Inicial    Novidades    Autores    Grupos    Editorial    Opinião    Estatísticas    Recomendados    Links    E-mail   
INFORMAÇÕES    
Autor: Daniel Gomes.
Título: USS Fear - Coração...
Publicação: 20/10/2006.
Categoria: Jornada nas Estrelas.
Download - PDF ZIP 150Kb.
Página - Star Trek Unlimited.

Você pode copiar o material apenas para uso privado e de acordo com a lei de direitos autorais.

OUTRAS OBRAS DO AUTOR
A.F.I.E. - Missão I.
A.F.I.E. - I - Quadrante Alpha.
A.F.I.E. - II - Estatística.
A.F.I.E. - III - Correio Espacial.
Defiant Uno.
USS Bishop - A Chegada.
USS Bishop - Sinais de...
USS Bishop - Traição.
USS Bishop - Bastidores.
USS Bishop Ragnarok.
USS Fear - A Mão.
USS Fear - Síndrome de...
USS Shadowrunner.
USS Victoria - Aconteci...
A Batalha Findará...
A Verdade???
Corredor Espacial.
Crônicas de Guerra.
Despertar.
Entre Sonhos e Idéias.
Espere o Inesperado.
Flash Back.
Harmonia e Dissonância.
Líder de Homens.
Memória Perdida.
O Círculo da Lua.
O Tunel.
JORNADA NAS ESTRELAS      
USS Fear - Coração Negro.
Por: Daniel Gomes.

Imagem da Internet.

Tripulação:
Capitão: Saulo Tarsos.
Primeiro Oficial - Comandante: John Mellory.
Oficial de Segurança - Tenente Júnior: Antonio Carlos.
Oficial de Navegação e Operações - Tenente: Nissa - Andróide.
Oficial de Engenharia - Tenente Comandante: Normak - Deltano.
Oficial de Ciências - Alferes: Nadine Hamiel.

Capítulo I

Tudo escuro, num primeiro momento. Somente a total escuridão podia ser sentida naquele lugar. Ficando naquele lugar por pouquíssimo tempo poder-se-ia sentir como que se aquele lugar fosse um ser vivo e depois de um tempo enlouqueceria por completo pela falta de luz ou por algo mais palpável. A cada passo dado ele se sentia mais e mais inseguro. Queria gritar. Sair dali, mas sentia que a escuridão o perseguia por todo o lugar. Tateou uma, duas, três vezes, mas não conseguira achar o console que ligasse as luzes.

Um som podia ser ouvido a longa distância. Primeiro fraco e arrítmico. Em seguida tornou-se mais e mais forte e pulsante, como uma espécie de coração. Estava ficando louco? Seria tudo aquilo a sua imaginação? Ele tentava, custosamente, andar para qualquer lado, menos a direção donde vinha aquele barulho infernal, mas, a cada passo que dava, o som ficava cada vez mais forte e penetrava, ainda mais, a sua mente, o seu cérebro, o seu âmago. Sentia um frio e medo compulsórios de tal modo que começara a apertar com toda a sua força as suas orelhas, quase arrancando-as.

Chegou num ponto que tudo estava ficando impossível de agüentar. Soltou um grito surdo e caíra no chão.

(...)

A USS Fear seguia para ao planeta-colonia Tailassos IV, estava levando três novos prisioneiros Eiorqs que foram pegos tentando sabotar a Deep Babylon – a instalação da Frota Estelar criada da Galáxia de Aquário. Eles haviam, antes de serem presos, mandado uma espécie de sinal para o Território dos Forasteiros. O que a Federação poderia esperar, ninguém realmente sabia, mas era certo que as coisas não estavam indo bem para todos naquela Guerra, pois eram duas frontes de batalhas a serem defendidos.

Não se sabia como tudo aquilo iria acabar realmente. Mas a Federação estava perdendo vários territórios na Via Láctea e, conseqüentemente, em seu próprio espaço, mas ainda assim conseguira aliados preciosos e poderosos caso consiga ganhar essa guerra.

No ultimo ano houve muitas baixas e, entre elas, um dos membros do Alto Conselho Klingon, Worf – filho de Mog –, que fora capturado por uma nave Breen depois de um ataque conjunto do Dominion, dos Tzinkety e os Breens junto a Q´onos. O ataque foi tão destruidor, que foram estimadas mais de 90 milhões de baixas entre os Klingons. Em contrapartida a Frota Hercules atacou e destruiu o mundo Breen. Desde então os Breens foram para o Quadrante Gamma e lá foram ficar.

