.
O senhor se lembra, não é? – Quark revira os olhos fingindo dor e esperando que o
doutor acreditasse em sua história.
- Se bem me lembro não foi bobagem alguma. Mas como, depois de
tanto tempo, esta dor reapareceu?
- Creio que é uma dor recorrente. Ela vai, ela vem. O senhor vai me
ajudar ou não?
- Claro, um momento.- o doutor se afasta para pegar um regenerador
muscular digital e Quark fica pensando como abordá-lo sem que ele perceba que o que ele quer realmente são
informações confidenciais. Enquanto o tratamento começava Quark arriscou:
- O senhor soube que um oficial cardassiano está na estação?
- Quem? Gul Dukat? – pela resposta Quark sabia que não iria
conseguir muita coisa.
- Gul Dukat? Não. Dizem que é uma espécie de embaixador.
- Embaixador? Pelo que sei Cardássia e a Federação ainda estão
longe de manter relações diplomáticas amigáveis. Mas por que o interesse?
-Interesse... er...Não, nada. É que eu poderia reservar uma
holosuíte para o caso dele querer. É sempre bom agradar um cardassiano.
- Sei... Olha Quark se procura informação sobre cardassianos deve
procurar um cardassiano.
Na verdade Quark já havia pensado nisso. Garak, o alfaiate, era o
mais indicado, mas ele era muito misterioso e talvez não revelasse o que ele queria ouvir. Esperava aguçar a
curiosidade do doutor e fazer com que ele arrancasse alguma informação valiosa se prevalecendo da amizade que
o alfaiate e o doutor tinham. Esta seria uma estratégia mais barata. Quark desce da bio-cama.
- Oh! Muito obrigado doutor. Eu volto mais tarde.
- Mas eu ainda não terminei...
- Eu já estou bem melhor agora, obrigado. Eu volto mais tarde.
O ferengi sai apressado ele conhecia um ditado terrestre muito
parecido com a regra de aquisição 12: “Tempo perdido é latinum perdido.”
Garak era uma pessoa dada a poucos luxos, apesar de sempre
recomendá-los a seus clientes, principalmente aqueles que gostam de gastar. O que não era o caso do ferengi
que acabava de entrar em sua loja.
- Ora, ora. O que vejo? O senhor Quark! De certo veio acertar as
contas a respeito daqueles tecidos argelianos que lhe vendi há dois meses – neste ponto Garak foi enfático -
atrás!
- Bem, vejo que é um homem de negócios como eu. Eu proponho um
percentual a mais na minha dívida se você me disser o que um oficial cardassiano está fazendo aqui na estação.
- Ora, senhor Quark, por que acha que eu sei algo a respeito disso?
Sou só um simples alfaiate...- Garak disfarça mexendo em alguns tecidos.
- Cinco barras de latinum.- Quark não perde tempo e faz seu
primeiro lance para o preço da informação. A negociação tinha começado.
- Dez.- Garak marca o limite.
- Seis mais dez por cento pelos tecidos.
- Oito e eu digo o que um comissário ferengi, e um bajoriano e
cardassiano estão fazendo juntos no escritório do comandante Sisko neste exato momento.
- Um cardassiano e um bajoriano? – Quark estava intrigado. Tal
evento não ficaria de fora de suas orelhas.
- E um ferengi! – lembra-lhe Garak algo muito diferente estava
acontecendo e tudo estava sigiloso demais.
- Está bem, oito. O que você sabe?
Garak estica a mão e sorri. Não se deve confiar muito em um ferengi
quando se trata de dinheiro.
Quark resmunga, tira de seu bolso as barras de latinum e entrega
ao alfaiate.
- Bom, eu ouvi de um cliente que a Federação teme que uma raça como
os Borgs possa ameaçar seu poderio então eles estão enviando uma nave para patrulhar este setor permanentemente.
- Ah, entendo.- Quark vê que uma permanência constante no quadrante gamma
poderia significar lucros permanentes. Mesmo tendo que renunciar aos seus lucros oficiais em comércio ferengi
no quadrante, por imposição do próprio Nagus, nada o impedia de obter lucros particulares. O melhor da
história é que não teria que dar uma parte à FCA (Associação Comercial Ferengi).
O próximo passo era ir até o centro de operações e seu próximo
alvo: Chefe Miles O´Brien.
Um terminal de controle de sensores estava sendo recalibrado pela
enésima vez e o chefe O´Brien já estava quase desistindo quando a tenente Dax deu uma sugestão:
- Chefe, por que o senhor não troca os circuitos isolineares
cardassianos por circuitos novos da Federação?
- E me dar por vencido? Além do mais eles são incompatíveis. Teria
que mudar todo o sistema da estação o que nos deixaria vulneráveis. Este terminal cardassiano vai ter que
trabalhar de acordo com as minhas configurações.
- Mas assim não está sendo muito desgastante e trabalhoso?
- Que nada! É quase um prazer. Na verdade é um desafio lidar com
essa geringonça cardassiana. De mais a mais aprendo um pouco mais da tecnologia deles.
Os dois estavam quase deitados no chão olhando uma placa de
circuitos quando Quark chega com uma bandeja equilibrando uma garrafa e duas taças contendo um estranho
líquido amarelo.
- Parece que cheguei em boa hora. Hora do descanso. Aceitam um
drink? Vocês parecem precisar.
- Quark? Quem o chamou aqui? – diz O´Brien com um tom ríspido.
- Ora, chefe, não seja tão “Federação”! Vamos, tome, irá lhe
fazer bem. Pergunte a sua colega se eu já ofereci algo que não tivesse qualidade.
O´Brien desconfia de tanta generosidade mas admite, pelo menos para
si próprio, que suas costas precisavam de uma folga.
- O que é isto?- pergunta Jadzia apontando para o conteúdo da
garrafa com uma mão e com a outra pegando uma das taças.
- É um suco de fruta vaaliana com um pouco de conhaque sauriano.
Uma nova receita que quero que experimentem.
- De graça?- pergunta o chefe já pegando a taça para beber.
- Bom na verdade eu ainda não testei a aceitação da bebida lá no
bar e gostaria que vocês fossem os primeiros...
- Cobaias.- completa a oficial de ciências.
Quark sorri enquanto coloca sobre o console uma escuta que escondia
embaixo da bandeja; sem que os dois percebam.
Os dois oficiais da Federação provam um gole da bebida e a aprovam,
apesar de estar um pouco forte.
- Se fosse você, reduziria a dosagem do conhaque. – sugere O´Brien
depois que a Tenente quase perder o fôlego.
- É mesmo? Obrigado pela dica. Eu tenho que ir agora. Tchauzinho.-
da mesma forma intempestiva que entrou Quark saiu. Jazdia e O´Brien acharam estranho, mas Quark era estranho,
então entenderam que ele estava se comportando normalmente.
O ferengi pega o elevador e abandona o centro de operações, mas
escutando tudo o que se passava com um receptor que coloca em seu ouvido.
[O Quark estava estranho, não?] – voz de Dax.
[ E quando ele não foi? serviço. Quero acabar isto logo. Prometi a Keiko levá-la para jantar e ainda tenho que arranjar uma babá para Molly.]
[ Se você quiser eu fico com ela.]
[ Ah, sério? Eu não queria incomodar...]
[ Não será incômodo nenhum. Eu já fui mãe e pai várias vezes. Pelo
menos sete vezes. Meu currículo é bom para você?]
[ Eu acho que não encontraria outra com melhores referências.]
- Blá-blá-blá – Quark já estava ficando entediado com a conversa
quando ouviu um zunido que quase estorou seu delicado tímpano.
[Pronto. Conseguimos! Mais um ponto para a Federação contra as
terríveis máquinas cardassianas.] – comemorava o chefe.
[ Ainda bem. O comandante quer tudo funcionando perfeitamente
quando a USS Babel chegar com a Almirante Brand.]
A conversa estava começando a ficar interessante quando Rom aparece
para saber o que Quark estava fazendo escondido debaixo de uma escada no promenade.
- Descobriu alguma coisa, maninho?
Quark leva um grande susto e seu receptor auricular cai e rola pelo
chão do promenade.
- Rom! Seu...Seu... Grande idiota! Você me fez perder o meu
receptor. Ajude-me a procurá-lo.
- Desculpe. Claro, claro – Os dois ferengis começam a engatinhar
pelo chão em busca do aparelho. Rom o vê próximo a uma saída de ar , mas quando tenta pegá-lo uma grande pata
já estava sobre ele. Quark olha a cena e ainda tenta salvar o seu dia gritando:
- Morn, não! – Mas já era tarde demais. O gigante olha par o chão e
fica sem entender nada.
Quark fica esperneando e lamentando não ter ouvido mais sobre a missão secreta da Federação.
****
Capítulo III
USS Babel – Warp 6
Rumo a Deep Space Nine.
O capitão Alkon estava preocupado com o bem estar da embaixatriz,
mas não queria pensar muito nisso; até porque entre os betazóides, a transmissão de pensamentos era algo muito
peculiar, e ele não desejava revelar sua preocupação.
Parou na frente do alojamento da sra. Troi e procurou bloquear seus
pensamentos e antes que conseguisse a porta se abriu e foi saudado:
- Bom dia, capitão. Pode entrar estou acabando de me vestir.
Alkon procurou não demonstrar surpresa e entrou sorridente.
-Bom dia, embaixatriz. Teve uma boa noite de sono?
-É claro que eu preferia estar em uma terma em Shiralea VI, mas a
noite foi satisfatória. Estes aposentos não deixam nada a desejar os que conheço das naves da frota. Quanto
falta para chegarmos? – Homn, seu camareiro, a cobre com um robe roxo com flores azuis. A embaixadora também
usava uma peruca roxa encacheada.
- Seis horas. Gostaria de saber se irá desembarcar na estação para
que possa providenciar seus aposentos. A propósito: os aposentos são padronizados. Os da estação são padrões
cardassianos.
- Eu sei. Já estive lá. E acredite, os da Frota são melhores, mas
não será necessário. O conselho decidiu que esta missão seguisse protocolos sigilosos.Eu, contudo, não sou uma
mulher que passa por despercebida em nenhum lugar. O que é uma pena, pois sempre conhecemos pessoas
interessantes nestes lugares. Você sabia que lá existe um transmorfo que é chefe de segurança e o único de
sua espécie? Ele é muito simpático, sensível, educado e atraente. Pena que tenha que voltar a Betazed para
uma cerimônia... Enfim, sempre haverá uma nova oportunidade.
- Certamente. – concorda o capitão
- O que foi, capitão? Sinto que está com medo de mim. Bloqueou sua
mente? Tem receio de ser mal interpretado?
- Desculpe, senhora. É um hábito que tenho. Sou um betazóide nível
oito. Estando entre mentes de diferentes mundos... Não posso me distrair. Os diversos padrões mentais... me
incomodam.
- Deveria tentar técnicas vulcanas de controle mental. Eles são
muito bons nisso, sabia?
