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INFORMAÇÕES    
Autor: Daniel Gomes.
Título: Defiant Uno.
Publicação: 17/10/2006.
Categoria: Jornada nas Estrelas.
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Página - Star Trek Unlimited.

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JORNADA NAS ESTRELAS      
Defiant Uno.
Por: Daniel Gomes.

Imagem da Internet.

Texto Um.

O ano é 2250 Depois de Cristo. O local, o espaço profundo. Uma estação espacial, de construção desconhecida, é o palco para uma das mais interessantes passagens históricas já relatadas por todos os seres da nossa Galáxia, esta sendo, é claro, a Via Láctea. A estação, tomada pelos humanos em 2200 dos Artinares, é um gigantesco complexo onde podem viver mais de 50.000 almas. Antes dos humanos o local era conhecido como Ashra´Raznma – nome de uma das entidades celestiais dos Artinares, mas, agora, é chamado de Defiant Uno, praticamente uma afronta para contra os Artinares, pois se localizava próximo aos espaços conquistados por esses seres nos últimos 100 anos.

A estação, agora, era o ponto central das delegações de várias raças, como os Tambari – uma raça belicosa aliada aos humanos -, os Qenshi – uma raça que usa armadura para proteger o seu próprio corpo do qual ninguém jamais viu sequer um pedaço nu – e os Selenios – a raça mais próxima geneticamente dos humanos onde se pode ver vários casamentos entre as duas espécies -, servindo de local estratégico para operações comerciais, militares e políticas daquele setor da Via Láctea. De lá, ainda, muitas naves da Liga do Governo e das Colônias Terrestres, da Federação Tambari, do Império Qenshi e da Republica de Selênios, eram lançadas para a exploração do espaço profundo, algo muito importante para aquela época e, também, que poderia trazer perigos infinitos para os vários governos que ficavam naqueles setores próximos.

Naquela época a Via Láctea era conhecida apenas em seus 5%, mesmo com o advento do Sistema de Correnteza – dando as naves a capacidade de viagens com velocidades próximas a 12.000c em potência máxima – a exploração espacial era árdua e muito trabalhosa. O mapeamento de um setor – com cerca de 80 anos-luz de comprimento, altura e largura – demoraria com uma única nave cerca de 10 anos para ser concluído. Com isso era muito mais fácil administrar uma guerra para conseguir mapas estelares conhecidos e territórios. Muitas vezes, com o Primeiro Contato, contudo, as permutas tecnológicas sempre eram bem-vindas. Mas, o maior problema, era o próprio medo dos governos, tanto aliados como inimigos, de quererem explorar o espaço profundo gastando as suas reservas econômicas. Era muito mais lucrativo explorar um planeta X ou Y até que as fontes se esgotassem do que ir procurar outro logo ali atrás daquela nebulosa.

Em janeiro daquele ano, o Governo Terrestre, deu o comando da estação para o Capitão Hernest Chavai, Oficial da Corporação Estelar – o braço militar do Governo Terrestre -, e agora ele esperava os outros oficiais da Corporação Estelar e da Exploração Universal – o braço cientifico do Governo Terrestre – irem para a Defiant Uno. Ainda muitos outros oficiais das raças aliadas a Terra seriam recebidas para ajudar a mesma a controlar a estação, dando todo um apoio logístico aquele lugar, pois muitos perigos ali espreitavam.

Agora, no momento, o Capitão Hernest Chavai estava num local inexplorado da Estação com alguns poucos oficiais investigando um aparelho de origem desconhecida – tal qual o local – que parece ser um portal. Como funciona, ele estaria para descobrir.

****

O Capitão Hernest Chavai chegou ao local inexplorado da Defiant Uno. Os geradores Danaquiah estavam sendo usados para dar energia ao local, pois a energia gerada pela estação – que foi instalada após a retomada – não "conseguia" chegar lá por algum motivo desconhecido. O local, uma espécie de sala, estava quase que completamente iluminada.

Nas paredes da mesma havia vários desenhos, símbolos e caracteres alienígenas impossíveis, no momento, de serem analisados.

- Sr. Morien, como estamos? – Perguntou o Capitão um pouco receoso por estar ali. Nunca gostava de explorar locais desconhecidos.

Morien era um cientista da Exploração Universal recém-aceito para ser o Cientista Chefe da Defiant Uno e, também, era um dos poucos que estavam disponíveis no momento.

- Não sei muito bem senhor, mas – estava um pouco receoso – pelo que eu pude entender parece ser uma espécie de portal.

- Um portal? – Perguntou um pouco curioso Chavai enquanto analisava as figuras estranhas na parede.

- Sim, um portal. Veja – Chegando próximo de uma das paredes – de acordo com esses desenhos, usando aquele console ali, você poderia conectar-se a outros lugares em locais distantes pelo portal.

Chavai ouvia com atenção.

- Será que a raça que construiu esta base era tão avançada assim?

- É bem possível, soubemos em Etani-II, que um outro portal como esse foi encontrado, assim como uma espécie de templo com as mesmas inscrições que encontramos em toda a estação, tal qual o templo na Terra e em Qatani. – Disse Morien com uma espécie de tique nervoso que o fazia falar tudo de uma só vez quase perdendo o fôlego quando se empolgava.

- E como viajaríamos por esse portal?

- Bem... é, bem...

- Você não sabe não é?

- Não que eu não saiba, tenho algumas teorias. Veja os símbolos próximo ao desenho do portal. Temos cerca de 30 deles. Aqui do lado – apontando para uma espécie de inscrição ao lado direito do portal – parece ser alguma espécie de endereço a ser colocado no console. Este, por exemplo, parece ser o endereço deste portal. Em Etani-II, no chão próximo ao portal, parece existir um endereço parecido, assim como os tempos da Terra e Qatani. Usando os símbolos poderemos nos conectar a outros planetas, pelo que parece.

- Então poderíamos fazer viagens interestelares em pouquíssimo tempo?

- Sim, seria isso.

De repente, quando um dos cientistas se aproximou do portal este se ativou. Em pouco mais de 10 segundos uma paisagem desconhecida podia ser vista através do portal. No horizonte três sois podiam ser visto a pino.

