Roberto Kiss nos brinda com um excelente "Crossover",
que gira em torno de dois universos ficcionais de grande sucesso, Jornada nas Estrelas - "Star Trek"
e Guerra nas Estrelas - "Star Wars". Ele mescla com genialidade os personagens
destas duas sagas, utilizando para isso seu toque pessoal. Nesta aventura o personagem que chama mais
atenção é Jevlack, que posteriormente participa de outras aventuras do mesmo autor,
além de fascinante ele incorpora todas as qualidades de um líder carismático.
Em um dia comum para a Frota Estelar, onde
algumas das naves estão sendo usadas para o treinamento de Cadetes e Oficiais recém engajados, algo
fora do comum acontece além do Sistema Solar. Uma estranha anomalia espacial surge sem explicação e
desaparece trazendo o presságio do perigo e da ameaça do "Lado Negro". Estes fatos desencadeiam
uma corrente de acontecimentos inesperados que são mais do que a Capitã Lisa Donner e o impetuoso Jevlack
esperavam em suas rotinas de comando.
"Diário de bordo, data estelar 3445.225, A nave estelar
Starfleet iniciou sua missão rumo a Omicron IV, e nós, como sua escolta, a estamos seguindo, mantendo
uma distância grande o suficiente para que possam manobrar sem terem que se incomodarem conosco, e
pequena o bastante para que possamos dar suporte em qualquer eventualidade. Confesso que vendo-a manobrar
ainda dentro do sistema Solar, em que devido ao grande tráfego de naves não podemos ultrapassar a dobra
um, acredito que esta seja a melhor turma de cadetes que a academia já formou, e que talvez esta não
venha a ser uma missão tão enfadonha, como tinha pensado antes. As aproximações que fazem dos planetas
que estamos deixando para trás, fornecem belas visões dos mesmos"
Enfim Trek Wars, é um exemplo de qualidade,
fluidez, senso de humor e belíssimas imagens, algumas criadas pelo autor e outras por seus colaboradores.
Leia sobre os agradecimentos e colaboradores nos itens: "Copyright" e
Nota Final do Autor. Para acompanhar esta obra,
sugerimos que antes você leia o prefácio e a
lista de personagens.
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Personagens nesta aventura.
- Anderson - Auxiliar de Engenharia da Thunderbold.
- Carlos - Tenente da USS Starfleet.
- Dewing - Tenente sob comando de Lisa Donner.
- Diana - Alferes no Comando das Armas da USS Starfleet.
- Dilow - Alferes graduado da USS Starfleet.
- Doller - Oficial de Ciências.
- Ferreson - Chefe-Enfermeiro da USS Thunderbold.
- Heim Stolh - Almirante.
- Jeena - Chefe-Engenheira da USS Starfleet.
- Jevlack - Capitão da USS Thunderbold.
- Lamark - Alferes Comunicações da USS Starfleet.
- Lilandra - Alferes nos transportes da USS Thunderbold.
- Lisa Donner - Capitã da USS Starfleet.
- Mateus - Alferes de Ciências da USS Starfleet.
- Matias - Primeiro-Oficial da USS Starfleet.
- Nilles - Piloto da USS Starfleet.
- Oshiro - Sub-Comandante da USS Thunderbold.
- Sander - Chefe de Transportes da USS Thunderbold.
- Terak - Oficial de Ciências da USS Thunderbold.
- Tirvik - Primeira Oficial sob comando de Jevlack.
- Darth Vader - Comandante em Chefe do Império.
- General do Império. - Acompanhante de Lauriel.
- Karakyr - General Rebelde.
- Lauriel - Comandante sob a bandeira dos Rebeldes.
- Mejev - General da Interditor Cabriam do Império.
- Quatronni - Comandante a serviço de Darth Vader.
- Rinander - Tenente da Exceler nave Rebelde.
- Siy - General.
- Safrã - Estrategista dos Rebeldes.
- Soer - Comandante e patrulheiro na Assalt Gunboard.
- Sornim - General da Exceler.
Prefácio
Algum tempo atrás, diga-se anos, havia uma inimizade forte entre fãs de Star Trek e Star Wars. Muitos comparavam os dois universos, tentando puxar o status de melhor para o seu lado.
Bom, gosto dos dois mundos, mas uma coisa que ambos os lados devem entender é o seguinte: ELAS NÃO PODEM SER COMPARADAS NO AMBITO DE MELHOR OU PIOR! Star Trek tem como tema base a exploração do espaço pela raça humana, Star Wars mostra uma grande aventura, batalha, no espaço. George Lucas já disse no começo "Há muito tempo atras em uma galáxia muito, muito distante..." Isso, por si só devia coibir as comparações depreciativas deste tipo.
Já faz um bom tempo que não vejo nada ligado as comparações do passado, os fãs de Star Wars, inclusive, parece que tem um universo mais coerente com as limitações tecnológicas impostas por George Lucas, do que os Trekkers, com algumas besteiras da Paramount, por isso, tomei coragem para finalmente mostrar este texto que fiz há um bom tempo, logo depois de a Fúria de Khan, em que comparo as tecnologias, não as trilogias, entre os dois universos, para mostrar, para o lado Star Wars, como funcionam as naves da federação, porque são solitárias, e do lado Star Trek, porque existem certas coisas "estranhas", como geradores de escudos do lado de fora das naves ou como a estrela do morte poderia se movimentar pelo espaço sem motores visíveis.
IMPORTANTE: Para ambos os universos, todas as comparações são NÃO CANÔNICAS, qualquer respaldo nas comunidades correspondentes será pura coincidência. O texto objetiva permitir uma fusão entre os dois mundos, especialmente porque escrevi uma aventura pessoal em que duas naves da Federação acabavam parando no universo e tempo em que ocorreram as aventuras de Star Wars. Como ambos os lados iriam me crucificar, deixei isso arquivado no meu velho XT até que, quando decidi dá-lo de presente aos meus sobrinhos dei um save nos dados que me interessavam. O texto a seguir é o prefácio da historia.
O Objetivo deste não é comparar as Trilogias Star Trek e Star Wars, mas sim permitir um crossover entre eles.
Primeiro coisa: Os fãs de Star Wars que me perdoem, mas em termos puramente técnicos, deixando o romantismo e aventura de lado, a tecnologia apresentada em Star Trek é superior a mostrada em todos os filmes de Star Wars que foram ao cinema, basicamente Teleportes, Sintetizadores, Campos de Dobra, Holodecks, e, principalmente a fonte de energia matéria/anti-matéria, que torna todos os outros possíveis. Entretanto, a eficácia da tecnologia em Star Wars me parece ser maior, afinal, um mero a-wing com quinze metros de comprimento tem seus próprios escudos e pode viajar no hiperspaço, bendito hiperdrive.
Segunda coisa: Boa parte das comparações são feitas com base nos jogos da Lucas Arts e Episódios de Star Trek.
Em Star Trek não temos naves pequenas, caças para combate, por isso vamos ver as diferenças e equivalências das naves maiores.
Objetivos da construção das naves.
As naves de Star Trek tem como objetivo primário a exploração do espaço, e, como secundário de defesa e patrulhamento do território da Federação.
Em Star Wars, as naves são, primeiro, muito maiores, um destróier imperial é 5.5 vezes maior que a Enterprise. São usadas para transportar tropas, armamentos e mercadorias. No jogo x-wing, temos uma nave de transporte de carga com quase a metade de um Nebulon-b,algo como 230 metros, a Enterprise tem, pelo que me lembro de ter lido em algum lugar, uns 300 metros. São equivalentes a porta-aviões e super petroleiros dos tempos atuais.
Outro motivo para as naves serem grandes, é para carregar suprimentos para a tripulação, pois ainda não foram concebidos os sintetizadores, nem os seus semelhantes, os teleportes.
Defesa das naves
Em Star Trek, as defesas da Enterprise são baseadas em escudos, ou seja, campos de força poderosos, que rodeiam a nave com um formato de bolha.
Em Star Wars, também existem os campos de força, mas, observando o jogo x-wing, e nos filmes do cinema, creio que estes campos seguem o contorno da nave, funcionando quase que como um espécie de "pele". Ou, como vi mais recentemente em Star Trek, também devem funcionar como campos de integridade das estruturas destas naves.
Ataque
Em Star Trek, temos apenas torpedos fotônicos e Phasers como armamento, sendo que os torpedos fotônicos são feitos de matéria e anti-matéria, então porque o nome fóton que vem de particulas de luz?. São potentíssimos e, numa comparação seriam cerca de 100 vezes mais destrutivos que um torpedo próton de Star Wars, claro que diminuí esta proporção, senão não tem estória. Os Phasers são feixes de energia coerentes que tem a velocidade da luz, com potência equivalente a dos torpedos. Podem ser usados de longa distância, mais de 40 mil quilômetros.
Em Star Wars temos os turbolasers das naves, mísseis de concussão, torpedos próton, mísseis de concussão avançados, torpedos prótons avançados, torpedos "pesados" e um pouco mais. Além dos caças da aliança rebelde e dos ties do Império.
Observando o universo Star Wars agora, descobri que existem estações espaciais com turbolasers maiores e, por conseguinte bem mais poderosos, as naves classe Victory, de Star Wars, tem dois destes que devem disparar com muito mais potência que as que vi nos jogos. Vamos estipular que tenham dois terços da força de um disrruptor romulano.
Velocidade
Agora sim vem a parte difícil de conciliar, em Star Trek, as naves viajam em "campos de dobra", podendo inclusive modificar a extensão deste ao redor da nave, e manobrar no hiperespaço. O Conceito de "dobra" 1, 2, 3... Em que a dobra seguinte é uma progressão geométrica da anterior não possui paralelo em Star Wars.
Em Star Wars, sem exceção, todas as naves podem atingir a velocidade da luz, grandes ou pequenas, graças a um dispositivo chamado Hiperdrive. Aparentemente este dispositivo permite que seja gerado um "campo de dobra" inicial para lançar a nave no hiperspaço, mas, uma vez neste, a nave não pode mais ser manobrada. Dependendo da posição do destino, não se pode fazer o salto de uma vez só, pois existe o risco de colidir com alguma estrela ou planeta que esteja no meio do caminho. As naves também não podem ser monitoradas no Hiperspaço. Uma outra analogia seria a de que o hiperdrive cria algo como uma "fenda espacial" específica para um ponto de destino, o que foi chamado de velocidade da luz. Seja como for, para efeito da estória que virá a seguir, a "velocidade da luz" de Star Wars eqüivale a dobra 3 de Star Trek, e, na própria historia será tentado explicar como isso funcionaria.
Capacidade de Manobras
Apesar da Paramount insistir em vira e mexe mover as naves de Star Trek de forma lenta, elas na verdade tem velocidade máxima de impulso pouco menor que um y-wing de Star Wars, coisa de uns 600 Km/Hora, obtidos cronometrando no jogo x-wing, e comparando com Star Trek motion quando a nave passeava por sobre V'ger.
As naves gigantes de Star Wars, a não ser quando no hiperspaço, são lentas em torno de 90 Km.
O motivo das naves da Federação andarem solitárias pelo espaço foi retirado, considerei a explicação do . Daniel Takasugi bem melhor que a minha.
Robôs & Droides.
Agora é a vez de Star Trek ficar em desvantagem... COMO DIABOS NÃO EXISTEM ROBOS NESTE UNIVERSO? Na nova geração, fomos finalmente agraciados com a presença de Data, mas é só...
Em Star Wars, robôs é que não faltam, tem até um mouse droid que age ito uma barata. Em compensação, em Star Trek temos o holodeck, onde podemos criar todos os robôs que quisermos... Sem contar com certas fantasias...
Bom, agora, o que aconteceria em um confronto TREK-WAR? Considerando o tipo de armamento de cada lado, a vantagem seria do lado Trek, mas este mesmo lado tem algo chamado Diretriz Primeira, além do que o Império tem muito mais naves que a Frota Estelar. Isso sem contar com um tipo de nave chamada Interditor, que incapacita os hiperdrives, impedindo que as naves possam fugir. Como isso afetaria os motores de dobra?
OBS: Claro que a Enterprise não pode resistir a Estrela da Morte! Mas, se tivesse tempo, abriria um buraco até o seu reator principal e a destruiria! Juntamente com ela.
As naves da historia são USS Thunderbold, Classe Excelsior e USS Starfleet, Classe Constitution Reformada, uma nave de patrulha e uma nave de treinamento, respectivamente. Tem mais uma, mas é segredo.
Do Lado de Star Wars, não temos a Milenium Falcon e a Estrela da Morte, mas haverá referências sutis as mesmas.
Com exceção de Darth Vader, nenhum personagem é conhecido. Acho que não sou capaz de respeitar a personalidade deles que já ficou consagrada entre os fãs, por isso, todos os personagens, de ambos os mundos, são inéditos, de forma que posso ter toda a liberdade para escrever como eu quero.
Pouca coisa será dita sobre os dróides de Star Wars. Meu interesse são as pessoas, e como não vai haver nenhum R2-D2, apenas unidades R2 comuns, e C3-PO, seria hipocrisia tentar criar novos droides que agradassem aos fãs da trilogia. Mas tentarei faze-los aprontar alguma coisa com o pessoal da Federação.
Agora, depois de postas as equivalências de ambos os mundos, vamos para a história.
****
Capítulo I
"Diário de Bordo, data estelar 3442.0, a nave estelar
Starfleet aproxima-se do maior planeta deste sistema, o qual estamos encarregados de fazer sua completa
análise e catalogação. O gigantesco planeta é gasoso, e tem uma peculiar formação atmosférica: uma
tormenta cujas dimensões ultrapassam a do nosso próprio planeta de origem, a Terra".
A "Capitã" Lisa Donner faz assim o seu primeiro
registro no diário de bordo de uma nave estelar. Olha sutilmente para a sua esquerda para observar o
verdadeiro comandante da nave, o Almirante Heim Stolh, esperando encontrar em suas feições qualquer
indicativo se o registro foi satisfatório ou não. Mas este apenas observa a tela, aparentemente encantado
em novamente - quantas vezes ele já esteve supervisionando os cadetes aqui? - ver um dos belos planetas
do sistema solar, Júpiter.
Lisa ainda se lembrava da primeira vez em que tinha visto o
planeta, em uma viagem de turismo quando tinha doze anos - ficara encantada! Foi quando havia posto na
cabeça que iria “incursar” na Frota Estelar e comandar sua própria nave, viajando pela galáxia.
- Senhor Doller, inicie as análises do planeta - comandou ao
Oficial de Ciências.
Entrara na Frota aos dezessete anos, aos dezenove estava no
mesmo planeta em que se encontra agora, se bem que no posto de navegadora, novamente apreciando uma bela
vista deste e de sua famosa tormenta, que era atração turística desde o início do século XXII. Após
formada, serviu por oito anos na USS Seler, na qual evoluiu até ser "Primeira" - como insistia
dizer - Oficial, tendo em algumas ocasiões, assumido o comando da nave quando o Capitão saia em suas
freqüentes missões de diplomacia. Belo comando, ficar de traseiro chato esperando o Capitão voltar e mais
nada para fazer...
- Capitã, existem partículas na atmosfera do planeta que são
estranhas a sua composição - informara Doller, aparentando perplexidade - considerando a quantidade de
partículas, não creio que possam ter vindo de uma "esteira de cometa". Suponho que possa se
tratar de restos de uma colisão de um grande meteoro. Considerando a pressão atmosférica e gravidade, não
acredito que seja possível encontrar nenhum vestígio de onde pode ter sido o impacto, isto, se ele tinha
dimensões suficientes para atingir a superfície antes de virar pó.
- Foi o cometa Shumacher-Levi - disse o Almirante - atingiu
Júpiter no final do século XX. Parabéns! O senhor foi o primeiro a formar tal teoria para explicar a
presença destas partículas como primeira opção.
Era raro o Almirante fazer tal elogio - isso quando o fazia -
Doller ficou com um sorriso bobo e o rosto corado.
- Prossiga com a sondagem senhor Doller, pode pagar bebidas
para todos depois, para comemorar - disse a "Capitã" percebendo que Doller agora fazia parte do
seleto clube de oito, opa! Agora são nove, pessoas que receberam um elogio do Almirante em uma missão de
treinamento. Incluindo ela própria.
Lisa fora indicada para o seu próprio comando, mas, devido a
sua idade vinte e sete anos e pouca experiência, a Frota decidiu que ela deveria fazer um curso de reciclagem,
comandando uma das suas naves de treinamento para cadetes mais avançados. Júpiter era apenas o aperitivo,
assim que uma nova nave de escolta fosse selecionada - a USS Denver apresentou problemas nos motores e
estava nas docas - eles partiriam para um setor recém mapeado, o mapeariam novamente, e ambas as análises
seriam comparadas para aferir a eficiência da tripulação. Como estariam em área pouco explorada, a escolta
era essencial e obrigatória.
No painel da navegadora, uma luz vermelha piscou por menos de
um segundo, chamando a atenção desta. Olhando para o painel ela não viu mais nada. Fez uma checagem de
nível três e nada apareceu. A Capitã percebeu.
- Senhora Nille, algum problema?
- Não sei Capitã, percebi um aviso de anomalia, mas foi tão
rápido que não pude ver qual seria. Estava fazendo uma checagem para tentar descobrir o que houve.
A Capitã pensou por alguns instantes.
- Computador, algum sinal foi apresentado no painel do navegador?
"Ocorreu um comando incorreto da mistura de matéria e anti-matéria
na câmara de cristais de dilítio, o erro foi automaticamente corrigido pelos programas gerenciadores"
- informou a voz feminina dos computadores.
- Engenharia! - Chamou a Capitã, demonstrando um certo desgosto
pelo ocorrido.
- Sim Capitã?
- Parece que um dos seus alunos descansou a mão indevidamente
sobre os painéis de controle da câmara de fusão, poderia por favor pedir mais atenção do mesmo?
- Era o que eu estava fazendo agora. Eu esperava que não
tivessem notado.
- Infelizmente para vocês, o pessoal da ponte está levando
esta missão de treinamento mais a sério, é tudo.
- Muito bom Capitã - disse o almirante desviando a atenção de
Júpiter - eu não sei porque consideraram que o seu período na Seler não forneceu experiência suficiente.
- Almirante! - Lisa ficou ligeiramente corada - quantos alunos
seus receberam dois elogios?
- Você é a segunda!
- Segunda? - Surpresa para todos na ponte - QUEM FOI O
PRIMEIRO?
- Jevlack! Ambos na mesma missão de treinamento. Aliás, ele é
o Capitão da nave que será nossa escolta amanhã. - ele mostrou a prancheta que sempre levava a tiracolo
nas missões de treinamento para suas anotações - A Frota me informou há cinco minutos.
- Seria incômodo as senhoras e senhores voltarem aos seus
afazeres? - perguntou a Capitã aos tripulantes da ponte, que ainda olhavam para ambos - Estamos aqui a
serviço!
Duas naves na mesma missão cujos Capitães receberam dois
elogios em vida do Almirante Stolh, isso sim era um evento inédito!
Desta vez, sem ninguém perceber, a mesma luz voltou a piscar,
pelo mesmo período de tempo.
"Diário pessoal do Capitão, data estelar 3368.10, depois
de encerrada nossa patrulha de seis meses na fronteira entre Federação e o Império Klingon, estamos
apenas aguardando a chegada da USS Nova, que irá nos render. Nossa próxima tarefa, como acabei de saber,
será escoltar a USS Starfleet em sua missão de treinamento externo. Pessoalmente considero essa missão
muito mais enfadonha que a última. Mas tem que existir um idiota para faze-lo!"
Jevlack pensou um pouco sobre o diário que fizera...
- Computador! Retire a afirmação final e substitua por
"Mas EU fui o idiota escolhido para faze-lo".
"Alteração efetuada"
Ótimo! - pensou - a frota pode não gostar de meus comentários,
mas são a pura verdade!
- Porque não muda para Nós fomos os idiotas escolhidos?
O Capitão Jevlack olhou para a sua Primeira Oficial - com
quem flertava nas raras ocasiões em que era possível, alias, esta era uma delas - e sorriu levemente.
- Tirvik, confesso ainda que não estou acostumado a uma
vulcana, ainda que mestiça, a demonstrar senso de humor.
- Com todas as coisas que nós - disse abraçando-o fortemente,
fazendo uso de sua força herdada da mãe - já fizemos, você só não está costumado com isso?
Usando sua própria força cibernética, ele também a apertou
firmemente.
- Ambos temos heranças de Vulcano, só que a minha é mais
forte - apertou com grande força - e aquilo foi um comentário de ocasião.
- Não há nada que me obrigue a seguir a filosofia vulcana,
afinal, sou geneticamente 62.221% humana e criada na terra desde que minha mãe morreu. Sorte sua!
Porque vulcanos gostam tanto de precisão?
"- Capitão, a USS Nova chegou" soou a voz do navegador,
que ficara no comando, pelo intercomunicador.
- Estamos a caminho - respondeu.
Jevlack deu um beijo carinhoso na testa de Tirvik e ambos
foram para a ponte. Considerando a missão que tinham agora pela frente, talvez não tivessem que esperar
outras três semanas para um momento íntimo como o último...
Assumindo o seu assento, fez uma saudação ao comandante da
Nova, que ainda tentou - inutilmente - anima-lo com um "depois vocês terão duas semanas de férias",
Jevlack ordenou a volta a terra em dobra máxima. Era melhor acabar com o "incidente" o mais cedo
possível.
- Tirvik, quais as características da Starfleet?
- A USS Monitor serviu a Frota por mais de 42 anos. Assim como
todas as naves da classe Constitution, foi reformulada e, após mais um período de dez anos, foi designada
para nave de treinamento e rebatizada como USS Starfleet, aparentemente por motivos políticos. Seus
sistemas duotrônicos foram substituídos assim como a de todas as naves da frota pelos atuais chips
isolineares, mas seus motores de dobra não foram atualizados, e, por questões de segurança, não pode
ultrapassar a dobra 5.
Dobra 5?
- Onde será feito o treinamento? - Perguntou dirigindo-se ao
navegador.
- Em Omicron IV, o último sistema do setor a ser mapeado -
respondeu após uma rápida consulta em seu terminal.
- 3.49 semanas em dobra 5, a partir da Terra - completou a primeira oficial Tirvik.
O Capitão Jevlack recostou-se em sua poltrona e suspirou muito
fundo. O resto da tripulação da ponte o invejava porque não se atreviam a fazer o mesmo.
- Navegador, reduza para dobra 6 pela próxima meia hora, Tirvik...
- Uma batida de coco saindo...
- Obrigado.
Vai ser uma looonga viagem...
****
A Capitã Donner acordou com o despertador - na verdade, o
despertador teve de acordar ela - ainda sonolenta viu-se no espelho. Olhos vermelhos e o cansaço evidente
eram a mostra da tarefa enfadonha de ontem, de ouvir os relatórios sobre a analise da atmosfera, das amostras
de minerais estudadas no laboratório, classificação e documentação total do planeta e, com a sua assinatura,
o encerramento da primeira missão na qual ela comandava uma nave.
Claro que para os outros tripulantes a tarefa até tinha sido
prazerosa, era a primeira vez em que faziam isso fora dos simuladores da academia, mas ela já tinha
acompanhado o mesmo diversas vezes na Seler, e analisar pela segunda vez um planeta no quintal de casa
era bem chato, diga-se a verdade.
Soou o sinal indicando que alguém pedia permissão para entrar.
- Um momento - disse enquanto se ajeitava para ficar mais apresentável.
- Pode entrar.
- Bom dia Capitã - disse o almirante chegando.
- Bom dia! Espero que tenha tido uma noite melhor que a minha.
- Com o tempo, aprende-se a suportar tarefas não muito apreciativas.
Bom - entregou-lhe um disco - estas são as ordens da Frota, a senhorita, como Capitã deve recebê-las.
Era uma espécie de encenação, afinal ela já sabia quais seriam
as ordens, só não conhecia o destino ainda.
- A Thunderbold chegará em algumas horas, como ela será a nossa
escolta, cabe a você, como comandante da missão, determinar os parâmetros que ela deve seguir.
Lisa olhou assustada para o almirante. Cabia a ela?
- Ora Capitã - o Almirante entendeu a surpresa dela - apesar
de, na prática, eles nos mandarem sair correndo em caso de emergência e ficarem para cobrir a nossa fuga,
é a senhorita que deve dar as ordens ao Capitão da Thunderbold sobre a que distância ele ficará de nós,
se deve patrulhar a área ou simplesmente observar o nosso trabalho. Claro que Jevlack virá a bordo para
discutir esse assunto, bem como oferecerá sugestões. Nossa partida está agendada para as dezesseis horas.
Eles devem chegar por volta das quatorze. Falando nisso, não se esqueça que o ponto de encontro é em
órbita da Terra.
Dirigiu-se a porta, mas antes, acrescentou:
- A senhorita é a Capitã, eu e os outros Oficiais professores
ficaremos apenas observando e só iremos intervir em caso de necessidade. Para todos os efeitos a nave
está nas mãos de vocês.
O Almirante saiu dos aposentos deixando a Capitã com o coração
acelerado. Logo depois, ela balançou a cabeça para espantar de vez o sono e acionou seu comunicador.
- Tenente Dewing?
"- Sim Capitã?"
- Reúna os oficiais na sala de reuniões em uma hora, vamos discutir a nossa missão.
"- Sim senhora"
Vamos ver estas ordens. Pensou acionando o seu monitor e inserindo
o disco.
"Diário de bordo, data estelar 3369.210, a Thunderbold chegou ao
local do encontro com a USS Starfleet três horas mais cedo que o previsto. Como a tarefa que temos diante
de nós é altamente rotineira e sujeita a varias situações monótonas, permiti que toda a tripulação - com
exceção dos altos oficiais - pudesse descer a terra em turnos e relaxar um pouco. Confesso que, ao saber
que a Capitã da nave é a tenente Comandante Donner, fiquei mais tranqüilo, pois já ouvi falar muito bem
dela pelo seu último Oficial Comandante."
Jevlack e os altos Oficiais da nave estavam na sala de reuniões,
discutindo - talvez seja melhor dizer jogando conversa fora - sobre a missão de escolta.
- Bem meus caros - dizia Jevlack - todos nós já estivemos do
outro lado desta história, por isso, vamos agir como se fosse uma missão conjunta normal. Aqueles cadetes
estão empolgados e todos sabemos que esta é, sem dúvida, a parte do treinamento mais bem vinda da academia.
- Capitão - replicou o tenente comandante Oshiro - há de
convir conosco que ficar três semanas e meia nos arrastando ao lado de uma nave cheia de calouros não é
uma algo muito apreciável.
- Depois que a missão terminar - interveio Tirvik - nós iremos
continuar com a exploração do setor. Além disso, nossa missão secundária e fazer um levantamento mais
detalhado dos seis planetas classe M mapeados em Omicron IV.
- Sim - conformou-se Oshiro - vamos ter algo para nos ocupar,
quando estivermos lá. Não podemos usar o raio trator para puxá-los e ir na dobra máxima?
Jevlack apenas sorriu como que para se consolar.
- Oshiro, se esta fosse uma reunião formal eu te daria um sermão agora!
- Desculpe-me senhor.
- Além disso, esta manhã, o almirante já me disse que não.
Oshiro olhou para o seu Capitão, espantado, Tirvik apenas riu, divertida. Os outros oficiais disfarçaram
como puderam.
- Tirvik, afinal que raios de "motivos de segurança"
foram esses que impedem que eles atinjam mais que a dobra cinco? - perguntou o tenente Ícaro.
- Há quatro meses, a nave de treinamento Hangler por pouco não
invadiu a zona neutra por erro de navegação. Estava em dobra sete e sua escolta teve muitas dificuldades
para posicionar-se e acionar o raio trator para detê-la.
- Erro de navegação? - Perguntou Oshiro não acreditando.
- Esta foi a explicação oficial. Pessoalmente creio que o
Capitão da nave respondeu a um sinal de socorro captado e, o navegador, não atentou para o fato que a
rota traçada violaria a zona neutra.
- Jeena, aproveite o tempo que nos resta antes do encontro, e verifique o nosso raio de tração - ordenou o Capitão a Chefe de Engenharia.
- Sim senhor.
- Senhora Nille, posicione-nos ao lado da Thunderbold.
- Sim Capitã.
A Starfleet movimentou-se - muito rápido, na opinião dos
tripulantes da Thunderbold - para o lado de sua nave escolta.
- Abra um canal para a Thunderbold.
- Boa tarde, Capitão - disse Lisa, assim que Jevlack apareceu
na tela - sei que não deve estar muito animado com a situação, mas prometo que tentaremos nos comportar
como "gente grande"
- Olá Capitã, Almirante, obrigado pela sua preocupação, mas
pelo que o Comodoro Brand me disse, não creio que terei nenhum problema.
- Conheceu meu Comandante? - Lisa estava surpresa, ainda mais
que Brand falara bem a seu respeito.
- Nos encontramos há uns dois anos, em Rigel II, numa
conferencia de novas tecnologias. Foi quando me disse que você seria promovida a Primeira Oficial.
- Gostaria de vir a bordo, para discutirmos a missão? - Lisa
achou seu convite um pouco destoado dentro do rumo da conversa, mas, como Capitã, tinha uma missão a
cumprir - e trinta minutos para começa-la.
- Com prazer - Respondeu o Capitão Jevlack sorrindo.
- Almirante?
- Falarei com Jevlack mais tarde, quando estivermos em curso. Pode ir recepciona-lo.
- Obrigada - Lisa dirigiu-se a sala de transporte.
Por uma questão de cortesia - e para tranqüilizar os tripulantes
da outra nave - o transportes dos visitantes foram controlados apenas pela Thunderbold, o encarregado de
transporte Sander, da Starfleet, ao invés de se sentir ofendido, ficou aliviado. Mesmo com todos os
sistemas de segurança, ele estava nervoso para faze-lo.
- Capitã - disse Jevlack assim que o teleporte terminara -
permissão para a vir a bordo.
- Concedida, Capitão, este - referindo-se a pessoa ao seu
lado - é o meu primeiro oficial Matias.
- Prazer em conhece-lo, e encantado em vê-la pessoalmente.
- Fico agradecida - Lisa ficou levemente corada.
- Desculpe-me, não pretendia embaraça-la, é que agir de
forma galante era muito comum para mim no século XXI.
-Século XXI?