- Quando tiver tempo eu procurarei a nossa doutora, ela é vulcana.
- Muito bem. Vejo que você é muito concentrado em seu dever. Irá
nos representar bem.
- Embaixatriz... Fiquei honrado com sua escolha para me designar
para essa missão.- Alkon agradece a Lwaxana por sua nomeação para capitão de uma nave estelar.
- Ora, o que é isso? Na verdade eu o escolhi por ser o mais
bonitinho...- Lwaxana aperta a bochecha do jovem capitão, o que o deixa desconcertado fazendo com que
rompesse o seu bloqueio mental.
“ Eu sei que você gostava de minha filha quando eram crianças.
Não se envergonhe por isso.” – o pensamento da embaixadora revelava que não havia mais o que esconder. Só
lhe restava tomar uma atitude.
- Vim convidá-la para o desejum. Acompanha-me? – diz Alkon mudando
rapidamente o rumo da conversa.
- Mas será uma honra... Dorian! – chamar autoridades pelo primeiro
nome realmente era uma tática que gerava simpatia e intimidade. O que no caso da embaixadora Troi era algo
perigoso e assustador. Ela pegou em seu braço e foram caminhando juntos para o bar dos oficiais, acompanhados
de perto pelo fiel camareiro Homn.
Allison estava radiante em pilotar uma nave nova. Esta era a
segunda da nova geração da classe Akira a ser construída. Chega de cargueiros espaciais e de seus motores
de baixa potência. Tudo era tão novo que foi um pouco difícil de se adaptar. Apesar da nave ter capacidade
de levar 820 pessoas, pouco mais de trezentos estavam à bordo. Não havia uma tripulação civil, apenas oficiais
da frota operando a nave. Na verdade os únicos civis eram os embaixadores que iriam conhecer o outro lado da
fenda espacial bajoriana. Uma missão de passeio.Algo bem tranqüilo. Só não entendia o por quê da presença da
almirante Brand à bordo. Talvez fosse algo de protocolo ou então haveria mais nesta missão do que estavam
contando, o que não seria a primeira vez.
Olhou um pouco em volta para ver seus colegas trabalhando e tentar
conhece-los melhor. Seu colega navegador era de pele roxo-azulada, um boliano que não era muito de conversa.
Muito parecido com o Klingon Klag que já tinha conhecido antes do embarque. Ela só podia contar com a amizade
de McCormick, mas ainda era cedo para fazer tal afirmação. Ainda teria muito tempo para fazer novas amizades.
Talvez a número um, a comandante Okaido fosse mais receptiva...
- Piloto, olhe para frente e reduza para dobra quatro.
- Sim senhora. – Allison pensou :”Pelo menos alguém estava falando
comigo”.
O capitão entrou na ponte acompanhado da embaixatriz e da
almirante. A número um imediatamente se levantou da cadeira de comando.
- A vontade, comandante. Estarei em meu gabinete com os convidados;
avise-me quando conseguir contato visual com a estação.
- Sim, senhor. – Okaido voltou a se sentar e somente precisou olhar
para o Trill, que era o oficial de comunicações, para dar a ordem. A sintonia das ações de comando era tudo
em uma ponte.
No gabinete do capitão, a almirante começou a explicar a missão.
- Capitão Alkon... O senhor sabe que dependemos muito do sucesso
desta missão. A federação cresceu demais e vem perdendo o rumo a muito tempo. As invasões, sabotagens,
infiltrações e motins têm minado as nossas focas. Precisamos reavaliar nossas posições e parar de agir em
várias frentes. Estamos nos envolvendo demais em problemas que não nos dizem respeito.
- Mas, almirante – interrompe o capitão- um dos objetivos da
Federação e da Frota é de ajudar culturas menos favorecidas, sem é claro ferir a primeira diretriz.
- Ora, capitão – a almirante retoma a palavra – Não seja ingênuo.
A coisa que a Federação mais tem feito nos últimos anos é chutar para o alto a primeira diretriz quando lhe
convém tirar alguma vantagem. Estamos vivendo tempos mais agressivos.
- E nos tornando naquilo que mais desprezamos. – complementa o
capitão.
- Infelizmente é verdade. É por isso que temos que fortalecer a
nossa presença no quadrante gamma. Por isso esta nave foi construída e outras estão esperando para serem
finalizadas em várias docas espaciais. O tempo de pesquisar novas formas de vida e novas civilizações acabou.
A galáxia está cheia de vida e nossos cientistas ainda estão estudando mais de mil civilizações. Algumas já
deixaram de existir a milhões de anos. O lema agora é nos proteger. Para isso contamos com a sua ajuda e da
embaixadora.
Lwaxanna Troi ouviu tudo atentamente e explica a posição do
conselho.
- Meu caro capitão. Algumas raças não alinhadas com as quais temos
tratados, como os Ferengis, Romulanos e os Cardassianos; são muito traiçoeiras e podem comprometer o livre
comércio no quadrante gamma. Principalmente os Cardassianos que se julgam donos daquele setor. Para manter
uma situação de equilíbrio convidamos representantes das três raças que, no momento, são as mais influentes
neste setor dos limites do quadrante alfa. Por mim eu não interferiria, pois o comércio e as trocas culturais,
desde que a fenda espacial foi descoberta, são incalculáveis. Acredito que uma nave da Federação circulando
na borda da fenda espacial possa ser mal interpretada. Todavia, como o embaixador Spock costuma dizer:
“ A necessidade de muitos suplanta a necessidade de poucos ou de um.”; ou algo assim. Não me lembro
bem. Trouxemos para bordo alguns membros do conselho que ainda não tiveram a oportunidade de conhecer a
fenda espacial. Sabe como é... sair um pouco da rotina, um pouco de mordomia...
- Pelo que concluí a missão da Babel é de ficar de ouvidos bem
abertos e olhos arregalados.-diz Alkon tentando resumir toda aquela falação.
- Oficialmente vocês farão o habitual. Missão científica e
diplomática. Deverá manter contato diário com o comandante Sisko que retransmitirá as mensagens para o quartel
general da frota. Você deve avaliar toda potencialidade hostil naquele quadrante, a menor que seja e nos
avisar.- a almirante se levanta – Bom, estarei em meus alojamentos. Daqui a duas horas reúna os embaixadores e os enviados bajorianos, ferengi e cardassianos no deck de observação para um cocktail.
- Sim, madame. – acata o capitão.
A almirante Brand se retira e Lwaxanna também se levanta para
acompanha-la, mas não sem antes deixar um aviso:
- Cuidado Dorian. Esta missão pode ser pior do que apertar a mão
de um horta.
- Mas um horta não possui... – antes de terminar a frase Dorian
sorri e entende o que a embaixadora queria dizer.
****
Capítulo IV
Deep Space Nine - sala do Odo
Odo estava de costas dedilhando um PDA quando Quark entrou escoltado
por dois oficiais de segurança.
- Mandou me chamar? – perguntou o ferengi com certa ironia.
O chefe de segurança continuou sentado, atento a alguns monitores
e anotações. - Um momento. Já falo com você. – Odo sabia que Quark não era uma pessoa paciente e se ficasse
nervoso era porque estaria certo de suas suspeições.
- Olha, Odo, o bar está lotado e Rom está sozinho, o que não me
deixa nem um pouco confortável.
O transmorfo virou-se quase esboçando um sorriso.
- Você já viu um desses antes? – Odo mostra a Quark a escuta que
ele colocara no centro de Operações..
- O que é isto? Um besouro talosiano? – diz Quark tentando, em vão,
despistar as suspeitas de Odo.
- Isto é uma escuta. Um pequeno aparelho de espionagem encontrado
sob um console no centro de operações. – Odo se levantou e se aproximou de Quark exibindo o aparelho bem perto
dos olhos do ferengi até ele ficar quase vesgo.
- Ora... parece que a espionagem está virando um modismo. – tenta
Quark fazer piada da situação. Odo, porém, não acha graça.
- Vejo que minhas travas de segurança funcionaram e fizeram você
tomar medidas desesperadas. Se estou lembrado sobre a regra de aquisição ferengi número nove, ela diz que:
“Oportunidade mais instinto é igual a lucro.”
- Olha Odo, se você pensa em me vender este negócio eu não estou
interessado.- Quark se vira e tenta sair da sala, mas dá de cara com a porta trancada.
- As quatro e trinta e cinco desta tarde você esteve no centro de
operações com o pretexto de oferecer “de graça” – Odo fez questão de enfatizar esta parte – uma prova
de um novo drink para a tenente Dax e o chefe O´Brien. – Odo fazia seu interrogatório andando pelas costas de
Quark. Ele sabia que o ferengi detestava quando ele fazia isto,
- Era apenas uma cortesia a respeito de um novo produto a ser
lançado no mercado. Era apenas marketing. Agora posso ir? – Quark sabia que não iria resistir aquilo por
muito tempo.
-Um crime sempre se resume em três coisas. A arma, o motivo e a
oportunidade. Temos a “arma”, - Odo mostrou a escuta mais uma vez - sabemos que você criou uma
oportunidade, mas o que o levou a fazer isso? O que você esperava descobrir? Seus instintos o compelem a
tentar obter informações que possam a gerar lucros. Você é um ferengi. Sua compulsão é genética.
- Obrigado. Eu realmente preciso ir, posso?
- O que você está tramando desta vez? – Odo encara Quark mais uma
vez.
- Se eu disser algo isto me incriminará? – Quark tenta um último
recurso.
- Provavelmente. – confirma Odo.
- Bom... é... Você não acha estranho que um oficial cardassiano e
um ferengi estejam na estação sem sabermos nada a respeito?
- Engano seu. Eu fui avisado de suas vindas. Cardassianos andando
pelo promenade não é algo muito seguro atualmente. Já quanto aos ferengis.... Parece que ultimamente a
freqüência deles têm sido muito maior do que a média. O que é uma lástima e um transtorno para nós que
cuidamos da segurança. – diz Odo com certo sarcasmo.
- Ei, cuidado com o que fala de nós. Posso acusá-lo de preconceito!
– Quark muda o tom de voz e fala mais baixo – Então você sabia o tempo todo? – Quark sabia que podia ter
tentado com mais afinco desativar as travas de segurança do computador de Odo. O tempo que havia perdido...
Poderia ter examinado só alguns relatórios e....
- Mas é claro. Eu sou o chefe de segurança. E as minhas travas de
segurança se adaptam a qualquer intruso. Uma cortesia do chefe O´brien. Devo lembrá-lo que espionagem é um
crime dos mais graves. O que me impede de coloca-lo em uma cela agora?
- Você criaria um incidente diplomático? – Quark sorri mas Odo o
pega pelo colarinho e começa a conduzi-lo para a ala de detenção. Quark tenta um último argumento.
- Você não tem nenhuma prova que este transmissor foi posto por
mim. Ele já poderia estar lá antes de eu chegar. – Quark estava convicto que Odo não poderia incrimina-lo.