Apesar de tudo os Borgs não fizeram qualquer movimento além do habitual reforçando apenas a sua Porta-de-entrada para o Quadrante Alpha e Beta, isto é, o Sistema da Unimatrix 12 J-25. Este lugar estava totalmente protegido, segundo ultimas estimativas da Frota Estelar, por noventa Cubos Táticos Borgs e tudo isto a menos de 7.000 anos-luz do Espaço Federativo.

Em pouquíssimo tempo o ataque final iria ser iniciado e ambos os lados iriam sentir a perda da Guerra. O Setor 001 já havia sofrido, na época, quatro ataques diretos dos Borgs, do Dominion e dos Breens, enquanto que Sea´lol, na Galáxia de Aquário, recebera consecutivos ataques dos Forasteiros.

O mais estranho era a ligação entre os Forasteiros e Borgs que a USS Bishop, antes do seu desaparecimento, havia descoberto e havia um grande segredo não desvendado que unia e desunia os Borgs dos Forasteiros, um segredo que vem permeando várias raças ao longo destes anos todos. Segredo no qual estaria na USS Bishop onde quer que ela esteja.

Saulo estava em seu gabinete lendo os últimos relatórios entregues pelos setores da nave. Tudo, pelo que parece, estava ocorrendo bem, a transferência dos prisioneiros para Tailassos IV iria ocorrer dentro do previsto. A única coisa que deixou Saulo um pouco pensativo foi o fato de Nissa ter dito, há algumas semanas atrás, que ela tivera uma espécie de Deja-vu, algo pouco peculiar e vindo de uma andróide. Mas ela não falara nada com o seu oficial superior e deixara isso para uma outra hora.

O som da porta soara suavemente.

- Entre – Disse Saulo enquanto se levantava, deixando o padd sobre a mesa e fora pedir para o sintetizador um café preto bem forte.

- Capitão – Disse o Primeiro Oficial. – Estamos a menos de 3 horas de Tailassos IV. O Comando da Frota Estelar mandou um pedido antes de chegarmos a Tailassos.

Lá vamos nós de novo.” – Pensou Saulo sorvendo, de uma só golada, o seu café e, em seguida, fizera um ahhhhhh de satisfeito. – O que eles querem?

- Pelo que parece senhor, o Comando da Frota Estelar recebeu um pedido de Tailassos IV para carregar uma amostra de minério bem peculiar que poderia servir de futuro substituto para o Dilithium. – Explicou o Primeiro Oficial.

- Só isso? Nada de explodir alguma coisa? Roubar algo ou qualquer coisa parecida? – Perguntou Saulo com um ar de cinismo que Mellory pôde sentir e, com isso, respondera com um sorriso sarcástico.

- Desta vez não Capitão. Apenas entregar e recolher.

- Menos mal... menos mal... Depois do que a Frota Estelar está mandando todo mundo fazer, não seria difícil pensar que esse novo minério pudesse explodir todo um Quadrante. – Falou Saulo pegando uma outra xícara de café e, agora, sorvia mais vagarosamente.

- Mas, para isso, já temos a nossa Molécula Omega. – Tentando mostrar o seu lado informado de “coisas estranhas” da Frota Estelar.

- Nem me fale este nome Comandante... Isto é tudo que eu não quero encontrar... jamais... – Disse Saulo se sentando em sua cadeira. – E como estão os nossos convidados?

- Tivemos que sedá-los mais de três vezes nesta viagem... estão estranhamente irrequietos desde que chegamos neste setor.

- Fazer o que? Cada louco com a sua loucura. – Disse Saulo dispensando Mellory.

(...)

- Mais uma vez... será que eles não poderiam ficar calmos? – Perguntou Antonio Carlos, o Oficial de Segurança Chefe, exasperadamente para com a médica da nave, Liv Martinez, uma jovem oficial que fora recém-colocada como Oficial Médica Chefe da USS Fear. A jovem tinha cabelos negros como o espaço que tudo permeia naquele lugar e longos tais quais as suas pernas, ela, no entanto, amarrava-os num longo rabo-de-cavalo que chegava a, pelo menos, 80 centimetros de seu pescoço, era uma espécie de “herança” cultural de família.

