculpas pelo meu tom naquele comunicado.
- Bem, esperava mesmo que me pedisse desculpas, mas devido as
circunstâncias eu entendo o por quê daquela exasperação toda. - Ela disse séria, mas intimamente com
vontade de rir da cara que ele estava fazendo. – Bem, não me olhe com essa cara, já entrei em locais mais
apertados antes.
- Ah...você me deu um grande susto, isso sim!
- Vim fazer um pedido, já que é você que manda por aqui.
- Ela sorriu.
Ele a encarou preparado para ouvir algo que seria difícil de
fazer com a nave naquele estado.
- Preciso ter força para atirar, erguer os escudos e baixar os
escudos rapidamente para teletransportar quatro pessoas, isso é se as quatro estiverem vivas na volta...
Ele a encarou com um instrumento parecido com uma chave de fenda na mão esquerda, sua mão parou no ar e ele piscou.
- Voltar da onde?
- Então é possível fazer isso com nossas avarias?
- E... já sei que você vai querer manobrabilidade para desafiar
um cinturão de asteróides...
- Nossa as notícias correm rápido nesta nave. Vocês já
bolaram um sistema de informação na engenharia?
- Capitã, não seja irônica comigo, me diga, voltar da onde?
- Da K'Tar On Virr...
Ele largou a chave de fenda.
- Isso é loucura, mas posso garantir energia suficiente, isso se
não formos atingidos, aí a coisa muda de figura, temos uma das naceles com sérios problemas e se tivermos
que usar dobra acima de sete certamente explodiremos em movimento, Capitã.
- Não seja tão catastrófico, meu caro D'Angelis.
- Se tudo der certo, vamos parar em uma boa estação espacial.
- Se todos escaparmos desta, você quer dizer... - Diana se virou
para seguir por outro túnel, sem dar importância para o que D'Angelis acabara de resmungar. - Onde vai
dar este aqui?
- No deck dezoito.- Ele assinalou para a esquerda quando ela se virou, pensando que realmente ela não parava de surpreender.
- Perfeito... - ela sumiu na esquina do túnel.
UMA HORA E MEIA DEPOIS...
Düff olhava para os três perfilados na sala de teletransporte, Sarah, Utzar e S'Tamur, este último parecia bem nervoso, pois gotas de suor brotavam de sua testa.
- Acalme-se, rapaz, Sarah sempre trás todo mundo de volta. - Ele olhou de soslaio para Sarah.
Ela olhou impassível para todos, verificando visualmente todo o equipamento. Ela estava vestida com um uniforme romulano, na verdade S'Tamur achou
aquilo deveras perigoso, afinal apesar dele não ter contato com toda a tripulação da nave, tinha quase certeza que não havia fêmeas romulanas a bordo, mas uma romulana era melhor do que uma
vulcana. Utzar passaria facilmente como integrante da tripulação, pois havia muitos mestiços naquela nave. Ele se surpreendeu com o cabelo dela, que foi muito bem escondido, agora ela estava
com o típico corte romulano, em forma de cuia. Sua testa apresentava as nervuras características da raça e ninguém diria que ela era vulcana.
- Bem, doutor, me deseje sorte - ela virou-se para Hans.
- Quebre a perna, isso sim- ele sorriu meio nervoso.
Sarah deixou seu comunicador por baixo da túnica grossa romulana e o acionou.
- Capitã, estamos em posição.
- BOA SORTE, SARAH - Diana falou séria.
- Obrigada, vamos precisar.
Utzar a olhou com um sorriso nos lábios.
- Vai dar certo sim...
Ela o encarou e todos subiram na plataforma.
NO ESPAÇO...
O cinturão de asteróides cobria uma vasta distância naquele sistema,
na verdade só havia um planeta próximo, bem grande para proporcionar uma certa atração gravitacional ao cinturão,
certamente aqueles asteróides já tinham sido um planeta próximo ao grande gigante marrom que estava a
quatro milhões de quilômetros da onde se encontravam agora.
Diana estava atenta ao visor da nave, mas o importante era
mesmo as informações vindas dos sensores nas duas estações a sua frente estavam Chayenne e Wiser, era
uma pena Sarah não estar ali, pois sua experiência em pilotagem era fenomenal, mas Wiser tenente
"macaco velho" da Frota também era excelente. Melrik mais atrás observava atento os sensores e repassava as informações para as estações de navegação e pilotagem.
