.
O senhor se lembra, não é? – Quark revira os olhos fingindo dor e esperando que o
doutor acreditasse em sua história.
- Se bem me lembro não foi bobagem alguma. Mas como, depois de
tanto tempo, esta dor reapareceu?
- Creio que é uma dor recorrente. Ela vai, ela vem. O senhor vai me
ajudar ou não?
- Claro, um momento.- o doutor se afasta para pegar um regenerador
muscular digital e Quark fica pensando como abordá-lo sem que ele perceba que o que ele quer realmente são
informações confidenciais. Enquanto o tratamento começava Quark arriscou:
- O senhor soube que um oficial cardassiano está na estação?
- Quem? Gul Dukat? – pela resposta Quark sabia que não iria
conseguir muita coisa.
- Gul Dukat? Não. Dizem que é uma espécie de embaixador.
- Embaixador? Pelo que sei Cardássia e a Federação ainda estão
longe de manter relações diplomáticas amigáveis. Mas por que o interesse?
-Interesse... er...Não, nada. É que eu poderia reservar uma
holosuíte para o caso dele querer. É sempre bom agradar um cardassiano.
- Sei... Olha Quark se procura informação sobre cardassianos deve
procurar um cardassiano.
Na verdade Quark já havia pensado nisso. Garak, o alfaiate, era o
mais indicado, mas ele era muito misterioso e talvez não revelasse o que ele queria ouvir. Esperava aguçar a
curiosidade do doutor e fazer com que ele arrancasse alguma informação valiosa se prevalecendo da amizade que
o alfaiate e o doutor tinham. Esta seria uma estratégia mais barata. Quark desce da bio-cama.
- Oh! Muito obrigado doutor. Eu volto mais tarde.
- Mas eu ainda não terminei...
- Eu já estou bem melhor agora, obrigado. Eu volto mais tarde.
O ferengi sai apressado ele conhecia um ditado terrestre muito
parecido com a regra de aquisição 12: “Tempo perdido é latinum perdido.”
Garak era uma pessoa dada a poucos luxos, apesar de sempre
recomendá-los a seus clientes, principalmente aqueles que gostam de gastar. O que não era o caso do ferengi
que acabava de entrar em sua loja.
- Ora, ora. O que vejo? O senhor Quark! De certo veio acertar as
contas a respeito daqueles tecidos argelianos que lhe vendi há dois meses – neste ponto Garak foi enfático -
atrás!
- Bem, vejo que é um homem de negócios como eu. Eu proponho um
percentual a mais na minha dívida se você me disser o que um oficial cardassiano está fazendo aqui na estação.
- Ora, senhor Quark, por que acha que eu sei algo a respeito disso?
Sou só um simples alfaiate...- Garak disfarça mexendo em alguns tecidos.
- Cinco barras de latinum.- Quark não perde tempo e faz seu
primeiro lance para o preço da informação. A negociação tinha começado.
- Dez.- Garak marca o limite.
- Seis mais dez por cento pelos tecidos.
- Oito e eu digo o que um comissário ferengi, e um bajoriano e
cardassiano estão fazendo juntos no escritório do comandante Sisko neste exato momento.
- Um cardassiano e um bajoriano? – Quark estava intrigado. Tal
evento não ficaria de fora de suas orelhas.
- E um ferengi! – lembra-lhe Garak algo muito diferente estava
acontecendo e tudo estava sigiloso demais.
- Está bem, oito. O que você sabe?
Garak estica a mão e sorri. Não se deve confiar muito em um ferengi
quando se trata de dinheiro.
Quark resmunga, tira de seu bolso as barras de latinum e entrega
ao alfaiate.
- Bom, eu ouvi de um cliente que a Federação teme que uma raça como
os Borgs possa ameaçar seu poderio então eles estão enviando uma nave para patrulhar este setor permanentemente.
- Ah, entendo.- Quark vê que uma permanência constante no quadrante gamma
poderia significar lucros permanentes. Mesmo tendo que renunciar aos seus lucros oficiais em comércio ferengi
no quadrante, por imposição do próprio Nagus, nada o impedia de obter lucros particulares. O melhor da
história é que não teria que dar uma parte à FCA (Associação Comercial Ferengi).
O próximo passo era ir até o centro de operações e seu próximo
alvo: Chefe Miles O´Brien.
Um terminal de controle de sensores estava sendo recalibrado pela
enésima vez e o chefe O´Brien já estava quase desistindo quando a tenente Dax deu uma sugestão:
- Chefe, por que o senhor não troca os circuitos isolineares
cardassianos por circuitos novos da Federação?
- E me dar por vencido? Além do mais eles são incompatíveis. Teria
que mudar todo o sistema da estação o que nos deixaria vulneráveis. Este terminal cardassiano vai ter que
trabalhar de acordo com as minhas configurações.
- Mas assim não está sendo muito desgastante e trabalhoso?
- Que nada! É quase um prazer. Na verdade é um desafio lidar com
essa geringonça cardassiana. De mais a mais aprendo um pouco mais da tecnologia deles.
Os dois estavam quase deitados no chão olhando uma placa de
circuitos quando Quark chega com uma bandeja equilibrando uma garrafa e duas taças contendo um estranho
líquido amarelo.
- Parece que cheguei em boa hora. Hora do descanso. Aceitam um
drink? Vocês parecem precisar.
- Quark? Quem o chamou aqui? – diz O´Brien com um tom ríspido.
- Ora, chefe, não seja tão “Federação”! Vamos, tome, irá lhe
fazer bem. Pergunte a sua colega se eu já ofereci algo que não tivesse qualidade.
O´Brien desconfia de tanta generosidade mas admite, pelo menos para
si próprio, que suas costas precisavam de uma folga.
- O que é isto?- pergunta Jadzia apontando para o conteúdo da
garrafa com uma mão e com a outra pegando uma das taças.
- É um suco de fruta vaaliana com um pouco de conhaque sauriano.
Uma nova receita que quero que experimentem.
- De graça?- pergunta o chefe já pegando a taça para beber.
- Bom na verdade eu ainda não testei a aceitação da bebida lá no
bar e gostaria que vocês fossem os primeiros...
- Cobaias.- completa a oficial de ciências.
Quark sorri enquanto coloca sobre o console uma escuta que escondia
embaixo da bandeja; sem que os dois percebam.
Os dois oficiais da Federação provam um gole da bebida e a aprovam,
apesar de estar um pouco forte.
- Se fosse você, reduziria a dosagem do conhaque. – sugere O´Brien
depois que a Tenente quase perder o fôlego.
- É mesmo? Obrigado pela dica. Eu tenho que ir agora. Tchauzinho.-
da mesma forma intempestiva que entrou Quark saiu. Jazdia e O´Brien acharam estranho, mas Quark era estranho,
então entenderam que ele estava se comportando normalmente.
O ferengi pega o elevador e abandona o centro de operações, mas
escutando tudo o que se passava com um receptor que coloca em seu ouvido.
[O Quark estava estranho, não?] – voz de Dax.
[ E quando ele não foi? serviço. Quero acabar isto logo. Prometi a Keiko levá-la para jantar e ainda tenho que arranjar uma babá para Molly.]
[ Se você quiser eu fico com ela.]
[ Ah, sério? Eu não queria incomodar...]
[ Não será incômodo nenhum. Eu já fui mãe e pai várias vezes. Pelo
menos sete vezes. Meu currículo é bom para você?]
[ Eu acho que não encontraria outra com melhores referências.]
- Blá-blá-blá – Quark já estava ficando entediado com a conversa
quando ouviu um zunido que quase estorou seu delicado tímpano.
[Pronto. Conseguimos! Mais um ponto para a Federação contra as
terríveis máquinas cardassianas.] – comemorava o chefe.
[ Ainda bem. O comandante quer tudo funcionando perfeitamente
quando a USS Babel chegar com a Almirante Brand.]
A conversa estava começando a ficar interessante quando Rom aparece
para saber o que Quark estava fazendo escondido debaixo de uma escada no promenade.
- Descobriu alguma coisa, maninho?
Quark leva um grande susto e seu receptor auricular cai e rola pelo
chão do promenade.
- Rom! Seu...Seu... Grande idiota! Você me fez perder o meu
receptor. Ajude-me a procurá-lo.
- Desculpe. Claro, claro – Os dois ferengis começam a engatinhar
pelo chão em busca do aparelho. Rom o vê próximo a uma saída de ar , mas quando tenta pegá-lo uma grande pata
já estava sobre ele. Quark olha a cena e ainda tenta salvar o seu dia gritando:
- Morn, não! – Mas já era tarde demais. O gigante olha par o chão e
fica sem entender nada.
Quark fica esperneando e lamentando não ter ouvido mais sobre a missão secreta da Federação.
****
Capítulo III
USS Babel – Warp 6
Rumo a Deep Space Nine.
O capitão Alkon estava preocupado com o bem estar da embaixatriz,
mas não queria pensar muito nisso; até porque entre os betazóides, a transmissão de pensamentos era algo muito
peculiar, e ele não desejava revelar sua preocupação.
Parou na frente do alojamento da sra. Troi e procurou bloquear seus
pensamentos e antes que conseguisse a porta se abriu e foi saudado:
- Bom dia, capitão. Pode entrar estou acabando de me vestir.
Alkon procurou não demonstrar surpresa e entrou sorridente.
-Bom dia, embaixatriz. Teve uma boa noite de sono?
-É claro que eu preferia estar em uma terma em Shiralea VI, mas a
noite foi satisfatória. Estes aposentos não deixam nada a desejar os que conheço das naves da frota. Quanto
falta para chegarmos? – Homn, seu camareiro, a cobre com um robe roxo com flores azuis. A embaixadora também
usava uma peruca roxa encacheada.
- Seis horas. Gostaria de saber se irá desembarcar na estação para
que possa providenciar seus aposentos. A propósito: os aposentos são padronizados. Os da estação são padrões
cardassianos.
- Eu sei. Já estive lá. E acredite, os da Frota são melhores, mas
não será necessário. O conselho decidiu que esta missão seguisse protocolos sigilosos.Eu, contudo, não sou uma
mulher que passa por despercebida em nenhum lugar. O que é uma pena, pois sempre conhecemos pessoas
interessantes nestes lugares. Você sabia que lá existe um transmorfo que é chefe de segurança e o único de
sua espécie? Ele é muito simpático, sensível, educado e atraente. Pena que tenha que voltar a Betazed para
uma cerimônia... Enfim, sempre haverá uma nova oportunidade.
- Certamente. – concorda o capitão
- O que foi, capitão? Sinto que está com medo de mim. Bloqueou sua
mente? Tem receio de ser mal interpretado?
- Desculpe, senhora. É um hábito que tenho. Sou um betazóide nível
oito. Estando entre mentes de diferentes mundos... Não posso me distrair. Os diversos padrões mentais... me
incomodam.
- Deveria tentar técnicas vulcanas de controle mental. Eles são
muito bons nisso, sabia?
- Quando tiver tempo eu procurarei a nossa doutora, ela é vulcana.
- Muito bem. Vejo que você é muito concentrado em seu dever. Irá
nos representar bem.
- Embaixatriz... Fiquei honrado com sua escolha para me designar
para essa missão.- Alkon agradece a Lwaxana por sua nomeação para capitão de uma nave estelar.
- Ora, o que é isso? Na verdade eu o escolhi por ser o mais
bonitinho...- Lwaxana aperta a bochecha do jovem capitão, o que o deixa desconcertado fazendo com que
rompesse o seu bloqueio mental.
“ Eu sei que você gostava de minha filha quando eram crianças.
Não se envergonhe por isso.” – o pensamento da embaixadora revelava que não havia mais o que esconder. Só
lhe restava tomar uma atitude.
- Vim convidá-la para o desejum. Acompanha-me? – diz Alkon mudando
rapidamente o rumo da conversa.
- Mas será uma honra... Dorian! – chamar autoridades pelo primeiro
nome realmente era uma tática que gerava simpatia e intimidade. O que no caso da embaixadora Troi era algo
perigoso e assustador. Ela pegou em seu braço e foram caminhando juntos para o bar dos oficiais, acompanhados
de perto pelo fiel camareiro Homn.
Allison estava radiante em pilotar uma nave nova. Esta era a
segunda da nova geração da classe Akira a ser construída. Chega de cargueiros espaciais e de seus motores
de baixa potência. Tudo era tão novo que foi um pouco difícil de se adaptar. Apesar da nave ter capacidade
de levar 820 pessoas, pouco mais de trezentos estavam à bordo. Não havia uma tripulação civil, apenas oficiais
da frota operando a nave. Na verdade os únicos civis eram os embaixadores que iriam conhecer o outro lado da
fenda espacial bajoriana. Uma missão de passeio.Algo bem tranqüilo. Só não entendia o por quê da presença da
almirante Brand à bordo. Talvez fosse algo de protocolo ou então haveria mais nesta missão do que estavam
contando, o que não seria a primeira vez.
Olhou um pouco em volta para ver seus colegas trabalhando e tentar
conhece-los melhor. Seu colega navegador era de pele roxo-azulada, um boliano que não era muito de conversa.
Muito parecido com o Klingon Klag que já tinha conhecido antes do embarque. Ela só podia contar com a amizade
de McCormick, mas ainda era cedo para fazer tal afirmação. Ainda teria muito tempo para fazer novas amizades.
Talvez a número um, a comandante Okaido fosse mais receptiva...
- Piloto, olhe para frente e reduza para dobra quatro.
- Sim senhora. – Allison pensou :”Pelo menos alguém estava falando
comigo”.
O capitão entrou na ponte acompanhado da embaixatriz e da
almirante. A número um imediatamente se levantou da cadeira de comando.
- A vontade, comandante. Estarei em meu gabinete com os convidados;
avise-me quando conseguir contato visual com a estação.
- Sim, senhor. – Okaido voltou a se sentar e somente precisou olhar
para o Trill, que era o oficial de comunicações, para dar a ordem. A sintonia das ações de comando era tudo
em uma ponte.
No gabinete do capitão, a almirante começou a explicar a missão.
- Capitão Alkon... O senhor sabe que dependemos muito do sucesso
desta missão. A federação cresceu demais e vem perdendo o rumo a muito tempo. As invasões, sabotagens,
infiltrações e motins têm minado as nossas focas. Precisamos reavaliar nossas posições e parar de agir em
várias frentes. Estamos nos envolvendo demais em problemas que não nos dizem respeito.
- Mas, almirante – interrompe o capitão- um dos objetivos da
Federação e da Frota é de ajudar culturas menos favorecidas, sem é claro ferir a primeira diretriz.
- Ora, capitão – a almirante retoma a palavra – Não seja ingênuo.
A coisa que a Federação mais tem feito nos últimos anos é chutar para o alto a primeira diretriz quando lhe
convém tirar alguma vantagem. Estamos vivendo tempos mais agressivos.
- E nos tornando naquilo que mais desprezamos. – complementa o
capitão.
- Infelizmente é verdade. É por isso que temos que fortalecer a
nossa presença no quadrante gamma. Por isso esta nave foi construída e outras estão esperando para serem
finalizadas em várias docas espaciais. O tempo de pesquisar novas formas de vida e novas civilizações acabou.
A galáxia está cheia de vida e nossos cientistas ainda estão estudando mais de mil civilizações. Algumas já
deixaram de existir a milhões de anos. O lema agora é nos proteger. Para isso contamos com a sua ajuda e da
embaixadora.
Lwaxanna Troi ouviu tudo atentamente e explica a posição do
conselho.
- Meu caro capitão. Algumas raças não alinhadas com as quais temos
tratados, como os Ferengis, Romulanos e os Cardassianos; são muito traiçoeiras e podem comprometer o livre
comércio no quadrante gamma. Principalmente os Cardassianos que se julgam donos daquele setor. Para manter
uma situação de equilíbrio convidamos representantes das três raças que, no momento, são as mais influentes
neste setor dos limites do quadrante alfa. Por mim eu não interferiria, pois o comércio e as trocas culturais,
desde que a fenda espacial foi descoberta, são incalculáveis. Acredito que uma nave da Federação circulando
na borda da fenda espacial possa ser mal interpretada. Todavia, como o embaixador Spock costuma dizer:
“ A necessidade de muitos suplanta a necessidade de poucos ou de um.”; ou algo assim. Não me lembro
bem. Trouxemos para bordo alguns membros do conselho que ainda não tiveram a oportunidade de conhecer a
fenda espacial. Sabe como é... sair um pouco da rotina, um pouco de mordomia...
- Pelo que concluí a missão da Babel é de ficar de ouvidos bem
abertos e olhos arregalados.-diz Alkon tentando resumir toda aquela falação.
- Oficialmente vocês farão o habitual. Missão científica e
diplomática. Deverá manter contato diário com o comandante Sisko que retransmitirá as mensagens para o quartel
general da frota. Você deve avaliar toda potencialidade hostil naquele quadrante, a menor que seja e nos
avisar.- a almirante se levanta – Bom, estarei em meus alojamentos. Daqui a duas horas reúna os embaixadores e os enviados bajorianos, ferengi e cardassianos no deck de observação para um cocktail.
- Sim, madame. – acata o capitão.
A almirante Brand se retira e Lwaxanna também se levanta para
acompanha-la, mas não sem antes deixar um aviso:
- Cuidado Dorian. Esta missão pode ser pior do que apertar a mão
de um horta.
- Mas um horta não possui... – antes de terminar a frase Dorian
sorri e entende o que a embaixadora queria dizer.
****
Capítulo IV
Deep Space Nine - sala do Odo
Odo estava de costas dedilhando um PDA quando Quark entrou escoltado
por dois oficiais de segurança.
- Mandou me chamar? – perguntou o ferengi com certa ironia.
O chefe de segurança continuou sentado, atento a alguns monitores
e anotações. - Um momento. Já falo com você. – Odo sabia que Quark não era uma pessoa paciente e se ficasse
nervoso era porque estaria certo de suas suspeições.
- Olha, Odo, o bar está lotado e Rom está sozinho, o que não me
deixa nem um pouco confortável.
O transmorfo virou-se quase esboçando um sorriso.
- Você já viu um desses antes? – Odo mostra a Quark a escuta que
ele colocara no centro de Operações..
- O que é isto? Um besouro talosiano? – diz Quark tentando, em vão,
despistar as suspeitas de Odo.
- Isto é uma escuta. Um pequeno aparelho de espionagem encontrado
sob um console no centro de operações. – Odo se levantou e se aproximou de Quark exibindo o aparelho bem perto
dos olhos do ferengi até ele ficar quase vesgo.
- Ora... parece que a espionagem está virando um modismo. – tenta
Quark fazer piada da situação. Odo, porém, não acha graça.
- Vejo que minhas travas de segurança funcionaram e fizeram você
tomar medidas desesperadas. Se estou lembrado sobre a regra de aquisição ferengi número nove, ela diz que:
“Oportunidade mais instinto é igual a lucro.”
- Olha Odo, se você pensa em me vender este negócio eu não estou
interessado.- Quark se vira e tenta sair da sala, mas dá de cara com a porta trancada.
- As quatro e trinta e cinco desta tarde você esteve no centro de
operações com o pretexto de oferecer “de graça” – Odo fez questão de enfatizar esta parte – uma prova
de um novo drink para a tenente Dax e o chefe O´Brien. – Odo fazia seu interrogatório andando pelas costas de
Quark. Ele sabia que o ferengi detestava quando ele fazia isto,
- Era apenas uma cortesia a respeito de um novo produto a ser
lançado no mercado. Era apenas marketing. Agora posso ir? – Quark sabia que não iria resistir aquilo por
muito tempo.
-Um crime sempre se resume em três coisas. A arma, o motivo e a
oportunidade. Temos a “arma”, - Odo mostrou a escuta mais uma vez - sabemos que você criou uma
oportunidade, mas o que o levou a fazer isso? O que você esperava descobrir? Seus instintos o compelem a
tentar obter informações que possam a gerar lucros. Você é um ferengi. Sua compulsão é genética.
- Obrigado. Eu realmente preciso ir, posso?
- O que você está tramando desta vez? – Odo encara Quark mais uma
vez.
- Se eu disser algo isto me incriminará? – Quark tenta um último
recurso.
- Provavelmente. – confirma Odo.
- Bom... é... Você não acha estranho que um oficial cardassiano e
um ferengi estejam na estação sem sabermos nada a respeito?
- Engano seu. Eu fui avisado de suas vindas. Cardassianos andando
pelo promenade não é algo muito seguro atualmente. Já quanto aos ferengis.... Parece que ultimamente a
freqüência deles têm sido muito maior do que a média. O que é uma lástima e um transtorno para nós que
cuidamos da segurança. – diz Odo com certo sarcasmo.
- Ei, cuidado com o que fala de nós. Posso acusá-lo de preconceito!
– Quark muda o tom de voz e fala mais baixo – Então você sabia o tempo todo? – Quark sabia que podia ter
tentado com mais afinco desativar as travas de segurança do computador de Odo. O tempo que havia perdido...
Poderia ter examinado só alguns relatórios e....
- Mas é claro. Eu sou o chefe de segurança. E as minhas travas de
segurança se adaptam a qualquer intruso. Uma cortesia do chefe O´brien. Devo lembrá-lo que espionagem é um
crime dos mais graves. O que me impede de coloca-lo em uma cela agora?
- Você criaria um incidente diplomático? – Quark sorri mas Odo o
pega pelo colarinho e começa a conduzi-lo para a ala de detenção. Quark tenta um último argumento.
- Você não tem nenhuma prova que este transmissor foi posto por
mim. Ele já poderia estar lá antes de eu chegar. – Quark estava convicto que Odo não poderia incrimina-lo.
- Examinei-o cuidadosamente e encontrei resíduos de glândulas
sudoríparas. Pedi ao Doutor Bashir que as examinasse e descobrimos que combinam com o seu DNA. Estranho, não?
Quark estava frito. Ele bem que poderia ter usado luvas, mas na
pressa esquecera. Fora traído pelo seu próprio suor.
- Olha Odo, deve haver algo que eu possa fazer por você. Aceite
isso como... – ele já estava se arrependendo do que ia dizer – uma punição! Que tal um serviço comunitário?
– Quark tentava ainda não se dar por vencido.
- Uma punição? – Odo ficou pensativo por alguns momentos.- Como
abaixar o preço de suas bebidas e restringir a pornografia nas holosuítes por ... um mês ?
- Eu disse que aceitaria uma punição, não falência. – Quark estava
desesperado.
- Você não está em posição de negociar. O que me diz? – Odo não
cedia nem um centímetro.
- Uma semana. – Quark tentou barganhar. Era sua natureza.
- Um mês! – Odo se mantinha firme em sua posição.
- Tá...Tá.... Eu agora posso ir? – Quark cede ao pensar que seus
prejuízos poderiam ser ainda maiores a cada minuto que seu irmão ficava sozinho administrando o bar.
- Sim, mas ainda tem mais uma coisa... – Quark tinha dado com a
cara na porta outra vez.
- O que é agora? – o ferengi não queria demonstrar mais irritação
que o necessário.
- Rog. É o enviado de seu povo. Nível cinco, setor dois.
Voltaremos a nos falar. – aporta foi finalmente aberta. Quark saiu apressadamente pensando o porque de Odo
lhe dar esta informação. E quem seria esse tal de Rog? Ele só não notou que Odo colocara o transmissor nas
costas de sua túnica.
Centro de Operações
A major Kira Nerys nunca foi uma simpatizante da Federação. Na
verdade ela sempre se opôs a presença dela no espaço bajoriano. Porém tinha que admitir que admirava Benjamin
Sisko e que os profetas o haviam escolhido como o “Emissário”, mesmo que ele rejeite esta incumbência. Ela,
entretanto, não podia concordar com uma nave da Federação patrulhando a fenda espacial e o quadrante gamma.
Isto não ajudaria bajor na reconstrução de seu mundo. Tal ato poderia representar uma ação militar e chamaria
muita atenção. Principalmente dos cardassianos. Subiu as escadas que davam acesso ao gabinete de Sisko para
externar sua opinião a respeito disto tudo.
Ao entrar encontra um outro bajoriano conversando com o comandante.
- Ah, major Kira, já iria chamá-la para se reunir a nós. Já conhece
Barek Naris? – diz Sisko ao apresentar o enviado do governo bajoriano.
- Não. É um prazer. – Kira o cumprimenta e ainda um pouco atônita
tenta lembrar o motivo pelo qual entrou na sala.
- O prazer é todo meu. Sua fama a precede. Está fazendo um
excelente trabalho aqui. O povo bajoriano sente muito orgulho de você. – Barek era mais um político chato do
governo provisório a ser aturado.
- O conselheiro Naris acaba de chegar e gostaria que mostrasse a
ele a estação antes de irmos até a USS Babel.- sugere Sisko a major.
- Obrigado comandante, mas este tour não é necessário. Conheci a
estação há muito tempo atrás quando trabalhava como minerador no refino de uridium. Quanto menos ficar aqui,
melhor.
Então aquele homem era mais um sobrevivente, pensou Kira. Ele
poderia até merecer algum respeito.
Sisko, respeitando a decisão do bajoriano, o acompanha, junto com
a major, até o elevador. No meio do caminho a tenente Dax o informa:
- Senhor, mensagem da USS Babel.
- Ponha na tela, tenente.- ordena Sisko.
[Capitão Dorian Alkon. Aguardo transferência de pessoal, comandante,
bem como a sua visita.]
- Já estamos providenciando o embarque. Estaremos aí em dez
minutos. – informa Sisko.
[Ah, comandante, desculpe por não poder teleportá-los. Estamos com
um pequeno problema de alinhamento e não queremos arriscar.]
- Não se desculpe, capitão. Eu já servi em naves estelares antes
e sei bem o que é isso. Principalmente em naves novas como a sua.
[Agradeço a compreensão. Alkon desliga.]
A imagem sumiu da tela. Sisko não gostava dessas missões
diplomáticas, mas quando assumiu a estação sabia que era isso que mais enfrentaria. Esperava que isso
ajudasse a esquecer Jennifer, mas o passado não podia ser apagado.
- Dax, a estação é sua. Eu e a major Kira iremos conduzir nossos
convidados até a USS Babel. – a major não gostou muito da idéia, mas não tinha como recusar na frente de todo
mundo. Principalmente do conselheiro bajoriano. Sisko estava querendo alguém para sofrer com ele.
- Sim, senhor. A Ganges estará pronta em cinco minutos. – respondeu
Dax.
Os três pegaram o elevador e a major não conseguira dizer o que
pensava daquilo tudo. Não dizer o que pensa era algo que estava aprendendo a conviver, embora não fosse nada
agradável esta sensação.
****
Capítulo V
Quark ficou de plantão em frente ao quarto do enviado do governo
Ferengi e quando ele saiu foi logo interpelado:
- Com licença, senhor. Eu não o conheço de algum lugar? - pergunta Quark sem
muito pudor.
- Não creio.- diz Rog sem parar, mas sendo acompanhado por Quark.
- Eu sou Quark. Sou dono de um bar no promenade. Já esteve lá?
- Não. Não tive tempo. Desculpe, mas tenho que pegar o turbo-elevador.
Quark usou sua última cartada. Se pôs na frente de Rog.
- Se o senhor vai para o quadrante gamma vai precisar de algumas dicas e eu
sou o seu melhor guia.
Rog para e decide responder no intuito de se livrar logo daquele compatriota
impertinente.
- Quark? O grande Nagus me advertiu sobre você. Sua fama o precede.
- Advertiu é? - pergunta Quark com surpresa.
- De acordo com a regra de aquisição 59 acredito de suas informações irão me
custar algo... - deduz Rog.
- Não diretamente. Digamos que poderemos nos valer de uma troca de
informações.
- Pelo que sei você abdicou de seus lucros feitos pelo governo ferengi no
quadrante.
- Lucros oficiais. Podemos lucrar mais no mercado paralelo. - propõe Quark
quase num cochicho.
- Mas se o grande Nagus descobrir? - Rog começa a pensar na oferta.
- "Um homem sábio escuta o lucro no vento" - Quark faz uma citação.
- Regra de aquisição número vinte e dois. Eu gosto dessa! - Rog parecia
estar entrando na conversa.
- Então? Temos um acordo? - Quark faz a pergunta cabal.
- Eu entrarei em contato. Agora tenho que ir. Estão a minha espera. - Rog se
despede deixando um Quark satisfeito para trás. Seus esforços não foram em
vão afinal.
A Ganges começa a aproximação final no hangar da USS Babel. A bordo, além do
comandante Sisko e da major Kira, estavam Rog, o enviado ferengi; Barek
Naris, o observador bajoriano; Durgat, observador cardassiano e uma vulcana,
a médica, Dra. T´Vel.
A major Kira aproveita o momento em que a nave é colocada no automático e
sendo puxada pelo raio trator para fazer um comentário.
- Acho que a federação está preparando uma bomba relógio.
- Major... Acho melhor conversarmos sobre isso depois - diz Sisko olhando
com reprovação pois os convidados poderiam ouvir.
Kira resolve mudar de assunto: - Ela é uma nave bonita...
- É sim - concorda Sisko lembrando com certo pesar da última vez em que
serviu numa nave estelar.
No hangar o capitão Alkon e a primeira oficial, a comandante Okaido estavam
aguardando o desembarque do grupo.
- Comandante Sisko! - diz o capitão ao se aproximar para apertar-lhe a mão
entusiasticamente. - É um grande prazer conhecê-lo.
Sisko fica meio sem graça com o entusiasmo do jovem capitão.
- O prazer é todo meu. Esta é a oficial de ligação de Bajor, major Kira
Neris.
A major o cumprimenta e em seguida à comandante Okaido.
Feitas todas apresentações o grupo é encaminhado para o deck de observação.
A comandante Okaido fica para trás com a Dra. T´Vel e começam a conversar.
- Tenente T´Vel se apresentando. Aqui está a minha ficha para o
comissionamento.
- Vou encaminha-la a enfermaria.
- Não é necessário. Estudei as plantas da nave. Sou capaz de chegar lá
sozinha. Creio que o capitão precisará de sua companhia na reunião. - a
doutora demonstra a objetividade e a lógica vulcana.
-Muito bem. Mais tarde conversaremos.- a comandante se despede e percebe que
a relação com diferentes povos ia ser difícil.
Um cocktail foi servido aos oficiais mais graduados da nave juntamente com
os diplomatas convidados. Vários embaixadores de vários mundos estavam
presentes como Vaaliano, Telarita, Ekoniano, Andoriano, Vulcano,
Arbazaniano, Boliano, Beltazóide, Cardassiano, Ferengi e Klingon, na figura
do oficial de segurança Klag que usava um uniforme de gala de seu povo. Uma
música suave banhava o ambiente até a embaixadora Troi bater com um talher
em sua taça. As conversas paralelas cessaram e ela tomou a palavra:
- Senhora e senhores, um momento de sua atenção. Este momento é marcante na
história da Federação. Apesar desta missão ser classificada como não-oficial
esperamos que possamos colher bons frutos - Lwaxanna sorri e demonstra toda
a sua simpatia. Na verdade ela procura emitir, através de ondas mentais,
sinais de simpatia, mas infelizmente nem todas as mentes são sucetíveis ao
seu desejo.
- Não estou interessado em frutos. Cardássia quer que seus interesses sejam
assegurados sem ter que ceder a pressões de outros povos. - pela primeira
vez o emissário Durgat falou e não procurou ser amistoso.
Bem que o embaixador Spock a havia prevenido, pensou Lwaxanna. Os
cardassianos teriam que ser aliados da federação,pois se fossem inimigos
seria um desastre para vários povos. A embaixadora ouviu a posição do
emissário e comentou:
- Emissário Durgat...- fez uma pausa- A três anos a Federação e a União
Cardassiana assinaram um tratado de paz. Isto significa que pretendemos que
as nossas relações sejam as melhores possíveis. Sem imposições e com mútua
colaboração.
- Palavras são muito bonitas, mas na prática a Federação usa seus
sabotadores - diz se referindo aos Maquis - para minar o poderio de seus
vizinhos neste setor, que ameaça a sua expansão no universo. - o emissário
ferengi tinha posto a lenha na fogueira. Pena que as ondas mentais dos
ferengis não eram compatíveis à influência do betazóides; se assim fosse
Lwaxanna o teria sugestionado a procurar a cápsula de fuga mais próxima.
O comandante Sisko resolve intervir antes que a torre de Babel desabasse de
uma vez.
- Senhores... Esta missão representa muito para muitos governos. A federação
está procurando colaborar com esta nave e sua tecnologia para que possamos
manter o equilíbrio neste setor da galáxia. O que eu faço na estação vocês
terão a responsabilidade de fazer no quadrante gamma. - Sisko consegue ser
ouvido. Aproveitando o silêncio a almirante põe fim na conversa assim que o
comandante termina de falar.
- A federação não interferirá nos acordos comerciais ou até mesmo militares
que venham a ser realizados no quadrante gamma. Desde que, é claro, tais
acordos não subjuguem culturas mais fracas. A USS Babel deverá navegar por
um ano terrestre e durante este tempo todos vocês terão a certeza da
transparência de nossas missões e respeitaremos o sigilo de seus futuros
acordos. - a objetividade da almirante em sua fala era quase vulcana.
- Isto é aceitável.- diz Rog quando vê que não terá que dividir seus lucros
com ninguém da Federação.
O emissário Durgat larga a sua taça sobre uma mesa, faz uma reverência aos
presentes e se ausenta da reunião. Parecia ter concordado, mas se tratando
de cardassianos não se podia confiar em aparências.
Lwaxanna suspira, pega o braço do comandante Sisko, repousa a cabeça em seu
ombro, demonstrando estar aliviada com o fim da discussão.
- Oh, comandante, obrigada. Você também querida - diz se dirigindo à
almirante - ; vocês salvaram a noite. Pena não termos nos encontrados da
outra vez que estive por aqui. O senhor daria um excelente diplomata.
Sisko estava ficando um pouco desconfortável ao andar pelo salão abraçado
com a embaixadora. Kira, em um canto, achava a situação bastante engraçada.
- Por acaso aquele chefe de segurança transmorfo não veio com o senhor,
veio? Mande-lhe lembranças. Ele foi muito simpático na minha última visita à
sua estação.
- Eu mandarei.
- Não pudemos nos encontrar anteriormente. Se bem me lembro, o senhor estava
muito ocupado com uma revisão dos sistemas da estação. O senhor tem
compromisso mais tarde, comandante?
- Bem... eu... tenho que rever as lições de casa do meu filho.- Sisko
inventa uma desculpa e tenta se desvencilhar do abraço de Lwaxanna.
- Filho? O senhor é casado? - pergunta a embaixadora um pouco desapontada.
- Não, viúvo. - confessa Sisko.
- Oh, coitadinho... Deve se sentir solitário naquela estação em meio a uma
paisagem tão desolada...- Lwaxanna começa a passar a mão sobre a cabeça de Sisko o que o faz "levantar escudos e soar o alerta vermelho".
- Desculpe, embaixadora. Adoraria passar mais tempo com a senhora, mas o
dever me chama. - diz Sisko tentando se desvencilhar dos ataques da
embaixadora betazóide.
- Sim, compreendo. É uma pena. Espero vê-lo em outra oportunidade.
- Espero que sim.- ele beija aa sua mão e sai do salão acompanhado pela
major Kira e do capitão Alkon.
- Lwaxanna fica para trás e faz um comentário discreto com a almirante.
- Sabe... Eu admiro humanos núbios. Eles têm um... - por um momento ela mede
as palavras e completa a frase - ... um vigor! - e fica a sorver mais um
gole de champagne.
A almirante que quase se engasgou com o possível comentário da embaixadora
toma mais um gole de sua taça em meio a um sorriso discreto. O restante dos
embaixadores fica a observar o abrir e fechar da fenda espacial ,
maravilhando-se a cada nave que chega ou parte par o quadrante gamma.
No corredor o capitão Alkon pede que Sisko o escute. Este, percebendo que
era uma conversa particular pede para a major o esperar no explorador. Kira
atende o pedido e segue rumo ao hangar.
- Comandante... Gostaria de agradecer suas palavras lá dentro. Gostaria
ainda de me desculpar o meu mau jeito em lidar com diplomacia a questão.
Fiquei confuso com todos os diferentes pensamentos.
- Você é telepata?