- O que foi que houve? – Perguntou o Capitão.

- Parece que o portal se ativou de alguma forma com a presença humanóide ou, então, o portal neste outro planeta foi ativado por algo ou por alguém.

Do mesmo modo que o portal se abriu ele acabara se fechando por completo. Não dando mais nenhum sinal de vida.

- Sr. Morien, me faça o favor de isolar a área. Contate a Exploração Universal. Quero saber todos os detalhes desses templos e portais que foram achados. – Falou rapidamente o Capitão Chavai – Creio que esses portais poderão ser de grande valia num futuro próximo.

- Concordo plenamente senhor. Se me der licença. – Falou o cientista saindo do local.

O capitão fora em seguida.

****

Depois do incidente com o portal desconhecido, Chavai contatou a Corporação Estelar pedindo que os oficiais viessem o mais breve possível, pois, segundo ele: "... não sabemos os perigos que podemos encontrar aqui. Muitos locais nesta Estação Espacial são, por demais, desconhecidas e, também, existem forças ocultas espreitando o setor local. Mesmo com um contingente de 1000 oficiais e de 12 cruzadores táticos de Classe Blood Angel aquele local não é um local por demais seguro. Espero que a requisição de bons oficiais médicos, marines, seguranças, pilotos e, também, de diplomatas e espiões possa ser realmente atendida. Isto é para o bem da Estação e de todos que nela vivem.". Seriam estas algumas palavras que Chavai havia mandado para a Corporação Estelar.

Somente 3 dias depois veio a resposta.

"Corporação Estelar – MENSAGEM NIVEL 3. PARA CAPITÃO HERNEST CHAVAI. SOBRE OFICIAIS.

Capitão Chavai, a Corporação Estelar entende as dificuldades que o senhor enfrenta e irá enfrentar daqui para frente. Como bem deve saber estamos em confronto com os Jio e com os Cardinares em 6 setores da Fronteira 22 das Colônias terrestres e contamos, atualmente, com um contingente ínfimo de pessoal e da naves.

Com esse pequeno problema em mente entramos em contato com a Federação Tambari e com a Republica dos Selênios e fizemos uma preleção de oficiais em seu nome. Assim sendo teremos forças conjuntas com a Federação e com a Republica, assim como alguns poucos oficiais nossos.

9 naves de Classe AsTech – Cruzadores pesados – e 3 centenas de caças Viper estão sendo enviados no momento. Esperamos que eles cheguem em aproximadamente 3 semanas. Até lá agüente toda a pressão possível.

Sem mais,

Comando da Corporação Estelar."

3 semanas. Leu mais de 4 vezes a mensagem e não acreditara com que tinha lido. 3 semanas? Daqui para lá aquele portal poderia se abrir mais uma vez e mandar uma manada de monstros atacarem a todos, ou surto de Varíola Metódica poderia aparecer. Eram tantas coisas que, no mínimo, se sobrevivesse até lá ganharia umas 4 promoções.

****

Dois dias haviam se passado e nada de muito interessante tinha ocorrido até aquela manhã. Chavai estava no seu gabinete lendo os últimos relatórios mandados pelos vários setores da Estação. Agora havia sido encontrado uma espécie de hangar que continha uma dúzia de naves de configurações totalmente desconhecidas. Naquela mesma, a Tenente Helena Radami – uma brasileira descendente de um pai espanhol – tinha ido ter uma com o Capitão. Ela era a Chefe dos pilotos de caça Vipers que protegiam a estação.

Ela fora designada a estudar as naves desconhecidas e os dados que conseguira eram, pelo menos, desconcertantes. Nunca na vida dela tinha visto tanta tecnologia num espaço tão pequeno. Quando terminara de falar com o Capitão pedira permissão para um teste de campo de uma daquelas naves. Chavai disse que assim permitiria quando o resto do pessoal da Corporação Estelar chegasse, pois somente assim teria um maior apoio tático e técnico para que Radami pudesse fazer tais testes.

Um pouco contrafeita, fez uma cara de tristeza, mas aceitou o fato, saindo em seguida.

Na estação faltavam ainda vários oficiais seniores. Alguns setores importantes urgiam com isso. Eram: Engenharia, Operações, Marines, Navegação/Atracação & Comunicação e Diplomacia. Os setores de Ciências, Pilotos de Caça e Segurança – este ultimo preenchido pelo Selênio Hashmar Toami, com graduação de Tenente Comandante – já estavam completos. E ainda faltavam 19 dias para chegar o reforço.

Já na parte da tarde – de acordo com o Tempo Universal Terrestre – o Capitão estava na Central de Operações apenas vendo a monotonia passar em frente dos seus olhos na tela que ficava na sala. Sem nenhum incidente grave ou destruição de nave. Até que um grande flash de luz apareceu do nada e deste uma gigantesca nave de cor negra saíra dele.

Na nave tinha apenas uma inscrição que, pasmado, o Capitão conseguia ler. Rising Star.

****

Chegada.

- A Defiant Uno – falou consigo mesmo um passageiro que estava na nave de transporte Gotas de Júpiter, Classe Europa. – Finalmente cheguei aqui. – Continuou ele.

E, realmente, lá estava a gigantesca estação que a Humanidade havia conquistado a pouco e tomaram de conta. Uma beleza da engenharia alienígena vista por poucos até algum tempo, com tantos segredos quantos possíveis.

O tráfego local estava totalmente congestionado. A Gotas de Júpiter teria que esperar 20 minutos-padrão para poder docar da estação. A nave estava trazendo um pouco mais de 300 passageiros, entre empresários, turistas e novos moradores na estação. O Governo da Terra estava fazendo uma "promoção" para trazer o máximo possível de humanos para a estação, assim facilitando a ocupação da mesma.

O que poderia ser bem notado no espaço ao redor da estação era a enorme quantidade de naves militares do Governo da Terra e de seus aliados, pois a ameaça dos Artinares era ainda bem real – como o atentado que ocorreu há dois dias atrás num setor industrial da estação, de origem ainda desconhecida -, assim como a exposição excessiva – mas estratégica – da estação.

