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INFORMAÇÕES    
Autor: Carlos Santos.
Título: Decisões.
Publicação: 06/07/2006.
Categoria: Jornada nas Estrelas.
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USS Avenger - Nível...
JORNADA NAS ESTRELAS      
USS AVENGER - Decisões.
Por: Carlos Santos.

Imagem da Internet.
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Novela dividida em dezoito capítulos. Aguarde a página carregar.

A USS Avenger está pronta para seu último teste antes de ser comissionada, comandando está nova nave está o Capitão Philip Hendrik, que tem a sua disposição uma tripulação formada em sua maioria por cadetes recém saídos da Academia, porém seus oficiais comandantes lhe reservam várias surpresas, conheça personagens cativantes como a Dra. Carter e o Piloto Alejandro Iglesias. Decisões, conto onde um teste da Federação se transformara em uma aventura mortal.

O Espaço, a fronteira final...

A anos atrás estas palavras iniciaram uma jornada que tem acompanhado o imaginário coletivo de milhares de fãs da Serie Star Trek. Surgiu então um fenômeno da ficção cientifica que após 3 décadas continua vivo e nos proporcionando um rico e maravilhoso universo que seduz novos admiradores a cada dia. O conto baseado em Star Trek "Decisões" é uma pequena contribuição a este universo que tem demonstrado cada vez mais espaço para acolher as "Infinitas diversidades em suas infinitas combinações".

Gostaria de prestar aqui meus agradecimentos a Lorna Dannan, da Base Espacial Antares que me incentivou a escrever esta estória além de ter cooperado todo o tempo dando sugestões, apontando falhas e principalmente permitindo a citação do termo Dissuasão, contribuição dela e de sua amiga Silvia Santos através de seus contos - New Explorers - e que na minha opinião permitiram a criação dos personagens mais interessantes de "Decisões". A ela e a todos aqueles que dispensarem um pouco de seu tempo para ler este conto o meu muito obrigado. Fica também o pedido que sejam enviadas criticas e comentários que possam vir a acrescentar melhorias e outras possíveis estórias que possam vir a surgir.

A Todos vocês Vida longa e Prospera.
Carlos Santos

****

Capítulo I.

O dia estava claro e o céu apresentava uma coloração de tom avermelhada comum no planeta devido a composição de sua atmosfera. Thassos era um planeta difícil de explicar. Classe M, tinha uma distribuição equilibrada no que se refere a composição entre a área coberta pelo mar e sua extensão de terra. Metade da área do planeta estava sob água enquanto a outra metade se dividia em 8 continentes. Do platô onde havia sido instalada o centro de observações da colônia podia-se avistar uma vasta floresta tropical de milhares de quilômetros que rapidamente se perdia do alcance da visão cortada por um emaranhado de rios de águas claras. Olhando na direção contraria podia-se avistar uma grande planície de vegetação rasteira. Aquela era a montanha mais alta da cordilheira onde estava o centro de operações da expedição e que dividia duas paisagens tão distintas, e esta podia bem ser a síntese de Thassos ; Em um momento céu claro, limpo, um dia perfeito, no outro fortíssimas tempestades tropicais e intensos campos eletromagnéticos. O hemisfério Sul onde estava a base era habitável, mas o hemisfério norte era um amontoado de rochas e constantes erupções vulcânicas seguidas de tremores de terra. Ainda não havia sido possível fazer uma avaliação melhor do planeta, mas algumas teorias haviam sido levantadas. Acreditava-se que tanta instabilidade e disparidade de condições se devesse ao fato de ser um planeta de formação recente, devido a isto a intensa atividade vulcânica e sísmica por conta do assentamento das camadas internas, entretanto isto não explicava as condições tão dispares entre os dois hemisférios e os estudos neste sentido só poderiam começar quando chegasse o restante da equipe de pesquisa e para isso era necessário estabelecer as melhores condições possíveis para que se pudessem trazer mais pessoas para aquele lugar. Este era um dos motivos daquela base ter sido montada ali. Os técnicos e oficiais da frota deveriam primeiro estabelecer uma base de observações naquele local. A seguir, iniciar um levantamento do hemisfério sul, incluindo as condições climáticas no período de 2 anos terrestres, que era o tempo que o planeta levava para completar sua orbita em torno do Sol daquele sistema. A terceira fase deveria mapear o hemisfério norte, mas só começaria em mais 6 meses pelo menos. Se tudo desse certo, Thassos seria uma excelente fonte de energia geotérmica e poderia ser usado como colônia da federação e porto para naves estelares em missões de exploração de longa duração. Todos os alojamentos, escritórios e laboratórios foram construídos em módulos de apenas um andar devido a instabilidade da superfície. Devido as condições existentes a frota disponibilizou uma nave de escolta e duas naves auxiliares do tipo explorador para o planeta, pois haviam poucas informações e tudo ainda eram muito imprevisível, além disto havia mais um bom motivo para precauções. Thassos era a base mais distante de qualquer posto de federação e estava a dois dias da Zona neutra Romulana em dobra 5.

Eram as primeiras horas do dia, que no caso de Thassos durava cerca de 16:00hs, e as equipes estavam recomeçando seu trabalho, a maior parte do pessoal ainda era de apoio por isto a grande quantidade do oficiais membros da frota estelar. Estavam ainda no fim da fase de implantação da colônia,e os cientistas ainda eram poucos. A Dra. Kyle Monroe primeira geóloga a chegar ao planeta, o Tenente Krieg, responsável pela segurança do grupo, o Dr. Takeda, médico, Jason Thompson, responsável pelas expedições de reconhecimento, Tenente Reyad

Bajoriano, chefe de operações eram os lideres da expedição, estavam reunidos para repassar os planos para aquele dia.

- ... então iremos até o limite da floresta, onde se inicia a área arenosa e embora usemos os exploradores, parte da rota terá de ser feita a pé, pois Karina pretende recolher algumas amostras da vegetação. - Disse Kyle.

- Percurso perigoso, Dra. As áreas próximas a Dite são sujeitas a erupções de vapor e explosão de gases. - Dite, a cidade do 7º circulo do inferno de Dante Alighiere, apelido atribuído por alguns pesquisadores terrestres devido as altas temperaturas ali encontradas era o local ao qual se referia Thompson, seguido por Reyad :

- Jason esta certo, Dra. Mesmo para os exploradores, é arriscado andar tão perto de Dite. Eles ficam muito sobrecarregados quando operam dentro da atmosfera. Nossa ultima expedição quase teve baixas por termos chegado tão perto.

- Concordo com vocês, mas estamos completando a fase dois, e isto significa que em breve vamos começar a mapear o hemisfério norte. Já conhecíamos os riscos e agora vamos ter que dar conta deles, e por falar nisto, pelo que soube o estado de Helen e Malcon melhorou, não é Dr. ?

- Sim Kyle, eles estão bem melhor, mas os danos causados são muitos. A explosão de gases os pegou com muita forca. Ficarei mais aliviado quando eles forem levados para tratamento. Alguma noticia da frota estelar ?

- A frota vai mandar uma nave para buscar os feridos. Ainda não sei ao certo qual, mas acredito que seja a Bozeman. - Krieg informou com sua habitual objetividade. Desde o acidente com o grupo ele assumiu uma postura mais fechada do que de costume, pois sentia-se meio culpado pelo que aconteceu. Kyle havia notado isto e tentava animar o oficial.

- Você não pode ficar se culpando pelo que aconteceu, Krieg. Foi um acidente.

- Eu devia cuidar da segurança de vocês, e eles quase morreram.

- Foram descuidados e você não pode fazer nada sem colaboração de todos, agora preciso que você destaque um grupo se segurança para ir com a equipe de pesquisa. É possível?

- Claro Dra.! Considere feito.

- Bem, precisamos acertar os detalhes, para a expedi...... - Kyle foi interrompida por um barulho ensurdecedor, seguido de um silvo longo. Instintivamente todos olharam para o alto a tempo de ver o rastro em forma de uma bola de fogo que cruzou o céu de Thassos. Uma massa não identificada envolta em chamas que desapareceu tão rápido como surgiu e enquanto as pessoas tentavam entender o que estava acontecendo, Reyad entrou em contato com o grupo de observação para tentar descobrir algo.

- Reyad chamando posto numero 1. O que foi isto David ?

- Passou muito rápido e em chamas, mas parecia uma nave de algum tipo. - Respondeu o atônito oficial que estava de serviço no posto.

- Nave ?

- Eles não tem certeza, mas é o que parece. Não temos equipamento para rastrear atividades fora da atmosfera.

- Atmosfera !!! - Disse Kyle - Talvez possamos descobrir alguma coisa. Vamos a estação meteorológica.

Ninguém entendeu muito o que ela queria dizer, mas a seguiram enquanto cada um ia formando uma teoria diferente para o que acabara de acontecer, que por mais diferentes que fossem terminavam em Romulanos. Kyle entrou apressada no modulo onde estava a estação meteorológica, e percebeu que Sakati já havia chegado lá e estava debruçado sobre os instrumentos. Dirigiu-se a ele perguntando ao Vulcano :

- Parece que algum tipo de nave caiu no planeta. Será que podemos descobrir algo com o equipamento que temos ?

- É possível Dra. Estou trabalhando nisto.

- Alguém pode explicar o que estão fazendo ? - Takeda estava aflito. - Sakati começou a falar sem tirar os olhos dos instrumentos.

- Não temos instrumentos que permitam rastrear e identificar um veiculo espacial, supondo que foi isto que vimos em chamas, entretanto, temos varias estações meteorológicas no planeta monitorando as variações climáticas. Estas estações devem ter captado os distúrbios causados pela entrada violenta do de tal veiculo na atmosfera. O vortex seria fortíssimo, deixando uma espécie de rastro que seria seguido pelas sondas.

- E que tipo de informação acha que pode conseguir ? - perguntou Reyad impaciente pela dissertação do Vulcano.

- As sondas estão indicando que o objeto entrou na atmosfera na posição 193.5, seguindo um curso 104, descendente, porem relativamente controlado a uma velocidade do 800 Km por hora. Pelo Vortex gerado e quantidade de calor calculo a massa do veiculo em 250 toneladas.

- Bem já sabemos que a coisa era realmente uma nave espacial, mas de onde? - era a voz de Takeda ainda tenso. - Será que são Romulanos ? Sakati então prosseguiu :

- Levando em consideração que o equipamento não é apropriado, podemos usar os marcadores de radiação para fazer uma analise do rastro de partículas deixadas pelo veiculo e elas indicam uma assinatura diferente do que conhecemos da tecnologia dos Romulanos, porem devo ressaltar que conhecemos pouco a respeito da tecnologia deles.

- Bom, já uma boa noticia, graças a Deus !

- Senhor Krieg, não existe nenhuma divindade envolvida em meus cálculos.

- Esta bem, esta bem. Da para ter uma idéia de onde caiu ? - Perguntou Kyle.

- Bem no meio de Dite.

- Precisamos ir até lá e descobrir o que aconteceu.

- Dra., não posso concordar com isso. Só o que temos são uns poucos dados e muitas suposições. - Pode ser Qualquer coisa, e alem do que o objeto caiu bem no meio do inferno. - Krieg demostrava sua preocupação com a idéia da Dra. Kyle de ir até o local da queda do objeto.

- Tenente, entendo sua preocupação, mas se forem amigos pedem precisar de ajuda, e se forem Romulanos ou qualquer outra coisa, então é ainda mais importante que saibamos o que aconteceu ao certo.

Reyad interveio :

- Krieg, por mais que eu não goste disto, ela tem razão. Precisamos saber o que aconteceu. Vamos formar um grupo de busca e usar os dois exploradores, um deles vai entrar no região para a busca e o outro ficara aguardando a uma distância segura, para o caso de uma eventualidade. A Dra. Kyle, eu, o Dr. Takeda, Sakati e mais uma equipe de segurança iremos primeiro no Greendevil, você e Thompson levam uma segunda equipe no BlackAngel. Avise a frota o que aconteceu e o que estamos fazendo e depois reuna as equipes.

- Não seria melhor esperar a chegada da frota Reyad ? Logo deveremos ter uma nave aqui.

- Não sabemos quando eles vão chegar portanto é melhor investigarmos.

- Esta certo então. Vou organizar as equipes. Estaremos prontos em 10 minutos. - Krieg finalmente assentiu, mas não deixava de demonstrar demostrar sua insatisfação com a idéia.

Em quinze minutos as equipes estavam formadas e os exploradores se colocaram a caminho. A viagem deveria levar cerca de sete horas e neste tempo todos pensavam em o que lhes aguardava em Dite.

7: 00 hs depois.

Reyad manejava os controles enquanto Sakati se encarregava de procurar sinais do veiculo. A tarefa deles se complicava a medida em que eles entravam na área vulcânica. Erupções constantes irrompiam a todo instante pelo ar levando chamas, gases e lançando pedras que poderiam atingir o explorador. Sakati havia se encarregado de traçar um curso que fosse mais seguro,mas as rajadas de ar quente criavam turbulências fortíssimas e fazia com que o Greendevil balançasse demais deixando seus passageiros tensos. O BlackAngel mantinha constante contato enquanto aguardava, e a voz de Krieg era ouvida por todos dentro do aparelho.

- Reyad, como vocês estão ?

- Por enquanto bem ... Difícil manobrar ... rajadas fortes de vento ... e pouca visibilidade. Sakati pegou um sinal nos sensores ... estamos indo investigar ...

- Estamos na sua escuta. Deixe o canal aberto.

- Entendido ...

A situação de Krieg e Thompson era mais cômoda, mas nem por isto menos tensa. Enquanto os outros tinham que se preocupar com a nave, a única atividade deles era imaginar o que poderia estar acontecendo, enquanto olhava para o painel de comunicações, e ele não conseguia afastar um pensamento ruim de sua mente enquanto podia ver pela escotilha de observação Thompson que olhava para o meio de Dite com os óculos de alcance, mais nada poderia ser visto dali. De qualquer forma ele também não tinha nenhuma outra forma de passar o tempo. O restante do Grupo, oficiais da frota que formavam a equipe de segurança conversam sobre o mesmo assunto que passava na cabeça dos dois ... De repente ouviu-se Reyad pelo comunicador do BlackAngel :

- BlackAngel, pegamos algo. Sakati confirmou indicação nos sensores. Estamos indo para lá.

- Sinais de vida ?

- A essa distância e com a interferência não podemos ter certeza ainda, mas parece que sim.

- Que interferência ? Não devia haver nada ai que causasse interferência nos equipamentos!

- Alguma coisa esta interferindo ... mas foi confirmado sinais de sobreviventes... estamos nos aproximando. E vocês não vão acreditar mas estamos entrando numa área sem atividade vulcânica. Os ventos cessaram e as condições de vôo estão ótimas embora ainda esteja quente. Este planeta é mais louco do que eu pensava. Estamos fazendo contato visual com o objeto. Confirmando nave espacial ...

- Já consegue identificar quem são ?

- Sim, e você não vai acreditar se eu disser ......

****

Capítulo II.

" Diário pessoal, data estelar 5432.3. A Enterprise dirige-se a base estelar 74 onde deverá se reunir com a USS Avenger. Esta nave fará seu ultimo teste antes de ser comissionada. A almirante também solicitou que observássemos o oficial que comandara a nave durante estes testes, o Tenente comandante Hendrik. A frota estuda a sua promoção a Capitão, apesar dele ser ainda muito jovem e por este motivo me foi feito um pedido de uma avaliação do comportamento dele durante esta pequena missão. Pessoalmente acredito que a experiência em um Capitão de uma nave estelar seja fundamental, mas seguirei as ordens e tentarei fazer a melhor avaliação possível."

Fim do Registro - Jean Luc Picard no comando.

A reunião dos oficiais executivos onde foram discutidas as próximas ordens que seriam seguidas pela Enterprise havia terminado e as pessoas estavam voltando a seus afazeres. Ninguém gostou muito do que os esperava e isto ficou evidente nas manifestações de desolação implícitas nas suas reações. Apenas o primeiro oficial Willian Riker ficou na sala junto com o Capitão.

- Tem algo mais a dizer Will ? - perguntou-lhe Picard ao ver que Riker permanecia ali.

- Me parece que mais alguma coisa lhe incomoda nesta missão. Talvez o fato de escalarem a nós para babás de uma nave de treinamento !?

- Não é exatamente o tipo de missão que espero receber do comando da frota mas é uma missão afinal de contas. Além do mais os argumentos da Almirante Hernandez foram relativamente convincentes ao menos para mim. A Avenger estará totalmente armada e sem nenhum lacre de segurança. Todo o potencial da nave estará disponível pois os sistemas precisam ser testados.

- E ela quer que fiquemos por perto para o caso de problemas, eu sei, mas não seria mais seguro colocar uma tripulação mais experiente na nave para fazer os testes ?

- Sabe muito bem que tripulações experientes são um luxo que temos pouco devido as perdas nas ultimas guerras. Seria complicado dispor de pelo menos 500 tripulantes para um período de 8 semanas além do que os tripulantes daquela nave já fizeram todos o testes que tinham que fazer e serviram em postos menores. Apenas aguardam seu comissionamento em algum posto que devera ser a própria Avenger segundo a almirante.

- O que o incomoda então ?

- Will ... - Picard estava reticente - Você o conhece o Comandante Hendrik ? As informações que tenho dizem que ele serviu na Hood ?

- Não senhor, ele foi transferido para a Hood quando eu vim para a Enterprise, mas li sua folha de serviço : Um bom cadete na academia. Notas acima da média e pelo que pude ver do relatório final, tem um bom poder de liderança, e demostrou isto nos postos onde serviu. Qual o problema com ele ?

Picard foi até a escotilha e enquanto fitava as estrelas, então respondeu :

- O fato de uma pessoa tão jovem poder vir a comandar uma Nave Estelar. Também li este relatório. Notas elevadas em táticas militares, excelente desempenho em combates simulados e extremamente agressivo quando em combate. Parece gostar de batalhas e não sei como uma pessoa assim se comportaria sobre pressão. Estar no comando de uma nave estelar as vezes pede que se tenha mais diplomacia do que poderio de fogo. Em diversas situação somos a federação no espaço e o que fazemos ou não tem reflexos muito além do que podemos imaginar. Não somos rangers Will, somos embaixadores.

- O Senhor terá a oportunidade de fazer uma avaliação pessoal, Capitão. Poderá ver se como ele se comporta em comando e recomenda-lo ou não.

- Sei disso, e não gosto desta idéia de ter a decisão sobre a carreira de alguém que conheço tão pouco e não sei se o que faremos nas próximas semanas vai me dar dados suficientes, mas se é assim que a frota deseja, assim será.

Neste momento os dois ouvem a voz do tenente comandante Data soar pelo intercom.

- Base Estelar 47 ao alcance, Senhor. Estimativa de chegada : 30 min.

- Entendido Comandante. Eu e Sr. Riker estaremos a caminho em breve

Então, virou-se novamente para Riker, dizendo

- Bem Will, em breve estaremos condições de dirimir nossas duvidas.

Base Estelar 74.

A base Estelar 74, em orbita de Darsas 3 era algo impressionante. Totalmente equipada para montar e reparar naves estelares de qualquer porte, ela era inacreditavelmente enorme e sempre causava admiração aquele oficial que já havia servido em naves da classe Excelsior e Galaxy e que por maiores que fossem, eram ínfimas perto da BE. Enquanto estava na área de atracagem da doca espacial observava a nave que comandaria durante as manobras de teste em conjunto com a Enterprise. A Avenger impressionava. Ele a vira pela primeira vez ali na doca, mas já conhecia seu desenho, pois acompanhou a montagem da USS Sovereign nos estaleiros de utopia, mas não esperava a oportunidade de comandar uma dessas tão cedo. Sabia que a frota o achava muito jovem para o comando, embora tivesse demonstrado suas aptidões por diversas vezes tanto na Hood quanto na Venture. Sabia que muitos o consideravam agressivo demais, e tinham receio a respeito disto. Ele achava engraçado enquanto lembrava que foi esta agressividade que fez com que a Venture sustentasse o ataque ao Cubo Borg no setor 001 até a chegada da Enterprise mesmo depois que o comandante se feriu a ponto de não poder comandar a nave e o Almirante deu ordens de retirada. Recebeu uma recomendação por bravura e uma reprimenda por desobedecer ordens, mas as circunstâncias atenuantes o livraram de maiores problemas. Sabia que a Enterprise fora escolhida para este teste por que ele também estaria sendo testado, se podia ou não ter a chance de ter seu próprio comando, e Picard era o melhor. O "velho ranzinza"(como era conhecido na frota pela sua reputação de exigente ) era a pessoa a quem devia provar que podia comandar e Hendrik faria o melhor possível para isto. Enquanto observava, pensava em sua vida e nas coisas que deixou para traz para estar ali. Não tinha uma família. Seu pai, um engenheiro civil e sua mãe morreram em uma colônia terrestre, vitimas de um acidente enquanto trabalhava na construção de um novo prédio, seus amigos eram todos oficias da frota e estavam espalhados pelo espaço, e Lee ? Ele havia desistido dela quando decidiu entrar para a frota. Ela não sairia da Terra, deixaria seus amigos, sua família e ele queria ir as estrelas. Ela não entenderia e jamais disseram adeus, apenas foram se distanciando cada vez mais, as comunicações entre os dois foram diminuindo até que ele não recebeu mas nenhuma resposta. Soube por intermédio de alguns amigos na Terra que ela estava bem. Não quis saber os detalhes mas no fundo ele ainda esperava vê-la um dia e lhe mostrar as estrelas que ele queria tanto dar a ela. Desde então Hendrik não tivera mais nenhum envolvimento sério. Não se julgava um homem atraente. Tinha certo cuidado com a forma física e aparência, espirituoso, bem humorado era sempre uma boa companhia mas não se ouvia falar de envolvimentos de sua parte. Ele se perguntava se isto era por causa de Lee ou por sua opção de ser um oficial da Frota mas isto não era sua maior preocuparão no momento. Estava prestes a ir sua Nave para finalizar os preparativos para os testes. Ficaria no comando apenas algumas semanas, mais queria dar uma boa impressão e além do que gostava de estar naquela ponte. Sempre se sentia bem naquele local e era ali que ele sabia que podia fazer diferença. Pensava em que posto serviria após finalizar os testes daquela nave.

A Avenger Tinha 680 m comprimento, 87 de altura. 24 Decks e incorporava o que havia de mais moderno na frota. Sua tripulação normal era de 700 homens, porem ela não estaria completa até a data de comissionamento. As novas naceles Warp tinham um desenho novo, maiores, mais largas e quase que alinhadas a altura do disco principal o que lhe dava um desenho esguio que lhe agradava bastante.

Seguiu pelo corredor umbilical que ligava a nave a estação até chegar ao convés principal. Gostava de andar pêlos corredores da nave, era bom para se familiarizar com ela e ele se sentia bem entre a tripulação - Sua tripulação - pensava - enquanto entrava no turbo elevador e ordenava que ele segui-se para a ponte. A primeira vez em que ele veio a bordo, estranhou um pouco os corredores mais estreitos dela em comparação com as naves anteriores e o tom das cores, bem mais sóbrias, afinal a Avenger era um cruzador de batalha. A ponte também o impressionou, menor do que a ponte de uma nave da classe Galaxy, e extremamente eficiente. Quem sentaria naquela cadeira depois das quatro semanas de testes que ele comandaria era uma pergunta que havia se tornado constante para ele nos últimos dias. No fundo gostaria de ficar ali para sempre. Quando foi informado pelo capitão da Venture da ordem do comando da frota para que ele assumi-se a nave durante os testes, ficou indeciso sobre qual seria o motivo de tal atitude, pensou em não aceitar, afinal ele não era nenhum principiante, embora fosse bastante jovem já havia passado por situações difíceis pois aqueles eram tempos difíceis. A federação ainda não havia se recuperado totalmente da guerra com os Borgs e Dominiuns. Muitos morreram e a preservação da vida de repente voltou a ser um exercício diário como era na antes da paz com os Klingons. Sim, a guerra amadurece o homem ele pensava, e divagava sobre como se sentia mais velho do que seus 32 anos. Seu comandante insistiu que ele viesse - Vá lá e mostre o que você pode fazer rapaz, não vai se arrepender e depois, seu lugar aqui está guardado se quiser voltar -. A Venture tinha sido seu lar por muito tempo, mas ele achava que era hora de procurar outro lugar para ir - concluiu enquanto a porta do turbo abria e deixava que ele visse a ponte de comando. Se dirigiu a sua cadeira.

- Comandante na ponte. - Informou o jovem alferes que quase vigiava a porta do elevador.

- A vontade todos. Voltem ao seu trabalho - Disse em seguida Hendrik que não era muito afeito a formalidades, que logo prosseguiu :

Bom dia senhores. A Enterprise está quase chegando. É hora da ultima checagem de sistemas, então vamos andar com isto.

Havia varias pessoas no local fazendo os últimos ajustes. Muitos técnicos e oficiais de apoio Mas havia sido decidido que seriam seis os oficiais escolhidos para formar o time dos oficiais executivos : Tenente Comandante Alejandro Iglesias, que seria o piloto da nave. Tinha aproximadamente 1,70 loiro e olhos azuis, nascido na terra. Serviu com Hendrik na Venture e eram bons amigos. Já havia repassado sua nova estação varias vezes, e Hendrik o conhecia bem. Sabia que o piloto tinha grande habilidade em sua função. Gostava do que fazia e se entregava a isto como quem se entregava aos braços da amante e ele gostava de telas. Também gostava de uma boa farra e era sempre uma companhia agradável para uma noitada. A tenente Cashimir, oficial tático e, era uma mulher linda. Pele morena, cabelos escuros silhueta esguia, corpo perfeito olhos profundamente negros. Era também bastante agressiva com os homens em geral e não gostava muito de conversas. O Tenente comandante Noan Seymor era Rigeliano, mas foi criado em Alpha Centauri e diziam que ele tinha um passado nebuloso na frota. Hendrik havia visto sua folha de serviço, mas ela não dizia nada demais e era este o problema. Noan era um oficial de comunicações que quase não existia antes de um ano atras. Sabe-se apenas que serviu anos na USS Okinawa, chegou a ser o segundo em comando, mas de repente foi transferido para uma outra nave no posto onde estava até hoje. Fluente em diversas línguas, o que era conveniente a um oficial de comunicações, mas não necessário uma vez que o computador da nave se encarregava de fazer a tradução simultânea de todas as freqüências conhecidas na Federação. Sua maior preocupação naquele posto deveria ser monitorar os instrumentos. Hendrik havia decidido conversar com Seymor assim que fosse oportuno. Era comum ouvir comentários não oficiais sobre um grupo de oficiais da frota que fazia parte de uma Elite de inteligência da Federação e o tudo o que sabia sobre Seymor embora fosse pouco se encaixava neste perfil. Hendrik jamais gostou de nada que fizesse a menção a "inteligência". Nunca gostou da idéia de se achar uma peca em jogo, mas sabia que em uma organização como a federação alguém devia fazer o trabalho sujo. Desde que não fosse ele a faze-lo preferia não pensar muito sobre este assunto. De qualquer maneira tinha uma idéia de como poderia observa-lo melhor, embora fosse um pouco arriscada. O oficial de Ciências era Sevok, um vulcano. Hendrik havia chegado a se perguntar se haveria algum acordo da Frota Estelar para colocar vulcanos nos postos de Ciência. Com raras exceções quase não se achava uma nave da frota não que tivesse um Vulcano como oficial cientista. Ele sabia que isto tinha um motivo.Os Vulcanos por sua própria natureza tinham na busca do conhecimento uma das bases da sua filosofia de vida, o que fazia deles oficiais ideais para o posto, mas ficava imaginando o que eles poderiam fazer em outro postos. Este era um Vulcano típico o que significava que você podia confiar sua vida a ele, mas nunca esperar que ele risse de uma piada. Não gostou muito de ter um Vulcano a bordo, pois a idéia de alguém que pudesse ler sua mente o incomodava, embora soubesse que a disciplina deles impedisse que eles usassem este poder de forma leviana e que isto só fosse possível ao toque, se sentiria melhor sem ele por perto e mesmo Sevok não via muita lógica em estar ali, pois não achava necessário um oficial de ciências numa viagem de testes de uma nave, mas a frota queria uma avaliação além da fornecida pelo computadores da nave, que também estavam em período de testes, e isto ele podia aceitar como razoável. O Chefe da engenharia seria o Tenente Jean Paul, um oficial pouco afeito as tradições militares da frota e por vezes aparentemente disperso, mas extremamente sério quando o assunto eram os motores dos quais cuidava como se fossem filhos. Filhos que ele havia deixado na terra com sua esposa Anne Marie. Hendrik viu sua folha de serviço e concluiu na ocasião que aquele oficial de trinta e poucos anos poderia estar em qualquer nave da frota se assim quisesse. Sua ficha mostrava que ele era extremamente hábil em sua função, mas nunca aceitou uma promoção por que isto significava longos períodos sem ver Anne, Julian e Clarice ou então leva-los com ele pelo espaço e ele não queria expor seus entes ao perigo.

Faltava ainda chegar o oficial médico da nave, que estava a caminho da estação e deveria juntar-se a eles em breve. Hendrik iniciou o check final, que na verdade era apenas uma formalidade, pois todos os sistemas foram revisados a exaustão nas quatro semanas em a Avenger estava na doca espacial.

- E então Sr Iglesias ? Familiarizado com os controles ?

- Claro comandante - Respondeu num tom meio jocoso - Todos os sistemas de navegação estão funcionando em perfeita ordem.

- Cashmir, informe condição de armamento e defesas.

- Phasers e Torpedos disponíveis. Escudos com eficiência de 98 %. Modulação dos escudos em ordem.

- Comunicações ?

- Todos os sistemas estão checados e em condição verde.

- E então Sevok ? O que achou da Estação de Ciências - Satisfatórias Comandante.- E devo acrescentar que o novo computador bio-neural é fascinante. Sistemas de backup também estão em ordem.

- Ponte para a Engenharia

- Engenharia - Jean Paul falando.

- Relatório da Situação ai embaixo.

- 99% de eficiência. Todos os indicadores verdes, sistemas de impulso e warp disponíveis.

- O senhor que faz seus próprios gráficos de eficiência, Engenheiro ?

- Digamos que tenho talento para números.

- Entendo.

- Comandante ! - Era a voz de Noan chamando.

- Prossiga.

- Controle da Base Estelar informa chegada da Enterprise em 25 minutos.

- Certo. Senhores, creio que nossa pequena checagem está encerrada, reunião em cinco minutos. - E isto inclui você Jean Paul

- Sim Senhor, estou a caminho.

O pessoal selecionado para o time de comando se dirigiu para a sala de reunião enquanto ele repassava as ordens da frota e os substitutos tomavam seu lugar. Levantou-se, olhou tudo uma vez mais com calma e seguiu ao encontro dos outros. Quando chegou a sala de reunião notou a atmosfera de impaciência no ambiente.

- Senhores, - começou logo após sentar-se na cabeceira da mesa - não há muito a se comentar. Apenas quero repassar os últimos detalhes deste nosso pequeno passeio. Como todos já sabemos, nossa tarefa é levar esta nave para os testes finais de aceitação, todos tem seus cronogramas específicos de tarefas bem como o cronograma de testes gerais, entretanto o Cap. Picard tem autonomia para altera-los e acredito que ele o fará, portanto estejam preparados para possíveis mudanças de ultima hora. A Enterprise estará nos monitorando constantemente e os dados colhidos por ela serão comparados com o do nosso computador, o Sr Sevok também estará fazendo observações a este respeito, por isto informem a ele qualquer ocorrência fora do normal no que se refere ao funcionamento da nave. Alguém tem alguma duvida ?

- Acredito que o pessoal da Enterprise não esteja muito satisfeito em nos acompanhar, não é ?- Iglesias imaginava, e com razão que a tripulação da nave mais importante da frota não estaria muito empolgada com a tarefa de servir de escolta em uma viagem de testes.

- Isto é problema deles, não nosso. Eles ordens a cumprir e nós também.

- Senhor ... - disse Cashmir - Quanto ao capitão Picard, como devemos nos comportar ? - Disse a jovem oficial num tom que mistura incerteza e nervosismo.

- Acredito que não tenhamos muito contato com ele pessoalmente, mas caso isto venha a acontecer, ajam de acordo com o que são: Como oficiais da frota ! Nem mais nem menos. Façam tudo como sempre fizeram e devo dizer que vem fazendo muito bem. Se seremos recriminados em algo que seja pelo realmente somos. Algo Mais ?

- Nosso curso ? Sabe para onde vamos ? Perguntou Jean Paul.

- Não fui informado a este respeito, mas acredito que seja bem longe.Grande parte dos testes da Avenger foi já feita no caminho de Utopia até aqui e agora vamos apenas verificar os ajustes e alterações que você vez nos motores Warp. Nossa tarefa é forca -los, por isso acho que vamos andar um bocado por ai. Por acaso deixou a luz acesa em casa ? - Perguntou no tom descontraído ao qual todos já se acostumavam.

- Não, mas em velocidade de dobra podemos ir bem longe neste tempo.

- Hendrik sabia que Jean Paul raramente saia da Base Estelar ou dos estaleiros de Utopia e nunca por tanto tempo ou tão longe numa viagem deste tipo e que sentia um certo desconforto dele em relação a esta idéia.

- Não se preocupe, quando você perceber já estaremos de volta e teremos bastante o que fazer para pensar no tempo. E quanto a você Noan ...,

- Sim ! - Noa se espantou, pois não esperava receber nenhuma recomendação especial.

- É o nosso oficial mais experiente, portanto embora esta missão não deva nos causar problemas, caso eles venham a acontecer você passa a ser o segundo em comando a partir de agora.

Noan se espantou ainda mais e surpreso com a incumbência inesperada disse:

- Comandante, agradeço mais sou apenas um oficial de comunicações a não acredito ser a melhor opção para esta função.

- Já serviu em uma nave estelar antes ?

- Sim !

- Já participou de missões de terra ?

- Ehhh ... ! Sim, Sim Senhor !

- Então você é a melhor escolha na minha opinião e a não ser que tenha alguma objeção de cunho pessoal, ela está mantida r. Algo mais ?

- Não Senhor.

- Mais alguém tem algo a dizer ?

Iglesias levantou a voz e disse : - Hendrik, quero dizer comandante, vi que as armas e sistema de defesa também serão testados. Entraremos em combate ?

- Sim ! Combate simulado, mas não tenho os detalhes.

- Sei ! Então não sabemos o que esperar ?

- Como em uma batalha de verdade Sr. Iglesias, só conheceremos o primeiro movimento depois que ele for feito. Mais alguma pergunta ?

Após a negativa de todos, ele disse :

- Nosso oficial médico estará chegando em 4:00hs, na Trieste. Senhor Noan, receba-o para mim, e faça com que chegue a área médica.

- Sim senhor - Disse Noan, ainda sem saber o que fazer ...

- Se não temos mais nada, acho que podemos ir.

Neste momento soa o Intercom

- Ponte para Comandante Hendrik.

- Hendrik falando.

- A Enterprise Chegou e está manobrando para entrar na Estação.

- Certo, estou a caminho da ponte. - Senhores, estão dispensados, e façam um bom trabalho.

Todos a seguir se levantaram e foram para a ponte num gesto quase automático, todos queriam ver a Enterprise. Ao chegar na ponte, Hendrik sentou na cadeira de comando ordenando:

- Visual. Ponham o portão espacial na tela.

Enquanto observavam a entrada na nave um sentimento diferente invadiu a ponte.

- Ela é realmente linda ! - soltou Iglesias, numa exclamação de admiração.

- Senhor Iglesias - disse Sevok já em sua estação - Caso o senhor não tenha notado a nave que acaba de entrar é idêntica a esta em todas as linhas formas e funções. Não entendo o motivo de sua admiração diferenciada. -

- Sevok - Disse Hendrik - não é a nave, é a lenda. As estórias que ouvimos da Enterprise de Kirk e Garret, e nossos filhos ouvirão da Enterprise de Picard. Isto é o que estamos vendo, a Historia diante de nossos olhos. Quem sabe façamos algo para merecer fazermos parte dela também.

De repente a voz de Noa trouxe todos de volta a realidade assim que a Enterprise terminou a manobra de atracagem.

- Comandante, a Enterprise chamando. O Capitão Picard deseja falar com o Senhor.

- Imaginei que sim. Na tela.

A tela subitamente mudou a imagem para a ponte da Enterprise onde apareceu o Capitão Picard na sua cadeira de comando. Tentando demonstrar serenidade, Hendrik lhe deu as boas -vindas.

- Bem vindo Capitão, espero que tenha feito boa viagem até a Base Estelar.

- Obrigado comandante. Diria que foi uma viagem tranquila. Quais as condições da Avenger ?

- Totalmente operacional e pronta para os testes. Acabamos de fazer a ultima checagem dos sistemas e está tudo em ordem.

- Temos alguns ajustes a fazer e aproveitaremos nossa estada aqui para isso, mas creio que serão bem rápidos. Pretendo partir em 12:00hs.

- Sem problemas Capitão, estaremos prontos na hora estipulada.

- Ótimo senhor Hendrik. Faremos uma reunião daqui a 6:00hs para acertar os detalhes finais. Uma ultima coisa. Estamos enviando o código de autorização para que possa efetivamente assumir o controle da nave. A partir de agora, ela sob sua responsabilidade Comandante. Cuide bem dela.

- Cuidaremos Senhor. Obrigado !

- Enterprise desliga.

A tela se fechou e todos se voltaram para Hendrik. Aquela era a hora que ele estava esperando. Agora ele poderia realmente dizer que aquela nave era sua.

- Computador - Chamou, após tocar o console, tentado disfarçar o nervosismo.

A voz suave do computador respondeu prontamente

- Sim !

- Analise vocal. Pode me identificar ?

- Comandante Hendrik. Designado para assumir o comando da USS Avenger NCC 72915 a partir desta data.

- Pois estou assumindo o comando. Registre.

- Registrado.

A seguir tocou o console da cadeira de comando e tentando acalmar a voz disse.

- Diário de Bordo, primeira entrada. Estas são as viagens da USS Avenger. Que através delas possamos aprender mais e que seus caminhos sejam sempre seguros. Fim do registro.

Então Hendrik levantou-se, e som poder esconder o sorriso no rosto, disse :

- Vocês tem dez horas de folga. Façam o que quiserem neste tempo desde que se apresentem no horário. Dispensados.

****

Capítulo III.

Todos saíram apressados, menos Noan, que dirigiu-se a Hendrik :

- Comandante, será que podemos conversar ? Em particular

- Hendrik sabia sobre o que ele queria falar e era hora de descobrir que tipo de homem ele tinha a bordo. Quando teve a idéia de faze-lo uma espécie de primeiro oficial, realmente o fizera pensando que com Noan próximo poderia descobrir mais sobre ele, mas não esperava um efeito tão rápido. De qualquer forma ele tinha uma vantagem tática agora pois ainda teria a chance de mudar sua escolha antes da partida da nave caso chegasse a conclusão que ela poderia causar algum prejuízo a missão. Achou que de algum modo aquilo indicava um bom pressagio.

- Vamos para o meu gabinete.

Ele se levantou e foi seguido por Noan até a porta que dava acesso a sala do Capitão. Ao chegarem Hendrik foi até o processador de alimentos :

- Café ! - virou-se calmamente para o oficial que aguardava em pé logo após a porta que se havia fechado atras dele e perguntou - Aceita alguma coisa ?

- Não, obrigado. - sua resposta demonstrava uma certa impaciência.

- Sente-se. Acredito que esta conversa tenha a ver com minha escolha em relação ao você, se não estou enganado ?

- Sim - disse ele ainda se ajeitando na cadeira. Após sentar-se Noan olhou para Hendrik e com uma expressão que ele tentava fazer parecer serena embora falhasse nesta tentativa, continuou : - Eu insisto que poderá encontrar outro oficial que possa atender melhor as suas necessidades, da nave e da tripulação. Eu estou a muito tempo no posto de comunicações e creio não estar totalmente apto, embora agradeça a confiança.

- Não se trata de uma questão de confiança. Ao contrario do que você diz vi as fichas de todo o pessoal que tem graduação suficiente para assumir este posto e você é o mais experiente. A frota me deu uma tripulação capaz, mas sem experiência em espaço profundo e com raras exceções, quase toda o pessoal é composta de gente recém saída da academia. Todos demonstraram excelente desempenho em simuladores ou em postos menos críticos, por isto preciso de você quer eu goste ou não. Esta deverá ser uma viagem calma e a Enterprise estará conosco o tempo todo portanto creio que não haverá problemas, mas se houver algum precisarei de sua experiência. Serviu na USS Okinawa, e se não estou enganado chegou a ser segundo oficial antes de ser transferido para a Farragut como oficial de comunicações, certo ?

Sim, mas ..., - Hendrik não deixou que ele continuasse -

... Li sua folha de registro pessoal e da USS Okinawa e não há nada em nenhum deles sobre sua conduta, logo presumo que nada aconteceu que o desabone e que escolheu por livre iniciativa ir para a Farragut. - Hendrik deixou a caneca de café sobre a mesa pôs os cotovelos sobre a mesa e apoiando o queixo sobre ambas as mãos, a inclinou na direção de Noan e disse : - Ou aconteceu algo, que convenientemente não está nos registros ? Posso entender que alguém não queira aceitar uma nova função, mas deve haver um motivo. Normalmente isto não seria de minha conta, mas nas próximas semanas esta nave e todas as pessoas a bordo, incluindo você, serão minha responsabilidade, e neste caso, tudo e todos aqui são da minha conta, então me de um bom motivo para não aceitar o posto ou deixe esta nave agora.

Noa estava parado, ali, sem saber como esboçar uma reação contra aquele homem que o pressionava - Quem ele pensa que é ? - pensou consigo. Sabia que sua posição estava enfraquecida, e conhecia bem as opções que lhe restavam e elas não eram boas : Ainda tinha chance de voltar para a Farragut, mas seu registro já estava complicado demais e se deixa-se a nave sem explicação acabaria indo servir num cargueiro ou nave médica ou alguma base estelar obscura. Podia aceitar, mas isto iria fazer com que ele lembra-se sempre de um passado com o qual ele não podia conviver, ou podia contar a ele. Sem perceber por que fez a sua escolha e então, vencido, disse :

- Está bem, eu lhe contarei, mas gostaria de lhe fazer um pedido antes.

- Qual ?

- Noa olhou para a alto, indicando os gravadores de registro da nave. Hendrik compreendeu, tocando os controles do console em sua mesa disse - Computador, cancelar gravações de registro nesta sala. Autorização Hendrik, comandante.

- Identificação confirmada. Gravadores de registro desligados. - Confirmou o computador..

- Muito bem, estou ouvindo.

- Em primeiro lugar, quero dizer que parte do que vou dizer agora é considerado informação confidencial e classificada, portanto está conversa nunca terá existido. Vou tentar me ater aos fatos principais. Como você mesmo disse, fiz parte da tripulação da Okinawa tempos atrás. A alguns anos estávamos em missão de patrulha de rotina quando recebemos ordens de investigar um planeta no setor Reydovam.

- Setor Reydovam ? Não há nada lá ! A área foi mapeada a décadas e o sistema é um grande deposito de poeira.

- Isto é o que todos acreditavam na época, mas nosso departamento de inteligência descobriu que os Romulanos estavam construindo uma base naquele setor. A Okinawa foi mandada lá para localizar e destruir a base Romulana.

- Localizar e destruir !? Uma base Romulana, isto é loucura. Nunca ouvi falar de uma missão como esta e não consta em nenhum registro da Okinawa. - Hendrik falava enquanto pensava consigo - Inteligência, eles são bem capazes.

- Com o devido respeito, compreende as implicações políticas de uma ação deste tipo ? Como disse esta missão nunca aconteceu, pelo menos não nos registros da frota. Seguimos na Okinawa até o limite dos sensores deles, e a seguir, continuamos numa nave de escolta sem registro, a mesma alta atividade eletromagnética que impedia que nossas sondagens achassem a base nos protegeram dos sensores deles.

- Como foi que descobriram a base, se ela não podia ser rastreada por sensores ?

- Nos não descobrimos. A frota conta com um grande numero de informantes não autorizados que nos fornecem este tipo de dados, em troca,de digamos, alguns favores.

- Imagino que tipo de favores ! Continue.

- Descemos no planeta e seguimos com o plano inicial.

- E qual era a sua função nesta equipe ?

- Eu era líder do grupo avançado, e também interprete e encarregado de rastrear as comunicações deles.

- E onde aprendeu a falar Romulano ?

- Está informação não é relevante para o que nos propomos a resolver aqui.

- Tudo bem. Vá em frente. - Hendrik assentiu, pois sabia que já havia forcado demais. Começava a perguntar-se se realmente havia sido uma boa idéia forçar aquela conversa, mas aquela altura não podia voltar atras além do que sua curiosidade havia sido desperta.

- Fiquei em uma posição que me permitisse executar minha função e consegui localizar a base, mandei que o restante do grupo fosse plantar as minas e continuei lá para acompanhar o movimento dos Romulanos pelas suas comunicações. Não podíamos usar comunicadores pois eles poderiam nos achar e eu devia avisa-los caso algo desse errado e foi ai que tudo realmente começou a dar errado. De alguma maneira eles sabiam, e quando o grupo chegou ao local, foram interceptados e começou o pesadelo. Ouvi uma voz que devia ser do comandante deles, pois repetiu várias vezes ordens de que todos fossem mortos. Tiros de Phasers para todos os lados, gritos, pedidos de socorro. Até que alguém detonou as cargas e a base toda foi pelos ares. Nunca soube quem a detonou, só sei que após a explosão, voltei correndo para a nave e sai dali o mais rápido que pude, pensei que os Romulanos viessem atras de mim, mas por algum motivo que não sei explicar não vieram. Então consegui escapar. Depois desta missão, fui transferido para o posto de comunicações na Farragut.

- Diga-me uma coisa !? Se não estava lá, como soube o que aconteceu com eles ?

- Soube pelo Radio, eu estava rastreando as comunicações deles, lembra ? Ouvi tudo.

- E por que foi transferido e por que a recusa em aceitar o posto que estou oferecendo agora ?

- Noan olhou para Hendrik com uma expressão de suplica e desespero. Parecia que podia ouvir as vozes das pessoas gritando ecoando em sua cabeça ali, naquela sala, os tiros, gritos, o desespero, tudo o que ele mais queria esquecer voltou a sua mente em cores claras, e num esforço para conseguir pronunciar as palavras, disse, em tom de confissão.

- Eu sabia que eles seriam atacados pelo menos quinze minutos antes, eu ouvi tudo pelo radio, ouvi os Romulanos serem informados pelo controle da segurança, sabia e não fiz nada. Eu devia ter ido até eles e avisa-los do perigo, mas não pude. Fiquei ali parado, congelado de pavor, até que começaram os tiros e eu pude ouvir a morte deles. Eu era responsável pelas vidas deles, e os deixei morrer.