- Estou fazendo o meu máximo. Mas esses bichos não ficam parados. Para onde diabos estamos indo mesmo? – Perguntou ela aplicando outra dose de sedativos, já muito impaciente com a situação.

- Exatamente para o mesmo lugar que eu lhe disse quatro vezes. Para a colônia-prisão da Frota Estelar aqui na Galáxia de Aquário. Mas bem que eles poderiam ter avisado que esses troços iam ficar se debatendo... – Antes de terminar a frase um dos Eiorqs acaba por explodir jorrando sangue por toda a cela e acordando os outros dois.

- Goia maidro tovaii – Disse um.

- Goia maidro tovaii – disse o outro.

Os dois pareciam estar assustados com aquele acontecimento e continuaram a repetir as três palavras.

- Puxe do Tradutor Universal a linguagem Eiorq. – Disse Liv.

- Estou fazendo agora mesmo... – Depois de alguns segundos os dados já eram colocados nos comunicadores dos dois.

- A Perdição... A Perdição... – Era o que podia ser ouvido pelos dois que gritavam e esperneavam chorosamente.

Carlos se aproximou da cela onde estavam os dois Eiorqs cobertos de sangue branco e que se debatiam contra o escudo de contenção da mesma.

- Do que diabos vocês estão falando? – Perguntou o Oficial de Segurança.

- A Perdição... ela começou... estamos sendo julgados... – Disse um deles.

Liv estranhou, um pouco, a situação daquilo tudo e tocou o seu commbadge.

- Médica chefe pedindo parada total da nave.

- Por favor, Tenente, repita o pedido. - Era a Voz da Nissa na comunicações.

- Peço parada total da nave... um dos prisioneiros acaba de explodir, literalmente.

- Faça isso Nissa. - Era a voz do Comandante Mellory que agora soava pacificamente na comunicações. Como assim explodiu Dra?

- Estava aplicando mais sedativos nos prisioneiros e conversando por alguns segundos com o Carlos até que, de repente, um dos Eiorqs explodiu. Solicito o levantamento dos escudos para prevenir isso... – Disse a Dra.

- Não poderia ser alguma coisa dada nos sedativos Dra?

- Não senhor... eu examinei todos os dados enviados pela Frota Estelar e adeqüei tudo para a fisiologia dos Eiorqs. Acima de tudo sou uma Médica com o juramento de zelar pelas vidas sejam elas amigas ou inimigas senhor. – Disse ela um pouco irritada.

- Desculpe-me Doutora. Não queria ser rude... mas que atualmente temos que desconfiar de tudo. Irei fazer um exame espectral em toda a banda. Talvez possamos resolver esse mistério. Faça um relatório médico e me entregue às 1900 horas sim. Mellory desliga.

- E agora? – Perguntou Carlos.

- Vamos tentar acalmar os dois que sobraram e esperar que eles não virem uma pasta branca. – Disse Liv se aproximando da cela, com mais dois outros oficiais de segurança, para fazer um exame mais detalhado sobre o caso.

(...)

A engenharia estava funcionando normalmente para uma nave que estava acostumada a viajar em alta dobra.

- Dobra de Cruzeiro 9.9 – Dizia Normak, o Deltano engenheiro orgulhoso por trabalhar na nave e, principalmente, naquela engenharia. Sabia que era uma das naves mais velozes da Frota Estelar, excetuando a Classe Sovereign, Intrepid e Prometheus. Ele nem contava a Classe Bishop porque daí estavam falando de outro conceito de velocidade. – E pensar que há duas décadas atrás Dobra de cruzeiro 9.9 era quase insustentável por mais de 5 horas.

- Novos tempos... – Disse uma alferes que o ajudava na engenharia, assim como muitos outros que ali estavam. Muitos destes alferes vinham diretamente da Academia da Frota Estelar da Galáxia de Aquário e muitos deles eram das raças pertencentes ao Domo. – Que espero que continuem por muitos anos.

- Eu também torço com isso alferes... mas enquanto torçamos juntos que tal me passar os dados sobre a ultima telemetria dos filtros de antimateria que eu lhe pedi.

- É para já Senhor. – disse a dedicada alferes.