- Hum - Jevlack percebeu a estranheza de todos na sala - vejo que não conhecem a minha história. Pergunte ao almirante depois, Capitã. Devemos partir em vinte minutos e a história levará mais que esse tempo.
- Certo, então vamos para a sala de reuniões. Se tiver a bondade de me seguir...
- O prazer será meu - disse Jevlack, esperando que o almirante não comentasse nada a ela sobre a preferência nacional dos brasileiros que, infelizmente nas décadas em que ele estivera "fora de circulação", ficaram muito menos acentuadas.
O cadete de primeira classe Greyson ainda estava muito sentido com a bronca que levara do engenheiro chefe no dia anterior. Estava flertando com uma bela moça que supervisionava o painel de controle de fusão matéria / anti-matéria quando pôs sua mão espalmada diretamente no painel. Se os sistemas gerenciadores não tivessem corrigido o erro imediatamente, a nave com certeza teria se despedaçado com o campo de dobra assíncrono que teria se formado. Mas ainda não estava tranqüilo. Não porque sua ficha ficaria com esta mácula para sempre, mas sim porque, segundo os registros do computador, os sistemas gerenciadores atuaram mais oito vezes para efetuar a mesma correção, sem nenhum motivo aparente, exceto que era necessário.
Pensou em comunicar ao engenheiro chefe, mas estava com medo de levar outro sermão sobre aqui não é praça pública para flertes.
- Computador, checagem de nível um em todos os sistemas relacionados ao controle da câmara de fusão.
Uma checagem nível dois nada revelara.
"A checagem completa nos sistemas indicados irá demorar dezoito horas"
- Execute - pediu. Se nada aparecesse iria comunicar ao engenheiro.
- Curioso - disse em voz alta o oficial de ciências Terak, da Thunderbold - Comandante, nas últimas três horas registrei por duas vezes uma estranha flutuação em nossos geradores de fusão ao mesmo tempo em que isso ocorria na Starfleet. Não há nenhuma falha em nossos geradores, portanto parece que eles estão refletindo as flutuações vindas da nave de treinamento, como se estivessem em ressonância. - Olhou para Tirvik esperando sua decisão.
Sentada na cadeira de comando, Tirvik ponderava sobre a notícia.
- Esta flutuação afetaria nossa missão de alguma forma?
- Não. É insignificante dentro do campo de dobra e desprezível como conseqüência. Mas não poderia fazer nossos reatores reagirem desta forma.
- Não temos tempo para determinar as causas agora, uma vez que partiremos em alguns minutos. Porém, assim que possível entre em contato com o engenheiro chefe da Starfleet, e descubra o que esta causando esta flutuação.
- Sim comandante.
A Starfleet tem programas gerenciadores para evitar que os cadetes, inexperientes, cometam erros perigosos. Só espero que não surja algum imbecil engenhoso capaz de burlar estes programas.
- O.k. Capitã, ficaremos a distância seguindo vocês, e, uma vez lá nos manteremos afastados a no máximo trinta segundos em dobra máxima, para o caso de qualquer inconveniente que possa ocorrer.
Dessa forma, Jevlack encerrava a rápida reunião. Rapidamente chegaram a sala de transporte, e, para surpresa de todos, ele pediu para que Sander efetuasse o transporte. Sander ficara nervoso, mas se recusasse poderia ofender o Capitão.
- É só fazer como sempre. Pode até fechar os olhos. Pensando bem, não feche não.
- Não se preocupe senhor - Sander se acalmara com o comentário - Boa viagem.
Teleporte efetuado, a Capitã retornou a ponte.
- Senhora Nille, traçar curso para Omicron IV, dobra um. Assim que sairmos do sistema Solar, vá para a dobra cinco.
- Curso traçado Capitã.
Lisa olhou para o almirante, este apenas sorriu.
- Engatar!
- Senhor Oshiro.
- Sim Capitão?
- Siga aquela nave - disse apontando para a tela.
- Com prazer senhor - respondeu com um sorriso.
Assim, começava a primeira missão oficial da Capitã Lisa. Bem como a primeira missão de escolta do Capitão Jevlack.
PS: A missão de Lisa em Júpiter não foi oficial, apenas de treinamento, portanto, a de Omicron IV é a primeira mesmo!
****
Capítulo II
"Diário de bordo, data estelar 3445.225, A nave estelar
Starfleet iniciou sua missão rumo a Omicron IV, e nós, como sua escolta, a estamos seguindo, mantendo
uma distância grande o suficiente para que possam manobrar sem terem que se incomodarem conosco, e
pequena o bastante para que possamos dar suporte em qualquer eventualidade. Confesso que vendo-a manobrar
ainda dentro do sistema Solar, em que devido ao grande tráfego de naves não podemos ultrapassar a dobra
um, acredito que esta seja a melhor turma de cadetes que a academia já formou, e que talvez esta não
venha a ser uma missão tão enfadonha, como tinha pensado antes. As aproximações que fazem dos planetas
que estamos deixando para trás, fornecem belas visões dos mesmos."
Aproximar-se dos planetas de dar "rasantes" nos
mesmos era quase que um ritual para as naves de treinamento. Os cadetes aproveitavam a baixa velocidade
imposta pelas regras da Federação dentro do sistema solar para ver os mundos que antes só visitavam por
naves de transportes pequenas.
- Sr. Oshiro, quanto tempo até a nossa primeira parada na
estação espacial 26?
- Assim que sairmos do sistema solar, cerca de 32 horas.
Como a viagem seria longa, devido ao novo limite imposto as
naves de treinamento, seriam feitas paradas em pelo menos quatro estações espaciais, em que os cadetes
e tripulantes da nave escolta descansariam um pouco. Estas paradas também eram aproveitadas para intercâmbio
de informações e experiências entre ambas as tripulações. Também era comum alguns cadetes irem para a
nave escolta para conhecerem as tecnologias das naves de exploração da frota, uma vez que as das naves
de treinamento, normalmente, não tinham os mesmos avanços.
- Um bom ângulo - comentou Oshiro a Tirvik, que estava ao seu
lado observando as manobras - A navegadora deles é excelente, a visão de Netuno ficou magnífica com esta
aproximação.
- Concordo - replicou sem tirar os olhos da tela.
- Capitão - chamou o Oficial Terak - devemos informar a
Starfleet que as suas luzes de navegação estão apagadas?
- Não senhor Terak - respondeu com um leve sorriso - deixe-os
descobrir isso por conta própria.
Terak ergueu as sobrancelhas, peculiaridade comum a todos os
vulcanos, e que sempre intrigou-o. Mesmo Tirvik tinha esta característica, apesar de ter sido criada na
terra, entre humanos.
- Sairemos do Sistema Solar em quatro minutos, Capitão.
- Deixe-os partirem com dois segundos de vantagem, depois os
seguiremos. Manteremos a mesma distância que agora até a estação 26.
- Entendido senhor.
Tirvik observava as evoluções, e uma ponta de saudosismo bateu
nela. Tinha sido nesta mesma nave em que tinha feito o seu treinamento final, antes da formatura. Servira
como Oficial de Ciências, mas percebeu que desejava mesmo um comando. Servira na USS Denver como Alferes,
onde fora promovida até tenente. Depois de um curso de especialização a Frota a designou para a Thunderbold
como Primeira Oficial, onde conhecera Jevlack, o único humano a ter um nome vulcano de que se tinha notícia.
Apaixonara-se por ele, e tinha sido correspondida. Não era difícil separar as questões pessoais das profissionais,
graças a sua herança vulcana e ao fato de que, antes de recuperar a memória, o Capitão tinha sido
aprendiz também em Vulcano. Aparentemente, era a única que sabia o seu nome verdadeiro. Jevlack gostou do
nome que recebera quando fora encontrado e o adotou mesmo quando foi para a academia.
- Capitão! Mensagem codificada do Almirante Stolh para o
senhor.
- No meu gabinete, Tirvik, assuma - disse levantando-se em
seguida.
- Sim senhor - respondeu indo para a cadeira de comando.
"No meu gabinete" Tirvik sorriu consigo mesma. Ele
era... diferente. Em várias ocasiões durante a patrulha na fronteira do Império Klingon, ele comandara
a nave da sala de reuniões, onde observava mapas holográficos táticos que permitiam uma melhor visão da
situação. Bem diferente do ensinado na academia. Mas o que realmente ela mais apreciava nele, era que
ele sabia como acariciar orelhas pontudas.
- A Starfleet entrou em dobra cinco, comandante.
- O.k., vamos atrás.
- Computador, decodifique a transmissão do Almirante Stolh,
código de autorização Jevlack, tesla - ômega.
O símbolo da Federação apareceu na tela por alguns momentos,
logo depois surgia o rosto - bem mais velho do que imaginara - do Almirante.
- Olá meu caro, faz muito tempo que não nos vemos...
- Como diria Tirvik : 13 anos, 4 meses, 8 dias e... Que horas
são?
A risada do Almirante foi jovial.
- Computador, especial do Capitão.
O sintetizador de alimentos materializou um copo de batida de
coco.
- Servido? - disse indicando o copo - posso transferir a
estrutura molecular dele para a Starfleet.
- Como conseguiu fazer isso?
- Difícil mesmo foi o leite condensado, que ninguém mais sabia
fazer quando despertei neste século - seu rosto ficou mais sério - o senhor não fez uma chamada codificada
para bater papo.
- Não, não fiz. Eu estou preocupado. Parece que ocorreram
flutuações de energia estranhas no sistema de Omicron no mês passado. Pedi que a frota enviasse uma nave
para examinar, mas me responderam que não encontraram nada incomum.
- Mesmo assim a missão de treinamento será lá? - espantou-se
Jevlack.
- Já tinha sido definido desde o começo. Só um evento concreto
poderia mudar os planos. Foi por isso que eu escolhi a sua nave pessoalmente quando soube que a Denver
não poderia ser a nossa escolta. Você é um excelente Capitão, e a Thunderbold, uma das naves mais
modernas da Frota.
- Sua "Capitã" sabe disso?
- Não, eu gostaria que quando chegarmos a Estação 26 nós nos
reuníssemos para discutir o assunto.
- Está bem Almirante, mas confesso que não gosto da situação.
- Eu também não, esta nave está cheia de calouros, e apenas quatro
Oficiais com experiência real em campo. Cinco se contarmos com a Tenente Comandante Donner.
- Que tal fazermos algumas manobras de guerra simuladas
quando chegarmos a estação 26? Do tipo, "Bobeou, dançou?"
- Igual a suas no Kobayash Maru?
- Oras, eu ganhei, não foi? E SEM TRAPACEAR, como alguém que
conheci.
- Sim mas, se fosse para valer, você não estaria aqui agora.
- Tudo bem - desistiu - comunicarei a minha tripulação para dar
aos seus alunos toda a experiência possível nas nossas paradas.
- Obrigado. E, quanto a bebida, me mostre na estação 26 como
se prepara.
Jevlack sorriu enquanto o Almirante terminava a transmissão.
O que mais faltava acontecer?
Doller observava com curiosidade seus registros. Não tendo nada
para fazer, ficou analisando os campos de dobra da Starfleet e da Thunderbold, tentando determinar as diferenças
entre ambos. Mas o que ele observava era uma estranha sincronia. Cada pequeno ajuste feito no campo de
sua nave para mantê-lo estável, era correspondido microssegundos depois pelo campo da nave de escolta, e
vice versa. Para todos os efeitos, era um reflexo perfeito. Só que eram constantes e inversas! O campo
de sua nave sofria sempre uma distorção de sobreposição, em que cada nacela repentinamente gerava seu
próprio campo de dobra, e não um em conjunto. Havia a correção e uma distorção idêntica ocorria na
Thunderbold. Esta corrigia e a Starfleet voltava a ter a mesma distorção inicial. Pareciam estar fazendo
algum tipo de jogo.
Talvez fosse um fato comum quando duas naves viajavam próximas,
de qualquer forma, iria perguntar ao engenheiro chefe quando tivesse uma folga.
- Bom - disse a Capitã - já que pelas próximas horas não há
nada especial para ser feito, quero falar um pouco com o Almirante, Matias, assuma.
- Sim senhora. Hã, pode me fazer um favor?
- Sim?
- Me conte a história depois.
- Combinado! - ela fez um sinal de positivo com a mão e saiu.
- Computador - disse quando entrou no turboelevador - onde está o
Almirante Stolh?
"O Almirante Stolh encontra-se na área recreativa dos oficiais número 2."
- Deck 6 - comandou.
Cumprimentou alguns tripulantes no caminho, agradeceu aos cumprimentos
de outros. Todos os que viam estavam empolgados. Alguns ficavam olhando pelas janelas o efeito da viagem do campo de dobra.
A sala de recreação estava bem tranqüila, apenas cinco oficiais - apesar de serem todos cadetes, pelas
notas e pontuações eles tiveram postos honorários nesta missão - e o Almirante. Na grande janela via-se o
efeito de estrelas sendo "esticadas" pelo campo de dobra, e, ao fundo, a Thunderbold. Era uma
visão magnífica. Lisa nunca tinha visto como uma nave aparecia viajando em velocidade de dobra antes.
Foi até a mesa em que estava o Almirante e sentou-se, pedindo
licença.
- Capitã! - fingiu surpresa - já está abandonando o seu posto?
- Eu decidi que preciso achar o que fazer durante a viagem, além
disso, o Capitão Jevlack disse algo que me intrigou.
- E o que seria?
- Algo sobre ele ser do século XXI. Ele também disse para lhe
perguntar sobre isso.
O Almirante sorriu.
- Você já olhou nos arquivos?
- "Assunto confidencial, necessária autorização superior."
- disse Lisa imitando a voz sintética do computador.
- É uma pena você não ser Capitã oficial. Mas posso ajudar um
pouco. Em 2095, foi lançada uma nave com um novo protótipo de motor de dobra. Fora criado por Zefram
Cochrane quando este estava em Alpha Centaury. Por algum motivo, não temos o registro de quem era o
piloto ou os seus acompanhantes, Sabemos apenas que era um humano e dois vulcanos. Tudo o que temos de
"oficial" foi que a nave desapareceu durante os testes.
- Algum motivo para isso?
- Parece-me que houve sabotagem nos motores de dobra. Houve
uma investigação e, depois dela, quase tudo foi retirado dos registros. Mesmo Jevlack não pode informar
nada sobre o assunto, exceto que foi escolhido pessoalmente por Cochrane.
- Pessoalmente? - os olhos da Capitã se iluminaram - Preciso
conversar com ele.
- Imaginei que diria isso. Crescemos ouvindo sobre o
"grande visionário".
"continuando, vinte e cinco anos atrás, uma nave de exploração
vulcana encontrou a nave a deriva no espaço. E, para surpresa geral, seus tripulantes estavam vivos.
Ocorreu uma falha na contenção de matéria e anti matéria e o sistema de segurança tentou conter os
elementos com campos de força, só que a tripulação ficou bem no meio daquela mistura. Seja como for, o
campo de dobra continuou funcionando, porém altamente deturpado, de tal forma que funcionou como câmara
de distorção temporal, em que o tempo dentro do campo passava muito mais lentamente do que fora, coisa
de 1 segundo por década - Aliás, a Federação chegou a testar esse tipo de animação suspensa, mas a
dispensou por ser cara demais."
"Desnecessário dizer que eles não ficaram intactos nessa
história. Afinal, mesmo em velocidade incrivelmente reduzida, os compostos de matéria e antimatéria os
estavam atingindo e matando!"
Lisa imaginou a cena por uns momentos, três pessoas imóveis
como em uma holofoto, sendo consumidos pela antimatéria. Estremeceu.
- Conseguiram salva-los com teleporte sincronizado com o
desligamento do campo de dobra. Um dos vulcanos acabou morrendo. Jevlack e o outro sobreviveram e
receberam próteses vulcanas para substituir os órgãos e membros perdidos. Jevlack tem uma pele com
sensores que dão a mesmas sensações que nós temos, embora possua travas de segurança para evitar sensações
fortes - como dor extrema.
-Quando despertou não se lembrava de nada, e os vulcanos o
batizaram de Jevlack, que, confesso, não sei bem o que significa, exceto que é uma onomatopéia fonética
para "despertado". Mesmo quando recuperou a memória, não quis dizer o nome verdadeiro, alegando
que quem vive de passado é museu!.
- Interessante. Pragmático como um vulcano.
- Ele recebeu treinamento da doutrina vulcana enquanto
permaneceu seis meses na nave de pesquisas. Tem sentimentos como qualquer humano, mas os controla quando
a situação o exige.
- E o que o levou a entrar para Frota?
- Ele era militar antes, contemporâneo da guerra de Alpha
Centary. Nada mais lógico que continuar com a carreira. Fez apenas um curso de reciclagem. E, na
simulação da Kobayash Maru, foi o único a destruir as naves Klingons. Claro que não cumpriu com a meta,
que era salvar a nave, voltar vivo e não causar uma guerra.
- Que parte ele não completou? - perguntou curiosa.
- Voltar vivo - respondeu o Almirante sorrindo - a nave ficou
inoperante e sem suporte de vida. Todos teriam morrido. Talvez tenha sido por isso que ele pediu mais
dois reatores de fusão na reforma da Thunderbold.
- A Frota permitiu que ele especificasse alterações em uma
nave espacial?
- A Thunderbold, quando comandada pelo Capitão Mendonça, foi
atacada por duas naves romulanas e sofreu sérias avarias. Jevlack, que assumira o comando quando da morte
do Capitão nesta batalha, destruiu ambas e salvou a Thunderbold. Com isso foi promovido a Capitão e teve
suas sugestões acatadas quando a nave foi rebocada para ser reparada.
- Um impressionante currículo - comentou Lisa.
- Sim, foi por isso que...
Foi completamente sem aviso. Primeiro, toda a sala começou a
vibrar, logo em seguida o sinal de alerta vermelho soou pegando a todos de surpresa. Os outros cadetes da
sala se entreolharam, atônicos e sem saber o que fazer diante da situação. Lisa imediatamente gritou
para que fossem aos seus postos e dirigiu-se com dificuldade para a ponte. Antes de sair da sala ainda
ouviu o Almirante dizer que não era nenhuma simulação.
A nave realmente estava em stress, em perigo eminente de se
despedaçar.
****
- Relatório! - gritou Jevlack acima do som da vibração que
aumentava em escala crescente.
- Nossos motores de dobra perderam a sincronia, cada nacela
está gerando o seu próprio campo. Estão sobrepostos e a nave está exatamente no centro. O leme não
responde. - respondeu Tirvik.
- Desligar motores! - ordenou.
- Motores não respondem!
- Todos os sistemas da nave estão apresentando falha devido
a distorção dos campos de dobra - informou Tirvik de seu posto.
- Nossa velocidade está aumentando! - gritou Oshiro - vamos
abalroar a Starfleet.
- Erguer escudos! Tenente Souza! Avise a Starfleet para mudar
o curso.
- Eles não respondem!
- Comunicação automática de emergência!
- Entendido!
Atendendo a comunicação automática, os computadores da
Starfleet completaram a ligação mostrando sua ponte na tela. Jevlack ficou boquiaberto. A Starfleet
estava em alerta vermelho, na mesma situação que eles. Lisa estava ouvindo as mesmas coisas que Terak
e Tirvik lhe disseram. E estava ordenando a engenharia que parassem os motores mesmo que tivessem que
destruir o reator principal.
- Capitão - chamou Terak - Os campos de dobra da Starfleet
estão na mesma situação que os nossos, se nos aproximarmos mais os quatro campos ficarão sobrepostos.
Jevlack viu que Lisa devia estar prestando atenção também a sua tela e
tinha ouvido Terak. Pois logo em seguida tinha ordenado a engenharia - da Starfleet - que os escudos
fossem expandidos ao máximo.
Os escudos de ambas as naves colidiram, causando um forte
impacto em ambas. Oshiro chegou a perder o equilíbrio, mas conseguiu se agarrar ao seu console.
- Os escudos estão em grande pressão! Os emissores da
Starfleet estão superaquecendo. Os sistemas gerenciadores estão reduzindo a expansão para compensar.
Sem controle de potência, nem de leme, a nave em aceleração
e os escudos de ambas não agüentariam a pressão por muito tempo.
- Terak! Preciso de uma teoria agora!!!!
Terak fez uma rápida análise nos dados de seu console.
- De alguma forma, os motores de dobra de ambas as naves
estão conectados. O que pode ter causado a distorção simultânea, já que não funcionam de forma idêntica.
Se conseguirmos parar um deles, é possível que o outro volte ao normal.
- Capitão! Estamos em dobra sete e subindo em uma curva de
aceleração exponencial! Ultrapassaremos a escala em menos de um minuto. - gritou Oshiro.
- Sala de transporte - disse Jevlack pelo comunicador -
focalize os reatores de fusão e teleporte-os para o mais distante possível da nave, SEM QUESTIONAR!
- Impossível executar - respondeu o operador - o sistema
está inoperante!
Jevlack olhou para a tela, Lisa deu a mesma ordem, e obteve a
mesma resposta. Fechou os olhos. Só havia mais uma coisa a fazer.
- Armar torpedos fotônicos, travar no suporte das nacelas da
Starfleet.
Lisa arregalou os olhos.
- Torpedos armados e travados. Capitão.
- Capitão - interveio Terak - eles terão de baixar os escudos,
e isso nos deixa 2.7 segundos antes dos campos se sobreporem.
- Tenente Souza, dispare quando possível - Jevlack dirigiu-se
a tela - Capitã, abaixe seus escudos.
- Mesmo assim - retrucou Lisa - as nacelas continuarão funcionando
por algum tempo. Vocês serão destruídos.
- Minha missão é proteger vocês! OBEDEÇA A ORDEM IMEDIATO
DONNER!
Lisa abaixou a cabeça, o Almirante e todos na ponte da
Starfleet aguardavam o seu comando. O comando que mataria a tripulação da Thunderbold.
- Senhor Doller - disse Lisa lentamente - abaixe os escudos.
- Sim, Capitã - respondeu, sentindo provavelmente o mesmo que ela.
- Armas inoperantes! - gritou desesperadamente Souza ao tentar disparar os torpedos.
Jevlack teve o que julgou ser o seu último pensamento em vida: E, não
foi uma viagem enfadonha...
****
Capítulo III
Foi como ser disparado por um canhão! A tela apagou-se, e a
luzes de emergência se acenderam no mesmo momento em que todos eram arremessados para traz. Oshiro passou
ao lado da cabeça do capitão colidindo com a parede logo atrás. Jevlack - graças as seus membros biônicos
- conseguira se firmar no seu assento. Viu todos os sinais de alerta piscarem em todos os painéis, incluindo
o do amortecedor de inércia e controle de gravidade. Isso explicava o porque da sensação de balançar de
um lado para o outro. A única coisa que funcionava era o áudio, e tudo o que ouvia por ele eram gritos
vindo da Starfleet, somados aos próprios gritos dos tripulantes de sua nave. O estranho era que a aceleração
não diminuía, continuavam sendo impulsionados para frente com uma velocidade crescente.
Por que? - rugia sua mente - porque estamos acelerando?
A vibração era tanta agora que tudo o que ele podia ver eram
imagens borradas, mesmo de seu próprio corpo. Um novo indicador surgiu no painel de controle de armas, os
escudos da Thunderbold finalmente cederam.
Bom, vamos bater e isso acaba.
Ao contrário, a aceleração ficou ainda maior! Se as naves colidiram,
nem foi possível sentir...
Isso não acaba mais?
Usando a força de suas próteses, Jevlack arrastou-se para o
console do navegador, tinha que haver um jeito de parar os motores. Chegando lá, depois de muito esforço,
digitalizou o painel de controle de fusão neste. Tentou tudo o que sabia para desligar os motores, nada
funcionava. Só podia controlar densidade do plasma pelos cristais dilítio.
O que acontece se eu botar mais matéria que antimatéria?
Teoricamente a nave explodiria, caso os sistemas de segurança
não desligassem o reator. Mas os sistemas estavam praticamente todos funcionando em auxiliar.
"Os motores de dobra estão conectados de alguma forma"
foi o que dissera Terak! O que diabos estava funcionando na nave que ainda podia permitir tal conexão?
O controle de dominação!
Sendo uma nave escolta, o controle de dominação da Starfleet
foi fornecido a eles caso precisassem assumir o controle desta numa emergência! Jevlack comandou no painel
a mudança do código da Starfleet. Se tivesse alguma relação, a Thunderbold pararia de monitorar a Starfleet
e os sistemas gerenciadores desta deveriam por tudo de volta no lugar. Antes de terminar o comando, porém,
a situação se inverteu.
Se antes era como ser disparado por um canhão, o que aconteceu
quando Jevlack estava efetuando o comando foi o mesmo que ter atingido uma parede de concreto. TUDO foi
arremessado para a frente, incluindo ele mesmo e o painel que estava segurando, ambos arremessados de encontro
a tela. A desaceleração demorou cerca de quatro minutos para encerrar-se.
Jevlack olhou ao redor da ponte, e viu o estado de seus oficiais.
Terak e Oshiro estavam desacordados, Souza sangrava pelas fraturas expostas em seu maxilar, Tirvik agarrava o
ombro - podia-se ver que quebrara o braço e algumas costelas - Mesmo ele não estava em perfeito estado,
seu braço esquerdo formigava, e, ao ver melhor notou que a pele sintética fora arrancada e os circuitos e
mecanismos estavam expostos - e levemente danificados. Por uma fração de segundo, imaginou o estado do
restante da tripulação, mas, logo em seguida, voltou a agir como o capitão que vai direto ao assunto.
Fez uma rápida checagem no estado da nave, para ver se as
comunicações internas ainda funcionavam e se o sistema auxiliar de transporte podia ser utilizado.
- Aqui é o capitão! Todos aqueles que tiverem condições,
devem deixar os sistemas em modo automático e cuidar dos feridos que estiverem próximos. Aqueles que
estiverem próximos das salas de transporte devem focalizar os feridos mais graves e transporta-los
diretamente para a enfermaria. Os demais devem evitar atrapalhar o trabalho dos médicos e auxilia-los
assim que possível. Engenharia, assim que possível quero saber o que é mais rápido ser reparado, sensores
ou comunicações externas.
Alguns minutos depois, Oshiro, Tirvik e Souza eram teleportados.
Os outros não deviam estar em grave estado, ou deviam estar mortos. Mas isso era fácil verificar. Terak
estava com hematomas, talvez algum osso quebrado, mas vivo e respirando. O alferes Dilow, que substituía
Oshiro quando este tinha de se ausentar da ponte estava com o pescoço quebrado, Margô - substituta de
Terak - tinha uma torção nos quadris.
Bom, a nave estava morta no espaço, ele precisava de Terak
agora, assim foi acorda-lo.
- Capitão? - Terak disse após olhar ao redor - qual a nossa
situação?
- Me diga você, tudo que pude descobrir é que a nave está
estruturalmente intacta e a tripulação deve estar muito mal.
- Baixas?
- Dilow! - Jevlack estava cuidando de Margô com o equipamento
de primeiros socorros - Mas com certeza teremos mais.
- "Capitão" - soou a voz pelo comunicador -
"aqui é o auxiliar de Engenharia Anderson"
- Prossiga!
- A Engenheira Jeena está morta, respondendo a sua solicitação, podemos ter 10% de sensores em 15 minutos.
- Execute!
- Aqui é o capitão para todos os chefes de pessoal, quero um
relatório da situação em uma hora. Doutor Simon, selecione alguns alferes e os instrua a fazer a
estatística clínica da tripulação, não quero atrapalhar o seu trabalho.
- Fico agradecido! - respondeu o doutor, elevando a voz para
ficar acima dos lamentos dos pacientes.
- Creio que todas as enfermarias estejam lotadas. - Comentou
Terak, enquanto tentava obter dados sobre a situação da nave em seu console.
- Falando nisso, qual o seu estado?
- Melhor que o seu, posso garantir - respondeu referindo-se
ao braço do Capitão.
- E, com toda certeza, melhor que a da StarFleet. Capitão!
Ainda estamos em dobra 5!
- Desligue imediatamente! Qual o curso? - Jevlack olhou para
o console arrancado do navegador - Esqueça, me diga depois que o computador principal voltar a operar.
****
O comandante Soer patrulhava o setor em seu Assalt Gunboard,
e estava satisfeito por não ter detectado nada na última hora. De acordo com o plano era vital que os
rebeldes não soubessem para onde estavam indo.
- General Gala - chamou pelo rádio.
- O setor está limpo.
- Excelente - veio a resposta - aguarde a nossa chegada.
Tirou as mãos do manche e desligou os motores. Poderia
descansar por alguns minutos. Súbito, soou o aviso de que uma nave desconhecida estava saindo do hiperespaço.
Não acredito! Pensou.
Olhou na direção em que vinha a nave e acionou o computador
para tentar identifica-la, sem sucesso. Observando a nave localizada a 120 quilômetros de distância, não
conseguiu reconhecer o seu desenho. Tinha um disco grande e mais dois cilindros atrás, todos ligados a
uma espécie de trapézio, pelo menos a forma com lhe parecia. Os sensores não conseguiam determinar o tipo de
material que compunha sua fuselagem. Ligou para o general.
****
Margô tinha acordado, e queixava-se de fortes dores.
- Terak, quero que você primeiro descubra o que aconteceu,
onde estamos, e onde está a Starfleet. Pelo que lembro quando estava no posto de Oshiro, estávamos além
de dobra 10. Vou querer saber como conseguimos uma energia "infinita" para fazer isso. - Jevlack
não queria pensar sobre o quanto podiam estar longe da federação naquela velocidade.
- Sim senhor.
- Forneça-me os dados iniciais em uma hora, na sala de reuniões.
Margô foi teleportada para a enfermaria. Os casos gravíssimos já
deviam ter sido atendidos - os que sobreviveram.
****
O Destróier Estelar Invictor saiu do hiperespaço 45 minutos
depois que a Thunderbold fora localizada por Soer. Como ordenado, Soer mantivera posição. Na ponte de
comando, o General Gala ouvia os relatórios iniciais sobre a nave desconhecida.
- A nave não respondeu a nenhuma de nossas transmissões.
Tem cerca de 400 metros de comprimento. Composição da estrutura: desconhecida, fonte de energia:
desconhecida. Captamos anti matéria dentro da nave, mas não conseguimos identificar como ela está contida.
A nave aparentemente tem escudos em sua estrutura, assim como os nossos, mas são de um tipo desconhecido.
Detectamos um hangar, mas parece ser pequeno, em relação a nave. Desta distância, não podemos obter mais
dados.