- Examinei-o cuidadosamente e encontrei resíduos de glândulas
sudoríparas. Pedi ao Doutor Bashir que as examinasse e descobrimos que combinam com o seu DNA. Estranho, não?
Quark estava frito. Ele bem que poderia ter usado luvas, mas na
pressa esquecera. Fora traído pelo seu próprio suor.
- Olha Odo, deve haver algo que eu possa fazer por você. Aceite
isso como... – ele já estava se arrependendo do que ia dizer – uma punição! Que tal um serviço comunitário?
– Quark tentava ainda não se dar por vencido.
- Uma punição? – Odo ficou pensativo por alguns momentos.- Como
abaixar o preço de suas bebidas e restringir a pornografia nas holosuítes por ... um mês ?
- Eu disse que aceitaria uma punição, não falência. – Quark estava
desesperado.
- Você não está em posição de negociar. O que me diz? – Odo não
cedia nem um centímetro.
- Uma semana. – Quark tentou barganhar. Era sua natureza.
- Um mês! – Odo se mantinha firme em sua posição.
- Tá...Tá.... Eu agora posso ir? – Quark cede ao pensar que seus
prejuízos poderiam ser ainda maiores a cada minuto que seu irmão ficava sozinho administrando o bar.
- Sim, mas ainda tem mais uma coisa... – Quark tinha dado com a
cara na porta outra vez.
- O que é agora? – o ferengi não queria demonstrar mais irritação
que o necessário.
- Rog. É o enviado de seu povo. Nível cinco, setor dois.
Voltaremos a nos falar. – aporta foi finalmente aberta. Quark saiu apressadamente pensando o porque de Odo
lhe dar esta informação. E quem seria esse tal de Rog? Ele só não notou que Odo colocara o transmissor nas
costas de sua túnica.
Centro de Operações
A major Kira Nerys nunca foi uma simpatizante da Federação. Na
verdade ela sempre se opôs a presença dela no espaço bajoriano. Porém tinha que admitir que admirava Benjamin
Sisko e que os profetas o haviam escolhido como o “Emissário”, mesmo que ele rejeite esta incumbência. Ela,
entretanto, não podia concordar com uma nave da Federação patrulhando a fenda espacial e o quadrante gamma.
Isto não ajudaria bajor na reconstrução de seu mundo. Tal ato poderia representar uma ação militar e chamaria
muita atenção. Principalmente dos cardassianos. Subiu as escadas que davam acesso ao gabinete de Sisko para
externar sua opinião a respeito disto tudo.
Ao entrar encontra um outro bajoriano conversando com o comandante.
- Ah, major Kira, já iria chamá-la para se reunir a nós. Já conhece
Barek Naris? – diz Sisko ao apresentar o enviado do governo bajoriano.
- Não. É um prazer. – Kira o cumprimenta e ainda um pouco atônita
tenta lembrar o motivo pelo qual entrou na sala.
- O prazer é todo meu. Sua fama a precede. Está fazendo um
excelente trabalho aqui. O povo bajoriano sente muito orgulho de você. – Barek era mais um político chato do
governo provisório a ser aturado.
- O conselheiro Naris acaba de chegar e gostaria que mostrasse a
ele a estação antes de irmos até a USS Babel.- sugere Sisko a major.
- Obrigado comandante, mas este tour não é necessário. Conheci a
estação há muito tempo atrás quando trabalhava como minerador no refino de uridium. Quanto menos ficar aqui,
melhor.
Então aquele homem era mais um sobrevivente, pensou Kira. Ele
poderia até merecer algum respeito.
Sisko, respeitando a decisão do bajoriano, o acompanha, junto com
a major, até o elevador. No meio do caminho a tenente Dax o informa:
- Senhor, mensagem da USS Babel.
- Ponha na tela, tenente.- ordena Sisko.
[Capitão Dorian Alkon. Aguardo transferência de pessoal, comandante,
bem como a sua visita.]
- Já estamos providenciando o embarque. Estaremos aí em dez
minutos. – informa Sisko.
[Ah, comandante, desculpe por não poder teleportá-los. Estamos com
um pequeno problema de alinhamento e não queremos arriscar.]
- Não se desculpe, capitão. Eu já servi em naves estelares antes
e sei bem o que é isso. Principalmente em naves novas como a sua.
[Agradeço a compreensão. Alkon desliga.]
A imagem sumiu da tela. Sisko não gostava dessas missões
diplomáticas, mas quando assumiu a estação sabia que era isso que mais enfrentaria. Esperava que isso
ajudasse a esquecer Jennifer, mas o passado não podia ser apagado.
- Dax, a estação é sua. Eu e a major Kira iremos conduzir nossos
convidados até a USS Babel. – a major não gostou muito da idéia, mas não tinha como recusar na frente de todo
mundo. Principalmente do conselheiro bajoriano. Sisko estava querendo alguém para sofrer com ele.
- Sim, senhor. A Ganges estará pronta em cinco minutos. – respondeu
Dax.
Os três pegaram o elevador e a major não conseguira dizer o que
pensava daquilo tudo. Não dizer o que pensa era algo que estava aprendendo a conviver, embora não fosse nada
agradável esta sensação.
****
Capítulo V
Quark ficou de plantão em frente ao quarto do enviado do governo
Ferengi e quando ele saiu foi logo interpelado:
- Com licença, senhor. Eu não o conheço de algum lugar? - pergunta Quark sem
muito pudor.
- Não creio.- diz Rog sem parar, mas sendo acompanhado por Quark.
- Eu sou Quark. Sou dono de um bar no promenade. Já esteve lá?
- Não. Não tive tempo. Desculpe, mas tenho que pegar o turbo-elevador.
Quark usou sua última cartada. Se pôs na frente de Rog.
- Se o senhor vai para o quadrante gamma vai precisar de algumas dicas e eu
sou o seu melhor guia.
Rog para e decide responder no intuito de se livrar logo daquele compatriota
impertinente.
- Quark? O grande Nagus me advertiu sobre você. Sua fama o precede.
- Advertiu é? - pergunta Quark com surpresa.
- De acordo com a regra de aquisição 59 acredito de suas informações irão me
custar algo... - deduz Rog.
- Não diretamente. Digamos que poderemos nos valer de uma troca de
informações.
- Pelo que sei você abdicou de seus lucros feitos pelo governo ferengi no
quadrante.
- Lucros oficiais. Podemos lucrar mais no mercado paralelo. - propõe Quark
quase num cochicho.
- Mas se o grande Nagus descobrir? - Rog começa a pensar na oferta.
- "Um homem sábio escuta o lucro no vento" - Quark faz uma citação.
- Regra de aquisição número vinte e dois. Eu gosto dessa! - Rog parecia
estar entrando na conversa.
- Então? Temos um acordo? - Quark faz a pergunta cabal.
- Eu entrarei em contato. Agora tenho que ir. Estão a minha espera. - Rog se
despede deixando um Quark satisfeito para trás. Seus esforços não foram em
vão afinal.
A Ganges começa a aproximação final no hangar da USS Babel. A bordo, além do
comandante Sisko e da major Kira, estavam Rog, o enviado ferengi; Barek
Naris, o observador bajoriano; Durgat, observador cardassiano e uma vulcana,
a médica, Dra. T´Vel.
A major Kira aproveita o momento em que a nave é colocada no automático e
sendo puxada pelo raio trator para fazer um comentário.
- Acho que a federação está preparando uma bomba relógio.
- Major... Acho melhor conversarmos sobre isso depois - diz Sisko olhando
com reprovação pois os convidados poderiam ouvir.
Kira resolve mudar de assunto: - Ela é uma nave bonita...
- É sim - concorda Sisko lembrando com certo pesar da última vez em que
serviu numa nave estelar.
No hangar o capitão Alkon e a primeira oficial, a comandante Okaido estavam
aguardando o desembarque do grupo.
- Comandante Sisko! - diz o capitão ao se aproximar para apertar-lhe a mão
entusiasticamente. - É um grande prazer conhecê-lo.
Sisko fica meio sem graça com o entusiasmo do jovem capitão.
- O prazer é todo meu. Esta é a oficial de ligação de Bajor, major Kira
Neris.
A major o cumprimenta e em seguida à comandante Okaido.
Feitas todas apresentações o grupo é encaminhado para o deck de observação.
A comandante Okaido fica para trás com a Dra. T´Vel e começam a conversar.
- Tenente T´Vel se apresentando. Aqui está a minha ficha para o
comissionamento.
- Vou encaminha-la a enfermaria.
- Não é necessário. Estudei as plantas da nave. Sou capaz de chegar lá
sozinha. Creio que o capitão precisará de sua companhia na reunião. - a
doutora demonstra a objetividade e a lógica vulcana.
-Muito bem. Mais tarde conversaremos.- a comandante se despede e percebe que
a relação com diferentes povos ia ser difícil.
Um cocktail foi servido aos oficiais mais graduados da nave juntamente com
os diplomatas convidados. Vários embaixadores de vários mundos estavam
presentes como Vaaliano, Telarita, Ekoniano, Andoriano, Vulcano,
Arbazaniano, Boliano, Beltazóide, Cardassiano, Ferengi e Klingon, na figura
do oficial de segurança Klag que usava um uniforme de gala de seu povo. Uma
música suave banhava o ambiente até a embaixadora Troi bater com um talher
em sua taça. As conversas paralelas cessaram e ela tomou a palavra:
- Senhora e senhores, um momento de sua atenção. Este momento é marcante na
história da Federação. Apesar desta missão ser classificada como não-oficial
esperamos que possamos colher bons frutos - Lwaxanna sorri e demonstra toda
a sua simpatia. Na verdade ela procura emitir, através de ondas mentais,
sinais de simpatia, mas infelizmente nem todas as mentes são sucetíveis ao
seu desejo.
- Não estou interessado em frutos. Cardássia quer que seus interesses sejam
assegurados sem ter que ceder a pressões de outros povos. - pela primeira
vez o emissário Durgat falou e não procurou ser amistoso.
Bem que o embaixador Spock a havia prevenido, pensou Lwaxanna. Os
cardassianos teriam que ser aliados da federação,pois se fossem inimigos
seria um desastre para vários povos. A embaixadora ouviu a posição do
emissário e comentou:
- Emissário Durgat...- fez uma pausa- A três anos a Federação e a União
Cardassiana assinaram um tratado de paz. Isto significa que pretendemos que
as nossas relações sejam as melhores possíveis. Sem imposições e com mútua
colaboração.
- Palavras são muito bonitas, mas na prática a Federação usa seus
sabotadores - diz se referindo aos Maquis - para minar o poderio de seus
vizinhos neste setor, que ameaça a sua expansão no universo. - o emissário
ferengi tinha posto a lenha na fogueira. Pena que as ondas mentais dos
ferengis não eram compatíveis à influência do betazóides; se assim fosse
Lwaxanna o teria sugestionado a procurar a cápsula de fuga mais próxima.