Um fator ainda mais interessante é que a estação é de origem alienígena e, portanto não se sabe nada, ou quase isso, dela. Desde a tomada dos Artinares sob a estação, muitos estudos foram feitos para se detectar a sua origem ou o que ela poderia esconder e a cada nova descoberta muitos outros segredos apareciam. Mesmo com os dados "tomados emprestados" dos Artinares a Terra pouco sabe da estação. Há poucos dias havia sido encontrado um local onde várias naves estavam guardadas. Para que serviam? Os estudos ainda sendo feitos.

- Sashatavi – murmurou o homem, com uma idade aparentemente não muito avançada e com a barba por fazer – o planeta que tudo vê – disse se referindo ao planeta no qual a Defiant Uno, ou Ashra´Raznma para quem é Artinare, orbitava – espero conseguir descer lá um dia. – terminando o seu pensamento.

Ao seu lado estava uma jovem moça, de cabelos castanhos escuros um pouco ondulados, pele levemente bronzeada e com os seus olhos fechados, pois a viagem era longa e cansativa. Era a sua filha que estava para a Defiant Uno por motivos de conveniência desde a morte de sua mãe em Marte. Toda vez que o homem olhava para a sua filha sempre lembrava da mulher que sempre amou desde o momento que a vira e que perdera tão dolorosa e repentinamente. Quem sabe uma mudança de ares poderia não fazê-la esquecer daquela mulher, mas, pelo menos, sentir-se melhor consigo mesmo.

Ele havia juntado tudo que tinha em Marte e vendera a sua casa que ali havia sido construída pelo seu pai no período das construções das cidades exteriores para ter dinheiro suficiente para ir a Defiant Uno, ainda mais porque tinha vários conhecidos que trabalhavam com os laboratórios particulares assim como dois primos em setores chaves da área militar da estação. Fora dito por um de seus primos que ele conseguira um emprego como engenheiro de reparos do Setor Industrial da estação. Eram poucos créditos, o trabalho do cão, mas, pelo menos, poderia morar lá como residente oficial. A sua filha iria para a escola – de várias – que foram criadas pelo Governo da Terra para dar educação aos filhos de oficiais e civis residentes lá.

Coçou a testa e alisou os cabelos, que tinham já um punhado de fios brancos, estava finalmente começando uma vida nova e, esperava ele, que fosse para valer. Deixar o passado no passado – como dizia a sua mulher –, vivendo o agora para sempre.

Quando a nave estava para adocar na estação, essa começara então a balançar convulsivamente, os amortecedores inerciais pareciam que haviam falhado. O alarme então soou. E veio a voz do capitão.

Senhores, aqui é o seu capitão. Fiquem na posição de ataque. Uma nave inimiga está atacando a estação.

Os geradores de escudo, então, foram acionados e os que estavam próximos às janelas da Gotas de Júpiter puderam ver uma... não... Várias naves Arst atacando a estação, assim como naves militares da Terra.

Uma que não havia conseguido levantar o escudo a tempo fora a primeira a explodir, causando uma massiva onda de choque que se espalhou por todo o espaço. Eram destroços, restos de corpos e radiação do núcleo principal que vinham na direção da Gotas, assim como outras naves. Quando a onda pegou, em cheio, o escudo da Gotas, toda a nave tremera que nem um prédio antigo num terremoto na Terra. Vários painéis, tanto na ponte de comando, como na área de passageiros explodiram. Alguns passageiros foram pegos na onda de destruição. Os comissários de bordo faziam o possível par deixarem todos os passageiros despreocupados.

O homem e sua filha foram levemente atingidos por pedaços da Gotas que havia se desmontado acima deles.

- O que está acontecendo pai?? – Acordou assustada a filha.

- Calma Amanda. Tudo vai acabar bem. – Disse o homem segurando-a forte em seus braços.

Doze caças do Corporação Estelar foram, então, atrás das naves Arst. Uma delas vinha na direção da Gotas e, no ultimo segundo, passara "raspando" pelo casco – os escudos protegiam os cascos a apenas alguns centímetros de distância quando acionados – fazendo um barulho horrível entre as duas forças opostas de escudo. A nave da Corporação fizera uma curva mais suave que resultara num encontro vetorial ao fim da manobra da nave Arst, não dando chance à mesma em desviar dos tiros de Taser Quântico que vinha do caça da Corporação, acertando-a em cheio.

As outras naves Arst estavam sendo impiedosamente sendo destruídas pelas naves da Corporação menos uma que conseguira acionar os motores de Correnteza a tempo de fugir do local do combate.

No total nove naves Arst e três da Corporação foram destruídas. O ataque fora surpreendentemente rápido, pois os sensores da Defiant Uno, por algum motivo desconhecido, foram desligados. Um inquérito militar fora instaurado alguns dias depois.

- Viu... Como eu disse. – Reconfortou a sua filha – Tudo vai acabar bem Amanda. – Dando um sorriso para ela.

- Espero que sim pai... – estava com uma face de tristeza estampada.

- Vai sim Amanda. Não se preocupe. Sei que as coisas estão difíceis, mas vão melhorar. Olhe, ali está a nossa nova casa.

- O planeta?

- Não... – rindo um pouco dela – não filha. A estação. – Apontando para a Defiant Uno – Um novo lugar para um novo começo. – Continuou.

- Mas, pai e esses bichos atacando a estação. Não é perigoso?

- Temos a Corporação para nos proteger. Não se preocupe. – olhou-a e encarou ela num mister de sério e bondoso – você sabe que eu estou aqui para te proteger ne?

- Uhum.

- Você sabe que é a coisa mais importante de toda a Galáxia. De todo o Universo conhecido não é?

- Uhum – balançando a cabeça afirmativamente.

- Pois então. Podem vir monstros do espaço conhecido e desconhecido, pois irei te proteger a todo e qualquer custo não importando o que aconteça. – Abraçando-a.

- Obrigada pai.

Ele beijou-a em sua testa.

Depois de mais de uma hora de espera a Gotas, finalmente, pudera adocar na Defiant Uno. Na área de triagem de passageiros. Amanda e seu pai ficaram esperando as suas malas e coisas e um dos primos.