- Hendrik não sabia o que fazer. Não estava preparado para aquilo. Aquele oficial da frota ali, a sua frente, as lagrimas em seu rosto, o desespero latente em seu olhar que pedia uma absolvição que ele não podia dar. Sentiu raiva a principio, não de Noan, mas daquelas pessoas em suas altas patentes que colocavam gente como ele naquela situação. Quantos a frota já havia perdido em segredo em nome da política. Quantos heróis sem nome estariam mortos. Morreram em silêncio. Ninguém se lembraria deles. Hendrik voltou-se para Noan e sentiu-se de certa forma responsável por ele. Sabia que aquele homem acabava de enfrentar seus maiores fantasmas e se não recebesse ajuda, estaria vencido, acabado para sempre. Ele tinha que fazer algo, só não sabia o que. Voltando-se novamente para Noan perguntou :

- Sei que isto está sendo difícil para você, mas algo me causa duvida. Por que os Romulanos não revidaram ao ataque ? Ou revidaram ?

- Não houve revide. Aquela base estava fora do espaço Romulano e além disto eles não admitiriam publicamente que uma de suas bases tinha sido destruída por um grupo de oficiais da frota estelar, seria humilhação demais para eles.

- Quem mais sabe disto ?

- Só eu e você. Não tive coragem de contar ao meu comandante o que aconteceu. Disse apenas que eles morreram na explosão, mas não pude continuar naquela nave e encarar os outros. Não tinha coragem de olhar nos olhos deles e ver que eles me acusavam, então pedi transferência. Entende agora por que não posso aceitar sua oferta. Não posso ser responsável pelas vidas deles.

Hendrik pensava e enquanto ouvia, já havia tomado uma decisão. Não sabia se era o certo a fazer, mas de alguma forma achava que devia dar uma chance aquele homem.

- Noan, - disse enquanto respirava fundo -. Você não é primeiro e nem será o ultimo a vacilar diante da morte. Ninguém sabe como vai agir até chegar a hora. Não louvo o seu comportamento, mas não posso condena-lo, ninguém pode, a não ser você mesmo. Se condenar a viver uma existência vazia e pobre. Você já passou tempo demais carregando o peso da culpa, e o que fez durante estes anos ? Se escondeu ? Ninguém consegue fugir do medo e da culpa Noan, ela sempre vai te alcançar e você só tem uma chance, voltar-se e enfrenta-la de frente. Não é fácil, mas a única alternativa a isto é a morte. Morte do espirito. Morte do seu espirito. Esta no hora de você enfrentar a dor e voltar a viver. Viver por seus amigos que morreram. Viva novamente homem e faça de cada minuto de sua vida daqui para frente um ato em memória dos que morreram naquele planeta. Você deve isto a eles.

- Noan levantou a cabeça voltou os olhos para Hendrik numa expressão de surpresa e espanto e mal conseguindo falar, disse :

- Quer ... quer dizer que depois de tudo o que eu contei, você ainda ......

- O posto ainda é seu quiser. Não é muito, afinal serão quatro semanas servindo de babá para um monte de cadetes, mas é um começo. Só depende de você.

- Mesmo assim ainda não sei se devo ...

- Terei uma reunião com Picard em cinco horas, você tem este tempo para resolver. Se quiser o lugar será. Caso não queira aceitar eu permitirei que continue no posto de comunicações até o fim dos testes. Sinceramente, eu espero que aceite para seu próprio bem, além do que eu estava certo. É a pessoa mais qualificada para o cargo no momento. Se não tem mais nada a dizer Noan, esta dispensado, eu gostaria de aproveitar estas horas que nos restam antes de partirmos, se não se importa.

- Creio que não há mais nada a ser dito. Se incomodaria de eu ficasse aqui mais algum tempo ?

- Claro que não, fique o tempo que quiser. Mas independente disto ainda quero que receba o médico e o informe que quero sua presença em nossa reunião logo mais. - Disse isto e se levantou, arrumou o uniforme e seguiu em direção a saída. Ao passar por Noan, parou ao seu lado, pôs a mão em seu ombro e disse :

- Pense bem Noan. Espero que chegue a decisão certa.. - e então continuou até a porta. Quando estava quase para sair, Noan o chamou - Comandante ! - virando-se em direção a porta e disse com certo alivio :

- Qualquer que seja minha decisão, obrigado !

-Hendrik olhou para ele por alguns instantes e limitando-se a um gesto afirmativo com a cabeça, continuou em direção ao corredor até que a porta se fechou atras dele, enquanto pensava se havia ou não tomado a decisão certa. Talvez ele nunca pudesse Ter esta resposta.

****

Capítulo IV.

- Enquanto isto na estação, o pessoal que havia deixado a nave procurava alguma maneira de aproveitar o tempo antes da viagem. Logo após se despedir de Jean Paul que havia ido pegar algumas coisas que ainda estavam em seu alojamento e mandar mais uma mensagem para sua família, Iglesias dirigiu-se ao bar da estação que estava bem movimentado devido a presença de muitos oficiais da Enterprise que desembarcaram pelo mesmo motivo que eles. Surpreendeu-se ao encontrar Cashmir por lá. Por tudo que tinha visto dela nos durante a preparação da viagem, não imaginava que ela fosse o tipo de mulher que freqüentasse bares sozinha, sequer que freqüentasse bares. Inicialmente tentou resistir ao impulso de tentar uma aproximação, mas depois de alguma indecisão, decidiu tentar a sorte, afinal não seria a primeira vez que tomava uma decisão errada com relação a uma mulher. Tomou coragem, pediu uma bebida no balcão e foi em direção a ela que percebeu a aproximação mas continuou impassível.

- Posso me sentar aqui tenente ? Perguntou com um sorriso nos lábios.

- Cashmir limitou-se a desviar o olhar para ele sem e demonstrar muito interesse na possível companhia assentiu :

- Sente-se. Acho que qualquer pessoa pode sentar em qualquer lugar por aqui, inclusive este, senhor Iglesias. Iglesias, sem se dar por vencido, sentou-se tentando quebrar o gelo :

- Também é um prazer poder conversar com você tenente.

- Estávamos conversando ? Não me recordo o assunto. - Iglesias perdeu a linha :

- Uau !!! Você é dura na queda mesmo, menina ! Só quero bater um papo, não conheço ninguém na estação e achei que você também não, senão não estaria aqui sentada sozinha. Desculpe se me enganei mas não vou incomoda-la mais. - ia se levantando, mas Cashmir aparentemente arrependida segurou-o pelo barco e disse :

- Espere. Pode ficar ai.

- Tem certeza ? - perguntou ele ainda incrédulo.

- Tenho. Realmente exagerei com você, digo com o senhor. Acho que é a tensão da estarmos próximos a partida. Vai ser minha primeira viagem numa nave importante e acho que estou nervosa. - enquanto ela ia falando sua expressão ia se acalmando e seu rosto mas ainda deixava transparecer sua inquietação. Iglesias sentindo que ela estava realmente tensa, tentou dizer algo que a acalmasse :

- Não se preocupe, todos nos sentimos assim nestas ocasiões. Sempre ficamos preocupados com a primeira vez, mas isto passa. E deixe o senhor de lado por favor, pelo menos fora da nave.

- Será que passa mesmo. Tenho medo de fazer algo errado.

- Olha, Cashmir, eu sai da academia e na primeira vez que tive que pilotar uma nave, eu tremia tanto que tive tomar calmantes para poder manejar os controles. E era um cargueiro, um lento e obscuro cargueiro, mas depois eu me acostumei com ele. É assim mesmo, você vai ver que logo nem vai pensar sobre o assunto e as coisas vão acontecendo sem que você perceba. E não se preocupe com erros, pois eles sempre podem acontecer com qualquer um, a qualquer hora. Você só tem que aprender com eles.

- Talvez, mas a Avenger é uma responsabilidade muito grande.

- Por que ? Por é uma nave estelar ? Tem muita gente que acha que estar aqui é um castigo, afinal só vamos fazer uns testes nela. Posso entender você, mas não liga que vai dar tudo certo.

Cashmir foi aos poucos se deixando levar pelo sorriso franco e pelas palavras daquele homem a sua frente. Desde que chegou a Base Estelar não fez amizades e aquela presença estava sendo muito boa para ela. De súbito perguntou :

- E você ? O que faz aqui ? Também está de castigo ? - deixando escapar um sorriso.

- Não sei bem ! Eu estou na Hood como navegador a anos. Gosto de todos lá, mas penso que talvez seja hora de mudar de ares. Aproveitei que ela estará em reformas no próximos dois meses e me ofereci para participar dos testes da Avenger. Quero ver se esta classe Sovereign é tão boa mesmo.

- Quer dizer que o comandante Hendrik não tem nada a ver com sua vinda para cá. Como são amigos, pensei que tivesse. Vocês são amigos não são ?

- Iglesias ouvia enquanto pensava que aquela menina desinteressada não era tão desinteressada assim afinal de contas.

- Sim somos amigos, mas não sabíamos que íamos nos encontrar. Foi acaso mesmo.

- Como se conheceram ?

- Academia. Nos formamos juntos e depois de algum tempo servimos juntos na Hood, até ele ser transferido para a Farragut. Agora estamos aqui novamente. Feliz coincidência.

- Diga a verdade. Esperava que ele o escolhe-se para primeiro oficial, não ? Não ficou chateado ?

Iglesias soltou uma gargalhada

- Há, Há, Há. Eu !? Não minha amiga, você não me conhece, ele sim. E ele sabe que eu não tenho esta ambição, ainda mais em uma viajem de testes. Jamais gostei da idéia de ser responsável pela vida e pelos atos de outra pessoas. Já tenho problemas demais comigo mesmo.

- Normalmente os oficiais da frota querem fazer carreira. Por que você seria diferente ?

- Eu não disse que não quero fazer carreira, mas acho que tudo tem a sua hora e eu lhe digo, esta ainda não é a minha hora.

- Mas o comandante Hendrik também é bem jovem.

- Ele é diferente. Nasceu para isto, para o comando e você vai ver por si mesma.

- Então confia nele ?

- Claro que sim. Independente do fato de ser meu amigo acho que ele vai ser um capitão dos bons quando for promovido, pode apostar. Ele meio chato as vezes mas isto faz parte da função. E de qualquer forma é mais flexivel que a média dos comandantes que conheço. Mas já falamos demais de mim e de Hendrik ? Fale-me de você Tenente Cashimir.

- Creio que não há muito para dizer.

- Seu nome ? Quer dizer algo especial ?

- Coisa de meus pais. Cashmir é um vale no meio das Montanhas Himalaias Ocidentais na Terra, uma esmeralda oval e lisa colocada no meio de uma floresta de picos gigantescos. Chamada de "Paraíso das Índias", com florestas de pinheiros, lagoas profundas e campos flores. Eles visitaram o local uma vez, acharam bonito e quando nasci me deram este nome.

- Então você não é indiana ?

- Nasci na Califórnia. - ela não conseguiu evitar outro sorriso.

- Que ótimo. É bom saber que eu não vou ter que aprender mantras. - Por que está na frota estelar ?

- Meus pais eram oficiais da Frota e eu resolvi fazer a mesma coisa.

- Eram ?

- Eles estavam na USS Melbourne na batalha de Wolf 359. Morreram durante o ataque. Logo a seguir entrei na academia e estou aqui. A Avenger vai ser minha primeira viagem em nave estelar deste porte. Já servi no posto em naves menores, mas não é a mesma coisa.

- E o posto tático. Não é normal ver mulheres nele.

- Sou boa nisto, você vai ver. - Ela dizia isto enquanto sorria. Conversar com animado e descontraído piloto foi uma boa terapia. Estivera muito tensa desde chegada a Avenger, preocupada em mostrar que podia desempenhar bem sua função. A principio ficou um pouco decepcionada quando foi relacionada para esta viagem de testes, mas agora sentia que era melhor assim, pois era melhor chance que ela teria de estar em nave realmente importante. A frota não colocaria alguém com tão pouca experiência na ponte de um cruzador de batalha na ativa. Ele ia mostrar que podia fazer um bom trabalho.

- Acredito !

- Bem acho que preciso ir. Tem algumas coisas em meu alojamento que ainda preciso levar para a nave. Obrigado pela conversa e desculpe o mal jeito no começo.

- Não liga. A gente se vê a bordo

Despediram-se e levantaram-se. Enquanto Cashmir foi para seu alojamento, Iglesias foi em direção a um grupo de tripulantes que também estava aproveitando suas horas de folga, pensando na conversa que acabara de ter. Sentia-se atraído por aquela mulher de uma maneira diferente e não gostava disto. Teria que tomar mais cuidado para não se envolver muito. Não era seu estilo.

****

Capítulo V.

8:00 horas para a partida.

- Noan aguardava na sala de transporte a chegada do oficial médico. A Trieste não pararia na base estelar e por isto ele seria transportado direto a bordo da Avenger. Não teve tempo de ver nada sobre sua ficha e nada sabia sobre ele, a não ser que se chamava Carter. Sequer sabia seu primeiro nome. Esteve com a cabeça ocupada demais pensando na decisão que teria que tomar em breve. Ficou ali parado por aguardando, enquanto o operador do tele-transporte, o Oficial Farrel se preparava para trazer o novo tripulante a bordo, que de repente dirigiu-se para ele dizendo :

- Tudo pronto. Nosso passageiro esta aguardando.

- Acionar ! - Disse ele automaticamente.

O feixe do transporte iluminou a plataforma e um corpo começou a se formar. Ao final do processo, Noan ficou surpreso ao ver a forma de uma mulher.

- Dra. Eleonor Carter se apresentando. Peço permissão para vir a bordo.

- Tenente Comandante Noan Seymor. Permissão concedida Dra. Bem vinda a bordo.

- Obrigada ! - Eleonor desceu da plataforma, enquanto observava a sala a sua volta. Estava impressionada.

- Tudo por aqui é grande assim ? Perguntou, ela sorrindo.

- Para falar a verdade, preferia que meu alojamento fosse maior. - Noan respondeu no mesmo tom, surpreendendo-se consigo mesmo por conseguir estar com um estado de espirito tão bom.- Continuou :

- O comandante Hendrik pediu para que lhe mostra-se seus alojamentos e a área medica. Qual ordem prefere ?

- Se o senhor puder cuidar de minha bagagem, gostaria de ver a enfermaria primeiro.

- Pois não ! - Ele se voltou para o oficial que operava o transporte e ordenou : - Farrel, transfira a bagagem da Dra. para seu alojamento.

- Sim Senhor ! - imediatamente ele acionou os controles e a bagagem desapareceu da plataforma.

- Esta Feito. A bagagem da Dra. já esta no local designado.

- Acho que podemos ir agora, Dra. Se puder me acompanhar...

Eleonor assentiu com um aceno de cabeça e pôs-se a andar em direção a porta. Noa colocou-se a seu lado, enquanto observava aquela mulher. Cabelos e olhos negros, corpo em forma,ela era uma mulher muito bonita e impressionava pela postura elegante. Deveria ter aproximados 35 anos, o que não lhe tirava um certo ar jovial de seu sorriso. Era fácil se interessar por ela. Com certeza não era uma recém formada e Noan imaginou o que ela estava fazendo ali, naquela nave de escoteiros. Ele sorriu com a idéia - Eu no meio de um bando de escoteiros -. a muito ele havia perdido aquele brilho nos olhos daqueles tripulantes que passavam por ele nos corredores recém saídos da academia. Este pensamento lhe fez voltar ao seu problema e sua fisionomia voltou a se fechar. Carter observa a nave, quando de súbito perguntou :

- Senhor Noan, não encare isto como pessoal mas existe algum motivo para o comandante Hendrik não me receber. Esperava que ele fosse me dar as boas vindas, ou será que ele não me considera bem vinda ?

- Não se trata disto. O comandante andou extremamente atarefado nos últimos dias e com a chegada da Enterprise, partiremos em breve. Acredito que esteja na estação ainda ocupado com estes preparativos, por isto me pediu para recebe-la.

- Entendo ! O Sr é o primeiro oficial, então ? E de novo, não quero que me ache petulante, mas não vejo habitualmente certos protocolos serem quebrados em naves estelares.

- Quanto aos protocolos, verá que o comandante os quebra com uma facilidade impressionante, e quanto ao meu posto, isto ainda não foi decidido.

- A Dra. Carter observava aquele oficial e notou que ele estava preocupado :

- Você me parece aborrecido, tenente. Não estou sendo uma boa companhia ? Já sei ! Devo ter-lhe tirado de alguma tarefa mais agradável talvez. Talvez uma farrinha de despedida. Me desculpe !

- Não se trata disto Dra. Eu é que peço desculpas por não estar recebendo-a bem. Apenas penso em um problema a ser resolvido. A senhora não tem nada a ver com meu estado de espirito.

- Prefiro que não me chame de Senhora. Dra. Carter é formal mais do que suficiente. Quem sabe o senhor possa vir a me chamar até pelo primeiro nome.

- Quem sabe Dra. ? - Noan respondeu surpreso com a espontaneidade daquela mulher. Ficou bastante impressionado com ela e começava a sentir-se bem em sua companhia. Logo ele que era bastante arredio e em tão pouco tempo.

- Quanto ao seu problema, me desculpe se me meto onde não sou chamada, mas deve ser algum problema com a nave ou a tripulação eu suponho ?

- Na verdade não há nada de errado com a nave, apenas uma decisão pessoal que terei que tomar em breve. Uma escolha.

- Enquanto ele falava, entraram no turbo-elevador.

- Enfermaria. - Disse secamente, enquanto tentava desviar seu olhar daquela mulher.

- Decisões pessoais são sempre tão difíceis, não ? Parece que estamos sempre em duvida sobre o que queremos o não queremos fazer, quando na verdade nunca temos tantas escolhas como pensamos ter. - O elevador parou de súbito e porta se abriu. Os dois voltaram a caminhar e Noan meio intrigado perguntou ?

- Como assim ?

- Ela parou de caminhar. Ficou olhando para lugar algum como se quisesse rebuscar algo em sua mente, virou-se para Noan que permanecia imóvel a seu lado e disse :

- Eu acredito que as escolhas são sempre duas : Ir em frente ou ficar no mesmo lugar. Se você tem medo e evita tomar uma decisão hoje sobre sua vida, em algum tempo ou estará arrependido de não ter tentado, ou terá que enfrentar a mesma decisão novamente. É simples. Você sempre terá decisões a tomar e escolhas a fazer. Ser ou nâo um oficial da frota estelar, usar ou não usar barba, matar ou não matar alguém, tomar café ou chá, comer uma maça ou uma pêra, no café de manha. Todas estas possibilidades por mais distantes que estejam entre si tem algo em comum. Sabe o que ?

- Não consigo ver o que o meu café da manha tem há ver com matar alguém !? - Disse Noan meio perplexo.

- Simples. Estas decisões são difíceis quando é você que tem que toma-las, por mais importantes ou fúteis que sejam. Coloque-se de fora do problema e verá que não é tão difícil assim.

- Mas colocar-me fora do problema me afasta também das conseqüências desta decisão.

- Bem, nenhum método é perfeito não é verdade ?

Os dois riram, e então prosseguiram até a enfermaria. Quando chegaram, Noan fez as apresentações :

- A atenção de todos por favor. Esta é sua oficial médica chefe, a Dra. Eleonor Carter. A partir de agora ela estará no comando aqui. Dra. este é o Dr. Gary Mombassa. Será um de seus auxiliares e foi quem esteve coordenando as coisas por aqui antes de sua chegada. - enquanto Noan falava, um homem negro de quase dois metros de altura se aproximou dela e fez uma reverência. Carter, impressionada pelo porte do rapaz, lhe estendeu a mão e o comprimentou :

- Prazer em conhece-lo !.

- O prazer é meu Dra. Acredito que queira ver a enfermaria ?

- Gostaria imensamente. Tenente Noan, acredito que eu deva demorar por aqui e creio que o senhor tem outros afazeres. Acho que poderei encontrar meu alojamento quando terminar. Se quiser ir, fique a vontade.

- Então a deixarei na companhia de Mombassa. Ele sabe como me encontrar se for necessário. Só mais uma coisa. O comandante fará a ultima reunião antes da partimos, e que acontecerá em 6:00 hs e pede a sua presença.

- Estarei lá, obrigada. E Tenente Seymor, pense bem sobre suas decisões.

Noan assentiu com um aceno de cabeça e saiu em seguida, pensando se aquela mulher teria poderes mentais. - Acho que vou dar uma olhada em sua ficha. - E pôs-se a andar em direção ao seu alojamento.

****

Capítulo VI.

6:00 para a partida.

- Algum tempo depois em seu Quarto, Jean Paul enviava uma mensagem para sua esposa.:

"... Olá Anne. Hoje realmente começam os testes pra valer, a nave está pronta e a Enterprise chegou. Em algumas horas estaremos partindo. Tudo está correndo bem até agora. A tripulação é jovem mas todos são muito capazes por isto não há motivos para preocupações. Se tudo correr bem, e não vejo motivo para que não corra, estarei em casa em dois meses. Diga as crianças que ainda não estive com o Capitão Picard pessoalmente, mas que se for possível, direi a ele que elas querem servir a bordo da Enterprise como me pediram. Anne, quando você receber esta mensagem, já estarei em viagem, mas tenha certeza que você estará lá, comigo. Diga as crianças que estou com saudades. Até logo."

Terminou a mensagem tentando calcular quanto tempo ela levaria para chegar a Terra em freqüência Sub espacial, enquanto afastava a cadeira do terminal de comunicações e jogava o corpo relaxadamente para trás. Estava cansado pois os últimos dias tinham sido bem agitados, mas finalmente estava tudo pronto. Subitamente seu pensamento voltou para o calculo que tentava fazer antes. O computador podia lhe dar a resposta, mas na verdade ele não queria saber o quanto estava longe de sua família. Nos estaleiros de Utopia, pelo menos podiam conversar, mas a B.E. estava muito longe e esta distância lhe atormentava. Já havia se acostumado as viagens para a estação, para ajustar alguns os motores Warp de algumas das naves novas da frota. Os técnicos e engenheiros da Base Estelar eram bons, mas ainda não estavam familiarizados com as novas tecnologias de Impulso e Dobra, o que o forçava a períodos de ausência, mas aquela viagem de testes não estava em seus planos e ele torcia para que o tempo passasse logo. Por outro lado, sempre quis saber como seria servir a bordo de uma nave estelar. Conhecia bem seu trabalho, mas a vida andando pelo espaço com certeza seria diferente, com mais emoção talvez. As vezes ele pensava se na verdade o que ele sentia não era medo de estar longe, do desconhecido. Por varias vezes ficou sem saber o que dizer quando seus filhos lhe perguntavam sobre a frota estelar e por que ele não podia leva-los para visitar a "sua" nave. Crianças sempre vêem os oficias da frota como uma espécie de heróis e ele era só um homem que faria tudo para ficar com sua família. Será que isto fazia dele um covarde ? Ouviu o Comandante Hendrik dizer durante uma verificação de rotina da engenharia algo sobre " fazer diferença ". Será que ele fazia diferença. ?

5:30 hs para partida:

Sevok estava na nave. Já havia transferido todos os seus pertences para a seu alojamento na Avenger e acabara de terminar sua meditação. Ia dar uma passada em alguns dados, quando soou um bip.

- Entre ! Disse ele virando-se para a porta.Quando ela se abriu, foi a figura de Hendrik que apareceu.

- Estou atrapalhando algo ?

- Não comandante, ia apenas rever alguns dados mas nada urgente. Aconteceu alguma coisa ?

- Não, na verdade não ! Apenas queria conversar com você sobre os detalhes desta pequena missão. É um dos poucos que tem experiência por aqui em naves estelares e gostaria de saber se tem algo a dizer sobre nossas ordens. Acabei de falar com o Capitão Picard, mas não houve muitas mudanças no que eu já sabia. Tem alguma impressão que deseje repartir ?

- Creio que não. Como o senhor mesmo já disse, nossas ordens são simples e não acredito que haverá maiores problemas.

Enquanto ouvia, Hendrik observava um desenho na parede, uma estrela, com uma pedra no meio e uma inscrição em Vulcano que ele não podia entender.

- O que quer dizer ?- perguntou, apontando para o desenho enquanto voltava o olhar para Sevok.

- I.D.I.C - respondeu o Vulcano, impassível.

- Ah !!!, acho que quer dizer "Infinitas diversidades em infinitas combinações " ! A filosofia Vulcana sempre me intrigou. Penso em como sua tecnologia avançada convive tão próximo a antigos rituais. Me parece um contra-senso.

- A busca da sabedoria pressupõe o acumulo de conhecimento, e não a substituição dos antigos pelos novos. Aprender mais é chave do enriquecimento e crescimento pessoal. Estes rituais aos quais o senhor se refere evitaram a destruição de meu povo no passado e fizeram de nós o que somos hoje portanto por que não continuar a faze-los ?

- Desculpe se o ofendi, Não era esta minha intenção.

- Não posso ser ofendido Comandante. Sou Vulcano.

- Ahh ! É, eu me esqueci. Mas mesmo assim, me desculpe.

- Não tem de que. Permita-me dizer que me parece que algo o incomoda, talvez algo em relação a minha pessoa ?

- Sevok, para ser sincero eu não me acostumei ainda ao jeito dos Vulcanos, digamos assim. Aprendi durante a minha vida a conhecer um homem por suas emoções e isto é obvio, não se aplica ao seu povo. Nunca tive que trabalhar tão perto de um Vulcano antes e confesso que estou um tanto quanto indeciso quanto a como agir em relação você.

- Posso garantir que estou totalmente apto a realizar minhas tarefas nesta missão senhor, e quando não estiver, serei o primeiro a informa-lo.

- Disto eu nunca duvidei. Na verdade o problema é comigo.

- Não creio como posso ajuda-lo neste problema, comandante. - Sevok estava intrigado com o rumo daquela conversa, mas ouvia atentamente tentando calcular as possibilidades.

- Na verdade gostaria que me ajudasse. A principio eu confesso que tinha um certo, digamos, receio de trabalhar com Vulcanos, mas depois pensei que teria muito a aprender com você, se estiver disposto é claro.

- Claro comandante, embora deva confessar que não consiga ver com clareza como isto aconteceria, estarei disposto a empenhar o melhor de meus esforços.

- Isto já é mais que o bastante. Não tomarei mais seu tempo pois deve ter coisas a fazer. Obrigado, e nos veremos logo mais.

- Como quiser comandante.

Enquanto Hendrik saiu da sala, Sevok pensava naquela conversa pouco comum. Obviamente aquele homem estava preocupado em desempenhar bem seu trabalho, e normalmente humanos tinham muitas dificuldades de aceitar suas fraquezas, por isto o gesto de Hendrik causou uma boa impressão em Sevok. - Ele tem boas possibilidades. - pensou - Vamos ver como se sai.

4:00 horas para a partida:

Iglesias acabava de voltar para a Avenger, depois de despedir de seus amigos de copo, ainda pensando na conversa que tivera com a Tenente Cashmir, quando notou que faltavam duas horas para a reunião final do pessoal do comando. Teve a idéia de conversar com Hendrik, pois desde que vieram para a Avenger não tiveram muito tempo para conversas e por mais incrível que pudesse parecer, aquelas horas antes do lançamento estavam sendo as mais calmas que ele teve desde que chegou. Foi em direção ao computador e perguntou :

- Computador, o comandante Hendrik esta a bordo ?

- O comandante Hendrik está no Holodeck 1 Deck 8.

- Obrigado !

- Não há de que ! Deseja que lhe indique o caminho ?

- Não é preciso.

Ele seguiu então até o elevador, enquanto pensava em Cashmir. Aquela menina havia conseguido chamar sua atenção.

- Holodeck 8.

Quando a porta do Holodeck se abriu, ele pode observar o mar por sobre a ondas quebrando na praia, um dia lindo de Sol. Ao fim da faixa de areia se iniciava uma floresta tropical de mata cerrada, com arvores altas. Podia-se ouvir o canto dos pássaros que vinha de lá. Iglesias entrou, e não pode conter um sentimento de admiração quando sentiu suas botas afundarem na areia. Um pouco a frente pode ver Hendrik, que caminhava descalço pela praia enquanto a água molhava seus pés.

- Ei Philip ! - Gritou Iglesias.

Hendrik virou-se tentando descobrir de quem era aquela voz que se confundia com os sons que ecoavam no Holodeck, embora imagina-se quem fosse. Poucas pessoas na Frota Estelar o chamavam pelo primeiro nome.

- É você Iglesias ? venha pra cá.

- Iglesias se aproximou e os dois começaram a caminhar lado a lado. Hendrik, olhando para o mar disse :

- Esta é minha paisagem favorita. Engraçado como nossos sentidos nos enganam não é mesmo ? Podíamos caminhar horas aqui sem perceber que esta sala tem poucos metros. - Hendrik então virou-se para Iglesias e perguntou - Algum problema ?

- Problema nenhum. Só pensei que podíamos conversar um pouco antes de voltarmos a trabalhar. Não tivemos muito tempo para isto até agora, a não ser que você prefira ficar sozinho ...

- Claro que não meu amigo, fique. Realmente estivemos muito ocupados, mas pensei que você fosse aproveitar mais esta pequena folga. Não me parece embriagado ainda.

- Ainda bem que estamos sós. O que vão pensar de mim se ouvirem você falar assim.

- Então você não foi ao bar ?

- Apenas para celebrar, mi amigo, apenas para celebrar.

- Sei, e esta celebração obviamente incluiu alguma tripulante desavisada.

- Na verdade tive uma boa conversa com a Tenente Cashmir. Ela é uma companhia bem agradável.

- A tenente Cashmir !!! - Hendrik olhou com espanto - aquela mulher sé pensa em torpedos, phasers e coisas deste tipo. Soube que o ultimo que tentou se " aproximar " teve uma passagem rápida pela enfermaria com um nariz quebrado. Como conseguiu ?

- Meu caro comandante, diferente do que você pensa, atras daquela capa de Guerreiro Klingon, habita um sensível ser.

- Já vi tudo !

- Não é nada disto Phil. Apenas batemos um papo e diferente do que você julga, ela pensa em outras coisas também, e estas coisas incluem você.

- Eu !! Retiro o que disse antes, você já esta bebado.

- Não quis dizer que ela esta louca para se entregar para você, apenas que ela lhe notou, só isto. Além do mais, acho que eu faço mais o tipo dela. - Iglesias não pode evitar um sorriso malicioso quando disse isto.

- Sei, sei !

- Você devia prestar mais atenção aos seus tripulantes Phil.

- Alejandro, nas ultimas semanas é só o que eu faço. Leio e releio as folhas de serviço de cada um, dou voltas por toda a nave, e fico repassando o cronograma de testes tentando ver algo entre uma letra e outra. Me preocupa um pouco a fato de termos tanta gente inexperiente nesta nave, mesmo sendo só uma viagem de testes. Com exceção de você, Sevok, Noan e a Dra Carter a qual ainda não fui apresentado e eu mesmo, todos os outros tem pouquíssima experiência. Fico feliz em ter você no leme, mas estou cansado.

- Isto normal. 4 semanas dentro de uma nave parada numa estação espacial não fazem bem a ninguém. Também estou meio enfastiado com tudo isto mas quando estivermos no espaço isto passa.

- Sei disto e mal vejo a hora de partir. Estas ultimas doze horas estão parecendo séculos.

- E o Picard, é tão durão como dizem ?

- Fala pouco e vai direto ao ponto, mas não disse nada além do que já sabemos. Ele passa bastante segurança. Fico pensando se eu consigo passar uma imagem deste tipo para a garotada que esta a bordo.

- Não se preocupe com ele. Se bem me lembro foi você que disse " Façam o que sempre fizeram, e devo dizer que vem fazendo um bom trabalho. Se formos condenados que seja pelos que realmente somos " - Iglesias disse isto num meio macarrônico, o que arrancou uma expressão de desagravo de Hendrik.

- O cargo de conselheiro esta vago. Quer se candidatar ao posto ?

- Brincadeirinha Mi Capitan. Você está fazendo bem seu trabalho e isto vai ser moleza.

- Espero que sim. - Hendrik atirou uma pedra ao mar, e ficou olhando para lugar nenhum.- mas gostaria de ter tanta confiança quanto você.

- Mudando um pouco de assunto o Tenente Noan me pareceu meio aturdido com sua idéia de faze-lo primeiro oficial, não ?

- Ficou chateado em não ter sido escolhido ?

- Claro que não e você sabe muito bem o que eu penso quanto a isto. Não nasci para ficar dando conta de algumas centenas de pessoas 24 horas por dia. Você sim. E ainda diz que eu que sou louco.

- Achei que diria isto. Também o achei um pouco estranho e por isto acredito que com ele por perto poderia descobrir mais sobre Noan, e acredite, esta dando certo.

- O que descobriu ?

- Não posso dizer ainda. Só posso dizer que estou fazendo uma aposta.

- Espero que jogue bem desta vez pois até onde eu me lembro você nunca foi bom jogador. E por falar em jogar, e no ditado que diz " infeliz no Jogo, feliz no amor ", tem tido noticias dela ?

- De quem ? -

- Você sabe de quem eu estou falando. Lee !? Teve noticias ?

- Não nos falamos a muito tempo. Mandei algumas mensagens, mas ela não respondeu, então deixei este pensamento de lado. Ouvi falar que ela esta bem, só isso.

- Você não a esqueceu não é ?

- As vezes penso que sim, mas as tem momentos que gostaria de estar com ela. Mas isto deve sumir com o tempo.

- Feridas mal cicatrizadas tendem a reabrir de tempos em tempos. Você devia procura-la.

- Você e seus lugares comuns. Procurar para dizer o que ? O que eu tenho para oferecer. Não quero deixar a frota Alejandro, e sei que ela não aceitaria isto.

- Sabe ? Ela lhe disse ?

- Não, acho que não tivemos chance.

- Você resolveu por ela. Nem lhe deu chance de decidir e acho que foi uma jogada errada.

- Agora é tarde para pensar nisto.

- Comandante Hendrik - Era a voz do computador da nave - 2:30 hs para o lançamento.

- Obrigado - Hendrik levantou-se - olhou para Iglesias e disse - Creio que é hora de irmos. Preciso tomar um banho antes da reunião final. Esta na hora de começarmos a trabalhar de verdade.

- Vou precisar de uns dois dias para tirar a areia dos pés.

- Computador, encerrar programa. - Após a ordem, toda a paisagem desapareceu num passe de magica, e eles seguiram para porta Já no corredor e antes de tomarem o caminho de seus alojamentos, Hendrik olhou para Iglesias e disse :

- Obrigado pela conversa. Foi muito bom ter sua companhia.

- Não tem de que, meu amigo e sabe que o sentimento é reciproco. Nos vemos daqui a pouco.

****

Capítulo VII.

2:00 hs para o lançamento.

As 18:00 hs todos estavam pontualmente na sala de reunião, e era comum a impaciência em todos os presentes, com exceção de Sevok, obviamente por ser vulcano. Iglesias e Cashmir trocaram um olhar rapidamente, mas sentaram-se nas mesmas posições em participaram das outras reuniões. A Dra Carter que estava observando a todos enquanto aguardava o inicio da reunião, embora ainda não os conhece bem deduziu que algo acontecia entre aqueles dois. Ela já tinha visto aquilo acontecer por várias vezes e com ela própria em outros tempos. Noan parecia mais aliviado, a conversa com a Dra o ajudou a decidir-se. Ele comunicou sua decisão de aceitar o posto a Hendrik pouco antes do encontro com Picard. Sevok em sua postura habitual de contemplação observava o comandante e fazia suas anotações mentais sobre aquele oficial. Todos queriam partir logo, e contavam os minutos para o lançamento Hendrik entrou e imediatamente sentou-se em sua cadeira e tentando manter a serenidade dirigiu-se a eles.

- Boa noite senhores. Em primeiro lugar gostaria de apresentar a todos a Dra Eleonor Carter, nossa oficial médica chefe. - Eleonor acenou a cabeça enquanto dirigia um rápido olhar a todos.- Hendrik então prosseguiu dirigindo-se a Dra Carter. - Gostaria de me desculpar com a senhora por não ter podido recebe-la pessoalmente Dra., mas os preparativos finais tomaram muito de meu tempo.

- Compreendo perfeitamente comandante, e o Sr Noan me recebeu maravilhosamente bem.

- Ótimo ! Além do Tenente Comandante Noan, estes são o tenente comandante Iglesias, Sr Sevok, nosso oficial de ciências, Tenente Jean Paul, Chefe da Engenharia, Tenente Cashmir, oficial tático e de armamento. Espero que tenha gostado das instalações médicas ?

- São otimas, com certeza. Mas se permite, manterei o programa médico desligado.

- Como quiser doutora ! - Hendrik Sorriu - Ele também não gostava do programa médico holográfico.

- Creio que a senhora encontrou uma cópia de nosso cronograma em seu quarto.

- Sim, embora não fosse necessário, mas estou a par de nossa programação.

- Minha ultima reunião com o Capitão Picard não acrescentou muito ao que já sabemos, portanto não há muito a dizer de minha parte, por isto gostaria de saber se os senhores tem algo a acrescentar.

- Comandante - disse Noan - Notei que não temos um oficial de segurança.

- Não me pareceu necessário, afinal devera ser uma viagem tranquila.

- Concordo, mas por precaução recomendo que pense em alguém para a função, somente por garantia

- Não vejo problema quanto a isto. Faça uma relação dos nomes que podem ocupar o posto para que possamos definir quem ira assumi-lo. - Hendrik realmente não via necessidade, mas aceitou sua iniciativa como uma forma de incentivar Seymor.

- Farei isso Senhor.

- Mas alguém ?

- Todos permaneceram quietos em seus lugares.

- Então vamos ao trabalho. Partiremos as 20:00 hs. Dispensados.

- Todos saíram em direção a porta menos a doutora Carter, que fez um gesto com a mão pedindo para que ele ficasse. Após todos deixarem a sala, ele se dirigiu a Dra.:

- Precisa de alguma coisa, Doutora ?

- Comandante, embora seja uma missão simples, não lhe preocupa uma tripulação tão jovem ? Estou me sentindo uma anciã por aqui.

- Também pensei muito neste assunto nos últimos dias, mas eles são bons, apesar de jovens e farão bem o seu trabalho e alem disto estou contando com você e sua maior experiência para me ajudar manter tudo em ordem, por esta razão que eu quis que recebe-se nossos planos. Precisarei de cada centímetro de experiência que vocês puderem me dar. E creio que a salvaguarda que a Enterprise irá nos dar será suficiente para garantir a segurança de todos o tempo e creio que tudo correra bem.

- Espero que sim. De qualquer modo, estarei pronta a fazer o que estiver a meu alcance.

Obrigado ! E já que estamos aqui, Seymor me disse que você estranhou minha ausência na sala de transporte quando veio a bordo ! Gosto de saber que as pessoas querem minha presença, mas não pude deixar de estranhar esta atitude !

Não me interprete mal. Algumas pessoas que conheço fizeram alguns comentários a seu respeito que me deixaram curiosa para conhece-lo.

Não sabia que eu tinha uma reputação ! Quem afinal falou o que sobre mim?

Jamais revelo minhas fontes comandante, e não se preocupe pois se a informação não fosse boa eu não lhe diria que a tenho.

Eu...- Hendrik foi interrompido pelo Seymor no comunicador.

Comandante Hendrik, dirija-se a ponte. Avenger esta a postos para partir.

Aqui é Hendrik. Estou a caminho.- após responder ao chamado voltou-se para Eleonor.- Salva pelo gongo. Mas voltaremos a falar sobre isto depois.

É possível.

- Como forma de retribuir minha pouca atenção para com a senhora, gostaria que fosse minha convidada na ponte para o lançamento.

- É um tanto quanto incomum um médico na ponte de uma nave estelar sem que haja uma emergência, não ?

- Vantagens de estarmos em testes.

- Estarei lá. Obrigada !

- Hendrik fez um meia reverência e pôs-se de lado, dando a passagem a Dra que fez um gesto de agradecimento com um leve aceno de cabeça pôs-se a caminho. Ele saiu enquanto dizia a si mesmo :

- É agora. Vamos lá comandante, chegou a hora de trabalhar um pouco.

20:00hs - Hora do lançamento.

Na ponte as pessoas estavam agitados e tensas repassando pela enesíma vez suas estações. Mal parecia que eles estavam se preparando a semanas, ao contrario, tinham a impressão de que haviam esquecido algo. Hendrik estava na cadeira de comando quando a Dra Carter saiu da porta do elevador de estibordo.

- Comandante, - disse ela - Tem certeza que não vou atrapalhar o trabalho de vocês ?

- Claro que não. Sente-se aqui. - ele apontou a cadeira onde normalmente sentaria o conselheiro da nave. - - Estamos sem conselheiro e quem sabe você não me ajuda em algo.

- Acredito que eu seja de pouca ajuda agora. - disse enquanto se sentava

- Sr Seymor. Nave a nave. Chame a Enterprise.

- Enterprise na escuta comandante.

- Capitão Picard ?

A voz de Picard soou no alto falante da ponte.

- Pois não comandante.

- Estamos prontos e aguardando a sua saída.

- Primeiro vocês, sairemos em seguida.

- Como quiser. Avenger Desliga.

- Postos de partida ! Seymor, passe-me o controle da doca espacial - disse isso enquanto chamava a engenharia pelo console de sua cadeira - Jean Paul, a postos para acionar motores.

- Controle da doca na escuta.

- Controle da doca, aqui é USS Avenger NCC 72915 pedindo permissão para partir.

- Avenger, você esta liberada para usar a pista numero 6. 30 segundos para abertura das comportas. Boa sorte.

- Obrigado controle. Aguardando abertura das comportas.

- Iglesias, acionar amortecedores de inércia. Soltar as amarras eletrônicas. Manter posição até retirada das travas de segurança.

- Amortecedores ligados. Amarras liberadas. Todas a travas livres. Corredor umbilical de acesso recolhido.

- Propulsores de Proa a estibordo em 180 graus.

- Propulsores de proa em 180 graus. Sistema RCS atuando com propulsores. - o RCS era um dos novos sistemas daquela classe de naves. Eram dispositivos instalados ao longo da seção principal e das naceles Warp que expeliam gases pressurizados para auxiliar as manobras. Foi projetado com este intuito. Iglesias respondia automaticamente enquanto a Avenger começava a se movimentar lenta e graciosamente, inicialmente para traz e logo em seguida, girando sobre seu próprio eixo até que finalmente estivesse de frente para as comportas espaciais.

- Nave em posição, propulsores a zero, parada total.

- Parada Total.

- Acionar força de impulso. A frente em 1/4.

- A frente em 1/4.

- Empurrada pelos motores de impulso a Avenger saltou para e espaço. Após a saída, Hendrik deu nova ordem.

- Parada total. Manter posição até a saída da Enterprise.

- Executando parada total agora.

A seguir a Enterprise deixou a doca pelo mesmo portão e emparelhou com a Avenger.

- Comandante, a Enterprise diz que podemos seguir. - Era a voz de Noan, da estação de comunicações.

- Iglesias. Marque curso 1073.4 Warp fator 1.

- Curso Marcado. Warp um a sua ordem.

- Acionar.

- A Avenger sumiu num rastro no espaço, sendo acompanhada pela Entreprise enquanto seguia para o inicio de sua Jornada.

****

Capítulo VIII.

Diário Pessoal - Data Estelar 5439.7
Comandante Philip Hendrik.

Estamos a uma semana no espaço e até o momento tudo vai bem com a nave. A maior parte da tripulação está ocupada com suas tarefas e o clima entre ela melhorou bastante com isso. A Avenger até o momento tem se mostrado satisfatória nas palavras de meu oficial de ciências e mesmo que só tenhamos feito algum as corridas rápidas em velocidade de dobra para ver como os motores se comportam e uma passagem por um campo de minas que serviu como primeiro teste dos sistemas de escudos armas e sensores ainda me surpreendo com as suas possibilidades. A Enterprise continua nos monitorando a distância e estamos esperando um teste mais forte a qualquer momento, o que deve dar algo com o que me preocupar.

Fim do registro.

Hendrik estava em sua cabine terminando suas anotações quando ouviu o bip que anunciava a presença de alguém a sua porta.

- Entre !

A Dra Carter apareceu na entrada do alojamento cumprimentando Philip :

- Olá comandante ! Estou atrapalhando ?

- De forma alguma. É um prazer e por favor abandone o senhor pois venho me sentido um pouco mais velho do que realmente sou devido a insistência com que as pessoas usam esta palavra por aqui

- Acredito que seja normal esta forma de tratamento numa nave militar, mas se você insiste tudo bem. Hendrik está de bom tamanho ?

- Hendrik é satisfatório. Alguma emergência médica ?

- Não, não há nenhuma emergência e acho que não terei muito trabalho por aqui. Creio que estas serão as semanas mais tranquilas desde que entrei na frota, o que tem me deixado bastante ociosa, sensação um pouco incomoda.

- Posso entender como você se sente. Estava pensando nisto a poucos instantes. Parece que estamos sempre querendo que alguma catástrofe aconteça não é verdade ?

- Não diria que estou pensando em catástrofes mas alguma agitação faria bem. Diga-me, então é por isso que tenho notado você um pouco desanimado ?

- Você é extremamente observadora.

- Faz parte do trabalho médico observar os sintomas que as vezes os pacientes nem sabem que tem mas se este assunto o incomoda, peço desculpas por minha indiscrição.

- Não, não incomoda. Pode ficar tranquila e você esta certa. A maioria por aqui é nova no serviço e esta viagem tem seus atrativos para eles mas eu devo confessar que sinto falta de algum movimento.

- Muito interessante o ser humano não acha ? Quando temos problemas queremos paz, quando temos paz, sentimos falta dos problemas. Estamos sempre em duvida sobre o que realmente queremos.

- Filosofia !?

- Falta de assunto talvez. Como não acredito que vamos conseguir responder a todas as questões da humanidade hoje proponho que me acompanhe ao bar para tentarmos motivar nossa conversa com outros temas se você não preferir ficar refletindo, é claro.

- Já tive mais tempo para refletir do que gostaria e sei reconhecer uma boa oferta quando vejo uma. - Hendrik se levantou demostrando alguma animação e dirigiu-se para a saída acompanhado por Eleonor. Seguiram pelo corredor tomando o elevador para o deck onde se encontrava o bar. Ao entrarem avistaram Jean Paul com Sevok em uma das mesas junto a mais dois oficiais que eles não reconheceram. Hendrik dirigiu-se ao balcão enquanto Eleonor foi até a mesa onde os dois estavam.

- Posso sentar-me com vocês ?

- Mas é claro ! - respondeu Jean Paul apoiado por Sevok. Neste meio tempo Hendrik reapareceu trazendo dois copos e ofereceu um deles a Eleonor.

- Seu Martini.

- Obrigado comandante.

- Creio que vocês não devem conhecer os nossos companheiros - disse o Vulcano - Estes são os alferes Gart e Melissa. Eu fui um de seus instrutores na academia da frota estelar. - os dois alferes estavam visivelmente constrangidos com a presença dos quatro oficiais de comando a mesa. Responderam com um tímido aceno de cabeça e permaneceram quietos. Eleonor se encarregou então de reiniciar a conversa :

- Sevok, não me parece comum encontra um Vulcano em um bar embora tenha sido uma agradável surpresa.

- A senhora tem razão mas meus ex-alunos quiseram aproveitar o conhecimento do nosso engenheiro sobre os novos motores Warp e como ele estava vindo para cá quando o encontramos decidimos acompanha-lo.

