****
Nota do Autor - O Espaço, a fronteira final...
A anos atrás estas palavras iniciaram uma jornada que tem acompanhado
o imaginário coletivo de milhares de fãs da Serie Star Trek. Surgiu então um fenômeno da ficção cientifica
que após três décadas continua vivo e nos proporcionando um rico e maravilhoso universo que seduz novos admiradores
a cada dia. O conto baseado em Star Trek Decisões é uma pequena contribuição
a este universo que tem demonstrado cada vez mais espaço para acolher as Infinitas diversidades em suas infinitas combinações.
Gostaria de prestar aqui meus agradecimentos a Lorna Dannan, da
Base Espacial Antares, que me incentivou a escrever esta estória além de ter cooperado todo o tempo dando
sugestões, apontando falhas e principalmente permitindo a citação do termo Dissuasão, contribuição dela
e de sua amiga Silvia Santos através de seus contos New Explorers
e que na minha opinião permitiram a criação dos personagens mais interessantes de Decisões.
A ela e a todos aqueles que dispensarem um pouco de seu tempo para ler este conto o meu muito obrigado. Fica
também o pedido que sejam enviadas criticas e comentários que possam vir a acrescentar melhorias e outras
possíveis estórias que possam vir a surgir.
A Todos vocês Vida longa e Prospera.
****
Perfil dos Personagens e esclarecimetos a respeito da nave USS Avenger.
Este conto pode ser lido independente da leitura de
Decisões, entretanto como algumas informações sobre os personagens podem
não ficar claras para aqueles que preferirem ler está estória primeiro achei conveniente um resumo sobre os
principais nomes deste conto que já foram apresentados, bem como das características principais da USS Avenger.
A USS Avenger, numero de matricula NCC 72915, é uma nave da
classe Sovereign, atual modelo de cruzadores construídos pela Frota Estelar classificado como
Cruzador de Batalha Avançado, outras unidades conhecidas : USS Enterprise NCC 1701-E. Esta classe de naves
nasceu da necessidade de fazer frente a invasão Borg, uma vez que as unidades existentes até então
mostraram-se ineficazes contra os novos inimigos, entretanto o inicio de seu projeto é anterior a classe
Ambassador e após sucessivas retomadas e paralisações o projeto foi definitivamente reativado após as
dificuldades da USS Enterprise D, Classe Galaxy, em seu primeiro confronto com uma nave Borg.
O comando da Avenger foi entregue ao então tenente comandante Phillip Hendrik para o que seria
sua primeira viagem de testes, Decisões e acabou se tornando uma incidente
envolvendo Romulanos, Ferenguis e a USS Enterprise. Com o sucesso da tripulação em resolver o
conflito que se formou a Frota promoveu o então Tenente Comandante a Capitão e o efetivou junto com toda a
tripulação sob supervisão. Suas dimensões são : Comprimento : 680m Altura : 87m 24 Decks, e conta com uma
tripulação de 700 pessoas, sem membros civis. Seus sistemas defensivos contam novos escudos regenerativos e
com auto-modulação de frequência., que permitem que eles se adaptem melhor ao fogo inimigo, alem de uma estrutura
dupla construída com uma liga de Duranium-Tritanium. Sistemas ofensivos contam com 14 bancos phasers tipo XII
e Torpedos, Quantum e Photon. Suas velocidades padrão são : velocidade de cruzeiro : Warp 8 , Velocidade Máxima : Warp 9.9,
velocidade de emergência : Warp 9.99, por trinta e seis horas.
****
Tripulação:
Capitão Phillip Hendrik:
Natural da Terra, idade 32 anos . Postos anteriores : Tenente comandante, USS Hood - Excelsior Class,
Primeiro Oficial, USS Venture - Galaxy Class. O jovem capitão Hendrik recebeu o comando da nave estelar
Avenger de forma inesperada após o "Incidente Thassos" Decisões.
Apesar de pouco experiente é determinado, possui grande censo de responsabilidade com a segurança de sua
tripulação, é democrático, procurando sempre ouvir a opinião de seus oficiais estimulando-os sempre a
participação e tem como uma de suas principais características saber reconhecer a aplicar as habilidades
de seus comandados.
Comandante Noam Seymor:
Natural de Rigel 7, idade 35 anos. Postos anteriores : Oficial de Comunicações, USS Okinawa - Excelsior Class.
Anterior : Inteligência da Frota Estelar, atividades desconhecidas. O Comandante Seymor veio para a Avenger
como oficial de comunicações, mas logo foi colocado por Hendrik no posto de primeiro oficial, que viu em
Seymor qualidades para isto. Durante a missão de Thassos, na qual teve atuação destacada, descobriu-se seu
antigo envolvimento com a Dissuasão, Novos Exploradores, órgão secreto de Inteligência da Frota Estelar.
Após o comissionamento da Avenger foi mantido como primeiro oficial da Avenger por desejo do Capitão
Hendrik. Possui temperamento introspectivo o que não lhe impede de exercer sua função de manter a eficiência
e treinamento da tripulação com precisão.
Tenente Comandante Alejandro Iglesias:
Natural da Terra : 28 anos, Navegador . Postos anteriores Navegador, USS Hood. O tenente Alejandro Iglesias é
o terceiro na linha de comando da Avenger. Alegre e espirituoso é amigo pessoal de Hendrik e um piloto com
habilidade acima da média para condução de qualquer tipo de veiculo espacial, mas com um censo de
responsabilidade ainda pouco definido o que faz dele uma eterna vitima do próprio capitão que tenta incutir
nele a todo custo um maior censo de compromisso.
Tenente Sevok:
Natural de Vulcano : 48 anos, Contagem terrestre . Oficial de Ciências. Postos anteriores : Centro de
Pesquisa Cientifica da Frota Estelar. Após concluir sua formação nas disciplinas da lógica e controle
da mente em Vulcano ingressou na Academia da Frota Estelar, onde já palestrou sobre diversos assuntos
para novas turmas, com o objetivo de conhecer e estudar novas formas de vida. Solicitou sua integração
a tripulação de uma nave estelar a fim de prosseguir com este objetivo e foi então comissionado na Avenger.
Possui também grande conhecimento em Computadores, Adquiridos na Academia de Ciências de Vulcano,
Astronomia, Biologia e Historia Geral dos Mundos da Federação.
Dr.a Eleonor Carter:
Natural da Terra, 35 anos - Oficial Médica Chefe - Postos anteriores:Hospital Geral de São Francisco
Terra, Inteligência da Frota Estelar, Atividades desconhecidas. A Dr.a Carter passou a maior parte,
de seu tempo de serviço trabalhando na "Dissuasão", Novos Exploradores, até ser desligada do departamento
por interferência de sua amiga, a Almirante Teresa Hernandez. Após algum tempo na Terra resolveu solicitar
seu ingresso em uma nave estelar. Possui inteligência acima da média, é perspicaz, decidida e dona de uma
personalidade forte o que não a impede de Ter um excelente relacionamento com o restante da tripulação. É
dona de um grande conhecimento em outras áreas, devido sua participação em tarefas de espionagem, além
da médica e muito observadora o que faz dela por vezes exercer o papel de conselheira não oficial junto
ao Capitão.
Tenente Maryann Cashmir Anderson:
Natural da Terra : 24 anos. Oficial Tático. Postos Anteriores : Alferes de Primeira classe, USS Minsk,
USS Scimitar e USS Pharris, Artilheira, USS Pharris, Oficial Tático, USS Niven. Quando a tenente
Cashmir veio para a Avenger como oficial tático ela era uma das poucas que deveria ser realmente temporária
devido a pouca sua experiência no posto, mas acabou sendo mantida uma vez que não havia outras pessoas mais
qualificadas neste aspecto. Pesa a seu favor sua brilhante passagem pela Academia da Frota Estelar,
primeira de sua turma. De temperamento agressivo sabe que está sendo sempre observada de perto por
Hendrik e Seymor o que a faz estar sempre alerta. Mantêm um relacionamento com o Tenente Comandante Iglesias.
Tenente Jean Paul Grislain:
Natural da Terra, 31 anos. Postos Anteriores . Engenheiro responsável pela divisão de Motores Warp e Impulso
do Estaleiro de Utopia. Casado e pai de dois filhos, durante 10 anos Jean Paul dedicou sua mente brilhante ao
desenvolvimento e montagem de propulsores de todos os tipos nas docas de Utopia até que recebeu a missão de
embarcar na Avenger para acompanhar seus testes finais. Durante os eventos que se seguiram ele acabou por
adquirir um gosto inesperado por viagens espaciais e acabou optando por permanecer a bordo, entretanto vive
em constante conflito por causa da distância da família que esta condição lhe impõe.
Tenente Johan Von Krieg:
Natural da Terra: 26 anos. Postos anteriores : Chefe de Segurança da Missão Cientifica da Federação no
planeta Thassos, Comando de Operações Táticas da Frota Estelar. O tenente Krieg foi incorporado a Avenger
após concluir sua missão em Thassos e este é seu primeiro posto em uma nave Estelar. Perito em artes marciais
e vários tipos de armas bem como estratégias de combate, porém sempre serviu em missões de Terra ate então.
Bem humorado, prestativo e aplicado em seu trabalho as vezes faz as vezes de oficial tático.
Alferes Melissa Finn:
Natural da Terra, 19 anos : postos anteriores : Academia da Frota Estelar. A alferes Melissa é uma jovem e
talentosa engenheira recém-formada que teve na Avenger seu primeiro posto após sair da Academia. Inicialmente
em trabalhos secundários logo se destacou não só pelo talento mas pela voluntariedade. De temperamento aberto
e franco não tem dificuldades em expressar suas opiniões mesmo com superiores, o que o faz com frequência.
Apesar da pouca idade conquistou uma liderança natural entre seus colegas da engenharia e o respeito dos
oficiais superiores da Avenger.
Joseph Gart Haldar:
Natural da Terra, 19 anos : postos anteriores : Academia da Frota Estelar. A Historia do alferes Gart é
idêntica a de sua amiga e colega de classe Melissa. Piloto formado na academia mas sem haver exercido o
posto antes veio para a Avenger como estagiário e sua primeira função era cuidar do hangar, até que o
improvável o levou a ponte e a navegação onde conquistou a confiança de Hendrik, Seymor e Alejandro com
sua habilidade, passando a ser o segundo piloto e freqüentemente requisitado.
****
Últimas Considerações.
Uma missão aparentemente simples se transforma em ramificações cheias de ação.
Enquanto o planeta Azenir sofre as consequências de um vírus mortal
a Avenger é incumbida de transportar o especialista Dr.Donald Adams para o planeta, no caminho precisam
salvar outra nave e sua tripulação é dividida, mas isso é só o começo, no planeta outras surpresas aguardam
a tripulação comandada pelo Capitão Philip Hendrik , que cativou a todos nós em sua primeira aventura
Decisões.
Leia este conto e entre no universo da USS Avenger, compartilhe
com os tripulantes as aventuras e surpresas no planeta.
Este conto também nos dá uma agradável surpresa, Carlos Santos
nos apresenta a Alferes Vthyr Janus Kansha , criação do nosso outro autor
Roberto Kiss. Uma personagem especial que renderá ainda muitas histórias.
Considerações do Autor:
Data Estelar 51991.9
Olá. Estamos para iniciar a Segunda aventura da USS Avenger, mas
antes que ela comece existem algumas considerações que julgo necessárias.
Em primeiro lugar quero agradecer aos E-mails que recebi após a
divulgação de "Decisões" nos Sites da Base Espacial Antares e Orgânia , e
dizer que fiquei muito feliz por saber que pude proporcionar a alguns companheiros Trekkers algumas boas horas,
o que foi mais um incentivo para que eu escrevesse um novo conto. Importante também lembrar Lorna Dannan,
Silvia Santos e Roberto Martin Kiss.
A Silvia pelas sugestões e criticas feitas a "Decisões" que
me ajudaram a clarear algumas idéias, a Roberto pela acolhida e pelas sugestões ao longo da tarefa de
escrever este novo conto e por Ter me presenteado com uma personagem de sua autoria que passará a integrar
a tripulação da Avenger a partir de "Níveis de Necessidade", e a Lorna pelo constante trabalho de
apoio e consultoria que ela pacientemente vem fazendo.
Feitas estas considerações é hora de começarmos mais uma viagem
pelo espaço da nossa imaginação, que eu espero ser agradável a todos vocês.
A todos "Nemaiyo, Kyani'ankh mene sakkhet" - Obrigado , Paz e longa vida.
****
Após de seis meses do episódio que a Federação classificou como "Incidente Thassos", a USS Avenger recebeu ordens de abandonar a Patrulha da Zona Neutra Romulana e agora seguia para casa em velocidade de cruzeiro onde deveria receber novas ordens. Na época o Comando da Frota Estelar preferiu manter estado de prontidão no setor, mas com a entrada dos Romulanos na Aliança contra os Dominions a Zona Neutra deixou de ser uma preocupação e todas as naves que patrulhavam a área foram chamadas de volta e provavelmente deveriam se juntar ao contigente que estava de prontidão próximo a Bajor e a fronteira com o território Cardassiano. Para a Tripulação da Avenger foram seis meses calmos, quase um passeio e as vezes um passeio bem chato. Distante das tensões na Federação em face aos mesmos Dominions e com as noticias do sucesso das ofensivas da aliança e da recente reabertura da fenda espacial em Bajor, o clima se tranquilizou um pouco e o tempo serviu para que os novos tripulantes que se apresentaram fossem se habituando aos novos postos e a nave, pois quando o então Tenente Phillip Hendrik recebeu a nave para realizar seus testes antes do comissionamento havia um déficit de 200 pessoas no contigente efetivo da nave. Devido a este retorno não planejado todos deveriam ter alguns dias de folga e o agora Capitão Hendrik nem imaginava o que faria com eles. A tripulação estava completa e o tempo que tiveram foram consumidos nos mais variados exercícios e manobras que mantiveram a nave e sua tripulação em ordem, e ele não tinha nada especial para fazer ou em que pensar fora dali e aproveitava suas horas de folga fazendo alguns exercícios acompanhado pelo oficial Ramur, que havia desempenhando a função de responsável pela segurança durante os acontecimentos em Thassos. A conversa girava em torno do novo oficial de segurança da nave, o tenente Johan Von Krieg que era um dos oficiais da Frota em Thassos e com a suspensão dos trabalhos no planeta foi transferido para a Avenger:
- ,,, então, está gostando de trabalhar com o Tenente Krieg, Ramur ?
- Tem sido muito bom. Ele tem nos ensinado coisas bem interessantes e úteis e acredito que possamos melhorar bastante nosso trabalho. É bom tê-lo conosco.
- Que bom que pense assim. Foi uma boa coisa que Krieg tenha solicitado sua integração a tripulação pois já tínhamos uma idéia de como ele age.
- Ele vai ajudar a formar uma boa equipe de segurança.
- Diria que ele vai ajudar a melhorar a nossa equipe de segurança.
- Obrigado senhor.
Enquanto os dois conversavam a Dr.a Eleonor Carter, responsável pelo departamento médico chegou ao local e embora procurasse parecer descontraída, um observador mais atento notaria o raro olhar de preocupação que Eleonor trazia. Poucas pessoas poderiam entender aquele olhar tão rápido e Hendrik havia se tornado uma dessas pessoas.
****
- Olá “Capitão” ! E você Ramur, como vai?
- Bem doutora. Apenas mantendo a forma assim como o Capitão.
- Estou vendo. - Eleonor observou Hendrik que estava em trajes esportivos, um fato pouco comum e que provocou um sorriso de debochado por parte dela.
- O que foi Doutora ? - ele disse enquanto sentava-se em um dos aparelhos ofegante, com o corpo suado e muito pouco a vontade com a situação. - Não me lembro de ter marcado consulta. - completou após tentar enxugar parte do suor do corpo com a toalha.
- Em primeiro lugar me desculpe. Não imaginava que a hora seria tão imprópria, mas tenho uma assunto que gostaria de discutir com você.
- Eleonor, você não poderia esperar até eu voltar ao serviço? Acho que foi você que disse que eu tinha que aproveitar melhor meu tempo livre !
- Não é exatamente um assunto da minha área e por isto preferia discuti-lo fora do nosso horário de trabalho, mas se você preferir eu posso esperar um pouco.
Phillip já havia convivido com Eleonor tempo o suficiente para saber quando ela estava dizendo uma meia verdade e pode ver que ela tinha apenas tentado ser gentil.
- Bem, vamos lá. Eu já estava terminando mesmo.- despediu-se de Ramur enquanto se levantava. - Vejo você depois.
- Até logo, Capitão, Doutora . - Ramur continuou observando os dois deixarem o local imaginando se os boatos que corriam entre os tripulantes de havia algo mais que relacionamento profissional entre os dois tinham algum fundamento, pois era comum vê-los juntos discutindo qualquer tipo de assunto. Nada podia ser provado mas era mais fácil controlar um estouro de bois do que uma boa fofoca e ambos sabiam que estes comentários existiam, mas como ninguém havia extrapolado o que consideravam razoável, ignoravam.
- E então ? O que é ? - perguntou Phillip quando chegaram ao corredor enquanto continuava a passar a toalha pelo rosto e pescoço.
- Preferia um local mais tranquilo, Phillip. É um assunto meio particular. - esquivou-se Eleonor.
- Está quase na hora do meu turno começar, pelo menos oficialmente, e eu vou ter que tomar um banho antes de voltar a ponte. Se não se incomodar podemos conversar na minha cabine ?
- Sem problemas.
Puseram a caminhar até alcançar o elevador e em poucos instantes estavam chegando ao alojamento. Hendrik parou próximo a porta e fez um movimento com o braço para que ela entrasse.
- Primeiro você, “Doutora”. - A principio Eleonor reclamava quando Hendrik insistia em chama-la de Doutora quando estavam a sós mas logo percebeu que o tom de voz com que ele dizia a palavra nessas ocasiões era diferente, quase um deboche que ela passou a entender e apreciar e é claro, imitar quando o chamava de Capitão.
- Obrigada ! - o alojamento de Hendrik era espaçoso como seria o alojamento de qualquer Capitão em uma nave da frota estelar e entre alguns luxos tinha uma janela de observação para o espaço de que ele muito gostava. Os sinais dele estavam por ali: o quarto não era de uma desordem total mas também não podia ser considerado um primor de organização, nele era possível encontrar entre outras coisas algumas replicas de naves estelares e muitos livros em uma estante e outros espalhados pelo lugar entre os itens que mais chamavam a atenção. Eleonor a muito conhecera o habito que seu amigo conservava de colecionar livros, e colecionar era a palavra certa pois muitos não haviam sido lidos, mas estavam todos lá prontos para contar alguma estória de algum herói imaginário, ou guardando os versos de algum poeta amargurado, ou sobre grandes batalhas e táticas militares, manuais técnicos, Historia da Terra ( em particular um compendio sobre as Guerras Mundiais ) biografias de grandes mentes da Federação, alguns romances e esta diversidade denunciava um pouco da personalidade do jovem comandante da Avenger.
- Sente-se e me diga o que é tão importante para que você interrompa minha folga, minha amiga.
- O primeiro assunto tem a ver com Alejandro. Há algum tempo venho notando que ele está meio diferente, talvez preocupado demais. Conversei com ele algumas vezes mas não consegui arrancar nada, entretanto acredito que seu estado atual tenha a ver com a constante rotina de exercícios a qual ele vem sendo submetido.
- Acha que ele está cansado ?
- Não sei se é exatamente cansaço, acho que está mais para Stress. Eu tenho acompanhado os exercícios que você tem programado para ele no Holodeck e sinceramente, acho que esta exagerando. Tem algumas situações absurdas.
- Você acha que não vamos lidar com absurdos batendo as pernas por ai afora ?
- Sei que vamos, mas o desempenho dele não tem sido muito bom, não é verdade ? Depois de ontem ele ficou ainda pior.
- Eu também ficaria preocupado se tivesse perdido uma nave com 430 tripulantes por falta de concentração, mas o desempenho dele de uma forma geral vem melhorando.
- Isto aqui não é a Academia da Frota e o Holodeck não o Kobaishy Maru, Phillip. Se me permite, acho que esta pegando meio pesado.
- É claro que estou e você tem razão, não estamos mais na Academia e isto aqui é de verdade. Quer ele queira ou não é o terceiro em comando e tem que estar preparado para assumir esta condição se necessário.
- Entendo, mas acho que Alejandro pensa que você não confia na capacidade de comando nele.
- Se não confiasse teria pedido um outro oficial para o posto quando assumi a Avenger, mas não o fiz. Acredito nele, sei que tem qualidades mas ele precisa aprender o mais que puder, até mesmo por que ele não vai muito longe na Frota se continuar bancando o irresponsável. Ele tem se valido de sua habilidade natural como piloto para conseguir bons postos mas um dia a sorte vai acabar.
- E acha que acabar com auto estima dele em simulações vai fazer com que ele aprenda algo ?
- Vai fazer com que eu saiba como é que ele reage em níveis de necessidade diferentes do que ele está acostumado a ter. As pessoas mudam quando estão sobre pressão, com responsabilidades novas e preciso saber em que direção ele vai quando isto acontecer.
- Sei que quer fazer o melhor para todos, mas de uma folga a ele.
- Recomendação médica ?
- De certa forma, sim.
- Está certo Doutora. Vou tentar não ir tão depressa.
- Obrigada e desculpe por estar me metendo neste tipo de assunto, mas não queria ver amizade de vocês abalada.
- Como eu acabei lhe dando espaço para isso não a levarei a corte marcial por enquanto, mas não abuse. - disse ele jogando-se num sofá em frente a ela após ir buscar um copo d`agua e coloca-lo em cima da mesa. - Mas me parece que você tinha outro assunto para tratar se não me engano ?
- Sim tenho. Como sabe acabei de completar o exame médico de rotina em toda a tripulação e achei algo estranho. - tirou de um dos bolsos do roupão médico que cobria seu uniforme um cartucho e o passou a Hendrik, que inclinou o corpo para instala-lo no console de seu monitor enquanto perguntava :
- O que é isto ? Tem alguém doente ?
- Não, mas eu achei esta tripulante muito peculiar e creio que você vai concordar comigo. Ela foi uma das ultimas a embarcar depois que fomos comissionados. - no monitor do terminal apareceu uma imagem de uma mulher morena, 1.78m de altura, muito jovem ao contrario do que os cabelos branco gelo poderiam querer dizer, e com marcantes olhos cor amarelo ouro.
- Alferes Vthyr Janus Kansha ? Este nome não é Klingon ? Ela não me parece uma Klingon !? - disse Hendrik enquanto olhava com certa displicência para a imagem que havia se formado.
- Se olhar o registro com mais calma verá que sua mãe é Klingon, D’horrxy Kansha, e quanto a ela eu não sei o que é . Os meus exames confirmaram os registros médicos fornecidos pela Frota: forca a equivalente ao dobro de um Vulcano de sua idade, resistência natural a um numero enorme de doenças conhecidas, grande resistência também a radiações que seriam letais tanto para um humano quanto para um Klingon, estrutura biológica incomum. Aparentemente ela é uma híbrida de criatura orgânica e metálica, mas como não existe nada assim pelo menos que tenhamos noticia, nada foi confirmado ou negado esta respeito.
- Deve ser a tal Alferes sobre a qual Seymor me falou. Ele ficou a cargo de verificar os novos tripulantes, na verdade todos, e recentemente me informou que havia uma alferes entre os últimos que embarcaram que lhe chamou a atenção, mas que ele preferia aguardar mais um pouco antes de fazer qualquer comentário oficial. Devia estar esperando que você fizesse o exames de rotina para poder confirmar suas suspeitas sem chamar a atenção. Creio que em breve ele irá procura-la.
- Seymor sabe fazer bem o seu trabalho. - disse a doutora.
- Ela realmente não é o que poderíamos classificar de “normal”, seja lá o que isto queira dizer, mas seres “diferentes” não deviam ser algo para chamar atenção da médica chefe de uma nave estelar !?
- Tem uma outra coisa na ficha dela que foi o que realmente me chamou a atenção e que deve ter também chamado a atenção de Seymor. - Eleonor estava muito incomodada com aquela alferes, pois suas mãos suavam frio e ela estava cheia de rodeios, o que não era sua atitude normal.
- Fale logo pelo amor de Deus, mulher !!!
- A ficha médica dela indica um ciclo de sono de dezesseis horas a cada quarenta e três dias e só existe uma pessoa que eu conheça que tem este ciclo de sono. Você já deve ouvido falar do Capitão Jevlack, não ?
- Quem não ouviu falar de Jevlack. Existem tantas estórias a respeito dele que seria preciso varias vidas para que ele tivesse tempo de realizar todas. O homem é uma lenda. Desde que a USS Brasília comandada por ele se envolveu num incidente com a Enterprise E a alguns anos não se tem noticias dele e a versão oficial é de que estaria morto, mas existem tantas versões sobre o episódio que não sei no que acreditar. Recentemente a Frota divulgou um comunicado de que existem “ligeiras suspeitas” de que ele poderia estar vivo e comandando uma Frota Pirata e deu ordens a todas as naves de destrui-lo em caso de um encontro. Pelo que sei dele, espero não ser eu a encontra-lo se realmente estiver vivo e tenho pena de quem tiver este azar.
- Muitos acreditam que ele teve realmente o equivalente a varias vidas. O meu antigo “departamento” sempre teve problemas com ele e posso dizer que tem razão em não acreditar em tudo o que a Frota diz em suas versões “oficiais”. Jevlack constantemente deixava o pessoal do alto escalão da Dissuasão a ver navios.
- Você acredita que Vthyr possa ser filha dele !?
- Não posso afirmar isto mas as características dela são muito incomuns, além do fato de não se ter nenhum registro oficial sobre ele ter tido uma filha, mas o Janus do nome dela é um dos nos nomes que se atribuíram a ele e seu pai consta como “indeterminado” em seu registro.
- Mas se ela realmente for filha dele não creio que a Frota a deixaria embarcar em uma nave assim sem vigilância, pois ela poderia saber onde ela está o que seria uma informação e tanto.
- Não tenho certeza disto. Sabia-se muito pouco a respeito de Jevlack e o meu departamento era o que detinha as maiores informações, que não eram muitas e devido a natureza das nossas operações nada era armazenado em registros fixos. Com o seu desmantelamento a grande maioria delas se perdeu ou pode estar inacessível de forma que é possível que esta alferes tenha passado pela academia sem ser notada por eles simplesmente por que ninguém ligou uma coisa a outra, e mesmo que a tenham notado, podem não ter tido a chance de por as mãos nela pois se o departamento ainda existe não é nem sombra do que já foi. E há ainda um outro motivo: se ela é mesmo filha dele e ele estiver vivo, ninguém seria louco o suficiente para por as mãos nela.
- Você tem razão. Acha que ela pode representar algum problema potencial ?
- Diretamente não, embora quem possa dizer isto melhor seria seu superior imediato. Ela está na segurança não é ?
- Sim, está na equipe de Krieg.
- Peça-o para observa-la com mais cuidado.
- Seymor já fez isto, e a propósito, você andou tentando contatar algum de seus antigos “amigos” para tentar confirmar esta estória, não é ?
- Como sabe disto ?
- Seymor identificou suas transmissões e me informou sobre elas. Eu disse que iria verificar.
- Então é por isto que ele tem andado meio diferente comigo ultimamente. Uma vez do time, sempre no time. Eu devia ter tido mais cuidado.
- Preferi não dizer nada a ele sobre você até agora pois era um assunto delicado mas acho que já é hora de vocês conversarem sobre o seu passado. Sei que não é fácil mas é bom que evitemos possíveis mal-entendidos como este, além do que não me parece justo que você conheça o passado de Seymor e ele não tenha conhecimento disto.
- Detesto quando você tem razão.
- O que para seu desconforto acontece com frequência. Acho que seria melhor para vocês dois e além do mais teríamos uma vantagem adicional neste caso se vocês trabalharem juntos. E eu ainda ganharia meu próprio mini departamento de espionagem.
- Não brinque com isso. - disse ela seria e abaixando a cabeça. Phillip notou e sentou-se ao lado dela.
- Desculpe se a magoei. Não era minha intenção - disse enquanto colocava sua mão no rosto dela levantado-o.- Sei o quanto é difícil falar no seu passado, mas acho que pelo menos desta vez será melhor para vocês dois.
- Vou pensar. - disse com um sorriso forçado no rosto.
- Você fez um bom trabalho “Doutora Carter”.
- Obrigado “Capitão”. Se me der licença, vou deixa-lo tomar seu banho agora. Seymor deve estar lhe esperando.
- Está bem, mas converse com ele. Se puder dizer-lhe o que me disse tenho certeza que irá ajudar a ambos.
- Acho que vou fazer isto.
****
Assim que Eleonor se foi Hendrik tomou um banho, vestiu o uniforme e seguiu para a ponte a fim de iniciar seu turno. Passou todo o tempo que esteve sozinho pensando na conversa que teve com a doutora. A parte que menos gostava de seu trabalho era lidar com formas de vida alienígenas, por mais que isto fosse incomum em um oficial da Frota Estelar e tinha ficado muito feliz ao perceber que sua tripulação tinha poucos não humanoides, mas esta suspeita o deixou preocupado. Vthyr já era uma tripulante muito peculiar somente pelo que Eleonor havia lhe contado, mas e se ela realmente fosse filha de Jevlack ? Se fosse será que ela sabe quem é seu pai ? E se souber, como vai se comportar a filha de uma lenda entre a tripulação de pessoas “normais” ? Muitas perguntas que teriam que esperar muito para ter respostas e talvez nem tivessem. Na saída do Elevador encontrou com o chefe da engenharia, tenente Jean Paul Grislain.
- Olá Jean Paul.
- Capitão.
- Como estão as coisas na Engenharia ?
- Como tudo por aqui sonolentas, graças a Deus. A única diversão do meu pessoal tem sido montar e desmontar os sistemas toda hora de acordo com o programa de exercícios. Acho que alguns deles já conseguem transformar um processador de alimentos em um motor de dobra.
- Espero que não seja preciso, mas eu pensei que tivesse apreciado a nossa ultima aventura ?
- Até que gostei, afinal nos ganhamos não foi ? Mas vou precisar de uns 100 anos para me recuperar.
- Infelizmente eu acho que não vamos ter tanto tempo.
- Por falar em tempo, quanto falta para chegarmos ?
- Sabe muito bem que faltam cerca de 16 horas.
- Não pode me culpar por sentir falta da família.
- Claro que não. Sinceramente ainda não sei se foi uma boa idéia ter aceitado este posto. Ainda se sente muito amarrado a eles.
- Creio que isto não vai passar nunca, mas acho que consigo me virar e conversei bastante com Anne sobre o assunto e chegamos a conclusão que não seria tão mal afinal. Ela disse que também tinha vontade de participar de algum projeto da Federação como uma colônia ou coisa assim mesmo como civil quando a ameaça Dominion terminar e meus filhos aceitaram bem a mudança.
- Eu vi como eles ficaram quando estiveram a bordo.
- Anne diz que eles não cansam de falar sobre mim e a Avenger e sobre como derrotamos os Romulanos para os amigos. Como você mesmo disse fizemos nossa parte na Historia e sinto orgulho em saber que fiz parte dela. Quando estive na Enterprise tive a chance de conversar um pouco sobre isso com o capitão Picard e ele me disse algo interessante que diz ter aprendido com alguém especial : " O importante não é o que deixamos, mas a forma como vivemos."
- Ele é bom com palavras.
- Assim como você, mas agora vou para a Engenharia ver se consigo tirar um pouco mais dos motores.
- Não duvido que consiga. Até logo.
- Até.
****
A breve conversa com o seu engenheiro trouxe a tona os acontecimentos de seis meses atrás e já no elevador Hendrik esqueceu um pouco o assunto da Alferes enquanto voltavam a sua mente os episódios que acabaram por coloca-lo no comando da Avenger. Pensou nas ultimas noticias que havia recebido do comando da Frota e em como a vida prega pecas nas pessoas: a cerca de seis meses ele sua tripulação estavam se engalfinhando com os Romulanos e por pouco não começaram uma guerra, e agora os mesmos Romulanos eram aliados da Federação na guerra contra os Dominions. Sorria com este pensamento quando chegou a ponte e observou a mesma atmosfera de monotonia presente nos outros cantos da nave. Alejandro apenas monitorava os controles do painel de navegação batendo os dedos distraidamente na lateral de sua estação remoendo os últimos resultados dos seus relatórios de avaliação, Cashmir acompanhava o tático por forca da obrigação, como todos os presentes ali e este era o clima reinante por ali. O único que como sempre parecia interessado em seu trabalho era Sevok, que analisava dados recolhidos pela Avenger enquanto esteve na Zona Neutra com o interesse comum aos Vulcanos. Seymor levantou-se para ceder o lugar a Hendrik no comando no mesmo ritmo lento dos demais:
- Espero que tenha tido algum movimento seja lá por onde andou, pois aqui podíamos deixar a nave entregue a uma tripulação de macacos que não faria diferença.
- Cuidado Seymor. Lembra-se do que aconteceu da ultima vez que reclamamos do tédio ?
- Se me lembro, mas seis meses se arrastando na Zona Neutra dão nos nervos de qualquer um. Nem eu aguento mais tantos exercícios simulados.
- Tem razão, mas logo teremos uma folguinha para esticar as pernas.
- O comando da frota já deu alguma idéia sobre o que faremos depois desta licença ?
- Ainda não, mas as coisas com os Dominions continuam tensas e com a reabertura da fenda espacial é provável que a Frota queira aumentar a forca em DS9 portanto acho bom aproveitar esta folga pois acho que vamos ficar bem ocupados depois disto.
- Não sei se vai servir para alguma coisa no meu caso mas de qualquer forma é bem vinda.
- Acho que sei como se sente, mas se não estou enganado meu amigo Alejandro deve ter alguma coisa planejada para estes dias, não é ?
- Quem sabe!? - respondeu Alejandro virando-se para os dois - Sempre tem algum lugar próximo com algo interessante para se fazer.
- Então já tem planos Tenente ?- Cashmir que estava de pé no tático perguntou para o piloto misturando alguma ironia e censura para com Alejandro.
- Na verdade tenho - respondeu sem graça - e se você quiser me acompanhar ficarei muito feliz, mas posso dar algumas dicas aos nossos amigos.
- Tenho certeza que sim. - respondeu com voz grave e sem tirar os olhos dos controles.
Hendrik e Seymor sorriram discretamente ante a situação de Iglesias mas nada comentaram a respeito. Ele havia conseguido iniciar algo que as vezes até podia ser chamado de relacionamento com a tenente, mas descobriu que a menina era bem mais temperamental do que ele pensava, entretanto, apesar dos contratempos eles pareciam se dar bem. O alferes Andrei que também estava se divertindo teve sua atenção despertada por uma chamada inesperada.
- Capitão, comunicação da Frota estelar no canal de prioridade. - o súbito informe do alferes causou estranheza aos dois que trocaram um olhar de duvida sobre o motivo de uma chamada usando aquele canal.
- Na tela. - A imagem que surgiu já havia se tornado familiar de todos os presentes.
- Olá Almirante Hernandez.
- Como vai Capitão ?
- Sem problemas ate o momento como bem sabe.
- Os relatórios que recebi dizem que vocês realmente tiveram pouco trabalho nos últimos meses.
- É verdade. Acho que tivemos sorte, não acha ?
- Infelizmente serei obrigada a cancelar a folga de vocês.
- Problemas devo presumir !?
- Exato ! A cerca de duas semanas planeta Anezir foi atacado por uma doença que vem se alastrando rapidamente entre a população e que já matou milhares de pessoas. Ela progride assustadoramente e eles não tem condições de produzir uma vacina eficaz, por isto pediram nossa ajuda.
- Não me lembro de ter ouvido falar em Anezir, e isto não fere um pouco a Primeira Diretriz ?
- O planeta realmente não faz parte da Federação, mas alguns observadores fazem visitas a intervalos regulares para verificar a evolução de Anezir e futuramente estudar a sua possível integração embora a evolução deste planeta ainda deixe a desejar, o conselho da Federação quer garantir qualquer apoio possível em virtude da ameaça Dominion. Precisamos entregar um lote de vacinas que acabaram de ser sintetizadas em nossos laboratórios o mais breve possível e vocês são a nave mais próxima e mais rápida e por isto deverão entrega-las.
- E onde elas estão !?
- Na USS Freedom, que está seguindo para o planeta neste momento. Inicialmente ela faria todo o transporte mas resolvemos fazer a mudança pois como já disse, vocês são bem mais rápidos e ganharemos um tempo valioso.
- Não seria mais rápido que esta USS Freedom completasse a viagem ?
- A Freedom é uma “Griffin”, Capitão !
- Entendo ! E que doença é essa que atacou o planeta ?
- Algo parecido com antiga Varíola da Terra.
- O que !? Eu não acredito que alguém ainda morra de varíola.
- Anezir tem um desenvolvimento tecnológico muito irregular e medicina não é o forte deles. Alguns médicos da Federação já estão lá e chegaram a conclusão de que o que os está matando é algo parecido com a doença terrestre. Com as alterações que fizemos a vacina será eficaz o suficiente.
- Iremos imediatamente. Tem mais alguma recomendação ?
- Nenhuma. Apenas diga a Eleonor que mandei lembranças.
- Farei isto.
A imagem se fechou deixando novamente a visão do espaço enquanto Hendrik procurava por informações.
- Sevok, quanto tempo levaremos para chegar a Anezir?
- Levando em consideração o ponto de encontro com a Freedom e em dobra máxima, 52 horas.
- Senhor Iglesias, projete o curso na tela principal. - a imagem do espaço passando em velocidade de dobra mudou para um mapa do quadrante Alpha. A imagem mostrava que Anezir não estava muito longe das Badlands. Hendrik conhecia o lugar.
- Esta é a rota mais rápida, porém a menos segura pois passa ao longo de uma região pouco amistosa. Temos registros de atividades Maquis e de Piratas nesta área. - informou Cashmir.
- É, eu sei tenente. - disse Hendrik sem poder evitar pensar em Jevlack - . Bem senhores, estamos de volta aos negócios. Alejandro, quanto tempo até encontrarmos a Freedom ?
- 2 horas de acordo com dados enviados pela Almirante, mas não entendi o que ela quis dizer com o fato dela ser uma Griffim !?
- Classe Griffin, e não é exatamente uma classe. Alguns meses antes de virmos para a Avenger um dos estaleiros da Frota foi atacado por forças Dominions. Doze naves da classe Intrepid estavam em construção e partes delas foram perdidas. Como levaria muito tempo para repor estas partes eles juntaram o que tinham a mão e montaram as doze. Até que não ficaram tão ruins mas os únicos motores disponíveis eram sobras da ultima reforma da Classe Constitution e isto as deixou com uma velocidade máxima de dobra 5 em segurança, além de serem péssimas para manobrar. Podem chegar a pouco mais de dobra 7 mas ninguém teve coragem de testar além disto por muito tempo.
- Ainda bem que não estamos em uma dessas. - respondeu Alejandro.
- Concordo. Enquanto não chegamos ao local do encontro vou informar a Doutora Carter. Este assunto deverá interessa-la e creio que vou ter uma conversa com Jean Paul. Ele com certeza vai ficar decepcionado. Seymor, assuma.
- Sim senhor, e lá se vai a primeira licença. Espero que isto não vire um hábito.- disse Seymor meio num misto de desanimado e resignado. Hendrik olhou para seu primeiro oficial aparentando alguma surpresa
- Você está brincando, não está ? - antes que Seymor respondesse ouviu-se o intercom.
- Dra. Carter para Comando.
- Aqui é Hendrik, prossiga doutora.
- Gostaria de saber se o comandante Seymor poderia vir a enfermaria por alguns instantes?
- Não estou doente doutora ! - respondeu Seymor estranhando solicitação.
- Não se trata disto Comandante, mas sim de um assunto se seu interesse.
Seymor olhou para Hendrik que apenas assentiu com um movimento de cabeça. Ele entendeu e respondeu.
- Estou a caminho. Comando desliga.
- Bem - disse Hendrik levantando-se junto com Seymor - acho que vou a engenharia de qualquer jeito. Aproveite e informe a Doutora sobre a nossa próxima missão.
- Sim senhor.
- Alejandro, assuma e prossiga conforme as orientações anteriores.
- Entendido. - respondeu o piloto enquanto sentava-se na cadeira de comando.
****
Duas horas depois eles haviam se encontrado com o Destroyer classe Griffin USS Freedom, e a transferência da vacina estava quase terminada. Embora a responsabilidade da Avenger fosse apenas de transporta-la Hendrik preferiu deixar Eleonor a par das particularidades da missão e neste momento se dirigiam para a ponte a fim de possibilitar a partida imediatamente após o fim do embarque.
- Como foi a conversa com Seymor ?
- Acredito que foi boa.
- Pretendo falar com ele sobre a alferes que mencionou, se não se importa.
- De forma alguma, e para dizer a verdade já trocamos algumas impressões sobre o assunto e ele suspeita o mesmo que eu.
- Era só o que me faltava.
- E só uma suspeita Phillip.
- Tem razão. É melhor nos concentrarmos mais no nosso atual problema.
- Problema estranho. Não acredito que alguém ainda possa morrer de varíola !
- Disse a mesma coisa a Almirante e pensei que varíola fosse uma doença terrestre !?
- O Doutor Donald Adams, médico responsável pela equipe que desenvolveu a vacina está a bordo da Freedom, e me disse que não é exatamente o mesmo Vírus embora bastante parecido varíola e causa doença com características parecidas. Foram necessárias varias modificações para que ela pudesse ser eficaz.
- Entendo. Fui informado que ele irá conosco até Anezir. Ele confirmou isto ?
- Sim ele irá conosco, e me pareceu muito apreensivo quanto ao tempo e a urgência de nossa chegada. Pretendo obter maiores detalhes assim que ele vier bordo.
- Acha que este vírus pode nos contaminar ? Talvez tenhamos que ir ao planeta
- Está é uma das coisas sobre as quais quero ter mais informações, mas a principio não, segundo o doutor Donald por tratar-se de uma variante alienígena, mas recomendo vacinar qualquer um que se descer ao planeta, se isto for necessário. Pretendo modificar a vacina para permitir a imunização da tripulação.
- Seguirei sua recomendação. - disse enquanto as portas do elevador se abriam dando acesso a ponte. Ao sentar-se observou Seymor discretamente tentando descobrir alguma coisa que desse uma idéia do como estava seu estado de espirito, mas ele não deixava transparecer nada sobre o resultado da conversa que teve com Eleonor, e apenas se levantou como de costume e informou os últimos acontecimentos referentes a transferência.
- Sala de transporte 4 informa que a transferência está completa Capitão. Os recipientes estão armazenados na baia de carga do Deck 11.
- Então já podemos partir.
- o Dr. Donald ainda não veio a bordo. Disse que precisava buscar alguns registros na Freedom.
- Senhor - disse Andrei - a Freedom está chamando.
- Ponha na tela.
A Capitã Andréa Ivanovich estava em pé ao lado de sua cadeira e passava os olhos no Datapad que um de seus tripulantes acabara de por em suas mãos quando a comunicação visual foi estabelecida. Era uma mulher alta, forte, tinha cabelos negros e apesar de estarem presos davam a impressão de serem longos. Entregou o instrumento para o oficial que a aguardava quando foi informada que a comunicação havia sido completada e voltou sua atenção para a tela.
- Já terminamos capitão, e o Doutor Adams já está pronto para ir a bordo de sua nave. Agora é com vocês.
- Certo Capitã. Vamos partir imediatamente.
- Pena não termos tempo para conversar sobre suas experiências com Romulanos agora, mas devemos nos encontrar novamente pois minhas ordens são de segui-los até Anezir para trazer de volta o nosso pessoal que esta por lá assim que a doença for controlada. Tenho certeza que seria uma estória interessante.
- Nada de mais Capitã, uma outra hora talvez.
- Uma outra hora, Capitão. Freedom desliga.
- “Uma outra hora talvez, meu caro capitão”. - disse Eleonor após o fim da mensagem - Simpática a capitã Ivanovich não acha ? .- Hendrik fingiu não escutar enquanto Seymor comentava.
- Parece que ficamos famosos, não é capitão ?
- Parece que sim, mas detesto chamar atenção. Alejandro marque curso para Anezir. Dobra máxima.
- Curso marcado.
- Acionar.
****
Horas depois Hendrik estava com Eleonor e Seymor na sala de reuniões um pouco antes do inicio da conversa que havia convocado com os oficiais executivos e o Dr. Adams. Queria ter certeza que nenhuma aresta havia ficado sem ser aparada.
- Pelo jeito a conversa de vocês foi esclarecedora !? - disse Hendrik.
- Com certeza sim.- disse Eleonor -. Acho que vamos poder nos entender e trabalhar melhor agora.
- E eu descobri minha espiã. Já estava começando a achar que tínhamos uma por aqui.- comentou Seymor meio que brincando meio que falando sério.
- Espero que compreenda por que eu não havia lhe falado a respeito de Eleonor.
- Entendo perfeitamente Capitão, não se preocupe, e agora as coisas estão claras e não haverá mais problemas quanto a isso.
- Ótimo. Creio que já conversaram sobre a Alferes Kansha ?
- Sim conversamos - respondeu Seymor - e tenho as mesmas impressões que a Doutora Carter.