- Nossa posição para novo salto no hiperespaço fica a três
quilômetros daquela nave. Vamos nos aproximar - ordenou - Tenente, deixe quatro esquadrões de Tie-Bombers preparados.
- Sim senhor!
- Avise o Comandante Soer para ele fazer um vôo de reconhecimento sobre a nave.
E comunique-se com o comando do Império. Nossa missão é vital e não podemos nos desviar dela. Dentro de 17 horas
devemos sair daqui!
Soer não gostou nem um pouco, mas ordens eram ordens. Pôs a
nave em 2/3 de força e seguiu em direção a Thunderbold. Levaria cerca de 30 minutos para alcança-la.
****
Na hora pedida, Jevlack, Terak, um enfermeiro representando o
doutor Simon e o agora Engenheiro Chefe Anderson estavam na sala de reuniões. No centro da mesa aparecia
um holograma do setor, pelo menos até aonde os sensores podiam alcançar no momento. A Starfleet não tinha
sido localizada.
- Situação geral - pediu Jevlack.
- Estão inoperantes: sensores de curto alcance, escudos,
capacidade de manobras, velocidade de dobra, comunicações, 63% dos sintetizadores de alimentos, 80% dos
sintetizadores médicos, 75% dos sintetizadores de equipamentos, 8 turboelevadores, a trava de armas, o
computador principal e o suporte de vida funciona no manual - informou Anderson.
- Agora me dê as boas notícias, se é que sobrou alguma.
- Não temos problemas estruturais, basicamente precisamos
recuperar os chips isolineares de processamento dos computadores, que foram seriamente danificados.
Felizmente, temos os esquemas deles intactos, e a memória arquivada dos sistemas sofreu danos mínimos.
- Quanto tempo para recuperar o computador principal?
- 23 horas - respondeu Terak.
- E os demais sistemas?
- Calculamos 4 dias para reparar tudo.
- Quero escudos e capacidade de manobras em uma hora.
- Capitão - interveio Terak para alívio de Anderson, que ainda
não estava acostumado a pressões daquela natureza - é impossível sintetizar os chips necessários nesse
período.
- Não pedi para sintetizar nada - disse Jevlack sério - disse
que quero escudos e leme em uma hora. Temos um monte de chips nos sistemas auxiliares, monte alguma coisa com eles.
Terak ficou pensativo.
- Se sintetizarmos apenas os chips para reparar o comando manual - disse a Anderson - poderá ser feito a tempo.
- Sim - concordou - creio que sim.
- Ótimo, depois disso, priorize as comunicações e os sensores de curto alcance.
Quanto aos sintetizadores, cuide primeiro dos médicos, depois dos de equipamentos de reparos. Se não tiver
mais nada, pode ir. Quero relatórios a cada hora.
- Sim senhor - disse Anderson, levantando-se e saindo da sala.
- Terak, em quanto tempo podemos determinar a nossa posição?
- Preciso dos sensores 100% operacionais para isso. Estamos obviamente em área inexplorada - indicou o holograma -
a área que podemos mapear não existe em nenhum de nossos bancos de memória.
- Muito bem, enfermeiro Ferreson, qual o seu relatório?
- Tivemos 62 baixas, 44 estão em estado gravíssimo, 218 em
estado grave, porém fora de perigo, 257 apresentaram fraturas diversas, todas já medicadas, os 73 restantes
ainda não quiseram se apresentar na enfermaria, devem estar ilesos ou com ferimentos leves, como o senhor e o senhor Terak. O doutor pediu para que o
senhor ordene a cerca de 120 tripulantes que foram dispensados para se recuperar em seus aposentos para que obedeçam as ordens médicas.
- Como? - Jevlack olhou interrogativo para ele.
- Bem - ele estava embaraçado - parece que todo tripulante que é dispensado, ao invés de descansar 6 horas nos aposentos se apresentam aos seus superiores perguntando o que podem fazer.
Jevlack sorriu.
- Diga ao doutor que darei esta ordem quando possível.
- Sim senhor! Posso ir agora?
- Já terminou o relatório?
- Desculpe-me, 60% da tripulação não terão condições clínicas para trabalhar pelas próximas seis horas.
- Qual o tempo total para recuperação deles?
- Por três dias, teremos apenas 206. Pelas fichas clínicas.
- Obrigado, pode ir.
- Sim senhor.
-62 mortes!
- Terak, baseado na nossa situação, como imagina que esteja a Starfleet?
- Posso apenas supor que, no mínimo, estejam na mesma situação que a nossa.
No entanto, não devemos descartar a hipótese de que tenha sido destruída, e que, tenha sido justamente essa a causa de
estarmos vivos. Pelos registros que consegui obter, nossos motores realmente estavam trabalhando em conjunto,
apesar de forma errática. Também é possível que a própria intensidade da distorção dos campos de dobra tenha rompido este elo.
Realmente não tenho mais o que supor logicamente com os dados que tenho.
- Em quanto tempo pode acionar o computador principal parcialmente?
- Em quatro horas.
- Execute. Ache a Starfleet, mas, primeiro, ache onde nós estamos. Dispensado.
Terak saiu deixando o capitão observando o holograma.
****
Soer já estava exausto de tanto circundar a nave. Nenhum movimento
fora feito por ela nas últimas 6 horas. Ao aproximar-se de algumas vigias, tentava ver algum sinal de
vida, mas nada aparecia. Era como uma nave fantasma. O Invictor estava parado a 3 quilômetros de distância.
Provavelmente aguardando ordens do Império sobre o que fazer com a nave estrangeira.
- Comandante Soer - chamaram pelo rádio - retorne a Invictor
e apresente-se ao General Gala.
Até que enfim! 25 minutos depois, Soer encarava o general.
- Soer, quando partirmos, você ficará vigiando a nave até que
chegue um Interditor. Ao que tudo indica esta nave tem uma tecnologia que interessa ao Império e está,
por algum motivo desabilitada. Suas ordens são para desabilitar a nave caso ela faça algum movimento.
Terá um esquadrão de Assalt Gunboard para isso. É tudo. Descanse agora.
- Sim senhor - respondeu sem nenhuma satisfação.
Foi aos seus aposentos, jogou o seu capacete na cama e socou
a parede. Ninguém sabia o objetivo da missão, muito menos quanto tempo duraria. O aparecimento desta
nave não podia ter sido em pior hora! Ele tinha pressa em voltar a capital do Império. Tinha que se
vingar daquela escrava que ousou desafia-lo e fugir com os rebeldes.
Soer era filho de nobres do planeta Duran, acostumado a ter
tudo o que quisesse desde a infância, era mimado e extremamente prepotente. Mas era inteligente e
habilidoso também. Decidiu servir no Império, em parte para se sentir poderoso, podendo exigir e oprimir
qualquer um que fosse seu subalterno, e em parte porque gostava de ser militar. A forma de agir do
Império não era diferente da dele, todos são tolos, precisam ser comandados, a força se preciso.
Mas aquela escrava - ele nunca se referiu a ela pelo nome,
objetos não precisam ter nome - conseguiu escapar dele. Tinha-a recebido como parte do pagamento de uma
divida do pai dela. Uma linda mulher de cabelos negros.
Ela era sua propriedade, assim como os muitos servos na casa
de seus pais, portanto poderia fazer com ela o que quisesse. E por anos o fez. Mas, um dia, ao chegar em
casa, ela o atacara e fugira! Soubera depois que tinha sido resgatada por rebeldes, e que agora era uma
de suas comandantes.
Jurou encontra-la, acorrenta-la e dá-la como brinquedo a
Jabba, não sem antes dar-lhe o prêmio por sua ousadia. E iria faze-lo, assim que tivesse oportunidade.
Era rico, havia contratado caçadores para localiza-la e captura-la. Mas queria assistir a tudo. Por
isso queria voltar a capital. Eles a tinham localizado e apenas aguardavam que ele estivesse disponível
para efetuar a captura. Foi quando foi escalado para essa missão.
Soer era prepotente, mas não tolo. Sabia as conseqüências se
desertasse. Assim aceitou a missão, com a promessa de ter um mês de folga para resolver seus "assuntos pessoais".
Ordenou aos caçadores para não perde-la de vista até que retornasse. Pagou o dobro para isso.
Deitou-se na cama e dormiu. Programou o computador para
despertá-lo no horário.
****
Capítulo IV
A Comandante Lauriel chegou ao hangar 15 minutos antes da hora marcada para sair, como era de costume. Andou lentamente, observando as equipes fazendo o seu eterno trabalho de recuperar os caças rebeldes, que, quando retornavam - isso se retornavam - de uma batalha, sempre necessitavam de reparos. Sentiu o cheiro de solda no ar, de metal derretido, resíduos de plasma saídos de motores íons em reparos. Sentia-se em casa.
- “Olha só isso!"
-“Mais dois milímetros e acertavam o traseiro do piloto"
Os comentários sobre as avarias eram sempre jocosos...
Chegou defronte de sua nave, um a-wing do grupo vermelho, o rapaz da manutenção estava checando os sistemas.
- Comandante - disse quando a viu - seu pássaro está pronto.
- Obrigada - respondeu cordialmente.
Lauriel pôs o capacete e testou o sinal. Subiu ao cockpid e sentou-se. Gostava de fazer as verificações finais pessoalmente, e todos na nave Liberdade sabiam disso.
Escudos, turbolasers, mísseis de concussão avançados, hiperdrive, assento ejetor, leme... Mentalmente fazia um "check" em cada sistema que poderia precisar durante a missão. Teria mais um a-wing como acompanhante e três y-wings para dar cobertura em caso de necessidade.
Olhou para o painel e viu o resumo da missão:
"Duas horas atrás, em patrulha de reconhecimento, o esquadrão amarelo localizou uma nave desconhecida a cinco mil quilômetros de distância. A Liberdade não poderá ir em sua direção, pois, se o fizer, ficara a 6 horas de qualquer janela para o hiperespaço possível, e temos que estar na base de Tundra em dois dias, para integrar a frota de ataque."
"O Comando rebelde interceptou transmissões do Império e descobriu que outra nave com design similar fora localizada por eles. Assim como esta. Aparenta estar desabilitada e não responde a nenhuma transmissão."
"Sabemos, pelas transmissões, que as naves não pertencem ao Império, e são totalmente estrangeiras. O Imperador pessoalmente ordenou que a nave por eles localizada fosse capturada e sua tecnologia analisada. Não podemos deixar que eles tenham mais essa vantagem sobre nós."
"Dois a-wing e três y-wing serão enviados para observar a nave. Enviaremos a nave Exceler com material de pesquisa. Ela deverá chegar doze minutos após vocês estarem na área."
"Não devem, em hipótese alguma, provocar quem quer que esteja a bordo da nave desconhecida, porém, se ela tentar escapar, devem imobiliza-la. A Exceler está sendo equipada com computadores avançados para traduzir a linguagem dos alienígenas. Tentaremos estabelecer contato e negociar um acordo de trabalho conjunto. Eles devem estar com problemas, só isso justificaria essa estranha imobilização. Ofereceremos ajuda em troca de conhecimento."
Novamente, Lauriel se questionou sobre o porque de ter sido escolhida para liderar a missão. Era uma guerreira, não diplomata! Se a tecnologia deles for realmente superior, qualquer erro na comunicação poderá faze-los atacar.
Pensou como seria estar no lugar deles. Olhar pela escotilha e ver cinco naves desconhecidas rodeando-a, e, alguns minutos depois, uma nave tão grande quanto a sua, saindo do hiperespaço.
Maneou a cabeça. Teria atacado se fosse com ela. Maldita guerra!.
-“Comandante Lauriel?"
- Sim? - respondeu ao chamado do General Karakyr.
-“Está liberada para partir, que a Força os acompanhe."
- Obrigada! - ela não acreditava na Força, a única força que confiava, era a de uma arma.
Soou o sinal no hangar, pedindo que a área de decolagem fosse liberada. Sempre existe correria nesse momento. Mecânicos, pilotos, droides, qualquer um que estivesse no caminho saia correndo.
Fechou a carlinga e decolou, levantando os trens de pouso em seguida. Alguns segundos depois, sua companheira posicionou-se ao seu lado. A direita, um pouco abaixo, os y-wings os acompanhavam, mantendo a formação 4.
- Silêncio no rádio. - comandou.
Atrás deles, a nave Liberdade manobrava para entrar no Hiperespaço.
Dentro de 9 horas, chegariam na USS Starfleet.
****
Lisa abriu os olhos e viu o rosto - com hematomas - do Engenheiro Chefe Carlos. Sentia dores no corpo e certa tontura.
- Senhor? - tentou se levantar, mas foi detida pela enfermeira.
- Tenha calma, você levou uma pancada forte na cabeça.
Olhou ao redor, agora tinha reparado nos lamentos que chegavam aos seus ouvidos. Estava na enfermaria. Todas as camas ocupadas, haviam pacientes com lesões menos graves sentados no chão, sendo atendidos por toda espécie de tripulante. Alferes, tenentes, médicos, não havia distinção, parecia que bastava possuir conhecimento de primeiros socorros. Ainda foi preciso uns momentos para colocar os pensamentos em ordem e se lembrar do que tinha ocorrido.
- Estamos vivos? Como saímos da distorção de dobra?
- Destruímos o reator, como tinha ordenado. Os phasers de mão não funcionavam, por isso teleportamos uma bomba de retardo para a cúpula externa do reator. Foi a salvação, logo em seguida os transportes não foram mais capazes de focalizar nada.
- E a tripulação? - olhava novamente para os pacientes.
- Até o momento, 34 baixas, incluindo o almirante.
- O QUE? - A enfermeira não pode conte-la desta vez - como?
- Tenha calma! Antes de morrer, ele a promoveu a Capitã. Todos os oficiais honorários foram efetivados em seus postos. Ele forneceu-me os códigos de liberação dos sistema gerenciadores para que tenhamos o controle total da nave, se bem que temos que esperar até o computador principal voltar a operar.
Promovida? Era muita coisa para assimilar. Nada na academia, nem na sua experiência própria a preparara para uma situação como esta. Comandar uma nave inoperante, com provavelmente toda a tripulação com ferimentos. "Apesar de ser humano, ele controla suas emoções quando a situação o exige" As palavras do almirante lhe vieram a mente. Ela era a Capitã em definitivo agora, e tinha a responsabilidade de resgatar a nave.
- Qual a situação da nave?
- Todos os sistemas principais inoperantes, 15% dos auxiliares também. Temos transportes, suporte de vida e escudos, mas não temos energia para mantê-los.
- E quanto ao reator?
- Sintetizamos uma nova cúpula e a estamos instalando agora. Devemos acabar em 20 minutos. Teremos 80% de força em uma hora.
Lisa se levantou, apesar dos protestos da enfermeira.
- Vocês precisam de vagas - disse a ela - Tenente, algum sinal da Thunderbold?
- Não. Olhamos por todas as vigias disponíveis, e ninguém viu nenhum sinal deles.
- Qual a prioridade que tinha montado para depois que o reator voltasse a funcionar?
- Nenhuma ainda. Esperava que a senhora já estivesse desperta.
- Então ponha o pessoal disponível para consertar as comunicações externas. Precisamos saber se a Thunderbold sobreviveu. Me dê um relatório dos danos e os tempos estimados para reparos.
- Terei em meia hora.
- Ótimo! A propósito, quanto tempo fiquei desacordada?
- Doze horas, Capitã.
- Obrigada. Volte ao seu serviço.
- Sim senhora.
Bom, finalmente o primeiro comando por conta própria!
- Enfermeira, peça ao doutor para compilar a situação do pessoal, preciso saber quantos tripulantes estarão afastados, e por quanto tempo.
- Sim, Capitã.
Considerando tudo o que passaram, a nave estava em excelentes condições. A recuperação total foi calculada em 5 dias, sendo que em 20 horas estariam operacionais de novo. A Energia já estava restaurada, Lisa mandou que os escudos fossem levantados.
Tudo o que faltava era recuperar as centenas de chips isolineares danificados. Em duas horas teriam visão externa, em cinco o leme, quase que ao mesmo tempo em que teriam os sensores de curto alcance. Os de longo alcance só seriam recuperados em vinte horas. O computador principal já estava parcialmente recuperado. Carlos forneceu os códigos e os sistemas gerenciadores - os que ainda funcionavam - se desligaram. Os sintetizadores médicos eram prioridade no momento. As comunicações estavam semi - operacionais - Doller juntara alguns chips de sistemas auxiliares, misturara com outros de sintetizadores e conseguiu achar um "atalho" para desviar do sistema danificado - porém não conseguiram até o momento - 19 horas depois do incidente - contato com a Thunderbold.
No entanto captaram muitas outras transmissões, incompreensíveis. O Tradutor universal era a última coisa na agenda, Lisa o pôs logo depois dos sintetizadores. Aquelas transmissões a lembrou que ninguém sabia aonde estavam - ultrapassaram a dobra 10 - mas que não era território deserto. Além disso, dos 412 cadetes que estavam na nave, apenas 104 estavam em condições satisfatórias para efetuar os reparos. Teriam de esperar dois dias para terem mais 200.
- Tenente Carlos - chamou pelo comunicador - Como estão as armas e os sensores?
- Já temos os torpedos fotônicos, os phasers vão demorar mais, apesar de termos energia. Quanto aos sensores, podemos ativa-los em cerca de 40 minutos, muitos dos tripulantes que deviam ficar descansando estão ajudando.
Lisa preferiu não pensar no que o doutor iria dizer se soubesse.
- A propósito Capitã, o tenente Doller pediu para que quando possível você o encontrasse no observatório.
- Entendido.
Doller tinha se encarregado de determinar a posição em que se encontravam depois de ativar as comunicações.
****
Lauriel estava pensativa. Ainda faltavam 2 horas para alcançar a nave, mas nos últimos 20 minutos estava captando transmissões. Transmissões vindas da nave. Talvez estivessem em código, talvez não, mas era diferente de tudo o que já tinha captado antes. Parecia que era enviada pelo subespaço, mas seu equipamento não tinha capacidade para confirmar isso. Seja como for, não conseguiu entende-la, se era em código não era muito sofisticado. Mas era mais que o suficiente para ser uma língua desconhecida.
Um movimento ao seu lado lhe chamou a atenção. Era Ígnea, sua acompanhante. Ela gesticulava apontando para o rádio, e Lauriel indicou era para permanecer o silencio que ordenara. De repente, Ígnea gesticulou, indicando algo a sua esquerda.
Lauriel se virou, e viu o comandante Bernard mostrando uma pasta, onde se lia "não deveríamos avisar ao comando que a nave está transmitindo?" Ela pegou sua pasta e escreveu "Se eles podem transmitir, também podem captar" e mostrou para ele. Ele fez um sinal afirmativo e voltou para a formação.
Nada podiam fazer agora a não ser seguir em frente!
- Sim Doller? O que você quer que não podia ser dito pelo comunicador?
Doller se virou para ela, estava com um binóculo de alta potência nas mãos.
- Capitã - ele parecia extremamente preocupado - olhe na posição 3-3-22
Lisa pegou o binóculo e através da grande janela olhou para a posição indicada. Viu cinco pequenas naves vindo em direção a Starfleet.
- Enquanto analisava os registros de nossa viagem, notei algumas estrelas se movendo - disse Doller, enquanto ela ainda observava - Devem nos alcançar em menos de duas horas.
Lisa devolveu o binóculo e ficou pensativa. Olhava para as estrelas fixamente.
- Capitã? - Chamou Doller.
- Engenharia - disse Lisa pelo comunicador - quero todos trabalhando em sensores, leme, armas , visão externa e o tradutor universal. Quero eles funcionando em 90 minutos!
Lisa olhou para Doller.
- Bom, parece que chegou o batismo de fogo - comentou com um sorriso amarelo - vamos para a ponte.
"Diário de Bordo, Data estelar desconhecida: A Starfleet e a Thunderbold entraram em uma dobra impossível devido a um problema ainda desconhecido nos motores de dobra de ambas as naves. Mais de 80% da tripulação sofreu ferimentos devido ao forte aceleração a que fomos submetidos. Tivemos até o momento 35 baixas, incluindo o Almirante Stolh. Não temos contato com a Thunderbold desde o incidente, estamos em um setor não mapeado, com vários reparos para serem executados nos sistemas da nave e detectamos naves desconhecidas se aproximando em velocidade sub-luz. A fuga é impossível, pois não temos como manobrar em velocidade de dobra. Uma vez que ainda não temos como nos comunicarmos com os alienígenas, estamos nos preparando para um possível confronto."
"Meu primeiro registro sendo realmente a Capitã! Espero que não seja o último." Pensou lisa enquanto observava a tela com as naves se aproximando. Doller estava no posto de navegador, a alferes Diana no comando das armas, o alferes Lamark no painel de comunicações, Mateus no console do oficial de ciências, e Lisa em seu posto de Capitã. Não havia ninguém como suplente, na verdade não havia pessoal disponível.”
- Senhor Doller, situação de navegação.
- Leme respondendo, motores de impulso também.
- Alferes Diana?
- Torpedos fotônicos operacionais, trava de armas também, dois bancos phasers ainda inoperantes. Ainda não temos tático, sensores de longo alcance e mapeamento do setor.
- Mate us, o que temos sobre aquelas naves?
- Chegarão em 15 minutos Capitã, os sensores ainda não tem eficiência suficiente para uma análise mais detalhada, mas elas possuem armas de design paralelo aos disruptores romulanos. Sua fonte de energia é desconhecida, mas gera uma grande força para o seu tamanho. As naves maiores tem 20 metros de comprimento e dois tipos de disruptores, não tenho como precisar o porque da diferença. Carregam 8 mísseis cada. As menores tem 10 metros, possuem 6 mísseis, de um tipo diferente. E, Capitã, elas possuem escudos.
Naves de 10 metros com escudos?
- Muito bem. Doller, toda força de impulso a frente. Vamos nos afastar.
- Sim Capitã.
Lauriel observou atônita quando a nave começou a se mover, fugindo deles. Eram incrivelmente rápidos!
- Atenção todos! - Lauriel quebrou o silencio do rádio - a nave estrangeira está fugindo de nós! Bernard! Sabe o que fazer, desabilite aquela nave.
- Entendido, esquadrão amarelo, armar os torpedos próton, abaixem os escudos da nave.
- Lembrem-se - avisou Lauriel - em menos de dois minutos a nave Exceler chegará a frente deles. Com certeza imaginarão que é um ataque hostil!
- Capitã! - informou Mateus - as naves aumentaram a velocidade e estão se aproximando! Tempo estimado - olhou para as leituras - dez minutos.
- Mateus, temos como disparar os phasers apenas o suficiente para abaixar os escudos deles?
- Creio que sim Capitã, mas eles têm que estar mais próximos para que eu tenha uma leitura precisa do nível necessário, senão os vaporizaremos.
- Me avise quando for possível. Alferes Diana, travar os phasers nas naves.
- Sim. Capitã!
- Capitã! - disse Diana em seguida - uma nave está saindo de velocidade de dobra na nossa frente.
Lindo! - Pensou Lisa.
- A nave tem cerca de 400 metros de comprimento Capitã - acrescentou Matias.
- Análise!
- Um momento - Matias usava freneticamente o seu painel - A nave tem vários canhões disruptores idênticos aos das naves menores, porém com um pouco mais de potência. Estou identificando outras naves pequenas dentro dela - Matias se virou para Lisa - Capitã, algumas são iguais as que estão nos perseguindo.
- Estão bloqueando o nosso caminho Capitã, e as outras naves estão muito próximas para nos desviarmos - informou Doller.
- Parada total. Matias, que danos as armas deles podem nos fazer?
- Nossos escudos podem resistir a elas. Mas tudo irá depender da intensidade do ataque.
- Nesse caso, vamos esperar. O próximo passo será deles.
- Bernard! - chamou Lauriel - Eles pararam, cancele o ataque. Vamos circular ao redor deles.
- Entendido.
A bordo da Exceler, o General Sornim ponderava sobre a situação. Estavam a 150 metros de distância de uma nave desconhecida que podia se mover quase tão rápido quanto um y-wing.
- Análise da nave - solicitou.
- A nave possui escudos poderosos, não identificamos canhões ou armas externas, pelo menos nada que se pareça com os nossos. Parece possuir dois lançadores na base da coluna dorsal que une o disco ao corpo. Se forem mesmo lançadores, seus mísseis devem ser devastadores para nós.
O General estremeceu. Ao saírem do hiperespaço cortaram o caminho deles, dando a impressão de emboscada. O pior era que estavam bem em frente aos supostos lançadores.
- Captamos anti matéria na nave, e uma incrível energia! Comparável a dos geradores do Executor. Existem 6 pares de dispositivos no disco da nave que poderiam ser disparadores de algum tipo, em pelo menos 4 deles existe uma fonte de energia ativa.
- E quanto as - ele não sabia como chamar aquilo - coisas também ligadas ao corpo da nave?
- Não sei dizer senhor, exceto que, no momento, parecem estar inativos.
Sornim ficou olhando para o monitor, pensando em como proceder.
- Comandante Lauriel - chamou - alguma informação para nós?
- Sim General, captamos transmissões vindas da nave, creio que podemos nos comunicar com eles.
- Muito bem, tentaremos entrar em contato, espero que nossos tradutores funcionem.
- Capitã - disse Matias - a nave maior está transmitindo um sinal em varias freqüências ao mesmo tempo. É possível que estejam tentando se comunicar, mas não temos como traduzir a mensagem.
- Talvez eles tenham, abra todos os canais.
- Pronto Capitã!
- Aqui é a Capitã Donner da USS Starfleet, da Federação dos Planetas Unidos, não temos intenções hostis. Estamos nesta área por acidente, se invadimos seu território, não foi intencional. Se podem nos compreender, respondam por favor.
- General, eles estão transmitindo algo nas mesmas freqüências que usamos, nosso tradutor conseguiu traduzir algo, vou por no áudio.
"....Federação .... Unidos ..... Hostis ..... acidente.... território .... intencional ... favor."
- A língua deles é muito diferente, mas tem pontos em comum com a nossa. Se mandarem mais palavras, poderemos traduzir com certeza.
- Retransmita o que pudemos traduzir.
- Sim Senhor.
- Capitã, estão retransmitindo parte do seu comunicado, parece que não o entenderam completamente.
- Nesse caso, transmita imagens e palavras correspondentes. Vamos torcer para que possam entender.
- Com o computador principal operando em 43% não vai ser muito rápido - comentou Matias.
- Bom, não temos mais o que fazer, e quando acabar a transmissão, estaremos totalmente operacionais, incluindo o nosso tradutor. Transmita em código cifrado uma mensagem relatando a nossa situação para a Thunderbold e repita essa mensagem até segunda ordem.
- Entendido Capitã. A transmissão demorará... 4 horas.
Lisa se lembrou do treinamento para contato com raças alienígenas, sobre a dificuldade de se comunicar com eles no caso do tradutor universal estar inoperante ou a linguagem não ser em forma fonética. Se retornasse para casa, teria coisas novas para ensinar.
****
Capítulo V
"Diário de Bordo, data estelar 3325.3, devido a um acidente ainda sem explicação satisfatória, ultrapassamos a dobra máxima e agora nos encontramos em território totalmente desconhecido. Temos apenas 40% de pessoal disponível para fazer os vários reparos necessários em nossos sistemas, os quais necessitamos para determinar nossa posição, localizar a USS Starfleet e encontrar uma forma de voltarmos ao espaço da federação. Agravando ainda mais a nossa situação, a equipe de manutenção enviada para reparar os sensores de curto alcance do lado externo da nave, localizou uma nave desconhecida mantendo posição a cerca de três quilômetros de distância. Posso no momento apenas supor que invadimos o espaço de alguma raça alienígena e que esta nave foi enviada para nos observar."
Jevlack olhou para Tirvik, que, contrariando as ordens médicas estava ajudando nos reparos dos sistemas da ponte. Estava com uma tala no braço ferido, e, por várias vezes, demonstrara dor ao usa-lo. Graças a interligação de todos os sintetizadores da nave pelo computador principal, a capacidade de criar as peças necessárias se multiplicou enormemente. Segundo o novo prognóstico, estariam totalmente operacionais em menos de duas horas.
O mais demorado seriam os sensores e as comunicações, isso porque estes equipamentos, além de terem os sistemas de controle danificados, também foram danificados externamente por estilhaços. Estilhaços estes identificados como sendo da Starfleet, mais precisamente da cúpula do reator.
- Tente o circuito a-4 novamente - pediu o chefe da equipe que estava reparando os sensores do lado de fora a Tirvik.
- Agora está funcionando - respondeu - já podemos localizar a nave alienígena.
- O que pode obter sobre ela? - perguntou Jevlack se aproximando.
Terak foi até o seu console e iniciou algumas leituras.
- Apenas a distância e dimensão. Está a três mil e duzentos e 9 metros de nós e tem novecentos e quatro metros de comprimento. Capitão! Existem dezenove naves menores circundando a Thunderbold.
- Como? Na tela!
Na tela via-se uma estranha configuração de nave. Era uma esfera - onde devia estar o piloto - ligada a dois painéis hexagonais.
- Todas as naves localizadas são variações desta - completou Terak.
A tela foi dividida em três. Uma outra nave tinha dois cilindros ligados a painéis similares as da primeira. A terceira nave tinha como diferença significativa apenas os painéis, em forma de pinça.
- Nossas armas?
- Todas operacionais agora - respondeu o alferes Thompson.
- Circuito a-8 - solicitou agora o chefe de manutenção.
- Testando. Operacional. Fontes de energia. - respondeu Tirvik olhando para o Capitão.
- Terak?
- Um momento senhor.
Jevlack ordenara que os sensores fossem restaurados para poderem determinar o verdadeiro perigo que estavam enfrentando. Para isso precisavam de, no mínimo, calculo de distâncias, identificação espectrográfica de energia e análise de ressonância induzida.
- A nave possui três reatores de energia, um dentro do casco e dois do lado externo. - disse Terak após uma análise inicial - São as esferas no topo do que parece ser a ponte de comando. Possui escudos que seguem as linhas da nave, e estes escudos parecem ser mantidos pelos dois reatores externos. Seus escudos são comparáveis aos nossos.
- Não me parece ser uma boa estratégia - comentou Tirvik.
- Creio que a causa seja a radiação gerada por estes reatores. Se estivessem no interior da nave, matariam todos os tripulantes. Aparentemente eles ainda não descobriram os campos de contenção. Existem centenas de armas parecidas com disruptores ao longo do casco, inferior e superior. Dois deles em especial são muito grandes. Todos estão energizados.
