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INFORMAÇÕES    
Autora: Sílvia Costa.
Autora: Lorna Dannan.
Título: O Poder dos Iniciais.
Publicação: 08/04/2006.
Publicação Original: 25/11/1992.
Categoria: Jornada nas Estrelas.
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OUTRAS OBRAS DA AUTORA
I Fatos Consumados.
II Forças Antagônicas.
IV Vulcanos...Sina e...
V Tradição Original.
VI Sal da Vida.
VII Nuto Solo Pleraque...
VIII Nuances da Tempestade.
JORNADA NAS ESTRELAS      
USS ATLANTIS - Novos Exploradores. Missão III - O Poder dos Iniciais.
Por: Sílvia Costa e Lorna Dannan.

Imagem de Roberto Kiss direitos reservados.
Imagem de Roberto Kiss feita especialmente para a Série.
Novela dividida em oito capítulos. Aguarde a página carregar.

Depois de uma breve estadia na Base Espacial 57 para reparos, a Atlantis é incumbida de uma missão que visa investigar estranhas anomalias magnéticas no planeta 9845-D que afetaram desastrosamente duas naves da Frota Estelar. Os grupos avançados se preparam para descer ao planeta enquanto parte da tripulação é afetada por estranhas alucinações. Capitã Diana O'Conell, com auxílio de sua tripulação, precisa descobrir o que esconde o misterioso planeta antes que a própria Atlantis seja destruída.

Esta obra é a terceira aventura da USS Atlantis, mas pode ser lido separadamente de Fatos Consumados e Forças Antagônicas. Futuramente consulte nosso glossário e lista de personagens que auxiliará a leitura.

Agradecimentos Especiais: aos leitores que nos dão muitas alegrias.
A Roberto Kiss que gentilmente confeccionou as imagens do conto.

Glossário e Lista de Personagens:

  • S'tamur: romulano que por acidente acabou se teletransportando para a Atlantis.
  • Santos tenente engenheiro: de origem brasileira, ex- membro da sessão 31.
  • Base estelar 57: base onde a Atlantis sofreu reparos.
  • Trosty: capitão da nave USS Pegasus usado como nave fantoche da dissuasão.
  • Herculê Poirot: personagem belga de Agatha Christie.
  • Ann: esposa de Roger Mckenna morta há muito tempo.
  • Klang: general klingon que comandava a k'tar on virr.
  • PES: percepção extra sensorial.
  • Asteca 1025-1: nave auxiliar da Atlantis.
  • Atenas 1025-2: nave auxiliar da Atlantis.
  • Rem: "Rapid Eye Moviment", Movimento rápido dos olhos.
  • Compensadores dopplers: ajustam a velocidade e o tempo do objeto teletransportado.
  • Compesnadores de heinseberg: compensam a desordem das moléculas.
  • Lar'pal tenente enfermeira: uma das enfermeiras da Atlantis de origem andoriana.
  • Ingrid alferes de primeiro grau bióloga: trabalha com Roger Mckenna.
  • Mbwabo tenente cientista : comanda o laboratório de ciências na ausência de Melrik.
  • Mckenna, Sarah : primeiro oficial e piloto da Uss Atlantis híbrida vulcana/terráquea
  • O'Conell, Diana : capitã da Uss Atlantis - irlandesa terráquea.
  • Düff, Hans : médico-chefe da Uss Atlantis - alemão terráqueo.
  • Melrik : oficial de ciências da Uss Atlantis - vulcano.
  • Sanches , Dyllan : alferes executivo da primeiro oficial - mexicano terráqueo.
  • Ness, Willian: alferes executivo de ponte e da capitã O'Conell - irlandesa - terráqueo.
  • Jokovith, Faye: tenente engenheira da Uss Atlantis - croata terráquea.
  • Gomes, engenheiro júnior da Atlantis : origem brasileira.
  • D'Angelis, Jordan: engenheiro-chefe e tenente comandante da Uss Atlantis.
  • Benrubi, Joshua: oficial comandante, chefe da segurança e cartógrafo.
  • Mckenna, Roger: tenente chefe do setor de exobiologia da Uss Atlantis.
  • Mckenna, Ann: mulher falecida de Roger sua morte até hoje não foi esclarecida.
  • Khya, Andor : tenente oficial de comunicação na Uss Atlantis. Centauriano.
  • Wilson : tenente oficial segundo em comando na segurança. Ganimedes marte
  • Kenjiro, Tsi-lao: mestre em artes marciais chefe da intendência e oficial de segurança.
  • Chayenne, Wind: tenente oficial navegadora da Uss Atlantis, índia cherokee terráquea.
  • Carlyle, Michael : tenente engenheiro da Uss Atlantis - inglês terráqueo.
  • Simons, John: alferes operador dos transportes na Uss Atlantis. Canadense terráqueo.
  • Wiser, Samuel: co-piloto da Atlantis, sempre substitui Sarah no posto.
  • Rinaldi, François: chefe de cozinha da Atlantis e excelente armeiro. Terráqueo francês.
  • Milla Stauber: bióloga integrante da equipe de biólogos.

****

Capítulo I.

O passado persegue a todos , mas o futuro nos ampara.

- Você está bem? - a voz dela era preocupada.

Melrik a encarou com a sobrancelha erguida achando a presença dela meio fantasmagórica no meio daquela fumaça. Seu corpo doía muito, por mais vulcano que fosse e por mais que seu treinamento vulcano o fizesse controlar a dor ela persistia, seus músculos latejavam principalmente os do tórax.

Olhou o sangue verde se espalhando pelo uniforme chamuscado, na posição que se encontrava só tinha duas alternativas: levantar e sangrar mais ou deitar e canalizar suas forças para os órgãos afetados.

Sabia agora que seu coração estava salvo, mas seu pâncreas nem tanto, uma fraqueza teimava em tomar conta de seu corpo.

Ela o enfaixava rapidamente aplicando algo no ferimento que estancou o sangue.

O cheiro de queimado estava no ar, fios ainda irradiavam faíscas aleatoriamente no teto da ponte, alguns tripulantes se alternavam no serviço de colocar a nave em funcionamento.

- O capitão? - Melrik sussurrou.

Ela o encarou e não disse nada. O médico de bordo chegou neste instante e Melrik sentiu que alguém o erguia e o colocava em uma maca anti-gravitacional.

- Você ficará bem Melrik...- Diana não moveu um único músculo de seu rosto, mas Melrik podia deduzir o sofrimento pelo qual ela passava.

- O capitão morreu - Ela disse a última palavra quase sussurrada enquanto Melrik seguia para o elevador escoltado de perto pelo médico.

Melrik ainda teve tempo de analisar os efeitos daquela notícia sobre Diana, nunca compreenderia tal esforço mental, não da forma como os terráqueos agiam. Tudo perdeu o sentido naquele momento e uma frase persistia em sua memória. ...um dia você compreenderá...

Não sentia nada agora era o limbo chegando.

Melrik abriu os olhos e estava na enfermaria, mas não estava mais ferido sentia que podia se levantar e sair, ninguém estava por perto e um senso lógico se apossou dele, quando saiu foi em direção ao corredor, não havia ninguém por lá , voltou-se para a entrada da enfermaria e notou que estava em frente de seu próprio alojamento, entrou e seu aposento estava intacto, pensou por um instante estar passando por alucinações nada lógicas, saiu novamente e viu alguns alferes andando em direção ao elevador.

- Melrik para capitã?-

- AQUI É O'CONELL, ALGUM PROBLEMA MELRIK?-

- Não Diana só queria confirmar uma coisa, Melrik desliga. -

Na verdade esta alucinação ou seja o que for era um fragmento do passado ele achou o ocorrido estranho e arquivou este acontecimento para posterior análise.

****

Diário de bordo: Prosseguimos com nossa missão em órbita do planeta 9845-D como ordenado pela Frota Estelar. Apesar da aparente segurança e beleza do planeta ainda não encontramos nenhuma anomalia descrita em relatório anexo. Os possíveis membros dos grupos avançados mostraram-se ansiosos para descer ao planeta, mas ainda estamos esperando o resultado das sondas telemétricas enviadas a superfície do planeta.

Adendo: os reparos dos sensores principais da nave e dos teletransportes prosseguem até o momento.

Diário pessoal da capitã: A Atlantis se sai cada vez melhor é uma boa nave e faz sua parte, como gosta de ressaltar nosso Engenheiro-Chefe , os testes com essa nova classe de nave se mostraram até agora satisfatórios e as cobaias somos nós... Pouco a pouco fui conhecendo minha tripulação e minha equipe de ponte, muitas vezes tive que apelar para minha intuição para entender muitos dos sentimentos envolvidos neste grupo, mas de uma maneira ou de outra estou certa que estamos começando um laço de amizades. São pessoas tão diferentes, mas que ao mesmo tempo possuem qualidades parecidas, uma delas é a lealdade, coisa que muito prezo.

S'Tamur nosso tripulante surpresa ainda está sob minha responsabilidade, não foi difícil mantê-lo escondido em nossa estada na base estelar 57, porém infelizmente Trosty anda muito ocupado para levar alguém até Romulos. A tripulação parece se adaptar bem ao Engenheiro romulano e ele também se adaptou bem as nossas facilidades e confortos, no momento ele está na engenharia designado por D'Angelis como auxiliar nos reparos dos sensores de longo alcance de nossa nave.

- Fechar registros -

Diana se voltou para a escotilha...Difícil é entender minha Primeiro-Oficial: vulcana em determinados aspectos mas tão humana em outros, mas creio que isso é uma qualidade pois tem ajudado em certas circunstâncias difíceis de lidar...

****

Sarah esfregou os olhos cansados e espreguiçou-se ainda sentada, olhou de novo para a tela do computador, agora apagada, ainda um pouco intrigada e insatisfeita. Apesar de toda a sua habilidade, conhecimentos e “conhecidos” que tinha a disposição para descobrir coisas através do espaço virtual, ela não conseguia esclarecer completamente para sua satisfação quem era Diana O’Conell? Teria que recorrer a amigos um pouco mais influentes e isso não a agradava. Não gostava de dever favores nestas circunstâncias, mas talvez não precisasse.

Sorriu e levantou-se tirando o casaco e jogando-o no chão, descalçou as botas devagar, seu alojamento era espaçoso e continha algumas lembranças, pequenas coisas, as quais vistas com cuidado revelavam um pouco da sua personalidade e suas predileções. Uma prateleira de metal e fiberglass com livros, raridades terráqueas e vulcanas, uma gaita escocesa em um móvel junto à escotilha, sofás confortáveis e uma ala em separado onde ficava o leito.

Viu surpresa da onde estava a porta de seu alojamento abrir e a luz branca do corredor invadir sua penumbra contornando a silhueta escura de um homem musculoso.

- Com sua licença imediato...-

E a viu seminua, o que o deixou embaraçado. Virou o rosto com discrição e murmurou:

- Sinto muito Sra... Trouxe seu jantar.-

Mckenna tirou as pernas bem torneadas de dentro da calça comprida amontoando-a no chão sem acreditar no embaraço de Sanches. Em momentos como aquele se perguntava por que tinha que ter um maldito ordenança para si, uma maldita babá, um mordomo, uma frescura da Frota?

- Seu acesso livre ao meu alojamento ás vezes pode ser bem inconveniente, Sr. Sanches.- e entrou no banheiro.

Dyllan depositou a bandeja na mesa, seu corpo estava rígido e seu coração batia freneticamente. Respirou fundo tentando acalmar sua repentina excitação e voltou a olhar para a porta que dava acesso ao banho.-...Sou adulto, por que estou nervoso?...-

Ele estava ali na tão almejada Atlantis e este não seria seu posto por muito tempo, ele acreditava nisso. Era um Engenheiro Júnior. E iria para a engenharia, nunca duvidou que sua carreira ali seria de ascensão lenta mas inexorável, teria muito mais a lucrar ali do que em outra nave, opção a qual foi devidamente aconselhado a aceitar, mas o que era um posto de Engenheiro Júnior na Endevor comparado com a possibilidade de trabalhar na Atlantis?

Juntou o uniforme espalhado pelo chão e arrumou outro sobre a cama. Estavam no espaço há vários meses terrestres e Sarah McKenna ainda o tratava friamente e Dyllan não sabia se era por ela não gostar dele ou não gostar de ordenanças pessoais? Balançou a cabeça e fechou o armário depois de olhar para a gaveta que ele sabia ter as roupas íntimas de Sarah. Só havia aberto a gaveta uma vez e fora um constrangimento para ambos. Ele sabia que como vulcana Sarah não teria acessos de pudor, mas ela também era um pouco humana e ele era um homem enfiado pelos protocolos dentro de sua vida particular.

Ele fechou a passagem do quarto que dava para a sala onde além dos sofás se encontrava a mesa para refeições e em seguida pôde ouvir ela se movimentando dentro do quarto.

- Sanches?-

Ele virou-se para a passagem fechada.

- Sim , Imediato!-

- Até agora só tivemos uma oportunidade de falarmos abertamente.-

- Sim, Sra. Quando me passou suas instruções pessoais.-

- Por que está aqui? Você é um Engenheiro Júnior sua fase de ordenança já passou.-

Dyllan sorriu - E a senhora? Já podia almejar e conseguir uma capitania. Por que está aqui?-

Ela abriu a passagem e Dyllan viu, pela primeira vez, um sorriso em seu rosto.

- Oportunidades diferentes para desejos diferentes.-

- Mas procurados em um mesmo lugar...-

Ela continuava sorrindo.- Humanos. - E olhou para a comida. - Vai me vigiar comer?-

- Ordens médicas, Sra.- E puxou a cadeira para que Sarah sentasse.

- Düff não confia em mim, para seguir uma simples dieta? - McKenna continuava de bom humor. Resolvera dar uma oportunidade para Dyllan Sanches e rezava de todas as formas que conhecia para encontrar um jeito de enfiá-lo na engenharia.

- A imediato não tem comido direito nesses últimos dois dias.-

Ela virou-se para ele - Você me dedurou para Düff, Dyllan?-

... Sabendo no fundo de seus pensamentos que Düff já sabia disso muito bem e não precisaria de Dyllan para contar... e riu brevemente.

- Não se pode confiar num homem.-

Seu tom era descontraído e após meses trabalhando com Sarah, Dyllan relaxou pela primeira vez.

- São os ossos do ofício, Sra. -

Ela balançou a cabeça e fez um sinal para que ele sentasse também. Ele teria que esperar mesmo e concentrou-se na comida.

Dyllan fingia não observá-la, mas já notara que o sorriso e a jovialidade de antes desaparecera completamente.

Na enfermaria...

Düff analisou mais uma vez os resultados e viu que todos seguiam um padrão, tudo na nave aparentemente era um mar de calmaria, mas as últimas ordens tinham afetado uma parte da tripulação de maneira nada comum. Era uma síndrome psicológica com o mesmo modos operandi, mas que individualmente estava incomodando muita gente.

A questão era:

O que significava na prática aqueles resultados?

Seria uma espécie de síndrome ou histeria ?

Como manter todos em um padrão aceitável?

Pensou que ainda era cedo para alertar a capitã, olhou para o crono na parede, aquela manhã tinha sido calma a tarde apenas uma queixa de insônia e depois tudo normal novamente. Com um gesto rápido pousou a mão sobre o estômago ...Sarah... - Isso é bom... - pensou rapidamente que já era esperado que sua amiga imediato saísse daquela estressante pesquisa A lá Herculê Poirot a respeito da capitã, já era hora de comer mesmo. Olhou em volta e tudo parecia normal, um paciente se recuperando sendo vigiado por Dickens, alguns enfermeiros consultando os computadores da biblioteca médica e ele com fome. Boa hora de sair e fazer um lanchinho pensou.