O comandante Sisko resolve intervir antes que a torre de Babel desabasse de
uma vez.
- Senhores... Esta missão representa muito para muitos governos. A federação
está procurando colaborar com esta nave e sua tecnologia para que possamos
manter o equilíbrio neste setor da galáxia. O que eu faço na estação vocês
terão a responsabilidade de fazer no quadrante gamma. - Sisko consegue ser
ouvido. Aproveitando o silêncio a almirante põe fim na conversa assim que o
comandante termina de falar.
- A federação não interferirá nos acordos comerciais ou até mesmo militares
que venham a ser realizados no quadrante gamma. Desde que, é claro, tais
acordos não subjuguem culturas mais fracas. A USS Babel deverá navegar por
um ano terrestre e durante este tempo todos vocês terão a certeza da
transparência de nossas missões e respeitaremos o sigilo de seus futuros
acordos. - a objetividade da almirante em sua fala era quase vulcana.
- Isto é aceitável.- diz Rog quando vê que não terá que dividir seus lucros
com ninguém da Federação.
O emissário Durgat larga a sua taça sobre uma mesa, faz uma reverência aos
presentes e se ausenta da reunião. Parecia ter concordado, mas se tratando
de cardassianos não se podia confiar em aparências.
Lwaxanna suspira, pega o braço do comandante Sisko, repousa a cabeça em seu
ombro, demonstrando estar aliviada com o fim da discussão.
- Oh, comandante, obrigada. Você também querida - diz se dirigindo à
almirante - ; vocês salvaram a noite. Pena não termos nos encontrados da
outra vez que estive por aqui. O senhor daria um excelente diplomata.
Sisko estava ficando um pouco desconfortável ao andar pelo salão abraçado
com a embaixadora. Kira, em um canto, achava a situação bastante engraçada.
- Por acaso aquele chefe de segurança transmorfo não veio com o senhor,
veio? Mande-lhe lembranças. Ele foi muito simpático na minha última visita à
sua estação.
- Eu mandarei.
- Não pudemos nos encontrar anteriormente. Se bem me lembro, o senhor estava
muito ocupado com uma revisão dos sistemas da estação. O senhor tem
compromisso mais tarde, comandante?
- Bem... eu... tenho que rever as lições de casa do meu filho.- Sisko
inventa uma desculpa e tenta se desvencilhar do abraço de Lwaxanna.
- Filho? O senhor é casado? - pergunta a embaixadora um pouco desapontada.
- Não, viúvo. - confessa Sisko.
- Oh, coitadinho... Deve se sentir solitário naquela estação em meio a uma
paisagem tão desolada...- Lwaxanna começa a passar a mão sobre a cabeça de Sisko o que o faz "levantar escudos e soar o alerta vermelho".
- Desculpe, embaixadora. Adoraria passar mais tempo com a senhora, mas o
dever me chama. - diz Sisko tentando se desvencilhar dos ataques da
embaixadora betazóide.
- Sim, compreendo. É uma pena. Espero vê-lo em outra oportunidade.
- Espero que sim.- ele beija aa sua mão e sai do salão acompanhado pela
major Kira e do capitão Alkon.
- Lwaxanna fica para trás e faz um comentário discreto com a almirante.
- Sabe... Eu admiro humanos núbios. Eles têm um... - por um momento ela mede
as palavras e completa a frase - ... um vigor! - e fica a sorver mais um
gole de champagne.
A almirante que quase se engasgou com o possível comentário da embaixadora
toma mais um gole de sua taça em meio a um sorriso discreto. O restante dos
embaixadores fica a observar o abrir e fechar da fenda espacial ,
maravilhando-se a cada nave que chega ou parte par o quadrante gamma.
No corredor o capitão Alkon pede que Sisko o escute. Este, percebendo que
era uma conversa particular pede para a major o esperar no explorador. Kira
atende o pedido e segue rumo ao hangar.
- Comandante... Gostaria de agradecer suas palavras lá dentro. Gostaria
ainda de me desculpar o meu mau jeito em lidar com diplomacia a questão.
Fiquei confuso com todos os diferentes pensamentos.
- Você é telepata?
- Betazóide. Fui indicado pela embaixadora e aceito pela almirante. Fui o
primeiro na minha turma ao me formar e fui recém-promovido; após três anos e
meio de serviço.
- Tão rápido? A frota deve estar desesperada. - comenta Sisko se dando
conta tarde demais da sua falta de sutileza. Sabendo que tinha sido
indelicado com seu comentário e seus pensamentos acabariam por traí-lo mais
ainda, tentou contornar a embaraçosa situação.
- Me desculpe, capitão. Estou acostumado a lidar com cardassianos e
ferengis nestes últimos tempos que as vezes me esqueço que sinceridade
demais às vezes é prejudicial. Sinto também ter tomado a palavra lá dentro.
Foi uma quebra de hierarquia. Peço que me perdoe. - Havia sinceridade e
respeito em suas palavras.
- Desculpas aceitas, comandante. Mas que sua intervenção foi providencial,
isto foi. Este será nosso segredo. Afinal esta missão é classificada como
secreta. Quem vai saber disso? Na verdade espero contar com sua experiência.
Agora devo voltar para entreter os meus convidados. Um bom retorno a
estação. - apertaram as mãos e cada qual foi para um lado.
Ao voltar para companhia de Kira, Sisko notou um olhar de triunfo em seus
olhos. Ela percebeu que ele havia percebido, então ele foi logo falando:
- O que foi, major? Acha que eles irão se matar no quadrante gamma, não é?
- Eu não disse nada. - Kira sabia que ele detestava quando ela estava
certa.
Sisko sorri e se rende às suspeitas de Kira. Aquele capitão realmente
estava sentado sobre uma bomba-relógio prestes a explodir. Sisko só desejava
que isso acontecesse longe de sua estação.
****
Capítulo VI
"Diário de bordo, data estelar : 77282.9- Capitão Alkon dando
entrada no primeiro dia de missão da USS Babel. A nave está orbitando o planeta Bajor,
próximo a estação espacial nove. A almirante Brand e a embaixadora Troi já
deixaram a nave e voltaram para Terra em uma nave comercial vulcana que
trouxe a Dra. T´vel. O manifesto da tripulação já foi concluído e tento me
familiarizar com os nomes e postos de meus novos comandados. Estou certo que
todos são muito competentes, mas devo confessar que só me sinto a vontade ao
lado de Okaido pois é a única com quem já trabalhei antes.Sei que, com o
tempo, estarei apto a confiar a minha vida à minha equipe, bem como eles
irão adquirir confiança e respeito com a minha liderança. Não devo me
precipitar em exigir demais sobre o comportamento da tripulação. Espero
apenas poder ser um bom capitão.
Nossa nave estará em missão diplomática pelo quadrante Gamma durante um ano
terrestre para fazer contatos com novas civilizações, acordos comerciais
para a federação e ampliar os conhecimentos cartográficos do quadrante. Em
dez minutos atravessaremos a fenda espacial e devo confessar um certo
excitamento pelo fato. Pelos informes que recebi parece que será uma
travessia inesquecível. Fim do relatório."
Alkon estava sentado em seu gabinete ouvindo uma suave música vulcana
recostado em sua cadeira. Não sabia o que esperar daquela missão. Havia
interesses conflitantes quanto a ela. Principalmente pelo que pode notar nas
opiniões dos emissários ferengi e cardassiano. Sua experiência como
conselheiro em naves estelares, depois como membro de grupos de descida, e
mais tarde como segundo em comando era o que o tinha feito chegar ao posto
em que se encontrava. Talvez o momento mais difícil em sua carreira foi
durante a batalha em Wolf 359. Ele servia como conselheiro da USS Chekov
quando tentaram, em vão, deter a invasão Borg. Foi um dos poucos
sobreviventes vagando pelo espaço em um casulo de fuga. O pior não foi ter
perdido a nave, mas de ter ouvido as centenas de mentes que morriam naquela
ocasião.
O trauma foi muito grande. Pensou até em sair da frota, mas foi quando
percebeu que eles precisariam dele mais do que nunca após aquela catástrofe.
Lembrou do que também sofreu o capitão Picard naquela época e ele não
desistiu. Apesar de todas as desconfianças que pairaram sobre ele, mesmo
assim seguiu adiante e continua no comando da nau capitânea da Frota. A
frota havia perdido vários bons oficiais naquela batalha onde 39 naves foram
destruídas. O fato de agora terem capitães muito jovens comandando naves
estelares era um reflexo disso. Por isso não se ofendera com o comentário do
comandante Sisko.
Até mesmo Alkon não esperava o comando de uma nave tão cedo. Estava servindo
à um ano como primeiro oficial na USS Trípoli quando recebeu o convite da
Almirante Brand. Ao contrário de muitos em sua posição, ele sempre almejara
o posto de capitão. Acreditava estar preparado, mas agora não tinha tanta
certeza assim. Uma voz foi ouvida no ar.
"Capitão, estamos prontos para zarpar. A estação nove está nos desejando boa
sorte." - era a voz da sua número um.
- Agradeça a eles. Estou à caminho. - a porta em direção à sua cadeira de
comando se abriu quando passou. Ao sentar-se sentiu um certo frio no
estômago e então ordenou:
- Navegador, traçar curso para a fenda espacial. Piloto, força de impulso,
fator dois.
- Curso traçado. - diz o boliano azulado.
- Impulso fator dois - repete a tenente Allison ao manobrar a nave se
distanciando da estação.
De repente a nave sacudiu e a impressão que todos tiveram foi de terem sido
sugados por um ralo. A tela principal estava ligada e um festival de luzes
preencheu a ponte de comando. Era uma linda visão. Não era à toa que a fenda
tivesse um simbolismo religioso para os bajorianos. Poucos segundos depois
estavam do outro lado da galáxia: o quadrante gamma.
- Todos os setores, relatórios - Alkon começara os procedimentos que
aprendera em seu curso de comando. Os reportes diziam que a nave havia
suportado bem a travessia, então ele relaxou.
- Comandante, siga o curso baseado nas observações da cartógrafa Melora .
Devemos visitar o mundo Dosi primeiro. Eu estarei em minha cabine. A ponte é
sua.
- Sim, senhor. - a sua primeira oficial ocupa a cadeira do capitão e
ordena:
- Senhor Borix, traçar novo curso. Tenente Allison... força de impulso
fator seis.
- Sim, senhora - respondem quase ao mesmo tempo os dois oficiais.
- Senhor, McCormick, fique bem alerta com os sensores. Estamos em um
terreno novo e não quero nenhuma surpresa.
- Sim, senhora. Nada incomum a relatar.
- Alferes Jared - vira-se para o Trill, que era o oficial de comunicações -
mantenha as freqüências abertas. É sabido que ultimamente há um grande
tráfego de naves por aqui. Seria bom nos relacionarmos bem com qualquer nova
raça. Poderemos obter informações úteis. - especula Okaido.