- Betazóide. Fui indicado pela embaixadora e aceito pela almirante. Fui o
primeiro na minha turma ao me formar e fui recém-promovido; após três anos e
meio de serviço.
- Tão rápido? A frota deve estar desesperada. - comenta Sisko se dando
conta tarde demais da sua falta de sutileza. Sabendo que tinha sido
indelicado com seu comentário e seus pensamentos acabariam por traí-lo mais
ainda, tentou contornar a embaraçosa situação.
- Me desculpe, capitão. Estou acostumado a lidar com cardassianos e
ferengis nestes últimos tempos que as vezes me esqueço que sinceridade
demais às vezes é prejudicial. Sinto também ter tomado a palavra lá dentro.
Foi uma quebra de hierarquia. Peço que me perdoe. - Havia sinceridade e
respeito em suas palavras.
- Desculpas aceitas, comandante. Mas que sua intervenção foi providencial,
isto foi. Este será nosso segredo. Afinal esta missão é classificada como
secreta. Quem vai saber disso? Na verdade espero contar com sua experiência.
Agora devo voltar para entreter os meus convidados. Um bom retorno a
estação. - apertaram as mãos e cada qual foi para um lado.
Ao voltar para companhia de Kira, Sisko notou um olhar de triunfo em seus
olhos. Ela percebeu que ele havia percebido, então ele foi logo falando:
- O que foi, major? Acha que eles irão se matar no quadrante gamma, não é?
- Eu não disse nada. - Kira sabia que ele detestava quando ela estava
certa.
Sisko sorri e se rende às suspeitas de Kira. Aquele capitão realmente
estava sentado sobre uma bomba-relógio prestes a explodir. Sisko só desejava
que isso acontecesse longe de sua estação.
****
Capítulo VI
"Diário de bordo, data estelar : 77282.9- Capitão Alkon dando
entrada no primeiro dia de missão da USS Babel. A nave está orbitando o planeta Bajor,
próximo a estação espacial nove. A almirante Brand e a embaixadora Troi já
deixaram a nave e voltaram para Terra em uma nave comercial vulcana que
trouxe a Dra. T´vel. O manifesto da tripulação já foi concluído e tento me
familiarizar com os nomes e postos de meus novos comandados. Estou certo que
todos são muito competentes, mas devo confessar que só me sinto a vontade ao
lado de Okaido pois é a única com quem já trabalhei antes.Sei que, com o
tempo, estarei apto a confiar a minha vida à minha equipe, bem como eles
irão adquirir confiança e respeito com a minha liderança. Não devo me
precipitar em exigir demais sobre o comportamento da tripulação. Espero
apenas poder ser um bom capitão.
Nossa nave estará em missão diplomática pelo quadrante Gamma durante um ano
terrestre para fazer contatos com novas civilizações, acordos comerciais
para a federação e ampliar os conhecimentos cartográficos do quadrante. Em
dez minutos atravessaremos a fenda espacial e devo confessar um certo
excitamento pelo fato. Pelos informes que recebi parece que será uma
travessia inesquecível. Fim do relatório."
Alkon estava sentado em seu gabinete ouvindo uma suave música vulcana
recostado em sua cadeira. Não sabia o que esperar daquela missão. Havia
interesses conflitantes quanto a ela. Principalmente pelo que pode notar nas
opiniões dos emissários ferengi e cardassiano. Sua experiência como
conselheiro em naves estelares, depois como membro de grupos de descida, e
mais tarde como segundo em comando era o que o tinha feito chegar ao posto
em que se encontrava. Talvez o momento mais difícil em sua carreira foi
durante a batalha em Wolf 359. Ele servia como conselheiro da USS Chekov
quando tentaram, em vão, deter a invasão Borg. Foi um dos poucos
sobreviventes vagando pelo espaço em um casulo de fuga. O pior não foi ter
perdido a nave, mas de ter ouvido as centenas de mentes que morriam naquela
ocasião.
O trauma foi muito grande. Pensou até em sair da frota, mas foi quando
percebeu que eles precisariam dele mais do que nunca após aquela catástrofe.
Lembrou do que também sofreu o capitão Picard naquela época e ele não
desistiu. Apesar de todas as desconfianças que pairaram sobre ele, mesmo
assim seguiu adiante e continua no comando da nau capitânea da Frota. A
frota havia perdido vários bons oficiais naquela batalha onde 39 naves foram
destruídas. O fato de agora terem capitães muito jovens comandando naves
estelares era um reflexo disso. Por isso não se ofendera com o comentário do
comandante Sisko.
Até mesmo Alkon não esperava o comando de uma nave tão cedo. Estava servindo
à um ano como primeiro oficial na USS Trípoli quando recebeu o convite da
Almirante Brand. Ao contrário de muitos em sua posição, ele sempre almejara
o posto de capitão. Acreditava estar preparado, mas agora não tinha tanta
certeza assim. Uma voz foi ouvida no ar.
"Capitão, estamos prontos para zarpar. A estação nove está nos desejando boa
sorte." - era a voz da sua número um.
- Agradeça a eles. Estou à caminho. - a porta em direção à sua cadeira de
comando se abriu quando passou. Ao sentar-se sentiu um certo frio no
estômago e então ordenou:
- Navegador, traçar curso para a fenda espacial. Piloto, força de impulso,
fator dois.
- Curso traçado. - diz o boliano azulado.
- Impulso fator dois - repete a tenente Allison ao manobrar a nave se
distanciando da estação.
De repente a nave sacudiu e a impressão que todos tiveram foi de terem sido
sugados por um ralo. A tela principal estava ligada e um festival de luzes
preencheu a ponte de comando. Era uma linda visão. Não era à toa que a fenda
tivesse um simbolismo religioso para os bajorianos. Poucos segundos depois
estavam do outro lado da galáxia: o quadrante gamma.
- Todos os setores, relatórios - Alkon começara os procedimentos que
aprendera em seu curso de comando. Os reportes diziam que a nave havia
suportado bem a travessia, então ele relaxou.
- Comandante, siga o curso baseado nas observações da cartógrafa Melora .
Devemos visitar o mundo Dosi primeiro. Eu estarei em minha cabine. A ponte é
sua.
- Sim, senhor. - a sua primeira oficial ocupa a cadeira do capitão e
ordena:
- Senhor Borix, traçar novo curso. Tenente Allison... força de impulso
fator seis.
- Sim, senhora - respondem quase ao mesmo tempo os dois oficiais.
- Senhor, McCormick, fique bem alerta com os sensores. Estamos em um
terreno novo e não quero nenhuma surpresa.
- Sim, senhora. Nada incomum a relatar.
- Alferes Jared - vira-se para o Trill, que era o oficial de comunicações -
mantenha as freqüências abertas. É sabido que ultimamente há um grande
tráfego de naves por aqui. Seria bom nos relacionarmos bem com qualquer nova
raça. Poderemos obter informações úteis. - especula Okaido.
O Trill dedilha em seu painel e olha para cima como se estivesse ouvindo
algo em seu receptor, mas não havia nada a relatar.
A ponte começava a funcionar como um perfeito circuito óptico, pensou o
capitão ao olhá-la antes de entrar na cabine. Caminhou até a janela e ficou
observando as estrelas passarem. Fazia muito tempo que não parava para
observá-las. Sempre esteve muito atarefado em suas obrigações e agora, como
capitão, tendo uma excelente equipe de comando, esperava poder relaxar um
pouco. Este pensamento durou até o som do intercomunicador soar em sua mesa.
- Pode falar...- ordenou com a voz triste devido ao fim de seu pequeno
momento de descanso.
[O emissário cardassiano quer falar com o senhor , em particular.] - era a
voz de Okaido.
- Tudo bem. Peça que venha ao meu gabinete.
[Ele solicita que conversem no aposento dele.]
- Ok, estou a caminho.- Alkon suspira e ajeita o seu uniforme antes de se
levantar. Atender aos caprichos dos diplomatas era algo com o que ele teria
que se acostumar. Saiu de seu gabinete em direção ao turboelevador e, ao
passar pela ponte, viu que a número um olhava para ele com certa
curiosidade. Que segredos o cardassiano teria a compartilhar?
O enviado ferengi estava em seus aposentos conversando com o grande Nagus
através de um canal privado a respeito de um carregamento de vinho tulaberry quando um outro aparelho apitou.
[O que foi isso?] - perguntou o grande Nagus ao ser interrompido.
- Isto o que? - Rog tenta disfarçar.
[Este zumbido. É um comunicador?] - pergunta o grande Nagus.
- Ah, o apito? É uma outra chamada. Deve ser o capitão da nave da Frota
estelar. Um momento... - Rog interrompe a imagem na tela e corre para pegar
um comunicador particular.
- Quark, eu já falei que entraria em contato com você. Não deve nunca me
contatar. Isto é perigoso para os negócios!
[Nossos negócios, se me permite corrigi-lo. Liguei para saber como vão as
coisas. Afinal adiantei algumas barras de latinum nesta empreitada.]
- Eu sei, não precisa me lembrar. Escute... Nós mal atravessamos a fenda
espacial... Tão logo os negócios com os Dosi estiverem concluídos eu o
avisarei. Agora não posso mais falar. O grande Nagus espera na outra
linha...
[Espere eu...] - Rog não espera para saber o que Quark queria. Restabeleceu
rapidamente o contato com o grande Nagus.
- Desculpe-me, ó grandioso. O capitão quer me ver. Estamos chegando ao
planeta Dosi.
[Isto é bom. Mas nunca mais interrompa a transmissão, ou terei que multá-lo
nas suas percentagens das transações comerciais. Grande Nagus desliga]
Rog suspira aliviado. Parecia que ele não tinha percebido nada. Tudo poderia
seguir com os planos originais.
****
Capítulo VII
O capitão Alkon entra no alojamento de Durgat assim que lhe é
permitido.
- Que bom que pode me atender tão prontamente, capitão.
- Esta é uma das minhas funções. O que deseja?
- Suas habilidades não revelaram ainda?
- O fato de ser capaz de ler mentes não significa que o faça sem permissão.
Na verdade é muito desconfortante invadir e partilhar mentes. Principalmente
de estranhos.
- Desculpe, capitão. Não pretendia ofender. É da natureza cardassiana ser
desconfiado. Todavia o motivo de solicitar esta conversa é um tanto
embaraçoso e peço sigilo antecipado.
- Como diriam os ferengis...Sou todo ouvidos. - O cardassiano demonstrava
emoções confusas e não precisava ser telepata para perceber isso. Parecia
estar escondendo alguma intenção obscura, mas o que seria?
- Meu governo pede que eu seja informado de todos os dados referentes a
fontes de mineração, novas civilizações e perigos para a navegação.
- Isto já foi acordado. Não vejo o porquê do senhor me chamar aqui para
relembrar o que temos a fazer. Se me dá licença...- Alkon já ia se retirando
quando Durgat o segura pelo braço com certa força impedindo-o de sair. O
capitão fixa o olhar, primeiro na mão do cardassiano, depois em seus olhos.
A intimidação parecia ter dado resultado pois logo em seguida Durgat o
libera e, mais uma vez, pedindo desculpas.
- Na verdade, capitão. Não desejo lembrá-lo de suas obrigações. Sei que as
têm de cor. O meu governo quer realmente é que, caso ,em nossa viagem ,
encontremos postos avançados cardassianos que isto se torne confidencial.
- Isto seria um pouco complicado, emissário. Isto fere o acordo de livre
informação.
- Mas a sua almirante garantiu...
- Garantiu - completa Alkon- a não interferência da Federação nos assuntos
privados de cada civilização representada à bordo. Não iremos sondar ou
investigar nenhum de seus "supostos" postos avançados. Contudo, se a
presença deles for detectada em nossos sensores, tal informação ficará em
nossos bancos de dados que poderá ser acessada , a qualquer momento, por
qualquer um dos emissários à bordo. - o capitão procura deixar bem claro a
sua posição.
- Compreendo sua atitude, capitão. Só gostaria que soubesse que Cardássia
não tolerará nenhuma espécie de ingerência sobre seus assuntos por parte de
ninguém.
- Informação anotada. Agora com licença, tenho deveres a cumprir na ponte. -
Alkon se retira do aposento do cardassiano após este mear com a cabeça como
quem consente o final da conferência.
O capitão desce o corredor com a sensação de que sua missão seria mais
difícil do que pensava, e que, após muitos anos, uma dor de cabeça começava
a incomodá-lo, apesar de todo o seu treinamento mental. Talvez fosse aversão
à mente cardassiana, o que não seria uma teoria totalmente estúpida.
O tenente McCormick parecia intrigado com o que via em seu monitor na
estação de ciências. Procurou verificar se havia alguma falha nos
instrumentos pelo menos duas vezes. Pediu então uma segunda opinião ao
oficial Klingon no posto táctico e só depois dividiu sua descoberta com a
comandante Okaido.
- Comandante, captei algo nos sensores de longo alcance.
- Especifique.
- Bem que eu gostaria. Não consigo definir o que é. Alguma coisa está nos
seguindo e mantendo uma distância discreta.
A comandante levanta de sua cadeira para observar os monitores de perto.
- Poderia ser uma sombra nossa?
- Impossível. Não há nada ao redor que possa provocar o fenômeno. O tamanho
da coisa é menor que a nossa nave.
Neste momento o capitão Alkon entra na ponte e é logo informado da situação.
- Temos companhia. - informa Okaido.
- De quem?
- Indefinido, senhor. - tenta explicar, sem muito sucesso, o apreensivo
tenente McCormick
- Uma nave com dispositivo de camuflagem? Resquícios de plasma em sua rota?
- É possível... - concorda McCormick com seu capitão.
- Se for uma nave camuflada sabemos que poucos a possuem. O que reduziria
bem a lista sobre a identidade de nosso amigo curioso. Mande uma sonda
classe quatro. Tenente Saint-John, reduza para um quarto de impulso. Vamos
esperar e ver o que nosso amigo invisível fará.
- Sonda lançada, senhor.
- Ponha no visual. - o capitão senta-se na cadeira e aguarda até ver algo
que já esperava. Quando a sonda atingiu cem quilômetros do alvo foi alvejada
e destruída. Uma peque nave havia se descamuflado por um momento e voltando
a se esconder no momento seguinte.
- Triangule a fonte do disparo. Erguer escudos. Alerta vermelho. Mirar
phasers naquele setor e disparar em máxima dispersão. Agora! Fogo!
As ordens são executadas imediatamente. Seus subordinados eram bem treinados
e tiveram uma boa oportunidade de provar o investimento que a Frota havia
feito.
Na tela um pequeno brilho foi visto. Um reflexo de uma proteção de escudos
defletores da nave inimiga.
- Ali! Mire e atire novamente, tenente Klag.
- Afirmativo, senhor.- o Klingon parecia satisfeito pelo combate inesperado
naquela bocejante missão diplomática.
Outro reflexo foi visto e uma nave transparente rumava na direção da USS
Babel atirando. Todos balançaram um pouco.
- Escudos agüentaram. 91 por cento. Danos mínimos nos defletores dianteiros.
Respondendo ao fogo . - informava Klag.
- McCormick o que dizem os sensores agora? - a comandante esperava mais
informações para conhecer melhor o inimigo.
- Nave de escolta romulana. Um novo design, mas definitivamente romulana,
senhora.- confirma exultante o tenente.
- Romulanos, aqui? Vamos ver o que eles querem. Alferes abra um canal de
comunicação. - ordena a número um.
A nave balança mais um pouco com novos disparos e antes que houvesse alguma
resposta chegam à ponte os emissários cardassiano, bajoriano e ferengi
pedindo informações sobre o que estaria ocorrendo. O capitão faz um gesto
para que se calem e esperem. Na tela surge a imagem de um oficial romulano.
[Sou o general Tomak da nave R´tor. Solicito que suspendam fogo!]
- Sou o capitão Dorian Alkon da USS Babel. Por que estava nos seguindo
furtivamente?
[Deve estar havendo algum mal entendido. Não estávamos seguindo vocês.]
- E por que destruíram a nossa sonda?
[Pensamos ser um torpedo. Nossos sensores não estão funcionando bem. Apenas
nos protegemos.]
- É pena os seus sensores estarem defeituosos. Poderemos dar assistência à
sua equipe de engenharia se quiser. Pelo design de sua nave parecem estar em
uma viagem-teste, mas, não estão muito longe de casa para tal missão?
[Acredito que meus engenheiros são tão eficientes quanto os da Federação.
Não será necessária ajuda alguma. Quanto a estarmos longe de casa, parece
que isto se aplica ao senhor também. Pelo que sei a Federação não possui
nenhum posto avançado ou colônia neste setor também. Somos apenas
desbravadores, caro capitão.]
- Então devo concluir que este episódio não passou de um mal
entendido. Um daqueles que temos tido muito com vocês ultimamente. De nossa parte pedimos
desculpas. Se precisar de alguma coisa... - o capitão sabia que a nave
deles estava bem avariada e que também o orgulho romulano recusaria mais uma
vez a sua ajuda. Não era necessário nem ser betazóide para concluir isto.
[Desculpas aceitas. Nos afastaremos um pouco mais de sua rota para evitar
incidentes futuros, do contrário terei que considerar que está procurando
deliberadamente um ato de guerra contra o império Romulano. Como o senhor
sabe, nós não nos furtaremos de uma boa briga!] - a imagem some junto com o
sorriso cínico do general Tomak.
Antes mesmo de Alkon poder analisar o recente e estranho encontro a voz do
emissário ferengi foi ouvida por todos na ponte.
- Capitão... Espero que não nos atrasemos ao encontro dos Dosi. Meu governo
precisa fechar um acordo muito importante e ...
- Estaremos lá no horário. Acredito que não teremos mais problemas. Os
senhores podem voltar aos seus aposentos.
Durgat e Barek se entreolharam como se esperassem que o outro fosse retrucar
com o capitão mas nada disseram e se retiraram.
- Okaido, informe que quero toda equipe de comando na sala de reunião daqui
a meia hora. Klag faça o relatório de danos e possíveis baixas. Mantenham a
nave em alerta amarelo. Esta viagem parece que não será nem um pouco
monótona! - Alkon leva a mão à cabeça tentando aliviar uma dor cada vez
mais freqüente. Ele estava se achando num grande tabuleiro de xadrez
tridimensional e precisava entender melhor as táticas deste novo e perigoso
jogador. Okaido fica preocupada.
- Posso ajudar, capitão?
- Não, imediato. É apenas uma dor de cabeça. Vai passar logo. Creio que é a
tensão de um primeiro comando. Já deve ter lido sobre isso na academia, não?
- Claro, senhor. Vou providenciar a reunião.
- Perfeitamente. Vou para o meu gabinete. - Okaido o acompanha com o olhar.
Seu amigo, betazóide perfeito com dor de cabeça? Alguma coisa estava muito
errada. Será que havia algo sobre a missão que ela não sabia? Os receios do
capitão poderiam parecer insegurança para a tripulação. Algo inconcebível em
um comando. De qualquer forma em breve poderia saber sobre os mistérios que
pairavam sobre missão diplomática e qual a verdade sobre a ameaça romulana.
****
Capítulo VIII
O bar da nave não estava cheio e não foi difícil reconhecer a dra. T´vel
sentada próxima a uma janela. A comandante Sarah Okaido se aproximou e
perguntou se podia sentar-se. A vulcana não fez objeções.
- Interrompo alguma coisa? - pergunta a comandante ao ver a médica lendo
uma prancheta eletrônica.
- Na verdade, sim. Estou me familiarizando com as fichas médicas da
tripulação.Meu relatório sobre a condição médica da tripulação durante nosso
pequeno conflito já foi enviado para o tenente Klag.
- Já o recebemos. Desculpe, eu não queria... - Sarah faz menção de se
levantar, mas a médica estende a mão pedindo que fique.
- Não tinha intenção de ser rude. Esqueço-me que os humanos são muito
sensíveis à sinceridade. Se causei algum desconforto emocional não foi
intencional, comandante.
- Ok, tudo bem. Eu a vi aqui e achei que poderíamos nos conhecer melhor.
- Minha ficha de registro não foi transferida para os bancos de dados do
computador da nave? - T´vel estava curiosa com o interesse da comandante
nela.
- Sim, claro que foi. Uma coisa é você ler sobre uma pessoa e outra é
conhece-la pessoalmente.
- O que quer saber sobre mim, comandante?
- Bem... Eu só queria conversar. O que acha da missão, o que achou das
instalações médicas, dos seus aposentos... estas coisas.
- As instalações médicas são satisfatórias. Meus aposentos são luxuosos
demais para as minhas necessidades e quanto a missão eu não a questiono.
Estou preparada para cumprir o meu dever.
Sarah sabia que seria difícil fazer um vulcano relaxar em uma conversa.
Eles eram um computador bípede; sem emoções, sem emoções, sem paixões, sem
graça. No relatório sobre a médica havia lido algo sobre a doutora ter sido
indicada para a academia pela falsa embaixadora T´pel , que se revelou uma
espiã romulana; causando um incidente diplomático com a federação anos
atrás. A doutora provavelmente sofreu algumas perseguições veladas de
oficiais da frota que a julgavam ser também uma espiã romulana. Isto a
prejudicou em algumas promoções, apesar de sua ficha impecável. Esta parte
não estava no relatório. Soube disto tudo nos bastidores da Frota.
- Bom, fico feliz que tenha gostado das instalações médicas. Quanto aos
seus aposentos, se quiser alguma modificação, não hesite em me comunicar. O
capitão marcou uma reunião para daqui a vinte minutos. Poderia tê-la
notificado pelo comunicador, mas preferi fazer este "primeiro contato".
Gosto de conhecer bem o pessoal com o qual trabalho.
- Estarei lá, comandante. - disse a vulcana que voltou a ler as fichas
médicas.
A número um se levantou e suspirou. Teria que ter paciência para adquirir a
amizade da doutora. O tempo seria o melhor mestre. T´vel a acompanhou com o
olhar ao sair. Percebeu que a comandante sabia de algo sobre ela. O velho
boato tinha também chegado ao quadrante Gamma. Ela não deixaria ninguém ter
pena dela. Ninguém.
Minutos mais tarde na sala de reunião
A primeira reunião de equipe. A primeira de muitas durante aquela
missão.Estavam todos reunidos para tentar desvendar um mistério. A primeira
aparição de romulanos no quadrante Gamma. O capitão inicia apresentando
algumas características incomuns sobre o recente episódio.
- Não é verdade que uma das qualidades dos romulanos é de não serem
complacentes? Então por quê o general Tomak aceitou as nossas desculpas e
partiu tão rápido?
- Na verdade, de acordo com os sensores, ele mantém uma rota paralela a
nossa. Estão descamuflados à um milhão de quilômetros. - informa McCormick.
- As especificações de sua nave também são novas. Não consta do banco de
dados da Frota.- acrescenta o oficial tático e chefe de segurança Klag.
- Suas intenções de certo são escusas. Uma nave que atira quando está
camuflada e pequena o bastante para se aproximar sem que percebamos até o
momento final. Se não tivesse solicitado ao senhor McCormick uma ampliação
no raio dos sensores, só Deus sabe o que poderia ter acontecido. O senhor
pôde perceber algo quanto ás suas intenções, capitão? - pergunta a número
um.
- Eu pude perceber que ele estava bastante tenso, porém não surpreso em ser
detectado. - Alkon revela o que suas qualidades telepáticas já haviam
revelado durante a conversa com o comandante romulano.
- Uma espionagem às claras? Esta é uma tática nova! - exclama a chefe de
engenharia Naomi.
- Talvez ele esteja nos testando. Vendo como reagimos a sua presença. Se
nos incomodarmos é porque temos algo a esconder. Devem estar curiosos por
não terem sido convidados para esta missão. - diz Okaido.
- Talvez seja porque há três anos eles não possuem um embaixador para se
fazer contato. Desde aquele episódio da descoberta da falsa morte da
embaixadora T´Pel que o pessoal da Enterprise ajudou a revelar ser uma espiã
romulana. Ele foi chamado às pressas para Romulus e nunca mais voltou. Não
mandaram ninguém para o seu lugar. De lá pra cá a distensão entre o governo
romulano e a Federação só tem aumentado. O que sugere que façamos agora
imediato, ignorá-los? - pergunta Alkon.
Sarah pensou: "T´Pel de novo!". Ela olhou involuntariamente para a doutora
que não mudou de semblante desde o início da reunião. "Como será que isso a
afeta?" Na hesitação da comandante Klag responde:
- Recomendo que continuemos a monitorá-los, senhor.
Alkon acha estranho a atitude de Sarah, mas suas habilidades o fazem
perceber o que havia se passado.
- Qual a posição da R´Tor agora, senhor McCormick ?
O oficial de ciências acessa o console da mesa e procura dar a resposta para
o seu capitão , porém...
- Ela está a novecentos e... - McCormick emudece.
- O que foi, tenente? - pergunta Okaido.
- Ela sumiu! - diz o capitão ao sentir as ondas de pensamento do oficial de
ciências. - Klag e McCormick, verifiquem os sensores mais uma vez. Quero
saber para onde ela foi. Okaido vá para a ponte e ponha a nave em alerta
vermelho. O restante a seus postos. Eu irei em seguida. Dra. T´Vel gostaria
que ficasse. Preciso fala com a senhora.
"Ele percebeu" - pensou Sarah. -
"Espero que ele pegue leve com ela.Apesar de não demonstrar os vulcanos tinham sentimentos."
Quando na sala restam apenas a médica-chefe e o capitão, o ar parecia ficar
mais rarefeito. Alkon havia percebido que o seu pedido tinha alterado os
batimentos cardíacos da doutora. Seria isso possível? Estaria ela com medo
dele? Ou havia algo que ela temia em revelar?
- Notei que durante a reunião a senhora não se pronunciou.
- E deveria? - T´Pel ficou na defensiva.
- Eu espero opiniões de meus comandados durante a discussão de um problema.
- Não vi como poderia ajudar. Não havia uma emergência médica para
necessitar de minhas habilidades. - A médica tentou explicar o seu
comportamento lógico.
- Tenente T´Vel, se não fosse vulcana eu diria que você está tentando evitar
se expor. Você está, de alguma forma, inconfortável nesta nave?
- O senhor está tentando ler a minha mente?
- Você tem medo disso? - Alkon tentava instiga-la. Lembrou de seu tempo
como conselheiro psicológico.
- Sou treinada em técnicas mentais. Sei bloquear bem incursões mentais
externas.
- Por que me diz isso? Não sabe que invasão mental é proibido? Por caso não
confia em mim? Acha que eu leria sua mente sem permissão? Gostaria que
nossas intenções fossem claras para termos um bom relacionamento à bordo. -
Alkon tentou coloca-la contra a parede. A doutora teve que baixar a guarda.
- Desculpe, senhor. As vezes tenho que me controlar para não parecer uma
pessoa desagradável. Sei da necessidade de demonstrar afeição entre outras
raças. Os humanos e betazóides, como o senhor, ficam muito preocupados com
a personalidade soturna de nós, vulcanos. Isto é algo com o que devemos nos
acostumar. São diferenças culturais e nos adaptarmos à elas, eu creio, é um
dos objetivos da nossa missão.
- Muito bem, doutora. Você não é a primeira mulher vulcana com que tenho o
prazer de me relacionar. A sua atitude soturna não me afeta nem um pouco.
Contudo, se tiver algum problema, de adaptação ou relacionamento com algum
tripulante, gostaria que me comunicasse. Dispensada.
T´Vel já estava saindo quando o capitão a chama novamente.
- Relaxe doutora, eu não ligo para boatos. - Alkon sorri e por um breve
momento pareceu que a doutora fizera o mesmo antes da porta se fechar.
"Ele sabia. Que tola que fui!" - T´Vel pensou em aplicar um tal-shaya nela
mesmo.
Estação Espacial Nove
O comandante Sisko iria aproveitar umas horas de folga para jogar baseball
com seu filho Jake no holodeck, já havia vestido seu uniforme para a
ocasião, posto seu boné e andava abraçado com seu filho falando sobre um
tipo de tacada especial quando é interpelado pelo chefe de segurança Odo.
- Comandante, posso falar-lhe um minuto? - solicita o metamorfo.
Sisko não para de andar, mas mesmo assim responde: - Estou de folga agora,
Odo. Não pode falar com a Kira?
Odo observa a estranha vestimenta de seu comandante, porém insiste na
conversa:
- Entendo....Quero dizer...Não, senhor. Ela talvez não reaja muito bem a
minha informação.
- Jake, vá na frente e acesse o programa. Eu não demoro.
- Pai ! - Jake contesta já prevendo que o pai talvez não fosse cumprir a
promessa.
- Vá. Eu vou logo. Isto aqui não vai demorar. Vai Odo?
- Creio que não.
- Viu? - Sisko beija a testa de Jake e ele sai um pouco constrangido.
- Muito bem, o que é?
- Tenho razões para desconfiar que a USS Babel está em grande perigo.
- Por que diz isso?
- Porque Quark esteve espionando o centro de operações. Eu peguei uma de
suas escutas.
- Agora sei porque a Kira ficaria irritada. Quark já está passando dos
limites. - Sisko ri.
- O senhor não está preocupado? Não vai contatar o capitão da nave? - Odo
fica intrigado
com a indiferença do comandante.
- P´ra dizer a verdade, não. Quark sabe tanto quanto nós. Isto é... nada!
Por que não há nada a esconder. Esta é a missão secreta mais comentada de
todo o quadrante alfa. Naves da Federação vem e vão a toda hora. Nave da
Frota estelar no quadrante gamma? Qual a novidade? Estivemos lá uma dúzia de
vezes. Ferengis, Cardassianos e sabe lá mais quem no quadrante gamma? Qual é
o segredo? Eu não vou incomodar um capitão de uma nave estelar porque um
curioso estava xeretando possíveis acordos diplomáticos secretos para obter
ganhos comerciais. É o que os ferengis vivem fazendo não? A não ser que
tenha algo realmente sério para me dizer, não me interrompa de novo. - Sisko
estava demonstrando uma certa irritação com aquele assunto.
- E que tal um terrorista bajoriano na nave que compra explosivos de um
ferengi de péssima reputação? - Odo revela o grande segredo que tinha ouvido
com a escuta que pôs no Quark.
- O quê? - Sisko agora tinha um bom motivo para contatar a USS Babel e
estava bastante irritado.
Bar do Quark - momentos depois
Quando Odo, Sisko e a major Kira entraram em seu bar Quark pensou logo:
PROBLEMA!
- Eu já fechei. Se foi alguma reclamação de algum cliente eu posso
compensar de alguma forma e...aaaiii! - o ferengi grita quando Kira puxa uma
de suas orelhas e o põe sentado.
- O que é que eu fiz? - pergunta Quark inocentemente.
- Ah, então admite! - diz Kira exultante.
- Eu sempre faço, não é? Principalmente quando você me agride. Sabe, acho
que posso até acabar gostando disso! - Quark gostava de ver a major ficar
nervosa. Isto o excitava.
- Mostre a ele, Odo. - ordena Sisko.
O comissário mostra a gravação com as vozes de Quark e Rom:
[... meu negócio com Rog será muito benéfico e você poderá lucrar também.] -
voz de Quark.
[Se for o mesmo que lucrei com o comissário bajoriano não será
grande coisa.] - voz de Rom se lamentando.
[ Você fez a revenda dos explosivos, mas o contato com o
fornecedor era meu. Era justo eu ficar com o lucro maior.] - voz de Quark.
[Noventa por cento? Isto era justo?]
Neste momento Odo interrompe a gravação e Quark tenta logo se defender.
- Esta voz não é a minha. A minha é mais bonita.
Sisko fica cara a cara com o ferengi e sua expressão não era nada amigável.
- Quark, eu não estou com muito bom humor hoje. Eu tive que cancelar um
compromisso com meu filho em meu dia de folga.Uma coisa difícil de ter nesta
estação. Agora... Antes que o deixe a sós com a major Kira, seria melhor
explicar que droga de venda de explosivos foi essa para o comissário
bajoriano que embarcou na USS Babel. Eu quero a explicação...AGORA! - Sisko
mostrava o seu lado negro e Quark se sentia intimidado como há muito tempo
não acontecia.
- Mas como vocês...- antes de Quark terminar a frase, Odo pega a escuta nas
costas do ferengi e mostra a ele que o feitiço virou contra o feiticeiro.
- Você devia trocar de roupas mais vezes. - aconselhou o transmorfo.
- Pra quê? Assim elas gastam menos.
- Vamos Quark, estamos esperando. - diz a major Kira impaciente.
- Bom... Ele esteve em meu bar antes de embarcar. Comentou que queria
comprar explosivos elasianos. Eu indiquei um vendedor jaradiano. Ganhei
alguns latinuns, mas não foi um bom negócio.
- Você diz isso agora, porque foi pego. O que ele queria com explosivos como
ele embarcou com eles?
- Sei lá. Vai ver que ele planejava alguma expedição mineralógica. Quanto a
embarcá-los... Ele era um diplomata. Não passou pelos sensores de segurança.
- Parece que temos que rever os procedimentos de segurança chefe. - diz
Sisko para Odo. Em seguida toca no seu comunicador: - Dax, entre em contato
com a USS Babel. Prioridade Alfa.
[Eles não respondem. Podem estar fora de alcance.] - responde a oficial de
ciências. Sisko não queria pensar no pior.
- Prepare um explorador. Major Kira venha comigo. Sr. Bashir... apresente-se
na operações. - Sisko deu as ordens e se preparava para sair do bar quando Odo fez uma pergunta:
- O que faço com isso? - diz apontando para o ferengi que estava
seguro pelo braço.
- Dê um tempo para ele refletir na besteira que fez. Ache Rom para
lhe fazer companhia. Quando eu voltar decidirei o que fazer. - Sisko vai embora junto com Kira que ostentava um grande sorriso pelo destino de Quark.
****
Capítulo IX
A tenente Saint-John estava voltando do ginásio para sua cabine. Desde que
cancelaram o alerta vermelho pôde relaxar um pouco ao final de seu turno de
trabalho. Os negócios com o povo Dosi pareciam ir bem e o chefe de
transporte estava sobrecarregado com as idas e vindas de diplomatas e suas
cargas de escambo. A nave romulana não foi mais vista e muito menos
detectada, o que deixou McCormick e Klag fazendo plantão, redirecionando
energia de outras partes da nave para aumentar ainda mais a eficiência dos
sensores. No meio do caminho ela se depara com uma cena inusitada. O
comissário bajoriano conversando com o enviado cardassiano. Se fossem de
outras raças seria algo normal , mas não com eles. O que era mais estranho é
que Allison ficou com a impressão que estavam tramando algo juntos.
Procuravam falar baixo e pareciam nervosos, com medo de alguém os
surpreende-los. O que acabou acontecendo. Por um momento pôde ouvir o
bajoriano dizer "... está tudo pronto. Falta pouco agora".
Uma cena realmente suspeita. Passou por eles e os cumprimentou com um certo
embaraço. Notou que eles ficaram surpresos ao terem sido pegos juntos. A
cara que fizeram não foi amistosa. Este fato talvez devesse ser notificado à
ponte. Pelo que ela sabia os bajorianos odiavam os cardassianos e
vice-versa. O que estaria havendo entre eles?
Allison apressou seus passos e pôde ouvir também passos rápidos atrás dela.
Começou então a correr e ficou com medo de olhar para trás. Sua cabine
ficava na próxima curva. Tinha que chegar até lá e avisar o capitão pelo
intercom. A porta de sua cabine já estava ao alcance e ao abrir a porta
foi empurrada para dentro. Caída, só pôde ver a silhueta de seu agressor
antes de ser golpeada e perder a consciência.
Algum tempo depois...
A comandante Okaido estava junto com o comissário ferengi no setor de carga
fiscalizando o embarque de duas toneladas de vinho tullaberry quando foi
chamada pelo comunicador.
[Número um preciso de você na enfermaria] - solicitava o capitão.
- Estou a caminho. - "Enfermaria?" - pensou ela -
"O que poderia ser? Não deveriam fazer exames de rotina antes de um mês."
- E quanto ao carregamento? - Rog estava impaciente quanto à acomodação de
sua carga preciosa.
- O alferes Gilbert prestará toda a ajuda que necessitar, senhor Rog. -
Okaido chama o rapaz para perto do ferengi e sai do setor preocupada com o
que estaria esperando por ela na enfermaria.