Düff saiu para o corredor em direção ao refeitório.

****

Roger observava de uma colina o capim verde que se estendia a sua frente como um tapete em movimento, aquele lugar era familiar mas não sabia por que sentia aquilo, ao seu lado estava o kit básico de um exobiologista mas não se preocupava em pegar dados do local nem analisar os sensores do tricorder apesar das luzes no visor de cristal líquido estarem com padrões anormais, ao longe varias secóias brincavam ao sabor do vento e mais ao longe uma cadeia de montanhas com os picos nevados despontavam no belo céu azul. As nuvens passeavam em formas animalescas e por mais que achasse sua presença naquele local completamente sem sentido não tinha forças para se levantar e ir embora.

Um perfume há muito esquecido o despertou e o tirou do transe quando se virou para trás viu Ann com seus lindos cabelos compridos caídos pelos ombros, seu sorriso sincero e o seu olhar terno ela se aproximou dele e tocou seus lábios gentilmente Roger a enlaçou como a protegendo e a cercou de carinho.

- Você veio - ela sussurrou.

Ele queria falar, responder para ela, que por ela ele iria a qualquer lugar mas as palavras não saiam a colina se desfez e o capim onde se encontravam agora estava úmida e o cheiro de terra molhada cercava o ambiente. Ela começou a escorregar de seus braços e por mais que ele quisesse abraçá-la e segurá-la ele não conseguia seu intento. Ela caía em um abismo e seus olhos o seguiam do céu entre as nuvens , os olhos ternos de Ann.

- Ann! Ann!

Roger agitou-se e saiu do banheiro, seu rosto estava suado e seu tórax parecia querer explodir ante a aceleração de seu coração, respirou fundo para se acalmar, repetia mentalmente que tudo aquilo tinha sido uma alucinação ou um sonho apenas isso e nada mais, com cuidado foi em direção ao banheiro tudo parecia no lugar à água fria lhe faria bem, molhou o rosto e enxugou demoradamente refletindo sobre o que acabara de passar ali mesmo há poucos instantes e chegou a conclusão que estava cansado. Era esse o problema as últimas semanas tinham sido trabalhosas e os últimos quatro dias exaustivos sem falar que andava ansioso para descer ao planeta, agora faltava pouco para isso a última sonda havia sido recolhida e os dados estavam nesse momento no computador, em sua primeira hora de serviço iria atrás dos resultados, mas agora precisava se desligar de tudo e tentar dormir. Foi em direção da escotilha e sentou-se junto a ela, o seu alojamento proporcionava naquele horário uma bela visão do planeta.

Seus tons de verde com toques de azul turquesa faziam com que Roger deixasse sua alucinação cada vez mais para trás. Pensou que em breve desceria naquele planeta, sabia até agora que era um mundo completamente desabitado um mundo novo e talvez hostil, algo para ser desvendado, um torpor tomou conta de seu corpo e aos poucos suas pálpebras foram se fechando Roger dormiu ali mesmo sobre a poltrona.

****

Capítulo II.

As pessoas nunca parecem ser o que são...

S'Tamur olhou mais uma vez pela escotilha, achava estranha a atração que sentia por aquele planeta, nunca fora adepto de aventuras e nem tão pouco era escalado para grupos avançados nos seus tempos de serviço na armada romulana. Sua função era cuidar das máquinas e equipamentos por isso já se acostumara a ficar recluso em naves. De certa forma se sentia seguro na Atlantis, mesmo sendo uma nave da Federação, uma que certamente não agia de acordo com os manuais da Frota Estelar já que não tinha sido preso e nem entregue a outras autoridades. S'Tamur no fundo sabia que isso não duraria para sempre e talvez logo fosse entregue em território romulano ou deixado em um lugar que não levantasse suspeitas nem sobre ele ou sobre a nave que se encontrava agora.

Tinha falado algumas vezes com a Capitã O'Conell e a achou deveras natural com a presença dele na nave, até falaram romulano, coisa intrigante depois do primeiro impacto quando ele acidentalmente veio parar na Atlantis, quando na verdade desejava ir para uma nave Romulana. Mas até achou melhor assim se tivesse se teletransportado para a nave de Tarkal agora estaria morto. - sorriu consigo mesmo -

Seu contato com o comando era feito através da estranha primeiro-oficial que o mantinha na linha, ela havia sugerido a ida dele ao planeta em um dos grupos avançados, pensou que depois do que passaram na nave klingon de Klang já podia tratá-la mais informalmente, lerdo engano a vulcana era um misto de disciplina e organização e só vira ela descontraída duas vezes quando conversava com o médico de bordo.

Saiu de seu alojamento, agora vestia um uniforme de engenheiro da Frota Estelar, quando que ia se imaginar assim? Era muito estranho até de pensar em um romulano com o uniforme da Frota Estelar.

Também ponderava em toda a liberdade que tinha naquela nave e o por quê disso? Se quisesse mesmo podia descobrir todos os segredos operacionais e estratégicos da Frota, acessando um terminal interno do computador da nave, toda vez que essa idéia vinha a sua cabeça, lembrava no que Sarah McKenna era capaz de fazer com ele, e não duvidava que ela podia matar facilmente.

S'Tamur chegou ao refeitório e retribuiu alguns cumprimentos a maioria do pessoal da engenharia. Carlyle e Santos estavam sentados na mesa encostada na escotilha e fizeram sinal para que ele se juntasse a eles, na verdade Santos fez o sinal já tinha aprendido que Carlyle tinha um sentimento muito parecido com um sentimento romulano: a arrogância.

Foi na direção deles depois de pegar seu café.

- Bom dia Srs. -

- Bom dia - Santos soltou acabando de engolir mais um pedaço do bolinho que comia avidamente. -

- Sua ajuda foi muito valiosa ontem com nossa busca da solução para os sensores. -

- Seus mecanismos são bem similares aos que usamos em naves de pesquisa. - S'Tamur bebeu o líquido preto o qual tinha adorado.

- Vocês fazem pesquisas científicas? - Carlyle o olhou meio intrigado com sua pose britânica.

- Sim - S'Tamur o encarou já sabendo onde Michael queria chegar.

- Intrigante, pensei que vocês chegavam exploravam mas não pesquisavam. -

- Às vezes exploramos, às vezes fazemos os dois. -

Santos já prevendo onde aquilo ia chegar mudou de assunto.

- Ansioso para descer? - Santos sorriu - Não pude deixar de ouvir sua conversa com a Primeiro Oficial -

- Ah sim, o planeta me parece muito bonito daqui de cima. -

- Ah como te invejo, gostaria de descer também -

Carlyle tomou mais chá e se levantou pedindo licença...

- Até logo Srs.! -

Os dois menearam a cabeça, quando ele se foi Santos encarou S'Tamur.

- Tente desculpar os modos de nosso colega engenheiro -

- Eu entendo - S'Tamur deu um arremedo de sorriso -

Na verdade minha presença nessa nave é fora do comum e estou até espantado pela receptividade.

- E que alguns de nós passamos por maus bocados com romulanos afinal estamos em lados contrários. -

- E Carlyle...? - S'Tamur não completou a pergunta mas Santos respondeu assim mesmo.

- Perdeu os pais em um ataque romulano. -

- Entendo, bem na verdade os dois lados perderam vidas. -

- Sim é verdade, mas creio que para esse tipo de nave e para o tipo de comando ao qual nos subordinamos, temos que ser bem maleáveis as circunstâncias, talvez seja por isso que você foi acolhido aqui...-

Santos sorriu brevemente. - Talvez...talvez. -

S'Tamur não parava de pensar na palavra malháveis e não parava de pensar também em como ia conseguir café se fosse embora daquela nave...

McKenna estava lutando com o oficial instrutor de lutas marciais mestre Kenjiro. O salão naquele horário do primeiro turno já tinha alguns curiosos em seus horários de folga ou em treinamento físico que já haviam descoberto como poderia ser excitante assistir a primeiro oficial lutando com pouca piedade e muita precisão.

Aquilo era um verdadeiro espetáculo para os jovens humanos alferes de segurança, entre eles aquela eficiência belicosa já era conhecida pois Sarah fora campeã em vários estilos de luta na academia, coisa pouco comum entre os vulcanos ou meio vulcanos, considerados bibliotecas ambulantes.

O gemido curto e rouco precedeu mais um golpe que McKenna dava em Kenjiro, este não se preveniu e caiu no chão emitindo um som abafado em contato com o tatame.

- Você está me superando imediato-sama -

- Vamos dizer que andei fazendo o dever de casa, Kenjiro-san - e retribuiu da mesma forma o sorriso maroto do homem de espessos cabelos negros com quase quarenta anos e corpo esbelto.

Benrubi, que já estava vestido com a indumentária para lutar, os observava discretamente.

Kenjiro despediu-se.

- Aguardo ansiosamente uma oportunidade para tomarmos chá juntos, imediato-sama.-

- Espero que em breve Kenjiro-san. -

- Com licença Srs. Tenho que dar instruções ao pessoal da intendência. - e voltou-se para Joshua como quem diz: Não sabes o que te aguarda... - Sr. Benrubi. -

- Mestre Kenjiro. -

E retribuiu a inclinação de cabaça do japonês.

Joshua se ateve por um instante encarando Sarah que caminhava ao centro do tatame se posicionando.

- Estranhei sua demora meu caro -

McKenna disse com leve sarcasmo na voz. - Pensei que não viesse mais.-

Joshua entrou na área da luta pensando na melhor tática para derrotá-la esboçou um sorriso cínico.

- O que vai me ensinar hoje imediato-sama? -

McKenna ergueu uma das sobrancelhas. - Você verá!

S'Tamur saiu do refeitório conversando com Santos sobre os novos campos geradores de dobra e trocaram informações técnicas sobre o uso desses campos na prática, alguns alferes e outros cadetes passavam por eles em direção oposta.

- Ei! Tenente Santos, o Sr. não vai assistir? - um dos jovens cadetes interpelou os dois no caminho.

- Do que está falando? -

- A imediato está dando uma surra no oficial de segurança. - e saiu apressado.

- Surra - S'Tamur sussurrou.

- É só modo de falar, eles devem estar no salão de treinamento, sempre que os dois se encontram algo acontece... - Santos sorriu.

S'Tamur sorriu pensando na força que Sarah tinha e naquele olhar que congelava sua espinha.

- Nós vamos entrar em serviço daqui 30 minutos você não quer ir lá? -

- Por que não? - S'Tamur achou a idéia bastante divertida afinal não seria ele que estaria apanhando da vulcana.

****

Os dois continuavam com golpes altamente técnicos, se encarando com os olhos atentos, mantendo o sistema nervoso sob controle uma raiva vinha em ondas crescentes de Joshua como um desafio que tinha quer ser vencido.

McKenna não gostava daquele jogo de raiva contida, mas acabou se entregando pois se divertia muito vendo as reações de Benrubi, queria acabar logo com aquilo e deu um golpe para finalizar, porém Benrubi foi mais rápido enganando-a e a derrubando no chão.

Os espectadores começaram a se aglomerar próximos a luta enquanto outros iam chegando, era evidente que agora a técnica tinha sido deixada de lado...

S'tamur assistia a cena achando aquilo muito estranho para uma vulcana, o modo como ela se exibia era fora de qualquer padrão que já ouvira falar dos costumes vulcanos. Santos ao seu lado observava interessado. Os dois estavam mais afastados, mas podiam acompanhar dali cada golpe.

- Aposto 10 créditos que Sarah acaba com o humano. -

Santos olhou para S'Tamur estranhando o tom de voz do romulano realmente S'Tamur mudava ao lidar com dinheiro.

S'Tamur sorriu para ele - E então o que me diz? -

- Joshua está ganhando - ponderou - Tudo bem 10 créditos. -

****

- Ei! - Sarah falou séria jogada no chão - Esta não é uma tática usual, caro Benrubi, chamaria isso de trapaça - Ela frisou a última palavra.

- Você está falando isso porque não aceita o fato de que eu estou em vantagem, minha cara. -

Enquanto isso um grupinho crescia em torno de S'Tamur que como um bom grupiê anunciava as apostas.

Santos o encarava meio desconfiado mas atento ao som da luta ainda esperava faturar a aposta.

Sarah se levantou e ficou tête-à-tête com Joshua. Os dois se insultavam aos sussurros , tudo acompanhado por espectadores que já imaginavam uma desforra vinda da primeiro-oficial.

- Sua desonestidade é pouco surpreendente, caríssimo Sr. Benrubi -

Joshua deu uma rasteira em Sarah que o segurou, e os dois caíram no chão atracados já em luta livre.

- Acho que a luta está saindo do sério, S'Tamur. -

- Agora vamos ver o que uma vulcana é capaz. - S'Tamur sorriu.

Santos ainda pode ouvir um sonoro apostas fechadas.

Achou o modo de agir de S'Tamur bem pitoresco, claro que em uma nave como aquela apostas pelo regulamento eram proibidas, lutas como essa eram proibidas, mas olhando por outro ângulo a tripulação andava estressada e precisava de uma diversão, só esperava que tal evento não causasse conseqüências maiores.

- Você é delicadíssima McKenna! -

- Eu odeio essas piadas, Joshua, você está sempre arranjando um ridículo motivo para pegar no meu pé e se exibir para todos na Atlantis.-

- Eu me exibindo?! Nem perto do que você faz, me dando lições de moral a cada minuto do seu tempo! -

- Você me provoca - Ela explodiu, perdendo o último resquício de passividade e auto controle.

O grupo observava a luta se dividindo na torcida entre Sarah e Joshua, aquilo já estava saindo de controle pensou Santos atento, mas todos são adultos e isso não era seu problema no momento.

Alguns já formavam a turma do deixa disso, caso as coisas esquentassem mais, um último recurso era chamar a única pessoa naquela nave que sem usar os artifícios do comando poderia dar um jeito naquela situação , e foi isso que um dos membros da comissão do deixa disso teve que fazer.

Enquanto isso no tatame as agressões continuavam.

- Você bem que merece umas palmadas minha doçura vulcana - E Joshua riu a provocando.

- Desprezo sua falta de lógica. -

- E você acha que é menos humana só por que tem esse sangue meio verde? - E agarrou ela pela cintura a derrubando novamente. Deitada de costas para o chão, Joshua sobre ela aproveitou para segurar o queixo dela quase a sufocando.

- Você é humana e é ... - Então a raiva que ambos sentiam até ali foi cortada repentinamente. Eles se encaravam de maneira estranha e sufocante.

- Você é uma mulher Sarah McKenna. -

Joshua sentiu que algo dominava sua mente, como que o sufocando internamente ficando ofegante.

Ela o encarou por um segundo a respiração de ambos suspensa então num movimento rápido, segurou os braços dele e com uma das pernas jogou Joshua por cima de sua própria cabeça, ele se chocou na parede há quatro metros de distância.

Nesse instante, Düff entrou no salão e correu até eles, olhou de um para o outro e não teve dúvidas foi até o mais vulnerável, ajoelhou ao lado de Joshua que estava sentado com a mão na nuca dolorida.

- Divertiram-se muito? - Hans o encarava cínico.

Joshua balançou a cabeça devagar e sorriu - O que você acha? -

Düff riu e se dirigiu ao grupo que assistia:

- Tudo bem pessoal o espetáculo acabou... -

Todos foram se dispersando. Alguns iam em direção a S'Tamur que sorria confiante.

Sarah levantou-se e sorriu com um toque mordaz para Joshua. Era uma espécie de satisfação estampada no rosto dela que S'Tamur achou muito intrigante.