Samuel, um rapaz novo, chegou depois de vinte minutos. Tinha que esperar a sua hora do almoço para se encontrar com o seu primo e sua filha que haviam acabado de chegar. Ele trabalhava nos laboratórios da Alchemax – uma multi-planetária que atuava em vários setores, dentre eles o de armas bioquímicas – na estação e fora correndo receber a sua família.

- Primoooooo. – Disse ele contentíssimo. – Bem-vindo a estação. – Dando um abraço no seu primo e, depois, encarando a jovem do lado dele – E essa deve ser a Amanda. Como vai?

Ela um pouco acanhada dera-lhe um tímido oi.

- Bom... onde estão as suas coisas? – O homem apontou. Tudo estava já empacotado, encaixotado e todo o tipo de "tado" num carrinho à frente deles. Uma segunda leva iria chegar dentro de duas semanas. – Creio que você já tem o seu passe.

- Sim. – Disse o homem – fiz de tudo para não ter que enfrentar a burocracia.

- Ótimo. E não seria preciso. César, da Migração, poderia ter feito toda a papelada rolar num piscar de olhos. – Rindo-se um pouco – Sempre é bom conhecer aqueles que fazem o trabalho rolar mais fácil, não acha Thomas? – Perguntou enquanto andava em direção ao carrinho onde estavam as coisas de Thomas e sua filha.

Era a mesma coisa que ele pensava. Foi desse jeito fácil que a sua família pode ter um pouco de destaque em Marte, mas a que custo foi esse destaque?

Antes de chegarem onde estava um carrinho, Thomas esbarrou-se contra um homem que usava um terno velho e surrado.

- Desculpe. – Disse o homem do terno bastante educado. – Não havia visto o senhor.

- Sem problema. – Respondeu Thomas. – Eu que deveria ter tomado mais atenção. O local é bastante cheio.

- Sim... até demais. – reclamou o homem. – Me desculpe mais uma vez... mas estou com um pouco de pressa.

Thomas apenas assentiu com a cabeça deixando o incidente para lá. Não queria causar confusão na sua nova casa.

- Homem simpático – Comentou Samuel – pena que poucos aqui são assim.

- Poucos?

- Bom... tem muita gente das colônias, sabe, novos ricos , que se acham os donos do mundo e como a Defiant Uno é a nova moda do Governo Terrestre, muitos deles estão vindo para cá. Até mesmo os militares da Corporação e da Exploração muitos são verdadeiros turrões. Idiotas antipáticos.

- Está bem... está bem... já deu para sentir a situação.

- tirando o Capitão, muito legal ele, diga-se de passagem, alguns do alto comando são verdadeiros malas sem alça e que ficam brigando direto com o capitão. Quando houve a primeira reunião da Cúpula Civil/militar então... quase que o pessoal se mata. – Continuou entrando no carrinho juntamente com Amanda e Thomas.

Trafegando pelos corredores adjacentes – corredores usados somente para veículos motorizados – eles chegaram ao "apartamento" de Thomas e Amanda.

- É bem aqui. – Disse Samuel. – Eu te ajudaria a descarregar, mas já está na hora de eu voltar para o serviço. De noitinha eu dou uma passada aqui para levar você e Amanda para conhecer melhor a estação, que tal?

- Está bem... – disse Thomas.

- Seja bem-vindo e desculpe-nos se não fizemos uma festança... mas prometemos recompensar em breve. Tchau Amanda... até mais tarde.

Amanda e Thomas descarregaram as suas coisas do carrinho e colocaram dentro do "apartamento" deles. Thomas então apertou o botão do piloto automático e, assim, o carrinho voltaria para o seu destino original.

Ao entrarem mesmo no "apartamento" a primeira coisa que Thomas fez foi abrir a janela protegida por vidro-aço e um escudo superficial de alta densidade. Contemplou, por alguns instantes, as estrelas no espaço profundo. Retirou do seu bolso uma foto feita no método antigo e lá estava ele, a sua mulher e sua filha num arvoredo na Cidade de Coundou em Marte. No verso uma frase de sua mulher: "A liberdade, antes de tudo, é ânsia de viver e amar eternamente".E mais uma vez observou as estrelas que viviam no espaço e lá eram livres como os humanos o são, pois eles haviam voltado para a sua casa. O espaço.

"Se explosões de estrelas criaram os planetas, então no espaço não somos estranhos, estamos apenas voltando para casa." Anônimo, Terra, 2050 – inicio das explorações espaciais em massa.

... e as estrelas, do que são feitas?

- Tenho uma confissão a fazer, meu caro colega. Eu fui um tolo. Como fui um tolo. – Disse Talax Ashiv.

- Como assim?

- A guerra... contra os Taitai. Tantas vidas desperdiçadas, mas a troco de que?

- Da paz, da liberdade, para alguns, a democracia. O direito de viver, o direito de escolher. O direito de ser do jeito que você é.

- Mesmo assim... vale isso tudo a troco da matança de milhares, ou até mesmo, milhões ao longo da guerra? Será que a paz precisa vir a custo dessas mortes?

- O sacrifício de alguns para salvar bilhões.

- Não sei. Não sei realmente...

- Por que você está se perguntando agora? Isto tudo é irrelevante... já passou... agora é passado. – Tomando um trago de Cerveja Batariana que tinha um índice alcoólico altíssimo fazendo-o bufar para conseguir um fôlego extra – Você já deve está é bêbado. Não deveria ter te trazido para tomar umas depois do serviço.

- Você não se sente com o coração pesado?

- Falando a verdade?

- Diga...

- Não. Eu fiz o que eu deveria fazer... – Colocando mais um pouco da cerveja no seu copo, a cor era de um vermelho sangue muito escuro – o que me foi ordenado a fazer e fiz e acho que você deveria esquecer isso. É tudo passado.

- Não dá... desde que eu cheguei a este local me senti estranhamente incomodado com tudo o que eu fiz durante a Guerra e o pior eu estou sonhando com isso.

- Deve ser somente o seu corpo se adaptando a um novo lugar... isso passa.

- Você nunca passou por isso? – Olhando para a movimentação do bar, que agora estava bem menos.