Joshua parecia pronto para qualquer investida da Ave de Rapina, com os dedos no painel tático.
Diana esperava que o plano desse certo, afinal tinham repassado as possibilidades e aquele romulano foi na verdade um presente dos céus, pois com ele seria mais fácil chegar a arma.
Kortan estava na ponte agora, depois de insistir em participar da ação e não poder, pois Sarah achava melhor levar Utzar, correria menos riscos no caso de reconhecimento, pois Kortan facilmente poderia ser reconhecido na nave de Klang. Só torciam para que os códigos dos escudos estivessem mantidos, mas se não usariam a força para entrar. O problema era mesmo sair da Ave de Rapina com a arma e Klang.
As primeiras grandes pedras apareceram, e todo cuidado era pouco.
- Força de empuxo de um e meio, mantendo.
- Escudos a noventa por cento.
- Nada nos sensores, Capitã.
- Onde ele está...? - Diana sussurrava em meio a uma angústia para que tudo aquilo acabasse logo.
Chayenne refazia os cálculos a todo o instante, era um trabalho árduo passear por aqueles asteróides. Wiser estava atento aos sensores, era inútil olhar para o visor, seu angulo de visão não era bom a longa distância e tinha que se preparar para movimentar a nave suavemente já prevendo o próximo obstáculo.
Benrubi olhava tudo, sabendo que Diana estava arriscando muito nisso, caçando o desgraçado assim, presa em uma armadilha de asteróides, isso podia certamente acabar com a nave e todos ali.
Kortan não conseguia ficar sentado, tinha que olhar tudo de perto, ficou em pé ao lado de Joshua observando atento o visor frontal da nave.
****
Lorgh bradou na ponte - Sensores captando nave se aproximando a três graus boroeste.
Klang se levantou.
- Chegaram...
- Ativar escudos.
- Como está o dispositivo de invisibilidade?
- Não temos cem por cento, General.
Klang contou com os asteróides como escudo, só esperava dar certo.
Seria inútil destruir um por um mesmo com a arma conversora, de qualquer forma ainda não queria chamar a atenção. Seu engenheiro tinha recodificado as coordenadas da arma, mas só teriam certeza com mais testes, não podia errar o alvo agora.
****
- Captando nave a estibordo quatro graus, Capitã.
- Espere este asteróide sair da frente e atire no motor deles, Benrubi.
- Escudos acionados na K'Tar On Virr.
- Use o segundo código.
- Impossível há muita interferência causado pelos asteróides.
- E essa agora...
- Quarenta e cinco segundos para travar no alvo.
- Atire assim que ver eles... - todos estavam tensos, com exceção de Melrik.
- O'Conell para Simons.
- SIMONS FALANDO. SENHORA.
- Ativar coordenadas de teletransporte, ao meu sinal.
- SIM, CAPITÃ.
Sarah esperava pela hora decisiva, mas muito ainda havia de acontecer.
- Alvo travado.
- Atire.
Um raio saiu da Atlantis em direção a K'Tar On Virr, que não estava camuflada, atingindo o motor da Ave de Rapina, mas não fazendo o estrago necessário.
- Os escudos caíram...
- Acionar, Simons.
Sarah, Utzar e S'Tamur, estavam a caminho.
****
Klang olhou o visor e ordenou.
- Fogo!
A Atlantis subiu os escudos rapidamente e sentiu o baque dos disrruptores klingon em seu casco.
- Decks onze, doze e quinze com avarias.
- Escudos a setenta por cento.
- D'Angelis trate de fazer um milagre.
- TRATE DE REZAR, CAPITÃ!!!
- Fogo!!!
A Atlantis atirava novamente sabendo que colocava em risco seus próprios tripulantes.
- Asteróides aproximando-se a dois graus.
- Droga...
- Eles estão abrindo o hangar.
- A arma conversora - Kortan se limitou a dizer, vendo o movimento na ponte.
Klang acertou dois asteróides que estavam no caminho.
A batalha continuava...interrompida por asteróides que se punham no caminho...isso dava mais tempo para a Atlantis.
****
Capítulo XI.
Sarah, olhou em volta e viu um klingon vindo em direção deles
rapidamente o chutou no rosto, Utzar o golpeou com sua Qut'luck, no meio do estômago. S'Tamur desceu da
plataforma com um misto de nojo e medo, olhando atônito a cena. O klingon que vinha em direção deles
agora estava caído no chão e dele jorrava sangue rosa.