- Não estou surpreso - disse Jevlack - continue.
- As pequenas naves parecem ter como fonte de energia um reator de íon. Tem 10 metros de comprimento e parecem ser demasiado frágeis. No entanto, também possuem disruptores e são mais poderosos que nossos phasers de mão. Em uma analogia, diria que seriam caças protegendo um porta aviões.
- Capitão - chamou Thompson - estou captando uma outra nave com o mesmo formato triangular desta se aproximando em dobra 3. Deve chegar em 40 minutos.
Os sensores de longo alcance foram deixados de lado, ainda podiam ver apenas 10% da capacidade total. Um risco calculado.
- Muito bem, quando poderemos falar com eles?
- Em mais 30 minutos senhor - respondeu Tirvik.
- Capitão, as naves pequenas estão indo embora, retornando para a nave maior. Estou captando outras naves de um tipo diferente sendo lançadas. Parecem possuir lançadores de mísseis.
Jevlack nada disse, apenas observava na tela as naves partirem.
- Estão se movimentando... entraram em velocidade de dobra. Foram embora - disse Tirvik, incrédula - deixaram doze naves e partiram.
- Estas naves possuem escudos - Disse Terak.
- Quando as comunicações estiverem operacionais, retire o nosso pessoal lá de fora. E estejam prontos para partirem em dobra máxima.
- O leme ainda não está operacional em velocidade de dobra. - informou Tirvik, que temporariamente estava assumindo o posto de Oshiro.
- Engenharia! - chamou o Capitão pelo comunicador.
****
Soer viu a Invictor partir e deixa-los para enfrentar a estranha nave. Tudo o que sabiam sobre ela era que tinha escudos poderosos, possivelmente dois lançadores e 22 dispositivos que deviam disparar algo parecido com os seus turbolasers. Suas ordens eram claras, deter a nave até que o Interditor Cabriam chegasse. Tinham 40 minutos para isso. A missão da Invictor devia ser de extrema urgência, pois não podiam se atrasar nem um pouco.
Pela análise tática, se a nave tentasse fugir, teriam 15 minutos para dete-la antes que alcança-se a janela para o hiperespaço mais próxima. Claro! Isto se a nave fosse um destróier estelar. Mas não era. E se ela fosse mais rápida? Impossível - responderam os técnicos - seus motores não podem gerar tanta potência assim.
- Todos os caças, armar torpedos pesados!
Abaixar os escudos da nave para facilitar a captura, eram as ordens. Como seus escudos eram similares a da Invictor, apesar da diferença de tamanho, oito torpedos pesados deveriam fazer isso. Depois era disparar os canhões íons para garantir que ficassem inertes.
- Conforme foi planejado, Alphas 1 a 8, disparem os torpedos, o restante siga atrás para desabilitar a nave.
- Capitão! As naves estão se aproximando velozmente, parecem estar em formação de ataque!
- Aguarde senhor Thompson, vamos ver.
- CAPITÃO! - Disse Terak - creio que estão travando seus mísseis em nós.
Jevlack semicerrou os olhos.
- Qual a capacidade destes mísseis?
- Ainda não tenho como precisar.
- ALERTA VERMELHO! Sala de transportes, traga a equipe de manutenção para bordo imediatamente. Tirvik, força máxima de impulso. Vamos fugir deles.
- Sim senhor.
- Anderson! Precisamos manobrar em dobra, AGORA!
- Preciso de vinte minutos senhor.
- Não temos esse tempo! Ponha todos para trabalhar nisso!
- Impossível! Temos que seguir as etapas. Não adianta arrumar nove mulheres que não se terá um bebê em um mês!
- Então faça um aborto!
- Teremos manobras horizontais em cinco minutos.
- Ótimo! Avise quando pronto.
Soer não acreditou quando viu a velocidade que a nave podia chegar! Quinze minutos??? Bastavam dois!!!!! Mandou a esquadra desviar energia dos escudos para os motores, os torpedos tinham que ser disparados próximos a nave, pois sua capacidade de manobra era muito baixa.
- Elas aumentaram a velocidade - Informou Thompson.
- Manter curso.
- Sim Capitão.
Jevlack observava na tela as naves se aproximarem. Quinhentos metros, quatrocentos, trezentos...
- Estão disparando mísseis! - Informou Thompson.
- Evasiva!
A Thunderbold virou a bombordo, os mísseis a seguiram, diminuindo a velocidade para manter o alvo na mira.
- Senhor Thompson, travar phasers nos mísseis e dispare quando pronto!
- Entendido senhor.
Soer viu a nave mover-se como um Tie-Bomber, agora sabia porque o Império a queria. O que aconteceu em seguida o impressionou mais que tudo. Vários feixes de energia foram disparados por aqueles dispositivos até então desconhecidos da nave, destruindo os mísseis instantaneamente. Parecia um tipo de laser, porém de poder inconcebível.
Se a nave parecer poderosa demais, deve ser destruída, analisaremos os destroços.
- Todas as naves, destruam a nave inimiga.
Soer não acreditava que pudessem faze-lo, mas poderiam deixa-la ocupada o bastante até o Interditor chegar.
Mais 26 torpedos pesados foram disparados, e destruídos oito segundos depois, da mesma forma que antes. Era hora de ir para o mano a mano. Soer mudou o comando de armas para canhões laser e atacou a nave, sabendo que se ela disparasse, nem teria tempo de ver isso.
- Estão nos atacando com os disruptores senhor.
- Nossos escudos?
- Não estão atacando com intensidade suficiente para enfraquece-los a ponto de caírem. Apesar de poderosos, os disparos dissipam-se rapidamente. Mas, se atacarem todos em um mesmo ponto, teremos problemas.
- Anderson! E quanto a esse leme?
- Ainda tenho três minutos senhor.
- Muito bem. Terak, pode determinar o quanto seria necessário para abaixar os escudos deles?
- Sem problema senhor.
- Hora de fugir dos padrões de novo. Alferes Thompson, trave os phasers nas naves e regule para a intensidade que Terak lhe indicar, sala de transporte, vou dar mais uma vez uma ordem doida...
Soer não podia entender. Por mais que disparassem, os escudos não baixavam. A única explicação era que assim como a nave dele, eles podiam reerguer os escudos. Também achava estranho até agora não terem recebido nenhum contra ataque. Era como se não quisessem lutar. Seja como for, já haviam demonstrado que doze Assalt Gunboad não podiam fazer nada contra eles. Era hora de avisar ao General Mejev.
- Aqui é o comandante Soer chamando o Interditor Cabriam. A Nave alienígena é mais poderosa que imaginávamos, pode-se se mover e manobrar quase tão rápido quanto um Tie-Bomber, dispara feixes de energia semelhantes a laser, e até o momento não fomos capazes de causar qualquer espécie de dano aos seus esc....
Tudo ficou vermelho de repente! Soer sentiu um forte impacto, alguns alarmes soaram. Quando viu o seu painel, notou que seus escudos se foram, tanto frontais como traseiros. Pelo rádio, ouviu que as outras naves estavam na mesma situação. Não conseguiu entender muito bem, mas percebeu que estava com problemas, decidiu se afastar até recuperar os escudos. Ia ordenar aos outros a fazerem os mesmo, quando, desta vez, tudo ficou estranho. Por alguns instantes, pareceu que as estrelas cintilaram, e depois mudaram de lugar.
- Comandante Soer - chamaram pelo rádio - olhe no seu painel e me diga se fiquei louco.
Soer olhou e praticamente ficou em choque. Estavam agora a mil e setecentos quilômetros de distância da nave alienígena.
- Não - respondeu após alguns momentos - você não está louco. De alguma forma, eles nos chutaram para bem longe.
Realmente, eles não queriam lutar. Soer agradeceu aos seus deuses por isso.
- Alferes Lilandra, operou perfeitamente os transporte. Todas as naves ao mesmo tempo.
- Obrigada Capitão!
- Engenheiro Anderson, conseguimos mais tempo para vocês.
- Agradeço senhor. Podemos aproveitar e terminar as comunicações?
- Sim, vocês tem... - olhou para Terak.
- A nave chegará em 33 minutos.
- ... 33 minutos para isso.
- Estará pronto em 10!
"Parece que ele entrou no clima agora" pensou Jevlack.
****
Capítulo VI
"Diário de Bordo, data estelar desconhecida. Estamos ainda em nossas tentativas de contato com a nave que bloqueou o nosso caminho. Agora, com o nosso tradutor universal operando, talvez possamos finalmente efetua-lo. Nossa situação ainda é de risco, mas temos uma esperança de resolve-la diplomaticamente."
- Muito bem, abrir freqüências de saudação.
- Freqüências abertas Capitã - informou Diana.
- Aqui é a Capitã Donner da USS Starfleet, nave da federação dos Planetas Unidos. Se podem nos entender, por favor, respondam.
O tradutor foi alimentado com todas as transmissões captadas, pelo menos vinte línguas diferentes puderam ser traduzidas. Agora tinham que conseguir contato.
- Aqui é o General Sornim da nave da Aliança Rebelde Exceler. Oferecemos nossas saudações.
Lisa notou que seus subordinados suspiraram de alívio. Mas ela percebeu algo que a incomodou. Aliança Rebelde. Teriam os tradutores errado?
- Agradecemos sua saudação e oferecemos a nossa. Quero aproveitar para dizer que estamos aqui por acidente, e, se foi o caso, não pretendíamos invadir o seu território.
- Este território não é nosso. Talvez seja mais prático conversarmos frente a frente. Podemos nos encontrar em shuttles.
- Não creio que nossos shuttles tenham forma de acoplamento compatível com os seus. Ofereço minha nave. Podem trazer uma escolta se preferirem.
Houve um momento de silêncio, que Lisa aproveitou para considerar as informações obtidas. Não era território deles, mas tinham interesse na nave estranha. A ponto de se arriscarem a um combate para isso. E ainda havia o fato de se chamarem de rebeldes. Fez sinal para Matias cortar o áudio.
- Diana, uma análise lógica, por favor.
- Eles sem dúvida alguma tem interesse em nós. Talvez em nossa tecnologia. Sugiro informa-los de nossa primeira diretriz e não dar muito mais informações do que já possuem sobre nossas capacidades.
Lisa ponderou um pouco sobre a sugestão.
- Matias, abra a áudio.
O sinal indicou o canal aberto. Houve mais um pouco de silêncio.
- Perdoem-me pela demora, estava com dificuldades para convencer meus conselheiros de que a ida a sua nave seria uma prova de confiança de nossa parte. Vocês concordariam com uma escolta armada de seis guardas?
- Sim. Plenamente.
- Então partiremos imediatamente.
- Aguardarei o senhor com meus oficiais no nosso hangar.
- Entendido. Exceler desliga.
- Matias, fique no comando, e ache alguém para ocupar estes postos vagos. Conduzirei o General ao observatório. O resto, sigam-me até o hangar.
Sornim seguiu com sua escolta até a entrada do shuttle. Deu as ultimas instruções ao tenente Rinander que comandaria a nave enquanto estivesse fora. Manter a Starfleet sob mira, e destruí-la em caso de movimento hostil.
O Shuttle saiu da Exceler e logo foi escoltado pelos a-wing de Lauriel e Ígnea. Eles também pousariam na Starfleet, e integrariam o time de escolta do General. Os outros tres y-wing pousaram na Exceler para uma descanso aos seus pilotos. Sornim sabia que Lauriel também iria querer descansar, mas ela era a pessoa mais indicada para acompanha-los. Ígnea disse que preferia acompanhar sua comandante e amiga.
6.220 minutos depois, a comporta da Starfleet se abria, permitindo que as naves pudessem pousar. Não havia muito espaço. Todos acharam estranho uma nave daquele porte não possuir uma grande área para caças, na verdade, haviam apenas shuttles no hangar. Definitivamente, não era uma nave de guerra, o que significava que o Império, com certeza, deveria ter capturado a nave que localizaram.
Sornim ficou surpreso ao ver que eram humanos, bem, pelo menos a maioria. Estes sem dúvida nunca tinham visto uma criatura como ele. Só mais tarde eles diriam que se parecia com um peixe - seja lá o que isso fosse.
- General Sornim - disse uma das fêmeas humanas - sou a Capitã Lisa Donner, bem vindo a bordo da USS Starfleet.
- Obrigado - respondeu - é uma honra ser o primeiro de minha raça a conhece-los. Por favor - ele dirigiu-se a sua escolta - não fiquem com as mãos em cima das armas. Isso cria um ambiente muito tenso.
Seus guardas relutantemente puseram as mãos longe das armas.
- Se quiserem me seguir - disse a Capitã - temos um aposento adequado para nossas conversações.
- Creio que dois de meus guardas irão querer ficar aqui para vigiar as naves.
- Compreendo - disse a Capitã - mas o senhor deve entender que terei de deixar sentinelas aqui também.
- Ficaria surpreso se não deixasse - respondeu cordialmente.
Ígnea e Nalo ficaram no hangar, ao lado do shuttle do General, a distancia, ficaram dois seguranças da Starfleet.
Sornim começou a estranhar os tripulantes da Starfleet. Todos muito jovens. Mesmo a Capitã. Era como se fosse uma nave só de cadetes.
Entraram em um equipamento que a Capitã indicou sendo um turboelevador, que usavam para se movimentar pela nave. Muito prático. Movia-se lateralmente e horizontalmente, ao contrário dos equivalentes da Exceler. Não cabiam todos de uma vez, assim foram divididos em dois grupos.
Chegaram o local indicado pela Capitã. Havia quatro grandes janelas no fundo do aposento, e, próximo ao centro, uma grande mesa. Estranho, não parecia haver nada naquelas janelas que impedisse que o vácuo do espaço os sugasse para fora. Sentaram-se a mesa e logo em seguida, o resto da escolta do General chegou. Os quatro se posicionaram nos quatro pontos da sala. Na mesa estavam ele, a Capitã, o oficial de ciências Doller, e a chefe de segurança Diana. Uma vulcana, disse a Capitã quando notou a curiosidade do General sobre suas características peculiares.
- Creio que podemos conversar - começou a Capitã - General, serei franca e direta. Disse que não invadimos o seu espaço. Mas a forma como agiram poderia ter causado um confronto desnecessário. O acidente que mencionei tinha cortado nossas comunicações.
- Entendo perfeitamente, mas não tínhamos muita escolha. Diga, outra nave veio com vocês? Com as mesmas características?
A Capitã olhou para Doller, antes de responder.
- Sim, a USS Thunderbold. Vocês a localizaram também?
- O Império a localizou. Bom - ele respirou fundo - creio que terei que explicar a nossa história, para que entendam o porque de agirmos desta forma.
Soer desceu de sua nave, e viu o General Mejev o encarando. Ele queria informações, e Soer não sabia como fornece-las. Foi em sua direção.
- General - começou.
- Analisaremos primeiro os seus registros. Reuna-se comigo na sala de treinamento em vinte minutos.
- Sim senhor - disse fazendo continência.
Soer foi ao aposento que lhe foi designado, para tomar um banho rápido.
Lauriel estava ao lado das janelas do aposento, estava curiosa. Podia ver alguns x-wing e a-wing patrulhando a distância. Não parecia haver vidro ou qualquer outro material translúcido. Tentou por a mão através da janela e se surpreendeu ao ouvir um som alto, e surgir uma espécie de ondulação no local que tocara, como se tivesse jogado pedras em um lago. Rapidamente notou que sua ação interrompera a conversa do General.
- Desculpem-me - disse.
- É um campo de força - disse a Capitã - nós usamos esta sala também como observatório, e qualquer material translúcido poderia causar reflexos indesejáveis.
Lauriel maneou a cabeça, concordando. Voltou a olhar as estrelas, tentando não prestar atenção ao que o General dizia. Sobre como tudo o que a galáxia tinha conhecido tinha sido guerras e guerras, até que surgiu um Império para tentar impor a paz. Uma paz militar.
Preferiu concentrar-se na Starfleet. Desde que chegara, no hangar, corredores, turbo-sei-la-o-quê, TUDO era impecável. Tudo limpo, sem sinal de poeira de qualquer espécie. Parecia uma nave hospital. Isso exigia uma grande disciplina. Disciplina militar.
Sentia-se mal! Estava suada, fedendo e com o cabelo horrível. Tinha pilotado sua nave por quase sete horas. Sentiu-se envergonhada ao ver a limpeza da nave.
Continuando, os postos da tripulação: Capitã, oficial de ciências, alferes. Eram títulos militares. Mas não havia caças no hangar, apenas 4 shuttles. Não havia turbolasers ou qualquer coisa similar no casco externo da nave. Nenhuma comporta localizada em que as armas pudessem estar ocultas. Apenas dois lançadores de algum tipo e dispositivos que poderiam ser armas, ou simplesmente sensores. Baseado no que conhecia, Não se encaixava. Uma nave civil povoada por militares? Não! Podia ser uma nave de exploração, mas era militar, devia Ter armas, e poderosas. Tinham detectado uma fonte de energia com um poder tão grande como os dos reatores do Executor.
"Os Jedis foram exterminados por Darth Vader, que se tornou o maior comandante do Império, abaixo apenas do imperador. Dominado pelo lado negro da força, fez o Império progredir de forma brutal, esmagando toda a resistência. Assim, a rebelião acabou sendo a única resposta possível. Uma aliança das raças que não estavam dispostas a aceitar a paz escravizadora que estava sendo imposta..."
A Capitã e os demais pareciam absortos pela conversa, mas ela já conhecia esta história. Estava ajudando a faze-la.
O Império! Uma nação poderosa que decidiu que a paz devia ser conquistada, e todos os que se opusessem a forma como era feita eram conquistados ou extintos. Se havia algum conflito em algum ponto da galáxia, a Império vinha intervir para acabar com o mesmo. E de uma forma prática! Se a diplomacia falhasse (apenas em 99% dos casos) usavam a força. Conquistavam os dois lados antagônicos e integravam estes governos ao dele.
Bela paz essa. Planetas que tinham abolido a escravidão voltavam a ter esse comércio, mundos unificados eram fragmentados por insurreições internas. Todas devidamente esmagadas. Claro que haviam os mundos que se aliavam a Império para obter vantagem. O seu foi um deles.
O General falava rapidamente. Lauriel discretamente pressionou o seu dispositivo de contato, para que Ígnea reportasse se estava tudo bem. Luz verde acesa. Sim tudo bem.
Fácil demais, limpo demais, tranqüilo demais. Estaria ela tão acostumada a guerra que momentos de paz diplomática eram desgastantes? Olhou para os seus companheiros. Todos relaxados. Suspirou silenciosamente. Pôs as mãos para trás e encostou-se na parede. Provavelmente os anos em que fora escrava a deixaram desconfiada de tudo.
Soer ouvia atentamente a explicação dos analistas. A nave deveria Ter menos massa que a anteriormente calculada, só assim poderia se mover tão rapidamente como o fez. Suas armas eram feixes de energia poderosos, que podiam ser direcionados facilmente, ao contrário dos canhões laser, que disparavam sempre na mesma direção. Quanto ao incidente final, ficou descartada qualquer espécie de mini-hiperpropulsão. Os Assalt Gunboad foram realmente transportados de alguma maneira.
- Comandante Soer, como estava no comando da operação, tem algo a acrescentar ou perguntar? - perguntou o General
- Sim - disse enquanto se levantava - quinze minutos após sermos transportados, a nave partiu. No entanto, não estava próxima a nenhuma janela para o hiperespaço. Inclusive, como poderão ver nos registros de minha nave, ela fez uma curva para a direita. Como isso é possível?
O General olhou para o analista.
- Mostre este registro - ordenou. Estava obviamente irritado por essa informação não Ter sido comentada.
Todos observaram as imagens holográficas. Claramente via-se a nave avançar rapidamente, como que partindo para o hiperespaço, e fazer uma curva para a direita.
- E então? - Perguntou o General, demonstrando impaciência.
- Não temos como explicar isso - respondeu o analista - a não ser que aceitemos a idéia de que não estavam usando o hiperespaço, pelo menos não da mesma forma que nós.
- Se ela pode manobrar no hiperespaço, não há como sabermos onde está agora.
Soer tomou a palavra mais uma vez.
- Terine, se eles podem manobrar, devemos supor que também possam Ter sensores capazes de detecção no subespaço, do contrário colidiriam com alguma estrela ou planeta.
- Sim - concordou o analista - podemos supor isso.
- Muito bem, farei o meu relatório ao Imperador. Todos dispensados.
Até que não foi difícil - pensou Soer enquanto ia para os seus aposentos Ter um merecido repouso.
- Comandante Soer - chamou o General - tem uma mensagem para você no arquivo 332-1.
- Obrigado senhor - respondeu.
Foi a um terminal próximo e leu a mensagem. Eram dos caçadores. Informaram que sua antiga escrava estava no setor 0-4-9, em uma missão para contato com uma nave estranha que surgira por lá fazia quase 20 horas. Uma nave descrita como tendo um grande disco ligado a um cilindro.
Soer sorriu maldosamente. Outra nave, e a sua escrava no mesmo local. Podiam chegar lá em seis horas, mas havia um posto do Império mais próximo, com um destróier estelar.
- General! - chamou - acho que tenho uma noticia que irá lhe interessar...
Ígnea estava ficando com fome. Notou alguns tripulantes com feições similares as suas, que os seguranças da Starfleet disseram ser orientais. Orientais? O fato de serem humanos, e terem características tão similares as suas e ra assustador.
- Está com fome? - perguntou um dos seguranças.
Balançou afirmativamente a cabeça. Se eram humanos, a comida deles não deveria fazer mal. O segurança aproximou-se de uma espécie de mesa, onde disse: Computador, suco de laranja. Ígnea ficou impressionada, e seu parceiro Nalo também! Ali, do nada, materializou-se um copo com suco de laranja.
Quando ele foi entregue, notou que estava frio, e com o aroma de que tinha sido feito recentemente. Ela não sabia o que era laranja, mas fora fazendeira por um bom tempo em seu planeta natal, e podia reconhecer um suco de fruta feito na hora. Bebeu o líquido. Delicioso!
- Tem mais? - perguntou com um sorriso.
- Claro, minha linda - respondeu o segurança - me chame de Tobias.
- Meu nome é Ígnea.
- Bonito - comentou Tobias.
Nalo e o outro segurança trocaram olhares, e ambos pareciam concordar em dizer - era só o que faltava!
- Como assim nós não vamos? - Soer estava desconcertado.
- Ordem direta do Imperador! - disse o General - A Giant já foi enviada, mas com certeza a nave alienígena poderá fugir facilmente, assim como a última. O objetivo será capturar a nave rebelde que está com eles, e absorver qualquer informação que tenham obtido.
Soer calou-se. Não gostou a informação.
- Instrua o seu espião a deter a nave rebelde. Se for bem sucedido, será regiamente recompensado. Iremos partir imediatamente para integrar a frota de Darth Vader. Dispensado.
Soer afastou-se pa ra dar a ordem. Quando estava na porta ouviu o General dizer:
- Se sua antiga escrava for capturada, em honra aos seus serviços ao Império ela será entregue aos seus cuidados.
Ele nada disse. Queria estar presente quando acontecesse, ver a surpresa em seus olhos. Sentir o medo ou ódio que ela expressasse em primeira mão. Mas certos prazeres a vida não concede.
Matias olhava as leituras do sensor de longo alcance que estava finalmente operacional. Sorriu satisfeito.
- Porth, assuma - disse - irei ao observatório.
Seguiu pelo turboelevador e parou em frente a porta automática, solicitando permissão para entrar. Ao ouvir um "entre" da Capitã, entrou e disse baixinho em seu ouvido:
- Os sensores foram recuperados, captamos a Thunderbold, vindo em dobra máxima. Deverá chegar em menos de 10 minutos. Mas também captamos uma outra nave, vindo da mesma direção em que a Exceler surgiu. Esta tem o formato triangular e um quilômetro e meio de comprimento.
Notou que a Capitã ficou apreensiva com a notícia.
- Algum problema? - perguntou o General.
Matias olhou para ele. Parecia um humanóide com cabeça de peixe. Mas não demonstrou nada.
- Talvez. - disse a Capitã - Captamos a outra nave que veio conosco no mesmo acidente. Chegará em dez minutos.
A surpresa do General era evidente. A guarda que estava ao lado da janela pegou uma espécie de comunicador e falou por ele.
- Exceler, aqui é a comandante Lauriel, por que não fomos informados que uma nave está se aproximando?
- Não captamos nada nos sensores - foi a resposta.
- Nada? Ela chegará em dez minutos!
- Repetindo, nada nos sensores e nem no visual. Se tiver dispositivos de camuflagem, também deve poder ficar invisível. - Entreolharam-se.
- Creio que posso explicar - disse Doller - a nave está vindo em velocidade de dobra, acima da velocidade da luz. Obviamente seus sensores não possuem esta capacidade.
Os visitantes ficaram emudecidos. Matias lembrou-se do conselho de Diana. Agora eles sabiam que a tecnologia a bordo da Starfleet era superior a deles. Pelo menos em sensores.
- Há mais uma coisa, captamos outra nave se aproximando vindo da mesma direção que vocês.
- Outra nave? - perguntou o General - Não foi designada nenhuma outra nave para esta área.
- Com licença? - disse Matias se aproximando da mesa e acionando alguns comandos no console - pronto, esta é a nave.
Surgiu um holograma da nave em questão.
- Um destróier Imperial! - exclamou o General. - Está vindo para cá?
- Chegará em duas horas - completou Matias.
- Senhor Matias - disse a Capitã - comunique-se com a Thunderbold e informe que estamos bem, e que estamos fazendo um primeiro contato com os seres que localizamos. Diga que irei falar com eles assim que o General voltar a sua nave. Temos duas horas. Vamos aproveita-las.
- Sim Capitã! - disse Matias, Retirando-se em seguida.
Mas ainda ouviu a Capitã falar antes de sair.
- Bem General, contou-me sua história, e posso compreender a situação de vocês, agora, vocês devem compreender a nossa. E principalmente da nossa Diretriz Primeira...
A bordo da Exceler, uma figura furtiva saia da sala de controle do hiperdrive. Certificando-se de que ninguém o vira, pegou um comunicador imperial e informou que tudo estava pronto. Mesmo que a nave estrangeira pudesse fugir, o Exceler não conseguiria.
****
Capítulo VII
A Thunderbold surgiu repentinamente, vindo de uma posição inesperada. Rinander ficou sem ação ao ser informado. O General dissera a poucos instantes que uma nave parecida com a Starfleet surgiria em breve. Deveria manter posição e não provoca-la. Mas não esperava que a mesma surgisse do hiperespaço posicionando-se tão próxima.
Era maior que a Starfleet, e tinha um desenho diferente. Mas o estilo era sem dúvida o mesmo. Um grande disco ligado ao corpo. Motores atrás do disco e um hangar na cauda. Seu formato, contudo era mais ameaçador. Possuía 24 dispositivos iguais as da Starfleet, e dois lançadores, localizados também na dorsal que unia o disco ao corpo da nave. Os escudos eram mais poderosos, praticamente os mesmos de um destróier estelar.
- Distância da nave - pediu.
- 80 metros - foi a resposta.
Cercados por duas naves de poder desconhecido, com um destróier estelar a caminho e distantes 30 minutos da janela mais próxima.
- Deixe todos os caças de prontidão.
- Sim senhor.
"Diário de Bordo, data estelar 3322.1, Seguimos o sinal captado da USS Starfleet, após o reparo de nossas comunicações. Fomos informados pelo primeiro oficial Matias que a nave de treinamento estará operacional em 5 horas, e que uma outra nave se aproxima em dobra 3. Segundo informações prestadas pelo representante da aliança rebelde, essa nave pertence ao mesmo povo que nos atacou há pouco tempo. Portanto, temos que encontrar uma forma de tirar a Starfleet daqui, mesmo que seja necessário evacuar sua tripulação e destruir a nave, para evitar a violação da primeira diretriz."
- Matias, relatório, por favor - pediu Jevlack.
Pela tela, Matias estava se sentindo pouco a vontade para falar.
- Só precisamos do leme para manobrar a nave em dobra, mas, pelo que pude apurar quando estava no observatório, esse povo só pode fazer detecções em sub-luz. Bastaria irmos para qualquer lado que estaremos seguros.
- Vocês estão precisando de mais pessoal para os reparos?
- Na verdade, precisamos de mais sintetizadores.
- Nesse caso, engenheiro Anderson, apresente-se a sala de transporte e vá para a Starfleet, veja o que eles precisam e use os nossos sintetizadores para isso. Quero saber quanto tempo é preciso para mover aquela nave.
- Sim senhor.
- Terak, acesse o computador da Starfleet e use os sensores deles em conjunto com os nossos, para analisar essa nave, a Exceler. E analise também as que estão no hangar da Starfleet.
- Entendido Capitão.
- Tirvik, venha comigo, hora de uma tarefa diplomática, alferes Thompson, devido a falta de pessoal... Bom, o comando é seu.
- Sim senhor - ele não pareceu muito contente.
- Senhor Matias, informe a Capitã que estamos indo a bordo para participar das conversações.
- Sim Capitão - respondeu Matias - Starfleet desliga.
Jevlack seguiu com Tirvik para a sala de transportes. A noticia da morte do almirante o incomodou muito, mas não era hora de considerar isso. Tinha uma nave cheia de cadetes que de uma hora para outra se tornaram oficiais e tiveram que fazer um primeiro contato com um povo desconhecido, sendo que estavam em guerra por libertação. Pela primeira diretriz, não poderiam tomar nenhum partido, e deveriam que deixar a área o mais rápido possível, pois os dois lados deviam estar procurando por qualquer vantagem possível. Nesse caso, eles.
Apesar da comandan... Capitã Donner ter servido com o comodoro Brand, Jevlack temia que sua inexperiência em diplomacia com povos desconhecidos causasse algum tipo de interferência. No caso, "infecção" cultural estava descartada, era um povo altamente tecnológico, embora ainda não fosse possível determinar se sua tecnologia era superior ou não. Apesar de suas naves aparentemente alcançarem no máximo a dobra três, demonstrando inferioridade, as naves pequenas com escudos próprios, armas e motores potentes alimentados por uma única fonte de força demonstrava o contrário. Talvez fosse como Terak tinha sugerido durante sua análise primária, não deviam considerar superior ou inferior, apenas diferente.
Nesse caso, o que ocorreria em uma combinação dessas tecnologias? Era algo assustador. Se estavam em guerra, qualquer lado que pudesse ter apenas os sensores de longo alcance dominaria por completo o outro.