Ela passou por ele sem perder a pose. - Srs. - Sarah sumiu no corredor.

- Imediato. - os dois retribuíram .

Santos assentiu - Está na nossa hora S'Tamur -

- Sim vamos, não se esqueça você me deve dez créditos. -

- Como posso esquecer se toda hora você me lembra... -

Os dois foram em direção a engenharia.

****

Duas horas depois na Sala de Cartografia...

Diana estava no centro daquele visor holográfico, gostava daquela sala em particular, sentia-se flutuando no meio do espaço as paredes reproduziam fielmente mapas e cartas estelares, tudo gerado pelo computador da nave, era uma imagem sedutora do espaço só que em escala menor. Pensou no que poderia estar fazendo agora se não fosse Capitã, imagens vieram a sua mente, mas não as achou tão encantadoras como estar no espaço em uma nave como aquela. Apesar de todas as dificuldades que poderiam recair sobre seus ombros ainda sim gostava disso, de repente a imagem do engenheiro chefe se formou em sua mente ele estava na engenharia aquela manhã verificando os ajustes dos sensores da nave quando se voltou para ela tão controlado estudando cada palavra antes de pronunciá-las com gestos comedidos e isso era inusitado, sorriu diante do que o bom Dr. Düff disse a ela Ele vê em você muito mais que uma capitã... e lembrou do sorriso cínico de Sarah como que assentindo aquela observação felina do médico.

Diana já se adaptara a espécie de humor que vinha de Düff e Sarah principalmente quando estavam juntos eles possuíam uma simbiose de mentes, coisa que ainda pretendia discutir com Melrik, Diana conhecia o assunto, os vulcanos tinham uma necessidade de se apoiar em ligações mentais as quais tinham várias escalas de intensidade, mas qual o tipo específico de ligação entre a imediato e o médico de bordo? Ainda não descobriu.

A porta e acesso de abriu e o homem alto com olhos expressivos entrou um tanto descontraído.

- Benrubi se apresentando Capitã. -

Diana esqueceu seus pensamentos e o encarou com um sorriso cínico, nada surpresa com o tom irreverente dele, mas não disse nada.

- Bem Capitã, estou aqui espero que tenha achado os dados compilados até agora satisfatórios - ele sorriu levemente, mas ficou um pouco desconcertado com o silêncio de Diana.

- Sente-se oficial - ele sentou em frente ao painel de comando da holotela.

- O Sr. Não acha que demorou além do normal. -

Ele ficou um tanto constrangido.

- Tive alguns contratempos logo cedo. -

- Entendo. - Diana apertou alguns botões do painel. - Quais são suas conclusões sobre os últimos dados vindo do planeta? -

Ele começou a rastrear os dados, ao mesmo tempo que Diana acompanhava a visão do planeta na holotela.

Joshua gostava daquela forma de comandar de Diana, ela dava espaço a informalidade mas não deixava de ter autoridade também definitivamente ela sabia combinar as duas coisas, bem diferente da Primeiro-Oficial que era a mais disciplinadora que Joshua já conhecera, como duas pessoas tão diferentes podiam dividir o comando da nave?

Gostaria de entender o modo agir de Sarah e quando lutaram de manhã, quase pode notar uma fraqueza na vulcana, algo indefinido era como se pudesse pensar o que ela pensava e notou que ela por uma fração de segundos pode notar que ele sabia de algo, apesar de ter perdido a disputa sentia que Sarah não era inatingível como demonstrava ser. Os dados continuavam a se aglomerar no canto esquerdo da grande tela.

- Pelos últimos resultados o planeta é seguro. -

- E as anomalias relatadas nos informes da Frota? -

- O campo magnético do planeta é normal, oficial Melrik vai confirmar isso, não encontramos nenhuma forma de vida inteligente no planeta, creio que os grupos avançados devam descer para obtermos dados mais específicos. -

- Ainda assim temos que levar em consideração que os sensores da nave estão inoperantes. -

- Na verdade os dados das sondas de superfície são tão confiáveis quanto os dados recolhidos por nossos sensores principais. -

- Se existe algo lá, esse mau funcionamento de nossos sensores principais me parece bem conveniente e é isso que me preocupa. -

- A Sra. Acredita que há algo lá escondendo-se de nós? -

- Eu acredito nos relatos das naves que passaram por aqui, uma se auto destruiu e outra teve sua tripulação afastada e isso é muito incomum. -

- Pode ser alguma força sobrenatural? - Joshua sorriu para Diana que estava elegantemente em pé ao seu lado.

- Como se você já não soubesse que no espaço tudo é possível...

****

Capítulo III.

O eterno paradoxo entre a realidade e a imaginação...

Ness entrou no gabinete anexo a ponte levando os últimos relatórios vindos do planeta.

- Aqui estão os últimos discos capitã. -

- Obrigada Ness. -

Diana o encarou e colocou um dos discos no orifício do computador.

- Já está tarde Ness, hoje não vou precisar de mais nada então você está dispensado. -

- Obrigada vou aproveitar para colocar algumas coisas pessoais em dia. - e saiu com certa pressa.

Sarah se ajeitou melhor na poltrona.

- Ele parece bem ansioso para descer. -

- É normal. Já notei esta ansiedade em muitos tripulantes. -

- Não posso negar que o planeta parece atraente daqui de cima. -

- Você conhece a lenda da bela e a fera? Sarah. -

- Claro. -

- Ás vezes o bonito é apenas aparência. -

- Não discordo, mas creio que você deve relaxar as sondas mostraram que o planeta é seguro , não descarto que podemos ainda sim encontrar algo lá mas para isso estamos levando pessoas treinadas. -

- Creio que você tem razão estou um pouco tensa esses dias não canso de rever os relatórios afinal o que aconteceu com as naves que estiveram aqui foi bem incomum. -

- Sobre a primeira nave não há certeza se houve auto destruição, sua bóia de emergência ainda está sendo analisada pela Frota. -

- Mas na segunda o fato foi comprovado, uma espécie de histeria coletiva tomou conta deles. -

Sarah se levantou e olhou pela escotilha o belo planeta lá embaixo.

Diana continuou - Eu confio nas sondas e nos resultados e na competência de quem os emitiu.

Sarah virou para ela - Ah...obrigada pela parte que me cabe. -

- Mas por que nossos sensores principais ainda estão insistindo que há algo no campo magnético do planeta? -

- D'Angelis vai testá-los amanhã no primeiro turno, neste momento ele já deve ter finalizado os reparos, creio que nosso encontro com Klang deixou seqüelas na nave , coisas que não foram devidamente averiguadas na base 57. -

- Espero que D'Angelis ache a solução. - Diana olhou para o planeta de onde estava. - Você não sente algo estranho quando olha para ele. -

- Para D'Angelis? - Sarah deu um sorriso cínico.

- Para o planeta! - Diana ignorou a indireta. - Como se ele chamasse por nós. -

- Talvez todos sintam isso por que afinal somos seres vivos e não fomos feitos para vivermos trancafiados em uma nave. -

- Isso faz sentido, mas noto que esse sentimento vai além de querer apenas visitar um planeta depois de meses no espaço. -

- Amanhã quando sairmos em grupos vamos poder ver o que há lá embaixo. -

- Todos já estão a par da situação? -

- Sim, vamos descer em dois grupos um ficará sob minha responsabilidade e outro do Sr. Benrubi. -

Diana sorriu de leve lembrando dos comentários que tinha ouvido na nave.

- Por que o sorriso Capitã? -

- Me perdoe só estava divagando, e S'Tamur? -

- Coloquei Santos vigiando ele de perto. -

- Santos? Esse nome não me é estranho. -

- Ex-agente da divisão 31, agora sob seu comando um excelente Engenheiro. -

- Agora sei por que aquela engenharia parece ter uma rede de informações próprias D'Angelis deve comandar isso... -

- Não esqueça de Abramovich e Gomes -

- Ah... Claro estes eu já conheço de velhos tempos, não entendo por que a maioria do pessoal da divisão 31 é de Engenheiros? -

- É uma questão de lógica Diana, quem trabalha na engenharia controla a nave e sabe de tudo que acontece. -

- Um verdadeiro ninho de cobras -

- Cobras leais não se preocupe.-

- Vou deixar essa preocupação para você minha cara. -

- D'ANGELIS PARA CAPITÃ O'CONELL . -

- Falando em cobras... -

Diana sorriu. - Aqui é O'Conell. -

- OS REPAROS FORAM CONCLUÍDOS. AMANHÃ NO PRIMEIRO TURNO TUDO ESTARÁ PRONTO PARA OS TESTES. -

- Tudo bem D'Angelis as 0700 estarei na ponte.-

- CONFIRMADO , D'ANGELIS DESLIGANDO. -

- É parece que amanhã vai ser um dia cheio. -

Sarah foi em direção a saída. - Tudo dará certo. -

- Isso é uma precognição? -

- Isso é a lógica das coisas , boa noite Capitã. -

- O mesmo Sarah. -

Sarah ainda não sabia ao certo o que sentia a respeito do planeta mas numa coisa Diana tinha razão ele parecia chamar a todos ali, não queria dormir ainda precisava desabafar com alguém e sabia exatamente aonde ir. Sarah entrou no alojamento de Düff.

****

Ness arrumou todas as suas pendências, desligou o terminal do computador, e foi direto ao processador. - Copo d'água 18o C.

O copo com água fresca foi logo absorvido por Ness que estava sedento. Tirou suas roupas e as arrumou sobre uma cadeira, colocou seu roupão e depois da higiene pessoal se aprumou sobre a cama, olhou pela escotilha o espaço negro e as estrelas imóveis, podia ver uma parte do planeta dali, uma parte pequena na posição que seu alojamento estava em relação a órbita estabelecida, mas mesmo assim aquele contorno de esmeralda o deixava ansioso. Amanhã sairia em seu primeiro grupo avançado, o primeiro sem estar em treinamento, descobriria um mundo novo , aparentemente desabitado e cheio de coisas para pesquisar.

Lembrou da cara de Jokovith quando contou a ela que tinha sido convocado , ela faltou derreter de inveja. Ness sorriu ao lembrar da cara que ela fez.

Carlyle a tinha colocado no grupo de reparos dos sensores e se ela descesse seria só em um terceiro grupo avançado.

Lembrou de Sarah, ficaria sob o comando dela lá embaixo e isso o deixava um pouco nervoso falhas não seriam permitidas. Ness começou a mentalizar todos os procedimentos padrões quando envolvido em um grupo avançado sua mente foi se desligando quando estava no quarto procedimento despencou para o primeiro sono, leve e flutuando sobre águas mansas cheias de brumas.

Ao longe viu um bosque fechado cheio de samambaias e vegetação rasteira, a água parecia sólida e mesmo caminhando sobre elas não afundava, chegou a margem sem nenhuma dificuldade, o bosque se abria para dar passagem a ele, quando um vulto branco e esvoaçante surgiu do nada vindo em sua direção, uma mulher linda com olhos negros e profundos, sua pele azeitonada contrastava com o tecido translúcido, seus cabelos soltos se erguiam com o vento, um vento que ele não sentia, a beleza etérea dela o hipnotizava e por mais que ele se esforçasse para perguntar quem era ela não conseguia não resistia aquele magnetismo.

- Você veio , você veio - ela sussurrou em seus ouvidos.

Ness sentiu um arrepio percorrer seu corpo enquanto ela o abraçava ele estava nu e não resistia ao toque doce e reconfortante dela seus olhos expressavam desejo e Ness não pretendia recusá-la ela o puxou contra si e o beijo ardentemente enquanto ele descobria os caminhos traiçoeiros do corpo daquela mulher, tirou os véus que a cobriam e se deitou com ela na relva, não podia dizer não e nem ao menos recusar os toques cada vez mais ousados daquela mulher os dois se envolveram satisfazendo seus desejos mútuos enquanto as brumas os envolvia em uma escuridão eterna.

****

D'Angelis entrou no elevador .

- Convés 4.-

A voz do computador confirmou o comando e abriu a porta, D'Angelis foi para seu alojamento, sentiu um cansaço extremo e não conseguiu evitar um sonoro bocejo, seu alojamento estava calmo e com uma meia luz que o deixava mais reconfortado. Foi em direção ao computador.

- Mensagens -

- CARREGANDO. -

Uma voz feminina soou: Estou esperando aquele convite Jordan, entre em contato Lídia...

D'Angelis sorriu , alferes Lídia até que tinha seus encantos.

O computador interrompeu:

- DEVO RESPONDER, ARQUIVAR, APAGAR? -

- Pare, próxima. - Jordan camarada descobri algo interessante depois falo contigo, Benrubi desliga.

Jordan tirou seu uniforme e entrou no banho.

- Próxima - Olá meu querido sei que está ocupado com os sensores da nave por isso vou adiar nossa disputa na esgrima para próxima semana, Ingrid...

D'Angelis colocou a parte de baixo do pijama e deitou em sua cama.

- Próxima - Você veio que bom estava esperando por você...-

- Pare, repita. -

A mensagem se repetiu mais duas vezes, D'Angelis prestou mais atenção.

- Computador quem enviou está mensagem? -

- DADOS INSUFICIENTES. -

D'Angelis se sentou na beira da cama.

- A mensagem veio da nave. -

- Não -

Neste momento uma mulher belíssima entrou no seu campo de visão, estava seminua e o encarava desejosa.

- Quem é você? -

- Você veio... -

Seus olhos verdes o sugavam e ele ficou paralisado por alguns segundos, caiu em si e correu em direção ao seu phaser, mas ela entrou em seu caminho.

- O que é você?- Ele disse calmamente.

- Eu sou o que você quiser, qualquer coisa que desejar. -

Ela se parecia muito com Diana mas não era Diana.

- Computador analise. -

- DADOS INSUFICIENTES. -

D'Angelis sacou um tricorder de sua mesa em um gesto rápido amaldiçoando os sensores da nave.

- Olhou para os dados e constatou forma plasmática de energia.

- O que você quer de mim? -

- Eu não quero nada. É você que me quer - A voz dela era tal e qual de Diana, mas não era ela.

-Suma!- Ele se concentrou e fechou os olhos. - Suma! -

Quando abriu os olhos estava só no aposento. Sentou na beira da cama e soltou...

- Registrou isso ! -

O computador repetiu um sonoro.

- DADOS INSUFICIENTES. -

- Merda!!! -

****

Diana fechou os olhos, tentou não pensar em nada ou pelo menos pensar em coisas boas, se virou de lado e pensou em lugares calmos pouco a pouco foi relaxando, abriu os olhos devagar...uma escuridão a tinha envolvido, tudo estava parado sem som algum, não se importou com a escuridão algo lhe envolvia algo que a deixava em segurança não sabia ao certo o que era mas sabia que não precisava se preocupar.

- Não se lembra mais de mim? -

Diana virou para a esquerda e instantaneamente lembrou daquela voz era Adam, mas como podia ser? Adam estava morto há anos.

O toque suave das mãos dele a enchiam de segurança como sempre havia sido, podia se entregar a ele de corpo e alma, confiar inteiramente em seus movimentos, pois ele sempre a protegia a amava como nenhum outro a amou.

- Você veio... -

- Eu sempre estive aqui. - Diana respondeu -

- Senti sua falta. -

- Eu sempre estou aqui. -

Diana encarou os olhos dele na escuridão seu cabelos tinham o mesmo cheiro suave de almíscar.

- Você veio...-

No fundo Diana sabia que isso não estava certo.

- Como você está aqui? -

- Isso não importa, agora sou seu novamente. -

- Como novamente?-

Diana o encarou agora séria, não podia aceitar aquilo, você está morto, morto...