O Trill dedilha em seu painel e olha para cima como se estivesse ouvindo
algo em seu receptor, mas não havia nada a relatar.
A ponte começava a funcionar como um perfeito circuito óptico, pensou o
capitão ao olhá-la antes de entrar na cabine. Caminhou até a janela e ficou
observando as estrelas passarem. Fazia muito tempo que não parava para
observá-las. Sempre esteve muito atarefado em suas obrigações e agora, como
capitão, tendo uma excelente equipe de comando, esperava poder relaxar um
pouco. Este pensamento durou até o som do intercomunicador soar em sua mesa.
- Pode falar...- ordenou com a voz triste devido ao fim de seu pequeno
momento de descanso.
[O emissário cardassiano quer falar com o senhor , em particular.] - era a
voz de Okaido.
- Tudo bem. Peça que venha ao meu gabinete.
[Ele solicita que conversem no aposento dele.]
- Ok, estou a caminho.- Alkon suspira e ajeita o seu uniforme antes de se
levantar. Atender aos caprichos dos diplomatas era algo com o que ele teria
que se acostumar. Saiu de seu gabinete em direção ao turboelevador e, ao
passar pela ponte, viu que a número um olhava para ele com certa
curiosidade. Que segredos o cardassiano teria a compartilhar?
O enviado ferengi estava em seus aposentos conversando com o grande Nagus
através de um canal privado a respeito de um carregamento de vinho tulaberry quando um outro aparelho apitou.
[O que foi isso?] - perguntou o grande Nagus ao ser interrompido.
- Isto o que? - Rog tenta disfarçar.
[Este zumbido. É um comunicador?] - pergunta o grande Nagus.
- Ah, o apito? É uma outra chamada. Deve ser o capitão da nave da Frota
estelar. Um momento... - Rog interrompe a imagem na tela e corre para pegar
um comunicador particular.
- Quark, eu já falei que entraria em contato com você. Não deve nunca me
contatar. Isto é perigoso para os negócios!
[Nossos negócios, se me permite corrigi-lo. Liguei para saber como vão as
coisas. Afinal adiantei algumas barras de latinum nesta empreitada.]
- Eu sei, não precisa me lembrar. Escute... Nós mal atravessamos a fenda
espacial... Tão logo os negócios com os Dosi estiverem concluídos eu o
avisarei. Agora não posso mais falar. O grande Nagus espera na outra
linha...
[Espere eu...] - Rog não espera para saber o que Quark queria. Restabeleceu
rapidamente o contato com o grande Nagus.
- Desculpe-me, ó grandioso. O capitão quer me ver. Estamos chegando ao
planeta Dosi.
[Isto é bom. Mas nunca mais interrompa a transmissão, ou terei que multá-lo
nas suas percentagens das transações comerciais. Grande Nagus desliga]
Rog suspira aliviado. Parecia que ele não tinha percebido nada. Tudo poderia
seguir com os planos originais.
****
Capítulo VII
O capitão Alkon entra no alojamento de Durgat assim que lhe é
permitido.
- Que bom que pode me atender tão prontamente, capitão.
- Esta é uma das minhas funções. O que deseja?
- Suas habilidades não revelaram ainda?
- O fato de ser capaz de ler mentes não significa que o faça sem permissão.
Na verdade é muito desconfortante invadir e partilhar mentes. Principalmente
de estranhos.
- Desculpe, capitão. Não pretendia ofender. É da natureza cardassiana ser
desconfiado. Todavia o motivo de solicitar esta conversa é um tanto
embaraçoso e peço sigilo antecipado.
- Como diriam os ferengis...Sou todo ouvidos. - O cardassiano demonstrava
emoções confusas e não precisava ser telepata para perceber isso. Parecia
estar escondendo alguma intenção obscura, mas o que seria?
- Meu governo pede que eu seja informado de todos os dados referentes a
fontes de mineração, novas civilizações e perigos para a navegação.
- Isto já foi acordado. Não vejo o porquê do senhor me chamar aqui para
relembrar o que temos a fazer. Se me dá licença...- Alkon já ia se retirando
quando Durgat o segura pelo braço com certa força impedindo-o de sair. O
capitão fixa o olhar, primeiro na mão do cardassiano, depois em seus olhos.
A intimidação parecia ter dado resultado pois logo em seguida Durgat o
libera e, mais uma vez, pedindo desculpas.
- Na verdade, capitão. Não desejo lembrá-lo de suas obrigações. Sei que as
têm de cor. O meu governo quer realmente é que, caso ,em nossa viagem ,
encontremos postos avançados cardassianos que isto se torne confidencial.
- Isto seria um pouco complicado, emissário. Isto fere o acordo de livre
informação.
- Mas a sua almirante garantiu...
- Garantiu - completa Alkon- a não interferência da Federação nos assuntos
privados de cada civilização representada à bordo. Não iremos sondar ou
investigar nenhum de seus "supostos" postos avançados. Contudo, se a
presença deles for detectada em nossos sensores, tal informação ficará em
nossos bancos de dados que poderá ser acessada , a qualquer momento, por
qualquer um dos emissários à bordo. - o capitão procura deixar bem claro a
sua posição.
- Compreendo sua atitude, capitão. Só gostaria que soubesse que Cardássia
não tolerará nenhuma espécie de ingerência sobre seus assuntos por parte de
ninguém.
- Informação anotada. Agora com licença, tenho deveres a cumprir na ponte. -
Alkon se retira do aposento do cardassiano após este mear com a cabeça como
quem consente o final da conferência.
O capitão desce o corredor com a sensação de que sua missão seria mais
difícil do que pensava, e que, após muitos anos, uma dor de cabeça começava
a incomodá-lo, apesar de todo o seu treinamento mental. Talvez fosse aversão
à mente cardassiana, o que não seria uma teoria totalmente estúpida.
O tenente McCormick parecia intrigado com o que via em seu monitor na
estação de ciências. Procurou verificar se havia alguma falha nos
instrumentos pelo menos duas vezes. Pediu então uma segunda opinião ao
oficial Klingon no posto táctico e só depois dividiu sua descoberta com a
comandante Okaido.
- Comandante, captei algo nos sensores de longo alcance.
- Especifique.
- Bem que eu gostaria. Não consigo definir o que é. Alguma coisa está nos
seguindo e mantendo uma distância discreta.
A comandante levanta de sua cadeira para observar os monitores de perto.
- Poderia ser uma sombra nossa?
- Impossível. Não há nada ao redor que possa provocar o fenômeno. O tamanho
da coisa é menor que a nossa nave.
Neste momento o capitão Alkon entra na ponte e é logo informado da situação.
- Temos companhia. - informa Okaido.
- De quem?
- Indefinido, senhor. - tenta explicar, sem muito sucesso, o apreensivo
tenente McCormick
- Uma nave com dispositivo de camuflagem? Resquícios de plasma em sua rota?
- É possível... - concorda McCormick com seu capitão.
- Se for uma nave camuflada sabemos que poucos a possuem. O que reduziria
bem a lista sobre a identidade de nosso amigo curioso. Mande uma sonda
classe quatro. Tenente Saint-John, reduza para um quarto de impulso. Vamos
esperar e ver o que nosso amigo invisível fará.
- Sonda lançada, senhor.
- Ponha no visual. - o capitão senta-se na cadeira e aguarda até ver algo
que já esperava. Quando a sonda atingiu cem quilômetros do alvo foi alvejada
e destruída. Uma peque nave havia se descamuflado por um momento e voltando
a se esconder no momento seguinte.
- Triangule a fonte do disparo. Erguer escudos. Alerta vermelho. Mirar
phasers naquele setor e disparar em máxima dispersão. Agora! Fogo!
As ordens são executadas imediatamente. Seus subordinados eram bem treinados
e tiveram uma boa oportunidade de provar o investimento que a Frota havia
feito.
Na tela um pequeno brilho foi visto. Um reflexo de uma proteção de escudos
defletores da nave inimiga.
- Ali! Mire e atire novamente, tenente Klag.
- Afirmativo, senhor.- o Klingon parecia satisfeito pelo combate inesperado
naquela bocejante missão diplomática.
Outro reflexo foi visto e uma nave transparente rumava na direção da USS
Babel atirando. Todos balançaram um pouco.
- Escudos agüentaram. 91 por cento. Danos mínimos nos defletores dianteiros.
Respondendo ao fogo . - informava Klag.
- McCormick o que dizem os sensores agora? - a comandante esperava mais
informações para conhecer melhor o inimigo.
- Nave de escolta romulana. Um novo design, mas definitivamente romulana,
senhora.- confirma exultante o tenente.
- Romulanos, aqui? Vamos ver o que eles querem. Alferes abra um canal de
comunicação. - ordena a número um.
A nave balança mais um pouco com novos disparos e antes que houvesse alguma
resposta chegam à ponte os emissários cardassiano, bajoriano e ferengi
pedindo informações sobre o que estaria ocorrendo. O capitão faz um gesto
para que se calem e esperem. Na tela surge a imagem de um oficial romulano.
[Sou o general Tomak da nave R´tor. Solicito que suspendam fogo!]
- Sou o capitão Dorian Alkon da USS Babel. Por que estava nos seguindo
furtivamente?
[Deve estar havendo algum mal entendido. Não estávamos seguindo vocês.]
- E por que destruíram a nossa sonda?
[Pensamos ser um torpedo. Nossos sensores não estão funcionando bem. Apenas
nos protegemos.]
- É pena os seus sensores estarem defeituosos. Poderemos dar assistência à
sua equipe de engenharia se quiser. Pelo design de sua nave parecem estar em
uma viagem-teste, mas, não estão muito longe de casa para tal missão?
[Acredito que meus engenheiros são tão eficientes quanto os da Federação.
Não será necessária ajuda alguma. Quanto a estarmos longe de casa, parece
que isto se aplica ao senhor também. Pelo que sei a Federação não possui
nenhum posto avançado ou colônia neste setor também. Somos apenas
desbravadores, caro capitão.]
- Então devo concluir que este episódio não passou de um mal
entendido. Um daqueles que temos tido muito com vocês ultimamente. De nossa parte pedimos
desculpas. Se precisar de alguma coisa... - o capitão sabia que a nave
deles estava bem avariada e que também o orgulho romulano recusaria mais uma
vez a sua ajuda. Não era necessário nem ser betazóide para concluir isto.
[Desculpas aceitas. Nos afastaremos um pouco mais de sua rota para evitar
incidentes futuros, do contrário terei que considerar que está procurando
deliberadamente um ato de guerra contra o império Romulano. Como o senhor
sabe, nós não nos furtaremos de uma boa briga!] - a imagem some junto com o
sorriso cínico do general Tomak.
Antes mesmo de Alkon poder analisar o recente e estranho encontro a voz do
emissário ferengi foi ouvida por todos na ponte.