Chegaram a sala de transporte. Jevlack ordenou o transporte e, após alguns instantes, estavam na Starfleet. Matias estava lá para recepciona-los.
- Permissão para vir a bordo, comandante.
- Concedida senhor. Confesso que agora me sinto um pouco mais seguro.
- Não deveria, a Thunderbold não está em melhor estado, não temos nenhum sistema de emergência para o caso dos principais falharem.
- Então - disse Matias - estamos no mesmo barco. Por favor.
Matias indicou para que o seguissem. Passaram por uma das enfermarias, Jevlack aproveitou para dar uma espiada. Aparentemente controlaram a situação assim como eles.
- Quantos oficiais professores estão na ativa? - Perguntou Tirvik.
- Apenas 1, os outros três morreram.
- Fizeram um bom trabalho - comentou Jevlack, evitando falar no almirante - Quantos tripulantes estão aptos a trabalharem?
- Apenas 130, pelo que o seu Engenheiro disse, nossos danos foram menores, talvez pelos escudos estarem baixos. A ressonância da dobra não foi intensificada graças a isso.
Sim, tudo o que estava protegido por escudos de qualquer tipo sofreram danos, foi por isso que os chips isolineares de ambas as naves foram devastados. Automaticamente, em uma situação de emergência, os principais circuitos são protegidos por campos de força, mas isso multiplicou o efeito de distorção, pulverizando-os. Apenas os sistemas que não tinham tal proteção ficaram operacionais. Infelizmente, quase nada.
Entraram no turboelevador e seguiram para o deck 2, onde ficava o observatório.
Havia algo que Jevlack queria pedir ao General Sornim, na verdade, uma troca. Os seus mapas estelares em troca dos dele. Precisavam determinar a sua posição urgentemente.
Entraram na sala e foram apresentados por Matias, que retirou-se em seguida.
- General Sornim - começou - como já está a par, uma nave inimiga de vocês, e, até onde pude sentir, inimiga nossa também, chegará em menos de duas horas. Creio que a Capitã Donner já lhe explicou sobre a nossa lei máxima, a primeira diretriz.
- Sim - respondeu - ela acabou de nos explicar.
- No entanto, para nós, estamos em terreno inexplorado. Mesmo com nossos sensores e cálculos, não fomos capazes de determinar a nossa posição em relação a nossa origem. Na verdade, nem sabemos em que ponto da galáxia estamos. Nada do que identificamos combina com nenhuma referência que temos.
- Talvez porque vocês não estejam em sua galáxia - replicou Sornim.
- Como? - perguntou Doller.
- Nossa galáxia é totalmente mapeada - continuou - nunca tivemos notícia da Federação dos Planetas Unidos. Nunca vimos naves como as suas. Vocês não podem ser daqui.
Todos ficaram sem saber o que dizer. Não estavam em sua galáxia?
- Comandante Terak - chamou pelo comunicador - localize em que curso se encontra a galáxia de Andrômeda.
A espera foi grande.
- Capitão - veio a resposta - não localizamos a galáxia. Nem nenhuma outra que esteja mapeada. De fato, nenhuma galáxia que possa ser vista combina com as que temos registradas.
Mais alguns momentos de silêncio.
- A que velocidade teríamos que estar para chegar a um ponto em que nada que tenha sido mapeado passa ser visto?
- Teoricamente, este ponto não deveria existir. É provável que as galáxias, vistas de outro angulo e distância, não se pareçam com as imagens que temos arquivadas. Seria necessário comparar a posição que temos delas com simulações do computador. Levará duas semanas para todas as comparações possíveis.
- Veremos isso depois - Jevlack desliga.
- Bom General, precisaremos dos seus mapas desta galáxia, para nos poupar tempo. E eu creio que irá querer algo em troca...
****
Lauriel ainda tentava se recuperar de tudo que vira na última meia-hora. A Capitã perguntou porque se sentia pouco a vontade, e ela cordialmente disse que gostaria de ter se lavado antes de vir. Ofereceram a ela as dependências da nave para isso, além de uma consulta com o médico. Claro que se recusou, mas o General ordenara que atendesse, no interesse de estabelecer boas relações. Obviamente, era uma chance de obter qualquer espécie de informação.
E que espécie de informação! Conhecera os sintetizadores, que podiam materializar qualquer espécie de alimentos e equipamentos, incluindo roupas. Eles tinham sintetizado novas roupas para ela, idênticas as suas antigas. Só que eram mais confortáveis. Pelo menos soubera porque a nave era tão limpa. Era auto-limpante!
Foi convencida a fazer um exame médico, eles queriam saber até que ponto eram similares. Disseram que seria indolor.
Tricorder acionado, o médico falava sobre as leituras que obtinha: Dois dedos artificiais da mão esquerda, alguns estilhaços no peito, 63 quilos, cabelos ruivos pintados de preto, deficiência visual no olho esquerdo - conseqüência de uma batalha antiga - algumas torções na coluna. Tudo isso em um aparelho que cabia na palma da mão.
O médico falava, mas não havia ninguém anotando, devia estar sendo gravado automaticamente. Todos os leitos estavam ocupados por pessoas com politraumatismo. O acidente do qual a Capitã falou devia ter sido muito sério.
Agora estava sendo conduzida de volta ao observatório, com a vista reparada, e sentindo-se ótima pela primeira vez em anos. Chegando lá, havia mais algumas pessoas na sala conversando com o General. Segundo informaram, eram Jevlack, Capitão da Thunderbold, e Tirvik, sua primeira oficial. Lauriel notou a tala que ela usava. Fez um sinal imperceptível ao General, indicando que descobrira coisas. Muitas coisas.
Jevlack cumprimentou com a cabeça a comandante Lauriel. Após esta assumir sua posição ao lado da janela, retomou sua conversa com o General.
- General, a primeira diretriz foi criada depois que tivemos um incidente desastroso com os Klingons. Isso causou uma série de hostilidades que só há alguns anos foi resolvida. Compreendo o ponto de vista de vocês, mas não podemos tomar partido. Não cabe a nós interferir no desenvolvimento de nenhuma raça do universo. Ademais, podemos mapear esta galáxia. Vai levar mais tempo. Mas no momento não há meios de lhe fornecer conhecimento tecnológico para que possam suplantar seus oponentes.
Sornim abaixou a cabeça, demonstrando seu pesar.
- Capitão - era a voz do engenheiro Anderson no comunicador - A Starfleet poderá entrar em dobra em vinte minutos.
- Entendido. Quanto tempo até a chegada da outra nave? - perguntou a Lisa.
- Cerca de 40 minutos.
- General - interveio Lauriel - precisamos de 30 minutos até a nossa janela do hiperespaço.
- Mande a Exceler se movimentar, em breve retornaremos.
- Sim senhor - disse Lauriel, se afastando e usando o seu comunicador, que também estava impecável, agora.
- Sugiro continuarmos nossa conversa em outro local mais tranqüilo. Podemos fornecer nossas coordenadas para vocês nos seguirem.
- Não é necessário - disse Lisa - podemos segui-los no hiperespaço.
- Sim, tinha me esquecido.
Jevlack acompanhou o General e sua escolta até o hangar, onde um dos pilotos da nave que tinha escoltado o seu shuttle estava beijando um segurança da Starfleet.
- Aham! - Fez Tirvik.
Ambos se desvencilharam, surpresos e envergonhados de serem surpreendidos.
- Parece que estamos fazendo um bom relacionamento com eles - comentou a Capitã Donner.
Jevlack nada disse. Tinha problemas demais para se incomodar com certas situações.
O Shuttle partiu, seguido pelos a-wings, 10 minutos depois, haviam retornado a Exceler. Jevlack retornou para a Thunderbold. As três naves começaram a se mover, a Exceler indo para a sua janela para o hiperespaço, a Thunderbold e a Starfleet a escoltando.
As demais naves que estavam patrulhando, foram, uma a uma pousando a bordo da Exceler. O piloto de uma destas, acionou um dispositivo que estava a bordo de sua nave.
- Muito bem, o ultimo caça pousou, vamos partir. Segundo a Starfleet, o destróier chegará em cinco minutos. - Disse Sornim.
A Exceler estava prestes a entrar no hiperespaço. Os computadores assumirão o controle, iniciando a seqüência automática. No instante que o hiperdrive foi acionado, A Exceler estremeceu um pouco. Um grande estrondo ecoou por todos os compartimentos.
- General Sornim? - era a Capitã da Starfleet no áudio - captamos uma explosão na sua nave.
Havia uma correria geral, todos acessando seus consoles para descobrir o que tinha acontecido que os impedira de partir.
- Foi o hiperdrive! Foi destruído. - disse Rinander.
- Capitã Donner! - chamou Sornim - Fomos sabotados, estamos impossibilitados de viajar. Fujam enquanto podem, vou ordenar a evacuação da nave. Exceler desliga.
Ordenou que os caças fossem lançados para dar cobertura aos transportes.
Os pilotos saíram correndo, Lauriel foi uma das primeiras a chegar ao hangar. Já estava indo em sua direção quando ou viu o som da explosão. Pegou a primeira nave que viu, um x-wing! Nada de checar sistemas, era uma emergência, decolou rapidamente, seguida por outras 5 naves cujos pilotos estavam tão preparados como ela. Ígnea era um deles. Os primeiros grupos da evacuação já estavam embarcando em dois transportes no hangar.
O segundo grupo de pilotos estava acionando os seus motores. Um jovem cadete promissor pegou um y-wing que tinha pousado recentemente. Ao acionar os motores, seus seis mísseis de prótons explodiram ao mesmo tempo.
Parte da sustentação do hangar desmoronou. Os escudos que mantinham a pressão atmosférica no hangar ficaram inoperantes, causando uma violenta descompressão que arrastou todos o tripulantes e naves que lá se encontravam ao vácuo sideral.
Os escudos externos da nave foram acionados para envolverem a porta do hangar, impedindo a completa descompressão da nave. Mas o hangar já estava inutilizável. Havia várias naves empilhadas, destruídas e em chamas, muitas ainda explodiam, apesar dos dispositivos anti-incêndio já estarem tentando apagar o fogo.
- Acabou - disse Sornim quando soube - seremos capturados.
O destróier estelar Giant chegou, posicionando-se logo abaixo das três naves.
****
A bordo da Thunderbold, Jevlack ponderava sobre a decisão a ser tomada. Interferir na batalha que irá se seguir e violar a primeira diretriz, ou partir e deixar a Exceler a própria sorte? Ou Ter uma cartada para negociar posteriormente?
- Atenção todos da ponte, estou para tomar uma decisão que pode ser encarada como violação da primeira diretriz. Quem se opõe que diga agora, constará no meu diário.
- Se é uma possibilidade - disse Terak - então dependerá do ponto de vista. Não tenho objeções.
O mesmo foi repetido por todos.
- Nesse caso, Tirvik, posicione-nos a frente da Exceler. Thompson, informe a Starfleet para nos seguir assim que partirmos, e para teleportar aquelas 5 naves que saíram para o seu hangar.
- Sim Capitão.
- Peça a Exceler para baixar os seus escudos...
Todos os esquadrões do destróier estelar Giant estavam sendo lançados, 6 de cada vez. Tie-bombers, Tie-Fighters, Assalt Gunboat, transportes de assalto, shuttles armados com canhões de ions, etc. A ordem foi clara! Capturar a nave rebelde de qualquer forma, a qualquer custo. E, se possível, as naves estrangeiras também.
As coordenadas foram perfeitas, posicionaram-se a pouco mais de um quilômetro de distância, os caças poderiam atacar 15 segundos após saírem do hangar. Não havia como fracassar. Os poucos caças rebeldes que foram afortunados o bastante para decolar seriam facilmente abatidos pela vantagem esmagadora. O General Siy estava tranqüilo na ponte de comando.
- Senhor! - chamou um dos encarregados de monitorar o ataque - os caças rebeldes sumiram.
- Como? - foi em sua direção - entraram no hiperespaço?
- Não senhor - respondeu ofegante - pareceu que foram envolvidos por alguma espécie de campo de distorção e sumiram.
- Senhor! - outro soldado chamou - os escudos da Exceler abaixaram e um feixe de energia foi disparado de uma das naves estrangeiras na sua proa. Parece ser um tipo de raio de tração.
Não, não pode ser!
- As naves... partiram senhor, todas elas.
Siy olhou pela viga da ponte de comando. Viu apenas seus caças manobrando para não colidirem entre si.
****
Capítulo VIII
O Executor e mais cinco destróieres estelares aguardavam a chegada do Interditor Cabrian, que deveria integrar a sua frota. Na ponte de comando, Darth Vader aparentava apenas observar as estrelas, o som de sua respiração podia ser ouvida por alguns soldados próximos, e estes sentiam arrepios de medo.
- Senhor, o imperador pede que entre em contato com ele imediatamente.
Vader imediatamente virou-se e foi até seus aposentos. Lá chegando, acionou o comunicador, um holograma do imperador apareceu.
- Meu mestre, o Interditor Cabrian irá chegar bem mais cedo. Partiremos imediatamente.
- Suas ordens mudaram. Os rebeldes estão com as naves estrangeiras, e provavelmente fizeram algum tipo de acordo com eles. Segundo o General Siy uma das naves ajudou o cruzador rebelde a fugir. Assim que tivermos a localização deles, você deverá partir imediatamente e destruir as naves.
- Mestre, essas naves não seriam mais úteis se fossem capturadas? Têm o mesmo desenho daquela que apareceu há várias décadas, e o que conseguimos com ela nos permitiu a construção do Eclipse.
- Acha que pode captura-los? Elas são rápidas e já estão operacionais.
- Só teremos chance de captura-los se os enganarmos. E creio que sei o que podemos fazer. Se me permitir...
O imperador ponderou por alguns momentos.
- Muito bem Vader, pode usar o que for necessário, mas, se não puder captura-las, destrua-as.
A imagem apagou-se. Darth Vader voltou para a ponte.
- Comandante – disse – chame Quatronni. Diga que tenho um serviço para ele.
A nave Liberdade saiu do hiperespaço e manobrou para integrar a frota. 8 cruzadores Calamari, 4 Nebulon-B, incluindo ela própria, e 20 Corvetes. Assim que assumiu sua posição, um Shuttle com o General Karakyr e seis Almirantes de esquadra partiu em direção a nave comando da frota rebelde.
Assim que pousou, o General foram conduzidos ao auditório em que estavam reunidos todos os principais comandantes da rebelião. Alguns momentos depois, Safrã posicionou-se à frente deles e começou a falar.
- Senhores, com certeza estão curiosos sobre o porque de estarem aqui e qual é o objetivo de nossa missão.
Olhou para os 63 presentes na sala. Comandantes de esquadra, generais, pilotos de operações especiais, todos olhavam para ele atentamente.
- Nossos espiões nos informaram que o Império se encontra no final da construção de uma poderosa nave. Os primeiros informes indicam que ela teria mais de quinze mil metros, cem esquadrões de caças além de uma grande quantidade de AT-AT’s. Estamos falando de uma nave que pode conquistar planetas, sem o auxilio de outras.
No painel atrás de Safrã, surgiu uma imagem da nova arma.
- Como podem ver, ela segue o estilo das naves do Império.
- Aquela abertura na frente da nave, é um tipo de arma?
- Acreditamos que sim – Safrã apontou para a imagem – Baseados no que conhecemos, uma arma de tal porte poderia facilmente calcinar a superfície de qualquer planeta.
Houve murmúrios de comentários na platéia. Comentários temerosos e assustados. Safrã prosseguiu.
- Existem oito destróieres estelares protegendo a nave. É possível que existam mais quando estivermos prontos para atacar.
- Qual será o plano de ataque?
- Por medidas de segurança, o plano completo só será explicado momentos antes de sua execução.
Mais conversas desconexas, não gostaram do segredo.
- Senhores! Se Império concluir esta arma, não teremos nada que possa fazer frente a ela. É imperativo que seja mantida a segurança extrema. Assim que as naves restantes chegarem, atacaremos. Se não os detivermos agora, todos os mundos livres da galáxia se curvarão ante o Império.
- Comandante! – chamou Karakyr – e quanto as duas naves estrangeiras?
Um novo murmúrio de comentários ecoou pela sala.
- Ao seu tempo, General. A última coisa que soubemos é que a Exceler se encontrou com ambas as naves e estavam em conversação. Mas não devemos nos animar. Nada garante que se unam a nossa causa a tempo de ajudar no nosso ataque. Vocês devem preparar seus comandados para uma grande operação. Por enquanto é só.
Todos começaram a sair, para retornar as suas naves e iniciar os preparativos para que estivessem alerta para quando a missão começasse.
- General Karakyr! – chamou Safrã.
O General foi em sua direção.
- Não faça nenhum comentário sobre aquelas naves a ninguém. Isso é uma ordem.
Karakyr ficou observando enquanto Safrã saia da sala.
Safrã entrou na sala de operações, assim chamada porque era lá que todas as operações eram planejadas e discutidas.
- Algo grande está acontecendo – disse um dos operadores – nos últimos dias vários destróieres estelares do Império abandonaram suas posições e seguiram para rumo ignorado. Sem nenhuma explicação.
- Para onde seguiram? E quantas são?
- Cerca de 36 destróieres, 5 classe Victory e 40 Corvetes de assalto, e não foram para nenhum ponto convergente.
Talvez estivessem fazendo manobras divisionárias, indo para um local apenas para despistar e partindo em seguida para o objetivo principal. Se for esse o caso, então realmente algo grande está acontecendo. Algo muito bem coordenado, e não poderia ser paralelo a construção do Eclipse.
Os espiões foram claros, o Eclipse não foi criado visando esmagar a Aliança Rebelde diretamente, seu objetivo era ser usado como arma de persuasão. Qualquer um que desafiasse o Império seria imediatamente atacado. Isso sem dúvida poderia com o tempo desmantelar a Aliança, assustando todos os que direta ou indiretamente a auxiliavam.
- Alguma notícia da Exceler?
- Não senhor, o ultimo informe dizia que iriam partir para o ponto secundário, momentos antes da nave do império chegar. Já deveríamos ter alguma notícia, pois isso foi há 6 horas.
Sornim nada sabia sobre a operação, muito menos que a Liberdade viria para onde estavam. Mas os pilotos que lá ficaram sabiam. Sabiam que estavam indo para algum local integrar uma frota de ataque.
- Estávamos preparados para uma eventual perda da nave. Nossos probes captaram mais alguma notícia sobre o Eclipse?
- Apenas que ficará operacional em dois meses, como nossos espiões já nos tinham informado.
Safrã sentou-se frente a mesa de hologramas. Um dróide de serviço lhe ofereceu uma bebida, que aceitou. A mesa mostrava a nave Eclipse. Gigantesca e poderosa. Pensaram que nada seria mais assustador que o Executor, mas novamente se enganaram. Conforme o tempo passava, mais rapidamente o Império conseguia fabricar naves gigantes, e a Aliança mal conseguia manter as que tinha. Seus caças tinham marcas de tiros e vários remendos em sua fuselagem.
O desenvolvimento do a-wing, uma caça leve e rápido com circuitos de uma unidade R2 imbuídos foi um grande avanço, deixando-os livres da dependência dos x-wing e y-wing da Incon. Os b-wing e o mais recente k-wing os puseram em vantagem momentânea em operações rápidas de guerrilha. Mas agora o Império intensificou o uso de Tie-advanded e do novo Tie-defender. Uma nave extremamente rápida, com canhões de ions e que podia ir ao hiperespaço.
Logo, com o Eclipse, o Império teria uma dependência muito menor dos Destróieres Estelares. Pôs o copo sem beber em cima da mesa. Estavam perdendo a guerra. Para destruir a nave, seria preciso uma operação de ataque total, e mesmo que fossem bem sucedidos, estimavam a perda de metade da frota. E ainda havia o fato da grande movimentação de destróieres. Se estivessem indo para a área de construção, talvez fossem esmagados por mais de 80 naves.
Teriam que atacar nos próximos dias, antes de haver uma maior defesa ao redor do Eclipse. E, se possível, com as naves Thunderbold e Starfleet dando apoio.
****
"Diário de Bordo, suplemento. Após o reencontro com a Starfleet, tivemos novamente de fugir, e, desta vez, auxiliando uma nave rebelde. Apesar de poder ser considerada uma violação da primeira diretriz, eu pessoalmente entendo que se não fosse por nós, eles não estariam lá em primeiro lugar. Além disso, agora podemos ter os mapas desta galáxia."
- Capitão, chegamos ao local da plataforma espacial que o General Sornim indicou – informou Tirvik.
- Muito bem, reduza para impulso, e libere a Exceler. Aferes Souza, abra um canal.
- Pronto senhor.
- General Sornim, estão livres do nosso raio trator. Pedirei para a Capitã Donner liberar suas naves para pousar na plataforma espacial.
- Agradeço a sua ajuda, Capitão. E, como pediu, forneceremos os nossos mapas. No entanto, não há espaço na plataforma para os caças que estão na Starfleet, e não temos como recebe-los no momento. Precisaremos de tempo para consertar os danos. Além disso, não temos como consertar o nosso hiperdrive, o que nos obriga a pedir peças ao nosso comando.
- Se nos fornecer a estrutura molecular e os esquemas, podemos sintetizar as peças para vocês.
Houve um instante de silencio.
- Capitão! Minhas ordens eram para oferecer ajuda em troca de conhecimento, e a situação acabou se invertendo. Da mesma forma que não querem fornecer sua tecnologia, eu também fico reticente em fornecer a nossa. Além disso, nós fomos sabotados, e é possível que o sabotador ainda se encontre entre nós.
- Muito bem. Seus pilotos serão nossos convidados até que possam retirar seus caças. Vocês tem muito a fazer e nós também. Thunderbold desliga.
- Terak, qual tempo total para reparar os demais sistemas?
- Cerca de três dias, para ambas as naves.
- Muito bem. Não temos previsão de quando será possível retornar ao nosso espaço, e as naves estão fora de perigo e operacionais – Jevlack suspirou – é hora da tarefa mais desagradável do comando.
****
Estavam todos alinhados no hangar, como se fossem aviões prontos para decolarem e fornecer um show aéreo, mas eram esquifes, não aviões. 37 esquifes contendo os corpos dos cadetes mortos da Starfleet.
Toda a tripulação possível estava lá presente, arrumados e perfilados, formando dois grupos, um de cada lado do hangar, com os esquifes no meio. Os cinco pilotos da Exceler também lá se encontravam, um pouco mais afastados. No centro, estavam a Capitã Donner e o primeiro oficial Matias.
Olhou para todos, pensando no que iria falar. Jevlack se oferecera para falar em seu lugar, mas ela havia dito que cedo ou tarde teria de estar nesta situação, e era melhor que fosse cedo. Olhou para os esquifes. Trinta e quatro morreram sem saber o que estava acontecendo, e mais três foram vítimas dos ferimentos, entre eles o almirante Stolh. Todos iriam se formar em duas semanas, contentes e felizes por terem conseguido. Agora estavam mortos, e os que sobreviveram não tinham nenhuma esperança de poder voltar. Desaparecidos durante missão. Era o que iriam dizer aos seus pais, amigos, parentes e cônjuges. O que ela iria dizer para lhes dar confiança?
Diga o que sente e o que precisa ser feito, tinha sido o conselho de Jevlack.
- Não vou mentir para vocês – começou – a morte deles foi apenas fruto de um acidente. Não uma batalha, ou uma grande causa. Todos estavam contentes em fazer a primeira viagem em uma nave estelar, e não imaginavam que isto pudesse acontecer. Na academia, nos explicaram que viajar pelas estrelas não era apenas aventura, mas também perigoso. Muito perigoso. E a prova está ai – olhou para os esquifes.
- Porém, todos estavam em seus postos. Mesmo sem saber o que estava ocorrendo, estavam de prontidão para atender a qualquer ordem. E isto sim, pode ser considerada uma nobre causa. Trabalhar em conjunto para a sobrevivência de todos. E eles a seguiram até o fim, como qualquer um de nós teria feito. Como todos nós o fizemos. Conseguimos ficar operacionais sem a ajuda da Thunderbold. Iniciamos um primeiro contado com uma civilização alienígena – olhou para os pilotos – e evitamos um combate desnecessário. No que toca a mim, todos estão formados. O próprio almirante, antes de morrer confirmou isso. Todos nós estamos efetivados em nossos postos.
Ficou em silêncio, observando a tripulação. A maioria estava de olhos fechados, mas nenhum mostrava nenhum sinal de abatimento.
- É doloroso termos de assistir ao enterro de nossos companheiros, há alguns dias atrás brincávamos juntos, fazíamos piadas, deixávamos nossos professores malucos – olhou para o engenheiro chefe Carlos, ele estava esboçando um sorriso – mas não podemos mudar o que já ocorreu. – abaixou a cabeça, ficou apenas um momento em silêncio – mas – abriu os olhos, seu olhar era de determinação – uma coisa podemos evitar – sua voz se elevava, assim como sua cabeça – que tenhamos que estar aqui novamente, velando outro companheiro! E, para isso, temos que agir como o que somos realmente agora, membros oficiais da frota estelar. E, se este é o nosso teste final, então iremos tirar nota máxima.
Podia-se sentir no ar a determinação que emanava de todos ali. Mesmo os pilotos rebeldes pareciam ter absorvido as palavras de Lisa, que ela própria não sabia de onde as tinha tirado.
- ATENÇÃO!
Todos ficaram em posição de sentido. A porta do hangar se abriu e lentamente, os esquifes começaram a flutuar em direção ao vazio. Pela porta aberta, Lisa viu alguns esquifes que já estavam flutuando, vindo sem dúvida da Thunderbold.
O último esquife saiu, e a porta começou a se fechar. Os tripulantes foram dispensados. O engenheiro Carlos aproximou-se.
- Capitã?
- Sim? – respondeu.
- Foi excepcional, palavras de um verdadeiro Capitão.
- Obrigada, mas confesso que não sei como consegui fazê-lo.
- Nenhum verdadeiro Capitão sabe – disse sorrindo.
Carlos seguiu com os outros tripulantes, Ígnea, uma das pilotos dos rebeldes aproximou-se.
- Capitã? Eu... fiquei curiosa. A Senhora disse algo sobre eles estarem formados...
- Esta é uma nave de treinamento, em sua primeira missão, e todos aqui eram cadetes. Até ontem, pelo menos.
Ela maneou a cabeça, expressando inconformismo.
- E vieram parar no meio de uma guerra. Mas vocês não agem como cadetes. E suas palavras não foram de um cadete. Foram poucas palavras, e diretas. São estranhos os desígnios da força.
- Obrigada.
Lauriel se aproximou.
- Foi um bom discurso Capitã. Creio que na Exceler o mesmo deva estar acontecendo. Segundo me informaram, perdemos mais de 60 tripulantes. Só espero que quem quer seja o orador tenha em mente o mesmo que a senhora.
Isso já estava ficando constrangedor.
- Obrigada, mas, sem querer ser rude, a nave ainda tem reparos a serem executados, e eu devo me encontrar com Jevlack para discutirmos nosso próximo passo.
- Nós entendemos Capitã.
Lisa saiu rapidamente, antes que mais alguém a elogiasse. Foi direto para a sala de transportes, onde se encontrou com o Doutor Cameron. Ambos foram transferidos para a Thunderbold, onde foram recepcionados por Jevlack e o Doutor Sander.
Ígnea retornou ao aposento que lhe forneceram, Lauriel a acompanhou.
- Computador, água – pediu ao computador.
"Temperatura?"
- 10% da temperatura ambiente – era uma pena não haver calibração para suas unidades de medida, era difícil pedir água gelada.
Pegou o copo assim que este se materializou e o bebeu. Lauriel se recusou. Sentaram-se a mesa.
- E então? – perguntou Lauriel – o que acha de tudo isso?
Olhou ao redor, uma cama, uma janela para ver as estrelas – agora podia-se ver a Thunderbold por ela – uma mesa para refeições e um lavatório.
- Posso me acostumar com isso, sem cozinhar, música a vontade, centenas de hologramas para assistir, cama macia, sem necessidade de sair em patrulha, pois os sensores captam coisas além da imaginação. Sinceridade Lauriel, não gostaria de voltar para a minha vida.
Lauriel olhou divertida para ela.
- Tobias não tem nada a ver com esse seu desejo?
- Diria que é um prêmio tentador – seu rosto ficou sério – Lauriel, os últimos dez anos de minha vida foram apenas desgraças. Fui vendida e usada até conseguir fugir, junto com você e os outros escravos. Mas não tenho para onde ir. Cada dia eu acordo pensando que será o último, sempre esperando ser abatida em uma missão. Lutando uma guerra que a cada dia fica mais difícil de vencer. Sem descanso, sem relaxar, sem viver.
- Ígnea, eu nunca imaginei que você se sentisse assim. Porque nunca me disse?
Olhou para a janela, agora apenas as estrelas apareciam.
- Porque foi só nestas últimas horas que notei o quão vazia eu me tornei. Foi só agora que eu pude realmente descansar. Quando nós fugimos da capital do Império, uni-me aos rebeldes com um único pensamento! Matar! Matar os imperiais, todos eles. Cada caça que eu abatia me fazia bem, e acho que você sentia o mesmo – olhou para ela.
- Sim, no começo sim, depois, com o tempo, aprendi a suportar o que fizeram comigo. E descobri que gostava da causa. Cada grupo de refugiados que protegíamos, as crianças das naves que protegemos sorrindo em gratidão. Me sentia bem.
- Você teve sorte. Com o tempo, assim como você, já não tinha mais tanto ódio, nem lembro mais de como era o meu... – ela hesitou em dizer - dono. Só que não tinha o que mais fazer. Não podia voltar para a fazenda de meu pai, e não havia mais para aonde ir. Todos os escravos libertos da capital do Império que se uniram a Aliança Rebelde são procurados por toda a galáxia. Se eu ou você aparecermos em qualquer planeta sem a devida proteção, seremos capturadas e enviadas de volta.
- Perguntou se podia ficar aqui?
- Há! E quanto a isso que você me disse de primeira diretriz?
- Bom, isso os proíbe de interferir em nosso desenvolvimento, mas não impede que você possa ir embora com eles. Não iria afetar o nosso – fez um gesto com as mãos e uma careta – "desenvolvimento".
- Eu não sei. Tenho medo que a resposta seja não.