- Ah ! Sim ! Então é este o motivo.- Hendrik entrou na conversa - E então Jean Paul, o que esta achando da vida a bordo ? Deve ser diferente dos estaleiros ?

- Diferente em alguma coisas e em outras não mas tem sido uma boa experiência. O mais difícil tem sido me acostumar a dar ordens pois embora seja um oficial da frota raramente tenho que preocupar com isso nos laboratórios e geralmente trabalhamos com muitos civis. Me acostumei a montar estas naves mas poucas vezes tive a oportunidade de velas operando para valer e nunca fui responsável pela engenharia de uma nave estelar antes. Estava dizendo para nossos jovens amigos aqui que apesar do meu grande conhecimento teórico é bem possível que eles tenham mais vivência nisto do que eu.

- E vocês fazem o que por aqui ? - perguntou Hendrik dirigindo-se aos dois jovens alferes.

- Sou assistente de Tele-transporte Senhor - respondeu Melissa - e Gart trabalha no hangar. - eu pretendo ser engenheira e Gart piloto.

- Agora entendo o interesse de vocês em nosso engenheiro. Já pilotou uma nave estelar antes alferes ?

- Duas vezes, mas era apenas uma fragata, a Tomas Pine em viagens de treinamento. Disseram que fui bem.

- Acredito que sim.

Melissa e Gart se entreolharam. Parecia que algo incomodava o alferes e Hendrik notou isto e embora no inicio tivesse pensado que fosse apenas uma inibição normal.

- Algo de errado Gart ?

- Não senhor ! - respondeu de forma pouco convincente Melissa então o virou-se para ele, e subitamente voltou-se para Hendrik novamente, dizendo :

- Ele está com receio de falar, Comandante mas estávamos conversando antes de virmos para cá e ele disse que se tivesse chance gostaria de lhe pedir algo - Gart gelou e sua face empalideceu. Se tivesse condições, teria tentado mata-la antes que ela falasse. Hendrik já estava ficando impaciente.

- E por que ele não pede então ? - Gart continuava imóvel e gelado e Melissa se divertindo com aquilo continuou falando por ele.

- Ele desejaria conhecer a ponte da Avenger.

- Ahh! Então é isso. Não precisa ficar em pânico rapaz, acalme-se.- deu um sorriso para Eleonor que também estava se divertindo com aquela situação enquanto pensava no que falar. Ele olhava aquele garoto de 19 anos a sua frente e via sua própria imagem nele a onze anos atras. Parecia um desejo tolo mas ele sabia como o garoto se sentia pois já tivera aquele mesmo desejo. Não via razão para não dar permissão mas ao mesmo tempo ele não podia deixar que o acesso a ponte fosse liberado para pessoal não autorizado. Lembrou-se de Seymor que já devia ter sido igual aquele garoto. Qual seria o destino daquele menino ? Mesmo sendo uma viagem de testes certos protocolos tinham que ser mantidos então preferiu adiar qualquer decisão naquele momento.

- Bem verei o que posso fazer Gart, mas sem promessas O.K. ?

- Entendo Senhor e obrigado.- disse o alferes ainda com extrema dificuldade. De súbito ouviu-se um estrondo e pode-se sentir a Avenger dar uma leve sacudida. Imediatamente luzes vermelhas começaram a piscar e ouviu-se o som do alerta. Em seguida a voz de Seymor que estava na ponte foi ouvida em toda a nave :

- Alerta Vermelho. Postos de Combate. Comandante dirija-se a ponte imediatamente.

- Todos pularam de suas cadeiras. Hendrik tocou o comunicador no uniforme enquanto se dirigia para a saída - Aqui é Hendrik ! O que está acontecendo Seymor ?

- Estamos sob ataque. Aparentemente uma Ave de rapina Klingon !

- Klingons ? - a federação estava em paz com o Klingons e não fazia sentido ser atacado por eles. Hendrik estava confuso, quando uma idéia passou pela sua cabeça - será que isto faz parte do teste ? - A nave balançou mais uma vez com um segundo disparo. Já a caminho da ponte e enquanto entrava no turbo- elevador Hendrik virou-se para a Dra Carter dizendo :

- Parece que teremos nossa dose de adrenalina afinal.

- Cuidado com o que deseja, comandante ... - ela respondeu e seguiu para seu posto na enfermaria. Hendrik e Sevok saíram do elevador e imediatamente tomaram seus lugares. Seymor levantou-se da cadeira de comando enquanto passava as informações que tinha enquanto a Avenger sofria o terceiro disparo.

- Confirmado Ave de Rapina Klingon comandante. As leituras indicam uma antiga nave classe D-12 armada com dois canhões Desruptores e torpedos fotônicos. Apareceram de repente dispararam e depois sumiram tão rápido quando apareceram. Estão mantendo este padrão de ataque até agora.

- Visual. - A tela foi ativada mas como esperado ela não mostrava nada fora da nave além de estrelas.

- Danos ?

- Negativo ! Escudos resistem sem problemas. - respondeu Sevok enquanto olhava para seu painel após a Avenger receber o quarto disparo de torpedo. - Sevok então completou - Não consegui ler sinais de vida naquela nave. Eu deveria poder fazer estas leituras quando eles fizeram o ultimo ataque pois estavam sem camuflagem entretanto não pude fazer nenhum contato.

- Isto é estranho! Qual a situação da Enterprise ?

- Mantém posição e ao que parece não foram atingidos até agora. - Informou Cashmir.

- Vamos para 50% de forca de impulso, Iglesias.

- Indo para meia forca de impulso agora.

- Engenharia. Relatório.

- Escudos resistindo. Estamos ainda com 90% de eficiência mas seria bom dar um fim nisto logo - A voz do engenheiro soava preocupada. Era a primeira vez que ele estava em uma nave sob ataque. Os novos escudos defletores funcionavam muito bem e aquela velha nave de guerra Klingon que a muito deveria estar num museu teria muito trabalho para conseguir impor algum dano real a Avenger, entretanto Hendrik ainda tinha duvidas sobre quem a comandava e sobre suas intenções embora o silêncio da Enterprise fosse denunciador. Ao sentir que outro torpedo atingia a nave resolveu afastar da mente tais questões.

- Sevok, temos os registros dos disparos ? Pode dizer de que posição eles foram feitos ?

- Sim. Os disparos estão sendo feitos sempre da mesma posição. Ela aparece nos sensores por breves instantes e enquanto se prepara para disparar é possível captar um aumento no níveis de radiação neutrônica mas não há tempo para lançar um contra ataque baseado nesta posição. A nave inimiga teria tempo de sobra para mudar sua posição.

- De a ultima posição para Cashmir.

- Estou enviando os dados para o controle tático mas creio que um comandante experiente não repetiria o local de lançamento se notasse que vamos revidar.

- Um comandante experiente não atacaria uma cruzador da federação com uma ferro velho. Ponha esta posição na tela. Cashmir, armar phasers. Todos os bancos em potência máxima e fique a postos. Se eu estiver certo e ela repetir a posição teremos um breve visual segundos antes dela disparar novamente.

- Phasers armados e prontos.

Hendrik observava sua oficial enquanto ouvia sua confirmação para a ordem. Ele realmente pensava que aquela menina reagisse com dificuldade a uma situação de combate devido a sua pouca experiência entretanto a pessoa tímida e insegura com a qual ele havia se acostumado dera lugar a uma oficial que manejava com habilidade e destreza os controles táticos. Seu pensamento foi subitamente interrompido pela voz de Sevok :

- Contato ! Nave inimiga esta desligando camuflagem.

Hendrik virou-se para a tela que mostrava uma imagem difusa se formando diretamente a frente. Desta a vez foi a voz de Cashmir que chamou sua atenção num tom acima do seu habitual.

- Phasers travados comandante !

- Fogo !

Os bancos da Avenger dispararam quase ao mesmo tempo em que a nave apareceu totalmente prestes a efetuar mais um disparo. Na tela eles observaram a nave inimiga ser atingida pela descarga num tiro que a pegou pelo meio. Desta vez ela não disparou mas sumiu novamente. Sevok que estava com os olhos fixos na sua estação informou a Hendrik :

- Comandante, conseguimos um disparo certeiro mas ela aparentemente não sofreu danos consideráveis. Voltou a se camuflar.

- Droga ! - Hendrik praguejou. Ele sabia que não a derrubaria num só golpe mas esperava pelo menos danificar o dispositivo de camuflagem.

- A postos para nova posição de ataque do inimigo. - No fundo ele não esperava mais que ela repetisse a tática. Teria que pensar em outra solução. Neste momento a Avenger sofreu novo golpe.

- Novo ataque. Estão mirando na engenharia e desta vez os sensores indicam que eles atacaram saindo de uma dobra alta.

- O que ? - Hendrik mostrou-se surpreso.

- Espertos. Desta forma mesmo que ele repita a posição de ataque não teremos tempo para disparar. - Cashmir completou a informação de Sevok ainda relativamente calma. Quem começava a ficar preocupado era Iglesias espantado com a tática empregada pelo seu atacante.

- Isto é suicídio ! Se eles usarem os motores de dobra junto com a camuflagem e armas vão acabar torrando no espaço. Os geradores deles não podem aguentar isso. - Sevok comentou com seu tom irritantemente sereno :

- Você esta certo tenente mas calculei suas possibilidades e devo informar que as chances deles nos "torrarem "usando esta tática são pequenas mas existem. A nave Klingon continuava seu ataque lento e pausado porém constante e novo impacto foi sentido na ponte.Na ponte da E nterprise Picard e Riker observavam as ações da Avenger pela tela com aparente tranquilidade.

- Ele fez uma boa jogada não acha capitão. Como será que ele descobriu a posição da Ave de Rapina ?

- Seja como for parece que ela continua em condições numero um. Data, quais são as condições da Avenger ?

- Escudos caíram para 80 %, mas continuam efetivos. Todas as demais funções parecem normais.

- E nossa nave de ataque ?

- Estou com problemas para acessar o computador da Ave de Rapina Senhor. Não consigo estabelecer uma conexão. O ultimo ataque feito por ela empregou um tática que não programei.

- Como assim ? Ela devia estar sendo controlada pelo computador da Enterprise !

- Mas não está mais. Creio que o ataque da Avenger possa ter causado o problema.

- Cancele o teste imediatamente.

- Não consigo. Aparentemente o computador da Ave de Rapina assumiu o controle.

- Chame a Avenger. É melhor informar ao comandante Hendrik a situação.

- Canal aberto. Avenger na escuta. - A ponte da Avenger apareceu na tela.

- Capitão Picard. Estamos um pouco ocupados por aqui. - era Hendrik quem falava.

- Sei disso comandante. A nave que esta atacando vocês estava sendo conduzida por aqui por tele-presença, mas aparentemente o ataque realizado por você causou algum problema na nossa capacidade de controla-la. Tentamos cancelar o ataque mas o computador não responde mais aos nossos comandos.

- Isto explica muita coisa. O que acha que ela vai fazer agora ? - enquanto falava sentiu outro impacto. Desta vez foi Data quem respondeu :

- O ultimo comando era para ataca-los e destrui-los.

- Muito simpático de sua parte, Data. Obrigado - Data não entendeu a resposta de Hendrik enquanto Picard voltou a falar.

- Creio que seja melhor tentar se afastar dela.

- Não concordo. Esta nave esta aqui por nossa causa, temos velocidade mais que suficiente para fugir dela mas se formos não sabemos para onde ela vai ou que vai fazer. Creio que temos que tentar imobiliza-la de alguma forma.

- Ele tem razão Capitão - Interveio Riker.

- Sim ele tem, mas não gosto disto. Em todo caso ... Comandante vamos ver o é possível fazer mas se seus escudos chegarem cinquenta por cento vamos embora.

- Entendido ! Avenger Desliga.

Hendrik voltou-se para seu problema com a Ave de Rapina e sobre o que fazer para deter um inimigo que não podia ver, enquanto sentia sua nave balançava de novo.

- Escudos em 75 % - anunciou Cashmir. Pelo menos agora ele sabia o que estava acontecendo embora isto não tivesse ajudado muito.Ouviu Sevok chama-lo :

- A ave de Rapina continua mantendo o mesmo padrão de ataque entretanto não há tempo para uma trava positiva.- Hendrik pensou um pouco sobre a informação do Vulcano e teve uma idéia. Teria que contar com um pouco de sorte e com o raciocínio linear de um computador.

- Talvez não precisemos de trava. Iglesias, parada total. - Todos olharam para Hendrik sem entender por que ele dera aquela ordem.

- Executando parada total agora mas posso perguntar o que esta tentando fazer.

- Oferecendo a ela um alvo fixo. Sevok, marque posição do próximo disparo. - Mais um torpedo atingiu a nave.

- Quanto tempo entre este e o anterior ?

- 30 segundos.

- Quanto tempo para uma salva de torpedos alcançar esta posição ?

- 10 segundos.

- Passe estes dados para o Tático. Vamos disparar dez segundos antes deles. Cashmir, salva de torpedos quânticos com dispersão de 5 graus.- Cashmir recebeu a ordem e começou a fazer os preparativos mas tinha suas duvidas sobre a efetividade do que estavam fazendo:

- Este tempo não é suficiente para ela fugir dos torpedos ?

- Seria se ela pudesse vê-los mas gastando tanta energia e com a distorção que a camuflagem causa acho que não podem. Sevok marque o tempo e transfira o controle de fogo para o computador.

Sevok observou sua estação. No tempo marcado os lançadores de proa cuspiram os torpedos em direção ao espaço. O Oficial de ciências passou a contar o tempo enquanto todos observavam a sua trajetória.

- 8 segundos - os artefatos brilhavam no espaço seguindo num curso seguro e rápido.

- 6 segundos - a tripulação da ponte da Enterprise também viu os torpedos partirem da Avenger sem entender nada.

- 4 segundos - Em que eles dispararam ? - perguntou o Alferes Wesley Crusher. - 2 segundos - a ponte da Avenger estava em completo silêncio, esperando.

- impacto.

Simultaneamente a voz de Sevok a Ave de Rapina apareceu e enquanto o primeiro e o quinto torpedo erravam o alvo o segundo atingiu a nacele de bombordo, o quarto foi direto para a ponte e o terceiro atingiu em cheio o centro da velha nave Klingon que adernou com o impacto enquanto lançava destroços. Desta vez ela não mais desapareceu camuflada.

- Impacto direto. Sensores indicam que os escudos dela caíram. Perderam motores Warp e lançadores de torpedos. Restam forca parcial de impulso e Desruptores mas ela esta girando para nossa direção novamente.

- Computador persistente este.- comentou Cashmir enquanto retomava o controle de fogo.

- Esta agora em curso direto contra a Avenger e disparando Desruptores - Informou Iglesias.

- Não por muito tempo. Armar torpedos fotônicos.

- Torpedos armados.

- Fogo !

A Avenger disparou pela segunda vez e agora todos os torpedos acertaram o alvo simultaneamente literalmente pulverizando a velha Ave de Rapina. Hendrik finalmente respirou aliviado.

- Esta deu trabalho. Engenharia, relatório !

- Escudos caíram para 70 % mas estarão em ordem novamente em 10 minutos. Demais sistemas em ordem. - a voz do engenheiro desta vez soava calma e concentrada.

- Ponte para Enfermaria. Como estão as coisas por ai ?

- Tudo em ordem comandante. Apenas ferimentos leves em dois tripulantes. Nada mais a informar.

- Seymor, informe a Enterprise que estamos bem e que estamos voltando ao curso inicial.

- Sim Senhor. A Enterprise respondeu e esta confirmando retorno ao curso inicial e acrescenta : Bom trabalho. Mensagem enviada pelo capitão Picard. Hendrik aparentemente não demostrou ter dado atenção especial as palavras de Seymor.

- Iglesias, vamos voltar ao nosso curso e velocidades anteriores.

- Curso marcado.

- Acionar. Seymor assuma a ponte. - Hendrik levantou-se e enquanto se dirigia para o elevador foi interrompido por Sevok.

-Pode me dizer como tinha tanta certeza que a nave não mudaria sua rota ?

- Certeza eu não tinha mas se o computador estava no comando da nave imaginei que ele calcularia sua melhor opção para cumprir as ultimas ordens que lhe foram dadas. Uma vez adotada a tática ele não teria motivos para muda-la. Um palpite que deu certo. O resto foi fácil.

- Devo dizer que estou impressionado com seu curso de ação.

- Não há motivo para isso Sevok, uma velha Ave de Rapina não seria páreo para nós. Uma dúzia daquelas velhas naves talvez não fosse.

- Mesmo assim devo dizer que seu uso da lógica neste incidente foi satisfatório se permite a observação.

- Fico muito lisonjeado com sua opinião mas eu tinha uma vantagem : Um computador não antecipa. Mesmo aquelas velhas naves já nos deram muito trabalho antes em mãos de comandantes mais astutos.

Sevok assentiu com um aceno de cabeça e Hendrik continuou seu caminho pensando se teria tido sucesso em não deixar transparecer sua satisfação com seu próprio desempenho ao seu oficial de ciências enquanto cumprimentava a si mesmo. Entrou no elevador enquanto se decidia para onde iria primeiro. Mesmo não sendo o capitão ele havia desenvolvido um hábito nas naves onde serviu. Sempre após alguma batalha ou qualquer situação de perigo ele gostava de ir pessoalmente a engenharia e a enfermaria. A única coisa que ele não conseguia decidir em que ordem faze-lo. Sempre acabava indo a ala médica primeiro. Quando entrou viu imediatamente a Dra. Carter dando as últimas recomendações aos dois pacientes acidentados.

- Olá Dra. Vim ver como estavam as coisas por aqui.

- Estão exatamente como eu disse eu meu relatório comandante !

Hendrik estranhou o humor da doutora mas não quis fazer nenhum comentário afinal ainda havia muito a descobrir sobre todos a bordo.

- Desculpe se fui mal interpretado, apenas tenho o hábito de ver os tripulantes feridos, só isso. -

- Entendo e admiro seu zelo para com a tripulação mas como pode ver esta tudo bem. E já que esta aqui pode me dizer o que nos atacou ?

- Uma Ave de Rapina Klingon controlada por computador a partir da Enterprise.

- Um teste então ! Pelo Jeito nos saímos bem !?

- Sim, nos saímos.

- Como a frota conseguiu aquela nave ? Os Klingons mesmo sendo nossos aliados agora não ficariam muito satisfeitos que ficássemos xeretando sua tecnologia em especial seus dispositivos de camuflagem.

- Você conhece bem estes assuntos para uma médica Dra., vejo que suas surpresas estão longe de acabar. Quanto a Ave de Rapina ouvi falar que a frota estelar havia pedido algumas naves fora de serviço para manobras.

- Estranho eles terem concordado mesmo assim.

- Na verdade não foi assim tão fácil mas depois que Império Klingon começou a ter seus problemas muitas de suas velhas naves que deviam ser postas fora de serviço desapareceram misteriosamente e foram acabar nas mãos de contrabandistas e piratas, por um preço. Não seria difícil para a federação conseguir uma dessas. Não poderíamos usa-la abertamente mas poderíamos estuda-las então eles chegaram a conclusão que se nos entregassem as naves poderiam tirar algum proveito da situação. Política Dra.

- Política ! Agora entendo ! Mas como eu disse estamos bem por aqui.

- Ótimo, irei a engenharia então.

- A vontade comandante.

Enquanto Hendrik dirigia-se ao elevador imaginava o que haveria acontecido para transformar o humor daquela mulher ou se esta seria sua atitude normal durante seu trabalho. A portas se abriram no deck 16 e ele seguiu até a engenharia. Estava curioso sobre qual seria o estado de Jean Paul. Quando entrou viu que tudo estava calmo por lá pelo menos na aparência. O pessoal trabalhava em suas estações como se nada tivesse acontecido. E estranhamente ele tinha a impressão de que todos estavam mais animados e quando percebeu que ele próprio se sentia assim chegou a conclusão de que não era somente ele e Dra Carter que sentiam falta de animação. Enquanto procurava por Jean Paul reconheceu a alferes Melissa em uma das estações e se aproximou dela que estava tão concentrada no que fazia que não notou que ele se aproximava. Hendrik parou ao lado dela, que ainda não havia notado a sua presença e perguntou:

- Posso perguntar o que esta fazendo nesta estação ?

- Alguns conduites EPS apresentaram sinais de sobrecarga durante o ataque. Estou fazendo um diagnostico de nível 3 para saber se eles precisam ser substituídos. - respondeu Melissa ainda sem ver Hendrik.

- Isto eu já vi alferes. Quero saber o que faz na engenharia ! Seu posto não era na sala de transporte ? -foi só então que Melissa percebeu com que falava. Deu um salto para longe da estação e pálida desandou a falar descontroladamente.

- Comandante Hendrik ... eu desculpe o ataque começou ... todos correram para seus postos ... eu acabei correndo para cá no meio da confusão ... o painel principal mostrava problemas nesta estação ... não havia ninguém aqui ... então tentei fazer o que pude ...,

- Já chega Alferes. Jean Paul lhe deu autorização para ficar na engenharia ?

- Comandante, acho que ele sequer notou que eu não devia estar aqui. - neste momento Jean Paul se aproximou deles e quando viu Melissa percebeu o que estava acontecendo.

- Desculpe comandante mas a culpa foi minha. Fiquei tão concentrado na manutenção dos sistemas que não me apercebi que ela estava aqui.

- Ela estava realizando um diagnostico de nível três nesta estação Tenente. E então Melissa, qual o resultado do seu diagnostico ?

- Ainda não esta completo mas creio que não será necessário substitui-los. -Jean Paul se aproximou da estação e confirmou o diagnostico da jovem Alferes com um sinal de aprovação para Hendrik. Ouviram então o chefe de transporte chamar Melissa pelo comunicador da nave. - Alferes Melissa apresente-se ao seu posto imediatamente. Melissa começou a se afastar da estação porem quando ia responder ao chamado Hendrik o fez :

- Tenente Farrel, aqui fala o Comandante Hendrik. A alferes Melissa se encontra na engenharia auxiliando o Engenheiro Jean Paul e ira se apresentar assim que ele a liberar. -

- Comandante !? Melissa esta o fazendo o que ? Ela deveria ter se apresentado a mim ao toque de alerta. - a voz de Farrel aparentava mais surpresa do que irritação. Certamente ele também havia sido cativado pela impetuosidade dela.

- Sabemos disso mas foi uma emergência. Aguarde até que Jean Paul a dispense.

- Sim senhor. - desta vez era Melissa que estava sem fala. Inconscientemente estava agradecendo por seu amigo Gart não poder vê-la agora.

- Volte ao trabalho e quando terminar apresente-se a Jean Paul, e alferes, na próxima vez que abandonar seu posto sem avisar seu oficial superior ira servir bebidas no bar.

- Sim senhor !

- Vamos Jean Paul, quero conversar com você.

Após se afastarem de Melissa Hendrik dirigiu sua atenção a Jean Paul e por mais que tentasse não conseguiria ser duro com seu engenheiro por ter deixado que aquela Alferes fizesse o que fez. Ele mesmo estava a ponto de fazer algo parecido em relação ao Alferes Gart. Quando estavam distante dela ele virou-se para Jean Paul:

- Posso entender que seu interesse pela situação da engenharia possa lhe deixar desatento em relação aos tripulantes durante uma situação de crise e também posso entender que apoie uma jovem tripulante que demonstre uma energia extrema e uma grande vontade de aprender mas não posso entender que não compreenda que uma tripulante, mesmo uma estagiaria, tenha que se apresentar ao seu oficial superior durante um alerta ou pelo menos informar a ele onde esta se não puder se apresentar a não ser que esteja morta e Melissa não me parece morta. Devemos ser capazes de manter a auto disciplina Jean Paul.

- Não vai acontecer novamente. Terei mais atenção da próxima vez.

- Espero que sim. Não quero passar a idéia que as pessoas podem fazer o que querem por aqui e tenho certeza que você ficaria tão irritado quanto Farrel se um de seus subordinados não se apresenta-se. Mas vamos deixar isso da lado pois não foi isso que vim discutir com você. Quero saber a situação da engenharia. Como foram as coisas por aqui ? - As feições do tenente se mudaram quase como por mágica quando ele começou a responder:

- Muito bem. Todos os sistemas responderam a contento e já estamos operando com capacidade total novamente. Esta será uma das melhores naves da frota embora ainda tenhamos muitos testes pela frente. As taxas de dissipação dos novos defletores são excelentes. Uma outra nave teria problemas se fosse exposta a tantos impactos diretos como fomos. Engraçado como certas verdades não se alteram com o passar dos tempos. Nossa tecnologia de armas e defesas cresceu enormemente por causa das ultimas guerras.

- Nisto você tem razão. E seus estagiários ? Como se saíram ?

- Foram bem. No inicio todos inclusive eu, ficamos meio tensos mas logo este sentimento passou quando tivemos que tomar conta dos nossos problemas por aqui. Os garotos são bons e creio que já estou mais adaptado a minha nova situação.

- Fico mais tranquilo ouvindo isto. Creio que vocês ainda tem bastante a fazer por aqui por isto não vou incomoda-los mais - enquanto se preparava para sair olhou novamente para a estação onde estava Melissa, parou por um instante e então perguntou para o tenente :

- Ela é boa Jean Paul ?

- Pelas conversas que tive com Farrel bastante promissora embora muito afoita.

- Isto eu já notei. Se achar que ela tem condições transfira-a para cá. Mas se o fizer lembre-se que ela será sua responsabilidade.

- Acho que será uma boa idéia. Obrigado !

- Não me agradeça. Ter um estagiário no seu pé é quase tão ruim quanto se desgrudar de uma Ave de Rapina.

- Lembrarei disto.

Na ponte todos haviam retornado a suas funções mas os comentários sobre a batalha simulada eram a o único assunto por ali. Iglesias e Cashmir conversavam sobre os acontecimentos observados por Seymor, Sevok e os outros tripulantes.

- Confesso que fiquei impressionada com o comandante Hendrik. No inicio achei que ele não sabia o que fazer mas ele agiu com uma calma e certeza que eu não julgava possíveis.

- Não disse que ele era bom. - Iglesias completava a afirmação da Tenente.

- Se me lembro bem Sr Iglesias, o senhor demonstrou certo receio quando ele lhe ordenou a parada da nave. - Sevok não perdia uma oportunidade de censurar o piloto.

- Bem realmente estranhei a ordem pois se já era fácil para aquela Ave de rapina nos atingir em movimento seria muito mais fácil com a nave parada.

- Mas ao fazer isto ele tornou todas as variáveis fixas, e pode antecipar mais facilmente o local onde a nave apareceria. - completou Seymor. - Iglesias girou sua cadeira em direção a Seymor e disse :

- Acho que eu não teria esta idéia. - Seymor sem pensar respondeu ao navegador.

- E por isso que ele é o Comandante e você não. - Iglesias não entendeu bem a resposta do Oficial, mas não era do tipo de criar problemas. Preferiu não dar muita atenção a Seymor.

- Hendrik para ponte. Apresente-se ao meu alojamento Sr Noan. - a voz soou através do intercomunicador e todos se entreolharam. Até o momento o comando sempre fora ocupado por Noan ou Hendrik e na eventual situação dos dois se ausentarem o próximo na linha de comando era Iglesias que não fazia questão de esconder de ninguém que o comandar era uma situação que não lhe agradava. Eles esperavam para ver o que ia acontecer.

- Estou a caminho Comandante. - Noan levantou-se, olhou em volta e aparentemente sem perceber o que estava acontecendo disse a Iglesias naturalmente:

- Iglesias, a ponte é sua.

- Minha ... !!!? - respondeu Iglesias sabendo que era uma pergunta idiota a que fazia.

- A não ser que alguém tenha sido promovido sem meu conhecimento creio que você é o único tenente comandante na ponte.

- É claro.

Noan entrou no elevador sem notar o que estava acontecendo as suas costas. Iglesias girou e ficou observando a cadeira de comando meio assustado enquanto seu substituto aguardava para assumir a navegação. Sevok foi quem mais uma vez chamou a atenção dele.

-Tenente, sem querer ser indelicado gostaria de lembra-lo que deveria se sentar na cadeira a qual observa.

- Ah, sim, é claro. - levantou-se e ainda meio a contragosto e foi em direção a cadeira. Sentou -se como que se sentava em um espinheiro. Cashmir que o observava com um sorriso gaiato no rosto, perguntou irônica :

- Algo errado com a cadeira Senhor ?

- Não, não, tudo bem !

- Que Deus nos ajude ! - disse baixinho a oficial enquanto voltava a atenção para seu trabalho tentando conter o sorriso.

****

Capítulo IX.

Em Thassos, os pesquisadores estavam no inicio da fase de exploração do hemisfério Norte e esta sem duvida era a fase mais delicada de toda operação o que fazia com que as equipes estivessem tensas. Após o incidente com a queda da nave em Dite o Tenente Reyad conseguiu convencer a frota a instalar sensores de longo alcance que os permitiam se prevenir contra surpresas e eles eram monitorados 24 horas por dia pêlos oficias da frota estelar, mas desde aquele incidente nada mais aconteceu que fosse digno de registro. O oficial que estava de serviço estava sonolento e ocupava seu tempo com um jogo de xadrez tridimensional quando um sinal no comunicador o chamou atenção. Era o posto de observação numero 3, na Zona Neutra passando um informe que lhe deixou preocupado. Ele verificou a tela do radar e riu, pensando :

- Tivemos tanto trabalho para instala-lo e talvez ele não sirva de nada agora. Checou o equipamento e o mesmo não apresentava sinal de mal funcionamento mas não conseguiu localizar nada, então entrou em contato com o tenente Krieg para informar sobre a mensagem que havia recebido do posto avançado.

- Posto numero um chamando o Tenente Krieg.

- Aqui é Krieg, prossiga.

- Tenente, recebi uma mensagem do posto avançado numero três na Zona Neutra. Eles pegaram um sinal vindo de dentro do espaço Romulano em curso direto para cá, entretanto o sinal era fraco e sumiu logo. Tentarão confirmar.

- Eles disseram mais alguma coisa David ?Que tipo de contato era pelo menos?

- A informação da conta que o sinal sumiu antes que eles pudessem confirmar qualquer coisa mais parecia uma nave e bem grande, em 206 marco 3.

- São mesmo as coordenadas da Zona Neutra.

- Exato.

- Continue a postos e informe se eles entrarem em contato novamente.

- Entendido.

Krieg foi a procura de Reyad que estava verificando os preparativos para a saída do próximo grupo de pesquisa junto com Sakati e mais alguns integrantes do grupo. Krieg aproximou-se dele :

- Preciso falar com você em particular. - Reyad achou estranho a atitude do tenente mas passou o seu Datapad para o oficial que o acompanhava e o seguiu. Quando se distanciaram perguntou :

- O que houve ?

- O posto de observação numero 3 captou um sinal que parecia ser uma nave vindo da Zona Neutra mas que desapareceu da tela do radar muito rápido. Pode não ser nada mas é estranho.

- Estranho realmente. Quanto tempo acha que levariam para chegar aqui se fossem realmente quem pensamos quem são ?

- Calculando pela posição do contato e levando em consideração o que sabemos sobre Romulanos umas 6 a 8 horas. Pode não ser nada, mas ...,

- Mas é melhor não correr riscos. Cancele todas as saídas e traga o pessoal que não está na base volta. Vamos leva-los para o abrigo de emergência. Felizmente todos estão próximos.

- Certo. Devo informar a frota estelar ?

- Não. Se forem realmente Romulanos eles saberiam que os captamos e não temos certeza de nada ainda. Se for mesmo verdade o posto numero três ira avisar a frota e eles tem equipamentos melhor do que os nossos.

- Tudo bem. Estou indo então.

Krieg saiu para reagrupar o pessoal da expedição enquanto Reyad pensava no que estaria para acontecer. Desde que veio para Thassos imaginava que poderiam ter que problemas com Romulanos pois embora os mesmos não aparecessem a muito tempo esta era uma possibilidade devido ao fato de estarem próximos mas ele nunca a havia considerado seriamente até agora. De qualquer forma não restava muito a fazer a não ser cuidar da segurança de todos da maneira que fosse possível e torcer para que não fosse nada.

A Dra Kyle estava concentrada em suas pesquisas no laboratório de geologia quando um oficial da frota estelar entrou e se dirigiu a ela :

- Dra. Kyle ! Ordens do comandante Krieg. Todos devem se recolher ao abrigo imediatamente.

Kyle olhou sem entender o que estava acontecendo enquanto o restante dos técnicos se aproximava dela também surpresos. Não era do feitio de Krieg dar ordens a ela ou a sua equipe embora fosse um oficial da frota. Eles tinham conseguido equilibrar bem o que era assunto militar e o que não era até então.

- Posso saber por que, oficial ?

- Fui informado apenas das ordens senhora.

Ela preferiu não discutir e pediu que seu pessoal seguisse as orientações que acabavam de receber :

- Façam o que o jovem nos pede no momento enquanto eu vou tentar descobrir o que esta acontecendo.- os técnicos se dirigiram para local indicado enquanto Kyle saiu em busca de Krieg. No caminho encontrou Reyad que dava algumas instruções para um grupo de segurança.

- Tenente Reyad, posso saber por que o pessoal esta sendo recolhido ao abrigo?

Reyad observou a Dra e embora não quisesse dizer nada ao pessoal civil para não espalhar pânico conhecia de longa data a persistência dela e optou por não perder seu tempo tentando ocultar seus receios.

- A alguns minutos recebemos uma mensagem de um de nossos postos avançados que informou ter captado por alguns instantes algo que parecia ser uma nave vindo da direção da Zona Neutra. O sinal desapareceu mas preferimos tomar algumas precauções e até termos certeza sobre o que aconteceu todos ficarão no abrigo.

- Por quanto tempo ?

- Pelo tempo necessário.

- Acho sua preocupação exagerada Reyad. Nossos postos ao longo da Zona Neutra já teriam nos confirmado isto.

- Não é bem assim. O sinal foi localizado dentro da Zona Neutra o que pode telos deixado distraídos tempo o suficiente para o posto pegar o sinal mas se eles se camuflaram podem passar bem debaixo do nariz do pessoal de posto sem serem vistos e além do mais a distância em que nossos postos estão faria com uma mensagem deles levasse horas para chegar aqui, tempo que pode ser suficiente para uma nave Romulana nos alcançar. Dra, até hoje procuramos ao máximo não interferir no seu trabalho mas esta é uma situação delicada e preciso de sua ajuda.

Kyle no fundo sabia que Reyad tinha suas razões e finalmente assentiu.

- Esta bem Tenente, farei o máximo para ajudar no que for possível.

-Obrigado, e prometo que lhe avisarei tão breve esta situação toda termine.

Kyle se afastou deixando o tenente entregue as sua preocupações.

Seymor encontrou Hendrik em seu alojamento observando algumas anotações no terminal do computador meio distraidamente. Aquela volta pela nave o deixara bem e começava a ficar mais tranquilo em relação a sua tripulação. Era hora de começar a ver como seu primeiro oficial estava se saindo. Já havia recolhido algumas opiniões de forma indireta e elas eram unanimes em apontar Noan como um oficial dedicado e sério embora um tanto quanto introspectivo, mas nada que viesse a causar problemas com a tripulação. Era comum vê-lo verificando as condições da nave e a situação dos tripulantes e estava sempre reunido com os chefes de equipe recolhendo informações e dando suas opiniões. Uma coisa era certa : onde quer que ele tivesse passado havia adquirido conhecimentos suficientes para exercer o trabalho que lhe havia sido entregue. Lidava muito bem com as tarefas inerentes a função, e embora Hendrik ainda não consegui-se velo ainda com total confiança achava que com o tempo aquele poderia ser um bom oficial para a frota.

- Comandante ?

- Olá Noan. Fique a vontade. Creio que Iglesias deva estar no comando agora ?

- Acho que era a escolha obvia salvo engano de minha parte.

- Oh sim ! Claro que era, mas já deve ter notado que ele não vê esta possibilidade com bons olhos.

- Percebi isto. Creio que fui um pouco duro com ele a alguns minutos na ponte mas não tinha a intenção de desconcerta-lo. Se ele não gosta e se você concordar podemos dar um outro jeito.

- Não será necessário Noan. Na frota estelar não temos o luxo de escolher o que gostamos ou não gostamos e ele tem que saber que não é exceção. Caso haja alguma emergência ele e todos nós devemos estar prontos para assumir posições e tomar decisões que não gostamos e o fato dele ser meu amigo pessoal não o livra de suas responsabilidades nesta nave. - as palavras de Hendrik causaram uma certa surpresa em Noan, que achava que um dos motivos dele ter sido escolhido para o posto justamente para preservar Iglesias de assumir responsabilidades que ele não gostaria, mas pelo jeito não era isto que realmente o havia levado a não escolher Alejandro para o posto.

- Creio que esta intrigado pelo fato de ter pedido que você viesse aqui ao invés de recebe-lo no escritório mas não há nenhum motivo especial nisto. Apenas gostaria de conversar com você e estou um pouco cansado do escritório.

- Sem problemas. Algo fora da rotina ?

- Na verdade não, apenas achei que já era hora de conversarmos um pouco sobre a nave e a tripulação. Gostaria de saber suas impressões.

- Creio que não há muito a dizer. A nave é ótima e a tripulação vai indo bem apesar da pouca experiência. E devo dizer que todos se impressionaram com seu desempenho contra a Ave de Rapina.

- Esses cadetes se impressionariam se nós tivéssemos acertado um cargueiro. Você mesmo já deve ter passado por situações piores.

- Sim ! Já vi alguns bons amigos morrerem por que o comandante de sua nave não conseguiu se livrar de uma nave Klingon Pirata do mesmo tipo que nos atacou.

Hendrik parou por alguns instantes pensando nas palavras de Noan. Embora ele soubesse que estes eram fatos era difícil para ele entender a idéia de pessoas andando pelo espaço em velhas naves piratas sem pátria em pleno século 24.

- De qualquer maneira isto não vem ao caso agora. Continuamos com problemas para encontrar alguém para oficial de segurança ?

- Sim ! Olhei as fichas de quase todos os tripulantes e não consegui achar ninguém que pudesse usar. Encarreguei o Tenente Ramur de treinar algumas equipes mas ele também não tem experiência embora muita forca de vontade.

- Isto parece uma praga por aqui !

- Como disse ? - Noan se mostrou espantado com a exclamacão de Hendrik.

- Nada, nada ! Prossiga.

- Como vamos ficar mais três semanas na nave somente será necessário deixar este assunto para a proxima tripulação.

- Creio que a proxima tripulação não será muito diferente desta tenente. Fui informado pelo capitão Picard que a frota pensa em manter muitos dos atuais tripulantes aqui apenas trazendo mais alguns oficiais mais experientes.

- Mas mesmo assim devera haver pessoas capacitadas entre os outros que vão vir para cá!

- É bem provável.

- Vai ficar aqui também ?

- Acredito que não ! Tenho meu posto na Venture e devo voltar para lá quando estes testes acabarem.

- E quanto a mim ? Sabe de alguma coisa ?

- Todo o pessoal que já prestava serviço em naves estelares antes deve voltar par suas funções anteriores com exceção da Dra. Carter. Ela deverá permanecer na Avenger.

- A Dra ? Mulher intrigante ela. Está sempre dando conselhos e opiniões e parece que sempre adivinha o que se passa na sua cabeça.

- Então também já percebeu os dotes da dela. Ela tem sido uma boa companhia mas também notei as mesmas coisas que você mas não me parece uma má pessoa.

- Em absoluto. Pelo contrário e devo até dizer que ela foi um pouco responsável pela minha decisão.

- Não soube disto !? Tiveram tão pouco tempo para conversar! Ela é realmente impressionante. Mas por falar em sua decisão como tem se sentindo em relação a ela até o momento ?

- Muito bem. Trabalhar com tanta gente jovem e sem os vícios que meus ex-companheiros da dissuasão tinham tem sido relaxante. - era a primeira vez que Hendrik ouvia Noan se referir ao termo " dissuasão ", e calculou que era este o nome do tal grupo de inteligência que trabalhava por traz das cortinas da Frota estelar.

- Pensei que trabalhar em meio a tantos amadores fosse ser uma tarefa maçante para você !

- Também pensava isto mas depois passei a apreciar responder as perguntas e duvidas deles. Onde estava antes todos eram tão seguros de suas qualidades que as vezes se tornavam pedantes. Creio que eu mesmo o era. Gostaria muito de poder continuar aqui se fosse possível.

- Isto eu não posso garantir Noan. Quem sabe ?

- Eu entendo. Vamos ver o que acontecera.

- Por agora há uma coisa que eu gostaria que fizesse : Já que está tão satisfeito em trabalhar com nossos jovens cadetes pensei que podíamos criar uma espécie de programa de treinamento entre eles. Fazer com que tenham a oportunidade de aprender um pouco mais sobre aquilo que desejam fazer na frota. Sei que está não é uma nave-escola, mas como não temos muito com o que nos preocupar mesmo acho que isso pode ser bom para eles.

- Me parece uma boa idéia mas deve estar preparado para alguns acidentes de percurso.

- Eu sei mas como diria Iglesias, para grandes conquistas grandes riscos.

- Já notei que o Sr Iglesias é chegado a frases de efeito.

- Um traço da personalidade dele ao qual me acostumei. E por falar nele e no nosso programa de treinamento tem um jovem alferes no hangar que tem alguma experiência como piloto e eu gostaria que o senhor desse uma atenção especial para ele. Chama-se Gart.

- Já o vi por lá em algumas de minhas inspeções ele realmente chama atenção pela energia. Alguém de sua estima se me permite a pergunta ?

- Na verdade encare como se algo que devo a mim mesmo, mas tenha sempre em mente a segurança da nave Noan, não vou passar por cima de seu julgamento e o de Iglesias se vocês acharem que o menino pode causar algum problema. Pode ter deixar comigo Comandante.

- Aproveite também e deixe alguém efetivo no posto de comunicações. Não vejo sentido em prende-lo com esta tarefa e deve ter alguém aqui que saiba usar um radio.

- Já que insiste podemos comissionar o Alferes Andrei que tem sido meu substituto.

- Faça isto então.

- Enquanto os dois conversavam ouviram a voz de Iglesias no intercom ;

- Ponte para Comandante Hendrik.

- Hendrik falando. O que é Iglesias ?

- O Capitão Picard deseja vê-lo comandante e pede sua presença a bordo da Enterprise imediatamente.

Noan e Seymor se entreolharam numa expressão de espanto. Desde que saíram da base estelar Picard não tivera mais nenhum contato pessoal com eles. Todas as orientações haviam sido passadas por radio e somente alguns oficiais da Enterprise vieram a bordo da Avenger para recolher dados. Era de estranhar aquela atitude aquela altura.

- Informe a Enterprise que estou a caminho, Iglesias.

- Sim senhor.

- Creio que ela deva querer discutir algo sobre nosso confronto com a Ave de Rapina. Tome as ações necessárias para executar o que conversamos. Não devo demorar por lá.

- Entendido. Farei isto.

Hendrik saiu de seu alojamento para a sala de transporte enquanto pensava se aquele seria realmente o motivo desta conversa inesperada mas não podia ter idéia melhor pelo menos por enquanto. Chegou rapidamente a sala de transporte onde estava Farrel e seu novo auxiliar, subiu rapidamente a plataforma e deu a ordem para acionar o transporte. Só notou que o processo já havia terminado quando percebeu que era o comandante Riker quem estava agora a sua frente ao lado da estação de Tele- transporte da Enterprise. Desceu da plataforma dirigiu-se a Riker em tom mais oficial do que normalmente usava.

- Comandante Philip Hendrik solicitando permissão par vir a bordo senhor !

- Permissão concedida e pode ficar a vontade Comandante.

- Obrigado - Hendrik estranhou o fato de Riker vir lhe receber. Da primeira vez que veio a bordo foi recebido pelo Tenente comandante Data. Sabia que Picard raramente recebia alguém pessoalmente mas sabia também que ser recebido por Willian Riker - homem da máxima confiança do Capitão - a bordo da Enterprise era algum sinal. Ele só não sabia o que este sinal queria dizer.

- O capitão lhe aguarda em seu escritório. Se me acompanhar.

- Puseram -se a caminhar enquanto a curiosidade de Hendrik aumentava de modo a incomoda-lo. Ao entrarem no elevador Riker ordenou que o mesmo fosse para a ponte e então voltou-se para Hendrik novamente.

- Devo confessar que fiquei impressionado com a maneira como se livrou da Ave de Rapina. Já acompanhamos este teste outras vezes e todos sempre tiveram bastante dificuldade com ela.

- Com certeza eles não tinham uma nave como a que tenho, Isto facilita muito.

- Ambos sabemos que as coisas não são assim tão simples como diz mas se insiste em demonstrar uma falsa modéstia não serei eu quem ira contradize-lo.- Hendrik tentou ignorar a observação do comandante e aproveitou para tentar descobrir algo antes de encontrar Picard.

- É sobre isto que o Capitão deseja falar comigo ?

- Ele lhe informara o que precisar saber.

- Sim senhor - nisto a porta do elevador se abriu e eles entraram na ponte se dirigindo ao outro extremo onde ficava o escritório do capitão. Picard os aguardava com certa impaciência. Riker parou a porta deixando que Hendrik entrasse após anuncia-lo. Picard finalmente se dirigiu a Hendrik pediu que ele sentasse e com atenção ainda em Riker completou :

- Will, creio que não vamos conversar sobre nada que você já não saiba por isto quero que faça os preparativos para que possamos partir tão logo o comandante nos deixe.- Hendrik sentiu que algo realmente estava errado. A Enterprise partiria e isto só podia significar problemas.- Picard finalmente começou a falar.

- Senhor Hendrik, teremos que deixa-los. Surgiu um assunto que a frota quer que investiguemos e devemos partir já.

- Posso perguntar qual seria a origem do problema senhor ?

- Ainda não sabemos ao certo mas precisaremos ir ao planeta Thassos. Não deve ser nada mas o comando da frota prefere que averiguemos.

- Claro. Os últimos acontecimentos nos deixaram muitas lições. E quanto Avenger ? O que faremos ? Pelo jeito não iremos com vocês.

- Não comandante. Sua tripulação é muito jovem e embora acreditemos que não seja nada é melhor não corrermos riscos desnecessários. Creio que a Avenger deva retornar a Base estelar 47 até nossa volta.

- Com todo respeito capitão acho que devíamos continuar os testes até o retorno da Enterprise. Não vejo razão para voltarmos a base estelar.Já viu que podemos nos virar bem por aqui e não há nada para se preocupar.

- Talvez mas a responsabilidade ainda é minha.

- Capitão ! Com o devido respeito sei fazer o meu trabalho e se não terminarmos logo estes testes a Avenger não será comissionada na data prevista e além do mais tenho um monte de jovens tripulantes naquela nave que passaram 4 semanas dentro de uma nave parada numa base estelar e que vão ficar extremamente decepcionados sé voltarmos para lá antes do previsto.

- Existem muitas outras coisas no nosso trabalho que são com certeza muito mais " desagradáveis e decepcionastes " que a situação da sua tripulação e sabe tão bem quanto eu que como oficias da frota sempre somos chamados a situações desagradáveis.