Utzar pensou que teria que fazer isso mais vezes se queriam
sair vivos dali, klingons matando klingons.
- Você não esperava uma recepção de boas vindas, não é?
- Sarah puxou S'Tamur pelo braço. – Vamos, me leve até a arma!
Utzar se posicionou atrás deles com um disrruptor de mão os
ameaçando, quem passasse por eles talvez nem desconfiasse de dois prisioneiros romulanos, pelo menos era
para isso que Sarah torcia. Neste meio tempo ela se limitou a concentrar-se na missão , já era difícil
esquivar-se dos pensamentos de S'Tamur que estava apavorado, ele teria que fazer sua parte para que todos
saíssem dali com vida.
O hangar estava guardado por três klingons armados até os
dentes, eles observaram do corredor que tinha as janelas voltadas para um outro corredor, divisa do
hangar. Dali era possível observar o hangar através de grossas placas de alumínio transparente. O hangar
estava aberto e a arma estava disparando, o raio vermelho era de uma beleza incrível.
Neste instante todos sentiram o chão tremer sob seus pés, era
mais um tiro de raspão dado pela Atlantis.
- Está ativada, como vamos entrar!?
- Fique quieto e prepare-se para desativá-la.
- Impossível, tenho que chegar ao painel de controle, isto se
eles não a ativarem da ponte.
- Vou colocar você lá dentro, temos pouco tempo lembre-se bem
disso, e não tente nada de engraçado. - Sarah o empurrou.
Utzar preparou o disrruptor e Sarah ativou seu phaser de mão a
festa ia começar.
Sarah chegou no corredor anexo e chamou os guardas um deles veio
investigar, os outros dois não saíram de seus postos.
- Intrusos no hangar ... - A frase parou no meio pois Utzar
acabara com ele com um só tiro, o outro ao lado ficou meio atônito mas partiu para cima, Utzar aplicou-lhe
um golpe certeiro na altura do tórax, mas o klingon se desvencilhou e deu um soco em seu rosto, Utzar caiu
no chão e chutou o klingon, Sarah já havia eliminado o terceiro e atirou no klingon que se preparava para
atirar em Utzar...
Rapidamente o klingon se desintegrou...
- Obrigada!
- Não há de quê, ás vezes e melhor atirar logo.
S'Tamur se virou para eles, e começou a digitar os códigos
para a pressurização do hangar.
- Agora eles vão saber de fato que estamos aqui.
- Sem problemas dei um jeito de bloquear as portas de acesso,
porém não por muito tempo.
As portas do hangar fecharam-se e o sinalizador mudou da luz
vermelha para verde, finalmente os três entraram no hangar.
****
- Wekar o que significa isso?!
- ELES ESTÃO AQUI, GENERAL!
- Mate-os, sejam quem for,mate-os!! Estou a caminho!
- Escudos reativados a quarenta por cento.
- Faça a nave agüentar!
- Temos algum tempo enquanto o asteróide nos cobrir.
- Pois utilize este tempo para travar o alvo e atirar naquela nave!
Klang se retirou apressado, deixando Lorgh no comando. Um
pequeno destacamento encontrou Klang no meio do caminho o acompanhando até o hangar.
****
Sarah sabia que a porta de acesso não agüentaria muito tempo,
mas tinha que achar Klang, Utzar teria que fazer isso, pois ele teria melhor acesso as dependências da
nave.
Sarah abriu um painel na lateral da porta de acesso ao hangar
e procurou o comunicador interno da nave, apertou alguns botões aleatórios e ouviu um monte de palavras que demonstravam raiva...
Certamente alguém teria o pescoço cortado hoje.
Ouviu um baque abafado na outra porta de acesso, eram eles chegando, preparou seu phaser
e um disrruptor pego de um dos klingons que guardavam o hangar. Posicionou-se no corredor de metal em um andar superior, onde poderia ver eles chegando mas eles não poderiam ver ela de imediato.
Utzar se aproximou.
- Está pronto.
- Sim.
- Quando você achar Klang, use o comunicador e tire-o daqui.
- Eles vão captar o sinal.
- Isso aqui está muito agitado, talvez nem notem um teletransporte com origem nesta nave.