- Quando eu era escrava, tinha medo de tentar fugir e não conseguir. Mas resolvi tentar porque percebi que o pior que podia acontecer comigo, era continuar a ser escrava. E acho que todos nós pensávamos a mesma coisa.
Ígnea olhou para ela.
- Bom, dizem que o verdadeiro fracasso é não tentar.
- É isso ai, menina. Agora peça algo para comer, estou com fome e tudo o que pedi, esta coisa – apontou para o sintetizador – disse que "a estrutura molecular deste alimento não está disponível".
- Computador – pediu – cachorro quente e um hambúrguer, e dois sucos de tangerina.
- O que? – perguntou Lauriel.
- Tobias me mostrou. Você vai gostar.
Lauriel olhou para ela com uma expressão de confidência.
- Tobias esteve aqui?
- Sim, ele se ofereceu para me mostrar como se usa estas coisas, veja, música, Love me Tender.
O aposento foi preenchido com a música solicitada.
- Hum! Uma música destas... O que você ensinou a ele?
- Não acha que está muito curiosa não? Além disso, não foi nada que ele já não conheça.
****
- Não vai me substituir? – Lisa estava incrédula – Mas se vai fornecer os seus oficiais para a Starfleet porque precisamos de gente experiente nas duas naves, porque não eu?
- Confesso que cheguei a pensar nisso - respondeu Jevlack sorrindo – mas o seu discurso para a sua tripulação mudou isso. Você é a Capitã deles, e o mais importante, eles se sentem como a sua tripulação. Se eu puser alguém em seu lugar, eles podem perder a confiança que têm agora. Além disso, você tem o instinto. Agiu de forma excelente até o momento. Mas como experiência é importante, Tirvik será sua primeira oficial, para lhe auxiliar. E Matias virá para ser meu navegador, já que Oshiro ficara indisponível pelas próximas semanas.
O teor da reunião era, primeiro, remanejar as tripulações de ambas as naves para que ficassem mais homogêneas. Estavam em terreno hostil e não podiam permanecer com uma nave com pessoal inexperiente. Por isso os médicos de ambas as naves também participavam. Metade do pessoal ainda estava nas enfermarias, tinham de saber quem estaria disponível em três dias, data marcada para a partida.
- Tudo isso porque eu fiz um ótimo discurso.
- Se fosse só isso, Tirvik iria comandar, e, aos olhos de sua tripulação seria o seu Imediato. Mas levando em consideração o que vi quando estávamos no começo daquela distorção do campo de dobra, e também ao fato de conseguirem estabelecer contato sem violar a primeira diretriz, você é a comandante da Starfleet. E, quando voltarmos, com certeza comandará uma nave classe Constelation ou até mesmo a nova classe Ambassor.
- Quando? – olhou interrogativamente para ele.
- Sim, devemos ser otimistas para com terceiros e realistas para nós mesmos. Vamos continuar. Doutores, quais os engenheiros que teremos disponíveis em três dias?
Ambos checaram a suas listas, forneceram os nomes em ordem de tempo de serviço e capacidades pessoais registradas. O mesmo foi para equipes de manutenção, suplentes para ponte de comando, encarregados de transporte, seguranças, etc.
Durante quatro horas, verificaram nomes, tempo de serviço e data de disponibilidade. Os médicos varias vezes relutavam em liberar uma pessoa ou outra. Mas Jevlack tinha a palavra final. A Segunda pauta seria selecionar uma equipe para determinar como foram parar em uma outra galáxia, talvez do outro extremo do universo, e como fazer para retornar. Foi acertado que Terak, Doller, Diana e Carlos formariam a equipe encarregada de determinar se havia uma forma de retornar a Via-Lactea. Ficariam na sala de análises táticas a bordo da Thunderbold para isso. O computador principal já estava quase que inteiramente operacional, permitindo que este trabalho já fosse iniciado.
Haveria ainda uma terceira pauta, com base nos mapas obtidos com a Exceler, localizariam um ponto distante de tudo para fundar uma colônia, caso o retorno fosse impossível.
Foram discutidos alguns outros itens menores. Mas ficou terminantemente acertado que as naves não iriam empreender nenhuma viagem sozinhas.
Já era muito tarde. Encerraram a reunião e foram dormir. No dia seguinte, chegaria uma nave de transporte rebelde com os equipamentos necessários para os reparos da Exceler. Os pilotos dormiriam na Starfleet.
****
A Interditor Cabrian havia chegado, e Darth Vader solicitou a presença de Soer imediatamente.
Soer estava frente a frente com Darth Vader. Estava com medo, não sabia por que tinha sido chamado a sua presença. Acreditava que o fracasso em capturar a nave rebelde seria imputado a ele. Já tinha visto outras pessoas sendo punidas por falhas antes, morriam sufocadas, ou eram esmagadas por gigantescas mãos invisíveis. Traidores sofriam as piores mortes.
- Comandante Soer, como conseguiu por um espião a bordo da nave rebelde?
- Era - gaguejou - para resolver um assunto particular, nada que interferisse em minhas obrigações para com o Império. Ele estava apenas vigiando uma pessoa que eu pretendia capturar quando tivesse tempo disponível. É um caçador de recompensas, só tem fidelidade ao dinheiro, por isso achei melhor não informar a ninguém sobre isso, pois, se o Império quisesse usa-lo para obter informações, poderia nos trair por uma oferta melhor dos rebeldes.
Vader olhava fixamente para ele, pelo menos parecia que olhava. Sua respiração artificial lhe causava um estranho mal estar. O fato de não poder ver seu rosto, contribuía para que seu medo aumentasse, não havia como imaginar o que estava pensando.
- Mesmo assim, ofereceu-o para deter a nave.
- Deixei a decisão a cargo do General Siy. - estava ficando pálido e já suava frio há algum tempo.
- Foi uma boa decisão. Seu espião ainda se encontra a bordo da Exceler?
Não esperava aquela reviravolta. Estava se preparando para ser morto, e foi elogiado?
- S-sim! Mas não poderá se comunicar por enquanto. Os rebeldes sabem que foram sabotados e estarão vigiando qualquer transmissão. Mesmo que não o descubram, terão certeza de que o sabotador ainda estará lá. Mas creio que em algumas horas ele lançará um dispositivo localizador junto com o lixo deles para transmitir sua atual posição.
- Não! Informe-o para manter-se oculto, já temos a posição das naves. Não podemos nos arriscar a perder essa vantagem. Use os seus outros dois caçadores para capturar a escrava que você tanto deseja. Deste eu irei precisar para fazer parte de um projeto que já se encontra em andamento.
Outros caçadores? Como ele podia saber disso? Não havia dito para ninguém! Como se tivesse adivinhado os seus pensamentos, e, provavelmente o fizera, Vader explicou.
- Um de seus caçadores programou a unidade R2 de um y-wing para decolar logo após a destruição do hiperdrive, para o caso de ocorrer alguma falha. Esta nave seguiu imediatamente para o posto imperial mais próximo, e tinha em seus sistemas qual seria a localização da Exceler. Conforme o General Siy especificou a ele.
Isso explicava porque tinha dito que foi uma boa decisão.
- Sabemos que um transporte com um novo equipamento de hiperdrive será enviado a eles. Provavelmente chegará lá amanhã. Quero que você envie uma mensagem para um dos seus outros homens a bordo da Exceler. Temos que saber de que setor virá esta nave, para nós a capturarmos e darmos prosseguimento ao nosso plano. Não é uma missão crítica, mas será extremamente vantajoso para o plano geral. Caso a captura seja bem sucedida, eu pessoalmente me encarregarei de recapturar a sua escrava caso os seus homens não consigam.
Vader em pessoa se dispondo a lhe fazer um favor pessoal? E isso para incentiva-lo a tornar uma missão não crítica um sucesso? Soer não estava mais com medo, na verdade não sabia o que sentia. Só sabia que não devia ficar apático por muito tempo.
- Passo usar o painel de comunicação, senhor?
- Perfeitamente - disse Vader, indicando o caminho com o braço.
Estranho, suas voz metálica parecia que estava expressando uma
certa satisfação. Foi até o console de comunicações, digitou a freqüência específica. Seria transmitida
em código pela banda livre dos probes espalhados pela galáxia e captada pelos implantes que os caçadores
possuíam. Muito discreto. Pensou em qual deles escolher. A prioridade agora era atender ao Império,
escolheu o mais discreto. Começou a digitar a mensagem. "Uma nave contendo um equipamento de hiperdrive
será enviada amanhã, enviar provável local de origem pelo método dezoito. Se possível, indicar melhor
local para emboscada. Manter discrição, manter posição, enviar status do objetivo do Império e do meu
objetivo." A mensagem seria repetida por três horas seguidas, independentemente do destinatário ter
recebido ou não. Felizmente, os implantes gravavam qualquer mensagem recebida para posterior audição.
Assim, caso estivessem conversando com alguém, não demonstrariam que estavam "ouvindo vozes".
Vader disse que poderia usar seus caçadores para resolver sua questão pessoal. Mas achou prudente não o
fazê-lo agora. Não sabia o que ele pretendia fazer com a nave de transporte, e a tentativa de capturar
uma comandante rebelde poderia interferir com os planos dele. Só podia torcer para que ela continuasse
viva após a explosão preparada no hangar da Exceler.
- Pronto - disse a Vader - Ele transmitirá no canal aberto, mas em um código que parece com estática. Este dispositivo - mostrou uma caixa - irá decodificar a mensagem.
Entregou a caixa a ele.
- Excelente - disse Vader - Selecione o melhor dos caçadores para eu utilizar e depois me explique como se faz para se comunicar com ele. Os outros dois você poderá usar para seus assuntos. Eu direi qual a melhor hora para isso. Se houver.
- Sim senhor! - disse Soer. Respirou aliviado, fizera bem em deixar sua vingança de lado.
****
Capítulo IX
A nave de Quattroni pousou no hangar do Executor. Após uma rápida checagem, foi liberado para falar pessoalmente com Darth Vader.
- Me disseram que você tem um serviço para mim. Quanto vai pagar?
- Um planeta inteiro, se for bem sucedido.
Um planeta inteiro! Significava um serviço de extremo perigo. Não gostava de fazer negócios com o Império, mas Vader sempre pagou muito bem.
- Quem irei matar?
- Talvez ninguém. Preciso que use sua organização para preparar uma armadilha.
Uma armadilha. Ao custo de um planeta! Várias vezes fez serviços que não condiziam com o preço oferecido. Mas, e foi isso que fez sua fama, nunca perguntava o porquê.
- Diga-me o que deseja.
****
Quando acordou, Jevlack foi a ponte, encontrou um monte de painéis abertos e várias pessoas trabalhando por lá, achou melhor deixa-los trabalharem. Pelas próximas horas, se tivessem que ir para algum lugar, teriam de faze-lo da engenharia.
- Capitão! A comandante Lauriel deseja falar com o senhor.
-Lauriel? Há sim! Uma das pilotos que estavam como hóspede da Starfleet. Foi a sala de transporte e seguiu para a outra nave.
Desta vez, não havia ninguém para pedir permissão para vir a bordo, e francamente, se tivesse ele daria uma bronca. Estavam no mesmo barco furado para perder tempo com trivialidades deste tipo. Seguiu para os aposentos de Lauriel.
- Entre – disse após tocar a campainha.
Ela estava sentada a mesa, tomando o café da manhã. Batata frita, hambúrguer e um suco de alguma coisa. Café da manhã?
- Vejo que está se dando bem com os sintetizadores.
Ela riu.
- Como Ígnea disse, posso me acostumar com isso.
- Queria me ver?
- Sim Capitão. Desculpe se o incomodei, mas tem algo que gostaria de pedir para a minha amiga.
- E o que seria?
Ela levantou-se.
- Capitão, Ígnea gostaria de partir com vocês.
Aquilo o pegou de surpresa.
- Não entendo. Porque?
- Bem – deu um suspiro – ela não esta gostando da vida que possui, e não tem lugar para ir. E quando digo que não tem, não tem mesmo. Eu e ela somos caçadas por toda a galáxia devido a umas coisas que fizemos e o Império não apreciou muito.
Ficou pensando na situação. Não seria uma violação da primeira diretriz, mas seria algo pouco ortodoxo. Se bem que a realidade em si era pouco ortodoxa. Em nenhum lugar da galáxia ela estaria segura, e, partindo com eles, nunca mais seria incomodada.
- Ela conhece esta galáxia como ninguém, poderia ser muito útil enquanto estiverem por aqui.
- Você compreende que não é um pedido que posso recusar ou aceitar sem ponderar bastante. E existe a possibilidade de não ser possível para nós voltarmos. Somos de outra galáxia, e mesmo que exista um jeito, considerando o que passamos para chegar aqui, pode ser que não sobrevivamos a uma outra viagem.
- Aqui ela já está morta – disse impassível – Mais cedo ou mais tarde morrerá em uma missão, assim como eu. Mas eu estou preparada para isso. Ela quer ter uma vida novamente. Não pode considerar que ela esteja pedindo asilo?
- Por que ela mesma não me pediu isso?
- Porque ela não quer ouvir um não.
- Pelos próximos dois dias, não planejamos sair daqui. Darei minha resposta antes disso.
- Eu agradeço. E, se imagina que estou pedindo isso para que ela os espione para nós, pode mantê-la presa enquanto não retornarem ao seu mundo.
- Também levarei isso em consideração. Se me der licença.
- Tudo bem. Acho que em algumas horas retornarei a Exceler.
Jevlack moveu-se para sair, quando lembrou-se de algo.
- A propósito, pelo que vi nos registros da Starfleet, cinco de suas naves iniciaram uma perseguição, e só depois a Exceler chegou. Vocês realmente acharam que cinco naves poderiam detê-la?
- Nossa nave base era a Liberdade, mas ela não poderia nos acompanhar, tinha uma missão urgente. Assim , cinco naves foram lançadas, as que podiam ser dispensadas. A Exceler foi enviada caso precisássemos de apoio.
Aquilo parecia familiar.
- Foi só uma curiosidade. Tenha um bom dia.
****
Quattroni partiu do executor e seguiu para a sua base. De lá sairia com cinqüenta homens para o setor Triton, a área mais bem patrulhada do Império.
Jevlack seguiu até a sala de análises táticas. Um espaço dentro da nave Thunderbold, logo atrás do defletor principal em forma de esfera. Quando tinha especificado as alterações da Thunderbold para a sua reforma, pediu para implementar o sistema de escudos usado na série que foi inaugurada pela Enterprise-B, mas aconteceu uma coisa estranha. Iria sobrar espaço dentro da nave. Assim criou a sala. Dentro de suas paredes circulares, apareciam mapas estelares, onde se podia fazer uma vasta análise, sem as limitações de um holograma com trinta centímetros de comprimento.
A Capitã Donner estava lá, conversando com Doller. Terak e Diana faziam o que os Vulcanos faziam melhor, analisando dados e trocando informações lógicas. Uma conversa muito rica para qualquer cientista de plantão. Carlos estava a bordo da Starfleet, tentando descobrir o que tinha causado o problema com os campos de dobra, Tirvik estava aguardando Matias na sala de treinamento, onde iria educa-lo nas manobras a serem usadas na Thunderbold.
- Bom dia Capitão.
- Bom dia Capitã – cumprimentou de volta.
Seu braço esquerdo começou a tremer.
- Sempre nas horas impróprias – disse para ninguém em especial.
Tirou a jaqueta de oficial, mostrando os circuitos ainda expostos de seu braço, pegou um dispositivo em seu bolso e começou a fazer alguns reparos, o braço parou de tremer. Vestiu a jaqueta novamente.
- Desculpem, mas como meus sistemas estão funcionando bem, salvo este problema que irá ocorrer ocasionalmente, só irei fazer os reparos definitivos quando tivermos doze horas de tranqüilidade.
Olhou para Lisa.
- Vejo que ao contrário de seu oficial de ciências, a senhorita não ficou surpresa.
- Sim, o almirante me contou sobre sua história, e de como conseguiu especificar as mudanças em sua nave.
Jevlack olhou ao redor, sorrindo.
- Sim – disse – aquelas três naves romulanas nos deram trabalho, mas a Frota soube recompensar isso.
- Três naves? O almirante falou de duas!
Olhou para ela, demonstrando surpresa. Falara demais, e agora não sabia o que fazer. Percebeu que Terak olhou para ele, ele também sabia da história real, modificada pelos altos cargos da frota Estelar por motivos nunca explicados.
- Falei mais do que devia. Foram três naves sim. E uma nave Klingon.
- Capitão! – chamou Terak.
- Terak, sabe muito bem como me sinto sobre esta história. Muitos amigos meus morreram naquela batalha, e a Frota nunca quis explicar o porquê de querer mudar os diários da nave, e exigir silêncio de todos os sobreviventes. Só sei que era um motivo grande o bastante para me deixaram remodelar a Thunderbold da forma que eu bem quisesse, mas mesmo isso acabou esbarrando em outro segredo.
Olhou para Lisa e Doller.
- Meus caros, naquela época, eu era o Imediato desta nave, e estávamos fazendo um levantamento de espigões de radiação próximos a fronteira romulana, quando capitamos um sinal de emergência de uma nave Klingon, que se dizia sob ataque. Fomos em direção a fonte do sinal e vimos quatro naves descamuflando, uma klingon e três romulanas. Os romulanos disseram para não nos envolvermos, mas eles já estavam em território da federação, e tínhamos que manda-los de volta ou morrer tentando.
"O Capitão mandou um sinal para o comando da frota e partiu para o ataque. Duas das naves saíram da formação e foram em nossa direção. Atacaram violentamente a área da ponte, antes de manobrarmos o suficiente para que todos os phasers pudessem ser utilizados."
"Metade da tripulação da ponte morreu naquele ataque, vítimas de estilhaços que foram desprendidos pelos impactos. Abriu-se um grande rombo do lado direito da ponte. Sugando duas pessoas antes que os escudos de contenção fossem acionados."
"Estavam fazendo a volta para o segundo ataque. Os consoles da ponte estavam inoperantes, exceto o de navegação, eu era o único ainda capaz de se mover e não podia disparar de lá. Foi quando resolvi repetir o que fiz na simulação da academia."
- A situação de não vencer – disse Lisa.
- Sim. Só que agora era real, uma nave para ser salva, e três naves como oponentes. Comecei a entrar em dobra rumando em direção a uma das naves, pedi a sala de transportes para que focalizasse no suporte da nacela direita, e ordenei que teleportassem uma parte dela poucos instantes de entrarmos em dobra.
Lisa ficou surpresa! Usar a nacela como torpedo era algo que nunca havia sido sequer cogitado nos treinamentos da academia.
- Bom, a nacela ficou livre, desviei e desliguei a dobra antes que fossemos destroçados, não preciso contar o que aconteceu com a nave romulana. Repeti a mesma operação com a outra nave e também foi destruída.
"A terceira nave estava ocupada com os klingons, e eu não tinha mais nacelas para atingi-la. Mas tinha tempo, ordenei a engenharia que atacasse com tudo o que tínhamos. Felizmente, como estava com os escudos fracos conseguimos danifica-la. Depois disso ordenei a sala de transporte que localizasse a fonte de energia deles e a teleportasse de lá. Ela ficou morta no espaço, não podia nem mesmo se auto destruir. Bom, o mesmo ocorreu com os klingons, já estavam com muitas avarias para saírem de lá. Quanto a nós, bom, não tínhamos como chegar a lugar nenhum."
"As três naves foram rebocadas. Nunca me disseram o porque das naves romulanas estarem perseguindo a nave Klingon, só sei que melhorou a nossa relação para com eles. Me promoveram a Capitão e, para me manterem de boca fechada, deixaram-me especificar as alterações da minha nave. Só que com isso também consegui esbarrar em algum outro segredo. Pedi o sistema defletor da Enterprise, só que surgiu um grande espaço vazio dentro da nave já que os geradores e bobinas controladoras do defletor estavam no anel externo da engenharia."
- Mas, porque? – perguntou Doller – A Enterprise possui algum dispositivo que a Thunderbold não possuía?
- Também não me disseram, só falaram que eu podia usar este espaço para qualquer coisa que quisesse, e que não devia fazer perguntas. Assim, criei esta sala, e mais uma de treinamento, para aproveitar o espaço vago.
- Só posso imaginar que a nave klingon devia estar em alguma missão altamente confidencial. – disse Doller.
- Provavelmente. Na verdade, o único motivo da frota assumir que eram duas naves romulanas, foi porque os destroços ainda se encontravam lá. Mas chega de falar disso, o que vocês já descobriram?
- Bom senhor – disse Diana – sabemos que não foi a sobreposição de dobras que nos trouxe aqui.
- Não foi?
- Não senhor. Atingimos a dobra 10.03, pelo menos nos primeiros momentos, explicado pela sobreposição. Mas motivo de termos viajado tão longe, ainda não foi descoberto.
Terak entrou na conversa, com as suas informações.
- Analisamos as galáxias ao nosso redor, verificando a velocidade com que se movem, e o tempo que a luz emitida por elas levou para nos alcançar, montamos o modelo do universo do nosso novo ponto de vista. Computador, mostrar mapa número 36.
No centro da sala, uma gigantesca holografia de vinte metros de formou, mostrando o universo conhecido.
- Sobreponha com mapa número quatro.
Um outro universo, com as estrelas em vermelho, surgiu.
- Estas são as galáxias que vemos de onde estamos. Este – apontou para a holograma – é o ponto onde estávamos onde tudo começou, e a nossa atual posição está sobreposta a esta. Computador, linkar ponto de origem e destino e ajustar os mapas para sobreposição total.
O universo indicado em vermelho começou a girar, para se encaixar no branco, uma linha começou a ser traçada, à partir da Via Láctea. Após alguns instantes, as estrelas vermelhas e brancas se uniram, deixando o universo unificado. A linha formada entre a Via Láctea e onde estavam cruzava o centro do universo até chegar ao outro extremo.
- Levaria mais de cento e vinte mil anos para chegarmos aqui em dobra máxima.
Jevlack observou melhor a galáxia onde estavam, agora, sem estar misturada a outra, a visão era mais nítida. Parecia um monte de poeira que tinha sido soprado ao vento.
- Forma estranha de galáxia.
- Sim – disse Doller – provavelmente distorcida por alguma outra galáxia que passou próxima.
Jevlack ficou curioso.
- Temos mapeadas todas as galáxias e velocidades?
- Sim – respondeu Diana – temos.
- Computador – pediu Jevlack - retroceda mil anos por segundo no holograma e pare quando eu pedir.
O holograma começou a se animar, as galáxias se moviam e a que observavam também. Conforme era simulado o retrocesso do tempo, a galáxia ia se unindo, como um filme de poeira soprada ao vento rodado ao contrário. No entanto, surpreendentemente, nenhuma outra galáxia se aproximava desta.
Mas havia outra surpresa no final, após um minuto e meio, as estrelas da galáxia formaram uma bola, depois, continuando o processo começaram a se expandir para o outro lado.
- Pare! – pediu – avance a simulação pelo mesmo padrão.
A galáxia voltou a formar uma bola.
- Pare! – pediu novamente – Qual o tempo estimado?
"Menos oitenta e seis mil anos."
- Uma esfera perfeita – sussurrou.
Era estranho uma galáxia sofrer esse tipo de deformação sem um grande campo gravitacional que o justificasse. Talvez fosse um gigantesco buraco negro que passou a margem dela. A linha formada anteriormente ainda estava indicada, Jevlack a seguiu com os olhos até o ponto de origem. Nova surpresa, havia um espaço vazio na Via Láctea, aparentemente do mesmo tamanho da galáxia vista antes.
Ficou olhando para ambas, por um bom tempo.
- Computador, sobrepor ponto de origem e destino, no display atual. Ampliar para visualizar as duas galáxias em questão.
Conforme o computador unia as galáxias, o holograma era ampliado. Finalmente, as duas galáxias se encaixaram , de forma perfeita.
- Fascinante – disse Terak.
- Colorir estrelas da galáxia em que estamos em amarelo.
Uma esfera em amarelo surgiu dentro da Via Láctea.
- Terak, o que poderia ter arrancado um pedaço da nossa galáxia e a posto do outro lado do universo?
- Não tenho certeza, senhor, mas isso explica o porque dos humanos daqui serem fisiologicamente idênticos a vocês, com traços asiáticos, africanos e europeus. Computador, indique a posição da Terra em azul.
Um ponto azul surgiu na tela, extremamente próximo a esfera agora amarela.
- Talvez tenha ocorrido uma ruptura no continuum espaço. Isso explicaria como foi que nós viemos parar aqui. Atravessamos alguma fenda remanescente de um impressionante hecatombe galáctico. Provavelmente o mesmo que sepultou a primeira grande civilização desenvolvida da Terra. Capitão, precisaremos de informações dos rebeldes.
Lisa, que até então apenas observara, disse.
- Os planetas de Omicron IV que íamos mapear, tinham ruínas de civilizações extintas. Todas elas com cerca de oitenta e sete mil anos.
- Computador, indicar o sistema de Omicron na simulação em verde.
Vários pontos surgiram, todos na periferia da esfera.
- Sim. Omicron estava próximo quando este pedaço da galáxia foi arrancado. E estávamos indo para Omicron quando ultrapassamos a dobra 10. A Distorção dos campos pode ter causado uma nova ruptura em uma região ainda instável da nossa galáxia.
- O Almirante me disse que tinham sido detectadas estranhas flutuações de energia em Omicron IV – comentou Jevlack.
- Então, estamos no caminho certo. Capitão, se me der permissão, gostaria de falar com os pilotos rebeldes a bordo da Starfleet.
- Concedida. Mas não faça acordos.
- Sim senhor. Oficial Doller, faça uma análise do espaço continuum ao nosso redor. Analise a curvatura do espaço e a compare com a que temos registrada do sistema Omicron.
- Certo. Diana, vamos trabalhar.
Terak saiu da sala.
- Lisa, gostaria falar com você, em particular.
Ela anuiu. Ambos seguiram para o gabinete de Jevlack.
****
Carlos analisava os dados do computador sobre a disfunção tecnicamente impossível a qual os motores foram expostos, causando a distorção dos campos de dobra. Tinha sido chamado a enfermaria pelo cadete Greyson, que finalmente despertara naquela manhã. Ele queria falar com ele com muita urgência. Tinha dito que a causa da distorção era culpa dele, por causa de ter posto a mão no painel de controle.
Tinha dito que os sistemas gerenciadores atuaram varias vezes, para corrigir o mesmo problema. Nada aparecia nos registros. Era como se alguém tivesse comandado a geração incorreta dos campos, mas ninguém poderia ter feito isso de forma tão eficiente e por tantas vezes seguidas. A não ser que fosse o próprio computador. Decidiu verificar qual o comando que Greyson, inadvertidamente acionou.
Após examinar os dados, ficou surpreso! Não era a toa que os motores ficaram doidos. Quando Greyson espalmou a mão no painel, a emergência foi tão grande que antes dos sistemas gerenciadores atuarem, um outro protocolo, o de emergência extrema, acionou-se antes. Este protocolo fazia os computadores entregarem o controle a nave mais próxima! Fora criado unicamente para as naves de treinamento, caso ocorresse tal evento. Mas o absurdo foi que o computador da Starfleet não avisou sobre isso. Algum idiota da manutenção da doca espacial esqueceu de ativar o aviso. Continuou examinando para saber até aonde foi a falta de cuidado com os sistemas da nave.
- Comandante, estou detectando uma nave vindo em nossa direção, em dobra três.
- Na tela – disse Matias.
A ponte da Starfleet estava a mesma confusão que da Thunderbold, mas felizmente, agora somente do lado direito, permitindo que fosse possível algum comando. Uma estranha nave apareceu, ,parecia duas caixas unidas por uma espécie de ponte.
- Mande a imagem para a Exceler, pergunte se é a nave que estão esperando.
- Sim senhor.
Ficou observando a nave enquanto aguardava a resposta.
- Confirmado, realmente é a nave que esperam. Chegará em pouco mais de duas horas.
- Então, volte a analisar a estação.
Com certeza, eles os estavam sondando, nada mais justo que sonda-los também.
- Eu tenho de ir a Thunderbold, assumir o meu posto lá. Doller, o comando é seu até a comandante Tirvik ou a Capitã Donner assumir.
- Entendido.
- Matias seguiu para a sala de transporte.
Lisa acompanhou Jevlack até a ponte. Havia ainda alguns painéis abertos, sendo reparados. Seguiu-o até uma porta ao lado direito e ambos entraram. Ele sentou-se em sua cadeira dentro do gabinete, Lisa sentou-se logo a sua frente. Bem que a Starfleet poderia ter algo parecido, assim não precisaria ir ao deck 2 e usar o observatório.
Era bem simples, uma janela para ver as estrelas, uma mesa encostada a parede, um lavatório e um sintetizador. Havia dois modelos de naves, um que ela nunca tinha visto, mas era um pouco similar ao Phoenix, a primeira nave terrestre a alcançar a velocidade da luz, e um outro – este um holograma - , que sem dúvida era de uma nave classe Constitution, idêntica a Starfleet. Só que estava danificada! A sessão disco estava cortada ao meio, e as nacelas estavam rompidas. Havia várias marcas negras em sua fuselagem, como se tivesse sido bombardeada. Decidiu perguntar sobre ela se a ocasião permitisse.
- Sim – começou ela – qual é o problema?
Ele estava sério.
- Acho que, além de termos vindo parar no outro lado da galáxia, no meio de uma guerra, também chegamos no momento em que algo muito grande está para acontecer.
Ela nada disse. Com certeza a experiência dele estava sendo aplicada naquele instante.
- Quando estávamos inoperantes – prosseguiu - localizamos uma nave a três quilômetros de distancia. Era bem parecida com aquela que quase nos pegou ontem, porem bem menor. Ela deixou doze naves menores, e partiu. Aquelas naves pequenas nos atacaram. Bom, conseguimos resolver o problema e logo depois localizamos o seu sinal. E, pelo que Lauriel me contou esta manhã, os rebeldes fizeram a mesma coisa com a Starfleet, pois sua nave, a Liberdade, tinha uma missão urgente. Ou seja, nem os imperiais, nem os rebeldes arriscaram as suas naves em um possível confronto. E as naves pequenas só se lançaram contra nós depois que a nave base partiu, ficando fora de possível represália. Com certeza, o Império também tinha enviado outra nave.