- Sei e posso conviver com isso e estou pronto para exigi-lo da minha tripulação quando existir motivos para tanto e sinceramente não vejo motivos para não continuarmos. - Picard parou e passou a refletir sobre que decisão tomar e enquanto pensava não podia deixar de admirar a tenacidade de Hendrik. Sentia que ele tinha razão mas mesmo assim achava preocupante deixar a Avenger sem um comandante mais experiente. Ele gostaria de ter mais tempo para pensar mas não tinha. Precisava ir imediatamente para Thassos. Este pensamento o fez decidir-se.

- Esta bem, os testes vão continuar até nossa volta.

- Obrigado Capitão. - Picard levantou-se acompanhado por Hendrik e quando este se preparava para sair fez uma ultima observação :

- Comandante vou lhe dizer uma coisa que quero que encare não como uma ordem ou sentimento de desconfiança mas como um conselho de um homem mais velho. De um comandante para outro : Tenha sempre a segurança de sua tripulação em primeiro lugar. Se eles tiverem que ser sacrificados que seja por um motivo realmente importante.

- Terei isto em mente. Se não tem mais nada a dizer vou deixa-los agora pois deve estar com pressa para partir. Boa Sorte Capitão.

- Hendrik deixou a Enterprise pensativo e já de volta a Avenger analisava a conversa que acabara de ter e chegara a uma conclusão : Um assunto que envolvesse um planeta próximo a Zona Neutra e a Enterprise não poderia ser classificado como nada ou sem importância. Algo estava acontecendo e ele sentiu um calafrio percorrer seu corpo quando passou por sua cabeça que a possibilidade de uma nova ameaça Romulana podia ser um prenuncio de mais uma Guerra. Desde que a Zona Neutra foi estabelecida as relações entre eles e a federação sempre foram tensas e talvez tivessem chegado a conclusão que de era hora de tentarem uma invasão com a federação enfraquecida após tantos conflitos. Mas por enquanto ele só podia esperar e torcer para que a Enterprise tivesse sucesso. Chegou a ponte com a fisionomia preocupada. Quando olhou para o posto de comunicações encontrou o alferes Andrei e presumiu que Noan já tivesse posto em prática suas orientações. - Melhor assim ! - pensou.

- Senhores, quero a atenção de todos por favor.- imediatamente a tripulação da ponte virou-se para ele. Estavam ansiosos pois todos já sabiam que Hendrik havia ido a Enterprise.

- Surgiu um pequeno problema e a Enterprise terá que se retirar portanto estaremos sozinhos até a sua volta. Fiquem atentos para qualquer coisa e informem a mim ou ao comandante Seymor qualquer fato que julguem anormal. - Sabe que tipo de problema ? - perguntou Iglesias.

- Não fui informado a este respeito, apenas que é algo com uma de nossas colônias no planeta Thassos. Mas o Capitão Picard acredita que não seja nada importante. Trata-se apenas de precaução.

- E por que não vamos com eles já que não é nada sério ? - desta vez era

Cashmir quem fazia a indagação a Hendrik que mais uma vez se surpreendeu com a vontade dela.

- Por que estamos em testes e não temos sequer uma tripulação completa. Vamos seguir nosso cronograma conforme ordenado. Por enquanto não há mais nada a acrescentar. Seymor, é melhor informar ao resto da tripulação. Sevok, me acompanhe até o escritório. - Hendrik levantou-se seguido por Sevok. Quando chegaram ao escritório Hendrik perguntou enquanto se sentava.

- Sevok, o que pode me informar sobre o planeta Thassos ?

- Thassos é um planeta classe M, próximo a zona neutra que foi catalogado a 5 anos em uma viagem da Nave Estelar Bozeman. Ficou esquecido devido aos últimos conflitos que tivemos mas com o fim das hostilidades a federação voltou novamente sua atenção para ele. Metade do planeta suporta tranquilamente a vida humana mas a outra metade tem um clima extremamente hostil com Vulcões em erupções constantes e fortes explosões de gases causando ventos de até 200khm/h. Exatamente por isto é que se tenta estabelecer uma colônia neste local pois poderíamos usar a Energia Geotérmica abundante no planeta como fonte natural. A idéia é que Thassos seja no futuro um porto para naves em missão de longa duração. Atualmente existe uma equipe de 50 pessoas lá entre oficias da frota e pesquisadores. Creio que isto é tudo que posso dizer no momento.

- Obrigado. Veja se consegue descobrir mais alguma coisa sobre este planeta e me avise se conseguir.

- Certamente. Acha que os problemas podem ser mais sérios do que nos foi informado ?

- Não tenho elementos para afirmar isto mas para a Frota colocar a Enterprise em alerta alguma coisa deve estar mal explicada.

- Isso me parece lógico.

- E por precaução prefiro tomar minhas providências.

- Sábio de sua parte. Posso ir então ?

- A vontade, e quando sair peça para Iglesias vir aqui.

- Sim senhor.

- Logo em seguida Iglesias entrou na sala com uma aparência que não deixava disfarçar sua preocupação :

- E então Philip, acha que teremos problemas ?

- Não sei. A conversa com o Capitão Picard só para variar não disse muito somente que existe algo acontecendo em Thassos.

- Será que este algo tem a ver com Romulanos ?

- Sabe tanto quanto eu. Em todo caso quanto tempo levaríamos para chegar a Thassos em dobra Máxima ?

- Umas oito horas mas pelo que ouvi de você nós não vamos para lá, ou vamos ?

- Quero apenas ter uma idéia de quanto tempo a Enterprise vai ficar fora.

- Por que será que não acredito em você ? - Hendrik não respondeu ao comentário e mudou de assunto.

- Seymor teve tempo de conversar com você sobre minha idéia em relação aos cadetes ?

- Sim e embora seja meio perigoso vai me dar algo mais para fazer.

- Não vejo que perigo pode haver em colocar a Avenger nas mãos alguns cadetes recém formados.

- Você não está falando sério ?

- Ambos começaram a rir e por alguns instantes aquela atmosfera tensa que pairava na sala se desfez. Hendrik então voltou ao assunto inicial.

- Uma ultima coisa que quero que faca com o máximo de discrição. Você vai alterar o nosso curso. Vamos manter nossa programação de testes mas nossa direção vai ser outra.

- Deixe-me adivinhar. Direção Thassos ?

- Exato !

- E olha que eu nem leio mentes.

- Vamos Alejandro. Quero pensar um pouco.

- Estou a caminho.

Hendrik ficou só e se perguntou se ele realmente teria coragem de desobedecer ordens diretas e levar aquela nave com tantas pessoas inexperientes a uma situação onde ficassem expostos a algum tipo de risco. Antes de se responder a si próprio, a afastou o pensamento da cabeça e torceu para Picard estivesse certo.

****

Capítulo X.

Em Thassos, todos já haviam sido recolhidos ao abrigo e era impossível afastar as preocupações sobre o que poderia ou não estar acontecendo e principalmente sobre o que poderia acontecer a eles. Aquele improvável sinal captado pelo posto avançado que poderia ser qualquer coisa, havia despertado os temores ocultos que todos ali haviam tentado disfarçar e dissimular desde que chegaram ao planeta. Nunca falaram abertamente sobre uma possível ameaça Romulana pois embora eles estivessem relativamente perto Thassos estava dentro do território da federação e não tinha nada que pudesse atrair a atenção e sequer tinha uma posição militarmente interessante. Eles queriam acreditar que nada estava para acontecer e que não corriam nenhum perigo mas o medo passou a ser o companheiro daquelas pessoas e podia ser sentido cada vez mais presente.

- O que vamos fazer Reyad ? Se acha que são Romulanos por que não vamos embora na nave de transporte. - era Takeda, o mais aflito do grupo quem levantava a possibilidade de partirem imediatamente.

- Dr., a nave que temos não é uma astronave. Se partimos nela podemos ficar sem energia antes de alcançar qualquer posto da federação por isto precisamos esperar mais para ter certeza.

- Esperar o que se vamos ficar parados de um jeito ou de outro ? - desta vez era Thompson que não conseguia disfarçar sua irritação com aparente calma de Reyad.

- Não pretendo esperar para sempre. Como a Dra disse, se são eles mesmos nossos postos avançados também mandaram uma mensagem a frota estelar que enviaria uma nave para investigar, neste caso, quando e se recebermos este possível informe poderemos partir e nos encontrar com a esta nave.

- Reyad tem razão ! Não podemos tomar atitudes precipitadas e além do mais pode não ser nada. - Kyle tentava demonstrar serenidade mas por dentro tinha os mesmos receios de todos.

- Tenente, temos poucas informações sobre a capacidades das naves deles. O que garante que não há possibilidade dos Romulanos nos interceptarem ? - Perguntou Krieg. - Reyad olhou para o chão e em seguida para Sakati. Ele já havia discutido as possibilidades com o Vulcano antes de optar por este curso de ação. Juntos chegaram a conclusão que esta era a melhor solução mas não havia nada que pudesse dar alguma certeza de agir daquela maneira salvaria o grupo caso as suspeitas fossem confirmadas, mas alguém tinha que tomar a decisão e ele estava no comando ali. O ponto levantado por Krieg era o ponto falho na solução que ele acolhera como a melhor possível, pois eles não tinham a menor idéia de onde os Romulanos poderiam estar ou quando chegariam. Na verdade já poderiam estar sobre eles naquele exato momento, a espera para dar o bote. Desviou o olhar do Vulcano para Krieg novamente e finalmente respondeu como quem decreta uma sentença :

- Nada !

Fez-se então uma pausa na conversa. A espera estava se tornando insuportável. De repente o silêncio foi quebrado pelo som do comunicador.

- Posto de observação para comandante Reyad.-era o oficial David que estava de plantão no posto de observação e que também abrigava o radio subspacial.

- Aqui é Reyad ! Prossiga.

- Recebemos mensagem do posto avançado numero três. Cruzadores de guerra Romulanos atravessaram a Zona Neutra e seguiam curso em nossa direção antes de se camuflaram. A frota Estelar foi avisada e estão mandando a Enterprise para cá.

- Obrigado David ! Mande todo pessoal do posto seguir para cá imediatamente, inclusive você. Vamos deixar o planeta.

- Sim Senhor. Estamos a caminho.

Reyad olhou para as feições sombrias e silenciosas e então deu a ordem.

- Vamos embora. Todos o pessoal para deve embarcar na Pacific. Krieg, prepare também os exploradores, eles estão armados e podem ser usados como escolta. Vá com um deles e um mande um grupo para o outro. Quero deixar este lugar em dez minutos.

Krieg saltou de cima do container de amostras para os preparativos e seguiu para fazer o que lhe foi ordenado.

- Estou indo.

O restante do pessoal foi no mesmo passo para a nave de transporte com exceção da Dra Kyle que aproximou-se de Reyad pensativo e preocupado e lhe fez uma pergunta, num tom mais ameno do que era o seu habitual.

- E então tenente o que acha de nossas chances ?

- Sinceramente Dra. precisaremos de muita sorte. Vamos ver se ela gosta de nos.

****

Na Avenger o tema principal passou a ser a partida da Enterprise. Todos tinham curiosidade sobre a súbita partida dela e que teria motivado tal acontecimento. Hendrik a principio pensou em não contar nada a tripulação a fim de não causar o surgimento de boatos mas mudou de idéia pois concluiu que logo a tripulação descobriria que a Enterprise havia ido embora e se isto acontece sem que houvesse alguma informação oficial os boatos com certeza seriam maiores e mais difíceis de controlar. A Dra Carter estava andando pela nave pois não tinha muito o que fazer na enfermaria. Havia tentado dormir um pouco mas estava bastante inquieta e então resolveu executar seu passatempo favorito, andar pela nave e observar as pessoas e nestas andanças ouviu várias versões, teorias e possibilidades sobre o que poderia estar acontecendo e se espantou com as declarações das pessoas bordo. Era comum o sentimento de todos que achavam que a Avenger devia acompanhar a Enterprise para ajuda-la caso existisse algum problema e não demostravam medo em suas palavras. Ela havia chegado a conclusão de que tratava de um sentimento juvenil normal em meio a tantos oficiais em inicio de carreira e ávidos por aventura, mas não podia deixar de ficar admirada com a demonstração de coragem, pelo menos nas palavras de todos eles. Perguntava a si mesmo se este modo de agir continuaria no dia em que cada um deles visse o primeiro amigo morrer. A morte causava transformações que aquela tripulação com certeza ainda não havia experimentado. Sem notar acabou chegando ao Deck de observação e encontrou Hendrik lá de pé olhando para as estrelas. Ela concluiu o obvio, que ele estava bem mais preocupado do que deixara transparecer a todos até então.

- Comandante ! Que surpresa ! Tenho que tomar mais cuidado com estes nossos encontros caso contrario podem pensar coisas a nosso respeito. - ela disse tentando passar alguma animação aquele pensativo oficial, embora tivesse a consciência que havia exagerado um pouco na quebra de respeito a hierarquia. - Hendrik virou-se e quando a percebeu respondeu aparentemente sem se importar com a brincadeira de Eleonor mas mantendo o mesmo tom preocupado.

- Dra ? Creio que tenho lhe deixado por demais a vontade comigo, mas não o suficiente para que as pessoas pensem coisas a nosso respeito.

- Foi só uma brincadeira Comandante. Você está muito preocupado com este mistério do sumiço da Enterprise. Não deve ser nada.

- Espero que tenha razão mas o planeta Thassos está perto demais da Zona Neutra, o que é motivo mais do que suficiente para preocupações e estar aqui sem poder fazer nada é ainda mais frustrante. Se eu estivesse na Venture pelo menos saberia que se houvesse problemas nos iríamos fazer alguma coisa. No momento só o que posso fazer é esperar. Sequer os informes oficiais da Frota nos recebemos por sermos uma nave não comissionada. Imagine que tive que pedir a Noan que fique bisbilhotando os canais de segurança da Frota para tentar descobrir mais alguma coisa.

- Acha que a frota poderia pensar em nos mandar para lá,caso fosse preciso ?

- Creio que não. Nossa tripulação é jovem e nem está completa e a Avenger sequer tem um comandante experiente.

- Acho que o juízo que faz de si próprio não condiz com suas possibilidades.

- Não estamos falando de lutar com uma velha nave Klingon automatizada, estamos falando de vida e morte, morte de um bando de crianças. Não é uma questão de possibilidades.

- Em primeiro lugar, sequer sabemos com certeza do que estamos falando, e em segundo lugar, se quer saber todas as suas crianças estão se perguntado por que a frota não nos mandou com a Enterprise.

- Eles falam como se sair daqui para talvez ter que enfrentar Romulanos seja uma voltinha no quarteirão. Não sabem do que estão falando.

- Pode ser, mas peco uma coisa a você. Se tiver que tomar uma decisão lembre-se que eles já tomaram a deles. Ser oficiais da frota. Não decida por eles.

Hendrik ficou pensando nas palavras da Dra e lembrou-se da conversa com Alejandro antes de partirem, mas não disse nada. Apenas continuou olhando para as estrelas. Eleonor continuou :

- Acho que poderíamos conversar no bar e tentar melhorar o seu humor.

- Agradeço mas vou tentar dormir um pouco. De qualquer forma vou manter em mente suas palavras.

- Certo. Verei quem encontro por lá então.

Alejandro estava sentado a mesa olhando de forma distraída para o copo entre suas mãos e embora isto fosse uma situação rara estava sozinho quando Eleonor chegou lá. Ela hesitou um pouco a tentação de sentar-se a mesa dele mas mudou de idéia quando ele próprio a notou e a chamou com um aceno de mão.

- Olá, pensei que quisesse ficar sozinho.

- Na verdade não estava mesmo muito a fim de conversa mas a sua companhia é sempre bem vinda e ainda não agradeci pelo que fez.

- Não agradeça. E não sabia que era assim tão bem quista.

- A senhora sabe é que bem vinda entre todos aqui.

Eleonor sorriu e ficou realmente feliz com aquelas palavras pois embora soubesse que Alejando fosse um bajulador nato via sinceridade no que ele acabava de dizer. Depois lhe disse :

- Ultimamente todos por aqui tem andado pensativos. Acho que todos andam meio tensos, não ? Acabei de encontrar com o comandante Hendrik no observatório e ele tinha a mesma expressão preocupada que vejo em seu rosto agora.

- Philip tem o hábito de se preocupar sempre.

- Mas você não, e me parece preocupado agora.

- Não é novidade para a senhora que todos estão imaginando o que teria feito a frota mandar a Enterprise para Thassos.

- Sei. Só se fala nisto por aqui e muitos acham que devíamos ter ido também. - Nas nossas condições isto me parece uma atitude ousada demais. Espero que não seja preciso.

- Concordo. Diga-me uma coisa ! Você acha que Hendrik levaria a nave para lá se achar que é preciso ?

Iglesias olhou para Eleonor por alguns instantes, girou seu copo entre as mãos, bebeu um gole do seu drink e finalmente respondeu :

- A nave, sim ! Esta tripulação eu não sei.

- Entendo.

Neste momento o alferes Gart entrou ofegante no bar e quando viu os dois foi rapidamente ao encontro deles apresentado-se ofegante.

- Alferes de 1 classe Gart se apresentando Senhor. O Tenente Hassler informou que queria me ver.

Iglesias não conseguiu conter um sorriso diante da atitude de Gart.Eleonor, que também estava achando a postura do rapaz engraçada o cumprimentou, sem perder a oportunidade de deixa-lo ainda mais embaraçado :

- Olá rapaz ! Não lhe ensinaram bons modos ?

- Ah ! Desculpe Dra. É um prazer reve-la.

- Deixe o rapaz Dra - disse Alejandro ainda rindo.- Gart, você está no nosso novo programa de treinamento. Apresente-se a mim na ponte em 4 horas.

- Na ponte ? Tem certeza, eu ... - Iglesias o interrompeu.

- Você tem algum problema de audição ?

- Não Senhor, estarei lá.

- Assim é melhor. Dispensado, alferes. - o rapaz saiu do local sem acreditar direito no que acabara de ouvir deixando para traz os dois oficiais intranquilos.

- Que programa de treinamento é esse ?

- Philip quer treinemos os cadetes de forma mais efetiva, por isto inventou este tal programa onde os oficiais graduados terão que monitora-los em funções um pouco mais complicadas. Gart vai trabalhar comigo na navegação.

- Agora entendi. - Eleonor tinha bem uma idéia do que motivou aquele " programa de treinamento ". Voltaram a conversar e desta vez tentando evitar o assunto que discutiam antes de Gart chegar.

****

Em Thassos os preparativos para a partida estavam completos e as três naves já estavam em posição de lançamento. Na ponte da Pacific Reyad passava as ultimas instruções.

- Krieg, vamos partir logo após vocês e assim que alcançarmos a atmosfera nosso curso será 153.9 em Warp 3. Preparem-se para nos seguir.

- Entendido. Estamos partindo agora.- dito isto, O Greendevil que tinha o tenente no leme levantou vôo seguido pelo Black Angel. Imediatamente Reyad deu a ordem de lançamento.

- Postos de partida. Acionar propulsores.

- Propulsores acionados.

Lentamente a nave começou a se mover espalhando poeira para todos os lados. Decolar com uma nave daquele tipo a partir do chão era uma tarefa extremamente difícil e exigia o máximo dos propulsores que faziam um barulho ensurdecedor. Na ponte sentia-se a nave sacudir e tremer como se quisesse se recusar a sair do solo, mas os motores começaram a fazer seu trabalho.

- Estamos em elevação : 10 metros do solo e aumentando. - a voz tensa do piloto devido a dificuldade daquela operação.

- Altitude : 100 metros ......, razão de subida aumentando. 500 metros ...... 1 km ... 2km ... 5km....... estamos fora da atmosfera Senhor.- era flagrante o alivio do piloto quando eles deixaram a campo de atracão do planeta.

- Siga conforme planejado.

- Sim senhor. curso 153.9. warp 3. Acionando agora ! - a Pacific riscou o espaço sendo acompanhada pêlos exploradores como batedores. Embora deixar o planeta tivesse trazido alguma alivio a preocupação agora passava a ser com a possibilidade de toparem com Romulanos antes de encontrarem a nave da Frota. - Subir escudos defletores. Alerta amarelo. Quero os sensores ao máximo.

- Entendido - confirmou o oficial que estava no controle tático.

Cerca de duas horas depois a Dra Kyle apareceu na ponte de se certificar que todos estavam bem nos alojamentos.

- Desculpe estar atrapalhando Reyad mas estava muito apreensiva lá embaixo então resolvi ver como estavam as coisas aqui.

- Tudo bem Dra, mas não muito o que fazer agora a não ser esperar.

- Teme encontrar com eles antes da frota nos achar não é ?

- Esta possibilidade existe.

- Mas creio que podemos pelo menos tentar nos defender se isto acontecer.

- O armamento desta nave é mínimo e nossos escudos não podem suportar muita coisa. Uma nave estelar teria problemas para enfrentar um cruzador Romulano. Nossa melhor chance é que a frota nos encontre.

- Vamos torcer então.

- Como estão as coisas entre seu pessoal ?

- Apertadas. E tensas.

- Esta vai ser uma longa viagem de volta para casa.

- Pode ter certeza.

Neste momento o tenente Stark, que estava nos sensores chamou a atenção deles. - Senhor, estou lendo algumas flutuações de energia esporádicas nos sensores logo atras de nós. Não posso confirmar nada mas é estranho.

- Abra um canal para o Greendevil.

- Canal Aberto. Tenente Krieg na escuta.

- Krieg, nossos sensores captaram flutuações de energia a Ré. Podem localizar algo dai ?

- Negativo Reyad, nada nos sensores até o momento.

- O.k. ! Fique a postos. Pacific desliga.

- Comandante - a voz de Stark desta vez era tensa - nave de guerra descamuflando a 123.7.

- Na tela.

O visual mostrava uma imagem ao mesmo tempo incrível a assustadora : dois cruzadores Romulanos acabavam de aparecer na tela da Pacific. As naves eram enormes e possuíam uma aparência realmente ameaçadora. Tinham uma cor verde e suas inúmeras luzes iluminavam a superfície externa de vaso de guerra que pairava próximo a eles.

- Alerta vermelho. Postos de combate. Manter as armas desligadas e informe aos exploradores para fazerem a mesma coisa.

- Não vamos ativar as armas senhor ? - perguntou atônito o oficial Stark.

- Negativo ! Não temos chances de vence-los se resolverem abrir fogo e não quero lhes dar motivo para isto.

- E quem disse que eles precisam de motivo ? - Stark continuava preocupado com a decisão de Reyad porem não discutiu mais.

- Armas desativadas mas nossos sensores indicam que eles estão com armas prontas para disparar.

- É, isto eu sei. Vamos ver o que eles querem afinal. Frequências de saudação.

- Frequências abertas.

- Aqui fala o Tenente comandante Reyad da nave estelar Pacific. Vocês estão em território da federação e em violação do tratado. Solicitamos que desliguem suas armas e declarem suas intenções. - Reyad terminou a mensagem sem acreditar que tivera coragem de faze-lo mas ele sabia que alguma coisa tinha que ser feita e ele não via nenhuma opção melhor. Kyle a seu lado não pode evitar um comentário surpreso ante a atitude do comandante Bajoriano.

- Me parece que estou vendo a reedição da estória do rato que ruge ! O que espera que eles façam agora ?

- Sinceramente não sei mas de qualquer forma cada segundo que pudermos ganhar é valioso.

- Você vai indo bem até agora.

Ouviu-se a voz de Stark novamente.

- Nenhuma resposta comandante mas eles estão se movendo. Vão nos flanquear. Estou recebendo uma sinal da Black Angel. Ela está pedindo permissão para atirar.

- Negativo, diga que estou mandando manter posição.

- Eles insistem em disparar.

- Ponha-os na tela.

Na tela apareceu a imagem do oficial Garcia. Ele parecia fora de si.

- Reyad ! O que esta fazendo ? Por não disparamos enquanto temos chance ?

- Chance de que ? Se eles nos atacarem não vamos durar cinco minutos. Você tem que se controlar Garcia.

- Não vou ficar aqui parado enquanto você nos entrega na mão deles - a imagem sumiu a tela. Stark então relatou :

- Eles estão manobrando para assumir posição de ataque. O Greendevil mantém posição.

- Droga - Reyad deu um soco em seu terminal ao pressentir o que aconteceria. - Ponha na tela.

No visual eles viram a pequena nave mudar de posição e disparar uma salva de torpedos que atingiu os escudos de uma das naves Romulanas.

- Torpedos não causaram nenhum dano ao inimigo. Eles estão devolvendo o ataque.

Eles ouviram a informação de Stark sem tirar os olhos da tela onde já podiam ver os torpedos que partiam na direção do pequeno explorador que foi atingido em cheio.

-Senhor, o BlackAngel perdeu os escudos, se eles dispararem mais uma vez ..., - antes que Stark completa-se o que ia dizer um novo disparo foi feito. O BlackAngel virou uma pilha de destroços no espaço. Reyad sentiu uma sensação de desalento quando viu o explorador se desfazer a sua frente. Agora não restava muito a ser feito, pois com certeza eles seriam os próximos.

- Ativar Armas. Informe ao Greendevil que vamos devolver o fogo.

- Mensagem enviada. Torpedos armados e prontos. A nave esta se preparando para atirar em nos agora.

- Fogo !

A Pacific despejou seus torpedos quase ao mesmo tempo que o Krieg disparava as armas do Greendevil. Os artefatos explodiram quase simultaneamente.

- Sensores indicam danos superficiais meninos comandante. Eles estão disparando contra o explorador.

O Greendevil tentou ainda uma manobra evasiva que só serviu para escapar de um dos dois torpedos que vinham em sua direção. A nave estava seriamente comprometida.

- O tenente Krieg conseguiu evitar parte do impacto mas seus escudos estão falhando.

- Chame o Greendevil e ponha na tela.

O visual mostrava a Tripulação do Greendevil lutando contra as chamas e a fumaça enquanto tentava controlar a nave.

- Krieg vá embora daqui enquanto pode. Vocês não podem fazer mais nada.

- Vocês não vão conseguir lutar com eles sozinhos.

- E nem com vocês. Saiam daqui agora. A nave da Frota já está perto e podemos aguentar mais que vocês.

O rosto de Krieg entristeceu quando ele percebeu que teria que deixar o amigo, mas Reyad estava certo,eles não podiam fazer mais nada.

- Certo. Boa sorte - imediatamente a nave auxiliar juntou a forca que lhe restava e deixou o local. As atenções de Reyad se voltaram para os Romulanos. Kyle, que havia acompanhado a conversa dos dois sabia que ele havia enganado o amigo.

- Você mentiu para ele. Não há nave nenhuma perto daqui ! - o fim da frase de Kyle foi marcado pelo impacto dos torpedos que agora haviam tinham a Pacific como alvo. A Dra caiu quando a nave balançou. Reyad pulou da cadeira para ampara-la enquanto ordenava um contra-ataque.

- Continuem disparando. - a débil tentativa da nave de devolver ao fogo devia causar risos ao comandante Romulano que estava na nave inimiga e Reyad sabia disto. Eles não tinham nenhuma chance. A nave sacudiu mais uma vez enquanto tubos se rompiam. Aquilo era um mal sinal.

- Escudos caíram para 40 % Senhor. Reyad olhou para a Dra, que estava aterrorizada e se sentiu culpado per ter trazido todos para aquele situação. Ele havia falhado ! Não devia ter tentado uma tática tão arriscada, mas ele tentava se convencer que era o melhor que ele podia ter feito. A nave tremeu com um novo impacto.

- Perdemos os escudos. - gritou Stark em meio a confusão. - agora tudo estava prestes a terminar. O próximo tiro daria um fim a tudo.

- Comandante - gritou Stark novamente - eles chegaram senhor !

- Eles quem ? - perguntou Reyad sem entender direito as palavras de Stark no meio da confusão.

- A Enterprise. Esta saindo agora de dobra. - Reyad agradeceu ao Deus em que nunca acreditou. Eles ainda tinham uma chance.

Na ponte da Enterprise Picard acompanhava a pequena nave que lutava pela sua sobrevivência ante os dois poderosos predadores. Data deu seu relatório.

- A nave perdeu Escudos e armas Senhor, suporte de vida se mantém mas um próximo disparo será fatal.

Picard sabia que não tinha muitas opções.

- Proteja-os com os nossos escudos. Alerta vermelho. Postos de Combate. Preparar armas. -do posto tático, o Tenente Worf informou :

- Armas prontas para disparar.

- Fogo !

Agora era a Enterprise quem devolvia o ataque. Riker chamou a atenção de seu Capitão.

- Não vamos poder derrubar duas naves de guerra Romulanas Capitão.

- Sei disto Will. Precisamos leva-los para algum lugar onde possamos transferi-los.

- Não vejo muitas opções. Se vieram até aqui, não sei por que hesitariam em nos seguir e não vamos poder ir muito longe ou rápido arrastando esta nave conosco. - Enquanto a Enterprise era atingida pelas armas Romulanas, o comandante Data se pronunciou.

- Se permite senhor, tenho uma sugestão.

- Enquanto isto Reyad tentava controlar a situação na Pacific.

-Engenharia, temos que tentar consertar o que for possível enquanto eles estão concentrados na Enterprise. Esqueça as armas. Concentrem-se no suporte de vida e motores de dobra.

- Comandante, aqui fala a engenheira júnior Clair. O engenheiro Jones está morto.

- Faca o que puder Clair. Precisamos destes motores funcionando. Desligo.

- Por que está preocupado com os motores. A Enterprise não pode simplesmente nos transportar daqui ? - perguntou Kyle.

- Eles teriam que baixar os escudos para isto. Vamos ter que sair daqui com as próprias pernas.

- A Enterprise está dando trabalho a eles comandante. - Stark tinha um tom de satisfação na voz. Aqueles Romulanos agora estavam tendo que brigar com gente grande. - seu pensamento foi interrompido pelo comunicador. - Comandante, o Capitão Picard está chamando.

- Tente por na tela. - lutando com os sistemas precários, Stark fez o melhor que pode, mas a imagem que se formou era instável. Mesmo assim era possível a comunicação visual.

- Capitão Picard ! Sou o comandante Reyad. Chegou bem na hora.

- Ainda temos problemas a resolver Comandante. Qual a situação dos seus motores ?

- Espere um pouco capitão - Reyad tocou o console para chamar a Engenharia.

- E então Clair, o que conseguiu ?

- Posso lhe dar Warp 3 por meia hora. Depois disto os cristais entrarão em colapso. Vou precisar desativar o núcleo do reator para evitar a degradação das câmaras de contenção.

- Ouviu isto Capitão ?

- Sim ! Acho que será suficiente. Siga o curso 308 marco 4 o mais rápido que puder. Em breve estaremos com vocês.

- Sim Senhor. Pacific desliga. - antes que Reyad dissesse algo, Stark já havia tomado suas providencias. - Curso marcado senhor.

- Acionar.

A Pacific saltou em velocidade de dobra enquanto a Enterprise agora voltava toda a sua atenção para as Naves Romulanas.

- Will, temos que mante-los ocupados para que a Pacific tenha tempo de se afastar. Vamos ver o que podemos fazer a este respeito.

- Imediatamente, senhor. - Riker então assumiu o comando. - Sr Worf. Armar torpedos fotônicos, Phasers e torpedos Quânticos.

- Todas as armas, disparar a vontade.

Torpedos e phasers rasgavam o espaço ao mesmo tempo em direção as naves Romulanas, que sentiram o impacto,mas devolveram o fogo imediatamente.

- Escudos caíram para 80 %. Sem danos a estrutura. - informou Data.

- Continuem atirando. Os sensores informam algum dano ao inimigo ?

- Os escudos deles também perderam eficiência. Eles parecem ter problemas para mante-los.

- Com certeza devem estar com problemas. O gasto de energia para virem de seu planeta até aqui camuflados deve ter sido enorme e eles ainda não conheciam nossas novas armas mas de qualquer forma ainda são dois contra um e temos que cuidar da Pacific. Creio que lhes demos tempo suficiente. Sr Data ?

- O senhor está correto capitão. Eles devem estar atingindo o destino em alguns instantes.

- Marque curso para encontro com a Pacific Sr Crusher, Warp 9.

- Curso marcado Senhor.

- Acionar.

A Enterprise partiu seguida pêlos cruzadores Romulanos. Worf deixou a capitão ciente disto :

- Eles estão atras de nós.

- Eu esperava que eles fizessem isto mas se o plano de Data der certo vamos ganhar algum tempo para decidir o que fazer.

- Vamos esperar para ele esteja certo então. -completou Riker enquanto seguiam em direção ao ponto de encontro.

****

Na ponte da Avenger o alferes Gart iniciava o seu segundo turno no leme da Avenger. Noan e Iglesias gostaram muito da forma como ele se comportou na primeira chance que teve e decidiram que ele podia ficar com uma supervisão mínima, o que permitiu a Iglesias algumas horas a mais de folga. Hendrik estava em seu alojamento a horas tentando dormir enquanto Seymor se ocupava da ponte e da supervisão de Andrei no trabalho de vasculhar as mensagens da frota. A situação estava mais calma e os comentários haviam diminuído nas ultimas horas. A Dra Carter também estava na ponte. Havia passado seu tempo ali conversando com Sevok a respeito de Thassos e resolveu ajuda-lo nas suas investigações, mas não haviam descoberto nada alem do que já sabiam. Tudo estava calmo quando Andrei chamou o Seymor a sua estação.

- Senhor, creio que deva ver isto. - Seymor parou ao lado do Alferes e inclinou-se sobre o painel da estação. Era uma mensagem codificada da frota, nível de prioridade um o que indicava que problemas muito sérios estavam acontecendo. Ele devia avisar Hendrik. - Tente descobrir mais sobre a mensagem.- depois de dizer isto a Andrei chamou por Hendrik no comunicador.

- Ponte para comandante Hendrik. - a resposta demorou um pouco e veio numa voz sonolenta - Hendrik falando.O que houve Seymor ?

- Pegamos uma mensagem da frota em nível 1. Não sabemos ainda o que é mas parece sério.

- Acha que pode descobrir o que tem na mensagem ?

- Creio que sim. Estamos trabalhando nisto.

- Continue. Estou a caminho.

Alguns instantes depois Hendrik chegou a ponte interessado em saber o que continha a tal mensagem.

- E então ? Conseguiu ?

A feições de Seymor e Andrei tinham uma expressão carregada. Eles haviam conseguido decifrar a mensagem e as noticias não eram boas.

- A frota estelar acabou de informar que perderam contato com a Enterprise e estão mandando reforços para a Zona Neutra.

- Quais são as naves mais próximas ?

- A Lakota e a Odissey estão a dois dias da ultima posição conhecida da Enterprise.

- Dois dias ? - Eleonor saltou uma exclamacão de espanto e irritação - Em dois dias, se forem Romulanos eles já vão estar sobre nossas cabeças e se algo aconteceu a Enterprise ela pode não estar em condições de esperar dois dias.

- Estamos a 6 horas da posição deles, comandante. - informou Sevok.

Hendrik olhou ao redor e neste momento percebeu que chegara a hora da decisão e qualquer que fosse ela traria consequências que ele não poderia prever. Ele sabia o que devia fazer mas não sabia se tinha o direito de expor aqueles cadetes a um perigo que sequer ele imaginava o que fosse. Olhou para Andrei.O alferes não devia ter mais do que 20 anos. Em seguida fitou Gart que estava visivelmente impaciente. Gart devolveu o olhar por inacabáveis segundos e finalmente tomou coragem de abrir a boca ;

- Senhor ! Sei que teme por nossa segurança mas sabemos dos riscos e queremos enfrenta-los. De a ordem.

Da cadeira de comando onde estava sentado Hendrik respirou fundo comprimiu as mãos e tomou a única atitude possível.

- Alferes Gart, marque curso para Thassos. Dobra máxima.

Gart deu um sorriso de satisfação enquanto acionava os controles do leme.

- Curso marcado Senhor.

Enquanto pensava uma vez mais se estava tomando a decisão certa sentiu uma mão tocar seu ombro e ao olhar para o lado viu que era a mão de Eleonor que o tocava. Ela não disse nada desta vez mas apenas fez um sinal com um leve movimento de cabeça de forma afirmativa. Hendrik então deu a ordem

- Acionar. -

E a Avenger partiu para conhecer o seu destino. - Noan, enquanto sentava-se na cadeira ao lado de Hendrik comentou :

- Então as cartas foram dadas. Vamos ver se temos uma mão boa.

****

Capítulo XI.

Diário de Bordo.
Data Estelar 5446.6.

Após a confirmação da perda de contato com a Enterprise e de que os reforços levariam dois dias para chegar a sua posição decidi levar a Avenger para Thassos. Estamos agora desobedecendo ordens diretas do Capitão Picard mas esta é uma situação de crise e acredito que não haja outra medida a ser tomada. Aparentemente a tripulação esta tranquila até onde isso é possível considerando os fatos, embora um pouco receosos o que é absolutamente natural em vista dos acontecimentos.

Fim do Registro.

A Avenger seguia firme em direção a Thassos enquanto os oficiais que estavam na ponte tentavam entender o que poderia estar acontecendo obviamente sem sucesso pois não havia dados para que chegassem a algum tipo de conclusão aceitável, mas era impossível não especular a esta altura.

- Me parece uma atitude ousada demais mesmo para Romulanos entrarem no espaço da federação desta maneira. - comentou a Dra. Carter. Seymor tinha sua forma de avaliar a coisa toda:

- Não temos a confirmação de que são eles e embora seja nossa melhor aposta ainda é cedo para dizermos isto além do que nada que fizeram tem muito sentido. Pelas informações que Sevok nos passou aquele planeta não tem nada que possa atrair a sua atenção.

- Eles não poderiam estar tentando estabelecer uma base em território da federação? Isto seria esperado se estivessem iniciando uma invasão - comentou Cashmir. Desta vez foi Sevok quem falou :

- Pelo pouco que conhecemos da historia dos Romulanos eles não costumam estabelecer bases em território inimigo tenente. Não combina com seu padrão histórico.

- Realmente isto esta muito estranho. - completou Hendrik. Seu pensamento foi interrompido pelo aviso de Andrei.

- Senhor, mensagem urgente da Frota. Almirante Hernandez chamando. - a Avenger estava viajando sem autorização e ele sabia que mais cedo ou mais tarde iam perceber para onde estavam indo. Parece que eles haviam notado agora o que Hendrik está fazendo.

- Até que demorou.- deu de ombros e prosseguiu - Ponha na tela. - A Almirante Teresa Hernandez apareceu sentada em sua mesa. Ao fundo da imagem podia-se ver o emblema da Frota Estelar.

- USS Avenger na escuta Almirante. Comandante Hendrik falando.

- O que pensa que está fazendo Hendrik ? Um de nossos satélites de observação remota esta dizendo que vocês estão indo em direção a Thassos.

- E eles estão corretos. Estamos atendendo ao pedido de envio de reforços para ajudar a Enterprise.

- Este chamado não foi para vocês.

- O chamado foi para a nave mais próxima e nós somos a nave mais próxima.

- Você não pode ir para lá com um bando de cadetes a bordo Hendrik ! Já temos naves se dirigindo para o local com pessoal mais preparado. Você vai colocar a vida de todos em risco.

- Almirante, sabe tão bem quanto eu que as naves mais próximas estão a dois dias e que se realmente existe uma emergência a Enterprise pode não aguentar este tempo. Temos os meios para ajuda-los e vamos faze-lo com ou sem o apoio da frota.

- Você está disposto a sacrificar sua tripulação e sua carreira desta maneira ?

- Quanto a minha tripulação eles estão prontos para fazer o necessário se for pelo motivo certo e quanto a minha carreira, vou ter que conviver com isto.

- Você não vai mesmo mudar de idéia não é ?

- Não senhora !

- Espero que saiba o que está fazendo. - A imagem desapareceu da tela e Hendrik ficou pensando na suas palavras. Gostaria de ter tanta certeza delas quanto tentou demostrar a Hernandez.

- Ela parecia mesmo irritada não ? - o comentário de Eleonor foi feito num tom que tentava disfarçar a tensão mas que não teve o resultado esperado. Andrei informou então novo contato.

- Comandante, outra chamada. A Almirante novamente.

Hendrik sentiu irritação. Ele já tinha duvidas suficientes para ter que ficar debatendo com Hernandez.

- Fazer o que !? Ponha ela na tela. - de novo a conhecida imagem de Teresa desta vez mostrando um pouco mais de resignação.

- Hendrik ! Creio que você não vá desistir mesmo.

- Está correta Almirante.

- Maldito seja Philip, espero que você não morra pois eu pessoalmente quero conduzir sua corte marcial.

- Espero poder lhe dar esta chance.

- Muito engraçado. Vou me lembrar disto no tribunal, mas já que não vou conseguir fazer você mudar de idéia mesmo acho melhor lhe passar as informações que temos. Não é muito mas creio que você deve saber. A dezoito horas atras um de nossos postos avançados detectou o que parecia ser uma nave Romulana em direção a colônia em Thassos. Mandamos a Enterprise investigar e neste meio tempo recebemos a confirmação de que dois Cruzadores Romulanos classe D'deridex passaram por nossos postos e entraram em território da federação. A oito horas a Enterprise informou ter localizado as naves de guerra atacando a nave de Transporte Pacific que servia ao pessoal que estava em Thassos e que estava entrando em confronto com eles e desde então não recebemos mais nenhum contato de nenhuma da naves. Isto é o que temos.

- Algo especial em Thassos que possa chamar a atenção deles e que não nos tenha sido informado ?

- Absolutamente nada. De qualquer forma estamos enviando as informações sobre a expedição assim como os dados do planeta direto para o computador da Avenger. Talvez elas possam ser úteis.

- Vamos ver o que podemos descobrir.

- Você ainda está por sua conta Hendrik, lembre-se disto.

- Me lembrarei.

- Isto é tudo comandante. Boa Sorte !

- Obrigado Almirante

- E quanto a você minha amiga pelo jeito continua com talento para se meter em encrencas. - aquele comentário informal da Almirante fora feito para Eleonor que a respondeu com um sorriso nos lábios.

- É bom vê-la de novo Teresa, pena que normalmente isto aconteça em situações difíceis.

- Espero que possamos ter a chance de por a conversa em dia.

- Com certeza teremos.

A imagem sumiu da tela enquanto as pessoas ali presentes tentavam disfarçar a surpresa por aquela descoberta. Era obvio que Eleonor e Teresa se conheciam e que tinham laços estreitos. Hendrik não conseguiu esconder sua curiosidade e embora não tivesse dito nada seu olhar em direção a Eleonor deixava isto claro. A Dra. percebeu e apressou-se a dar uma explicação rápida e superficial.

- Como pode ver comandante eu e a Almirante somos velhas conhecidas.

- Notei mas já não me espanto com nada que venha da senhora. - não havia nada de errado em se conhecer um almirante da Frota mas no caso de Eleonor chamava atenção como mais um detalhe da interessante biografia da Dra. de quem ele gostava mas que não conseguia compreender totalmente. Passado o efeito de mais esta revelação aparentemente sem importância todos voltaram suas mentes para seu principal problema. Agora eles sabiam o que estavam enfrentando e esta descoberta não trouxe conforto algum a nenhum deles, pelo contrario sabiam que realmente tinham muito com o que se preocupar. Hendrik olhou para Noan rapidamente. Até então ele havia se comportado muito bem e mesmo quando os rumores de que Romulanos poderiam ser a fonte dos problemas na colônia começaram ele parecia não ter se importado com a idéia mas agora os rumores haviam se tornado um fato e outro fato era que talvez a Avenger tivesse que se confrontar com eles. Mesmo agora Noan não dava sinais de sentir nenhuma emoção especial mas Hendrik sabia que algo estava acontecendo no intimo de seu primeiro oficial e não havia como saber o que era e nem como ele reagiria quando chegasse a hora. Quando ofereceu o posto Hendrik comandava uma Nave da Federação em uma missão rotineira de testes mas agora a missão de rotina havia virado algo bem mais sério. O jogo havia começado e agora ele não tinha como recuar. Estava fazendo sua maior aposta e sabia que sua mão não era boa.

- Agora não precisamos mais especular. São eles mesmos. - declarou Hendrik.

Noan saiu de seu silêncio então :

- Tudo isto ainda me parece estranho demais.

- Como assim ?- perguntou Eleonor.

- Duas naves Romulanas entram em espaço da federação e até onde sabemos atacam um planeta que não tem nenhuma importância estratégica para nenhum dos lados. O sistema de camuflagem Romulano é tão ou mais eficiente do que seu equivalente Klingon então para que nossos postos pudessem capta-los deveriam estar descuidados, coisa que raramente são ou então gastando muita energia por um período muito longo, o que pode indicar que estas duas naves já estavam no espaço a muito tempo e foram enviadas de repente. Eles sabiam que ao atacar um posto da federação chamariam atenção e que a Frota mandaria naves intercepta-los o que não faz muito sentido se estão pensando em uma invasão pois com isto nos deixaram de sobreaviso e perderam a vantagem da surpresa. Tudo que fizeram até agora vai contra todas as táticas militares que conhecemos. Me parece mais uma atitude desesperada.

- Desesperada ? Até onde sabemos tanto a colônia quanto a Enterprise podem não existir mais. - comentou Cashmir sem entender onde Noan queria chegar. Neste momento Sevok entrou na conversa :

- Creio que a avaliação de Seymor faz sentido. As atitudes deles chamaram atenção de frota e com certeza estaremos mais preparados se eles vierem do que estaríamos se eles não tivessem passado por Thassos.

- Talvez eles queiram saber se são superiores a nós e por isto mandaram estas naves. - novamente Cashmir opinou. Noan a respondeu :

- Tenente, os Romulanos se acham superiores em tudo em relação nós.

- O senhor parece conhecer bem os Romulanos. - Sevok comentou achando estranho que Seymor pudesse ter tanto conhecimento sobre Romulanos quando as informações sobre eles eram tão escassas. Hendrik que até o momento apenas ouvia os comentários resolveu intervir diante da afirmação do Vulcano.

- Me parece que Seymor tem razão mas ainda temos poucos dados sobre o que aconteceu portanto vamos considerar todas as possibilidades por mais absurdas que possam parecer. É importante que cada detalhe seja visto e revisto várias vezes pois se a Enterprise teve problemas é certo que nossas dificuldades serão grandes.

- Será que podemos vence-los ? - a voz de Eleonor mostrava sua preocupação com as possibilidades.

- Dra., embora eu tenha a clareza que esta situação é muito difícil ainda tenho esperança de podermos evitar uma guerra os Romulanos. - Gart que até somente acompanhava a conversa falou :

- Isto será difícil se o posto e a Enterprise realmente foram destruídos. - todos o olharam com um ar de desolação. Esta era uma possibilidade que ninguém queria comentar embora entendessem que pelo que sabiam até agora ela era grande. Hendrik desconversou :

- Não vamos pensar nesta possibilidade antes de termos a confirmação. Nossas preocupações pela ordem serão encontrar a Enterprise, os membros da colônia e descobrir as causas do ataque. Sevok, quero que veja se pode descobrir mais alguma informação que possa nos ajudar na transmissão que a Almirante enviou para nós e Seymor, reuna o que puder sobre os Romulanos. Quero saber o que for possível sobre suas capacidades. Reuna informações de arquivo, dados históricos, boatos, qualquer coisa que nos ajude a nos preparar o melhor possível. Onde está Alejandro ?