Enfermaria...
- Quem fez isso à ela? - Okaido pergunta à doutora após ficar chocada com o
estado em que se encontrava a tenente Saint-John. Pelo que ela podia
observar no painel do scanner médico a piloto da nave estava com um braço
quebrado, um pulmão perfurado por uma das quatro costelas quebradas, além de
ter vários hematomas pelo corpo. O rosto da jovem estava inchado, o
supercilho esquerdo costurado e um edema no olho direito.
- Ela está em coma. Não está sofrendo agora. O tenente McCormick a encontrou
à dez minutos, mas a agressão foi realizada a pelo menos meia hora. -
informa a Dra. T´Vel.
- Quem fez isso à ela? - voltou a repetir a pergunta à 1a oficial.
- Impossível determinar. Já ordenei que Klag investigasse. Ele está nos
aposentos dela colhendo algumas evidências. - responde finalmente o capitão.
- Onde está o McCormick? - pergunta mais uma vez Okaido.
- Está na outra sala. Ele está em choque. Dei-lhe um calmante. Recomendo não
importuná-lo agora. - sugere a doutora.
- Respeito sua opinião doutora, mas eu tenho um agressor a bordo que pode
vir atacar novamente qualquer um dos tripulantes e tenho que evitar isso.
Preciso falar com ele. - Sarah olha para o capitão que em seguida olha para
a vulcana que cerra os olhos consentindo com o inquérito.
- Obrigada. - Okaido agradece e vai até a cama onde McCormick estava
deitado.
- Tenente...Acorde. Preciso falar com você.
- Oooh...sim? Comandante? - meio lerdo o jovem procura sentar-se e o faz com
dificuldade.
- Você pode me dizer se viu alguém próximo à cabine da tenente Saint-John?
- Não, senhora. Eu... Eu a havia convidado para um lanche na nossa folga.
Ela disse que nos encontraríamos em sua cabine após sua sessão de ginástica.
Se eu tivesse demorado mais tempo... Ela teria morrido. Usei o
teletransporte intra-nave para a enfermaria. Espero que isto tenha feito a
diferença. Como ela está?
- Estável. Sabe quem poderia ter feito isso?- pergunta a doutora.
- Não consigo imaginar. Ela sempre foi muito simpática e educada com todos.
Pelo o estado dela parece que não teve como reagir aos golpes. Deve ter sido
surpreendida por alguém muito forte e sem piedade. Eu diria até que o
agressor possa não ser humano. Sem ofensas, doutora.
- Isto será um problema. - comenta Okaido. Teriam que entrevistar mais da
metade dos que estavam à bordo.- Muito bem, agora descanse. Volte para seu
posto assim que se recuperar. Não vou querer mais uma baixa na ponte.
- Sim, senhora! - o oficial de ciências volta a deitar.
Quem teria agredido a jovem Allison? Qual o motivo? Se o agressor for um
não-humano traria um problema diplomático sério para as mãos do capitão
Dorian Alkon.
- Então? - pergunta o capitão quando a número um retorna para perto dele que
preferiu ficar zelando pela sua piloto.
- Ele não viu nada. Acredita que ela enfrentou alguém muito forte. Alguém
que talvez não fosse humano.
- Ele está correto. - concorda a doutora com a observação do oficial de
ciências - Pelo local onde os golpes foram feitos eu diria que o agressor é
um lutador profissional. Ele sabia onde acertar pontos vitais. A tenente tem
uma ótima resistência e está lutando pela vida ainda. Outra pessoa teria
morrido na hora.
- Um guerreiro?Um lutador?Um soldado? Temos alguém a bordo com este perfil?
- Alkon levanta algumas questões.
- Se excetuarmos o nosso pessoal ... - Sarah se afasta e procura um terminal
de computador para fazer algumas investigações. - Computador... Liste o
número de tripulantes que possuem bastante experiência em combate
corpo-a-corpo.
O computador demora alguns microssegundos e lista cinqüenta e dois nomes.
- Computador... Liste apenas os não-humanos.
A lista agora apresentava vinte e três nomes. Agora eles tinham algo com o
que trabalhar.
A doutora revela mais uma informação importante:
- Capitão...Acredito que o que vou dizer ajude nas investigações. O primeiro
golpe que recebeu provavelmente foi no rosto. Ela encarou seu agressor antes
de desmaiar. Ela o viu. Pode ser até alguém que ela conhecia.
- Transfira esses dados para a segurança. Peça a Klag que investigue o
paradeiro destas pessoas durante a agressão. Não deixe de investigar nem o
nosso pessoal. Quero que dê prioridade máxima a isso. Eu vou voltar para
ponte. Ainda tenho uma nave fantasma para procurar. - o capitão segura a mão
de Allison para transmitir seu pesar e se preparava para sair quando a sua
imediato o detém.
- O senhor sabe que poderíamos resolver isto rápido. - a comandante Okaido
insinua que o capitão poderia invadir a mente da piloto e ver o agressor.
O capitão procura falar baixo e demonstrar auto-controle face a proposta da
comandante. - Eu não vou invadir a mente dela e nem pense em pedir a doutora
T´Vel que o faça. Vamos seguir os procedimentos de investigação padrão. Está
claro?
- Sim, senhor. - desapontada Sarah abaixa a cabeça. O capitão então sai da
enfermaria. A comandante, contudo, sugere, com um olhar, que a doutora
fizesse uma fusão mental.
T´Vel balança a cabeça negativamente e até pareceu ficar nervosa com a
possibilidade. Não decepcionaria seu capitão. Além do mais, compartilhar
mentes, e mentes humanas, era muito desagradável.
Sarah compreendia a decisão da doutora. Foi cuidar da supervisão da
investigação. Esperava encontrar rápido o misterioso agressor. Seja ele ou
ela teria que receber a punição adequada. Antes que mais alguém aparecesse
ferido.
Em outro ponto do quadrante Gamma...
A Orinoco sai da fenda espacial sondando o espaço em busca da USS Babel.
- Algum contato? - pergunta Sisko.
- Não, nenhum. Isto é estranho. Parece que algo está bloqueando as nossas sondagens e transmissões.- responde Bashir.
- Major, rume para o planeta Dosi. Lá seria a sua primeira parada. Dobra três.
- Afirmativo.
O explorador se transforma num facho de luz cortando o negrume do espaço,
deixando o dr.Bashir com uma preocupação na cabeça: e se eles chegassem tarde demais?
****
Capítulo X
Barek Naris estava fazendo um tour pela nave sendo ciceroniado pela
engenheira-chefe. Observava com atenção toda a engenharia da nave e
perguntava bastante:
- É possível controlar toda a nave daqui?
A tenente-comandante Naomi Silva estranhou a pergunta. Procurou responder
educadamente sem revelar nada vital. Ela sabia que deveria dar total atenção
àqueles diplomatas, mas a verdade é que não gostava de estranhos xeretando
na sua engenharia. Ela gostava de trabalhar sossegadamente e evitar ao
máximo distrações sem sentido. Todavia ela sabia seguir ordens e se uma
delas era bajular os enviados da Federação então...
- Em tese, sim. Porém precisaria ser um bom técnico e conhecer bem as novas
especificações da nave.
- É claro que a senhora é bem qualificada?
- Certamente. Mas por favor, me chame de senhorita.
- Isto é tudo o que eu queria ouvir. - dizendo isso o conselheiro bajoriano
mostra um phaser e uma cara nada amistosa. - Peça aos seus colegas que saiam
e em seguida bloqueie todas as entradas para a engenharia.
- Você está louco? Eu me recuso!
Em resposta a atitude da engenheira, Barek procura o alvo mais próximo e
dispara. Um alferes é atingido e cai sem vida.
- Esta arma está travada na posição de matar. Posso agora contar com a sua
colaboração, senhorita? - Barek estava sendo sarcástico.
Naomi não tinha outra alternativa. Aos poucos os postos da engenharia são
abandonados e todas as entradas e saídas lacradas.
- E agora? - perguntou a tenente.
- Agora vamos esperar. - respondeu calmamente o bajoriano procurando um
lugar para se sentar.
O capitão Alkon estava na sua cadeira de comando dando a ordem de sair de
órbita do planeta Dosi, quando Klag, atrás dele, informou uma situação de
perigo.
- Capitão, a engenharia foi evacuada. A tenente Silva foi feita
refém.
- Refém? Por quem? - o capitão pôde escutar a resposta pelo
intercom.
[Por mim, capitão. Barek Naris.] - ele havia pego o comunicador da tenente.
- O quer conselheiro? Qual a intenção deste ato? - o capitão olhava para
Klag na esperança que este lhe dissesse que conseguira desbloquear a
engenharia, mas o klingon nada conseguia fazer.
[Bajor para os bajorianos! Já ouviu isto, capitão? Faço parte de
um grupo que nunca apoiou a presença da Federação no nosso espaço. Vocês só fazem nos
sentir fracos, dependentes. Meu povo está perdendo sua dignidade, seu amor
próprio, sua identidade. Nossos jovens hoje aspiram entrar para a Frota
Estelar e não para o nosso exército. Vocês profanam os profetas invadindo a
fenda espacial!] - o bajoriano começa a montar um estranho aparelho com
parte dos adornos de sua roupa enquanto falava, sem, contudo, desviar o
olhar e a sua arma da direção da chefe da engenharia. Alguns componentes
estavam escondidos dentro de seu casaco.
Naomi estava curiosa. " O que ele estava construindo ali?" Era um aparelho
que ela nunca havia visto antes. Sua curiosidade de engenheira evitou que
tomasse qualquer atitude de retaliação.
- Belo discurso, Barek. Você realmente acha que tomar a minha nave resolverá
todos os seus problemas? - Alkon faz um sinal para que Klag vá para a
engenharia cuidar do problema mais de perto. No instante seguinte sua mente
percebe um perigo iminente muito próximo, mas antes que pudesse reagir ao
que estava preste a ocorrer, vê o klingon ser jogado para fora do
turboelevador pelo enviado cardassiano. Jared, o trill oficial de
comunicações, ameaça atacar Durgat, mas cai ao solo sob o efeito de um raio
proferido por um phaser que atravessa seu ombro. Os demais oficiais, vendo a
cena, permanecem imóveis, principalmente porque, o capitão, por gestos,
ordenava que ninguém o atacasse.
- Muito bem, Barek. Seu amigo já está aqui. Vejo que esta nave promoveu
estranhas alianças. Quais são os seus termos? - Alkon não precisaria
concluir as investigações da agressão da tenente Allison. Estava claro que
aqueles dois estavam envolvidos.
[Perfeito, Durgat. Sua noção de tempo foi perfeita!] - parabeniza o colega
cardassiano que se enche de orgulho. - Meus termos, capitão? Discutiremos
isso quando seguir para as coordenadas que meu associado irá lhe dar. Até
lá, sugiro que a sua obediente tripulação não tente nenhuma atitude heróica.
[Ninguém precisa morrer antes do tempo.] - Barek conecta seu
aparelho ao núcleo do reator de dobra. Apesar de um design totalmente diferente Naomi
concluiu que aquilo só poderia ser uma bomba. Isto não era nada bom.
Durgat faz uma reverência para o capitão e segue até o console do navegador
boliano, entregando-o um chip isolinear com a nova rota a ser seguida.
Borix, sem alternativa, olha para o capitão como que pedindo desculpas e
implementa as novas ordens. Alkon pôde perceber que o cardassiano estava com
um bloqueador neural na testa para evitar ter sua mente dominada por ele.
- Quero falar com a minha engenheira, ela está bem?
[O asseguro que ela ainda vive, capitão. Continuará assim de acordo com a
sua cooperação e a de seus comandados. Não hesitarei em cortá-la em pedaços
se for necessário. Antes, devo avisá-lo que não tente usar seus poderes
mentais contra meu associado nem tentar controlar outra pessoa para
agredi-lo. Durgat, mostre à ele nosso presente.]
O cardassiano retira do cinto um pequeno aparelho que, quando ligado, invade
a mente de Alkon provocando uma imensa dor e fazendo-o ajoelhar-se.
- Um estimulador neural modificado e ajustado para a sua freqüência
cerebral. Gostei tanto da nossa conversa anterior porque pude ajustar melhor
o aparelho. O meu bloqueador e o meu phaser estão me protegendo bem. É claro
que conto com a sua honra de capitão da Frota de não querer sacrificar
nenhum de seus colegas. Se você fosse um klingon ou até mesmo um cardassiano
eu jamais poderia me sentir tão seguro.
O capitão Dorian Alkon nunca se sentiu tão impotente; entretanto, mais um
mistério se resolvia: as suas dores de cabeça. Suas esperanças estavam
depositadas na sua primeira oficial que, no momento, não estava na ponte.
Há alguns parsecs de distância...
A USS Orinoco conseguiu detectar, por fim, a USS Babel saindo do sistema
Dosi. Estranharam quando ela estava mudando o plano de curso original e
rumava para o desconhecido em dobra quatro.
- Comunicações ainda estão bloqueadas, comandante. Pelo menos sabemos que
ela ainda está inteira. - comenta o doutor.
- Mas com certeza devem estar com problemas. Pode acompanhá-la, major?
- Vai ser difícil se eles aumentarem mais a velocidade. Tentarei não
deixá-la se distanciar muito.
- Espere um pouco! - alerta o dr, Bashir.
- O que foi? - perguntou Sisko.
- Vi algo nos sensores por um momento. Parecia uma nave próxima a nós.
- Poderia ser uma sombra. Em dobra elas são comuns. - procura explicar Kira.
No instante seguinte eles são atingidos por phasers. O dr. Bashir
não perde a oportunidade de destilar o seu humor ácido. - Se é a nossa sombra, ela está atirando em nós.
****
Capítulo XI
Estação Espacial Nove
O comissário Odo estava satisfeito com os últimos acontecimentos. Ver Quark
encarcerado em seu monitor era uma grande satisfação. O ferengi não cansava
de bater e brigar com seu irmão que dividia a cela com ele. Odo percebia que
suas emoções, moldadas na personalidade bajoriana que copiava, estavam
confusas. Na verdade poderia afirmar que, no fundo, tinha pena do velho e
incorrigível ferengi.
Enquanto meditava o quanto a estação estaria calma nas próximas semanas,
Garak, o alfaiate cardassiano, entra em seu escritório.
- Incomodo, comissário?
O semblante quase feliz de Odo transformou-se na velha cara sem expressão.
Ele também não simpatizava com cardassianos. Desligou o monitor e se virou
para o cardassiano.
- Veio relatar algum roubo ou acusar algum cliente inadimplente?
- Na verdade, comissário, vim oferecer ajuda.
- Ajuda em quê? - Odo estava intrigado.
- Tenho uma informação que não posso deixar de compartilhar. Normalmente eu
diria para o meu amigo, o doutor Bashir, mas como ele não está na estação e
devido a urgência que é necessária ser transmitida a informação que
possuo...
- Que informação? - Odo interrompe o falatório de Garak procurando
objetividade naquela conversa.
- Por acaso vocês confirmaram com o governo bajoriano e cardassiano as
identidades de seus enviados?
- Claro, isto foi a primeira coisa que fizemos. Não vejo por que isto seja
do seu interesse...
Garak ignora o comentário de Odo e continua seu interrogatório particular.
- Confirmaram os registros visuais destas pessoas?
- Não. Só recebemos uma comunicação confirmando seus nomes.
- Sugiro que cheque mais uma vez.
- Qual o seu interesse neste assunto?
- Digamos que, por acaso, fiquei sabendo que ambos estariam em uma nave da
Federação. O senhor sabe que a convivência entre um bajoriano e um
cardassiano pode ser um tanto... difícil. Eles passaram pela frente de
minha loja antes do embarque e pareciam cordiais demais um com o outro. Não
é de estranhar? Percebi que um ou outro não devia ser quem afirmava que era.
Como bom cidadão e no respeito que nutro pela benevolência da Federação e,
até mesmo dos bajorianos em deixar-me continuar com meu negócio, a despeito
de toda a existente rivalidade entre o meu mundo e o seu... Vi-me no dever
de comunicar tal fato.
Odo desconfiava que havia mais do que "deveres de um bom cidadão" naquela
história, mas não podia provar nada que comprometesse Garak. Apesar dele ser
muito misterioso, jamais havia cometido nenhuma atitude suspeita ou fora da
lei. Era, até prova em contrário, um bom cidadão como ele afirmava.
- Entendo. Realmente tem algo de estranho na sua história. Obrigado pela
informação. Irei checar imediatamente.
- De nada, foi um prazer ajudar. - O misterioso cardassiano sai do
escritório com um ar de quem sabia mais sobre o assunto do que estava
disposto a revelar. Odo se pôs a pesquisar em seu computador e nos minutos
seguintes não gostou nada do que descobriu.
Quadrante Gamma
A comandante Okaido estava à caminho do turboelevador em direção à ponte,
depois de ter tirado uma boa soneca. Havia trabalhado a noite toda com a
equipe de segurança tentando achar algum vestígio que pudesse elucidar quem
atacara a piloto Allison, mas nada havia sido descoberto. Quem quer que
tenha sido foi muito cuidadoso em não deixar pistas. Notou que alguns
tripulantes à sua frente estavam caindo como se estivessem desmaiando. Era
coincidência demais que várias pessoas desmaiassem ao mesmo tempo. Isto só
significava uma coisa: GÁS!. Este estava se espalhando rapidamente pelo
corredor, então ela correu na direção oposta e procurou, em um compartimento
na parede de um corredor anexo, um estojo para emergências que continha uma
máscara anti-gás. Colocou-a apressadamente e já, meio tonta, tentou entrar
em contato com a ponte. Sem resposta. O que estaria acontecendo? Quem
estaria pondo toda a tripulação para dormir? Tentou contatar a enfermaria.
Ninguém respondia. Engenharia, idem. Começava a pensar ser a única
tripulante consciente à bordo. Tinha que achar um phaser rápido.
Foi até o seu alojamento e se armou. Para onde ir agora? A engenharia seria
a melhor opção. Se alguém quisesse dominar a nave, lá seria um bom lugar
para começar. Se é que não já tivessem pensado nisto. Em todo caso ela
precisava se certificar. Procurou uma escada de acesso entre os decks e
começou a descê-la, reunindo coragem para enfrentar o inimigo, seja lá ele
quem for, sozinha. No caminho seu comunicador bipou. Escutou uma voz
familiar com um pouco de estática.
[Comandante Okaido? Aqui é a dra. T´Vel. Se estiver me ouvindo,
responda. Estamos numa freqüência segura.]
- Que garantias eu tenho de que você é quem diz ser?
[Você gosta de atrapalhar a leitura dos outros!] - diz a vulcana se
referindo a conversa que tiveram no bar no dia anterior.
- Onde você está T´Vel?
[Na enfermaria. Filtrei o gás sonífero. Estou isolada. Reconfigurei
o transmissor para uma freqüência diferente. Eles podem estar monitorando as comunicações.Você foi a única
que conseguiu responder. Antes havia tentado a freqüência de todos do comando.]
- Eu chamei a enfermaria ainda a pouco e ninguém respondeu.
[Eu estava ocupada, lembra? Além disso, aquela freqüência não era
segura. Eles não poderiam descobrir que eu estava acordada.]
- Quem são eles?
[Não sei, mas logicamente uma só pessoa não conseguiria tomar uma
nave estelar sem ajuda de alguém.]
- Logicamente. - diz Sarah concordando com a doutora.- Tem mais alguém com
você?
[Uma assistente, a alferes Nandi e a tenente Allison que não poderá
ser de muita ajuda, como você já sabe.]
Teria a doutora feito uma piada? Sarah não queria pensar nisto agora - Como
vocês estão?
[ A alferes ainda está um pouco tonta por causa do gás. Apliquei-lhe um
antídoto e ela está se recuperando. Eu prendi a respiração quando percebi o
que estava havendo e consegui filtrar todo o gás antes que me afetasse. O
campo de contenção de emergência não deixou que a tenente Allison fosse
afetada pelo gás, porém ela continua em coma.]
- Quanto tempo dura o efeito deste gás anestésico?
[Ele foi ajustado para afetar todas as raças a bordo. Creio que deverá durar
umas duas horas.]
- Haveria a possibilidade de deixar a tenente sob os cuidados de sua
assistente e me encontrar no deck 11 na escada de emergência? Seria bom vir
armada e com uma máscara anti-gás por precaução.
[Sem problemas.Estarei lá em cinco minutos.]
Agora o time da resistência estava aumentando. As chances continuavam ruins.
Seria bom encontrar mais alguma alma perdida.
Enquanto isso...
Os escudos da Orinoco estava suportando bem o ataque. A major fazia algumas
manobras evasivas e atirava phasers em dispersão, pois seu inimigo estava
camuflado. Quando, por sorte, atingia o alvo, concentrava todo o poder de
fogo da nave na direção das explosões, mas mesmo assim a batalha estava
difícil.
- Escudos a sessenta e cinco por cento! - alerta Bashir.
- Abra canais de comunicações. - ordena Sisko.
- Eles não respondem. Parecem não querer conversa.- diz Kira tentando
desviar a nave dos disparos.
- Uma segunda nave está se aproximando e não está camuflada. - diz Bashir
com uma certa expressão de surpresa.
- Especificações? - pergunta Sisko.
- Parece ser uma das nossas. Um explorador. Registro NCC 72910 comissionada
como USS Eufrates. - especifica o doutor.
Um raio trator é ativado pela nave intrusa e prende a Orinoco.
- Estamos sendo puxados pela Eufrates! O que eles estão fazendo? - diz Kira
surpresa e continuando a responder o fogo, tentando evitar a derrota que
agora parecia iminente.
- Temos que desligar os motores senão seremos despedaçados. - Sisko não
queria admitir, mas sabia que era a única opção possível naquele momento.
- Não! Perderemos contato com a Babel !- responde Kira sem querer aceitar a
rendição.
- Se estivermos mortos não poderemos fazer nada pela Babel. Pare os motores
agora! Vamos conhecer nossos novos amigos. - Sisko dá a ordem que é seguida
à contra-gosto por Kira, mas ela sabia que era a única manobra possível. Em
seu tempo como guerrilheira na luta contra a ocupação cardassiana a única
opção possível era morrer lutando. Agora eram outros tempos e novas regras
tinham que ser seguidas. Talvez se conhecessem melhor contra quem estavam
lutando poderiam elaborar algum contra-ataque ou avisar alguém na estação.
Kira ficou a elaborar futuros planos.
****
Capítulo XII
Antes de partir o comandante Sisko tinha pedido a tenente Dax que entrasse
em contato com a almirante Brand caso ele não se comunicasse em duas horas.
O prazo havia se encerrado e ela entrou com o código para mensagens
criptografadas prioridade um contatando a nave vulcana Sendai que rumava
para a Terra. Aguardou alguns instantes e a imagem da almirante apareceu na
tela com alguma interferência devido a distância da comunicação.
- Tenente Jadzia-Dax no comando interino da estação DS nove. Tenho uma
mensagem do comandante Sisko. - aguardou cerca de trinta segundos para obter
uma resposta.
[...rrsss... Qual a natureza da mensagem?...rsss]
- Temos provas que a USS Babel está em perigo e pode ser destruída.
Solicitamos ajuda da Frota.
[ ...rsssksss... Negativo...Nenhuma outra nave pode ser envolvida na
missão... onde está seu ... ´mandante?]
- O comandante Sisko seguiu com uma equipe para evitar um ato de sabotagem.
O governo cardassiano e bajoriano podem estar envolvidos.
[...sssrrrr... Mande-o voltar...não podemos interferir...
Frota desliga...]
- Mas que diabos eles estão fazendo? Será que ela entendeu a gravidade da
situação? Ela os está deixando morrer deliberadamente. - desabafa o chefe
O´Brien.
- Isto não parece fazer sentido. Será que eles mandaram aquela nave para uma
missão suicida?- Dax não sabia o que pensar.
- Eles não podem fazer isso. Digo... O comandante poderá cair na mesma
armadilha que a USS Babel.
- O fato é: se a Frota armou alguma armadilha, que tipo de "animal" ele
pensa em pegar?
- Desculpe, tenente, mas enquanto estamos aqui tentando adivinhar o que se
passa na cabeça dos burocratas da Frota, o comandante, a major e o doutor
Bashir estão correndo sério perigo. O que vamos fazer?
- Nunca gostei, em todas as minhas vidas, de ficar em posição de cheque. Não
podemos abandonar a estação, ela não pode ficar vulnerável. Não há uma nave
neste setor para nos ajudar e não podemos comentar a missão com mais
ninguém.
- Mas que droga! Estamos de mãos atadas! - O´Brien fica furioso quando
percebe que estão sem opções.
Jadzia fica olhando para o vazio em busca de uma resposta e como um lampejo,
ela parece surgir.
- Vamos contornar a armadilha. Não podemos fazer nada que a Frota espera que
façamos, então teremos que fazer algo inesperado.
- Como assim? - O´Brien não estava conseguindo acompanhar o raciocínio da
jovem trill.
- Teremos que agir extra-oficialmente.
- Você quer dizer desobedecer ordens.
- Exatamente. Eu irei falar com Odo. Enquanto isso assuma a operações. Não
se preocupe chefe, manterei o senhor informado.
- Sim senhora. - O´Brien O chefe olha confiantemente para a sua colega. Ele
sempre foi um homem prático, embora não gostasse de desobedecer ordens tinha
visto que a política da Frota Estelar tinha mudado muito e talvez, agora,
justificasse que não seguissem ao pé da letra as ordens recebidas. "Espero que ela saiba o que está fazendo." - pensou O´Brien como que fazendo uma
prece.
Quadrante Gamma - USS Babel
A comandante Okaido já estava esperando no local de encontro a quinze
minutos e a dra. T´Vel não havia chegado. Será que ela também tinha sido
capturada? O barulho atrás de si faz com que ela quase abrisse fogo. Era a
Dra. T´Vel saindo de um duto de ventilação.
- Que susto! Quase a acertei!
- Desculpe, não tive a intenção de assustá-la.
- Por onde andou? Está atrasada.
- Parece que meus conhecimentos sobre a planta da nave não eram tão bons
como pensava. Foi difícil me orientar pelos dutos.
- Por que não veio pela escada?
- Na verdade queria ter certeza que não estava indo para uma emboscada.
Quando a vi sozinha...
- Tudo bem. Isto é compreensível.
- A senhora tem um plano? Afinal de contas somos apenas duas e...
- Senhora? Por favor, me chame de Sarah. Sim, tenho um plano, mas nenhuma
garantia que ele vá funcionar.
- E qual seria ele...- a doutora hesita um instante e completa -... Sarah ?
- Transporte intra-nave. Usaremos o teletransporte do setor de carga. Não
acredito que tenham isolado aquela área.
- A idéia é boa, contudo eles podem ter acionado um campo de força na ponte
e na engenharia.
- É, eu pensei nisso. Verifiquei o acesso de turboelevador para a ponte e
estava operacional. Salvo por uma trava de segurança simples que já
desativei. Não havia guardas. Acredito que eles são em menos número do que
pensamos. Creio que podemos aprontar-lhes algumas surpresas.
- Surpresas? - a vulcana não compreendia como a comandante poderia
desabilitar os campos de força.
- Venha comigo, no caminho eu conto.
As duas mulheres seguiram corredor a fora com espírito das guerreiras
amazonas.
Não muito longe dali...
Dez minutos de silêncio. Isto era uma tortura para a major Kira.
- Por que eles não se comunicam?
- Irão faze-lo. - responde Sisko com uma tranqüilidade irritante para Kira.
Enquanto isso o doutor Bashir verificava os sistemas da nave.
- Não estamos nada bem, comandante. Escudos em 25%. Energia a 40%. Motores
precisando de reparos e só voltariam a funcionar em sub-luz dentro de doze
horas; o problema é que nosso suporte de vida só vai durar mais seis horas.
- Parece que não poderemos ir para nenhum lugar mesmo. Desvie toda a energia
para os suporte de vida. Quais as nossas chances agora? - pergunta Sisko.
- Teremos mais sete horas e vinte e cinco minutos. Nem mais nem menos. -
conclui Bashir desapontado.
- O plano deles é esse? Matar-nos por falta de ar e congelar nossos corpos?
- Kira estava furiosa, parecia até mesmo estar entrando em pânico.
- Major ...Bravejar não vai melhorar nossa condição. - comenta o comandante.
- Sem falar na perda do oxigênio. - diz Bashir sendo em seguida fulminado
com os olhos por Kira.
- Esta é a minha maneira de me manter mentalmente sã, senhor. E vou bravejar
até que a minha cota de oxigênio acabe!
Um bip no console põe fim na discussão..
Era uma mensagem vinda de seus captores. Kira acionou a tela e a imagem de
um homem moreno, calvo, de raros cabelos crespos pretos e com um nariz de
uma ave de rapina, apareceu com uma expressão nem um pouco amigável.
[Sou o comandante Rafik. Nós somos os maquis e vocês são os nossos
reféns.]
- Aqui quem fala é o comandante Benjamin Sisko da estação espacial nove.
Você sabe que a Federação não negocia com terroristas.
[Sabemos disso, comandante Sisko. A Federação também não gostaria
de perder a estação que você comanda. Neste momento a nova nave da Federação, que
estava passeando neste quadrante, está sendo dominada e pretendemos usar seu
poder de fogo contra a estação bajoriana. Depois mataremos vocês e os
chanceleres de vários mundos se as nossas reivindicações não forem atendidas].
Sisko não estava conseguindo fazer a conexão que poderia haver entre maquis,
bajorianos e cardassianos trabalhando juntos em uma causa comum.
- Quais são as suas reivindicações?
[A saída da Federação do espaço bajoriano e do quadrante Gamma.]
- Pelo que ouvi falar dos maquis vocês são um bando de renegados da
federação que se juntaram a algumas colônias bajorianas que ficaram em
território cardassiano após a assinatura do tratado. Vocês lutam contra a
dominação cardassiana por se sentirem injustiçados ao perderem suas terras e
seus mundos. Por que atacar Bajor e a Federação?
[Quem nos abandonou , Sisko? Eles merecem pagar!]
- Com a saída da Federação não haverá nenhuma força que se rivalize com
Cardássia para proteger Bajor e os outros mundos deste setor.
[Vocês se julgam os mais poderosos? Para exercitar sua memória,
comandante... Se tivéssemos toda a assistência da Federação a alguns anos
atrás os maquis jamais teriam existido. Foi para suprir o abandono da
Federação que surgimos.]
- Às vezes os políticos cometem erros graves, mas repeti-los não irá
resolver as coisas. - Sisko percebia que a discussão poderia não ter fim.
Rafik parecia ser um homem determinado e seria muito difícil demove-lo de
sua cruzada.
[Chega de diplomacia! Vamos ser objetivos. Não precisamos que a Federação se
preocupe conosco; mesmo porque ela nunca o fez. O equilíbrio da balança do
poder neste setor está para mudar. Novas forças estão surgindo. Cardássia
está para sucumbir e não será mais um empecilho para nós].
- Podemos ir embora, mas a Frota poderá interpretar esta ação como um ato de
guerra e atacá-los mais tarde com força total.
[Estariam seus superiores dispostos a enfrentar outra guerra? Vocês ainda
estão catando os pedaços da que tiveram com os Borgs. Não comandante, não
creio que sua Federação tenha outra alternativa a não ser acatar nossas
solicitações].- o sorriso de Rafik ficou na memória dos ocupantes da Orinoco
até a tela se apagar.
Rafik estava muito seguro e bem informado. Quem estaria apoiando os maquis?
Como iriam desestabilizar o governo militar de Cardássia?
Os três oficiais da Frota se olhavam demonstrando um certo espanto pelas
palavras do comandante maqui. Por mais que quisessem negar dentro de si
mesmos, sabiam que uma grande batalha iria acontecer mais cedo ou mais tarde
e eles estavam no meio do fogo cruzado.
****
Capítulo XIII
Quadrante Alfa
O chefe de segurança caminhava de encontro a tenente Jadzia-Dax quando ela,
coincidentalmente, falou:
- Odo, preciso de sua ajuda!
- É mesmo? Eu estava mesmo indo até o comando falar com a senhora.
- Que coincidência, não? Sobre o que queria falar?
- Soube de fonte segura que as identidades dos enviados de Bajor e
Cardássia não eram verdadeiras. Pesquisei um pouco e descobri que Barek
Naris pertenceu ao grupo rebelde Círculo e foi libertado a cerca de dois
meses. Durgat é um proscrito de Cardássia por ter se recusado a matar
prisioneiros bajorianos durante a ocupação. Eles falsificaram suas
credenciais e mataram os verdadeiros representantes dos dois governos; os
corpos foram encontrados meia hora atrás na ala de carga oeste. Creio que
tenham interceptado as nossas transmissões quando tentávamos confirmar suas
identidades. Uma vez dentro da nave não se preocuparam que pudéssemos
verificar de novo.
- Parece que o mistério está ficando maior. Odo... O comandante, Kira e o
doutor Bashir caíram em uma armadilha. O pior é que ela pode ter sido
arquitetada por gente da Federação que queria expor estes terroristas.
Tentei falar com o comando da Frota e eles não apóiam nenhuma ação de
resgate. Alguém quer que uma guerra ocorra e devemos impedir isto.
- Isto é muito grave. O que podemos fazer?
- Não adianta contatar o governo de Bajor e nem a Frota. Portanto...Só
dependemos de nós. Precisamos montar uma equipe de resgate para salvar o
nosso pessoal.
- Como iremos fazer isso? Meu pessoal da estação é reduzido... Não podemos
deixar a estação sem segurança.
- Não estava pensando no seu pessoal...
- Não? Onde iremos arrumar esta equipe?
Momentos depois, na ala de detenção...
- Vocês querem que eu o quê? - perguntava o Ferengi querendo entender o
estranho pedido.
- Não acredito que não ouviu com as orelhas que tem. - disse sarcasticamente
Odo.
- O chefe Odo irá retirar todas as acusações contra você se nos ajudar. -
disse a tenente tentando aliciar Quark para sua causa.
- Eu vou? - pergunta Odo surpreso.
- Ele vai? - pergunta Quark mais surpreso ainda.
- Vai. - confirma a tenente com o olhar firme. Um olhar mais de Dax do que
de Jadzia. Isto faz com que Odo visse que os pequenos crimes de Quark eram
nada, perante ao que estava acontecendo.
O ferengi percebe que o momento era propício para uma negociação. Seu irmão,
que estava numa cela ao lado, tentava escutar pela parede o que acontecia.
Ele tinha sido separado de Quark para que este não o matasse quando gravaram
a voz dele falando sobre a venda de explosivos.
- Tudo bem. Faremos um acordo. Afinal de contas, a quem a Federação acaba
recorrendo quando precisa de ajuda?
- Sem acordos. - diz Odo de forma intransigente.
- Sem acordos, sem ajuda do Quark. - o ferengi volta a se deitar na cama da
cela.
- Quark...Odo... Temos que agir logo. Todos nós estamos correndo perigo.
Seus negócios também Quark. Afinal, se acabarem com a estação, acabarão com
seus lucros e a FCA não gostaria disso, não é?
Odo faz o primeiro movimento devido à gravidade da situação. Ele não podia
conceber o que faria se a estação fosse destruída. Nos últimos anos ela
tinha sido o seu lar e foi onde passou a ter uma certa respeitabilidade, uma
vida.
- Qual o preço?- perguntou o transmorfo.
- Lembra daquelas restrições? Sobre o preço das bebidas e sobre as
holosuítes?
- Muito bem, revogadas. Provisoriamente...- alerta o chefe de segurança.
Quark olha para Jadzia e fica esperando a oferta da Federação.
- O que? - pergunta a tenente sem entender as intenções do ferengi.
- A Federação oferece o que?
- Mas Odo não...
- Ele é oficial bajoriano.- sorri Quark
- Muito bem... Jogarei Tongo no seu bar nas minhas folgas para atrair
clientes por uma semana, satisfeito?
- Muito. É ótimo negociar com vocês. Só tem mais uma coisinha... - Odo faz
uma cara de que não ia gostar do que iria ouvir, porém, devido as
circunstâncias permitiu-se escutar o que o ferengi iria propor.