- Somente uma vez há dois anos quando tive que ir junto com um Grupo de Marines servir numa Guerra Civil, mas, depois, nunca mais.

- Lamento... – Bebendo um pouco da cerveja.

- Pelo o que?

- Por você ter perdido a humanidade... aposto que você nunca chegou a ficar num parapeito apenas vendo as estrelas.

- E o que eu vou ver em estrelas, pelo o amor de Deus? Endoidou agora?

- A beleza das estrelas... que são incomparáveis.

- E?

- A beleza das estrelas que não pode ser comparada por qualquer outra coisa do que além da beleza da vida, seja humana, seja extraterrestre, seja um microbio, seja um ser do espaço. Nós viemos das estrelas e somos feitas delas, da quitessencia que permeia as veias do Universo. Ainda, por ventura, somos além mais do que isso. Além da envergadura que dá "poder" elemental e divino as estrelas. Somos humanos, filhos do pó, deuses dos sentimentos e demônios dos pesadelos. – Disse Talax. – Será que você não consegue ver isso? Você nunca chegou a pensar no quão importante é a vida ante as batalhas, guerras ou disputas? Que a cada morte o Universo clama por justiça? Que somos apenas açougueiros da Morte?

- Rapaz... Se você continuar assim vão te colocar num manicômio ou em algo do tipo... – disse rindo-se, o seu colega estava totalmente de pileque.

- Se for para redimir-me dos meus pecados, eu aceitaria ser até fuzilado. O que fizemos no passado, seja recente ou não, serão julgados pela História e o que eu fiz foi terrível.

- Olha só... esse papo já está me enchendo... – Disse o colega de Talax. – Será que você não poderia mudar o seu monologo somente um pouco.

- Que culpa tenho eu se você que é mais humano do que eu perdera a sua humanidade ante a ânsia de ter poder? De dominar a tudo e a todos?

- Vamos para casa... você está bêbado. – Se levantando.

- Antes de ir... antes de ir... – Ficou sentado – O que você sente agora que o Governo da Terra tem o controle do planeta Taitai, de suas maravilhosas fontes de Extantion? Você se sente completo? – Olhou para o seu colega, este parecia um tanto perdido. – Não? Nada? Somente um vazio sem palavras corrompe a sua alma que se fechou diante da matança? Estou apenas fazendo o que foi ordenado an? – Olhou para o seu colega que continuava sem responder – Do mesmo modo muitos se sentem assim. Eu não estou ficando louco. Sou apenas um, de vários, mensageiros das estrelas. Eu me vi... e não gostei do que vi.

Respirou profundamente e o seu colega continuava parado a sua frente.

- Foi-me revelado que voltamos para casa, somente agora. Somos os filhos das estrelas, você sabe muito bem disso, mas será que somos honrados o bastante para ficarmos aqui? Desde que a humanidade viajou ao espaço somente – na maioria dos casos – a destruição e morte trouxe aos outros e agora, esta estação? Que representa tudo aquilo que conquistamos... a troco de que? De respeito? Honra? Poder?

As pessoas iam e viam e os dois continuavam a se encarar.

- Realmente é isso que sente não é? Tentou disfarçar o profundo nada que você tem em sua alma...

- Eu...

- Nada... você não vai falar nada... você não tem nada a dizer contra o que eu digo. Se somos matéria das estrelas, do que elas são feitas? De nossa podridão? De nossos anseios malignos? O Universo é uma escória que deve ser destruído nos fins dos tempos?

- Sinto... – olhou por detrás do seu amigo.

Talax sentira uma mão pesada no seu ombro esquerdo. Era um oficial da Corporação Estelar.

- Sr. Ashiv, venha conosco.

- Anderson? – Perguntou surpreso.

- Sinto muito. – Disse o colega de Talax – Sinto muito mesmo.

O oficial que segurou o ombro de Talax falou:

- A Corporação Estelar agradece por denunciar esse falso Profeta. Você receberá uma recompensa quando chegar em casa.

- Anderson?? – Perguntou ainda mais surpreso.

- Sinto muito... sei muito bem o que você quis dizer... e isto é realmente perigoso para os dias de hoje... sinto... – E se virou.

Talax estava sendo puxado pelo oficial da Corporação.

- Será que ninguém vê? Que nós somos partes das estrelas e elas choram por aquilo que fazemos? – Disse antes de ser transportado.

Apenas os passos e conversas dos clientes podiam ser ouvidos nos corredores da Defiant Uno.

O Lado Oculto.

- E então? – Perguntou um maltrapilho para um homem que vestia um terno velho e surrado.

- Aqui está. 200g de Torval. Onde estão os créditos?

- Toma... toma... – dando apressadamente e pegando o Torval do homem a sua frente. A sua ânsia por tomar mais uma dose fazia com que o seu coração disparasse num nível quase alarmante.

- Tome cuidado. Essa é uma nova safra de Torval. Se tomar demais o seu cérebro pode explodir por causa da pressão sanguinea que ele pode causar. – Aconselhou o homem, um pouco grisalho e sua face marcada com a idade.

Rapidamente o viciado na droga pegou uma pequena pistola e colocou uma quantidade mínima – para não gastar demais – de Torval, aplicando-lhe diretamente no pescoço. Quase que instantaneamente ele ficara com a respiração entrecortada e os seus músculos se contraíram. Em seguida os seus olhos passaram dos castanhos escuros para azuis claros quase cegantes.

Torval era a mais nova droga que era tomada em várias partes nos territórios do Governo Terrestre e em seus aliados. Antes de se tornar uma droga ilícita o Torval era um medicamento usado nas Batalhas Antigas como uma espécie de morfina.

A maior parte do contrabando passava-se em lugares chaves, como a Defiant Uno, onde a segurança fazia vista grossa quanto ao mesmo e as negociações eram feitas no Submundo – nome dado ao Setor Cinza da Defiant Uno, onde aqueles que não tem créditos ou foram abandonados ficam -, sendo assim, em toda a sua beleza tecnológica, um lado obscuro habita aquele lugar.