- Boa sorte.
Ela o olhou, ele achava que seria a última vez que se veriam, mas ela sabia que isso não era verdade.
Entraram, a confusão estava armada, a nave trepidava com mais um tiro de raspão da Atlantis, o que Lorgh
lá da ponte não entendia e não agüentava era que afinal por que eles não nos destroem logo.
Klang estava a caminho, não viu quando a tropa de Wekar entrou no
hangar, mas ouviu os tiros dos disrruptores.
S'Tamur preparou a arma, desligou todos os dispositivos de
tiro e retirou algumas placas, suava frio, mas estava ciente que devia fazer isso, pelo menos salvaria a vida ou quem sabe conseguiria sair dali com vida...
Sarah olhou de soslaio para ele que meneou a cabeça positivamente. Ela atirou todas as suas cargas em direção a
fumaça causada pelos disrruptores que acertavam tudo por ali, que por sorte não tinham pego ela ainda, sentiu o calor de um dos raios de raspão em seu ombro e
sentiu uma dor lacerante cortar sua carne queimando-a, mas tinha que ignorar isso , deu um salto enorme
e caiu rolando no chão, Wekar apontou na direção dela, mas ela se esquivou, a distância dele para ela
ainda era vantagem para Sarah, a porta de acesso ao hangar travou por fora, e as portas para o exterior
iam ser abertas, S'Tamur tomou coragem e a puxou para junto de si.
- Temos que sair agora, se não o espaço vai nos tragar.
Agarraram-se junto a arma que tinha um tripé que a mantinha
em posição estável.
- Aqui é McKenna para Atlantis... - foi a última coisa que
disse.
Wekar sentiu um trepidar mais forte e a fumaça encheu seus
olhos, que estavam irritados. Ouviu uma forte explosão e sentiu cheiro de ozônio no ar. O impacto fez
o chão tremer e todos os anteparos começaram a desintegrar-se.
- ESCUDOS CAÍRAM!!
Ele ouviu do comunicador.
Lorgh deu um murro no painel.
- General, é o fim...
Klang nem ouviu o comunicado sua tropa atirava, mas não havia
nada para pegar, o hangar estava se abrindo.
Utzar o encarou naquela confusão de gente, fumaça, armas, e
som de explosão, parte da nave já estava destruída. O Abraçou pelas costas, Klang fora pego de surpresa
e não conseguiu se desvencilhar da Qut'luck no seu pescoço. Pensou: é o fim.
****
- Acertamos em cheio - Joshua falou sério, lembrando que não
sabia de Sarah havia voltado ou não.
- Kortan ficou no meio da ponte parado olhando aquela luz que
cegava a todos, a muito a luz havia cessado, mas ela continuava em sua memória.
Diana estava junto a Wiser que manobrou a nave cuidadosamente,
ainda não tinham saída da zona de perigo dos asteróides. E alguns vinham na direção da Atlantis impulsionados
pela explosão da K'Tar On Virr.
- AQUI É SIMONS, TODOS CHEGARAM!
Diana olhou para Khya que era só sorriso.
- Sr. Benrubi, vá recepcioná-los.
- Irei também, se não se importa. - Kortan a inquiriu.
- Antes preciso falar com você em particular.
Kortan estava apreensivo, tinha que saber se Utzar voltara,
mas com a confirmação do encarregado do teletransporte, tinha se acalmado um pouco, o que teria Diana
para lhe falar a esta altura dos acontecimentos?
- Escudos a sessenta por cento, mantendo.
- Obrigada, Sr. D'Angelis.
- ESTIVE REZANDO POR TODOS AQUI EM BAIXO, ACHO QUE DEU CERTO.
- É... parece que sim. - Diana passou novas coordenadas para Chayenne,
que direcionava a nave agora para longe do cinturão.
- Wiser, bom trabalho.
- Obrigado, Capitã.
- Melrik, assuma a ponte.
O Vulcano olhou para ela sabendo a sensação de alívio que a
tomava. Agora vinha a parte diplomática, e isso seria tão ou mais difícil do que a caçada a K'Tar On Virr.
****
- Dr. Aqui é Simons, há gente ferida.
- ESTOU A CAMINHO.
Hans já imaginava, Sarah estava ferida, partiu imediatamente para a sala de teletransporte.