- É sobre o meu irmão Rom. Por mais que eu o odeie não gostaria que o bar
ficasse fechado. Sabe como é... Preciso garantir os meus lucros. E eu posso
pegar a minha parte depois que resolver o problema de vocês. - Odo olha para
a tenente e suspira e em seguida balança a cabeça concordando com mais uma
condição de Quark. - Agora me contem os detalhes para ver o que posso fazer.
Jadzia-Dax começa explicar o problema e o seu plano. Quark fica entusiasmado
com as possibilidades de sua atuação, enquanto Odo fica preocupado com os
sérios riscos que iriam correr depositando suas esperanças no traiçoeiro
ferengi.
Quadrante Gamma
A comandante Okaido prepara um explosivo para ser colocado no turboelevador.
T´Vel, com sua lógica, avisa do fracasso de tal investida.
- Será inútil, comandante. O campo de força que bloqueia a ponte conterá a
explosão.
- Pode ser, mas criará uma distração para que possamos agir.
- Como?
- Venha, vou lhe mostrar uma coisa que eu vi enquanto esperava você. -
Okaido caminhou até uma parede do corredor onde tinha uma tela .
- Computador...mostre a câmera de vigilância da ponte.
"Informação negada".
- Computador... Acesso de segurança Okaido - Sarah - 4325 - Bravo - 2 - Alfa
- 6.
[Acesso confirmado] - a imagem da ponte surgiu com os oficiais sentados no
chão com as mãos sobre a cabeça e sob a mira da arma de Durgat.
- Eles não bloquearam as câmeras? - disse T´Vel quase demonstrando surpresa.
- Não tiveram tempo ou não sabiam como fazer. Consegui acesso do computador
através de conexões secundárias. Não existe um plano perfeito. Eles cometem
erros e isso é bom. Está vendo o cardassiano? Ele está de costas para o
turboelevador! Era isso que eu queria lhe mostrar. Mas tem mais uma coisa...
espere... Computador amplie o setor D 14 da imagem.
A imagem mostrou o rosto do cardassiano com...
- Um bloqueador neural!- reconheceu a médica.
- A idéia é que na confusão da explosão o capitão possa ataca-lo e
dominá-lo.-explica a comandante.
- Contudo a engenharia ainda estará sobre o controle deles e retomar a ponte
será inútil.
- Você sabe como animar uma pessoa...- desabafa Sarah, porém não se dá por
vencida e continua a explicar a segunda fase de seu plano. - Teremos mais
gente do nosso lado. Os oficiais na ponte são sete. Nosso grupo aumentará.
Em uma hora todos os outros reféns irão acordar. Eles devem estar indo
encontrar alguém para dar-lhes suporte. Temos que agir rápido. Acredito que
eles são um grupo pequeno que podemos dominar.
T´Vel analisou o plano da comandante por um instante e pensou em outras
conseqüências.
- Quem quer que esteja controlando a engenharia poderá cortar o suporte de
vida dos outros setores da nave quando perceber que perderam a ponte.
- Sim, eles podem, menos um. - diz Okaido com um sorriso. Pela primeira vez
ela tinha uma resposta positiva para dar ao problema apresentado pela
doutora.
- A enfermaria...-deduz T´Vel um pouco hesitante.
- Exato! Temos como bloquear o acesso à enfermaria por ser uma das áreas
vitais da nave. Teremos um santuário para planejar e organizar a nossa
rebelião.
- Vejo que seu plano tem boas chances porém...
- Lá vem você de novo. O que falta ainda?
- Como iremos avisar o nosso capitão e o pessoal na ponte para que eles não
se firam durante o nosso ataque?
- Conto com a sua cabeça para isso! - Sarah sorri novamente. Parecia que ela
havia pensado em tudo afinal.
- Minha cabeça? Você quer dizer... me comunicar telepaticamente?
- Claro! Você é vulcana e ele betazóide. Nossas chances melhoraram?
- Digamos que aumentaram vinte por cento.
- E quanto tínhamos antes?
- Nada.
- Bom... Já é um começo. Vamos trabalhar?
A número um e a doutora voltaram confiantes para o turboelevador para
terminarem o pacote surpresa.
Bem próximo...
A Orinoco estava sendo escoltada e rebocada pelo espaço para um destino
ignorado. Chegando próximo a um planetóide eles entram em órbita. A USS
Babel também estava lá. A nave misteriosa que os havia atacado, lentamente,
desativa a camuflagem e revela para Sisko e seus companheiros um desenho já
visto anteriormente.
- Romulanos? Romulanos estão apoiando os maquis? - Sisko fica perplexo.
- Isto está ficando cada vez mais interessante.- comenta Kira.
- Ah, comandante... É melhor vestir um casaco. - ordena Julian com sua
autoridade médica - A temperatura está caindo rápido. Está 15ºC agora, mas
vai piorar. Estamos em força auxiliar. Se eles não nos tirarem daqui rápido
viraremos múmias congeladas.
Sisko pega os casacos oferecidos pelo doutor e repassa um para Kira. A
penumbra no interior da nave e a escuridão doe espaço denunciava um fim
triste e breve. Precisavam fazer alguma coisa que os mantivessem ativos.
- Os sensores estão funcionando, doutor?
- Não no momento, mas possa religá-los. O que o senhor quer sondar?
- Sonde o planetóide abaixo. Quero todas as informações possíveis. Relevo,
temperatura, atmosfera, formas de vida, estrutura incomuns...
- Ok, mas não sei no que isso vai adiantar. - resmunga o doutor.
- O senhor tem coisa melhor para fazer, doutor?
- Não senhor.- Bashir sabia que o comandante tinha uma paciência muito curta
e a última coisa que queria fazer naquele momento era irritá-lo Em alguns
segundos, após um comando de varredura completa, as respostas são enviadas
pelo computador da nave:
- Classe D. É uma das quatro luas de um planeta gigante gasoso. A estrela do
sistema é de magnitude quatro ladeada por um quasar. Sua composição é de
níquel,ferro, cobalto; sem tectonismo....Algumas crateras, fina atmosfera de
argônio e enxofre, dióxido de carbono a 4%, sem oxigênio.
- Por favor, comandante...Me mate rapidamente.
- Major, continue descansando. Continue doutor.
- Temperatura média de -35ºC durante o dia e -165ºC à noite. Puxa e eu
estava reclamando do frio aqui em cima.
- Vamos doutor, o que tem mais lá?
- Vamos ver...Ei! Estruturas habitacionais e um espaço-porto no equador.
Eles têm uma base bem montada lá embaixo. Não há água em estado líquido.
Eles devem ter trazido de fora. Na verdade nada pode viver lá embaixo sem
ajuda de suprimentos vindo de fora.
- O que uma nave como a Babel poderia facilmente prover por muito tempo.
Talvez eles não queiram destruir a Babel a não ser em último caso. -
conjectura Sisko.
- Será uma base maqui, cardassiana ou romulana?- pergunta Kira.
- Só saberemos de duas maneiras: uma é perguntando; a outra é indo lá ver. -
responde Sisko.
- Se perguntarmos eles não nos dirão nada e não podemos descer lá. Estamos
presos ao raio trator e sendo, provavelmente, sondados. - Bashir era muito
fatalista para um médico, pensava Sisko.
- Major...Poderíamos abrir uma brecha no raio trator deles por alguns
segundos a ponto de poder transportar uma pessoa lá para baixo?
- Talvez se usarmos um setor do defletor e causar uma sobrecarga.... Mas
talvez não sobre muito do suporte de vida.
- Não tem importância. Se der certo, creio que nossos captores irão querer
falar conosco pessoalmente e nos tirarão daqui.
- Se der certo o que uma pessoa poderá fazer lá embaixo?
- Pensei que a senhora pudesse me responder.- Sisko mostra o seu velho
sorriso irônico. Ele sabia que, naquela situação, as velhas habilidades de
guerrilheira de Kira seriam muito úteis.
****
Capítulo XIV
DS9 – Quadrante Alfa
- Você chama isso de força tarefa? – esbravejava Odo quando vê os homens que Quark havia contratado. A equipe de resgate era formada por um jovem bajoriano franzino chamado Elis Assan ; um ancião boliano, especialista em engenharia de nome Jo´Nar; e uma jovem klingon chamada Khalir; ansiosa demais para matar.
- O que você esperava de última hora? Na verdade eram clientes que estavam esperando o bar reabrir. Além do mais eu prometi um soldo bom. Dez barras de paralatium para cada um após a missão. Ah,... por conta da Federação.
- Dez barras! – o chefe O´Brien ficou indignado.
- Vocês não querem que eles depois fiquem espalhando que oficiais da Frota tiveram que ser resgatados por eles, querem? – diz Quark quase num cochicho para a tenente Dax.
- Feito, Quark. Já arranjei uma nave para vocês. É de um comerciante vulcano. É pequena, mas com uma boa área de carga. O único problema é que na cabine só dá para três pessoas.
- Sem problemas. Jo´Nar, eu e a minha amiga aqui – diz Quark tentando pegar carinhosamente no braço da Klingon que rosna ao seu toque – ficaremos nos controles, enquanto Odo pode ficar num balde junto com o garoto bajoriano na ala de carga.
- Não subestime seus privilégios nesta missão. Lembre-se que está em condicional até o final dela, portanto, não queira me dar ordens.- alertou Odo.
- Tá bom. A klingon vai para o compartimento de cargas no seu lugar. Satisfeito? – Quark achou oportuno mudar sua opinião. Talvez mais pela rejeição da klingon do que as ameaças de Odo.
Jadzia interrompeu a discussão entre Quark e Odo para apressar o grupo para a viagem. O tempo era precioso.
- Vocês encontrarão todo o equipamento necessário à bordo. Odo estará no comando. Vocês só devem se comunicar conosco quando necessário através do sub-espaço numa freqüência codificada. Caso estejam a uma distância muito grande da fenda, lancem bóias retransmissoras. Agora vão e boa sorte. – Dax esperava que suas ordens fossem cumpridas, pois o êxito da missão dependia disso.
Quadrante Gamma – à bordo da USS Babel
O plano estava sendo posto em prática. T´Vel estava no conduto de acesso à ponte um andar abaixo da mesma. De lá passaria as informações telepaticamente para o capitão.
A número um estava na ala de carga habilitando o transporte para resgatar seus companheiros. Havia tirado seu comunicador e desabilitado as câmeras do local para dificultar sua detecção. É claro que poderiam rastrear de onde o transporte foi acionado, mas já seria tarde demais.
A bomba explodiria em oito segundos. O turboelevador já tinha sido acionado. Não se tinha acesso à ponte . As portas não iriam abrir, contudo, o turboelevador, ao chegar na ponte liberaria uma explosão e pegaria o cardassiano na onda de choque devido a sua proximidade. Talvez causasse uma interferência que desabilitasse o campo de força. Era o que a comandante Sarah esperava.
Na ponte o capitão Dorian Alkon percebeu que alguém tentava alcançar sua mente. Quem seria? Quem teria tais habilidades telepáticas além dele?
“Capitão...proteja-se...bomba...bloqueador neural...cuidado...proteja-se.”
Não houve muito tempo no que pensar. Assim que o turboelevador chegou, Alkon pressentiu a explosão e pulou no chão se distanciando do cardassiano que não entendeu o gesto até ser tarde demais. A explosão o atingiu em cheio e, infelizmente, um destroço atingiu o pescoço do navegador Borix. Os restantes ficaram um pouco atordoados e surdos.
O campo de força caiu e T´Vel saiu do ducto de emergência e entrou na ponte assim que percebeu que a grade de energia se dissipara. Avisou a número um em seguida utilizando um comunicador de mão. Também tinha retirado o seu broche para evitar ter seu sinal travado e ser transportada pelos inimigos.
A comandante Okaido sabia que tinham poucos segundos para agir antes que o campo de força fosse restaurado. Acionou os controles do teletransporte. O sinal foi captado pela ala de carga e transferido para enfermaria. Sarah então reprogramou o transporte pra transporta-la e em seguida travar os controles.
Assim que chegaram na enfermaria a Dra. T´Vel foi logo tratar do alferes Borix. McCormick ainda estava um pouco tonto e demorou a entender o que estava acontecendo. Quando a figura da número um se materializou o capitão foi logo cumprimenta-la.
- Parabéns, comandante! Eu sabia que seria difícil pegarem você. Foi uma manobra arriscada. Na verdade vocês poderiam ter acabado com todos nós. Contudo estão de parabéns. – diz cumprimentando também a doutora.
- Desculpe, capitão. Em situações desesperadas... manobras desesperadas. Aprendi isso com um instrutor andoriano que tive na academia. – a número um sinaliza par retirarem suas insígnias do peito.
- Depois agradecemos à ele também. Agora, como está nossa situação?
- Não muito boa. Acredito que Durgat e Barek são parte de um grupo maior. O curso da nave foi mudado. Estamos orbitando um planetóide e, provavelmente, seremos abordados por mais pessoas em breve. Temos quinhentas e trinta pessoas à bordo. Dentre elas vários dignatários de vários mundos. São reféns valiosos.
- Quem são esses loucos? Será que eles querem que a galáxia inteira entre em guerra?- pergunta McCormick.
- Ou que paguem o que eles exigirem. – complementa Klag.
- Pode ser mais do que isso. Não acredito que se trata apenas de um roubo. Eles tiveram muito trabalho para se infiltrarem na nave e dominá-la sem que percebêssemos à tempo. – Alkon tenta entender as motivações dos criminosos. – Os Maquis são impulsionados pelo desejo de reaverem os seus mundos sem o controle cardassiano. A causa deles é política não financeira.
- Eles precisam de créditos para comprarem armas e suprimentos. – deduz Klag.
- Depois de conseguirem a Babel e os reféns mais valiosos do setor? Não. Eles irão tentar uma grande barganha. Talvez queiram forçar uma ação da Federação contra os Cardassianos.Só não entendo o que um cardassiano e um bajoriano ganhariam ajudando os Maquis.
- Simpatizantes, talvez. – imagina a número um.
O capitão começou a andar de um lado para o outro pensando no que fazer. Talvez não restasse muito tempo para agir, então começou a dar ordens:
- Klag...Procure pegar todas as armas que encontrar e traga-as para cá. McCormick... Prepare minas com sensores nos corredores de acesso da enfermaria. Se nossos inimigos vierem para cá, terão uma surpresa. Jared... Vigie os ductos de ventilação e de serviço. Dra. T´Vel... Como está o alferes?
- Estanquei a hemorragia. Sua cicatrização é boa. Estará como novo em pouco tempo, só não poderá falar por alguns dias.
- E quanto a nossa piloto?
- Ainda em coma. Porém está estável.
- Fique preparada para poder removê-la. Não sabemos quanto tempo ficaremos aqui.
Neste momento tudo ficou escuro e em seguida as luzes de emergência foram acionadas.
- Já sabem de nós. Preparem-se. – ordenou o capitão.
Na engenharia Barek estava colérico. Já sabia do ataque à ponte e da fuga de seus prisioneiros. Ao tentar se comunicar com Durgat soube que já não mais contava com seu aliado. Naomi temeu que ele detonasse a bomba que pôs no reator de dobra. Ao invés disso, Barek socou um console e entrou em contato com outro aliado.
- Rafik? Onde está você? Estamos sendo atacados. Preciso de sua ajuda agora!
[Calma. Estou aqui. Nossos amigos também. Ninguém está te atacando. Foi uma explosão na ponte da nave.]
- Na ponte? Por isso Durgat não responde. – Barek se aproximou de outro console e tentou analisar a extensão dos danos. De acordo com os dados a ponte ainda estava operacional. Somente a área próxima ao turbo elevador e poço de acesso estavam destruídos. Começou a sondar a nave para descobrir para onde foram os prisioneiros. Enquanto isso a chefe de engenharia tentou aproveitar o momento de distração de seu captor para atacá-lo com uma ferramenta, mas ele, muito astuto, percebeu a agressão momentos antes. A tenente-comandante foi arremessada para trás por um feixe de phaser. Seu ombro direito ficou fumegando.
- Não tentem mais nenhuma gracinha ou vai virar pó de estrela! – Barek se referia ao controle remoto em sua mão que estava prestes a ativar.
- Seu amigo está morto. O capitão escapou e logo estará atrás de você. – Naomi, mesmo ferida, não se deixou intimidar.
Barek a olhou com fúria e se aproximou dela. Olhou-a mais um pouco e apertou seu ferimento com o phaser; e em seguida sorriu quando a engenheira chorou de dor.
****
Capítulo XV
Kira foi transportada para a superfície do planetóide com um traje espacial e armada. Preocupava-se com seus companheiros, mas sabia que eles não a enviariam numa missão se ela não pudesse cumpri-la.
Observou uma cúpula e guardas armados próximos a uma entrada. A vestimenta deles era estranha. Olhou em volta para ver se poderia criar alguma distração. Acabou de localizar um tanque de dois ductos que saiam dele em direção à cúpula. Era definitivamente algo que poderia explodir e causar a distração que precisava. Mirou e atirou.
A explosão foi rápida, barulhenta, mas o fogo não durou muito. Não haviam gases comburentes naquela atmosfera rarefeita. Porém foi o suficiente para atrair a atenção dos guardas. Correu até o portão desguarnecido e destravou a tranca eletrônica com o auxílio de um tricorder. A porta se abriu e ela entrou. Toda a operação não durou nem vinte segundos.
Em órbita Rafik era informado pelo seu oficial no posto científico, um caldoniano chmado Laynair, que um dos tripulantes da Orinoco tinha se transportado para a superfície.
- Como ele escapou?
- Houve uma falha no raio trator. Eles baixaram os escudos e... Foi muito rápido. Apenas quatro segundos. Prendemos a nave novamente.
- Onde ele está?
- De acordo com os sensores é ela, senhor. A bajoriana conhecida como Kira.
A explosão detectada no planetóide abaixo respondeu a pergunta. Os reféns começavam a reagir e medidas urgentes tinham que ser tomadas.
- Tomak, estenda os escudos de sua nave até a Orinoco. Eles estão utilizando o transporte para fugir. Você disse que tinha desabilitado o sistema deles!
[Seu cão! Eu não recebo ordens de você!] – vociferou o romulano quando sua imagem apareceu na tela da Eufrates.
- Você concordou em colaborar. Se quiser reaver o seu filho de volta, general... Faça o que eu mandei! Agora!
-[ Seu hlai ! Ele é a única coisa que está entre mim e a sua garganta cortada. Para o seu bem é melhor honrar o nosso acordo!]
- Vamos, Tomak... Não fica bem para um general do grande Império dos orelhudos ficar praguejando. Tome uma atitude ou então eu tomo!
O romulano não quis arriscar a sorte de seu filho nas mãos dos seqüestradores, então virou-se para um subordinado e deu a ordem. Laynair informou que os dois humanos tinham sido transportados para a R´tor.
[Eles estão aprisionados. Não conseguirão fugir daqui. A nave deles foi abordada e está totalmente em nosso poder. Espero que cumpra a sua parte do trato ou pelos elementos, se arrependerá por não ter uma morte rápida!] – a tela se apagou e Rafik sorriu.
- E pensar que a Federação teme ainda esses caras. São vulcanos passionais e são muito fáceis de serem domados. Desde que saiba o que usar para controlá-los. É hora de pousarmos. Miraska – disse para a sua piloto bajoriana – Reboque a Orinoco. Benson, prepare nossos trajes. Quando chegarmos vá até o explorador da Federação e tire qualquer romulano de lá. Não confio neles. Deixe a nave em condições de voar. Precisaremos de todas as naves possíveis para enfrentar os cardassianos. Miraska, abra um canal para os nossos colaboradores. Mande abordar a Babel e matar toda a tripulação. Deixe apenas os diplomatas vivos. Reféns nunca são demais.
USS Babel
No interior da nave o grupo de resistência continuava a se preparar para retomar a nave. Alkon estava repassando em sua mente os últimos acontecimentos. O aparecimento do general romulano foi um aviso para Durgat e Barek seguirem com o plano, pois teriam uma retaguarda. Uma maneira inteligente de passar a mensagem. O convite ao alojamento de Durgat teria sido para testar a eficácia do bloqueador neural, por isso sua repentina dor de cabeça, que passou assim que se afastou do alojamento do cardassiano. Tiveram que atacar Allison porque ela, talvez, descobrira a relação entre o bajoriano e cardassiano. Com isso anteciparam a tomada da nave. Não puderam contar com a ajuda dos romulanos para abordar a nave porque estando a nave em dobra não poderiam baixar os escudos. Um ato de muita coragem para apenas dois homens. Jogaram contra a sua ingenuidade e inexperiência e ganharam. Havia fracassado como capitão em sua primeira missão, que, de acordo com o decorrer dos fatos, talvez se transformasse na última. Precisava de alguém para desabafar, de uma forma confidencial. Como não possuía nenhum conselheiro à bordo só lhe restou...
- Doutora, posso falar com a senhora?
- Sim, capitão. O que há? O senhor está abatido.
- É a face do fracasso. Desculpe... Não deveria demostrar fraqueza num momento como este.
- Não se desculpe, capitão. Todos estamos apreensivos com o nosso futuro. O senhor deve estar sofrendo mais do que todos nós devido ao cargo que ocupa. Iremos superar as dificuldades. O senhor é um bom líder, foi treinado para o comando, mas nem tudo é ensinado na academia. Só não pode antecipar os fatos devido a natureza pacífica de nossa missão.
- Obrigado pela compaixão. Acho que a senhora deveria acumular o posto de conselheira da nave.
- Compaixão é uma emoção que me permito ter com os meus pacientes. – T´Vel sorri, para o espanto de Alkon. Ele jamais viu um vulcano ou vulcana se expressar assim. Aquela mulher era tão misteriosa quanto surpreendente.
- Como vai a Allison ? Alguma melhora? – Alkon estava aprendendo a chamar seus oficiais de comando pelo primeiro nome para criar uma maior intimidade.
- Eu injetei um estimulador neural. Suas ondas cerebrais estão estabilizando. Logo sairá do coma. Só não garanto dela ser capaz correr.
‘Terá sido uma piada?’ – pensou Alkon afastando logo este pensamento da cabeça. – Ótimo. – falou um pouco sem graça.
Klag e McCormick chegam com armas para distribuir para os companheiros.
- Senhor, conseguimos três phasers tipo II e dois rifles. O sr. McCormick instalou as armadilhas e trouxe inibidores de transportes caso o nosso campo de força seja desativado. – informou Klag.
- Muito bom trabalho. McCormick pode instalá-los e ativá-los. Vocês viram alguém?
- Alguns tripulantes dormindo. – responde Klag.
- Bom sinal. Nossos inimigos ainda não transportaram ou aprisionaram os seus reféns. Isto significa que temos algum tempo.
- Eu não contaria com isso, capitão. Segundo o meu tricorder onze formas de vida e bem acordadas estão vindo para cá. – informa a número um.
Alkon tenta sondar as mentes dos invasores, mas não obtém sucesso. Seria algum efeito colateral do inibidor neural?
- Não posso alcançá-los com minha mente. Será que estão usando bloqueadores neurais também? – pergunta para a comandante Okaido.
- Não, senhor. Eles não precisam. De acordo com minhas leituras eles são Breens.
- Breens? – Alkon fica perplexo com a aparição destes novos participantes no jogo.
- Está ficando divertido, não? – diz McCormick escondido detrás de uma mesa e apontando seu phaser para a porta.
A alguns parsecs de distância...
A nave de mercenários comandada por Odo e Quark havia chegado até o mundo Dosi onde, de acordo com o plano de navegação da USS Babel , seria a primeira parada da nave. Começaram a orbitar.
O bilano Jo´Nar, que estava no posto científico, informou:
- Traços de plasma sendo computados para análise de provável trajetória. Temos algumas pistas frescas. Vou colocá-las na tela.
Surge então quatro traços, sendo que um deles um pouco falhado.
- Por que este traço está tão incompleto? – pergunta Odo. O bilano logo esclarece:
- Pode ser um resíduo antigo ou a nave estava camuflada, ou seus motores estavam falhando e, onde não há traço, a nave teria navegado em inércia.
- Naves camufladas por aqui? Klingons, ou quem sabe...Romulanos! – Quark tentava especular. Odo porém não ficaria especulando.
- A rota da USS Babel só era conhecida até este ponto. Portanto temos três escolhas a seguir.
- Se me permite corrigi-lo, senhor Odo – disse Jo´Nar – Na verdade apenas um traço deste se refere a uma nave do porte da USS Babel de acordo com o total da massa residual de anti-matéria.
- Pode estimar uma rota? – pergunta Odo.
- Sim... Um momento. – o bilano dedilha no console e surge na tela uma provável trajetória.
- O que há nesta direção? – pergunta o transmorfo mais uma vez.
- Vejamos... – Jo´Nar sobrepõe um mapa estelar. Eles vêem três sistemas solares e alguns asteróides errantes. O primeiro sistema se chamava Agrathi, o segundo Bopak, onde existia uma estrela gigante vermelha; e o último era catalogado como Moranis com seis planetas gigantes orbitando duas estrelas. Na verdade uma delas era um quasar.
- Qual a capacidade de dobra desta nave? – Odo tentava analisar um melhor curso para seguirem.
- Podemos atingir warp seis e manter por dez minutos. O que nós dá sessenta milhões de quilômetros percorridos. È bom acrescentar que o warp seis é a velocidade de cruzeiro das naves da Federação. – explica Jo´Nar.
- Humm... – pensou Odo – Qual a distância entre nós e o sistema Bopak?
- Vinte anos-luz. Na dobra seis chegaríamos lá em vinte dias. Para chegar em Agrathi, um ano e oito meses e para Moranis apenas dois dias. – o bilano antecipou as informações que Odo queria sendo cumprimentado com um menear de cabeça do chefe de segurança.
- Eles tem que ter ido para um lugar mais próximo. Os terroristas tinham que agir rápido e sendo os Maquis os responsáveis diretos por isso, não iriam muito longe do espaço cardassiano. Se tivessem viajado em dobra máxima só podem estar num raio de cinco anos-luz.
- É muito espaço para procurar. – comenta Quark enquanto Odo tentava continuar falando.
- A cada doze horas a USS Babel tinha que entrar em contato com a estação, portanto, se a nave foi capturada... – Odo tentava calcular todas as variáveis possíveis, mas não tinha como precisar a que velocidade estariam voando. Sem isto não saberia a distância percorrida.
Quark já estava ficando impaciente com o ping-pong entre Jo´Nar e Odo, então resolveu se meter na conversa.
- Senhores... Um destes traços deve ser da Orinoco. Ela chegou aqui antes de nós e deve ter detectado a USS Babel. É só ver se dois traços convergem e achamos nosso caminho! Coloquem os sensores no máximo e vamos embora!
Odo e Jo´Nar olham espantados para o ferengi e depois se entreolham. Jo´Nar balança a cabeça afirmativamente com a cabeça e se volta para o seu painel para traçar o novo curso.
- Não sabia que a navegação estelar era uma de suas qualidades. – comentou Odo.
- Se eu dissesse tudo o que sei fazer não iria ter graça. Manter um pouco de segredo é sempre favorável aos negócios.
Quark lança um olhar de superioridade para Odo só para irritá-lo. Na verdade estava naquela missão não apenas para salvar a sua pele mas, sobretudo, os seus futuros negócios com a Federação. Todavia, se continuassem a discutir sempre antes de tomar qualquer atitude, a Federação poderia dar adeus a sua nave e tripulação.
Cerca de cento e dois milhões de quilômetros distante do grupo de resgate improvisado, no planetóide Breen usado para mineração; Rafik, o líder do grupo Maqui, se encontra com seu amigo Barek Naris que tinha se transportado da USS Babel.
- Como vai amigo?
- Bem. A missão foi um sucesso.
- Onde está Durgat?
- Ele não conseguiu. Alguém explodiu a ponte e ele foi pego na explosão. Agora perdemos o nosso contato para detectar as defesas cardassianas.
- Não era só isso que ele representava. Ele era um membro descontente da Ordem Obsidiana e que tinha uma dívida de honra com você por tê-lo salvo de um linchamento quando da partida dos cardassianos de Bajor. Poderíamos ter conseguido informações valiosas sobre a movimentação das naves cardassianas na patrulha da zona desmilitarizada. – lamenta Rafik.
- Assim como eu tenho uma dívida com você por ter salvo meus pais da amabilidade cardassiana, quando da desocupação de Denara IV.
- Seus pais eram antigos colonos que me abrigaram quando cheguei de Altair IV depois que dei baixa da Frota Estelar. Fiquei revoltado quando os cardassianos tomaram Denara IV e expulsaram os colonos sem compaixão. Destruíram as vilas, plantações, estações meteorológicas e mataram todos que se opuseram a isso. O que mais odiei foi que nem a Frota nem a Federação fizeram nada para impedir, a fim de não macular o tratado assinado. Foi por isso que me juntei aos Maquis. Agora estamos em um ponto de onde não há volta. – Rafik faz uma pausa e pergunta: - Qual a situação na nave lá em cima ?
- O capitão e um grupo de oficiais fugiram, mas ainda se encontram na nave. Se tudo der errado ainda temos o nosso trunfo. – diz Barek mostrando o controle remoto da bomba.
- Nada vai dar errado. Além do mais os breens irão encontrá-los e em pouco tempo suas moléculas estarão espalhadas pela Babel. E quanto aos outros?
- Estão sendo trazidos para cá. O comandante Breen ficará satisfeito com o aumento do número de escravos para a sua estação mineradora. Agora só nos resta pegar nossa mercadoria. – Barek estava indócil. Os Breens prometeram armamentos para os Maquis e para o Círculo 3,
do qual Barek fazia parte e o sucesso de sua missão faria com que Bajor se livrasse da influência da Federação e ao mesmo tempo se vingasse dos anos de atrocidades cometidas pelo governo cardassiano contra o seu povo. Após esta missão Barek acreditava que tanto o Círculo quanto os Maquis deixariam de existir. Uma Bajor e os planetas da zona desmilitarizada estariam livres da Federação e dos cardassianos. O problema estaria em continuar a manter relações comerciais com mundos aliados à Federação. Barek acreditava que a única solução para Bajor era o isolacionismo. Apesar da queda do ministro Jaro, da perda do apoio dos Kressari e de um pequeno grupo de cardassianos a alguns meses atrás; os remanescentes da Aliança para uma unidade global ( O Círculo), encontraram apoio a sua causa entre os maquis através da amizade entre Barek e Rafik.
De repente, uma nova forma de vida se materializou onde a conversa entre os dois revolucionários acontecia. Era o general Tomak.
- Onde está o meu filho? – o romulano não era de meias palavras quando se tratava do sangue de seu sangue.
- Calma, general. Sente-se. – diz Rafik com um certo cinismo.
O general não se sentou. Se aproximou mais e encarou o chantagista.
- Já estou arriscando a minha carreira vindo aqui sem ordens do meu governo. Tive que mentir para garantir a vida do meu filho. Minha parte já foi feita. Ajudei-os a capturar oficiais e naves da Federação. Agora me diga... Onde está R´Vain?
Rafik se afasta do romulano e serve um drink para si e outro para Barek. Em seguida se volta para o general Tomak e, após tomar um gole, responde:
- Seu filho agora pertence aos Breen. O que posso fazer? Eles necessitam de mão-de-obra na mina deles.
Tomak não contém sua fúria se lança na direção de Rafik e começa a estrangulá-lo. Barek larga o seu copo e tenta socorrer o amigo, mas é agredido e atirado longe caindo sobre uma mesa.
Um tiro de phaser acaba com a confusão. Laynair, o caldoniano, aparece para evitar a morte certa de seus dois companheiros nas mãos do colérico romulano. O alferes renegado Benson, o navegador da Eufrates, se aproxima para algemar Tomak enquanto ele está inconsciente.
Rafik e Barek se recompõem e agradecem a intervenção do companheiro caldoniano
- O que faremos agora? Vai arrumar uma briga com os romulanos também ? – pergunta Barek.
- Eles são carta fora do baralho agora. Neste momento os Breens também estão abordando a R´Tor. Serão mais vinte e nove escravos... – Rafik olha para Tomak no chão e se corrige – Trinta escravos que devem valer mais uma ou duas caixas de armamentos adicionais. Os romulanos não virão atrás do general e se vierem temos os Breens e a Federação para por a culpa. Este setor é uma grande mina espacial. Ninguém quer esbarrar nela. Estaremos protegidos e poderemos seguir com os nossos planos tranqüilamente.
- E esses Breens... São confiáveis? Eles me dão arrepios. – comenta Benson.
- Até agora. Não vamos criar pensamentos negativos, Ok? Procure o comandante dos Breens para recebermos e embarcaremos a nossa mercadoria nas naves o mais rápido possível. Quero deixar este lugar em duas horas. – ordenou Rafik a Barek.
- Sim, senhor. Laynair...Benson... Venham comigo. – chamou Barek.
Assim que seus companheiros saíram, Rafik sentou-se e pôs os pés na mesa à sua frente. Encheu um outro copo com vinho tullabery e comemorou mais uma vitória Maqui sobre a velha e decadente Federação.
****
Capítulo XVI
Na R´Tor...
- Não sei quanto ao senhor, mas eu acho que nossa situação melhorou um pouco. Pelo menos esta cela é mais quente. A que horas eles devem servir as refeições? – Bashir estava bastante nervoso e suas piadas, para a infelicidade de seu comandante, não eram nem engraçadas.
- Calma, doutor. Eu me lembro que já estive em situações piores e ainda estou aqui. Além do mais não estou disposto para provar ração romulana.
- Que bom saber disso. Agora... Qual a segunda parte do seu plano?
- Ainda não tenho, mas creio que estamos valendo mais vivos do que mortos. O que nos dá uma boa perspectiva, não é?
- Realmente é reconfortante ver a nossa situação sobre esta óptica. Será que a major está tendo alguma sorte lá embaixo?
No planetóide abaixo, Kira Neris já havia se livrado de seu traje espacial e se esgueirava nos labirintos de corredores do complexo. Algumas salas abrigavam mantimentos, maquinários para mineração e armas. Era um grande armazém. Estava abrindo alguns dos caixotes que encontrara e descobriu rifles laser, minas magnéticas, minas espaciais e torpedos fotônicos. Alguém estava se armando para uma guerra. Se fosse contra Cardássia tanto melhor. Ela não era nem um pouco simpática a eles e mereceriam pagar por todo mal que fizeram ao seu povo. O problema é que inocentes estariam no fogo cruzado e ela faria de tudo para impedir que se ferissem.
Subitamente a sala onde estava se abriu e surgiram guardas com a mesma aparência estranha do que estavam no exterior do complexo. Kira se escondeu atrás de uns caixotes e ficou observando a movimentação deles. Estavam retirando as caixas. Cuidadosamente fechou a caixa que tinha aberto sem que eles notassem. Momentos depois apareceu Barek Naris com um rapaz negro que o ajudava a dar ordens e coordenar a retirada de todos os pequenos containers.
- Vamos com isso, seus refrigeradores ambulantes! Quero estar fora daqui em uma hora! Benson... Você fique aqui e ajude a apressar as coisas. Estes caras são muito lentos. Além do mais este frio esta me incomodando. Não vejo a hora de voltar a ter uma temperatura normal.
- Sim, senhor. Embarcaremos dentro do horário previsto.
Realmente o interior da base era tão frio quanto o exterior. Aquele povo estranho deveria depender de baixas temperaturas. Em algum lugar deveria haver um centro de comando onde poderia sabotar o controlador climático. Kira já sabia onde ir, só faltava encontrar o local antes de ser encontrada por eles.
USS Babel
A situação era crítica. As armadilhas instaladas começavam a estourar e a destruir os corredores e salas. Os soldados Breen não tiveram muita chance; foram pegos de surpresa. Klag e Jared foram para o corredor para conter a invasão e proteger a retirada do pessoal da enfermaria.
- Continuem atirando! – ordenou Alkon.
- Não podemos ficar aqui para sempre. Logo a nossa munição vai acabar. Temos que chegar na engenharia! – grita a número um.
- Certo. Você, Borix e McCormick vão até lá. Nós lhe daremos cobertura. Vamos atraí-los para o hangar.
- Ok. Boa sorte, capitão! – a comandante Okaido se separa dos seus companheiros sob o intenso tiroteio e segue com seu pequeno grupo para cumprir sua missão.
- Senhor... Eles são muitos! A cada um que cai outro se transporta para nave. – informa Klag se desviando do fogo inimigo se protegendo em uma barricada improvisada.