E saiu correndo dali, saiu de seu alojamento pela porta de acesso ao corredor, mas ela não abria.

- Deixe eu sair - Ela se desesperou.

- Deixe eu sair! - A porta abriu e ela estava em uma ponte de comando de uma nave em chamas, tudo destruído a nave deu uma guinada para estibordo e ela se agarrou no parapeito da ala de comando.

Paul Adam Mckenzie estava na poltrona central.

- Fogo! -

- Escudos a 40% capitão -

- Armar torpedos fotônicos -

- Nave Romulana se aproximando . - Diana viu ela própria com uniforme de primeira-oficial, achou tudo tão real mas se ela assistia a tudo como podia ter outra dela na ponte. Uma fiação partiu perto de sua coxa e as faíscas irradiaram-se aleatoriamente.

Melrik de seu posto continuava.

- Aproximação em 10 segundos.-

- Torpedos fogo ! -

- Estamos próximos demais preparar para impacto. - Diana falou séria quando Adam a encarou como lhe dizendo. enfim morreremos juntos...

A nave estremeceu e tudo ficou escuro, as faíscas continuavam e um cheiro de fumaça tomou conta do ar. Tudo ficou inoperante. Diana viu a outra Diana fazendo massagens cardíacas no Capitão, tentando fazer Adam voltar mas foi inútil.

- Não! -

Diana entrou no banheiro depois de ter forçado a entrada sem sucesso sua testa estava suada, olhou para o espelho e viu seus olhos assustados, respirou fundo e pediu um copo de água para o processador, já era a terceira vez agora foi mais real do que nunca, bebeu a água devagar o copo escapuliu de suas mãos e se chocou contra o chão quebrando.

- Droga! -

Olhou para sua camisola branca que ficava no comprimento da coxa e notou o tecido queimado sua pela tinha sido chamuscada com algo e o ferimento ardia...

Ela saiu do banheiro e se recompôs um pouco sentou em uma poltrona meditando sobre o ocorrido, era muito mais do que um pesadelo era uma alucinação, ficou com medo pois só pensava que estava sendo vítima de uma forma de histeria espacial.

- Diana para Melrik -

- MELRIK FALANDO. -

- Preciso falar com você agora, estava dormindo? -

- NÃO CONSIGO DORMIR, ESTOU A CAMINHO. -

****

Düff recostou seu corpo na poltrona do alojamento, Sarah tinha saído há alguns minutos, sabia que os poderes precognitivos de Sarah não podiam ser subestimados e que sua alta PES não a deixava desguarnecida em situações de profunda concentração por isso ainda não entendia por que Sarah também relatou sonhos estranhos? Sabia que a vulcana tinha treinado suas barreiras mentais e mesmo em sono profundo dificilmente alguém conseguiria interferir em seus pensamentos lógicos.

Um sonho tão real como uma alucinação... . Foram suas palavras.

Há dias Düff tentava entender todos aqueles relatos alguns falavam de noites mal dormidas e pesadelos desagradáveis, outros falavam de sonhos prazerosos e muito reais, apesar do contraste um padrão noturno estava se formando. Ele mesmo tinha passado por uma péssima noite mau dormida com pesadelos, mas eram coisas normais e não deu tanta importância para aquelas lembranças do passado, fragmentos alojados em seu subconsciente, talvez fosse algo que a própria Sarah tinha projetado sobre ele já que o relato dela era muito parecido com o seu.

Decidiu antes de adormecer que falaria com a capitã extra-oficialmente não podia fazer suposições sem ter certeza, mas podia jurar que tudo isso era culpa do planeta. Talvez estivesse dando importância demais aos relatórios enviados pela Frota Estelar, mas não queria acreditar que a tripulação da Atlantis estivesse passando por uma espécie de histeria coletiva, isso seria desastroso.

Hans apagou seu sono veio rápido e seguiu o padrão REM, em sua mente uma enorme floresta de pepinos estava a sua frente pareciam pepinos em conserva, entre eles havia pouco espaço e um pântano se formava tomando todas as direções seus pés afundavam na lama mas ele continuou a andar para a floresta estava carregando um rifle phaser mas não tinha idéia em quem ou no que atirar, ouviu o som de destruição atrás da floresta de pepinos, depois do charco onde se encontrava uma cidade toda de pedra estava sendo saqueada por criaturas humanóides que possuíam uma pele estranha que parecia recoberta de minério e algumas lascas de quartzo que brilhavam sobre a luz difusa do sol que era coberto por poeira e fumaça, as criaturas não pareciam ligar para a presença dele ali, apenas continuavam a matar os humanos: mulheres, crianças e homens jogados por toda a parte mortos ou semimortos suas construções de pedra eram bem desenhadas, planas e lisas com encaixes imperceptíveis e cortes impecáveis, Düff não entendia por que não ajudava? Só ficava ali vendo as criaturas de Quartzo matando e saqueando e não fazia nada. Uma delas então o notou e veio em sua direção ele atirou com o rifle e ela não foi destruída continuando sobre ele...

Düff acordou meio zonzo, levantou devagar e ouviu um som abafado no chão do aposento, olhou para baixo e um rifle phaser estava lá encarou o objeto como se nunca o tivesse visto antes o tocou e era real, levou-o para cima da mesa e ficou temeroso a respeito dos grupos avançados que partiriam amanhã no segundo turno da nave.

Meditou por alguns instantes e decidiu sair com a arma, no corredor estava tudo normal, foi em direção à intendência falaria com Kenjiro para saber se alguma das armas havia sumido. Não conseguia entender como aquele phaser havia aparecido em seus aposentos.

****

Capítulo IV.

Tudo estava dando certo demais...

Ás 0700 Primeiro Turno.

A ponte era um burburinho só, o primeiro turno estava bem agitado naquele dia, Chayenne verificava seus comandos e suas ligações com os sensores da nave.

Jokovith estava ao lado dela verificando as conexões , Carlyle estava no posto tático da navegação enquanto Wiser trocava com ele informações sobre os sensores que estavam sendo verificados um a um. Melrik acompanhava os reparos verificando as mudanças e informações na tela do computador da estação de engenharia , os dados sobre o planeta já haviam sido compilados e uma cópia tinha sido inserida nos sistemas das naves auxiliares.

Gomes passou por Jokovith e ela não resistiu em fazer seus comentários felinos.

- Ganhou quanto ontem? - ela encarou os olhos castanhos e expressivos do engenheiro.

- S'Tamur ficou com meus créditos. -

- Romulanos...como se você não soubesse. - Chayenne sorriu.

- Por isso apostei nos hormônios da imediato. - Khya se aproximou deles.

- Ainda sim o Sr. Benrubi ganhou a maior parte da luta. -

- Será que a capitã está sabendo destas apostas? -

- Não duvido nada -

- Será que foi por isso que ela vai mandar os dois ao planeta? - Khya completou.

- Creio que não - Carlyle se meteu - ela ordenou que houvesse dois grupos em localizações eqüidistantes. -

- É uma boa solução. - Gomes sorriu - Assim eles não vão se pegar lá embaixo.-

- Pelo menos S'Tamur vai estar lá se correr outras apostas... - Jokovith falou divertida puxando a fiação do painel inferior da estação de comando.

Melrik não podia deixar de ouvir todos aqueles comentários e já se preocupar com o tipo de influência que o romulano estava desencadeando nos tripulantes da nave, Melrik sabia que não eram inocentes mas só precisavam de um estímulo para colocar seus instintos belicosos para fora e isso podia começar com simples apostas. Por outro lado notou que todos estavam bem falantes e isso era um bom sinal talvez a síndrome que suspeitava estava tomando conta da nave não tivesse afetado aquele grupo ali presente. Pensou no relato de Diana na noite anterior e tudo levava a crer que definitivamente alucinações estavam acometendo uma parte da tripulação e geralmente as pessoas que possuíam uma alta PES.

- Sr. Melrik, qual o grupo que o Sr. Vai? -

- Irei no grupo um sob comando da Imediato. -

Khya deu um suspiro.

- Boa sorte, então. -

- Sorte? - Melrik falou sem sentimentos. - Palavra bem incomum nestas circunstâncias. -

- Capitã na ponte - Ness entrou entregando os últimos relatórios para Diana.

Ela se aproximou do painel da engenharia.

- Tudo pronto para os testes? -

- Sim capitã - Gomes respondeu ao lado de Melrik.

- Aqui é O'Conell , vamos começar com os testes padrões. -

- ESTAMOS PRONTOS - A voz de D'Angelis soou no comunicador da poltrona. Diana se voltou para Ness.

- Ness se apronte para descer pode se apresentar para McKenna. -

- Claro capitã. - ele a encarou e saiu da ponte.

- O mesmo para você Melrik -

Ele meneou a cabeça positivamente e saiu junto de Ness. Os demais continuariam na ponte para testar os sensores da nave de longo alcance.

No hangar...

Roger vinha acompanhado da Tenente Milla Stauber, os dois vinham com o uniforme padrão com seus jaquetões e o equipamento manual.

Milla era uma mulher negra extremamente bela e quando ela entrou no hangar foi impossível para os técnicos, Joshua Benrubi e Santos não darem uma boa olhada para aquela mulher.

Benrubi sussurrou - Ah se eu fosse biólogo...-

Santos sorriu olhando para Milla - Concordo sem tirar nem pôr. -

Entraram na Asteca, onde S'Tamur instalava alguns equipamentos.

Sarah saiu de dentro da Atenas que estava perfilada com a Asteca.

- Tenente -

- Imediato - Roger sorriu ao vê-la.

- É o dia chegou, agora você vai satisfazer sua curiosidade. -

- Acho que eu estou mais curiosa do que ele imediato. - Milla sorriu.

- Sei que não devo admitir mas até eu estou um pouco curiosa sobre este planeta. - os três entraram. - coloquem todo o equipamento acoplado em seus nichos, não quero nada solto na reentrada. -

- Tudo bem - Roger começou a trabalhar com seu equipamento enquanto Milla verificava as últimas atualizações feitas por Sarah.

Melrik entrou e se aproximou do painel de controle.

- Imediato, trouxe os últimos resultados da bioquímica creio que a tenente Stauber está a par.

Stauber meneou a cabeça positivamente e Sarah não pode deixar de notar que Melrik parecia meio sombrio esta manhã.

- E Ness? -

- Está a caminho. - Melrik falou sem afetação.

- Espero que os sensores da nave funcionem afinal precisamos ser monitorados - Roger soltou

- Não se preocupe estaremos em contato de áudio com a nave e o grupo do Sr. Benrubi.-

- Se nada funcionar podemos mandar sinais de fumaça -

- Muito engenhoso Sr. Roger mas pouco eficiente. - Melrik falou do seu posto.

Sarah se voltou para a saída quando uma jovem de cabelos brancos e presos em forma de coque entrou apressada.

- Enfermeira Lar'Pal se apresentando Sra. - A jovem andoriana com o rosto delicado entrou apressada.

Sarah a observou sem sentimentos sem deixar de registrar em sua mente o atraso da enfermeira.

- Dr. Düff me liberou a poucos minutos atrás imediato. -

- Tudo bem , verifique seu equipamento e tome seu lugar. -

- Sim Sra. -

Enquanto isso Benrubi recebia seus último tripulante uma charmosa bióloga chamada Ingrid e o tenente cientista Mbwabo que ficava no comando do laboratório na ausência de Melrik. Ingrid deu um sorriso ao ver Santos o cumprimentando e Mbwabo acionou o painel de ciências com os dados mais recentes.

Benrubi cumprimentou os dois e sentou na cadeira do navegador ao lado de Santos.

- Aquele danado do Roger, agora já sei por que ele é exobiólogo.-

Santos sorriu...

Na ponte de comando...

Até agora os testes tinham sido satisfatórios e isso ajudou a tirar a sensação estranha que Diana tinha a respeito do planeta estar de alguma forma danificando os sensores de longo alcance da nave e mesmo os teletransportes.

- Estado de alerta 4 sondagem a longa distância - Khya avisou.

- Varredura dos sistemas de longo alcance - Gomes iniciou os procedimentos.

- Aumentando a órbita - Chayenne completou.

- Magnificação três na tela Khya. -

- Sim Capitã. -

- Bem, tudo calmo até agora. -

Jordan entrou na ponte olhou para Diana que observava a tela da ponte, as imagens estavam nítidas e mostravam uma grande área verde entrecortada por rios e lagos.

- Enviando sonda de telemetria. - O pequeno bólido foi disparado e seu risco cortou a tela indo em direção ao planeta. -

- Preparando rastreador subterrâneo -

Jordan se aproximou dela.

- Parece que está tudo em pleno funcionamento D'Angelis. -

- Isso é ótimo esses sensores me exauriram -

- E o teletransporte? -

- Em andamento. -

- Checando dados da sonda capitã. - Carlyle confirmava.

- E então Sr. Carlyle? -

- Dados idênticos aos dos sensores da nave. -

- Parabéns Jordan, você conseguiu. -

- Nossa equipe de engenheiros é excelente. -

- Tenho que concordar, mas você ainda está me devendo os teletransportes. -

- O entrego ainda hoje. -

Diana o encarou e percebeu que Jordan talvez não tivesse muito bem pois tinha uma aparência cansada, essa devia ser a sua própria aparência também afinal fazia dias que não dormia bem.

- Tudo bem, Srs. Foi um excelente trabalho. -

- Khya contate as docas. -

- Sim capitã. -

- Srs. As sondas de longo alcance da naves estão operantes preparem-se para deixar a nave.

- AQUI É MCKENNA, TODOS A POSTOS, GRUPO 1 PRONTO PARA PROCEDIMENTO PADRÃO. -

- BENRUBI GRUPO 2 A POSTOS E AGUARDANDO INSTRUÇÕES -

- Gomes preparar os procedimentos. -

- Sim Capitã. -

Na doca os últimos técnicos saíram da área , as luzes vermelhas começaram a assinalar a descompressão do hangar.

- Controle de sistema fechado acionado. - Chayenne disse de seu posto.

- Curso computado e transferido para naves auxiliares. - Wiser completou.

- Controle remoto da doca espacial travado -

As duas naves auxiliares continuavam perfiladas enquanto as portas do hangar se abriam lá em baixo o planeta verde esperava por eles.

A Asteca estava na frente e foi a primeira a acionar o motor de força de empuxo. Saindo da Atlantis.

- Ajuste de rota - Santos acionou alguns comandos enquanto Joshua refazia as coordenadas.

- Manobra de escape. -

A Atenas saiu logo em seguida Sarah ficou por uns momentos próxima a Asteca.

- Aqui é grupo 1 alterando coordenadas setor 38, 139o marco 45 a estibordo. -

Na ponte todos os procedimentos continuavam.

- Na tela Khya -

- Sim Capitã. -

- Mantendo contato visual -

A Asteca foi em direção oposta a da descida da Atenas as duas se alternaram entre o hemisfério sul e norte do planeta.

Na ponte todos viram as duas naves reentrando na atmosfera queimando uma fenda de energia alaranjada no rastro delas.

- Sensores de longo alcance em funcionamento. -

- Monitore os grupos. -

- Khya deixe freqüências abertas.

No Planeta...

Sarah e Ness começaram a seqüência de pouso, o local escolhido era uma planície verdejante com poucas árvores ao norte uma floresta se erguia e algumas montanhas ao sul resguardavam suas costas.

Enquanto isso no outro hemisfério Santos posicionava a Asteca em uma colina árida, porém há um quilometro deles uma vegetação rasteira começava sendo intercalada por árvores esparsas e montanhas pedregosas. Ao longe uma floresta se formava.