- Faz sentido – disse ela – Se realmente os rebeldes e os imperiais estão tramando um grande ataque um contra o outro, é natural que não arrisquem naves que teriam funções estratégicas. E, provavelmente deve ser uma grande operação, próxima a onde estávamos, uma vez que tanto uma nave rebelde quanto uma nave do Império "coincidentemente" estava na mesma área em que paramos.
- Não deve ter sido coincidência. Deve haver várias naves naquela área manobrando para suas "janelas" do hiperespaço, para chegar ao seu destino. Nós apenas cruzamos o seu caminho. Deve ser algo muito importante, pois se aquela nave nos tivesse atacado, não estaríamos aqui agora.
- Importante demais para se arriscarem – acrescentou.
- Não creio que os pilotos que partiram da Liberdade saibam o que seria. Não os deixariam para trás se soubessem. Lauriel falou que deixaram as cinco naves que estavam disponíveis para interceptar a Starfleet. Acho que foram os cinco pilotos que com certeza não conheciam o objetivo da missão.
- Então podemos vir a estar bem no meio de uma batalha global da rebelião e do Império?
- Talvez. Pelo sim e pelo não, não podemos confiar nos rebeldes. Eles precisam de qualquer vantagem possível, e temo que não hesitarão em nos atacar para conseguir nossos dispositivos. Só com os sintetizadores, poderiam construir quantas naves quisessem. Isso lhes daria supremacia frente aos Imperiais.
- Acha que poderiam conseguir isso?
- Só temos duas naves, e esta galáxia é apenas duas vezes e meia maior que o espaço explorado pela federação. Não teríamos onde nos esconder. E não poderemos nos manter alheios a esta guerra por muito tempo, principalmente com os dois lados querendo por as mãos em nossas naves. Se não conseguirmos voltar, teremos que tomar partido, porque este será o nosso mundo então. E a primeira diretriz perderá o significado, pois faremos parte desta cultura.
Lisa ficou pensando nas possibilidades. Não queria escolher nenhuma delas. Mas, se ficassem muito tempo ali, acabariam enfrentando um possível motim pela tripulação.
- E qual a sugestão no momento?
- Primeiro, descobrir se podemos voltar, e, se não pudermos, informar a tripulação, e deixa-los escolher o que fazer. Tentar ficar a margem, escolher um partido, ou criar um novo lado, o nosso. Você teria alguma outra?
Pensou por um momento.
- E se tentarmos negociar a paz entre eles?
Jevlack sorriu.
- Duvido que algum dos lados saiba como isso realmente começou. Pelo que Sornim disse a você, e eu ouvi a gravação ontem a noite, esta galáxia sempre teve guerras. Esta de agora está apenas unindo as guerras menores em dois lados. Talvez esta seja a última.
-“Capitão?" – era a voz de Terak no comunicador.
- Prossiga – disse Jevlack.
- Capitão, creio que consegui informações suficientes para descobrir como viemos parar aqui. Gostaria de marcar uma reunião para as 19 horas, na sala tática, e também convidar o General Sornim.
- Porque o General deve participar?
- Creio que a informação também será de interesse a ele.
- Muito bem, pode informa-lo.
- Sim senhor, Capitão.
- Bem – disse Jevlack – Pelo menos uma boa notícia.
Lisa anuiu. Mas isso não significava que poderiam retornar.
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Sornim não estava satisfeito. Quase vinte e quatro horas depois do atentado, ainda não tinham nenhuma pista de quem poderia ser o sabotador. Felizmente, não foi detectada nenhuma transmissão partindo de sua nave. Talvez ele tivesse morrido na explosão do hangar, talvez não. E agora tinha que pensar no seu relatório para o comando rebelde.
E o que iria dizer? Que os estrangeiros podiam sintetizar qualquer coisa? Que podiam transportar objetos? Que viajavam acima da velocidade da luz? Que tinham sensores capazes de captar outros objetos no hiperespaço? Que eram humanos idênticos a eles?
Sim, devia dizer tudo isso. E como aceitar a ordem que viria depois? A de tomar esta tecnologia a força, já que eles não iriam fornece-la para eles?
- Senhor, o oficial de ciências Terak deseja lhe falar.
Pelo menos teria ainda algum tempo antes de tomar a decisão.
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Capítulo X
Tirvik estava com Matias, em uma sala de treinamento dentro da Thunderbold. Ela o estava treinando para que estivesse preparado para os comandos rápidos que Jevlack dava, bem como nas estratégias que só eram usadas na Thunderbold.
- Giro rápido a bombordo - disse Tirvik.
Matias acionou os comandos, inclinando a "nave" a estibordo e logo em seguida girando-a - de forma absurdamente rápida - em 130 graus a bombordo. Quem estivesse perseguindo a nave pensaria que iriam a estibordo, apenas alguns instantes depois perceberiam que foram enganados.
- Coice de Mula!
A nave simulada fez um giro extremamente rápido, de 360 graus, cujo centro era a seção disco. O controle de gravidade simulou a efeito da manobra na sala, Matias foi violentamente pressionado a frente contra o console. Essa manobra era para atingir naves oponentes que estivessem cercando a Thunderbold. Se bem que se estivessem muito próximos a outra nave, esta levaria um verdadeiro "coice", daí o nome. Claro que as nacelas seriam arrancadas, neste caso.
- Ataque máximo! - ordenou Tirvik antes que ele pudesse afastar-se do painel.
Matias manobrou para que a nave inimiga pudesse ser atingida com o maior número de phasers possíveis. Esta foi a primeira manobra que Tirvik ordenou que ele tinha aprendido na academia. Todas as outras eram novidades, e, possivelmente só a Thunderbold era capaz de faze-las, pois nenhuma outra - até onde ele sabia - podia fazer manobras tão rápidas assim.
- Muito bom para quem não tem nenhuma experiência, mas muito lento para o pode vir a ser necessário - disse Tirvik sorrindo.
Muito lento? Ele ainda estava tonto pelos rápidos movimentos simulados.
- Comandante, pode me dizer como a Thunderbold pode fazer estas manobras? E o efeito delas é realmente esse? Os amortecedores de inércia não são capazes de compensa-los?
- Você com certeza reparou que nas nacelas do Thunderbold existem algumas aletas. Por acaso não pensou que seriam só de enfeite certo?
- Bem, eu realmente não cheguei a pensar nisso.
- Assim como na Enterprise, essas aletas servem para melhorar as manobras em velocidade de dobra, pois possuem injetores de plasma. Muito pequenos, é verdade, mas podem gerar campos de dobra laterais que permitem um excelente controle. Cada aleta gera um campo. Infelizmente, devem ser usados apenas em situação de batalha, pois, as bobinas que controlam esse fluxo precisam gerar campos de contenção muito estreitos e muito poderosos, e acabam se queimando depois de vinte minutos, mais ou menos. Jevlack apenas pediu para configurar estas bobinas para que pudéssemos usa-las em velocidade de impulso. E, com base nelas, criou estas manobras meio doidas. Infelizmente, os amortecedores de inércia não foram projetados para compensar esse tipo de uso na seção disco, e sua eficiência acaba prejudicada porque não podemos reconfigura-los. Seria preciso reprojetá-los, e a frota não quis isso. Na verdade, não aceitou nem a configuração que foi pedida. Foi feita sem autorização.
Realmente, agora Matias começava a concordar com o que Lisa tinha lhe dito, Jevlack não era muito convencional.
- Existe ainda algumas manobras arriscadas - continuou Tirvik - o ataque final e a queima de escudo.
- Como? - Matias estava mais surpreso que antes, quando Tirvik começou a lhe ensinar as manobras que acabara de fazer.
- A queima de escudo funciona da seguinte forma: Contraímos os nossos escudos ao máximo, e aceleramos em dobra até estarmos a menos de cem metros da nave inimiga, O Capitão diz qual o escudo que deve ser "queimado", o navegador, no caso você, gira a nave de forma que o escudo indicado esteja de frente para a nave oponente, o escudo é desligado, e religado imediatamente de forma que quando ele se formar, se mescle aos escudos da outra nave.
- Mas isso irá queimar a bobina geradora de ambos os escudos – disse Matias, surpreso.
- Por isso o nome, queima de escudo. Logo em seguida, disparamos a queima roupa.
- Já fizeram isso alguma vez?
- Sim no dia em que ele a desenvolveu - disse esboçando uma risada contida - Foi até engraçado. Quando estávamos de patrulha na zona neutra romulana, há uns oito meses, captamos uma nave romulana que por algum motivo se descamuflou. Talvez para nos atacar de surpresa, eu não sei. O Capitão Jevlack obviamente entrou em contato e solicitou "gentilmente" que saíssem do território da federação.
- Gentilmente como?
- "Ou comecem a guerra agora ou saiam de minha vista" - disse imitando a voz do Capitão.
- Nossa! - deu um assobio.
- Pois é! A resposta foi, "então comece com a guerra".
Matias nada disse, estava ansioso para saber o que aconteceu.
- Bem, Jevlack cortou as comunicações e falou para Oshiro e o armeiro o que deviam fazer. Disse em voz baixa de forma que ninguém alem deles, e além de Terak e eu pudéssemos ouvir. Você sabe que a audição vulcana é muito apurada.
- Sim - concordou, já tinha tido alguma experiência em primeira mão desta característica. Foi vergonhosa.
- Bem, eles olharam para ele como se o Capitão tivesse enlouquecido, mas nada disseram. Jevlack voltou para a sua cadeira, e disse "Queima de escudo, estibordo". Diga-me o que você acha que Oshiro fez.
- Configurou as coordenadas, contraiu os escudos, lançou-se em dobra, parou nariz a nariz com a outra nave, girou a bombordo, o operador das armas desligou os escudos de estibordo e os religou, queimando a bobina de ambas as naves, depois ele voltou a ficar nariz a nariz com a nave romulana e disparou.
- Quase! o Capitão não tinha ordenado para disparar.
- E o que ele fez?
- Apenas abriu um canal e disse "Sumam da minha frente ou morram", e começou a fazer uma contagem regressiva a partir de 5.
- E o que eles fizeram?
- Quando a contagem estava no três, eles simplesmente sumiram.
Matias começou a rir. Era uma incrível história. Mas também denotava que o seu novo Capitão era um grande estrategista, sacrificando recursos de sua nave para poder dominar a nave inimiga. Devia ser um excelente jogador de xadrez.
- Infelizmente, depois deste incidente a frota nos deu um castigo – continuou Tirvik - ficamos os últimos seis meses patrulhando a fronteira Klingon. Como se fosse necessário.
Realmente, depois do tratado, não havia porque patrulhar esta fronteira, as naves da Federação e do império Klingon podiam atravessa-la livremente.
- É uma pena que nenhuma outra nave da frota tenha tal capacidade de manobras - comentou Matias, procurando evitar mais comentários a respeito das ordens do alto comando.
- E provavelmente não a terão. O alto comando é muito conservador. E míope.
Bem, ele tinha tentado.
- De onde que ele tirou essa idéia de partir em dobra em um espaço tão pequeno?
- Acho que foi um comentário de um cadete que fez estágio aqui, quando Jevlack ainda era Imediato. Creio que era francês.
Não foi original, mas tinha aproveitado a idéia.
- E a outra manobra? O ataque final?
- Esta é automática, apenas o Capitão pode aciona-la. E, justamente por isso, ela pode ser mantida em segredo. Somente os altos oficiais a conhecem, e só o Capitão poderá explica-la. Se você estivesse aqui como Imediato, eu lhe diria. Mas posso dizer que qualquer objeto com mais de um metro que esteja a oitenta quilômetros de distância, em qualquer direção, será atingido.
- Qualquer objeto?
- Sim, claro que não será um grande dano, mas essa manobra dura por quinze minutos. Daria para destruir de cinco a seis daqueles destróieres estelares do Império. Mas não poderemos mais fazer estas manobras rápidas pelas próximas seis horas, que é o tempo que as bobinas levam para serem esfriadas. E quanto mais destas outras manobras fizermos, por menos tempo o ataque final poderá ser utilizado. Por isso é chamado de ataque final. Ele põe um ponto final em nossas estratégicas únicas. Só um aviso, se o Capitão falar ataque final, amarre-se na cadeira com os cintos de gravidade zero. Vai precisar.
Depois de tudo o que vira até então, Matias nem por um instante precisou imaginar o porque.
- Ataque duplo, 100 graus – falou rápido Tirvik.
Rapidamente deu o comando para a manobra, se preparando para a nova série de montanhas russas que ira enfrentar. Ainda bem que ele não tinha comido nada no café da manhã.
A bordo da Exceler, Sornim terminava o seu relatório. Iria envia-lo assim que tivesse a confirmação de que seis naves tinham decolado antes da explosão do hangar e que apenas cinco se encontravam a bordo da Starfleet. Se fosse verdade, isso poderia indicar que o sabotador partiu na nave desaparecida. Seria preciso avaliar os registros dos sensores da Starfleet, se a nave havia entrado no hiperespaço. Já havia feito um pedido formal, e assim que a Capitã estivesse disponível - ela estava fazendo um check-up médico - teria a resposta.
Rinander se aproximou, pôs a mão na cabeça, balançou-a um pouco, como que para espantar o sono, e disse:
- Senhor, o relatório final dos danos. O hangar ficara indisponível por mais um dia. Não foi só um y-wing que explodiu, parece que havia várias cargas explosivas colocadas estrategicamente no hangar, de forma que o controle de gravidade e dutos de energia estão irremediavelmente destruídos. Teremos de substituí-los. A nave que chegará tem todo o material necessário.
- Há quanto tempo você não dorme? - Perguntou o General.
- Desde ontem, senhor.
- Então vá dormir. Não será útil se por um acaso cair no sono em seu posto. Isso é uma ordem.
- Sim senhor - disse - e obrigado.
Rinander saiu, rumo aos seus aposentos, Sornim ficou lendo o
relatório dele. A nave não foi estruturalmente afetada. Se tivessem destruído a dorsal, nem a Thunderbold
e a Starfleet juntas poderiam tira-los de lá. Perderam 68 tripulantes sendo que deste total, 27 estavam
desaparecidos, provavelmente os que foram sugados ao espaço depois da explosão no hangar. A bordo da
Starfleet, como hóspedes, estavam Lauriel, Ígnea, Bishop, Zander, e Ciandy. E as cinco naves que haviam
teleportado para lá, dois a-wing, um b-wing, um x-wing e um y-wing. As naves mais próximas da saída do
hangar. Acionou o seu monitor e repassou a gravação do hangar daquele momento. Viu seis naves decolando.
Havia um y-wing a mais. Retrocedeu a gravação e travou a imagem nos y-wing. Avançou lentamente. Viu
Ígnea entrar em um deles, o que significava que o desaparecido era o outro. Travou a imagem neste e
retrocedeu até descobrir quem tinha entrado. De repente, quando retrocedeu até cinco minutos antes que
a nave decolasse, a monitor se apagou. Nada aparecia, apenas uma imagem escura. Isso em todas as câmaras
da nave. A faixa preta durava dezenove minutos, Tempo suficiente para que qualquer um, de qualquer parte
da nave pudesse chegar ao hangar.
- Tenente Hander, examine o computador e descubra se houve alguma alteração nos registros das imagens arquivadas da vigilância da nave, na hora que antecedeu a explosão do hangar.
- Sim senhor. - respondeu.
Muito bem calculado. Provavelmente um dispositivo de distorção foi posto no núcleo encarregado de armazenar as imagens, e disparou neste horário. Desta forma, com a quantidade de desaparecidos o sabotador escaparia sem ser descoberto. Mudaria de aparência e de nome e eles nunca descobririam quem poderia ser. Mas havia uma coisa de que ele se esquecera, poucas pessoas teriam acesso à área onde se poderia por o dispositivo para apagar as imagens. Bastaria avaliar os desaparecidos e determinar quais deles poderiam ter ido até lá sem levantar suspeitas. Se conseguissem identifica-lo, saberiam o que ele teria dito aos imperiais, e mudar planos ainda não implementados.
- Bem? – perguntou Lisa.
- Sua saúde esta satisfatória – respondeu o doutor.
- Ótimo – disse demonstrando um certo desagrado – agora me diga porque realmente me convocou para esses exames.
Cameron sorriu ternamente.
- Capitães têm o péssimo hábito, embora justificável, de demonstrar vitalidade e força, mesmo quando não podem. A única forma de eu ter certeza de que a senhora não o estava fazendo era obrigando-a a vir aqui e fazer os exames.
- Não precisava ter pedido a Jevlack para me ordenar isso.
- Você teria vindo se não tivesse recebido uma ordem?
- Apenas se eu julgasse necessário.
Capitães também têm o hábito de não se deixarem ficar em situação constrangedora. E Lisa notou que realmente estava agindo como Capitã. Jevlack devia estar certo, ela tinha o instinto.
Saiu da enfermaria e seguiu até o observatório. Era seu local favorito da nave. Aquelas quatro grandes janelas davam uma visão fantástica de sua maior paixão: As estrelas. Pena que não tinha uma lua para acompanha-las.
Sentou-se de forma a ver as janelas perfeitamente. Podia ver algumas das naves rebeldes patrulhando a distância. A-wings, x-wings, shuttles. Os rebeldes não descansavam. E nem poderiam. Em um constante estado de guerra contra um oponente poderoso, qualquer distração seria extremamente fatal. A situação que enfrentaram no dia anterior deixou isto bem claro. Mas uma coisa a incomodava.
Se eles não tinham tecnologia para rastrear naves em velocidade de dobra, ou hiperespaço como eles chamam, como aquele destróier se posicionou tão perto? Coincidência? De forma alguma. Sem dúvida, foram informados da posição da Exceler. Mas isso deixava outra dúvida: Para isso, teriam que ter um espião na Exceler, até ai não muito excepcional. Mas ter um espião, na nave especialmente designada para fazer contato com eles? Muito estranho. Outra coincidência? Porém, se não fosse, isso significava que tinham muitos espiões, em muitas naves. Poderiam fazer um ataque coordenado com base nas informações deles e acabar com a rebelião definitivamente. Isso não foi feito. Mas podia ser.
Algo grande está para acontecer, foi o instinto de Jevlack. Talvez estivesse mesmo. Mas esperava não estar mais ali quando ocorresse.
A porta se abriu automaticamente.
- Oh, desculpe, não queria incomodar, Capitã.
Era Lauriel.
- Não está incomodando, na verdade, pode-se dizer que eu estava tirando um momento de folga. Pode entrar.
Ela assentiu. Sentou-se em uma cadeira não muito próxima e também ficou olhando as estrelas.
- Vejo que aprecia estes pontos brilhantes no céu – disse Lisa tentando puxar conversa.
- Sim, elas me dão tranqüilidade. Movendo-se lentamente pelo universo, sem ninguém as incomodar. Elas me lembram o que eu perdi muito cedo. A inocência.
- Posso lhe fazer uma pergunta?
- Sim?
- Por que se tornou uma rebelde?
Ela riu.
- Desculpe, é que eu fiquei esperando por essa pergunta desde que vim para essa nave, alias, desde que apareci nesta nave. Devia ter visto minha cara quando de repente apareci no seu hangar com a nave totalmente desabilitada. Pensei que tinha morrido, e que ia ser julgada pelo que fiz. Foi só quando Ígnea bateu em minha carlinga e falou para eu acordar que percebi onde estava.
"Bom , acho que a melhor resposta é: não tinha mais o que fazer. Quando tinha doze anos, fui dada como escrava para um maldito qualquer. E, até aos vinte e dois fui sendo usada e deturpada como uma coisa. Um dia, ocorreu uma insurreição bem na capital do Império. Alguns rebeldes planejaram fazer um golpe para minar a arrogância do imperador, libertando todos os escravos. Eu fui um deles. A afronta foi séria, o imperador baixou um decreto dizendo que onde quer que aqueles escravos fossem encontrados, deveriam ser enviados de volta a capital, e quem o fizesse receberia uma gorda recompensa. Muitos foram recapturados graças a isso. Sendo assim, o que mais eu poderia fazer?"
- Parece que você esta muito acostumada a dar esta resposta.
- Fiquei tão acostumada a esta pergunta que, confesso, quando fiquei mais de um dia aqui sem ninguém faze-la, achei que não despertava mais a curiosidade de mais ninguém.
- Bom, esta é a explicação oficial, e qual seria a verdadeira?
Franziu a testa, obviamente não esperava que sua história não a convencesse.
- Queria matar o desgraçado que tornou minha vida um inferno.
- Foi o que imaginei. Você me parece decidida o suficiente para determinar o seu destino, não me pareceu que tivesse aceitado se unir aos rebeldes por falta de opção.
- Sou tão transparente assim?
- Não. Acho que Jevlack estava certo, tenho instinto.
Lauriel esboçou um sorriso.
- E você? Poderia lhe perguntar o que a levou a querer ser Capitã de uma nave?
Foi a vez dela rir.
- Um sonho de infância. Um dia, meu pai levou-me para visitar um mundo próximo ao meu planeta natal, a Terra, então, fiquei encantada com o que vi.
Lisa acionou o console e um holograma de Júpiter apareceu no centro da mesa.
- Bonito – comentou Lauriel.
- Sim – concordou Lisa – bastante. Fiquei tão maravilhada que resolvi entrar na Frota Estelar apenas para conhecer mundos tão belos quanto esse. – Mostrou outro holograma – Este é Saturno, o único planeta em meu sistema natal com anéis visíveis do meu planeta.
- Temos planetas com anéis aqui também, mas este me parece ser mais bonito.
- Claro que é, mas eu sou suspeita para falar. Assim, entrei para a frota, me formei e, no momento sou a mais jovem Capitã a integrar a frota. Uma pena ninguém mais saber disso, fui promovida aqui, pelo meu comandante, antes dele morrer.
- Sinto muito – disse Lauriel.
- Eu também. Mas a vida continua.
- A vida deve continuar.
-“Capitã" – era Soler no comunicador – "a nave de reparos rebelde acabou de chegar, pediram para nos afastarmos um pouco para lhes dar espaço para manobrar."
- Pode faze-lo – respondeu – e fique de olho nela.
- “Sim senhora"
- Depois do que passamos ontem – disse a Lauriel – não quero outra surpresa.
- Saiba que faz muito bem – concordou a outra – daria uma excelente comandante rebelde.
- Hum... acho que não fico bem em uniforme laranja. É sexy demais.
Ambas riram.
****
Uma nave de transporte partiu da plataforma rebelde, uma vez que o hangar da Exceler ainda não podia ser utilizado. Ele iria ser carregado com os componentes e iria fazer uma conexão com a Exceler, em uma de suas escotilhas auxiliares. A prioridade era o hiperdrive. Depois seriam transportados os materiais necessários a tornar o hangar operacional novamente.
Fez a conexão na escotilha da nave Kanter, o piloto, Jorge, abriu a escotilha e entrou na nave. Lá dentro, já haviam pacotes a serem transportados. Chamou seus auxiliares e estes imediatamente começaram a carregar o transporte.
Soer estava na ponte do destróier estelar Dankan, ou, melhor dizendo, o General Soer estava na ponte, observando as estrelas, sendo incapaz de conter sua alegria. Ainda não acreditava. Darth Vader dissera que tinha um novo posto vago, e que ele, por oferecer os meios necessários para o seu plano, era a pessoa indicada para ocupa-lo.
Tudo fora perfeito. O transporte fora capturado quando fazia a baldeação entre as janelas do hiperespaço. Um distorcedor cuidara para que não pudessem avisar a ninguém do ocorrido. Agora estes rebeldes capturados estavam sendo transportados para sua posição, para serem interrogados sobre a localização de sua base. Após a captura da Exceler, ele comandaria uma operação de ataque a este posto. SEM PRISIONEIROS.
Mas o que o deixava satisfeito era que, com a captura da Exceler, sua escrava também seria capturada. E, finalmente se livraria da mancha em sua honra.
- General Soer, esta chegando uma mensagem codificada do seu homem a bordo da Exceler.
Foi até o monitor de comunicações para ler a mensagem. "O transporte chegou, os equipamentos já estão sendo desembarcados e instalados. Previsão: oito horas" Soer sorriu. Em oito horas eles partiriam, em mais sete a armadilha se fecharia. E dois meses depois, Jabba teria um novo brinquedo.
- Chame os chefes de esquadrões, é hora de repassarmos nossa estratégia.
- Sim senhor.
Voltou a sua posição, próxima a janela, de onde observava as estrelas. Agora entendia porque Vader fazia aquilo. Pelo reflexo no vidro, podia ver toda a ponte, e também pensar sossegado no que fazer. Mas agora estava divagando.
Lembrava-se de seu planeta natal, onde tinha o título de príncipe e aprendera que sua posição o tornava superior aos outros. Onde quando o seu pai mandava punir seus serventes por falha ou desobediência diversas. Seu pai. Era muito tolerante, acreditava que podia fazer aqueles idiotas se portarem melhor apenas dando um sermão neles. Quando seu pai morreu e ele assumiu o trono, mudou muitas coisas. Demitiu os serventes e aliou-se ao Império. Primeiro, porque seu planeta tinha uma posição estratégica para um possível avanço deste em seu setor, e, segundo, porque teria muitos soldados que seriam gentilmente oferecidos a ele para manter seu status e posição. Só tinha que permitir que usassem seu planeta como base.
Foi logo depois que revogou a lei contra a escravidão em seu mundo. E começou a cobrar dividas que alguns poderosos tinham para com o seu pai. Alguns davam seus filhos como escravos para a coroa, como o pai de sua escrava que hoje é comandante dos rebeldes. Outros, que tinham pudores em fazer tal barbárie, como eles mesmo diziam, davam suas propriedades e saiam do reino.
Era uma boa vida, e teria durado até a atualidade. Não fosse um certo objeto de prazer que resolveu ter idéias próprias.
- General, os comandantes o aguardam na sala de conferência.
- Estou a caminho – disse.
Ainda bem. Por pouco deixou que a raiva o controlasse.
Tirvik se materializou na sala de transporte da Starfleet. Pediu permissão para vir a bordo e foi em direção ao comando, onde assumiria o seu posto. Viu mais pessoas andando pelos corredores, o que era um bom sinal. A tripulação estava tendo alta.
Chegou a ponte e notou que estava ainda um pouco vazia. Apenas um navegador e outra pessoa na cadeira do Capitão. E algumas pessoas da manutenção reparando alguns painéis.
- Sou a comandante Tirvik, nova imediato desta nave.
- Comandante – disse a pessoa que estava na cadeira se levantando – sou o alferes Soler. Bem vinda a bordo.
- Obrigada. Mas me parece que não há muito o que fazer aqui.
- Tem razão comandante, mas temos quatro pessoas na engenharia de plantão para o caso de termos alguma emergência.
- Onde está a Capitã?
- Creio que está em seus aposentos.
- Bom, falando em aposentos, e já que não há o que comandar aqui, poderia me mostrar os meus?
- Perfeitamente. Mendes? Por favor, mostre a comandante Tirvik o seus aposentos.
O navegador se levantou, cumprimentou-a e pediu para que o acompanhasse.
****
Sornim não esperava que o espião fosse tão esperto. Nenhum dos que desapareceram poderiam chegar até o local apropriado para por o dispositivo sem ser notado. Teria que considerar que todos eles, os desaparecidos, eram suspeitos. Já havia enviado o seu relatório e aguardava instruções do comando sobre qual o seu próximo objetivo. Seu ordenança lhe avisou que deveria ir a Thunderbold para participar de uma espécie de palestra que Terak daria. Como o hangar ainda não poderia ser usado, teria que contar com o teleporte deles.
Na hora indicada, disse que estava pronto. Dois de seus seguranças iriam junto. Por um instante, tudo o que via oscilou, depois surgiu a sala de transporte da Thunderbold.
- Bem vindo a bordo, General, se quiser me acompanhar – disse o segurança que o recepcionara.
Sornim e sua escolta o acompanharam até uma sala de forma esférica, onde um holograma gigante mostrava uma galáxia. Lá já estavam o Capitão Jevlack, a Capitã Donner, o oficial de ciências Doller que conhecera em sua última visita a Starfleet, o oficial de ciências Terak que o convidara e mais dois outros que não conhecia. Sendo um deles uma vulcana.
- Creio que podemos começar – dissera Jevlack.
Sentaram-se em uma fileira de assentos próxima a parede, os seus dois seguranças ficaram uma de cada lado da porta por onde entrara. O fato de todas as portas se abrirem assim que alguém se aproximava dela ainda o surpreendia.
Terak ficou a frente deles.
- Cavalheiros, e, senhoras. Formulei uma teoria para explicar o motivo de termos vindo parar aqui. E, através dela, também foi possível especular o porque da tecnologia que os nativos desta galáxia usam possuem conceitos tão diferentes da nossa. Convidei o General Sornim pois, certas informações necessitam ser de seu conhecimento, e creio que ele concordará que eles não devem utiliza-la.
"Entrevistei os pilotos rebeldes a bordo da Starfleet, conforme o Capitão me permitiu. Perguntei sobre suas lendas, sobre algum evento longínquo de grandes proporções. Todos me falaram de uma guerra global, envolvendo dezenas de facções ao mesmo tempo, em um único setor."
Sornim conhecia esta lenda. Ela explicava a origem da força.
- Segundo eles, os deuses ficaram enfurecidos com a situação, e castigaram todos os envolvidos, deixando suas máquinas de combate e demais dispositivos de conforto inúteis. Levou milênios, na verdade, várias centenas de milênios até que uma raça conseguisse desenvolver algo que pudesse operar. Radicalmente diferente do que tinham antes.
- General Sornim. Nossas pesquisas nos revelaram que esta galáxia onde estamos, um dia já foi parte da nossa. E que provavelmente um impressionante rompimento no continuum espaço arrancou todas as estrelas, raças e planetas aqui existentes de lá. Estas imagens são de algumas ruínas que encontramos em mundos que um dia ficaram na periferia desta catástrofe.Surgiu o holograma de um templo com algumas inscrições.
Sornim não pode conter sua surpresa.
- Estas inscrições... São de meu povo. – ficou de pé - A língua dos antigos.
- Estavam em um dos planetas recém descobertos no limite de nossas explorações, em nossa galáxia. Pelo que foi possível traduzir. Diz que neste templo jaz os últimos remanescentes de um tolo povo que preferiu lutar para vencer e não pela paz.
- Sim, pode ser traduzido assim – disse Sornim, voltando a se sentar.
Aquele estilo de arquitetura fora abandona pelos seus há mais de cinqüenta mil anos.