Sarah se apoiou rapidamente em S'Tamur e agradeceu a ele, que num ímpeto de coragem tinha tomado a iniciativa, bem o sangue romulano ainda falava mais alto nas horas decisivas. Sarah estava completamente desarrumada, aquela túnica romulana era muito incomoda e notou que ela estava chamuscada na altura do ombro, o sangue verde estava coagulado, mas sentia uma queimação que ia além de seu ombro.
Neste instante Düff entrou com uma maca gravitacional e apontou para ela se deitar.
- Estou bem, Hans, posso muito bem ir andando.
- Nada disso, mocinha, trate de deitar.
Ela ficou meio desconcertada, mas aceitou de bom grado aquela ordem.
- Simons, onde está Utzar?
- Na sala de teletransporte dois, Comandante - ele tentou frear um risinho, perante o comportamento dela em relação ao Dr. Düff , mas foi impossível.
- S'Tamur, creio que você pode ir ao seu alojamento ou se desejar voltar para cela de observação.
- O alojamento está bem para mim - ele sorriu.
Wilson entrou naquele instante, o tenente segundo em comando da segurança, tratou logo de encaminhar o romulano ao seu alojamento, enquanto Sarah saia deitada na maca.
****
Benrubi olhou bem para Klang, e o achou um tanto cômico, mas sabia que no fundo não podia subestimar um klingon, Utzar estava com suas roupas chamuscadas e notou que as coisas não foram fáceis na K'Tar On Virr, olhou para Utzar e soltou um “bem vindo”, mas na verdade nem sabia por que estava dizendo aquilo, só estava feliz por que aquela missão estava chegando ao fim.
Klang se desvencilhou de Utzar e ficou de pé ereto, com um ar de prepotência no olhar.
- Você está detido até segunda ordem, General - Benrubi o encarou com o mesmo olhar indicando a saída.
- Exijo ser recebido por sua comandante. - Ele rosnou na língua da Federação.
- Bem, General, o Senhor vai ter que esperar um pouco, a Capitã é pouco acessível por aqui.
- Esperarei aqui.
- Ótima idéia, mas tenho acomodações melhores. Vamos, não me faça usar o phaser: carregar você seria humilhante para nós dois.
Benrubi mostrou novamente a saída. E Klang se deu por vencido e saiu, lá fora mais três homens da Atlantis os esperavam.
Utzar foi em direção da enfermaria...
****
Capítulo XII.
Sarah estava sentada na cama da enfermaria, Düff já cuidara de
seus ferimentos e agora ela lutava para vestir sua túnica de Primeira-Oficial, Hans reclamava da impaciência
dela, mas ajudou sua amiga a se vestir.
Utzar já estava lá a observar tudo, Düff não achava estranho
como aquele klingon andava atrás de Sarah como abelha atrás do mel, já tinha visto muito disso e ficou
imaginando o que a vulcana tinha feito com o coitado.
- Bem, vou deixar vocês sozinhos agora.
- Obrigada, Hans, por tudo - Sarah o encarou.
- Este é meu serviço - ele sorriu e saiu para seu gabinete,
ainda tinha que catalogar os feridos e as baixas que havia sido três, três tripulantes que ficaram pouco
tempo na Atlantis.
- Parece que nossa missão acabou então...
- Nossa missão... - Ela sorriu. - Agora temos que entregar
vocês em território klingon. Na verdade, creio que a missão é mais de vocês do que nossa.
- Nos veremos novamente? - Ele a encarou.
- Não no futuro próximo, mas a longo prazo - Ela ficou de pé.
- Não tente mudar o passado, mude seu futuro... - Ela segurou a mão dele firme. - Seu futuro não é em Kronos.
Ele pareceu entender o que ela dizia, na verdade era o que todos que
estavam próximo a ele sempre disseram, na verdade já tinha tomado tal decisão.
- Vou confiar em seus dotes precognitivos.
Os dois se olharam mais profundamente, mas naquele instante
não se beijaram, isso era irrelevante perante tudo que tinham passado. Naquele instante Sarah já previa
para ele um grande futuro.
Diana andava de um lado para o outro no gabinete, Hans Düff já
lhe passara a lista de baixas e as condolências tinham que ser preparadas, não gostava disso, mas era sua
função. Kortan já havia saído e ficou muito agradecido pelas informações envolvendo Zetor'V, na verdade
ele não parecia muito surpreso. Então recaiu sobre Diana uma desconfiança, na qual Kortan estivesse envolvido
nisso tudo, mas foi uma desconfiança passageira, no seu íntimo sabia que Kortan não trairia seu ideal de
paz e prosperidade para o povo klingon.