- Grupo um para Atlantis -

- ATLANTIS NA ESCUTA. -

- Pousamos nas coordenadas começaremos os procedimentos padrões. -

- TUDO BEM MCKENNA, BOA SORTE.-

- Obrigada, grupo um desliga. -

Joshua acionou o comunicador.

- Grupo dois nas coordenadas estabelecidas inicializaremos procedimentos padrões -

AQUI É A ATLANTIS, BOA SORTE BENRUBI, CONTATOS DE 1 EM 1 HORA. -

- Recebido e entendido, desligando. -

****

Diana acompanhava os padrões luminosos dos sensores da nave, até aquele momento tudo estava em perfeita ordem, os grupos avançados prosseguiam em sua missão , colhendo informações e averiguando os dados das sondas telemétricas comparando os dados anteriores.

- DUFF PARA PONTE -

- Fale Dr. -

- PRECISO VÊ- LA IMEDIATAMENTE. -

- Estou a caminho. -

- Continue com a monitoração e me informe qualquer mudança. -

- Sim capitã. -

- Estarei na enfermaria. -

Diana saiu e entrou no elevador.

- Convés 14 -

O elevador acionou seus mecanismos e abriu suas portas no convés da enfermaria.

O corredor estava com o tráfego normal de tripulantes, a luz do alerta amarelo continuava a assinalar que a nave estava em prontidão e lembrava também que os grupos avançados estavam em missão no planeta.

As portas da enfermaria se abriram. Diana cumprimentou Dickens que passou por ela rapidamente com uma pilha de disquetes.

Düff saiu de seu gabinete e foi em direção de Diana.

- Capitã. -

- Dr. -

Diana sorriu - Por que essa informalidade toda Hans? - Diana se aproximou dele falando calmamente.

Ele sorriu e a acompanhou até o gabinete. - Porque vou lhe falar algo que está me tirando o sono e não sei se dessa vez estou exagerando. -

- Você exagerando? Você nunca foi de exageros Hans, pelo menos quando o assunto é sério -

Diana sentou-se de frente para a mesa enquanto Düff ligou sua tela e a posicionou de modo que os dois pudessem observá-la.

- Como vai seu sono? -

- É uma pergunta muito incomum para se iniciar uma conversa. -

- Insisto na pergunta -

- Há alguns dias não durmo bem, para dizer a verdade prefiro ficar bem acordada. -

- Pesadelos e alucinações. -

- Como sabe doutor? - Ela disse cinicamente.

- Por que sou médico e tenho de saber tudo que ocorre nessa nave e por mais estranho que pareça Diana você não é única a passar por este evento nestes últimos dias. -

- Muita gente tem pesadelos... -

- Quero te mostrar algo. -

Na tela do computador um gráfico colorido apareceu, logo em seguida os padrões de cores iam mudando entre os itens: padrões de sono, horas de sono, causas da insônia e possíveis alucinações.

- As maiores reclamações são a respeito de alucinações. -

- O que isso quer dizer? - Diana disse apreensiva. - Sei que estamos há seis meses no espaço passamos por uma prova de fogo esses meses, carregamos um romulano na nave e não podemos passar mais que duas semanas em uma base, sem falar nessa missão quer recebemos. -

- Sempre receberemos missões. -

- Os relatórios da Frota me deixam muito preocupada. - Ela finalmente chegou ao ponto que a afligia.

- Você está temendo o mesmo que eu . -

- Talvez sim, mas não quero pensar em histeria coletiva. -

- Talvez seja isso mesmo, não uma histeria comum, mas uma com padrões diferenciados já que afeta as pessoas de maneira diferente. Todos falam de pesadelos ou de alucinações como se mensagens do subconsciente fossem colocadas para fora e os sonhos são um bom veículo para isso, ainda mais a noite quando nosso metabolismo está mais lento. - Düff continuou - é como se estivéssemos com sede e sonhássemos com água , por mais água que você beba no sonho, sua sede nunca acaba. O pior disso tudo é que a água aparece depois que o sonho acaba... - Ele disse taciturno.

Diana se levantou e começou a abrir sua jaqueta de comando, abriu a calça comprida e a baixou até os joelhos.

Düff a observou achando aquilo estranho mas como tudo que Diana fazia tinha alguma lógica esperou para ver o que ela diria, suas pernas eram muito bonitas e Düff não pode deixar de notar a lingerie que ela usava. Usou seu ar profissional e esperou.

- Veja isso! -

Diana mostrou a lateral da coxa direita, onde uma marca estava em processo de cicatrização, era uma leve queimadura.

- Andou brincando com fogo? -

- Essa queimadura apareceu aí depois de uma de minhas alucinações ou pesadelo sei lá.

Düff se aproximou com o sensor médico.

- Está em fase de cicatrização -

- Não é uma queimadura grave, mas isso prova que o subconsciente não tem nada haver com isso, ou o seu é poderoso demais para causar esse dano físico. -

Diana colocou novamente seu uniforme como se não o houvesse tirado.

- E então Dr. -

- Não sei o que dizer, mas...- Ele fez uma pausa sem contar a Diana o que tinha ocorrido com ele mesmo - Creio que o planeta ou algo nele, algo sobrenatural está agindo aqui. -

Diana o encarou.

- Não tem nada para me dizer? -

- Não me olhe assim Diana sei que parece loucura. -

- Kenjiro me disse que você andava por aí com um rifle phaser... -

- As notícias voam por aqui. -

- É minha obrigação saber de tudo que acontece nessa nave Dr. - ela disse cínica.

- Não use minhas frases, Diana. Posso dizer que talvez tenha passado o mesmo que você passou, felizmente não atirei em ninguém. -

- O que Sarah acha disso. -

- Eu falei com ela e concordamos , mas não temos resposta para este tipo de acontecimento como objetos se materializando e queimaduras aparecendo do nada, creio que a resposta está no planeta. O que foi? -

Diana olhou para o nada pensativa. - Eu estava pensando que é a segunda vez que ouço esse termo: Sobrenatural... -

****

Capítulo V.

O primeira perda é sempre a pior...

D'Angelis acionou o mecanismo a sua frente, já era a quinta tentativa de ajustar os compensadores de Heisenberg, os Dopplers já tinham mostrado um bom resultado, porém o perigo agora era a falta de agrupamento das moléculas, Jokovith parecia exausta ao lado de Simons que operava o teletransporte.

- Focalizar. -

- Coordenadas ajustadas. -

- Acionar. -

O teletransporte começou a agir e dois tambores de alumínio se materializaram nas telas de transmissão.

Jokovith se aproximou dos artefatos com seu tricorder.

- Integridade em 100% Sr. -

- Bem acho que enfim conseguimos. -

- Ufa! Já não era sem tempo. -

- Eu vou subir na plataforma. Me teletransporte para a engenharia -

- Mas Senhor. -

- Vamos Simons não confia em seu engenheiro-chefe? -

D'Angelis subiu na plataforma.

- Acionar! -

O corpo dele sumiu. Simons e Jokovith esperaram alguns segundos.

- Jokovith para D'Angelis, Sr. está me ouvindo? -

Silêncio no comunicador.

- Sr. ! Está me ouvindo? -

O comunicador continuou em silêncio. - Computador localizar Engenheiro-chefe Jordan D'Angelis. -

- OFICIAL JORDAN D'ANGELIS NÃO SE ENCONTRA NA NAVE -

- Meu Deus - Simons olhou estarrecido para Faye.

- Faye Jokovith para tenente Wilson -

- AQUI É CHEFE WILSON , FALE MOCINHA -

- Estou comunicando o desaparecimento do Oficial Jordan D'Angelis. -

- COMO?!!! -

****

Melrik fez uma análise espectrográfica de longo alcance do local que se encontrava, notou algumas flutuações de energia no gráfico mas nada que fugisse dos padrões normais, o que o intrigava naquele momento era sentir uma presença em torno dele, algo pulsando, uma sensação de estar acompanhado de algo mais além dos membros do grupo avançado.

Um lago sereno margeado de lindas árvores estava a sua frente um lugar calmo e extremamente perfeito, aves coloridas estavam nas árvores e emitiam um som relaxante, samambaias se espalhavam pelo chão e flores exóticas completavam aquele quadro bucólico. Roger tinha ficado admirado com o local sem deixar por um momento sequer de expressar suas exclamações de contentamento sobre a vegetação do local e os animais descobertos. Agora ele estava ao norte dali observando uma estranha colina que lhe parecia familiar. Melrik olhou Lar'Pal e Ness que vinham acompanhados de Sarah.

Ness parecia muito entusiasmado e trazia no rosto um sorriso aberto, Melrik ainda pode ouvir quando Sarah deu instruções aos dois para colher dados sobre a composição do solo.

Sarah se aproximou de Melrik notando certa apreensão no vulcano.

- Alguma modificação nos dados? -

- Até agora o padrão continua o mesmo, nenhuma oscilação significante nos campos magnéticos. -

Sarah olhou para as árvores achando elas reconfortantes, balançando ao sabor do vento que era refrescante. Um verdadeiro paraíso ela pensou consigo mesmo.

- Você sentiu isso ? -

- Isso? - ele repetiu encarando-a.

- Essa presença Melrik. -

Ele ponderou sobre a resposta afinal não foi apenas ele que percebeu.

- Sim, está por toda parte nos cercando. -

- Atribuo isso a nossa alta PES, mas posteriormente vou trocar impressões com o resto do grupo. -

- Você crê que isso seja sensato? Afinal até agora só trabalho com suposições. -

- Quero descobrir o que é isso e para tanto devo colocar a todos minha impressão -

- Terei o maior prazer em colaborar -

- Ótimo. -

Melrik só não disse que sentia essa presença há tempos, mesmo dentro da Atlantis.

****

O grupo dois havia dado início aos procedimentos padrões há algumas horas, Ingrid acompanhada de Mbwabo analisavam a região com seus equipamentos, já tinham deixado para trás a região mais árida e agora estavam próximos a um grande pântano ladeado por uma intrigante floresta de árvores que se assemelhavam com pepinos em conserva gigantes, o pântano era traiçoeiro mas com ajuda do tricorder eles sabiam muito bem onde deviam pisar, animais parecidos com porcos do mato corriam aleatoriamente entre os pepinos se afastando da presença deles.

O enfermeiro Calaham acompanhava S'Tamur e Santos em outro setor este mais pedregoso e árido, as pequenas colinas que eles subiam eram bem cansativas mas não de todo difíceis de subir, pedras de aparência estranha se aglomeravam formando um buquê no chão, segundo o tricorder eram plantas e não pedras, mas aos olhos deles não passavam de pedras. S'Tamur olhou o horizonte achando aquele cenário muito pitoresco, abaixo deles corria uma planície árida entrecortada ali e aqui de arbustos e animais rasteiros, pedras maiores pareciam animais grotescos com suas formas estranhas. Ao longe uma cadeia de montanhas começava, quando virou para trás visualizou ao longe a nave auxiliar e a estranha vegetação a qual Ingrid e Mbwabo se encontravam agora.

Santos vinha subindo a colina.

- E então como é a vista daí de cima? -

- Muito estranha...-

Santos ficou ao seu lado - Nossa isso aqui parece o deserto de Piris IX. -

- Agora olhe para trás - S'Tamur virou.

- Agora isso parece a Floresta Amazônica. -

- Muito estranho não... -

- Do que vocês estão falando? - Calaham os indagou quando chegou ao topo.

- Nada só estamos admirando a paisagem. -

- Isso parece um sonho que tive... - Calaham disse olhando para o deserto com as grandes pedras que lembravam animais. - Só que no meu sonho as pedras se mexiam... -

Os três desceram a colina em direção das grandes pedras...

- Só espero que elas não tenham a idéia de se mexer logo agora... - Santos retrucou.

Joshua checava os sensores da nave.

- Joshua para imediato. -

- AQUI É MCKENNA NA ESCUTA -

- Até agora os dados batem com os da sonda, vamos começar o procedimento de rastreamento por possíveis formas de vida inteligente. -

- TUDO BEM, AQUI O PROCEDIMENTO SERÁ O MESMO.-

- Joshua desliga! -

Desde que saíram da nave Sarah optou pelo padrão da indiferença e Joshua gostou disso, afinal, estava até começando a entender melhor aquela adorável vulcana, sabia disso agora algo tinha sido revelado a ele naquela disputa do dia anterior não sabia ao certo o que era ou o que significava nem sabia se era apenas a sua mente inventando coisas, mas pode perceber que até mesmo Sarah tinha suas fraquezas.

****

Diana em um ato nada profissional suspirou e sentou-se na plataforma do teletransporte, Carlyle, Gomes, Jokovith e Simons estavam de pé a observando.

- Quanto tempo uma pessoa pode ficar viva dentro do Buffer Doppler? - ela olhou para os quatro meio desanimada.

- Capitã, há poucos estudos a respeito, o que existe são apenas teorias que falam , estipulam, oito horas de vida ou décadas dependendo da situação - Carlyle disse apreensivo.

- Ninguém sabe ao certo Capitã. - Gomes se aproximou do painel. - Segundo o painel ele pode ter sido teletransportado para qualquer local. -

- Mas os computadores não indicam com certeza. - Simons retrucou.

Jokovith se sentou na plataforma ao lado de Diana.

- Podemos considerar que ele tenha ido para o planeta, já que não se encontra na nave. -

- Já ponderei sobre isso, apesar dele estar com o comunicador até agora não o encontramos os sensores só registram os grupos avançados. -

- Capitã, é provável que esta anomalia magnética que estamos procurando e suas flutuações, se ela existir mesmo, afetam de tal modo nossos sensores e nosso teletransporte que aqui na nave acabamos recebendo informações duvidosas. - Gomes encostou seu corpo com belas feições descontraidamente no painel de controle.

Carlyle retrucou - Improvável os sensores estão em pleno funcionamento. -

- Não espere - Diana se levantou - O que Gomes disse tem fundamento - Simons e Jokovith que estavam sentados se levantaram também.

- Os sensores podem estar perfeitos mas algo esconde os fatos de nós, algo no planeta.- Diana completou.

- Um planeta sem formas de vida, se me permite dizer capitã. - Carlyle continuou.

- Talvez formas de vidas desconhecidas ainda para nossos equipamentos, lembre-se os computadores só procuram o que foram ensinados a procurar. -

- Isso explicaria os relatórios de campo magnético anômalos ,mas mesmo assim eles eram de pequeno alcance nunca chegariam a nave - Carlyle falou.

- Certo de pequeno alcance mas este dado está sendo averiguado neste instante pelos grupos avançados, imagine se fossem de longo alcance isso explicaria muita coisa, mas reconheço que mesmo assim ainda não solucionaria o caso de D'Angelis. - Diana os encarou. - Srs. Continuem trabalhando no teletransporte, caso haja necessidade de utiliza-lo preciso deles operacionais. Gomes trabalhe junto com Abramovich e Simons nos compensadores e buffers. Carlyle faça uma averiguação padrão dos sensores da nave teste tudo de novo se for o caso.

- Sim capitã. -

Diana foi em direção a ponte era hora de comunicar o sumiço de D'Angelis aos grupos e esperar que eles o encontrassem no planeta.

****

Jordan acordou sobressaltado teve outro pesadelo, agora com seu filho Giâcomo, ficou apreensivo e se lembrou que sua ex-mulher há tempos não mandava notícias. Notou que estava em um aposento sem janelas ou orifícios e uma luz fraca e amarela banhava o ambiente, a luz convergia para o centro do teto mas não conseguiu identificar nenhum dispositivo emissor de luz. Seus olhos se adaptaram melhor àquele ambiente, estava sobre um catre no centro do aposento em forma redonda, notara que o teto era abaulado em forma convexa as paredes eram de pedra e cristais de quartzo criavam faíscas de luzes em contato com a luz amarela. Certamente havia algum orifício camuflado ali pois ainda estava respirando e o ar tinha que entrar por algum lugar, levantou-se e acionou seu comunicador de lapela.