- Conversou com Krieg sobre ela ?
- Sim. Desde que ela chegou aqui vem demostrando excelentes níveis de desempenho. Como dorme muito pouco participa dos exercícios e manobras com extrema frequência e excelentes resultados. Ela é a campeã da nave em combate corpo a corpo, notas acima da média em exercícios estratégicos mas um pouco tímida em situações em que ela precise assumir o comando.
- Recomendações !?
- Por enquanto apenas continuar observando.
- Doutora !?
- Concordo. Não há por que tomar outra atitude.
- Então faremos desta forma. Vamos deixar tempo nos dizer quem é de verdade esta menina. - disse enquanto tocava o comunicador.
- Capitão para ponte.
- Iglesias falando.
- Informe ao restante do pessoal executivo que a sala de reuniões já está liberada. Avise também o Dr. Donald.
- Entendido.
Alguns minutos se passaram até a chegada de todos. O primeiro a chegar foi Jean Paul visivelmente contrariado, logo seguido de Krieg, Sevok e Alejandro e por ultimo, o Dr. Donald, um homem que aparentava ter algo entre quarenta e cinco e cinquenta anos. Alguns cabelos brancos já começavam a despontar e a aparência cansada de Adams devia estar reforçada pelos longos períodos de pesquisa em laboratório atrás da variação correta da vacina. Ele havia sido o chefe do grupo de pesquisas e demostrava a todo momento sua preocupação com a situação em Anezir.
- Desculpem o atraso, mas acho que me perdi.
- Sente-se Doutor - disse Hendrik- . Espero que tenha os alojamentos sejam de seu agrado.
- São excelentes Capitão. - respondeu enquanto se sentava.- Bem melhores do que eu esperava.
- Ótimo. Convoquei esta reunião para discutir o nosso atual problema. Quero saber o que estamos enfrentando em Anezir.
- Agradeço sua preocupação Capitão, mas sua responsabilidade é apenas nos fazer chegar lá.
- Não somos um cargueiro e não é assim que funciona Doutor. A partir de agora o sucesso desta missão é de minha responsabilidade também e preciso de informações para cuidar que faça o seu trabalho da melhor maneira possível.
- É típico dos militares meter o nariz onde não são chamados.
- Não pretendo perder tempo com considerações desnecessárias e uma vez que minha tripulação vai estar exposta precisamos de informações.
- Já que é assim ! - resignou-se - A algumas semanas recebemos informações de alguns observadores da Federação de que haviam sinais de uma epidemia de uma doença desconhecida pelos locais. Inicialmente apenas focos mas que rapidamente se espalharam pelo planeta, e esta velocidade sugeriu algum tipo de virose. Eles retornaram com amostras de sangue de pessoas contaminadas e identificamos um agente muito parecido com o vírus da Varíola, comum na Terra do inicio do século XX. Uma vez identificado o Vírus fomos capazes de sintetizar uma vacina que acreditamos que será capaz não só de deter o avanço da doença como reverter o quadro de muitos doentes, e para isto o tempo é vital.
- Este vírus pode nos infectar ?
- A principio não. As pessoas que retornaram com as amostras foram expostas antes de saber do que se tratava mas não apresentam nenhum sinal de desenvolvimento da Doença. Sei que a doutora Carter recomendou que em caso de contato que sua tripulação fosse vacinada, mas creio não ser necessário.
- Sou o Capitão mas a saúde da tripulação é de responsabilidade da Dr.a e se ela recomendou que os homens sejam vacinados, eles serão, e para isto ela precisa ter acesso aos dados de sua pesquisa para poder alterar a vacina.
- Se prefere desta maneira , por mim tudo bem.
- Doutor Adams - chamou Sevok - Já foi possível identificar a origem do Vírus ?
- Ainda não. Nossa prioridade é deter o avanço da doença por enquanto, entretanto acreditamos que o desmatamento de Florestas até então inacessíveis tenham causado isto, tal como no passado da Terra. Os primeiros focos foram localizados em algumas das novas áreas agrícolas do planeta. Talvez seja possível descobrir algo a este respeito se eu puder continuar com meu trabalho durante a viagem.
- O senhor poderá usar nossos laboratórios para suas pesquisas e a Dr.a Carter o acompanhara a fim de ajuda-lo no que for necessário.
- Não encare isto como pessoal, mas gostaria de trabalhar sozinho Capitão, se for possível.
- Infelizmente isto não é possível Doutor, pois esta é uma nave militar e não podemos permitir que civis acabem metendo o nariz onde não são chamados. Regulamentos, o senhor entende.
- O senhor foi bem claro Capitão. - Adams respondeu em tom acido.
- Krieg, quero que selecione um grupo de pessoas da segurança para que sejam instruídos e preparados para descer ao planeta se necessário. Eles devem receber conhecimentos médicos básicos e Mombassa poderá ajuda-lo nisto enquanto a Dr.a Carter estiver ocupada.
- Farei isto, Capitão.
- E Jean Paul, precisamos do máximo que os motores puderem nos dar durante esta viagem.
- Nosso limite para a atual velocidade é de 36 horas Capitão. Não sei quanto tempo aguentamos mais sem explodir.
- Teremos que aguentar o máximo possível.
- Farei o que puder.
- Cashmir, algum dado adicional sobre nossa rota ?
- Nada novo. Área perigosa onde por várias vezes foram registradas atividades piratas, que tem como seus clientes preferenciais os Maquis que segundo suspeitas também mantém algumas bases por lá. OS Romulanos já usaram muito a área como base para lançar espiões, mas atualmente eles não são problema.
- Recomendações ?
- Alerta amarelo, e acho melhor manter os escudos levantados, armas de prontidão e postos de combate durante todo o trajeto. Se existirem Maquis por lá eles não serão problema, pois não gostam de chamar a atenção, mas piratas quando atacam costumam faze-lo de surpresa. Não creio que vão tentar a sorte conosco, mas é bom não descuidar.
- Faremos desta maneira então. Se ninguém tem mais nada a dizer, estão todos dispensados.
Todos então se levantaram a fim de voltar as suas atribuições, inclusive um irritado Doutor que saiu parecendo um tornado enquanto Eleonor, a ultima a sair virou-se para Hendrik dizendo :
- Você me paga.
- Nem tudo são flores na profissão Doutora, sinto muito. - respondeu dando de ombros. Ela saiu pelo corredor tão rápido quanto seu colega quase atropelando Seymor que aguardava Hendrik do lado de fora da sala.
- Parece que ela não gostou muito da tarefa !? - disse num raro sorriso enquanto se punha a caminhar ao lado Hendrik.
- Por que você acha isto ?
- Intuição !? respondeu com cara de gaito.
****
Diário de Bordo . Data Estelar ?????
Estamos viajando a 48 horas e salvo a insatisfação de meu engenheiro e a pressa do Doutor Adams tudo corre bem. Estamos atravessando agora a área mais critica do trajeto e seguindo as recomendações de Cashmir a nave está em alerta amarelo. A doutora Carter continua acompanhando seu colega de profissão em sua estada na Avenger e quanto a mim, não sei de fico aliviado ou decepcionado por estar servindo de cargueiro de luxo ao invés de participar das ações contra os Dominions, mas deve ser uma viagem rápida e logo devemos ter ação de verdade.
Fim do Registro.
Algum tempo depois Hendrik estava na ponte verificando os mapas da área e controle tático ao lado de Cashmir que se mostrava bastante animada com isto, uma vez que raramente ela havia sido realmente solicitada nos últimos meses pelo simples fato de que não houve motivo para isto. Como a grande maioria da tripulação ela tinha pouca experiência mas se em outras áreas isto podia ser contornado de alguma forma, no posto tático era quase inaceitável e ela sabia que estava ali simplesmente por que Hendrik decidira dar a ela a chance que deu a todos os outros, mas estar era uma coisa, e manter-se era outra e exigiria dela atenção, dedicação e acima de tudo precisão e ela agarrava cada oportunidade que tinha de demonstrar a Hendrik que podia estar ali, e justamente por isto se esmerava nas leituras e avaliações que fazia.
- Parece que tudo está morto lá fora Tenente. Creio que não vamos ter problemas, não acha ? - esta era uma pergunta retórica apenas para saber que tipo de resposta ela daria.
- Acredito que não teremos problemas apenas por que poucos seriam loucos o suficiente para atacar um cruzador da Federação senhor, mas esta área é amplamente utilizada para encobrir atividades não autorizadas e é melhor nos mantermos atentos somente por garantia.
- Andou fazendo o dever de casa, tenente ? disse ele ainda inclinado sobre a estação dela.
- Acho que a resposta correta é sim, se entendi a pergunta, senhor ! respondeu a tenente vendo um breve sorriso surgir e desaparecer rapidamente no semblante do capitão.
Mas não era só Cashmir que estava alerta, as atenções estavam redobradas enquanto a nave atravessava o setor e eles mantinham-se alertas para qualquer eventualidade, embora aquela região do espaço fosse particularmente desprovida de qualquer motivo de interesse especial e totalmente inexpressiva. Algumas estrelas claudicantes iluminavam inutilmente planetas sem vida, e corpos das mais variadas proporções e massa vagavam pelo espaço sem destino, sem propósito. Mesmo assim a região ainda chamava a atenção de seu oficial de Ciências que também mantinha-se atento aos sensores da nave por solicitação do Capitão, e como Vulcano sempre achava algo a registrar, que neste caso era uma estrela classe K que se diferenciava das outras por sua instabilidade que causava fortes explosões de radiação e ejeção de matéria e tinha sido identificada por ele como a fonte das tempestades solares que havia captado e anotado como algo a informar para atualizar os registros de navegação de outras naves que viessem a passar por ali, na suposição de que outra nave ainda não o tivesse feito. Separou todas as suas anotações mentais a fim de fornecer ao capitão apenas dados que poderiam ser de seu interesse neste momento e com certeza cartografia estelar não estaria nesta lista.
- A única coisa diferente a relatar são destroços Capitão. Sensores não acusam nada além disto.
- Continue monitorando Sevok e vamos torcer para que continue assim.
- “Torcer” !? Capitão ? - disse o oficial de ciências fazendo o clássico gesto Vulcano inclinando uma das sobrancelhas.
- Deixa par lá. - balançando a cabeça e sorrindo novamente o mesmo sorriso breve de antes, mas desta vez junto com Cashmir enquanto ouvia soar o intercom.
- Carter para Hendrik.
- Hendrik falando.
- O Doutor Adams solicita permissão para vir a ponte. - Hendrik olhou desanimado para seu primeiro oficial. Não havia nenhum motivo para que ele ficasse tanto tempo na ponte como havia estado nas ultimas horas, pois Seymor ou mesmo Alejandro podiam lidar com as tarefas que haviam surgido durante a viagem, mas Hendrik havia abdicado do prazer de vagar pela nave apenas para não correr o risco de esbarrar com Adams por ai, mas agora sentia-se encurralado. - Encurralado na ponte de sua própria nave ! - pensou. Mas acabou resolvendo atender a solicitação de Eleonor para tentar estabelecer uma política de boa vizinhança e também por que devia a sua amiga alguns minutos de descanso desta obrigação.
- Concedida - respondeu Hendrik após analisar o pedido por alguns segundos. Ponte desliga.
- Não parece muito satisfeito em recebe-lo !?. - Comentou Seymor notando o desconforto de Hendrik.
- Não me sinto muito a vontade com ele por perto. Sei que esta preocupado com a situação em Anezir mas ele fica contando o tempo a cada instante e chega a ser irritante.
- Eu o tenho visto muito pouco pela nave.
- Agradeça a Eleonor que tem aturado o mau humor dele.
A porta do elevador se abriu de onde saíram Eleonor e o Doutor Adams.
- Capitão, obrigado por permitir esta visita. Tenho passado tempo demais trabalhando e pensei em dar uma olhada no espaço.
- Isto pode ser feito da sala de observação, e nossa sala de cartografia estelar pode ser em local excelente também.
- Entendo, mas tem de concordar que a visão que o senhor tem daqui é privilegiada.- Hendrik não fez muita questão de parecer agradável e limitou-se a uma resposta seca e formal.
- Espero que nossas instalações de pesquisa estejam sendo eficientes o suficiente para suas necessidades.
- O que posso dizer ? Tudo aqui é bem impressionante ainda mais depois de ter passado dois dias me arrastando no USS Freedom.
- Tenho certeza que a Capitã Ivanovich fez o melhor que pode doutor Donald mas a Freedom tem limitações, e é por isto é que o senhor está aqui agora com suas vacinas.
- Claro. - deu uma longa olhada ao seu redor observando a complexidade dos instrumentos da ponte de comando, até continuar a frase - Olhando esta nave tenho a impressão de que a Federação vem se preocupando mais com a Frota Estelar do que com a pesquisa em outras áreas.
- O senhor pode estar certo e quem sabe devêssemos desmontar nossos cruzadores e pedir uma carona aos Borgs ou aos Jem'Hadar quando o senhor precisar levar medicamentos para algum planeta a milhares de anos luz de distância ?
- Desculpe Capitão, não tive a intenção de ofende-lo ou a algum de seus tripulantes, mas estou nervoso. A situação em Anezir é grave.
- Posso entender isto.
- Pode me dizer quanto tempo falta para chegarmos ?
- Um pouco mais de 6 horas.
- Creio que ganharemos um tempo valioso então.
- Se nossos motores aguentarem.
- Capitão !? - Chamou o alferes responsável pelas comunicações.
- O que foi Andrei ?
- Estou captando um sinal em frequência da Frota estelar. Um S.O.S.
- Ponha nos alto-falantes.
- Aqui é a USS Livingston em 10583 marco 4. Fomos atingidos por provável campo minado. Danos ao casco e envenenamento da ar. Grande parte da tripulação fora de ação. Precisamos de ajuda. Aqui é a,,,,
- Sinal automático senhor. A mensagem se repete.
- Quanto tempo para chegarmos lá Alejandro ?
- 30 minutos em dobra máxima.
O doutor Adams ficou aflito ao perceber que Hendrik poderia pensar em ir até a origem do sinal.
- Não pode ir até lá Hendrik. Não temos tempo.
- Isto quem resolve sou eu Doutor, agora se não se controlar e ficar quieto vou mandar retira-lo da ponte. - Adams não gostou mas calou-se.
- Sevok, existem outras naves na área que possam ajudar a Livingston ?
- A mais próxima é a Freedom e vai levar cerca de 28 horas para chegar aqui levando em consideração suas limitações de velocidade.
- Andrei, Informe a Capitã Ivanovich e diga que precisamos que venha para cá o mais rápido possível.
- Sim senhor.
- Eles vão demorar muito tempo para chegar aqui. - Seymor estava preocupado e não gostaria de estar na situação de Hendrik agora. Se fossem ajudar a Livingston perderiam muito tempo e se não fossem os tripulantes da nave acidentada poderiam morrer se é que já não estavam mortos uma vez que o sinal de socorro era automático.
- Sei disto. Que tipo de nave é a Livingston, Sevok ?
- Cruzador avançado de Combate Classe Excelsior reformada, 520 tripulantes e comandada pelo capitão Mathias Peterson em missão de patrulha neste setor.
- Alejandro, vamos interceptar a Livingston. Dobra máxima.
- Não pode ! - Adams saltou da cadeira onde havia se sentado - Não temos tempo e a Freedom pode ajuda-los.
- A Freedom vai demorar muito para chegar aqui e tenho obrigações a cumprir e elas incluem atender pedidos de socorro o que me obriga a dar uma olhada e checar a situação. Se eles puderem aguentar vamos deixar com Ivanovich.
- E se não puderem ?
- Não antecipo problemas.
- Curso marcado, Capitão. - informou Iglesias.
- Acionar.
****
O bar do salão de recreação estava bastante frequentado aquela altura, o que era comum devido aos vários turnos de trabalho que faziam sempre com que houvesse muita gente de folga. Estas pessoas mais do que bebidas, que podiam ser pedidas nos processadores em outra áreas da nave desde que não se estivesse de serviço procuravam companhia para diversão ou uma boa conversa ou qualquer coisa que os fizesse encolher a rotina as vezes monótona de uma nave estelar. O volume de pessoas saindo, chegando, circulando pelo local atras de rostos conhecidos, jogando xadrez ou qualquer outro coisa, alguns falando baixinho discretamente outros em sonoras gargalhadas que se espalhavam pelo o ar tornava quase inexpressiva a figura de um certo oficial solitário em uma mesa ao fundo que ficava bem de frente para uma das janelas de observação do espaço e a única coisa que poderia chamar a atenção para ele era justamente o contraste que fazia com a movimentação ao seu redor. Sua única companhia era um copo de suco de laranja que a meia hora atras devia estar gelado, mas agora seria intragável. Foi este contraste que chamou a atenção de Melissa quando ela chegou e a fez notar que era Jean Paul a figura solitária e contemplativa. Continuou até alcançar o balcão onde um homem negro de estatura media aparentando uns cinquenta anos e com um grande sorriso paternal a recebeu.
- Olá menina ! Vai querer o de sempre ?
- Sim Josh, suco de laranja a 4 graus. - respondeu ainda olhando para Jean Paul.
- Isto ainda vai matar você. - a jovem alferes riu brevemente do comentário feito pelo Tenente Josh Neumam, o oficial responsável pelo bar. Na verdade Josh era o responsável por toda o departamento de recreação da nave, mas gostava de passar a maior parte do tempo possível no bar, servindo bebidas e ouvindo as pessoas. Ele sempre dizia que era importante manter a tradição do barmam viva, mas ela não ligava muito par isto, apenas o achava divertido e como era um dos mais velhos tripulantes sempre tinha uma boa estória par contar. Mas o velho Josh tinha outras qualidades e uma delas era perceber o estado de espirito das pessoas com quem lidava e pode ver a preocupação de Melissa estampada em seus olhos. Ela ainda olhava na direção de Jean Paul.
- Ele está ali desde que chegou, olhando pela janela. Acho que a mudança de rota o deixou assim, afinal ele contava em ver a família.
- Como sabe disto ? - perguntou a alferes voltando-se novamente para o seu interlocutor.
- Existem poucas coisas que este velho diabo não saiba trabalhando atrás deste balcão.
- Já que sabe de tudo me responda uma coisa. O Comandante Seymor já sorriu algum dia ?
- Esta é uma pergunta impossível até para mim, minha jovem. - ambos riram, mas logo Melissa voltou ao assunto.
- De qualquer forma você deve ter razão. Ele estava feliz antes de recebermos ordens de mudar o curso.
- Acho que ele precisa de um amigo.
- Sim, mas não creio que eu não seja a pessoa mais indicada para isto. Não saberia nem por onde começar.
- Bem, se eu fosse você apenas me sentaria lá e deixaria que ele decidisse isto. Você é uma amiga, não é ?
- Creio que sim, mas não estou bem certa se é a melhor coisa a fazer !
- Se não tentar não vai saber. - ela olhou dentro dos olhos de Josh e não podia se livrar daquele sorriso calmo, sereno e gentil que via no homem que acabou lhe dando coragem.
- Tudo bem, mas me dá um Martini antes. - disse ela levantando-se num impulso.
- Agora sim ! Não exatamente a bebida dos deuses, mas já é uma evolução. - ela não respondeu, mas apenas pegou seu copo e seguiu na direção da mesa onde ele estava que só percebeu sua aproximação quando ela parou a seu lado.
- Posso me sentar aqui, Senhor ?
- Claro que sim Melissa, mas acho que não estou sendo uma boa companhia hoje. E pode deixar o senhor por enquanto.
- Logo o Gart deve estar por aqui. Ficamos de nos encontrar quando eu terminasse meu turno.
- Sorte sua então.
- Desculpe me intrometer senhor, mas notei que não estava na engenharia quando sai de lá.
- Não tem por que se desculpar. As máquinas estão fazendo seu trabalho e o Farrel pode cuidar das coisas por algum tempo, além do mais a única coisa que podemos fazer agora é ir em frente enquanto os motores aguentarem.
- Mas encontra-lo aqui não é uma coisa comum. Algo errado ?
Jean Paul pensou um pouco, girou o copo de suco entre as mãos enquanto fitava o que deviam ser estrelas que passavam em velocidade de dobra e sem desviar o olhar respondeu:
- Saudades da família, eu acho. Esperava poder ver Anne e os meninos depois de seis meses ziguezagueando pela Zona Neutra e esta mudança de rota inesperada vai atrasar isto mais um pouco.
- Se me perdoa a franqueza, o senhor sabia o que significava aceitar servir a bordo de uma nave estelar.
- Sim eu sei disto, mas estávamos indo para Terra e não contava com esta mudança repentina.
- Posso estar sendo muito atrevida para uma Alferes, mas isto também me parece ser muito comum.
- Sabe o que dizem sobre acharmos que certas coisas nunca acontecem com a gente, só aos outros, até que um dia a gente descobre que o outro somos nós !?
- Gosto muito de trabalhar com o senhor, mas não sei se foi uma boa escolha a sua. Vai sofrer muito com a ausência deles.
- Hendrik me disse a mesma coisa há algumas horas atras e na ocasião eu parecia mais seguro do que estou agora, talvez por que estávamos indo para casa, o que pode ter me deixado um pouco mais confortado na hora, mas agora ,,,,
- Mas agora que não sabe quando vai velos novamente voltou a ficar em duvida !?
- Acho que é isto.
- Qual o motivo que o levou a aceitar vir para cá ?
- Não sei se há um motivo fácil de explicar. Me tornei engenheiro nem sei bem por que, mas todos diziam que eu era bom, apesar de meio desligado as vezes e quando dei por mim estava saindo da academia formado e sem saber ao certo onde ir quando fui chamado para trabalhar na área de projetos da Frota como estagiário. Algum tempo depois conheci Anne e logo nos casamos e vieram as crianças que eu adoro. Eu tinha a certeza de que esta era a receita da felicidade. Então veio a viagem de testes desta nave e os problemas com os Romulanos e eu me vi com a necessidade não mais de ser um projetista burocrata ditando especificações para um computador mas de ser responsável por vidas, de saber que meu trabalho contava para manter esta nave inteira e todos a salvo. Não me entenda mal, não sou megalomaníaco e sei que dependo de vocês tanto quanto vocês dependem de mim, mas eu me vi de uma forma diferente do que antes.
- Mas o trabalho nos estaleiros também é importante Jean Paul, se não quem construiria as naves ?
- Claro que é importante, mas lá uma pessoa é só mais uma pessoa e por melhor que alguém possa ser sempre haverá por perto alguém tão bom quanto você caso você falhe, e aqui não há como requisitar um novo engenheiro por memorando a eu tenho que cuidar não só do meu trabalho, mas também de ter certeza que vocês podem fazer bem o seu, mesmo sem mim. Temos que estar prontos, eu, você, cada um de nós tem que se virar dependendo da Necessidade.
- Resumindo, se sente mais útil agora do que antes !
- Mais que isso, me sinto mais vivo do que antes.
- Mas sua família não lhe faz sentir vivo ?
- Sim faz, mas existem mais coisas além disso. Antes de aceitar este cargo tive uma longa conversa com minha mulher e ela disse que sempre teve vontade de conhecer outros planetas e suas culturas e que já havia pensado até em entrar na Frota também mas nunca teve coragem de falar comigo sobre o assunto por causa de minha decisão de declinar da possibilidade de seguir carreira para ficar com ela na Terra, e ai eu vi que havia transformado os meus anseios nos dela sem saber.
- Complicado isto tudo. Nada muda o fato de que está longe deles e sente saudades !
- Mas ao mesmo tempo estou fazendo algo que quero e dando a eles a chance de escolherem o seu caminho sem minha interferência. A guerra Dominion vai acabar um dia e quem sabe eles possam até vir par cá.
- Acho que não tenho muito a lhe que dizer que possa ajuda-lo. Não sou muito experiente sobre este assunto.
- Você já fez bastante em me ouvir, obrigado.
- Sempre que quiser pode ficar a vontade, se não se incomodar em dividir seus problemas com uma alferes.
- Isto não vai ser problema. - Enquanto conversavam Gart chegou ao bar e quando viu Melissa foi ao seu encontro com um sorriso que se desfez ao som de Intercom antes que ele tivesse pelo menos a chance de cumprimenta-los.
- ATENCÃO ! ALERTA AMARELO ! TODOS OS CHEFES DE DEPARTAMENTO AS SUAS SECÕES. PESSOAL DE APOIO DEVE SE DIRIGIR AOS SEUS POSTOS.
- Essa não. Era só o que faltava. - reclamou o alferes largando o copo que trazia em cima da mesa enquanto Jean Paul e Melissa levantavam apressados.
- Vamos rapaz, - disse ela puxando Gart pelo braço. Acho que precisam de nós.
- Por que tenho a impressão que você parece gostar disto ?
****
Diário de bordo. Complemento.
Estamos agora em novo curso para interceptação da nave da Frota Estelar acidentada USS Livingston em resposta ao seu sinal de socorro. Não temos idéia do que pode ter acontecido a ela e para ajudar o Doutor Donald Adams faz questão de demostrar sua insatisfação com minha atitude mas não posso ignorar um pedido de ajuda.
Fim do Registro.
****
Enquanto a Avenger seguia seu caminho, Hendrik era continuamente importunado por Adams.
- Farei uma queixa contra esta sua atitude junto ao comando da Frota Estelar.
- Vá em frente. Já tenho até hora marcada com a Almirante Hernandez.
- Capitão, estamos ao alcance dos sensores. Já temos a Livingston no painel. - reportou Sevok.
- Visual.
A imagem da nave a deriva aquela distância ainda não dava a perspectiva do poderia ter acontecido.
- Magnificar. - o visual aumentou a ponto de poder ser possível identificar os rombos no casco da nave em toda a sua extensão. Eram pequenos mas numerosos, porém podiam ser facilmente contidos pelos campos de forca.
- Vamos sair de dobra Alejandro.
- Capitão - chamou Sevok - Já temos leituras. Danos em toda a extensão do casco mas a nave não apresenta falhas estruturais, o computador está fora de operação, pequenos danos na engenharia. O Ar está contaminado por resíduos de Deutério mas o suporte de vida esta trabalhando para descontaminar o ambiente. Em dez minutos poderemos mandar um grupo até lá se quiser.
- Cashmir, acionar raio trator.
- Raio trator ativado.
- Sinais de vida, Sevok ?
- Quatrocentos e oitenta e dois embora estejam muito fracos. Parecem desmaiados provavelmente devido a contaminação.
- Algum sinal do que poderia te-los atacado, Cashmir ?
- Negativo. Não consigo identificar traços de nenhuma arma conhecida mas os índices de radiação são altos, embora eu não possa identificar sua origem.
- Seymor prepare um grupo avançado para descer assim que for seguro.
- Estou a caminho.
- Creio que isto me diz respeito- disse Eleonor já se levantando -. Doutor Adams, terei que deixa-lo agora.
Adams nada respondeu evidentemente contrariado por aquela parada fora dos planos. Eleonor desceu com Seymor em direção a sala de transporte também preocupada com os acontecimentos.
- Irônico não é Seymor ? Ficamos seis meses absolutamente sem nada para fazer e agora isto.
- Pois é ! Tudo ao mesmo tempo, e o doutor Donald ficou bem irritado.
- Ele está querendo que os doentes de Anezir recebam logo a vacina.
- Sei disto mas não podemos deixar de atender a um pedido de socorro, não acha ?
- Claro que sim. Sei que Hendrik tem suas responsabilidades, mas a cada hora de atraso mais pessoas podem morrem em Anezir.
- Tentaremos ser rápidos então. - e deu um de seus raros sorrisos.
Ao chegarem a sala de transporte encontraram Jean Paul e Krieg que formariam o restante do grupo avançado. Farrel estava pronto para o transporte e Seymor deu suas ultimas recomendações.
- Atenção todos. A nave é das nossas mas não sabemos o que aconteceu por lá portanto todos com Phasers a mão em tonteio máximo. Vamos lá. Farrel, leve-nos direto a ponte.
- Sim senhor.
- Acionar.
Em instantes o grupo se materializou no ponte da Livingston. As luzes piscavam em vermelho e o som estridente do alerta se repetia inutilmente, pois todos os tripulantes estavam desacordados. Podia-se ver que alguns tinham ferimentos mas a grande maioria estava somente desmaiada uma vez que estavam respirando e sem nenhum dano físico aparente.
- Atmosfera está O.K. - informou Eleonor enquanto passava a procurar pelos feridos mais graves. Jean Paul aproximou-se do console de uma das estações de monitoração e verificou alguns diagnósticos rápidos no computador principal.
- O computador sofreu danos mas pode ser recuperado com a troca de alguns Chips Isolineares danificados.
- Cuidaremos disto depois. Vá com Krieg até a Engenharia e vejam qual é a situação por lá. Quero um relatório e rápido. Não podemos ficar aqui muito tempo.
- Estamos a caminho.
Enquanto os dois seguiam para a Engenharia Seymor desligou o alerta e normalizou as luzes. Em seguida foi até o gravador de registro para tentar saber o que aconteceu. Ele estava curioso com o fato de nem o capitão Peterson nem o primeiro oficial estarem em seus postos. Passou o registro até o fim do marcador e depois começou a voltar lentamente até achar o local onde estava a imagem da nave sendo atingida. Voltou mais um pouco e deixou passar novamente. A gravação mostrava os oficiais da ponte tranquilos, não havia nenhum alerta nem nada que fizesse suspeitar que a nave seria atacada quando de repente explosões vindas de vários lugares ao mesmo tempo. A nave adernou lançando todos ao chão. As explosões continuaram até que os escudos fossem levantados. Enquanto eles se preocupavam com os reparos um após o outro os tripulantes começaram a cair desacordados. Não houve mais ataques. Eleonor continuava seu trabalho tentando cuidar dos feridos.
- E então Doutora . O que descobriu ?
- Envenenamento por Deutério como já suspeitávamos.
- Provavelmente o Deutério usado no reator principal vazou. Não entendo o que aconteceu aqui !? Os sistemas automáticos de descontaminação não funcionaram, provavelmente por causa da falha no computador, mas pelo que vi nos registros eles não estavam prevendo nenhum ataque eminente. Os danos causados foram grandes, mas não deviam ser o suficiente para por o sistemas primários em tão mal estado.
- Poderiam ser Romulanos ou alguma outra nave camuflada ?
- Não creio, pois teríamos identificado os traços das armas deles.
- Seymor então foi através do comunicador.
- Jean Paul chamando Comandante Seymor.
- Aqui é Seymor.
- Chegamos na engenharia e as coisas até que não estão tão ruins assim. Danos leves aos sistemas principais, motores de impulso e sistema de escudos mas tem uma coisa estranha aqui.
- O que é ?
- Pelo que pude ver parece que toda a parte operacional da nave estava sendo controlada pelo computador .
- Explique.
- Todos os sistemas estão ligados a ele. Armas, forca, defesas, Suporte de vida, tudo. O pessoal aqui devia estar apenas monitorando o processo.
- Quer dizer que o computador controlava a nave ?
- Não exatamente. As ordens eram dadas pelo comando, mas quem executava era o computador.
- E o que dá para fazer em relação aos reparos ?
- Podemos voltar a ter os geradores principais funcionando assim o computador estiver On-line novamente. Os motores de dobra é que vão demorar mais pois o reator de matéria-antimatéria só vai voltar a operar depois que consertamos e limparmos os injetores de Deutério. Se pudermos trazer uma equipe para cá da para colocar a nave operacional em cerca de quatro horas.
- Quatro horas !? Você disse que os danos foram mínimos !? Por que tanto tempo?
- Consertar os sistemas é rápido mas descontaminar os injetores é que leva tempo.
- Certo Jean Paul . E quanto a tripulação da nave ?
- Todo mundo do mesmo jeito que encontramos na ponte. Pelo jeito a nave toda está assim.
- Entendido. Aguarde novas ordens.
- terminou de conversar com o engenheiro e voltou então para Eleonor
- E então doutora ?
- Esses aqui dá para recuperar se forem tratados logo, mas terei que ver os outros e são muitos. Vou precisar de ajuda.
- Verei o que podemos fazer.
- tocou o comunicador no peito
- Seymor para Avenger.
- Aqui é a Avenger. Pode falar Seymor.
- Precisamos de ajuda aqui Capitão. Temos muitos feridos e a Engenharia precisa de reparos.
- Descobriu o que aconteceu ?
- Alguma coisa, mas nada que explique a forma ou pelo que foram atingidos.
- Vou mandar equipes para ajuda-los e irei para ai em seguida. Avenger desliga.
Na Avenger enquanto Hendrik checava o resultado das leituras dos sensores com Sevok e acompanhava a progressão do grupo avançado, Adams ficava cada vez irritado.
- Capitão, ele não está se demorando demais ?
- Estamos demorando o tempo que julgo necessário Doutor Donald e meu pessoal sabe fazer seu trabalho.
- Hendrik que se mantinha de lado de seu oficial de ciências respondeu sem sequer se dar ao trabalho de olhar para seu hospede irritante, que continuava insistindo:
- Por que simplesmente não transporta aquelas pessoas para cá e vamos embora?
- Hendrik virou-se então para o doutor e enquanto caminhava em direção a cadeira de comando disse :
- São quatrocentos e oitenta e duas pessoas precisando de tratamento médico Doutor. Nossa enfermaria não cabe tanta gente. Se quiser mesmo ir embora logo por que não vai até lá e ajuda um pouco ao invés de ficar aqui reclamando? Acho que ainda é médico não é ?
O Doutor Adams não disse nada. Era evidente o estado de agonia em que se encontrava. Pensou um pouco em tudo aquilo que estava acontecendo enquanto Hendrik começou a distanciar-se da cadeira de comando passando instruções a Alejandro.
- Vou até a nave Alejandro. Assuma o comando e mande o pessoal da engenharia preparar a maior equipe de reparos que puderem e envie para a Livingston. O mesmo vale para a enfermaria.
- Entendido.
Antes que ele entrasse no elevador o Doutor Donald o chamou mais uma vez.
- Capitão Hendrik !
Hendrik parou, contou silenciosamente até dez para não explodir e virou-se para o médico esperando por mais uma reclamação.
- O que é agora Doutor ?
- Gostaria de acompanha-lo até a nave. Acho que tem razão e talvez eu possa ser de alguma ajuda.
- Assim é melhor. Venha comigo.
Alguns minutos depois de estarem a bordo o doutor já se ocupava em ajudar a Doutora Carter esquecendo um pouco as queixas constantes enquanto as equipes de reparos começavam a trabalhar. Seymor conseguiu acessar os registros do diário de bordo e acabava de passar para Hendrik o que havia descoberto enquanto caminhavam para a enfermaria .
- ,,,,,,e eles estavam testando um programa de automatização dos sistemas quando foram apanhados. Acredito que o ataque inesperado tenha deixado o computador sobrecarregado e por isto o circuito de emergência tenha falhado permitindo a contaminação, mas segundo Jean Paul os reparos principais não devem demorar mais que duas horas e em quatro horas todos os sistemas estarão disponíveis.
- Só que não temos este tempo e temos feridos demais, e ainda resta saber o que foi que atingiu a nave. Não conseguimos nenhuma pista até agora.
Chegaram até a enfermaria onde as equipes trabalhavam frenética e precariamente por culpa da falta de espaço, o que fez com eles demorassem um pouco para encontrar Eleonor no meio da confusão. Depois de alguns minutos e muitos esbarrões conseguiram localiza-la.
- Doutora !?
- Hendrik a chamou enquanto ela terminava de dar algumas instruções a um auxiliar e foi ao encontro dos dois.
- Capitão !
- A situação parece bem ruim por aqui !
- Nem me diga. Nunca vi tanta gente ferida ao mesmo tempo.
- Qual é a situação dos tripulantes ?
- Tivemos muito pouco tempo para um diagnostico preciso mas pelo que pudemos levantar até agora cerca de 150 vão estar de pé em duas a três horas, 200 vão levar um pouco mais de tempo para se recuperar mas não preocupam. 132 são graves ou por exposição excessiva ao gás Deutério ou por ferimentos causados pelas explosões. Contabilizamos trinta e oito baixas. Localizamos o capitão e o primeiro oficial entre os feridos e eles fazem parte do segundo grupo.
- É uma boa noticia mas não ajuda muito em nossa atual situação. Não podemos deixa-los aqui no estado em que estão e não temos condições de levar todos.
A conversa foi interrompida pelo som do comunicador da nave.
- Engenharia para comandante Hendrik.
- Pode falar Jean Paul.
- Sistemas principais recuperados parcialmente. Suporte de vida e sistemas primários em operação normal, o computador está reparado, mas como eu esperava ainda não temos forca de dobra, apenas conseguimos dar um jeito nos motores de impulso e podemos nos mover desta forma apenas para manobrar por enquanto. Propulsores e estabilizadores disponíveis. Fizemos o que foi possível neste tempo, Capitão mas o restabelecimento total dos sistemas deve levar mais umas seis horas.
- Sistemas de defesa ?
- Lançadores de torpedo, mas sem travas de alvo pois os sensores de longo alcance ainda estão com problemas e devo levar mais meia hora para deixa-los prontos. Escudos mínimos podem ser ativados se for de extrema necessidade.
- Entendido. Continue nos mantendo informados. Hendrik desliga.
- As noticias não parecem boas ?
- disse Eleonor.
- Levando em consideração todos os fatores, até que não são ruins.
- O que pretende fazer ?
- Por enquanto vamos colocar este barco no prumo.
- Hem !!! ????
- Deixa par lá. Hendrik para Avenger.
- Aqui é a Avenger Capitão, Iglesias na escuta.
- Mande Gart para cá Alejandro. Já temos alguns sistemas funcionando e quero liberar a Avenger.
- Entendido. A propósito, acho que encontramos algo interessante enquanto estiveram fora. Pedi a Cashmir e a Sevok que ampliassem um pouco o espectro de varredura dos sensores e localizamos uma formação de centenas de pequenos objetos metálicos não muito longe daqui .
- A mensagem de socorro falava de um campo minado.
- lembrou Seymor.
- Exato. Não parecem emitir nenhum traço de energia mas é bastante estranho. Como estão ao alcance do transporte pensei em trazer um para analisarmos.
- Faça isto, mas tenha cuidado.
- O.k. . Avenger desliga.
- Acha que pode ter algo a ver com o que aconteceu aqui ?
- perguntou Seymor.
- Não temos muita coisa em que apostar por enquanto. É bom dar uma olhada.
****
Na Avenger Iglesias estava empolgado com sua descoberta mas ainda não havia conseguido convencer Cashmir. Sevok tentava obter mais alguma informação com os sensores sem sucesso.
- Não adianta Tenente. Os sensores não dizem mais nada a esta distância.
- Vamos tentar traze-lo para mais perto então. Ponte para sala de transporte 3.
- Prossiga comandante.
- Farrel, estamos passando as coordenadas de um objeto de tamanho próximo ao de um torpedo fotônico e que está a cerca de 40.000 Km. Preciso que o traga a cinco Quilômetros da proa.
- Farei o que puder, mas não posso garantir. É o limite do alcance do transporte.
- Vai conseguir. Traga-o diretamente a frente da seção principal.
- Entendido.
- Cashmir, ponha a posição na tela e vamos ver o que fisgamos.
- Comandante - chamou Andrei - desculpe estar me metendo nisto mas por que não traz o objeto para cá ao invés de transporta-lo para o lado de fora !?. Mesmo próximos as leituras dos sensores podem não mudar muito e talvez seja preciso uma inspeção aqui dentro.
- Pode ser que esteja certo mas não sei o que é aquilo e não quero arriscar demais de uma só vez.
- Este comportamento comedido não lhe é muito peculiar, senhor Alejandro. - comentou Sevok.
- O Hendrik, digo, o capitão vai me matar se eu facilitar. E só para garantir, vamos subir os escudos.
- Nunca é tarde para aprender alguma coisa Sevok. - Cashmir sorriu ao fazer o comentário enquanto digitava alguns comandos. - Escudos ativados, comandante e o objeto está se materializando a nossa frente.
****
Um objeto de aparência cilíndrica de cerca de um metro de comprimento e 80 centímetros de circunferência surgiu na tela aparentemente inofensivo e sem aparentar nada que desse indicio de poderia causar algum dano como os encontrados na Livingston.
- Veja se consegue algo melhor agora Sevok.
- As novas leituras indicam que o artefato emite o mesmo tipo de radiação que eu havia encontrado antes, e a esta distância é possível identificar uma espécie de gatilho no objeto.
- Gatilho !? Para disparar o que ?
- Espere um instante por favor. Estou mudando de novo o espectro de leitura dos sensores para tentar descobrir. - eles aguardavam enquanto Sevok trabalhava, mas não demorou muito para terem uma resposta.
- Dispositivos de TriCobalto acionados por proximidade. Por isto nossos sensores não conseguiam localiza-los e a Livingston deve ter entrado no meio de um campo igual ao que localizamos.
- TriCobalto !? Isto era par ser utilizado somente em demolições ou coisas deste tipo. - Comentou Cashmir espantada, enquanto Andrei e os outros presentes pareciam não conhecer bem o assunto.
- O que seria um "Dispositivo de Tricobalto"? - perguntou o alferes. Cashmir que estava monitorando sua estação foi quem respondeu.
- Estes dispositivos foram utilizados em meados do século 21 pelas naves estelares lançadas a partir da Terra nesta época e são baseados no conceito da Fissão-fusão Nuclear do elemento Cobalto 60. Com o surgimento de novas tecnologias de armas nucleares e dos torpedos de fotóns o uso destes dispositivos foi abandonado como armas.
- Por isto foram pegos de surpresa, a quantidade de radiação gerada pelos dispositivos antes da fissão é mínima. - comentou Andrei e acrescentou :
- Estranho que outras naves não tenham tido o mesmo problema !?
- A maior parte das naves que passam por aqui o fazem em velocidade de dobra. O impacto do campo do Defletor de navegação detonaria as cargas antes mesmo que alguém soubesse da existência deles portanto acredito que este campo minado seja muito antigo. O que aconteceu com a Livingston foi um acidente.
- Muito bom Comandante Iglesias. Estou impressionado.
- Obrigado Sevok. Acho que o capitão vai gostar de saber disto. - respondeu um animado tenente comandante enquanto se arrumava em sua cadeira.
****
De volta a Livingston Hendrik e Seymor estavam a caminho da ponte quando receberam a informação do que Alejandro do que ele havia descoberto.
- ,,,, e acreditamos que tenha sido assim que a coisa aconteceu. Sevok fez o levantamento dos dados sobre este setor e descobriu registros de guerras interplanetárias a cerca de duzentos anos onde era comum o uso de artefatos como estes. Estes campos devem ter ficado aqui por todo este tempo.
- Agora já sabemos o que aconteceu. Gart já está na ponte, portanto fique a postos para desligar o raio trator. Vamos assumir daqui. Bom trabalho Alejandro.
- Obrigado Capitão mas acho melhor destruirmos o campo que sobrou. Estamos a uma distância segura mesmo para a Livingston.
- Execute. Hendrik desliga.
- Quem diria que seu amigo ficaria esperto em tão pouco tempo.- comentou Seymor.
- Ele tem qualidades, só é meio desligado.
Chegaram a ponte e encontraram Gart verificando os controles de navegação.
- Olá Gart.
- Capitão, comandante Seymor . Verifiquei os sistemas a me parece tudo O.k.. Tomei a liberdade de acionar o visual externo.
- Acha que pode com ela sozinho ?
- Creio que sim. O Tenente Jean Paul reativou parte dos controles automáticos prevendo esta possibilidade.
- Então é com você agora.
- Sim senhor. - Gart sentou-se na estação de navegação, acionou alguns controles e depois chamou a Avenger.
- Aqui é a USS Livingston para Avenger.
- Avenger na escuta , prossiga Livingston.
- Solicito desativação do raio trator. Vamos assumir.
- Tem autorização do Capitão, alferes ?
- Aqui é Hendrik, o alferes Gart tem minha autorização.
- Entendido. Estamos desligando agora.
A nave deu uma leve balançada para a direita. Gart então começou a trabalhar.
- Acionando propulsores e estabilizadores de inércia. Corrigindo angulo em 8 graus. - aos poucos a nave voltou a posição inicial.
- Cancelando impulso e mantendo posição. Estamos livres capitão.
- Ótimo . Aguarde na atual posição.- Hendrik tocou o console na cadeira de comando acionando os comunicadores internos.
- Aqui fala o comandante Hendrik. Todos os oficiais graduados devem se dirigir a ponte imediatamente. Hendrik desliga.
- E agora ? - perguntou Seymor,
- Temos que resolver o que fazer. Já perdemos tempo demais aqui.
Em pouco tempo Eleonor, Jean Paul e o Doutor Adams chegaram a ponte. Hendrik colocou todos a par das ultimas descobertas o que pós fim as especulações.
- Então foi isto o que aconteceu ? - comentou Jean Paul - Estas coisas não deveriam ser assim são perigosas para uma nave desta classe !
- Acho que eles estavam meio desatentos senão teriam notado a formação. Talvez estivessem preocupados com os sistemas automáticos. - respondeu Seymor.
- Isto não é problema nosso agora. - disse Hendrik - O tenente Iglesias destruiu o ultimo campo minado e não há sinal de mais nenhum. Mas agora que sabemos o que aconteceu, temos que voltar nossas atenções para nosso problema principal que está em Anezir, e precisamos ir embora imediatamente. Já perdemos quase duas hora aqui.