- Capitão... Espero que não nos atrasemos ao encontro dos Dosi. Meu governo
precisa fechar um acordo muito importante e ...
- Estaremos lá no horário. Acredito que não teremos mais problemas. Os
senhores podem voltar aos seus aposentos.
Durgat e Barek se entreolharam como se esperassem que o outro fosse retrucar
com o capitão mas nada disseram e se retiraram.
- Okaido, informe que quero toda equipe de comando na sala de reunião daqui
a meia hora. Klag faça o relatório de danos e possíveis baixas. Mantenham a
nave em alerta amarelo. Esta viagem parece que não será nem um pouco
monótona! - Alkon leva a mão à cabeça tentando aliviar uma dor cada vez
mais freqüente. Ele estava se achando num grande tabuleiro de xadrez
tridimensional e precisava entender melhor as táticas deste novo e perigoso
jogador. Okaido fica preocupada.
- Posso ajudar, capitão?
- Não, imediato. É apenas uma dor de cabeça. Vai passar logo. Creio que é a
tensão de um primeiro comando. Já deve ter lido sobre isso na academia, não?
- Claro, senhor. Vou providenciar a reunião.
- Perfeitamente. Vou para o meu gabinete. - Okaido o acompanha com o olhar.
Seu amigo, betazóide perfeito com dor de cabeça? Alguma coisa estava muito
errada. Será que havia algo sobre a missão que ela não sabia? Os receios do
capitão poderiam parecer insegurança para a tripulação. Algo inconcebível em
um comando. De qualquer forma em breve poderia saber sobre os mistérios que
pairavam sobre missão diplomática e qual a verdade sobre a ameaça romulana.
****
Capítulo VIII
O bar da nave não estava cheio e não foi difícil reconhecer a dra. T´vel
sentada próxima a uma janela. A comandante Sarah Okaido se aproximou e
perguntou se podia sentar-se. A vulcana não fez objeções.
- Interrompo alguma coisa? - pergunta a comandante ao ver a médica lendo
uma prancheta eletrônica.
- Na verdade, sim. Estou me familiarizando com as fichas médicas da
tripulação.Meu relatório sobre a condição médica da tripulação durante nosso
pequeno conflito já foi enviado para o tenente Klag.
- Já o recebemos. Desculpe, eu não queria... - Sarah faz menção de se
levantar, mas a médica estende a mão pedindo que fique.
- Não tinha intenção de ser rude. Esqueço-me que os humanos são muito
sensíveis à sinceridade. Se causei algum desconforto emocional não foi
intencional, comandante.
- Ok, tudo bem. Eu a vi aqui e achei que poderíamos nos conhecer melhor.
- Minha ficha de registro não foi transferida para os bancos de dados do
computador da nave? - T´vel estava curiosa com o interesse da comandante
nela.
- Sim, claro que foi. Uma coisa é você ler sobre uma pessoa e outra é
conhece-la pessoalmente.
- O que quer saber sobre mim, comandante?
- Bem... Eu só queria conversar. O que acha da missão, o que achou das
instalações médicas, dos seus aposentos... estas coisas.
- As instalações médicas são satisfatórias. Meus aposentos são luxuosos
demais para as minhas necessidades e quanto a missão eu não a questiono.
Estou preparada para cumprir o meu dever.
Sarah sabia que seria difícil fazer um vulcano relaxar em uma conversa.
Eles eram um computador bípede; sem emoções, sem emoções, sem paixões, sem
graça. No relatório sobre a médica havia lido algo sobre a doutora ter sido
indicada para a academia pela falsa embaixadora T´pel , que se revelou uma
espiã romulana; causando um incidente diplomático com a federação anos
atrás. A doutora provavelmente sofreu algumas perseguições veladas de
oficiais da frota que a julgavam ser também uma espiã romulana. Isto a
prejudicou em algumas promoções, apesar de sua ficha impecável. Esta parte
não estava no relatório. Soube disto tudo nos bastidores da Frota.
- Bom, fico feliz que tenha gostado das instalações médicas. Quanto aos
seus aposentos, se quiser alguma modificação, não hesite em me comunicar. O
capitão marcou uma reunião para daqui a vinte minutos. Poderia tê-la
notificado pelo comunicador, mas preferi fazer este "primeiro contato".
Gosto de conhecer bem o pessoal com o qual trabalho.
- Estarei lá, comandante. - disse a vulcana que voltou a ler as fichas
médicas.
A número um se levantou e suspirou. Teria que ter paciência para adquirir a
amizade da doutora. O tempo seria o melhor mestre. T´vel a acompanhou com o
olhar ao sair. Percebeu que a comandante sabia de algo sobre ela. O velho
boato tinha também chegado ao quadrante Gamma. Ela não deixaria ninguém ter
pena dela. Ninguém.
Minutos mais tarde na sala de reunião
A primeira reunião de equipe. A primeira de muitas durante aquela
missão.Estavam todos reunidos para tentar desvendar um mistério. A primeira
aparição de romulanos no quadrante Gamma. O capitão inicia apresentando
algumas características incomuns sobre o recente episódio.
- Não é verdade que uma das qualidades dos romulanos é de não serem
complacentes? Então por quê o general Tomak aceitou as nossas desculpas e
partiu tão rápido?
- Na verdade, de acordo com os sensores, ele mantém uma rota paralela a
nossa. Estão descamuflados à um milhão de quilômetros. - informa McCormick.
- As especificações de sua nave também são novas. Não consta do banco de
dados da Frota.- acrescenta o oficial tático e chefe de segurança Klag.
- Suas intenções de certo são escusas. Uma nave que atira quando está
camuflada e pequena o bastante para se aproximar sem que percebamos até o
momento final. Se não tivesse solicitado ao senhor McCormick uma ampliação
no raio dos sensores, só Deus sabe o que poderia ter acontecido. O senhor
pôde perceber algo quanto ás suas intenções, capitão? - pergunta a número
um.
- Eu pude perceber que ele estava bastante tenso, porém não surpreso em ser
detectado. - Alkon revela o que suas qualidades telepáticas já haviam
revelado durante a conversa com o comandante romulano.
- Uma espionagem às claras? Esta é uma tática nova! - exclama a chefe de
engenharia Naomi.
- Talvez ele esteja nos testando. Vendo como reagimos a sua presença. Se
nos incomodarmos é porque temos algo a esconder. Devem estar curiosos por
não terem sido convidados para esta missão. - diz Okaido.
- Talvez seja porque há três anos eles não possuem um embaixador para se
fazer contato. Desde aquele episódio da descoberta da falsa morte da
embaixadora T´Pel que o pessoal da Enterprise ajudou a revelar ser uma espiã
romulana. Ele foi chamado às pressas para Romulus e nunca mais voltou. Não
mandaram ninguém para o seu lugar. De lá pra cá a distensão entre o governo
romulano e a Federação só tem aumentado. O que sugere que façamos agora
imediato, ignorá-los? - pergunta Alkon.
Sarah pensou: "T´Pel de novo!". Ela olhou involuntariamente para a doutora
que não mudou de semblante desde o início da reunião. "Como será que isso a
afeta?" Na hesitação da comandante Klag responde:
- Recomendo que continuemos a monitorá-los, senhor.
Alkon acha estranho a atitude de Sarah, mas suas habilidades o fazem
perceber o que havia se passado.
- Qual a posição da R´Tor agora, senhor McCormick ?
O oficial de ciências acessa o console da mesa e procura dar a resposta para
o seu capitão , porém...
- Ela está a novecentos e... - McCormick emudece.
- O que foi, tenente? - pergunta Okaido.
- Ela sumiu! - diz o capitão ao sentir as ondas de pensamento do oficial de
ciências. - Klag e McCormick, verifiquem os sensores mais uma vez. Quero
saber para onde ela foi. Okaido vá para a ponte e ponha a nave em alerta
vermelho. O restante a seus postos. Eu irei em seguida. Dra. T´Vel gostaria
que ficasse. Preciso fala com a senhora.
"Ele percebeu" - pensou Sarah. -
"Espero que ele pegue leve com ela.Apesar de não demonstrar os vulcanos tinham sentimentos."
Quando na sala restam apenas a médica-chefe e o capitão, o ar parecia ficar
mais rarefeito. Alkon havia percebido que o seu pedido tinha alterado os
batimentos cardíacos da doutora. Seria isso possível? Estaria ela com medo
dele? Ou havia algo que ela temia em revelar?
- Notei que durante a reunião a senhora não se pronunciou.
- E deveria? - T´Pel ficou na defensiva.
- Eu espero opiniões de meus comandados durante a discussão de um problema.
- Não vi como poderia ajudar. Não havia uma emergência médica para
necessitar de minhas habilidades. - A médica tentou explicar o seu
comportamento lógico.
- Tenente T´Vel, se não fosse vulcana eu diria que você está tentando evitar
se expor. Você está, de alguma forma, inconfortável nesta nave?
- O senhor está tentando ler a minha mente?
- Você tem medo disso? - Alkon tentava instiga-la. Lembrou de seu tempo
como conselheiro psicológico.
- Sou treinada em técnicas mentais. Sei bloquear bem incursões mentais
externas.
- Por que me diz isso? Não sabe que invasão mental é proibido? Por caso não
confia em mim? Acha que eu leria sua mente sem permissão? Gostaria que
nossas intenções fossem claras para termos um bom relacionamento à bordo. -
Alkon tentou coloca-la contra a parede. A doutora teve que baixar a guarda.
- Desculpe, senhor. As vezes tenho que me controlar para não parecer uma
pessoa desagradável. Sei da necessidade de demonstrar afeição entre outras
raças. Os humanos e betazóides, como o senhor, ficam muito preocupados com
a personalidade soturna de nós, vulcanos. Isto é algo com o que devemos nos
acostumar. São diferenças culturais e nos adaptarmos à elas, eu creio, é um
dos objetivos da nossa missão.
- Muito bem, doutora. Você não é a primeira mulher vulcana com que tenho o
prazer de me relacionar. A sua atitude soturna não me afeta nem um pouco.
Contudo, se tiver algum problema, de adaptação ou relacionamento com algum
tripulante, gostaria que me comunicasse. Dispensada.
T´Vel já estava saindo quando o capitão a chama novamente.
- Relaxe doutora, eu não ligo para boatos. - Alkon sorri e por um breve
momento pareceu que a doutora fizera o mesmo antes da porta se fechar.
"Ele sabia. Que tola que fui!" - T´Vel pensou em aplicar um tal-shaya nela
mesmo.
Estação Espacial Nove
O comandante Sisko iria aproveitar umas horas de folga para jogar baseball
com seu filho Jake no holodeck, já havia vestido seu uniforme para a
ocasião, posto seu boné e andava abraçado com seu filho falando sobre um
tipo de tacada especial quando é interpelado pelo chefe de segurança Odo.
- Comandante, posso falar-lhe um minuto? - solicita o metamorfo.