O homem deixara o viciado ali com os seus delírios de adrenalina e convulsões musculares, um verdadeiro gozo de prazer ante o choque de elementos químicos que o seu corpo produzia, e fora então falar com o Segurança encarregado da Área de Carga para saber se um novo carregamento de Torval havia chegado. O segurança, assim como alguns outros, ganhavam a sua parte enquanto houvesse discrição por parte de ambos.

Mais do que nunca o homem ganhava rios de dinheiro e deixava apodrecer ainda mais a imagem dos humanos perante o universo, pois, pelo que via nos anais das investigações feitas pelas corporações da Terra e aliados, era as colônias Terrestres e a própria Terra os principais produtores e fornecedores de Torval, mostrando que, acima de tudo, a humanidade poderia trazer mais mal do que bem ao Universo.

O Lamento do Inocente.

Vazio. Era a sensação que sentia Cristiano Hernandez Vasconcelos, o oficial chefe dos Marines na Defiant Uno. Esta sensação percorria todo o seu ser enquanto ele se entregava ao ocaso da falta de sono no momento. Via apenas, na janela ao lado de sua cama, as poucas naves passarem por perto devido o horário – oficialmente era noite – onde se encontrava atualmente.

Pouquíssimas, ou nenhuma, vozes eram ouvidas por ele, assim como passos, no corredor do seu alojamento, apenas o som oco dos computadores e dos conduítes de energia trabalhando podiam ser ouvidos mais nitidamente. Por que tinha acordado tão cedo? Nem ao menos ele sabia, ou não queria perceber que sabia. Algo o fazia acordar dessa maneira desde que fora designado para a estação ou, ainda, bem antes disso.

Depois de vários minutos observando o espaço se levantou e fora em direção ao banheiro. Rapidamente tomara um banho – dando-se o luxo de tomar um com água, sendo que a conta sairia cara depois – e tirou a barba por fazer. Quando lavara o rosto retirando os pêlos teimosos que ainda estavam pregados em sua face, sentira com suas mãos o peso da idade – não exatamente isso -, o seu rosto cansado e os olhos sem vida. Tudo o que fizera fora para o bem da humanidade, assim como fizera um dos seus antepassados a muito tempo na Guerra Neomana. Fizera por amor a sua raça, ao seu planeta e dos seus direitos como ser vivo. Mas será que tudo compensou? Será que as noites mal dormidas compensam aquilo que fez?

Passou vários minutos apenas olhando-se no espelho, procurando alguma resposta para as suas perguntas sem fim. Parecia que poderia achar, mas sabia que nunca acharia, não depois de tudo o que fez, apesar de seus comandantes terem dito a ele que foi para o bem da civilização humana como se conhecia. Ele, realmente, não se sentia bem.

Perscrutou randomicamente toda a sua face expurgada de sentimentos, de feições que lhe tornavam mais humano até desistir, mais uma vez, dessa busca desesperada. Estava na hora de ir ao trabalho, como sempre.

Vestiu o seu uniforme e colocou os pins necessários. Era Tenente Comandante, a quarta patente mais alta que se poderia ter numa base estelar – as outras era: Capitão, Comandante Executivo, Comandante, Tenente Executivo, Tenente, Tenente Junior e Alferes -, patente que receberia com honrarias e méritos por aquilo que tinha feito, mas será que isto realmente compensou?

Pegou, então, o PADD que estava sob a sua mesa e lera as atividades do dia. Monótono, diga-se de passagem. Revista de oficiais, treinamento de cadetes, visitas instrucionais entre outras coisas de um oficial da Corporação Estelar.

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Finalmente era hora do almoço. Fora para o refeitório dos Marines, um dos poucos lugares onde ainda poderia, diga-se, se divertir um pouco e se descontrair das coisas da vida, apesar de, agora, os outros oficiais ficarem temerosos em falar com ele por causa de sua patente.

Cristiano estava sentado junto com o grupo de marines que haviam se apresentado naquele dia para a inspeção e ficara ouvindo as historias deles, muitos ainda novos, sobre a Guerra dos Neomanos, a Batalha de Tragalfar e a ultima guerra que o Governo da Terra se envolveu contra os Taitai. Todos falando coisas horripilantes sobre as trincheiras e combate em gravidade zero. Dos tempos da falta de comida ou de, até mesmo, um banho. Das saudades que tinham da mãe, do filho, da esposa, da amante, do que fosse. Cada um contando a sua participação nos eventos mais ou menos importantes de suas vidas. Até que um oficial perguntou para Hernandez.

- Senhor, tem algo para nos contar? Alguma história de guerra? – Perguntou animadíssimo. Quem sabe poderia saber mais um pouco da vida do seu oficial comandante.

Muitos outros entraram na roda também, fazendo a mesma pergunta.

Hernandez olhou-os de uma maneira que lhes transmitia dúvida e um sentimento de não querer contar aquilo que vira. Será que estariam preparados realmente quando o dever lhes chamasse? Será que atenderiam as vozes da coragem, ímpeto e obediência cega que a camisa os faz? Será? Será? Será?

Dera a última garfada em seu prato e mastigara a comida vagarosamente. Os seus olhos vagueavam por toda a sala e observava cada um dos oficiais ali na mesa, assim como alguns outros que também se aproximavam. Os seus olhos castanhos claros estavam nervosos, poderia contar aquilo que vira e sentira? Pegara o copo de água a sua frente, bebera um gole e deixou dois dedos ainda no mesmo – que era transparente -. Ficou segurando o mesmo a sua frente e rodou-o vagarosamente enquanto ficava a observar as luzes do refeitório refratarem no vidro do copo e na água. Um pequeno festival de cores era visto em sua face cansada e em seus cabelos castanhos escuros.

- Comandante? Nada? – Atiçou um outro oficial.

Ficara mais alguns segundos em silêncio e deixara a curiosidade se abater ainda mais sobre os seus oficiais e, ainda, se perguntava se poderia falar algo do seu passado.

- Vamos Comandante, qualquer coisa. – Pedira quase implorando uma jovem Tenente. Comandante de um grupo de marines.

- Creio que alguns de vocês conheceram muita coisa sobre a Guerra contra os Taitai não? – Perguntou ele. – Você, você, você – apontando para alguns oficiais que estavam comentando os seus feitos naquela Guerra travada a pouco. – Cada um fez a sua parte naquela Guerra e se orgulha disso.