- Mas você mesmo disse que não há espaço para todos na Avenger e não podemos deixa-los aqui.- disse Eleonor.
- Sei disto e só vejo uma solução. Vamos transferir os mais graves para a Avenger e deixar uma equipe médica aqui cuidando dos feridos. Também deixaremos uma equipe de Engenharia trabalhando nos reparos e assim que for possível a Livingston irá ao nosso encontro para que possamos leva-la a base estelar mais próxima.
- Acho que não haverá problemas. Se tudo foi um acidente nada mais deve acontecer. - disse Seymor.
- Está ainda é uma área pouco amistosa portanto é bom tomarmos cuidados. Jean Paul, qual a situação dos reparos.
- O problema maior é com o reator Warp. Ele não sofreu danos diretos mas a câmara de Deutério que é usada na reação com a anti-matéria neste tipo de motor se rompeu e precisa ser reparada e descontaminada, como eu já havia dito. Como a potência dos Phasers é amplificada pelos motores de dobra, ficamos sem os dois por no mínimo quatro horas. Podemos ter escudos parciais, lançadores de torpedo e forca de impulso em uma hora, talvez menos. O defletor de navegação não foi afetado e os sensores já estão operando com 50 %. Devem ter capacidade total a qualquer momento.
- Faça o melhor que puder. Vou precisar que fique aqui com sua equipe.
- Sem problemas. Acho melhor voltar ao trabalho então.
- Tem razão, pode ir. - Hendrik estranhou a forma como Jean Paul aceitou bem a tarefa de ficar para traz. Ele havia ficado bastante contrariado com a mudança de planos mas não demostrava isto agora.
- Eleonor, qual a situação dos tripulantes da Livingston no momento e pela próxima hora ?
- Cerca de 65 já começam a retornar aos seus postos, teremos mais 67 em hora, talvez mais alguns.
- Alguém da equipe de comando ?
- Ninguém ! Estão todos vivos, mas fora de ação não posso dizer com certeza quando o capitão Peterson e seu primeiro oficial vão recobrar a consciência.
- Prepare a enfermaria da Avenger para receber o máximo de feridos que puder. Os que estiverem em condições vão para os alojamentos. Vamos tirar o máximo de pessoas daqui e você vai ficar aqui também, Eleonor cuidando dos feridos.
- Entendido.
- Doutor Adams, ficaremos sem nossa médica e com uma nave cheia de tripulantes hospitalizados por isto preciso que o senhor assuma a enfermaria no lugar da Doutora Carter.
- Pode contar comigo.
- Seymor, você fica no comando da Livingston até recebermos ordens da frota. Procure alguém da tripulação que tenha se recuperado que possa servir como oficial de ligação. Pelas contas da doutora você vai ter 132 tripulantes e vamos ver o que podemos mandar da Avenger para cá. Com os sistemas automáticos atuando e a nave reparada deverá ser o suficiente para move-la até a base mais próxima.
- Sem problemas.
- Bem senhores, todos já tem suas tarefas então vamos ao trabalho. Eleonor, assim que você terminar de transferir os doentes vamos embora.
- Estou a caminho.
****
Algum tempo depois todos os preparativos estavam finalizados e as naves prontas, mas era obvio que Hendrik não estava nem um pouco satisfeito em ter de deixar a Livingston para traz mas não havia outra coisa a fazer e ele teria que torcer para que nada demais acontecesse até que pelos menos os motores de dobra fossem recuperados, e era nisto em que ele pensava enquanto observava Seymor sentado na cadeira de comando da Livingston pela tela da Avenger que já estava pronta para partir.
- Agora é com vocês Seymor ! Entramos em contato com a Freedom e ela deve encontra-los em 6 horas.
- Pode ficar tranquilo Capitão, vamos nos virar bem por aqui.
- Boa Sorte. Avenger desliga.
****
Seymor ficou olhando através da tela principal a Avenger manobrar para entrar em velocidade de dobra e deixar a área, e logo que ela ganhou distância passou os olhos ao redor da ponte que estava quase deserta. Além dele próprio, Gart, e o tenente Krieg que ocupava temporariamente o posto tático apenas o subtenente Victor, oficial de comunicações substituto e membro da tripulação da Livingston que foi escolhido para ser oficial de ligação por ser o único membro da tripulação da ponte em boas condições se juntaria a eles. Os pensamentos de Seymor foram interrompidos justamente pela chegada de Victor, um homem que devia ter seus 24 anos, um metro e setenta e cinco, olhos castanhos, cabelos da mesma cor exageradamente curtos mesmo para o estilo militar, que entrou na ponte em um passo tenso embora firme, e com um Datapad em uma das mãos.
- Subtenente Victor se apresentado conforme ordenado, senhor.
- A vontade rapaz e apresente o relatório que eu pedi. - disse Seymor sem aparentemente dar muita atenção ao nevoso rapaz, que empunhou o instrumento que trazia e começou:
- Todo o pessoal disponível já se apresentou aos postos conforme as suas ordens, e incluindo os tripulantes da Avenger temos 213 em serviço com prioridade para as áreas de manutenção, operação dos sistemas de defesa e enfermaria.
- Isto vai ter que dar para o gasto. Assuma o seu posto e estes são o Tenente Krieg e o alferes Gart. - Victor deu um leve aceno de cabeça aos dois e dirigiu-se a estação de comunicações conforme ordenado. Estava a pouco tempo na Livingston e ainda não tinha se acostumado as pessoas e com certeza aquela mudança forcada não ajudou muito. Seymor havia notado algo estranho nele desde que conversou com o subtenente pela primeira vez ainda na enfermaria, que classificou como um nervosismo que não parecia ser somente por causa do acidente.
- Não me parece há vontade, Victor . Sei que a situação não é das mais agradáveis mas podia ter sido pior e logo todos devem estar de volta as seus postos.
- Sei disto senhor, e estou bem, acho que só um pouco assustado ainda. É meu primeiro posto em uma nave estelar e acho que não dei muita sorte.
- Servia onde antes de vir para cá ?
- Alfa Centauri.
- As coisas lá costumam ser mais calmas.
- Com certeza sim.
- Acho que já deve estar a par do que descobrimos sobre as causas do seu acidente, não ?
- Tive a chance de conversar com um dos oficiais da engenharia sobre isto enquanto colhia os dados para o relatório. Se estou enganado batemos em um campo minado !?
- Sim, mas ainda não tive tempo de conversar com nenhum dos tripulantes desta nave sobre o que aconteceu também não tive tempo de ver todos os registros, e ainda estou intrigado com o fato de que aquela formação podia ser detectada. Não entendo como foram pegos e esperava que você pudesse me explicar parte do que aconteceu aqui.
- Preferia não falar sobre o assunto Comandante. Como o senhor mesmo disse poderá ver os registros logo mais.
- Acho que não terei tempo, mas por que não quer falar no assunto ?
- Como oficial de comunicações não me sinto com o conhecimento necessário para emitir uma opinião sobre o que aconteceu.
- Não quero que de uma opinião, apenas que relate os fatos.
- Já que insiste. - Victor havia temido aquela conversa desde que fora informado que seria o oficial de ligação pois sabia que mais cedo ou mais tarde alguém ia perguntar e ele ficaria numa situação difícil, mas Seymor era seu superior e tecnicamente seu comandante agora e além do que tudo o que ele podia dizer fazia parte dos registros da nave, de forma que nada que disseca faria alguma diferença, então arrumou-se na cadeira, pôs as mãos sobre os joelhos e com os olhos fitando algum ponto imaginário no piso começou a falar.
- Aconteceu no inicio do meu turno. Estávamos patrulhando o setor conforme nossas ordens e nada de mais havia sido encontrado. Tudo seguia tranquilo e o Capitão Peterson havia ordenado um busca completa. Navegávamos em forca de impulso para faze-lo e íamos bem, inclusive as funções automáticas que estávamos testando a algumas semanas e parecia que ia ser uma patrulha sem sobressaltos quando o tático informou que os sensores haviam detectado uma formação de centenas de pequenos objetos metálicos a nossa frente.
- Então vocês realmente detectaram as minas, como eu imaginava !?
- Sim, mas ainda não sabíamos que eram minas. Os sensores apenas mostravam os objetos mas não assinalavam nenhum perigo eminente.
- E o Capitão não tomou nenhuma precaução ?
- Ele achou que não eram nenhuma ameaça uma vez que os sensores não registravam nenhum perigo e ordenou que mantivéssemos o curso.
- O primeiro oficial não disse nada ?
- O Comandante Willians insistiu para que ele leva-se a nave para alerta amarelo mas o Capitão disse que não era necessário e que não ia ficar apavorado por qualquer coisa que aparece nos sensores. O resto vocês já sabem.
- Dei uma olhada nos registros pessoais do Capitão Peterson e ele já tem bastante tempo de comando. Difícil entender uma atitude como essa ! - comentou Seymor.
- Comandante, como já disse não quero fazer um julgamento de ninguém mas alguns tripulantes mais antigos comentaram que o Capitão andava estranho ultimamente. Não costumava mais aceitar opiniões mesmo em áreas especificas.
- Como assim ?
- Várias vezes ignorou recomendações técnicas em prol de seu próprio julgamento. Quando instalaram os sistemas automáticos o engenheiro chefe recomendou cuidados pois o sistema poderia ser afetado se os sistemas fossem forcados demais, mas ele ignorou estas recomendações. Era opinião de alguns que ele estava ficando senil e o comandante Willians pensava em informar isto ao comando da frota, mas não houve tempo.
- Bem Victor, esta é uma situação bem desagradável em todos os sentidos.
- Espero que ele se recupere pois me parece uma boa pessoa.
- Veremos.
Seymor ficou calado observando o espaço, pensando na estória que tinha ouvido e lamentando que um veterano de tantas honras conquistadas tivesse sucumbido ao mais traiçoeiro dos inimigos: sua própria mente e esperava que ele próprio não tivesse que passar por isto um dia. Seria preferível para ele uma morte honrosa do que acabar os dias em uma aposentadoria forçada e inútil. Resolveu então colocar sua mente em algo mais útil.
- Krieg, não há muito o que fazer por aqui portanto vou dar um pulo na engenharia e ver se posso ajudar em alguma coisa. Fique de olho em tudo e informe qualquer ocorrência. - disse enquanto de levantava.
- Tudo bem, desde que ande rápido quando eu chamar.
- Tentarei vir correndo. - respondeu já de dentro do elevador.
****
A Avenger seguia para Anezir levando as vacinas, um médico aflito e agora ocupado com os feridos da Livingston e um Capitão preocupado com as pessoas que ficaram na nave avariada. Hendrik não estava nem um pouco satisfeito com ter que deixar aquelas pessoas lá mas era necessário. O Doutor Donald cuidava dos feridos o que lhe deu algo para se ocupar e deixar de falar no tempo além do que até ele podia ver que não devia tocar muito no assunto, pois Hendrik fizera o que fez visivelmente contrariado e não fazia a menor questão de esconder o fato e ainda tentando digerir a situação estava agora conversando com Sevok no seu escritório.
- Estamos a quatro horas de nosso destino Capitão.
- E a situação dos feridos ?
- Poucas alterações. Aqueles que vão apresentado melhora em seu quadro estão sendo levados para os alojamentos para melhorar as condições de trabalho na enfermaria conforme suas ordens.
- E o Doutor Donald ?
- Aparentemente mais resignado, provavelmente por conta do trabalho que está tendo.
- Pelo menos isto.
- Posso notar que está intranquilo, e creio que não estou enganado em creditar este seu estado s situação das pessoas na Livingston, não ?
- Estamos em uma época complicada e não gosto nem um pouco da idéia de saber que eles não podem se defender no momento. Se a nave pelo menos estivesse com todos os sistemas operacionais eu estaria menos preocupado.
- Sabe que o que fez era a escolha mais lógica.
- Sei mas isto não é suficiente para mim como seria para um Vulcano.
- Se permite um comentário a este respeito esta reação é inútil além de desnecessária, uma vez que tomou a melhor atitude possível dada as necessidades.
- Vulcanos são sempre francos assim ?
- Sempre, mas se isto incomoda o senhor, posso tentar ser mais “ameno”, se preferir.
- Não será preciso e já que estamos neste assunto, acha que isto pode me tornar menos eficiente ?
- Embora seja pouco compreensível para mim esta sua posição, acho que não influenciara desde que faça o que for preciso quando tiver que ser feito e isto só depende de você mesmo.
- Mas não acha que se eu pudesse controlar minhas emoções assim como um Vulcano, como você, seria mais eficiente ?
- Capitão, existe um ditado Vulcano muito usado que diz “Eu me regozijo em nossas diferenças”. Mesmo em Vulcano não recriminamos certas atitudes e cada um age sempre de acordo com suas qualidades. Não deve se preocupar com o que poderia ser, mas em melhorar o que é .
- Vou tentar.- bebeu um pouco d'água de um copo que rolava entre seus dedos pensando nas palavras do Vulcano e nos amigos que teve que deixar par traz e não conseguia afastar de si a idéia de que teria que fazer isto outras vezes, e se perguntava se um dia isto lhe seria natural, esperando em seu intimo que a resposta fosse não. Voltou novamente atenção para Sevok.
- Mudando de assunto, gostaria que fizesse uma avaliação do das atitudes do Comandante Iglesias enquanto estive fora.
- Isto é pouco comum, uma vez que ele é meu oficial comandante, Capitão ! - a disciplina de Sevok impediu que ele deixa-se transparecer a surpresa que ele sentiu por aquele pedido .
- Sei disto, mas você é uma pessoa equilibrada e como Vulcano sei que será imparcial. Confio em seu julgamento.
- Já que insiste devo registrar que ele se comportou de forma exemplar no comando da nave, coisa que eu sinceramente não acreditava que fosse possível tão cedo. Frio, calmo, responsável, cuidadoso e atento sem deixar de ter iniciativa, embora ainda possa se notar uma certa “volúpia juvenil” que com o tempo deve ser melhor controlada, entretanto o saldo foi bem positivo.
- Vi os registros e é bom que ele se comporte desta maneira uma vez que não posso estar em todos os lugares ao mesmo tempo.
- Isto é uma fato.
Um som curto a agudo surgiu anunciando que havia alguém a porta, interrompendo a conversa entre os dois.
- Entre. - autorizou Hendrik. Apareceram a porta Iglesias e Melissa.
- Desculpe interromper Capitão, mas temos um assunto a tratar que nos parece urgente.- disse Alejandro de forma preocupada.
- Diga o que é então.
- Melissa esta preocupada com a situação dos motores Warp, Phillip. - Hendrik estranhou um pouco o fato de ser Melissa e não Farrel a estar falando pela engenharia, mas preferiu não comentar isto pelo menos por enquanto, uma vez que já conhecia a capacidade e energia da alferes. Sabia de algum modo que estava olhando para uma que um dia seria um daqueles “fazedores de milagres” que tanto ajudavam a mante-los vivos mas que adoravam espernear contra as decisões de comando.
- Creio que estamos passando da linha vermelha, alferes ?
- Sim capitão. Desde que nos encontramos com a Freedom até encontrarmos a Livingston estivemos viajando em Warp 9.99 e excedemos o limite em que poderíamos estar a esta velocidade por quatro horas. O tempo que ficamos parados nos deu uma certa folga mas já estamos a duas horas de novo nesta velocidade e é possível que tenhamos um colapso em breve.
- Sei que precisamos chegar a Anezir e que quer voltar logo para encontrar com a Livingston mas se perdermos os motores não vamos a lugar nenhum. - completou Alejandro.
- Quais as suas recomendações Melissa ?
- O ideal seria passarmos a nossa velocidade de cruzeiro, Warp 8, mas creio que podemos aguentar 9.9 pelas horas que restam, mas isto também vai degradar os sistemas, apenas será de forma mais lenta.
Hendrik pensou um pouco mas havia pouco a fazer. Ele tinha pressa mas os motores realmente já haviam sido forcados demais.
- Como Jean Paul não esta por aqui e quase toda a equipe de engenharia ficou com ele vou aceitar esta recomendação por enquanto. Executem
- Obrigado Senhor. - disse Melissa já saindo.
- Só uma coisa antes de vocês irem.- disse fazendo um sinal com mão - Não podiam usar os comunicadores para me informar isto ?
- Bem - Alejandro parecia meio desconcertado - . Achamos que o assunto era meio delicado e preferimos discuti-lo pessoalmente.
- Delicado por que ?
- Eu achei que não seria prudente que uma alferes discutisse suas ordens senhor. - disse Melissa.
- Agradeço a intenção, mas devemos reservar nossa prudência a segurança da nave e sempre que acharem que esta segurança está comprometida usem o meio mais rápido para informa-lo, entendido ?
- Sim senhor .
- Dispensados.- os dois saíram enquanto Hendrik e Sevok retornaram a conversa.
- Pelo jeito vamos perder mais um pouco de tempo. Mas fazer o que ?
- Quem muito quer nada tem.
Ao ouvir a frase de Sevok Hendrik sorriu lembrando-se do tenente Iglesias que sempre tinha uma frase feita pronta para disparar.
- Sevok, você tem andado demais com Alejandro.
****
Na Livingston os reparos seguiam adiantados e logo seria possível se mover pelo menos em forca de impulso. Seymor estava na engenharia enfiado em um dos tubos Jeffries - usados para manutenção - auxiliando os reparos e pensando em como era bom estar vivo de novo. A pouco mais de seis meses atrás era um morto vivo se escondendo do próprio passado, mesmo que isto custasse estar em lugares sem nenhuma importância onde nada que fizesse ou deixa-se de fazer faria alguma diferença. Mas agora era diferente, e ele havia se esquecido o quanto era boa está sensação. Já seria bom demais para ele poder ensinar alguma coisa aos jovens cadetes como vinha fazendo na Avenger, mas a anos que a idéia de progredir em sua carreira havia desaparecido de sua mente e agora ele era o segundo em comando de uma das naves mais modernas da frota estelar e respeitado por seus subordinados e mais ainda, por seu Capitão. A principio Hendrik não pareceu exatamente o homem que Noan esperaria ver no comando de uma nave estelar e não só pela pouca idade, mas por seu estilo que julgou por demais paternalista, mas logo esta impressão se dissipou ao ver que tipo de homem ele era. Hendrik gostava de poder confiar em seus subordinados e Noan sabia que boa parte desta tarefa era dele e estava feliz por isto pois sentia que Phillip Hendrik precisava dele para manter a jovem tripulação da Avenger na linha e isto era como uma injeção de sangue em suas veias. Foi despertado de seus devaneios por uma voz familiar.
- E então comandante ? Já achou os cabos que eu falei ? - perguntou Jean Paul abaixado a beira da abertura tentando inutilmente enxergar seu oficial comandante dentro dele. Podia apenas ouvi-lo.
- Acho que sim. Tem umas marcações aqui que parecem coincidir com as que você falou.- fez uma breve pausa observando as marcas de que falava - Estes sistemas são bem modernos para uma nave desta classe Jean Paul!? Não tinha nada disto aqui na Okinawa.
- A USS Okinawa era um dos últimos cruzadores da primeira fase desta classe. Na verdade esta é terceira versão da classe Excelsior e muitos dos seus sistemas são tão modernos quanto os nossos. Só para ter uma idéia as taxas de dissipação dos escudos desta nave são três vezes maiores do que os da Okinawa.
- Ficarei feliz quando conseguirmos fazer ela funcionar de novo. - disse tentando se ajeitar melhor no tubo estreito - Acho que é este mesmo. O que eu faço agora ?
- Se tem certeza que é este deve ter ai perto uma conector escrito Canal 2. Encaixe o condutor 32 ai.
- Está bem. - Seymor localizou o conector a que Jean Paul se referia e com muito esforço puxou o cabo que havia localizado. Virou-se ainda com dificuldades devido ao pouco espaço e ao peso do cabo e pôs-se em posição. Espetou o cabo no lugar.
- Está feito. Pode ligar.
Jean Paul foi até um dos painéis e pressionou alguns controles mas a reação foi inesperada. Os circuitos torraram, algumas estações explodiram e seguiu-se uma reação em cadeia que foi parar até onde Seymor estava. As faiscas pularam em cima dele junto com gases que saltaram das tubulações de alta pressão que se romperam jogando Seymor para traz que caiu pelo tubo deixando Jean Paul aflito.
- DESLIGUEM TUDO !!!!! DESLIGUEM !!!!!
- Tenente , o comandante Seymor caiu do tubo e não está nada bem. - informou um dos auxiliares.
- Já vi. Chamem a Doutora enquanto eu vou ver como ele está.
- Já chamamos e ela está a caminho.
Jean Paul foi até o local da queda e se deparou com Seymor desacordado. Tinha algumas queimaduras no rosto e um corte na testa mas ele respirava o que deixou o engenheiro um pouco mais calmo. Eleonor chegou e se colocou ao lado de Seymor imediatamente para examina-lo.
- O que houve tenente ?
- Estávamos prosseguindo com os reparos e Seymor nos ajudava. Ele estava dentro do tubo Jefriees quando religamos alguns sistemas. Ainda não olhei o local mas os dutos não devem ter alguentado pois os painéis estouraram e ele despencou do tubo.- disse aflito abaixado ao lado de Eleonor - E então, como ele está ?
- Pelo que pude ver, queimaduras de segundo grau, uma pancada na cabeça que inspira cuidados e duas costelas quebradas. Ele vai ficar bem logo, mas terá que ficar fora de ação por uns tempos. Vou mante-lo sedado.
- Foi culpa minha. Eu devia estar lá e não ele.
- Oficiais comandantes tem o péssimo hábito de exceder seus limites e não se preocupe, pois com o tempo você vai ficar assim também. Além do mais se fosse você que estivesse lá e não ele agora estaríamos sem um engenheiro o que também seria bem ruim se levarmos em conta nossa situação.
Neste momento chegaram dois auxiliares apressados com uma maca gravitacional que puseram ao lado de Seymor. Rápida e cuidadosamente o comandante foi posto nela.
- Vamos leva-lo para a enfermaria e logo ele estará bem. - disse Eleonor acompanhando a maca.
- Vou informar a Krieg o que aconteceu. - respondeu Jean Paul
- Boa idéia.
Eleonor deixou a Engenharia levando Seymor desacordado e Jean Paul ficou ainda não muito aliviado, mas precisava voltar ao trabalho logo. Deu a informação a Krieg pelo Intercom e tentou concentrar-se novamente no trabalho que tinha pela frente. Na ponte a noticia não foi muito bem recebida como era de se esperar.
- Essa não !!! Era só o que faltava. - Krieg custou a acreditar no que ouviu mesmo após confirmar a informação com Eleonor. Já era bastante ruim estarem vagando em uma nave danificada em uma área tão inóspita do espaço, mas agora estavam sem seu comandante, o único homem com alguma experiência que havia ficado com eles.
- Não falta acontecer mais nada. - completou Gart.
- O jeito é esperar os reparos ficarem prontos e a chegada da Freedom e torcer para nada de mais acontecer.- disse Krieg resignado.
- Posso fazer uma pergunta Tenente Krieg ?- Era Victor que tinha permanecido calado até então.
- O que é Victor ?
- Quem está no comando agora ?
Os três ficaram calados. Gart virou-se para Victor e depois para Krieg que respondeu uma expressão de duvida e surpresa por ninguém ter se lembrado daquele "detalhe" até o momento.
- Boa pergunta Victor, boa pergunta ! - disse Krieg cocando o queixo.
Na Avenger Hendrik estava dando uma passada pela enfermaria apesar do Doutor Donald. As coisas por lá também estavam complicadas por causa da quantidade de gente ferida nos leitos e nos alojamentos. Todo pessoal que não estava em funções prioritárias havia sido transformado em enfermeiros. Adams estava conversando com um grupo de auxiliares atentos tentando dar um pouco de ordem ao caos em que aquele lugar havia se transformado. Ele podia ser irritante mas era um médico dedicado.
- Olá Doutor Donald. Vejo que está trabalhando bastante e antes que me pergunte, faltam menos de quatro horas para chegarmos a Anezir.
- Ah ! ? Obrigado por me informar Capitão. Creio que tenho sido muito insistente em minhas reclamações mas espero que compreenda meus motivos.
- Entendo, mas o senhor tem o hábito de esquecer que os outros também tem responsabilidades.
- Sei que não queria deixar seu pessoal para traz e agradeço o que fez.
- Não me agradeça. É o meu trabalho e o deles.
- PONTE PARA COMANDANTE HENDRIK. - O Intercom interrompeu os dois.
- Prossiga Iglesias.
- Recebemos um informe da Frota estelar de que bases de observação detectaram uma nave se dirigindo para o setor onde deixamos a Livingston. Não puderam identificar a origem.
- Eles tem mais alguma informação sobre esta nave ?
- Não muito. Parece uma nave pequena, possivelmente do tamanho de uma nave de escolta, cerca de 300 metros viajando em dobra 3.
- Nós não devíamos ter detectado algo da distância onde estávamos ?
- Cashmir diz que existem muitos lugares naquele sistema onde uma pequena nave poderia se esconder.
- Qual a previsão de encontro com a Livingston ?
- Se prosseguirem na atual velocidade, cerca de 2:00 horas.
- Não podemos fazer nada por enquanto. Prossiga em nosso curso atual e me mantenha informado. Hendrik desliga.
- Acha que eles terão problemas Capitão ?
- Não sei. Acho que naquele setor só podem ser piratas ou Maquis e pelas informações que temos não parecem em condições de enfrentar um cruzador da Federação.
- Mesmo com sistemas danificados e sem mais da metade da tripulação, incluindo seus oficiais comandantes ?
- Eles não sabem disto e Seymor pode se virar bem e de qualquer modo, não há nada que possamos fazer, pois mesmo que eu pudesse voltar, levaríamos horas para alcança-los. Por hora tudo o que podemos fazer e continuar com nosso trabalho e o senhor terá muito o que fazer aqui e em Anezir, portanto concentre-se nos feridos enquanto tem tempo.
- Sim capitão, farei isto.
****
De volta a Livingston, Krieg, Gart e Victor discutiam sobre o problema causado pela súbita e inesperada ausência de Seymor. Não havia agora quem tivesse experiência suficiente para comandar a nave mas alguém teria que faze-lo, mesmo que só por formalidade. Krieg havia acabado de repassar a lista de todas as pessoas a bordo que não haviam ido parar na enfermaria na esperança que algum dos oficiais mais experientes da Livingston tivesse se recuperado mas foi em vão. No fundo ele já sabia que se algum deles estivesse melhor já teria se apresentado a ponte mas a surpresa que teve foi outra ao constatar os dois nomes que estavam no topo da lista dos que atendiam as especificações do regulamento para assumir o comando.
- E então ? perguntou Gart impaciente.
- Acho que vocês não vão acreditar. - Krieg respondeu sem tirar os olhos do monitor que mostrava a lista dos nomes que sobraram, mas antes que eles pudessem falar o tenente Jean Paul chamou pelo Intercom.
- Engenharia para Ponte.
- Aqui é Krieg. Prossiga.
- Restabelecemos os motores de impulso, e os sensores de longo alcance parcialmente. Escudos já podem operar a 40%, se necessário.
- Motores de dobra ?
- Eles ainda vão demorar mais duas horas pelo menos.
- Entendido Jean Paul e obrigado. Ponte desliga.
- Gart, ative os sensores e vamos fazer uma checagem da área.
- Já estou fazendo isto agora e ,,,, OH! OH ! O alferes apertou os olhos como se quisesse clarea-los e então voltaram a se fixar no painel com uma expressão que deixou Krieg preocupado.
- O que quer dizer OH ! OH !?, alferes ?
- Os sensores estão captando uma nave não identificada em curso de interceptação viajando em dobra 3.
-Não pode ser a Freedom ?
-Negativo, a Freedom ainda vai levar horas par chegar e os sensores estão totalmente operacionais agora. Definitivamente não é uma das nossas.
- O que fazemos agora, tenente ? - perguntou Victor.
Krieg pensou um pouco antes de responder como que quisesse dar algum tempo a si mesmo para ter certeza de que tomava a atitude correta. Ele havia sido um oficial de terra e ligado a segurança por muito tempo e não era qualificado para o comando mas sabia que não havia outras pessoas que tivessem esta qualificação. De qualquer forma alguém teria que tomar as decisões a partir de agora.
- Vamos seguir o regulamento por enquanto. Abra um canal.
****
Enquanto isto na enfermaria a Dr.a Carter estava cuidando dos ferimentos de Seymor enquanto Mombassa orientava os outros auxiliares no tratamento dos outros feridos. A esta altura a enfermaria estava mais calma apesar da grande quantidade de pessoas por lá, mas já não havia tanto o que fazer a não ser observar, e esperar que eles pudessem deixar aquelas pessoas em uma base estelar. Apesar de tudo aquela situação teve seus ganhos, pelo menos para ela que pode ver com orgulho como seus subordinados se comportaram em suas funções em meio a tanta confusão apesar do regime de trabalho intenso ao qual foram expostos.
- Você e a equipe trabalharam bem, Mombassa. Parabéns.
- Obrigado doutora. Foi a primeira vez que tivemos tanto trabalho de uma vez só. Mas me diga uma coisa : com o comandante Seymor aqui quem está no comando ?
- Não perguntei, mas acho que Krieg ou Jean Paul, creio.
- Acha que eles estão em condições de comandar a nave ?
- Par falar a verdade, acho que se tivéssemos um problema mais sério ambos teriam dificuldades, mas como apenas teremos que esperar os reparos e seguir para encontrar a Avenger não deve haver sustos. - assim que ela terminou tocou o Intercom.
- Ponte para Enfermaria. - ela identificou a voz do tenente Krieg
- Aqui é a doutora Carter. Pode falar tenente.
- Estamos captando uma nave vindo em nossa direção em dobra 3, possivelmente pirata e deve nos encontrar em menos de duas horas.
Carter e Mombassa se entreolharam sem entender nada do que estava acontecendo. Por que informar a enfermaria deste tipo de ocorrência ?
- Não me entenda mal tenente, mas o que é eu tenho a ver com isto ?
- Desculpe Doutora, mas o regulamento de obriga a informar qualquer situação de perigo ao oficial mais graduado a bordo que neste caso, é a senhora.
- Não está falando sério ?
- Estou.
- Então quer dizer que ,,,,,
- Tecnicamente a senhora esta no comando.
- Isto só pode ser uma brincadeira - disse Eleonor para si mesmo.
- O que disse Doutora ?
- Nada, nada. Irei a ponte para resolvermos isto.
- Era isto que eu tinha em mente Dra. Ponte desliga.
- Pretende assumir o comando ? - perguntou Mombassa com uma expressão de espanto.
- É claro que não.- disse ela enquanto tirava o avental e o atirava em cima de uma cadeira próxima. - Vou ver o que podemos fazer para resolver isto. - e saiu em seguida. Na ponte discutia-se o problema.
- Ela parece não ter gostado muito da idéia. - comentou Victor.
- Não tiro a sua razão. - respondeu Krieg. - Como médica ela não devia ser envolvida neste tipo de problema ainda mais com tantos feridos a bordo, mas ela é quem deve designar alguém para substitui-la de acordo com o regulamento.
- Mas Krieg, ainda não resolvemos o problema. Pelo regulamento deveria ser a doutora a comandante, que achamos que não devera aceitar por razões obvias, mas quem será ?- Gart relembrou o problema ainda sem solução enquanto a doutora chegava a ponte.
- Tenente, que brincadeira é esta !? Sabe muita bem que sou médica !!
- Claro que sei, mas precisava informa-la como já lhe expliquei e é bom que esteja aqui para que possamos tentar decidir o que fazer, pois confesso que estou tão aturdido quanto a senhora. - assim que Krieg terminou Jean Paul entrou na ponte.
- Me chamou tenente ?
- Sim. Agora que estamos todos aqui gostaria que me ajudassem a decidir o que fazer. Vocês já foram informados de nossa atual situação e gostaria de ouvir suas sugestões. O fato é que precisamos de um comandante e nossas opções são poucas. Pela ordem seriam a Dr.a Carter, Jean Paul e depois eu próprio. Eu nunca servi em uma nave estelar antes e ainda estou me habituando as coisas por aqui e além do mais sou um oficial de segurança. Não estou familiarizado com o comando.
- Então acho que o Tenente Jean Paul é a melhor escolha, não ? - opinou Victor.
- Nunca sequer cheguei perto do comando de uma nave estelar e ainda tenho bastante trabalho na engenharia. O pessoal pode continuar trabalhando mas vão precisar de mim por lá. - respondeu Jean Paul.
- Ele tem razão - acrescentou a Dr.a, - precisamos mais de Jean Paul na engenharia do que aqui.
- O que só deixa a senhora Dra. - comentou Gart.
- Vocês estão esquecendo de que temos uma nave vindo em nossa direção e que não sabemos as suas intenções !?
- Não me esqueci Dra., mas acho que podemos engana-los se suas intenções forem hostis. - disse Krieg .- Pelas leituras que fizemos aquela nave é não é lá muito poderosa e não seria páreo para a Livingston, então se colocarmos alguém no comando que possa dar a impressão de ser o comandante eles não vão ter coragem de nos atacar.
- Mas estamos sem mais da metade da tripulação. - comentou Gart.
- Mas eles , seja lá quem for, não sabem disto.
- E quem faria o papel então ? - perguntou Jean Paul.
- Creio que a doutora é a melhor escolha, por ser a mais velha. O resto de nós seria menos convincente.
- Isto não vai dar certo. Eu já disse que sou médica e não uma oficial comandante.
- Mas acho que ele pode estar certo - disse Jean Paul- . Se não souberem que esta nave está sem seu comandante não vão ter coragem de atacar, se for esta sua situação. Talvez nem se aproximem de nós.
- Quanto a isto não tenho tanta certeza, Jean Paul. Estivemos muito tempo parados aqui e eles deviam estar conosco nos sensores a algum tempo e devem supor que temos problemas. Se forem mesmo piratas, são abutres e vão vir checar o que esta acontecendo mas se gritarmos alto eles devem ir embora.- comentou Jean Paul.
- Bem, - disse Gart- é melhor resolver logo isto, pois nosso tempo esta acabando. A nave está se aproximando.
- E então Doutora ? - perguntou Krieg olhando fixamente para Eleonor que percebeu que ele tinha razão. Nenhum dos presentes com exceção dela e Jean Paul enganaria como Capitão de uma nave estelar devido a pouca idade expressa em seus rostos. Ela mesmo teria que caprichar para ser convincente, mas ainda resistia a idéia.
- Deve haver alguém nesta nave que possa fazer este papel !?
- Já checamos todo mundo Doutora e não há ninguém que esteja em melhor condição do que qualquer um de nós e além do que não os conhecemos e não sabemos como vão reagir sobre pressão.
Ela resistiu o quanto pode mas não havia jeito, pois os presentes naquele local haviam se convencido sabia-ela-lá-por-que que ela seria a melhor escolha.
- Já vi que vocês não vão mudar de idéia mesmo, então vamos lá e seja o que Deus quiser.
- Ótimo. Vamos procurar mais algumas pessoas para trazer para cá pois está ponte vazia pode dar uma impressão ruim caso haja comunicação nave a nave, e é bom trocar o uniforme Doutora e Jean, você deve voltar aos reparos.
Ambos assentiram com um aceno de cabeça e levantaram-se imediatamente, Jean Paul a caminho da engenharia e Eleonor para o alojamento onde havia se instalado mas que não teve tempo de usar por mais de cinco minutos e que pelo andar das coisas ficaria mais tempo de sua presença. Estava cansada, pois desde que Dr. Adams chegou a Avenger passou a maior parte de seu tempo com ele, que não havia sido uma boa companhia com a fixação que tinha com seu trabalho, coisa que ela até compreendia mas nem por isto tornava a situação menos irritante, e com o aparecimento da Livingston teve uma dose de trabalho muito acima do normal, e agora isto. Estava prestes a sentar em uma cadeira de comando para executar uma tarefa que ela sempre havia observado a distância com a mais absoluta falta de interesse. Sua condição anterior de membro da “Dissuasão” lhe obrigou a assumir posições de comando em diversas oportunidades apesar de sua condição de médica, mas nada que se comparasse a comandar uma nave estelar. Olhou para o uniforme vermelho em cima da cama e passou a pensar em tudo o que ele representava e que até então havia passado despercebido por ela. Com certeza uma reação reforçada pela situação em que estava envolvida mas algo mais a deixava tensa. Quando ela vestisse o uniforme e colocasse as insígnias de comando, tecnicamente passaria a ter poder de vida e morte em suas mãos e isso era quase uma fato, pois as vidas de todos a bordo poderia depender de uma atuação convincente sua. Engoliu o pensamento enquanto tirava o blusão azul, pegou o outro uniforme, deu uma respirada e o vestiu. Olhou-se no espelho e então lembrou-se da Capitã Ivanovich, o que a fez prender o cabelo achando que aquilo ajudaria a convencer a quem fosse necessário. Antes de sair pegou uma bolsa que ela ainda não tinha tido tempo de abrir e tirou uma caixa de cerca de quarenta centímetros de largura e trinta de altura que acondicionava uma replica de uma antiga nave da frota estelar, classe Constitution, que Hendrik tanto gostava. Ela havia ganho aquela replica dele logo depois do ultimo exercício no Holodeck e na ocasião ouviu dele uma frase que parecia mais ao estilo do Tenente Iglesias : - Lembranças especiais para pessoas especiais- e então percebeu o quanto queria que ele estivesse ali. Não havia nada mais a fazer a não ser seguir para a ponte.
Quando retornou Eleonor se deparou com alguns rostos desconhecidos que deviam ser as pessoas que Krieg havia recrutado para a ponte e a única exceção era Vthyr, que ela não havia reparado que tinha permanecido com eles. A alferes com grande calma e serenidade e por que não dizer, elegância teclou alguns comandos na estação de engenharia e depois seguiu para a cadeira ao lado de Gart, bem em frente a cadeira de comando e que concentrava os sistemas de defesa da nave e então lembrou-se da conversa que teve com Seymor sobre a alferes, onde ele lhe dissera que os talentos da jovem não se restringiam apenas as suas funções como membro da segurança.
- Sistemas secundários travados. Controles da estação de cientifica redirecionados para a estação numero dois. - informou a jovem alferes logo após sentar-se e confirmar as modificações.
- Obrigado alferes. - respondeu o tenente estava se saindo muito bem e poderia na avaliação de Eleonor realizar aquele trabalho bem melhor que ela caso acontecessem problemas, mas como a intenção era evitar um confronto ele também não servia pois tinha 25 anos e cara de vinte. Resignou-se e seguiu para a cadeira de comando enquanto Krieg se aproximava dela.
- Estamos prontos doutora. As pessoas que está vendo são os oficiais Harris, que vai monitorar a estação de engenharia, e a alferes Vthyr, que ocupará a estação de controle tático que agora acumula também as funções de Ciências .
- Ótimo Tenente. Qual a situação da nave que se aproxima ?
- Estão a 1:40 minutos de nossa posição.
- Qual a nossa velocidade atual ?
- Estamos em 3/4 de forca de impulso no momento. - Eleonor ouviu isto e quase por instinto chamou a engenharia.
- Ponte para engenharia !
- Aqui é Jean Paul. Pode falar Doutora.
- Qual é a atual situação dos reparos ?
- Em mais 45 minutos teremos forca total de impulso. Escudos, sensores e lançadores de torpedos estão totalmente operacionais.
- Motores Warp e Phasers ?
- Lamento, mas preciso de mais duas horas para religar os motores Warp. Só depois poderei ligar os Phasers.
- Certo. Continue seu trabalho e só mais uma coisa : É bom todos nos acostumarmos com meu papel. Refiram-se a mim como Capitã daqui por diante para não corrermos o risco de nos entregarmos se eu tiver que falar com eles.
- Entendido , "Capitã". Engenharia desliga.
- O que sabemos até agora sobre a nave que se aproxima senhores ? - perguntou a "Capitã".
- Não muito - disse Vthyr - Tem cerca de 300 metros de extensão e 110 de largura sem contar a nacele ventral, massa de aproximadamente 200.000 toneladas e se forem piratas o mais provável é que seu armamento seja similar ao nosso: Phasers e torpedos Fotônicos, talvez desrruptores e como não passaram de dobra 3 é presumível que esta deve ser sua velocidade máxima.
- Que tipo de vantagem eles podem ter sobre nós ?
- Podem manobrar mais rápido.
- Isto é ruim.
- Bastante ruim, - continuou a alferes - , pois os torpedos dão uma certa margem para que uma nave mais manobravel possa fugir deles, não é senhor Harris ?
- Está correta, alferes.
- E como estamos sem phasers esta vantagem passa a ser um pouco maior Dr.a Carter
- Daria se fossemos entrar em combate, mas não é está nossa intenção. - rebateu Krieg.
- Sabemos disso - disse Eleonor - mas horas acompanhando aqueles exercícios simulados que vocês faziam nos Holodecks e lembro-me que Hendrik disse algumas vezes : - Quando estiver em uma situação em que não tenha certeza do que vai acontecer, avalie o que sabe sobre o inimigo, o que sabe sobre você, pense no que pode acontecer de pior e prepare-se para o caso de acontecer o que você imaginou.
- Lembro disto. - concordou a Alferes.
- E neste caso, o que poderia acontecer de pior, senhor Krieg ? - perguntou Eleonor. O tenente abaixou a cabeça pensativo por alguns instantes até finalmente se voltar e responder.
- Sermos atacados por eles. - concluiu sem nenhum entusiasmo.
Eleonor e Krieg passaram a discutir as alternativas que tinham e não perceberam que Vthyr havia saído de sua estação e conversava com o engenheiro Harris. Ambos gesticulavam um pouco e de vez em quando ela lançava alguns dados em um datapad que ele que ele logo completava. Pararam por um instante como se tivessem concluído o assunto e então voltaram seus olhares para Eleonor e Krieg que continuavam discutindo, mas depois de alguma hesitação ela resolveu falar com Eleonor.
- Ahh! Dr.a,,, - chamou tão timidamente que teve que repetir.- Doutora.
- Chamou alferes ?
- Sim. É sobre os Phasers. Eu e Harris estivemos discutindo o assunto.
- E a que conclusão chegaram.
- Achamos que é possível religar os bancos Phasers. Se entendemos bem o relatório da engenharia, os Phasers estão desligados apenas por que os motores Warp que são usados para aumentar sua potências estão desligados, mas se deixarmos de lado a potência extra acho que podemos faze-los funcionar.
- Acho que Jean Paul teria nos avisado disse alferes. - disse Krieg.
- Talvez não, já que isto pode atrasar o reparo dos motores Warp que eram nossa prioridade e não as armas.
- Ela pode estar certa senhor Harris ? - perguntou Eleonor.
- Sim senhora.
Ela tocou o console da cadeira de comando e chamou a engenharia de novo.
- Senhor Jean Paul, responda.
- Aqui é Jean Paul.
- Estou sendo informada que existe uma maneira de termos os Phasers funcionando em menos tempo ?
- É possível. Eu poderia refazer as conexões com o gerador Warp eliminando-as. Perderíamos uns trinta por cento de potência e uns 20 % em alcance mas eles estariam funcionando em uma hora mais ou menos, mas se fizer vou levar mais tempo para reparar os motores de dobra.
- Faça isto.
- Mas Dout,,, digo Capitã, acha isto apropriado ?
- Em menos de quarenta minutos aquela nave estará aqui, o que é menos do que as duas horas que precisa para consertar os motores. Se eles resolverem atacar é bom estarmos o melhor preparados possível, caso contrario só vamos nos atrasar um pouco.
- O tenente Krieg concorda com isto ?
- Sim Jean Paul. Execute.
- O.k. ! Engenharia desliga.
- Acho que tem razão,- comentou Krieg - mas espero que não precisemos usa-los.
- Concordo. - Eleonor respondeu ao tenente e lançou um olhar ao seu redor partindo de Gart e Vthyr que estavam ocupando as estações a sua frente e os quais ela já conhecia assim como o alferes Victor, responsável pelas comunicações.
- Alferes Vthyr !?
- Sim senhora !
- Você já ocupou este posto antes ?
- Não, mas acho que consigo aprender rápido.
- Estou vendo que sim. Espero que todos sejamos tão bons alunos quanto você. Bom trabalho.
- Obrigado Dra.
- E quanto a você ? - virou-se então para Harris
- Engenheiro Júnior Harris, senhora . Farei o possível para não decepciona-la.
- Vamos precisar que todos aqui façam isso. Bem-vindo ao barco.
- Tem certeza de que nunca ocupou um posto de comando antes ? - perguntou um surpreso Krieg quase ao pé do ouvido dela.
- Acho que aprendi alguma coisa de tanto acompanhar os exercícios que vocês fazem nos Holodecks.
- E agora o que fazemos - perguntou Gart.
- Esperamos.
****
Na engenharia Jean Paul andava de uma lado para o outro sem conseguir deixar de sentir uma certa irritação. Se não já não bastasse estar a milhares de anos luz de sua família, no meio de lugar nenhum, em uma nave capenga agora tinha que lidar com a “Capitã” Eleonor, que mal tinha vestido o uniforme já tinha aprendido o hábito de todo Capitão de ficar pedindo as coisas mais absurdas, mas não tinha jeito e pelo menos esperava que as pessoas que estavam na ponte soubessem o que estavam fazendo.