- Creio que em seu alojamento. Ele se queixou de cansaço e como o Alferes esta fazendo um bom trabalho achei que não haveria problema em dispensa-lo. Deseja que o chame agora ? - Não será necessário mas ponha-o a par do que sabemos e do que foi discutido aqui assim que ele se apresentar.

- Será feito.

- Mais uma coisa, você também já esta aqui a muito tempo. Acho melhor descansar um pouco.

- Não me sinto cansado mas creio que vou dar uma volta pela nave. E bom ver como andam as coisas.

- Como queira, mas procure descansar enquanto ainda é possível.

Noan deixou a ponte enquanto Hendrik permanecia pensativo. Não sabia se devia conversar com o oficial sobre o que estava acontecendo. Não tinha idéia de como ele reagiria a tal conversa. Por outro lado tinha medo de comprometer a segurança da nave caso não o fizesse. Teria que decidir isso em breve.

****

Em Thassos caia uma chuva leve que dava uma sensação calma e cálida ao planeta. As gotas escorriam por entre as folhagens da floresta e a não ser pelo som da chuva e das folhas balançando ao sabor do vento tranquilo que corria, o silêncio era quase absoluto. De repente o barulho de botas pisando os galhos caídos pelo chão quebrou a monotonia. A nave Romulana havia deixado para trás um grupo de soldados encarregados de vasculhar o planeta e eles haviam revirado as instalações da colônia procurando algo que aparentemente não encontraram. Já haviam vasculhado tudo varias vezes e a reação do oficial que comandava a operação era de surpresa.

- Não achamos nada que pudesse confirmar nossas suspeitas comandante. - relatou um dos soldados.

- Intrigante. Isto não confere com nossas informações.

- Devemos verificar o outro lado do planeta então.

- Sei disso mas não é uma situação que me agrada.

- Quanto a nave da federação que caiu aqui ? Não vamos procurar por ela ? Talvez eles tenham as informações que precisamos.

- Mesmo com os sensores podemos levar horas para localiza-los nesta floresta supondo que ainda estejam vivos e não podemos nos demorar aqui. Logo a federação deve mandar mais naves e teremos que sair logo deste lugar. Devemos estar prontos quando a Terix voltar.

- Fugir da batalha não é o modo dos Romulanos.

- Também não gosto disto mas nossas ordens são claras: Descobrir o máximo que pudermos e levar as informações para nosso planeta. Não podemos colocar nosso objetivo principal em risco.

- Sim senhor. O que vamos fazer agora ?

- Reuna os soldados. Vamos para o outro lado do planeta conforme as ordens.

- Estou a caminho.

A frustração das expectativas sobre a instalações da federação em Thassos perturbava o comandante Romulano. Era obvio que ele esperava encontrar algo diferente do que achou naquele lugar. Teriam os observadores do império se enganado? De qualquer forma ainda restava o outro lado do planeta a ser investigado. - Com certeza devemos encontrar algo lá. - pensou enquanto o soldado retornava.

- Tudo pronto. Todos estão no transporte.

Ele olhou em volta lentamente como se tentasse ter certeza de que não deixava escapar nada e então sem dizer mais nada dirigiu-se a nave seguido pelo oficial que viera lha trazer a informação. Assim que ele entrou as portas se fecharam e a nave decolou. A alguns Quilômetros dali a ordenança Janice observava a partida dos Romulanos. Alguns minutos após a nave sair de seu campo de visão ela desceu com pressa a pequena inclinação de onde estivera observando a movimentação dos soldados. Depois de vários tropeços conseguiu chegar até os destroços do explorador onde estava o Tenente Krieg.

- Eles foram embora tenente. Pareciam estar procurando algo. - Janice teve ferimentos leves na queda do Greendevil mas Krieg quebrou o braço e tinha um ferimento na perna que tinha sido amarrado com uma atadura para estancar a hemorragia. Embora a sua situação não fosse boa era a melhor do que a de seus dois companheiros que morreram durante a queda do explorador. Quando percebeu que haviam soldados Romulanos no planeta agradeceu que o sinalizador automático tivesse quebrado quando a nave caiu caso contrario eles seriam facilmente encontrados, mas agora precisavam sair dali.

- Vamos ter que sair daqui Janice.- levantou-se com dificuldade apoiado pela ordenança.

- Você não está em condições de andar.

- Vou ter que aguentar. Precisamos voltar para o abrigo.

- Para o abrigo ? E se eles voltarem ?

- Corremos este risco mas se realmente estivessem preocupados conosco ainda estariam nos procurando e além do mais temos que procurar um radio. Ninguém sabe que viemos para cá e com o sinalizador de emergência quebrado teremos que fazer contato de algum modo caso a frota mande uma nave a nossa procura.

- E se não mandarem ?

- Vão mandar, não se preocupe !

- Acha que a Pacific conseguiu escapar ?

- Se a Enterprise chegou a tempo eles tem uma boa chance de estar vivos. - no fundo ele próprio não tinha esta certeza sobre nada que dissera a Janice mas não podia fazer mais nada a não ser manter a esperança. - Vamos começar a andar. E então puseram-se a caminhar pela floresta da maneira como podiam.

****

Capítulo XII.

Hendrik continuava divagando enquanto o restante do pessoal cuidava de suas funções. O mais animado e aparentemente alheio ao que acontecia ao redor era o alferes Gart. Mal podia acreditar que estava sentado naquela estação controlando a Avenger. Mesmo suas perspectivas mais otimistas seriam satisfeitas com uma breve visita a ponte mas as circunstâncias fizeram dele o eventual substituto de Alejandro e isto era muito mais do podia esperar. Havia contado a Melissa cada detalhe de seu primeiro turno na navegação e lhe agradecido por ter falado com Hendrik no bar embora na hora quase tivesse entrado em pânico. Ela também havia lhe contado sobre sua nova função na engenharia e que era ótimo trabalhar com Jean Paul que por vezes parecia desligado mas tinha um conhecimento enorme atras daquela aparência distraída. Enquanto pensava viu um sinal aparecer no painel de navegação. Após confirmar a informação deu o alarme :

- Alerta de aproximação !

Hendrik ainda distraído demorou alguns instantes para absorver a informação. Gart repetiu :

- Alerta de aproximação ! - desta vez a voz de Gart era mais firme. Hendrik olhou para Cashmir procurando por uma confirmação do aviso do alferes.

- Confirmado. Nave não identificada em forca de impulso a 10773 marco 8.

- Forca de impulso ?

- Exato.

- Pode determinar o curso ?

- O curso a leva para o setor 001 direto ao planeta Terra ! - apressou-se o alferes a responder.

- Neste passo vão levar meses para chegar lá se é que vão para lá mesmo.

- 8 meses 14 dias, 3 horas e 23 minutos aproximadamente ...,

Hendrik não quis comentar a exatidão da informação pois já estava se acostumando a este hábito dos Vulcanos mas a situação daquela nave lhe deixou com uma pulga atrás da orelha. Não queria perder tempo pois a situação em Thassos era critica mas julgou que poderia checar sem causar um atraso muito grande.

- Frequências de saudação, Andrei.

- Frequências abertas.

- Aqui é a nave da Federação USS Avenger para nave não identificada. Vocês precisam de assistência ? - um longo minuto passou sem que resposta alguma fosse ouvida.

- Já temos alcance visual ?

- Estou colocando na tela agora. - agiu prontamente Sevok. - Aumentado magnificacão.

A nave não devia ter mais de 40 metros e apresentava um desenho triangular que começava estreito e ia se alargando até a parte de trás movendo-se lenta e distraidamente pelo espaço. Da cadeira de comando Hendrik observava a nave enquanto discutia consigo mesmo o que devia fazer. Não queria perder tempo com aquela inesperada situação mas e se eles estivessem precisando de ajuda ? E se não fosse este o caso e estivessem simplesmente se recusando a responder por alguma motivo que ele sequer podia imaginar. Talvez fossem piratas ou contrabandistas mas isto não seria um problema que devesse ter sua atenção no momento. Virou-se para Gart e perguntou :

- Quanto tempo falta para chegarmos a Thassos Alferes ?

- 4 horas.

Eleonor notou que Hendrik em duvida quanto ao que fazer :

- Está pensando em investigar ?

- O que você acha ? - Hendrik estava se habituando a considerar as opiniões da Dra.

- Parece estranho a forma como ela se comporta. Também estou intrigada.

- Acho que devemos dar uma olhada rápida. Gart, curso de interceptacão. Vamos ver o que está acontecendo.

- Curso marcado. Interceptacão em 3 minutos.

- Sevok, sensores ao máximo. Veja o que consegue descobrir sobre nossos amigos mudos.

- O que espera encontrar ? - perguntou Eleonor.

- Nem imagino. - Sevok estava atento aos sensores.

- Nave de transporte civil sem assinatura de procedência equipada com escudos de baixa capacidade e nenhum armamento. Câmaras de anti-matéria mostram que ela tem capacidade Warp mas Flutuações nas leituras de energia indicam que devem estar mesmo com problemas. Já posso ler formas de vida. Não consigo identifica-las mas existem 7 pessoas a bordo.

- Então não querem responder embora estejam com problemas. Obviamente existe algo que não querem que nos saibamos.

- 30 segundos para interceptacão.

- Vamos para um quarto de forca de impulso.

- Indo a um quarto de forca de impulso agora.

- Andrei, tente contato novamente.

- Ainda sem resposta.

- Comandante, estamos a 5000 unidades de distância.

- Alguma alteração no curso deles Sevok ?

- Negativo. Mantém curso e velocidade.

- Gart, emparelhe a Avenger com aquela nave.

- Curso 140.5. Mantendo velocidade. Estamos ao lado dela agora comandante.

Eleonor deixou a estação de Ciências onde estava acompanhando o trabalho do oficial de Ciências e sentou-se ao lado de Hendrik dizendo :

- Posso lembra-lo de que eles estão indo na direção contrária a nossa ?

Hendrik olhou para Eleonor demonstrando seu desdém pela informação que a Dra. desnecessariamente lhe dera, mas ela tinha razão e o que quer que fizesse teria que ser rápido. Voltou-se para o Vulcano novamente.

- Sevok, ativar raio trator.

- Raio trator ativado. Estamos com a nave presa agora.

- Reverter motores Gart. Levo-nos de volta ao nosso curso em impulso total

A Avenger girou para retornar ao seu caminho agora arrastando aquela nave silenciosa.

- Curso marcado. Estamos de volta em impulso total.

- A nave está chamando. Sem comunicação visual, apenas audio. - informou o preocupado Andrei enquanto Eleonor comentou :

- Parece que chamamos a atenção dele.

- Vamos ver o que tem a dizer agora. Ponha o audio no ar.

Uma voz estridente e irritada se fez ouvir na ponte.

- Nave da federação vocês estão prendendo nossa nave em evidente ato hostil. Exigimos que nos liberte imediatamente. - Eleonor soltou uma exclamação :

- Ora vejam só ! Acho que eles não estão com problema só nos motores mas no cérebro também. - Hendrik deu um sorriso para ela enquanto respondeu ao contato pouco amigável do provável comandante.

- Aqui fala o comandante Philip Hendrik da nave da Frota Estelar USS Avenger. Lamento ser obrigado a discordar de vocês mas estão numa nave não identificada em espaço da Federação e como se recusaram atender nosso chamado fomos obrigados a dete-los. Precisamos saber suas intenções.

- Estamos indo em direção a Base Estelar Antares para tratar de negócios lá e vocês estão nos atrasando.

Hendrik fez um sinal com a mão para Andrei pedindo que ele suspende-se a transmissão e então virou-se para o Vulcano que já tinha uma resposta antes mesmo que Hendrik o perguntasse.

- Além de estarem na direção errada nas suas atuais condições seria quase impossível chegar lá. Seriam seis meses de viagem se corrigissem o curso agora. Duvido que eles consigam.

Hendrik intimamente agradeceu que o Vulcano tivesse lhe poupado os detalhes desta vez e sinalizou para que o alferes restaurasse a comunicação.

- Comandante, acho que não esta a par do fato de não conseguirão chegar ao seu destino na atual velocidade além de estarem no curso errado.

- Isto não parece um problema com o qual você tenha que se preocupar. Em breve nossos motores de Dobra estarão operando e voltaremos a nosso curso normal e insisto que o senhor está nos atrasando. - Novamente Hendrik olhou para seu oficial de ciências que fez um sinal de negativo com a cabeça. Não havia como fazer os reparos necessários longe de uma base estelar. Hendrik fez mais uma tentativa.

- Se diz isto tudo bem mas ainda não sabemos quem são e precisamos que se identifiquem antes de libera-los.

- Somos apenas mercadores comandante e precisamos seguir viagem. O senhor vai nos liberar ou não ?

Hendrik estava perdendo a paciência com aquele comandante arrogante que obviamente estava mentindo atrás de suas respostas evasivas e que já havia lhe causado um atraso considerável. Por alguns instantes chegou a ter a intenção de deixa-los para lá mas aquele seja-lá-quem-fosse tinha conseguido irrita-lo e Hendrik resolveu faze-los suar um pouco.

- Vocês estão em espaço da federação numa nave não autorizada, recusam-se a se identificar e contam uma estória pouco convincente. Além do mais nossos instrumentos indicam que vocês estão com problemas e o regulamento da frota não permite que os deixemos nesta situação. Infelizmente não vou poder solta-los enquanto não nos contarem uma estória melhor. Estaremos aguardando um novo contato assim que resolverem nos dizer o que realmente pretendem. Avenger desliga.

- Que regulamento é este ? Nunca ouvi falar disto ! - espantou-se a Dra. Carter. Desta foi Sevok quem recordou ao comandante sobre sua primeira preocupação :

- Devo lembra-lo que já perdemos muito tempo.

- Sei disto mas vamos aguardar alguns minutos e ver o que eles fazem. Caso não descubramos nada neste tempo, daremos a posição deles para a frota e pediremos que outra nave investigue.

Passaram-se alguns minutos e nada aconteceu. A nave continuava presa ao raio trator não dava nenhum sinal de querer responder a solicitação da Avenger o que deixava o pessoal da ponte angustiado. Hendrik estava prestes a dar a ordem de solta-los quando Sevok o chamou :

- Comandante, estou registrando um aumento no índice de radiação neutrônica iguais ao que lemos durante o ataque da Ave de Rapina.

Hendrik ficou intrigado.

- Esta vindo da nave que prendemos ?

- Não mas está difícil localizar a origem.

- Alerta Amarelo. Subir escudos.

Quase simultaneamente duas aves de rapina se materializaram e em seguida atiraram seus torpedos contra a Avenger. Felizmente os escudos foram ativados a tempo e não houve danos mas a surpresa daquele súbito aparecimento era grande entre todos. Mesmo Hendrik ainda não acreditava no que estava acontecendo. As luzes de alerta vermelho começaram assim que a nave foi atingida.

- Postos de batalha ! Relatório de danos Sevok.

- Não há danos a relatar. Escudos resistem.

- Essa foi por pouco ! - comentou Cashmir - Se nos pegam com os escudos baixos ...

- Armar Phasers. Mirar na nave de estibordo.

- Phasers travados no alvo.

- Fogo ! - a Ave de Rapina sentiu o impacto mas não se camuflou novamente. Neste momento Seymor entrou apressado na ponte. Estava dormindo em seu alojamento quando soou o alerta. Queria saber o que estava havendo. Hendrik limitou-se a apontar a tela e dizer secamente enquanto elas atiravam pela segunda vez.

- 2 Aves de Rapina Klingons apareceram de repente. Aparentemente estão tentando proteger a nave que prendemos no raio trator.

- Nave ? Que nave ?

- Explico depois.

- Comandante, - era Gart quem chamava a atenção de Hendrik - com a nave presa ao raio trator perderemos mobilidade. - Gart estava evidentemente nervoso com aquela situação. Nunca havia estado numa situação daquelas mas tentava se controlar pois se falhasse agora colocaria em risco a nave e suas chances de voltar aquele posto.

- Desativar Raio trator. Ela não vai muito longe mesmo. - Hendrik lembrou-se então de Iglesias e perguntou-se onde seu navegador estaria. Felizmente Gart parecia estar dando conta do recado. Seymor não sabia o que havia se passado momentos antes do ataque e estava tentando compreender o que havia acontecido mas achou estranho a forma como as naves estavam atacando:

- Eles não agem como Klingons.

- Como assim ? - perguntou Hendrik enquanto a Avenger era atingida agora por torpedos.

- Estão atacando uma nave superior cara a cara e não estão usando a camuflagem. Klingons usariam esta vantagem nos atacando alternadamente tentando nos minar. Eles parecem não saber que não tem muitas chances de vencer desta forma :

- Vamos explicar isto a eles e será uma lição rápida. - Hendrik estava preocupado com o tempo que corria implacavelmente. - Cashmir preparar todas as armas travar na nave de bombordo. Dispare a vontade.

Imediatamente todas os bancos Phasers e lançadores de torpedos começaram a fazer seu serviço. A nave Klingon não tinha como suportar tanto potência de fogo e seus escudos rapidamente caíram enquanto ela dançava no espaço balançando de um lado para o outro até finalmente se desfazer numa explosão breve e silenciosa. Hendrik ordenou um ataque a outra nave que continuava sem usar o seu disfarce.

- Ou eles são muito burros ou querem cometer suicido. - disse Eleonor enquanto Sevok dava o relatório da situação :

- Escudos em 85%.

- Todas as armas travadas na segunda nave comandante.

No momento em que Hendrik estava para ordenar o ataque que fatalmente levaria a nave restante ao mesmo destino de sua companheira que não mais existia o alferes Andrei chamou de sua estação :

- Comandante, a Ave de Rapina esta se rendendo. - aquela noticia trouxe mais espanto que alivio. Klingons não se rendiam.

-Abra um canal Andrei.

- Canal aberto.

- Ave de Rapina vocês devem desativar armas e baixar escudos imediatamente. - desta vez ele não demorou muito a ter uma resposta.

- Eles estão obedecendo comandante. - disse Sevok enquanto Hendrik chamava a sala de transporte.

- Farrel aqui é o comandante Hendrik. Pode fixar o transporte na nave que esta a nossa frente ?

-Sim senhor !Tenho um sinal claro.

- Transporte todos diretamente para as celas de detenção.

- Entendido.

Enquanto Farrel fazia seu trabalho Hendrik voltou-se para Seymor.

- Mande Ramur com uma equipe de segurança para lá imediatamente.

- Sim senhor. - enquanto isso Farrel confirmava o transporte da tripulação da nave Klingon.

- Transporte completo senhor.

- Gart, curso de interceptacão para a nossa nave misteriosa.

- Curso marcado, acionando agora.

Enquanto a Avenger girava para partir atrás de seu pequeno fugitivo Hendrik pensava naquele segundo mistério que resolveu aparecer em hora tão imprópria. Havia tanto com que se preocupar e aquela situação era mais do que indesejável mas agora ele queria descobrir o que pudesse sobre quais seriam o destino e intenções deles.

- Travar Phasers. Mirar nos motores. - ao ouvir a ordem de Hendrik Sevok não pode conter um comentário :

- Vai atirar em uma nave desarmada ?

- Não temos tempo para nos preocupar com estes detalhes e esses idiotas conseguiram me irritar. Além do mais é obvio que aquelas Aves de Rapina estava-os protegendo e se eles precisam de uma escolta deste tipo significa que há algo muito errado naquela nave e eu vou descobrir o que é por bem ou por mal.

- Phasers travados.

- Disparar.

O disparo cumpriu seu papel e a nave cessou o seu movimento e permanecendo a deriva enquanto a Avenger se aproximava rapidamente.

- Os escudos deles ainda funcionam ?

- Negativo. - Sevok deu a resposta sem nenhum sinal de qualquer tipo de emoção na voz mas não havia aprovado a atitude de seu Comandante que chamava novamente o chefe de transporte.

- Farrel assim que puder focalizar o pessoal da outra nave traga-os para a Avenger também.

- Entendido - enquanto respondia Farrel já tinha a pequena nave ao alcance. Não teve maiores problemas para trazer a tripulação dela a bordo.

- Já estão a bordo senhor.

- Obrigado Farrel. Ponte desliga. Ativar raio trator novamente. Gart marque curso para Thassos ainda em forca de impulso e Seymor, quero que vá até aquela nave e descubra de onde vem e qual era o seu verdadeiro destino. Leve Jean Paul com você e tente descobrir o que causou a falha nos motores de dobra mas não podemos nos demorar mais aqui. Vocês tem quinze minutos.

- Estou a caminho. - Seymor levantou-se da cadeira enquanto chamava a Engenharia pelo intercom - Tenente Jean Paul apresente-se a sala de transporte 3 imediatamente.

Na engenharia Jean Paul ficou surpreso ao ouvir seu nome. Estivera ocupado prestando atenção nos seus painéis e por isto não se ateve aos detalhes dos acontecimentos. Melissa que estava próximo a ele também achou estranho mas ficou calada. O engenheiro pôs-se a caminho embora receoso e a única certeza que tinha era que as coisas estavam se complicando mais do que ele esperava. Ao chegar a sala de transporte encontrou Seymor já na plataforma impaciente e enquanto se aproximava dela recebeu um Phaser das mãos de um oficial que ele não conhecia. Por breves instantes demonstrou hesitação e recebeu a arma sem jeito enquanto o segurança lhe dizia - Esta calibrado para tonteio máximo senhor.- ainda se jeito ele subiu a plataforma e se pôs em posição. Sentindo que Jean Paul estava com dificuldades com aquela nova situação tentou tranquiliza-lo :

- Não se preocupe pois a nave esta vazia e os phasers são apenas precaução, mas se vir algo se movendo não hesite em atirar.- terminou de dizer isto e deu a ordem para Farrel - acionar.

- Quer dizer que vamos ...... - Jean Paul não terminou a frase ali. Sua voz desapareceu enquanto seu corpo era desmaterializado e imediatamente transferido para a nave não identificada.

-...para a nave que pusemos a deriva ? - a resposta tornou-se desnecessária quando ele se viu no interior do pequeno veiculo tendo Seymor ao seu lado que já saiu a procura do leme a fim de verificar os registros de navegação enquanto orientava o engenheiro :

- Tente identificar porque os motores de dobra deles falharam. Não temos muito tempo.

- Certo - Jean Paul se esforçava para por as idéias em ordem. As coisas aconteceram de forma muito rápida e ele nem de longe se imaginava naquela situação. Concentrou-se na necessidade imediata que Noan havia posto em suas mãos pois esta era a maneira mais rápida de sair dali. Procurou a estação de Engenharia e embora não estivesse em uma nave da frota não teve muita dificuldade em localiza-la. Noan já estava sobre a navegação e ambos começaram a trabalhar.

****

Capítulo XIII.

Na Avenger Hendrik estava impaciente aguardando o retorno dos dois. Tinha certeza de que nada podia acontecer a eles mas queria sair logo dali pois já havia perdido tempo demais. Seu raciocínio foi quebrado pela voz no intercomunicador. Era Ramur que chamava da área de detenção. Só então Hendrik se apercebeu que estivera tão preocupado com o tempo perdido que quase havia esquecido as pessoas que foram tele-transportadas para bordo.

- Tenente Ramur para comandante Hendrik.

- Pode falar Ramur.

- Achei que gostaria de saber que nossos hospedes são Ferenguis, comandante.

- Ferenguis ?

- Exatamente ! E parecem bastante irritados.

- Mantenha-os sobre controle até que eu possa ir até ai.

- Entendido.

- Andrei, chame o comandante Seymor.

A voz de Seymor foi ouvida através dos alto falantes na ponte.

- Seymor falando.

- Como vão as coisas ai ?

- Estamos quase terminando.

- Acabei de ser informado que nossos hospedes dão Ferenguis.

- Ferenguis !? Muito estranho!

- Também acho e por isto mesmo é bom sair logo dai.

- Já terminamos. Pode nos levar de volta

- Farrel, ouviu isso ?

- Sim e já estou trazendo os dois de volta.

- Traga-os direto a ponte. - alguns instantes depois os dois homens se materializaram a frente de Hendrik que então dirigiu-se a Gart.

- Preparar para voltar a Dobra máxima.

- Curso marcado Comandante. - Seymor ao se dar conta que estavam prestes a ir embora perguntou a Hendrik :

- O que pretende fazer com as naves ?

Isto era algo em que ele não havia pensado. A nave que estava ao lado deles não era problema mas era desaconselhavel deixar uma nave Klingon operacional e armada a deriva pelo espaço. Virou-se para Cashmir.

- A Ave de Rapina esta ao alcance das armas ?

- Sim senhor.

- Travar Phasers.

- Phasers Travados.

- Fogo !

Sem suas defesas a nave explodiu ao primeiro impacto.

- Vamos para Thassos em Dobra máxima, marcar e acionar.

Gart rapidamente marcou o curso nos controles e a Avenger finalmente partia para tentar recuperar o tempo perdido. Seymor e Jean Paul deram então seu relatório :

- O curso deles levava realmente a Terra, porém o mais estranho não é isso. Os registros de navegação indicam que eles estiveram muito próximos da Zona neutra Romulana a pouco tempo. - relatou Seymor enquanto Hendrik parecia não estar assim tão surpreso.

- Romulanos de novo ! Este nome ficou comum por aqui de repente. E o que causou a falha nos motores. - desta vez foi Jean Paul quem começou a falar.

- Sobrecarga ! Eles simplesmente ignoraram o limite dos reatores por tempo demais e esses não resistiram. Pelo jeito estavam com muita pressa. - Sevok acrescentou :

- Se tivéssemos tempo para tentar transferir os registros do diário eles poderiam nos dar mais informações.

- Talvez mas agora não há como pensar nisto. Creio que vou falar com nossos convidados e ver o que eles tem a dizer. Seymor e Sevok, reunam aquelas informações que eu pedi. Faremos uma reunião com todo o pessoal de comando assim que eu terminar por lá e Dra. Carter embora eu saiba que isto não faca parte de suas atribuições, por favor tente achar Alejandro. Gostaria muito de ouvir as explicações dele para não ter aparecido até agora. - Hendrik levantou-se então e dirigiu-se a área de detenção enquanto as pessoas na ponte ficaram encarregadas de suas tarefas. Agora ele tinha mais um mistério para resolver. Por enquanto ele não teria tempo para se preocupar com isso mas quando retornassem de Thassos teria que de se concentrar naquele incidente, isto se retornasse e não fosse a corte marcial, é claro. O que aqueles Ferenguis estavam fazendo tão próximos a Zona Neutra ? Por que a escolta das Aves de Rapina obviamente compradas no mercado negro. Por que iam em direção a Terra ? Teriam alguma relação com o que estava acontecendo em Thassos? Eram várias perguntas que teriam que ter suas respostas adiadas até que eles encontrassem a Enterprise, se eles a encontrassem. Chegando a área de detenção reconheceu o tenente Ramur ao qual tinha visto poucas vezes mas que chamava a atenção pelo porte de seus 1,96 e 105 quilos bem distribuídos. Aproximou-se dele perguntando onde estava o segundo grupo que foi transportado a bordo. Ramur indicou a cela numero 5 e Hendrik encaminhou-se para lá parando diretamente a frente dela e de seus ocupantes obviamente insatisfeitos. Hendrik já havia lidado com Ferenguis antes mas nunca cara a cara e isto o estava incomodando pois ele definitivamente não gostava da forma como aquele povo agia. Faziam qualquer coisa que pudesse dar lucro. Antes do tratado de paz os Klingons haviam sido sempre adversários difíceis mas que tinham um censo de honra muito bem definido e mesmo os Romulanos tinham suas regras mas os Ferenguis não, para eles a única causa existente era o lucro e fariam qualquer coisa com qualquer um para consegui-lo. Enquanto os observava um deles se aproximou da porta da cela e num tom inacreditavelmente arrogante falou com Hendrik :

- Você é o comandante desta nave ?

Hendrik olhou para aquele ser com vontade de lhe torcer-lhe o pescoço mas procurou não deixar transparecer isto no seu tom de voz, pelo contrario tentava demonstrar calma.

- Sim sou eu. E você quem é ?

- Damon Ghor, comandante da nave que você atacou e exijo retornar para minha nave imediatamente. Temos negócios urgentes a tratar e vocês nos atrasam.

- Creio que não será possível Ghor pois vocês tem muito a explicar antes de eu decidir se vão ou não ser liberados, mas não se preocupe com isso pois não tenho tempo para ouvi-lo agora mesmo o que vai lhe dar bastante tempo para refletir. Quem sabe não inventa uma estória melhor que talvez possa explicar o que estavam fazendo na Zona Neutra antes de virem para cá e por que tinham tanta pressa para chegar a Terra a ponto de explodir os motores de sua nave. - Ghor ignorou o que Hendrik disse e continuou no seu tom característico.

- Você não pode nos manter aqui. Temos direitos.

- Vocês entraram em espaço da federação em uma nave não autorizada escoltados por Aves de Rapina que com certeza foram compradas no mercado negro, o que deve saber que é ilegal. Se recusaram a se identificar quando foi solicitado e atiraram em uma nave da federação através das referidas Aves de Rapina. Creio que tenho motivos mais do suficientes para cancelar seus direitos e farei isto Ghor, se quiser continuar com seu joguinho é problema seu mas quanto a mim tenho mais o que fazer. Mande me chamar quando quiser contar a verdade ou melhor, peca por favor, mas só quero lhe avisar uma coisa, não me faca perder mais tempo pois estou em um dia ruim. - Hendrik sequer esperou para ver se Ghor diria algo. Virou-se e saiu rapidamente do local.

A Dra. Carter estava na porta do Alojamento de Iglesias a alguns minutos tocando insistentemente sem sucesso apesar do computador da nave conformar que ele estava ali. Começava a ficar preocupada com a demora dele em atender quando a porta finalmente se abriu e apareceu a figura do navegador com o rosto inchado e sonolento. Eleonor perdeu imediatamente a tensão no rosto e sorriu ao perceber que Alejandro estivera dormindo o durante todo o tempo. Ela só não entendeu como ele não acordou com tanto barulho dos sinais de alerta e os impactos dos tiros.

- Olá Dra. ! Que surpresa inesperada !

- O senhor está só comandante ?

- Claro doutora estava tentando dormir um pouco. Entre se quiser. - ela aceitou o convite.

- Parece que conseguiu. Não ouviu o alerta ? - enquanto entrava e observava o quarto em total desordem percebeu em meio a bagunça uma embalagem de tranquilizantes e então deduziu que aquela era a causa do desaparecimento de Iglesias que ainda estava tentando acordar de vez.

- Alerta ! Que alerta ?

- Estivemos em meio a um alerta de batalha a alguns minutos. Uma nave misteriosa apareceu de repente e enquanto investigávamos fomos atacados por Aves de Rapina que aparentemente a protegiam. No fim descobrimos que a tripulação das naves eram na verdade Ferenguis.

- Aves de Rapina ? Ferenguis ? Acho que dormi demais. Estava com dificuldades para pegar no sono e tomei uns calmantes só que pelo jeito exagerei. E a Avenger como está ?

- Felizmente em ordem ! O seu pupilo Gart se saiu muito bem mas creio que deva ver os registros da ponte para conhecer os detalhes dos acontecimentos enquanto isto vou comunicar a Seymor que estará se apresentando em breve. Faca isto logo pois Hendrik esta agora com os prisioneiros e fará uma reunião assim que terminar com eles e quer você lá.

- Estou a caminho Dra. Obrigado !

- Uma ultima coisa - disse Eleonor quando já estava a porta prestes a sair. - quando precisar de remédios me consulte.

- Está bem. - respondeu Alejandro ainda sem graça frente a Dra.

Dez minutos depois todos estavam reunidos na sala de reunião e Alejandro que havia sido o ultimo a chegar estava se explicando a Hendrik.

- Desculpe minha ausência. Estava com problemas para dormir e acabei passando da conta com os calmantes.

- A Dra. já conversou comigo a este respeito e disse que deve ter se enganado na dose que receitou a você - Alejandro mal conseguiu conter a surpresa frente ao comentário - Mas vocês dois tomem mais cuidado da próxima vez. Temos muitos estagiários por aqui para ficarmos nos dando ao luxo de perder nossos oficiais seniores dormindo. Felizmente Gart se saiu muito melhor do que o esperado caso contrario teríamos grandes problemas.

- O garoto tem futuro. E terei mais cuidado.

- Já está a par dos acontecimentos ?

- Vi os registros e estou a par dos detalhes do que aconteceu a não ser que saiba de mais alguma coisa além disto.

- Seymor e Jean Paul foram até lá e descobriram que seu registro de navegação diz que estiveram na zona neutra antes de os encontrarmos indo em direção a Terra e também que forcaram seus motores alem do limite o que mostra que tinha pressa e pressa demais pelo jeito. Tentei conversar com o comandante deles mas esta conversa não acrescentou nada ao que sabemos.

- Se estiveram na Zona Neutra poderiam ter algo a ver com o que esta acontecendo em Thassos ?

- Pensei nesta possibilidade mas acho que não. Os Ferenguis até onde sabemos tem uma antiga relação de comércio com os Romulanos por isto não é de se estranhar que tenham passado tão perto de lá mas o que eu gostaria de saber era o que eles estavam indo fazer na Terra com tanta pressa, porém vamos ter que nos preocupar com isto depois e voltar nossos esforços para nossos problemas mais imediatos. Sevok, conseguiu mais alguma informação ?

- Não muito. A transmissão da Almirante apenas acrescentou que eles tinham uma nave de transporte de pequena capacidade e dois exploradores ao que já sabíamos. No mais nenhuma alteração significativa.

- Isto que dizer que eles podiam sair de lá se precisassem - comentou Cashmir

- Mas não poderiam ir muito longe nem teriam chances de se defender de um eventual ataque Romulano. - completou Sevok. Hendrik voltou-se para Seymor :

- E você Seymor, o que pode nos dizer ?

- Também não tenho muito a dizer além do que já foi comentando antes. Pelo que pude descobrir o modo como estão agindo realmente não condiz com seu padrão mas isto não nos diz muito. - desta vez era Iglesias que dirigia-se a Seymor.

- Noan, tem uma coisa que ainda não entendi. Disse que os nossos postos só foram capazes de captar as naves por que elas estariam a muito tempo no espaço. Como pode concluir isto ?

- Creio que nosso oficial de Ciências possa responder isto melhor do que eu. - Noan já estava ficando incomodado em ter que falar tanto sobre Romulanos. Além de não ser um assunto agradável para ele muitas das informações que tinha não eram facilmente encontradas nos arquivos normais da frota e Seymor desejava não chamar atenção de outras pessoas para isto. Ficou feliz em transferir aquela resposta para Sevok pois era algo de conhecimento geral e o oficial de ciências certamente estaria a par de tal informação. Sevok fez deu um leve aceno de cabeça em sinal de afirmativo em direção a Seymor e então respondeu a Iglesias.

- A tela de invisibilidade dos Romulanos é de extrema eficiência mas não há como fazer isto sem um consumo forca muito grande e a fonte de energia deles pode ser até melhor do que a nossa mas com certeza é finita. Uma nave que use o dispositivo e estivesse a muito tempo no espaço teria que alternar o uso dele para não exaurir suas reservas e mesmo assim é provável que a partir de um certo limite de utilização o dispositivo deva apresentar falhas. A conjectura feita pelo Senhor Noan de que estas naves estejam muito tempo em missão deve basear-se nestes dados que evidentemente são especulativos. - Seymor simplesmente repetiu o gesto feito por Sevok em aprovação.

- Em que esta informação nos ajuda ? - perguntou Cashmir

- Em primeiro lugar que Noan pode estar certo quando diz que esta ação não foi planejada pois se assim fosse mandariam naves menos desgastadas e que poderão estar com problemas de eficiência quando os encontrarmos o que pode nos dar melhores chances se tivermos que lutar com eles. - completou Hendrik. - A almirante Hernandez disse que eram cruzadores D'daridex. Que informações temos sobre estas naves? - Sevok foi lacônico.

- Não há nenhuma informação relevante a este respeito em nossos bancos de dados Comandante. Os arquivos existentes são superficiais e dizem apenas que são naves poderosas mais não especificam a extensão deste poder.

Seymor olhou em volta e meio a contragosto conclui que teria novamente que falar sobre seus conhecimentos adquiridos durante os serviços prestados na Dissuasão. Por mais que não quisesse devia isto a Hendrik pela chance que havia recebido dele que mesmo após a confirmação dos fatos não tocou no assunto sobre o qual haviam conversado anteriormente. Além do mais quanto mais ele soubesse sobre o que enfrentariam maior seriam as chances de todos inclusive ele sobreviverem.

- Comandante creio que tenho algumas informações a este respeito mas não são oficias e por isto não posso dar certeza da exatidão das mesmas.

- Vá em frente Noan. Qualquer coisa é melhor do que temos.

- Pelo que sei essa classe de naves tem 6 vezes a nossa massa e tem entre seus armamentos Canhões desruptores classe 18 e 21, lançadores de torpedos fotônicos e torpedos de plasma além de lançadores de antimatéria. A capacidade dos seus escudos é ligeiramente superior as naves de classe Galaxy ou seja, menor do as nossas taxas atuais. Sabe-se que podem alcançar dobra 9.5 por não mais que vinte horas e sua velocidade de cruzeiro é dobra 5. Devido ao seu tamanho sua capacidade de manobra em forca de impulso é também inferior a nossa.

- Por que uma nave tão grande ? -

- Estas naves são usadas também para transporte de tropas de terra.Acredita-se que podem levar até 30.000 soldados.

- Trinta mil !!! - espantou-se Cashmir. - Eles não parecem estar com tanta vantagem afinal, pelo que disse me parece possível supera-los.

- Não é assim tão simples pois como eu disse estas informações são extra oficias. Não sabemos se são atuais ou nem mesmo se foram plantadas por eles para nos confundir e alem disto a guerra é a sua filosofia de vida e são guerreiros por sua própria natureza e isto mais do que sua tecnologia é que os fazem adversários extremamente perigosos.

- Você fala como se não tivéssemos chances Noan. Diga a verdade : acha que não podemos vence-los não é ? - Jean Paul estava intranquilo e a aparente serenidade de Noan deixava-o ainda mais irritado. Noan não fez menção de responde-lo, ao invés disto foi Hendrik quem tomou a palavra.

- E bom que tenhamos em mente as dificuldades do que nos espera. Não vamos chegar lá derrotados pois se fosse assim nem iríamos, mas não devemos esquecer que estamos com nossa tripulação incompleta e a grande maioria dos tripulantes desta nave incluindo eu mesmo tem pouquíssima experiência em situações como esta e se isto serve de alento não me lembro de outra nave além da Enterprise que já tenha se encontrado em uma situação igual portanto estamos tão preparados como qualquer outra nave da frota.

- Mas ele precisa ficar lembrando toda hora que os Romulanos são melhores que nós ?

- Ele não disse isto Jean Paul. E sobre as informações que nos ele nos deu faz parte do trabalho dele nos lembrar de todas as possibilidades e apontar alternativas. - o tom de Hendrik desta vez era severo. As coisas já estavam tensas demais e aquela explosão de Jean Paul podia causar ainda mais instabilidade naquele grupo já tão cheio de duvidas. Jean Paul tentou se acalmar ao perceber o estado de espirito de Hendrik.

- Desculpe. Acho que perdi o controle.

- Acho que podemos ir em frente agora.

Ouviu-se então o som do intercom. Era Mombassa, o auxiliar médico da Dra. Carter.

- Enfermaria para Dra. Carter. - todos estranharam aquela interrupção do jovem médico e Carter tão surpresa quanto os outros respondeu.

- Aqui é Carter. Qual o problema ?

- O Tenente Ramur informou que um dos prisioneiros esta aparentemente doente Dra.

- E dai ? Vá lá e veja o que ele tem !

- Dra. - a voz de Mombassa visivelmente constrangida - ninguém aqui conhece a fisiologia Ferengui. Será que pode nos ajudar ?

Eleonor deixou os ombros caírem e respirou fundo. Conformada pediu licença a Hendrik para se retirar.

- Comandante, peco que me desculpe mas creio que terei que ajudar meu jovem auxiliar com nossos convidados.

- Entendo Dra. Acho que não vamos nos demorar muito mais por aqui portanto fique a vontade e tome cuidado. - enquanto ela saia respondeu a Mombassa.

- Me encontre na área de detenção.- e dirigiu-se a saída sem dizer mais nada enquanto o restante continuou a reunião. Neste momento Jean Paul voltou a intervir :

- Comandante, o que acha que aconteceu a Enterprise ?

- Ainda não temos dados suficientes para dizer nada sobre isto.

- Mas eles não fazem contato algum a horas !

- Sei disto mas Picard tem bastante experiência. Prefiro quer que eles estejam com problemas mas vivos. - Sevok perguntou

- Baseado em que pensa assim Comandante ?

Hendrik pensou por alguns segundos antes de responder. Não havia como negar que a situação era difícil e que possibilidade de a Enterprise ter sido destruída era grande mas ele não podia dizer isto a eles e no fundo se recusava realmente a acreditar naquela hipótese, por fim olhou para o Vulcano e respondeu com firmeza.

- Baseado na Fé em nossos companheiros. - Sevok calou-se frente a afirmação de Hendrik que continuou.

- Se ninguém tem nada a acrescentar vamos voltar ao trabalho pois todos nos temos muito a fazer. Dispensados.

- Jean Paul, gostaria que ficasse um pouco. - o engenheiro não gostou de ser chamado por Hendrik. Sabia que tinha se exaltado um pouco mas preferia não ter que ficar se explicando contudo não tinha escolha. Quando todos saíram ele próprio se apresou em iniciar a conversa ;

- Se o motivo desta conversa foi minha atitude a alguns minutos atrás peco desculpas novamente. Pode ter certeza que não se repetirá.

Sentado na mesma posição em que se encontrava durante a reunião Hendrik fechou os olhos cruzou os braços, esticou as pernas e jogou o pescoço para traz na tentativa de descansar os músculos. Estava começando a sentir os sintomas do cansaço. Após alguns segundos falou com Jean Paul de forma compreensiva.

- Estamos todos tensos e isto é normal. Pode ter certeza de que muitas pessoas aqui tem as mesmas preocupações que você e apenas não tem coragem de falar mas quer você queira quer não está numa posição de comando e vai ter que aprender a lidar com isto rápido. Preciso de você agora e com certeza vou precisar ainda mais quando chegar a hora.

- Então acredita que vamos ter que lutar com os Romulanos.

- Não vejo muitas alternativas.

- Diga a verdade ! Acha que podemos ganhar deles ?

- Se não achasse isto não estaria indo para lá. Não tenho vocação para herói de causas perdidas, mas não será uma tarefa difícil e por isto que me preocupo com você. Quando as coisas começarem a esquentar aqueles garotos na Engenharia vão precisar saber que podem confiar em seu comandante.

- Eles confiam em você.

Hendrik deu um sorriso para seu engenheiro.

- Não é a mim que eles vão procurar mas a você. Vão olhar para o lado e ver você lá e aquilo que eles virem nos seus olhos é que vai dar ou não esperança a eles. Se você confia eles confiam e se você não confia eles desistem e todos estaremos mortos. Tenha isto em mente.

- Palavras bonitas comandante mas difíceis de concretizar. Confio em você mas todos sabemos que vamos encarar uma situação bem ruim.

- Sei disto e por este motivo quero que você aproveite o tempo até o fim da viagem para colocar aquela garotada para suar. Quero que faca turnos contínuos de treinamento de emergência com eles. Use os holodecks se precisar.

- Se eles me perguntarem sobre o que vamos enfrentar ?

- Diga a verdade. Só assim eles vão aprender a confiar em você.

- Vou fazer o que puder.

- Mais uma coisa. Sei que você tem filhos e esta preocupado com eles.

- É difícil não estar, nunca fiquei tão longe e tanto tempo sem noticias deles e a idéia de morrer longe deles me assusta. Filhos precisam dos pais comandante e não gostaria de decepciona-los.

- Sei disto Jean Paul e esta é a questão. Aqueles rapazes e mocas na engenharia também precisam de você e eles estão aqui e agora. Não os decepcione.

- Farei o melhor.

- Conto com isso. Podemos ir agora se não tiver mais nada a dizer.

Jean Paul se levantou e voltou para seus afazeres na engenharia. Ao entrar parou por alguns instantes na entrada e ficou observando a movimentação do pessoal que estava entregue ao seu trabalho tendo ao fundo a pulsação dos injetores de matéria - antimateria. Nas primeiras semanas após assumir aquela responsabilidade sempre se sentia estranho ao entrar ali e ver as pessoas se aproximando lhe perguntando o que fazer como fazer e quando fazer. Mas desta vez era uma sensação estranha que ele não podia explicar por mais que se esforçasse. Desistiu de suas abstrações e os chamou num tom decidido que ainda não tivera até então :

- Muito bem quero a atenção de todos agora. Temos que algumas coisas novas para fazer. - Os jovens oficiais voltaram-se para ele imediatamente e só então ele percebeu no olhar de cada um o que as palavras de Hendrik queriam dizer. Começou a dar suas instruções então :

- Vamos ter bastante trabalho daqui para frente ......... -

Enquanto isto Hendrik estava no convés principal tentando decidir se aquela era a hora de conversar com Seymor ou não. Aquela duvida o atormentava não só pela preocupação com o futuro do seu primeiro oficial mas pela situação presente. Era claro que a experiência de Noan onde quer que ele a tivesse conseguido estava sendo de extrema importância para a Philip e ele não queria e não podia perder este trunfo aquela altura. Como não conseguia resolver o problema resolveu dar uma passada no bar para relaxar um pouco. Foi entrando ainda absorto em suas reflexões e nem percebeu quem estava a sua volta. Em uma das mesas estavam Gart e Melissa e mais alguns cadetes numa exaltada discussão.

- Então você se acha o tal só por que deixaram você apertar uns botões na ponte ? Duvido que tenha ficado mesmo sozinho e ainda mais durante uma batalha. - Gart estava contando sua experiência para Melissa quando seus amigos chegaram. Não acreditavam que ele que a pouco fazia serviços secundários no hangar teria tido acesso a ponte. Quem puxava o coro dos incrédulos era Jones, Alferes de primeira classe que servia com Gart.

- Olhe aqui Jones, eu não estou preocupado em provar nada a você. Estava conversando com Melissa quando vocês chegaram e perguntaram o que aconteceu na ponte e contei, só isso. Se não quiser ouvir pode ir embora.

- Você só está querendo impressionar Melissa e por isto resolveu aumentar um pouco a estória não é verdade. Pode falar Gart.

Gart era uma rapaz calmo e controlado mas já estava a ponto de perder a compostura com Jones quando uma moca que estava ao lado de Melissa, a alferes Kay-li-mei notou que Hendrik se encaminhava na direção deles.

- Acho melhor vocês se controlarem pois o comandante está vindo para cá. - Todos silenciaram quando ele parou ao lado da mesa onde estavam.

- Olá senhores. Vocês estavam fazendo um barulho danado. O que está acontecendo aqui ?