Quando ela saíra do lado do deltano o motor de dobra havia parado de funcionar para alimentar as naceles. A nave havia parado.

O que será que aconteceu?” – se indagou Nomak.

Mas ele só teria respostas mais tarde.

(...)

- Senhor... A analise espectral informa que estamos num corredor de ondas Verteronicas... as mesmas encontradas pela Bishop no Caminho de Haraqys em 2405. – Disse a Alferes Nadine ao terminar a análise do espaço onde eles se encontravam no momento.

- Bom, isto já alguma coisa. – Disse o Primeiro Oficial. – Mas o sistema de polarização não deveria nos proteger contra esse tipo de onda?

- Sim, nos protegem... mas não sabemos, ainda, como funciona a fisiologia Eiorq sob certas circunstâncias. – Disse a Dra. Martinez que já havia deixado os dois prisioneiros Eiorqs totalmente sedados na cela, Carlos estava cuidando dos dois. – É por isso que eu fiz um exame e aqui está o resultado. – Entregando um PADD para Mellory.

O Primeiro Oficial leu atentamente todo o relatório escrito pela Doutora. Deveras interessante saber ainda mais sobre a biologia dos Eiorqs, um estudo que vai servir futuramente para a Frota Estelar em Armas Bioquímicas, vendo que, como uma das características únicas desta raça, era absolver uma quantidade, mesmo que mínima, de certos tipos de radiação e acumulá-las para poder ficar mais forte.

- Mais forte? – Indagou John.

- Eu explico. – Se aproximou da Tela Central e baixara um arquivo para o computador da Ponte de Comando. – As células Eiorq têm uma organela aparentemente desnecessária e sem qualquer função. Quando comecei a jogar todo o tipo de radiação um fato interessante aconteceu. Algumas radiações deixaram a organela agitada e ativa, fazendo-a acumular, por meio de átomos de carbono bio-ativos, a energia advinda de algumas radiações. – Ela mostrou o que tinha gravado e, realmente, mostrava a organela reagir às radiações e modificar toda a célula onde ela estava em cor e estatura. – Chega um certo ponto onde a organela, e conseqüentemente a célula, não agüentam mais a carga de energia. Então ela se divide e repassa a energia coletada as outras células, deixando o Eiorq bio-energeticamente carregado.

- Muito interessante. – Disse John.

- Mas não é só isso... com essa energia “extra” os Eiorqs são usados para múltiplas funções. – Continuou Liv.

- Armas vivas... – Disse o Capitão Tarsos saindo do seu gabinete. – Assim como era antigamente feito com os nossos antepassados. Homens e mulheres davam a vida por uma causa. A Frota Estelar tinha estudado um pouco sobre os Eiorqs, isto é, aqueles que sobreviveram, mas não sabiam diagnosticar os porquês das bioconexões em seus braços e, também, porque alguns deles tinham energia o suficiente para levar uma Nave Auxiliar em Dobra 3 por 12 horas.

- Possivelmente... – Nadine também entrou na conversa – as bioconexões eram usadas para carregar algum tipo de arma ou, no caso em questão, de conservar o máximo de energia possível.

- Sim... a Frota Estelar encontrou vários corpos de Eiorqs numa nave Forasteira em 2410, todos eles interligados pelas bioconexões. Pensaram que eles eram usados como apoio computacional, já que tudo levava a crer nisso. Nunca achariam que os Eiorqs poderiam usar aquelas bioconexões para dar energia a armas... são como baterias-vivas. – Concluiu o Primeiro Oficial receoso.

O silêncio tomou conta da Ponte de Comando. Eram muitas conjurações sendo feitas naquele momento. Quantas raças os Forasteiros haviam criado somente para o seu bel prazer? Seriam eles piores que o Dominion? Era o que parecia, pois os Forasteiros tinham domínio sobre a tecnologia mecânica e biológica a tal ponto que nem os Borgs pareciam páreos a eles.

O pior de tudo é que esta era a terceira raça encontrada pela Federação na Galáxia de Aquário criada pelos Forasteiros. O mais intrigante de tudo era que todas as raças não tinham nada em comum e, também, estas se encontravam em pontos distantes e desiguais da Galáxia.

- Esses Forasteiros... não há como confiar neles... – Disse o Primeiro Oficial pensando sobre a trégua que a Frota Estelar tentou fazer com os Forasteiros em 2406, logo após o Primeiro Contato.