- Meihain ! - chamou enquanto descia por uma das escadas da plataforma do motor.
- Sim senhor. - disse o alferes de pele morena e olhos negros que se aproximou rapidamente.
- Vamos desligar as conexões dos condutores dos bancos phasers que passam pelos motores de dobra. Vamos precisar de um conversor de energia aqui.
- Mas isto vai atrasar reparo dos motores !!!
- Eu sei disto alferes, mas eles querem os bancos Phasers funcionando e nos vamos dar os bancos par eles.
- Sim senhor. - e saiu atrás do conversor enquanto Jean conferia os dados de progresso da descontaminação dos injetores de Deutério apenas para ver que seus cálculos estavam corretos e o tempo ainda era longo até o fim do processo.
- Jansen, os motores de impulso ?
- Estou com problemas para fazer os ajustes senhor. Acho que teremos que desliga-los para poder completar o processo.
- Estes motores não vão ser desligados de jeito nenhum. Já temos problemas demais e pouco tempo para resolve-los para ainda dar mais esta vantagem para aqueles cães.
- Mas podemos romper os lacres de segurança, senhor !!
- Já disse que esta nave não vai diminuir a velocidade nem em décimo mesmo que tenhamos que sair e empurrar. - e assumiu os controles com os quais a alferes não conseguia lidar enquanto pensava na quantidade de problemas que tinha para resolver e começou a cantarolar algo que parecia uma canção infantil.
- O senhor está bem ? - perguntou Jansen.
- Nunca estive tão bem alferes, agora observe ,,,,,,
****
Uma hora depois na Avenger, pouca coisa podia se fazer além de aguardar a chegada em Anezir que agora estava bem perto. As coisas na enfermaria haviam se estabilizado e todo o pessoal que não estava em suas tarefas normais estava servindo de enfermeiro na ala médica ou nos alojamentos. Hendrik tentava não se preocupar com as pessoas que havia deixado para traz mesmo que isto fosse difícil, e embora as noticias fossem de que a nave que seguia na direção da Livingston continuava com seu curso inalterado ele se apegava ao fato de que ela não seria páreo para uma nave da Classe Excelsior e Seymor poderia cuidar de problemas caso eles aparecessem. Havia deixado Alejandro no comando e agora dava uma caminhada pela nave para tentar relaxar pois não tinha nada que requisitasse sua atenção particular. Acabava de chegar a engenharia, que estava com um numero de pessoas bem menor que o normal. Como a situação na Livingston era critica todo o pessoal que não era absolutamente necessário as operações foi deixado para acelerar os reparos e embora o substituto natural de Jean Paul fosse o tenente Farrel, ele passava mais tempo nos transportes e coordenando as tarefas de manutenção dos sistemas pelas outras áreas da nave o que fez com que Melissa fosse assumindo uma liderança natural entre seus colegas. Hendrik já havia notado esta postura dela antes e conversado com Jean Paul sobre o assunto, pois temia que os outros tripulantes não gostassem desta situação pelo fato dela ser apenas uma alferes, mas o Engenheiro afirmou na ocasião que todos aceitavam bem a iniciativa dela e até a procuravam quando Jean Paul não estava. Agora Hendrik em pé na entrada da engenharia confirmando isto pessoalmente enquanto a observava dando instruções a seus colegas.
- MELISSA !!! - OS CONDUINTES NÃO VÃO AGUENTAR TANTA PRESSÃO -Gritava de dentro de um dos tubos Jeffries o alferes Alexey.
- Tem que aguentar pelo menos mais 40 minutos. - respondeu Melissa enquanto fazia ajustes no painel com uma rapidez desesperada - Vou tentar redirecionar este ponto.
- Acho que temos problemas nos campos de contenção .- Avisou outro tripulante que chegou correndo sabe-se-lá-de-onde.
- É claro que temos.- respondeu ela enquanto se jogava por dentro de uma abertura perto do reator - Não sei como é que eles ainda existem ! - a metade de cima dela sumiu lá dentro. Hendrik observou aquela aparentemente confusão mas não conseguia ficar preocupado. - “Ela é igualzinha a Jean Paul”- pensou enquanto se aproximava da parte da alferes que estava a vista.
- Melissa !? - chamou podendo ver somente a cintura e pernas da menina.
- Espere ai que agora estou ocupada. - respondeu de dentro da abertura. Alguns minutos depois ela começou a sair.
- Acho que isto deve dar para aguentar. - comentou enquanto saia do tubo ainda sem notar a presença de Hendrik.
- Parece que está se divertindo Alferes ?- disse Hendrik assim que ela saiu da abertura.
- Capitão !? Desculpe, não sabia quer era o senhor.- respondeu enquanto tentava arrumar o uniforme.
- Não se incomode. A coisa por aqui parece ruim não !?
- Estamos forcando os motores por tempo demais senhor. Já devíamos ter diminuído a velocidade a horas. Não sei como estamos aguentando.
- Precisamos aguentar mais um pouco Melissa.
- Não disse que não aguentaremos, mas talvez tenhamos que recompor a matriz dos cristais quando chegarmos.
- Acha que pode fazer isso ?
- Deve ter o manual ai em algum lugar.
- Como !?
- Só uma brincadeira Capitão e não se preocupe, vamos chegar em Anezir inteiros.
- Conto com isto. - De repente as luzes de alerta amarelo começaram a piscar chamando a atenção dos dois e logo em seguida ouviu-se o Intercom.
- Capitão, dirija-se a ponte.
- Conversamos depois. - disse ele , e saiu apressado.
Alguns minutos depois Hendrik chegava a ponte e encontrou Alejandro debruçado por sobre a estação de Cashmir. Alguma coisa havia chamado a atenção dos dois e agora eles esperavam a confirmação de Sevok.:
- E então Sevok ?
- Confirmando informação dos sensores.
- O que houve Alejandro - perguntou Hendrik.
- Algo estranho. Estamos captando uma nave estelar em orbita de Anezir Capitão.
- Nave , que nave ? Hendrik perguntou tão surpreso quanto Iglesias enquanto sentava-se
- USS Hunter, NCC 74673.
- Uma nave da Frota Estelar !? Não fomos informados que haveria um novo encontro!!!
- Não disse que era estranho !? Tentamos nos comunicar, mas como não responderam achei melhor por a nave em alerta.
- Agiu bem. O que temos sobre a Hunter ?
- Classe Intrepid comandada pelo Capitão Tisuo Okada. Comissionada pouco depois de nós e enviada direto para a frente de batalha.
- Parece que estão um pouco longe de onde deveriam estar.
- O que fazemos ? - perguntou Cashmir .
- Vamos seguir no curso e ver no que dá.
****
De volta a Livingston :
- Estão ao alcance de comunicação. Devo tentar chama-los ? - perguntou Victor.
- Ainda não. Vamos deixar que eles dêem o primeiro passo.
- Tenente Jean Paul informa que temos forca total de impulso disponível. - informou Gart - devemos aumentar a potência ? - o alferes fez a pergunta sem saber se a dirigia a Krieg ou a Dr.a Carter. Eleonor tomou a iniciativa de responder.
- Acho que devemos manter nossa velocidade atual. Não vamos conseguir fugir deles sem os motores Warp e se aumentarmos a velocidade eles vão perceber que tentamos nos afastar e podem achar que estamos com medo. O que acha tenente ?
- Acho que tem razão.
- Estou com um sinal aqui Dra. Eles estão chamando. - disse Victor alarmado.
- Parece que vai começar a brincadeira agora. - disse Krieg -. Lembrem-se todos que de agora em diante a Dr.a é a Capitã da nave.
- Abra um canal senhor Victor e ponha na tela. - ordenou a “Capitã” Carter.
- Canal aberto. Uma imagem começou a se formar na tela da Livingston enquanto o nervosismo aumentava entre os presentes. Aos poucos foi se definindo uma imagem de um homem de seus quarenta anos aproximadamente, olhos verdes, cabelos escuros e barba mal feita apareceu em roupas civis.
- Aqui fala o Capitão Leroy Conrad, da nave independente Demetrius. Saudações. - a falsa cortesia não disfarçava a ironia na voz daquele homem.
- Aqui é a USS Livingston, nave da Frota Estelar. Capitã Eleonor Carter no comando. - Eleonor tentou não deixar transparecer o arrepio que traspassou todo seu corpo quando viu o homem que se dirigia a ela. Tentou demonstrar tranquilidade enquanto falava - Estivemos observando sua aproximação Capitão Conrad. Quais as suas intenções ?
- Ora, ora, minha cara Capitã. Nós também estivemos observando vocês a algum tempo e sabemos de seu infeliz acidente e como seus sistemas foram comprometidos. E creio que não aprovaria nossas intenções.
- Se sabe de nosso acidente sabe também que nossa prioridade é levar nossos feridos para um local onde possam ser melhor tratados, por isso não temos tempo para perder aqui.
- Não chamo aquilo de acidente, "Capitã", mas descuido, para não dizer incompetência, se me perdoa a franqueza, e temo que terei que atrapalhar seus planos de viagem. Tenho vários interessados na compra de uma nave estelar da Federação, mesmo sendo velha. Mas não se preocupe, pois não sou assassino e se não resistirem posso deixa-los em algum planeta próximo onde poderão ser resgatados, se tiverem sorte.
- Você tem um péssimo senso de humor, senhor Conrad. Então acha que pode vencer e dominar uma nave da Federação e depois vende-la a qualquer um por ai. Não me faça rir.
- Pelo que sei, seu estado é bem ruim e pelo que vi a senhora não me parece uma comandante tão eficaz. É pena que a gloriosa Avenger não esteja em condições de ajuda-la não é mesmo Capitã ?
Ela respondeu tentando disfarçar a raiva que sentia causada pela arrogância daquele homem. Tão convicto de uma superioridade que não tinha.
- Pouco me importa sua avaliação de meu desempenho. Estamos e vamos continuar em nosso curso e se tentarem nos atacar serão destruídos. Aproveitem o fato de que eu tenha outras prioridades no momento e dêem o fora da minha frente. Livingston desliga. -
A imagem da tela foi subitamente substituída pela figura da nave que se aproximava ameaçadora. Eleonor deixou-se afundar na cadeira angustiada e pálida como se tivesse acabado de ver um fantasma. Krieg estava consciente que a situação deles era no mínimo preocupante.
- Parece que eles andaram nos vigiando todo este tempo. Deviam estar esperando no limite dos sensores com os sistemas parados até que a Avenger estivesse fora de alcance.
- Mas como podiam nos ouvir de tão longe ? - perguntou Gart.
- Talvez alguma bóia de comunicação lançada para nos espionar enquanto aguardavam. - disse Victor.- E que provavelmente deve estar interferindo em nossas comunicações com o restante da frota.
- Você pode estar certo Victor, mas temos que decidir o que fazer agora. - disse Krieg.
- Temos mais um problema, senhor Krieg. - disse a até então calada Eleonor atraindo a atenção de todos. - Este homem me conhece.
- O QUE !!???? - exclamou Krieg enquanto os outros olhavam para ela com igual espanto.
- Leroy Conrad é um ex-oficial da Frota Estelar. Nunca foi brilhante mas passou por vários postos, inclusive de inteligência. Tentou o comando mas sua baixa classificação na academia aliada a seu caráter duvidoso sempre lhe rendeu postos secundários e um desses postos foi na USS Safira a cerca de cinco anos, uma nave médica da qual eu fiz parte da tripulação durante algumas semanas em uma missão especial.
- Era só o que faltava. - disse Krieg enquanto socava o console tático. - Aparentemente não a reconheceu mas se ele se lembrar vai saber que estamos blefando a ai estaremos com problemas.
- O que faremos agora ? Eles estarão em alcance de fogo em breve. - perguntou Gart. Eleonor se arrumou na cadeira e tentando retomar o clima de tranquilidade respondeu ao alferes.
- Vamos continuar no curso até que ele faça algum movimento.
- Senhora ! - chamou Harris - Não temos idéia do alcance das armas deles. Não seria prudente um alerta vermelho ?
Seguiram-se alguns instantes de silêncio até que Vthyr resolveu dar sua opinião.
- Se me permitem um comentário, eu não creio que ativar os sistemas de defesa agora seja uma boa idéia. Todos os relatórios sobre o andamento dos reparos da Livingston foram feitos quando o Capitão Hendrik estava aqui e não houve transmissões externas sobre isto. Agora sua crença é de que temos uma comandante incompetente e os nossos sistemas parados ou seriamente avariados, senão não teria anunciado suas intenções com tanta antecedência, entretanto ele não tem certeza. Se ativarmos os sistemas de defesa ele vai saber nossa real condição o que pode assusta-lo ou deixa-lo mais cuidadoso. Sugiro deixar que continue pensando que estamos mesmo muito mal.
- Concordo com você alferes, e acho que ele está tentando fazer com nos mostremos a ele nossa real condição enquanto ele ainda está a uma distância que julga segura.
- Isto é arriscado Dra. - disse Harris. - Ele pode atirar de onde está e se nos pegar com os escudos desligados vamos ter problemas. Não temos muito pessoal para reparos de emergência.
- Senhor Krieg, como oficial tático, qual a sua avaliação sobre as intenções do Senhor Conrad ?
- Não creio que ele ira tentar nos destruir. Sua intenção é capturar a nave inteira como ele mesmo disse.
- E sabemos que só há uma forma dele fazer isto. - comentou Vthyr.
- Abordagem direta. É a única maneira dele tomar a nave, mas para isto precisariam que nossos escudos estivessem desativados e não sei se aquela nave tem potência suficiente para isto.
- Concordo com ambas as hipótese - disse Eleonor -. Nossos escudos terão que ser desligados e não sabemos se ele pode faze-lo, mas devemos acreditar que pode e nos preparar para isto.
Eleonor pensou sobre os acontecimentos e possibilidades e sobre o que podia acontecer de pior. Ela tinha que estar preparada, tinha que pensar como uma comandante, não como uma médica e se preparar. Olhou a sua volta e viu as expressões de angustia em todos rostos a sua volta. Mesmo Krieg estava aparentando um certo receio e não era para menos. Ela tinha que agir de algum modo. - O que Hendrik faria ? - pensou ela enquanto lembrava as conversas que varias vezes presenciou enquanto ele relembrava com os oficias da Avenger missões de varias outras tripulações. Ele gostava de rever registros que mostravam como outras pessoas agiram em situações de crise e aquela era uma situação de crise. Varias idéias passaram pela sua mente e ela então montou um linha de ação em sua cabeça. Seria totalmente natural para um comandante de verdade pensava ela, mas era bem radical para uma médica.
- Vthyr, quanto tempo para que eles cheguem até nós ?
- 30 minutos. E estarão em alcance de transporte em breve se levarmos em consideração o alcance do nosso sistema.
- Ponha todos os Decks em alerta amarelo. Subir escudos defletores.
- Sim senhora. Iniciando alerta.
- Krieg, temos que estar preparados para qualquer eventualidade até mesmo uma tentativa de abordagem. Precisamos montar algumas equipes de segurança para proteger as áreas principais da nave se eles tentarem o que acreditamos que possam tentar.
- Não temos muitas pessoas disponíveis
- Sei disto e é por isto que vamos ter que tomar umas atitudes um pouco radicais. Chame Jean Paul aqui para que eu possa dizer o que tenho em mente.
- O.k.
- Quanto a você Victor, quero que faça uma pesquisa sobre Leroy Conrad. Ele foi um oficial da frota e deve haver informações sobre ele nos registros.
- Não creio que haja muita coisa. Os registros não são tão completos assim.
- Qualquer coisa que pudermos saber poderá ajudar.
- Vou começar agora mesmo. - disse já acessando o computador biblioteca.
Eleonor olhou para Gart que estava atento a navegação e a aproximação da Demetrius e deu graças que ninguém pudesse perceber suas mãos suadas ou seus batimentos cardíacos acelerados.
****
Na Demetrius :
- Eles acabaram de subir escudos senhor. - informou um homem magro e de feições envelhecidas que monitorava uma das estações.
Leroy Conrad discutia o que fazer com seus associados, o Ferengui Merk irritante como era comum a sua raça rosnava impaciente enquanto via uma oportunidade de negócios, o Andoriano Shenki que acompanhava Conrad mais por achar cômodo do que por opção, e Klevlar, um Klingon não tão honrado quanto seus pares que preferiu vender seus serviços como mercenário mas que via na oportunidade de subjugar uma nave da Federação uma chance de satisfazer o resto que lhe sobrava de seu espirito guerreiro. Eles ficaram divididos após a conversa com Eleonor.
- Não podemos deixar passar esta chance Conrad - reclamava Merk enquanto gesticulava desarticuladamente andando de lá para cá na apertada ponte da Demetrius - Eles estão acuados e se pudessem já teriam fugido ou então estariam se movendo contra nós. Ouvimos suas comunicações e podemos ver os rombos no casco da nave e duvido que eles estejam em condições de resistir a um ataque nosso. Não teremos melhor chance.
- A Capitã Carter não me pareceu muito assustada. - disse Shenki sentado em um dos postos auxiliares com o corpo jogado para traz e as mãos unidas elevadas logo a frente de sua boca.- E se podem levantar os escudos podem ter outros sistemas funcionando. Creio que seja prudente considerarmos os riscos envolvidos.
- Devemos atacar e tomar a nave. Os humanos são fracos e vão entrega-la para salvar suas vidas. - disse Klevlar em tom altivo pouco adequado a sua atual posição.
- Senhores - disse Conrad -. Concordo com todas as suas observações e devo dizer que é minha intenção continuar com nosso plano, mas em virtude de nossa ultima comunicação terei que pedir aos senhores que aguardem mais um pouco a fim de que possamos conseguir mais informações. Além do mais tem alguma coisa familiar naquela tal Capitã Carter. - virou-se para um tripulante que monitorava os sensores - Eles Ativaram as armas ? - perguntou Conrad
- Negativo, senhor.
- Provavelmente não podem. - disse o Ferengui.
- Se os motores de dobra não estão funcionando eles também não podem usar os Phasers o que deixa apenas os torpedos e com sua capacidade de manobra reduzida podemos ter boas chances. - concluiu Conrad.
- Isto se sua capacidade estiver mesmo reduzida. - disse o andoriano.
- Você tem medo. - vociferou Klevlar irritado com as constantes interrupções de Shenki.
- É claro que tenho, afinal não sou burro. E não devemos esquecer que temos outra nave da Federação vindo em nossa direção. Devemos ter umas quatro horas, talvez menos antes que ela chegue.
- Antes disto tomarei uma decisão. - respondeu Conrad - Por enquanto quero que de uma olhada nos registros do pessoal da Federação que consegui. São um pouco desatualizados mas podem ter alguma informação sobre nossa amiga.
- Como quiser.
- Comandante !? - chamou o homem que monitorava o tático.
- Sim !
- Estamos chegando ao ponto que havia indicado.
- Leme, reduzir velocidade para manter distância da nave da Federação.
- Sim senhor.
Conrad estava disposto a aguardar e observar, procurar por algo que confirmasse a fraqueza do adversário pacientemente. Ele tinha cerca de quatro horas para isso e iria usa-las. Não era um tático brilhante mas já havia estado na situação de presa antes, sabendo que o caçador estava a espreita e sabia que esta era uma sensação das mais desagradáveis e queria usa-la contra o adversário agora, faze-los suar e quando e se eles abaixassem a guarda ele atacaria. Também havia a possibilidade de quanto mais tempo passasse e mais perto a Freedom estivesse mais seguros eles se sentiriam a tornariam mais propensos a se descuidar. O jogo havia começado.
****
Enquanto isto a Avenger acabava de entrar no sistema de Anezir, composto de doze planetas dos quais Anezir era o quinto, orbitando uma estrela classe G, e a medida que prosseguiam continuavam tentando estabelecer contato com a Hunter sem sucesso e sem explicação.
- Continuamos sem resposta Capitão. - informou Andrei.
- Quanto tempo para chegarmos ? - perguntou Hendrik
- Quinze minutos. - informou Alejandro.
- Muito estranho. - disse Sevok - Os sensores não informam nenhum problema com a Hunter. Todos os sistemas estão normais e a tripulação parece bem. Aparentemente eles não querem responder.
- E o que descobriu sobre a Hunter ?
- Apenas que deveria estar patrulhando algum setor próximo a Bajor e DS9. Nada mais.
- Qual o estado de alerta deles ?
- Condição normal.
Hendrik continuava sentado olhando para a nave a sua frente que permanecia quieta. Nada de anormal, nenhuma leitura que indicasse qualquer problemas com a Hunter mas ela não respondia e ele não podia imaginar por que. E ele teria que descer as vacinas e precisaria baixar os escudos para isto o que seria arriscado enquanto não descobrisse o que estava acontecendo. Poderia descer os recipientes nas naves auxiliares mas isto seria demorado e o Dr. Adams com certeza reclamaria e ele tinha pressa de voltar para encontrar a Livingston. Enquanto pensava o tempo corria. Foi despertado pelo informe de Alejandro.
- Passamos pela orbita do sexto planeta, Capitão.
- Certo. Vamos sair de dobra - imaginou a sensação de alivio de Melissa quando ela percebesse que estavam desligando os motores - . Trace uma orbita ao lado da Hunter, manobras padrão de aproximação.
- Entendido.
- Alferes Andrei, envie mensagem a Frota Estelar solicitando informações sobre a presença da Hunter aqui.
- Sim senhor, mas aquela tempestade iônica continua forte, o que deve interferir nas comunicações.
- Sei disso, mas mande a mensagem mesmo assim.
Após Alejandro estabelecer a orbita, Hendrik ficou pensando alguns instantes enquanto fitava a Hunter pela tela. Precisava chamar atenção de alguma forma mais incisiva então resolveu tomar uma atitude drástica.
- Alerta Vermelho. Postos de combate. - Todos na ponte olharam para Hendrik com uma expressão de espanto. Por que ele estava colocando a nave em alerta? As luzes vermelhas invadiram a ponte e Hendrik deu nova ordem.
- Cashmir, armar torpedos e preparar Phasers. Travar na Hunter.
- Mas senhor ,,, - a frase foi interrompida pelo olhar grave e profundo de Hendrik que foi percebido pela tenente - Desculpe senhor. Phasers e torpedos a postos.
- Vamos ver se eles falam alguma coisa agora.
Não demorou muito para que Hendrik tivesse sua resposta.
- Senhor - chamou Andrei - . A Hunter está chamando em um canal codificado.
- Canal codificado !?
- Sim senhor. O que devo fazer ?
- Transfira para o escritório. - disse Hendrik intrigado enquanto se movia para atender a chamada. Entrou na sala e enquanto as portas se fechavam atrás dele forneceu seu código de acesso ao mesmo tempo em que se sentava na frente do visor - Autorização Hendrik A,P,2,6.B - Então o emblema da frota desapareceu dando lugar a imagem do Capitão Okada.
- Capitão Hendrik, eu presumo. Seja bem vindo, eu sou o Capitão Tisuo Okada. Sei que deve estar intrigado com nosso silêncio e gostaria de pedir desculpar por isto, mas recebemos ordens da frota estelar de não tratar nenhum assunto referente a Anezir em canais abertos e somente após a sua chegada.
- Pode ter certeza que estou bem mais que intrigado Capitão Okada. Toda esta situação é absolutamente incompreensível. Não fui informado que os encontraria aqui e qual o motivo para não responderem nossos chamados ?
- Lamento por tudo Capitão, mas como disse temos nossas ordens e o senhor as suas. Estaremos dando cobertura enquanto estiver descendo as vacinas ao planeta e é só o que posso dizer por enquanto. E se puder desativar suas armas eu ficaria mais tranquilo.
- Verei o que posso fazer. Avenger desliga.
Terminou a comunicação pouco satisfeito com o que o capitão Okada havia lhe contado. Toda aquela situação era muito irregular, mas ele precisava descer as vacinas logo e teria que aceitar a explicação dele. Levantou-se e voltou a ponte onde seus companheiros aguardavam também curiosos em saber o que estava acontecendo, mas Hendrik não tocou no assunto.
- Chamem o doutor Adams a ponte imediatamente e vamos para alerta amarelo. Desativar armas. Alejandro, quero que mantenha a Hunter diretamente a nossa frente.
- Entendido.
- Capitão, - chamou Cashmir - estou rastreando duas estruturas em uma orbita logo abaixo da nossa. São satélites de comunicação.
- Será que sabem que chegamos ?
- Não consigo detectar nenhum dispositivo capaz disso Capitão.
- Bem, já sabemos como chama-los, agora só falta saber a quem.
Foi então que o Doutor Donald surgiu apressado como de costume na ponte, já sabendo por que havia sido chamado.
- Fui informado que chegamos, capitão.
- Está correto. Mas por acaso a Almirante Hernandez teria comentado algo com o senhor a respeito de encontrarmos outra nave da frota em Anezir ?
- Não. Não houve nenhuma menção a algo deste tipo.
- Compreendo. A quem devemos procurar no planeta ?
- Dahai, o homem a quem eles chamam de administrador.
- Você o conhece ?
- Apenas pelo radio subspacial que o nosso pessoal trouxe e que foi levado embora quando eles deixaram o planeta com as amostras de sangue.
- Bem, vamos bater na porta então. Andrei, frequências de saudação.
- Frequências abertas Capitão.
- Aqui fala o capitão Phillip Hendrik da nave Estelar USS Avenger, da Federação dos Planetas Unidos. Anezir, vocês podem nos ouvir ? - um breve silêncio se fez mas antes que fosse necessário repetir a mensagem ouvisse uma voz ansiosa nos alto-falantes.
- Aqui fala Dahai, o administrador, Capitão. Sejam bem-vindos.
- Obrigado senhor. Trouxemos as vacinas e o Dr. Donald Adams está conosco. Onde podemos descer ?
- Creio que o senhor ira usar o aparelho que chamam de tele-transporte, se não estou enganado ?
- Está correto senhor.
- Então creio que o local onde estou agora será excelente. Existe uma ampla área bem ao lado de nossa central de comunicação.
- Assim será Senhor Dahai. Desceremos em breve.
- Estamos aguardando.
- Avenger desliga. - ao fim da comunicação Hendrik voltou-se para Adams - Dirija-se a sala de transporte numero três e prepare-se para descer ao planeta com as vacinas, doutor, se estiver pronto.
- Estou a caminho. - e saiu rapidamente enquanto Phillip fazia nova chamada.
- Hendrik para segurança.
- Aqui fala Ramur.
- Prepare um grupo armado para descer ao planeta junto com o Dr. Adams e as vacinas.
- Imediatamente Senhor.
Alejandro observava as ações de Phillip sem entender o que se passava, mas a preocupação dele tinha voz própria.
- O que conseguiu com a Hunter Phil ? Más noticias ?
- Quase nenhuma noticia. Falei com Okada e ele disse apenas que recebeu ordens de nos dar cobertura e manter silêncio de radio, mas não disse o motivo.
- Realmente esquisito. - concordou Alejandro.
- Sevok ! Especulações !?
- Só posso levantar a hipótese de um bloqueio ao planeta pela Federação, Capitão. Aparentemente a Federação quer este planeta inacessível entretanto os dados são poucos para uma analise mais concreta.
- Mas é um bom palpite.
- Capitão - chamou Cashmir - Um bloqueio pode servir tanto para impedir a entrada quanto a saída e não consigo ver qual o caso aqui ?
Sevok respondeu a tenente mas parecia pouco a vontade.
- É um pouco incomum mas estudei os arquivos sobre este planeta e eles não possuem capacidade de viagens espaciais, então não seria o caso de manter os nativos aqui pois eles podem deixar o planeta por forcas próprias mesmo que quisessem , por outro lado, a simples divulgação de que o planeta sofre uma epidemia deveria servir para manter quem quer que fosse afastado e neste caso a ausência de comunicações seria um contra-senso. Todos os movimentos da Hunter e a informação de que eles tem ordens de manter silêncio de radio indicam mesmo uma espécie de bloqueio, mas não posso identificar os motivos.
- Não temos muitas opções - disse Hendrik enquanto observava o movimento da Hunter ao lado de Cashmir. - Vamos descer as vacinas conforme o programado, mas quero que seja mantida vigilância na Hunter. Quero todos os seus sistemas e suas comunicações rastreadas e quero saber se eles resolverem falar com alguém. Alejandro, Cashmir e Andrei cuidam disto. E quanto a você, Sevok quero que faça uma varredura total da planeta enquanto estivermos em orbita. Se existir algo estranho por lá eu quero saber também.
- Tem alguma idéia do que estamos procurando ?
- Qualquer coisa que chame a atenção por mais ínfima que possa parecer.
Neste instante soou o Intercom.
- Sala de transporte para ponte.
- Aqui é Hendrik. Prossiga.
- Aqui fala Adams Capitão. Fui informado de que desceremos com um grupo armado !? Algum problema no planeta ?
- Não sei, mas devido a alguns acontecimentos incomuns preferi tomar precauções. Não deve ser nada e assim que tudo ficar esclarecido traremos os homens de volta se preferir.
- Tenho alguma opção ?
- Não ! Me desculpe mas sua segurança também é de minha responsabilidade.
- Entendo.
- O oficial Ramur está ai ?
- Estou aqui Capitão.
- Todo o pessoal do grupo recebeu a vacina ?
- Sim senhor.
- Muito bem. Quero um informe assim que desembarcar. Manteremos uma canal aberto para vocês.
- Entendido Capitão.
Na sala de transporte os preparativos estavam prontos. Dez tripulantes incluindo Ramur estavam com seus Phasers de mão a postos aguardando a descida. O Doutos Adams observava contrariado como de costume mas havia aprendido que discutir com Hendrik era perda de tempo e tinha pressa. Seguiu para a plataforma enquanto Ramur dava as ultimas instruções. Percebeu então o quão jovem era o oficial que comandava a operação. Ramur devia ter cerca de 22 anos talvez 23 na avaliação de Donald e se portava como era comum a um jovem na sua posição, concentrado em suas obrigações, zeloso ao extremo e ansioso não só por cumprir suas obrigações mas também para agradar seu Capitão. Os outros homens e mulheres que o acompanhavam agiam da mesma forma. Donald não prezava a vida militar mas apreciava este clima de camaradagem e confiança que as vezes surgia entre colegas de farda. Ramur sem perceber ou sem se importar em ser observado fazia suas ultimas considerações.
- Vamos descer em dois grupos de cinco com um intervalo de trinta segundos e em posições diferentes para o caso de qualquer surpresa. As comunicações com o planeta não informam nada de anormal mas o capitão prefere não arriscar. Phasers em tonteio. Entendido ?
Eles responderam com um simples aceno de cabeça e o primeiro grupo seguiu para o transporte com Ramur a frente .
- Acionar!
Alguns segundos depois o primeiro grupo de materializou em um salão amplo de forma arredondada que devia ter cerca de 200 metros quadrados e coberto por uma teto semi - transparente que deixava ver o exterior mas escondia a verdadeira cor do céu de Anezir que segundo o Sevok deveria ser de um azul muito claro, muito parecido com o da Terra. De uma forma geral os planetas eram muito semelhantes de acordo com os relatórios dos oficial de Ciências salvo e pequenas diferenças na composição da atmosfera e uma gravidade cerca de 10% maior, coisas que não chegavam a ser preocupantes. O salão tinha as paredes pintadas de branco e o piso em um material cinza com leves toques de colorações brancas e pretas que mais pareciam manchas e lembrava granito. Uma decoração espartana com vários bancos colocados de forma a respeitar um espaço igual entre eles e que davam a impressão de que aquele local era um local de recreação ou coisa parecida. Assim que o efeito do transportador cessou Ramur pode ver um grupo de doze pessoas que os aguardava. Usavam roupas de estilos e cortes variados mas um entre eles se destacava com uma longa túnica cinza que cobria todo o seu corpo, presa por uma faixa azul na altura da cintura aparentando cerca de 60 anos terrestres. Estava a dois passos a frente do grupo aguardando com as mãos entrelaçadas e olhos fixos nas pessoas que haviam acabado de descer da Avenger. Este processo ainda os impressionava, pois Anezir não era um planeta de grandes avanços tecnológicos. Suas maiores qualidades referiam-se a grande capacidade do planeta na área de agricultura a grande oferta de recursos naturais dos mais variados tipos. Uma das expedições de pesquisa da Frota Estelar descobriu o planeta e depois de algum tempo foram feitos os primeiros contatos e nestes os lideres do planeta pediram da ajuda da Federação no sentido de explorar melhor estes recursos. Pouco pode ser feito neste sentido devido a Primeira Diretriz - a própria decisão de mandar as vacinas foi tomada após uma discussão bastante complicada do conselho da Federação- mas este pouco se revelou bastante eficiente e os resultados desta relação surgiram logo. O homem mais velho dirigiu-se ao grupo.
- Sejam bem vindos. Qual dos senhores é o Doutor Adams - sua voz era calma e inspirava conforto e confiança. Adams deu um passo.
- Sou eu. O senhor deve ser Dahai, o Administrador ?
- Sim. Eu o Saúdo, Donald Adams. Aguardávamos ansiosos por sua chegada.
- Lamento nosso atraso, mas assuntos urgentes exigiram nossa atenção.
- O que importa é que estão aqui agora. Peco perdão pela ansiedade, mas gostaria que providenciássemos para que as vacinas possam ser distribuídas entre meu povo.
- Estão a caminho.
Neste momento o segundo grupo se materializou a cerca de 20 metros da posição do primeiro. Ramur ao perceber que tudo estava tranquilo entrou em contato com nave.
- Grupo avançado chamando Avenger.
- Aqui é Hendrik. Prossiga Ramur.
- Tudo calmo por aqui Capitão. As coisas parecem em ordem e creio que não haverá surpresas.
- Entendido . Você e seus homens devem ajudar o Dr. Adams no que for preciso e por favor informe a ele que em breve descerei ao planeta. Avenger Desliga.
Hendrik encerrou a comunicação desorientado. Queria deixar o planeta logo e encontrar com a Livingston, mas as circunstancias que ele havia encontrado em Anezir despertaram sua curiosidade. Algo errado estava acontecendo além daquela epidemia em Anezir e a presença da Hunter sinalizava isto. De qualquer forma, ele levaria quase o mesmo tempo que a Freedom para chegar a até a posição onde deveriam estar seus amigos e se algo acontece-se, a capitã Ivanovich estaria em condições de ajudar.
- Engenharia para comando.
- Aqui é Hendrik. - prossiga.
- Capitão, aqui é Melissa. Como eu temia, vamos precisar realinhar os cristais e teremos que desligar o gerador principal durante o processo.
- Quanto tempo vai demorar ?
- De três a quatro horas. Desculpe não ser mais precisa, mas é um processo delicado e como vou faze-lo pela primeira vez terei que tomar cuidado. A não ser que prefira esperar a chegada do tenente Jean Paul !?
- Pode executar o processo com segurança ?
- Sim senhor.
- Então prossiga, mas não esqueça de ler o manual.
- Entendido Capitão. Engenharia desliga.
- Muito bem Alejandro, Xeque-mate. Vamos ter que ficar mais tempo do que esperávamos por aqui. - comentou Hendrik.
- Notei, mas pelo que vi acho que você já tinha resolvido investigar os acontecimentos !?
- Resolvido exatamente não, mas agora como não depende mais de nós, não custa brincar um pouco de detetive.
- O que acha que pode estar acontecendo ?
- Não sei, mas toda esta situação é muito esquisita.- levantou-se da cadeira, deu uma olhada em volta e então caminhou em direção ao elevador enquanto chamava seu oficial de Ciências.- Sevok, venha comigo. Vamos dar um pulo lá embaixo e xeretar um pouco.
- "Xeretar" , capitão. - retrucou o Vulcano levantando a sobrancelha como de costume.
- Exatamente senhor Sevok, Xeretar. Alejandro assuma e providencie para que as buscas que Sevok estava fazendo continuem, e não deixe de dar uma olhada na engenharia pois Melissa pode precisar de alguma ajuda.
- Tudo bem.
Enquanto os dois saiam Alejandro sentou-se na cadeira tentando imaginar o que passava pela cabeça de Hendrik quando tinha que deixar a nave sob sua responsabilidade. Eles eram amigos de longa data e embora Alejandro soubesse o quanto Hendrik prezava suas amizades, sabia também que quando o assunto eram seus deveres ele fazia tudo o que achasse que tinha que fazer para cumpri-los. Andou algum tempo chateado com as constantes cobranças feitas a ele por causa disto e as conversas com a Doutora Carter e a companhia de Cashmir foram seu único suporte até que ele começasse a aceitar melhor a estafante rotina de exercícios, simulações, estudos de táticas militares e outras matérias que Hendrik havia implantado para os oficiais seniores, inclusive ele próprio. Olhou a sua volta e via os rostos dos tripulantes concentrados em seu trabalho e se deu conta que ao sentar naquela cadeira passava a ter responsabilidades sobre a vida de 700 pessoas. Nunca havia pensado nestas coisas antes, pois acreditava que tão cedo não teria que se defrontar com esta responsabilidade, entretanto o destino não quis assim e as ultimas semanas o levaram a refletir sobre coisas que antes lhe eram distantes, mas agora a necessidade lhe havia atribuído um outro nível preocupações. Talvez agora ele estivesse começando a entender melhor seu amigo. Lembrou-se das instruções de Hendrik e achou que era melhor começar a executa-las. Tocou o console da cadeira para acionar o intercom.
- Senhor Marcos, apresente-se a ponte imediatamente.
Hendrik e Sevok desceram no mesmo local onde os primeiros grupos haviam chegado e onde havia sido montado uma espécie de ponto de distribuição de emergência e por isto o local estava bem mais agitado agora. Varias pessoas divididas em grupos de 10 recebiam containers com as Vacinas das mãos dos oficiais de segurança comandados por Ramur e supervisionados por Adams e ao mesmo tempo em que eram vacinadas. Os dois aproximaram-se de Adams e também foram vacinados por uma dos seguradas. Adams só então percebeu a chegada dos dois oficiais.
- Olá senhores !? Não imaginei que fosse mesmo descer capitão. Achei que ia ficar cuidando dos preparativos para o retorno de sua nave !?
- Teremos que esperar um pouco por aqui. Esgotamos nossos motores e eles precisam de cuidados e até que meu pessoal termine o trabalho ficaremos por aqui
- Algo grave ?
- Não. Somente um pouco demorado.
- Que bom que não seja grave então. Desculpe por ter mantido seu grupo de segurança aqui, mas precisava de alguma ajuda e como a sua equipe médica está reduzida achei que não faria mal em que eles me auxiliassem.
- Eles tem ordens minhas de se colocarem a sua disposição enquanto estivermos aqui doutor, e fico feliz que estejam sendo úteis.
- Obrigado Capitão. Gostaria de aproveitar a oportunidade para me desculpar, pois acho que não tivemos um bom começo.
- Não é necessário doutor. Ambos somos movidos por nossos deveres. Mas aproveitando a situação, gostaria de falar com o senhor sobre outro assunto. Existe outra nave da Federação em orbita de Anezir, a USS Hunter.
- Verdade ? Então foi este o motivo de sua pergunta quando chegamos !?
- Sim, foi. Alguém daqui comentou com o senhor algo sobre isto. Se existem outras pessoas da Federação aqui ou o que a Hunter estava fazendo em orbita de Anezir ?
- Tivemos pouco tempo para conversar Capitão, mas creio que eles não sabem disto. O líder deles disse algo sobre fazer muito tempo que não via um oficial da frota estelar quando viram seus homens. As missões aqui em Anezir sempre foram conduzidas pelo pessoal civil da Federação a equipe de Ramur chamou a atenção dele.
- Isto esta cada vez melhor. Quem é o líder deles ?
- Aquele homem ali, que a propósito esta vindo para cá agora.
- Certo Doutor. Me faça um favor : Não comente nada sobre nossa conversa com ninguém por aqui até sabermos o que está acontecendo.
- Tudo bem. - Adams terminou a conversa e virou-se para receber seu anfitrião.
- Administrador Dahai, este é o Capitão Phillip Hendrik, comandante da USS Avenger e seu oficial de Ciências Sevok de Vulcano.
- Sejam bem vindos senhores e meus sinceros agradecimentos por sua inestimável ajuda Capitão, em nome do meu povo.
- É apenas parte do nosso trabalho, Administrador Dahai. Como está a distribuição das vacinas ?
- Já estamos providenciando para que ela seja distribuída o mais rápido possível, mas infelizmente os locais mais afastadas deverão demorar um pouco para receber o remédio. Não temos meios de distribuição muito rápidos e algumas áreas vão levar alguns dias para terem acesso a vacina.
- Já que vamos ficar aqui algumas horas, podemos usar os transportes para levar as vacinas aos locais mais distantes.
- Isto seria ótimo Capitão. - disse Adams extremamente animado com a idéia.- Ainda não descemos todo o carregamento e se ele fosse desembarcado diretamente nas áreas mais criticas ganharíamos um tempo precioso.
- Capitão - chamou Sevok - Creio que alguns diplomatas da Federação poderiam achar esta atitude uma violação da Primeira Diretriz.
- Ainda bem que não somos diplomatas, e de qualquer forma estaríamos apenas recuperando o tempo que perdemos quando paramos para ajudar a Livingston.
- Sim, isto é seria aceitável. - concordou o Vulcano.
- Esplendido Capitão. Não tenho palavras para agradecer. - Dahai ficou entusiasmado com a oferta de Hendrik.
- Doutor, providencie para que todos os tripulantes recebam a vacina e depois pode coordenar o processo de distribuição.
- Farei isto Capitão. Se me dá licença, vou terminar por aqui para poder voltar a nave e iniciar o processo.
- Fique a vontade Doutor e se não se importa, administrador Dahai, eu gostaria de dar uma olhada breve na cidade. Já faz algum tempo que não deixamos a nave.
- Será uma honra. Vou providenciar para que tenham acompanhantes que lhes mostrem N'aryuy, nossa capital.
- Agradeço a gentileza, mas sua cidade me parece pacifica e o senhor precisa de todas as pessoas disponíveis para distribuir o remédio, a não ser que se incomode que fiquemos sozinhos !?
- De forma alguma Capitão Hendrik e senhor está certo, temos muitos doentes para cuidar mas fiquem a vontade. A saída é naquela direção, apenas peco que não leve em consideração a curiosidade que certamente ira despertar entre os cidadãos, pois eles não vêem pessoas da Federação com frequência.- disse enquanto apontava para um arco do lado oposto onde estavam - Se seguirem por ali vão descer uma escadaria que os levará a praça principal. Pegando a estrada do outro lado dela vão passar pelos portões que dão acesso as ruas da cidade.
- Muito obrigado. - disse Hendrik.- Vamos Sevok, acho que vai ser interessante dar uma olhada no lugar.
- Sim senhor.
Antes de sair, Hendrik chamou Ramur com alguma discrição para longe do grupo e passou-lhe algumas instruções, e em seguida deixou o local.
****
Na Avenger, Alejandro cuidava para que as instruções que lhe foram deixadas fossem cumpridas a risca e enquanto Cashmir cuidava da varredura da superfície do planeta , ele acompanhava o tenente Marcos, oficial de ciências substituto que estava monitorando a USS Hunter que continuava silenciosa em sua orbita desde que chegaram, a cerca de trinta minutos. A total ausência de comunicações era inexplicável ainda mais por que todos os relatórios da superfície diziam que não havia nada de mais acontecendo em Anezir. Por mais que tentasse não conseguia criar uma teoria sobre o que poderia estar acontecendo. Foi chamado a atenção pela voz de Andrei.
- Comandante, o Dr. Donald está impaciente e pergunta por que a demora em transporta-lo.
- Acho que começo a entender por que Phillip não tem muita simpatia pelo bom Doutor. Ponha no áudio.
- Sim Senhor, - tocou um controle no painel e voltou-se para Alejandro. - No áudio agora senhor.
- Aqui é o Tenente Comandante Iglesias Doutor Donald, pode falar.
- Comandante, o que está atrasando nosso retorno a nave. Não recebeu as ordens do capitão ?
- Só peco mais alguns minutos para que o Tenente Farrel possa completar modificações para o que o transporte possa fazer uma descontaminação eficiente. Os dados que o senhor passou sobre este Vírus são um pouco incomuns e não quero arriscar uma contaminação aqui em cima.
- Tenente, eu já lhe disse que este vírus é inofensivo para nós. As pessoas que desceram foram vacinadas apenas por uma exagerada precaução de seu Capitão !
- Sinto muito Doutor, mas também tenho que tomar minhas precauções. Eu não faço os regulamentos, só os cumpro e o regulamento é bem claro neste caso.
- Não me fale de regulamentos, tenho responsabilidades aqui.
- E eu tenho responsabilidades aqui doutor, e o grupo só vai voltar quando os procedimentos estiverem completos, o que não deve demorar muito se o senhor nos deixar trabalhar. Avenger desliga.
Não foi possível ouvir o palavrão que o Doutor Adams disse pois Andrei foi mais rápido em cortar as comunicações. Alejandro que ainda estava ao lado de Marcos aproximou-se da estação de Cashmir e perguntou-lhe de um modo extremamente formal:
- E então Tenente ? Algo a relatar ?
- Nada senhor, nenhum contato fora do normal até o momento. Mas os sensores não podem cobrir toda a extensão do planeta se mantivermos a orbita.
- Tem razão. Tenente Jankis, ao fim da próxima orbita vamos para + 30 graus . Isto deve dar um angulo maior para as leituras mas ainda nos deixa com a Hunter bem a vista.