Todos quase em uníssono concordaram.

- Nunca, na vida, duvidaram, de suas ações perante as batalhas e matança que ocorreram não? Todos afoitos, ou a grande maioria, em dar cabo as suas ordens. Servindo bem o seu planeta e seus aliados. – Continuou – Pois bem, eu também tenho uma dessas para compartilhar com vocês – Dizendo com um ar de desprezo, por assim dizer – Uma que, até hoje, eu me orgulho em fazê-la de acordo com as ordens especificadas. Não destruí nenhuma base, ou explodi alguma instalação. – Olhou para todos e, em seguida, ficara observando mais uma vez para o copo a sua frente agora.

Um silêncio sepulcral era tudo que podia ser sentido naquele instante. O que será que o Comandante estava querendo dizer com aquelas palavras?

- Bem, estava em missão em Andros Nogoh, um dos planetas dos Taitai que teria sido recém-conquistada pelo Governo Terrestre. Haviam morrido, antes da tomada, um pouco mais de 350 mil Taitai, uma perda inestimável diga-se ainda. – Respirou profundamente e resignado – Como bem disse, estava numa missão. Não uma das minhas preferidas e nem mais uma das mais agradáveis, mas que foi uma das mais importantes da minha carreira e decisivas para a Guerra acabar.

Muitos outros oficiais se juntaram ao grupo principal. Hernandez tomou um pouco mais de água ainda deixando um resto no copo. Limpou um pouco a garganta.

- Estava com prisioneiros Taitai. Sabíamos que um deles era um dos lideres que comandava a Resistência Taitai, mas não sabíamos quem era. Então tivemos que interrogar um por um. Passamos mais de uma semana sem maiores sucessos até que, enfim, descobrimos que o líder tinha uma família. Assim sendo, procuramos mais a fundo e conseguimos achar a sua família. E foi interrogatório em cima de interrogatório. Aqueles Taitai são realmente difíceis numa interrogação. – Constatou Hernandez – imaginem numa mesa de negociação.

Vários oficiais riram e outros pediam silêncio.

- Quando havia passado mais de 3 dias e sem maiores novidades, fomos atacados por um bombardeio Taitai e o líder, pelo que parecia, havia fugido neste ataque. Daí para pegarmos aquele terrorista tivemos que partir para a coação. Pegamos a sua família e começamos a chantagea-lo. Sem muito sucesso ainda. Foi então que por ordem superior, fui liberado a matar qualquer membro da família do terrorista. Quando eu fiz a insinuação que eu iria matar a sua família, logo o Terrorista se entregou e, por fim, conseguimos acabar com a Guerra dos Taitai com a vitória do Diretório Superior contra os rebeldes.

- Então foi o senhor que acabou com a Guerra dos Taitai? – Disse um oficial.

- Não acabei... apenas ajudei. – Respondeu Hernandez – Agora se me dão licença acho que os senhores tem mais algo a fazer não, assim como eu. – Se levantando da cadeira e se dirigindo para a saída do refeitório.

Assim que saíra os comentários sobre aquele que ele narrara em particular já podiam ser ouvidos nos corredores. Aqueles oficiais apenas ouviram a parte mais "bonita" da história e nunca conheceriam a fundo a Guerra Taitai. Um esquema de sucessivas batalhas horríveis. De tramóias dentro de tramóias e que, por fim, apenas demonstrou como a natureza pode ser cruel em qualquer lugar.

Sabia Cristiano, logo após os eventos que se seguiram, a real verdade da Guerra Taitai. O Grupo de Resistência era, na verdade, um Grupo Separatista que queria entrar em contato com os outros mundos para derrotar o Diretório Superior que ameaçavam criar o maior Genocídio da História Taitaista.

Também soubera depois que o "Terrorista" era um dos civis mais renomados daquele planeta e que sempre visava a paz e a prosperidade entre os indivíduos de Taitai. Queria uma reforma política e econômica no planeta, mas a "Alta Sociedade" vira aquilo com os outros olhos. Então o Grupo Separatista fora obrigado a se defender, mas quem pegou primeiro nas armas fora o Diretório Superior.

Até hoje, por agora, ecoava na sua mente o "terrorista" de nome Nifelat Hjil falando a Congregação Taitai sobre os seus crimes de Guerra e que lamentava muito ter traído a todos que lhe haviam confiado e a sua nação, assim como também lamentava todo o ocorrido, principalmente o envolvimento de outros planetas naquela Guerra. Esperava, assim, que pudesse se redimir de seus pecados que fizera pra contra o seu Governo. E assim o pagou, com um tiro que recebera na testa logo após o pronunciamento como punição daquilo que tinha feito.

Cristiano chamou aquele momento e espera nunca se esquecer daquele momento de "O Lamento do Inocente". Inocente no qual ele – Hernandez – o sentenciara a morte. Espera, no Além-Mundo, poder ser julgado por tudo aquilo que fez e Cristiano sabia que não mereceria um lugar bom no Além-Mundo. Terá sorte se tiver a mesma morte que o Inocente que matara.

Enfim, continuara com as suas obrigações, com um peso da morte nas costas.

O Adeus.

Eu me lembro de antigamente. Lembro-me como as coisas deveriam ter sido, ou, pelo menos, poderiam ter sido. Lembro-me de memórias, sentimentos, amores, de como tudo isso se somava a minha vida e a cada momento desta não pedia nada melhor. Sinto-me, por agora, distante destes momentos. Sinto-me vazio por dentro. Sinto-me angustiado. Tudo por causa do destino e das coisas que ele tratou de me trazer.

Vejo nas paredes escuras do meu quarto o seu rosto. Belo, delgado e macio. Vejo as nuances do seu sorriso meigo e misterioso. Ouço as risadas que vieram e sumiram com o tempo. Percorro cada centímetro quadrado dessas ardilosas construções alienígenas a procura de algo conhecido. De um sentimento que a muito perdi e, por demais, não encontro mais.