- Aqui e D'Angelis para a Atlantis -

Nada aconteceu. - Atlantis responda - Nenhum som.

Em um gesto instintivo pela procura da liberdade começou a tatear a parede, ela era realmente de pedra, logo se acostumou com o toque frio e áspero que ela produzia o aposento tinha cerca de três metros de altura por oito de diâmetro, não era muita coisa, mas também não se sentiu apertado.

- É inútil humano. - Uma voz de homem em forma de barítono pareceu sair das pedras. Jordan se afastou da parede e olhou para cima procurando a origem da voz onipresente. - Quem é você? -

- É inútil tentar sair. - Você só vai sair se assim nos desejarmos. -

- Quem são nós? -

- Você foi escolhido por nós - outra voz masculina em um timbre mais agudo entrou na conversa.

- Não olhe para a parede ou para o teto, nós não somos eles não somos corpóreos e não nos sinta como deuses os da sua espécie acham que tudo que não tem forma são deuses. -

- Foram vocês que apareceram para mim há um dia atrás -

- Não ! -

- O que querem de mim? -

- Apenas seu auxílio. -

- Para que? -

- Tudo ao seu tempo humano -

- Não colaborarei enquanto estiver preso -

- Não pretendemos feri-lo ou mantê-lo preso, estamos protegendo você .

- Me libertem , me protegendo do quê?-

- Não você pode ser afetado pelos outros -

- Que outros? -

- Os Seres Iniciais. -

****

Capítulo VI.

Seres Iniciais?

S'Tamur olhou para seu tricorder e não entendeu o que estava acontecendo, verificou se o equipamento estava mesmo funcionando mas ele não demonstrou nenhum defeito, algo estava errado, onde deveria ter um campo de força não havia nada, mas seu equipamento continuava a assinalar a presença de uma extensa redoma depois da floresta de pedras animalescas. Santos vinha logo atrás dele acompanhado de Calaham ambos tinham captado a mesma redoma.

- Olhem isso aqui! -

S'Tamur comparou seu equipamento com os demais. - Vejam -

- Já estou captando ele há cerca de cem metros mas pensei que fosse mau funcionamento.

- É aqui - S'Tamur cruzou o local onde supostamente existia o campo de força e nada aconteceu -

- Aqui é Santos para Benrubi -

- AQUI É BENRUBI.-

- Encontramos uma anomalia magnética no setor 29.4 de nosso perímetro. -

- ENTENDIDO, ESTOU A CAMINHO, JOSHUA DESLIGA. -

****

Ness estava muito entusiasmado com o lugar, uma beleza cálida e reconfortante era isso que vinha pensando enquanto registrava todas as formas de vida vegetal possíveis em seu tricorder, Lar'Pal vinha logo atrás dele e movia suas antenas para todos os lados afim de captar melhor as sensações do local. Ness continuou sua catalogação, parou por um instante próximo a uma pedra na beira do lago e olhou para outra margem de forma muito estranha.

- O que houve? - Lar'Pal estacou no meio do caminho e observou o alferes ressabiada - Você está bem? -

Ness piscou rapidamente e a encarou. - Podia jurar que já estive neste lugar. -

- Isso é normal. Vocês terráqueos associam as imagens, talvez haja algo assim em seu subconsciente e você fez uma associação. -

- Não é uma associação, podia jurar que já vim aqui. -

- O lugar é bonito, mas creio que você nunca esteve aqui antes. -

Ness se virou para ela com um ar meio sem graça lembrando do seu sonho da noite anterior.

- Talvez seja coincidência mesmo, vamos! -

****

Sarah olhou para Melrik que conversava com Roger e Stauber e ficou pensativa por alguns segundos, acabara de receber o comunicado de Diana a respeito do sumiço de D'Angelis, se ele não estava desintegrado no processo do teletransporte só podia estar no planeta, isso era uma hipótese bem lógica, mas onde ele estaria?

- Então Srs. Já acabaram a verificação aqui? -

- Sim, tudo catalogado. Estamos esperando Ness e Lar'Pal mas parece que eles se envolveram com o cenário estão atrasados alguns minutos. -

- Se eles não chegarem em cinco minutos vamos a procura deles. -

- O que houve Sarah ? não se preocupe, eles estão bem. - Roger sorriu - Esse lugar é tão bonito que eu podia ficar muito feliz de me perder por aí. -

- Houve um problema na Atlantis e tenho que reunir a todos . -

Roger e os demais a encararam esperando uma reposta.

- D'Angelis sumiu. -

- Como assim ele sumiu ? - Stauber indagou.

- Tudo indica que ele esteja no planeta, mas os sensores não captaram nada além de nós, temos que formar grupos e procurar por algo fora do comum. -

- Há muita coisa fora do comum por aqui. - Melrik respondeu.

- Tenho ciência disso Melrik, mas ainda sim nem tudo foi descoberto. -

****

Joshua chegou no ponto onde o último comunicado de Santos tinha sido emitido, mas não havia ninguém por lá.

- Benrubi para Santos, responda! -

O silêncio era desesperador no comunicador de lapela.

- Mas que brincadeira é essa? - Joshua apertou o mecanismo novamente - Joshua para Santos! -

- Joshua para Ingrid! -

- AQUI É INGRID -

- Reúna todo o equipamento e siga para a Asteca encontre-se comigo no setor 14, marco 39 , vamos sofrer uma mudança nos planos. -

- SIM SR. -

Joshua olhou para Mbwabo e notou que o cientista captara algo fora do comum em seu tricorder.

- Acho que encontrei Benrubi -

- Mantenha o rastro, vou falar com a Imediato. -

- Joshua para Sarah. -

- AQUI FALA MCKENNA. -

- S'Tamur, Santos e Calaham, sumiram. -

- ESTÁ CERTO DISSO?-

- Claro acha que chamaria se não tivesse? - Ele disse já sem paciência.

- ENTÃO NÃO FORAM OS ÚNICOS -

- Como assim? -

- D'ANGELIS ESTÁ SUMIDO TAMBÉM , VOU REUNIR O GRUPO E PARTIREMOS PARA SEU SETOR. -

- Tudo bem Joshua desliga! -

Joshua se aproximou de Mbwabo.

- Estão aqui, mas não estão...uma espécie de campo temporal ou dimensional ou algo que sinceramente está nos enganando. -

- Bem vou ter que comunicar a Atlantis, espero que consiga. -

****

- Sr. Mensagem da Atenas -

- Passe! -

- AQUI É MCKENNA, CAPITÃ ESTAMOS INDO NOS ENCONTRAR COM O GRUPO DOIS, RECEIO EM RELATAR QUE HOUVE MAIS TRÊS DESAPARECIMENTOS, S'TAMUR, SANTOS E CALAHAM, APARENTEMENTE FAZIAM AVERIGUAÇÕES EM UM CAMPO DE FORÇA , O PRIMEIRO POSITIVAMENTE IDENTIFICADO NO PLANETA, COMO SENDO A ANOMALIA MAGNÉTICA DESCRITA NOS RELATÓRIOS DA FROTA. JOSHUA SE REUNIRÁ A NÓS E PARTIREMOS A PROCURA DOS DEMAIS. -

- McKenna, mantenha o número mínimo de pessoas aí com você, mande de volta a Atenas com o pessoal excedente não quero mais desaparecimentos. -

- McKenna...-

- As comunicações foram interrompidas Sra. -

- Magnifique ! -

- Impossível capitã. -

- Que palhaçada é essa, Merda!!! -

Todos a olharam

- Que foi não posso praguejar de vez em quando? Todos aos seus postos. Alerta vermelho, definitivamente há algo nesse maldito planeta -

Khya apertava mais e mais os comandos na esperança de fazer contato com o pessoal do planeta mas foi impossível.

- Ainda estamos com eles nos sensores capitã - Chayenne disse de seu posto.

- Ótimo monitore eles não os perca de vista. -

- Sim capitã. -

- O'Conell para Düff. -

- AQUI É DÜFF, CAPITÃ. -

- Venha imediatamente para ponte preciso falar com você. -

- SIM A CAMINHO. -

- Capitã. -

- Fale Chayenne. -

- Acabo de perdê-los. -

No planeta...

Jordan já estava sozinho há quase quatro horas e pensou que os tais seres o tinham esquecido quando duas luzes fracas envoltas em uma nuvem de brumas apareceram na sua frente, as paredes anteriormente de pedra deram lugar a uma paisagem bucólica com um lago e árvores exóticas balançando, um lugar aprazível se não fosse sua situação atual. Já tinha tentado vários contatos com a Atlantis mas alguma interferência ou campo de força estava impedindo seu intento.

- Assim você se sente melhor? -

- Pelo jeito vou ter que ficar por aqui mesmo. -

As luzes fracas aumentavam e diminuíam a intensidade a medida que os seres falavam.

- Como vê... Nós não podemos assumir a forma corpórea como você a conhece. -

- Estou percebendo agora, me respondam que eu prometo ouvir e ajudar de alguma forma. -

- O que são vocês -

- Nós somos os Zeladores, nossa raça não é deste planeta, nós obedecemos os mestres que nos incumbiram de guardar os Seres Iniciais neste planeta. -

- Isso aqui é uma prisão e vocês são os carcereiros. -

- Em seu modo simples de pensar sim. -

- Você apesar de humano possuí uma coisa essencial para nós. Sua mente, precisamos dela para controlar os Seres Iniciais. -

- Em todos os testes que fiz minha mente nunca foi muito expressiva. -

- Você ainda não sabe não a descobriu, nós vamos revelá-la para você, em troca nos ajudará. -

- As coisas não são simples assim tenho responsabilidades com minha nave. -

- Sua nave não é a primeira atraída pelos Seres Iniciais, sabemos que sua raça possui fácil adaptação mas não imaginávamos que vocês progredissem tão rápido, de todos que sondamos você se mostrou o mais acessível. -

- O que vocês farão a nave? -

- Quando os mestres chegarem eles decidirão. -

- Não fique preocupado, os mestres vão saber o que fazer. -

- Tanto é que ainda não chegaram e deixaram vocês sozinhos. -

- Não é culpa deles, nesses anos os Seres Iniciais aumentaram seu poder e nos agora temos pouco tempo você será nosso substituto até que os mestres cheguem. -

- Por que os Seres Iniciais tem que ser controlados? -

- Eles desencadeiam coisas imprevisíveis suas mentes entram em outras mentes talvez você tenha recebido a visita deles. No estado que se encontram necessitam de muitas mentes para se satisfazerem -

- Talvez...- Jordan se levantou - Talvez vocês sejam os Seres Iniciais e estão brincando comigo e talvez vocês ponham a nave em perigo. -

- Não brinque conosco ainda temos algum poder. -

- Nós estamos usando nossas últimas energias para mantê-lo em um campo nulo, por isso você não consegue se comunicar com seus iguais. -

- E os meus iguais como ficam? -

- Infelizmente não podemos proteger a todos. - Agora não mais. -

****

Santos acordou estava deitado na relva verde, um local muito diferente da onde se encontrava ou se lembrava ter estado. Sentou-se devagar e notou que seus equipamentos já não estavam com ele, S'Tamur e Calaham também não estavam mais lá, levantou-se rapidamente e sentiu uma leve tontura mas aos poucos ela foi embora, a primeira coisa que ouviu foi som de gente, achou muito estranho pois sabia que o planeta era desabitado, foi em direção ao som, algumas árvores parecidas com ipês floridos estavam em seu caminho e desviava delas passando por samambaias e outras plantas silvestres, o céu era de um tom azul turquesa bem diferente do céu que vira primeiramente no planeta.

Estava de fronte para uma cerca e logo a sua frente uma cidade se erguia, uma praça com uma feira e pessoas, humanos passeavam para todos os lados, alguns carregando sacolas e outros negociando mercadorias, crianças e adultos agindo normalmente como em qualquer cidade, mas aquela cidade era algo que ele já conhecera era uma cidade do Brasil um bairro no qual já havia morado, pulou a cerca e foi em direção as pessoas que não o notavam e ouviu nitidamente a língua a qual falavam era o português o bom e velho idioma da terra natal, não estava entendo aquela situação, mas tinha convicção que tudo aquilo era uma alucinação, não podia ser real de forma alguma.

- Você veio! - Uma mulher extremamente bela vestida de bermuda e camiseta veio em sua direção.

- Como assim eu vim? - Que lugar e este? -

Ele a encarou mas não a reconhecia de lugar algum, seus olhos castanhos pareciam penetrar em sua mente.

- Eu posso ser o que você quiser. - E ela deu uma gargalhada quase malévola.

Santos não conseguia se mover, mas sabia que corria perigo, tudo em volta começou a girar.

- Sua mente é tão vulnerável... - A mulher o encarava sorrindo sugando seus pensamentos.

- Não...Não - Ele caiu no chão e tudo escureceu em sua volta.

- Santos!...Santos!... - Ele ouviu ao longe a voz de S'Tamur.

- Acorde! mantenha a consciência. - S'Tamur era o rosto que ele via agora.

- O que houve eu jurava que estava em algum lugar...-

- Eu sei... também passei por isso eu estava em Romulos, mas acordei e estamos neste local era tudo uma ilusão. -

- Onde está Calaham? - Santos se levantou e começou a colocar as idéias no lugar, teve medo de ter revelado sua verdadeira natureza a S'Tamur, mas parece que apesar de ter sofrido momentaneamente os efeitos alucinógenos daquele lugar não tinha revelado ao romulano que sua missão era vigiá-lo -

- Calaham sumiu, até agora não o encontrei, creio que como entramos em momentos diferentes no campo magnético ou sei lá o que é isso. Fomos parar em locais diferentes em tempos diferentes. -

- Isso tem lógica. - Santos o encarou, agora estavam na beira de um precipício e só neste momento Santos se deu conta que mais um pouco estaria lá embaixo morto. - Obrigada por me salvar...-

Os dois olharam para o abismo. - De nada você teria feito o mesmo por mim. - S'Tamur o encarou.

- Vamos procurar por Calaham e descobrir quem ou o que está brincando conosco. - Santos disse convicto.

Na Atlantis...

- Vou descer ao planeta e dar um fim nisso. -

- Você está brincando? - Hans a encarou - Quem você vai deixar no comando? Seus oficiais mais graduados estão no planeta ou desaparecidos. -

- Tenho que descobrir o que houve e dar um fim nisso. -

- Não seja teimosa, temos que tentar achá-los daqui da nave e se outro desaparecimento acontecer? -

- O desaparecimento de D'Angelis não foi ao acaso. -

- Como assim? -

- Andei verificando a ficha dele, ele tem algumas qualidades e talvez seja isso que propiciou o desaparecimento dele. -

- Que ficha é essa que você viu e eu como médico não tenho acesso. -

- Por isso mesmo eu sou a Capitã e você é o médico, tenho algumas regalias Dr. -

- Então acabe com minha curiosidade, eu como você quero dar um fim nisso, os relatos de alucinação aumentaram muita gente anda vendo coisas estranhas na nave, e você sabe que isso pode afetar os procedimentos de todos aqui fazendo que alguém acabe apertando um botão errado ou dando o comando errado. -

Diana se sentou meditando...