- Sim senhor ! - Respondeu seu substituto no leme.
Alejandro então se aproximou de Cashmir e disse-lhe baixinho.
- Será que o Doutor Donald está muito zangado comigo ?
- Não acredito que ele lhe mande um presente no natal. - respondeu sem tirar os olhos do painel.
- Acho que estou começando a gostar do posto. Talvez possa me acostumar com isto.
- É disto que tenho medo.
- Cuidado tenente, como seu oficial superior posso lhe punir por insubordinação.
- Faça isto e vai ficar bastante tempo sem frequentar o meu alojamento, Comandante.
- Isto é jogo sujo.
- Como você mesmo diz, no amor e na guerra vale tudo.
A conversa dos dois foi interrompida pelo som do Intercom .
- Sala de Transporte para comando.
- Comando ! Pode falar Farrel.
- Procedimentos para descontaminação estão prontos Comandante.
- Ótimo ! Traga o doutor Adams para cima junto com o grupo antes que ele tenha uma colapso nervoso.
- Farei isto. Sala de transporte desliga.
- Comandante - chamou Marcos - Estou registrando algumas variações na orbita da Hunter.
- Variações !? Que variações ?
- Pequenas variações bem sutis em sua orbita. Isto aconteceu duas vezes de forma ascendente e uma de forma descendente. Estas variações são acompanhadas de pequenas flutuações na curva de energia da nave, como se os sistemas estivessem oscilando. Sei que não é muita coisa mas,,,,
- Pelo contrario, Marcos. Este tipo de anomalia é totalmente anormal em uma nave estelar, e ainda mais improvável em uma nave da classe Intrepid recém lançada. Continue seu trabalho e me informe se algo novo acontecer.
- Sala de transporte para comando. - Soou o Intercom.
- Comando. O que foi agora Farrel ?
- Aqui é Ramur comandante, e trago instruções do Capitão.
- Prossiga .
- Ele disse que as comunicações externas não devem fazer nenhuma menção a qualquer acontecimento em relação a Anezir ou a presença da Hunter que não diga respeito a doença do planeta e mesmo assim fatos que já sejam de conhecimento de todos. Qualquer outra informação deve esperar que ele retorne a Avenger.
- Está bem Ramur, obrigado. Ponte desliga. Isto está parecendo xadrez - comentou Alejandro - e eu detesto Xadrez.
- Comandante - chamou Marcos novamente .
- O que foi agora ?
- A Hunter acaba de transportar alguém lá par baixo.
- É mesmo !? Interessante ! Qual a localização ?
- Bem perto do local onde estava nosso grupo avançado.
- O que eles teriam ido fazer lá ?
- Difícil dizer, mas acho que dá par descobrir. Chame a sala de transporte novamente.
- Farrel falando.
- Ramur ainda está ai ?
- Estou aqui comandante.
- A Hunter acaba de descer um grupo para Anezir. Quero que vá até lá e tente descobrir o que foram fazer.
- Estou caminho.
****
Instantes depois Ramur e mais dois oficiais haviam descido bem próximo a um dos pontos de distribuição das vacinas que haviam sido montados na cidade. Haviam muitos doentes de forma que foi necessário montar um esquema de emergência em que qualquer pessoa que estivesse ainda com saúde poderia ser um agente de distribuição. Ramur olhou em volta tentando achar os oficiais da Hunter que teriam descido, mas não conseguiu vê-los. Percebeu então o quanto seus uniformes chamavam a atenção dos locais que não estavam acostumados a presença constante dos membros da Frota Estelar e chamou os seus homens para um local mais discreto.
- Vocês viram alguém ? - perguntou aos dois que responderam com uma negativa.
- Será que eles já voltaram ou então deixaram a área antes que chegássemos ? - perguntou Oliver, um dos oficiais de segurança.
- Não creio. Desceram a menos de cinco minutos .
- Então onde estão eles ? - agora era Alex quem perguntava.
- Boa pergunta. - Ramur ficou olhando para as pessoas na praça por alguns instantes se repetindo a mesma pergunta até que teve um estalo.
- Droga!!! Como sou burro ! Podemos usar o tricorder para encontra-los.
- Mas vamos procurar o que no meio deste monte de gente ?
- O sinal dos seus comunicadores.
- Tem razão - disse Oliver já pegando o aparelho para fazer os ajustes necessários, que levaram poucos segundos e já partiu para rastrear o local. Começou a descrever um arco com o aparelho na direção da multidão e não demorou muito para captar o sinal que queria.
- Lá, naquela direção - disse apontando com o próprio aparelho. - a 143.5 metros.
- Isto é bem no meio do local onde estão distribuindo as vacinas !!! - disse Alex
- Tem razão. - concordou Ramur com o olhar na direção apontada por Oliver.- precisamos ir lá mas sem chamar atenção.
- Como com estes uniformes ? Teremos que ir a Avenger trocar estas roupas.
- Eles podem ir par qualquer lugar neste tempo e nós os perderíamos. - Ramur pensava no que podia fazer e então observou que alguns dos habitantes locais transitavam tranquilamente com o tórax nu, então abriu a parte de cima de cima de seu uniforme abaixando-o até a linha da cintura fazendo com que não se notasse com o que estava vestido - enquanto era observado por Oliver e Alex com algum espanto.
- Vou até lá. Fiquem aqui e vão me guiando. Se eu chegar no meio da multidão sem ser visto as botas e as calcas não vão ser problema. - disse isto e saiu para o meio da rua procurando andar próximo aos grupos maiores. Alguns metros a frente se ofereceu para ajudar uma mulher que carregava uma cesta e que muito afortunadamente ia na mesma direção. Alguns passos e ele estava no meio das pessoas que aguardavam para pegar as caixas com as vacinas para distribuição. Deu uma olhada para o local de onde tinha saído procurando por seus companheiros e pode perceber Oliver fazendo um sinal indicando que ele estava próximo dos homens que procurava. Olhou em volta e concluiu que as pessoas que procurava só podiam estar em roupas civis nativas. Passou os olhos nas pessoas procurando algum detalhe que pudesse denunciar quem ele estava procurando, e então notou um grupo um pouco a sua frente de costas para ele usando botas do uniforme da frota estelar. - “Bingo”- pensou ele enquanto tentava esconder seus próprios calcados atras dos cestos e caixas que estavam no chão. O grupo que só podia ser formado pelas pessoas que ele procurava estava na fila para pegar os engradados com a vacina. - “Estranho”- . Os homens se aproximaram de um balcão improvisado a frente de algo parecido com uma barraca de campanha onde pegaram um engradado com vacinas e saíram do local rapidamente. Ramur aguardou um pouco até ter certeza de que eles não o notaram e então foi na mesma direção, devolvendo o cesto que ainda segurava até então a mulher que nada entendeu. Eram quatro pessoas que seguiram pelas ruas menos movimentadas até entrarem em um beco. Ramur apressou o passo aproximando-se do local e tentou olhar escondido atrás de uma parede o que estaria acontecendo. Chegou a tempo de ver o grupo desaparecer sob a ação de feixe de teletransporte.
- Eles vieram buscar a vacina. Então, devem estar doentes também. - disse para si mesmo olhando para o local onde antes estavam o grupo que ele havia seguido.
****
Não muito longe dali Hendrik e Sevok perambulavam pelas ruas de N'aryuy e longe da agitação dos pontos de distribuição a cidade parecia quase deserta. Era claro que a grande maioria da população estava doente e os que não estavam cuidavam dos enfermos. Apenas um ou outro passante ocasional levando ou trazendo algo e cuidando dos afazeres cotidianos até onde era possível. A cidade longe do prédio onde estava estabelecido o governo era formada de construções simples em madeira e pedra maciça e a vida ali parecia bem simples. Cuidar da agricultura e da extração mineral era a atividade de quase toda a população e o desenvolvimento industrial estava em seus estágios iniciais e era restrito as necessidades de melhorias dos índices de colheita e prospeccão de minérios com exceção da industria naval que era bastante moderna se comparada com os outros segmentos. Este poderio naval que permitiu a Anezir conhecer e integrar os diversos povos que habitavam as mais diferentes áreas do planeta. Com o envolvimento da Federação com Anezir esta passou a comprar o excedente desses produtos e isto gerou recursos que começaram a movimentar o desenvolvimento econômico e está era a parte que mais preocupava os cientistas e observadores da Federação pois em outras culturas análogas aquela era neste ponto da Historia que sempre ocorriam problemas, mas o consenso era de que com a chegada da Federação apenas se acelerou um processo que era inevitável, além do mais Anezir também era observada pelos Ferenguis que com certeza não teriam os mesmos cuidados. Era um caso de usar o remédio que apresentava os menores efeitos colaterais. As observações que Sevok e Hendrik estavam fazendo acrescentavam muito pouco aos dados que eles já possuíam sobre o planeta.
- Parece que não há muito o que se ver aqui Sevok .
- Pelo contrario, Capitão. Muitos sinais dos múltiplos estágios de evolução Histórica de vários planetas que conhecemos estão presentes aqui da forma mais heterogênea possível.
- Muito interessante, mas eu me referia ao nosso problema.
- De certa forma Capitão, eu diria que podemos concluir que se existe um mistério, a origem não está em Anezir.
- Especulando de novo !?
- Absolutamente não senhor, mas veja os fatos: este planeta não tem nada que nós já não tenhamos acesso, e se descobríssemos qualquer outra coisa o governo de Anezir não hesitaria em nos deixar usufruir, desde que recebessem a devida compensação, e é nisto que baseio minha conclusão.
- Simples assim ?
- Não vejo outra avaliação possível.
- Talvez tenha razão, nas creio que não temos muito mais a fazer por aqui. Vamos subir e ver se Alejandro teve mais sorte.
- Concordo.
- Hendrik para Avenger. Dois para subir. - e desapareceram sob os olhares curiosos de alguns poucos habitantes.
De volta a Avenger ambos seguiram rapidamente para a ponte onde Alejandro continuava observando os progressos nas observações.
- Olá Capitão. Como foram as coisas lá embaixo ?
- Pouco conclusivas. Qual a situação da trabalhos de manutenção na engenharia?
- O trabalho de recomposição prossegue dentro do esperado. Deveremos ter nossas operações normais restabelecidas em três horas.
- Noticias da Livingston ?
- Não, mas existe uma tempestade iônica interferindo nas comunicações.
- O dia não parece muito bom. Conseguiu alguma coisa enquanto estive fora ?
- Algumas coisas. O mais importante é que a Hunter desceu um grupo de pessoas ao planeta disfarçados como habitantes locais e levaram a bordo um engradado com vacinas.
- O Que !!!!! - espantou-se Hendrik. - Isto significa que eles devem estar doentes. Mas o Dr. Adams disse que éramos imunes !?
- É, mas pelo jeito ele estava enganado.
- Andrei, chame-o aqui imediatamente.
- Sim senhor.
- E o que mais descobriu .
- Marcos passou o tempo todo monitorando a Hunter e neste tempo ela apresentou variações aleatórias ascendentes e descendentes em sua orbita e flutuações na sua curva de energia.
- Estranho. Alguma indicação do motivo ?
- Nenhuma. Existem dezenas de possibilidades técnicas mas todas improváveis em uma nave como aquela.
- O que será que está acontecendo ? - neste instante o Dr. Adams entrou na ponte como sempre irritado.
- Capitão Hendrik, por que será que o senhor e seus oficiais adquiriram o hábito de me interromper com tanta frequência ?
- A questão aqui é outra Dr. Adams - disse Hendrik levantando-se de sua cadeira e se colocando no caminho de Adams com um ar ameaçador somente presenciado antes por Alejandro anos atras. - Meus oficiais descobriram que a tripulação da USS Hunter pode ter adquirido a doença que o senhor diz que não nos afetaria.
- Impossível ! Fizemos testes com o vírus e sua estrutura era ineficaz contra os humanos.
- Estes testes - disse Sevok - incluíram uma cultura que analisasse a evolução do vírus em um ambiente livre e as semelhanças entre o povo de Anezir e outros planetas da Federação tais como a Terra ?
Adams desviou o olhar de Hendrik que se mantinha em pé a sua frente aguardando uma resposta, abaixou a cabeça e então disse :
- Não tínhamos tempo para realizarmos tais testes, pois a situação aqui estava começando a escapar do controle. Apenas fizemos o necessário para desenvolver uma vacina.
- Então o Vírus pode ter evoluído para um espectro mais amplo ? - concluiu o Vulcano.
- Sim, pode .
- Que maravilha ! Quer dizer em breve poderemos ter uma epidemia por aqui, pois sequer sabemos se a vacina ainda é eficaz ? - disse Hendrik.
- Não acredito - disse Adams - pois as providências do comandante Iglesias devem ter prevenido isto.
- Providências !? Que providências ? -
- Quando recebi a informação de que o grupo avançado voltaria, pedi ao Dr. que permitisse o acesso do Tenente Farrel e do Tenente Marcos aos seus registros, para que eles pudessem programar o transporte de forma mais eficiente para descontaminação dos grupos que retornassem. Quando passamos a suspeitar da contaminação a bordo da Hunter, ordenei a imediata vacinação de todos os tripulantes, mas como não temos certeza que a vacina ainda pode nos proteger mandei que todos os integrantes do primeiro grupo de descida se apresentasse ao laboratório médico para observação e embora ainda seja muito cedo eles não parecem apresentar nenhum sinal de desenvolvimento da doença.
- Pelo menos isto. - Hendrik respirou aliviado. - Bom trabalho Alejandro.
- Obrigado, mas acho que não progredimos muito.
- Tem razão ! Temos uma nave misteriosa apresentando algum defeito estranho possivelmente contaminada e que não fala nada e não podemos obriga-los dizer o que está acontecendo aqui.
- O que pretende fazer ? - perguntou Sevok.
- Ainda não sei, mas temos cerca de três horas então vamos aguardar e ver se aparece mais alguma coisa. Por enquanto todos vocês devem voltar a seus postos e continuar o seu trabalho. Dispensados.
****
Enquanto isto na Demetrius arrastava-se uma longa espera, menos tensa do que na nave da Federação mas nem por isto menos entediante. Conrad havia colocado sua nave numa posição que julgava confortável e aguardava com paciência por um sinal da presa que estava sob vigília, qualquer um que lhe desse a certeza necessária para avançar mais. Apesar da aparente demonstração de segurança que dera frente a Eleonor não estava investido de tanta certeza como quisera fazer parecer. Ele calculava suas possibilidades mentalmente enquanto observava seus “associados”, como ele mesmo costuma se referir aos homens que o seguiam, discutir entre si se e como deveriam levar a frente a sua intenção inicial. As comunicações que haviam interceptado através da bóia de comunicação deixada no segundo campo minado davam conta do péssimo estado em que a Livingston deveria estar, e que devia contar com uma tripulação mínima agora pois a se a outra nave teve de deixa-la certamente o fez por ter alguma outra missão importante e não poderia dispor de muitos tripulantes, e mesmo os que ficaram deveriam ser em sua maioria pessoal médico e de manutenção, entretanto com a explosão do campo a bóia também se foi e agora ele só podia especular. Sabia que a nave ainda não havia recuperado sua capacidade de dobra e que isto fatalmente levaria os bancos Phasers junto, que seus escudos estavam operacionais, mas ele podia dar um jeito nisto. Sim, suas chances eram boas mas aquela nave estelar ainda era perigosa se tivesse um bom comandante, coisa que ficou em duvida pela forma como ela foi facilmente posta fora de ação mas o Capitão da Livingston deveria ser o seu velho conhecido Peterson e a visão de Eleonor o havia confundido um pouco. Teria o velho Peterson sucumbido ao peso dos anos e substituído por aquela novata ? Não seria impossível pois com tantas perdas que a Frota vinha tendo não era incomum ver jovens em posições antes preenchidas por pessoas mais experientes, com raras exceções. Ele não podia imaginar o que estava acontecendo mas tinha que decidir pois logo a Freedom chegaria. Se tivesse sucesso ganharia um bom dinheiro alem do sabor de subjugar uma nave da Federação, um prêmio particular. Esperava que algo lhe dissesse o que fazer e quase se arrependeu de não ter nenhuma estúpida crença. Saiu de seus devaneios despertado pelo alarido que o seu oficial andoriano fez ao entrar na ponte.
****
- Comandante - disse Shenki entrando apressado no centro de comando da nave pirata - Terminei aquela verificação que pediu !!! Os registros da Livingston são antigos, mas não mostram nenhum oficial comandante chamado Eleonor Carter, porém descobri algo interessante. Fiz uma busca mais ampla e descobri que existe uma Doutora Eleonor Carter na frota. Não sei onde ela está servindo agora mas,,,
- É ISTO !!!!!! - gritou enquanto esmurrava a cadeira - Eu sabia que a conhecia. Servi com ela a alguns anos. Aquele cabelo preso ajudou a me confundir, mas agora não há duvidas.
- Significa que eles estão blefando. - disse o Merk. - Por algum motivo eles estão sem oficial comandante.
- Estúpidos. - disse Conrad enquanto levantava-se para ordenar o ataque - Alerta vermelho. Vamos atacar.
****
A bordo da USS Livingston, os preparativos para o plano de Eleonor estavam finalizados e os oficiais do comando estavam em suas posições para o caso de uma emergência e ela havia passado em cada uma destas áreas e conversado com os tripulantes. Queria saber o que sentiam e não se surpreendeu ao perceber que eles tinham medo, tanto quanto ela e a única coisa que podia fazer era compartilhar este medo com aqueles homens e mulheres e aprender com eles a sua compostura diante do inevitável, que fazia com que continuassem cumprindo suas tarefas da forma mais normal possível desconsiderando as possibilidades que lhes eram favoráveis e torcer para que Conrad desistisse. Além disto caminhar era melhor do que ficar sentada naquela cadeira fria olhando para uma nave estática como se fosse um abutre, um símbolo de mal agouro. Acabara de passar pelo convés de recreação e seguia agora em direção a engenharia a fim de ver os progressos de Jean Paul, apesar de já saber muito bem qual o estado atual destes progressos, quando se deparou com uma tripulante fechando um dos painéis que davam acesso a alguns condutores havia acabado de substituir. Não precisou de mais que alguns segundos para reconhece-la.
- Olá Vthyr. Pensei tela deixado na ponte.- não havia repreensão na voz de Eleonor, apenas um comprimento sincero.
- Ah!? - a alferes virou-se surpreendida pela companhia inesperada - É a senhora Doutora ? Desculpe ter deixado a ponte, mas não havia nada que eu pudesse fazer por lá e como o tenente Krieg não se opôs achei que seria mais útil ajudando o pessoal da manutenção. - disse enquanto guardava a chave que acabara de usar em uma caixa.
- Não tem por que se desculpar alferes. Eu não estou no comando de verdade e além do mais sinto-me como você, e lamento não ter as suas habilidades que alias são muitas pelo que tenho visto.
- Não pretendo ser oficial de segurança a vida toda e tento me esforçar para isto.
- Vem conseguindo um bom resultado pelo jeito. Você já acabou que estava fazendo ?
- Sim, e estava indo para engenharia devolver estas ferramentas.
- Também estou indo par lá.
- Então vamos. E obrigado pelo elogio. - ambas começaram a andar lentamente pelo corredor e Eleonor viu uma boa oportunidade de ter uma conversa mais informal com a alferes, até por que diferente de outras ocasiões desta vez ela estava bastante cooperativa.
- Eu é que devo agradecer, afinal você deu umas boas idéias lá na ponte.
- É bom ser útil, ainda mais na nossa situação, e por falar nela, o que a senhora acha de nossas chances ?
- Par ser sincera, você tem mostrado entender melhor destes assuntos do que eu, mas se quer mesmo saber eu acho que não tão ruins. Se eles pararam é por que não tem certeza de que podem conosco e estão esperando alguma reação nossa, e se resolverem atacar temos nossas armas, capacidade total de manobra, e os escudos estão operacionais e se fizermos algum barulho eles devem desistir.
- Mas se eles optarem pela abordagem ?
- Ai já sabemos o que fazer não é ?
- Sim sabemos, mas muitos dos nossos tripulantes não são,,, guerreiros e podem ter dificuldades, apesar de eu achar que seu plano pode ajudar bastante.
- Eu espero ter pensado de forma correta, pois uma vez iniciado será impossível voltar atrás rapidamente e se eles optarem por outra linha de ação varias áreas da nave ficarão vulneráveis, sem falar que o pessoal de manutenção vai ter dificuldades em fazer o seu trabalho.
- Mas acho que agiu corretamente. Não temos condições de cobrir todas as possibilidades, então é melhor cobrir a mais provável.
- Vamos torcer para isto. Mas mudando um pouco de assunto, posso perguntar por que Krieg a escalou para vir para cá ? Quase ninguém da segurança ficou aqui.
- Eu não fui escalada, eu pedi par vir.
- E por que ?
- A Avenger tem sido uma boa nave doutora, mas desde que me juntei a vocês as coisas estão calmas demais para o meu gosto, então achei que aqui talvez houvesse algo diferente par fazer, e acho que não me enganei.
- Então você esperava um pouco mais de agitação ?
- Acho que ninguém entra na Frota Estelar par passear, e se me permite ser honesta, quando soube que íamos para Zona Neutra Romulana eu pensei que íamos ter alguma ação, como as coisas que eu li nas aulas de Historia o que acabou não se confirmando. Não acho que a senhora vá entender, mas fico feliz de estar aqui agora e se eu morrer em combate, então terei morrido com honra, e isto me basta.
- Espero que isto não seja necessário, mas este seu sentimento dever ter algo a ver com sua herança Klingon.
- Acredito que sim. Minha mãe me ensinou muito a este respeito.
- E seu pai ? Seus registros não falam dele !
- Nunca o conheci e o tudo o que sei sobre ele é o que minha mãe me dizia : que ele era um grande guerreiro e isto tem sido suficiente.
- Entendo. E por que escolheu servir na Frota Estelar ao invés de Forças do Império ?
- Aprendi muito com minha vida entre os Klingons a finalmente achei que era hora de conhecer o outro lado.
- Se você se interessa em aprender, realmente não tem muito a ver com eles.
- Existem muitas coisas sobre os Klingons que não sabe, doutora.
- Desculpe, mas não quis ofende-la.
- Não tem por que se desculpar. Acho que não vou até a engenharia, se a senhora puder devolver isto par mim eu vou ver se acho algum lugar onde eu possa ser necessária.
- Mas é claro que sim, - disse pegando a caixa - E com certeza você encontrará algo par fazer. E Vthyr, foi bom conversar com você,,,!!!
- Obrigada Doutora.
Eleonor saiu analisando a conversa inesperada que teve com a jovem alferes, e que julgou bastante interessante, mas não havia muito tempo para se concentrar nisto agora e lembrou-se de checar a situação, o que a fez tocar seu comunicador.
- Carter para Comando !?
- Comando.
- E então Gart, ele continua parado ?
- Sim doutora, continua mantendo posição.
Ela não podia de deixar de achar este comportamento muito estranho, pois eles deviam saber que a Freedom está vindo par cá. O que será que poderia estar acontecendo ?
- E Victor, o que descobriu sobre Conrad ?
- Não muito além do que a senhora já havia nos dito doutora. Leroy Conrad se formou na Academia da Frota Estelar em 2360 com a nota mínima exigida e depois vagou por vários postos sem expressão até pedir baixa em 2367. De lá para cá não se ouviu mais falar dele até agora. Apenas um dado curioso: Ele serviu na primeira nave estelar da classe Excelsior a receber o nome USS Livingston, descomissionada na época.
- Diga a ele que fez um bom trabalho. Carter desliga.
Ao fim da comunicação ela já estava dentro da engenharia aproximando-se de Krieg que estava verificando alguns detalhes de ultima hora e que teve a chance de ouvir a ultima informação.
- Será que ele pensa que esta é nave onde ele serviu. - perguntou Krieg, enquanto Jean Paul juntava-se aos dois.
- Creio que sim - ela respondeu - . Durante a ultima comunicação chamou esta nave de “velha”, provavelmente acreditando que se trata da mesma nave.
- É possível, mas não vejo como isto pode nos ajudar. - ele disse um pouco depois de que Jean Paul se juntou a eles.
- Talvez possa - comentou o engenheiro que acompanhava a conversa dos dois - a potência dos atuais bancos Phasers mesmo sem o gerador Warp para amplifica-la ainda é bem superior a que ele conhece, assim como as taxas de dissipação dos nossos escudos, capacidade de manobra, e alcance das armas. Alcance !!!! - exclamou Jean Paul enquanto dava um salto para um dos painéis e inicializava o controle tático através do console da engenharia. Em seguida voltou-se para os dois oficiais que o observava com alguma surpresa a atitude do Engenheiro :
- Ele está parado exatamente onde seria o limite para precisão das nossas armas caso esta fosse uma nave do mesmo tipo em que serviu. Acha que está seguro ali.
- Ótimo. Quanto mais informações erradas a nosso respeito ele tiver maiores são nossas chances de sucesso. - disse a “Capitã” Carter.- Você e Harris conseguiram o que lhe pedi ?
- Acho que sim. Montamos vários aparelhos que emitem ondas eletromagnéticas e os espalhamos pela nave, o que deve complicar um pouco as leituras dos sensores deles de forma que será impossível precisar quantas pessoas estão em cada lugar.
- E se nos precisamos transportar alguém ?
- Podemos faze-lo travando no sinal dos comunicadores.
- Bom trabalho Jean Paul. Krieg, como está a tripulação ?
- Todo pessoal que não está de serviço foi removido para o convés de recreação e os grupos de segurança já estão em posição.
- Ótimo. Creio que já discutimos tudo o que podia ser discutido e só resta continuar aguardando que nossas suspeitas não se confirmem, em todo caso estaremos preparados.
- Enquanto isto farei mais uma verificação nas alas. – disse isto e saiu deixando Jean Paul com Eleonor.
- E como anda a manutenção dos motores ?
- Infelizmente ainda vamos levar cerca de meia hora para completar os reparos e depois precisaremos de uns quinze minutos para religar tudo. Ficamos desligados muito tempo e vai demorar um pouco para reiniciar a reação da anti-matéria.
-Entendo. Espero que tenhamos este tempo.
- Creio que nossa situação seja bem difícil “Capitã”. - disse Jean Paul enquanto observava Krieg deixar o local.
- Nem tanto. Nossa situação não é tão ruim. A maior parte dos sistemas está funcionando e não sabemos o que o Sr Conrad pretende, apenas estamos tomando precauções. Sei que está preocupado mas sairemos desta.
- Acredito que sim, e só queria dizer que está fazendo um bom trabalho. Tem certeza que é sua primeira vez no comando? Vai indo bem até agora.
- Absoluta. Mas sou muito observadora.
- Que ótimo que seja assim. Se me da licença vou voltar ao trabalho. Quero ver se coloco estes motores para funcionar.
- Tem razão. Vejo você depois. E Jean Paul,,,,,, Obrigada pela confiança !
Jean Paul não disse nada, apenas retribuiu o olhar de Eleonor com um sorriso e tomou seu caminho. Ela voltou então sua atenção para a pequena tela que mostrava a Demetrius e fitou a imagem por algum tempo pedindo que a sorte estivesse a seu lado. Teoricamente suas chances não eram tão ruins, mas aquilo não era um simulador, como Hendrik gostava tanto de dizer. Deu meia volta e se saiu da engenharia. Mal pós os pés no corredor ouviu o intercom chamando por ela.
-Ponte para Dr.a Carter.
-Aqui é Carter, prossiga.
-Eles começaram a se mover.- Disse a voz preocupada de Gart – Ainda não da par saber se vão embora ou ,,,,,.
-Vamos para alerta vermelho e informe todas as alas para iniciar procedimentos de emergência conforme combinado.
-Entendido – ponte desliga.
-Parece que não é meu dia de sorte. – disse par ela mesma enquanto entrava no elevador sem compartilhar a mesma boa de fé de Gart e sentiu o medo perfurar seu corpo como um punhal mas ela precisava aprender a conviver com ele. Entrou no turbo elevador pensando no que aconteceria nas próximas horas.
- Ponte Auxiliar ! - sua voz não tinha a costumeira confiança, mas ela sabia que tinha que dominar isto.
****
Na Demetrius a agitação era grande. Grupos extremamente variados, compostos de varias raças diferentes surgiam entre os corredores apertados ocasionalmente se atropelando enquanto tentavam chegar a seus postos. Havia uma intensa luz vermelha se misturando a iluminação normal indicando a situação de alerta. No convés principal o Klingon Klevlar organizava os grupos de desembarque com extrema satisfação após as angustiantes horas de espera. Na ponte, Conrad acertava com Shenki os detalhes táticos da empreitada observado pelo impaciente Ferengui, que era o “elo comercial” do grupo e por isto não tomava parte nas ações militares.
-Vamos agir segundo o nosso procedimento padrão. Liberem os grupos assim que estiverem prontos. - disse Conrad enquanto recebia os relatórios das alas.
-Não devemos esquecer que ainda é um cruzador da Federação. Será que conseguimos derrubar os escudos ? - o Andoriano mantinha sua postura reticente.
-Somos jogadores e o jogo tem seus riscos, Shenki, mas se não conseguirmos eles não estarão em condições de nos seguir.
-Ficaremos sem capacidade de dobra por muito tempo. Como pode ter certeza ?
-Eles estão viajando em máximo impulso e mesmo que reparem os motores, coisa que será ainda mais difícil sob ataque, ainda vão precisar de alguns minutos para poder reinicia-los e podemos sair da área neste tempo se acharmos que vamos ter problemas.
-Então vamos lá. Klevlar informa que os grupos estão em posição.
-Iniciar sequência de separação.
-Iniciando sequência agora.
****
Ouviu-se então o inicio de uma contagem e em toda a nave começou a ecoar uma sequência de sons de travas se soltando, gases em pressão sendo liberados enquanto outras comportas era trancadas. - ALERTA! PROCEDIMENTO DE LIBERACÃO EM ANDAMENTO. LIBERACÃO TOTAL EM DEZ MINUTOS ! CINCO MINUTOS PRA TRAVAMENTO DAS COMPORTAS - Repetia a voz mecânica do computador enquanto metade da área da nave foi deixada deserta nos minutos que haviam sido anunciados. Ao fim deste tempo a Demetrius começou a cuspir gases pelo espaço como se estivesse suspirando em sofrimento e aos poucos começou a ver que ela estava se dividindo. Uma das partes era formada pela grandes estruturas de sustentação das naceles Warp - que agora pareciam estar mortas - numa forma que lembrava uma enorme asa de morcego invertida, onde haviam ficado toda tripulação e a maioria dos sistemas principais. Começou a se mover em forca de impulso em direção a Livingston. A outra parte de forma cilíndrica e alongada que ia se alargando na direção da popa enquanto a proa tinha uma abertura que parecia uma boca de um tubarão aberta estava deserta mas também avançava embora num curso que a afastava lateralmente da sua outra parte.
- Processo de separação completa. Ambas as seções em curso de interceptação.- informou Shenki de olho nos controles.
- Qual a situação do alvo ?
- Mantém curso e velocidade. Nenhuma ação até agora.
- Eles devem estar tentando imaginar o que estamos fazendo , mas quando descobrirem será tarde. Assuma o comando , estou indo me juntar ao grupo de desembarque. Deve levar a nave até alcance de transporte e depois que nos deixar lá volte a posição de espera. Se houver problemas informarei para que nos tire de lá.
- Entendido. Estou iniciando agora sequência de detonação.
- Vejo você daqui a pouco.
- Boa sorte.
****
Na Livingston as manobras da Demetrius estavam sendo observadas com curiosidade.
- Eles terminaram a separação Doutora. - informou Vthyr, que havia voltado a ponte e reassumido o tático.
- Senhor Harris, é possível saber o que está acontecendo lá ?- disse Eleonor da cadeira de comando.
-Tudo o que os sensores informam que é a seção cilíndrica contém os geradores de forca principais, mas está totalmente vazia. A outra seção apresenta um gerador suficiente para fazer funcionar maioria dos sistemas, menos os motores de dobra.
-Estranho - disse Eleonor - Ele está abrindo mão da capacidade Warp, mas por que ?
-Os níveis de Energia na seção abandonada estão subindo de forma incrível.- Harris então percebeu o que estava acontecendo - Doutora, aquilo é uma espécie de canhão Phaser. Eles estão concentrando toda a energia disponível naquela seção provavelmente para disparar com a máxima intensidade possível.
-E por que a separação ?
-Os níveis de radiação na seção estão elevados demais - disse Vthyr após fazer a leitura de seus controles- Qualquer que estivesse ali morreria. A separação serve para evitar que isto aconteça e ainda lhe uma boa opção tática.
-Doutora, - chamou novamente Harris - De acordo com as leituras de energia que tenho, eles podem conseguir um disparo com intensidade suficiente para derrubar nossos escudos.
-Vamos disparar os torpedos. Nosso alvo será o canhão.
-Torpedos fotônicos armados e travados no alvo.
-Então dispare ! - ordenou a ainda desajeitada comandante.
Os torpedos brilharam em direção ao alvo de forma incontestável e o atingiram em cheio, entretanto sem causar grandes danos.
-Negativo para ação dos torpedos Doutora. Impacto foi insuficiente e a seção ainda conta com escudos.
-Então é assim que ele espera conseguir o que pretende ! Não me perece uma tecnologia muito comum. Como é que esta coisa esta vagando por ai na mão de qualquer um ?
-Não é tão eficiente quanto parece. - comentou Harris enquanto tentava recalibrar os escudos -. Depois do primeiro tiro eles vão ter que ficar alguma tempo sem disparar até poderem armazenar energia necessária de novo, e estão sem os motores de dobra como a senhora mesmo notou. Devem achar que estamos bem mal.
-Estou contando com isto.
-Eles já estão em alcance suficiente para transporte. Doutora - informou Vthyr - Se me permite, irei para a engenharia.
-Permissão concedida, mas ande rápido pois não podemos arriscar muito.
-Só preciso de 30 segundos . - e pulou da cadeira onde estava indo em direção ao elevado
-Iniciar fase dois do procedimento de emergência em 30 segundos a partir desta marca.
-Marcando.
****
Na seção principal da Demetrius os grupos aguardavam nas plataformas de teletransporte enquanto Conrad recebia as informações de Shenki pelo Intercom.
- Ambas as seções em posição. Seção de engenharia sob ataque mas os escudos estão aguentando.
- Disparar. - ordenou Conrad.
A boca da seção de engenharia se abriu em um brilho intenso e lançou seu golpe na forma de um raio vermelho intenso que deveria ser certeiro e fatal contra a Livingston.
****
-Eles dispararam. - antes que Gart terminasse de falar a nave adernou violentamente a Bombordo ao ser atingida. Enquanto tubos explodiam por todo lugar as luzes piscaram por um breve instante antes que a iluminação de emergência começasse a funcionar. Lentamente Gart foi trazendo nave de volta a sua posição.
- Relatório de danos !?! - Gritava Eleonor em meio a confusão.
- Escudos caíram, como previsto e danos leves em toda a nave. Os campos que vedavam os rombos no casco em vários decks cederam, mas felizmente eles estavam vazios. O restante está O.K.
- Informe a todas a alas para estarem preparadas. Se eles vierem, será agora.
****
Na Demetrius, Conrad deu a ordem para ser transportado assim que recebeu a confirmação de que os escudos haviam caído. Seu plano era simples: Ele iria com um grupo e tomaria a ponte, enquanto Klevlar se encarregaria de dominar a engenharia. Um terceiro grupo dominaria o transporte. O resto do pessoal de desembarque se espalharia pela nave em posições menos estratégicas e iria dominando os tripulantes que ainda tentassem oferecer alguma resistência, que não devia ser muita uma vez que a Livingston tinha sua tripulação muito reduzida. Ele devia agir rápido para evitar que os mecanismos de anti-intruso fossem ativados, bem como a autodestruição. Contava com a vantagem de que uma médica não estava a tomar decisões de comando e só perceberia o que estava acontecendo quando fosse tarde demais. Enquanto pensava sentiu o efeito do transporte em seu corpo e começou a imaginar os lucros e em alguns segundos estava se materializando na ponte da Livingston, conforme seu plano,,,,,
Na engenharia o grupo de Klevlar acabava de desembarcar de armas em punho e em posição de combate. Não esperavam muita resistência, mas o que encontraram era totalmente inesperado. Não havia ninguém a vista e todas as estações estavam abandonadas, surpreendendo a todos que após alguns instantes de perplexidade, começaram a sair de suas posições. Klevlar era o mais curioso.
- Onde eles estão ? Tinha que ter alguém aqui, ou são mais covardes do que eu pensava !? - disse olhando em volta. Sua pergunta foi respondida pelo som de um Phaser disparando, logo seguido de vários outros. Tripulantes comeram a sair de todas as partes disparando seus rifles contra o grupo de invasores que não tinham para onde escapar. O Klingon então percebeu e gritou ,,,
- ARMADILHA !!! PROTEJAM-SE !!!!
Mas era tarde, pois eles já estavam sob pesado fogo vindo de todas as direções e incapazes de reagir, e com mais da metade do grupo liderado pelo Klingon fora de ação. Klevlar ainda tentou pedir ajuda.
- AQUI É KLEVLAR !!! ESTAMOS SOB FORTE ATAQUE NA ENGENHARIA E PRECISAMOS DE REFORCOS !!! ALGUEM RESPONDA !!! Após alguns longos segundos ouviu-se uma voz tendo como fundo o disparo de Phasers.
- Aqui é Trenali, líder do grupo três. Estamos presos !!! Os elevadores foram desligados e as portas de emergência foram baixadas isolando todos os decks, e também estamos sob ataque.
- Não havia tempo deles terem feito isto depois que chegamos. - respondeu Klevlar desesperado.
- Fizeram antes de chegarmos senhor. Eu ,,,,. - o comunicador ficou mudo de repente e Klevlar sabia muito bem por que. Pensava em como sair daquela emboscada, mas era tarde, pois quase todo o grupo já havia caído, restando uns poucos que começavam a largar as armas e se entregar. Krieg, que comandava a resistência saiu de traz de um dos painéis com seu Phaser de mão e chamou Klevlar.
- Acabou Klingon e você perdeu. - pode ver nos olhos irados de Klevlar que não seria tão fácil convence-lo
- Solte está arma e venha lutar comigo, covarde !!!
O tenente observou atentamente a expressão no rosto do Klingon, mas antes que pudesse responder uma pessoa surgiu entre os tripulantes decidida.
- Eu gostaria de ensinar bons modos a este verme senhor, se me permitir. - perguntou Vthyr com a calma e serenidade que a faziam parecer estar pedindo um sorvete. Krieg pensou em negar, mas lembrou-se da habilidade dela e mudou de idéia.
- Vá em frente alferes.
- Você esta brincando comigo humano ? - gritou Klevlar ainda mais furioso ao ver a pequena tripulante que se propôs a luta.
- Lute !!!. - disse ela, mas sua expressão não era mais serena, mas sim ameaçadora. Colocou-se a frente de Klevlar rosnando igual a um guerreiro Klingon. Seu oponente percebeu o olhar dela, mas o ignorou.
- Assim que eu acabar com a vaquinha vou quebrar o seu pescoço. - disse fitando Krieg.
- NÃO OLHE PARA ELE, OLHE PARA MIM !!! - gritou a alferes antes de avançar sobre seu oponente desferindo um potente e pesado soco um pouco abaixo do tórax do Klingon que sentiu e inclinou o corpo para frente sentindo dor e surpresa sem saber qual das duas sensações era a maior. Antes que ele pudesse se recuperar do primeiro golpe, a alferes uniu as mãos e as lançou num balanço horizontal contra o queixo de Klevlar repetidas vezes até que um direto no queixo o atirou contra uma parede. Ele estava atônito pois aquela mulher estava ganhando dele a esta constatação o encheu ainda mais de fúria. Puxou seu d’k Tahg e caminhou em direção a Vthyr tentando atingi-la por duas vezes, mas ela conseguiu se esquivar e num movimento rápido segurou-o pelo braço o atirou ao chão usando seu pequeno corpo como apoio. Apenas um grunhido de dor se seguiu ao som abafado da queda do Klingon que ainda tentou se levantar mas sentiu uma ponta afiada em seu pescoço e então abriu os olhos e viu que sua faça não estava mais em suas mãos e sim nas de Vthyr e pressionando sua principal artéria, que tinha recuperado sua expressão de serenidade. Olhou fundo nos olhos dele e disse :
- O nome não é “vaquinha” , O nome é Kansha !
Apesar de já ter visto Vthyr vencer dezenas de adversários nos torneios na Avenger Krieg e os outros tripulantes estavam no mínimo impressionados. Ela se levantou com o d’k Tahg na mão olhando fixamente para o objeto de metal e sem desviar seus olhos do objeto falou com o tenente Krieg.
- Posso ficar com ela Senhor ?
- Acho que não há problema quanto a isso, mas terei que falar com o capitão a respeito quando voltarmos.
- Compreendo, mas até lá vou guarda-la comigo.
- Juntem o lixo e voltem ao trabalho - disse o tenente -. Precisamos levantar logo estes escudos novamente.
- Posso voltar a ponte Tenente. Eles podem precisar de uma mão por lá.
- Tudo bem. Já dá para o pessoal cuidar de tudo aqui. Vou pedir ao Gerard que a transporte para lá.
- Obrigada !
Em vários pontos da nave a cena se repetia, com grupos de invasores perplexos sendo rechaçados por oficiais que pareciam ter se multiplicado pela nave. Na verdade com os elevadores parados e as portas de emergência isolando os decks o único meio de se locomover pela nave era através do transporte, que havia sido muito bem defendido no inicio e agora era usado para levar as equipes de segurança para os locais onde havia luta, deixando os tripulantes da Livingston sempre em maioria. Apenas a ponte permanecia tranquila enquanto Conrad compartilhava da mesma surpresa de todos. O local estava vazio.
- Onde estão todos ? Eles tinham que estar aqui !? - dizia um dos homens de Conrad.
- Boa pergunta. Vamos ver se descobrimos. - foi em direção ao elevador que manteve-se fechado.
- Trancado ! - disse ele - Conrad para lideres de grupo, informem. - apenas silêncio como resposta, até que de repente uma voz familiar pode ser ouvida no intercom.
- Senhor Conrad, vejo que está preocupado com seus homens. Lamento dizer que tem razões para isto, mas não fique zangado com eles, e se fizer a gentileza de olhar para a tela principal verá por que não podem responder.
A imagem que surgiu mostrava os homens de Conrad sendo dominados em varias alas da nave e se em alguns locais ainda havia luta, a resistência era débil e sem efeito. Ele olhava as cenas atônito, quando a tela passou a mostrar a imagem de Eleonor, instalada no ponte auxiliar.
- Parece que não somos tão tolos como pensava, não é ?
- SUA VAGABUNDA !!! - gritou enquanto partiu em direção a tela dando a impressão de que iria atravessa-la.
- Mas que modos rudes da tratar uma velha amiga !? Onde está sua educação ?
- Vamos ver se esta expressão vai permanecer no seu rosto quando minha nave atacar.
- Não creio que minha expressão irá mudar muito, mas em todo o caso, deixarei que acompanhe as ações de sua nave. - a imagem mudou para o visual externo e passou a mostrar a tentativa de Demetrius de reagrupar suas partes. Na ponte auxiliar Eleonor agora dava ordens como se fosse uma Capitão de verdade.
- Gart, volta de 180 graus. - tocou o console da cadeira com ares de uma veterana. - Todas alas, postos de combate.
- Engenharia restabeleceu escudos parcialmente. - informou Harris.- E ambas as seções em alcance de disparo.
- Armar torpedos fotônicos. Mirar na seção de disparo.
- Torpedos armados e travados.
- Fogo !!!
A primeira salva de torpedos atingiu a nave derrubando os escudos que não ofereceram lá grandes resistência devido a exaustão dos gerador que ainda não havia conseguido se recuperar do primeiro disparo. Enquanto Shenki desistia de tentar reacoplar e tentava afastar a seção principal, uma nova salva de torpedos partiu da Livingston e pulverizou a seção. A Livingston então fez nova manobra e se colocou em perseguição ao que sobrou da Demetrius, que tentava escapar em forca de impulso enquanto disparava contra seu atacante.
- Nossos escudos ainda estão muito fracos e não vão aguentar muito tempo, Doutora. - informou Harris.
- Torpedos travados na Demetrius. - Gritou Vthyr, que havia voltado a ponte e reassumido o tático.
- Disparar.
Shenki já esperava pelos torpedos e assim que os viu serem lançados ordenou sua ação evasiva preferida, uma reversão total dos motores com uma guinada descendente a estibordo. A tripulação foi atirada contra as paredes enquanto a Demetrius tentava o que era possível para fugir. Apesar das varias fraturas em muitos, eles conseguiram escapar da primeira salva, mas o alivio de Shenki não durou muito, pois logo percebeu que a Livingston se aproximava bem mais rápido do que Conrad havia previsto que ela pudesse fazer.
- Erramos ! - disse Vthyr frustrada.
- Ele parece bom. Acho que vamos ter que apelar. - tocou o console novamente, desta vez chamando a engenharia -
- Jean Paul, preciso dos Phasers. - disse com uma voz tão calma que dava a impressão que eles estavam em um piquenique.