- Não se preocupe, tenente. Eu tenho um plano. Se bem conheço a fisiologia dos Breens, acho que vai dar certo. – Alkon rolou do corredor para o interior da enfermaria. Chamou a doutora que estava deitada no chão protegendo com seu corpo a tenente Allison.
- Doutora... Onde estão os frascos biogel para a recuperação de queimaduras de terceiro grau?
- Tem alguém ferido lá fora? Deixe-me ajudar.
- Não, não há ninguém ferido. Pelo menos ainda não. Onde estão?
- O que o senhor pretende fazer com eles?
- Uma bomba incendiária. Algo que aprendi na Academia. Os Breens não suportam grandes temperaturas. São mais sensíveis do que nós e o calor, além de afastá-los desorienta a visão infravermelha deles. Irei fazer uma barreira de fogo enquanto fugimos em direção ao hangar. Iremos pelos corredores de serviço. Me passe alguns tampões... Isso! Agora um pouco de desinfetante medicinal... E voilà! Um coquetel molotov a la Alkon!
O capitão joga um frasco com o conteúdo no corredor perto do grupo de invasores. Em seguida, com um gesto, pede a Klag que atire na gosma no chão com seu rifle laser e então... Uma parede de fogo aparece no local. Os breens recuam. Um deles tenta avançar e pega fogo. Não foi algo bonito de se ver.
- T´Vel prepare-se para sair! – grita o capitão.
A doutora coloca um colete cervical na jovem piloto e aplica-lhe um estimulante para que ela acorde e possa andar.
- Pegue mais daqueles materiais que me deu. Vou fazer mais bombas no caminho! – ordena Alkon.
A alferes Nandi e ela encheram mochilas com os produtos inflamáveis. Entregaram para o capitão e saíram da enfermaria em direção a escada de serviço mais próxima. Klag e Jared mantinham os Breens a distância e ao mesmo tempo recuavam até poderem fugir pela escada.
****
Não muito longe dali, a força tarefa de Quark e Odo constatava em seus sensores duas naves em órbita de um planetóide. Uma era a USS Babel e a outra tinha um design romulano.
- Estaremos ao alcance dos sensores deles em cinco minutos. – informou o velho Jo´Nar. – Seria prudente nos esconder até sabermos qual a situação.
- Não. Vamos entrar em contato. Simularemos um defeito de navegação. – propôs Odo.
- Muito bem. Aqui fala o cargueiro T´Pek solicitando ajuda. Precisamos de auxílio. Defeito de navegação. Alguém na escuta? – após as palavras de Jo´Nar não foi ouvido mais nada.
- Eles podem também estar com problemas. – sugere Quark.
- Sonde a Babel. – pede Odo ao bilano.
- A nave parece operacional mas... – Jo´Nar se espanta com as leituras.
- Mas...? – pergunta Quark curioso.
- Só existem nove humanos à bordo! – informa o bilano sem entender o que estava acontecendo.
- Só isso? Cadê o resto da tripulação? Não existe nenhum ferengi? Verifique a ala de carga e...
- Ora, Quark fique quieto. É evidente que eles foram levados para o planetóide abaixo e os estão fazendo de reféns. Não conhecia nenhuma prisão cardassiana assim tão longe.
- Acredito que existem mais problemas. Estou captando outras formas de vida tanto na Babel quanto na nave romulana. São Breens. Quarenta na nave da Federação e dez na nave romulana.
- Breens? Aqui neste setor? – Odo fica intrigado.
- Breens! Temos que sair daqui rápido! – Quark ficou desesperado repentinamente.
- Por quê? – pergunta Odo.
- Eles sabem que estamos aqui e virão nos pegar. Suas naves possuem camuflagem e eles não costumam deixar suas bases desguarnecidas. Pegaram a nave da Federação, depois os romulanos e agora somos o próximo alvo.– explica Quark.
- Como você sabe tanto sobre... – antes que Odo possa terminar a frase, a nave chacoalha atingida por armas invisíveis.
- Escudos a setenta por cento. Disparo vindo de bombordo...quinze graus. – a nave balança mais uma vez enquanto Jo´Nar reforçava a grade defletora desviando energia de sistemas secundários. Outro disparo. Mais outro. Pareciam vir de direções diferentes. Não se podia determinar a origem. Com certeza havia outra nave lá fora. Invisível, é claro! – Escudos a sessenta e dois por cento. Sugiro manobras evasivas ou não vamos resistir por muito tempo.
- É, seu monte de geléia. Vamos embora ou então revide! – pedia Quark.
- Não. Jo´Nar, abra um canal de comunicação. Retransmita que estamos com problemas e dispostos a nos desculpar por termos invadido o espaço deles. Estamos dispostos a negociar uma rendição.
- Rendição? Por acaso você se lembra que éramos para ser uma força de ataque e não de reféns?
- Escute, Quark. Eu não tomaria esta decisão em outras circunstâncias, mas, no momento, somos mercadores vulcanos e esta seria a ação mais lógica a tomar. Ainda estaremos preservando o nosso elemento surpresa.
- Eles irão nos sondar também e descobrir que não há nenhum vulcano à bordo! – comenta Quark.
- Não por isso. – diz Jo´Nar. – Eu antecipei essa possibilidade e discuti isso com aquela oficial trill de sua estação e vamos remodular nossos escudos para repelir a sondagem deles. Só não poderemos fazer isso por muito tempo. – lamenta o bilano.
- Quanto tempo? – pergunta Quark para saber o quanto de vida lhe restava.
- Três minutos, vinte e cinco segundos.
- Grande Nagus! – Quark começa a chorar.
- Creio que podemos remediar isso. Insista em fazer contato com eles. Assim que responderem mande uma imagem de nossa cabine e se escondam.
Os disparos pararam e a T´Pek recebeu um sinal de comunicação de volta. Jo´Nar e Quark se agacharam e Odo mudou a sua face para a de um vulcano.
Na tela apareceu um soldado breen que com uma voz quase metálica falou:
[Preparem-se para serem rebocados. Sua nave pertence a nós agora.]
Odo concordou com um aceno de cabeça, desligou os propulsores e baixou os escudos. Deduziu que assim o seu disfarce manteria o seu grupo a salvo. Não foram mais sondados e lentamente começaram a descer em direção ao planetóide. Lá embaixo teriam melhores chances de enfrentar seus inimigos.
****
Capítulo XVII
Já haviam se passado treze horas desde a partida da USS Babel da estação espacial nove. Sisko deveria repassar ao comando da Frota o relatório do capitão Alkon.
A tenente Jadzia-Dax estava angustiada. A qualquer momento o comando da Frota Estelar iria checar o por que do atraso. A fim de evitar que seu comandante respondesse por insurbodinação ela teve um plano. Para que ele desse certo esperava que o chefe O´Brien tivesse tido tempo de pô-lo em prática. Esperava apenas que ele desse o sinal verde. Não demorou muito e um técnico bajoriano informou que a almirante Brand estava chamando.
- Ponha na tela. – ordenou Jadzia.
[Não recebemos o relatório da USS Babel. Algum problema, tenente? Onde está o seu comandante?] – desta vez a imagem e o áudio estavam mais claro.
- A senhora quer falar com ele? – perguntou ansiosamente Jadzia.
[Sim, é evidente. Seu último informe dizia que a USS Babel estava em perigo.]
- O comandante irá explicar, senhora. – Jadzia transferiu a ligação assim que o chefe O´Brien apareceu no elevador fazendo um sinal de positivo.
No monitor da almirante apareceu a imagem de Sisko em seu escritório.
[Qual a situação, comandante?]
- Nenhum problema, madame. Provavelmente fomos alvo de informações não confiáveis. Como a USS Babel não respondia resolvi investigar. Descobri que o capitão teve problemas no equipamento de comunicações em sub-espaço. A missão prossegue normalmente.
A almirante Brand ficou intrigada. O desespero da tenente Trill a algumas horas era algo real. Um oficial treinado não teria se desesperado à toa. Contudo, o comandante Sisko estava dizendo que tudo estava normal e isto não era o esperado. Talvez a USS Babel precisasse de mais tempo para incomodar alguém no quadrante Gamma. De mais a mais ela estava doida para voltar aos seus afazeres na academia da frota e deixar estas intrigas políticas para outro.
[ Entendido. Brand desliga.]
No exato momento em que a comunicação foi finalizada, o programa de realidade virtual do holodeck, que reproduzia Sisko em seu escritório, também foi terminado.
Jadzia e O´Brien comemoraram a travessura. Se descobrissem que foram enganados, suas carreiras estariam em risco, afinal, correr riscos era algo que faziam diariamente.
- Agora serão eles que terão algo em que pensar nas próximas doze horas! – falou O´Brien.
- E nós também, chefe. Espero que Odo e Quark estejam se dando bem.
Sistema Moranis
Na R´Tor, os guardas romulanos que estavam na ala de detenção são pegos de surpresa por rajadas de phasers. Por um momento Bashir pensou que o resgate havia chegado, todavia, quando viu soldados breens entrando ficou confuso.
A tela de energia, que os mantinham presos, foi desligada, e um soldado breen exigia, com um rifle laser, que saíssem.
Sisko e Bashir obedeceram calmamente e seguiram os soldados até a plataforma de transporte. Segundos depois já estavam compartilhando outra cela com dezenas de tripulantes da USS Babel.
A engenheira-chefe Naomi Silva reconhece o comandante e se aproxima.
- Comandante!
- Tenente... – Sisko tentava lembrar o nome da jovem negra, mas como não tinha sido formalmente apresentado o nome dela não aparecia em sua mente.
- Silva. Naomi Silva. Sou a engenheira-chefe da USS Babel. Fomos atacados e dominados
antes que nos déssemos conta do que estava acontecendo.- tentou explicar a jovem rúbia.
- Quem são responsáveis por isso? Conseguiram identificar os agressores?
- Foram os representantes de Bajor e Cardássia. Eles se aliaram aos Breens. Parece que fomos
vendidos como escravos. Um grupo já foi escalado para mineração. Saíram há dez minutos. Um tripulante foi morto durante a abordagem. Não sei o que aconteceu com o pessoal da ponte. Perdi o contato pois as cominicações foram cortadas e os nossos pins retirados. Apesar de cansados e do medo, o estado de saúde do nosso pessoal é bom. O que mais me preocupa é que Barek instalou uma bomba no reator da nave e ameaça detoná-la a qualquer momento.
- Se o seu capitão está a bordo com certeza deve estar tentando retomar a nave. – Sisko toca o ombro de um cabisbaixo Bashir e dá uma ordem . – Doutor, circule por aí e veja se alguém está precisando de seus serviços.
- Será um pouco difícil ajudar. Meu equipamento ficou na Orinoco.
Sisko fica irritado com o desânimo do médico e preocupado que o seu comportamento
pudesse contaminar o restante dos prisioneiros. - Improvise, homem. Deve haver alguma coisa que um médico possa fazer sem o auxílio da tecnologia.
- Sim, senhor. Farei o possível. – Bashir às vezes achava que Sisko não ia com a sua cara.
O comandante Benjamin Sisko observa seu cativeiro para tentar ver alguma possibilidade de fuga.
- Engenheira...Concorda que eles devem ter problemas quanto ao fornecimento de energia? – Sisko apontava para as tochas nas paredes e para as portas de metal das celas.
- Sim, senhor. Parece que a energia é escassa por aqui. Nos deram estes casacos rasgados para amenizar a baixa temperatura. Diria que a sensação térmica é de quinze graus Celsius positivo. O ar também não é dos melhores e não é preciso ter um tricorder para sentir que o oxigênio é um pouco escasso. Não podemos fazer muito esforço que nos cansamos rápido. Isto é bom para quem nos quer deste lado da cela.
- Boa observação... – elogia Sisko – Já tentaram ver alguma maneira de sair daqui?
- Não tivemos muito tempo para isso.
- Então já temos o que fazer. Vamos verificar nossas possibilidades. – Sisko dá um tapa no ombro da jovem engenheira e os dois começam a buscar falhas na segurança ou na estrutura da cela.
A alguns corredores de distância a major Kira ataca um soldado Breen de sua estatura visando usar suas roupas para circular com maior liberdade. Um clássica técnica de infiltração aprendida nos anos de Shakaar. Fica surpresa ao ver o semblante da criatura. Era algo que ninguém jamais vira anteriormente apesar dela não saber disso. Haviam tubos conectados por todo o corpo ligando-o a uma armadura que reciclava seus fluídos. Gases malcheirosos e uma gosma branca sairam do interior do traje. Lembrava uma armadura Borg que vira num manual técnico, a diferença era que as partes orgânicas não eram mescladas com partes mecânicas. A armadura parecia ser projetada para dar uma maior autonomia a um supersoldado manufaturado.
Observou a face da criatura e logo veio a lembrança de um velho e repugnante conhecido. Ele era humanóide com lóbulos das orelhas bem longos. O crânio era divido em duas partes lobadas. Os olhos eram pequenos e com as íris brancas. O visor da máscara filtrava a luz para eles. Talvez fossem cegos ou enxergassem muito pouco. Eram prognatas e de corpo muito esguio. Não pareciam possuir sexo.
Passado os primeiros momentos deste primeiro contato nada agradável, Kira vestiu o traje com certo nojo daquela gosma e procurou esconder o corpo do Breen. Apesar de tudo ela sabia que sua atitude traria alguma vantagem na sua incursão e isto poderia fazer a diferença entre a vida e a morte de várias pessoas.
A major passa a circular com maior liberdade. Sem ser reconhecida, ela não é abordada até encontrar uma sala de manutenção. Como não sabia o idioma Breen (se é que eles possuíam algum); usou a única linguagem que aprendera quando lutava contra os cardassianos. Atirou em dois guardas e entrou na sala e localizou um painel que controlava parte do complexo. Num display viu os controles de temperatura. Alguns controles pareciam cancelar travas eletrônicas. Começou a agir.
Neste momento Sisko e Naomi se surpreenderam com os “clics” nos portões destravando-os. Abriram as celas desconfiados. Sisko pensou : “Bom trabalho, major!”
-Separe o pessoal em grupos. Vou conseguir uma arma para nós.
Mal acabara de falar e quatros guardas Breens adentraram o pavilhão. Sisko atingiu um com uma pedra e se lançou sobre outro. Bashir lutou pela arma com um terceiro e Naomi deu um chute de taekendô certeiro no quarto. Infelizmente não puderam deter a ação de um dos inimigos em acionar um alarme. A batalha por suas vidas havia começado. Em poucos minutos os guardas não eram mais problema e haviam conseguido algumas armas. Porém mais soldados apareceram, como esperado, e logo raios de energia começaram a viajar para todos os lados do recinto.
- Protejam os reféns! – gritou Sisko. Alguns deles recuaram de volta para as celas e se abaixaram.
Bashir, Naomi e um alferes procuraram posições defensáveis atrás de alguns caixotes e respondiam ao fogo como podiam. Sisko reparou que havia duas entradas e se mais um destacamento aparecesse não poderiam combater em duas frentes. Mirou no alto da rocha sobre uma das entradas e provocou um pequeno desmoronamento.
- Agora temos como decidir por um caminho. Naomi venha comigo. Doutor, proteja a retaguarda.
No espaço e na superfície vários grupos estavam envolvidos em uma luta que poderia decidir o futuro da paz no quadrante gamma. As forças estavam equilibradas e não havia meios de descobrir o que o destino haveria reservado para cada facção.
Os maquis queriam vingança.
Os cardassianos queriam destituir o seu governo central , a ordem obsidiana e os maquis.
Os bajorianos queriam se ver a maior distância possível da federação e dos cardassianos.
Os romulanos gostariam de ver o enfraquecimento da federação e dos cardassianos no setor para poderem ampliar seus domínios.
Os breens queriam escravos para continuar a sobreviver.
A federação queria evitar que aquele conflito se alastrasse pela galáxia.
Os ferengis... Bem, os ferengis queriam obter todos os lucros possíveis desta confusão.
O que eles não sabiam é que estavam brincando no quintal de um jogador ainda desconhecido, mas que observava tudo com o maior interesse.
****
Capítulo XVIII
A comandante Okaido e seu pequeno grupo de resistência chagaram ao corredor de acesso da engenharia pelos ductos de ar. O caminho até a engenharia pelos corredores estava bloqueado por grades de energia. Desceram do teto até um corredor de acesso a porta principal. Havia quatro guardas breens para assegurar que ninguém entrasse na engenharia. Apesar de não terem sido vistos por eles, ainda poderiam ser detectados pelas câmeras de segurança. Okaido tratou de inutilizar a energia daquele setor ao ter acesso ao primeiro painel que encontrou.
- Não conseguirei baixar as grades de energia, mas eles não poderão nos detectar. Pelo menos não nos próximos cinco minutos. Usem essas máscaras caso usem gás novamente. – ordenou a primeira oficial.
McCormick tratou de por o plano combinado em progresso. Fez um sinal para Borix que chamou a atenção dos guardas inimigos e em seguida se lançou ao chão. Detrás dele surgiram McCormick e Okaido que jogaram as bombas incendiárias. O gel fumegante aderiu às armaduras fazendo os soldados correrem pelo corredor como tochas vivas. Um deles veio na direção de Sarah que com os pés o lançou para trás de si numa cambalhota, usando o seu rifle para ajudar em sua proteção e no impulso adicional.
O oficial de ciências tentou acessar o painel de controle para abrir a porta. Não obteve resultados. Cerca de oito soldados breens apareceram. Borix se lançou contra eles rolando. Okaido alvejou dois.
- MacCormick!!!- gritou Okaido para o seu subordinado.
- Estou tentando... Estou tentando... . As travas de segurança estavam difíceis de serem desbloqueadas. Não poderia estimar quando poderia decifrar os códigos de bloqueio. Anexou um tricorder para acelerar o processo de identificação. Seus companheiros lutavam bravamente. O que parecia uma eternidade levou apenas três segundos e quarenta e três centésimos. Um recorde que não poderia ser comemorado.
Entraram na engenharia atirando para se protegerem de um provável fogo inimigo. Contudo tinham que tomar cuidado para não atingirem os refrigeradores dos condutores de plasma. Lá dentro mais oito soldados breens tentavam defender suas posições. Alguns painéis não conseguiram evitar de serem danificados no fogo cruzado. Sarah ia ser atingida pelas costas, mas Borix se jogou na frente do disparo mortal salvando sua vida. O susto durou pouco e ela pôde revidar contra seu pretenso algoz. McCormick atingiu um breen que desligava o suporte de vida. Um outro, no andar de cima tentou atingi-lo. Sarah o atingiu e pegou mais dois próximos ao reator. Em alguns segundos não haveria mais oxigênio na sala. O que não afetaria os breens. McCormick resolveu devolver a gentileza cancelando a gravidade artificial. Os breens flutuaram como balões de gás. Sarah lembrou de suas sessões de tiro no holodeck. Atingiu mais três inimigos, porém foi atingida na perna por um deles antes de terminar o serviço. Dois breens vieram voando de direções opostas para pegar McCormick. No momento certo ele se desviou e eles se chocaram. Ele prendeu a respiração e atirou nos dois, em disrupção máxima. Foram evaporados.
- Boa...garoto! Ai! – comemorou a 1a oficial. O sangue de sua perna fluía pela sala em pequenas gotas globulares flutuantes.
- Sempre quis fazer isso. A senhora quase não deixa nenhum para mim.– se vangloria o jovem de cabelos encaracolados.
- Pare de dizer bobagens e voe para cá. Precisamos restabelecer a gravidade e o suporte ...de vida.
- Sim...arf...senhora...- concordou já quase sem ar. Esperava que ela agradecesse por ele ter
ajudado a reconquistar a engenharia. Todavia era o mínimo esperado de um oficial da frota estelar. Ao voar em direção dos painéis de controle notou o artefato explosivo ligado ao núcleo do reator e assim que puderam respirar melhor reportou:
- Madame... Acho que temos mais uma companhia... – disse apontando para o problema.
Momentos antes, no hangar...
Alkon, Klag e Jared estavam derrubando o maior número possível de breens quando de repente a gravidade foi desligada. Tanto eles como os breens foram pegos de surpresa. Alkon viu a oportunidade de usar aquela surpresa como vantagem.
- Doutora, entre em uma nave auxiliar com os outros. Klag ...Jared... Me dê cobertura.
Alkon costumava ser bom em esportes sem gravidade na academia e, utilizando toda a sua técnica, conseguiu chegar a uma torre de controle do hangar, se desviando dos tiros inimigos.
- Klag, Jared se segurem! – ordenou Alkon pelo comunicador antes de abrir as comportas do hangar. Tudo que não estava preso foi sugado para o espaço, inclusive os vinte soldados breens invasores. Jared quase foi sugado também pois não conseguiu agüentar o tempo o suficiente até que a tela de contenção fosse ativada e quando já estava indo em direção ao espaço, para a sua sorte, naquele momento, a número um restabelecia a gravidade normal e a tela de contenção na engenharia.
[Okaido para o capitão. Capitão o senhor está bem?]
Tentando recuperar o fôlego o capitão tenta responder.
- Graças a vocês, sim. Estamos todos bem.
[Encontrou muita resistência por aí?]
- Conseguimos expulsar algumas pragas para o espaço. Porém nosso trabalho ainda não acabou. Aqueles Breens estão protegidos em suas armaduras e não estão mortos. Teleporte-os para a ala de detenção.
[Assim que arrumarmos a bagunça por aqui, será feito, capitão].
- Devo presumir que a nave é nossa outra vez?
[Sim senhor, mas ela não está completamente funcional. Tivemos um tiroteio na engenharia que danificou alguns painéis. E... Capitão... Barek nos deixou um presentinho. Temos uma bomba ligada ao núcleo do reator. Ela ainda não foi ativada e desconhecemos sua configuração.]
Alkon já percebia naquela altura que os desafios no espaço profundo não eram poucos nem tão pouco fáceis de superar. Contudo ele tinha o dever, por ele e por sua tripulação , de jamais esmorecer perante os obstáculos e respondeu para Sarah calmamente àquela nova situação.
- Acredito que você e o tenente McCormick farão o melhor possível. Deixe a nossa nave operacional o quanto antes. Algo me diz que esta batalha ainda não terminou.
[Sim, senhor. Já estamos trabalhando nisso. E senhor... Perdemos Borix].
Alkon baixou a cabeça em tom de pesar assim como os seus colegas que chegaram a ouvir a comunicação quando estavam se reagrupando.
- Entendido. Vamos voltar para a ponte. O comandante Breen também não deve estar gostando da perda de seus soldados também. Devemos estar preparados para um ataque de sua nave. Alkon desliga.
Caminhando em direção ao turboelevador próximo sob a luz de emergência da nave, Jared indaga sobre o paradeiro dos reféns.
- Uma coisa de cada vez, alferes. Eles devem estar bem. São um bom trunfo para os maquis. Precisamos estar operacionais para podermos resgatá-los.
- Entendi, senhor. – o Trill se resigna mediante a confiança que sentia na liderança de seu capitão. Tais emoções foram captadas por Alkon e isso massageou seu ego.
Na engenharia
Okaido e McCormick procuravam escanear a bomba para entender um pouco mais de seu mecanismo. Ela possuía uma trava de segurança complicada com sensores que a fariam explodir ao menor toque.
- Não podemos tocar nela e não sabemos quanto tempo temos para desarmá-la.
- Soluções, tenente. Soluções! Eu quero soluções. – a número um estava nervosa e tentava pressionar a engenhosidade de seu subordinado.
McCormick sabia que seu posto exigia respostas rápidas em situações de emergências. Mil coisas vieram a sua mente, mas não tinha certeza que alguma coisa resolveria o problema.
- Emissão de tachions. Isto é usado para neutralizar escudos e phasers. Ela está grudada magneticamente ao painel. Vamos confundir os sensores dela, agarrá-la com uma trava magnética e transportá-la para fora da nave. Pelos meus cálculos devemos ter uns três a quatro segundos.
- Excelente idéia, tenente, mas como irá montar um emissor de tachions ? Teremos tempo para isso?
- Bom, senhora, esta é uma parte do plano que ainda não bolei, porém já estamos a meio caminho andado.
- Será meio caminho andado para o paraíso se não pensarmos em algo concreto, senhor oficial de ciências. – Okaido olhou em volta para ver se podia usar alguma coisa naquela situação. Foi quando avistou o seu rifle-phaser sobre uma bancada e teve uma idéia.
- Sr. McCormick , poderia conectar um cabo a esta arma e transferir um feixe de tachions do defletor principal da nave através dela?
- Isto sobrecarregaria a arma. Ela poderia explodir. Acho que posso adaptar seu carregador e seu emissor. Se controlar bem a emissão poderemos ter energia para um disparo. É uma possibilidade! – o rosto de McCormick se iluminou.
- Então faça. – disse a número um entregando-o a arma e torcendo para terem um pouco mais de tempo.
No planetóide abaixo
Assim que Odo deixou a nave, ainda disfarçado, foi cercado por quatro soldados Breens. No momento seguinte três deles tombaram ao chão atingidos por um de seus companheiros. Odo só começou a entender o que estava acontecendo quando Kira retirou seu capacete.
- Por aqui! – gritou ela para a força tarefa acompanha-la sem tempo para dar maiores explicações.
- É um prazer revê-la, major. O comandante e o doutor estão bem? – perguntou Odo enquanto a seguia pelos corredores sombrios da base.
- Espero que sim. Pouco antes de vocês chegarem, eu desativei as trancas das celas e escutei tiros vindo lá de dentro. Podem ser eles tentando escapar. Temos que ajudá-los.
- Oi, major. Fico feliz que esteja bem. – disse Quark ao ver sua bajoriana favorita.
- O que você faz aqui? – perguntou Kira mostrando um misto de espanto e repulsa pela figura do ferengi.
- É uma longa história. Terei o maior prazer de contar tudo depois junto com alguns goles de conhaque sauriano no meu bar.
Kira olha com desdém para quark enquanto caminhava com cautela pelos corredores. Atrás dela o resto da força tarefa seguia de armas em punho a fim de evitar qualquer ataque surpresa.
O tricorder na mão de Kira conseguia guiá-los pelos corredores e identificava qual deles estava infestado de soldados breens. Quando viram que o confronto seria inevitável o grupo se separou em um entroncamento e aguardou. Odo se camuflou nas paredes e foi deslizando para tr´s da linha inimiga. Ao se solidificar, usou um de seus braços como um chicote e agarrou um soldado jogando-o contra um outro. Quatro outros soldados foram alvejados pela Klingon e pelo jovem bajoriano. Após uma pequena resistência chegaram ao final do corredor onde encontram Sisko, Bashir e um grupo de reféns.
- Major! Eu sabia que conseguiria! Odo! Que bom que se juntaram a festa. Quark?! O que faz aqui? – Sisko também não entendia a presença do ferengi naquela confusão.
Antes que Quark conseguisse se explicar, Kira o interrompe.
- Fico feliz que estejam bem. Todos os reféns estão com o senhor?
- Não. Existe um grupo de pelo menos uns vinte lá fora minerando para os breens.
- Alguns são romulanos. Entre eles está o general Tomak, comandante da R´tor. – informa a tenente Silva.
- Ótimo! Vamos deixar os breens ficarem com eles! – Kira não tinha nenhum apreço por romulanos.
- Major, sabe que não podemos fazer isso. Além do mais junto com eles temos o nosso pessoal. Não deixaremos ninguém para trás.
- Sim, senhor. – resigna-se Kira. – O que faremos com essa gente toda? Não temos como proteger todas elas?
- Podemos levá-las para a nossa nave. É um cargueiro vulcano. Podemos acomodá-los. É claro que não terão muito conforto. – explica Odo.
- Acredito que, devido às circunstâncias, eles não irão reclamar. Leve-os para lá. Enquanto isso eu, a major e o doutor iremos lá fora.
- Se me permite, comandante, quero me juntar à vocês. – solicita a tenente Silva.
- Major esta é a engenheira-chefe da Babel. Tenente estes são o meu segundo em comando Major Kira e o chefe de segurança da estação nove Odo.
Feitas as apresentações Sisko responde ao apelo da oficial. – Será muito bem vinda ao grupo, tenente.
- É lá vamos nós enfrentar mais um pouco de frio. Ficarei feliz se ao final desta missão eu não ficar com uma pneumonia. – resmunga o doutor Bashir.
Enquanto Odo embarcava o pessoal no cargueiro, retirando alguns engradados para arrumar mais espaço, Quark ficava perguntando para as pessoas que passavam por ele:
- Você por acaso viu um ferengi? É alguém assim como eu. Talvez não tão charmoso e simpático, mas parecido. Viram? Não? Você viu? Não? E você viu? E umas caixas de vinho tullaberry? Viu?
****
Capítulo XIX
Assim que o tiroteio começou na base Breen, Rafik e seu grupo se transportaram para a Eufrates e Orinoco que estavam em órbita do planetóide; deixando para trás parte da carga que não pode ser embarcada sem a ajuda dos breens que correram para repelir os invasores de seu território.
- Vamos partir logo. – ordenou Rafik.
- Mas e os breens? – perguntou Barek.
- O que tem eles? Já fizemos a nossa parte. Eles que se entendam com a Federação. Parte da nossa carga ficou perdida. Vamos fugir enquanto ainda temos algo com que continuar com o nosso plano. Barek... quando nos afastarmos o suficiente... Destrua a Babel. Ela não mais poderá nos servir.
- Tem certeza? Ela poderia nos ser de grande valia.
- É um risco muito grande que não quero correr. Ela já serviu ao seu propósito. A nossa mensagem foi ouvida por mais de vinte membros da Federação. Eles sentiram o mesmo medo e o pavor que assola as colônias há muito tempo. Eles voltarão para casa com o que pensar.
As duas naves zarparam deixando para trás o campo de batalha.
Na engenharia da USS Babel, enquanto McCormick terminava de conectar o rifle ao painel de emissão de tachions, a bomba emitiu um bip que gelou a sua medula. O susto fez com que ele derrubasse uma caixa de ferramentas e chamou à atenção da número um que estava na outra extremidade da sala consertando um painel danificado.
UM, DOIS,TRÊS...
- O que foi? – perguntou Okaido preocupada.
- Nosso monstrinho acordou... – respondeu o oficial de ciências sem se mover.
- Conseguiu estabelecer a conexão?
McCormick balançou a cabeça afirmativamente. Não conseguiu mais falar. Sua boca estava seca.
QUATRO...
- Agora! – ordenou Okaido sem saber quanto tempo ainda teriam.
A bomba foi atingida e, quase imediatamente, Sarah a pegou com as travas magnéticas, colocou o seu comunicador nela e o ativou. Em seguida correu para perto de McCormick e usando o comunicador dele gritou:
- Klag, trave no meu comunicador e transporte o que estiver com ele para mil quilômetros longe da nave !
CINCO...
[Senhora, eu...]
- Não discuta! Faça O que eu mandei agora!
SEIS...
No mesmo instante a bomba sumia e explodia no espaço causando uma onda de choque que sacudiu um pouco a nave, mas que não causou danos maiores. Para sorte deles Barek acionara o detonador da bomba depois que a sua nave havia acionado os motores de dobra, e o atraso do sinal para a detonação havia salvado a vida de todos. Porém, para McCormick, ele havia errado nos seus cálculos. Um erro feliz.
[Situação da bomba resolvida, capitão.] – informava McCormick sentado no chão com uma arma fumegando em suas mãos ao lado de uma esgotada tenente-comandante que não via a hora de tirar uma licença assim que tudo acabasse.
[Agradecemos o belo trabalho. Ficamos lhes devendo uma. Quando puderem, quero-os aqui na ponte.]
- Sim, senhor! – respondeu McCormick.
Assim que a comunicação foi desligada, Sarah dirigiu a palavra ao seu colega.
- Rapaz... Quando tudo isso acabar, a bebida no bar será por minha conta.
- Ficarei honrado, madame. – McCormick se levanta e estende a mão para a número um poder se levantar também.
- A partir de agora pode me chamar de Sarah. Você fez por merecer. Mas não na frente de todo mundo. Em particular. Você sabe... Temos uma hierarquia....
- Claro, madame.Digo, senhora. Quero dizer, Sarah. Eu entendo.
Ambos sorriem com a situação mas na verdade estão aliviados por terem driblado a morte. Recomeçam a arrumar a bagunça na engenharia para que a nave pudesse enfrentar novos perigos.
Na ponte, o capitão Alkon solicitava de seu chefe de segurança o relatório de danos.
- Escudos em 60%. Temos fogo ainda nos decks 14 e 15. Um grupo de dez breens caba de deixar a nave. Não há como saber o tal de baixas. Os sensores internos não estão funcionando bem. A maior parte da tripulação está lá embaixo, no planetóide. Sensores de longo alcance estão sendo reparados. O suporte de vida está restaurado. Teremos força de dobra em uma hora e vinte minutos, senhor. Manobradores e força de impulso estão acessíveis.
- Senhor, captei duas naves da federação entrando em dobra. O sinal está fraco... Droga. Eu as perdi. – informou Jared.
De sua cadeira, mais contemplativo que o normal, Alkon fitava a destruição ao redor enquanto era informado de toda a situação por seus oficiais. Levantou-se e ao andar, retirou alguns escombros do caminho. Olhou a tela principal desligada e depois voltou-se para Jared ordenando:
- Muito bem. Assim que os sensores estiverem reabilitados tente descobrir o curso delas. Vamos tentar recuperar o nosso pessoal lá embaixo. Abra um canal. Vamos tentar falar com o comandante Breen.
Jared estranha a ordem mas mesmo assim a cumpre.
- Canais abertos, capitão.
- Aqui é o capitão Dorian Alkon da nave da Federação USS Babel. Libertem os prisioneiros ou abriremos fogo contra a sua base. Não pensem que não faria isso. Estou certo que vocês teriam muito mais a perder do que nós. Se libertarem os reféns eu entenderei isso como um ato de cooperação e devolverei seus soldados aprisionados. Espero que consigamos firmar um acordo, por que eu não gostei nada do que fizeram na minha nave. O que dizem?
Algo no semblante de Alkon havia mudado. Ele estava muito mais decido do que antes. O silêncio na ponte já estava incomodando quando...
- Capitão, temos uma mensagem chegando.
- São os Breens?
- Não senhor... – Jared estava confuso. – É de um cargueiro vulcano!
- Um cargueiro vulcano? – Alkon coçou a testa sentindo uma dor de cabeça voltar. A situação estava complicada demais com o total de raças envolvidas no conflito. O que vulcanos estariam fazendo aqui tão longe? Pediu para religar a tela principal e a confusão estabelecida não ficou menor quando a cara de Quark apareceu.
[Permissão para desembarcar o seu pessoal.]
- É claro! Senhor...?
[Meu nome é Quark. Sou dono de um bar muito especial na estação nove e ficaria muito feliz em dar um desconto para a sua tripulação quando voltarmos.] - como um bom ferengi, Quark não perdia a oportunidade de fazer propaganda para garantir negócios futuros.
- Obrigado, senhor Quark. Estão todos com o senhor?
[Não. O comandante Sisko está tentando resgatar o resto do grupo na superfície. Um outro grupo aguarda dentro da base pelo resgate. Não pudemos embarcar todos. Nosso espaço aqui é pequeno.] - interveio Odo antes que Quark continuasse com a propaganda.
- Capitão... A R´tor está aparecendo à bombordo. Levantou escudos e se armou. Temos agora uma nave Breen à boreste se descamuflando. – informou Klag.
- Alerta vermelho. Proteja o cargueiro feren...vulcano. Parece que já temos a resposta dos Breens.
A R´tor começou a atirar não cargueiro vulcano. A babel devolveu fogo procurando se posicionar entre as duas naves para servir de escudo para a T´Pek. Com os escudos levantados, o pessoal resgatado não poderia ser teleportado para a Babel. A T´Pek era uma nave de médio porte e caberia apertada no hangar principal, pensou Alkon.
- Vocês terão que manobrar até o nosso hangar. Não poderemos proteger vocês para sempre. Pelo meus cálculos...- o capitão dedilha no console à sua frente rapidamente – teremos uma sobra de dois metros nas laterais e de oito metros de altura. Vocês conseguem?
Quark ficou apreensivo. Odo também achava muito arriscado, mas teria que confiar nas habilidades navegacionais do bilano. Quark resolveu dar um incentivo.