Melissa como já era da hábito apressou-se a tomar a frente de todos e responder.

- Nada demais comandante, Gart estava apenas nos contando o dia dele na ponte.

- Ah! Entendi. Quer dizer que o que eu estava vendo não era o inicio de uma briga mas sim um simples relato ? - como ninguém falou nada desta vez Gart tomou a frente.

- Desculpe senhor, acho que me exaltei um pouco.

- Não tem problema desta vez mas controlem-se vocês todos.

- Sim senhor !

- Mas mudando de assunto Gart, ainda não tive tempo de dizer que gostei muito do seu trabalho lá em cima. Você foi muito bem mas não fique convencido pois ainda tem muito o que aprender.

- Sei disto Comandante e fico feliz que tenha ficado satisfeito.

- Normalmente ficaria sob supervisão por muito mais tempo ainda mas como nossa situação atual é complicada podemos precisar de você a qualquer momento. Pedi a Noan que providenciasse para que tenha acesso livre a ponte portanto fique de sobreaviso. - Gart estava tentando se controlar para não pular por cima da mesa e por o dedo na cara de Jones e fazer engolir tudo o que ele disse mas isto teria que esperar e além do mais nada que ele dissesse agora podia ser mais saboroso do que ver a cara e todos na mesa e a expressão de orgulho no rosto de Melissa.

- Estarei esperando senhor.

Neste momento o som do intercomunicador foi ouvido no local.

- Comandante Hendrik, emergência na enfermaria. Comandante Hendrik, emergência na enfermaria.

Hendrik tocou o comunicador tentando descobrir o que estava acontecendo.

- Aqui é Hendrik.Que diabos esta acontecendo na enfermaria ?

A voz de Ramur surgiu tensa.

- Comandante seria bom que viesse aqui e rápido.

- Estou a caminho ! - levantou-se com pressa observado pêlos olhos curiosos de todos a mesa.

- O que será que pode ter acontecido ? - perguntou Kay sem que ninguém esboçasse alguma suposição de resposta.

****

Capítulo XIV.

Ao chegar a enfermaria ele entendeu o motivo da emergência. Viu a Dra. Carter próxima a um dos leitos tendo por traz dele o Ferengui Ghor com um instrumento afiado em forma de garra que ele não conseguiu identificar fazendo uma pinça ao redor do pescoço de Eleonor e que ele segurava com uma das mãos enquanto a outra a prendia pelo braço esquerdo. Ramur aproximou-se e de Hendrik :

- Ele simulou um problema de saúde fazendo que a Dra. o trouxesse para cá e num momento de distração a atacou e a prendeu com refém. Pensamos em usar o Phasers mas na posição em que ele segura aquela coisa pode perfurar o pescoço dela se for solto de repente.

Hendrik não disse nada após ouvir o que Ramur lhe contara, começou a tentar conversar com Ghor. Tinha que tentar distrai-lo de algum jeito para que a segurança pudesse tentar agir.

- O que espera ganhar com isso Ghor ? Você já tem problemas demais. Solte-a agora.

- Você vai me levar de volta a minha nave imediatamente ou a fêmea morre.

- Não podemos voltar.

- Então ela vai morrer aqui.

- E depois dela você. E prometo que não será uma morte rápida.

- Você não vai ter coragem de deixa-la morrer. Conheço os humanos. Vocês são fracos.

Eleonor que até então tentava se libertar subitamente cessou seus esforços. Observa a conversa de Ghor com Hendrik apreensiva, mas não dissera uma palavra desde que Hendrik chegara. Ramur e os outros oficiais da segurança estavam tensos. Ele se culpava pelo que aconteceu. Não devia ter relaxado tanto a vigilância sobre o Ferengui. Ele queria fazer algo mas não podia sem colocar a vida Dra. em perigo. Agora estava nas mãos de Hendrik.

- Vou deixar as coisas claras para você. Nós não vamos voltar e a sua única chance de sair dessa vivo e libertando a Dra. Se ela se ferir você morre. Estes são os termos.

Exaltado com a declaração de Hendrik Ghor se perturbou e distraiu-se um segundo diminuindo a forca na mão que segurava o braço de Eleonor. Ia dizer algo mas não teve tempo. Ao sentir que a pressão em seu braço diminuíra Eleonor com uma rapidez inesperada dobrou o corpo para frente livrando o pescoço do instrumento que a ameaçava e que se fechou a poucos centímetros de seu corpo. Diante da perplexidade de Ghor que esperava tudo menos uma reação dela, girou o corpo ficando de frente para o perplexo Ferengui e com a mão direita desferiu um violento soco que o acertou bem no meio do rosto fazendo com que ele finalmente soltasse seu braço. Ramur fez menção de interferir nesta hora mas foi contido por Hendrik.

- Deixe-a ! Por enquanto ela esta indo bem.

Ghor ainda tonto pegou uma faca de dentro da bota e então pôs-se novamente em posição de confronto visivelmente irritado. Ser enganado por uma fêmea humana era uma humilhação que ele não podia aguentar e estava decido a mata-la mesmo que tivesse o mesmo fim para conseguir faze-lo. - Você vai morrer !!! - Avançou contra ela com violência tentando atingi-la com a faca mas não teve chance. Ela segurou seu braço no ar com a mão esquerda e no mesmo movimento o torceu com violência fazendo com ele soltasse um grito de dor mas ainda sem soltar a faca. Ela então não teve duvidas, torceu ainda mais o braço de Ghor e o atingiu violentamente com a mão esquerda espalmada. A faca desta vez caiu ao chão enquanto o Ferengui soltava mais um grito e desta vez ele não mais reagiu. Seu braço agora quebrado lhe causava uma dor insuportável.

- Me ajudem, ela quebrou meu braço ! - choramingava enquanto os seguradas avançaram.

Hendrik aproximou-se de Eleonor que ficou parada observando Ghor com uma expressão de ódio extremo que ele nunca vira em seus olhos antes. Era compreensível que ela se sentisse assim mas o ódio era tão intenso que Hendrik imaginou que algo mais estivesse acontecendo com ela.

- Você está bem ? - ele perguntou mas ela não disse nada, apenas olhou para ele e então atirou-se num abraço que o surpreendeu e ficaram assim por um alguns minutos observado por Ramur e seus homens. Foram interrompidos pêlos lamentos de Ghor.

- E então você vão ficar ai parados? Façam alguma coisa!

Hendrik a afastou devagar, virou-se para Ramur dizendo :

- Ramur leve-o de volta a cela e deixe-o lá até que possa ser atendido e não tenha cuidado com o braço dele. Quero todos os outros revistados dos pés a cabeça imediatamente pois podem ter mais surpresas como estas.

- Até que eu possa ser atendido !? Exijo ser tratado agora ! - Hendrik fez o que pode para tentar ignorar Ghor mais uma vez.

- Ramur, se ele abrir a boca de novo ponha-o para dormir e não use os Phasers. Pode ir agora.

Ramur assentiu com a cabeça e enquanto levava o prisioneiro de volta a cela voltou-se para Hendrik para desculpar-se por sua distração :

- Comandante eu ..., - não terminou a frase pois Eleonor que ainda se apoiava em Hendrik que estava pouco a vontade com aquela atitude inesperada dela não deixou que ele continuasse.

- Não se desculpe Ramur. A culpa foi minha por ter me exposto tanto. Tudo está bem agora, pode deixar que eu explico tudo ao comandante.

- Sim senhora. - ele saiu calado mas ainda inconformado.

- Está se sentindo melhor agora ?

Só então ela percebeu que ainda estava abraçada a Hendrik e saltou para traz procurando se afastar dele pois não queria embaraçalo frente aos tripulantes.

- Sim ! Acho que fiquei nervosa demais. Desculpe esta cena.

- Não precisa se desculpar, você passou por um momento ruim aqui. Quer me falar sobre o que aconteceu agora ?

- Eu fui até a área de detenção para ver o que estava acontecendo e vi Ghor aparentemente com dores e Mombassa sem saber o que fazer. Fiz um exame superficial mas não achei nada porém conclui que devia traze-lo para cá para fazer mais alguns exames. Ramur foi contra mas não acreditei que Ghor tivesse coragem de tentar algo contra mim ou outra pessoa estando aqui na nave. Acho que meu julgamento estava errado. Depois que chegamos me distrai um pouco e ele tirou aquilo não sei de onde.

- Ele parece mesmo desesperado. Por que será ?

- Difícil saber.

- É verdade mas agora é melhor ir para seu alojamento descansar um pouco. E isto é uma ordem. Passarei por lá daqui a pouco para ter certeza que vai cumpri-las.

- Por acaso está dizendo que sou insubordinada comandante ?

- Não pretendo discutir isto agora com você. Quer que eu a acompanhe ?

- Não será preciso. Obrigada !

Hendrik então saiu e deixou a agora confusa Dra. tentando se recuperar da experiência desagradável que acabara de ter. Mais aliviado ele começou a imaginar onde ela teria aprendido a lutar assim e mais importante por que ? A forca do Ferenguis era bem superior a média dos humanos e uma pessoa sem o treinamento adequado teria dificuldades para se livrar daquela situação e isto sem falar no fato dela aparentemente se dar tão bem com a Almirante Hernadez. Embora estivesse aprendendo a confiar na Dra. Carter, ela o deixava curioso. Enquanto caminhava lembrou-se novamente de sua preocupação inicial, Noan Seymor. Olhou para o crono do corredor que marcava 23:00 horas. Pelo menos era esta hora a bordo da Avenger que normalmente teria uma iluminação mínima agora para simular os estágios de dia e noite no interior da nave mas como estavam de sobreaviso está rotina foi quebrada pois toda a tripulação tinha que estar atenta. Este detalhe fez com que ele esquecesse de que faltavam menos de duas horas para chegarem a seu destino e ele ainda não havia conversado com Seymor. Como não tinha muitas opções encaminhou-se para a ponte disposto a resolver este assunto. Quando chegou lá Seymor já havia sido informado por Ramur sobre o incidente na enfermaria e o pessoal da ponte estava a par da performance de Eleonor o que os deixou tão perplexos quanto ele.

- Olá Seymor ! Como estão as coisas aqui ?

- Tudo em ordem por enquanto mas parece que você teve os seus segundo Ramur me contou.

- É verdade. Ghor conseguiu fazer a Dra. como refém e me deu um grande susto. Felizmente as coisas estão bem agora.

- Me disseram que ela conseguiu dominar o Ferengui com muita habilidade - comentou Cashmir.

- As noticias andam rápido por aqui. Acabei de vir da enfermaria e vocês já sabem mais do que eu. E se querem mesmo saber eu chamaria aquilo de desmontar ao invés de dominar.

- Ela está bem ? Soube que ela ficou bastante nervosa ! - o tom de vez de Alejandro era visivelmente irônico. Era lógico deduzir que entre os detalhes que chegaram a ponte estava incluído a reação final de Eleonor. Hendrik fingiu que não entendeu e limitou-se a responder sem dar detalhes :

- Ela está bem agora e acredito que em seu alojamento descansando. - voltou-se para Seymor - Venha ao escritório Seymor, quero conversar com você. - Seymor o seguiu enquanto Iglesias se dirigiu a cadeira de comando sem que desta vez fosse necessário que Noan ou Hendrik o chamassem. Já no escritório ele sentou-se convidando Seymor a fazer o mesmo e logo em seguida começou a conversa ainda sem saber como chegar ao ponto onde realmente queria.

- E então Noan ? O que acha de nossas chances ?

- Pergunta difícil. Tudo o que sabemos até agora é que duas naves Romulanas estão envolvidas nisto e o resto é especulação.

- Mas você tem algumas teorias interessantes a respeito deles.

- Como sabe tenho alguma experiência neste assunto.

- Sabe que está experiência está sendo bastante útil para mim.

- Fico feliz em poder ajudar.

- E deve saber também que vou precisar ainda mais quando chegarmos ao nosso destino.

- E está preocupado em como vou reagir se tivermos que lidar com Romulanos novamente em virtude do que lhe contei.

- Exatamente. Você tem feito um excelente trabalho até aqui e com certeza será importante para aumentar nossas chances de sucesso que continue assim. A Pergunta é ?: Pode continuar a faze-lo?

Seymor calou-se. Olhou para Hendrik com uma expressão de duvida em seu rosto. Ele havia passado muito tempo tentando esquecer seu passado e sua consciência e agora tudo contra o que ele lutava era atirado a sua frente de uma vez numa onda sem controle. Ele esteve se vigiando todo o tempo desde que começou a ouvir falar de Romulanos mas a reminiscências do passado estavam lhe causando perturbação. Queria do fundo do seu ser vencer suas duvidas e sepultar o seu passado mas não tinha a resposta que Hendrik queria. Ele só a teria em Thassos. Somente lá ele saberia.

- Honestamente não sei e acho que só saberei quando chagar a hora, mas estou disposto a tentar. É tudo o que posso prometer.

Após ouvir a resposta Hendrik sorriu de forma descontraída e olhando nos olhos dele respondeu :

- Vou ter que me contentar com isso por enquanto. Volte ao trabalho e se tiver problemas me avise.

- Tudo bem. Vou indo então.

- E Seymor desculpe por tocar neste assunto mas eu precisava faze-lo.

- Eu sei disto comandante. Era sua obrigação. - disse isto e saiu rápido. Enquanto Hendrik via alguns relatórios que ficaram de lado, tocou o Bip indicando que havia alguém a porta.

- Entre !

Iglesias apareceu com um sorriso adolescente no rosto já bastante conhecido de Hendrik em outras épocas.

- Muito ocupado ?

- Só lendo alguns relatórios esquecidos mas nada importante. Algum problema ?

- Problemas, problemas, problemas! Você só pensa nisto ? Quero saber o aconteceu na enfermaria. Vai me contar ou não ?

- Acho que vocês já viram o relatório da segurança. Está tudo lá.

- Não é disso que estou falando. Estou falando de você e Dra. Carter. Soube que ela precisou de sua especial atenção para se recompor do susto de ter quebrado o braço de Ghor.

- Você não consegue pensar em outra coisa Alejandro ? Estamos prestes a enfrentar naves Romulanas e você fica ai pensando em conquistas sem falar em demonstrar dar pouca importância ao situação a que ela foi submetida.

- Ora deixe de me dar sermões. Desde que entramos na frota estamos sempre prestes a isto ou prestes aquilo. Sempre vai haver um problema a ser resolvido nos próximos minutos quando se veste este uniforme que estamos usando e é claro que fiquei preocupado com a Dra., mas ela está bem e seria ótimo que você se envolvesse com alguém como ela.

- E você agora resolveu dar uma de cupido.

- Estou falando sério embora você não acredite. Ela é bonita, inteligente, agradável e um pouco mais velha. Diga se não é o seu tipo ? Além do que eu acho que ela tem uma queda por você e sabe que deste assunto eu entendo - Hendrik riu diante da forma como Iglesias falava e se imaginou como seria se envolver com a médica da nave. Sem falar que depois do que vira ela fazer na enfermaria isto parecia perigoso. Achou engraçado deixar que isto passasse pela sua cabeça.

- Alejandro definitivamente não pretendo ter nenhum tipo de relacionamento com a Dra. e além do que você sabe que está estória de envolvimento com o pessoal da minha tripulação nunca fez parte do meu comportamento.

- Meu amigo, você é uma chato.

- E você intrometido. Agora vamos terminar esta conversa. Quero que volte ao seu trabalho e concentre-se em nossos problemas com em Thassos e deixe que eu resolvo meus problemas sentimentais.

- Está bem mas sou melhor no meu trabalho do que você é com assuntos sentimentais. Se mudar de idéia e quiser uns conselhos é só me procurar.

- Suma da minha frente.

Após a saída de Alejandro Hendrik se permitiu alguns minutos de distração. Desde que se conheceram Iglesias não havia mudado nem um pouco e sempre fazia bem ao seu estado de espirito as conversas entre os dois e aquela não havia sido exceção. Pelo menos havia conseguido relaxar um pouco.

Ainda pensando na conversa que teve com Alejandro Hendrik estava agora a porta do alojamento de Eleonor. Quando ela apareceu notou que Alejandro tinha razão. Ela era realmente muito bonita.

- Olá comandante ! Como pode ver estou cumprindo suas ordens.

- Isto é reconfortante. Sente-se melhor ?

- Sim. Estou melhor agora mas não pretendo ficar aqui em pé na porta a noite toda. Por favor entre. - aquela conversa com Alejandro o deixou meio sem graça, e ele quase recusou o convite mas pensou bem e acabou concluindo que tudo era uma bobagem e não havia motivo para que ele se senti-se daquela forma e acabou concordando. Ela usava uma calca tipo agasalho e uma camiseta branca, os pés estavam descalços e cabelos soltos. Ao fundo ouvia-se uma musica que Hendrik reconheceu :

- As quatro estações de Vivaldi se não estou enganado !?

- Está correto Comandante. Também gosta de clássicos ?

- Ouço de vez em quando. Não sou um expert mas essa é uma das minhas preferidas.

- Minha também. Bebe alguma coisa ?

- Água apenas, e pode me chamar de Hendrik.

- Desculpe eu me esqueci. Mas esqueça a Dra. por enquanto pois não estou de serviço de acordo com suas ordens. Pode usar Eleonor para ficarmos no empate. Eu acho Carter pouco feminino.

- Se deseja desta forma não vejo problemas. Gostaria de saber se ele a machucou.

- Meu braço ficou um pouco dolorido mas nada demais, mas diga-me, se eu não tivesse conseguido me livrar dele o que teria feito ?

- Não tenho a menor idéia.

- Pelo menos é sincero. Gosto disto. - ela respondeu rindo

- Você se livrou dele de maneira bem eficiente.

- Você está curioso como uma oficial médica aparentemente inofensiva foi capaz de tal proeza não é ?

- Que eu saiba não ensinam isto na aulas de medicina.

- Tem razão mas nada que não possa ser remediado.

- Sei, mas você é bem peculiar : Conhece bem as coisas da política, observadora, boa em combate corpo a corpo e devo confessar que ainda estou curioso a respeito de sua amiga, a Almirante Hernandez. Sempre ouvi dizer que ela é linha dura o que não parece bem seu estilo e como foi ela quem definiu os protocolos da viagem de treinamento da Avenger imagino que tenha sido ela que tenha falado sobre mim com você.

- Você também é bastante observador Hendrik

- Também faz parte do meu trabalho.

- Incomoda a você conhecer pouco a respeito de meu passado ?

- Me incomoda conhecer pouco a respeito do passado de qualquer um que esteja sobre meu comando.

- Agora você esta agindo um comandante de nave estelar.

- Creio que nunca deixei de ser um desde que cheguei a Avenger embora reconheça que as vezes tenho algumas atitudes meio paternalistas em relação aos tripulantes.

- Posso entender isto.

- Você e suas respostas evasivas. Mas não vim aqui para obriga-la a dizer nada que não queira Eleonor. Só passei para ver se esta bem. Não quero que pense que a estou pressionando, pois não é está a minha intenção.

- Sei disso Hendrik. Apesar de estarmos juntos a pouco tempo posso ver que é um homem bom. - Eleonor ficou calada por algum tempo antes de continuar. Estava sentada em uma confortável poltrona segurando seu copo enquanto fazia o gelo girar com o movimento de suas mãos. Deixou de lado o movimento das pedras transparentes e então completou a frase como se o tempo não tivesse passado.

- E por ser um homem bom acho que posso lhe confiar um segredo.

- Acho melhor não me dizer nada agora Eleonor pois parece que estou lhe colocando contra a parede e hoje você teve um dia ruim.

- Na verdade eu preciso conversar com alguém sobre isto e você sem duvida é uma boa escolha.

- Obrigado.

Após beber mais um gole ela pós o copo sobre a mesa e relaxou ainda mais o corpo sobre a poltrona, então dirigiu-se a Hendrik novamente.

- O que você conhece a respeito do passado de Seymor ?

- Conheço um pouco mais do que deveria - aquela pergunta fora inesperada.Haveria alguma relação entre o dois ?

- Vocês se conhecem ?

- Não exatamente. Sabe o que significa a palavra Dissuasão ?

- Sim. - a resposta foi totalmente livre de qualquer sinal que demonstrasse a perplexidade que Hendrik sentia internamente.

- Fiz parte deste "grupo de elite "por dez anos. Fazia parte do corpo médico especial do grupo.

- Corpo médico especial ? Por que eram assim especiais ?

- Éramos encarregados de fazer as autopsias nos corpos de alienígenas que a frota encontrava no espaço a fim de conhecermos melhor sua fisiologia. De que outro modo a federação teria tantas informações sobre raças com as quais não tem relações diplomáticas ?

- Nunca pensei nisto.

- Ninguém nunca pensa. Apenas aceitam as informações que tiramos e depois fazem discursos sobre direitos, moralismo, etc,etc.... Você não imagina como é fazer parte. As intrigas, a incerteza, o jogo com a vida das pessoas. Nós não valíamos nada, éramos descartáveis e ficávamos tão mergulhados nisto que com o tempo endurecíamos ou então não aguentávamos.

- E como foi parar lá ?

- Eu era uma jovem e brilhante médica recém formada mas com um censo de valores ainda em construção e tinha algumas teorias pouco ortodoxas na época. Acho que isto chamou a atenção de alguém e então fui convidada para um programa especial de pesquisas sobre o qual prefiro não entrar em detalhes e quando dei por mim já era um deles. No inicio eu estava satisfeita com minha situação pois como membro da equipe eu não estava tão amarrada aos regulamentos da frota estelar e tinha carta branca para fazer meu trabalho do jeito que eu bem entendesse mas o tempo passou e as coisas que vi foram me deixando cada vez mais dura e fria até que um dia eu me vi fazendo uma autopsia em um cadáver Cardassiano e aquilo mexeu comigo.

- Por este em especial ?

- Era um corpo de uma criança, Philip. Apenas uma criança. Aquilo mexeu comigo de uma forma estranha e resolvi que tinha que parar.

- Acredito que seja um pouco difícil sair de uma organização como esta.

- E era. Conversei com meus superiores sobre o assunto mas não tive sucesso. Fui obrigada a ficar por lá mais algum tempo até que Teresa conseguiu me tirar de lá.

- A Almirante Hernandez ?

- A própria. Ela foi uma de minhas instrutoras na academia e formamos bons laços desde então, apesar de termos nos afastado devido a natureza de nosso trabalho. Quando foi promovida conseguiu mexer seus pauzinhos. Fiquei um tempo servindo com ela e tentando cicatrizar a feridas. Ela me ajudou muito assim como esta fazendo com Seymor agora.

- Ainda não me disse qual a sua relação com Noan. Ele me disse que você andou lhe dando uns conselhos quando chegou a nave.

- Nunca o conheci pessoalmente mas fiz parte de uma equipe destacada para investigar os problemas que ocorreram na sua ultima missão. Todo o grupo liderado por Seymor foi morto e só ele sobreviveu. Fizemos algumas investigações para checar o que houve e concluímos que tudo foi uma fatalidade e que ele não teve culpa mas soube que ele nunca conseguiu se recuperar. A chance que deu a ele aqui esta fazendo bem a Noan.

- Ele sabe que foi investigado ?

- Não, não sabe. Todas as operações eram secretas até entre nós.

- Entendo. Mas o que eu não entendo é que a pessoa que eu conheci na Avenger bem humorada, compreensiva, as vezes protetora,espirituosa nem de longe a pessoa amargurada que você quer me fazer crer que é.

- A algum tempo que tento esquecer e retomar minha vida e como disse Teresa me ajudou muito. Foi dela a idéia de que eu viesse para cá. Ela achou que depois de tanto tempo em terra servir numa Nave estelar com tanta gente nova me faria bem e acho que ela estava certa. Lidar com as pessoas daqui tem sido ótimo mas ainda não durmo direito a noite. Durante aquele primeiro ataque da nave Klingon me lembrei dos muitos companheiros que vi chegarem mortos de suas missões nem sempre bem sucedidas e hoje quando Ghor me prendeu senti uma raiva que a muito eu tentava suprimir. São muitas emoções a controlar e as vezes é difícil para mim por isto aquela reação inesperada até mesmo para mim em relação a você quando tudo terminou.

- Não se incomode com isso Eleonor.

- Obrigada. Você tem sido um bom amigo e gostaria que continuasse aqui quando estes testes acabarem.

- Pouco provável que isto venha a acontecer.

- Sempre há possibilidades. Mas agora que sabe a meu respeito o que pretende fazer ?

- O mesmo que fiz com Noan ou seja, pedir que continue a agir como vem agindo. Vocês dois tem sido de extrema importância para mim. Preciso de vocês mais do que nunca.

- Farei o melhor possível então.

Eles se calaram e ficaram algum tempo ali parados pensando em toda em toda aquela estória que fora contada naquele quarto. Eleonor sentia-se bem em tela contado a Hendrik e este não podia esperar por aquelas revelações. Ele bebeu um gole d'água e como continuava calado ela tentou mudar um pouco o assunto.

- Me parece que estamos quase chegando ao nosso destino.

- Devemos chegar lá a qualquer momento.

- Ainda esta preocupado não é ?

- Isto é obvio Dra. Não encontro Romulanos todos os dias.

- Sei disto, mas você se preocupa com a sua tripulação.

- Isto é o dever de qualquer comandante mas talvez eu me preocupe demais. Eles vão indo bem até agora e acho que podem dar conta do recado.

- Você também é uma pessoa difícil de entender. Toma as decisões que tem que tomar, cuida dos seus e já demonstrou que tem todas as condições de comandar esta nave mas esta sempre pondo em duvida sua própria capacidade. - Hendrik ouviu a afirmação de Eleonor e meditou um pouco sobre ela que aguardava pacientemente até que resolveu o que responder.

- Estou na frota a 15 anos incluindo o tempo de academia e vi muitos oficiais capazes cometerem erros que os levaram ao fracasso. Eles acreditavam cegamente em suas capacidades e se tornaram descuidados e eu não quero cometer o mesmo erro.

- Isto não combina com o que ouvi falar de você antes de vir para cá. Teresa me disse que muitos o consideram uma pessoa agressiva mas tenho visto um homem bem equilibrado em suas ações.

Hendrik sorriu frente a afirmação de Eleonor. Está era a opinião corrente na frota a seu respeito e ele estava começando a se acostumar com ela.

- Estive em algumas situações que me obrigaram a tomar algumas atitudes extremas e algumas pessoas devem ter se baseado nisto para fazer um julgamento quanto a minha forma de resolver as coisas. Eleonor, a segunda coisa que mais detesto na vida é entrar em uma briga, mas a primeira coisa que mais detesto e perder uma briga. Eu não lido muito bem com a derrota.

- Devo confessar que na nossa atual situação sinto-me feliz em ouvir isto.

Eles riram novamente e agora o clima era absolutamente descontraído entre os dois. Hendrik levantou-se para despedir-se.

- Creio que já conversamos bastante e já passa da hora para se estar no quarto de uma mulher sem despertar comentários. - Eleonor achou engraçado ouvir aquilo.

- Que coisa mais antiquada meu caro. Acho que os comentários de seu amigo Alejandro a nosso respeito tem lhe deixado preocupado.

- Comentários, que comentários ? - Hendrik ficou sem jeito. O que teria Alejandro dito a ela ?

- Ele esteve tentando me convencer que fazemos um bom par e acredito que tenha tido o mesmo tipo de conversa com você mas não se preocupe pois conheço bem o tipo dele e sei separar o que é verdade da fantasia. Ele gosta muito de você e o admira bastante Philip. Tenho certeza que não fez por mal.

- Sei disto. Iglesias é um bom amigo de longa data e apesar de ser meio irresponsável as vezes é uma boa pessoa mas insiste em querer resolver meus problemas de relacionamento.

- Deixe isto para lá.

- Acho que não tem outro jeito.

- Ponte para comandante Hendrik - era voz de Seymor chamando pelo intercom.

-Aqui é Hendrik, pode falar Seymor.

- Estamos quase chegando ao ponto onde perdemos contato com a Enterprise.

-Estou a caminho. - terminou a comunicação e voltou-se para Eleonor.

- Creio que chegou a hora. Vou para a ponte.

- Se não se incomodar irei para lá também assim que me trocar.

- Já lhe disse que será sempre bem vinda por lá.

Ele saiu e se encaminhou rapidamente para o comando com o pensamento divido entre suas preocupações com os Romulanos e as revelações feitas por Eleonor. Muita coisa estava acontecendo naquelas semanas para os quais ele não estava preparado. No fundo ele achava que não haveria forma de preparar-se para aquilo tudo a não ser vivendo cada experiência. Sua única certeza era de que a tempo das duvidas e reflexões acabara para ele. Havia chegado a hora de agir. Ainda em seu alojamento Eleonor estava terminando de arrumar seu uniforme em frente ao espelho e também refletia sobre a conversa. Foi bom para ela contar sua estória pois a muito tempo não conversava com ninguém sobre o assunto e sentia-se bem com Hendrik a até permitiu-se pensar que a idéia de Alejandro até que era agradável. Sorriu com esta idéia enquanto saiu em direção a ponte.

****

Capítulo XV.

Diário Pessoal - data estelar 5447.0.

Estamos chegando ao local onde a Enterprise fez seu ultimo contato com a frota ainda sem saber o que vamos encontrar aqui a não ser que os Romulanos podem aparecer a qualquer momento. Quanto as respostas as nossas perguntas como o que teria acontecido ao pessoal da colônia e a Enterprise tenho certeza que não nos serão dadas tão facilmente. Terei que confiar em minha tripulação e eles em mim mas sinceramente esta é uma opção difícil para ambas as partes.

Fim do registro.

Após uma breve passagem pelo seu escritório Hendrik foi chegou a ponte e teve a confirmação do local onde estavam através de Noam.

- Estamos no ponto da ultima transmissão da Enterprise.

- Iglesias, vamos sair de Warp. Forca de impulso 50 %

- Meia forca de impulso, agora.

- Alerta Amarelo ! Subir escudos. Hendrik para Engenharia.

- Engenharia. Jean Paul falando.

- Quero que fique atento ao que faremos aqui a partir de agora. Posso precisar de opiniões.

- Sim senhor, ficarei na escuta.

- Sevok, o que dizem os sensores ?

- Estou captando traços de energia na área. A analise indica traços residuais de disparos desruptores e fotons. Com certeza ouve luta aqui.

- Destroços ?

- Sim mas é impossível identificar o que era.

- Poderiam ser da Enterprise ou alguma das naves Romulanas ?

- Negativo. A destruição de qualquer uma das naves deixaria uma quantidade de destroços muito maior do que a que estou captando.

Hendrik ficou aliviado. Não era muito mas era a primeira boa noticia. Se algo aconteceu a Enterprise não foi ali. Eleonor entrou na ponte e naturalmente se dirigiu a cadeira a esquerda de Hendrik, sentou-se e limitou-se a observar as ações que se desenrolavam.

- Muito bem ! Agora que chegamos aqui o que fazemos ? - perguntou Cashmir.

- Nosso destino era Thassos e para lá que vamos. Alejandro, Warp 5 e acionar.

- Estamos de volta ao curso. Lá vamos nós.

- Pelo que sabemos não deve haver mais ninguém lá e os sinais que encontramos parecem confirmar isto. - disse Seymor.

- Você pode estar certo, mas sabemos muito até agora e tenho a impressão de que devemos dar uma olhada naquele planeta. Quero ver se descobrimos o que chamou a atenção dos nossos visitantes indesejáveis e de qualquer forma não temos nenhuma opcão melhor por enquanto.

Com a aproximacão de Thassos os niveis de tensão na nave bateram todos os limites. Todos sabiam que a qualquer momento poderiam ser interceptados e esta era sencacão bem desagradavel. Pelos corredores e em cada deck da Avenger podia-se sentir a apreensão no ar. Finalmente Alejandro deu o informe:

- Chegamos.

- Vamos assumir uma orbita alta Alejandro, pelo menos por enquanto.

- Entrando em orbita agora comandante e pelos dados que recebemos logo estaremos sobre o local do acampamento.

- Vamos dar uma volta completa e ver o que conseguimos.

- Comandante - era Sevok quem falava - creio que a esta distância os sensores devem nos revelar muito pouco. O curso lógico seria enviar um grupo ao planeta.

- Sei disso mas teremos que abaixar nossos escudos para mandar alguém lá embaixo e nada nos garante que não alguma nave Romulana por perto. Vamos continuar assim por enquanto.

- O Vulcano estava certo mas Hendrik tentava encontrar um modo de expor a nave ao mínimo caso tivesse que tomar esta atitude. Cashmir que estava atenta aos painéis de sua estação detectou algo estranho.

- Comandante, sistemas de defesa estão captando um sinal de rastreamento vindo da superfície do planeta. Algum está com algum tipo de sensor focado em nós.

- Como é ?

- Confirmando a informação da tenente comandante. - complementou Sevok.

- Sonda Romulana ?

- Negativo. O sinal parece ser emitido por equipamento padrão usado pela federação.

- Conferi as informações que a frota nos mandou junto com Sevok e não havia nada sobre isto lá. - disse rapidamente Eleonor antes mesmo que o Vulcano tivesse a chance.

- Provavelmente eles devem ter deixado funcionando na fuga. Por que iam se lembrar de desativar seu equipamento enquanto fugiam ? - Alejandro não conseguia ver importância naquela descoberta.

- Não é bem assim tenente - disse Cashmir - nossos sistemas deveriam ter captado este sinal a mais tempo e isto não aconteceu. Este equipamento foi ativado a pouco.

- Sevok, conseguiu ler sinais de vida ?

- Negativo, mas a altura em que estamos os sensores não são totalmente efetivos por conta dos fenômenos atmosféricos e a atividade eletro magnética natural do planeta.

- Alejandro, baixar para orbita padrão. Diminuir a velocidade. Impulso mínimo para manter orbita.

- Ajustando curso...,.Estamos em orbita padrão agora em 10% de impulso. Vou ter que usar os propulsores para compensar.

Eleonor observava as ações do piloto sério, compenetrado, seguro. Realmente ele era muito bom no seu trabalho e justificava plenamente a confiança que Hendrik depositava nele. Ninguém diria que aquele homem que levava tudo na gozação e o oficial sentado no leme eram a mesma pessoa.

- Refaça as leituras Sevok.

- Estou trabalhando nisto comandante mas preciso de alguns minutos.

Enquanto Sevok fazia sua leituras Hendrik permitiu-se desviar sua atenção Eleonor que permanecia na cadeira ao lado atenta aos acontecimentos, inclusive ao gesto de Hendrik. Trocaram um breve olhar de interrogação.

- E então ? Algum palpite Doutora ? - Ela simplesmente deu de ombros e quando ia dizer alguma coisa Sevok foi mais rápido;

- Sinais de vida comandante, fracos e difíceis de identificar, mas vem do local onde estavam instalados os pesquisadores.

- Creio que teremos que ir lá embaixo então. Só não sei como e estou aceitando sugestões. - fez-se um silêncio na ponte após um comentário de Hendrik.Eles não viam alternativas para descer alguém sem expor a nave.

- Creio que vamos ter que acreditar que eles não estão aqui. disse Cashmir.

- Esta idéias definitivamente não me agrada mas não vejo outro jeito. - emendou Seymor.

Neste momento ouviram um sinal. Era a engenharia chamando.

- Comandante, aqui fala Jean Paul.

- Prossiga.

- Por que não manda alguém em um dos exploradores ?

- Teríamos que baixar os escudos do mesmo jeito. - disse Cashmir.- Jean Paul continuou;

- Não se usarmos um explorador com os escudos ativados e trabalhando na mesma frequência dos escudos externos.

- A auto modulação não tentaria mudar a frequência quando a nave fosse lançada ?

- Sim, mas posso manter a frequência fixa tempo suficiente para que a nave saia.

- Teoricamente pode ele esta certo - disse Sevok - mas nunca foi tentado antes embora seja uma solucão bem simples. Além do que mesmo que o explorador tenha sucesso, caso haja Romulanos por perto. O transporte ficaria vulnerável.

- Mas é nossa melhor chance. Jean Paul execute e me avise assim que estiver pronto.

- Não vai demorar nada comandante.

- Ainda acho arriscado. - disse Eleonor.

- Ainda aceito sugestões.

Ninguém disse mais nada. Na Engenharia Jean Paul trabalhava na sua idéia acompanhado de perto por Melissa.

- Como pretende fazer isto ?

- Na verdade é fácil. Os exploradores ainda trabalham com uma modulação fixa portanto tudo o que temos a fazer é fixar a frequência dos escudos da Avenger na mesma que a de deles. Operando na mesma frequência os escudos se anulam.

- Dizendo assim parece fácil, mas por que ninguém pensou nisto antes ?

Jean Paul não respondeu a sua aplicada aprendiz e agora auxiliar. Continuou com seus preparativos.

- Computador, cancelar auto modulação dos escudos.

- Procedimento não autorizado. Sistemas de defesa não podem ter sua configuração alterada. - informou a serena voz feminina do computador. Jean Paul ficou atônito.

- Como é que é ? Isto é uma emergência.

- Procedimento negado.

- Eu não acredito no que estou ouvindo.- enquanto Jean Paul se desesperava Melissa mesmo constrangida por faze-lo não teve outra alternativa a não ser chamar a atenção dele.

- Senhor, como engenheiro chefe pode desativar os lacres de segurança.

- Ah!? Ah sim, eu me esqueci - respondeu ele sem graça - obrigado ! Computador, cancelar protocolos de segurança. Autorização GRISLAIN - sete - dois - Alpha - Gama. - era a primeira vez que ela ouvia o sobrenome de Jean Paul.

- Identificação vocal confirmada, Codigo de acesso confirmado. Protocolos encerrados.

- Executar ordem anterior.

- Modulação cancelada.

- Manter escudos em 302 Gigahertz.

- Escudos estão agora operando na frequência 302 Gigahertz.

- Ponte para engenharia. Isto ainda demora Jean Paul ? Não temos o dia todo.

- Está feito comandante. Pode lançar a nave mas é bom que o piloto saiba que a nave auxiliar vai balançar um pouco antes de sair do nosso campo de atracão.

- Entendido. Ponte desliga.

Ao fim da transmissão Jean Paul agradeceu a Melissa;

- Obrigado, se não fosse por você ia fazer papel de bobo.

- Não tem de que.

De volta a ponte Hendrik estava pronto para sair. Normalmente missões em terra ficariam a cargo do primeiro oficial mas ele teve duvidas em mandar Noan e estava decido a descer até mesmo para preserva-lo.

- Mande Ramur me encontrar com uma equipe de segurança no hangar. Seymor assuma o comando. - mas antes que ele pudesse levantar-se Noan o fez e pôs-se a frente de Hendrik.

- Com o devido respeito comandante, esta é minha função.Deve permanecer na nave.

Hendrik ficou sem ação frente a atitude dele e embora soubesse que era o certo a fazer tinha suas duvidas.

- Isto pode ser perigoso Noan. Não sabemos se eles estão lá fora ou o que vamos encontrar lá embaixo se conseguirmos e as chances ainda estão contra nós, e eu sequer tenho autoridade para traze-los aqui lembra-se ? Não tenho o direito de pedir que arrisquem suas vidas.

- Está certo sobre as possibilidades e justamente por isto é que deve ficar. Pode não ser o capitão mas é a pessoa que tem mais chances de nós tirar daqui, e como mesmo disse, você nos trouxe e agora terá que nos levar de volta. Quanto aos riscos eu os conheco melhor que qualquer um aqui. - enquanto Hendrik permanecia quieto Eleonor tomou a palavra:

- Ele tem razão Philip. A nave ficara melhor com você aqui e Seymor pode fazer o trabalho.

Ele olhou para os dois hesitante mas não tinha como contestar a lógica dos fatos.

- Esta certo Noan. Você lidera o grupo avançado.

- Acho bom levar um médico pois se forem dos nossos podem estar feridos. Não sabemos o que aconteceu lá.

- Estou a caminho. - quando viu Eleonor levantar-se com ímpeto Hendrik sentiu algo estranho. Não sabia por que não queria que ela fosse, só não sabia como dizer isto a ela sem fazer a coisa pessoal.

- Acho melhor esperar pela confirmação do que há lá embaixo.

- Já perdemos tempo demais aqui e este é o meu trabalho. Não vai me impedir de faze-lo.

- Está bem. Vá com ele.

Os dois saíram rapidamente em direção ao elevador deixando para traz um comandante preocupado e um navegador que tentava se controlar para não fazer uma piada que com certeza Hendrik não gostaria.

Em Thassos, Janice informava ao Tenente Krieg seus progressos na missão que ele lhe dera; consertar os sensores.

- Acho que consegui tenente, mas não posso garantir pois meus conhecimentos de engenharia não são lá essas coisas e os Romulanos fizeram um bom estrago.

- Vamos torcer para que funcione.

- Por que simplesmente não usamos o sinalizador de emergência do acampamento. Ele parece em boas condições.

- Por que se o fizermos os Romulanos também vão recebe-lo caso ainda estejam por perto. Caso uma nave da federação se aproxime o sinal deve ativar os sensores defensivos, mas isto não chamaria a atenção de um possível cruzador Romulano pois eles imaginam que não tem mais ninguém aqui.

- Espero que de certo.

- Eu também.

Na Avenger o explorador estava pronto para lançamento com Noan, Eleonor, Ramur e mais quatro oficiais a bordo.

- Titã para controle do hangar, estamos prontos.

Na ponte Hendrik tomava suas providências;

- Alerta vermelho. Postos de combate. Cashmir fique a postos para acionar armas a qualquer instante.

- A postos Senhor.

- Sevok, sensores ao máximo.

- Entendido.

No Hangar.

- Iniciando descompressão do hangar. - a voz do oficial que controlava o lançamento era tensa.

- Iniciando abertura das comportas.

- Acionando propulsores.

- Portas espaciais abertas.Titã está liberado para partir.

- Entendido. Acionando escudos defletores.

Quando os escudos entraram em funcionamento ele sentiu a nave balançar mas nada que impedisse o controle da mesma.

- Impulso a frente 1/4.

O pequeno explorador partiu sem maiores problemas apesar da apreensão de todos. A tática de Jean Paul havia dado certo mas agora a preocupação era com a segurança do explorador.

- Algo nos sensores ? - Hendrik não disfarçava a preocupação que sentia e acompanhava a partida do explorador pela tela em pé ao lado de Sevok. Fez a pergunta pela forca do hábito pois ele acompanhava de perto o painel do oficial de ciências e já sabia a resposta.

- Nada a relatar.

- Eles estão entrando na atmosfera agora.

- Não creio que haja mais perigo agora Comandante. - disse Iglesias.

- Tem razão, mas vamos continuar de sobreaviso até eles chegarem.

- Como quiser.

Aquela operação toda não levaria mais de dez minutos mas pareciam horas. A nave auxiliar desapareceu da tela após entrar na atmosfera do planeta e agora só podia ser acompanhada pelos sensores da nave e por medida de segurança Hendrik havia ordenado silêncio absoluto de rádio. Eles só se comunicariam em caso de emergência. Só restava agora esperar e torcer para que eles não tivessem problemas e que tudo aquilo valesse a pena.

- Comandante - chamou o Vulcano - eles chegaram.

Hendrik respirou aliviado. Eles tinham chegado em segurança e nem sinal dos Romulanos.

- Cancelar alerta vermelho. Alejandro, vamos voltar a nossa velocidade padrão.

- Entendido.

- Sevok, continue nos sensores. Enquanto eles estão lá embaixo quero dar uma olhada no planeta.

- Sim senhor.

- Ponte para engenharia.

- Aqui é Jean Paul comandante.

- Eles chegaram em segurança tenente. Bom trabalho.

- Obrigado Senhor.

Enquanto a Avenger cumpria sua orbita ao redor de Thassos o grupo avançado estava desembarcando próximo a área da colônia. Tal qual na Avenger o sentimento de alivio era grande mas eles agora tinham outras prioridades. Seymor dava suas ordens.

- Ramur, alguém sabe pilotar um explorador no seu grupo ?

- Sim senhor. O alferes Dimitri.

- Deixe-o na nave e diga para que ele a mantenha pronta para partir a qualquer momento e que fique atento aos sensores. Mande que nos informe qualquer coisa que captar. O restante do pessoal deve vir conosco.

- Comandante - chamou Eleonor sem tirar os olhos do Tricorder - estou captando os sinais que vimos da Avenger. Estão vindo daquela direção. - disse isto enquanto apontava para o local para Seymor que imediatamente pôs-se a caminhar a frente dela.

- Vamos lá então. Phasers em tonteio máximo.

Após poucos minutos de caminhada eles avistaram o que restou do acampamento. Ramur espantou-se com a desordem do lugar.

- Nossa, parece que passou um furacão nesse lugar. Mais alguém andou procurando algo por aqui.

- Detesto dizer isto mas você está certo. - respondeu Seymor atento a tudo a sua volta. Aquela situação lhe lembrava outra parecida mas desta vez ele estava decidido a não falhar.

- Só podem ser Romulanos, mas o que eles estavam procurando aqui ? - perguntou Eleonor enquanto se mantinha atenta ao tricorder. - Estamos bem próximos dos sinais, uns 100 metros.

- Não vejo nada. - comentou Ramur

- Devem estar escondidos ou muito feridos. - Eleonor foi puxada pelo braço por Seymor ao terminar a frase.

- Fique aqui por enquanto Dra. e Ramur venha comigo. Vocês dois ficam com ela e nos dão cobertura até eu chamar.

Eleonor esboçou alguma reação de desagrado por aquela atitude, mas desistiu. Notou que Seymor estava decido e não era hora de discussões inúteis. Parou ao lado dos outros dois homens que estavam ao seu lado e limitou-se a mostrar a direção. - O sinal vem dali -. Seymor e Ramur seguiram devagar por entre o que sobrou do acampamento empunhando seus Phasers enquanto eram observados pelos que ficaram, evidentemente apreensivos. As leituras mostravam que eram de humanos os sinais captados mas em face das várias surpresas que tiveram era natural a precaução. Enquanto se aproximavam viram a entrada da gruta onde havia sido montado o abrigo de emergência e era lá que estavam quem quer que fosse. Pararam na entrada. Seymor e Ramur entraram com cuidado, cada um ocupando um dos lados da abertura. Conseguiam enxergar pouco por conta da luz difusa que os geradores de emergência ainda conseguiam fornecer. Ramur estava nervoso e queria acabar logo com aquilo. A tensão era insuportável. De repente ouviu um barulho por traz dele, seu coração acelerou e ele virou-se para ver o que era já pronto para disparar, mas era tarde demais pois um vulto correu em sua direção o envolvendo rapidamente. Seymor já estava prestes a disparar quando reconheceu o uniforme da frota e viu que era uma mulher que estava agora abarcada a Ramur chorando.

- Vocês chegaram. Pensei que fossemos morrer aqui !!!!- dizia Janice entre soluços.

Seymor respirou aliviado enquanto Ramur continuava paralisado com o choque daquele súbito aparecimento. Seymor estava pronto a dizer que ela poderia ter realmente morrido agindo daquela forma mas desistiu ao perceber o estado daquela mulher. Aproximou-se dela ;

- Calma está tudo bem agora. Viemos tira-la daqui.

Janice não disse nada, apenas fez um sinal tímido de afirmativo meneando a cabeça.