Sisko não para de andar, mas mesmo assim responde: - Estou de folga agora,
Odo. Não pode falar com a Kira?
Odo observa a estranha vestimenta de seu comandante, porém insiste na
conversa:
- Entendo....Quero dizer...Não, senhor. Ela talvez não reaja muito bem a
minha informação.
- Jake, vá na frente e acesse o programa. Eu não demoro.
- Pai ! - Jake contesta já prevendo que o pai talvez não fosse cumprir a
promessa.
- Vá. Eu vou logo. Isto aqui não vai demorar. Vai Odo?
- Creio que não.
- Viu? - Sisko beija a testa de Jake e ele sai um pouco constrangido.
- Muito bem, o que é?
- Tenho razões para desconfiar que a USS Babel está em grande perigo.
- Por que diz isso?
- Porque Quark esteve espionando o centro de operações. Eu peguei uma de
suas escutas.
- Agora sei porque a Kira ficaria irritada. Quark já está passando dos
limites. - Sisko ri.
- O senhor não está preocupado? Não vai contatar o capitão da nave? - Odo
fica intrigado
com a indiferença do comandante.
- P´ra dizer a verdade, não. Quark sabe tanto quanto nós. Isto é... nada!
Por que não há nada a esconder. Esta é a missão secreta mais comentada de
todo o quadrante alfa. Naves da Federação vem e vão a toda hora. Nave da
Frota estelar no quadrante gamma? Qual a novidade? Estivemos lá uma dúzia de
vezes. Ferengis, Cardassianos e sabe lá mais quem no quadrante gamma? Qual é
o segredo? Eu não vou incomodar um capitão de uma nave estelar porque um
curioso estava xeretando possíveis acordos diplomáticos secretos para obter
ganhos comerciais. É o que os ferengis vivem fazendo não? A não ser que
tenha algo realmente sério para me dizer, não me interrompa de novo. - Sisko
estava demonstrando uma certa irritação com aquele assunto.
- E que tal um terrorista bajoriano na nave que compra explosivos de um
ferengi de péssima reputação? - Odo revela o grande segredo que tinha ouvido
com a escuta que pôs no Quark.
- O quê? - Sisko agora tinha um bom motivo para contatar a USS Babel e
estava bastante irritado.
Bar do Quark - momentos depois
Quando Odo, Sisko e a major Kira entraram em seu bar Quark pensou logo:
PROBLEMA!
- Eu já fechei. Se foi alguma reclamação de algum cliente eu posso
compensar de alguma forma e...aaaiii! - o ferengi grita quando Kira puxa uma
de suas orelhas e o põe sentado.
- O que é que eu fiz? - pergunta Quark inocentemente.
- Ah, então admite! - diz Kira exultante.
- Eu sempre faço, não é? Principalmente quando você me agride. Sabe, acho
que posso até acabar gostando disso! - Quark gostava de ver a major ficar
nervosa. Isto o excitava.
- Mostre a ele, Odo. - ordena Sisko.
O comissário mostra a gravação com as vozes de Quark e Rom:
[... meu negócio com Rog será muito benéfico e você poderá lucrar também.] -
voz de Quark.
[Se for o mesmo que lucrei com o comissário bajoriano não será
grande coisa.] - voz de Rom se lamentando.
[ Você fez a revenda dos explosivos, mas o contato com o
fornecedor era meu. Era justo eu ficar com o lucro maior.] - voz de Quark.
[Noventa por cento? Isto era justo?]
Neste momento Odo interrompe a gravação e Quark tenta logo se defender.
- Esta voz não é a minha. A minha é mais bonita.
Sisko fica cara a cara com o ferengi e sua expressão não era nada amigável.
- Quark, eu não estou com muito bom humor hoje. Eu tive que cancelar um
compromisso com meu filho em meu dia de folga.Uma coisa difícil de ter nesta
estação. Agora... Antes que o deixe a sós com a major Kira, seria melhor
explicar que droga de venda de explosivos foi essa para o comissário
bajoriano que embarcou na USS Babel. Eu quero a explicação...AGORA! - Sisko
mostrava o seu lado negro e Quark se sentia intimidado como há muito tempo
não acontecia.
- Mas como vocês...- antes de Quark terminar a frase, Odo pega a escuta nas
costas do ferengi e mostra a ele que o feitiço virou contra o feiticeiro.
- Você devia trocar de roupas mais vezes. - aconselhou o transmorfo.
- Pra quê? Assim elas gastam menos.
- Vamos Quark, estamos esperando. - diz a major Kira impaciente.
- Bom... Ele esteve em meu bar antes de embarcar. Comentou que queria
comprar explosivos elasianos. Eu indiquei um vendedor jaradiano. Ganhei
alguns latinuns, mas não foi um bom negócio.
- Você diz isso agora, porque foi pego. O que ele queria com explosivos como
ele embarcou com eles?
- Sei lá. Vai ver que ele planejava alguma expedição mineralógica. Quanto a
embarcá-los... Ele era um diplomata. Não passou pelos sensores de segurança.
- Parece que temos que rever os procedimentos de segurança chefe. - diz
Sisko para Odo. Em seguida toca no seu comunicador: - Dax, entre em contato
com a USS Babel. Prioridade Alfa.
[Eles não respondem. Podem estar fora de alcance.] - responde a oficial de
ciências. Sisko não queria pensar no pior.
- Prepare um explorador. Major Kira venha comigo. Sr. Bashir... apresente-se
na operações. - Sisko deu as ordens e se preparava para sair do bar quando Odo fez uma pergunta:
- O que faço com isso? - diz apontando para o ferengi que estava
seguro pelo braço.
- Dê um tempo para ele refletir na besteira que fez. Ache Rom para
lhe fazer companhia. Quando eu voltar decidirei o que fazer. - Sisko vai embora junto com Kira que ostentava um grande sorriso pelo destino de Quark.
****
Capítulo IX
A tenente Saint-John estava voltando do ginásio para sua cabine. Desde que
cancelaram o alerta vermelho pôde relaxar um pouco ao final de seu turno de
trabalho. Os negócios com o povo Dosi pareciam ir bem e o chefe de
transporte estava sobrecarregado com as idas e vindas de diplomatas e suas
cargas de escambo. A nave romulana não foi mais vista e muito menos
detectada, o que deixou McCormick e Klag fazendo plantão, redirecionando
energia de outras partes da nave para aumentar ainda mais a eficiência dos
sensores. No meio do caminho ela se depara com uma cena inusitada. O
comissário bajoriano conversando com o enviado cardassiano. Se fossem de
outras raças seria algo normal , mas não com eles. O que era mais estranho é
que Allison ficou com a impressão que estavam tramando algo juntos.
Procuravam falar baixo e pareciam nervosos, com medo de alguém os
surpreende-los. O que acabou acontecendo. Por um momento pôde ouvir o
bajoriano dizer "... está tudo pronto. Falta pouco agora".
Uma cena realmente suspeita. Passou por eles e os cumprimentou com um certo
embaraço. Notou que eles ficaram surpresos ao terem sido pegos juntos. A
cara que fizeram não foi amistosa. Este fato talvez devesse ser notificado à
ponte. Pelo que ela sabia os bajorianos odiavam os cardassianos e
vice-versa. O que estaria havendo entre eles?
Allison apressou seus passos e pôde ouvir também passos rápidos atrás dela.
Começou então a correr e ficou com medo de olhar para trás. Sua cabine
ficava na próxima curva. Tinha que chegar até lá e avisar o capitão pelo
intercom. A porta de sua cabine já estava ao alcance e ao abrir a porta
foi empurrada para dentro. Caída, só pôde ver a silhueta de seu agressor
antes de ser golpeada e perder a consciência.
Algum tempo depois...
A comandante Okaido estava junto com o comissário ferengi no setor de carga
fiscalizando o embarque de duas toneladas de vinho tullaberry quando foi
chamada pelo comunicador.
[Número um preciso de você na enfermaria] - solicitava o capitão.
- Estou a caminho. - "Enfermaria?" - pensou ela -
"O que poderia ser? Não deveriam fazer exames de rotina antes de um mês."
- E quanto ao carregamento? - Rog estava impaciente quanto à acomodação de
sua carga preciosa.
- O alferes Gilbert prestará toda a ajuda que necessitar, senhor Rog. -
Okaido chama o rapaz para perto do ferengi e sai do setor preocupada com o
que estaria esperando por ela na enfermaria.
Enfermaria...
- Quem fez isso à ela? - Okaido pergunta à doutora após ficar chocada com o
estado em que se encontrava a tenente Saint-John. Pelo que ela podia
observar no painel do scanner médico a piloto da nave estava com um braço
quebrado, um pulmão perfurado por uma das quatro costelas quebradas, além de
ter vários hematomas pelo corpo. O rosto da jovem estava inchado, o
supercilho esquerdo costurado e um edema no olho direito.
- Ela está em coma. Não está sofrendo agora. O tenente McCormick a encontrou
à dez minutos, mas a agressão foi realizada a pelo menos meia hora. -
informa a Dra. T´Vel.
- Quem fez isso à ela? - voltou a repetir a pergunta à 1a oficial.
- Impossível determinar. Já ordenei que Klag investigasse. Ele está nos
aposentos dela colhendo algumas evidências. - responde finalmente o capitão.
- Onde está o McCormick? - pergunta mais uma vez Okaido.
- Está na outra sala. Ele está em choque. Dei-lhe um calmante. Recomendo não
importuná-lo agora. - sugere a doutora.
- Respeito sua opinião doutora, mas eu tenho um agressor a bordo que pode
vir atacar novamente qualquer um dos tripulantes e tenho que evitar isso.
Preciso falar com ele. - Sarah olha para o capitão que em seguida olha para
a vulcana que cerra os olhos consentindo com o inquérito.
- Obrigada. - Okaido agradece e vai até a cama onde McCormick estava
deitado.
- Tenente...Acorde. Preciso falar com você.
- Oooh...sim? Comandante? - meio lerdo o jovem procura sentar-se e o faz com
dificuldade.
- Você pode me dizer se viu alguém próximo à cabine da tenente Saint-John?
- Não, senhora. Eu... Eu a havia convidado para um lanche na nossa folga.
Ela disse que nos encontraríamos em sua cabine após sua sessão de ginástica.
Se eu tivesse demorado mais tempo... Ela teria morrido. Usei o
teletransporte intra-nave para a enfermaria. Espero que isto tenha feito a
diferença. Como ela está?
- Estável. Sabe quem poderia ter feito isso?- pergunta a doutora.
- Não consigo imaginar. Ela sempre foi muito simpática e educada com todos.
Pelo o estado dela parece que não teve como reagir aos golpes. Deve ter sido
surpreendida por alguém muito forte e sem piedade. Eu diria até que o
agressor possa não ser humano. Sem ofensas, doutora.
- Isto será um problema. - comenta Okaido. Teriam que entrevistar mais da
metade dos que estavam à bordo.- Muito bem, agora descanse. Volte para seu
posto assim que se recuperar. Não vou querer mais uma baixa na ponte.