- Isto é verdade. – Falou o capitão. – E o que podemos fazer para proteger os Eiorqs de outras radiações e façam com que eles virem balões e explodam Dra?

- Acho que um escudo nível três e tentar desviar de nossa rota atual com essas ondas Vassalonicas o máximo possível já seria um começo. – Prescrevendo o seu “remédio” para a atual situação.

- Tenente Nissa... faça o que foi pedido pela nossa gentil doutora.

- Sim senhor. – Respondeu a Andróide.

(...)

Capítulo II

Palpitante como um coração ele podia escutar. Estava, agora, deitado ao chão, trêmulo, dócil e, praticamente, já dominado. Não sabia o que se passava ali ou se ainda estava ali. Simplesmente queria, acima de tudo, sair... sair daquele lugar, negro, negrume, vazio, intocável e insolúvel. A sua mente se esvai a cada segundo – se é que poderia contar segundos naquele lugar – e, também, sentia pequenos dedos encostarem-se a sua alma, puxando, repuxando e tirando pequenos pedaços de si.

Queria sair dali. Mas como? Estava intocável. Apenas a loucura era a sua companheira, mas por quanto tempo? Ninguém sabia. Sabiam-se? Então não lhe contaram. Tudo aquilo era inédito e antigo para ele. Deveria ter sido avisado... não faria parte daquilo, mas, agora, era tarde. Somente a companhia iria lhe trazer a luz... um dia. Uma hora. Em algum instante.

(...)

A USS Fear, agora, teve que contornar uma grande área onde continha as Ondas Verteronicas, deixando a mesma a mais de dois dias-luz em Dobra nove da área da Federação. A nave prosseguia em Dobra de Cruzeiro para não se perder mais tempo.

Os escudos estavam em nível três, como pedido pela doutora e toda a nave estava trabalhando normalmente, pois o evento para com os Eiorqs não afetaram a ordem das coisas no lugar.

Impressionante...” – Pensava consigo mesmo o Capitão. “Os Forasteiros são piores que eu imaginava." – Continuou ele, estava indo para o Bar Panorâmico para tirar esses pensamentos da cabeça. Sempre gostava de ver os seus oficiais fazendo coisas banais e, também, ele mesmo fazendo coisas banais. “Muito útil para não enlouquecer em espaço profundo.

Chegando ao Bar encontrara com a Tenente Nissa que, e olhou isto admirado, estava experimentando bebidas. Segundo o que constava na sua ficha ela tinha um sistema digestivo criado pelo, agora morto, B4 nesta nova linha de montagem de andróides, mas pouquíssimos fizeram testes deste tipo.

- Tenente Nissa... – Se aproximou vagarosamente o capitão.

- Capitão. – Disse a andróide. – Aceita um drinque?

- Não sabia que a senhorita gostava de beber. – Falou o capitão dando um meio sorriso. – Muito curioso, diga-se de passagem.

- Estou tentando, senhor, me acostumar aos tipos de bebidas que os não-sinteticos costumam beber, acho que é uma boa tentativa de ficar mais a par sobre os rituais de socialização entre vocês e é muito divertido... – Dando um bom sorriso.

- Então você está se divertindo?

- E como... essas bebidas mexem com o meu sistema neural trazendo uma certa euforia e outras coisas inexplicáveis, como, por exemplo, a falta de sensação dos meus braços.

- Eu sei como é isso. – Riu da situação.

- Mas, diferente dos humanóides, eu posso controlar o índice de álcool no meu sistema circulatório. Depois de alguns minutos já estou boa de novo.

- Isto é muito interessante e útil. Não queremos uma andróide bêbada dirigindo uma nave não é? – Falou Tarsos erguendo um copo. – Quero dar um brinde a sua aventura... mas não vá muito longe e nem beba em horários inconvenientes.

- Sim senhor... – Levantou o copo. – E agradeço pelo seu apreço.

E os dois brindaram e o liquido foi goela abaixo.

(...)

Antonio Carlos estava no seu escritório da Segurança. Estava revendo os últimos fatos para com os Eiorqs e vira repetidas vezes como explodiu o pobre Eiorq. Mas nada realmente explicava a explosão dos Eiorqs, um mistério no qual não tinha como ser resolvido na situação atual.