- Já os tem Doutora. Mas afinal o que está acontecendo ai em cima ?
- Só estamos temperando o pato. Ponte desliga.
- Estamos em alcance de disparo dos Phasers, doutora. - informou Vthyr assim que seu console se iluminou mostrando carga dos bancos em 75%.
- Travar todos os bancos Phasers no alvo e disparar.
Não havia como escapar dos Phasers em forca de impulso e a nave já exaurida pelos esforços da tentativa de fuga começou a fraquejar. Tubos rompendo, painéis explodindo e a inútil tentativa dos poucos que restaram tentando conter o fogo e executar os reparos de emergência. Shenki não era burro, como ele mesmo sempre fizera questão de lembrar, e ao ver os indicadores do controle de danos piscando como uma arvore de natal, decidiu que não havia nada mais a ser feito.
- Doutora, estamos recebendo uma comunicação da Demetrius. Eles estão se rendendo.
- Leituras dos sensores ?
- Eles estão em parada total e armas desativadas. - informou Vthyr.
- Gart, leve-nos ao alcance do raio trator e prenda aquela nave assim que possível.
- Movendo para 102.3 , a meia forca de impulso, “Capitã”.
- Obrigado, piloto.
- Krieg para comando - ouviu-se a chamada do oficial de segurança.
- Prossiga tenente.
- A invasão foi dominada. Todas as alas estão reportando que os intrusos foram contidos.
- Muito bom. O senhor deve coordenar a transferência de todos para a área de detenção. Assim que terminar vamos liberar os acessos as aos decks e elevadores.
- Entendido. E doutora, foi um excelente plano, Parabéns.
- Doutora, - desta vez era Victor quem chamava. - A Capitão Ivanovich informa chegada em trinta minutos.
- Não era exatamente a companhia que eu queria mas vamos precisar de ajuda com esses monte de gente. Feridos de uma lado e piratas contrabandistas do outro, e por falar nisto, ia me esquecendo de uma coisa. Ponte para sala de transporte.
- Sala de transporte, Gerard falando.
- Senhor Gerard, queira fazer o favor de tirar o lixo da ponte principal.
- Com prazer Doutora.
- Gart, vamos retornar ao curso para encontro com a Avenger. Impulso máximo.
- Curso marcado, “Comandante”.
- Acho eu digo “Acionar”, não é ? Falei certo ?
- Foi perfeita, doutora. - disse Gart sorrindo enquanto colocava a nave de volta a rota original.
****
Enquanto isso a Avenger permanecia em orbita de Anezir e o trabalho de distribuição das vacinas prosseguia normalmente. Esperava-se dela uma ação não somente preventiva mas também curativa em relação as pessoas que já haviam contraído a doença e esta expectativa estava sendo confirmada pela reação de alguns habitantes locais que já começavam a apresentar sinais de estabilização. Verificar a regressão dos casos mais graves levaria algum tempo, mas provavelmente isto também se confirmaria. As duvidas agora ainda eram sobre o motivo que havia trazido a Hunter a Anezir de forma tão misteriosa, por que eles haviam se exposto a ponto de contrair a doença e por que eles desceram furtivamente para pegar a vacina no planeta ao invés de simplesmente dizer que precisavam dela. A não ser pela breve comunicação quando chegaram mas nenhum contato foi feito. Com o problema da doença começando a ficar controlado, Hendrik pensava em tentar descobrir estas respostas mas seus pensamentos foram interrompidos pelo bip vindo da porta de acesso ao escritório.
- Entre.
- Olá, Phillip. Ocupado ? - perguntou Alejandro enquanto entrava.
- O de sempre. Alguma novidade ?
- Se a pergunta é em relação a Hunter, as variações em sua orbita continuam aumentando de intensidade e eles continuam mudos.
- Conseguiram descobrir algo com os registros da frota ?
- A ultima referência relevante a Hunter foi a duas semanas. Um nave Dominion furou o bloqueio defensivo próximo a DS9 e ela saiu em perseguição até alcança-la e destrui-la.
- Uma única nave Dominion ? Isto parece suicídio.
- Se era conseguiram. Depois disso não existe mais nada.
- E quanto a nossa situação ?
- Os motores Warp vão estar funcionando em duas horas de acordo com a engenharia, e os homens que desceram ao planeta não apresentam nenhum sinal da doença. O Dr. Adams analisou amostras de sangue dos tripulantes e de alguns habitantes do planeta e concluiu sempre fomos sensíveis a ele, mas que devido as diferenças anatômicas e biológicas nos somos um pouco mais resistentes e precisamos de um tempo de exposição maior para nos contaminar, mas a vacina tem se mostrado eficiente até agora.
- Boas noticias enfim. Alguma noticia da Livingston ?
- Ainda não. A tempestade que interferia em nossas comunicações ainda está lá, mas sua intensidade começa a diminuir e então deveremos ter noticias.
- Vamos ter que ter esperar então, mas esta falta de noticias já esta me deixando preocupado.
- Não deve haver nada demais e logo eles estarão aqui.
- Espero que sim, mas o que será que está acontecendo com a Hunter ? Silêncio absoluto e este estranho defeito.
- Por que não faz uma visita ?
- Duvido que Okada concorde. Ele não se preocupou em arrumar uma desculpa convincente para o que está fazendo e não creio que teria qualquer problema em negar que eu fosse até lá, o que nos obriga a dar outro jeito. As leituras da superfície continuam normais ?
- Até onde sabemos sobre o planeta, sim, mas não varremos toda área e para que possamos faze-lo teremos que alterar nossa orbita mais do que já fizemos.
- Faca isto assim que achar conveniente.
- Farei, mas queria saber se posso voltar para meu posto na navegação agora, uma vez que está aqui ?
- Com pressa de largar a cadeira, amigão ? - disse Hendrik sorrindo.
- Não posso negar que ficarei mais feliz em minha função, mas o problema é outro. O tenente Jankis está quase no fim do turno e agora seria a vez de Gart rende-lo.
- Ponha outra pessoa no leme. Embora eu vá deixa-lo triste prefiro que fique livre pelo menos até Seymor volte. Acho que ainda vamos ter problemas.
- Já que tocou no assunto, não está preocupado em me deixar no comando depois que eu quase inutilizei os holodecks nos simuladores ?
- Se eu estivesse você não estaria no posto. Sempre me preocupo com a nave quando não estou aqui mas isto não tem nada a ver com você, que vem aprendendo bastante, e até agora não tenho restrições ao seu trabalho.
- Cheguei a pensar que você tinha se arrependido de manter no posto.
- Quando eu me arrepender você será o primeiro a saber e agora se não quer começar a me dar motivos volte ao trabalho.
- Sim senhor, Capitão. - e saiu de volta a ponte mal disfarçando um sorriso. Assim que o viu, o tenente Marcos levantou-se da estação e foi em direção a Alejandro.
- Comandante Iglesias, as variações de orbita da Hunter estão ficando cada vez mais violentas e ela está perdendo altura rapidamente.
- Alguma comunicação deles Andrei ?
- Só estou pegando estática, senhor.
- Eles vão cair se não fizermos algo - disse Cashmir.
- Acionar raio trator. - ordenou Alejandro enquanto tocava o comunicador pessoal - Phillip, aqui é Alejandro. É melhor vir a ponte. Os problemas com a Hunter parece que ficaram mais sérios.
- Estou a caminho.
- Raio trator acionado. Estamos com a Hunter presa.
- O que houve ? - perguntou Hendrik enquanto entrava na ponte vindo da porta lateral.
- A Hunter começou a cair e tivemos que prende-la com o raio trator.
- Comunicações ?
- Não, mas parece que eles tentaram transmitir alguma coisa, só não sei o que.
- Mas o que está acontecendo ? - resmungou Hendrik olhando para a imagem da nave projetada na tela.
- Não quer mesmo uma resposta, quer ? - disse Alejandro.
- Avise a sala de transporte que estou descendo. Vou descobrir o que é que estes malucos estão tentando fazer, e Sevok, quero que venha comigo.
- Sim senhor. - disse o Vulcano enquanto se levantava da estação de Ciências.
- Andrei, tente informar a Okada que estou indo.
- Acho que o capitão não vai gostar muito desta visita inesperada. - disse Alejandro a Hendrik que já estava no elevador e mal teve tempo de responder enquanto as portas se fechavam.
- Ele que se dane.
Alguns minutos depois eles estavam se materializando na sala de transporte da Hunter, apenas por formalidade uma vez que o processo estava sendo totalmente controlado pela Avenger, e como não havia nenhum operador no local ambos os recém-chegados concluíram que o equipamento não devia estar funcionando. Apenas um oficial estava lá e aparentemente a sua espera: um homem negro de estatura média e com as insígnias do comando.
- O senhor deve ser o Capitão Hendrik, eu suponho. Nosso sistema de comunicação apresentou defeito, mas ainda conseguimos receber a informação de que viria. Sou o primeiro oficial George Clivert. Seja bem vindo.
- Este é meu oficial de Ciências, Sevok, e não sei se posso acreditar nisto, comandante Clivert. Pelo que vi acho que não é só o seu sistema de comunicação que está com defeito. O que está acontecendo a esta nave ?
- O capitão Okada responderá as suas perguntas, se fizer a gentileza de me acompanhar.
- Acho que não tenho outro jeito.
- Ele está na engenharia acompanhando a manutenção dos sistemas.
****
Os três saíram sob a fraca iluminação das luzes auxiliares e pelos corredores notava-se o pouco movimento, exageradamente limitado para uma situação de emergência o que podia ser uma indicação de que muitos tripulantes podiam estar doentes e s poucos que eles encontraram pelo caminho estavam enfiados entre circuitos nas aberturas de manutenção, mas pareciam estar totalmente confusos sobre o que estava acontecendo. O que quer que estivesse acontecendo aos sistemas da nave parecia ainda um problema sem solução para os técnicos a bordo. Chegaram a engenharia onde o caos era ainda maior a tempo de presenciar o fim do que parecia uma discussão, entre um homem alto de cabelos negros e um oriental onde podia-se ver as insígnias que indicavam o posto de capitão.
- Eu não vou fazer mais nada enquanto minha nave não estiver reparada e minha tripulação segura !!! - bradava o oriental.
- O senhor está sob ordens capitão. - respondeu o homem com uma calma que contrastava totalmente com a exasperação de seu interlocutor.
- Acredite-me , tudo o que eu queria era poder estar em condições de faze-lo cumprir estas ordens, mas no momento não podemos nem nos mover sozinhos. Agora saia daqui e deixe-me trabalhar.
- Espero que saiba o que está fazendo, Capitão. - o homem encerrou a conversa e saiu aparentemente sem perceber a chegada de Hendrik e Sevok.
- Capitão Okada !? - o primeiro oficial chamou de onde estava.
- O que é Clivert ? - respondeu ainda irritado enquanto se dava conta que havia outras pessoas a acompanha-lo.
- Estes são o Capitão Hendrik e seu oficial de Ciências, tenente Sevok..
- Oh ! Sim , desculpe-me a displicência Capitão, mas estamos com muitos problemas por aqui, como já deve ter notado. Eu acho que podemos ir ao meu escritório para conversarmos e deixar meu pessoal fazer seu trabalho.
- Como queira. - respondeu Hendrik - Pelo jeito eles tem muito a fazer.
- Clivert, assuma por aqui eu enquanto eu acompanho nossos visitantes.
- Sim senhor .
Okada deixou a engenharia seguido pelos dois e no caminho começaram a discutir os problemas da Hunter, mas Hendrik notou a irritação nos modos do capitão e tinha um que parte desta irritação tinha a ver com a discussão que ele havia assistido parcialmente.
- Capitão Okada, o que aconteceu afinal ? Parece que nada mais funciona por aqui ! Se não tivéssemos segurado sua nave com nosso raio trator, vocês teriam virado ferro-velho. Por que não pediram ajuda ?
- Tentamos, mas nosso sistema de comunicação também parou de funcionar, primeiro as transmissões e depois recepção. Todos os nossos sistemas estão em colapso e não sabemos por que. Começou a alguns dias com algumas falhas esporádicas, mas a situação se agravou muito nas ultimas horas. A temperatura chegou aos quarenta e cinco graus por aqui e só voltou ao normal porque desligamos os motores e sistemas de navegação depois que sua nave acionou a raio trator e transferimos a energia que sobrou.
- Seu pessoal identificou a origem do defeito ? - perguntou Sevok.
- Ainda não. Fizemos todos os diagnósticos possíveis três vezes e não achamos nada. Segundo a analise do computador tudo deveria funcionar normalmente, mas como podem ver não é isso que acontece.
- Se me permite uma pergunta senhor, - disse o Vulcano de novo - consideram a hipótese de falha no computador ?
- Sevok - disse Hendrik espantado - Pensei que estes novos computadores fossem praticamente infalíveis.
- O novo sistema é realmente excelente, mas ainda é uma máquina e portanto sujeito a defeitos.
- Também pensamos como seu oficial cientista, Capitão e foi por isto que ordenei que desmontassem todos os sistemas para que fosse feita uma inspeção visual de cada componente se necessário, mas isto é algo difícil e demorado numa nave como essa e infelizmente pouco eficiente. - parou na porta do turbo elevador e observou a expressão desconfiada dos dois oficiais da Avenger olhando para a porta. Okada tentou tranquilizalos.
- Não precisavam se preocupar pois os elevadores ainda estão funcionando. - disse ele por traz de um sorriso maroto. Sevok e Hendrik se entreolharam ainda incrédulos mas seguiram o capitão. Assim que as portas se fecharam Okada ordenou que o elevador seguisse para o nível dos oficiais, porém cerca de 15 segundos se passaram sem que nada acontecesse e justamente quando Hendrik ia esboçar algum comentário sentiu que começavam a sair da inércia enquanto um painéis ao fundo onde se destacava um desenho em corte com todos os decks da nave mostrava a progressão deles. Primeiro um salto para a esquerda de alguns segundos, depois uma subida de sete andares sob o mais absoluto silêncio entre os três. Quando finalmente o elevador parou, eles viram que haviam parado um nível abaixo do esperado.
- Parece que os elevadores estão começando a apresentar problemas também. - comentou Sevok com indiferença que somente o autocontrole vulcano poderia prover.
- Parece que sim. Podemos tentar de novo ou subir pelo tubo de manutenção. - disse Okada, mas nem precisou ouvir a resposta de Hendrik que rapidamente saiu do elevador.
- Onde está o tubo ?
Alguns minutos depois, eles conseguiram chegar ao escritório do Capitão.
- Bem senhores, fiquem a vontade. Normalmente eu ofereceria alguma coisa aos senhores, mas acho mais seguro não usar o processador de alimentos.
- Entendo, - disse Hendrik - mas de volta ao seu problema, tentaram o computador auxiliar ?
- Nossos sistemas de Backup foram danificados além da nossa capacidade de reparo. Precisaremos de algumas semanas em uma base estelar para efetuar a manutenção e ainda não tivemos tempo de faze-lo.
- Como seus sistemas foram atingidos e por que não levaram a nave para reparo então ? - perguntou Hendrik.
- Capitão, infelizmente eu não posso falar sobre isto com o senhor. A única coisa que posso dizer é que estou sob ordens, nada mais.
- Okada, isto tudo é muito estranho. Recebi ordens da Almirante Hernandez em pessoa e ela não fez nenhuma referência a sua estada aqui e todos os fatos aos quais tive conhecimento são no mínimo, exóticos.
- Sei disso, mas acredite em mim quando digo que gosto disto tudo bem menos que o senhores que gostaria de poder lhe dizer mais. - a conversa foi interrompida pelo som de um comunicador.
- Avenger para Capitão Hendrik.
- Aqui é Hendrik. Prossiga Alejandro.
- Como estão as coisas ai Capitão ? Ficamos preocupados pela demora em fazer contato.
- Tudo bem conosco. A Hunter está com problemas em vários sistemas inclusive comunicação, mas estaremos bem enquanto vocês estiverem nos segurando.
- Pode ficar tranquilo quanto a isso e temos boas noticias por aqui. Acabamos de receber uma transmissão da Livingston e eles informam chegada em cerca duas horas junto com a Freedom.
- Excelente. Estou discutindo a situação da Hunter com o Capitão Okada e devo estar de volta em breve.
- Entendido. Avenger desliga.
- Eu não sabia que havia outra nave se dirigindo para cá além da Freedom !? - comentou Okada .
- Pelo menos eu não sou o único a não saber das coisas por aqui.- disse Hendrik sem revelar os detalhes.
- Sei que está irritado com o que está acontecendo, mas é tudo o que posso dizer, e sei também que não estou em uma posição muito boa par isso, mas gostaria de pedir sua ajuda, talvez se pudesse enviar alguns dos seus homens de manutenção poderíamos descobrir o que está havendo mais rápido.
- Infelizmente isto não será possível. A nave sobre a qual o comandante Iglesias de referiu sofreu um acidente serio. Nos a encontramos a deriva e com a tripulação incapacitada e tivemos que deixar um grande numero de nossos homens lá para cuidar dos feridos, fazer os reparos e depois trazer a nave até aqui. Oitenta por cento do pessoal da manutenção está a bordo da Livingston e o que sobrou está trabalhando sem descanso para reparar o gerador Warp e os motores de dobra que nos quase explodidos na viagem até aqui e mesmo quando as naves chegarem todo o pessoal vai estar em pedaços.
- Então teremos que continuar da maneira que for possível por aqui. - disse Okada desanimado deixando-se afundar na cadeira.
- Não posso obriga-lo a me contar o que está acontecendo, mas também tenho minha ordens e elas são para trazer a vacina até Anezir, entrega-la e retornar e é o que farei assim que as naves chegarem o que dá o senhor duas horas para fazer o que tiver que fazer por aqui.
- Duas horas !?
- Duas horas, depois disto vamos transferir sua tripulação e deixar Anezir rebocando a Hunter.
- Não pode me obrigar a transferir meus tripulantes !
- Mas posso desligar o raio trator e vou faze-lo assim que estiver pronto para partir. Em breve terei até uma nave cheia de gente ferida aqui e não posso me dar ao luxo de perder tempo.
- Não me dá muitas escolhas Capitão. - disse Okada ainda mais afundado na cadeira onda havia sentado, mas antes que Hendrik responde-se Sevok interveio.
- Capitão, - Sevok havia acompanhado a maior parte da conversa observando as atitudes de Okada e fazendo suas considerações - Eu estive estudando os desenhos do novo sistema de computador da Avenger nos últimos meses, que é similar ao da Hunter. Se permitir, gostaria de ficar aqui durante e tempo que falta e tentar ajudar a descobrir a fonte do problema. Precisarei voltar a nave para pegar algumas coisas que vou precisar mas será breve. - Hendrik olhou para o Vulcano e ficou pensando se seria uma boa idéia deixar Sevok na Hunter. A principio era preocupante devido ao estado precário da nave, mas isto lhe daria a vantagem de ter uma pessoa a bordo o que aumentaria as chances dele descobrir o que estava acontecendo. Okada não citou o fato de que os seus tripulantes haviam contraído a doença de Anezir e por isto precisava de homens, pois os seus eram muito poucos para fazer a nave continuar funcionando mesmo de forma precária como estava. Além do mais estava intrigado com a resistência a deixar o planeta por parte de Okada.
- Vê algum problema nisto ? - perguntou Hendrik ao comandante da Hunter.
- De forma alguma. Toda ajuda será bem vinda e a reputação dos Vulcanos é amplamente conhecida.
- Então Sevok irá voltar para ajuda-los. A Avenger ficará monitorando vocês por aqui e recolhendo informações através dele e vamos executar uma evacuação de emergência se o problema se agravar ao ponto de por a vida de vocês em risco mais do que já estão.
- Concordo. - assentiu Tisuo, mas no fundo ele sabia que não tinha escolhas a fazer.
- Se não tem mais nada a dizer, voltarei a minha a nave. - disse Hendrik enquanto se levantava acompanhado por Sevok e Okada.
- Estaremos aguardando a volta de seu oficial de ciências, e desde já agradeço. - disse Okada fazendo uma reverência enquanto Sevok respondia com um leve aceno de cabeça.
- Hendrik para Avenger, dois para retornar. - logo depois os dois sumiram no feixe do teletransporte e em segundos estavam de volta na plataforma da sala de transporte sob o olhar do tenente Farrel que manipulava os controles. Hendrik desceu da plataforma seguido de Sevok, agradeceu a Farrel rapidamente e saíram para o corredor.
- Sevok, - quero que aproveite o tempo que vai estar lá e veja o que consegue descobrir sobre as misteriosas ordens do Capitão Okada.
- Era esta minha intenção senhor, além é claro, da curiosidade sobre o falha generalizada nos sistemas da Hunter.
- Claro. E não diga nada sobre nossas descobertas a respeito deles pois quero que continuem descuidados.
- Agirei de acordo com suas ordens.
- Muito bem, se precisar falar comigo antes de voltar par lá estarei na ponte. - e saiu em direção ao elevador enquanto Sevok se dirigia aos laboratórios da nave a fim de pegar os instrumentos que podia precisar. Hendrik chegou a ponte em instantes, e mal entrou foi logo perguntando pelas naves que esperava.
- E então Alejandro, qual a situação da Livingston ?
- Tudo em ordem. Informaram que tiveram alguns problemas com aquela nave que o posto avançado captou, mas conseguiram se virar.
- Disseram quem eram ?
- Piratas, mas foram dominados e estão agora aprisionados.
- Parece que Seymor andou se divertindo.
- Bem, isto pode parecer estranho, mas a mensagem era assinada com as inicias Carter, E; M.D.
- Eleonor !?!?
- Não me peca para explicar.- respondeu dando de ombros.
- Vamos ter que esperar para saber o que aconteceu, mas pelo menos eles estão bem.
- E enquanto eles não chegam, de uma olhada aqui nesta estação. - disse chamando Hendrik para junto dos sensores de superfície. - Estivemos fazendo aquelas leituras que pediu e Marcos achou isto.- apontou para tela que mostrava uma área do planeta de cerca de 400 metros de comprimento e 200 de largura com uma estranha leitura.
- Se estas leituras estão certas esta área não existe. - disse Hendrik que agora observava os monitores junto com Iglesias.
- Bem no meio de uma floresta tropical. Uma área retangular quase perfeita onde não conseguimos fazer nenhum tipo de leitura. Solo, vegetação, temperatura, nada pode ser sondado por toda extensão.
- Hipóteses ? - perguntou Hendrik já tendo ao lado o tenente Marcos.
- Na minha opinião não há como ser um fenômeno natural. e acredito que seja causado por algum dispositivo que gera um campo de distorção que impede os sensores de fazer qualquer leitura. - comentou Marcos.
- Consegue localizar algum tipo de fonte de energia ?
- Não, mas ela pode estar embaixo do campo.
- Tem razão, o que nos obriga a ir ver de perto. - disse Hendrik tocando o comunicador - Comando para segurança.
- Aqui é Ramur.
- Prepare uma escolta para um grupo de descida e me encontre na sala de transporte 3 em quinze minutos.
- A caminho.
- Vou até lá ver o que é isto. Alejandro, assuma e fique de olho na Hunter. Mantenha contato com Sevok e se ele informar problemas tire todo mundo de lá imediatamente.
- Sim senhor.
Hendrik seguiu então para a sala de transporte tentando juntar os pedaços do que sabia até agora mas sem sucesso. Nada fazia sentido e tecnicamente, não tinha nada a ver com o que estava acontecendo, mas a curiosidade era grande em desvendar aquele mistério e cada vez mais ingredientes estranhos iam se juntando aquela massa que não tomava forma por mais que pensasse e agora tinha aquela leitura não identificada. Se alguém havia se dado ao trabalho de montar um campo de distorção naquele planeta isto demonstrava que tinha a forte intenção de esconder alguma coisa, mas quem e por que ? A Hunter com certeza estaria envolvida nisto, mas como ? Talvez o que ele encontra-se pudesse começar a ajudar a encontrar algumas respostas. Resolveu antes de descer, passar pela enfermaria para ver como estavam as observações dos tripulantes que havia descido ao planeta antes de ir a sala de transporte. Assim que chegou encontrou Mombassa fazendo algumas analises junto ao Doutor Adams.
- E então senhores - perguntou Hendrik em tom áspero - Qual a situação dos tripulantes ?
Mombassa se adiantou deixando Adams olhando para os instrumentos.
- Nenhum efeito da doença foi manifestado em nenhuma das pessoas que desceram ao planeta. Fizemos diversos exames e todos apresentam resultado negativo de forma que a vacina pode ser declarada eficiente.
- Mas por que a tripulação da Hunter está doente então ?
- A exposição prolongada pode ser a resposta, mas estes resultados vão demorar muito. Além do que a doença deles ainda é suposição se não estou enganado.
- Mas uma suposição muito forte, pois havia muito pouca gente trabalhando naquela nave.
- Infelizmente não posso lhe garantir mais nada sem mais tempo e testes.
Phillip olhou para Adams que estava visivelmente constrangido, pois sabia que havia colocado a vida de todos em risco e por isto preferiu manter-se em silêncio, mas parecia que esta não era a idéia de Hendrik.
- Concorda com o avaliação de Mombassa, Doutor Adams.
Adams não esperava que sua opinião fosse solicitada e foi pego de surpresa, o que o fez levar alguns instantes para se compor. Tirou os olhos do microscópio eletrônico o virou-se para os dois homens que estavam a seu lado visivelmente sem jeito.
- Eu,,, haa ,,, bem ,,, .Eu ,,, diria que sim. Realizamos todos os testes necessários para determinar se o Vírus é perigoso para nos e eles foram conclusivos. Uma vez que se esteja vacinado dentro de certo período de tempo ele é inofensivo, entretanto ele tem uma natureza mutante depois de absorvido pelo organismo, o que pode fazer com que ela não seja tão eficiente em outras raças como esta sendo para os nativos de Anezir depois que a doença é contraída.
- Como pode saber se diz que nenhum dos nossos tripulantes apresentou sinais da doença ?
- Fizemos testes em cobaias do laboratório de microbiologia. As cobaias que foram infectadas antes de receberem a vacina não reagiram da maneira esperada.
- Então é provável que o lote que os tripulantes da Hunter levaram possa ser inútil se eles realmente estão doentes ?
- É bem possível que sim.
- E podemos fazer alguma coisa sobre isto ?
- Precisaríamos ter amostras de alguém que tenha sido contaminado para sermos precisos.
- Isto vai ser difícil. O capitão Okada não comentou o fato comigo e acredito que isto tenha sido intencional.
- Capitão, embora tenhamos uma resistência maior a doença se eles foram contaminados podem estar mortos em alguns dias, e não sabemos a quanto tempo foram expostos.
Hendrik olhou para os dois, sentou-se em uma cadeira ao lado da mesa que era normalmente ocupada por Eleonor, apoiou o braço esquerdo nela e deixou o outro cair sobre o apoio da cadeira. Parecia indeciso, e realmente estava. O fato de Okada não mencionar este problema era um claro indicio que ele não desejava a intromissão de ninguém naquele assunto e embora para Phillip sua atitude era difícil de explicar, a Hunter era sua nave e cabia a ele avaliar os riscos, mas havia uma boa chance dele não saber que riscos corria. Resolveu tentar afinal não tinha nada a perder.
- Hendrik para Ramur.
- Estou na sala de transporte senhor. Estamos prontos para descer.
- Vamos nos atrasar um pouco. Aguarde.
- Estaremos aguardando.
- Hendrik para Comando.
- Comando.
- Sevok já está a bordo da Hunter ?
- Está lá a cinco minutos.
- Chame-o e peca para que localize o Capitão Okada e depois entre em contato comigo.
- Entendido. Ponte desliga.
- Vamos ver se consigo convence-lo. Se tiverem as amostras, quanto tempo acham que precisam para criar alguma coisa que possa ajuda-los ?
Ambos se olharam meio em duvida antes de responder, mas logo Adams voltou a falar.
- Se não esqueci de nada, questão de horas. Depois que descobrimos o soro original não tem sido difícil fazer as modificações necessárias.
- Ponte para Capitão. Estou passando Sevok para a Enfermaria.
- Ótimo, Prossiga. - e se dirigiu ao console da mesa onde se apoiava tocando um dos controles.
- Sevok !?
- Sim Capitão. O Comandante Iglesias disse que queria falar com o Capitão Okada. Ele está aqui a meu lado.
- Capitão Hendrik, o que deseja ?
- Tenho uma assunto de seu interesse mas creio que seria melhor faze-lo aqui ?
- Estou com problemas aqui Capitão, e não seria sábio me ausentar.
- O que tenho para lhe dizer é importante e pode custar a vida de seus homens. Creio que vale alguns minutos. - fez-se silêncio por alguns segundos .
- Esta bem - disse finalmente com um indisfarçavel peso na voz - Poderia fazer a gentileza de me levar a sua nave ?
- Claro. Vocês estão sozinhos ?
- Sim.
- Hendrik para sala de transporte.
- Sala de transporte. Farrel falando.
- Preciso que traga o Capitão Okada, da Hunter para cá. Poderá localiza-lo na mesma área do sinal de Sevok.
- Já estou com o sinal.
- Pode traze-los.
- Entendido.
Aguardaram alguns instantes até observarem o campo da teletransporte que começou a se formar no meio da sala e dando forma logo em seguida ao Capitão da Hunter e Sevok.
- Capitão Okada !- disse Hendrik indo em sua direção.- Estes são o Dr. Mombassa, oficial médico da Avenger e o Dr. Donald Adams.
Adams apenas meneou a cabeça brevemente. Tinha pressa além de parecer desconfortável.
- O que é assim tão importante , capitão Hendrik ?
- Antes, acho que podemos mandar Sevok de volta, pois o trabalho dele lá ainda é importante. - ordenou então o retorno do Vulcano e assim que isto foi feito prosseguiu.
- É claro que está a par do Vírus que esta assolando o planeta abaixo !?
- Sim estou.
- Temos razões para acreditar que sua tripulação esta contaminada.
- De onde você tirou está idéia maluca ?
- Do fato de termos observado um grupo de tripulantes de sua nave descer ao planeta para pegar um lote das vacinas que trouxemos. Se quiser posso mostrar os registros. - Okada calou-se por alguns instantes e ainda sem confirmar o que Hendrik disse, continuou.
- Apenas digamos que isto possa ter acontecido. O que tem de grave uma vez que a tripulação estaria vacinada com este lote que você supõe que nos pegamos ?
Hendrik que continuava sentado na mesma cadeira apenas apontou para o Dr. Adams e fez um sinal com a mão para ele que falasse.
- Capitão, estivemos fazendo algumas pesquisas aqui e descobrimos que a vacina que produzimos pode ser ineficaz para tratar de humanos que já tenham contraído a doença. Seria necessário produzir uma variação do remédio para que ele pudesse ser eficiente.
- Eu não sou médico portanto não estou em condições de discutir com o senhor, mas isto me parece fugir um pouco do que aprendi sobre Vírus.
- Capitão, normalmente Vírus de DNA não são mutantes, mas este é diferente. Nossos testes no laboratório mostraram que uma vez instalado no organismo hospedeiro, a capa de proteína que o reveste se altera. Isto faz com os anticorpos produzidos não identifiquem a ação destruidora e os torna inúteis. Se tivermos uma amostra de alguém que tenha sido contaminado poderemos desenvolver um remédio para isto.
Okada olhou em volta, fitando os rostos dos presentes. Sentou-se em uma cadeira próxima, pôs as mãos nos joelhos e então assumiu uma expressão distante, olhando para lugar nenhum. Voltou-se então novamente para Hendrik com uma tristeza profunda nos olhos.
- Capitão Hendrik, - desviou o olhar para o chão e continuou lentamente - Se não estou enganado, foi promovido a pouco tempo, não é ?
- Sim ! - Hendrik sentiu que Okada estava desmoronando - Foi a seis meses.
- O mesmo que tempo que eu. Sabe como eu sei o que é ser promovido e receber uma nave para comandar. Esperava por isto desde o dia em que entrei na Academia da Frota Estelar e confesso que não esperava que acontecesse tão cedo. Creio que o mesmo aconteceu com você, mas eu achava que apesar de jovem estava preparado para a responsabilidade mas agora vejo que não. Fiz tudo errado, minha nave está quase morta e minha tripulação doente, por minha causa.
- Okada, eu não sei o que você fez ou deixou de fazer, mas ainda pode salvar sua tripulação. Deixe-nos ir a sua nave e recolher uma simples amostra de sangue de um de seus tripulantes e poderemos salvar a todos.
- Não será necessário ir a minha nave Capitão Hendrik. Pode tirar uma amostra do meu sangue.
Os três não disseram nada. Hendrik apenas sinalizou para Mombassa, que foi até um armário próximo, pegou um dos instrumentos e então voltou para recolher a amostra.
****
Hendrik deixou os médicos trabalhando após o retorno de Okada a sua nave e finalmente chegou a sala de transporte, com meia hora de atraso, o que havia deixado os membros do grupo de descida impacientes.
- Problemas Capitão !? - perguntou Ramur obviamente devido demora.
- Digamos que sim, mas acho que em breve estarão resolvidos, e agora vamos nos concentrar no que há lá embaixo.
- E o que é ? - perguntou Ramur enquanto entregava um Phaser para Hendrik.
- Não sabemos ao certo, apenas que existe algum campo de energia que esta interferindo com nossos sensores e por isto vamos ter que checar pessoalmente. Phasers em tonteio. - e subiu na plataforma seguido por Ramur onde cinco pessoas o aguardavam.
- Acionar.
Em alguns instantes o grupo havia descido a cerca de cem metros de onde estaria o tal campo de energia e o que quer que estivesse embaixo dele. Ainda não podia se ver nada devido a densa floresta, mas ouvia-se um zumbido que só podia ter a mesma origem e que de tão intenso dispensava o uso do Tricorder para determinar a sua direção.
- Está ouvindo este som Capitão ?
- Se eu fosse surdo poderia senti-lo dentro da minha cabeça, e parece vir daquela direção. - disse apontando o local - Vamos.
Andaram por cerca de quinze minutos por dentro da mata fechada, as vezes tendo que abrir caminho com os phasers e tendo o som cada vez mais alto a sua frente. Alguns galhos e muito arranhões depois chegaram a uma imensa clareira e o que viram era tão impressionante quanto inacreditável. O tricorder de Ramur mostrava um estrutura de 150 metros de comprimento e 25 de altura, e forma ameaçadora protegida por um campo eletromagnético mantido por varias torres ao redor da nave adormecida em meio a floresta.
- Mas o que é isto ? - perguntou um dos estupefatos membros do grupo avançado.
- Uma nave Jem’Hadar ! - disse Hendrik tão curioso quanto seus homens, mais pelo motivo do que pela identificação.
- Jem’Hadar !? Como é que sabe ? Eu nunca vi uma destas em lugar nenhum.
- Informação classificada - respondeu Hendrik enquanto guardava o phaser -. A dois anos atrás a tripulação da Defiant entrou no quadrante Gama e recuperou uma dessas. Estava muito danificada mas deu para aprendermos bastante coisa com ela, o que permitiu melhorar os sistemas de nossas naves em relação aos Dominions. Tive acesso a informação quando era primeiro oficial da Venture.
- E o que esta veio fazer aqui ? - perguntou outro membro do grupo.
- Esta é uma boa pergunta. Creio que seja a tal nave que furou o bloqueio e que teria sido destruída, o que pelo que podemos ver não aconteceu.
- Acha que ela desceu aqui ?
- Não sei se desceu. Veja as marcas ao redor da estrutura e os equipamentos em volta. Ela parece que foi ou estava sendo consertada.
- Não há mais ninguém aqui de acordo com as leituras do tricorder. - disse um dos membros do grupo.
- Capitão - era Ramur de joelhos ao lado de um dos equipamentos que Hendrik havia indicado. - Estes equipamentos são da Federação.
- Já notei. Todos os equipamentos que estão aqui, inclusive os geradores de campo são de tecnologia nossa.
- CAPITÃO !!! chamou um outro um pouco mais distante do grupo principal.- tem uma entrada aqui.
Eles foram na direção da entrada a qual havia se referido o tripulante.
- Tricorder !?
- Nenhum sinal de vida no interior, Capitão.
- Deixe dois homens aqui de guarda. Os outros venham comigo. - e entrou pela abertura que parecia uma entrada de manutenção. A pouca luz obrigava a utilização de lanternas para que eles conseguissem transpor a estreita passagem que devia ser algo parecido com um tubo Jeffries e que de tão estreito permitia a passagem de apenas uma pessoa de cada vez. A um determinado ponto o passagem parecia não ir a lugar nenhum mas logo notaram que ele seguia para cima e então lembraram que estavam no nível mais inferior da nave. Foram se ajeitando da maneira que dava durante uns quinze minutos até chegarem a algo que provavelmente era a extremidade da tubo, pois encontraram uma área bem maior. Após uma rápida observação identificaram o que parecia algo como um gerador Warp e concluíram que aquela era a seção de engenharia. Saíram então para o corredor principal, viraram a direita e foram na direção da Proa onde devia estar a ponte. Mais alguns minutos e finalmente chegaram ao comando da nave alienígena que tinha um desenho parecido com o comando das naves de Escolta da frota, como a Defiant, porem com menos estações. Um acento central onde devia ficar o comandante e logo a frente dois acentos com dois terminais que aparentemente era os postos de armas e navegação e ao redor mais quatro estações que ele não conseguia identificar para que serviam. Hendrik sentou-se destraidamente no cadeira de comando.
- Parece que temos um mistério e tanto por aqui, Capitão . - disse Ramur examinando as estações sem conseguir entender muita coisa.
- Uma nave Dominion bem próximo ao Território da Federação, totalmente vazia e aparentemente consertada com nosso equipamento. Pode ter certeza que estranho é pouco.
- Avenger chamando grupo avançado.
- Aqui é Hendrik. Prossiga.
- Achei que gostaria de saber que a Livingston chegou Capitão. Como estão as coisas ai ?
- Temos algumas novidades. Seymor informou algo fora de normal ?
- O comandante Seymor não está na ponte, senhor. Parece que ele sofreu um acidente, mas já está bem segundo a Dr.a Carter.
- Acidente !? Estarei de volta em breve. Desligo. - chamou Ramur - Vou voltar a Avenger para ver o que está acontecendo. Desligue o campo de energia e faça uma vistoria em todos os cantos desta nave e relate qualquer coisa por mínima que possa parecer. Vou mandar descer um grupo maior para ajuda-lo.
- Entendido. Vou descer com o pessoal a começar a desativar as torres.
- Hendrik para Avenger. Um para subir.
Alguns instantes depois Hendrik estava se dirigindo para a ponte logo depois de ordenar a descida de um grupo de mais 10 homens para integrar a equipe de Ramur, coisa que fez enquanto se dirigia para o comando o que não permitiu que falasse com Alejandro até chegar lá deixando sua curiosidade intacta quanto aos acontecimentos dos quais a Livingston teria participado.
- O que aconteceu com Seymor e quem esta no comando da Livingston ?
- É melhor ver com seus próprios olhos. - respondeu Alejandro. - Estávamos para fazer contato visual mesmo.
- Na tela ! - disse Hendrik enquanto se sentava. E deu graças por já estar sentado quando a imagem se formou e ele identificou a Dr.a Eleonor Carter sentada na cadeira de comando da USS Livingston com pinta de veterana.
- Olá Capitão. Tivemos um probleminha no caminho que nos atrasou um pouco, mas está tudo bem agora. Como estão as coisas em Anezir ? A vacina funcionou ? E por que esta outra nave da Federação está aqui ?
- As “coisas” vão bem, pelo menos em relação a doença e seu controle. Quanto ao resto existe uma longa estória, mas pelo jeito você também tem bastante par contar. Como está Seymor ? Foi informado que ele sofreu um acidente.
- Como disse, tivemos alguns problemas como pode ver pela nave que estamos rebocando mas o comandante Seymor está bem e pronto para o serviço, bem como o restante da tripulação que ficou conosco.
- Estou ansioso para ouvir seu “relatório” . Apresente-se a mim assim que possível, “comandante” e informe a todo o pessoal Sênior que deve comparecer a sala de Reuniões em trinta minutos, inclusive o comandante Willians se ele estiver em condições.
- Claro Capitão. Mas posso perguntar uma coisa ?
- Diga,,,
- Fico bem de vermelho ?
Enquanto isto, na Hunter Sevok havia passado as ultimas duas horas em uma das estações da Engenharia checando, ou pelo menos tentando checar os registros do computador principal a respeito dos problemas nos equipamentos. O oficial de Ciências da nave devia estar entre os doentes, mas ele não fez nenhuma referencia a isto com Clivert. Havia conversado com engenheiro Mendes, o oficial responsável pela manutenção recolhendo dados sobre tudo o que havia se tentado fazer para deter ou pelo menos isolar o defeito e foi informado de que não havia nada que não tivesse apresentado problema nos últimos dez dias. No inicio eram pequenas falhas, como registros não encontrados depois de serem arquivados, pequenas alterações nos controles ambientais individuais dos alojamentos, comida alterada ou mesmo pedidos sendo atendidos de forma incorreta pelos processadores de alimentos e depois foi crescendo, atingindo sistemas de navegação, de transporte , comunicações, tudo foi deixando de funcionar aos poucos, mas nada parecia errado. Sevok procurava por um ponto de falha, algo que unisse todos os sistemas e que pudesse portanto causar aquele efeito de total devastação neles, algo que fosse comum a cada parte e que não pudesse ser identificado por um diagnostico normal. Mesmo as inspeções visuais ordenadas pelo Capitão Okada foram infrutíferas, pois cada peca, cada parafuso, cada chip, cada parte que pôde ser examinada apresentava condições normais de uso. Estava ainda longe de conseguir uma explicação lógica o que para ele era absolutamente inaceitável, pois tinha que haver uma explicação plausível em algum lugar e então lembrou-se do sábio da estória antiga da Terra, Aristóteles que dizia “A questão primordial não é o que sabemos, mas como o sabemos”. Precisava rever o que sabia até então : Havia uma falha generalizada que atingia todos os sistemas, mas tudo o que havia sido verificado estava em perfeita ordem. Juntando tudo chegava-se a conclusão lógica que a falha devia ser no computador, mas os diagnósticos também não mostravam nada de errado com ele. De qualquer forma, levando-se em conta a teoria do único ponto de falha, o computador era a melhor opção pois tudo era virtualmente controlado por ele. Resolveu fazer um teste rápido, sentando-se em uma das estações.
- Computador por favor queira normalizar a temperatura da ponte.
- A TEMPERATURA DO INTERIOR ESTA NORMAL.
- Computador, estamos a doze graus Celsius acima do normal.
- A TEMPERATURA DO INTERIOR ESTA NORMAL. - insistiu o computador na resposta.
- Computador, execute diagnostico de sistemas a fim de determinar causa da falha generalizada.
- NÃO HÁ NENHUMA FALHA NOS SISTEMAS. DIAGNOSTICO DESNECESSARIO.
Obviamente esta resposta era insatisfatória. O computador tinha que estar com defeito, mas que tipo de defeito e o que ele podia fazer ? Decidiu então examinar o computador de ótica diferente. O sistema Bio-Neural era idêntico ao da Avenger e recebeu este nome por que era composto de vários módulos semelhantes a célula neural do sistema nervoso central, tão semelhantes que estes módulos chamados de Gel-packs eram orgânicos. Cada célula continha a parte da informação de tudo o que acontecia na nave e se o todo não lhe dava resposta alguma, talvez as partes dissessem algo. Deu uma olhada rápida no esquemas de circulação da Hunter entre os vários maços de papel que estavam espalhados pela console principal que agora seria totalmente inútil se não estivesse sendo usada como mesa, enquanto elogiava mentalmente o espirito de prevenção do engenheiro Mendes que havia tomado a precaução de fazer copias de todos os diagramas antes que eles ficassem inacessíveis. Localizou o ponto mais próximo onde poderia ter acesso aos Gel-packs. Como os elevadores estavam totalmente parados dirigiu-se até um dos tubos Jeffries e desceu até o nível desejado. Não foi preciso andar muito pelo corredor mal iluminado pelas luzes tênues da nave para chegar a escotilha de acesso que procurava e que se encontrava aberta, o que demostrava que equipes de manutenção já deviam ter passado por ali. Curvou-se para poder entrar na abertura de um metro de altura e rapidamente localizou o que queria. Aproximou-se do painel, que deixava a mostra alguns módulos da rede neural - e que não estava trancado como deveria - e removeu uma peca que mais parecia um saco plástico azul com uma tarja branca, fez um breve exame visual e saiu. Precisava agora ir ao laboratório que embora também devesse estar igual a todo o resto devia ter alguns equipamentos portáteis que eles pudessem usar e por sorte era no mesmo nível onde estava. Enquanto caminhava percebeu novamente que alguém o acompanhava, o que começou a ocorrer imediatamente após sua chegada e inicio das pesquisas. Optou por continuar seu trabalho e observar a distância o seu observador até que tivesse uma melhor oportunidade de saber por que e por quem era vigiado. Quando chegou próximo a porta do complexo principal de pesquisa viu dois homens montando guarda, mas continuou andando na direção deles, que impediram sua passagem.
- Esta é uma área de acesso restrito. Você não pode entrar sem autorização. - disse um dos homens.
- Tenho autorização do Capitão Okada para usar os meios necessários para tentar encontrar as causas da falha nesta nave, e alem do mais não sei o que pode haver de restrito num laboratório.