Sinto-me perdido sem a sua presença. Sinto-me amargurado sem o seu toque. Sinto-me como se eu não fosse eu mesmo. Algo que antes eu tinha se perdeu para sempre e nunca mais terá volta. Cada segundo, cada minuto, cada hora é um eterno julgamento meu sobre mim mesmo. Não me perdôo por aquilo que eu fiz e, ainda mais, não me perdôo por aquilo que eu deixei de fazer. Tantas vontades, tantos sonhos e fui obrigado a deixar tudo para trás.

A sua pele. O seu toque. O seu riso. Os seus sonhos. As pequenas carícias, cada ato de amor. Os suspiros, os desejos, os sussurros, os gostos compartilhados. Alma gêmea, contemporânea, perdida e encontrada. Era tudo que eu queria. Tudo que eu mais sonhava e não planejava por isso. E era tudo que eu tinha a perder. A cada momento eu lembro-me disso e a cada segundo esqueço-me também. Que tristeza esse destino cruel me trouxe. Que pesar sofro todos os dias desde o dia final.

Lembro-me de nós dois. Lembro-me do chorar da criança e dos abraços, ah belos abraços. Das festas. Do aniversário da pequena Isabelle. De ver ela crescer e sonhar que ela seria uma bela mulher um dia. Que ela estaria singrando pelo espaço assim como o pai. Lembro-me dela dizer que queria ser uma viajante que nem o papai. Rio e me entristeço com esse momento. Lembranças amargas e solitárias que invadem o meu ser.

Sabe aquele dia no Jardim Botânico de Fortaleza? Lembra-se? As folhas de outono caiam calma e lentamente. Tudo era apenas paz e tranqüilidade. Os pássaros se sentiam livres para entoar os seus cânticos belos e rítmicos, e eu não conseguia olhar para o seu rosto, ainda mais belo com o entardecer que se sucedia. Os seus cabelos castanhos que nem as folhas outonais. Os seus olhos verdes como a grama minguante. A sua boca, os seus lábios quentes que nem o sol e vermelhos que nem o entardecer. Mas não conseguia olhar para o seu rosto.

Poucas pessoas ali passavam e ficamos embaixo de um cajueiro. As folhas ainda caiam até a chegada do inverno e ficamos eu e você, ali, um de frente para o outro. O meu coração palpitava a cada segundo de uma forma profunda, leve e angustiante. Acho que eu fiquei corado porque você riu um pouco de mim. Alisei o seu rosto e engoli a seco. Foi ali, naquele momento, que eu sabia o que dizer. Sabia o que o destino estava a me dar. Sabia o que fazer agora.

Não foi preciso palavras, ações. Apenas você dera um belíssimo sorriso que ofuscou, para mim, o Sol Rei. E você apenas balançou a cabeça levemente afirmativa e resoluta. Não sabia o que dizer, pois você lera a minha mente. Não sabia o que falar e, por impulso, beija-a como se fosse o ultimo dia da minha vida.

Foram os dias mais felizes da minha vida. Brincamos, rimos, choramos, lutamos, fizemos tudo aquilo que deveríamos fazer. Tínhamos uma vida toda pela frente e sabíamos dos percalços que deveríamos percorrer. Não havia planejado, mas havia sonhado com isso. Havia encontrado, finalmente, a minha alma gêmea.

Nasceu a nossa filha. Isabelle. Tão bela, inteligente e graciosa como a mãe. Acho que foi o segundo dia mais feliz da minha vida, ou o primeiro, não consigo separar isso. Agora o circulo havia fechado. Sentia que, finalmente, conseguira o meu intento. Não tão somente meu e sim seu, de nós dois. Família, sagrada, bela, intransponível. O destino foi benevolente conosco, até o momento.

Foi quando me chamaram novamente para o serviço no espaço. Eu tinha que ir e vocês queriam vir juntas. Não queria que vocês viessem. Falei que o espaço era um lugar perigoso, mas não, decidida, como sempre foi, você veio e trouxe a nossa filha. Por que eu não insisti em deixá-la na Terra? Por que você teve, e ainda tem, uma forte influência sobre mim?

Virei Primeiro Oficial da TS Daemos e não tive maiores problemas de trazer vocês. Antes quisesse ter e depois triste fim. Ainda me lembro da enfermaria. Dos médicos tentarem salvá-la e da nossa filha desaparecer sem qualquer vestígio. Lembro-me de prometer a ti que iria achar a nossa filha custe o que custar. Lembro de segurar a sua mão até o ultimo segundo e de fazer você se rememorar cada segundo de felicidade, tristeza, vitórias e perdas como me pedira. Lembro de você se esvair aos poucos, mas, ainda, com um sorriso no rosto dizendo: "Isto não é um Adeus e sim um até breve. Pois verei vocês no Além-Mundo. Estarei olhando para os dois, assim como os meus pais e seus pais olharam-nos. Você é a minha vida. Você é o meu amor. Você é a minha alma. Você é o meu coração e estarei sempre aqui". E você partiu e eu chorei. Fiquei inconsolado por perdas irreparáveis, chorei e desgracei o destino pelo que ele me pregou.

E, agora, estou aqui, mais uma vez, sentindo uma saudade imensa, mas, ainda, não consigo dizer adeus. Apenas conjugo verbos e ensaio palavras, mas, Adeus, nunca, pois bem sei que você faria o mesmo por mim. E prometo, a nossa filha ainda estará do meu lado e cumprirei aquilo que lhe prometi. Amanda, sinto a sua falta e nunca lhe esquecerei. Sempre.

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Chavai continuava a olhar, agora, para a foto de sua mulher e sua filha. Uma morta e outra desaparecida. Em poucos minutos deveria voltar as atividades e a sua vida com sentido, mas sem direção.
"Sou aquele que procura paz. Sou aquele que procura uma direção.
Sou aquele que procura um sentido. Sou aquele que procura a vida.
Sou aquele que apenas vive. Sou aquele que apenas o é.
"
Anônimo – Ditado Selênico.

Fim do episódio.

Daniel Gomes é criador e responsável pelo Pbem "Play By E-mail", onde são desenvolvidas as histórias da USS Bishop. Visite a página da USS Bishop. STAR TREK UNLIMITED

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