Era um fato muito estranho daquilo ter acontecido e, aparentemente, com os escudos levantados mais nenhum outro daqueles seres explodiu novamente. Poderia ter sido, em parte, as ondas Verteronicas, mas, também, poderia não ter sido.

- “E o que será que foi então?” – Perguntou a si mesmo repassando todos os dados para o computador ordenando-o fazer novas análises. A doutora também não tinha resposta concreta para aquilo tudo.

Ele se levantara e fora para o sintetizador pedir algo para beber. Esperou alguns segundos até que o seu pedido fosse concluído até que, ao se virar, tudo havia ficado escuro. Um breu tal qual nunca vira antes. O ar ficou rarefeito e se sentira tonto. Tentou pegar o seu phaser para se proteger de algo, mas não tinha nem forças para ficar em pé, caindo ao chão de joelhos. As suas mãos foram ao seu pescoço, não conseguia puxar o ar aos seus pulmões. Passou na sua cabeça uma única pergunta: “irei morrer assim?”.

Quanto tentou puxar, com as forças que restava, o ar ao seu redor tudo ficara claro e como um soco a luz o colocou ao chão. Respirara ofegante.

- O que diabos foi isso? – pensou consigo mesmo enquanto ainda respirava. Depois de uns segundos ouvira que a nave estava em alerta vermelho. Alguma coisa havia acontecido. Vagarosamente tocou o commbadge e tentou se comunicar com a ponte. – Ponte?

Sem qualquer resposta. Tentou novamente. As comunicações haviam caído. Aos poucos, se segurando na ponta da mesa, foi se levantando e reunindo forças foi em direção ao corredor. Quando assim o fez, uma cena que ele nunca vira antes o deixou aterrorizado. Os oficiais daquela nave estavam ao chão sufocados por alguma coisa. Uma espécie de sombra cobriam-lhes os seus corpos.

Ao tentar chegar perto fora expelido pela força que acobertava um dos oficiais. Tentou novamente e foi, mais uma vez, repelido. Não tinha nada que ele podia fazer. Então voltou a sua sala, pegou um tricorder, e veio analisar aquela coisa que envolvia o oficial, mas nenhum dado conclusivo conseguiu tirar. Foi então correndo em direção a ponte de comando, tomando um turbo-elevador.

(...)

Nissa estava voltando do bar panorâmico. Havia se despedido do capitão e fora para a Ponte de Comando. Quando pegara o turbo-elevador o alerta vermelho havia soado. Tentou se comunicar com a Ponte, mas nada, o seu commbadge havia ficado subitamente mudo. Tentara modular a freqüência, mas nenhuma delas era aceita.

Então, enquanto ia para a Ponte, uma forma negra passou próximo a ela e tentara envolver o seu corpo, mas como rejeitando ela, a forma sumira da mesma forma que aparecera. Nissa ficara sem compreender o que era aquilo.

Quando o Turbo-elevador parou, repentinamente, estava sem qualquer arma, apenas ficando de prontidão e antes que desse algum golpe um homem gritou, era Antonio Carlos.

- Calma Nissa, sou eu!!!! – Ainda segurando o phaser em sua mão.

- Carlos? O que está havendo?

- Não sei Nissa... parece que estamos sob algum tipo de ataque. Estava me dirigindo a ponte de comando...

- Então vamos.

(...)

Assim que chegaram a Ponte uma cena ainda mais aterradora. As luzes estavam apagadas, mas podiam ouvir as pessoas ofegantes tentando respirar. Apenas podiam ver a Tela Principal ligada e os consoles parcialmente brilhantes.

Nissa foi rapidamente ao console de navegação.

- Estamos parados... – Disse

- Bem... – vendo o console de operações – pelos sensores estamos no meio de uma massa espacial de formato não especificado. Ondas Verteronicas estão escorrendo por toda a nave, pelo menos é o que diz aqui.

- Mas as Ondas Verteronicas não fariam uma nave parar...

- Temos que arrumar um jeito de sair daqui... – Disse Antonio. – Seja lá o que for isso está pegando a todos na tripulação.

- Estou desviando o comando da Engenharia para cá. Espero que isso ajude. Não tenho muito conhecimento na Engenharia, mas farei o meu possível.