- Sim, senhora! - o oficial de ciências volta a deitar.
Quem teria agredido a jovem Allison? Qual o motivo? Se o agressor for um
não-humano traria um problema diplomático sério para as mãos do capitão
Dorian Alkon.
- Então? - pergunta o capitão quando a número um retorna para perto dele que
preferiu ficar zelando pela sua piloto.
- Ele não viu nada. Acredita que ela enfrentou alguém muito forte. Alguém
que talvez não fosse humano.
- Ele está correto. - concorda a doutora com a observação do oficial de
ciências - Pelo local onde os golpes foram feitos eu diria que o agressor é
um lutador profissional. Ele sabia onde acertar pontos vitais. A tenente tem
uma ótima resistência e está lutando pela vida ainda. Outra pessoa teria
morrido na hora.
- Um guerreiro?Um lutador?Um soldado? Temos alguém a bordo com este perfil?
- Alkon levanta algumas questões.
- Se excetuarmos o nosso pessoal ... - Sarah se afasta e procura um terminal
de computador para fazer algumas investigações. - Computador... Liste o
número de tripulantes que possuem bastante experiência em combate
corpo-a-corpo.
O computador demora alguns microssegundos e lista cinqüenta e dois nomes.
- Computador... Liste apenas os não-humanos.
A lista agora apresentava vinte e três nomes. Agora eles tinham algo com o
que trabalhar.
A doutora revela mais uma informação importante:
- Capitão...Acredito que o que vou dizer ajude nas investigações. O primeiro
golpe que recebeu provavelmente foi no rosto. Ela encarou seu agressor antes
de desmaiar. Ela o viu. Pode ser até alguém que ela conhecia.
- Transfira esses dados para a segurança. Peça a Klag que investigue o
paradeiro destas pessoas durante a agressão. Não deixe de investigar nem o
nosso pessoal. Quero que dê prioridade máxima a isso. Eu vou voltar para
ponte. Ainda tenho uma nave fantasma para procurar. - o capitão segura a mão
de Allison para transmitir seu pesar e se preparava para sair quando a sua
imediato o detém.
- O senhor sabe que poderíamos resolver isto rápido. - a comandante Okaido
insinua que o capitão poderia invadir a mente da piloto e ver o agressor.
O capitão procura falar baixo e demonstrar auto-controle face a proposta da
comandante. - Eu não vou invadir a mente dela e nem pense em pedir a doutora
T´Vel que o faça. Vamos seguir os procedimentos de investigação padrão. Está
claro?
- Sim, senhor. - desapontada Sarah abaixa a cabeça. O capitão então sai da
enfermaria. A comandante, contudo, sugere, com um olhar, que a doutora
fizesse uma fusão mental.
T´Vel balança a cabeça negativamente e até pareceu ficar nervosa com a
possibilidade. Não decepcionaria seu capitão. Além do mais, compartilhar
mentes, e mentes humanas, era muito desagradável.
Sarah compreendia a decisão da doutora. Foi cuidar da supervisão da
investigação. Esperava encontrar rápido o misterioso agressor. Seja ele ou
ela teria que receber a punição adequada. Antes que mais alguém aparecesse
ferido.
Em outro ponto do quadrante Gamma...
A Orinoco sai da fenda espacial sondando o espaço em busca da USS Babel.
- Algum contato? - pergunta Sisko.
- Não, nenhum. Isto é estranho. Parece que algo está bloqueando as nossas sondagens e transmissões.- responde Bashir.
- Major, rume para o planeta Dosi. Lá seria a sua primeira parada. Dobra três.
- Afirmativo.
O explorador se transforma num facho de luz cortando o negrume do espaço,
deixando o dr.Bashir com uma preocupação na cabeça: e se eles chegassem tarde demais?
****
Capítulo X
Barek Naris estava fazendo um tour pela nave sendo ciceroniado pela
engenheira-chefe. Observava com atenção toda a engenharia da nave e
perguntava bastante:
- É possível controlar toda a nave daqui?
A tenente-comandante Naomi Silva estranhou a pergunta. Procurou responder
educadamente sem revelar nada vital. Ela sabia que deveria dar total atenção
àqueles diplomatas, mas a verdade é que não gostava de estranhos xeretando
na sua engenharia. Ela gostava de trabalhar sossegadamente e evitar ao
máximo distrações sem sentido. Todavia ela sabia seguir ordens e se uma
delas era bajular os enviados da Federação então...
- Em tese, sim. Porém precisaria ser um bom técnico e conhecer bem as novas
especificações da nave.
- É claro que a senhora é bem qualificada?
- Certamente. Mas por favor, me chame de senhorita.
- Isto é tudo o que eu queria ouvir. - dizendo isso o conselheiro bajoriano
mostra um phaser e uma cara nada amistosa. - Peça aos seus colegas que saiam
e em seguida bloqueie todas as entradas para a engenharia.
- Você está louco? Eu me recuso!
Em resposta a atitude da engenheira, Barek procura o alvo mais próximo e
dispara. Um alferes é atingido e cai sem vida.
- Esta arma está travada na posição de matar. Posso agora contar com a sua
colaboração, senhorita? - Barek estava sendo sarcástico.
Naomi não tinha outra alternativa. Aos poucos os postos da engenharia são
abandonados e todas as entradas e saídas lacradas.
- E agora? - perguntou a tenente.
- Agora vamos esperar. - respondeu calmamente o bajoriano procurando um
lugar para se sentar.
O capitão Alkon estava na sua cadeira de comando dando a ordem de sair de
órbita do planeta Dosi, quando Klag, atrás dele, informou uma situação de
perigo.
- Capitão, a engenharia foi evacuada. A tenente Silva foi feita
refém.
- Refém? Por quem? - o capitão pôde escutar a resposta pelo
intercom.
[Por mim, capitão. Barek Naris.] - ele havia pego o comunicador da tenente.
- O quer conselheiro? Qual a intenção deste ato? - o capitão olhava para
Klag na esperança que este lhe dissesse que conseguira desbloquear a
engenharia, mas o klingon nada conseguia fazer.
[Bajor para os bajorianos! Já ouviu isto, capitão? Faço parte de
um grupo que nunca apoiou a presença da Federação no nosso espaço. Vocês só fazem nos
sentir fracos, dependentes. Meu povo está perdendo sua dignidade, seu amor
próprio, sua identidade. Nossos jovens hoje aspiram entrar para a Frota
Estelar e não para o nosso exército. Vocês profanam os profetas invadindo a
fenda espacial!] - o bajoriano começa a montar um estranho aparelho com
parte dos adornos de sua roupa enquanto falava, sem, contudo, desviar o
olhar e a sua arma da direção da chefe da engenharia. Alguns componentes
estavam escondidos dentro de seu casaco.
Naomi estava curiosa. " O que ele estava construindo ali?" Era um aparelho
que ela nunca havia visto antes. Sua curiosidade de engenheira evitou que
tomasse qualquer atitude de retaliação.
- Belo discurso, Barek. Você realmente acha que tomar a minha nave resolverá
todos os seus problemas? - Alkon faz um sinal para que Klag vá para a
engenharia cuidar do problema mais de perto. No instante seguinte sua mente
percebe um perigo iminente muito próximo, mas antes que pudesse reagir ao
que estava preste a ocorrer, vê o klingon ser jogado para fora do
turboelevador pelo enviado cardassiano. Jared, o trill oficial de
comunicações, ameaça atacar Durgat, mas cai ao solo sob o efeito de um raio
proferido por um phaser que atravessa seu ombro. Os demais oficiais, vendo a
cena, permanecem imóveis, principalmente porque, o capitão, por gestos,
ordenava que ninguém o atacasse.
- Muito bem, Barek. Seu amigo já está aqui. Vejo que esta nave promoveu
estranhas alianças. Quais são os seus termos? - Alkon não precisaria
concluir as investigações da agressão da tenente Allison. Estava claro que
aqueles dois estavam envolvidos.
[Perfeito, Durgat. Sua noção de tempo foi perfeita!] - parabeniza o colega
cardassiano que se enche de orgulho. - Meus termos, capitão? Discutiremos
isso quando seguir para as coordenadas que meu associado irá lhe dar. Até
lá, sugiro que a sua obediente tripulação não tente nenhuma atitude heróica.
[Ninguém precisa morrer antes do tempo.] - Barek conecta seu
aparelho ao núcleo do reator de dobra. Apesar de um design totalmente diferente Naomi
concluiu que aquilo só poderia ser uma bomba. Isto não era nada bom.
Durgat faz uma reverência para o capitão e segue até o console do navegador
boliano, entregando-o um chip isolinear com a nova rota a ser seguida.
Borix, sem alternativa, olha para o capitão como que pedindo desculpas e
implementa as novas ordens. Alkon pôde perceber que o cardassiano estava com
um bloqueador neural na testa para evitar ter sua mente dominada por ele.
- Quero falar com a minha engenheira, ela está bem?
[O asseguro que ela ainda vive, capitão. Continuará assim de acordo com a
sua cooperação e a de seus comandados. Não hesitarei em cortá-la em pedaços
se for necessário. Antes, devo avisá-lo que não tente usar seus poderes
mentais contra meu associado nem tentar controlar outra pessoa para
agredi-lo. Durgat, mostre à ele nosso presente.]
O cardassiano retira do cinto um pequeno aparelho que, quando ligado, invade
a mente de Alkon provocando uma imensa dor e fazendo-o ajoelhar-se.
- Um estimulador neural modificado e ajustado para a sua freqüência
cerebral. Gostei tanto da nossa conversa anterior porque pude ajustar melhor
o aparelho. O meu bloqueador e o meu phaser estão me protegendo bem. É claro
que conto com a sua honra de capitão da Frota de não querer sacrificar
nenhum de seus colegas. Se você fosse um klingon ou até mesmo um cardassiano
eu jamais poderia me sentir tão seguro.
O capitão Dorian Alkon nunca se sentiu tão impotente; entretanto, mais um
mistério se resolvia: as suas dores de cabeça. Suas esperanças estavam
depositadas na sua primeira oficial que, no momento, não estava na ponte.
Há alguns parsecs de distância...
A USS Orinoco conseguiu detectar, por fim, a USS Babel saindo do sistema
Dosi. Estranharam quando ela estava mudando o plano de curso original e
rumava para o desconhecido em dobra quatro.
- Comunicações ainda estão bloqueadas, comandante. Pelo menos sabemos que
ela ainda está inteira. - comenta o doutor.
- Mas com certeza devem estar com problemas. Pode acompanhá-la, major?
- Vai ser difícil se eles aumentarem mais a velocidade. Tentarei não
deixá-la se distanciar muito.
- Espere um pouco! - alerta o dr, Bashir.
- O que foi? - perguntou Sisko.
- Vi algo nos sensores por um momento. Parecia uma nave próxima a nós.