- Jo´nar, conto com você para essa manobra. Se der tudo certo. Eu te dou um crédito ilimitado a uma das minhas holosuítes por uma semana.
- Farei o meu melhor, senhor Quark!
Odo não aprovava o jeito do ferengi tratar toda a situação como um grande negócio, mas neste caso sabia que valeria a pena. Afinal de contas eram as vidas de todos que estavam em jogo.
A nave breen começava a díspar também. O alvo era a USS Babel. O capitão, agora assumindo o posto do timoneiro, pilotava a nave sozinho, tentando manobras evasivas que não expusessem a T´Pek; o que era bastante difícil estando sofrendo disparos de ambos os flancos.
- Preparar torpedos. Mire no sistema de armas da R´tor. Fogo!
- Torpedos lançados. Impacto direto. Escudos deles caíram para quarenta por cento. Sistema de armas continua ativo.
- Atire novamente. Duas cargas em intervalos de três segundos. Em seguida acione todos os bancos phasers e mire nos motores deles assim que os escudos caírem.
- Afirmativo. Primeira salva de torpedos atingiu o alvo. Eles estão se retirando. Escudos em vinte por cento.
- Use os phasers de ré para manter a nave breen um pouco afastada. Libere a T´Pek. Fique com eles. Se eles entrarem em dobra não poderemos segui-los.
- Segunda salva de torpedos. Escudos caíram. Phasers desabilitaram a nacele de bombordo. Estão em espiral.
- Condição da R´tor?
- Estão à deriva. Detectando fogo na ponte e nos dois decks abaixo. Estão usando manobradores para se afastar em direção a face oculta do planetóide.
A Babel sacudiu mais uma vez. Eles ainda tinham um outro problema a resolver.
- Atingiram os escudos de ré. Mais um tiro e ficaremos vulneráveis.
- Então não vamos dar a eles uma nova chance. Abra um canal para a T´Pek.
- Canal aberto, senhor.
- Senhor, Quark. Se quiser que esgotemos o seu estoque de bebidas do seu bar é melhor estarem preparados. Baixarei os escudos e vocês têm dez segundos para entrar.
[Entendido. Entendido.] – respondeu Quark desesperadamente.
Assim que baixarmos os escudos , diminua a velocidade. Nossos inimigos vão tentar explodir o cargueiro e nos levar junto. Não devem disparar até a T´Pek estar quase entrando. Dois segundos depois de entrarem, dispare tudo o que puder contra ela.
- Sim, senhor.
Os próximos trinta segundos foram algo que todo guerreiro Klingon desejava. Um flerte com a morte.
- Agora, senhor Klag.
Como suposto a nave breen parou de atirar. Jo´nar se esforçava por controlar a velha nave evitando colidir seriamente com o hangar da Babel. Destruiu o propulsor lateral direito, mas após as redes de emergência terem sido acionadas e a nave ter parado; todos viram que ainda estavam vivos.
A nave breen se armou. Foi o sinal para Klag. Os disparos quase destruíram a nave, que rodopiou para longe. Alkon comemorou com um soco no ar.
- Mande a doutora lá para baixo. Verifique se os transportes estão operacionais e vamos subir aquela gente lá de baixo.
- Sim, senhor.
- Bom trabalho, senhor Klag.
- Obrigado, senhor.
A USS Babel estava enfrentando bem o seu batismo de fogo e todos estavam, cada qual, se moldando e se tornando melhores a cada minuto.
****
Capítulo XX
A paisagem inóspita do planetóide gelado era opressora.
Sisko e seu grupo tinham dificuldade para andar e suportar a temperatura ambiente que, segundo
o tricorder, estava em cinqüenta e dois graus negativos.
Era difícil se orientar com uma pequena nevasca que surgia.
- Qual a posição dos reféns, major? - Sisko tinha que gritar para ser
ouvido.
A recepção do som nos trajes térmicos estava ruim.
- Trezentos metros ao norte. Estão se movendo, comandante.
- Preparar phasers. Colocar em tonteio. O doutor e a tenente Silva vão pela
direita. Major... Venha comigo.
O grupo se separa e procura obter uma melhor posição para surpreender os
soldados breen no caso de terem um encontro não agendado.
- Será que o pessoal da sua nave está bem? - perguntou Bashir para Naomi.
Ele adorava conversar. Principalmente quando estava ansioso ou com medo.
- Espero que sim. Não vi a número um entre os reféns. Se os breens derem de
cara com ela irão se arrepender. Ela foi campeã de Full Contact na Academia.
Na categoria masculina!
- Uau! Não sabia que ainda existia essa modalidade de esporte. Não me
lembro de nenhum torneio deste tipo no meu tempo.
- E não existe. Foi uma competição...clandestina. Algo como um rito de
passagem. Foi algo que os formandos decidiram fazer antes de se formar.
- Entendo. O meu grupo preferiu realizar uma festa do século vinte. Eu não
me lembro de todos os detalhes. Mas acho que foi divertido.
- É deve ter sido mesmo!
Não muito longe deles, Kira e Sisko tentavam escanear o local, porém até
aquele momento sem sucesso em encontrar os demais reféns.
- A leitura dos sinais de vida está vindo daquela caverna! - informa Kira a
Sisko com uma certa ansiedade. Foi quando tropeçou num corpo de um breen já
quase coberto pela neve. Kira se assustou por um momento. Sisko a ergueu e
continuaram a andar. Dessa vez com a atenção redobrada.
Ao chegarem na entrada da caverna se surpreendem por não encontrarem nenhum
guarda de sentinela. Momentos depois encontram Bashir e a tenente Silva.
- Algum sinal dos Breens? - pergunta Sisko.
- Dados inconclusivos. Parece que o grupo foi encaminhado para o interior da
caverna. Estou registrando depósitos de magnesita. Isto pode estar
interferindo nos sensores. - diz Bashir.
- Vimos um deles caído lá atrás. Vamos entrar com cuidado. - alerta o
comandante.
Ele nem precisava ter dito isto. Bashir sabia que seu nível de adrenalina
no sangue havia aumentado. Para a tenente Silva era a sua primeira missão na
superfície de um corpo estelar desde que havia se formado. Antes disso só
havia treinado na Terra e na Lua. Nunca havia sido escalada para um grupo
avançado. Sempre preferiu ficar calibrando os motores de uma nave estelar.
Quando menos esperavam, de uma fresta na parede rochosa, um jovem romulano
pulou no pescoço do doutor Bashir, que não pode se defender. Ele só parou de
apanhar devido a intervenção da major Kira que conseguiu imobilizar o rapaz.
A tenente Silva ajudou o doutor a se levantar.
- Obrigado. Quem é ele? - perguntou ainda um pouco tonto.
- Deve ser o filho do comandante romulano. Soube que Rafik o seqüestrou
para coagi-lo a ajudar os maquis. - explicou Naomi.
- O pai dele não estava no grupo que enviamos para a Babel então... Antes
que Sisko terminasse a frase uma rajada de phaser atingiu a parede próxima à
sua cabeça.
- O pai está aqui, comandante da federação. Solte o meu filho agora,
bajoriana! - O general Tomak estava bastante machucado e em suas mãos, como
as de seu filho, eram visíveis algemas e correntes.
- General Tomak, eu suponho. Estamos aqui em paz. Alguns de seus homens
foram libertados. Os breens deixaram o planeta. Estamos aqui para resgatar
vocês.
- Acredito que esteja sendo sincero, comandante,mas nós romulanos somos
desconfiados por natureza. Nós conseguimos nos libertar sozinhos. Sem a
ajuda bondosa da federação. A nevasca nos obrigou a procurar uma proteção
nesta caverna. Meu filho atacou apenas para se proteger.
- Eu posso compreender o que ele sofreu. Quantos vocês são? - perguntou o
doutor.
- Excluindo os breens que tive a felicidade de matar, somos uns doze agora.
Quatro dos seus tombaram valorosamente. Estávamos nas minas quando os
breens, por algum motivo, se teletransportaram. Antes que todos sumissem,
agarrei um e lhe roubei a arma. Atirei em alguns, mas eles não tiveram tempo
ou não quiseram revidar.
- A situação para eles aqui ficou crítica. Invadimos a sua base e o pessoal
da Babel deve ter retomado a nave. Eles não fugiram. Foi uma retirada
estratégica. - calculou Kira.
- Vejo que vocês não foram bem tratados. Posso verificar as condições de
saúde do grupo? Eu sou médico. - Bashir sabia que devia ser cauteloso.
Principalmente tendo uma arma apontada contra ele. O general Tomak avaliou o
pedido com certa hesitação e por fim permitiu que o médico se aproximasse.
Pouco a pouco os "mineiros" sobreviventes apareceram e entre eles um ferengi
apavoradíssimo. Era Rog, o enviado especial de ZeeK.
- Graças aos deuses que vocês vieram nos salvar. Eu preciso sair daqui. Por
favor! Prometo que serão bem recompensados!
- Calma, senhor. Iremos embora o mais rápido possível. Deixe-me
examina-lo. - Bashir usava o tricorder de Kira em todos e Sisko, ainda sob a
mira do romulano, tentava manter um diálogo cordial.
- Poderemos levá-los para a nossa nave e tratar melhor de todos. Só não sei
se será seguro o transporte com essa nevasca.
- Se o senhor não se incomoda, preferiria voltar para a minha nave. O senhor
tem um comunicador?
- Podemos tentar entrar em contato com a Babel.
- Quero falar com meu subcomandante, Kerav.
- Muito bem. Sisko para a Babel. - a resposta não veio logo imediatamente.
Quando ela surgiu soou quase inaudível. - Talvez precisemos ir para fora da
caverna.
- Vá na frente.- ordenou o romulano.
Sisko seguiu as ordens e quando passou por Kira fez aquele olhar.
"Não tente nada ou poderemos arriscar a vida de todos." Apesar de não concordar , a
major respirou fundo e tentou se controlar. Lá fora Sisko tentou de novo,
sob os olhares de Tomak e seu filho.
- Sisko para a Babel. Alguém na escuta?
[...Kon falando...Jared, melhore o áu... Pode me ouvir, comandante?]
- Sim,. Agora está alto e claro. Espero que vocês estejam bem.
[Estamos com algumas dificuldades, mas o perigo já passou. Como estão aí
embaixo?]
- Encontramos os reféns remanescentes. Estou com o general Tomak. Ele quer
falar com seu subcomandante. Ele se chama Kerav.
[Acabamos de receber um grupo. Vou verificar, aguarde.]
O general estava inquieto. Bashir e Kira apareceram na entrada da caverna
carregando alguns feridos. A Babel voltou a se comunicar.
[Kerav falando, senhor.] - O general Tomak se aproximou de Sisko e retirou
seu distintivo-comunicador.
- Qual a situação da R´tor?
[Ela ainda se encontra em poder dos inimigos. A Babel os confrontou e a
nave sofreu sérias avarias. A nave da Federação a esta seguindo agora.
Acredito que não será difícil retomá-la. Contudo talvez seja preciso rebocá-la.]
O general pensa um pouco, abaixa a arma e a entrega a Sisko sob protestos de
seu filho.
- Não, pai. Eles são inimigos!
- R´vain, escute. A ocasião faz o inimigo. Neste momento iremos fazer uma
aliança para recuperar o que é nosso. Depois... Bom, depois é o futuro. Peço desculpas, comandante. Os jovens às vezes agem sem pensar.
- Agradeço a confiança. Seria bom para todos nós se Romulus e a Federação
trabalhassem em conjunto. - dito isto, Sisko devolve a arma para Tomak em sinal de boa fé.
- Receio que nem os nossos filhos verão tal coisa acontecer. - responde
Tomak ceticamente.
- Talvez já esteja acontecendo. - declara Kira após a demonstração dos
gestos de boa vontade trocados por Tomak e Sisko.
****
Capítulo XXI
Duas horas mais tarde, a bordo da Babel, já refeitos da primeira batalha
com os Breens, o capitão Alkon se reúne com a equipe do comandante Sisko e
do general Tomak para avaliarem como proceder na retomada da R´tor.
- De acordo com os sensores, a nave romulana está fazendo manobras
erráticas para tentar nos despistar. Entraram em uma pequena nebulosa para
se esconderem de nós. Isto significa que seu sistema de camuflagem está
danificado. Enviamos uma sonda e verificamos que ela ainda está lá,
provavelmente fazendo reparos. - informou McCormick.
- E a outra nave? - Tomak lembra que existia uma nave Breen em órbita do
planetóide que deixaram para trás.
- Ficou seriamente danificada durante o combate que travamos. Os seus
sobreviventes levarão algumas semanas para fazê-la operacional novamente.
Não representa nenhum perigo no momento. - explicou Klag.
- Em uma nuvem estelar não poderemos usar o transporte e os sensores não
são muito eficazes. Teremos que fazer o rato sair da toca. - ponderou Sisko.
- Sim, mas como? - o capitão lançou a questão para todos. A
engenheira-chefe Naomi Silva teve uma idéia.
- Senhor, se me permite?
- Pois não, tenente. Qual é o seu plano?
- Verifiquei a composição da nuvem. Ela é composta de hélio, hidrogênio,
argônio e alguns milhões de moléculas de álcool. Ela é bastante inflamável.
Se plantarmos algumas minas ao redor deles e as detonássemos, iria ficar
muito quente por lá.
- Não é muito sutil, mas de certo faria o nosso rato correr. Alguma nova
idéia? - Ninguém conseguiu pensar em algo melhor. - Muito bem, tenente.
Execute o seu plano. Klag ajude-a.
Naomi e Klag deixaram a sala de reunião para implementarem o ataque. O
capitão continuou a falar.
- Assim que conseguirmos recapturar a R´tor iremos atrás dos maquis. Quero
que o general mantenha a palavra que, enquanto estiver na Babel, nenhum
romulano terá um mínimo pensamento em tentar qualquer agressão a qualquer um
dos nossos tripulantes ou tentar dominar a nossa nave. Vocês terão toda a
assistência para recuperar a sua nave. Depois espero que procurem uma base
romulana bem distante.
- Feito. Nenhum de nós desonrará o acordo sob pena de morte. Eu recuperei
meu filho e agora só quero recuperar a minha nave.
- Ótimo. Comandante Okaido, se tivermos que entrar numa nova batalha quais
são as nossas chances? - Sarah fica um pouco receosa por revelar informações
confidenciais na frente dos romulanos e olha, desconfiadamente, para Tomak.
Só começa a falar porque o capitão consente com um leve aceno de cabeça.
- A nave deles é bem rápida em manobras curtas, mas a navegabilidade numa
nuvem é bem difícil, o que iguala as coisas. Da mesma forma que nós não
podemos vê-los daqui de fora eles não podem nos detectar aqui fora. Nossos
escudos estão em oitenta por cento. Armas prontas. Estamos recalibrando os
sensores e acredito que conseguiremos 120 por cento de eficiência deles.
- Muito bem. General Tomak prepare seus homens. Assim que desabilitar-nos
os escudos da sua nave os transportaremos para ela. Daí por diante vocês
estarão por sua conta.
- Obrigado, capitão. - O general faz uma saudação romulana e sai do
escritório junto com seu subcomandante. Alkon respira fundo e antes de
terminar a reunião, dirige-se para Sisko.
- Comandante, quero agradecer mais uma vez a sua assistência. O senhor tem
um grupo de pessoas valorosas ao seu lado. O senhor se arriscou muito ao vir
em nosso socorro. Espero que não estranhe minha cordialidade com os
romulanos, apesar de tudo a minha missão é diplomática.
- Eu sei. O que me incomoda mais do que a presença dos romulanos é o fato
de vocês não terem lançado as sondas com relatórios periódicos. Sei que tudo
aconteceu muito rápido, mas pelo menos uma deveria ter sido enviada quando
estavam no mundo Dosi. Isto teria facilitado o rastreamento de vocês. Como
sabe as comunicações através da fenda são muito difíceis. Existem vários
projetos de implantar um retransmissor subespacial, porém ainda os
cientistas e os diplomatas não chegaram a um consenso.
- Não enviamos? Como? Eu pensei... - Alkon estava intrigado. O oficial de
comunicações estava incumbido desta tarefa. Alkon resolveu averiguar o que
tinha acontecido e se dirigiu para a ponte. Sisko e seu grupo o acompanhou.
Jared estava em seu posto quando foi interpelado pelo capitão.
- Jared, por que não enviamos nenhuma transmissão via sonda para a estação
nove.
- Como, senhor? - o Trill parecia confuso com a pergunta.
- Eu ordenei que enviássemos relatórios periódicos sobre a situação de
nossa missão. Por que eles não foram enviados?
- Senhor... A nave foi dominada. Nós fomos atacados...
- Me refiro antes disso. O comandante Sisko não chegou a receber nenhum
relatório. Você estava incumbido disto. Por que desobedeceu às minhas
ordens?
O Trill estava se sentindo acuado. Alkon podia sentir que ele escondia algo
de grave. Por fim o jovem alferes cedeu.
- Desculpe, senhor. Eu apenas estive seguindo ordens superiores...
- Ordens superiores? De quem? - Alkon começou a sentir a garganta de Jared
em suas mãos apesar de não a estar tocando. Mesmo assim o jovem Trill
começou a sentir falta de ar.
- Al...Almirante...cóf,cóf...Almirante Brand...arrrgh...
A número um acompanhava toda a cena bastante apreensiva e percebeu que o
capitão, talvez involuntariamente, havia feito um elo mental que poderia
matar o oficial de comunicações. Resolveu intervir antes que fosse tarde
demais.
- Solte ele capitão. Capitão! - Sarah gritou para que Alkon desfizesse o
elo . Não obtendo sucesso o segurou e o sacudiu. Alkon desfez o elo e Jared,
que a esta altura estava na ponta dos pés, caiu sentado em sua cadeira. O
doutor Bashir, que também estava na ponte e presenciando o ocorrido,
resolveu socorrer Jared. O capitão cambaleou até a sua cadeira e pondo as
duas mãos na cabeça balbuciou:
- Desgraçados!Desgraçados! Bem que a embaixadora Troi me advertiu. Eu não
havia entendido naquela ocasião, mas agora tudo ficou mais claro.
- Você foi uma isca, capitão. A Federação usou o senhor, a sua tripulação e
a sua nave para ver que monstro existia do outro lado da fenda. Na verdade
eles estavam querendo pegar os Maquis e desbaratar a aliança secreta entre
bajorianos descontentes e rebeldes cardassianos. Eles só não sabiam dos
Breens até agora. - A major Kira resumiu a situação em poucas palavras. Ela
já não agüentava mais presenciar as manipulações da Federação para manter o
tratado com Cardássia a todo custo e colocar oficiais respeitáveis no fogo
cruzado.
- Major! Não ajudaremos muito deste jeito! - Sisko tentava fazer Kira
compreender que não era o momento de se discutir a política da Frota ou da
Federação.
- Mas senhor ele, os diplomatas e todos nós fomos joguetes nas mãos da
Frota Estelar a mando de alguém da sua Federação! Não podemos ficar parados
aqui enquanto...
- Podemos e vamos! Isto não é um assunto para ser tratado aqui e agora. Não
creio que a senhora queira começar um motim agora depois de tudo que
passamos! - Sisko sabia ser bastante duro com os seus comandados. Ser
disciplinador era uma das suas qualidades, muito embora seu filho Jake o
lembrasse que deveria ser um pouco flexível de vez em quando. No caso da
Major Kira, ser flexível era demonstrar fraqueza.
- A major está certa comandante. A nossa missão consistia em pegar um rato
na ratoeira. Não pretendo ser o rato da história. Portanto nós seremos a
melhor ratoeira do universo.- Alkon tocou em seu comunicador e falou : -
Tenente Silva como estão os preparativos?
[Estaremos prontos em dez minutos.]
- Faça em cinco. Quero força de dobra a postos. Comandante, estamos com o
pessoal um pouco reduzido aqui gostaria que seu pessoal fosse incorporado à
nave provisoriamente, o senhor concorda?
- Eles são seus.
- Doutor Bashir ajude a doutora T´Vel na enfermaria. Senhor Odo assuma o
posto tático. Major, já pilotou uma nave estelar classe Akira antes?
- Eu ? Não, nunca. - Kira olhou para Sisko que sorriu e deu suas bênçãos ao
convite feito.
- Você verá que não é muito diferente de um explorador. A senhora daria
conta? - Alkon tinha feito mais do que um convite. Ele tinha lançado um
desafio.
- Sim senhor. É só me dizer para aonde devo ir.
- Rume para 4 - 2 - 7 marco 3. Direto para aquela nuvem. Vamos caçar alguns
ratos!
Kira travou o curso sentada ao lado do alferes Gilbert que ocupava
interinamente o lugar da tenente Allison. Sarah sentou-se ao lado do capitão
e o mesmo fez Sisko, após ser convidado por Alkon. O comandante da estação
nove se sentiu bem ao poder estar novamente na ponte de uma nave estelar. Um
dia, quem sabe, a Frota o designaria para o comando de uma e ele poderia
deixar para trás toda aquela intriga política entre bajorianos, maquis e
cardassianos.
****
Capítulo XXII
Na estação nove, do outro lado da fenda, Jadzia não conseguia relaxar um
minuto. Ela e o chefe de operações estavam esperando algum sinal de seus
amigos há horas até que...
- Tenente, captei algo nos sensores! - O´Brien falou mais alto para lhe
chamar a atenção.
- O que foi, chefe? - Jadzia esperava que fosse a força tarefa com os seus
amigos de volta dizendo que a USS Babel estava bem. Um pouco de pensamento
positivo não fazia mal, diria Dax.
- Dois exploradores. Estão saindo da fenda espacial. Um deles é a Orinoco.
- Contate-os.
- Não respondem. Estranho... Estão entrando em dobra. Mas que diabos estão
fazendo?
- De certo que não era o comandante. Devemos presumir que ele foi capturado.
Chefe... Determine o curso delas pelo marcador de plasma de dobra. Isto
poderá nos ser útil mais tarde.
- Mais tarde? Eu pensei...
- Não podemos ir atrás deles agora. Temos que esperar Odo se comunicar.
- Tenente, com o devido respeito, peço permissão para ir atrás delas.
- Chefe... Eu sei como se sente, mas não posso me arriscar a perder você
também. Vamos aguardar.
- Sim, senhora. - O sangue irlandês do chefe O´Brien teve que esfriar
novamente. Ainda estavam de mãos atadas por um nó invisível que estava
difícil de se desfazer.
Na USS Babel Rog, o enviado especial da Associação Comercial Ferengi, estava
indo para o bar da nave ver se estava funcional e poder beber algo que
pudesse lhe acalmar os nervos. No meio do caminho avistou Quark. Tentou
mudar de direção antes de ser avistado, mas foi em vão:
- Rog! Rog! Meu amigo! Que bom vê-lo em perfeitas condições. Onde está a
minha mercadoria?
- SSSHH! Silêncio! Aqui não. Vamos até os meus aposentos. A propósito, o que
faz aqui?
Rog e Quark entram em um turbo-elevador.
- Eu procuro garantir que minhas transações comerciais sejam concluídas com
sucesso. Fiquei preocupado e uns amigos me deram uma carona.
- Interessante, mas não precisava se incomodar... - Os ferengis saem do
turbo-elevador. Andam mais um pouco e entram no alojamento de Rog.
- A mercadoria, onde está? Ela foi danificada?
- Acabei de vir da ala de carga. Uma caixa foi roubada.
- Roubada! Você dirá que foi da parte do Nagus.
- Você está louco? O que direi a ACF ?
- A outra opção é descontar da sua parte.
- Da minha parte?
- É claro! Eu possibilitei o contato com os Dosi. Não posso ficar com o
prejuízo. Afinal de contas o resto de todo o negócio é seu.
- Mas que resto? Nós fomos seqüestrados, escravizados, quase morremos.
Estamos em uma nave que mal consegue navegar. A minha missão não tem como
prosseguir.
- É uma pena. Infelizmente não posso me responsabilizar por estes
contratempos.
- Talvez possamos fazer um acordo. - Rog não estava convencido de ter algum
prejuízo. - Os seres que nos seqüestraram deixaram para trás um planetóide
com ricos minérios. Acredito que valha alguma coisa, não?
Quark pensa por um instante e conclui:
- É um empreendimento muito arriscado. Os ganhos não compensam os riscos.
Contudo você pode dar esta informação a ACF. Creio que o grande Nagus irá
adorar!
Rog percebeu que Quark era um difícil negociador, uma ótima qualidade num
ferengi. Porém ficou intrigado com sua obsessão pela bebida dos Dosi.
- Posso perguntar uma coisa?
- O que é?
- Por que tanto interesse em meras caixas de vinho?
- Meras caixas? Meu caro Rog, você não sabe o efeito que certas bebidas
causam em algumas espécies. A bebida certa para a raça errada pode revelar
muitos segredos! Legalmente!
Rog fica maravilhado com a confidência. - Você utiliza bebidas para obter
informações?!!!
- Entre outras coisas ... - diz Quark com certa malícia acariciando a sua
própria orelha.
- É Quark, vejo que tenho muito a aprender com você.
- O aprendizado não é de graça. Agora que tal irmos até o bar antes da nave
começar sacolejar novamente.
- Boa idéia.
Os ferengis voltam para os corredores da nave, certos que acabaram de selar
um vínculo duradouro e lucrativo. Se Rog fosse telepata poderia ouvir os
pensamentos de Quark : " Planetóide com minérios...Preciso me lembrar disso
quando voltar. Será que a localização foi gravada pelos sensores do
cargueiro vulcano?"
Nebulosa de Hefesto
Ou, de acordo com as cartas estelares, NCC-2370E. Seja lá o nome que lhe
fora dado, o certo era que, em poucos segundos, aquele setor do espaço se
transformaria numa das caldeiras do inferno. Na ponte da Babel, a comandante
Okaido deu as ordens iniciais:
- Alerta vermelho! Escudos ao máximo! Parada total! Lançar minas.
O tenente Klag havia reassumido seu posto tendo o chefe Odo ao seu lado como
espectador.
- Minas em posição, comandante.
- Major, força de impulso em ré, um terço. Tenente Klag aguardar
detonação. - Quando a comandante verificou que estavam a uma distância
segura olhou para Alkon aguardando a ordem final. O capitão estava com um
semblante impassível olhando a tela fixamente.
- Senhor Klag...Detonar!
A tela da nave liberou uma grande luminosidade forçando todos a cobrirem os
olhos para se protegerem. A força de deslocamento dos gases em expansão
atingiu a USS Babel que foi pega por bombordo e desviada de sua posição
cerca de dois mil quilômetros. Foi considerado um pequeno impacto.
- Relatório de danos! - solicitava Alkon.
- Escudos em setenta por cento. Todos os decks informam condição verde. - o
Klingon reportava com uma eficiência vulcana.
- Vamos ratinho, agora é a sua vez! - falou Alkon com a tela. Ele estava
obcecado em dar o troco em seus algozes. Não demorou muito e a R´Tor emergiu
da nuvem de Hefesto atirando para poder garantir a sua fuga.
- Estão em rota de colisão! - informou Klag.
- Prepare bancos phasers. Mire nos motores. Ative o raio trator em
seguida. - A Babel balançava a cada tiro que recebia.
- Escudos de proa em quarenta por cento! - Klag estava tenso. A cada nova
informação parecia gritar mais. Porém, se a doutora T´Vel estivesse ali
diria que na verdade ele estava excitado com a batalha.
- Deixe-a se aproximar mais, sr.Klag. Vamos ver se eles tem mesmo sangue
frio! - Alkon revelava uma obstinação em combate pouco visto em oficiais de
sua idade. Sisko e Kira estavam admirados com sua coragem, sem contudo
estarem também receosos com o desfecho daquele embate.
Quando a R´Tor estava a uns oitocentos metros, Alkon ordenou o ataque. A
nave romulana tentou desviar no último momento e perderam o motor de
boreste. Ela girou em seu próprio eixo e rumou em direção a Babel. Alkon
ainda teve tempo de dar uma ordem:
- Preparar para impacto!
Depois disso tudo foi uma mistura de barulho, dor, fumaça e muitas faíscas.
A mente do capitão Dorian Alkon ficou livre por alguns instantes captando os
diversos sentimentos de seus tripulantes, e uma voz ele ouviu com muita
clareza, como um sentimento que misturava desespero e tristeza. Ele ouvia
sem parar um pranto: Jennifer! Não! Jennifer...Nâããooo!!!!!!!!!!
****
Capítulo XXIII
A ponte de comando da USS Babel ainda era uma confusão dos diabos quando,
aos poucos, os tripulantes iam recobrando a consciência. Muita fumaça,
faíscas e gemidos podiam ser percebidos. Klag tentava se levantar, ajudado
por Odo, tinha um corte em sua fronte que, provavelmente, amparou um pedaço
do teto que caíra. Jared tinha uma das mãos queimadas. Sisko constatou um
pedaço do revestimento do teto sobre si, o material contudo era leve e ele o
retira de cima rapidamente sem muito esforço. Kira parecia bem, apenas
desmaiada sendo logo reanimada pelo alferes Gilbert. O capitão estava sendo
socorrido pela comandante. Parecia estar com o ombro deslocado. Ela, por sua
vez, estava com um galo na cabeça, um hematoma no olho esquerdo e os lábios
cortados.
As luzes de emergência estavam ligadas e na penumbra era difícil avaliar a
gravidade da situação.
- Situação, senhor Klag ? - perguntou a comandante assim que recolocou o
capitão em sua cadeira.
- Escudos caíram. Casco externo na proa danificado. Casco interno avariado
mas agüentando. Sensores de longo alcance desativados. Força auxiliar
ligada. Suporte de vida em setenta por cento e caindo. Temos vinte feridos e
uma baixa.
- Acionar grupo de reparos. Condição da R´Tor? - perguntou Alkon.
- Está a deriva, senhor. Identificando dez formas de vida ainda vivas.
Sinais fracos. O casco deles também está avariado. Suporte de vida em vinte
por cento e caindo. - responde Klag.
- Raio trator?
- Inoperante.
- E quanto ao transporte, podemos trazê-los a bordo?
A comandante vai até a estação de engenharia para verificar o pedido do
capitão.
- Desativados. Teremos que esperar um bom par de horas. Acho que o general
romulano não vai gostar muito disto.
- Não creio que ele terá muita escolha. - acrescenta Sisko e Alkon concorda
com o comentário expressando um discreto sorriso.
- Okaido, assuma. Eu vou até a enfermaria. - diz segurando o braço direito.
- Sim, senhor. Reserve um leito para mim.
Sisko aproveita a oportunidade e pergunta se pode acompanhar Alkon. O pedido
é aceito.
Dentro do elevador pede permissão para falar livremente. Isto soava estranho
para o próprio Sisko uma vez que, normalmente, eram outros que tinham esta
postura para com ele. Todavia aquele rapaz era um capitão da Frota Estelar ,
seu superior hierárquico, e o respeito tinha que ser mantido.
- Computador... Parar elevador. - ordenou Alkon. - Pois não, comandante.
Sou todo ouvidos.
- Uma vez o senhor me agradeceu por tê-lo ajudado com minhas palavras. Se
elas realmente tem algum significado eu devo alertá-lo que não está
conduzindo as coisas da maneira mais correta.
- Comandante o senhor é um observador da missão. Acha realmente que estou
arriscando a vida de todos por um capricho? Que não devia deixar os
romulanos participarem da reunião de equipe? Que não devo sentir raiva por
ter sido usado por meus superiores?
- Você parece poder sentir meus pensamentos claramente, mas pode sentir os
seus? Em uma batalha se perdemos o controle das nossas emoções ganhamos mais
um inimigo. Você não percebe, não é mesmo? Eles o escolheram pelo seu perfil
psicológico. Sabiam que um jovem capitão recém-promovido ficaria muito tenso
em sua primeira missão. Diplomatas, território hostil e inexplorado... Todo
o cenário foi arranjado. O nervosismo é normal com qualquer um nesta
situação, mas com betazóides como você, o efeito seria duplicado, talvez
triplicado.
- Você acha que me escolheram para terem a certeza que a missão falharia?
Por que iriam querer destruir uma nave e centenas de pessoas? Temos um grupo
de delegados da Federação aqui, isto poderia causar... - subitamente Alkon
percebeu aonde Sisko queria chegar.
- Uma guerra. Alguém na Frota está querendo um motivo para mandar para cá
uma armada e dominar o setor à força. Isto só seria permitido com a
concordância da Federação e até de mundos não-alinhados. Sei que isso não
parece política da Federação ou da Frota, mas parece que algumas pessoas
estão tendo novas idéias de como conduzir a política na galáxia. A guerra
com os Borgs e os constantes conflitos com os romulanos parecem ter deixado
alguém paranóico.
- O que sugere, comandante? Eu ainda tenho regulamentos a cumprir. Não posso
me insubordinar sem provas. A minha missão...
- A sua missão é e sempre foi evitar uma guerra.
Dorian Alkon olha bem nos olhos de Sisko e respira fundo. Sabia que era a
voz da experiência
que estava alertando-o, e ele seria um idiota se não ouvisse.
- Creio que ainda tenho vago o cargo de conselheiro da nave, que tal
assumir este posto interinamente, comandante?
Sisko sorri e aceita o cargo. Alkon aperta sua mão. O elevador é posto em
movimento outra vez e um novo rumo é traçado para a missão.
Estação Nove
No centro de operações cada minuto tem sido angustiante. O que estava
acontecendo do outro lado da fenda? A USS Babel tinha sido destruída? A
missão de Odo e Quark fracassara? Sisko, Kira e Bashir teriam morrido?
Todas estas questões iriam ser respondidas quando um bip faz a tenente
Jadzia-Dax acordar de seu breve cochilo sobre o painel de comunicações.
- Mensagem chegando. Está criptografada. Decodificando. Vamos ver no
escritório de Sisko. O sigilo era importante. O chefe O´Brien, carregando
uma caneca de café, acompanha a oficial de ciências.
Na tela surge a figura do comandante Sisko expressando uma seriedade já
conhecida em situações de conflito. A imagem e o áudio estavam bem ruins.
[Dax... Prepare para atracar a USS Babel e mande uma equipe de
engenheiros. Estamos com sérias avarias, mas deveremos chegar em meia hora.
Separe uma ala de segurança para 18 romulanos que resgatamos. A nave deles
também precisa de reparos e a es...estamos rebocando. Estamos com pouca
energia. Comuni...ca.. com de...eito...Uma ala climatizada para trinta
soldados Breens deve ser preparada também. O doutor Bashir pede que
providenciem tubos na ala cryo da enfermaria. Temos alguns corpos. Os
dignatários estão bem. Seu plano funcionou bem, mas não envolva mais civis
em uma operação dessas. Principalmente o Quark. Tenho certeza que ele jamais
me deixará esquecer a ajuda que prestou. Sisko desliga.]
Jadzia pensou que seria bom que seu velho amigo demorasse um pouco a saber
do acordo que ela havia feito com Quark. A gravação ao ser recebida tinha um
certo atraso. Portanto as providências tinham logo que ser tomadas. Jadzia
sorriu para O´Brien demonstrando o seu contentamento por ter dado certo o
seu arriscado plano. Por sua vez o chefe suspirou aliviado apesar de ter
ficado intrigado. Sisko tinha saído para deter uma conspiração
bajoriana-cardassiana e volta com prisioneiros Breen e convidados romulanos?
Alguma coisa bem estranha estava acontecendo além da fenda espacial.
Os dois oficiais deram as boas novas ao pessoal do controle e ordens para
que se apressassem em cumprir as ordens de Sisko. Foi uma correria danada.
Algum tempo depois
Sisko mal saiu da comporta de ar no setor de desembarque e foi interpelado
por Jadzia.
- Fico feliz por revê-lo, Ben.
- Obrigado, meu velho. Contatou a almirante Brand? - disse Sisko andando
sem parar na direção ao elevador mais próximo.
- Sim. Informei que o senhor tinha partido e ela ordenou que voltasse. Não
queria que nos envolvêssemos.
- Na verdade eles não se envolver. Está claro que desrespeitou ordens diretas. Sabe quais serão as conseqüências disto?
- Bom... Não houve desrespeito exatamente... Tivemos sucesso em contata-lo.
- Tiveram? Mas eu não recebi nenhuma...