Antes que pudesse digitar os comandos finais, a mão de Nissa foi segura no ar. Ela não podia se mover.

Uma voz sepulcral invadiu toda a ponte de comando.

- CREIO QUE ISSO NÃO SERÁ NECESSÁRIO. – Disse a voz.

- Quem é??? – Perguntou exasperado Antonio.

Um ser usando um capuz que lhe cobria o rosto e todo o seu corpo se transportara para a ponte de comando da USS Fear. Era uma presença familiar para alguns ali presentes caso não estivessem envolvidos pelo ar negro que lhes tiravam o ar e, aos poucos, a vida.

Pegara a mão de Nissa e a levantara até ficar na ponta de seus pés. Analisou-a de uma ponta a outra.

- Fantástico espécime você é, ser artificial. – Comentou o ser. – Assim como os seus antepassados. – Concluiu.

- O que você quer? – Perguntou Antonio apontando-lhe um phaser.

O ser ainda prestava atenção em Nissa e desprezava Antonio Carlos como se ele não existisse ali.

- O quanto não aprenderíamos da sua espécie se dissecássemos você agora... – Continuou a falar. – Pena que as coisas não são assim... esse momento é bem importante... não sabíamos que essa arma iria funcionar.

- Arma?? – Perguntou Nissa.

- Uma das muitas deixadas pelos Antigos. Uma herança maldita que me fez passar os últimos 30.000 anos preso aqui esperando novas vitimas. O que os seus amigos tem são ressonâncias do meu pensamento, pois, agora, eu controlo esse lugar. Com o tempo os seus pensamentos serão meus e o meu império irá aumentar.

- Você ficou 30.000 anos aqui? Por que?

- Porque sabíamos, cara andróide, que vocês chegariam aqui e precisaríamos de um voluntário para domesticar a fera que é essa arma. 30.000 anos de solidão, devorando almas e destruindo corações. E, agora, sabemos que essa arma é bastante eficaz para com o seu biótipo, menos contra os andróides.

Um tiro de phaser veio da direção de Antonio Carlos, fora refletido com uma espécie de escudo natural do ser.

- Ainda imagino porque você ainda não foi “assimilado” pela arma. Espere... você é um de nós. – Disse o ser. – Então aqueles com os nanoprobes também não são afetados??

Com força o bastante, Nissa segurou o braço daquele que o segurava e apertou com força o bastante até fazê-lo soltar.

- Carlos, coloque o phaser da dispersão máxima.

Assim o fez e atirou contra o ser a frente dos dois. O feixe de phaser estava sendo contido pelo escudo do ser. E ele, em seguida, sumira.

- O que você fez? – Perguntou Carlos.

- O transportei para dentro do Núcleo de Dobra. Ele pode agüentar o phaser, mas não uma força equivalente a um sol.

E como já estivesse escrito a energia contida num núcleo de dobra não se equiparava a de um phaser e, assim, o ser que tinha muito a contar, fora “comido” pelo reator de matéria-antimatéria.

Todo o espaço escuro ao redor da nave foi se dissipando aos poucos, assim como as sombras que rodeavam os corpos dos oficiais. Na Tela Principal, um objeto um pouco maior que uma nave auxiliar aparecera à frente da USS Fear. E, em seguida, desaparecera, indo em transição para o subespaço.

Aos poucos os oficiais que estavam deitados ao chão foram acordando.

- Senhorita Nissa? Carlos, o que houve? – Perguntou o Primeiro Oficial enquanto estava sendo levantado pela Andróide.

- A sombra caiu sobre nós senhor. – Respondeu Carlos que sentira um calafrio ao pensar em quais outras armas os Forasteiros tinham em mãos.

Fim do episódio.

Daniel Gomes é criador e responsável pelo Pbem "Play By E-mail", onde são desenvolvidas as histórias da USS Bishop. Visite a página da USS Bishop. STAR TREK UNLIMITED

****

Todas as obras têm autorização para publicação neste site e são responsabilidade de seus autores. A cópia de qualquer conto para uso público ou para fins econômicos e financeiros sem autorização do autor é EXPRESSAMENTE PROIBIDA! Qualquer dúvida entre em contato com o autor da obra ou com o Scriptonauta, através de nosso e-mail.


Todos os direitos reservados para Scriptonauta e Sekmet Tecnologia de Informação.