- Este laboratório não está sob jurisdição do Capitão Okada.
- Isto é totalmente fora dos regulamentos que conheço. Quem é o responsável então ?
- EU ! - uma voz surgiu as costas de Sevok que virou-se e então reconheceu o homem que estava a sua frente como a pessoa que discutia com o Capitão Okada na primeira vez que veio a Hunter junto com Hendrik e que tinha a seu lado um homem um pouco mais baixo, de cerca de um metro e setenta. loiro e profundos olhos azuis, que Sevok também reconheceu apesar de não te-lo visto antes, pelo menos não diretamente.
- Sei que este rapaz vem me seguindo desde que cheguei, mas e o senhor, quem é para ter prerrogativas sobre o Capitão da nave?
Os homens se olharam sem conseguir disfarçar a surpresa ao perceber que Sevok sempre soube que era vigiado, mas não tocaram no assunto. O homem que aparentemente era o comandante daquele grupo deu um passo a frente com uma expressão no rosto nada amistosa.
- Pode me chamar de Elliot, e isto é o máximo que vai conseguir saber. Os laboratórios não estão acessíveis no momento.
- Já que insiste terei que ver o Capitão.
- Esteja a vontade.
Sevok deixou a área e os desconfiados e pouco amigáveis tripulantes para trás e curioso para saber por que alguém teria algum privilegio sobre o Capitão da nave. Alguns minutos depois encontrou com o Capitão Okada que apesar de demonstrar desconforto com a situação pediu para que não tentasse entrar no laboratório novamente. O Vulcano não pediu explicações, apenas solicitou permissão para continuar seu trabalho na Avenger a qual lhe foi concedida. Pediu que a Avenger enviasse um container de amostras, onde acondicionou o Gel-Pack que havia retirado do sistema e voltou a sua nave muito intrigado, o que o fez pensar em informar a Hendrik o que aconteceu antes de voltar a se dedicar as suas pesquisas. Ambos estavam no gabinete do Capitão onde o Vulcano acabara de passar os fatos.
- Isto é totalmente incompreensível. - comentou Phillip após tomar um gole da café olhando pela vigia a Hunter, que agora estava em uma posição diagonal que permitia sua visão.
- Concordo. Por acaso o Capitão Okada lhe disse algo que pudesse dar algum esclarecimento ? - perguntou o Vulcano de pé em frente a mesa.
- Apenas que estava sob ordens que não podia contrariar, mas não disse a natureza destas ordens, e sente-se por favor.
- Se o senhor se sente melhor assim - respondeu enquanto se sentava - Ele me pareceu bastante ,,, atormentado.
- Tem razão, mas se ele não diz o que acontece não podemos ajuda-lo. E quanto a sua tarefa ? Algum progresso.
- Ainda não. Talvez os testes que farei possam dizer alguma coisa mas estou convencido que o defeito esta no computador.
- Um palpite !? disse Hendrik após sentar-se também.
- Claro que não senhor. Eliminei todos os pontos possíveis que podiam causar este problema e todos estão normais. A única coisa que falta ser verificada é o computador.
- E por que os técnicos da Hunter não chegaram a esta conclusão ?
- Por que eles estão por demais dependentes do computador, o que o pode telos induzido a erro de avaliação.
- Concordo, mas os procedimentos em Anezir estão quase completos e quando terminarem iremos embora rebocando a Hunter se necessário, portanto você não tem muito tempo.
- Devo voltar ao trabalho então.
- Comando para Capitão.
- Prossiga.
- O comandante Seymor, o Tenente Krieg, o Tenente Grislain e a Dr.a Carter já estão a bordo.
- Diga a Seymor venha ao meu gabinete com um relatório sobre o que aconteceu na Livingston. - antes que Alejandro responde-se uma outra voz surgiu no comunicador.
- Capitão, aqui é Seymor. Se não se incomodar creio que a Doutora Carter pode lhe fazer um relatório bem mais completo.
- Que venha ela então. - disse Hendrik num suspiro.
- Informarei a ela.
Assim que Seymor desligou Hendrik voltou novamente sua atenção para Sevok.
- Antes que volte ao trabalho quero que esteja presente a reunião que pedi com os membros do comando, o comandante Willians da Livingston, e a capitã Ivanovich. Quero deixa-los a par dos acontecimentos.
- Estarei lá.
- Dispensado.
Não demorou muito para Eleonor chegasse ao gabinete de Hendrik já com sua malha azul por baixo do macacão em lugar da vermelha e aparentando um bom estado de espirito.
- Oficial médica Eleonor Carter se apresentando conforme ordenado senhor.
- A vontade “Doutora”, e sente-se por favor.
- Aqui está meu relatório, conforme solicitado e peco que perdoe alguma falha pois não é exatamente o tipo de relatório que estou acostumada a fazer. - entregou um cartucho de memória que Hendrik instalou em seu console e passou alguns minutos em silêncio observando os dados e imagens que iam passando, eventualmente dirigindo um olhar de incredulidade para Eleonor. Após ver tudo recostou-se descontraidamente na cadeira, tentou terminar de beber o café que ainda estava no copo mas desistiu ao descobrir que o liquido estava quase gelado, o que provocou um sorriso em Eleonor.
- Pelo que posso ver vocês tiveram muito com o que se manter ocupados. - disse ele finalmente.
- Alguns probleminhas, mas nada que escapasse ao controle.
- Por que preferiu assumir o comando mesmo depois que o plano de vocês de faze-los desistir do ataque não deu certo ?
- Não havia muitas opções Phil, pois todo o pessoal com alguma experiência nisto estava fora de combate e alguém tinha que faze-lo.
- E por que não Krieg ? Ele pode não ser um comandante estelar mas tem um pouco mais de experiência que você.
- Em missões de Terra, mas nunca embarcado e numa situação como esta, além do que se a nave realmente fosse invadida ele seria muito mais importante como foi, comandando a resistência no interior da nave. Não creio que minhas ações possam ser questionadas Capitão. - disse Eleonor já ficando irritada com o interrogatório ao qual estava sendo submetida, uma vez que ela julgava ter feito um bom trabalho, apesar de tudo. Hendrik deu um tempo pensando na palavras até voltar a falar.
- Já serviu como comandante de nave estelar antes Doutora ?
- Foi primeira vez, mas acho que fui bem se me perdoa a presunção, não ?
- Com certeza um inicio de carreira de promissor. Você agiu muito bem Eleonor, e quem sabe eu possa recomenda-la para uma promoção. - a resposta de Hendrik finalmente reconhecendo o bom trabalho que ela tinha feito renascer o sorriso no rosto dela.
- É claro que a ajuda que recebi foi fundamental, e praticamente o que fiz foi tentar organizar as coisas enquanto o pessoal trabalhava de verdade.
- Está a tarefa mais difícil de se realizar quando se esta no comando e você foi bem nela.
- Mas não pretendo seguir esta carreira, pois achei muito estressante.
- Espero não ter minhas decisões de comando contestadas de agora em diante “doutora”.
- Em absoluto, “Capitão”, mas mudando um pouco de assunto, e esta outra nave está fazendo o que aqui ?
- Quando chegamos encontramos a nave da Federação que você já notou. Trata-se da USS Hunter, está com uma pane maluca nos sistemas e existem varias coisas que você deve saber mas que peco que aguarde a reunião para que eu não tenha que ficar repetindo esta estória, mas se Sevok não conseguir descobrir a causa do problema teremos que transferir a tripulação da Hunter e rebocar a nave, e pelo jeito já estamos ficando com um problema se super lotação. A Livingston ainda não está condições de receber o excedente, a Ferino não tem espaço e ainda temos muita gente doente por aqui.
- Complicado, mas acho que da par resolver apertando um pouco.
- Isto é ridículo. Temos dois cruzadores, um Destroyer e um nave de escolta o que daria par começar nossa própria guerra particular e mesmo assim estamos com problemas par transportar algumas pessoas.
- Tenho certeza de que tudo será resolvido.
- Não tem outro jeito. Acho que agora devemos ir para a sala de reuniões - disse enquanto se levantava - Logo os outros estarão lá.
- Claro que sim capitão, mas você não de deu as boas vindas.
- Bem-vinda ao lar Doutora, e sabe que é bom vê-la de volta.
- Obrigada ! Temos que ir agora, não é “Capitão” ?
- Sim temos, mas eu também tenho algo a dizer.
- O que é ?
- Você fica bem de vermelho !
- Eu sabia disto.
****
Enquanto isto na Engenharia Jean Paul conversava com Melissa, que apesar de cansada sentia-se feliz pois tudo estava em ordem a despeito da quase exaustão dela e de todo o seu pessoal.
- Parece que você cuidou bem de tudo por aqui. - disse Jean Paul enquanto terminava de olhar os relatórios e se encaminhava para o painel principal.
- Deu par manter a nave inteira. O Capitão Hendrik fez estes motores suarem um bocado.
- Isto é mal de todo o Capitão. Construímos motores capazes de chagar a Warp 6, ai eles querem 7, ainda construímos motores que chegam a 7 e eles querem oito e por ai vai.
- Pelo menos ele me ouviu quando pedi para diminuir a velocidade para dobra 9.
- Ele fez isto ? Devia estar doente ! - comentou enquanto olhava os registros. - Estou vendo aqui que os cristais foram realinhados ? Você fez isto ?
- Sim senhor. Chegamos aqui com os cristais em pedaços e não havia outro jeito.
- Muito bem. Transfira todos os registros para meu alojamento. Os lerei após a reunião.
- Sim senhor. - respondeu sem conseguir disfarçar o cansaço.
- Você vai ter que aguentar mais um pouco no posto Melissa.
- Já mandei instalar uma cama aqui, pode deixar.
****
Alejandro estava terminando de passar a situação para Seymor enquanto seguiam em direção a Sala de reuniões e como todos, o primeiro oficial ficou muito confuso com tudo aquilo que aconteceu na sua ausência, mas a aparente falta de informações confiáveis formavam um padrão conhecido na cabeça de Seymor que ele inconscientemente insistia em ignorar.
- ,,,,, e então comandante é isso o que está acontecendo. Estranho não acha ?
- “Estranho” não é uma palavra que defina bem tudo o que relatou Tenente, mas acho que poder servir por enquanto.
- O fato é que Hendrik está curioso.
- Eu também estaria se fosse ele, mas a curiosidade pode ser perigosa.
- O que quer dizer com isso ?
- Por enquanto nada.
****
Na sala da segurança, Ramur cumpria o mesmo ritual que seus companheiros colocando Krieg a par dos acontecimentos durante as horas de sua ausência. Vthyr permanecia ao lado deles atenta a todas as explicações.
- ,,, e agora a nave Dominion esta sendo guardada por um grupo de segurança, de acordo com as ordens do capitão.
- Uma nave Dominion nesta área e uma falha generalizada nos sistemas de uma nave Federada que sequer devia estar aqui e se recusa a dar explicações. Não há muito para se ter uma idéia do que se trata. O que acha Alferes Kansha ?
- Concordo com o senhor quando diz que não temos dados suficientes para chegar a uma conclusão aceitável, mas acho obvio que se trata de uma operação secreta da Frota Estelar, mas falta um elo na corrente para compreendermos o que esta havendo.
- A Frota pode estar querendo manter segredo desta descoberta até poder estudar bem a tecnologia deles.- respondeu Krieg.
- Segundo o capitão os registros da Frota mostram que uma nave deste tipo foi capturada a alguns anos pela tripulação da Defiant, de forma que há muito pouco ou mesmo nada a descobrir sobre eles com esta nave lá embaixo. - disse Ramur.
- Já que é assim - disse largando o copo d’água e levantando-se da mesa - vamos ver se o capitão tem alguma novidade.
****
Dez minutos depois eles estavam no salão principal do convés de recreação que foi rapidamente preparado para recebe-los, uma vez que a sala de reuniões ficaria um pouco apertada para receber tanta gente. Os últimos a chegar foram Eleonor e Hendrik, o que trouxe a tona aquele velho sorriso maroto de Alejandro, que ela percebeu enquanto era vacinada por uma de suas auxiliares da Enfermaria antes de sentar-se. Hendrik que estava afastado do grupo conversando com Seymor deu uma rápida e discreta olhada em Andrea Ivanovich, que foi suficiente para confirmar que ela era tão bonita ao vivo quanto pela tela de comunicação e ainda mais imponente apesar da juventude. Tentou afastar este pensamento da cabeça e sentou-se para começar, mas antes que falasse o Dr. Donald mais uma vez demonstrou sua irritação :
- Capitão, não vejo qual a utilidade de minha presença aqui, e acho que seria mais útil fazendo meu trabalho.
- Por mais que me desagrade, talvez precisemos de seus conhecimentos aqui Doutor, então por favor sente-se e ganharemos um tempo valioso.
Adams não respondeu e apenas sentou-se irritado.
- Senhores, senhoras, é muito bom ver a todos. Ficamos preocupados com vocês e felizes por terem se saído bem. Capitã Ivanovich, Comandante Willians é um prazer conhece-los, e é pena que não seja numa situação melhor. Eleonor me disse o que aconteceu ao Capitão Peterson, senhor Willians e sinto muito por ele, mas temos coisas a resolver aqui e com a incapacitação dele você está no comando da Livingston agora. Creio que já tiveram tempo de conhecer os presentes antes de minha chegada.
- Certamente que sim Capitão - respondeu Ivanovich - e o prazer é meu.
- Digo o mesmo que a Capitã Ivanovich. - disse Lars Willians
- Em breve teremos aqui o Capitão Okada, da USS Hunter mas preferi conversar com todos vocês antes que ele chegasse. O comandante Iglesias fará um breve resumo do que aconteceu desde a nossa chegada em Anezir para deixa-los a par dos fatos.
Iglesias tomou um susto, pois não estava preparado para isto, mas disfarçou sua surpresa, ajeito-se na cadeira e começou:
- Bem, a cerca de seis horas,,,,,,,
****
Vinte minutos depois :
- ,,,,, e esta é atual situação. - completou Iglesias enquanto os presentes se entreolhavam mudos. Hendrik aguardou alguns segundos enquanto se certificava mentalmente se Iglesias não havia esquecido algo, e ao concluir que não dirigiu-se a eles novamente.
- Comentários senhores ? - disse recostado na cadeira com as mãos cruzadas apoiando o queixo de forma displicente. Ivanovich foi a primeira a falar.
- O comando da Frota não deu nenhuma explicação ?
- Enviamos uma mensagem logo depois que chegamos, mas ainda não tivemos resposta devido a distância e a interferência gerada pela tempestade iônica que vocês atravessaram.
- E o Capitão Okada não explicou como seus homens se contaminaram ?
- Ele não deu nenhuma informação sobre nada. Tudo o que ouviram foi conseguido por nosso pessoal.
- Creio que não há muito que possamos dizer Capitão. - disse Willians - , mas não entendo onde isto nos atinge.
- Na verdade Comandante, tecnicamente este assunto não seria da minha conta nem da de vocês, mas sou curioso demais para não tentar descobrir o que esta acontecendo, mas se Sevok não tiver sucesso em descobrir a causa da pane na Hunter teremos que transferir sua tripulação para nossas naves e rebocar a nave e logo será impossível para qualquer um ficar naquela nave pois os sistemas de apoio de emergência já começaram a falhar, e além do mais eu já estou protelando a partida daqui por tempo demais e com a chegada de vocês não tenho quase mais nenhum motivo para continuar a faze-lo.
- Teremos um problema de espaço. - disse Willians.
- Sei disto, mas vamos ter que dar um jeito, por isto preciso que vocês dois fiquem por aqui por mais algum tempo.
- Capitão - disse Willians - Creio que um de nós deveria assumir o comando estratégico. Somos quase uma forca tarefa agora e acho que você é a pessoa mais indicada.
- Comando estratégico !?
- Em situações de atuação em conjunto de duas ou mais naves estelares um dos capitães deve assumir o comando de acordo com os regulamentos. - disse Seymor.
- Não creio que haja necessidade disto. - respondeu Hendrik.
- Discordo ! - disse Ivanovich - . Se vamos ficar aqui e tentar descobrir o que ouve é bom que haja alguém responsável, a fim de evitar problemas com possíveis decisões isoladas e concordo com Lars, acho que você é a melhor escolha.
- Já que insistem, faremos desta maneira então, mas existem algumas coisas que em devemos pensar. Em primeiro lugar como eu já disse devemos estar preparados para transferir o pessoal da Hunter a qualquer momento então devemos cuidar para que todo o efetivo da Livingston e da Freedom seja imunizado o mais rápido possível para que qualquer nave possa recebe-los a qualquer tempo. Alguém da equipe médica da Livingston já se recuperou ?
- Nosso médico já está bem. - disse Willians.
- Ótimo ! Quero que Eleonor coordene com ele e o responsável medico da Freedom a tarefa de imunização das vacinas.
- Sem problemas. - disse Eleonor.
- Alejandro, enquanto Sevok estiver envolvido em sua pesquisa, o tenente Marcos continuara nas funções de oficial cientista e devera fazer com que os transportes das duas naves possam filtrar o vírus de forma tão eficiente quanto o nosso.
- Informarei a ele.
- Jean Paul e Krieg, quero um grupo de técnicos e uma equipe de segurança pronta para descer até a nave Dominion. Vamos ver se descobrimos mais alguma coisa por lá. E mandem meus comprimentos as suas equipes, em especial a Melissa e Ramur. Eles fizeram um excelente trabalho na ausência de vocês. Sei que todos estão cansados mas vamos precisar deles um pouco mais antes que possam descansar
- Entendido. - respondeu Jean Paul enquanto Krieg fazia o mesmo apenas balançando a cabeça afirmativamente.
- Capitã Ivanovich, quero que reboque a Hunter para fora de Orbita. Não há por que mante-la em volta de Anezir em sua atual situação. O comandante Willians deve fazer o mesmo em relação a Demetrius e neste meio tempo seria prudente que mandasse uma equipe avaliar as condições da nave pirata, pois talvez possamos usa-la para transportar a tripulação da Hunter. Nós ficaremos em orbita enquanto durar a investigação.
- Sem problemas Hendrik, mas quanto tempo pretende ficar aqui ainda ? - perguntou Ivanovich.
- O tempo que o Doutor demorar para finalizar seu trabalho.- voltou-se para Adams dizendo - O Senhor deve coordenar a finalização dos trabalhos no planeta e assim que terminar, nos saímos. Algum problema Doutor ?
- Negativo “Senhor”!
- Muito bem, se não esqueci nada creio que todos podem continuar com seu trabalho agora. Apenas Seymor, a Capitã Ivanovich e o Comandante Willians devem ficar. E tenham em mente que ninguém a bordo da Hunter sabe que nos temos conhecimento do que foi dito aqui e quero que continue assim por enquanto. Dispensados.
Enquanto as pessoas saiam Ivanovich e Willians trocaram de lugar e aproximaram-se de Hendrik e Seymor.
- O que espera ganhar escondendo o que sabe ? - perguntou Ivanovich assim que se acomodou.
- Não tenho certeza, mas se eles querem jogar nos vamos jogar também. Talvez possamos usar isto a nosso favor se for preciso. - respondeu tocando o comunicador.
- Hendrik para sala de transporte.
- Farrel falando.
- Já pode trazer o Capitão Okada para o salão da recreação.
- Entendido.
Alguns instantes depois o feixe de transporte surgiu em dos cantos da sala trazendo o Capitão Okada. Hendrik aproximou-se dele para recebe-lo e notou que cambaleava, com certeza por conta da doença. O Dr. Adams tinha acabado de completar a variação da vacina e ela não havia sido testada em ninguém.
- É bom velo novamente Capitão, por favor sente-se.
- Agradeço, mas gostaria que transporta-se para cá outra pessoa que deseja falar-lhe e que encontra-se em meu gabinete
Hendrik imaginou quem seria, mas não disse nada a Okada e apenas ordenou a Farrel que focalizasse o transporte no local indicado por ele e trouxesse a bordo quem quer fosse. Em mais alguns instantes o homem se materializou confirmando as suspeitas de Hendrik. Era o mesmo que vira discutindo com Okada e que havia impedido Sevok de ter acesso aos laboratórios da Hunter.
- Este é o senhor Elliot, responsável pela missão da Hunter aqui.
- Senhores, sentem-se. - disse Hendrik ignorando o homem ao lado de Okada - Estes são a Capitã Andrea Ivanovich e o Comandante Lars Willians que está respondendo pelo comando da Livingston.
- Parece que temos uma pequena frota por aqui Capitão. - disse Okada.
- Mas muitos problemas, a começar pelo seu.
- Seu oficial de Ciências fez algum progresso ?
- Até o momento não. Como ele foi impedido de usar seu laboratório teve que trazer a amostra que queria analisar para cá e como existem certos procedimentos de segurança a serem aplicados neste caso, perdemos um tempo valioso.
- Desculpe, mas foi necessário. O que pretende fazer então ?
- A situação não mudou e iremos embora assim que terminarmos o que viemos fazer aqui, que é erradicar a doença de Anezir. Se sua nave não estiver funcionando até lá, vamos transferir sua tripulação para nossas naves e rebocar a Hunter para a base estelar mais próxima.
- Capitão - disse o então calado Elliot - Infelizmente isto não é aceitável.
- É quem é o senhor para me dizer o que não é aceitável, oficial Elliot ?
- Quem eu sou não é o mais importante. O mais importante é que estou sob ordens diretas do Comando da Frota Estelar e tenho uma missão a cumprir em Anezir, portanto preciso que fique mais tempo aqui, além de algumas outras condições.
- E quais seriam estas ordens e condições ? - perguntou Willians.
- As ordens são do mais absoluto segredo, mas as condições são simples. Preciso de acesso livre e privado a uma sala de transporte e uma nave auxiliar e a um de seus laboratórios de pesquisa, além de um grupo de técnicos da engenharia que sejam confiáveis e acomodações para minha equipe de cinco pessoas. Durante o tempo em que durar a operação as ações de minha equipe não deverão ser questionadas.
- Tudo bem mas que tal falar serio agora ? - disse Ivanovich.
- Estou falando serio Capitã.
- Senhor Elliot, o senhor acha realmente que vou fazer o que me pediu sem saber quem é o senhor, o que faz aqui e por que ?
- Na verdade achei que não Capitão, por isto trouxe isto par que o senhor veja. - e passou as mãos de Hendrik um cartucho de memória. - Creio que possa lhe dar uma idéia da importância da questão, está codificada mas pode ser liberada por sua autorização de capitão.
- Vamos ver.
- MENSAGEM CODIFICADA DO COMANDO DA FROTA. NECESSÁRIO AUTORIZACÃO DE PRIORIDADE PARA ACESSO.
- Hendrik, Phillip. Comandante. Identificar padrão de Voz.
- PADRÃO VOCAL IDENTIFICADO. ACESSO LIBERADO.
Na tela apareceu um conjunto de ordens que Hendrik leu com atenção e depois de algum tempo, deu de ombros.
- Este despacho diz que o Capitão Okada deve dar ao senhor toda liberdade de ação e apoio sem interferência. Esta assinado pelo Almirante Emad Schorr.
- Isto deve mostrar que estou falando a verdade. E então ? Vai me dar o que preciso ?
- Fora de Questão.
- O senhor viu minhas ordens e tem uma coleção de naves estelares por aqui, qual o problema ?
- Em primeiro lugar estas ordens dizem respeito ao senhor e ao capitão Okada não a mim ou nenhum dos outros presentes, em segundo lugar nos temos nossos problemas senhor Elliot. O Capitão da Livingston esta incapacitado e o comandante Willians tem uma nave que ainda não está totalmente reparada e com metade da tripulação sob tratamento médico na minha enfermaria, todo o meu pessoal de manutenção assim como os da Livingston estão trabalhando sem descanso a pelo menos oito horas, alguns a mais que isto e vamos precisar do apoio de Ivanovich para poder transportar a tripulação da Hunter.
- Entendo isto tudo Capitão, mas acho que com algum esforço e boa vontade tudo poderia ser equacionado.
- Tem razão senhor Elliot, poderia se eu soubesse o que está acontecendo o que me daria condições de avaliar os riscos para minha nave, mas como não posso, tenho que cuidar para garantir a segurança dela.
- Não pode ignorar ordens do comando da Frota Estelar Capitão !!
- O senhor parece ignorar que como oficiais comandantes de uma nave estelar nos também estamos sempre sob ordens diretas do Comando da Frota, senhor Elliot. As minhas são para cuidar da doença em Anezir e diferente das suas estão quase completas. Agora se de me der licença, temos trabalho a fazer.
- Vocês estão de acordo com o Capitão Hendrik ? - perguntou olhando para Ivanovich e Willians.
- É claro que sim - respondeu ela.
- Sim estamos . - confirmou Willians.
- Vocês não sabem com o que estão lidando e não compreendem os riscos envolvidos.
- Não se chega ao comando sem assumir riscos, senhor Elliot, e ele já faz parte de nosso dia-a-dia. Capitão Okada, estamos nos preparando para receber sua tripulação assim que o Dr. Donald finalizar seu trabalho, portanto informe seus tripulantes assim que retornar, mas antes acho que deve procurar a enfermaria pois o senhor não me parece bem.
- Farei isto Capitão, obrigado.
- Hendrik para sala de transporte.
- Transporte.
- O senhor Elliot está pronto para retornar a Hunter.
- ESPERE ! EU AINDA,,,, - Elliot desapareceu antes de terminar. Ivanovich aproximou-se do oriental.
- Capitão Okada, tem certeza que não quer nos dizer o que esta havendo ?
Ele levantou a cabeça parecendo ainda mais desorientado, sorriu um sorriso triste para Andrea, e disse:
- Eu gostaria, mas não posso. Me desculpe.
- Este segurança o acompanhará até a enfermaria para possa receber a vacina que o Dr. Adams desenvolveu. Se der certo vamos vacinar o restante de seu pessoal. - disse Hendrik referindo-se a um dos homens que montavam guarda do lado de fora da sala - Seria bom que ficasse aqui para que possamos observa-lo.
- Agradeço sua preocupação, Capitão, mas permita-me pelo menos estar ao lado de minha tripulação.
- Como queira.
Okada saiu tendo ao seu lado o tripulante que Hendrik designou. Estava atormentado pela sensação de que havia falhado na missão de defender sua tripulação e assistir a firmeza daqueles três comandantes só aumentou sua vergonha.
- Bem, agora você dois tem uma idéia do problema. Vamos prosseguir de acordo com planejado.
- Que raio de missão é esta e quem é este tal de Elliot ? - resmungava Willians.
- Seja lá quem for ou está metido em algo grande ou está blefando, mas pelo menos suas ordens são autênticas. - comentou Ivanovich.
- Mas que ordens são essas ? O almirante Schorr não é nosso superior direto e nem sei o que ele faz na Frota, apesar de reconhece-lo. - comentou Hendrik - Por enquanto acho que não há muito o que fazer quanto a esse tal Elliot e sua misteriosa missão, portanto devemos voltar nossas atenções as nossas necessidades imediatas.
- Concordo. Vou voltar a Livingston e ver quem eu já posso devolver da sua tripulação.- Lars chamou sua nave logo após levantar-se - Aqui fala Willians, leve-me do volta agora.
Enquanto o comandante desaparecia Ivanovich seguiu o gesto de seu colega.
- Bem Capitão, como disse no inicio é uma pena nos conhecermos em circunstâncias tão complicadas, mas talvez possamos ter algum tempo para que eu possa conhecer sua nave durante a viagem de volta. Essa classe é nova e dizem que é espetacular.
- Ela realmente é ótima e com certeza haverá tempo para visita-la.
- Comandante Seymor - disse ela fazendo uma breve reverência a Noan que retribuiu com gesto igual.
- Capitã.
- Ivanovich para Freedom, um para ir a bordo.
Assim que ela sumiu Seymor deixou escapar um raro sorriso para Hendrik junto com um comentário.
- Se a doutora souber disto você vai passar a viagem de volta sob restrição médica.
- E você esta andando demais com Alejandro, mas deixando isto de lado o que acha disto tudo?
- Estive pensando sobre o pouco que temos e toda esta falta de informação e mistério lembra muito a linha de trabalho de meu antigo “departamento” Capitão e isto é preocupante se for verdade.
- Pensei que tivesse dito que seu antigo “departamento” havia sido desmantelado ?
- E foi, mas estamos em guerra e em tempos de guerra serviços de espionagem ganham forca e a Federação pode ter reativado o departamento com outro nome talvez. O que realmente interessa é o conteúdo e não o rotulo.
- Acha que Elliot e sua equipe podem ser membros da Dissuasão, ou seja lá que nome tenha agora ?
- É bem possível.
- E o que recomenda ?
- Não estou certo de ter uma recomendação, mas é bom termos muita cautela, pois se estivermos certos Elliot será capaz de qualquer coisa para cumprir esta missão. Seria bom mante-lo vigiado
- Vai ser um pouco difícil.
- Talvez eu possa encontrar uma forma de faze-lo.
- Faca isto se puder mas gostaria de te-lo no grupo de descida que vai examinar a nave que encontramos. Sua experiência pode ser útil.
- Posso pensar nisto quando voltarmos.
- Melhor. Vamos andando agora, ainda quero ver umas coisas enquanto as equipes não estão prontas.
****
Enquanto isto Alejandro, Willians e Ivanovich preparavam-se para executar as manobras.
- Avenger, estamos deixando orbita agora. - disse Ivanovich da ponte de sua nave.- Temos a Hunter presa ao nosso raio trator. Livingston, nosso ponto de encontro será em um 2398 marco 1.
- Entendido Ferino. Logo estaremos com vocês novamente. - respondeu Willians.
- Estamos prontos para completar as manobras Comandante Willians, informe quando pronto.
- Aguarde - Willians desviou os olhos para o tripulante que monitorava a estação de engenharia por alguns segundos e depois voltou sua atenção para a tela principal onde Alejandro esperava.
****
- Estamos prontos comandante Iglesias. Leme, pode sair de orbita. Vamos a 2398 marco um a um quarto de impulso - ordenou Willians - Até logo comandante Alejandro, e nos manteremos ao alcance de transporte.
- Até logo comandante Willians. Avenger desliga. -
Enquanto Alejandro observava as duas naves se afastarem Andrei informou uma comunicação vindo da Hunter, usando um dos comunicadores da Avenger que Hendrik havia deixado com Okada.
- Comandante, estou com o Capitão Okada no canal de comunicação ele informa que o suporte de vida está começando a falhar e o ar começa a ficar rarefeito.
- Que bela hora ! Abra um canal com a Livingston novamente e peca ao Capitão para vir para a ponte imediatamente
- Canal aberto.
- Comandante Willians, temos uma emergência. O suporte de vida da Hunter esta falhando e teremos que tirar todos de lá rápido. Sua tripulação já recebeu a vacina ?
- Quase todos e nosso transporte já esta ajustado.
- Então fique a postos para iniciar transferência e peca a Capitão Ivanovich para fazer o mesmo.
- Entendido.
Neste meio tempo Hendrik e Seymor chegaram a ponte apressados.
- O que houve Alejandro ?
- A Hunter esta perdendo o suporte de vida. Já informei a Livingston e pedi que Willians informa-se a Freedom. - Hendrik aproximou-se de sua cadeira e tocou o console.
- Ponte para Dr.a Carter.
- Aqui é Carter. Prossiga comandante.
- Vamos ter retirar o pessoal da Hunter Doutora. Já tem os resultados sobre a eficiência da variante da vacina que o Dr. Adams injetou em Okada ?
- Ainda não pude ir a Hunter. Ia fazer isto agora.
- Teremos que arriscar. Mande um grupo para lá com as novas vacinas e aplique o mais rápido possível.
- Estou a caminho Capitão, mas vai levar algum tempo.
- Faca o melhor que puder pois vamos ter tira-los de lá de um jeito ou de outro.
- Estou ciente. Carter desliga.
- Chame a Freedom Andrei.
- Freedom no canal.
A imagem da tela mudou para a ponte da Freedom.
- O Comandante Willians já me informou Capitão, e estamos prontos. Nossa tripulação esta vacinada e o transporte pronto.
- Ótimo, mas enquanto nossa equipe médica estiver trabalhando gostaria que verificasse as condições da nave Alienígena para o caso de ser necessário usa-la.
- Já tenho uma equipe pronta para ir a bordo.
- Execute. Estarei aguardando e estejam a postos. Avenger desliga.
****
Na Hunter havia uma enorme confusão com um verdadeiro congestionamento nas passagens de emergência por causa dos elevadores parados. Era impossível estabelecer alguma ordem e o ar ia ficando cada vez mais pesado e viciado enquanto a temperatura subia e descia descontroladamente. Felizmente a maioria dos tripulantes que não estavam em funções essenciais havia sido instruídas ficar no hangar ou no convés de recreação e estes dois grupos formavam mais que oitenta por cento do efetivo da tripulação. Parte da equipe de Eleonor se dividiu entre estas duas áreas e uma terceira seguiu para a enfermaria para cuidar dos doentes que não estavam em condições de se mover. De repente o capitão Okada surgiu de um dos tubos de ventilação que acabaram virando corredores de emergência. Alguns tripulantes que o viram correram para ajuda-lo a descer a assim que se aprumou foi em direção a Dr.a Carter.
- Sou o Capitão Doutora, qual a situação.
- Quase todos aqui estão prontos e o mesmo acontece no hangar e na enfermaria, e já que está aqui, dê-me seu braço. - ela pegou um de seus instrumentos e após levantar a manga do uniforme de Tisuo recolheu uma amostra de sangue e comparou com os dados que tinha no Tricorder. O resultado que obteve lhe deu algum alento. Tocou o comunicador.
- Doutora Carter para Avenger.
- Aqui é Hendrik, prossiga.
- Encontrei o Capitão Okada e a doença dele esta retrocedendo o que indica que a vacina funciona e as pessoas do convés de recreação já podem ser transportadas.
- Entendido, estamos iniciando o teletransporte. Avenger desliga.
****
Com o sinal verde de Eleonor a transferência finalmente começou, com vários grupos sendo transferidos aleatoriamente para as três naves. Em alguns minutos a nave estava praticamente deserta, faltando apenas alguns tripulantes que tentavam se certificar de que ninguém havia sido esquecido. Eleonor e Okada eram os últimos no convés de recreação.
- Aqui é Dr.a Carter para grupo numero um, informe.
- Líder do grupo um informando Dra. Todos no hangar foram transportados.
- Aqui é líder do grupo 2. Pessoal da enfermaria já foi removido.
- Entendido , voltem a nave agora. Carter desliga.
Eleonor observou que Okada estava mais aliviado, certamente por ver sua tripulação a salvo, mas com certeza a sensação de ter falhado ainda o incomodava. Ela tocou seu ombro e o chamou.
- Vamos Capitão, é hora de irmos.
- Será que não há mais ninguém aqui ?
- Os sensores da Avenger informam que todos foram removidos, mas para garantir seu primeiro oficial pediu que eu o avisasse que ele está fazendo uma conferência de todo o pessoal. Agora temos que ir pois o ar já está muito pesado e logo será impossível respirar. - ele apenas assentiu com um leve aceno de cabeça.
- Eleonor para Avenger, dois para ir a bordo.
****
Na Avenger.
- A tripulação da Hunter está a salvo Capitão. - informou Seymor.
- Onde estão Okada e Eleonor ?
- Acabaram de se transferir de volta a Avenger. - disse Andrei.
- Bem, está instalada a confusão. - comentou Alejandro - O que fazemos agora ?
- Continuamos com o que havíamos planejado. Ainda quero dar uma olhada naquela nave lá embaixo. Irei para a sala de transporte, Seymor comigo. Andrei, informe a Jean Paul e Krieg para me encontrarem lá com um grupo de segurança e outro de manutenção.
- Entendido.
- Quanto a você Sevok, é melhor que retorne ao seu trabalho de buscar a causa do defeito da Hunter, se é que ainda é possível recupera-la. Se for precisar de você lá embaixo mando avisar.
- Sim Senhor.
- Mais uma coisa Alejandro. Avise a Ivanovich e Willians para tomarem cuidado pois com esta confusão nosso amigo Elliot está solto por ai em qualquer uma das três naves. Passe uma alerta para tentar localiza-lo.
- Eu tinha me esquecido dele.
- Todos esquecemos, agora é tarde pois ele pode estar em qualquer uma das três naves. O jeito é ficar de olho e ver onde ele aparece.
****
Alguns minutos depois o grupo de descida se materializava ao lado da nave Dominion, que agora já tinha varias luzes externas acesas que indicavam que o primeiro grupo enviado já havia conseguido algum progresso.
- Ai está ela senhores, a parte mais complicada deste nosso mistério.
- Uau!!! - Jean Paul estava impressionado - Eu li os relatórios de uma nave igual a esta que a Defiant capturou, mas estar assim tão perto causa uma sensação bem diferente.
- Então é mesmo modelo que a Frota capturou.
- Sim com certeza. Os relatórios técnicos foram enviados a nossa área de projetos para que pudéssemos aperfeiçoar nossos sistemas de defesa a armas.
Alguns minutos depois Vthyr e Ramur e mais dois oficiais da segurança saíram de umas das escotilhas da nave.
- Capitão. Que bom vê-los. - disse Ramur visivelmente cansado.
- Qual é a situação, tenente ?
- Fizemos uma revista em todas as áreas da nave e não encontramos nenhum corpo. O pessoal da engenharia conseguiu fazer os sistemas mais simples funcionarem o que nos dá iluminação e elevadores e acham que poderiam fazer outros sistemas funcionarem se soubessem como usa-los.
- Talvez eu possa dar um jeito nisto - disse Jean Paul - Trabalhei muito tempo no projeto para compreender as especificações desta nave.
- Então talvez possa explicar algumas coisas que encontramos que não conseguimos explicar. - disse Ramur.
- O que foi que encontraram ? - perguntou Seymor.
- Alguns dispositivos instalados nesta nave parecem ser de tecnologia nossa Comandante . - respondeu Vthyr - Estão na engenharia e na ponte de comando.
- Vá para a engenharia Jean Paul enquanto eu e Seymor vamos para ponte de comando.
- Estou a caminho.
****
Com os elevadores ativos e a iluminação restabelecida foi bem mais fácil chegar a ponte do que da primeira vez e agora podia-se ver bem melhor.
- Olhe aqui ! - Disse Seymor apontando uma coluna instalada ao lado do que devia ser o painel de navegação. - devia ser a isso que Vthyr se referia.
- Uma interface de controle. Realmente é tecnologia nossa embora meio disfarçada e um pouco ultrapassada. - comentou Hendrik
- Parece que estavam querendo fazer com que a nave pudesse ser pilotada por alguém que não os donos originais, e por falar nisto, onde estão eles ? Não há sinal de corpos aqui.
- Talvez na Hunter, acredito. É quase certo que o senhor Elliot tenha alguma coisa a ver com isto e Sevok foi impedido por ele de entrar em dos laboratórios da Hunter.
- Acha que os corpos podem estar lá ?
- Se houverem corpos, sim.
-Jean Paul chamando comandante Hendrik.
- Aqui é Hendrik, prossiga,,,
- Encontrei os dispositivos de que a alferes falou e realmente são tecnologia nossa, capitão. São interfaces de comando e um sistema automático de controle. Da forma como está, uma vez no espaço esta nave pode viajar sozinha enquanto houver energia e o sistema pode ser acionado a distância.
- Encontramos algo parecido aqui Jean Paul.
- Pelo que pude ver esta nave foi totalmente reparada e adaptada para que seres humanos pudessem aprender a pilota-la rapidamente.
- Prossiga até onde achar que vale a pena e depois retorne a nave.
- Capitão, eu poderia levar alguns componentes para estudo ?
- Acho que sim, mas acho que tinha dito que já conhecia os equipamentos desta nave ?
- Li os relatórios com as conclusões de outras pessoas, mas fazer minhas próprias observações seria bem interessante. Não vai demorar muito.
- Execute. Hendrik desliga.
- O que pretende fazer ? - perguntou Seymor.
- Cuidar para que ela não possa ser usada e informar a Frota, se é que eles já não sabem, coisa que duvido muito.
- Mas par que alguém ia querer fazer está nave funcionando ? Será que pensam em usa-la para fazer algum ataque surpresa ?
- É uma possibilidade, mas acho que podemos achar algumas respostas na Hunter. - Phillip tocou seu comunicador - Hendrik para Krieg.
- Aqui é Krieg.
- Eu e Seymor vamos voltar para a nave. Assuma por aqui e leve todos de volta assim que Jean Paul tiver terminado.
- Entendido.
- Hendrik para Avenger, dois para subir.
****
Chegando a nave Hendrik mandou que Seymor fosse para a ponte a fim de auxiliar Alejandro e pediu um traje especial para ir a bordo da Hunter. Embora Seymor não tivesse gostado da idéia não teve sucesso na tentativa de tentar demover Hendrik :
- Leve pelo menos uma equipe de segurança para o caso de haver problemas.
- Não é preciso Seymor, os sensores mostram que não ninguém na Hunter e se houver problemas basta que o senhor Farrel aqui me tire da lá rápido. Um grupo grande só ia aumentar o risco.
-Permita pelo menos uma acompanhante senhor, apenas para garantir. – Hendrik olhou para traz procurando a origem daquela frase e viu que a voz tímida e suave vinha de Vthyr, que havia retornado a nave junto a equipe de segurança que acabara de ser substituída em terra.
-Creio que seu grupo acabou de ser substituído para que pudessem descansar alferes, se não me engano !? – comentou Seymor.
-Esta correto Comandante, mas só precisarei realmente dormir daqui a oito dias e uma pessoa a mais não seria problema para transportar em caso de emergência e o capitão não estaria sozinho.
-Está bem, está bem, tragam um traje par ela rápido. E ainda dizem que os capitães tem a ultima palavra !?
****
Minutos depois os dois estavam na plataforma em seus trajes especiais prontos para irem a outra nave. Seymor estava ao lado do tenente Farrel na mesa de controle e havia acabado de passar as ultimas informações sobre as condições da Hunter que Hendrik ouviu atentamente enquanto dois homens acertavam alguns detalhes das roupas dele e de Vthyr.
- Tem as coordenadas do laboratório Farrel ?
- Sim senhor, e já estão marcadas.
- Capitão - disse Vthyr - Como não sabemos o que tem dentro seria melhor nos teleportar para algum local próximo e entrar com cautela. - Hendrik ficou impressionado com a presença de espirito da jovem alferes, mas não disse nada a respeito.
- Deixarei o comunicador aberto e se acontecer algo vocês nos tiram de lá.- disse enquanto subia na plataforma - Leve-nos até o convés do laboratório. Acionar.
****
Rapidamente eles se materializaram no convés desejado. Vthyr usou o tricorder para confirmar as informações passadas por Seymor.
- Temperatura está a dez graus negativos senhor, sem presença de oxigênio na atmosfera. Sistema de gravidade artificial bem como o de perspiração ainda funcionam mas não se sabe até quando.
- É bom sermos rápidos então para tentarmos aproveitar o sistema de gravidade. Enquanto ele funcionar teremos mais mobilidade. - Hendrik começou a andar na direção de onde achava que era devia estar o laboratório, segundo o que se lembrava dos esquemas que havia visto da nave, mas era difícil ter certeza agora, pois a iluminação deficiente atrapalhava. Enquanto atravessavam o corredor de vez em quando era surpreendidos por portas que abriam e fechavam de repente de forma aleatória, mas aos poucos foram se acostumando. De vez em quando topavam com alguma coisa certamente perdida enquanto a tripulação tentava chegar aos locais de onde foram transportados através dos corredores e tubos de manutenção. Seguiram reto até dobrarem a direita em uma das intercessões dos corredores, onde Hendrik apontou uma das portas ao fim daquele novo acesso para Vthyr.
- Acho que é aquela porta ali. - disse ele, enquanto a alferes assentia com a cabeça. Aproximaram-se e tentaram abrir a porta sem sucesso.
- Trancada ou com defeito - disse Hendrik - provavelmente os dois. Acho que teremos que pedir que alguém da técnica venha aqui para nos ajudar com esta porta.
- Talvez eu possa fazer algo quanto a isto. Posso tentar ?
- Não temos nada a perder alferes. Fique a vontade. - e afastou-se da porta.
Ela pegou seu Phaser de mão e após afastar-se um pouco disparou contra o painel que controlava a porta, guardou a arma e voltou a se aproximar do painel, arrancado o que havia sobrado da tampa. Puxou vários fios que interligavam o chips de controle e então tirou o d’k Tahg de dentro de um bolso do traje. Somente então se deu conta que Krieg ainda devia ter se lembrado de falar com Hendrik sobre como havia conseguido aquilo.
- Capitão, o tenente Krieg ia falar com o senhor sobre isto,,, assim que tivesse tempo mas,,, - a alferes começou a se explicar sem jeito, pois afinal aquilo não era parte do equipamento padrão da frota estelar. Embora Hendrik conhecesse algo da cultura Klingon, ele realmente havia achado estranho que a alferes estivesse de posse de tal objeto, mas achou que isto poderia ser resolvido posteriormente.
- Tenho certeza que quando retornamos você e o tenente Krieg terão uma boa explicação, mas por enquanto continue o que estava fazendo, alferes.
- Sim senhor. - ela se abaixou novamente em frente ao painel e com a faça cortou e descascou alguns fios, cruzando-os, até se ouvir um “click” vindo da porta.