- Isso ainda não tinha me ocorrido, pensei que tais coisas só estavam acontecendo durante o sono e não em qualquer momento. -

- Isso foi antes de D'Angelis sumir. De alguma forma esse poder que nos envolve ficou mais forte nas últimas horas e os casos mais graves estão sendo dopados na enfermaria, vou ser sincero Diana, não sei por quanto tempo vamos poder remediar esta situação. Me diga o que D'Angelis tem de especial. -

- Sua PES. -

- Todos nós por incrível que pareça temos uma PES alta, em níveis diferentes, mas bem fora do comum. -

- Mas ele foi teletransportado e não nós. -

- Tudo bem vou levar em consideração que esse poder ou campo anômalo tenha pensamento próprio e pegou ele justamente quando estava sendo teletransportado. -

- Por que não? Você sabe tão bem quanto eu que no universo há formas de vidas muito estranhas e diferentes de nós. -

- Mas então esta coisa podia ter sumindo com ele de outra forma. -

- Talvez ela não tenha tanto poder quanto pensamos que tenha. O que mais me preocupa nesse momento é que todos corremos perigo e podemos acabar fazendo coisas perigosas levados a agir por alguma alucinação. -

- Todo o ser pensante está vulnerável Diana. Eu , você qualquer um. Temos que sair daqui rápido. - Ele olhou para a escotilha, pensando em Sarah, mas sabia ou melhor sentia que ela estava viva e bem. - Não quero deixar eles aqui, mas toda a nave corre perigo agora.-

- Não vou sair daqui sem eles. -

- Deixe-me descer, sou um médico não vou fazer falta se algo acontecer. -

- E você irá sozinho? -

- Por que não? Sei me cuidar. -

Diana se levantou e ponderou por alguns segundos. - Você praticamente me proíbe de descer enquanto se oferece para ir, sei que meu dever é ficar na nave mas você já me conhece um pouco para saber que não sou de ficar parada aqui enquanto eles correm perigo por lá. -

Ela o encarou.

- Vou mandar a nave embora e nós desceremos com um pequeno grupo, a nave vai estar segura longe da influência do planeta e nós poderemos ajudar eles lá embaixo. -

- Você é louca? - Düff se levantou.

- Não sou louca sou pragmática, e isso é o que vai ser feito. -

- Você é louca definitivamente... - Ele disse por fim. - Me diga quem você vai colocar no comando da nave? Chayenne? Ela é muito verde você sabe disso. Khya? Carlyle? Já que Jordan não está aqui. -

- Há uma pessoa na nave com experiência suficiente para assumir o posto enquanto estamos no planeta. -

- Estou curioso para saber quem é essa pessoa. -

- Kenjiro! -

- Kenjiro o treinador de artes marciais o Chefe da Intendência? -

- Este mesmo ele tem mais segredos do que você pode imaginar ele é perfeito para a função. -

- Tudo bem, mas ainda acho que você é louca, porém não vou fazer um relatório formal a respeito. -

- Obrigada Doutor. -

****

Carlyle e Jokovith continuavam nos sensores , os testes estavam quase todos completos e em breve poderiam confirmar para a capitã que o equipamento estava em perfeita ordem e que a teoria de Gomes estava correta então, pois só podia ser uma influência externa que estava modificando os dados recebidos pelos sensores de longo alcance.

- Vou comer algo? Quer alguma coisa Tenente?

- Não Jokovith pode ir, acabo isso aqui em alguns minutos. -

- Sim, Sr. -

Jokovith saiu deixando Carlyle com o grupo de reparos em um dos painéis da engenharia. Entrou no elevador e ordenou o convés do refeitório.

Quando as portas se abriram tinha a nítida impressão que a Atlantis tinha sofrido uma grande mudança, olhou para as letras nos painéis da parede e aquilo lhe pareceu escrita klingon, mas as paredes ainda eram da Atlantis, virou-se rapidamente para trás e viu um klingon andando em direção dela, mas isso era impossível, pois não haviam klingons na nave só um romulano, que nem estava na nave neste momento.

- Quem é você. -

- Cale-se, você está presa. -

- Como assim você é um klingon. O que está fazendo aqui? -

- Cale-se fêmea - e deu uma bofetada no rosto de Jokovith que caiu no chão. -

- Quem é você. -

Ele agarrou os cabelos dela e a puxou pelo chão.

- Me larga seu animal...me larga... me larga!!!! -

- Jokovith? O que é isso? -

Ela estava deitada no chão do refeitório esperneando como louca enquanto alguns usuários do local a observavam. Rinaldi a chacoalhou para tentar despertá-la daquilo.

- Acorde Jokovith! - François Rinaldi a amparou. -

- Tome isso é água, se acalme...-

- Onde está o Klingon? -

- Que Klingon, você entrou começou a gritar e se atirou no chão esperneando. -

- Oh meu Deus...o que esta acontecendo comigo. -

- Calma, vou levá-la a enfermaria. -

****

Capítulo VII.

D'Angelis...

- Então Kenjiro ? -

- Creio que isso não é uma pergunta Capitã. -

- Não, não é. Na verdade é uma ordem. Você vai manter a nave afastado do planeta exatamente a um ano luz, se as influências continuarem afaste ela mais, mantenha os sensores operacionais e os teletransportes também, cuide da nave e dos tripulantes. Nós iremos ao planeta, temos as naves auxiliares por lá e você nos encontrará em cinco horas nestas coordenadas. -

- Sim Capitã. -

- Está tudo bem? -

- Sim, creio que vou trazer o passado a tona. - Ele sorriu preocupado. - Mas vai ser uma boa experiência, obrigado pela confiança.

- Não se preocupe , vai dar tudo certo, se não chegarmos no ponto marcado, volte para a estação 57 e comunique o ocorrido a Frota.

- Sim capitã. -

Ele saiu da sala de teletransporte antes de chegar no corredor se virou para ela.

- Boa sorte Diana. -

- Obrigada Tsi-Lao. -

Düff observou a cena, não sabia que Diana e Kenjiro se conheciam de velhos tempos, mas o ex-Capitão agora rebaixado por motivos que ele não tinha conhecimento parecia muito fiel a Capitã, tinha que dar a mão a palmatória, Diana tinha mais trunfos do que imaginava.

- Prontos Srs. -

- Sim Capitã. - Sanches respondeu ainda achando inusitado sua convocação para descer ao planeta.

- Simons, Gomes, vamos colocar esses teletransportes para funcionar. -

- Sim Sra. As coordenadas são as mesmas que o Sr. D'Angelis seguiu, se der certo vocês iram para onde ele está, se der errado ... -

- Não queremos saber Sr. Gomes. - Düff disse sério.

- Tudo bem - Diana se posicionou entre Düff e Sanches. - Acionar...-

Os três corpos sumiram na frente dos dois , logo em seguida perguntaram ao computador se algum deles ainda estava na nave e a resposta foi negativa.

- Agora vamos poder saber se o teletransporte esteve sempre funcionando ou não. -

- Só espero que Mestre Kenjiro saiba o que está fazendo. -

- Se a capitã colocou ele no comando ele sabe. -

****

Sarah estava no comando daquele grupo agora, Benrubi seguia com Ingrid e Mbwabo e Ness e ela seguia com Melrik, Roger, Stauber e Lar'Pal mais atrás, já haviam andado uns seis quilômetros depois que entraram no campo de energia e nada havia sido encontrado, nem os homens nem nenhum equipamento. O último contato com a Atlantis tinha sido interrompido e Melrik acreditava que o campo interferia nas comunicações, mas o que mais preocupava Sarah eram os efeitos do campo sobre eles, Stauber parecia ter sido afetada na entrada pois começou a gritar apavorada fazendo relatos sobre monstros de pedra os matando e sangue por todos os lados, quando na realidade nada estava acontecendo. Sarah teve que empregar métodos nada ortodoxo para acalmar a tenente fazendo um breve contato mental com a humana. Os demais pareciam mais resistentes e continuavam aparentemente normais.

Sarah estava intrigada com uma questão, o por que de Santos, S'Tamur e Calaham terem sumido assim? Estava fazendo alguns cálculos e sabia que podiam estar em um campo dimensional ou temporal, dependendo do instante da entrada nele o local de chegada podia ser diferente, e era nisso que estava apostando.

- Achei um ponto de energia logo à frente. - Melrik assinalou para o norte. -

- Vamos. - Sarah ordenou. - Alguma forma de vida? -

- Nada ainda. -

A paisagem era bela, árvores ao fundo e vegetação verde espalhada por todos os lados, se o campo de energia podia saber seus desejos eles estavam sendo realizados, aquela paisagem bela e bucólica era exatamente um lugar propícios para os prazeres comuns da vida principalmente almejados por aqueles que estão trancafiados em uma nave estelar.

- Cem metros adiante. -

Andaram mais uns minutos entre as samambaias e atrás de enormes arbustos avistaram construções de pedra.

Sarah reconheceu o lugar imediatamente era como em seu sonho era como no sonho de Düff.

- Sarah você está bem? - Melrik a encarou com aquele olhar sério. Era a Segunda vez que a tratava pelo o primeiro nome e isso estava aproximando mais os dois.

- Eu já vi este lugar. -

- O sinal vem daquela construção. - Roger foi indo em direção ao prédio de pedra lisa e negra, com cortes impecáveis com janelas de cristal que refletiam o céu azul turquesa.

- Não há ninguém aqui! - Ele gritou da onde estava.

O grupo se dividiu um pouco, Sarah , Ness e Lar'Pal seguiram Roger, e Melrik com os demais foram em direção a outro prédio que também possuía uma fonte de energia.

- Nada...Nada...- Roger disse .

- Olhe estes aparelhos. - Ness pegou uma tela antiga de computador...

- Isso parece terráqueo - Lar'Pal ressaltou...

- E é olhe a placa Fabricado no Chile -

- Mas há décadas as fábricas da América Latina se uniram, agora não há mais o logotipo de um único país ou de uma única fábrica. -

- Isso está errado. - Sarah ressaltou. - Não toquem em nada isso tudo é uma alucinação. -

Ness largou o que segurava e todos saíram do lugar e foram para a praça central logo a frente da construção.

Benrubi chegou correndo com os outros e a interpelou.

- Posso jurar que vimos algo muito estranho naquele prédio, um parque de diversões. -

- Com palhaços e tiro ao alvo - Mbwabo continuou.

- Estranho eles dão preferência para situações e artefatos terráqueos. -

- Exatamente, creio que seja devido a maioria terráquea no grupo ou que viveram na Terra algum tempo. - Sarah ressaltou.

- Isso seria lógico, eles ou algo deve ler nossas mentes e criar alucinações, mas com que propósito? -

- Creio que apenas por diversão. - Roger respondeu. -

- Esta coisa não segue um padrão parece meio perdido em nossos pensamentos e nas recriações que nos manda. - Mbwabo completou.

- Mas isso não resolve nossos problemas, onde estão Santos, S'Tamur e Calaham?, onde está D'Angelis...? - Ness falou preocupado...

- Onde está a Atlantis...? - Stauber completou.

****

D'Angelis olhou para os Zeladores, sentou onde eles ordenaram e acoplou em sua cabeça o mecanismo em forma de concha que leria sua mente.

- Se vocês nunca foram corpóreos para que precisam deste equipamento para sondar minha mente o libertar minha PES? -

- Nós usamos este equipamento com outras espécies vocês não foram os únicos visitados por nossos mestres no passado, vocês apenas foram uma das espécies iniciadas. -

- Como assim iniciada? -

- Nosso povo deu o conhecimento a vocês sobre a verdade e a mentira, sobre a construção e a destruição. -

D'Angelis viu uma série de imagens, coisas inexplicáveis para ele, uma soma de acontecimentos de centenas de séculos estavam sendo colocadas em sua mente em questão de minutos e seu cérebro era encharcado com algo que ele não compreendia, sentiu dor mas não era possível parar, não era possível expressar o que sentia, estava imóvel e recebia aquilo tudo em sua mente.

- Não...chega! - D'Angelis em um gesto rápido se levantou, mas não por muito tempo pois tudo ficou escuro e as criaturas o envolveram em um manto de luz e brumas, seu corpo flutuou acima do chão e a concha foi retirada de sua cabeça, deitaram ele e esperaram ele acordar.

- Em breve não poderemos mais proteger o grupo de seus iguais. -

- Alguns já foram afetados. -

- Sinto que a nave mãe deles se foi. -

- Mas eles voltarão em breve. -

****

Diana , Düff e Sanches se materializaram neste momento, sentiram uma dor momentânea no corpo um fato que nunca tinha acontecido antes ao serem teletransportados, o tempo de saída e chegada ao ponto das coordenadas tinha sido demasiado grande e isso de alguma forma tinha afetado seus organismos, mas ainda não sabiam como.

Düff foi o primeiro a perceber o que estava acontecendo.

- Olhe! -

Diana se virou e viu o corpo de D'Angelis envolto em uma luz amarela difusa uma espécie de bruma colorida que o carregava e o deitava em um catre no aposento onde se encontravam, as paredes eram de pedra negra e a luz vinha de um lugar indefinido.

- Os três correram em direção dele. -

- Forma plasmática Capitã. - Sanches leu o tricorder.

Düff tirou seu tricorder médico e analisou D'Angelis, a bruma tinha desaparecido.

- Uma sobrecarga em suas sinapses, mas ele está bem, creio que ele vai sentir uma forte dor de cabeça. -

- É seguro acordá-lo? -

- Sim, mas a dor será forte. -

- Dê a ele algo e depois o acorde. Sanches analise este local e descubra como podemos sair. -

- Sim Capitã. -

Diana se ajoelhou ao lado de Düff e esperou D'Angelis acordar, seus olhos abriram vagarosamente e ele encarou eles com certa surpresa.

- Que brincadeira é essa agora...? - Ele sorriu debilmente e sua foz era frouxa.

- Somos nós Jordan...o que fizeram com você? - Diana o questionou calmamente.

- Os Zeladores querem nossa ajuda mas creio que me fizeram algo - ele fechou os olhos - essa dor é horrível. -

Diana fez sinal para que Düff desse mais analgésico a ele.

- Essa dose é grande Diana. -

- Pare a dor dele -

Jordan abriu os olhos. - Eles têm que controlar os Seres Iniciais...

- Seres Iniciais? - Quem são eles? -

- Eles controlam a mente de outros nossos iguais. -

- Ele esta delirando Diana, não posso fazer nada agora -

- Tudo bem descanse, vamos em breve para a Atlantis. -

- Vamos Dr. -

Os dois levantaram e se afastaram.

- Pelo menos chegamos nas mesmas coordenadas dele -

- Zeladores? O que ele quis dizer com isso? - Diana encarou Düff.

- Fiquei mais preocupado com os Seres Inicias que controlam a mente de outros. -

- Talvez seja isso a anomalia magnética captada pelas outras naves. -

- Só sei que temos que sair daqui, antes que estes Zeladores voltem, eles afetaram muito a mente de Jordan e não quero que isso aconteça conosco. -

- Ele pode andar -

- Não há nada que o impeça, mas vamos ter que ampará-lo. Ele esta em um estado meio de torpor por causa do analgésico. -

- Tudo bem vamos tirá-lo daqui. -

- Encontrou algo Sanches? -

- Nada capitã. Há apenas um corredor ali mas não captei nenhuma saída para superfície, isto é se estamos mesmo em algum tipo de subsolo. -

- Tudo bem ajude-nos com D'Angelis. -

Düff e Sanches ajudavam D'Angelis e os quatro foram em direção ao corredor.

Diana ia à frente com o tricorder que ainda funcionava bem, o medo de Diana era que o dispositivo tivesse sofrendo alguma influência ou dos Zeladores ou dos Seres Iniciais e seu funcionamento fosse duvidoso, mas tudo indicava que estavam em direção a uma saída, e o que mais queria era sair daquela construção de pedra escura e caustrofóbica.