- Tem mais alguém com você aqui ? Captamos dois sinais.

- Sim - respondeu ela tentando engolir o choro - o tenente Krieg esta logo ali a frente, atrás daquelas caixas. Está ferido. - respondeu ela apontando o local. Seymor foi até o local onde Krieg estava deitado com a perna enfaixada com restos do uniforme e que pensou que estivesse delirando quando viu aquele homem se aproximar com um uniforme da frota estelar.

- Tenente comandante Seymor. Fique calmo que já vamos tira-lo daqui. - Noan disse isto e olhou para traz procurando por Ramur que ainda estava no mesmo lugar. Não pode conter um sorriso ao observar a situação do jovem oficial.

- Ramur !!!

Ramur olhou para ele lentamente como se estivesse saindo de um transe e com muita dificuldade respondeu;

- Sim ... senhor ...

- Acha que pode ir lá fora trazer a Dra. para cá ? Temos gente ferida aqui.

- Estou a caminho senhor.

Noan não podia recriminar Ramur pela sua reação. A poucos dias era um alferes recém formado em uma divertida viagem de testes e agora estava metido no meio de algo que podia ser o inicio de uma guerra e ele próprio estava tenso. Logo o restante do grupo chegou e Eleonor imediatamente tratou de cuidar de Krieg.

- É moco, você parece muito mal, mas vou deixa-lo novo em folha.

- Obrigado ! Pensei que não fossem chegar a tempo. Como estão os outros ?

- Vocês são os primeiros que achamos.

- Como ? O comandante Reyad me disse que estava com a Enterprise nos sensores antes de ter que voltar para cá !?

- Não somos da Enterprise. Somos da Avenger.

- Avenger !? Nunca ouvi falar desta nave.

- Isto é uma estória que podemos contar mais tarde, no momento nossa prioridade e tira-los daqui.

Janice se aproximou deles agora mais calma mas ainda estava preocupada com o estado de Krieg.

- Como ele está ? Perdeu muito sangue até conseguirmos parar a Hemorragia.

- Vai ficar bem - respondeu-lhe Seymor - mas você podia ter morrido se atirando em cima de Ramur daquele jeito.

- Desculpe, mas eu fiquei desesperada. Viemos para cá depois de ligar os sensores e estávamos tão cansados que acabamos adormecendo e não vimos vocês chegarem. Fomos acordados pelo barulho dos motores e achamos que podiam ser os Romulanos voltando. -

- Romulanos voltando ? Há Romulanos aqui ? - perguntou o novamente preocupado Ramur. Krieg o respondeu ;

- Devia ter avisado vocês antes mas fiquei tão nervoso que esqueci. Estávamos observando atrás de uma colina e vimos quando eles chegaram em um transporte similar aos nossos exploradores e vasculharam tudo. Não sei se ainda estão no planeta mas não faz muito tempo que estiveram aqui.

- Quantos eram ?

- Contamos 15 homens.

- Ramur - chamou Seymor. coloque dois homens vigiando a entrada e vá avisar Dimitri no explorador para ter cuidado. Não use os comunicadores e diga a todos para fazer o mesmo.

- Estou a caminho Senhor.

Enquanto Ramur seguia com os homens que escalara, Seymor voltou-se para Eleonor. Se havia Romulanos ali eles deviam sair logo do planeta

- Temos que sair daqui a gora Dra., de algo para diminuir a dor e fazemos o restante quando retornarmos.

- O estado dele e sério. Preciso pelo menos estabiliza-lo.

- Vamos ter que fazer isto no Explorador. Se os soldados voltarem vão nos encurralar nesta caverna.

- Ele tem razão Dra. - disse Krieg - quanto mais cedo sairmos daqui melhor. Posso andar um pouco.

Eleonor fez o que pode o mais rápido possível e então levantou-se.

- Vamos então. Terá que ser suficiente.

Seymor chamou os rapazes que ficaram guardando a entrada para ajudar a carregar o oficial ferido e então seguiram o mais rápido que puderam para o explorador. Segundo o combinado antes de partirem teriam que aguardar algum tempo antes de voltar pois decidiram que o explorador decolaria apenas quando a sua posição coincidisse com a orbita da Avenger para que eles ficassem o mínimo de tempo possível no espaço. Tinham que esperar por mais 15 minutos.

****

Na Avenger Sevok estava informando a Hedrik uma ocorrência nos sensores.

- Confirmado Comandante. Existe uma nave de reconhecimento lá embaixo provavelmente Romulana. Está imóvel sobre a superfície no momento. Também estou lendo sinais de vida.15 no total.

- Quanto tempo levariam para chegar a posição do grupo avançado ?

- Se os seus motores forem equivalentes aos dos nossos Exploradores, cerca de 7 horas, mas não posso ter certeza.

- Devemos avisar o grupo avançado ? - perguntou Andrei.

- Negativo. Mantenha silêncio de rádio. Vamos continuar com nosso planejamento anterior. Alejandro, quanto falta para o ponto de encontro ?

- 13 minutos senhor.

- Vamos aguardar. Eles não podem chegar lá neste tempo.

- Podem ter nos rastreado Senhor. - Disse Cashmir.

- Sim, mas está informação servira pouco a eles. Não podem nos atacar nem chegar ao grupo avançado e se tentarem se comunicar com outra nave poderemos localiza-la. Vão ter que ficar quietos por enquanto.

- Senhor - disse Andrei - eles podem nos dizer o que aconteceu a Enterprise

- Não acredito que irão nós responder se perguntarmos Andrei, mas vou considerar sua opinião.

Hendrik não quis comentar mais, mas o alferes estava certo. Talvez aqueles Romulanos tivessem as informações que eles precisavam mas com certeza teria que usar de métodos que ele próprio não aprovava para tirar a informação deles.

Em Dite os Romulanos estavam dando prosseguimento as suas buscas obviamente com dificuldades devido as condições do local quando o comandante Tanak recebeu um informe do oficial que havia ficado de plantão na nave.

- Comandante, captamos uma nave da Federação em orbita do planeta. A nave auxiliar que registramos antes entrando na atmosfera deve ter vindo de lá.

- O que será que vieram fazer aqui ? Bem, isto não importa. Como não recebemos nenhuma comunicação da Terix devemos presumir que eles agora tem duas naves aqui.

- Devemos avisar as nossas ?

- Não. As comunicações estão proibidas até segunda ordem.

- O que fazemos agora ?

- Vamos esperar que ela vá embora.

- Senhor, com certeza ela sabe que estamos aqui e podem vir atrás de nos.

- Vamos manter posição soldado. É tudo.

Na Avenger:

- Estamos em posição comandante. - Alejandro informava a Hendrik que estavam no local onde deveriam receber de volta o grupo avançado.

- Estou registrando o explorador comandante. Está deixando o planeta agora. - reportou-se Sevok.

- Alerta vermelho. Ponte para Hangar. Preparem-se para receber a Titã de volta e não haverá comunicação alguma antes da nave pousar portanto quero um grupo de seguranças armados ai quando eles chegarem.

- Seguranças armados !? - Alejandro espantou-se com a ordem de Hendrik.

- Não sabemos o que aconteceu lá embaixo e não podemos correr riscos.

Hendrik sabia que se havia Romulanos no planeta e o grupo avançado podia ter sido capturado. Eles estiveram por algum tempo fora do alcance dos sensores da nave e sem comunicação não havia como ter certeza até que estivessem a bordo. Alejandro então continuou.

- Titã em posição para pousar comandante.

- Ponte para Engenharia. Jean Paul, cuide dos escudos. Eles estão de volta.

- Aqui é da Engenharia. Pode liberar o pouso comandante.

- Entendido. Abrir comportas.

As comportas da Avenger abriram-se deixando vista o pequeno explorador que aguardava do lado de fora. Começou a manobrar para entrar enquanto 10 homens chegavam e se posicionavam cada um com um rifle Phaser. A titã lentamente tocou o piso do hangar enquanto a portas se fecharam e o local era pressurizado novamente. Na ponte todos estavam apreensivos.

- Eles já estão no interior da nave. - declarou o Vulcano, único impassível em seu posto.

- Agora não demora muito. - falou baixinho Cashmir.

Após alguns instantes de silêncio o oficial de vôo chamou.

- Hangar para a ponte. Eles estão bem comandante e trouxeram dois sobreviventes.

Hendrik respirou aliviado enquanto Alejandro dava um soco de satisfação na lateral de sua estação.

- Entendido. Peca ao comandante Seymor que venha para a ponte imediatamente.

- Ele já está a caminho.

- Será que eles podem nos dar mais informações comandante? - perguntou Cashmir.

- Espero que sim. - Respondeu enquanto Seymor entrou na ponte apressado.

- Comandante, parece que ainda existem Romulanos em Thassos.

- Sabemos disto. Nossos sensores captaram uma pequena nave no outro lado do planeta.

- Tentaram se comunicar ?

- Até agora não. E vocês o que conseguiram descobrir ?

- Não muito. Eles vasculharam o acampamento inteiro revirando tudo o que encontraram. Estavam procurando alguma coisa.

- Não vejo o que poderia interessa-los por lá. Será que as pessoas que vocês trouxeram podem ajudar.

- Creio que não. Estão na enfermaria no momento e contaram que quando receberam a confirmação de que as naves inimigas estavam vindo deixaram o planeta usando a nave de escolta Pacific e dois exploradores, mas foram interceptados pelo Romulanos. Um dos exploradores foi destruído e outro onde eles estavam os dois que resgatamos foi seriamente avariado obrigando-os a voltar a Thassos. No ultimo contato que fizeram com a Pacific receberam a informação de que havia uma nave da Federação perto. Não sabem de mais nada dai em diante.

- Ficamos quase na mesma.

- Comandante - disse Seymor - se a Romulanos lá embaixo eles podem dizer o que queremos saber.

- O alferes Andrei também pensa assim Seymor mas é perigoso.

- Esgotamos nossas possibilidades aqui e não há outras.

- E quais são suas recomendacões ?

- Enviar um grupo avancado e capturar um dos soldados para tentar obter mais informacões.

- Tenho que pensar. Descanse um pouco por enquanto.

- Podemos não ter muito tempo.

- Sei disto mas prefiro pensar mais um pouco. Estarei em meu escritorio.- retirou-se enquanto Seymor assumia seu lugar ponte. Hendrik queria as opções que tinha mas ele não tinha nenhuma. Gostaria de discutir isto com Eleonor mas ela estava ocupada com seus pacientes na enfermaria e não seria hora de atrapalhar o seu trabalho. Seymor ainda era uma incógnita mas sua preocupação agora era outra. Se quisesse ter chances de sucesso não poderia usar os exploradores pois ele seria detectado a distância e eles perderiam a vantagem da surpresa e além disto se eles tivessem sucesso em capturar algum soldado Romulano eles com certeza informariam aos cruzadores que os trouxeram até ali. E também existia a possibilidade de um de seus homens ser capturado e então a situação se inverteria. Eram muitos riscos a considerar mas ele procurou por outra escolha e não encontrou. Não havia outra coisa a fazer. Voltou a ponte com uma idéia arriscada na cabeca.

- E então Noan ! Mudou de idéia ?

- Não !

- O.K. então ! Você vai descer com um grupo e tentar trazer um deles para cá mas não poderemos usar os exploradores. Vamos transportar um grupo direto para área onde eles estão. Vocês vão entrar, destruir a nave para evitar que eles informem os cruzadores e capturar um dos soldados.

- Por que não destruímos a nave daqui de cima ? - perguntou Iglesias

- Por que teríamos grandes chances de matar todos lá embaixo o que não resolveria nossos problemas.

- Se usarmos o transporte a nave fica vulnerável e ainda não temos certeza se existem Romulanos por aqui. - era Seymor outra vez

- Exato. E sabe o que isto significa não sabe ?

- Se eles aparecerem terá que subir os escudos ou deixar área e neste caso não poderá nos resgatar.

- Vocês poderão ser capturados e não poderemos fazer muito para ajuda-los.

- Vou procurar voluntários e irei para o transporte comandante logo em seguida.

- Boa sorte !

- Obrigado - Enquanto Hendrik ficava ali com serias duvidas se o veria novamente Seymor saiu e pediu a Ramur que conseguisse cinco voluntários para uma missão extremamente perigosa e os manda-se para a sala de transportes com Rifles laser e cargas explosivas onde ele estaria aguardando. Passou rapidamente pelo seu alojamento e pegou entre suas coisas um cartucho de memória, instalou no computador sobre a mesa tocando a seguir um dos controles. Na tela apareceu uma animação onde algumas pessoas se pareciam brincar entre si em uma sala de recreação. Todos usavam uniformes da frota estelar e Noan estava entre eles. Ao fundo havia uma placa de registro onde podia-se ler USS Okinawa. Ele olhou por alguns momentos para aquela imagem até falar em tom claro e decidido.

- Computador. Deletar arquivo atual. - a imagem então desapareceu. Ele retirou o cartucho e o jogou no coletor de lixo, então seguiu para o transporte.

****

Capítulo XVI.

Ao chegar lá encontrou Ramur, Jones(o mesmo que estivera discutindo com Gart no bar) além dos alferes Thalia, Sandes e Irena cada um segurando seu Rifle. Ramur trazia também as cargas que ele havia pedido.

- Estamos prontos senhor - disse Ramur.

- Vocês sabem que temos grandes chances da não voltar ?

- Sabemos senhor - respondeu Jones.

- Então vamos lá. - subiram a plataforma enquanto Farrel informava Hendrik.

- Sala de transporte 3 para a ponte. Eles estão prontos.

Enquanto aguardavam o transporte Ramur dirigiu-se a Seymor :

- Eu... queria me desculpar por minha atitude no planeta. Sei que fui descuido.

- Não me peca desculpas Ramur pois, quem teria morrido era você mas aproveite a chance e não repita o erro. A maioria não tem esta oportunidade.

Na ponte Hendrik finalmente entendia a responsabilidade do comando e que o peso que agora estava em cima dele. Estava prestes a mandar seis pessoas para um lugar de onde tinham grandes chances de não voltar e para isto teria que expor sua nave e as mais de quinhentas pessoas a bordo.

- Alerta vermelho. Postos de batalha. Alejandro, fique pronto para sair em dobra para qualquer direção ao meu comando.

- A nave está em prontidão comandante. - respondeu o navegador.

- Baixar escudos.

- Escudos desativados.

- Mande-os agora Farrel. - Seguiu-se um breve silêncio onde nada parecia acontecer. Parecia que o tempo havia parado entre um segundo e outro até que Farrel chamou de novo.

- Transporte completo comandante.

- Subir escudos.

- Escudos ativados.

- Agora só podemos esperar. - Hendrik levantou-se e foi para o escritório - Alejandro, assuma o comando e me informe se algo acontecer. Se eles chamarem por qualquer motivo tire-os de lá.

O grupo desceu a cerca de Trezentos metros dos soldados sobre uma elevação de onde se podia observar a movimentação dos soldados. Eles haviam se instalado na clareira sobre a qual Krieg havia falado. Ventava muito e a temperatura era de 48 graus. Quinhentos metros de onde estavam podiam ser observadas explosões de gases que surgiam do chão por varias fendas. Tiveram sorte de não descer bem no meio delas. Seymor observava com o binóculo a posição do Romulanos que aparentemente eles haviam terminado as buscas pois os quinze homens que Krieg contara estavam reunidos próximos a nave de transporte. Quatro estavam de prontidão mas o restante parecia conversar sem maiores problemas. Isto facilitava as coisas pois não corriam o risco de serem rastreados pelos Tricorders Romulanos nem de toparem com algum soldado em patrulha. Agora era começar a trabalhar. Seymor largou o binóculo e disse então o que planejava.

- Eu vou com um de vocês até a nave para colocar os explosivos. Em vinte minutos o outros vão começar a atirar daqui para chamar a atenção dois de vocês vão atirar para tontear enquanto os outros dois rifles devem mirar aquelas pedras próximas a eles e tentar a causar o máximo de confusão. Nesta hora colocamos as cargas e as detonamos. Quando a nave explodir eu vou tentar agarrar o comandante deles. Quando eu estiver sobre ele vocês chamam a Avenger para nos tirar daqui. Entendido.

- Sim senhor - disse a Alferes Thalia - mas me diga uma coisa ! Descemos achando que a Avenger podia ser atacada quando fossemos transportados. Como sabemos se ainda estão lá ?

- Não sabemos.

- E se não estiverem ?

- Mudem para potência máxima e atirem para matar. Romulanos não fazem prisioneiros.

- Eu vou com o senhor comandante. - ofereceu-se Ramur.

- Certo. Pegue as cargas e vamos e lembrem-se, vinte minutos.- Ramur e Noan começaram então a se esgueirar pelas rochas em direção a nave. Enquanto isto um grupo de soldados conversava. Embora fosse normal para Soldados Romulanos estarem constantemente em condições hostis eles estavam as condições do planeta já começava a incomoda-los. Talvez a ociosidade das ultimas horas fosse o verdadeiro motivo de sua irritação fosse a ociosidade pois desde que captaram a Avenger estavam imóveis ali.

- Quanto tempo acha que o comandante ainda ira esperar aqui parado ?

- Até a volta de nossas naves ou a partida da nave da federação.

- E o que nos garante que eles não virão atrás de nós ? - disse um terceiro soldado no grupo.- É obvio que sabem que estamos aqui.

- O comandante acha que não virão pois para isto teriam que desligar seus escudos. Ele acredita que eles ficarão receosos em fazer isto e correr o risco de ser atacados por um de nossos cruzadores.

- Mas eles mandaram aquele transporte.

- Tanak acredita que só o fizeram por que ainda não haviam captado nossa presença.

- Eles podem nos acertar de onde estão se quiserem.

- Esta é uma possibilidade. Talvez você queira discuti-la com nosso comandante ?

- Não, não quero, mas este calor está começando a incomodar.

- Ele tem razão.- disse um outro que estivera apenas observando até então.- Talvez pudéssemos ir para o lado mais fresco do planeta.

- Pelo que encontramos no acampamento dos humanos eles ainda não vieram a este lado do planeta. Se formos para lá eles passam a ter mais uma vantagem sobre nós pois conhecem melhor o terreno.

- Espero que as naves voltem logo.

Mais afastado Tanak conversava com Tibok, a quem considerava um amigo apesar de subalterno :

- Os soldados estão começando a ficar irritados Tanak.

- Sei disto mas não há outro meio pelo menos até nossas naves voltarem.

- Elas já demoram muito. O que estará acontecendo ?

- Impossível dizer.

- E se elas não voltarem ?

- Se não voltarem outras virão para manter a honra do império e iniciar mais uma gloriosa batalha. A tempos que não temos um bom adversário, embora os Humanos não sejam lá grande coisa.

- Não compartilho de sua opinião Tanak, pois venceram os últimos conflitos em que se envolveram. Creio que eles seriam bons adversários e talvez estejam aprendendo a apreciar os sabores de um bom combate.

- Noto em suas palavras alguma simpatia por eles Tibok ?

- Não diria isto mas reconhecer as virtudes do adversário é o primeiro passo para vence-lo e substimar o caminho para a derrota.

- Aquele humanos jamais serão adversários a nossa altura. Eles temem a morte.

De repente explosões começaram a acontecer próximo aos dois. Podiam ver os feixes de energia rasgando a ar enquanto alguns soldados se jogavam no chão e outros tentavam identificar a origem dos disparos para responder ao fogo. Demoraram um pouco para ver de onde estavam atirando e isto deixou 6 deles fora de ação, seja pelos disparos ou pelos estilhaços da pedras que eram lançados a cada explosão. Gritos e correria e a inútil tentativa de responder ao fogo, mas quem quer que os estivesse fazendo estava bem protegido atrás da colina e eles haviam sido descuidados ficando bem no meio de uma clareira. Atiravam a esmo sem saber o que estavam tentando acertar. Tanak saiu correndo na direção da nave mas não conseguiu alcança-la pois ela se desfez em pedaços em uma violenta explosão que o arremessou ao chão.

Na Avenger Sevok captou esta explosão. Iglesias informou isto a Hendrik que voltou rapidamente a ponte.

- O que está acontecendo lá Sevok ?

- Eles explodiram a nave.

- Baixar escudos.

- Mas eles ainda não mandaram nenhum sinal. Vamos ficar desprotegidos aguardando ?

- Baixar escudos agora.

- Sim senhor. Escudos desligados.

- Alerta vermelho. Postos de batalha. Farrel, Você está ouvindo ?

- Sim e estou prontos para tira-los de lá. - Gart e Melissa estavam ao lado de Farrel e da equipe de segurança desde que souberam que Jones desceu. Ele era seu amigo pessoal embora Gart e Jones estivessem sempre as turras. Eleonor chegou em seguida com sua equipe médica mas não trocaram uma palavra, apenas olhavam para a plataforma e esperavam.

Na ponte Hendrik estava de pé entre ao lado de Iglesias olhando fixamente para o planeta. Ele decidira baixar os escudos antes de receberem o sinal do grupo para lhes dar esses segundos quando o sinal fosse enviado pois agora que a nave havia sido destruída não haveriam que esperar muito tempo : ou eles estariam retornando em breve ou estariam mortos em breve.

- Vamos Seymor, diga algo.

Lá embaixo Tanak não podia entender o que estava acontecendo. Os humanos não atacariam daquela maneira, não os humanos que ele conhecia, covardes. Lembrou-se então das palavras de seu amigo Tebok quando um homem surgiu a sua frente enquanto ele tentava levantar ainda tonto por conta da explosão. Aquele vulto vermelho carmim parecia vir em sua direção, mas ele não tinha forcas para fugir. O homem parou repentinamente levando a mão direita a perna e caiu de joelhos enquanto Tanak olhava para traz onde estava Tebok empunhando um desruptor. Parecia que ia dizer algo enquanto se preparava para disparar pela segunda vez mas não teve chance. Caiu pesadamente ao chão enquanto um segundo homem passou pelo corpo de Tebok e atirou-se sobre Tanak e gritou levando a mão ao peito.

- Grupo avançado para Avenger. Tire-nos daqui.

Quando o grupo se materializou Eleonor, Gart, Melissa se atiraram sobre a plataforma. Estavam tão preocupados em ajudar seus amigos que esqueceram que eles estavam trazendo um Romulano. Quando Tanak notou o que estava acontecendo desvencilhou-se como pode de Ramur que ainda o segurava e tentou sacar o desrruptor mas não teve chance pois um dos seguranças o atingiu com seu Phaser. O comandante Romulano caiu ao lado de Melissa que ficou paralisada por alguns momentos observando aquele corpo desmaiado. Nunca havia visto um Romulano antes e não esperava ver um tão cedo e tão de perto. Na ponte Hendrik estava apreensivo para saber informações.

- Ponte para Sala de transporte. Relatório. - a voz de Eleonor surgiu no áudio

- Eles estão bem Philip. Não houve baixas, só alguns ferimentos em alguns mas nada que não possa ser resolvido. Trouxeram um dos Romulanos.

- Ótimo ! Cuide deles. A encontrarei na enfermaria em breve. Ponte desliga.

Hendrik sentou-se em sua cadeira e aparentemente a tensão havia desaparecido de suas feições. Olhou algo em um dos painéis próximos a sua cadeira e então deu nova ordem.

- Vamos voltar a alerta amarelo. Subir escudos. - o tom de voz agora era calmo e sereno. Apenas Sevok percebeu que Hendrik pressionava fortemente os braços da poltrona.

Eleonor começou a cuidar dos feridos. Jones e Thalia haviam sido atingidos por pedaços de pedras que se desprenderam por conta dos disparos Romulanos, Irena foi atingida por um disparo no ombro e Seymor estava com um ferimento na perna feito por um desrruptor Romulano, mas eles não tinham nada que não pudesse consertado. Sandes e Ramur não foram atingidos. Melissa ajudava Thalia a deitar-se na maca e Gart fazia o mesmo com Jones enquanto observava Seymor e Irena serem levados para a Enfermaria pelos auxiliares.

Hendrik chegou rapidamente a enfermaria e foi direto a Eleonor.

- Como eles estão ?

- Bem. Como eu disse alguns ferimentos mas nada que não possa ser colocado no lugar. Dei alguns sedativos leves a todos para que eles relaxassem, inclusive ao comandante Romulano assim que chegaram pois ainda estavam bem agitados. Parece que os tiramos de lá bem no meio da fogueira. Se Farrel não tivesse tomado o cuidado de programar o transporte para desabilitar suas armas íamos ter problemas. Ramur e Sandes não sofreram ferimentos mas os mandei a seus alojamentos para descansarem um pouco.

- Fez bem. E Seymor ?

- Foi ferido na perna e perdeu um pouco de sangue mas esta bem agora.

Hendrik lentamente passou por cada um dos jovens que ainda se encontravam desacordados observando-os até chegar onde Seymor estava deitado. Ele começava a despertar do sono induzido e ainda estava meio grogue. Franziu o rosto enquanto seus olhos tentavam se adaptar a luz. Demorou um pouco para identificar o rosto de Hendrik.

- Comandante ?

- Sou eu Noan. Como está se sentindo ?

- Péssimo ! E os outros ? Eles estão bem ?

- Sim. Alguns ferimentos mas a Dra. disse que pode colocar todos em forma sem problemas. Trouxe todos de volta desta vez. - Seymor calou-se por alguns instantes. Em seguida deu um sorriso rápido e relaxou o corpo sobre a cama. Começou a buscar em sua mente os detalhes dos últimos acontecimentos e lembrou-se então de ultima coisa que viu. Um comandante Romulano preparava-se para atirar nele pela segunda vez depois de ter lhe atingido a perna quando Ramur apareceu e atirou nele antes.

- Onde está Ramur ? Ele salvou minha vida lá embaixo.

- Ele e Sandes não foram feridos e estão descansando em seu alojamento.

- Cara de sorte ! e o Romulano ?

- Desacordado.

- Diga a Dra. para mante-lo assim pois quando notar que foi capturado pode tentar se suicidar.

- Farei isto mas descanse agora.

- Preciso voltar ao trabalho. - Seymor tentou se levantar mas foi contido por Hendrik.

- Fará isto quando a Dra. disser que pode. Não poderemos fazer nada enquanto não conseguirmos alguma informacão de prisioneiro. Até lá quero que descanse

- Está bem.

- Vou conversar com ela sobre nosso convidado. E é bom ter você de volta, primeiro oficial.

- Obrigado comandante.

Hendrik dirigiu-se a Dra. novamente.

- Preciso falar em particular com você.

- Venha ao meu escritório.

Entraram no escritório e se sentaram-se. Hendrik começou a falar:

- Eleonor, preciso lhe pedir algo que não vai ser bom para você mas é necessário.

- O que é ?

- Precisamos das informações que aquele comandante tem e rápido e com certeza ele não vai ser muito cooperativo. Creio que você tenha maneiras de faze-lo falar. Sei que está aqui para esquecer o seu passado mas preciso dele agora.

Eleonor baixou a cabeça enquanto pensava que já sabia que teria que fazer aquilo assim que viu Tanak chegar a Avenger. Era como se seus fantasmas estivessem ali naquela sala agora rindo dela mas Hendrik tinha razão.

- Isto é uma ordem comandante ?

- Não ! É um pedido especial de um amigo.

- Então creio que não posso desaponta-lo afinal não tenho muitos amigos.

- Obrigado. Terei que ir a ponte agora mas me informe logo que conseguir algo.

- Farei isto.

- Mais uma coisa. Seymor recomendou que o mantivéssemos sedado pois ele pode tentar se matar se descobrir que foi capturado.

- Ele tem razão mas acho que posso fazer o que pediu sem ter que acorda-lo.

- Vou ficar te devendo esta.

- Você paga a conta na próxima vez que formos ao bar.

Ele saiu sem dizer mais nada e enquanto passava novamente pela Enfermaria lembrou-se de que ainda não havia visto as pessoas que trouxeram na primeira descida do grupo avançado. Passou os olhos pelo local e viu um rosto que não conhecia deduzindo que fosse um deles e se aproximou.

- Você deve ser o Tenente Krieg.

- Sim. É o capitão ?

- Sou o comandante desta nave. Philip Hendrik.

- Ah sim ! Um dos enfermeiros me contou a estória toda. Acho que devo a vocês um agradecimento especial pois se meteram numa bela encrenca para vir até aqui.

- Não é necessário. Desculpe por não vir vê-lo antes mas estivemos bem ocupados.

- Sim eu sei. Soube também que trouxeram um dos Romulanos a bordo.

- Esperamos que ele possa nos dar mais alguma pista sobre o que aconteceu com o restante do grupo e a Enterprise.

- Ainda espera acha-los ?

- Não tenho certeza mas vamos continuar tentando.

- Creio que já estou bem melhor e gostaria de ajuda-lo comandante, se fosse possível.

- Não estou em condições de recusar tenente. Direi a Dra. para libera-lo. Pretendo fazer uma reunião com o pessoal do comando assim que meu primeiro oficial estiver em condições e tivermos conseguido as informações do Romulano. Gostaria que participasse dela.

- Estarei lá comandante. A propósito, sabe onde está Janice, a mulher que estava comigo ?

- Fui informado de que estava descansando um pouco nos alojamentos antes de apresentar a cartografia. Ela também solicitou que fosse integrada a tripulação.

- Certo. Obrigado.

Hendrik deixou Krieg e seguiu com intenção de retornar a ponte mas assim que saiu havia dezenas de pessoas aglomeradas no corredor da enfermaria.

- O que estão fazendo aqui ?

- Desculpe senhor,mas queríamos saber noticias dos nossos amigos. Não nos informaram de nada até agora e estamos apreensivos. - respondeu Kay-li-mei que liderava o grupo.

- Eles estão bem. Sofreram alguns ferimentos mais logo estarão de volta ao serviço.

- Obrigado senhor ! - disse Kay-li-mei aliviada.

- Agora voltem ao trabalho pois ainda temos muito o que fazer aqui.

- Sim senhor ! - e seguiram então pelos corredores de volta as sua funções.

Na enfermaria Eleonor já estava preparando o coquetel de drogas que usaria para que o comandante Romulano falasse. Enquanto ia juntando os componentes lembrava-se de como esta prática havia sido comum em uma época de sua vida. Esperava não ter que fazer isto novamente mas a situação exigia. Pelos regulamentos "oficiais" da frota, ela poderia recusar e ainda fazer uma queixa contra Hendrik se deseja-se, mas era claro que não faria isto. Sabia que ele só tomou aquela atitude por que não havia outra escolha e ela queria ajuda-lo como fosse possível, queria ajudar os cadetes e jovens oficiais a bordo da Avenger a retornar para os seus e queria ajudar a ela mesmo pela primeira vez a fazer algo do que se orgulha-se. Talvez o Romulano pudesse dar alguma informação que ajudasse a dizer o que teria acontecido a expedição e Enterprise. Injetou a mistura com Tanak ainda desacordado conforme Seymor a aconselhara e quase que imediatamente ela começou a fazer efeito. Ele começou a se contorcer como se inconscientemente estivesse tentando lutar contra as drogas, mas era inútil. Ele começou a delirar e suas palavras pareciam ser sobre o ataque que seu grupo tinha sofrido.

- Fogo... devolvam o fogo... avisar Terix ... sob ataque... Nave da federação...

Eleonor observou durante alguns minutos e então fez uma primeira pergunta:

- Qual seu nome e posto ?

- Te Tanak ... comandante - ela estava sendo vencido pelas drogas. - Creio que posso chamar o comandante Hendrik agora - disse em voz alta mas quando ela ia tocar o comunicador percebeu que alguém se movia atrás dela.

- Creio que ele não vá se incomodar se eu fizer algumas perguntas a ele ! - Seymor aproximou-se dela e da cama onde estava o Romulano e achava engraçado o fato de não sentir tanta raiva quanto achou que sentiria. Talvez o modo como aquele comandante estava ali, subjugado depois de ver aqueles soldados em pânico na superfície do planeta tenha lhe dado algum conforto ou talvez o fato de sentir vivo outra vez depois de tanto tempo.

- Acho que Hendrik não vai se incomodar. Como se sente ?

- Ótimo ! Vamos ver o que ele nos diz. - aproximou-se da cama para tentar descobrir o que pudesse.

****

Meia hora depois os oficiais Seniores, encontravam-se reunidos aguardando Eleonor e Seymor chegaram juntos e trouxeram Krieg com eles. Ela havia informado a Hendrik que Seymor estava bem e se dispusera a fazer o interrogatório não recebendo por parte dele nenhuma objeção.

- Comandante Seymor, é bom vê-lo de novo - era Alejandro quem levantou-se estendo a mão.-

- Obrigado Sr Iglesias. - ele respondeu sentindo uma estranha sensação - é bom estar em casa.

- Creio que todos estamos todos felizes pelo retorno do grupo avançado mas devemos agora voltar as nossas preocupações iniciais.- Hendrik sabia que cada minuto que passava diminuia suas chances e tinha pressa - Não sei se todos já conhecem o tenente Krieg, a quem resgatamos de Thassos. Pedi para que participasse conosco pois como ele fazia parte da expedição poderá nos trazer alguma informação importante. Seymor, pode nos dizer que conseguiu com o prisioneiro ?

- Seu nome é Tanak, um oficial de tropas de terra. A nave onde estava localizou a Pacific pouco depois que ela deixou o planeta e partiu para intercepta-la.Ele foi deixado aqui com a missão de vasculhar o planeta até ela voltar.

- Então eles não sabem onde podem estar a Enterprise ou a Pacific ? - perguntou Hendrik.

- Não ! Mas acredito que eles ainda estejam vivos pois as naves Romulanas não fizeram nenhum contato desde que partiram a cerca de seis horas.

- O mesmo tempo que estamos sem noticias da Enterprise. - disse Cashmir.

- Poderíamos supor que uma terceira forca tivesse atacado as três naves ? - perguntou Iglesias.

- É possível - Sevok interveio - mas pouco provável, pois teríamos localizado os destroços.

- O que procuravam no planeta ? - continuou Hendrik.

- Eles receberam a informação de que a frota estelar estaria preparando uma invasão contra eles e Thassos seria a base de lançamento do ataque.

- O que !? Nos estaríamos preparando uma invasão !? - isso é loucura - Jean Paul estava espantado.

- Mas explicaria o porque da forma como eles estão agindo. - Hendrik achava que aquilo tinha algum sentido embora pudesse parecer absurdo.- conseguiu confirmar sua teoria sobre a condição das naves deles ?

- Eles estavam em missão de patrulha da Zona neutra a dois anos e prestes a retornar quando foram mandados para cá.

- Isto nos dá alguma vantagem se tivermos que confronta-los. - comentou Cashmir.

- Para isso teremos que acha-los primeiro. - o desânimo começava a tomar conta de Jean Paul.

- Podemos concluir que ou a Enterprise e talvez a Pacific ainda existam ou o que aconteceu a ela aconteceu também aos Romulanos. Vamos trabalhar com a primeira hipótese. - disse Hendrik.

- Por que pensa assim ? - perguntou o até então calado Krieg.

- A posição em que a Enterprise localizou a Pacific coincide com o local onde você a viu pela ultima vez mas não achamos destroços lá. A nave de escolta não poderia resistir a um ataque por muito tempo então é provável que a Enterprise tenha protegido sua fuga para algum lugar mas também não poderiam ir muito longe pelo mesmo motivo. Se a Pacific fosse destruída Picard teria duas opções : Entrar em confronto com elas - e neste caso novamente teríamos encontrado os destroços de alguma das naves - ou retornar a base, coisa que não fez. Acredito que ela deva estar em algum lugar próximo daqui mas por algum motivo indetectavel.

- Mas onde ? - Alejandro não podia imaginar onde uma nave estelar e dois cruzadores Romulanos podiam se manter fora do alcance da Avenger.

- Esta será nossa tarefa a partir de agora. - devolveu Hendrik - Alejandro então dirigiu-se a Krieg.

- Existe algo no planeta que possa ter dado a eles a impressão de que Thassos fosse uma base militar?

- Não me lembro de nada. Só havia material de pesquisa lá.

- Mas agora que Alejandro perguntou - era Cashmir novamente - lembrei de algo que achei estranho. Vocês usaram um radar para chamar nossa atenção.

- Não queria arriscar chamar a atenção dos Romulanos mandando uma mensagem de socorro então arrisquei na possibilidade de que uma nave que viesse nos procurar captaria o sinal.

- Mas isto não é equipamento padrão em instalações de pesquisa e segundo as informações que a frota nos deu vocês não deviam ter tal equipamento.

- Ele foi instalado bem depois que chegamos aqui. A cerca de seis meses uma nave caiu no planeta e levamos um grande susto então o comandante Reyad achou que seria bom termos um equipamento deste tipo.

- Que nave era esta ? - Hendrik ficou curioso sobre o incidente.

- Uma nave Ferengui. - Todos se entreolharam surpresos com a informação do tenente.

- Fale mais sobre este incidente.

- Não há muito a dizer. Assim que conseguimos identificar o local da queda mandamos uma equipe para lá. Levamos sete hora para chegar e a principio pensamos que fossem Romulanos mas quando chegamos vimos que não eram eles. Oferecemos ajuda aos Ferenguis mas estranhamente se recusaram a aceitar dizendo que estava tudo bem e que logo seriam resgatados. Estavam mentindo pois podíamos ouvir os lamentos dos feridos quando chegamos e vários deles estavam deitados em macas improvisadas no chão ao redor do que sobrou da nave e o socorro só chegou cinco dias depois. Vários deles devem ter morrido mas sequer nos deixaram chegar perto dos feridos.

- Disse que levaram sete horas para chegar ao local da queda ?

- Sim, pois eles caíram em Dite, bem próximos do local encontraram os Romulanos.

- O que sabe sobre aquele lado do planeta ?

- Não muito pois só íamos começar a explora-lo agora.

- Espere - foi então que ocorreu a Hendrik que o Romulano esteve fazendo buscas no local e poderia ter encontrado algo que explicasse o estava acontecendo

- Mombassa está na enfermaria ?

- Sim.

- O Romulano ainda está sobre os efeitos dos remédios ?

- Ficara assim por algumas horas.

- Comandante Hendrik para enfermaria.

- Aqui é da enfermaria comandante. Mombassa falando.

- Preciso que pergunte ao Romulano o que ele encontrou no lado vulcânico do planeta

- Está bem. Só um instante.

- Chame quando quiser. Hendrik desliga.

- Não entendo por que a curiosidade sobre os Ferenguis !? - disse Krieg.

- Enquanto vínhamos para cá interceptamos uma nave que se dirigia a Terra levando uma tripulação Ferengui a bordo. Seus motores estavam danificados e quando nos aproximamos duas naves Klingons que também estavam sobre controle Ferengui apareceram e atiraram em nós. Destruímos as Aves de Rapina e descobrimos que eles haviam estado na Zona Neutra a pouco tempo.

- Acha agora que eles estão envolvidos nisto Philip ?- perguntou a Dra.

- Não sei mas nosso amigo Damom Ghor sabe mais coisas do que nos disse. Precisamos saber o que.

- Infelizmente será mais demorado usar o método que usamos com o Romulano. Ferenguis são mais resistentes.

- E já perdemos tempo demais aqui. Tem de haver um meio mais rápido.

- Mombassa para Comandante Hendrik.

- Prossiga.

- O Romulano disse que eles encontraram minas de Dilithiun e ouro para-latinnum.

Hendrik passou as mãos pelo rosto tentando organizar as coisas em sua cabeça. As coisas começavam a fazer algum sentido embora um sentido absurdo no qual ele preferia não acreditar. Estariam os Ferenguis tramando algo para poder desfrutar do que encontraram em Thassos ? Ele ainda não tinha como afirmar, mas havia agora um sentido no quebra cabeça e a peca que faltava estava com Ghor.

- Precisamos saber o que Ghor andou fazendo na Zona Neutra e o que pretendiam fazer na Terra e rápido.

- Talvez possa haver um meio - disse Sevok - posso tentar fazer um elo mental com ele.

- E acha que vai conseguir passar pelas barreiras mentais dele ? - perguntou Seymor.

- Não posso ter certeza, mas os Ferenguis tem um dom natural que não aprimoram. Na atual condicão de estresse em que Ghor se encontra e com a juda dos remedios da Dra Carter é possivel que eu consiga.

- E saberia o que precisamos ? - perguntou Hendrik.

- Saberei tudo o que ele sabe.

- Então facam isto, e rapido. Eleonor, vá com ele.

Os dois sairam em direcão a cela onde o Ferengui estava preso. Eleonor pediu a Monbasa que a encontra-se na area de detencão com os medicamentos que precisaria enquanto a reunião prosseguiu.

- Qual a sua teoria ? - perguntou Seymor.

- Prefiro aguardar Sevok antes de formar uma. E ainda nos resta o problema de localizar a Enterprise.

- Não consigo imaginar onde eles poderiam estar. - Alejandro ainda estava incredulo.

- Também não mas tem que haver uma resposta. Picard é experiente e acharia uma forma, mas qual ?. - Hendrik tentava colocar-se no lugar do capitão da Enterprise tendo que proteger uma nave menor por oito horas pelo menos. Tinha que haver um modo ele só não conseguia imaginar qual.

- Vamos esperar até sabermos se Eleonor e Sevok terão sucesso e até só podemos manter a vigilância sobre o planeta e. Dispensados.

Enquanto as pessoas saim Alejandro voltou a falar com Hendrik.

- Se não se importa comandante, vou aproveitar que Gart está na ponte e dar um pulo na cartografia estelar.

- Cartografia Estelar !? - exclamou Cashmir olhando para Iglesias com alguma irritacão.

- Isso mesmo. Ainda não tive tempo de me familiarizar com os mapas desta area.

- Não tem problema e acho que vou até lá com você.

- Vamos então.

Puseram a caminhar em silêncio até o elevador.

- Deck 11, Cartografia. - ordenou Hendrik - Inesperado esta seu interesse pelos mapas estelares. E pensei que eles pudessem ser acessados da ponte ?

- Podem, mas a sala de Cartografia estelar é bem mais apropriada.

- Claro, ainda mais agora que temos uma nova tripulante por lá não é verdade.

- Isto não tem nada a ver com Janice.

- Eu não me lembro de ter tido o nome dela!

- Desculpe. Foi só um pensamento.

- Claro.

Entraram na sala e enquanto se acomodavam Janice se aproximou sendo apresentada a Hendrik por um desconcertado Alejandro.

- Tenente Janice Ross, senhor. Ela é uma das sobreviventes do planeta.

- Olá Tenente. Esta se adaptando a Cartografia ?

- Sim senhor. Astronomia já era minha area em Thassos mas tudo aqui é maravilhoso e torna o trabalho bem fácil. Espero poder ajuda-los de alguma forma.

- Alejandro gostaria de dar uma olhada nos mapas estelares da Area.

- Me permite auxilia-los ?

- Claro. Vá em frente.

Ela subiu na plataforma ao centro da sala e assumiu o controle da estacão. As paredes eram grandes mapas estelares que cercavam todo o ambiente e que podiam facilmente ser alterados de acordo com a necessidade. Era como estar no meio do espaco podendo brincar com ele a vontade.

- Coloque os mapas do setor onde estamos. - os mapas mudaram rapidamente ao pedido de Alejandro.

- Ai está.

- Aumente na nossa posicão atual. - Thassos então apareceu com a indicacão da orbita da Avenger em torno dele.

- Agora mostre o local onde perdemos contato com a Enterprise. Faca um perimetro em volta desta posicão equivalente a distância de gigamos, 5 anos luz.

Hendrik observava seu amigo e achava ao mesmo tempo engracado e intrigante a capacidade que ele tinha de não levar nada a sério. Estavam na fase mais crtitica de uma crise ele ainda tinha tempo de pensar em impressionar Janice. No fundo gostaria de ter a mesma tranquilidade mas estava ansioso para saber se Eleonor e Sevok teriam sucesso mas não havia nada a fazer por enquanto e aquilo pelo menos estava sendo divertido.

****

Capítulo XVII.

Enquanto isto Sevok estava na area de detencão com Damon Ghor em uma cela separada aguardando que Elenor terminasse de preparar o coquetel de drogas que usariam em Ghor. Ramur, escaldado devido ao incidente com a Dra relutou em deixar o Vulcano entrar sozinho mas não coseguiu demove-lo e acabou por conformor-se em manter guarda do lado de fora. Ghor usava agora um macacão azul marinho que lhe foi fornecido após ter sido revistado e suas roupas serem confiscadas após a sua tentativa frustada de forcar sua libertacão. Não entendeu muito o motivo da inesperada visita e continuava arrogante.

- Veio para me tirar daqui orelhudo ?

- Creio que isto ainda não será possivel. - a resposta foi desprovida de qualquer resentimento pela forma como fora chamado pelo Ferengui e quase soava inacreditavelmente gentil. Ramur observava e admirava o auto-controle de Sevok, caracteristica comum aos vulcanos mas que ele teria serias dificuldades para aprender. Mesmo agora Ramur ficaria bastante satisfeito em quebar o outro braco dele. E quem era Ghor para falar das orelhas de Sevok. O Vulcano estivera considerando sua decisão e mesmo agora ainda o fazia, pois o que estava prestes a fazer era algo condenavel pela disciplina a qual se impunham, mas esta era uma situacão crotica e não seria lógico não colocar a servico seus dons se eles podiam ajudar a salvar outras vidas bem mais dignas do que a de Ghor. Havia chegado a conclusão lógica de que aquele era um caso em que os fins justificavam os meios. Aproximou-se do Ferengui que tentou recuar mas a parede atraz dele o deteve. Sevok tentou argumentar :

- Preciso de informacões que você se nega a nós dar e lhe ofereco a chance de poupar a nós dois de algo que ambos sabemos ser bastante desagradavel. - a união de mentes com um Ferengui não seria uma tarefa facil. Possuiam um bom controle mental natural embora não o aperfeisoassem além do mais ele tinha certeza que os pensamentos Ferenguis não lhe trariam nenhum bem.

- Não tenho nada a dizer a vocês. - a arrogância comecava a desaparecer do da voz dele embora se negasse a dar qualquer informacão.

- Então não não me deixa outra alternativa. - Sevok virou-se para o lado de fora e pediu para que Eleonor entrasse.

- Poderia vir aqui Doutora ? - Eleonor entrou imediatamente.

- Olá Ghor. Como vai o braco ? O Ferengui apenas Grunhiu.

Sevok segurou Ghor usando uma das mãos com uma forca conhecida por todos mas até então não demostrada enquanto Eleonor se aproximava com o aplicador.

- Soltem-me! O que vocês querem ? Não podem fazer isto. Não adiantaram as reclamacões do ferengui e a mistura logo comecou a fazer efeito enquanto Ghor comecava a perder os sentidos. Eleonor se afastou enquanto o Vulcano tocava o rosto do Ferengui.

- Minha mente, em sua mente. - mesmo naquela situacão era dificil penetrar a mente dele.

- Seus pensamentos em meus Pensamentos.

Sevok comecou lentamente a transpassar as barreiras mentais de Ghor e a compartilhar os sentimentos daquele ser agora já totalmente desacordado. A ira, o odio, a acima de tudo, o lucro. O lucro era mais importante que tudo para eles e Sevok sabia disto, mas saber era uma coisa. Sentir era uma experiência que não podia ser definida com palavras. Comecou então a perceber o plano deles. Era algo indizivel até mesmo para padrões Ferenguis, mas estava tudo lá, claro como água. De repente Sevok se afastou. Já sabia o que precisava e não desejava tocar a mente de Ghor mais do fosse absolutamente necessária e então afastou-se.