- Khya, me informe quando chegarmos ao ponto combinado.
- SIM, CAPITÃ.
Ela ouviu um som da porta de acesso deslizando, se virou e
deu de cara com Sarah.
- E então, você parece bem viva para quem morreu em uma explosão!
- Na verdade o papel de morta me cai bem, pena que Klang esteja morto
e não possa continuar no seu papel de vivo.
- Bem espero que ele represente seu papel de vivo até chegar
nas mãos de Kherrtar.
- Como foi sua visita a K'Tar On Virr?
- Bem movimentada devo dizer. Conseguimos todos os dados, e
a arma está em nosso deck de provisões, na verdade já providenciei através de Simons que a arma
ficasse devidamente acomodada em um conteiner lacrado.
- O que eu não faria sem você para pensar nestes detalhes... - Diana sorriu. - É bom que esteja de volta, comandante.
- Obrigada. Diana.
- CAPITÃ, NAVES KLINGONS NOS SENSORES; NOS DÃO BOAS VINDAS.
- Klingons nos dando boas vindas, os tempos mudam...
Diana saiu seguida de Sarah, as duas entraram na ponte, Benrubi estava de pé ao lado de Khya e admirava as Aves de Rapina.
- Ainda bem que estão com as armas desativadas.
- É...parece que chegou a hora de entregar a encomenda.
****
Kortan olhou para Klang, ele parecia ter envelhecido anos,
depois dos acontecimentos estava calado , mas seu olhar era cheio de fogo. Certamente já sabia qual
seria seu destino, e tiveram que tomar todo o cuidado para aquele louco não cometer suicídio ou pior
tentar tomar outra nave.
- Vamos General, Kronos nos espera.
Klang deu um suspiro e o encarou.
- Eu não sou o único, há outros como eu que nunca aceitarão a
supremacia da Federação, estamos em uma galáxia livre, ninguém deve ser obrigado a dar satisfação a um
exército que não é de seus iguais.
- Os tempos são outros Klang, agora não são as guerras que
contam e sim a política, a negociação.
- A política pode ter vencido por hora, mas não esfriará para
sempre o sangue klingon.
Kortan sabia que no fundo Klang estava certo, ele era apenas
mais um recusando-se aos tratados, mas viríam outros talvez com mais poder que ele, mas não com aquela
arma nas mãos.
Os dois seguiram para o teletransporte onde encontrariam com
Utzar.
****
- Excelência, a Atlantis nós retribui a saudação, e diz que
ossos hóspedes estão a caminho.
Kherrtar olhou para o Comandante da nave e meneou a cabeça
positivamente.
- Que venham então.
****
Sarah olhou para Diana - O que fez com a fita de Zetor'V?
- Entreguei para alguém que vai saber usá-la devidamente.
- Diana sorriu com leveza. – Chayenne, redirecione coordenadas para Base 257.
- Sim, capitã.
- Sarah, nos tire daqui.
****
A Base Espacial 257 era um refúgio ideal para os tripulantes
da Atlantis, lá eles poderiam esticar as pernas e a nave poderia ser reparada.
****
... Diário pessoal:
"Entregamos Klang a Kherrtar, não foi nada fácil, mas em troca
ficamos com a arma e dados do projeto, foi uma boa troca, aqui na Atlantis ela estará segura longe de
olhares curiosos e se a nave for destruída, ela ira junto, o que torna esta nave o local mais seguro para
guardá-la. Ainda não recebemos a posição do departamento, espero que esta decisão nunca chegue. Quanto a
S'Tamur, vamos encaminhá-lo a nave de Trostsy, mas enquanto isso vamos ter que mantê-lo oculto da Frota
Estelar, espero que consigamos."
Fechar registros.
****
“Nave Klingon Ave de Rapina, Classe K'Vort, K'Tar On Virr,
destruída acidentalmente em cinturão de asteróides no setor 45.7 do Sistema Beta-Vega II, próximo a
fronteira do quadrante Delta. Registramos três baixas na USS ATLANTIS, já catalogadas e com todos os
procedimentos tomados.