- Por aqui! - Ela assinalou uma saída, a luz ia aumentando de intensidade e uma esperança surgiu.

- Creio que agora sairemos daqui, mas espero que seja para um lugar seguro. -

- Agora é tarde para pensar nisso, vamos. -

Estavam próximos a um pântano e logo a frente uma floresta de Pepinos se formava, Düff deu um suspiro de admiração.

- Eu já estive aqui! -

Diana se virou para ele seria. - Como assim? -

- Eu estive aqui, se meu sonho estava certo, atrás há uma cidade de pedras. -

- Você tem certeza disso Düff, lembre-se que esse lugar é muito instável. Meu tricorder indica que estamos em um deserto, mas olhe em nossa volta todo este pântano. -

- Capitã registro três formas de vida há 45 graus oeste. -

- São humanas? -

- Positivamente. -

- Vamos. -

D'Angelis estava recuperando as forças e já conseguia andar sem a ajuda de Sanches e Düff, ele ia no meio dos dois para qualquer eventualidade, subiram uma pequena colina coberta de lama e se sujaram com aquela superfície pegajosa, mas era o jeito para ir ao encontro das três formas de vida humanas.

- Capitã.! -

- Santos foi o primeiro a vê-la -

Santos e S'Tamur acalmavam Calaham que estava deitado no chão gritando palavras indecifráveis.

Düff correu na direção do enfermeiro.

- Calaham acorde...sou eu Hans...acorde Calaham...-

- Me larga... Me larga...ar'hum'ka' va', dar', comin'hum dum an.'-

- Acorde Calaham -

- O que ele está falando? - Sanches perguntou.

- Isso é romulano - Diana encarou S'Tamur.

- Sim um dialeto romulano ele está com medo, muito medo - Santos completou.

Diana olhou para S'Tamur.

- Você está projetando sua mente nele S'Tamur...?-

- Talvez de certa forma, mas não é intencional. -

- Diana, ele vai ficar bem, talvez seja algo mais atuando aqui. -

- Você não me disse que sabia romulano Santos. -

- Coisas do meu ofício S'Tamur. -

- Não estou projetando intencionalmente Capitã. -

- Tudo bem S'Tamur, creio que todos nos estamos sendo afetados por algo ou pelos Zeladores - Diana virou-se para Jordan que pareceu estar em outro mundo quando falou -

- Os Seres Iniciais estiveram aqui, nos somos os Zeladores, e os Seres Iniciais voltarão em breve. -

- Jordan você está bem? -

- Jordan está bem, nós agora somos os Zeladores. -

- Definitivamente algo tomou conta de mente dele -

- Zeladores, como saímos daqui ?-

- Você humanos tão egoístas, precisamos desta mente para manter os Seres Iniciais longe daqui... -

- Vocês não vão ter essa mente por muito tempo quando eu descobrir um modo de acabar com vocês. -

- Impossível Capitã O'Conell. O mais provável é que vocês serão destruídos. -

- Onde está o resto de nosso grupo. -

- Estão perdidos não podemos salvá-los da influência dos Seres Iniciais. -

****

Capítulo VIII.

Anjos ou demônios...?

Sarah estava entrincheirada bem atrás de umas pedras soltas no chão, Melrik estava ao seu lado e logo atrás Roger e Benrubi atiravam na criatura que os atacava.

Ness, Stauber e Lar'Pal tinham sido feridos e estavam dentro da construção atrás deles enquanto Mbwabo e Ingrid tratavam dos ferimentos. Mais uma vez a criatura que se assemelhava com um dragão de Ecosian IX atacava, uma de suas cabeças atirava fogo e a outra raios elétricos.

- Que diabos como essa criatura veio parar aqui? - Joshua resmungou enquanto dava mais um tiro com seu phaser de mão...

- Eles criaram isso de nossa imaginação Benrubi algo que vivemos ou que pensamos no passado. - Sarah se desviava de algumas pedras que rolaram ao seu lado.

- Cuidado. - Roger descarregou todo o seu phaser na cabeça elétrica.

Uma explosão destruiu metade do monstro e a outra caiu inerte no chão.

- Isso parece um parque de diversões. -

- E nós estamos divertindo alguém com um senso mórbido - Melrik se levantou .

Água começou a cair e uma chuva fina se formou

- Olhe! -

- É chuva ácida, vamos entrar na construção. -

Os quatro ficaram observando e o corpo inerte da criatura se consumiu rapidamente naquela chuva fora do comum.

- Isso me renderia uma boa pesquisa de campo. - Roger soltou.

- Isso acabaria com a gente isso sim. - Joshua resmungou.

- Vamos reunir todos e sair daqui antes que algo pior aconteça. -

Neste momento a terra começou a tremer e algumas construções estavam se despedaçando na frente deles...

- Você tinha que abrir essa sua boca vulcana...- Joshua resmungou mais irritado.

- Comentário irrelevante. Vamos pegar os outros e sair daqui imediatamente. -

A chuva tinha parado, eles trouxeram os demais para fora, Ness estava com a cabeça enfaixada e Ingrid o ajudava, Lar'Pal podia andar sozinha e Mbwabo vinha logo atras com Melrik e Roger.

Sarah ia à frente acompanhada de Joshua o tremor foi diminuindo e eles foram novamente para a estranha floresta que cercava a cidade.

****

- Este que vocês chamam de Jordan é o nossa mente ele é o Zelador, precisamos levá-lo até os Seres Iniciais para que eles sintam o seu poder e o controle sobre eles seja restabelecido. -

- Vocês falaram em mestres, onde estão estes mestres agora? -

- A caminho. -

- Não deixaremos D'Angelis aqui com vocês, vamos levá-lo -

- Você destruíra a muitos se levá-lo antes da chegada dos mestres. -

- Nunca abandonamos nossos iguais. -

Um tremor foi sentido e todos se seguraram como puderam, D'Angelis agora possuído pelos Zeladores se ajoelhou no chão e duas luzes amarelas saíram de dentro dele.

- Eles chegaram! - a voz de barítono disse .

- Como assim, como sabem? - Düff se segurava como podia enquanto o chão se mexia a seus pés.

O vento era forte agora e rapidamente o céu turquesa desapareceu e não estavam mais a beira do pântano e sim em um deserto pedregoso.

- Olhem o deserto que o tricorder indicou. - Sanches gritou sob o som ensurdecedor do tremor.

- Eles chegaram - As duas luzes subiram para o céu e desapareceram.

- D'Angelis.! -Diana correu em direção dele uma fenda se abria tentando engolir seu corpo inerte .

Düff e Santos correram na direção da fenda e ajudaram a segurar o corpo de D'Angelis enquanto aquele tremor continuava.

- Melrik! -

S'Tamur viu Melrik se aproximando com o outro grupo .

O tremor acabou neste instante enquanto dois seres de forma humanóide apareceram para todo o grupo.

Suas roupas eram brancas e esvoaçantes mesmo não tendo mais vento, seus rostos eram cálidos e bondosos e não possuíam cabelo, seus olhos eram lilases e suas bocas eram singelas. Sua pele parecia feita de seda e seus gestos eram leves e bem coordenados.

- Nós somos os Mestres dos Iniciais -

Diana se levantou e se aprumou.

- Somos da Nave USS Atlantis, meu nome é Diana O'Conell precisamos de explicações. -

- Não pretendíamos causar dano a sua gente O'Conell nem a sua nave.-

Os dois pareciam falar ao mesmo tempo com a mesma voz.

- Nós trocaremos os Zeladores e não precisaremos mais do ser que vocês chamam D'Angelis. -

- O que vocês fizeram com ele? -

- Ele terá sua mente aberta mas não sofrerá com isso. -

- E nossos iguais como vocês chamam, o que fizeram com eles? -

- Os nossos Seres Iniciais, atormentaram vocês e por isso pedimos desculpas, quando visitamos vocês a muitos séculos atrás, vocês eram inocentes e não sabíamos que iriam desenvolver naves voadoras e que chegariam perto de nosso planeta inicial. -

- Como assim seu planeta inicial ? -

- Nós o criamos , depois que criamos os Seres Iniciais de certa forma saíram de nosso controle e agora eles tem um longo tempo de aprendizado para se adaptar a nossa cultura. Trouxemos eles para cá para serem guardados e ensinados. -

- Vocês criaram este planeta e estes seres, por que não os eliminam ou ficam aqui para cuidar deles ? - S'Tamur interferiu.

- Como muitas raças no universo, prezamos a vida e não podemos matar nossa criação por isso isolamos eles aqui. Os Zeladores cuidam da integridade deles para que nada de mal aconteça a eles ou a outros seres, sua raça a muito tempo não conhecia as viagens estelares por isso não nos apressamos, mas agora não podemos permitir que seres como vocês se aproximem do planeta . -

- Infelizmente muitos podem chegar até aqui. -

- Mas agora estaremos mais atentos, o universo é grande e não podemos estar em todos os lugares ao mesmo tempo. -

- Por um momento pensei que vocês fossem onipresentes. - Joshua falou.

- Palavra típica de seu povo, quando pensam em deuses. Mas na verdade para sua cultura somos anjos e não deuses. -

- O que são estes Seres Iniciais ? - Sarah os indagou.

- Para nós proto-seres, mas vejam com seus próprios olhos... -

Olharam para onde os dois mestres assinalaram e viram várias criaturas de diferente aspectos todas vestidas com mantos e correndo felizes ...pareciam fantasmagóricas mas ao mesmo tempo pareciam inocentes.

- São apenas crianças. - Ness soltou.

- São anjos - retrucou Düff.

Pequenas protuberâncias saiam de suas costas.

- São demônios - S'Tamur sussurrou.

Sarah e Melrik olharam para as criaturas e só podiam concordar com S' Tamur.

- Como vêem nossos Seres Iniciais ainda tem muito que aprender para poderem seguir em sua missão. -

- Mestres - Diana os encarou desviando o olhar daquelas crianças tão sorridentes e descontraídas que nem ligavam para a presença deles ali.

- Precisamos voltar para nossa nave. -

- Suas naves estão no lugar onde deixaram, podem partir agora, este planeta está novamente seguro. Infelizmente não poderemos reverter à situação de suas outras naves mães. -

- Não é para nós que vocês devem esta explicação, mas agradecemos se pudermos partir.

- Vocês podem ir meus filhos. -

Diana os encarou intrigada e fez sinal para Sarah...

- Meus filhos....? o que eles querem dizer com isso? -

****

Depois de uma hora as naves auxiliares Atenas e a Asteca em velocidade de empuxo se encontraram nas coordenadas estabelecidas com a Atlantis, Kenjiro ordenou a abertura do hangar e as duas naves ficaram a salvo no interior da nave estelar.

Jordan foi levado para a enfermaria com os demais feridos, Düff examinou a todos mas manteve Jordan em observação.

Diana ainda estava intrigada com aquele encontro com os Mestres dos Iniciais e muitas perguntas estavam em sua mente. Os relatórios já haviam sido enviados e uma ressalva para manter as naves afastadas daquele planeta foi remetida para a Frota, talvez eles achassem as conclusões da investigação um tanto fantasiosa, mas era a rigor a verdade ocorrida no planeta.

Seres superiores, tinham criado seres iniciais que dominavam as mentes alheias e todos tinham sido banidos para este planeta, ou usando uma licença poética, eram apenas anjos aprendizes ou com defeito que estavam lá para aprender seus ofícios, mas o que pareciam anjos para os terráqueos podiam parecer demônios para outras raças, foi o que S'Tamur não cansava de comentar na nave auxiliar.

Sarah entrou no gabinete acompanhada de Melrik e S'Tamur.

- Preparado para nos deixar S'Tamur? - Diana sorriu para ele.

- Na verdade não capitã, mas se este é meu destino não posso ir contra ele. De qualquer forma adorei a estádia e a experiência no planeta foi de aprendizado. - Ele sorriu - Mas para mim aquelas crianças não passavam de demônios de Argus II -

- Bem S'Tamur, para cada um de nós deve ter representado algo diferente. - Ela levantou-se -

- Falando nisso soube que o Sr. fez um pé de meia na nave. -

- Bem Capitã... Foram algumas apostas, ganhas justamente, mas tenho uma barganha para fazer com a Sra. Capitã. -

Melrik o encarou .

- Tem é? -

- Sim, troco tudo que ganhei por café. -

- Café? -

- Sim aquele líquido dos deuses. -

- Sem problemas, mas o Sr. deverá devolver todas as apostas aos seus donos de direito. -

- São muitas Capitã.-

- Você terá duas horas para fazer isso, antes que te entreguemos para Trosty. -

- Mas Capitã. -

- Se não nada de café. -

- Tudo bem...tudo bem...-

- Posso pensar num lugar melhor onde entregá-lo-

- Não se fala mais nisso, considere as apostas devolvidas. - S'Tamur saiu apressado.

- Como você sabia Diana? - Melrik a encarou.

- Essa nave tem ouvidos Melrik, tenho meus informantes. -

Sarah sorriu.

- Bem não duvidava disso. -

Düff entrou neste instante.

- Olá, todos estão bem, as alucinações pelo jeito acabaram não tenho mais recebido ninguém com esses relatos. -

- Tomara que os novos Zeladores possam controlar devidamente aquelas pestinhas. -

- Pestinhas Capitã. ?-

- Sim aquele bando de crianças . - Ela se sentou.

- Ainda não entendi por que escolheram D'Angelis. ? - Düff sentou na mesa de reunião.

- Simples, Hans... O nome dele. Dos Anjos - Sarah o encarou sentando em uma das poltronas.

- Isso ainda não tinha me ocorrido, mas tem lógica. - Melrik soltou.

- Como está Kenjiro, Sarah? -

- Eu diria que ele parece um adolescente revivendo o passado , pediu-me para agradecer a confiança dada a ele Capitã. -

- Ótimo, ele é um excelente Oficial. -

- Fiquei intrigada quando eles nos chamaram de seus filhos. -

- Talvez sejam deuses , talvez sejam demônios. - Düff sorriu para Diana.

24 horas mais tarde...

D'Angelis abriu os olhos e se sentiu seguro novamente, as luzes da enfermaria demonstravam que enfim estava de volta a Atlantis. Dickens se aproximou dele.

- Como está se sentindo? -

- Bem, creio que já posso me levantar e sair por ai...-

- Ainda não, você recebeu uma comunicação da terra, vou transferi-la para este tela. -

- Tudo bem. -

- Ah..você também recebeu visitas hoje...-

- É quem veio me visitar? - Ele disse num meio sorriso.

- A Capitã - Ela sorriu. - Bem aí está sua mensagem, vou deixá-lo só agora. -

Ele meditou a respeito rapidamente enquanto o símbolo da FPU aparecia e em seguida os dizeres.

Mensagem pessoal para Oficial Jordan D'Angelis.

Um rostinho feliz apareceu na tela seus olhos azuis e seu cabelo preto denunciavam de quem era filho. A voz do garoto era pueril em seus poucos anos de idade.

- Oi papai, hoje foi minha festa de aniversário, obrigada por seu presente, olha o que ganhei também? - E Giacômo mostrou um anjo com asinhas e aréola de pelúcia. - Vê o nome dele é Giacômo como eu...legal né? - Ele riu docemente. - Agora vou ter que ir, amanhã vou para a escola, vou te mandar um desenho beijo, te amo papai. -

A imagem sumiu e D'Angelis sentiu uma saudade imensa do filho, algo mais dentro dele começava a emergir e não sabia ao certo o que era, só sentia que era algo bom e pensou no seu filho com muito carinho. Fechou os olhos e pegou logo no sono, mas agora era um sono bom cheio de belos sonhos.

FIM

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Por: Sílvia Costa e Lorna Dannan
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