- Está aberta agora, mas teremos que forca-la pois o sistema hidráulico se foi.
- Onde a aprendeu a fazer isto alferes ? - perguntou enquanto tateava a porta procurando um ponto de apoio.
- O Tenente Krieg e o comandante Seymor elaboraram alguns treinamentos “diferenciados” para o pessoal da segurança senhor.
- Parecem muito úteis. Me ajude aqui. - os dois encostaram os ombros na porta e começaram a empurra-la. Lentamente ela foi cedendo até a metade do vão estar livre.
- Arrume alguma coisa para segurar a porta, Vthyr.
Ela olhou em volta e encontrou uma caixa de metal de cerca de cinquenta centímetros de comprimento, deixou a porta a cargo de Hendrik que ao sentir a pressão empurrando seu corpo se arrependeu de não ter deixado a alferes segura-la, afinal segundo a Dr.a Carter ela tinha duas vezes a forca de um vulcano. Felizmente para ele Vthyr foi bem rápida e então soltou a porta que agora estava segura e olhou para o interior onde a luz difusa e vacilante não deixava perceber muita coisa.
- Vamos lá - disse Hendrik enquanto entrava sendo imediatamente seguido pela alferes. Como o painel do computador estava ligado tentou acessar os registros inutilmente. Olhou em volta procurando encontrar algo que pudesse ser o que procurava, o problema é que ele não sabia o que procurava o que dificultava um pouco a busca. Entraram em uma sala anexa onde encontraram uma parede com vários compartimentos parecidos com gavetas. Vthyr se aproximou de um deles, deu uma breve olhada para Hendrik que agora estava ao lado dela com as mãos na alça de uma das tais gavetas, que abriu após alguma hesitação. Um corpo nu de um metro e noventa, musculoso e com a pele grossa e enrugada era o que continha, bem como a gaveta que Vthyr abriu em seguida.
- Jem'Hadar !? - perguntou a alferes.
- Sim ! Acho que encontramos a tripulação da nave que está em Anezir.
- Mas por que eles estão aqui. Mortos não servem par muita coisa.
- Servem sim ! Conhecendo a anatomia deles é possível descobrir possíveis pontos fracos.
- As outras gavetas devem guardar o resto da tripulação.
- Acho que está correta. Vamos ver se achamos mais alguma coisa por aqui.
- Tem mais uma sala fechada ali .- disse a alferes apontando para outra porta um pouco mais a frente. Hendrik seguiu até ela a viu que felizmente para eles o defeito que havia trancado a primeira porta havia deixado esta completamente solta o que lhe pouparia tempo e um pouco de esforço. Esta sala um pouco mais ampla que a primeira continha os equipamentos de analise bacteriológica e de biologia e pela a quantidade de amostras de tecido e sangue acondicionadas em tubos e encontradas nos aparelhos de pesquisa indicavam ela vinha sendo bastante usada.
- As amostras nos equipamentos indicam uso recente. Deviam estar procurando uma cura para a doença.
- Não sei não. Pelo que a Dr.a Carter me disse o tipo do vírus é bem simples e não seria muito difícil com a base de pesquisa certa. O que levaria meses para o médicos de Anezir seria resolvido em dias com a nossa tecnologia e a Hunter ficou aqui por pelo menos duas semanas, talvez três.
- Mas não sabemos exatamente quando eles foram expostos e o defeito da nave com certeza atrapalhou a pesquisa.
- É possível Vthyr, - enquanto respondia a alferes ele abriu uma outra gaveta que estava no laboratório mas para sua surpresa não havia nenhum corpo nesta, mas sim caixas normalmente usadas para recolher e conservar amostras.
- E estes containers aqui, o que será que contém ? - retirou um deles e pôs sobre uma das mesas. Na frente estava escrito : “PERIGO DE COMTAMINACÃO ! ABRIR SOMENTE EM AMBIENTE CONTROLADO”.
- É um container médico.
- Acho que vamos precisar da ajuda de um especialista. - após dizer isto chamou a nave - Hendrik para Avenger !
- Aqui é Seymor Capitão. Algum problema ?
- Nada sério por enquanto, mas preciso que localize a Dr.a Carter e a transporte-a para as minhas coordenadas atuais. E que ela traga um tricorder médico.
- Entendido. Avenger desliga.
Alguns instantes depois a Dr.a Carter se materializava vestindo o mesmo traje branco que usavam os outros dois.
- O que houve ? - perguntou a médica.
- Quero que você analise estas amostras que encontramos e nos diga o que é.
Ela se aproximou do container e fez algumas leituras com o tricorder em um dos frascos que Hendrik havia removido da caixa metálica.
- De acordo com as leituras, trata-se de amostras do vírus que infectou Anezir, mas tem algo estranho nelas.
- O que é ?
- De acordo com o que aprendi até agora, este vírus modifica a estrutura de sua capa de proteínas toda vez que encontra um organismo diferente, por mais sutil que seja a diferença. Isto é normal em um vírus. Na Terra durante os séculos 19 a 21 foram catalogados dezenas de tipos de vírus da gripe, a única diferença é que este faz isto com uma velocidade incrível. Uma vez que as defesas do organismo utilizam esta capa como uma forma de “assinatura” para reconhecer a doença e lançar as defesas as vacinas passam a ser inúteis rapidamente.
- Por isto que as vacinas que serviram para nos imunizar não foram eficientes no pessoal da Hunter, pois o vírus criou uma “assinatura” diferente depois de infectar os tripulantes. - concluiu Vthyr.
- E o que você acha que tem de estranho nisso ?
- Esta amostra que existe aqui não tem a mesma assinatura que encontramos no sangue do Capitão Okada, mas é bem mais próxima do vírus original encontrado no sangue dos habitantes de Anezir. Na verdade eu diria que este é o Vírus original da Varíola Terrestre.
- Mas ele não teria sido destruído no século vinte ?
- O Vírus foi controlado, mas algumas potências na época guardaram amostras para estudos, que com a terceira Guerra mundial tiveram destino desconhecido.
- Aqui nestes microscópios tem algumas amostras. Pode identifica-las ?
- Posso tentar.
Instintivamente Eleonor tocou alguns comandos da console esquecendo do defeito generalizado, mas para surpresa de Hendrik seus comandos foram aceitos. Ele se aproximou do aparelho e Eleonor notou seu desconcerto.
- Viu um fantasma ai ?
- Isto devia estar com defeito como todo o resto. - disse Vthyr.
- Mas aparentemente funciona muito bem. - completou Hendrik.
- Capitão - disse a alferes - Seria errado concluir que devido a aparente natureza ultra secreta da missão da Hunter estes equipamentos estivessem desconectados do computador da nave a fim de não haver registros dela ?
- É bem provável que você esteja certa Vthyr. Continue Eleonor.
- Já estou fazendo isto - disse ela de olhos fixos no microscópio - e posse dizer que isto é sangue alienígena.
- Provavelmente dos corpos que encontramos lá fora. - disse a alferes.
- Que corpos ? - perguntou Eleonor.
- Achamos alguns corpos que devem ser da falecida tripulação Jem'Hadar da nave que achamos. Eles estão na outra sala.
- Só que este sangue aqui esta impregnado do vírus.
- Então eles trouxeram o vírus ? - perguntou Vthyr
- O Vírus é nativo da Terra e as chances de uma outra raça em condições totalmente diferentes das nossas desenvolver um vírus com as mesmas características é virtualmente impossível. Entretanto ele tem uma diferença fundamental em relação ao vírus Original. Chamamos a doença que ele causa de Varíola por que os sintomas são os mesmos, mas o Vírus que conhecemos da Terra era de DNA e estes não se alteram quando se reproduzem, mas este é de RNA, o que faz dele um mutante exigindo por isto uma nova vacina a cada mutação.
- Tem um cartucho de memória aqui que talvez tenham alguma resposta. Devem ser os resultados das pesquisas. - disse Hendrik instalando o cartucho no terminal. Apareceu então um homem que devia ter cerca de 40 anos cabelos loiros e olhos verdes e um rosto quase angelical, em roupas civis. A data no canto inferior direito da tela indicava oito dias antes da chegada da Avenger.
“ Diário de pesquisa”.
Após uma semana de testes com o vírus V1, chegamos a um resultado satisfatório. As amostras modificadas que foram inoculadas no sangue Jem'Hadar mostraram-se eficazes na estrutura celular alienígena nos deixando bastante entusiasmados quanto ao sucesso de nosso propósito inicial. O comandante Elliot esta em terra no momento tentando viabilizar as condições para a segunda parte da Operação Caixa de Pandora”.
Fim do Registro.
****
- Então é isso, uma experiência de Guerra Bacteriológica contra os Dominions. Por isto eles recuperaram a nave. Deviam estar querendo fazer com que ela retorna-se ao quadrante Gama com o vírus a bordo e inicia-se uma praga. - concluiu Hendrik.
- Mas Capitão, armas bacteriológicas não são proibidas pelo tratado de Khithomer ? - perguntou Vthyr.
- Quem faz os tratados não luta as guerras alferes, além do mais quem quer que esteja por traz disto foi bem cuidadoso. Não existe nada que ligue a Frota Estelar ou a Federação a esta operação. O Capitão Okada e a tripulação da Hunter nunca souberam o que eles faziam, além de Elliot não existem outros nomes e nem sequer sabemos se o nome dele é realmente é este, até mesmo este homem que aparece na imagem cuidadosamente usa roupas civis.
- E as ordens da Frota Estelar que ele lhe mostrou ? - perguntou Eleonor.
- Elas diziam apenas para que o Capitão Okada desse total cooperação a missão mas não dizia qual era esta missão, de forma que alguém pode facilmente dizer que Elliot enlouqueceu ou que agia a revelia do comando.
- Tudo é muito absurdo mas os fatos encaixam inegavelmente.- concordou a médica.
- Então foram eles que infectaram a população do planeta e não o contrario.
- É o que eu penso Vthyr. Deve ter havido alguma falha que liberou o vírus durante os testes e este não apresentou os sinais de forma imediata por que o organismo de um ser humano era um pouco mais resistente talvez por causa da herança de nossos antepassados. Por algum motivo eles foram até alguma das cidades e sem saber espalharam a doença em uma população com características biológicas parecidas com as nossas mas sem nenhuma proteção natural contra ele.
- E como um Vírus tem a capacidade de se adaptar, é possível que em algum tempo ele possa vir a ser capaz de afetar formas de vida não terrestres. - disse Eleonor - Foi isto que eles fizeram artificialmente com as amostras de sangue retirados dos corpos que vocês encontraram.
- Nem sabemos se já estavam mortos quando foram encontrados. Podem ter morrido como resultado da pesquisa. - comentou Hendrik.
- Isto é imoral Capitão.
- Alferes, eu concordo com você, mas na guerra existem pessoas capazes de tudo.
- E o que fazemos agora que sabemos disso Phillip ?
- Não sei Eleonor. Por enquanto vamos voltar para a nave.- levantou-se enquanto Vthyr fitava o interior de uma das gavetas - Venha Alferes, vamos embora.
- Pronta Senhor.
- Hendrik para Avenger. Três para ir a bordo nas minhas coordenadas.
****
Quando voltaram a nave foram pegos de surpresa pois ela estava em estado de alerta.
- ATENCÃO TODOS OS DECKS, ALERTA DE INTRUSO ! ATENCÃO TODOS OS DECKS, ALERTA DE INTRUSO!
- O que está acontecendo Farrel ? Por que o alerta ?
- Ainda não sei ainda Capitão. Começou a alguns segundos.
****
Hendrik ia usar o comunicador mas desistiu e ao invés disto desfez-se rapidamente do traje que usava e deixou Eleonor e Vthyr na sala de transporte seguindo com pressa para a ponte. Levou poucos minutos para chegar lá mas parecia uma eternidade o tempo gasto para se desvencilhar dos tripulantes que corriam freneticamente para seus postos devido ao alerta.
- O que está acontecendo Seymor ? - perguntou assim que o elevador se abriu.
- A Capitã Ivanovich mandou fazer aquela inspeção na nave pirata e achou uma pessoa desacordada e amarrada por lá.
- Alguém da tripulação da nave deles ?
- Ou talvez de uma das nossas, não podemos dizer mas como ele foi encontrado sem roupas pode ser tripulante de qualquer uma das três naves.
- Se for existe um daqueles piratas solto por ai. - disse Cashmir. - Com a confusão que foi criada com tantas transferências de tripulantes entre as naves pode ser qualquer um e podemos levar horas para acha-lo.
- Todas as naves foram colocadas em alerta e estão a procura do intruso. - informou Seymor.
- Era só o que me faltava, um clandestino e um maluco soltos por ai. Que tipo de confusão eles podem aprontar ? - disse Alejandro que acompanhava tudo de pé ao lado do Tenente Marcos, na estação de Ciências enquanto Gart estava no leme.
- Não há muito o que fazer agora a não ser procurar enquanto estivermos aqui. Como está a equipe de Terra ?
- Quase toda ela de volta. Jean Paul já terminou com o que tinha a fazer e ele com toda a sua equipe retornaram a nave. Apenas mantivemos a segurança por lá.
- Ótimo ! E Sevok fez algum progresso ?
- Acredito que sim. Ela havia acabado de chamar e eu estava para ir ao laboratório quando esta confusão começou.
- Vamos lá então. Alejandro assuma.
- Sim senhor.
****
Enquanto faziam o caminho para o laboratório Hendrik passou o que haviam descoberto na Hunter, mas Seymor aparentemente não se surpreendeu com o que ouviu.
- Então o “departamento” está mesmo de volta ! - comentou ao saírem do elevador.
- Não sei ainda pois não da par estabelecer uma relação real com nenhum dos escalões superiores da Frota, mas pelo que me disse é assim que eles trabalhavam, não é ?
- Tem todo o jeito de serem eles, Capitão e se forem e bom não subestimarmos o tal de Elliot.
- Não o estou subestimando, só não sei onde ele está. - respondeu dando de ombros. Entraram no laboratório assim que Hendrik terminou o comentário e avistaram o vulcano que também os havia notado e se aproximou.
- Não sabia que já havia retornado Capitão !?
- Acabei de chegar. E então !? O que descobriu ?
- Fiz algumas analises de um dos Gel Packs da Hunter e achei alguns resultados curiosos, e embora possa parecer estranho dizer isto, o computador da nave também “adoeceu”.
- Como é ? Você está brincando ? - disse Hendrik espantado.
- Desculpe se me expressei de forma a parecer demonstrar o vocês chamam de “humor”. Não era minha intenção . - respondeu o Vulcano.
- Esqueça. Apenas explique o que acabou de dizer Sevok. - disse Noan.
- Como disse, as analises que fiz do modulo que retirei da Hunter mostram que a mesma está sofrendo uma degeneração por causa do mesmo Vírus que atacou a nave e o planeta abaixo. Não há erro.
- Como é possível a um computador contrair um vírus orgânico ? - perguntou Hendrik.
- Lembre-se que os novos módulos Bio-Neurais são de material orgânico.
- Mesmo sim ainda tenho uma duvida - comentou Seymor - . Apesar de não ser a minha área sei que Vírus geralmente são específicos. O vírus da gripe atacava as vias respiratórias, o vírus da hepatite o fígado e assim por diante, então como é que este vírus, que segundo o que descobrimos na Hunter é Terrestre e portanto deveria se comportar da mesma maneira atacou os Gel packs e não atacou o sistema nervoso das pessoas contaminadas ?
- Os módulos apesar de funcionarem como o sistema nervoso não são células sinápticas apesar de funcionarem como tais, mas são apenas orgânicas, e este vírus é uma mutação do original o que pode ter ajudado a contaminação.
- Podemos fazer alguma coisa para recuperar a nave Sevok ?
- Numa base estelar seria simples, pois bastaria substituir os módulos defeituosos após a devida descontaminação da nave, mas existe um problema: Como não fui capaz de localizar como a contaminação ocorreu, não posso afirmar que será seguro levar a neve nave para dentro de uma base estelar sem risco de espalhar a praga.
- Imagine está coisa se espalhando ? Seria um desastre total.- comentou Seymor.
- E aqui ? Não há nada que possa ser feito aqui ? Seria uma tarefa desagradável e um desperdício destruir uma nave como a Hunter e eu gostaria que o Capitão Okada tivesse sua nave de volta.
- Eu andei pensando a respeito do problema Capitão e levantei uma possibilidade. Analisei a forma como nossos transportes filtram impurezas e fiz um teste em pequena escala com este modulo. Usei o transporte para separar o vírus da sua estrutura celular original e aparentemente tive sucesso.
- E poderemos fazer o mesmo com os módulos da nave ?
- Não poderemos fazer um a um pois isto levaria meses e alguns só seriam acessíveis se desmontássemos partes da nave pouco acessíveis, entretanto teoricamente é possível reajustar o transporte para fazer o trabalho de uma só vez.
- Todo o sistema de uma só vez ? Ele se ramifica por toda a nave !
- Exato, e por isto o transporte deverá ser alterado. Teremos que trocar o alcance pela capacidade de atingir uma área maior, e isso fará com que o aparelho não possa ser usado até desfazermos está mudança. E não há como garantir sucesso, apesar das probabilidades serem boas, na ordem de 87.3 %
- Vale a pena tentar e podemos usar o transporte da Livingston ou Freedom se for necessário durante este tempo. Entre em contato com Jean Paul e comece os preparativos Sevok.
- Farei isto imediatamente Capitão.
- Estarei na ponte se precisar de algo, e bom trabalho.
- Obrigado Senhor. - O vulcano recolheu aquele comprimento se esforçando para não demonstrar indiferença a ele pois aprendera que os humanos costumavam dar muita importância a eles.
- Vamos Seymor, ainda temos o tal do Elliot e um provável pirata solto por ai.
- Tem alguma idéia ?
- Por enquanto, só procurar. Pena que você não teve tempo de programar uma vigilância para ele, não teríamos mais este problema agora.
- Vamos ver se damos sorte.
****
Enquanto isto um tripulante errante perambulava pelos corredores da Livingston desnorteado. Sabia que o tempo de esperar havia acabado e agora precisava tomar uma decisão, escolher um caminho. Esperava que a confusão gerada pela mistura das tripulações das naves pudesse lhe dar cobertura por mais tempo, pelo menos até que ele pudesse deixar a nave, coisa que ele não gostaria de fazer em Anezir. Com a máxima discrição possível devido a sua condição de clandestino havia descoberto o nome do planeta sobre o qual deviam estar orbitando e não gostou do que descobriu uma vez que este planeta não tinha capacidade de viagens espaciais e estava fora da rota habitual de algum outro viajante eventual que pudesse tira-lo dali, mas agora com a chance muito próxima de ser capturado teria de considerar até mesmo a possibilidade de ir para Anezir enquanto tinha chance, e era isto que ele tentaria fazer agora. A descoberta do tripulante de quem ele havia roubado o uniforme e o phaser precipitou este curso de ação, mas entre todos os males estava feliz por te-lo deixado vivo. Se o matasse não teria como se livrar do corpo de forma discreta e se tivessem achado um cadáver certamente a busca por ele seria muito mas feroz. A medida que caminhava pelos corredores tinha surtos de tensão cada vez que via um membro da segurança passar com um Phaser na mão olhando para ele, mas felizmente ainda não sabiam quem estavam procurando, o que ainda lhe dava alguma vantagem. Cogitou a possibilidade de resgatar seus companheiros, não por altruísmo, mas pela simples constatação de que com eles teria mais chances de sobreviver e encontrar um caminho de volta, mas os riscos eram grandes demais então desistiu da idéia. Conseguiu chegar a sala de transporte, o que o deixou um pouco mais confiante mas ainda teria que passar pelos guardas que certamente estariam lá dentro. Felizmente havia conseguido trazer alguns itens de primeira necessidade mais discretos em sua fuga. Tirou um pequeno objeto com uma textura emborrachada de um dos bolsos e nele comprimiu um pequeno botão, respirou fundo e entrou na sala. As portas abertas deixaram ver dois tripulantes, provavelmente da segurança ao lado do encarregado do transporte que logo notaram a chegada inesperada.
- Algum problema oficial ? - perguntou um dos guardas.
- Nenhum, apenas verificação de rotina. Algum sinal do intruso ?
- Por aqui ele não passou até agora.
- Tudo bem, então eu vou voltar a minha ronda. Até mais.
- Até.
Assim que o desconhecido saiu o segurança que havia travado a conversa virou-se para seu companheiro comentando o fato.
- Temos algum Andoriano na tripulação ?
- Nenhum que eu saiba. Talvez seja da Avenger, pois alguns deles ainda estão por aqui.
- Pode ser, mas acho melhor informar ao comandante. Este cara me pareceu meio estranho. - o homem não teve chance, pois enquanto caminhava em direção ao comunicador sentiu suas pernas enfraquecerem enquanto o mundo rodava a sua volta e caiu sem perceber que seus dois companheiros também estavam da mesma forma. Alguns instantes depois Shenki voltou a sala e sorriu ao ver os tripulantes desacordados. Não tinha certeza que teria sucesso pois a quantidade de gás daquela capsula que ele havia deixado cair discretamente podia não ser suficiente para três pessoas, entretanto ele agora teria que ter pressa pois logo eles acordariam então pôs-se a tentar entender como ativar o transporte para poder sair dali, o que não seria muito difícil para ele. Checou alguns controles, ajustou os comandos e travou nas coordenadas que a telemetria mostrava serem as do planeta. Digitou a sequência final e seguiu para a plataforma, mas não a atingiu a tempo pois antes disso percebeu que havia um Phaser apontado para ele.
- Ia a algum lugar tripulante ?
- O intruso atacou estes homens e desceu ao planeta. Ia tentar alcança-lo. - respondeu Shenki tentando parecer convincente.
- Claro que sim, e ia descer sem avisar ninguém disto ? Parece que não conhece os protocolos de uma nave estelar senhor.
- Não havia tempo para protocolos.
- Pode ser, mas ainda não estou convencido de sua estória, e para falar a verdade acho que você é o intruso.
- Você está maluco !!! - Shenki ainda conseguia manter o controle, mas suas opções haviam acabado agora. Sua única chance era tentar dominar a situação caso seu captor se distraísse o suficiente. Enquanto pensava uma voz invadiu a sala através do Intercom.
- Comando para sala de transporte. Informe situação.
Ambos olharam para os tripulantes caídos no chão, mas quando Shenki levantou o olhar novamente viu que o homem que lhe apontava o phaser havia se aproximado do Intercom, pressionou um controle e respondeu.
- Sala de transporte para Comando. Tudo calmo aqui e nada a relatar, sala de transporte desliga. - virou-se então para Shenki que não entendeu nada dizendo :
- Não se preocupe, também não sou bem-vindo aqui.
- Como vou saber se não está tentando me enganar ?
- Não vai, mas você não tem escolha e tem mais a perder do que a ganhar se não confiar em mim. Também quero sair daqui e tenho um plano, e a propósito pode me chamar de Elliot.
- Supondo que este seja mesmo o seu nome, o que fazemos agora ?
- Primeiro vamos mandar estes três lá para baixo. Eles viram você e agora podem identifica-lo, e enquanto estiverem lá o pessoal da nave achará que podemos estar no planeta, o que nos dará mais algum tempo. - Elliot começou a arrastar os homens lá para a plataforma sob o olhar incrédulo do Andoriano.
- Quer dizer que seu plano não vai nos levar a Anezir ? O que pensa em fazer ?
- Conseguir uma nave para que possamos sair daqui, e acho que não vai ser difícil, mas vamos precisar de uma tripulação.
- Tem amigos meus que estão presos aqui e podem ser úteis se conseguir liberta-los.
- Eles estão na área de detenção, e sua nave presa ao nosso raio trator e poderá ser útil. - colocaram o ultimo homem na plataforma.- Retire os comunicadores. Vamos espalha-los por ai e fazer a tripulação achar que estes homens podem estar aqui ainda.
- Tudo bem, mas minha nave perdeu capacidade de dobra e creio que não será muito útil. Se tentarmos fugir nela não vamos durar cinco minutos.
- Mesmo assim ela poderá ser de ajuda. - acionou os controles mandando os tripulantes para uma área populosa do planeta o que obrigaria uma busca local e lhe renderia algum tempo. - Agora vamos, pois temos muito a fazer.
****
Duas horas depois todo o processo de imunização havia terminado, os tripulantes que haviam descido ao planeta bem como o Dr. Donald Adams estavam de volta e doença controlada. A segurança em volta da nave Dominion também havia sido retirada e a partida era eminente. Apenas a Hunter os prendia ali e os preparativos para a tentativa de sua recuperação estavam prontos. O transporte da Avenger estava ajustado para tentar recuperar as células do computador principal danificado e para isto ela havia saído de orbita e agora usava o raio trator para manter uma distância de 500 metros entre elas. Neste meio tempo chegou uma mensagem da Frota Estelar em resposta a um pedido de Hendrik solicitando esclarecimentos sobre a missão de Elliot, mas que dizia apenas “NÃO INTERFERIR NAS ORDENS DO COMANDANTE ELLIOT”. O que não fazia muita diferença agora, pois apesar dos tripulantes da Livingston terem sido localizados em uma fazenda agrícola de Anezir e os homens que estavam com Elliot na Hunter estarem sob custodia na Avenger nem ele nem o pirata clandestino haviam sido encontrados, o que mantinha o clima de apreensão. Na ponte da Avenger Seymor aguardava Sevok finalizar os últimos ajustes para o processo acompanhado pelo angustiado Capitão Okada. Hendrik, que havia passado a ultima hora com Jean Paul acabava de retornar.
- E então Seymor, alguma novidade ? - perguntou Hendrik enquanto sentava-se.
- Nenhuma. O ultimo informe do comandante Willians dava conta que os fugitivos ainda não haviam sido encontrados.
- Acha mesmo que eles estão juntos, Seymor ? - perguntou Alejandro.
- É bem provável, pois sem o conhecimento de Elliot sobre naves estelares e nossos procedimentos padrão o outro fugitivo não teria como manter-se escondido até agora.
- Seja como for ele não vai ter muito tempo para fazer nada pois logo vamos estar indo embora de um jeito ou de outro. Falta muito Sevok ?
- Calculo em dez minutos o inicio do processo, senhor.
- Muito bem. Vamos para alerta amarelo.
- Capitão !!! - chamou Andrei - . Mensagem da Livingston, e eles estão informando problemas.
- Na tela. - em alguns segundos apareceu a imagem do comandante Willians ao lado de tripulantes em correria sob as luzes do alerta vermelho que havia sido declarado.
- O que está acontecendo ai Willians ?
- Falha nas sistemas primários. Perdemos forca de dobra, escudos, armas, e raio trator. Estamos tentando localizar a fonte mas parece que foi sabotagem, e pelo jeito acho que encontramos os intrusos.
- Podem tentar roubar uma das naves auxiliares.
- As portas do hangar também estão emperradas, mas mandei reforçar a segurança lá,,, espere um pouco Capitão,,,, - desviou o olhar rapidamente para ouvir provavelmente algum informe e depois voltou sua atenção para a tela.- Acabo de saber que o transporte foi ativado.
- E foram para onde ?
- Não há como saber, pois logo após o transporte o aparelho entrou em pane também, mas devem ter ido para o Anezir. Ainda estamos ao alcance de planeta.
- Capitão ! - chamou Cashmir - Estou tendo uma leitura vinda da Demetrius senhor e ela está ligando os motores.
- Então é para lá eles foram !! Pode cuidar da situação por ai Willians ?
- Creio que sim, o nosso pessoal já está trabalhando nos reparos.
- Vamos cuidar dos nossos fugitivos então. Avenger desliga.
- Eles não vão longe naquela nave em forca de impulso. disse Alejandro.
- Diga isto a eles. E então Cashmir ?
- Ela está se movendo Capitão, mas não parece tomar um rumo de escape. Ela iniciou um curso 110 marco 4 mas agora está descrevendo um arco de 180 graus. Diria que eles estão assumindo posição de ataque.
- Vamos para alerta vermelho.
- Eles estão ativando as armas.
- A Livingston levantou os escudos Cashmir ? - perguntou Seymor.
- Negativo.
- Eles informam que os sistemas ainda estão com problemas senhor. - informou Andrei.
- Gart, vamos interceptar.
- Curso de interceptação marcado senhor.
- Capitão, - chamou Cashmir - A Freedom já está se movendo para interceptar.
- Capitã Ivanovich chamando Senhor.
- Na tela.
- Estávamos acompanhando as comunicações e os problemas da Livingston e estamos nos movendo para ajuda-los, já que estamos mais perto que vocês e sem carga. Posso assumir ?
- Faca o que for possível Andrea.
- Freedom desliga.
****
A tela passou então a mostrar a imagem das três naves no espaço. A Livingston mantendo posição apenas pelos propulsores aguardava a movimentação da Demetrius que se aproximava em máxima forca de impulso agora com os seus lançadores de torpedos ativados, seguida pela Freedom. A Capitã Ivanovich tentava se comunicar com a Demetrius mas era ignorada, e reclamava silenciosamente por causa da lentidão de manobra de sua nave. Fora informada que havia alguma instabilidade no sistema de alvo da Demetrius causada durante sua primeira batalha com a Livingston, mas da distância que estava uma salva de torpedos contra a nave desprotegida na sua já combalida estrutura seria suficiente para causar danos sérios. Uma manobra da Livingston usando os propulsores para descer de nível em relação a nave de ataque tirou sua seção de engenharia da mira por algum tempo forçando o atacante a corrigir seu curso, o que deixou a Freedom em uma ótima situação de disparo. Ivanovich ainda tentou uma ultima comunicação mas recebeu apenas a confirmação de que as armas inimigas estavam prontas para disparar e viu que não tinha mais o que protelar. Não que se incomodasse com o que estava para fazer, o que encarava apenas como uma parte do seu trabalho mas derrubar um inimigo inferiorizado não lhe dava nenhuma satisfação, entretanto não tinha mais tempo para estas considerações e ordenou o ataque. Os lançadores frontais cuspiram dois torpedos fotônicos tão brilhantes quanto mortais que seguiram certeiros ao alvo que não tinha como fugir, muito menos resistir. Apenas dois foram suficientes para espalhar os pedaços do que antes era a Demetrius pelo espaço sob os olhares agora mais calmos da tripulação da Livingston e da Avenger.
- A Freedom assumiu posição ao lado da Livingston e o comandante Willians manda avisar que estão todos bem, entretanto os prisioneiros fugiram da cela e ele acha que estavam na nave.
- Obrigado Andrei. Bem senhores, acho que podemos prosseguir agora. Não há muito há fazer além disto.
- Não parece estranho eles terem assumido uma posição quase suicida Hendrik ? - perguntou o Capitão Okada ainda sem conseguir entender os acontecimentos.
- Concordo, mas estes são os fatos no momento e não pretendo me prender mais por aqui. Assim que terminarmos o que planejamos fazer com a Hunter vamos embora. Se Elliot estava naquela nave está morto, se ainda está em alguma das nossas naves não vão poder se esconder por muito mais tempo e se estiver no planeta não vai muito longe.
- Acho que não estou em condições de duvidar se seu julgamento.
- Não se recrimine por causa dos problemas que teve Okada e vamos nos preocupar agora em lhe devolver sua nave.
- Agradeço por isto.
- Não agradeça, eu sempre quis dar uma voltinha em uma Intrepid.
- Se der certo será meu convidado.
- Capitão, tudo pronto para a iniciar o processo.
- Prossiga Sevok.
O Vulcano se dirigiu até a estação de ciências para iniciar processo enquanto seu substituto, o tenente Marcos o auxiliava nos controles da estação de engenharia. Ambos haviam cuidado de modificar os sistemas de transporte para as especificações necessárias e em tese o que tinham a fazer era simples: desmaterializar todas os Gel Packs da Hunter e depois recompor os mesmos no lugar de origem e o sistema de filtros do aparelho deveria cuidar de reparar as células, entretanto haviam problemas como o tamanho da área que deveria ser atingida pelo aparelho que era muito maior do que o projeto original previa, ou a dificuldade em se focar apenas os módulos do sistema do computador e depois rematerializar os mesmos de volta no lugar.
- Tudo pronto Capitão, sistemas de transporte em linha.
- Acionar.
Trinta segundos se passaram no processo. Marcos iniciou a operação desmaterializando os módulos e o Vulcano se encarregou de recompor a matriz, mas ambos trabalhavam em uma sincronia quase perfeita manuseando os controles sem com habilidade indiscutível, mas apesar disto o tenente Marcos estava nervoso, pois trabalhar com o Vulcano era sempre uma situação tensa para ele devido ao alto grau de exigência que eles tinham em relação a tudo, mas até o momento Marcos não podia lembrar de nenhuma situação onde ele tivesse deixado a desejar. Assim que ele terminou sua parte no processo o Vulcano com a frieza que lhe era peculiar declarou:
- Está feito Capitão, mas agora precisamos religar os sistemas manualmente pois tudo foi completamente desligado.
- Já temos um grupo pronto para ir a sua nave a bordo da Freedom Capitão Okada e em breve saberemos se tudo deu certo.
-Então vamos lá.
****
Algumas horas depois;
Diário de Bordo Data Estelar 5876.4
Estamos voltando a Terra, nosso destino inicial. A operação de recuperação da Hunter foi um sucesso e ela foi devolvida ao Capitão Okada que parece mais conformado com o desenrolar dos acontecimentos. Neste momento sua nave forma conosco nossa pequena frota particular, junto com a Freedom e a Livingston que vai precisar de algum tempo em um estaleiro para se recuperar totalmente. Apesar dos contratempos inesperados a imunização em Anezir foi um sucesso e a doença vai ser controlada sem maiores, a Frota Estelar mandou nova mensagem “explicando” que as ordens do comandante Elliot eram para preparar a nave Dominion para ser recolhida e que o Vírus que estava com ele estava sendo levado para ser destruído, e que outras ações não eram de conhecimento do alto comando, só não explicavam por que ele tinha de ser destruído tão longe da Terra. De qualquer forma este Vírus não existe mais e não sabemos ao certo do paradeiro de Elliot, embora eu tenha uma suspeita, que embora não confirmada é quase uma convicção mas que só o futuro dirá se é correta. Finalmente consegui ver direito os relatórios sobre os acontecimentos na Livingston durante nossa ausência e o que vi me deixou bastante impressionado em relação a atuação de alguns membros da minha tripulação, e com base neste relatório que será anexado aos registros da Avenger e também nos registros do fatos ocorridos desde a nossa chegada em Anezir,solicito menções honrosas para os seguintes tripulantes: tenente comandante Alejandro Iglesias, tenente Johan Von Krieg, tenente Jean Paul Grislain, tenente Sevok, tenente Marcos Bittencourt, Dr.a Eleonor Carter, alferes Melissa Finn alferes Joseph Gart Haldar e alferes Vthyr Janus Kansha.
Fim do registro.
****
Os oficiais comandantes das quatro naves estelares estavam reunidos numa conversa informal sobre tudo o que havia acontecido, levantando teorias, hipóteses e trocando opiniões que apenas os haviam levado a perguntas sem respostas. Não havia provas concretas de que a operação conduzida por Elliot era realmente planejada por algum departamento ou alguém do alto comando da Frota, mas era consensual a opinião de que mesmo que isto fosse a verdade, e deveria ser, ela seria negada até o fim e a culpa seria jogada somente nos ombros do agente misterioso. Mediante isto Seymor os convenceu que a melhor coisa a fazer era deixar seus relatórios oficiais o mais superficiais possíveis e deixar que a sujeira fosse varrida para de baixo do tapete. Era sua opinião de que um relatório levantando suspeitas sobre o alto comando levaria a uma investigação de cartas marcadas, encenada apenas para concluir o que todos já sabiam; que o comandante Elliot era o único responsável pelo desenrolar das ações em Anezir e faria com que os órgãos de inteligência pudessem tentar “remover” de posições estratégicas possíveis “complicações”, no caso os capitães e comandantes das quatro naves estelares. Por outro lado, um relatório genérico, discreto permitiria a quem quer que fosse tornar o episódio algo sem importância e deixaria “alguém” com a desagradável sensação de eles sabiam de algo, mas sem saber o que e sem ter o que fazer quanto a isto, o que no futuro podia ser de alguma utilidade, mas de qualquer forma ficou acertado que nada sobre o episódio deveria ser conversado com outras pessoas dentro ou fora da Frota Estelar.
- Então é isso senhores.- disse Hendrik recostando-se em dos sofá da sala em que estavam. - Vamos deixar as coisas como estão para ver como é que ficam.
- Isto não me agrada muito.- comentou Willians - A idéia de que possam existir pessoas no comando da Frota capazes de atitudes como esta me deixa preocupado além de um pouco decepcionado.
- Em todo lugar existem pessoas de todos os tipos, comandante. - comentou Okada, que percebeu que um dos participantes estava um pouco mais arredio que os demais. - E quanto a você Andréa, o que a incomoda ?
Ivanovich estava em pé perto da ampla janela de observação com as mãos cruzadas para traz observando o espaço com um olhar distante. Virou-se brevemente para Okada e depois de olhar para cada um dos presentes voltou seu olhar novamente para o espaço, antes de responder.
- Estava pensando no tal Elliot. Você acha Hendrik, que ele esta mesmo vivo ?
- Creio que sim. Ele é muito esperto.
- Então se ele estiver e fizer o que pensa que ele vai fazer, o que irá lhe acontecer poderá ser muito desagradável.
- Ele fez sua escolha quando fugiu, e de qualquer forma temos ordens de não interferir na missão dele, lembra-se ?
- Mas você não foi, “digamos” totalmente honesto quanto a isso.
- Também não foram totalmente honestos conosco, Andréa.
- Tem razão, mas ainda assim não me sinto bem fazendo isto.
-As vezes temos que agir de acordo com a necessidade, e não como gostaríamos.
-Talvez você tenha razão
****
Faziam quatro horas que as naves da Federação haviam partido das quais duas foram gastas pelo grupo liderado por Elliot, Leroy Conrad e Shenki atravessando a floresta que separava o vilarejo onde estiveram escondidos até resolverem sair pela mata em busca da nave Dominion onde tentariam escapar. Nas outras duas horas seguintes eles tentaram se familiarizar com a tecnologia alienígena o suficiente para conseguir fazer a aquela nave funcionar direito, o que não era pouco, felizmente para eles as “facilidades” que Elliot e seu pessoal haviam instalados antes da contaminação da tripulação da Hunter e do defeito que nave começou a apresentar não haviam sido removidas. Outro fator que ajudava era o fato de que a tripulação de Leroy e Shenki ser formada por mercenários e desertores das mais diferentes raças, portanto acostumados a ter que se virar com equipamentos pouco conhecidos geralmente roubados. Eles haviam conseguido trazer quase todos, menos os quatro que foram sacrificados durante a destruição da Demetrius enquanto esta tentava atacar a Livingston causando uma distração suficiente para que Elliot pudesse descer os outros para o planeta, deixando os registros do transporte parcialmente destruídos de forma a fazer com que acreditassem que todos tinham se transportado para a Demetrius antes que ela fosse destruída. Agora eles estavam no espaço, tinham a nave e Elliot estava longe de quem pudesse impedi-los de levar seu plano adiante.
- Sistemas de navegação em funcionamento normal. - informou o navegador a Conrad sentado na cadeira de comando, que tinha em pé a seu lado a figura soturna de Elliot.
- Preparar para forca de dobra assim que estivemos livres do campo gravitacional do planeta.
- Senhor Elliot, não sei onde conseguiu esta nave, mais estou impressionado e fico pensando se não estaria inclinado a vende-la por uma boa oferta ?
- Infelizmente isto não será possível Conrad, pois meus planos futuros necessitam dela.
- Que pena. De qualquer forma estamos livres daquele bando de almofadinhas da Frota Estelar, sem ofensas pessoais é claro.
- Apesar de não compartilhar das crenças ingênuas daquelas pessoas, senhor Conrad, não vejo em que se julga melhores que eles.
- Você me surpreende ! A poucas horas os enganou e agora os defende. O que tem de tão misterioso a fazer ?
- Minhas motivações não são da sua conta e agora vamos deixar esta conversa de lado e sair daqui. O Andoriano já tem as coordenadas de onde iremos.
- Está bem. Shenki, marque o curso.
- Curso marcado. Motores Warp prontos.
- Warp 4 e acionar.
- Motores de dobra acionados. Estamos acelerando para dobra 4.
- Perfeito. - disse Conrad relaxado na cadeira de comando. - Pode me dizer onde este curso nos levará ?
- A um lugar que não existe, onde os senhores desembarcarão e de lá serão levados para qualquer lugar que queiram.
- Sabe de uma coisa, eu não confio em você e estamos em maioria, então por que não devo tomar a nave e faze-lo meu prisioneiro e então ir logo aonde eu quiser ?
- Talvez por que vocês estejam em uma nave inimiga e vão precisar de uma rota segura e uma senha que só eu posso fornecer para chegar a qualquer lugar do quadrante Alpha ou Beta sem serem atacados por naves da Federação, Klingons ou Romulanas.
- Eu só estava perguntando, mas este seria um bom motivo.
- Temos um problema aqui Conrad. - chamou Shenki que estava ao lado do navegador.
- O que é ?
- O computador de navegação mudou o curso e estamos acelerando para velocidade máxima.
- Mude o curso, desligue os motores se necessário.
- Não posso. O computador está trancado e perdemos o controle da nave.
- Conrad para engenharia. Mande alguém parar estes motores de qualquer jeito.
- Não podemos. As portas de segurança desceram e isolaram os motores e não há como entrar.
- Droga Elliot. - Gritou Conrad segurando o homem pela gola do uniforme. - Você é o sabe tudo, o que é que está acontecendo aqui ?
- E,, E,,Eu, Eu não sei,,, !!! Não era para seu assim, não era. - respondeu com os olhos arregalados de espanto.
- Estamos indo para o sistema Bajoriano. - disse Shenki após verificar o novo curso.
- Sistema Bajoriano !?!?
****
Enquanto Conrad e Elliot se desesperavam e os outros tentavam inutilmente reverter os controles a imagem do espaço antes presente na pequena tela deu lugar a figura do Capitão Phillip Hendrik.
****
-Olá Senhor Elliot. Antes que pergunte isto é uma gravação é claro, e o fato de eu achar que está ai é um simples palpite mas acho que é um bom palpite e quer saber por que acho que você está ai ? Bem, a estória é longa mas você tem tempo. Depois que a Demetrius foi destruída fiquei pensando por que mesmo sabendo que seria impossível fugir nela alguém tentaria faze-lo, ai fizemos uma rápida sondagem da área e descobrimos que o numero de corpos encontrados era menor do que se poderia esperar. É claro que alguns corpos poderiam ficar totalmente destruídos devido a explosão, mas mesmo assim a diferença era muito grande então concluímos que somente parte dos homens de Conrad teria voltado a Demetrius para conduzir uma ação que nos distrai-se enquanto você descia o restante para Anezir, provavelmente para usa-los para poder decolar com a nave e seguir com seu plano. Ahh, eu ia me esquecendo de dizer que também descobrimos seu plano, como pode perceber nós achamos a nave Dominion a algum tempo e quando encontramos o que havia no laboratório da Hunter foi só juntar dois mais dois. Demoramos um pouco para entender que sua intenção era mandar esta nave de volta e com os corpos da tripulação infectados com o Vírus modificado e a principio devo confessar que quase aprovei esta idéia, mas depois vi o quanto ele era imbecil. Imagine se tivéssemos feito isto com os Klingons ou Romulanos tempos atras ? Os aliados de hoje foram os inimigos de ontem e quem sabe como será o futuro não é verdade ? Então cuidamos para que o Vírus fosse destruído, inclusive a parte que estava escondida nesta nave onde você está agora para impedir que você pudesse usa-lo de outra maneira. Um problema que tive dificuldade em resolver era o que fazer com esta nave, uma vez que o Comando da Frota não foi claro quanto a isso e eu não podia tira-la da superfície usando o raio trator e nem arriscaria minha tripulação tentando manobrar uma nave alienígena, pois mesmo tendo dado uma boa olhada nela não dava para garantir que não haveria nenhuma surpresa, mas ao mesmo tempo eu não podia deixa-la ai desprotegida, então religamos a camuflagem mas tomamos algumas providências extras como descarregar os lançadores de torpedos e remover os phasers Polarons, além de implementar uma rotina no computador de navegação que fará com a nave assuma um curso irreversível de volta para o território Dominion caso entre em velocidade de dobra, mas é claro que terão de passar pelas naves da Federação que estão guardando a entrada da Fenda Espacial o que será uma tarefa difícil sem as armas, mas sempre há uma chance embora eu não saiba se é uma boa idéia atingir o território inimigo nesta nave. Sei que as noticias não são boas mas era isso o que eu tinha a dizer Elliot, então aproveite a viagem para conhecer melhor seus novos amigos, pois será uma amizade breve.
****
Ao fim da mensagem as expressões de todos demostravam perplexidade e desalento e profundo desespero pela consciência de estarem todos num cruzeiro condenado, como almas perdidas em um navio fantasma.
Fim
Por: Carlos Santos.
Direitos Reservados.
Esta obra de Ficção é destinada ao público adulto. Todos os textos da Avenger estão
protegidos pela Lei de Direito Autoral com citação do Universo que os inspirou. Todos os direitos reservados
para Carlos Santos. Star Trek é criação de Eugene Roddenberry.