- Esta tudo bem ? - perguntou Eleonor que havia observado a cena toda imovel calada. Sevok olhou para a doutora e respondeu.

- Creio que a resposta correta seja não, mas ficarei bem logo, não se preocupe. - e saiu em direcão a ponte.

Na cartografia Alejandro continuava flertando com Janice observado por Hendrik que olhava as imagens dos planetas, estrelas e tudo o fazia parte daquela area. Janice ia discorrendo sobre tudo o que julgava interessante e Alejandro agia como se estivesse realmente interessado no que ela lhe dizia.

- ...E um campo de asteroides. Aqui duas anãs brancas e a cerca de três anos luz a Nebulosa do Falcão com alguns espigões de radiacão ...,

- Pare ! Hendrik deu um salto do grade onde estava sentado até então - Você disse Nebulosa !?

- Isto ! A nebulosa do Falcão. E uma formacão bastante interessante não acha?

- Qual a Composicão dela?

- Segundo os arquivos : Hidroxido de Dilithiun, Monoxido de Zirconio, e outras gases anomalos de alta densidade. Grandes atividade eletromagneticas devido a reacões quimicas em conjunto com as emanacões radioativas.

- O que aconteceria se uma nave entrasse ali ?

- Não seria uma atitude recomendavel pois perderia os escudos, sensores, tático, visual externo teria eficiência minina e ...- Alejandro girou a cadeira de repente e olhou para Hendrik com uma expressão de surpresa e completou a frase de Janice :

- Não poderia ser captada por nossos sensores.

- Será que eles estão lá este tempo todo esperando ? - Janice não tinha certeza se aquilo era possivel.

- Por que não ? Já fizeram isto antes e poderiam fazer de novo. Seria um otimo lugar para eles se esconderem. Qual a é a posicão dela ?

- 201 marco 7.

- Hendrik para ponte.

- Seymor falando.

- Vamos sair de orbita. Marque curso para direcão 201 marco 4. Dobra máxima.

- Descobriu algo ?

- É possivel. Estou indo para a ponte.

- Entendido. Ponte desliga.

- Hendrik para Sevok.

- Aqui é Sevok. Prossiga.

- Como estão as coisas com o Ferengui.

- Conseguimos algo e estavamos indo a sua procura.

- Me encontrem na ponte. Hendrik desliga.

Mal terminou saltou da plataforma sendo seguido por Iglesias. Estava euforico e apressado. Tinha que estar certo pois se não estivesse suas opcões tinham sido esgotadas e eles teriam que concluir o pior : Haviam perdido a Enterprise. Faltava agora saber se Ghor tinha o ultimo pedaco do quebra cabeca e esta parte cabia a Sevok.

****

Wilian Riker estava irritado como toda a tripulacão da Enterprise. Estavam parados ali, escondidos a oito horas e não sabiam como sair. Em varias ocasiões ele teve inveja da serenidade de Picard em situacões como aquela. Não podiam levar a Pacific para fora pois ela seria destruida. Não podiam usar o transporte devido aos campos magneticos que interferiam no funcionamento do equipamento e usar as naves auxiliares era perigoso demais pois eles não tinham nenhum controle de voo operacional pelo mesmo motivo. Mas havia um outro problema. A Pacific havia sofrido danos demais e seu suporte de vida estava nas ultimas e não havia como aguentarem por muito mais tempo. Eles que tinham que tomar uma decisão logo.

- Senhor - disse Data - o comandante Reyad informa que a forca de emergência não irá durar mais que 30 minutos.

- Então nosso tempo acabou.

- O que planeja fazer ? - perguntou Riker

- A nossa unica opcão é tentar destruir as naves Romulanas para que a Pacific possa sair.

- Ainda são dois contra um.- lembrou a conselheira Troi.

- Vamos ter que nos esforcar mais então - Riker sorriu para ela enquanto respondia numa descontracão inusitada levando em conta a situacão deles.

- Alerta Vermelho e preparar armas. Subir escudos assim que for possivel. Nós vamos sair.

- Armas prontas senhor - respondeu Worf ao fundo com satisafacpo na voz. Ele compreendia a preocupacão de Picard mas preferia morrer em uma luta de oito minutos do que esperar oito horas escondido.

- Creio que minha ideia não foi tão boa assim afinal Capitão.- Data parecia querer pedir desculpas.

- Sua idéia manteve aquelas pessoas da Pacific vivas até agora e nos deu oito horas para nos preparar.

- Talvez eles tenham ido embora. - disse wesley.

- Eles ainda estão lá, pode ter certeza. - Picard não tinha duvidas sobre o que os esperava. - Leve-nos para fora senhor Crusher. Impulso máximo e acionar.

- Sim senhor.

****

Na avenger Hendrik estava acabando de explicar a todos o que tinha em mente. O tenente Krieg estava dando uma mão a Cashmir no tático e a Avenger ja estava a caminho quando Sevok e Eleonor chefaram.

- Comandante!

- E então o que descobriram ? - Hendrik estava aflito.

- A tripulacpo da nave Ferengui que caiu em Thassos a seis meses atras descobriu por acaso o potêncial do planeta. Sabiam que era territorio da Federacpo mas não queriam perder está oportunidade comercial, como eles mesmo a chamaram e montaram então um plano que consistia em plantar a informacão que Tanto a Federacão quanto os Romulanos estariam planejando uma invasão ao territorio do outro.

- Por isto os Romulanos vieram para cá com tanta pressa. - disse Krieg -. Para eles Thassos era a base da tal invasão.

- Mas como eles planejavam usar o planeta em meio a uma guerra ? - perguntou Alejandro.

- A intensão deles era evitar a Guerra. Se ofereceriam para mediar um tratado de paz entre ambos os lados e em troca solicitariam os direitos de exploracão de Thassos, obviamente sem nos dizer o que encontraram lá.

- Ferenguis negociando um tratado de paz ? - Eleonor ainda não acreditava no que estava ouvindo - Ninguem daria atencão a eles.

- Não necessariamente mas eles tem relacões comerciais com os Romulanos a muito tempo e apostavam na idéia de que a Federacão faria qualquer coisa para evitar um nova guerra.

- Mas eles aparentemente plantaram a informacão somente entre os Romulanos. Ninguem da frota sabia de nada sobre isto. - disse Seymor.

- Eles mandaram uma nave com um emissário para levar a informacão até os Romulanos enquanto Ghor deveria fazer o mesmo junto ao alto comando da frota, mas os Romulanos resolveram mandar suas naves mais próximas fazer uma investigacpo imediata. Quando soubeam disto os Ferenguis ainda tentaram chegar a Terra mas não conseguiram.

- Por isto que os encontramos com os motores de dobra estourados. - concluiu Hendrik - mas por que as Aves de Rapina ?

- Apenas escolta. Eles achavam que chegar em uma nave desarmada seria mais convincente mas não estavam dispostos a arriscar demais.

- Quer dizer que toda esta situacao é resultado de um plano Ferengui para conseguir aumentar seus lucros. Apenas um negocio e para isto eles estão arriscando uma guerra estelar!? Dificil de acreditar mesmo para os padrões Ferenguis. - Eleonor estava ainda tentando digerir aquela estória absurda mas os fatos estavam todos lá.

- Será que conseguimos convencer os Romulanos disto - Cashmir deixou no ar a pergunta. Não houve tempo para que alguem tentasse uma resposta pois Krieg estava pegando algo nos sensores.

- Comandante, estou captando uma nave em 201 marco 4, a direcão para onde estava nos levando.

- Apenas uma ? Pode identifica-la ?

- Pela configuracão deve ser a Enterprise. Mais duas naves aparecendo agora. São os Rumulanos e estão atirando contra ela.

- Quanto tempo falta para chegarmos Alejandro ?

- 20 minutos.

- Eles tem que aguentar.

Eleonor sentou-se ao lado de Hendrik e enquanto cada um cuidava de seu trabalho e pensava se estariam preprarados para o que viria. O Alferes Andrei perguntou como se quizesse ouvir uma palavra de esperanca.

- Acho que os venceremos ? - Hendrik olhou para o rapaz e com a voz serena respondeu o que sentia.

- Creio que vamos encontrar o nosso Kobaiashy Maru, Andrei.

- Kobaishy Maru !? - Seymor ficou intrigado com aquelas palavras.- o teste da academia ?

- Isto mesmo !

- O que isto tem a ver com nosso problema.

- O Kobaishy Maru é um teste que não pode ser vencido. Ele testa não a sua habilidade de comandar, mas a capacidade de lidar com as consequências das decisões de comando. Nossa situacão agora é parecida : Se vencermos, Os Rumulanos vão comecar uma guerra e se perdermos a federacão vai comecar a mesma guerra. Em ambos os casos perdemos.

- Tem que haver uma maneira de vencer.

- Já me disseram que sempre há possibilidades.

Após a confirmacão de que a Enterprise estava indo finalmente interceptar as naves inimigas algo estranho aconteceu. Diferente do que seria esperado a tripulacão apresentava sinais de que estavam relativamente tranquilos levando em conta a gravidade da situacão em que estavam. A alternância entre estados de alerta e a tensão causada pela ameaca de uma ataque de surpresa haviam deixado as pessoas a bordo da Avenger angustiados mas agora não, agora eles sabiam o que e quando iriam enfrentar.

- Já temos visual.

- Na tela !

A imagem que surgiu era impressionante. A Enterprise defendendo-se das duas naves Romulanas tendo ao fundo a nebulosa do Falcão, uma gigantesca formacão que lembrava uma nuvem pincada de tons de cinza e vermelho que se misturavam a grande massa branca formando um bonito espetaculo, mas agora eles não estavam preocupados com o visual proporcionado.

- Quanto tempo para chegarmos ?

- Dez minutos - respondeu Iglesias.

- Isto é uma eternidade. - Hendrik tinha pressa, sabia que eles não poderiam resistir por muito tempo a dois cruzadores.

- Por que eles não saem de lá ? - perguntou Andrei.

- Acredito que a Pacific deva estar ainda escondida lá dentro. - respondeu Hendrik.- Qual a situacão da Enterprise Sevok ?

...Escudos em 45 por cento, danos externos nos decks 17,18,19. Engenharia informa estresse nos cristais de Dhilitiun e recomenda desativacão dos mesmos.- Data respondia a solicitacpo de seu comandante enquanto a nave continuava sendo castigada. As luzes de alerta piscavam freneticamente enquanto a tripulacão ia se virando como podia para remendar os pedacos.

- Anotado. - Picard sabia que a informacão era apenas forca do regulamento e mantinha-se precucupado com a situacpo de sua nave.- Continue respondendo ao fogo Sr Worf.

- Entendido! Capitão, sensores captam objeto vindo em velocidade de dobra em 302.4. É uma nave da frota. Classe Sovereign e vão nos alcancar em oito minutos.

- Sovereign!? Não havia nenhuma nave deste tipo ao nosso alcance, a não ser ...

- E a Avenger com o comandante Hendrik no comando.

- Ele ficou louco !? - Picard inicialmente demostrou certa irritacão com a desobediência de Hendrik, mas as explosões ao seu redor o fizeram esquecer sua ira inicial. Sem reforcos a Enterprise não poderia resistir por muito mais tempo.

- Não posso dizer que não estou feliz em ve-los aqui.- Riker estava obviamente satisfeito e nem se preocupava em disfarcar.

- Nossos escudos não vão aguentar muito tempo Capitão.- a voz de Data sempre incrivelmente serena contrastava de forma gritante com a situacão da nave que estivera recebendo o fogo das naves Romulanas por muito tempo e embora os novos escudos fossem eficientes já npo conseguiam mais se sustentar e a falha no gerador principal era eminente.

- Qual a situacão das naves Romulanas ?

...Escudos também estão enfraquecidos, flutuacões em sua grade de energia, extensos danos externos. - Sevok terminava de passar o resultado das leituras que os sensores haviam feito das naves Romulanas no momento em que a Avenger saia de dobra ao alcance de disparo.

- Nosso alvo inicial será a nave a Bombordo.Armar Phasers e Torpedos Fotonicos com dipersão padrão e disparar. Fogo a vontade. - a Terix e a Devorak haviam captado a Avenger mas esperavam poder vencer a Enterprise antes que ela chagasse, mas as coisas comecavam a dar errado para eles agora.

- Comandante Debok, as prejecões são de que não consigamos vencer as duas naves juntas. Nossos sistemas já estão operarando no limite.

- Vamos concentrar o fogo na Enterprise. Avise a Devorak.- o comandante da Terix conhecia a Enterprise e sabia que seria considerado um heroi no imperio se conseguisse destrui-la.

- Eles estão nos ignorando Senhor - a bordo da Avenger Sevok informava a atitude dos inimigos.

- Vamos chamar a atencão deles então. Cashmir, Armar torpedos Quânticos.

- Torpedos armados.

- Fogo !

A salva de torpedos atingiu a Devorak que comecava a ter problemas para manter os escudos levantados mas ainda assim os Romulanos continuavam concentrados na Enterprise.

- Comandante, sensores indicam que a Enterprise vai perder escudos de estibordo a qualquer momento.

- Leme, vamos emparelhar com a Enterprise.

- Indo para 104 marco 4 a meia forca de impulso - agilmente Iglesias levou a Avenger para a posicão indicada.

Na Enterprise:

- Perdemos escudos de estibordo mas a Avenger protege a nossa lateral. As naves Romulanas não podem nos atingir.

- Certo Data. Picard para Engenharia.

- Engenharia na escuta.

- Vamos aproveitar este tempo para arrumar o que for possivel.

- Entendido.

****

A Avenger agora recebia os disparos Romulanos.

- Relatorio - gritou Hendrik enquanto a nave balancava ao impacto dos disparos.

- Escudos aguentando. Estamos ainda com 90 por cento mas.

- Nave a nave com a Enterprise Andrei.Na tela

- Nave a nave comandante.

A ponte da Enterprise apareceu e a confusão era grande com Pickard ao centro.

- Comandante Hendrik, me parece que você npo devia estar aqui mas não estou em condicões de discutir isto agora.

- Qual a sua condicão ?

- Estamos com problemas em quase todos os sistemas mas a cobertura que está nos dando deve dar algum tempo para por as coisas em ordem.

- Conseguiu achar a nave da colônia ?

- Eles estão escondidos na Nebulosa mas não vão poder aguentar muito tempo. Teremos que resolver este problema logo por aqui.

- Certo. Descobrimos o motivo desta confusão toda. Não tenho tempo de explicar agora mas é coisa dos Ferenguis.

- Ferenguis !?

- É uma estoria longa. Cuide dos seus reparos enquanto eu tento segurara-los. Avenger desliga.

- Comandante - Krieg comecava a se preocupar - as duas naves estpo disparando em nós agora. Uma delas tenta fazer a volta para atingir a Enterprise.

- Vamos concentrar todas as armas nela. Manter posicão e continuem disparando.

- Escudos enfraquecendo. 70 %

- Engenharia informa que estão com problemas. Alguns lacres de resfriamento se partiram.

- Eles que vão ter que aguentar por lá.

- Tenente Jean Paul está evacuando a engenharia. Informa que virá para a ponte assim que todos forem retirados.

- Comandante ! - era Sevok. A nave que tentava dar a volta cessou o movimento. Devem estar com problemas mais sérios agora.

- Que pena. E a outra nave ?

- Mantem posicão mas seus escudos comecam a falhar.

- E os nossos ?

- Escudos de estibordo cairam para 60 por cento.

- Andrei, avise a Enterprise que não vamos poder esperar muito mais tempo.- se Hendrik não tivesse que proteger a Enterprise poderia usar as melhores condicões de manobra da Enterprise mas parado daquela maneira como estava permitia que os escudos fossem atingidos sempre no mesmo ponto o que faria com que eles resistisem menos. Precisava poder manobrar logo. Neste momento Jean Paul chegou a ponte e foi para direto para a estacão a direita do comando de onde poderia fazer seu trabalho.

- Como estão as coisas lá embaixo Jean Paul ? - era Seymor quem perguntava.

- Alguns lacres do sistema de resfriamento se romperam e está impossivel respirar por lá mas posso operar os sistemas daqui.

- Comandante, - novamente Krieg - a segunda nave esta se movendo pelo outro lado agora.

- Concentrem o fogo nela.

- Estamos com problemas para manter escudos de Estibordo.

- Jean Paul, redirecione a energia dos escudos para compensar os defletores de estibordo.

- Entendido.

A Avenger sentia os impactos e comecava a fraquejar frente ao ataque Romulano. Não havia como suportar tanto tempo oferecendo-se como uma alvo da forma como estavam fazendo. Hendrik torcia para que os Romulanos estivessem com os mesmos problemas que eles pois estavam lutando com duas naves da federacão depois de viajar por tanto tempo. Eles tinham que ter problemas.

- Comandante Debok, a Devorak perdeu forca de impulso e motores de dobra e não podem se mover, os escudos falham e nossos também não vão suportar muito tempo. Ambas as naves perderam dispositivo de invisibilidade.

- Vamos manter o ataque.A Devorak deve continuar disparando de onde está. A Enterprise não pode se esconder de nós. - Debok estava obcecado pela ideia de destruir a Enterprise e havia transgredido todos os padrões de bom senso inclusive padroões Romulanos. Sua nave não estava em condicões de exceder tantos limites como ele queria. Na Avenger Hendrik via seu tempo se esgotando.

-Comandante - chamou Jean Paul- escudos de estibordo em quarenta por cento. Temos que sair daqui.

Hendrik ia dizer algo mas Krieg deu as boas noticias antes :

- A Enterprise esta se movendo comandante e estão entrando na briga de novo e abrindo fogo contra a nave imobilizada.

- Finalmente. Alejandro, Curso direto para a outra nave. 1/4 de impulso.

- Estamos nos movendo pra cima deles.

- Cashmir, Phasers e torpedos Fotonicos. Disparar a vontade. - A Avenger partiu decidida para encarar a Terix que comecava a agonizar.

- Comandante Debok, a Enterprise parece recuperada e está revidando ao ataque da Devorak. A outra nave vem em nossa direcão. Nossos escudos não vão aguentar !

- Evasiva.- a nave lentamente comecou a tentar fazer uma curva para a direita, mas ela não tinha mais como fugir dos diparos.

- Comandante Hendrik. A nave que estava atacando a Enterprise está fora de acão. A nave restante esta com os escudos em colapso e tentando uma manobra evasiva.

- Armar torpedos Quânticos.

- Torpedos armados.

- Fogo.

A primeira salva de torpedos aingiu a nave e os escudos fracos pouco puderam fazer para conte-los. O pânico se estabeleu na nave Romulana entre as explosões que faziam a Ave de Rapina gemer.

- ESCUDOS CAIRAM !!!!! NOVA SALVA DE TORPEDOS A CAMINHO. - o tripulante Romulano imaginou estar ditando as palavras de se seu epitafio enquanto via na tela a sua frente os torpedos avancando. Nada mais podia ser feito e sem os escudos a Ave de Rapina estava literamente morta. Ao impacto toneladas de destrocos comecaram a se desprender. Dois torpedos rasgaram ao casco de um lado ao outro no ponto onde estava a sustencão das naceles Warp. Ela não mais respondeu ao fogo ou fez qualquer movimento.

- Sensores informam que os sistemas de defesa estão fora de acão,armas também estão desativadas. Extensos danos extruturais. O casco da nave foi seriamente comprometido.- relatava Krieg com satisfacão. Sevok atento completou a informacão:

- A outra nave está em condicões semelhantes.

- E então Seymor, o que fazemos agora.

- Seja o que for tem de ser logo. Eles com certeza não vão se render e podem aprontar alguma a qualquer momento. - Hendrik assentiu com a cabeca e então fez a única coisa que veio a mente.

- Frequências de saudacão.

- Frequências abertas.

- Aqui é nave Estelar USS Avenger, NCC 72915 para naves Romulanas. Não temos intencão de destrui-los. Sabemos que vocês foram informados por Ferenguis de que estariamos preparando a uma invasão ao seu territorio. Isto não é verdade e podemos provar. Solicitamos uma conferência.

- Conferência !? !? - Seymor espantou-se.

- A única chance de evitarmos uma guerra é convence-los de que estamos falando a verdade. Se estas naves não retornarem para casa nada poderá impedir que ela aconteca.

- Tarefa dificil.

- Eles não respondem senhor.

- Por eles confiariam em nós ? - perguntou Alejandro.

Hendrik teria que tomar alguma outr atitude para chamar atencão dos Romulanos e faze-los acreditar que falava a verdade.

- Baixar escudos e dasativar armas. Cancelar alerta.

- O que !? - Krieg não pode conter a surpresa com aquela ordem pois embora as leituras indicassem que as naves estavam com sérios danos ainda era perigoso desligar as defesas.

- Ouviu a ordem tenente. Faca.

- Sim senhor ! Desculpe. Escudos desligados.

Algum tempo de silêncio trascorreu até que Krieg chamasse novamente.

- A Enterprise também desligou seus escudos. Sistemas de defesa desativados.

- Vamos ver se eles entendem.- Alguns instantes se passaram enquanto se aguardava qual seria atitude dos Romulanos até que algo acontecesse.

- Comandante ! Nave Romulana chamando.

- Visual.

A imagem que se formou a seguir deixava aparecer o comandante Romulano em primeiro plano enquanto ao fundo podia-se ver alguns tripulantes trabalhando nos reparos.

- Nave da Federacão, sou o comandante Debok da Nau capitãnea Terix. Não nos renderemos e não nos deixaremos enganar por seus estratagemas.

- Não estamos solicitando rendicão e nem queremos engana-lo Debok. Tanto a federacão quanto vocês foram enganados pelos Ferenguis. Eles descobriram ouro e minas de Dilithium em Thassos e inventaram toda esta estoria para criar um meio de poder tirar vantagem disto. A idéia deles era se oferecer para mediar um acordo de paz e em troca pediriam os direitos de exploracão do planeta.

- Comandante, esta estória é totalmente absurda. Vocês tem alguma prova disto ?

- Capturamos uma nave Ferengui quando vinhamos para cá e eles podem confirmar a estoria e além do mais os soldados que deixaram em Thassos podem confirmar o que as sondagens deles encontraram. - Debok não respondeu. Ele não tinha opcões e sabia disto e sabia também que Hendrik lhe dera a única chance de sair dali com sua vida e sua honra ao não mencionar a palavra rendicão, mas não queria admitir isto muito facilmente.

- Aguarde.

- E então !? - Hendrik olhava para Seymor que não sabia o que esperar daquilo tudo.

- Bem, pelo menos conseguiu contar a estoria. Vamos ver se ele se convence.

- A Enterprise continua na escuta Andrei ?

- Sim senhor. Eles ouvem tudo o que fazemos aqui.

- Otimo.

- Nave Romulana chamando.

- Na tela.

- Comandante, nossos soldados no planeta confirmaram parte do que disse mas ainda não é suficiente. Precisamos interrogar o Ferengui que diz ter capturado.

Hendrik ficou imaginando que metodos seriam usados para tirar a informacão de Ghor ou se ele seria mais cooperativo com Debok do que fora com ele, mas esta era a decisão mais fácil de ser tomada desde que puseram-se a caminho de Thassos.

- Ele será entregue. Se enviar as coordenadas podemos providenciar o transporte para sua nave.

- A coordenadas estão sendo enviadas agora.

- Ponte para sala de transporte.

- Tenente Farrel na escuta comandante.

- Focalizar o Ferengui Ghor na cela 8 da area de detencão e tranporta-lo para as coordenadas que estamos enviando para sua estacão.

- Com prazer.

- Em breve ele estara com vocês Debok.

- Chamaremos em breve. Terix desliga.

- Sabe o que farão com ele quando descobrirem a verdade? - Sevok sabia que Ghor teria muitos problemas mas Hendrik parecia não se importar muito com isto.

- O interesse de muitos supera o interesse de um, Sevok.

- Olhando desta forma..., - Andrei interrompeu o vulcano.

- Comandante, a Enterprise pede que enviemos um explo rador para rebocar a Pacific pois eles estão imobilizados e o Hangar está fora de operacão.

- Eles tem a posicão da nave ? Não vamos conseguir acha-los lá dentro.

- Estão enviando a posicão agora.

- Diga estamos indo. Seymor, chame Gart para a ponte.- enquanto Seymor chamava o alferes Hendrik chamou Iglesias.- Alejandro, quero que vá buscar aquela nave mas tenha cuidado pois ainda não sabemos o que Debok vai resolver.

- Permissão para acompanhar o tenente Alejandro Comandante. - Krieg gritou aflito e Hendrik podia entende-lo afinal eram seus amigos que estavam lá.

- Permissão concedida.

- Estou a caminho. - enquanto Alejandro saia cruzou com Gart na saida com um sorriso nos labios lhe disse:

- A nave é sua de novo garoto, cuide bem dela até eu voltar.- Gart não teve tempo de responder pois Seymor já lhe dava intrucões.

- Gart, assuma o leme e aguarde.

- Sim senhor.- a visão da nave Romulana ainda era assustadora. Poucos chegaram tão perto e sobreviveram.

- Jean Paul, relatorio de danos.

- Danos moderados nos decks 12,17,18. Escudos agora estão a 45 por cento, motores de impulso e dobra sem problemas. Nenhum dano estrutural.

- Ponte para Enfermaria. Dra Carter, como andam as coisas ai ?

- 37 feridos, apenas um grave até o momento.

- Mantenha-me informado. Ponte desliga.

- Nave Romulana esta chamando novamente.

- Lá vamos nós. Na tela.

- Comandante, o Ferengui confirmou sua estoria.

- Estão cancelando o ataque então ?

- Sim mas ainda temos um problema a resolver. Nossos soldados em Thassos informaram que foram atacados por homens da federacão. Um de nossos transportes foi destruido e nosso oficial comandante foi raptado. Alguns de nossos homens foram mortos. Em vista dos acontecimentos aceitaremos um simples pedido de desculpas.

Hendrik teve vontade de iniciar a guerra que tinha tentado evitar até agora quando ouviu Debok falar em desculpas e teve que se esforcar para manter a linha.

- Comandante Debok, em vista dos acontecimentos, devolverei seu oficial e esquecerei que suas naves entraram em nosso espaco sem autorizacão, atacaram uma instalacão de pesquisa e duas naves estelares da federacão e uma nave de escolta, destruiram uma nave da classe explorador e derrubaram outro causando a morte da varios tripulantes.

Após ouvir a resposta de Hendrik Debok controlou sua arrogância.

- Creio que não temos mais o que fazer aqui mas precisaremos de algumas horas para fazer os reparos necessários.

- Terá o tempo que precisar. Avenger desliga.

- Que sujeitinho prepotente.- Cashmir estava irritada com o que acabara de presenciar - podiamos transforma-los e poeiera.

- Vocês acabaram de ser apresentados aos Romulanos. Chame a Enterprise e ponha na tela.

- Na tela.

- Capitão Picard !? Parece que conseguimos convence-los.

- Sim, mas e estoria é muito interessante.

- Ainda temos Ferenguis aqui. Se precisar de um também podemos providenciar.

- Não será necessário mas estou ansioso para ver seu ralatorio sobre este incidente. Mas isto terá que esperar até que os nossos reparos estejam mais adiantados. Infelizmente nosso engenheiro chefe está entre os feridos.

- Nossos danos foram bem menores e creio que posso emprestar meu engenheiro chefe e além disto temos duzentos tripulantes a menos aqui e algum espaco de sobra. Se quiser mandar parte de seus feridos para cá podemos cuidar deles enquanto se preocupa com os reparos. Só vou precisar de alguma ajuda pois minha equipe médica é reduzida.

- É uma boa sugestão. Faremos desta forma.

- Estou recebendo um contato do explorador que enviamos para rebocar a Pacific. Eles estão bem e vamos traze-la para cá se não se importa.

- Vocês estão em melhores condicões de recebe-los do que nós. Cuide deles até que possamos partir.

- Entendido.

- Enterprise desliga.

- É só isto ? - perguntou Cashmir ao fim da trasmissão.

- Só isto o que ? - Hendrik não entendeu o que ela queria dizer.

- Nem um "obrigado" ou "bom trabalho" ?

- Não abuse da sorte tenente. Seymor, assuma até a volta de Alejandro. Depois quero que organize as acomodacões para os feridos e ajude a Dra no que for possivel. Irei até a Enfermaria. E fique de olho nos Romulanos.

- Entendido.

****

Capítulo XVIII.

Diário Pessoal....

Após a chegada antes do previsto da Odissey, que deverá ficar patrulhando o setor em volta de Thassos até a decisão sobre o restabelecimento da colônia no planeta, estamos voltando a base estelar 74 junto com a Enterprise que precisara de mais reparos. A missão na colônia foi suspensa temporariamente e todas as pessoas que resgatamos estão retornando conosco. A Frota estelar autorizou a entrada de duas naves Romulanas em nosso espaço que rebocaram os cruzadores danificados na batalha de volta para casa e quanto aos Ferenguis, fui informado pelo capitão Picard que como era de se esperar, o governo deles declarou que as ações de Ghor e aqueles que o acompanhavam eram fruto de uma iniciativa independente e não autorizada. Ninguém acreditou mas por enquanto foi decidido que esta versão não seria contestada por razões políticas. Tivemos sorte; Não houveram baixas e todos os feridos devem se recuperar rapidamente. Nossas avarias de batalha deverão estar quase totalmente consertadas quando chegarmos e a Avenger logo estará voltando ao seu lugar de direito : o espaço. A tripulação está com moral elevado e não é para menos pois pelo que me diz respeito eles e esta nave passaram em todos os testes possíveis e até alguns impossíveis. Quanto a mim tudo que sei é que o capitão Picard já fez seu relatório e encaminhou a Almirante Hernandez. De qualquer forma posso dizer que já sinto saudades desta nave e das pessoas que conheci aqui.

Fim do registro : Comandante Philip Hendrik.

Uma das áreas de recreação da Avenger havia sido transformada em ponto de encontro para o pessoal da colônia para que eles pudessem ficar a vontade durante a viagem de volta. A maior parte dos feridos da Enterprise já havia retornado ao serviço e apenas os mais graves permaneceram a bordo pois a Doutora Carter achou perigoso e desnecessário move-los. O grupo estava reunido e Picard havia vindo a bordo para uma visita aos sobreviventes.

- Quer dizer que o Governo Ferengui diz não ter nada a ver com isso ? - perguntou Reyad a Picard.

- Sim e sinceramente não esperava que agissem de outra forma, afinal não teriam uma explicação convincente.

- E tem alguma idéia de quando poderemos voltar ao trabalho em Thassos ? - a Dra. Kyle lamentava o tempo perdido com toda aquela confusão.

- Este assunto cabe tão somente ao comando da frota estelar. Fui informado que existem algumas pessoas que temem pela segurança de um grupo de cidadãos da federação tão distante. Esta crise pela qual vocês passaram deixaram todos muito preocupados.

- Acho que agora é tarde para pensar nisto e não gostaria de perder todo o trabalho que fizemos.

- Tenho certeza que isto será levado em consideração doutora.

- O que a Federação vai fazer quanto aos Romulanos e as pessoas que perdemos. - perguntou Thompson.

- Desta vez teremos que mandar conta para os Ferenguis. Os Romulanos foram enganados da mesma forma que nós e considerando tudo o que podia ter acontecido, acho que nos saímos bem até demais.

- Concordo - disse Sakati - Estivemos perto de uma Guerra.

- Capitão Picard - Kyle retornou a conversa - é verdade o que ouvi nos corredores sobre a Avenger ?

- Depende do que ouviu.

- Que eles estavam es testes, que a maioria quase absoluta da tripulação é de recém formados e que desobedeceram ordens para vir aqui o que faz deles quase renegados.

- Está certa doutora.

- Também ouvi alguns comentários de que eles acham que os oficiais superiores podem ser punidos por isto.

- Segundo o regulamento da frota isto é possível.

- O que seria um absurdo, não acha ?

- O que eu acho ou não acho não vem ao caso Doutora, apenas relatei os fatos a almirante que devera tomar a decisão que achar conveniente.

- Mas o senhor não pretende ...... - antes que ela pudesse terminar Hendrik, Seymor, e Eleonor chegaram ao local e juntaram-se ao grupo. Hendrik foi o primeiro a se pronunciar:

- Desculpem o atraso mas ainda tínhamos alguns assuntos pendentes que exigiam nossa presença.

- Claro que entendemos Comandante. E ainda não tive a oportunidade de agradecer a vocês por terem se arriscado tanto para vir em nosso auxilio. - Kyle estendeu a mão para Hendrik.

- Acho que o Capitão Picard irá concordar que o risco faz parte do nosso trabalho.

- Creio que sim e inclusive falávamos a este respeito antes de vocês chegaram.

- Terei muito o que explicar a Almirante Hernandez quando retornamos por isto prefiro não falar muito neste assunto agora. Capitão Picard, o que faremos com os Ferenguis que capturamos ? Tenho um monte deles nas celas.

- Vamos leva-los a base e lá a Almirante deve resolver isto também.

- Entendo. Mas gostaria de me livrar logo deles. Como são irritantes.

O corredor ao longo das janelas que davam vista para a área de atracagem estava com um movimento fora do normal desde que foi divulgada a informação de que a Avenger e a Enterprise estavam retornando a base estelar. Embora as informações oficiais fossem mínimas as informações não oficiais davam conta de que as coisas andaram bem complicadas e que o motivo dos problemas haviam sido Romulanos.

A almirante Hernandez observava o Hangar com o olhar fixo e seu semblante pensativo enquanto aguardava a chegada das duas naves. Logo que recebeu as informações sobre o incidente em Thassos partiu para a base estelar pois queria estar perto em caso de problemas e se realmente acontecesse uma tentativa de invasão por parte dos Romulanos, providências deveriam ser logo tomadas e ela não via lugar melhor para estar. Enquanto olhava algumas crianças que brincavam alheias a movimentação das pessoas e sentiu um calafrio ao lembrar-se o quanto estiveram perto de mais uma guerra. Felizmente esta nova guerra não viria, pelo menos por enquanto e ela agora podia fazer o que mais lhe dava prazer desde que assumiu o almirantado: receber de volta sua naves. Ela ria da forma como tratava as naves de " suas " e imaginava se o fato de não ter sido mãe devido aos compromissos com a carreira faziam com que ela deixasse florescer um sentimento quase maternal em relação as tripulações que havia comissionado. Preferia que não fosse desta maneira pois sentiu cada vida desperdiçada nos conflitos em que a federação havia se envolvido como sendo uma perda pessoal. Alguns lhe diziam que isto faria dela uma pessoa amargurada e que precisava não se envolver tanto, mas era impossível para Teresa agir de outra forma. Pelo menos desta vez ela veria seus filhos voltarem e aquilo a deixava feliz. Enquanto se entregava a seus devaneios sentiu um impacto em suas pernas e ao olhar para baixo deu de cara com uma das crianças que havia visto brincando olhando para ela com expressão de que sabia que acabava de fazer algo que sua mãe reprovaria.

- Desculpe ! Eu não estava olhando. - disse o garoto.

- Não tem de que. Você está bem ?

- Sim

- Julian ! Olhe só o que você fez !? Já disse para tomar cuidado. - era a mãe do garoto que estava encabulada pela distração de seu filho, mas Teresa realmente não havia se incomodado. Entregou o menino e estendeu a mão para a mulher que ainda estava sem jeito.

- Não foi nada. Sei que é difícil controla-los nesta idade. Teresa Hernandez, muito prazer.

- Anne Marie Grislain.- como esposa de um oficial da frota Anne podia reconhecer as insígnias do almirantado no uniforme de Teresa mas achou peculiar o fato dela não ter mencionado sua patente. Oficias graduados gostavam de faze-lo.

- A senhora deve ser a esposa do Tenente Jean Paul então ?

- Sim, e esses são nossos filhos Julian e Clarice. Julian é tão desligado quanto o pai.

- Já lhe disse para esquecer isto. É claro que veio receber seu marido de volta !

- Fiquei preocupada quando soube que eles se envolveram com Romulanos e embora já tenhamos recebido noticias que ele está bem preferi vir para cá.

- Compreensível. Ele e a tripulação da Avenger fizeram um bom trabalho. Deve ter orgulho se de seu marido.

- Sempre tive. Estão todos bem ?

- Felizmente sim, mas estivemos perto de ter grandes problemas.

- Ainda bem que isto passou.

Enquanto conversavam Teresa foi chamada através do comunicador.

- Controle da Base estelar chamando Almirante Hernandez !

- Hernandez na escuta.

- As naves estão iniciando procedimentos de atracagem Almirante.

- Estou a caminho.- respondeu voltando-se novamente para Anne. - Querem me acompanhar. Creio que posso oferecer uma visão melhor da chegada deles.

- Seria ótimo !

Elas saíram em direção ao deck de observação do controle da doca espacial de onde podia-se ver toda a manobra de atracagem inclusive os portões por onde a Avenger e a Enterprise entrariam e que já começavam a se abrir. A agitação entre os técnicos era grande pois poucas naves voltaram de um confronto contra as temidas Aves de Guerra. A primeira a entrar seria a Enterprise e já podia ser vista atravessando os portões da base estelar até alcançar posição de atracagem com a Avenger logo atras. As duas naves juntas eram um espetáculo imponente mas as marcas da batalha eram ainda mais impressionantes. Ambas as naves carregavam sinais dos desruptores e torpedos inimigos. Julian e Clarice pareciam alheios a tudo e para desespero de Anne Marie sem mais nem menos puxaram almirante pela barra do uniforme:

- Qual a nave do papai ? - Teresa sorriu e apontou para Avenger.

- Aquela. Não é bonita ?

- É sim ! - responderam os dois ao mesmo tempo.

- Nunca os vi tão felizes antes.- Anne Marie no fundo se sentia da mesma maneira que seus filhos.

****

Na Avenger os procedimentos de atracagem estavam quase finalizados. Hendrik que estivera totalmente descontraído durante a viagem de volta sentia agora que eram as ultimas ordens que dava daquela cadeira. Alejandro terminava de manobrar.

- Amarras eletrônicas ativadas. Propulsores a zero.

- Ativar travas de segurança e lacre final.

- Lacrando ... agora. Estamos ancorados, Philip.

- Bem, parece que voltamos antes do previsto. - disse Hendrik.

- Depois de tudo que passamos creio que merecemos umas férias não é ? - a pergunta de Alejandro era dirigida a Cashmir.

- Você é incorrigível mesmo.- respondeu ela sorrindo- aparentemente ele havia tido chance de explicar seu interesse pela tenente Janice.

- Andrei, abra um canal para a nave. Todos os decks.

- Canal aberto.

- Aqui fala o comandante Hendrik. Chegamos ao fim de nossos testes antes do esperado, mas isto com certeza é totalmente irrelevante frente ao que passamos. A grande maioria de vocês ira continuar nesta nave e tenho certeza que quem vier a comanda-la recebera uma grande nave e uma grande tripulação pois provaram ter o direito de estar aqui. Quanto a mim quero dizer que espero poder trabalhar com vocês novamente e como diria um certo capitão da Frota : foi divertido. Ponte desliga.

Quando Hendrik terminou todos estavam olhando para ele em silêncio. Eles haviam se tornado amigos em pouco tempo. Seymor aproximou-se de Hendrik e lhe disse :

- Creio que estas palavras valem para mim também.

- Você com certeza será um bom oficial onde quer que vá servir.

- Vamos ver !

Alejandro então levantou-se da estação com sua costumeira irreverência.

- Ei, ei, ei ! Ninguém morreu então vamos acabar com este clima de velório. Jean Paul me disse que vamos precisar ficar aqui por pelo menos uma semana. Ele me explicou por que, e obviamente não entendi, mas o que importa é que temos este tempo para encher a cara, então vamos lá pois tenho que explicar a Sevok como se faz uma Pinã-colada.

- Ele tem razão - concordou Eleonor - vamos aproveitar o tempo que temos. - e saiu puxando Hendrik pelo braço tendo o restante da tripulação da ponte a segui-los. Eles seguiram pelo convés até o corredor de acesso que já acoplava a Avenger a estação espacial. Assim que as portas se abriram Hendrik teve uma surpresa.

- Almirante Hernadez !

- Olá comandante Hendrik. Me parece surpreso !

- Sabia que estaria na estação mas não esperava não esperava vê-la tão cedo.

- Não estava nos meus planos mas resolvi vir dar-lhes as boas vindas.

- Muito gentil de sua parte, Teresa. - Eleonor adiantou-se para cumprimentar a Almirante.

- Ola Eleonor. Parece que teve sorte desta vez.

- Sempre escolho bem minhas companhias.

- Isto é discutível, mas creio que todos tem coisas a fazer. Falarei com você mais tarde Hendrik. Antes preciso conversar com Picard sobre o relatório que ele me enviou. Apresente-se a mim em três horas.

- Estarei lá Almirante.

- Senhor Jean Paul. - a ouvir seu nome o engenheiro deu um passo a frente surpreso pelo fato de ter sido chamado por Hernandez.

- Sim senhora !

- Sua a família o aguarda na sala de observação do hangar.

- Comandante !? - Jean Paul virou-se para Hendrik ansioso.

- Dispensado Tenente.

- Obrigado Senhor. - a saiu rapidamente para o local indicado.

- Bem, a Enterprise acabou de chegar. Vejo vocês logo mais e Eleonor, gostaria de conversar com você assim que possível.

- Claro Almirante. Quando quiser.

- Entrarei em contato com você assim que terminar com Picard.

- Estarei aguardando.

Teresa virou-se então e deixou o grupo intrigado com qual seria o motivo daquela conversa com a médica da Avenger. Eles olhavam com uma interrogação explicita no rosto.

- Ei, não olhem assim pra mim. Sei tanto quanto vocês.

- Deixe isso pra lá e vamos beber. - disse Hendrik puxando o grupo novamente.

Três hora depois.

A almirante Hernandez estava no escritório cedido pelo comandante da base estelar quando Hendrik se apresentou a ela conforme haviam combinado.

- Almirante !

- Sente-se Hendrik. - ele acomodou-se em uma cadeira em frente a mesa principal e por alguns instantes apenas aguardou enquanto Teresa permanecia com o pensamento aparentemente distante, de costas para ele observando um grande emblema da frota na parede até finalmente dirigir-se a ele novamente.

- Tem idéia das consequências que seus atos poderiam ter tido ?

- Creio que já conversamos sobre isto Almirante.

- Não sei se foi o suficiente. Você partiu com uma das mais modernas naves da frota com umas tripulação sem experiência para enfrentar uma ameaça que causou problemas a melhor tripulação da frota estelar. Poderiam ter sido mortos, capturados ou iniciado uma nova guerra interestelar.

- São os riscos da profissão. E se não tivéssemos ido, provavelmente a Enterprise não estaria aqui e guerra de que fala teria começando. Saiba que não foi uma decisão fácil mas na minha avaliação, era absolutamente necessária.

- Como podia saber o que aconteceria Hendrik ? Como poderia saber se podiam ou não ter sucesso ?

- Não podia.

- Mas mesmo assim assumiu os riscos !?

- Achei que era o meu dever como oficial da frota.

- Mesmo pondo em risco a vida da sua tripulação a sua carreira.

- Quando os primeiros homens vieram para o espaço sabiam o tempo todo que era um lugar perigoso, mas vieram assim mesmo e por isto estamos aqui, agora. Os tempos são outros mas os riscos permanecem. Minha tripulação conhece os riscos do seu trabalho e o enfrentaram muito bem e se o preço de trazer a Enterprise de volta e evitarmos uma nova guerra for a minha carreira creio que será um preço pequeno a ser pago. E se me perdoa a falta de modéstia Almirante, creio que nos saímos muito bem.

Teresa aliviou a expressão carrancuda e permitiu-se relaxar em sua cadeira.

- Comandante, embora eu ainda tenha meus receios, devo dizer que o capitão Picard também concorda com você. Li seu relatório onde ele cita a forma como você lidou com toda esta situação apesar de algumas táticas pouco ortodoxas que utilizou - Picard havia ordenado que todos os dados registrados no computador da Avenger fossem transmitidos para a Enterprise.- e se bem me lembro o relatório terminava com a seguinte frase. "na melhor tradição da frota estelar ". Como Jean Luc não costuma se enganar em seus julgamentos vou ter que aceitar o que ele diz sobre você por enquanto além do que logo esta estória vai se espalhar e você vai se transformar num maldito herói e eu não tenho a intenção de ficar explicando por que você foi punido.

- Isto quer dizer que poderei retornar ao meu posto na Venture ?

- Infelizmente isto não será possível. O senhor de uma forma ou de outra desobedeceu ordens diretas do comando da frota e se não me engano, é reincidente. Discuti isto com Jean Luc e ele recomendou que um período sobre " observação " seria suficiente. Enquanto este período durar o senhor fará relatórios a cada trinta dias a mim e eu poderei a qualquer momento retira-lo de seu posto.

- E posso saber que posto é este ?

Ela pegou um envelope lacrado com o selo da frota e entregou a ele que tentava disfarçar a curiosidade.

- Será promovido a capitão e recebera o comando da USS Avenger. O fato deste posto se tornar definitivo dependera de você. Parabéns, eu espero.

- Capitão da Avenger !? Eu !?

- Você mostrou as qualidades necessárias para o posto. Precisa de um pouco mais de experiência é claro, mas nada que não se resolva. Não me de motivos para me arrepender.

- Farei o melhor que puder Almirante, e obrigado.

- A Avenger devera estar na Terra em duas semanas para ser comissionada, neste tempo você devera preocupar-se com os postos que faltam ser preenchidos.

- Farei isto. E ela estará lá.

- Dispensado, Capitão Hendrik.

Hendrik levantou-se e saiu do gabinete de Teresa sem saber para onde ir primeiro. Queria ir até o Hangar onde estava a nave que agora seria realmente sua, mas também queria contar a seus amigos as noticias. Antes que conseguisse decidir identificou um rosto conhecido em pé no fim do corredor.

- Eleonor ! Que bom vê-la. Pensei que ainda estivesse no bar com os outros.

- Queria ser a primeira a lhe dar os parabéns, Capitão.

- Então você já sabe !?

- Teresa não consegue esconder seus segredos de mim.

- Pelo que conheço de você não posso considerar isto uma fraqueza

- Isto não foi gentil de sua parte, mas vou desconsiderar dada seu atual estado emocional.

- Ora ! Muito obrigado.

- E então, vamos comemorar ?

- Estava pensando em ir a nave antes.

- Ela estará enquanto você não voltar. Você será um excelente capitão, mas acho que vai precisar de alguém que o ajude aprender o que fazer nas horas de folga.

- E você seria esta pessoa ?

- Você me acostumou a momentos de informalidade comandante. Espero que isto não mude com sua promoção.

- Será um prazer tela como professora.

- Então vamos ao bar encontrar os outros e começar a primeira lição.

- Você paga a conta.

- Negativo. Você ainda me deve, lembra ?

- Está bem. Eu pago.

Aqui acaba a primeira Aventura da USS Avenger...

Por: Carlos Santos.
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