Nossas avarias são de pequeno porte e no momento nos encontramos
na Base Espacial 257, para efetuar reparos, que levarão três semanas.
Lamentamos informar que General Klang filho de Kherrtar, foi
uma das baixas da Nave K'Tar On Virr com toda a sua tripulação. Tendo em vista nossa missão de captura e
encaminhamento para julgamento da Federação Unida de Planetas, não obtivemos sucesso neste item. A suposta
arma causadora dos danos nos planetas abaixo citados, se realmente existiu, não temos provas concretas a
respeito deste item. Em todo caso não encontramos nenhuma prova de sua existência nos destroços da K'Tar
On Virr. Aconselho arquivamento da investigação, pois não possuímos qualquer prova que venha incriminar
o Império Klingon.
Registro encerrado.
Capitã Diana O'Conell.”
****
FIM
Pequeno Glossário.
Academia de Estudos Klingons - Localizada na capital do Império Klingon - Khal.
Áurea Borellis II - Planeta classe M na fronteira que divide o Quadrante Beta do Delta.
Brak'lul - Característica Klingon destinada aos guerreiros, com ela, os guerreiros aprendem a serem resistentes em batalhas e a serem invulneráveis. Omnipedia de M. Okuda.
Classe Excelsior - nave com 470m. de extensão da Frota Estelar.
Classe K'Vort - Classe de Ave de Rapina klingon.
Classe Oberth - Nave com 132m. de extensão da Frota Estelar.
D'k tahg - Faca cerimonial klingon, utilizada por guerreiros em vários rituais e cerimônias da cultura klingon, religiosa ou não. Omnipedia de M. Okuda.
Jan'rtuhik - Nome do Serviço Secreto do Império Klingon, sem referência.
K'adlo - Traduzido literalmente do klingon quer dizer obrigado. Omnipedia de M. Okuda.
K'Tar On Virr - Nave do General Klang, esta nave já foi confrontada algumas vezes pelo serviço de inteligência da Frota Estelar, uma destas missões teve participação de Sarah McKenna.
Kai'danh - Espécie de mamífero terrestre das terras médias de Klin - Riskad, sem referência.
Kahs'wan - Rito de passagem ocorre aos sete anos, o menino deve passar dez dias de sobrevivência nos desertos de Klin. Livro I.D.I.C Jean Lorrah editora Aleph.
Khlinzai - Um dos nomes nativos do Planeta Klin. Conhecido como Kronos.
Ktarnac - Nave klingon Ave de Rapina, classe K'Vort comandada pelo Capitão Kortan no episódio I dos Novos Exploradores: Fatos Consumados.
Nag'tin - Grande Rocha traduzido do Dicionário da Língua Klingon Editora Aleph.
PARDIX IX - Planeta classe M localizado no Quadrante Beta.
Quark's inativos e ativos - Quark's descobertos há séculos atrás pelos vulcanos deixados em partículas de radiação emanadas por naves que possuem dispositivos de dobra.
Obs: quark's são encontradas em neutrons e prótons. Quark's inativos e ativos não existem cientificamente.
Qut'luck - Faca diária do guerreiro klingon.
Rura Penthe - Planeta colônia prisão administrado pelo Império Klingon.
Urtz'karl - Uma das divisões da colônia penal Klingon Rura Penthe. Sem referência.
****
Por: Sílvia Costa e Lorna Dannan Direitos Reservados.
Tradução para a língua klingon por Eduardo Fonseca.
*Provérbio klingon: yIn DayajmeH 'oy' yISIQ - Para entender o que é a vida, você tem que resistir a dor.
**Provérbio klingon: rut QotDI' gheD tlhIj wanwI' - ás vezes o caçador deita com sua presa.
***t'qar 'on vIH: Pronúncia klingon para o Nome da Nave.
OBS: A escrita klingon é de extrema simplicidade utilizando frases curtas e diretas, por isso as palavras de duplo sentido ou carregadas de sarcasmo ou ironia, não
foram traduzidas ao pé da letra. Todas as traduções klingon-português foram realizadas por Eduardo Fonseca, a quem agradecemos muito.
Esta obra de Ficção é destinada ao público adulto. Todos os textos dos Novos Exploradores estão protegidos pela
Lei de Direito Autoral com citação do Universo que os inspirou. Todos os direitos reservados para Sílvia Costa. Star Trek é criação de Eugene
Roddenberry.
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