Jadzia pega o braço do comandante, envolve no seu e começa a contar o ato de ilusionismo que ela e o chefe O´Brien criaram.
Médicos e engenheiros estavam congestionando a ala de atracação. Os tripulantes da USS Babel começavam a desembarcar. Um dos primeiros foi Quark. Atrás dele estavam os mercenários contratados e Rog. Ao sair, Quark encontra com o chefe O´Brien que ia entrando. Ao ver que Sisko já havia saído e se distancia. Já no corredor resolveu perguntar o inevitável ao chefe.
- Será que ela já contou para ele?
- Acho que está preparando- Você saberá quando ele já tiver sabido. Na verdade acho que a estação inteira saberá.
- Err... O comandante sempre foi um homem compreensivo. - comenta o ferengi sem querer demonstrar sua apreensão. - Bom, rapazes - diz se voltando para Rog e os mercenários - Vamos para o meu bar, comemorar e tratar de negócios. - rapidamente Quark saiu do caminho. Odo, Bashir e Kira logo apareceram e cumprimentaram o chefe Miles O´Brien.
- Sentimos sua falta por lá. Sabia que estivemos em batalha por umas três vezes? - disse Bashir com certo entusiasmo.
- Acredito que os tripulantes precisam de sua assistência. Estou certa que o chefe adorará ouvir suas histórias mais tarde. - disse Kira despachando o doutor.
- Oh, claro, eu vou indo.
Kira e O´Brien olham para cima expressando alívio por se livrarem das histórias do doutor.
- Sabe, ele até que não é um mau garoto. Acho que é apenas solitário. - comenta o chefe.
Kira fica espantada com a condescendência do chefe.
- Tá. Esquece o que eu disse. - diz O´Brien quase se retratando pelo que dissera. Entrou pela comporta de ar que o levaria para USS Babel e se encontra com a tenente Silva, se apresentam e ela o acompanha até a engenharia da nave. Lá fora Kira e Odo conversam.
- Vocês se arriscaram muito lá fora.
- Eu não queria que você...- Odo para de falar e se corrige rapidamente - ... que vocês se machucassem. Seria uma perda lamentável para a estação e para o tratado de Bajor com a Federação.
Kira percebe a preocupação de Odo para com ela. Pega em suas mãos e diz antes de se afastar.
- Obrigada. É sempre bom contar com um amigo.
O transmorfo fica com as mãos estendidas por um momento, sorri e imagina o impossível. Imediatamente se recompõe e segue para seu escritório, onde teria que dar entrada nos registros dos novos ocupantes das celas.
****
Capítulo XXIV
Na USS Babel o capitão Alkon estava sozinho em seu escritório olhando para as estrelas na direção da fenda espacial. Admirava quando esta abria e fechava durante a passagem de alguma nave. Para ele parecia um olho de uma divindade cósmica piscando, mas para a sua nave e sua tripulação quase foi a garganta de um demônio que os podia ter devorado. A porta atrás dele se abriu. Era a comandante Okaido.
- Posso falar-lhe, capitão?
Alkon reconheceu a sua voz e não interrompeu sua contemplação. Apenas se limitou a dizer:
- Prossiga.
- Trago os últimos informes. A equipe de engenharia da estação ainda está à bordo nos assessorando nos reparos , contudo não creio que eles possam fazer muito. O ideal seria irmos para a base estelar mais próxima. O que quer dizer que não estaremos plenamente funcionais. Os Breens estão em estase na enfermaria da estação e o doutor Bashir solicita a realização de uma necropsia em um deles para arquivar dados de sua fisiologia. Ele diz ser uma oportunidade única e...coisa de médico. Os romulanos não estão muito satisfeitos em estarem confinados. O general Tomak quer falar com o senhor com a máxima urgência. Ele se recusa a dar acesso à sua nave para que nosso pessoal realize os reparos.Coisa de segredo militar, eu suponho. O comandante Sisko marcou um jantar para daqui a cinco horas e... – Neste instante Okaido interrompeu seu informe percebendo que seu capitão não tinha ouvido uma palavra sequer do que havia dito. Com certeza seu espírito não estava presente. Ele o deixara no quadrante gama. Ela largou seu PAD sobre a mesa, se aproximou e tocou no ombro de Alkon. Isto o despertou de seus pensamentos e o trouxe de volta a realidade.
- Desculpe, comandante. Vejo os informes mais tarde. Dispensada.
Okaido se afastou, mas não saiu sem antes dizer:
- O senhor não teve culpa, capitão. A tripulação tem plena confiança no senhor. Principalmente depois que o senhor retomou o controle da nave. Os diplomatas irão fazer uma menção ao seu ato de bravura para o alto conselho da federação e para o comando da Frota. Talvez até ganhemos algumas medalhas.
- Medalhas?
- Sim, isto não é bom? Digo...Foi a nossa primeira missão e...
- Seria a nossa última! – Alkon se virou e encarou a sua primeira oficial pela primeira vez
- Nos mandaram para a morte, comandante. Abusaram da nossa boa fé. Abusaram do nosso respeito pelas regras e preceitos da Federação que juramos defender. Droga! O que está acontecendo com a Frota? Eles estão matando para preservar a paz! O que nos faz diferentes dos romulanos? Dos Borgs? Dos Breens? Dos Maquis? – O capitão circulava pela sala bastante exaltado.
- Eu... Não sei, senhor. – Sarah realmente não tinha como confortá-lo. Ela também não tinha entendido nada daquela teia de conspirações.
Alkon procurou se acalmar. Olhou para um quadro que retratava sua terra natal, Betazed, e por um momento reveu sua decisão de um dia desejar vestir o uniforme da Frota Estelar.
- Não deixe o resto da tripulação saber de toda essa...sujeira. Eu entrarei com uma representação contra a almirante Brand e entregarei o meu posto quando voltarmos.
- Senhor! – Sarah não acreditou nos seus ouvidos – Não pode fazer isso! Sua carreira...
- Eu não vou fazer uma carreira sujando as minhas mãos com o sangue da minha própria tripulação só para satisfazer joguetes políticos. Esta decisão é confidencial, entendido comandante?
- Sim, senhor. – Okaido se retira preocupada com o estado emocional do capitão. Talvez fosse melhor falar com a Dra. T´Vel, mesmo que isto significasse uma corte marcial.
O capitão da Babel voltou a olhar para a janela e continuou a pensar nas conseqüências das decisões que teria de tomar.
Ao passar pela ponte a comandante e interpelada pelo tenente Klag.
- Sim, tenente?
- Gostaria de saber...do estado de saúde da nossa piloto.
- Tenente Allison? Ela está se recuperando. A doutora T´Vel a transferiu para a enfermaria da estação e o doutor Bashir acredita que ela recobrará a consciência logo. – Sarah olhou Klag diferente. O gigante Klingon, apesar de estar um pouco constrangido em ter que transparecer alguma fragilidade de sua personalidade com aquela simples pergunta, parecia ter um bom coração embora não quisesse demonstrar. – Direi a ela que você perguntou por sua saúde assim que ela acordar.
- Obrigado. – Dizendo isto voltou ao seu posto para continuar a recalibrar a estação das operações táticas junto com os demais engenheiros. Ele sabia que a jovem humana loira de fala solta e olhos simpáticos deveria estar se sentindo só, como ele mesmo se sentia às vezes naquela nave. Naquele uniforme. Foi uma decisão do alto conselho Klingon que o pôs ali, contra a sua vontade. Na verdade estava ali por vontade de seu pai que o inscreveu no programa de intercâmbio de oficiais existente entre a Federação e o Império Klingon. Seu bom desempenho seria bom para apagar a mancha deixada por um Klingon há alguns anos atrás que espionava a Enterprise e passava informações para os romulanos 1. Foram as ações de outro Klingon, Worf, que inspiraram alguns militares a estimularem uma maior presença de Klingons na Frota Estelar. Apesar de que ainda muito deles ainda considerarem o filho de Mogh um pataki 2.
O que ele tinha planejado para o seu futuro não tinha nada a ver com a academia militar klingon. Queria ser escritor, um poeta talvez. Cursou a academia para agradar seu pai e a sociedade. Tudo pela honra da casa de Hurag. Porém, para sua surpresa, naqueles poucos dias à bordo daquela nave, algo foi despertado dentro de si. Um sentimento de camaradagem que nunca havia sentido antes. Ele não estava querendo admitir, mas estava começando a gostar daquele uniforme e o que ele representava. O capitão Alkon esperava apenas que ele fizesse o seu trabalho. Não havia nenhuma pressão sobre o significado da honra e de morrer em batalha. Era sobre cumprir o seu dever e continuar vivo para continuar a defender seus ideais. Ele estava realmente adorando esta idéia.
No centro de operações da estação nove, Kira, Jadzia e O´Brien estavam preocupados com o andamento da conversa que Sisko estava tendo com o comando da Frota. Se ele ficasse de mau humor todos iriam ser afetados pelo resto do dia.
- Há quanto tempo ele está nesta ligação? – perguntou Kira para qualquer um que soubesse a resposta.
- Uma hora. – respondeu Jadzia com uma certa tensão em sua voz.
- Será que ele confirmou a nossa... versão? – perguntou O´Brien, visivelmente preocupado, a Jadzia.
- Não sei. – Jadzia podia ver seu velho amigo através das grades da porta de seu gabinete. – Ele está gesticulando demais. Acho que isso não fará nenhum bem para a sua carreira. – comentou.
- Ou para a nossa. – disse O´Brien reforçando o comentário.
- Eu vou falar com ele. – disse Jadzia-Dax resolutamente. Quando já ia subindo os degraus da escada de acesso do escritório de Sisko, Kira a segurou pelo braço.
- Tenente...Deixe Dax fora disso! – Kira se referia a velha amizade que o simbionte Trill possuía com o comandante e que deveria haver limites entre esta amizade e o respeito às hierarquias da Frota estelar. Ele era o seu comandante. Ele deveria saber como proceder em situações de crise. Agindo certo ou errado; as decisões deveriam partir dele. Ela não deveria interferir. Mesmo tendo mais de 300 anos.
Momentos depois a porta do escritório se abriu. Sisko saiu com uma cara mais séria do que o costume.
- Algo vai mudar a partir de hoje no comando da Frota Estelar. – disse o comandante.
- O que eles disseram? – perguntou Jadzia sem esconder sua imensa curiosidade.
- Ficaram surpresos com os acontecimentos. Desconheciam atividades Breen neste setor, mas quando falei com a almirante Brand que a USS Babel retornou em segurança, sua surpresa foi maior ainda.
- Ela explicou por que não enviou ajuda quando solicitamos? – perguntou Jadzia novamente.
- Não havia evidências concretas para mobilizar uma nave estelar para ajudá-los, ademais “EU” mesmo a havia tranqüilizado quanto a esta questão. Porém tive que informar que precisei verificar novamente a situação da USS Babel quando perdemos contato com ela. Esta será a versão oficial. Não que eu tenha gostado muito disso. Tive que registrar minha irritação quanto a me deixarem no escuro durante esta missão. Não gostei desta brincadeira no nosso quintal. Muitas coisas que não foram ditas pareciam do conhecimento de alguém na Frota. Quanto a vocês dois... Espero não ter que mentir de novo, ou da próxima vez, não importando as boas intenções, irão arcar com as conseqüências sozinhos, entenderam? – Sisko lançou olhares fulminantes para Jadzia e O´Brien.
- Sim, senhor – responderam os oficiais quase em coro.
- O que acontece agora? – perguntou Kira interessada em saber o desenrolar dos acontecimentos.
- Ordenaram que a USS Babel se dirija a base estelar 41 para reparos. A respeito dos maquis estão enviando uma almirante para cuidar do assunto. Almirante Nechayev, se me lembro bem. Ela irá se encontrar com a USS Babel na base estelar 41 para colher o relatório do capitão Alkon. A USS Próxima está sendo enviada para cá para escoltar a Babel. Sua chegada está prevista para daqui a dois dias.
- O capitão Alkon já sabe? – perguntou Jadzia.
- Não. Eu o informarei pessoalmente. Ele ainda está na nave?
O` Brien verifica os sensores da estação : - Sim. Está supervisionando os reparos de emergência.
- Avise que estou indo vê-lo. – Sisko segue em direção ao elevador.
- Senhor... Preciso falar sobre outros assuntos. – falou Jadzia.
- Eles terão que aguardar. – o elevador desce antes que a oficial de ciências tivesse a chance de se explicar.
- Você ainda não contou para ele, não é? – perguntou O`Brien um pouco irritado.
- Não sei se seria o melhor momento para falar da nossa dívida com o Quark.
Kira não conseguiu deixar de ouvir.
- Dívida? Que dívida?
Os dois oficiais da Frota Estelar se entreolham e percebem que as encrencas em que se meteram ainda estavam longe de ter um fim.
Na USS Babel Sisko chega ao escritório do capitão Alkon e o encontra discutindo com o general romulano.
- ... ISTO É INACEITÁVEL! NÃO POSSO CONCORDAR.
- General...entenda...
- Interrompo alguma coisa?
Alkon parecia aliviado pela presença de Sisko.
- Ah, comandante. O senhor poderia explicar ao general que não estamos prontos para liberá-los enquanto ele não deixar nossos engenheiros ajudarem nos reparos de sua nave?
- O senhor deve ser o comandante Sisko da estação espacial nove. O senhor certamente entende a minha posição. Oficiais da Frota não podem vistoriar a minha nave.
- Entendo que, as únicas seções de sua nave que temos livre acesso, normalmente, são as alas de detenção.- comenta Sisko com certo sarcasmo.
O romulano parece não apreciar o comentário e assume uma posição mais defensiva do que antes.
- O senhor prefere o insulto. Então não tenho mais o que fazer aqui. Esta conversa está encerrada.- Tomak dá as costas para os dois e sai da sala de reunião.
Alkon balbucia “OBRIGADO” para Sisko. Desta vez seu conselheiro não ajudou muito. Tentou mais uma vez contornar a situação indo atrás do general romulano.
- Seja razoável, general. Sua nave está avariada. Só queremos ajudá-los.
- Ela está avariada por causa de suas ações. – responde irritado Tomak.
- Nós arriscamos nossas vidas para recuperá-la e salvar o senhor e os seus homens! – Alkon resolveu falar grosso também. Aquela conversa parecia não ter muito futuro.
- Não devemos nada a vocês. Minha missão foi recuperar o meu filho. Eu o faria com ou sem a sua ajuda. – o orgulho do general não permitia ser agradecido, principalmente com a Federação.
- Devo informar que não devem prolongar nossa permanência sob pena de criar uma crise que o meu governo necessita para invadir este setor. – acrescenta o general num último esforço para manter a paz. Nem que fosse a base de ameaças.
- Capitão... – era o oficial de comunicações interino que ficara no lugar de Jared desde que ele foi afastado do serviço por causa de suas atitudes do quadrante gamma. – Temos uma nave camuflada nos sensores. A resposta à emissão de táquions nos diz que é uma nave de guerra romulana.
Alkon olha para Klag esperando a confirmação. O klingon concorda com o seu colega.
- Sisko para operações. Vocês estão captando alguma coisa nos sensores? – o comandante notou que o general romulano estava com um ar triunfante.
[Temos uma nave romulana se descamuflando. Abrindo canais de comunicações. Eles estão respondendo. Pedem para falar com o senhor.] – informou Kira.
- Transfira para a ponte da USS Babel. – Sisko, Tomak e Alkon encaram na tela o comandante da nave romulana.
[Aqui fala o comandante Taris da Haakona. Temos informações que a federação mantém como prisioneiros cidadãos romulanos nesta estação. Viemos levá-los para casa.]
Sisko fitou o comandante romulano com uma certa perplexidade, e algumas perguntas vinham a sua mente sem terem, aparentemente, nenhuma resposta. Como eles sabiam que romulanos estavam na estação?Quem os avisou? Estaria aquela nave acompanhando todos os acontecimentos até agora sem ser detectada? Por que não interferiram antes? O único meio de saber era tentando arrancar as respostas deles.
- Sou o comandante Sisko da estação espacial nove. Nós resgatamos alguns dos seus cidadãos que foram feitos prisioneiros no quadrante gamma por uma raça conhecida como breens. Seus cidadãos não são nossos prisioneiros. Nós estamos prestando auxílio médico e mecânico pois a nave deles está avariada.
[Creio que poderemos prestar todo o auxílio de que necessitam a partir de agora. General Tomak reúna os seus homens em sua nave em dez minutos que o rebocaremos de volta à Romulus.]
Tomak faz uma saudação ao seu colega de armas e se retira da ponte da Babel. Sisko e Alkon sabiam que não podiam impedir que os romulanos partissem. Na verdade, Sisko estava até contente com isso. A última coisa que precisariam naquele momento era entrar em batalha com romulanos. Alkon., contudo, queria ter a última palavra e antes do comandante Taris desligar a sua transmissão tentou o diálogo mais uma vez.
- Sou o capitão Alkon da USS Babel. A nave que resgatou seus companheiros. Quero reportar que o seu colega general conspirou e atacou deliberadamente uma nave da federação. Todavia estou disposto a esquecer este incidente devido às circunstâncias que nos envolveram. Espero que doravante o império romulano aja mais como um parceiro do que como espiões em nossas ações no quadrante gamma.
[Creio que devo ficar grato? Pois bem. Farei um gesto humanitário retribuindo o favor não usando o poder de fogo de meu cruzador contra a sua nave avariada ou a sua magnífica estação. Vocês têm agora oito minutos e trinta e dois segundos. Taris desliga.] – na tela principal a imagem do romulano desapareceu e com ela a arrogância conhecida dos oficiais romulanos.
- Foi seu primeiro contato com os romulanos? – perguntou Sisko ao capitão que balançou a cabeça em resposta afirmativa.
- Não se preocupe. Não leve esta arrogância para o lado pessoal; é uma característica genética deles. Tomak deve tê-los contatado assim que teve acesso à sua nave. Talvez seja por isso que ele queria partir o quanto antes. Será muito embaraçoso para ele explicar o que estava fazendo no quadrante gamma sem ordens do senado ou do Tal Shiar. Será melhor que se vão. Aconselho mandar um aviso da presença das naves deles para as bases estelares e naves da região.
- Obrigado, comandante, mais uma vez. Quero informar que não participaremos de seu jantar logo mais. Tenho intenções de partir daqui a duas horas.
- Receio que não possa fazer isso. Eu vim a bordo trazendo novas ordens para o senhor do comando da frota estelar. O senhor deve se dirigir para a base estelar 41 e se encontrar com a almirante Nechayev. A USS Próxima está vindo para escoltá-los.
- E quando ela chegará ?
- Daqui a dois dias. – Ambos sorriem. Sisko sabia das intenções de Alkon em não seguir as ordens ao pé da letra. Neste ponto eles eram muito parecidos.
- Esperemos estar todos aqui antes disso. Se o senhor quiser vir conosco, ainda tenho uma cadeira vaga.
- Será um prazer. Qual é o plano?
- Pegar aqueles maquis e recuperar as armas e as naves da federação roubadas.
- Tenho dois oficiais que nos poderão ser muito úteis. Eles podem ir num explorador o que nos dará maior flexibilidade nas manobras de abordagem. Temos os registros da assinatura de dobra das naves roubadas. Entrei em contato com um amigo meu na zona desmilitarizada cardassiana para nos manter informados sobre vôos suspeitos na área.
- O senhor é invejável, comandante. Pensou nisto tudo agora?
- Na verdade contava com que você fosse agir como eu agiria.
- O senhor está perdendo tempo nesta estação. Deveria estar capitaneando uma nave com toda esta experiência em tática.
- No momento sou necessário aqui. Quem sabe um dia.
- Bom, então vejo o senhor mais tarde e mais uma vez me desculpe por estragar o seu jantar.
- Poderemos fazê-lo quando voltarmos e comemorar o sucesso da missão.
- Oxalá isto aconteça! – os dois se despedem com um vigoroso aperto de mão. Sisko , ao entrar no turboelevador, se encontra com a comandante Okaido que estava chegando À ponte. Ela o cumprimenta e segue em passos rápidos para passar os informes ao seu capitão.
- Acabo de vir da engenharia, senhor. A tenente Silva informa que, mesmo com a ajuda do pessoal da estação, só conseguirá deixar a nave completamente funcional nas próximas seis horas.
- Diga a ela que iremos partir em duas horas e para fazer o melhor possível. Não pretendo adiara nossa partida.
- Senhor? – Okaido estava surpresa com a decisão. O que seu capitão estaria tramando?
- Desembarque todo o pessoal não essencial. Quero uma tripulação mínima e principalmente nenhum diplomata a bordo, entendeu?
- Sim, senhor. Mas eu pensei que as nossas ordens fossem...
- Elas mudaram, comandante. Algum problema em cumpri-las? – Alkon estava com um ríspido em sua voz. Ele estava amargurado e sentindo que havia negócios inacabados a resolver. Nada e ninguém no mundo o fariam dissuadir daquela idéia. Nem mesmo uma amiga. Okaido estava receosa pela obstinação de seu capitão, mas compreendia os seus motivos. Queria provar seu valor antes de entregar o seu posto. Como sua primeira oficial, amiga e por aquilo que poderiam ter um dia, ela respeitaria a sua decisão.
- Não, senhor.
****
Capítulo XXV
A USS Babel singra o espaço mais uma vez para cumprir o papel que lhe foi destinado no palco do destino. Rumo a fronteira cardassiana, local onde as assinaturas de dobra pareciam terminar, estaria a conclusão daquele épico escrito por um autor maquiavélico que estaria sentado em algum gabinete da Frota Estelar. Alkon, entretanto, esperava interferir na peça e se tornar co-autor.
- Estamos a uma hora do sistema Volan. – informava o tenente Klag.
- Volan III é uma ex-colônia da Federação que foi devolvida aos cardassianos quando da assinatura do tratado de paz. – Sisko, sentado ao lado de Alkon, acrescenta mais informações.
- Eles devem estar na área já que os traços da dobra de suas naceles terminam aqui. Estou acionando os scanners de longo alcance. – diz McCormick.
- Trace um curso para Volan III. Alerta vermelho . – ordena Alkon.
Sisko toca em seu comunicador: - Chefe, estamos indo para Volan III, tomem cuidado. Podem existir patrulhas cardassianas neste setor.
-Entendido comandante. Nos encontraremos lá.-
- McCormick verifique também se temos naves camufladas na área. Não quero ter surpresas desagradáveis de novo.
- Sim, capitão.
- Senhor Klag; mantenha as armas à postos. Não teremos muita energia disponível em nossos escudos para um combate longo. Seja lá como for, quero acabar com todo este conflito de uma forma rápida.
- Armas à postos, senhor.
- Piloto, reduzir a ¼ de impulso. Manter órbita padrão.
- Localizei! – disse entusiasticamente o oficial de ciências. – Eles estão na superfície a uns trinta quilômetros da cidade do continente sul.
- Ótimo. Klag e comandante Sisko irão comigo até lá. Repassem as coordenadas para a Ganges. Sarah você está no comando.
O grupo avançado saiu da ponte determinado. Minutos depois se materializavam, de phasers em punho, em meio a uma floresta. Klag usou o tricorder para localizar as naves.
- A Orinoco está a uns quinhentos metros a outra nave está mais à frente. Quatro formas de vida humanóides estão próximas. Parecem que estão montando guarda.
- Eles não nos esperam. Temos a vantagem tática da surpresa. Vamos nos dividir e atingi-los de três direções distintas. Irão pensar que estão cercados. Sisko, peça ao seu pessoal para criar uma distração. Um bom disparo para fazer a cortina de fumaça que precisamos.
- Entendido, capitão.
O grupo se aproximou sorrateiramente. Quando os alvos estavam ao alcance o chefe O´Brien recebeu o sinal na Ganges e atirou a dez metros de onde estavam os maquis. O susto os desorientou. Jadzia se materializou atrás de um deles e o nocauteou. Quando outro maqui viu o que acontecera com seu amigo e tentou alveja-la, foi atingido pelo phaser de Klag. Dax agradeceu. Os outros dois guardas restantes eram o caldoniano Laynair e a bajoriana Miraska. Eles perceberam que poderiam estar cercados e começara a atirar a esmo em várias direções. Não tiveram sucesso.Foram alvejados por Sisko e Alkon. O grupo rapidamente se reuniu e tratou de amarrar seus prisioneiros.
- Dax, leve-os daqui na Orinoco. Quero que você e o chefe voltem para a estação. Nós tentaremos pegar Rafik e Barek Naris.
- Ben...
- Eu terei cuidado. Agora siga as minhas ordens.
Apesar de Dax não gostar de abandonar seu amigo no meio de uma luta atendeu a Sisko. Os três oficiais da frota, parecendo os mosqueteiros de um velho romance terráqueo, avançaram em busca dos inimigos da paz galáctica.
- Tem uma construção a uns trezentos metros À frente. A outra nave esta pousada perto. Eles devem estar lá dentrro.
- Certo Klag. Você vai pela direita e eu e Sisko pela esquerda.
No interior do esconderijo Rafik acabava de receber uma ligação preocupante.
- Naris! - gritou pelo seu cúmplice.
- O que foi? – perguntou assustado ao entrar na sala de seu comandante.
- Acabo de receber uma mensagem. A Federação está vindo para cá. Avise aos homens para que estejam preparados. Reforce os sensores de perímetro.
- Como eles nos encontraram?
- Sensores melhor do que os nossos! – respondeu Rafik ironicamente. – Agora isto não importa. Vá logo e faça o que eu mandei!
Rafik pegou um rifle phaser do tipo standard da federação de uma das caixas de armamentos roubadas que estavam à sua volta e se preparou para o pior. Não demorou muito para ele ouvir uma nave levantando vôo e disparos vindos da frente da casa. Saiu sorrateiramente pelos fundos sem ser visto. Seus planos teriam que ser modificados e teria que antecipar o seu ataque.
ESTAÇÃO NOVE
A tenente Allison finalmente abriu os olhos e a primeira imagem que viu foi a do doutor Bashir sorrindo.
- Bem vinda de volta. Como está se sentindo?
- Eu...Eu estou com sede... – balbuciou a jovem loura.
- Isso é normal. Espere um pouco.
Uma enfermeira trouxe um copo acoplado com um canudo para a paciente. Allison bebeu um pouco, mas logo parou e se sentiu muito cansada.
- Onde estou?
- Na estação espacial nove. Sistema bajoriano. Eu sou o doutor Julian Bashir, responsável pelo centro médico.
- E a minha nave? Ela está bem? Estão conspirando para destruí-la! Preciso avisar ao capitão. – A piloto estava sobressaltada como que acordando de um pesadelo.
- Sssshhh. Calma. Deite-se. Está tudo bem agora. Seu capitão evitou que destruíssem a nave. Estão todos bem agora.
- Onde ele está? Quero falar com ele.
- Relaxe. – diz Bashir aplicando um sedativo, uma pequena dose de codrazina, em seu pescoço.
- Durma um pouco. Depois você poderá falar com seu capitão.
Allison deita-se novamente e mergulha mais uma vez no mundo dos sonhos.
No promenade, Quark vê Odo passar e quase desesperadamente, vai ao encontro dele.
- Odo! Que bom vê-lo! – segura o transmorfo pelo braço e este fica constrangido com tal gesto de intimidade vindo daquele ferengi.
- O que é que você quer? – pergunta retirando a mão de Quark sobre si. – Sua atitude não está sendo muito boa para a sua reputação.
- Deixe que eu cuido da minha reputação. Ela não iria ser de muita coisa se eu ficasse falido.
- De que você está falando?
- Quero saber quando a Federação irá me pagar.
- Pagar a você? Eu não estou a par de nada disso. Talvez devesse perguntar à major Kira
- Você sabe que ela não vai muito com a minha cara.
- Eu também não vou com a sua e você veio falar comigo.
- Ora, Odo... Você é mais acessível. Eu o conheço há mais tempo e você nunca tentou me agredir antes.
- Não que eu não tivesse vontade. O meu cargo na estação faz com que eu tenha que dar o exemplo.
- Falo sério, Odo. Estou tendo que custear as despesas daqueles três até a federação pagá-los pelo serviço. Aquele secreto que fizemos. Você poderia interceder a meu favor. – Quark estava sussurrando como que guardando um segredo que tinha um preço. Chantagem era algo que ele conhecia bem.
- Eles estão dando prejuízo à você? Entendo... – Odo quase sorri de satisfação, mas procura disfarçar. – Vou ver o que posso fazer.
- Obrigado! Vou ficar devendo uma! – diz o ferengi voltando par o bar. Ele porém não nota o sorriso sarcástico estampado no rosto de Odo ao se afastar dele. Cada vez que Quark tinha algum prejuízo Odo se alegrava, apesar dele estar aprendendo a desenvolver as emoções características aos humanóides. Esta era uma delas que, raramente, ele tinha o prazer de experimentar.
No centro de operações a major Kira solicitava informações sobre o paradeiro da Babel.
- Nada ainda, major.
Ela sabia que tal operação não seria fácil. Ela deveria ter ido e lutado ao lado de Sisko. Barek foi um guerrilheiro como ela e não usaria táticas convencionais. Os oficiais da frota não teriam chance. Ainda mais tão próximos das patrulhas cardassianas. Era como nadar em um rio cheio de predadores. Rezou aos profetas que ajudassem o emissário nesta empreitada pois iriam precisar de toda a ajuda possível.
****
Capítulo XXVI
Saldo da missão : seis maquis presos e uma nave recuperada. Nenhum morto. A missão teria sido um sucesso se Rafik não tivesse conseguido fugir no outro explorador para um destino ignorado.
- Parte da carga foi deixada para trás. Calculo, pelo volume que as duas naves comportariam comparado ao em encontramos na casa, que pelo menos vinte por cento já foi repassado. Se juntarmos com o que apreendemos no planetóide breen e aqui creio que lhes impusemos um bom prejuízo. – argumenta Klag.
- Os vinte por cento restantes são os que me preocupa. Talvez eles tenham que apressar seus planos por causa disto. Seja lá qual sejam eles, pressinto que não iremos gostar. – teoriza Sisko. – Capitão, é melhor voltarmos para a nave. Rafik deve ser detido antes que provoque uma guerra.
Alkon toca em seu comunicador e ordena:
- Leve-nos para cima.
Na ponte, McCormick estava apreensivo. Uma nave de patrulha cardassiana estava ao alcance dos sensores. A número um ordenou para irem para o lado oposto do planeta para não serem detectados. A porta do turboelevador abriu e o grupo avançado reassumiu seus lugares.
- Voltaram na hora certa. Nave de patrulha cardassiana detectada. Ela ainda não nos detectou.
- Que bom. Eu gosto de um pouco de adrenalina correndo nas veias. Sr. McCormick, localize a nave maqui e marque um curso de interceptação.
- Afirmativo.
Assim que a USS Babel se move para caçar o fugitivo perde sua tênue camuflagem aos sensores cardassianos.
- Nave cardassiana está nos contatando, senhor -. Informa Klag.
- Ignore-os. Navegador, curso da nave maqui?
- Zero-quatro-sete-dois; marco dois. Ele está indo para Cardassia Prime. – informa o alferes Gilbert.
- Estimativa de chegada.
- A nave deles está em dobra dois. Deverão chegar em duas horas, quarenta e três minutos, vinte segundos.
- Dobra dois ponto cinco. Vamos pegá-los. - Após a ordem dada a nave sacoleja um pouco.
- Fomos alvejados pela nave cardassiana. Escudos resistindo. – informa Klag do posto tático.
- Informe que estamos perseguindo uma nave maqui que está indo para Cardássia Prime para cometer um ato terrorista. Requisite ajuda.
Antes que a mensagem possa ser transmitida são alvejados novamente.
- KLAG!
- Eu transmiti a mensagem... Espere, estão desabilitando as armas. Informam que irão nos ajudar. Frota cardassiana de defesa avisada.
Alkon sorri. Ele sabia que eles não teriam outra alternativa. Um ponto para ele.
Estação Nove
- Major! Nave saindo da fenda... Ela está camuflada. Está vindo direto pra cá em rota de colisão! Impacto em um minuto! – informou um desesperado alferes George.
- Erguer escudos! – a ordem de Kira foi dada no momento certo, pois, segundos depois, a estação sacode com disparos da misteriosa nave.
No centro médico, o dr. Bashir estava prestes a retirar a armadura de um soldado breen para realizar uma autópsia quando este some na sua frente. O mesmo acontecendo com aqueles que estavam nas unidades cryo e na ala de detenção.
[Odo para operações. Os prisioneiros breens foram teleportados. Os escudos não estão erguidos?]
[Bashir para operações. Todos os corpos de soldados breens sumiram. O que estará havendo?]
Kira não sabia o que dizer. Os breens violaram os escudos e levaram o que queriam. Os disparos pareciam dizer : “Não se metam conosco de novo. Assim que conseguiram o que queriam foram embora. Kira se sentiu impotente mas, devido as circunstâncias; parecia o menor dos males. Se os breens quisessem poderiam ter causado um dano maior. No final ficou aliviada por terem ido embora.
Cruzador cardassiano Temok´Bor
- Gul Gailor, uma nave patrulha informa que uma nave da federação está invadindo o nosso espaço. Alegam estarem perseguindo uma nave maqui.
- Enfim teremos um pouco de ação! Traçar curso de interceptação. Poderemos ficar duplamente contentes em destruir dois alvos com um só tiro!
O cruzador parte com intenções não muito amistosas. Apesar de Cardássia ter um tratado com a federação, eles não enguliam muito o apoio dado a Bajor, o que era um impecílio ao avanço do império cardassiano. Gul Gailor teria uma oportunidade de destruir uma nave da federação num “infeliz acidente” de combate com rebeldes da zona não tanto desmilitarizada. Um fato que não abalaria o tratado e traria um duplo prazer a Cardássia.
Na nave maqui
No antigo explorador USS Eufrates; Rafik e Jefferson tentavam fugir desesperadamente da USS Babel e da nave patrulha cardassiana sem êxito. Os tiros de phaser não causavam muitos danos aos escudos da nave da federação. Teriam que jogar pesado.
- Jefferson, prepare um torpedo. Vamos atingir a nacele da nave da federação. Depois atire no plasma que estiver vazando para causar uma boa impressão neles.
- Senhor, só temos dois torpedos. O segundo contém uma carga neutrolítica! Neutrolítica? – Jefferson parecia não acreditar naquilo que o painel do computador mostrava.
- Eu sei do perigo que isso representa. Este detonaremos próximo a Cardássia Prime. Com ele a guerra acabará e não precisaremos nos preocupar com os cardassianos por muito tempo. Agora faça o que eu mandei.
- Sim, senhor.
O torpedo foi programado e lançado. Em vinte segundos ele atingiria o alvo e a USS Babel poderia ser destruída dando a vantagem que Rafik precisava para concluir a sua missão.
Estação Nove
Mal a Orinoco aporta na estação, Odo e a equipe de segurança já os aguardavam para receber os prisioneiros.
- Estamos tendo dias agitados esta semana, não? Comenta Odo em tom jocoso com o chefe O´Brien enquanto encaminhava os prisioneiros para serem levados à detenção.
- Nem me diga. E eu que achava que eram só os painéis e circuitos cardassianos que me davam problema. Meus Deus! Eu realmente preciso tomar um café! – desabafou O´Brien.
Jadzia-Dax é a última a sair da comporta de descompressão e ao encontrar com o chefe de segurança pergunta logo:
- Como estão as coisas?
- Eu diria que está tão agitada quanto uma refeição klingon. Os breens apareceram, nos atacaram e foram embora levando todos os breens capturados, vivos ou mortos. Não conseguimos evitar. A ação deles foi rápida.
- Mesmo com os escudos levantados?
- Parece que eles possuem a mesma tecnologia dos Hunters do quadrante gamma. Isto não é estranho, uma vez que foram de lá que vieram.
- Se os Hunters fazem parte do Dominium, e os Breens estão se aliando a eles, não só a Federação, mas Bajor estarão seriamente ameaçados. Interrogue os prisioneiros e depois me mande um relatório. Estarei na operações.
- Entendido. Terá o seu relatório o quanto antes.
No centro de operações da estação Kira fica aliviada ao rever o chefe O´Brien e a tenente Dax.
- Que bom que voltaram! Vocês estão bem? Onde está Sisko?
- Não sofremos muito. Sisko continuou na Babel. Esperam poder deter Rafik. Ele escapou. – falou Dax.
- Torço para que eles consigam. Ah, chefe, já ia me esquecendo. Sua mulher ligou e pediu que falasse com ela assim que chegasse. – O´Brien agradece e procura um canal privado para responder ao chamado de sua esposa.
- Já conseguiram entender o que está ocorrendo? Como toda esta confusão começou?
- Pelo que deduzi os Breens estão se infiltrando no quadrante gamma e fazendo alianças com os maquis e facções do Dominium. Isto está enfraquecendo as forças cardassianas aqui deste lado e parece que nós seremos o próximo alvo.
- O Dominium prepara uma invasão? – Kira estava ficando verdadeiramente apavorada com a idéia.
- E Bajor poderá ser pego no fogo cruzado. Isto tudo parece ser um plano arquitetado para: nos testar, avaliar nossas fraquezas e para só então, mais tarde, haver o confronto decisivo.
- Para fazerem isso eles devem ter espiões por toda parte para saber que movimento fazer. Estão nos usando como peões em um jogo. Unem um cardassiano a um bajoriano para destruírem seus próprios governos. Breens atraem romulanos pra lutarem com a Federação. Usam os maquis para enfraquecerem as defesas cardassianas. – conclui o chefe O´Brien que volta a participar da conversa após fazer sua ligação.
- Acho que ter somente uma nave da Federação por aqui será pouco. Teremos que convencer Bajor, Cardássia e a Federação do grande perigo que iremos enfrentar. Por enquanto estão brincando conosco. – comenta Dax.
- Eles não nos ouvirão. Sabe como são os políticos e os militares. Vão esperar até que seja tarde demais. – Kira estava desanimada.
- O que podemos fazer? – perguntou O´Brien como se alguém soubesse da resposta.
- O jeito é esperar o desenrolar dos acontecimentos e não sofrer por antecipação. Enquanto isso, chefe... Vamos fazer algumas simulações com a polarização dos escudos. Talvez consigamos aumentar a sua eficiência.
USS Babel
- Torpedo vindo em nossa direção. Impacto em quinze segundos. – informa o oficial tático klingon.
- Podemos travar nele? – perguntou o capitão.
- Difícil precisar. Poderemos lançar dispersores.
- Execute!
- Sem efeito. Oito segundos para impacto.
- Detone um torpedo próximo e em seguida pule para dobra quatro em uma elíptica de sessenta graus.
Faltando seis segundos para o impacto a manobra foi executada. A USS Babel pareceu sumir do local da explosão o que confundiu os sensores da USS Eufrates.
- Para aonde eles foram? O torpedo não era tão potente para destruí-los. – Rafik não sabia o que pensar.
- De acordo com os sensores eles entraram em dobra antes da explosão. Tentaram nos enganar. – informa Jefferson.
- Desgraçados! Localize-os!
- Senhor... Temos mais um problema, na verdade mais dois. Um cruzador cardassiano e a nave de patrulha ainda estão nos seguindo. Estão atirando contra nós.
- Situação dos escudos?
- Oitenta e três por cento. Não agüentaremos muito tempo contra elas.
- Manobras evasivas delta-lâmbda. Atire com os phasers à vontade. Temos que passar Poe aquele cruzador para entregar o nosso pacote.
A pequena nave roubada da federação tenta romper o bloqueio cardassiano fugindo ao máximo dos disparos inimigos, todavia alguns os acertam.
- Escudos a setenta por cento. Estão muito próximos. Se lançarem um raio trator estamos perdidos.
- Não cheguei até aqui para falhar. Prepare o nosso torpedo especial.
- Vai detona-lo aqui? Ainda estamos longe do alvo. – diz Jefferson em discordância ao seu líder.
- Não temos outra escolha. As ondas da fenda sub-espacial criada irá em direção à Cardássia Prime tal e qual o efeito Nexus. Vá! Prepare logo este torpedo! Nossa vitória está nas suas mãos.
A nave sacolejava mais do que numa turbulência atmosférica. Os escudos não agüentariam por muito tempo. Todo sacrifício, todos os companheiros capturados ou mortos, tinha que valer a pena. Rafik não queria decepcioná-los e continuou firme no curso, nem que para completar a missão tivesse que sucumbir junto.
****
Capítulo XXVII
A USS Babel reduziu a velocidade e retornou o curso para interceptar a nave maqui.
- Todos inteiros? – perguntou Alkon depois da guinada que a nave deu.
- Senhor, eles estão sendo atacados por um cruzador e uma nave de escolta cardassianas. Parecem que não vão ter muita chance. – Klag com certeza demonstrava estar inteiro e reportando com a eficiência de sempre.
- Senhor Jared, abrir um canal para o cruzador cardassiano. – ordena o capitão Alkon.
- Freqüências abertas, senhor.
- Aqui é o capitão Dorian Alkon da nave da Federação USS Babel. Estamos reclamando esta nave maqui pra ficar sob nossa custódia.
- Estão respondendo, senhor.
- Ponha na tela.
-[Aqui é Gul Gailor da Temok´Bor. Vocês estão invadindo espaço cardassiano e estes terroristas estão em nossa jurisdição. Sugiro que dêem meia volta e não se intrometam; ou então seremos forçados abrir fogo contra vocês por violação do tratado.] – em seguida a comunicação é cortada antes que Alkon possa retrucar.
- Se me permite falar, capitão. – diz Sisko.- Eles estão com a razão. Isto é problema deles agora. Já fizemos a nossa parte.
O capitão volta a se sentar na cadeira um pouco desapontado com o conselho de Sisko. Quando se preparava para dar ordens de reverter o curso a nave foi atingida a bombordo sem nenhum aviso.
- Tiro a queima roupa! Conveses 8,9 e 10 reportando incêndios e feridos. Nenhuma baixa. Nave Breen se descamuflando. Vão atirar nova... – Klag não consegue nem terminar a frase e mal teve tempo de se manter em equlíbrio quando a nave sacudiu novamente. Alkon por sua vez também não conseguiu ordenar que erguessem os escudos. Todos na ponte caem ao chão com o impacto. As avarias eram grandes. Havia focos de incêndio por toda a parte.
- Erguer escudos! Erguer escudos! – grita Alkon finalmente em meio a grande fumaceira.
- Controles inoperantes, senhor! Sistemas de emergência estão travados! O painel está em curto, senhor. Não há nada que possa fazer daqui. – Klag estava frustado e com raiva por não poder agir.
- Engenharia! Preciso de força máxima nos escudos agora!
- Estamos com danos nas comunicações. – informa Jared.
- Faça com que nos ouçam ou morreremos todos! – Alkon enfatizou o momento crítico pelo qual estavam passando.
- Comunicações restabelecidas, mas está um pouco falha.
- Irão nos ouvir? – Jared respondeu balançando a cabeça afirmativamente. – Então é o que me basta. Naomi ? Precisamos que desvie energia de setores não vitais para os escudos.Força máxima.
Na engenharia a confusão não era menor. Um novo disparo os atinge, mas não impede que a tenente Silva cumpra a ordem dada.
- Escudos erguidos a setenta por cento, capitão. Não agüentaremos muito tempo assim. – diz a engenheira sendo realista.
Na ponte Sisko ajuda a apagar o fogo e ajudar os companheiros feridos. Ao erguer Jared, o Trill oficial de comunicações, teve a impressão de que ele estava fora de foco e sua aparência deformada. Depois percebeu que ele estava inconsciente e com várias queimaduras pelo corpo.Talvez a fumaça e a pancada que recebera na cabeça estavam confundindo o seu senso de realidade. Encaminhou-o à equipe de socorro que acabava de chegar à ponte.
- Leve-o para enfermaria. – olhou para o klingon que estava sentado e parecia tentar recuperar o fôlego. Segurou em seu braço tentando também ajudá-lo mas foi repelido. Alkon se aproximou e observou a cena. Klag também o fitou como se esperando alguma ordem. O capitão sorriu e estendeu a mão. O klingon aceitou o cumprimento levantando-se em seguida.
- Vá com os outros !
- Sou necessário aqui! – retrucou Klag.
- Se estivesse em condições sim. Provavelmente está com pelo menos duas costelas quebradas e preciso de pessoas inteiras.
Klag gruniu , mas cumpriu a ordem. Passou por Sisko e o encarou. Depois seguiu com os outros feridos para a enfermaria demonstrando certa contrariedade.
Depois que Klag tinha se afastado, Alkon teceu um comentário com Sisko.
- Os klingons tem um temperamento difícil. Não gostam quando o vêem vulneráveis. Já comandou algum?
- Ainda não. – responde Sisko com certo alívio.
Vinda de outro canto da ponte, Sarah ,ainda exibindo curativos da última batalha, assumiu o posto tático e acionou o controle de danos e as armas.
- Phasers operacionais. Sistema de lançamento de torpedos ainda inoperantes. Estimativa da condição verde em quinze minutos. Nave inimiga detectada e no alvo , senhor.
- Vamos entrar no jogo, número um. Fogo à vontade. – ordenou Alkon com certo prazer no olhar.
Sarah procurou atingir os motores da nave Breen ao mesmo tempo em que eles tiveram a mesma idéia. A nacele de bombordo da USS Babel foi destruída. A nave rodopiou e ficou sem controle por alguns segundos.
A nave Breen voltou a se camuflar e não mais disparou. Parecia que estavam tendo seus problemas também.
- Situação, número um!
- Incêndios nos conveses 13 e 15. Nacele de bombordo destruída. Vazamento de plasma de dobra. Temos apenas força de impulso. Armas operacionais daqui a dez minutos. Temos dez baixas e oito feridos sem gravidade. A dra. T´Vel informa que Jared está bem e sobreviverá.
- Entendido. Pode captá-los?
- Os sensores não estão funcionando, senhor. Na verdade nada está funcionando muito bem. Suporte de vida em quarenta por cento. A turma de reparos está reduzida e está tendo muitos problemas lá embaixo. Teremos que nos virar sem eles. Sugiro uma retirada.
- Concordo. Alferes Gilbert dê o máximo de impulso e siga para as coordenadas 1-2-4-2 marco 3. Corrigindo: 1-2-4-3 marco 2.
- Sim senhor. Contudo devo informa r que deixaremos uma trilha fácil de ser seguida com o vazamento de plasma de dobra.
- Estou ciente disto. Na verdade eu estou contando com isso. Agora cumpra a ordem.
- Sim, senhor.
Sisko tenta entender o que os Breens queriam agora.
- O que será que eles vieram fazer aqui? O que querem conosco?
- Não precisa ser empata para descobrir, comandante. Vingança. Simplesmente vingança.
- Então os cardassianos ficarão com os maquis afinal.
- Devido a nossa situação não temos condições de negociar isto agora. Esta eles ganharam.
Não muito longe dali o torpedo maqui foi lançado e a Temok´Bor tentou destruir o torpedo a caminho, mas só fez detonar mais cedo a arma mortífera. A explosão alcançou não só o cruzador como a nave de escolta. Ondas de grávitons estavam indo na direção da Eufrates também.
- Ponha-nos em dobra! – ordenou Rafik.
- Não dá! Motores danificados! Só temos impulso! – disse Jefferson desesperado vendo que sua vida estava por terminar ali.
Rafik só conseguiu tempo para observar a grande fenda espacial que provocara os engolir numa imensa luz cegante.
Na USS Babel
- Oh,oh! Isto é muito ruim. Muito ruim! – ficou repetindo a número um assim que McCormick reativou as conexões dos sensores em seu console.
- O quê? – perguntou espantado e curioso o oficial de ciências.
- O que foi, número um? Mais naves inimigas?
- Não senhor. Rafik detonou um torpedo com carga neutrolítica em cima dos cardassianos! Ondas de grávitons estão vindo em nossa direção!
- Este tipo de arma foi proscrito! Ele é um louco! Onde ele conseguiu tal coisa? – se pergunta Alkon.
- Parece que temos que nos preocupar ,neste momento, mais em escapar da onda de choque do que tentar descobrir quem forneceu a arma para ele. – esclarece Sisko.
- Tempo para impacto?
- Onze minutos. Os escudos não serão eficazes, senhor. – informa Sarah com uma raivosa impotência no olhar.
Alkon usa o comunicador em seu distintivo.- Naomi? Pode me ouvir? Naomi?
- “Sim, capitão. Aqui embaixo está uma bagunça! A refrigeração do núcleo de dobra foi danificada. Creio que não teremos tempo para consertar”.
A nave estava praticamente à deriva e prestes a explodir ou ser tragada por uma fenda espacial. Opção melhor seria um tiro de misericórdia vindo dos Breens.
- Naomi, temos uma fenda espacial vindo em nossa direção. O que faria com que ela se fechasse?
[Uma fenda? Nossa! Puxa, eu...Deixe-me pensar. Anti-matéria?] – raciocina a engenheira rapidamente.
- Bom, parece que não poderemos ir a lugar nenhum. Se lançarmos o núcleo do reator na fenda? Acha que poderíamos nos safar desta?
[Não custa tentar, senhor. Além do mais, não vejo outra alternativa. Iria ejetá-lo de qualquer forma para evitar uma explosão.]
- Grande. Mire naquela coisa. Temos menos de nove minutos.
- Sisko pensava em Jake. O garoto não podia ficar órfão de pai também. Não agora. Por que é que ele tinha que se meter a herói? Por que não voltou com o chefe O´Brien para a estação? Talvez as respostas estejam em seu uniforme e tudo o que ele significa.
McCormick se sentiu na obrigação de informar as conseqüências da ação a ser executada.
- Senhor, devo informar que seremos colhidos por uma grande onda de choque que nos colocará sem rumo no espaço, isto se não partir o nosso casco de uma vez.
- Lacrar diário de bordo e lançá-lo. Será que podemos fazer mais alguma coisa, senhor McCormick?
- Rezar ajudaria.
- Então façamos as nossas preces.
Os próximos sete minutos foram os mais longos da vida de todos ali naquela ponte. Na iminência da morte parecia que o tempo andava devagar. Até que sobreveio a explosão esperada. A onda de choque arremessou a USS Babel a milhares de quilômetros da sua posição inicial. Apesar dos motores estarem danificados, estavam ainda se deslocando. A inércia decorrida da colisão com a onda de choque os estava fazendo viajar a força de impulso fator dois.
O casco evidentemente não havia rompido. Refeito mais uma vez de um grande sacolejo, Alkon percebeu que sua missão tinha sido cumprida.
- Algum sinal dos Breens? – Os alienígenas de armadura ainda eram uma preocupação.
- Não, senhor. Possivelmente fugiram ou também foram pegos pela onda de choque. O mesmo não posso dizer de Rafik e das naves cardassianas. Eles foram pegos pela fenda. – responde a número um.
- Bom parece que resolvemos o nosso problema por aqui. Contudo fique atenta aos sensores assim mesmo. Aquelas latas velhas sabem ser muito inconvenientes quando querem. Espero não vê-los tão cedo. Propulsão?
- Só temos os manobradores. Traçando curso para a fenda espacial. Em nossas condições só chegaremos lá daqui a oito anos, senhor. – informa um triste alferes Gilbert.
- Não se preocupe, alferes. Amanhã já teremos quem nos reboque, não é mesmo comandante?
- É verdade, mas não ficaria muito feliz com isso. O senhor terá muito o que explicar a almirante Nechayev e eu também.
- É mesmo...Bom, deixemos estas preocupações para mais tarde. Sarah... Assuma o comando. Estarei... Pela nave. Vou verificar as avarias e o andamento dos reparos. Comandante Sisko...Fique a vontade.
O capitão Alkon já se dirigia ao turbo-elevador quando lembrou que ele estava inoperante. Teve que usar a escada de emergência. Desceu três conveses até achar um elevador que funcionasse. Rumou direto a engenharia. Ao chegar viu a tenente Silva com um ombro deslocado removendo os escombros e dando ordens.
- Como estamos por aqui ? – Alkon se afasta no último momento antes de receber uma pancada de uma haste metálica na barriga.
- Oh, senhor, me desculpe. Eu não o vi. Parece que não estamos muito bem. Talvez se realizarmos um bazar possamos vender alguma coisa para os ferengis.
Ambos riram da piada. Precisavam aliviar a tensão daqueles momentos difíceis.
- Se o senhor quer um relatório completo terá que esperar um pouco. Sei que temos cinco feridos e dois mortos. O alferes Dixon e a alferes Kayla. Eles eram bons, senhor. Eles... – Naomi estava prestes a chorar quando Alkon a abraçou. Ele mais do que ninguém podia captar a dor que estava espalhada pela nave. Naomi enxugou as lágrimas e continuou o seu relatório informal.
- Pelo menos não explodimos. Demoraremos pelo menos uma semana para colocar a engenharia e o resto da nave operacional. Ou pelo menos quase. Teremos que rumar para uma base da federação para completar os reparos.
- Isto será feito. Por enquanto se apresente a Dra. T´Vel e vá cuidar deste ombro.
- Mas, capitão...Tenho ainda muito trabalho para...
- Tenente...Isto é uma ordem. Vá ver a doutora. Eu mesmo ficarei por aqui ajudando. Já fui assistente de um chefe de engenharia que foi aluno do grande Comandante Montgomery Scott. Creio que tenha aprendido bem este ofício.
- Muito bem, senhor. Mas não quebre nada. – Naomi sorri e dá um pedaço do que sobrou de um painel para o seu capitão segurar. Era bom que ela mantivesse o bom humor. Seria bom se todos conseguissem. Antes que a engenheira deixasse a engenharia o capitão a chama de volta.
- Tenente Silva. Gostaria que me esclarecesse uma questão. O que aconteceria se tivéssemos sido pegos pela fenda espacial?
- Não tenho certeza, senhor. Poderíamos ser destroçados ou até sermos deslocados no tempo-espaço. Ninguém nunca arriscou. Pelo menos não conheci nenhum registro de tal fato.
- Entendo. O fato de termos detonado uma grande carga de anti-matéria anulou a energia da fenda ou a teria deslocado no tempo?
- Bom, senhor. Não há como saber. Do nosso ponto de vista ela foi anulada.
- Do nosso ponto de vista...Sei...Tudo bem, vá logo cuidar deste ombro.
- Sim, senhor.
Alkon ficou pensando na segunda alternativa. Se a fenda tivesse viajado no tempo? Onde ela estaria agora? No futuro? No passado? Em outro universo? Que implicações isto teria?
****
Capítulo XXVIII
Estação Espacial Nove – Dois dias depois
Kira entra na sala de Sisko com os últimos informes.
- O capitão da USS Próxima está de partida levando o pessoal da USS babel. O capitão Alkon o espera na torre de atracação sul para se despedir.
- Entendido. Irei imediatamente. – Sisko não estava com uma cara muito boa. Kira sabia que tinha a ver com a ligação que ela acabava de passar da almirante Nechayev.
- A almirante parece não ter recebido bem o seu relatório sobre a missão no quadrante Gamma.
- Está tão visível assim? Na verdade ela foi bastante razoável, devido às circunstâncias, mas não hesitou em me repreender. Eu detesto ser chamado a atenção. Esses burocratas da Federação ficam jogando seus joguinhos táticos e esperam que nos comportemos como bons peões.
- Por que o senhor aceita isso?
- Aceitar? Em pouco mais de um ano sentado nesta cadeira eu desrespeitei mais códigos da Federação do que sonharia antes de aceitar este cargo. Sabe por quê? Porque os mesmos regulamentos da Frota também permitem usar o bom senso.
- Se isto faz o senhor feliz... – diz a major dando de ombros.
Sisko e Kira saem do escritório e ao descerem os degraus Jadzia-Dax interpela o comandante para finalmente revelar o acordo que fizera com Quark.
Kira e O´Brien observaram o momento a distância e sentiram os seus tímpanos doerem quando Sisko reagiu a história que foi contada.
- VOCÊ O QUÊ ? – o berro de Sisko assustou a todos e momentaneamente todos pararam de fazer o que estavam fazendo.
- Entenda, Ben, não tive outra saída!
- Pelo que sei, tenente, a senhora não está autorizada a fazer dívidas em nome da Federação ou da Frota. Era só o que me faltava! Esta, meu velho, você mesmo irá pagar. – Sisko deu as costas e desceu pelo elevador berrando: - AO TRABALHO! – gritou para todos que estavam olhando a conversa.
Dax ficou perplexa com a atitude de Sisko. Entendia, porém, que não poderia apóia-la depois de ter desobedecido a ordens superiores. Como ele iria explicar à Frota e a Federação que deveriam pagar a um ferengi e a um grupo de mercenários 30 barras de latinum ?
- Como eu vou pagar isso ? – se perguntou a tenente a si mesma em voz alta.
Kira se aproximou e cochichou em seu ouvido. Depois as duas começaram a rir. O chefe O´Brien ficou curioso. O que as duas estariam tramando ?
O capitão Dorian Alkon e a sua imediato estavam conferindo o embarque de sua tripulação e dos dignatários da Federação. Pode ver, ao longe, no corredor a tenente Allison sendo escoltada pelo Dr. Bashir.
- O senhor tem sido muito atencioso, doutor, obrigada.
- Não tem de que. É o meu trabalho. Espero poder vê-la em breve...e inteira. Promete ?
- Farei o possível. O senhor sabe... Servindo à Frota nunca sabemos onde poderemos estar amanhã.
- É mesmo. Mas por favo, me chame de Julian.
- Tudo bem dout...Julian. Obrigado mais uma vez.- Allison sorri e beija a face esquerda do doutor que fica suspirando e imaginando ter feito mais uma conquista amorosa.
Ao se aproximar da comporta o capitão pergunta:
- Ganhou um admirador, “marinheira” ?
- Quem ? O doutor? Não. Ele não faz o meu tipo.
- Tenente... É um prazer tê-la de volta. – diz o capitão.
Allison agradece e entra pelo túnel de atracamento. No caminho vê o emissário vaaliano que tanto queria conhecer, mas não tivera oportunidade.
- Você é vaaliano, não ? – procura puxar conversa.
- Sim.Meu nome é Markiri. Em que posso servi-la? – diz o jovem inocentemente.
Allison cruza seu braço no dele e começa a ter pensamentos não tanto virtuosos. Certamente aquele era o seu tipo de homem. “Em que posso servi-la?” Não era uma gracinha ? Pensou ela ao caminhar de braços dados com ele pelo túnel de atracação até a nave.
Sisko chegou logo depois para se despedir.
- Oh, comandante, que bom que pôde vir. – diz Alkon apertando-lhe a mão efusivamente.
- Claro! Não deixaria de me despedir de meus novos amigos.
- Obrigado por tudo que fez, comandante. Em meu nome e da minha tripulação.
- Não foi nada. Só cumpri com o meu dever. Promover a paz e as boas relações neste setor.
- O senhor é muito modesto.
Os dois últimos oficiais da USS Babel deixam a estação. Sisko se volta para outras preocupações como retomar uma partida de baseball com seu filho.
No bar do Quark o plano de Kira e Jadzia estava em andamento. Acompanhando tudo também estava O´Brien e, é claro, Odo.
- DABO! – gritou Jadzia após ganhar sua segunda partida.
Quark estava contente. A casa estava ficando cheia. Quando a tenente aparecia por lá a notícia corria rapidamente pelo promenade e mais e mais fregueses chegavam a cada minuto. Aquela mulher Trill tinha as suas qualidades apesar de nunca ter se rendido a nenhuma de suas cantadas.
Em volta da mesa estava o grupo de mercenários que continuavam a beber e comer por contra de Quark. O ferengi se aproximou de Jadzia e perguntou mais uma vez pelo seu pagamento.
- Calma, Quark. Já vou pagá-lo. Deixe-me terminar mais esta jogada. Parece que estou com sorte hoje.
- Muito bem. Apostas encerradas. – Quark rodou a roleta e...
- DABO! – gritou a favor da tenente. Ela ganhara mais uma vez. Era hora de substituir a sua crupier pelo seu irmão Rom. Quark fez um sinal que foi percebido por Odo que seguiu o pequeno ferengi e o impediu de ajudar o irmão. Quark ficou furioso. Ele mesmo assumiu o controle da mesa. Quando ia acionar seu dispositivo secreto de trapaça abaixo da mesa, Kira segurou a sua mão e sorriu. Quark devolveu o sorriso um pouco sem graça. Ele então percebeu quem realmente pagaria a conta afinal. Girou a roleta mais uma vez e... DABO! Jadzia ganhara de novo.
- Aqui está Quark. Suas trinta barras de latinum. Sabe o que mais gostei neste acordo? É que terei que vir aqui mais seis dias seguidos, conforme prometi a você. Como você sabe Dabo é bastante divertido, não é ?
- Divertido? É. Parece que terei que compensar aumentando o preço das bebidas.
Dax e Kira se retiraram rindo. Fazer Quark pagar a própria dívida tinha sido uma idéia genial.
Odo escondeu um controle remoto do dispositivo da roleta. Ele sorriu para as duas quando elas passaram. Ele adorava passar a perna no Quark.
Khalir, a klingon mercenária, se aproxima de Quark, segura a sua mão e arranca o pagamento prometido. Quark suspira.
- Vem fácil, vai fácil.
Odo também se aproxima com um certo sorriso vitorioso no rosto. Era hora do golpe de misericórdia.
- Você está se divertindo com tudo isso, não? Aposto que isto foi idéia sua!
- Me divertindo? Não, não tenho tempo para estas coisas. A idéia não foi minha, mas parabenizo quem a teve. A propósito, aquelas restrições voltam a vigorar a zero hora de amanhã. Considere isto uma cortesia devido a sua ajuda e aos seus recentes...prejuízos.
- Mas isto é daqui a duas horas!
- Então aproveite bem o tempo que resta. Ah, sugiro que retire aquele dispositivo debaixo da mesa de Dabo. Não acho que algum cliente seu gostaria de saber que você trapaceia. – Odo então deixa também o bar.
- Vai, vai embora seu...Seu Judas! Seu Pataki transmorfo! É nisso que dá a gente querer ajudar os outros! – Quark estava furioso.
- Posso ajudar em alguma coisa, maninho? – Rom havia chegado em uma péssima hora.
- Onde você estava quando o chamei ? – Quark começa a dar-lhe cascudos e a empurrar-lhe de volta ao balcão do bar prometendo descontar do seu salário os prejuízos que tivera.
Do lado de fora do bar, no promenade, Jared, o Trill oficial de comunicações da USS Babel, em roupas civis, caminha soturnamente em direção a ala de embarque e quando avista algumas caixas sendo embarcadas em um cargueiro Kobheriano, surpreendentemente se transforma em uma delas, sem que ninguém o veja. O espião metamorfo encontra um meio de voltar ao quadrante Gamma com valiosas informações sobre o outro lado da fenda espacial. Seus superiores saberiam usa-las quando o momento fosse propício.
Base Estelar 41 – Duas semanas depois
Sarah e T´Vel esperavam o resto do pessoal de comando da USS Babel no bar panorâmico da estação. Os dois primeiros a chegar foram McCormick e Allison.
- Onde estão os outros? – perguntou Sarah.
- Não sabemos. Eles devem chegar logo. Atendente, por favor. - McCormick estava com fome e foi logo fazendo o seu pedido.
Instantes depois se aproximam a tenente Naomi e Klag. O grupo os cumprimenta. Todos procuram se sentar em volta da mesa que já ficava um pouco pequena para aquele reeencontro.
- E Jared ? Ele não vem?
- Não. – informou Klag secamente. – Soube que ele pediu transferência. Ele não agiu corretamente com o capitão. Alegou incompatibilidade.
- Não o censuro. Ele foi pressionado pela almirante Brand. Não sabia o que fazer. – comentou McCormick.
- E o capitão? Alguém sabe dele? Eu não o vejo... – Allison não completa a frase. Quem a faz é a vulcana T´Vel.
- ...desde o funeral dos nossos colegas mortos em combate. Ele ficou recluso desde então. Tentei falar com ele, mas não fui recebida. Acho que sente remorsos pelas vidas que não pôde salvar.
- É algo com o que um capitão tem de conviver. Algumas decisões que são tomadas nem sempre são as mais justas, mas são as únicas que podem ser executadas em um determinado momento. – diz Sarah tentando justificar as atitudes de seu superior.
- Não era hoje que ele iria receber a resposta da denúncia feita aos almirantes Brand e Leyton? – lembrou McCormick.
- Sim, é claro. O pouco que conheço dele me diz que, qualquer que seja o veredicto, ele passará por aqui por isso pedi que viessem. Ele precisará de nosso apoio. – explica Sarah.
Ela estava certa. Dez minutos depois o capitão Alkon, em trajes civis como os deles, entrava no bar e dirigiu-se ao balcão para pedir um capuccino com bastante creme.
Todos os seus colegas foram ao seu encontro.
- Capitão, como está o senhor? – Allison tentou quebrar o gelo, mas pela cara de Dorian ela não conseguira anima-lo com sua simpatia.
- O senhor está bem? – perguntou Sarah.
- Como foi a reunião? – perguntou McCormick em seguida.
- Ei, calma. Um de cada vez. Sim, eu estou bem. Um pouco aborrecido talvez, mas vou sobreviver.
- Quando iremos zarpar novamente? – perguntou ansiosamente Naomi.
- A USS Babel não irá partir novamente. – respondeu Alkon deixando todos apreensivos.
- Como assim? – perguntou Sarah intrigada.
- Ela levará mais dois meses em reforma. A classe Akira entrou em operação há sete anos.Ela foi projetada para fazer patrulha de fronteira não para combates. Contudo algumas foram para o setor Typhon para tentar conter a invasão Borg por serem rápidas. Seu projeto inicial é tão antigo quanto a Constitution, a Constelation ou a Excelsior foram. Vocês sabiam que o projeto desta nave é uma homenagem a primeira nave que a frota lançou para o espaço profundo em 2151? Bom, a verdade é que não querem investir muito nela agora. Estão com outros projetos em mente. Naves menores e mais rápidas. Ai! Isto está bem quente! – diz Dorian ao queimar a língua tomando um gole de café. – Além do mais não serei mais o seu capitão.
- Eles o exoneraram por causa da denúncia? – perguntou Allison sem pudores.
- Quase. Como vocês sabem foi a minha primeira missão como capitão e como diziam os antigos : “ A primeira impressão é a que fica.”
- Mas o senhor salvou a nave, os diplomatas, os romulanos, prendeu terroristas, evitou uma catástrofe! Nada disto conta? – Sarah estava indignada.
- Oh, é claro que contou. Principalmente ter salvo os diplomatas. Algumas recomendações de alguns deles fizeram que mantivesse o meu posto. Mas sabe aquelas medalhas? Esqueçam! Toda a nossa missão foi considerada secreta então não poderemos ser condecorados. Contudo receberão recomendações em suas folhas de serviço , o que poderá fazer com que sejam aceitos nas melhores naves da frota. Quem sabe até na Enterprise. Quanto a minha denúncia... Ela foi indeferida por falta de provas. A almirante Brand nunca ouviu falar de Jared e sua folha de registro desapareceu dos bancos de dados da Frota. Por pouco não fui processado por calúnia e difamação. Ah, também estive perto de uma corte marcial.
- Mas para onde iremos? – perguntou perdidamente Naomi.
- Ficaram de me oferecer outra nave. Uma menor. Talvez uma nave científica. Nada de patrulhar setores perigosos. Quanto a vocês estão livres para escolherem seus destinos.
- Somos um time. Para aonde o senhor for nós iremos! – falou Allison pelo grupo com tanto entusiasmo que os demais não retrucaram.
- Me sinto lisonjeado pela confiança. Sei que você, Sarah, gostaria de ficar onde a ação está acontecendo. Não a censurarei se quiser ir para uma outra nave.
- Não, senhor. A ação estará onde estivermos. Ademais não quero deixar o meu posto de imediato.
- Nem eu gostaria de ter outra pessoa em seu lugar. – diz Dorian apertando-lhe a mão quando Sarah esperava que a beijasse. Logo todos colocam suas mãos sobre as deles. Estava criada mais uma família na Frota.
****
Epílogo
BASE ESTELAR 41 – DOIS DIAS DEPOIS
O grupo se reuniu outra vez. Desta vez todos uniformizados para atenderem ao chamado da almirante Nechayev.
- Chamei-os aqui porque foram designados para uma nova nave. Capitão Alkon... Esteja a vontade para escolher o resto de sua tripulação. Não muitos pois sua nave é pequena. – A escotilha atrás deles é aberta e podem vislumbrar a nova casa deles pelos próximos anos. O vislumbre da nave faz com que os oficiais saiam, por um momento, da forma. Percebendo a ansiedade dos oficiais a almirante deixa de lado o protocolo.
– Podem ficar a vontade. Apresento-lhes a USS Albedo. Número de série NCC 72282, classe Nova. Cento e sessenta e cinco metros de comprimento. Oito decks. Tripulação de oitenta pessoas mais vinte oficiais. Sua primeira missão será investigar o sistema Devron. A Enterprise detectou, recentemente, uma anomalia espacial naquele setor. Queremos que vocês a monitorem. Boa sorte a todos!
Assim que a almirante se retira , McCormick, Allison, Naomi e até Klag se aproximam da escotilha para admirar a nave mais de perto.
- Parece que eles gostaram. – diz Sarah satisfeita com que via.
- Sim. E a senhora, doutora, o que achou?
- É apenas uma outra nave, nada mais.
- Desculpe, esqueci que vulcanos não se apegam a coisas materiais. - lembra Alkon
- Isto seria ilógico!
- Certamente. – sorri Sarah.
- Bom, senhores. Ouviram nossas ordens. Vamos lá. Dessa vez vamos manter esta inteira. –ordena Alkon.
- Amém. – disse Naomi.
EM ALGUM PONTO DO UNIVERSO A OITENTA E SEIS ANOS ATRÁS
PONTE DA USS ENTERPRISE-B
-Estamos captando um pedido de socorro, capitão! – informa um alferes desesperado.
- Vamos ouvi-lo.- o capitão Harriman estava desconcertado. Não esperava entrar em ação, não na frente de todos aqueles repórteres e convidados, em sua viagem inaugural.
[Nave de transporte Lakul...Fomos apanhados por uma espécie de distorção de energia... Não conseguimos nos libertar...] – a transmissão estava ruim, mas Harriman podia perceber que a situação da Lakul era pior ainda.
- Pode localizá-los?
- Afirmativo, senhor. Eles não agüentarão muito tempo.
- Envie um sinal para a nave mais próxima. – Harriman estava suando. Isto tinha que acontecer logo hoje? Logo durante a visita dos mais legendários capitães da Frota?
- Somos a única nave dentro do alcance deles, senhor.
O capitão Kirk estava agitado em sua cadeira. Estava quase assumindo o comando ante a hesitação daquele jovem capitão atrapalhado.
- Bom...então...Parece estar por nossa conta. – sorriu para os repórteres e ordenou:
- Traçar curso para intercepta-los. Dobra máxima!
Scott não se conteve e teve que fazer um comentário capcioso:
- Tem algo errado na sua cadeira, capitão? – no fundo ele sabia dos sentimentos de Kirk, mas eram outros tempos agora. O deles haviam passado, por mais dolorosa que a realidade poderia parecer.
Harriman não conseguia conceber de onde surgira aquela fenda espacial. Enfim, uma de suas missões básicas era de investigar anomalias como estas e atender a pedidos de socorro. Apesar da nave não estar pronta e estar sendo pilotada por cadetes recém-formados, ele seguiu em direção ao seu destino. Se tivessem sucesso naquele resgate contaria pontos na carreira de todos, principalmente na dele. Ganhariam, talvez, algumas medalhas.
Por algum motivo aquela fenda surgiu e talvez, pensou Harriman, seria para lhe deixar famoso.
FIM
Texto escrito originalmente entre 04 de maio a 28 de julho de 2001.
Marcos Chiara
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1* Do episódio “Rules of acquisition” - Regras de aquisição – Foi ao ar originalmente em 1993 nos E.U.A.
2* Do episódio “Dramatis Personae” - Foi ao ar originalmente em 1993 nos E.U.A.
3* Grupo extremista Bajoriano que tentou derrubar o governo provisório em 2.369 com a liderança do ministro Jaro Essa e controlar a estação nove. Kira, com o apio de Sisko conseguiu expor Jaro e dissolver o grupo. Do episódio “The Homecoming” e “The Circle” que foram ao ar originalmente em 1.993.