- Minha teoria, parte de algo que a frota está começando a estudar. O efeito que a viagem em dobra causa no continuum. Já houve casos de naves que retornaram no tempo, graças a uma falha nos campos ou a presença de um objeto de gravidade maciça. É até possível que uma falha nos geradores de dobra da USS Defiant a tenha feito entrar em uma dimensão temporal. Esta foi a primeira nave que temos o registro de ter desaparecido de nosso continuum. – disse a Sornim
"Acredito que todos as facções envolvidas usavam campos de dobra para viajar pelo espaço. E, na batalha global que ocorreu, aquelas milhares de naves distorcendo o espaço em um local tão reduzido romperam o tecido de nossa realidade, causando o efeito de ira dos deuses"
"No entanto, apesar de ser plausível, isso não explica o porque de uma área tão grande ter sido afetada por este acontecimento. Não deveria passar de alguns anos-luz. Talvez realmente existe algo mais nesta chamada ira dos deuses."
Um holograma surgiu, de uma galáxia. Uma área esférica verde apareceu dentro desta.
- Esta foi a área afetada pela distorção. Computador, indique o planeta Terra em azul. Este é o planeta natal de todos os humanos, mesmo de vocês – disse se dirigindo aos seguranças que estavam na porta. Como podem ver estava muito próximo a área que foi atingida, mas não em sua periferia. Há uma teoria de que os humanos tiveram um período de glória no passado, mais ou menos na mesma época em que esse evento ocorreu. Computador indicar área secundária.
Em vermelho, uma outra esfera surgiu, englobando a primeira e ocupando mais trinta por cento da primeira área.
- Todos os sistemas que a Federação possui hoje ficariam inoperantes nesta área. Os terrestres da época voltariam a idade da pedra. Principalmente devido a destruição que as ondas de choque teriam provocado. Mesmo em vulcano há algumas referências de uma época em que toda a vida no nosso planeta quase foi levada a extinção. O período em que isso teria ocorrido é compatível, cerca de novecentos mil anos. Provavelmente as estranhas leituras que ainda hoje temos esporadicamente na área conhecida como triângulo das bermudas deve ser um resquício deste efeito. Computador, mostrar a Via Láctea, na atualidade. Indicar área em que ocorreu a ruptura do continuum em vermelho.
- Um momento - disse Jevlack - Pelo que me lembro, o período seria de noventa mil anos.
- Sim Capitão, mas descobri outros fatores que me fazem acreditar que seriam de novecentos a dois milhões de anos. Chegarei a eles oportunamente.
- Muito bem.
No holograma, uma área alongada na galáxia surgiu.
- Computador, indique em amarelo os locais em que distorções no continum foram detectados.
Vários pontos surgiram. Todos eles dentro da área vermelha.
- Mesmo hoje em dia, os efeitos daquele evento podem ser sentidos. Nossos motores de dobra causam distorções no espaço, muito menores e praticamente insignificantes, porém de efeito cumulativo. Se uma rota for usada centenas de vezes durante algumas décadas, efeitos no continuum poderão ser detectados. Por isso a frota atualmente estuda novas formas de viajar sem correr este risco.
"Nossos motores de dobra se sobrepuseram, e isso nos levou até Omicron IV em poucos minutos, pois atingimos a dobra 10.03. Computador, indique o sistema Omicron em azul. "
No centro da maior área indicada em vermelho, surgiram quatro pontos azuis.
- Fomos bem para o centro da maior área que estava em nossa galáxia que concentrava os efeitos da distorção antiga. Com nossos motores de dobra causando um leve rompimento no continuum, fomos sugados por uma fenda espacial que se abriu entre nossa galáxia e esta, o pedaço que saiu de lá no hecatombe já mencionado. Por isso sofremos o efeito de sermos disparados. A destruição do reator da Starfleet só garantiu que a distorção de nossos campos parasse. Não foi ela quem parou a nossa aceleração.
- O que causou a distorção? – perguntou a Capitã Donner.
- Segundo o engenheiro Carlos, havia uma falha no sistema
gerenciador dos motores. Eles foram criados originalmente para a nave classe Eagle, que possui uma única
nacela de dobra. Quando foi acionado, cada nacela de dobra da Starfleet gerou o seu próprio campo, como
se fosse a Eagle. Como outros sistemas controlam a sincronia das nacelas, estes interferiam e tudo
voltava ao normal. O motivo da Thunderbold apresentar o mesmo problema, se deve ao controle de
emergência ter sido acionado. A nave mais próxima assumia o comando dos motores da Starfleet, no caso,
nós. Só que o sistema gerenciador com defeito, também começou a afetar os nossos motores, pois os nossos
sistemas interpretavam que uma das nacelas não funcionava.Quando o comando de emergência é acionado, os
sistemas de ambas as naves trabalham em conjunto. A falha do sistema se deve ao fato de que ele não
informava ao computador principal de nenhuma nave que estava sendo executado. Ou seja, os computadores
interpretavam a assincronia das nacelas como fato comum, até que foi impossível compensar a distorção.
- Nem quero saber as chances disto ter ocorrido, prossiga – disse Jevlack.
- General, quando esta galáxia foi inaugurada, a distorção no continuum era total. Nenhum veículo que se movesse em dobra poderia manobrar. Sistemas baseados em fusão de matéria e anti matéria ficariam inoperantes. Isso por mais de setecentos mil anos.
"Teleportes não funcionariam, seria impossível sintetizar qualquer coisa. Tudo o que o senhor viu nós fazermos seria impossível neste período. Pois a geometria espaço-tempo estavam alteradas. Alias, elas ainda se encontram alteradas. A velocidade da luz, aqui, equivale a nossa dobra três. Por isso suas naves viajam nesta velocidade. Sua tecnologia foi criada para operar em uma situação muito peculiar. Que ainda existe, mas já pode ser vencida por outros sistemas, como os nossos. Suas naves viajam baseadas em manipular as partículas de grávitons, modificando a gravitação ao redor da nave e compensando a aceleração com anti-gravidade, de forma correlata a nossa gravidade artificial."
- Não disse que a física está alterada aqui? – perguntou Doller.
- Disse que as constantes universais foram alteradas, não seus inter-relacionamentos. General, se suas naves estivessem em nossa galáxia, que está muito mais estabilizada que a sua, elas seriam bem mais rápidas que agora, e mesmo os seus turbo-lazers teriam mais potência.
- Porque? – perguntou Jevlack – Uma vez que nós também estamos aqui, porque nosso equipamento não foi afetado pela distorção ainda existente?
- Não creio que nosso equipamento não tenha sido afetado. Na verdade, tenho sérias ressalvas ao afirmar que as constantes foram alteradas. Se elas realmente estivessem alteradas, nós não poderíamos estar vivos, pois viemos de uma realidade diferente. Desde hoje de manhã, quando o senhor fez o retrocesso no holograma para satisfazer sua curiosidade, reparei que algo estava errado. O computador disse que foram retroagidos apenas noventa mil anos, no entanto, tal cataclismo não poderia ter ocorrido há tão pouco tempo. Pelos meus cálculos de movimentação das estrelas, deveria ser no mínimo de dez a vinte vezes mais. Fiz alguns exames nos nossos sistemas, e aparentemente nada está errado.
"Talvez a única explicação aceitável, é que na verdade a
nossa dobra três esteja agora equivalente a velocidade da luz, e não o contrário. É possível que a
geometria tempo-espaço daqui afete de alguma forma desconhecida a calibração de nossos sistemas, e, no
momento, não tenho como determinar isso. No entanto, posso afirmar que fenda que nos trouxe até aqui,
ainda está aberta. Segundo os dados colhidos pelo senhor Doller, o continuum daqui está sendo levemente
estabilizado. Isso significa que algo está acelerando o processo, do contrário isso não poderia ser
captado em um intervalo tão curto de tempo. Acredito que quando fomos sugados, parte de nosso continuum
também foi, causando uma estabilidade maior aqui. Porém, foi mais do que ela poderia suportar, portanto,
aproveitando a brecha que foi aberta, esta realidade está jogando o excedente de volta, pela mesma
fenda. Como o impulso é extremamente violento, envia mais do que deve, e suga novamente o que falta. Ou
seja, esta geometria espaço-tempo está respirando, e irá parar de faze-lo quando se estabilizar.
Provavelmente em seis meses."
- General – prosseguiu Terak – pelo que me informei, esta galáxia possui milhões de naves que podem viajar entre mundos. Mesmo suas naves menores. O que aconteceria com o tecido desta realidade se todas elas se movessem em dobra, como nós? Como aquelas milhares de naves daquela guerra que criou esta galáxia?
- Que a força nos proteja – murmurou.
- Ambas as galáxias sofreriam os efeitos. Existe ainda alguma espécie de ligação entre ambas, a prova é que nós estamos aqui. Talvez esta seria arremetida de volta, causando uma distorção que não pode ser avaliada.
- Então – disse a Capitã Donner - para voltarmos, temos que achar a fenda que nos trouxe, esperar que esta galáxia "solte o ar", e pegar uma carona?
- Sim, tecnicamente seria isso.
- E onde estaria esta brecha?
- Computador, mapa setenta e cinco.A galáxia onde estavam apareceu, e havia uma área indicada em azul.
- Pelas nossas triangulações, em algum local da área indicada.
- Então – disse Jevlack se levantando – já temos um curso quando formos partir. Mais alguma coisa, Terak?
- Sim Capitão, teremos que fechar a fenda com uma explosão de energia.
- Por que? Não disse que a realidade daqui se estabilizara em seis meses?
- Sim, mas existem duas maneiras para isso ocorrer. Ou esta realidade não tem mas capacidade para manter a fenda aberta, ou a equilíbrio será tal que a mesma será sugada de volta para a sua origem. Seus planetas e estrelas seriam esmagados pela fenda, e sairiam pelo outro lado apenas como energia, o que também causaria muitos danos.
- Não entendi. Por que isso ocorreria?
- Capitão, esta galáxia foi arrancada de seu local de origem por forças que provavelmente poucas espécies neste Universo seriam capazes de compreender. A mesma força, a qual nós não fazemos a menor idéia se é conhecida ou não, permitiu uma nova conexão entre ela e a nossa, talvez com nossa ajuda, talvez não. As leituras de energia que o almirante falou podiam já ser o prenuncio de uma abertura inevitável. A geometria espaço tempo está sendo equilibrada por uma velocidade inconcebível. Na verdade, a simples teoria de que tudo isso poderia ocorrer seria inconcebível. Mas o fato é que esta galáxia está sendo sugada de volta, só isso explicaria a estabilização rápida. Mas não tenho como explicar como já pode estar atuando na área em que estamos. A menos que a força básica envolvida seja algo que ainda não conhecemos.
- E como supõe fazer isso? - parecia pedir desculpas.
- Causando uma implosão nos campos de dobra de uma de nossas naves, a Thunderbold ou a Starfleet. A
Thunderbold seria mais indicada. Isso causaria um efeito de supernova que atingira a fenda com força suficiente para obliterar a estabilização do continuum, fechando-a.
- Pensarei nisto quando chegar o momento. General, tem algo a acrescentar?
- Sim, o comando rebelde, com essa informação, sem dúvida irá auxilia-los na tarefa. Se me der licença, gostaria de voltar a minha nave.
- Perfeitamente, Terak, por favor, acompanhe o General até a sala de transporte.
Sornim retornou a Exceler.
****
Capítulo XI
A Revenger fez a aproximação normal para pousar na sua nave base, a Storm. Quattronni, como sempre, manobrou a nave com precisão. Sua escolta composta por dois x-wing pousou logo depois. Os transportes que levavam seus homens já tinham pousado. Acabavam de retornar do setor Triton. Seus homens saiam dos transportes e seguiam imediatamente para os seus postos. Sua força composta pela nave Storm, uma fragata fornecida pelo Império em troco de serviços prestados, oito corvetes corelianos e uma fragata calamari receberam ordens de já se posicionar a menos de trinta segundos do ponto de partida para o próximo objetivo. Apenas aguardariam que ele desse a ordem.
Houve um motivo para que ainda não tivessem partido. Fora descoberto um espião, alias, uma espiã, entre eles. Não importava para quem estivesse espionando, ele não interrogava espiões. Em seu conceito, espiões são as mais baixas formas de existência que se pode conceber.
Soldados incompetentes ou idiotas eram simplesmente demitidos ou expulsos, dependendo do tamanho da besteira que tivessem feito. Traidores recebiam execução sumária, porém rápida e indolor. Afinal, um traidor nada mais é que um antigo aliado que mudou de opinião no momento errado. Espiões eram mortos de formas agonizantes. E ainda assim era muito bom para eles. Na sua concepção, um espião é alguém que finge ser seu aliado, desde o começo se preparando para apunhala-lo pelas costas.
O ultimo fora fechado em uma sala com larvas de vermes cardorianos. Os vermes, apesar de possuirem quarenta centímetros de comprimento, eram inofensivos, mas as suas larvas adoravam carne. Carne viva! Demorou três dias para morrer. Esta de agora teria uma morte lenta também, mas não seria dolorosa, e sim angustiante.
Blinter, seu braço direito e segundo em comando trouxe a espiã cativa. Ela estava vestindo um uniforme de piloto. Obviamente fora capturada quando tentava pegar um dos caças para fugir.
Ela o encarava em desafio, demonstrando que não tinha medo para o que tinha lhe reservado. Mas ele não estava interessado no que ela pensava ou sentia. Nem se ela iria chorar ou cuspir em seu rosto. Seu único pensamento era na imagem que a punição dada a ela teria em outros possíveis espiões.
- O esquife está pronto? – perguntou a Blinter.
- Perfeitamente senhor – respondeu maliciosamente – ainda incluí uma corrente para prender no pescoço dela.
- Não creio que seja preciso. Ela poderá abrir por dentro?
- Definitivamente não – respondeu sorrindo.
Ela olhava para os dois, ora para um, ora para o outro, tentando entender o que estavam falando.
- Minha cara, para mim você está morta. Não me interessa para quem espionava. não me interessa que informações passou. Você está morta, e terá um funeral decente. – virou-se para Blinter – traga o caixão.
Os olhos dela se arregalaram. Devia estar agora entendendo que tinha lhe sido destinado. Começou a lutar contra as suas amarras, sem sucesso.
- Não gaste suas energias. Você será solta para poder arranhar a tampa do caixão – disse Blinter maldosamente.
O esquife foi trazido por dois guardas. Era negro, com uma pequena vidraça. A espiã foi arrastada e posta lá dentro. Blinter prendeu um colar ligado a uma corrente em seu pescoço. Seus braços foram soltos. Ela tentava pular para fora mas o colar não permitia. A tampa do caixão foi posta lentamente.
- Quanto tempo vai durar o ar? – perguntou a Blinter.
- Temos um cilindro de oxigênio lá dentro. Deve agüentar umas seis horas.
- Bom.
A tampa foi fechada. Quattroni tinha que reconhecer que a espiã tinha tutano, em nem um momento gritou de desespero.
- Solte o colar – disse Blinter se dirigindo a um dos guardas.
Um dispositivo foi acionado do lado de fora. Isso fez o colar que estava no pescoço da cativa se abrir. Dando-lhe mais liberdade para inutilmente tentar escapar.
Aproximou-se para ver pela abertura. Ela estava golpeando o vidro com força, tentando quebrá-lo. Era inútil, mas era a única coisa que podia fazer. Blinter ria estridentemente. Quattroni no entanto, não encontrava satisfação naquilo. Na verdade encarava quase que como um estorvo. Algo muito incomodo que tinha que ser feito. Não que tivesse piedade pelas vítimas, mas porque tomava seu tempo que podia ser empregado em assuntos mais lucrativos.
- Podem lançar – disse, se afastando para a ponte da nave.
O caixão foi lentamente levado para a porta do hangar. A nave já estava se movendo para entrar no hiperespaço. Foi cronometrado, dois segundos antes de partir, o caixão foi lançado, enterrando no espaço a infeliz espiã. Qual era mesmo o nome dela? Lia. Sim, era isso. "Descanse em paz Lia, depois de se exasperar até a exaustão".
Na ponte, viu o "funeral" se encerrar. Logo em seguida a nave entrou no hiperespaço. Agora sim, podia ocupar a sua mente com coisas mais agradáveis. Tinha ido ao setor Triton para avaliar uma nave que o Império cederia a ele para a armadilha bem engendrada por Darth Vader. Levara seus homens lá para fazer as análises. Ela seria rebocada para o local apropriado, e eles deveriam se posicionar para o ataque surpresa. Era para onde se dirigiam agora.
- Senhor – disse Blinter assim que chegou a ponte – e quanto a nossa carga atual? Podemos dispensar algumas naves para entrega-la?
- Não. Nosso serviço é imperativo e deverá durar alguns dias. Não creio que teremos prejuízo.
- Bem, então, se me permitir, vou avaliar o material.
- Divirta-se – disse, sem realmente desejar isso.
Quattroni era líder de um grupo de piratas, que se originou no setor Pestulon. Comercializavam de tudo, armas, roupas, escravos, droides, drogas e serviços pedidos pelo Império em geral. Sua carga atual eram alguns temperos raros que foram devidamente confiscados de seus donos legítimos e outra de escravos - talvez, dependeria da avaliação que Blinter iria fazer - formados por uma princesa qualquer, uns oitenta guarda-costas e algumas acompanhantes, que foram apreendidos na mesma nave que os temperos. Era esse material a que Blinter se referia. Não fosse pela recompensa que Vader iria oferecer pelo seu serviço, com certeza não deixaria seu braço direito tão a vontade. Mas ele era bom para avaliar os riscos e a melhor forma de vender o produto.
Foi até o seu escritório, uma cabina que podia ser acessada pela ponte com um console e um certo conforto. Sentou-se a sua mesa e começou a fazer uma avaliação dos gastos que tivera na sua última empreitada. Perdeu dois corvetes e o calamari teve um de seus motores danificados. A venda dos temperos raros por si só pagaria estes custos e já daria um certo lucro.
Verificou seus serviços em andamento. Tinha alguns homens obtendo informações de prisioneiros rebeldes em Kashyyyk, um projeto de capturar um calamari do planeta Kilyx que seria implementado nos próximos dias, e doze caçadores alugados ao rei Soer. Quer dizer, comandante Soer. Ele havia perdido a coroa depois do incidente na capital do Império. Era uma pena ele ser tão cabeça dura, já podiam ter cumprido com a missão há semanas. Mas o idiota insistia em assistir a tudo, bem, o dinheiro era dele.
Começou a avaliar os riscos de sua nova tarefa. Capturar pelo menos uma das duas naves desconhecidas e poderosas que apareceram ninguém ainda sabia de onde. Só sabia que pelas imagens obtidas, eram sem dúvida do mesmo local que a nave que viu em Triton. Não havia mais o que descobrir com aquela nave, analisaram por décadas e não conseguiram faze-la funcionar. Mas descobriram como acionar outras coisas. Com sorte, os tripulantes daquelas naves mostrariam como é que tudo funcionava.
- Nossa! Que tesouro – comentou um dos guardas que estava com Blinter.
Blinter avaliava o holograma de uma das acompanhantes da princesa, a quinta, alias. Acessou os dados de identificação e nada achou. Viu suas formas. Poderia dar um bom preço no mercado, mas a rara qualidade de sua carne também seria apreciada por algumas criaturas carnívoras que pagavam bem por iguarias raras. Comparou o preço da carne humana atual com o do mercado dos escravos. Sim, estava em alta. Classificou a infeliz para ser abatida e seguiu para a próxima, a princesa.
- Tanta coisa para fazer, e vai fazer bife com ela – comentou o mesmo guarda.
Blinter nada disse, apenas sorriu maliciosamente. Acessou o próximo holograma.
- Olha que coisa linda – disse outro dos homens que também observavam o holograma.
Era a primogênita de um rei sem muitas posses, porém aliado de planetas poderosos. Pedir resgate seria muito arriscado, primeiro, não conseguiriam muito, seu pai não tinha grandes recursos, segundo, seus aliados sem dúvida iriam usar como pretexto para caça-los. Sua carne, apesar de boa qualidade não tinha o sabor necessário para obter um preço vantajoso no mercado. Era uma princesa que se exercitava, e, por isso, tinha a carne muito dura. A opção mais lucrativa seria vende-la, mas seu preço seria baixo pois não era mais virgem.
É, desta vez, a princesa vai valer menos que todo o resto.
- Leve-a para os meus aposentos – disse sem expressar emoção.
- Sim senhor – disse um dos homens, se retirando.
Se tivesse sorte, poderia assusta-la o bastante para fornecer alguma rota comercial lucrativa que seu pai usasse.
Para Blinter, não havia muitas coisas na vida além de matar, negociar, e matar de novo. Ao contrário de seus homens, não ficava atacando donzelas indefesas. Já tinha passado desta fase. O poder não o satisfazia, ele preferia exibi-lo.
Várias vezes se ofereceu para obter informações de espiões capturados entre eles, mas Quattroni dizia que seus métodos desperdiçavam muita energia e tempo. Sem dúvida o seu chefe não apreciava a sensação de poder que existe em observar alguém que teme o que você decidirá fazer com ele.
Era bom em avaliar lucros e tinha um faro incrível para identificar perigo, mas não era extrategista, era péssimo nisso. Suas obrigações básicas eram manter a disciplina quando Quattroni estava fora, e acompanhar o andamento de contratos em vigor.
- A princesa já está ao seu dispor, senhor.
Com um suspiro, pegou uma arma de treinamento. Era usada em combates simulados, não machucava mas causava intensa dor. Saiu para fazer mais um jogo de tortura psicológica. Mas não estava muito animado. Com certeza a pobrezinha não saberia de nada dos negócios de seu pai. Já a tinha classificado para ser vendida como parte de um lote. Nem seria dito que era uma princesa.
- Lamento comandante Lauriel, mas não posso abrir o hangar sem uma autorização superior.
- Mas é urgente! – clamou – preciso sair.
- Então, peça autorização a Capitã.
Olhou para a frente, ansiosa. Já estava na carlinga de sua nave e desesperada para sair.
- Abra isso, agora!
Acionou os motores e elevou a nave. Os tripulantes que lá se encontravam saíram correndo. O alerta vermelho da Starfleet soou na mesma hora. Abriu as asas do x-wing. A unidade R2 comunicou-se com ela pela tela de seu painel.
"Eles não eram amigos?"
- No momento – disse ela – não posso pedir com gentileza.
Sentiu um impacto do lado direito, ao mesmo tempo em que seus escudos enfraqueciam. Estava sendo atingida pelas armas deles, os phasers de mão.
-“Comandante Lauriel" – era a voz da Capitã Donner no comunicador de seu capacete – "O que pensa que está fazendo?"
- Capitã, desculpe-me, mas ou você abre esta porta, ou eu a destruirei.
Acionou os seus mísseis.
- Tem cinco segundos – disse começando a contar.
A porta do hangar começou a se abrir. A Capitã Donner não iria arriscar uma explosão ali. Partiu assim que houve espaço suficiente.
"Os escudos da nave estão ativos" disse a unidade R2. Ela estava presa dentro dos escudos da nave. "Os outros estão saindo" olhou no seu painel, mais uma nave que estava no hangar saiu, provavelmente para pegá-la. Já sabia o que fazer. Rumou para a ponte da nave
- Capitã, ou me libera ou disparo a queima roupa.
"Escudos livres"
Ótimo, acionou as coordenadas e saiu para o hiperespaço. Sabia que a Starfleet poderia segui-la, mas achava que não iriam fazer isso.
Alguns minutos depois, emergiu do hiperespaço. Era apenas uma tática de fuga para não ter que perder tempo lutando contra seus camaradas. Agora sim, programou o hiperdrive para as coordenadas definitivas. Precisaria seguir por quinze minutos até a janela correta.
"Aonde vamos?"
Lauriel não respondeu.
****
"Diário de Bordo, data estelar 3332.32, em nosso terceiro dia após o incidente que nos trouxe a esta galáxia, uma de nossos hóspedes, a comandante Lauriel, da Aliança Rebelde, empreendeu o que se pode chamar de uma fuga, aparentemente, sem medir as conseqüências."
- Relatório!
- O x-wing da comandante Lauriel seguiu para o curso 3-3-0 marco 5 – respondeu Tirvik.
Lisa estava confusa. Por que ela sairia assim, sem mais nem menos?
- Capitã, o General Sornim está nos chamando.
- Na tela.
- Capitã, peço desculpas pelo comportamento irracional de minha comandante. Estou pedindo para que os outros pilotos sejam transportados para a Exceler.
- Eles ainda são meus convidados General. E não creio que irão querer deixar suas naves aqui. E ainda não há local para pô-las.
- Capitã, os atos da comandante puseram em risco o nosso atual relacionamento. Sua nave foi ameaçada por ela.
- Eu estou ciente disto. Mas o fato é que se enviarmos os seus pilotos de volta, onde colocaremos as suas naves? Não creio que irá permitir que fiquem aqui, sem serem vigiadas.
- Nosso hangar estará apto a recebe-las em três horas.
- Então, enviarei seus pilotos neste horário. Starfleet desliga.
A tela se apagou. Fora rude, mas a situação o exigira. Não ia mandar os pilotos de volta antes de determinar se foi um incidente isolado ou alguma espécie de conspiração. Ficou olhando para tela em silêncio. A ponte já estava completamente funcional. Tudo o que faltava consertar eram apenas equipamentos secundários. Poderia seguir aquele x-wing se quisesse, eram mais rápidos. Mas não poderia faze-lo sem autorização de Jevlack, que alias, já deveria ter entrado em contado com ela.
Continuou olhando para o monitor, esperando.
- Ele não vai chamar – disse Tirvik.
- Como? – olhou para ela – porque?
- Bom, ele sem dúvida acompanhou a conversa que teve com o General, mas, apesar dele estar no comando desta frota de duas naves, ele não é o Capitão da Starfleet. Não irá interferir nas suas decisões no que tange a sua nave, a menos que isto afete a Thunderbold de alguma forma. E, no momento, diria que sua escolha de manter os pilotos rebeldes aqui foi acertada. Não sabemos o que está acontecendo.
- Capitão, a comandante Ígnea deseja lhe falar.
Pensou um pouco, com certeza ela iria tentar explicar o que aconteceu com a sua amiga.
- Peça-a para vir a ponte, desativar o alerta vermelho, mas mantenha o alerta amarelo.
Jevlack estava deixando o assunto em suas mãos, ao menos por enquanto. Vamos ver se poderia segurar a batata quente.
****
Ígnea saiu do turboelevador. Olhou para a ponte, ainda estava um pouco vazia, mas a Capitã estava em seu posto.
- Sim comandante, deseja falar sobre a sua amiga?
Ela estava séria, e não a culpava. Lauriel ameaçara sua nave, e foi uma ameaça real.
- Capitã, acho que sei porque Lauriel saiu desta forma.
- Estou ouvindo.
- Depois do incidente, fui até os aposentos dela, procurar por qualquer coisa que justificasse a sua saída. Achei isto. – mostrou um dispositivo, era uma pequena caixa com um visor, e um texto aparecia correndo por ele constantemente.
A Capitã pegou a caixa e olhou. Não conhecia a escrita, por isso mandou sua atual imediata traduzir no seu computador.
- É um dispositivo de comunicação – disse Tirvik – está retransmitindo um sinal automático.
"Fui enterrada no espaço, ajude-me, ultima posição conhecida, 21-3-0 Lia."
- É sempre a mesma mensagem – continuou Tirvik – nós também a estamos captando. Está sendo retransmitida pelo probe dos rebeldes. O sensores mostram que o x-wing fugitivo está indo para as coordenadas indicadas.
- O que significa? – perguntou a Capitã.
- Lia é uma espiã rebelde que se encarregou de vigiar Quattroni, um mercenário pirata que muitas vezes faz serviços para o Império. Creio que ela foi descoberta e Quattroni cuidou dela.
- Enterrando-a viva no espaço?
- Combinaria com o estilo dele. Espiões nunca tem morte rápida, e nunca são interrogados por ele.
A Capitã estava balançando a cabeça, não estava entendendo.
- Porque ela não avisou o General Sornim? Porque sairia assim, desta forma?
- Lia é praticamente uma irmã para ela. E, com certeza, deve ter avisado ao General. Provavelmente ele disse que não poderia ajudar e que ela também não o poderia.
- Abra um canal para a Exceler – disse a Capitã.
O General Sornim apareceu na tela.
- General, por que não disse que Lauriel provavelmente estava desesperada para resgatar sua amiga Lia?
Fora muito direta. Com certeza o General iria ficar sem ação. E ela levaria uma bela medida disciplinar deste.
- Capitã, isso é um assunto que interessa apenas aos rebeldes.
- Sua comandante quase atacou minha nave, agora me interessa também. O senhor sabia que uma de suas espiãs estava em perigo?
Ele ficou quieto por alguns instantes.
- Sim, sabia. Mas não poderia fazer nada por ela. Não temos pessoal para resgata-la porque todas as nossas naves estão ocupadas com uma grande operação, e também porque poderia ser uma armadilha.
- Disse isso a Lauriel e ela se ofereceu a fazer isso sozinha, certo?
- Sim, e eu a proibi.
- Obviamente ela não aceitou a sua ordem. Há mais alguma coisa que seria prudente eu saber?
- Não, dou minha palavra.
- Não o conheço para saber se sua palavra é confiável. Manteremos o alerta amarelo até sairmos daqui.
- Compreendo Capitã. A propósito, Informei os meus superiores das informações que me foram passadas ontem, na Thunderbold. Eles disseram que não vão mais incomoda-los.
- Obrigada. Starfleet desliga.
Ígnea viu que a Capitã não estava tranqüila. E não era para menos.
- Comandante, obrigada pelas suas informações. Jevlack foi informado de que deseja pedir asilo. Ele responderá a você amanhã. E, se já o conheço bem, esse incidente irá pesar bastante nisso. Um segurança ficara de guarda em seus aposentos e também de seus colegas.
- Entendo Capitã.
Saiu da ponte e foi para os seus aposentos. Estava acostumada com estas situações, os dois dias anteriores foram apenas um raríssimo intervalo para descanso. Agora, graças a impetuosidade de Lauriel, a Capitã iria considerar os quatro pilotos convidados a bordo da Starfleet como "pessoas suspeitas". Bom, não seria a primeira e nem a última vez.
Pediu uma bebida chamada whisky, deitou-se e bebeu de uma só vez. Muito fraca comparada as que estava acostumada a beber. Lauriel fizera o seu pedido para asilo, mas o seu comportamento com certeza iria anula-lo.
Isso não importava agora, dentro de algumas horas seria expulsa da nave junto com os seus colegas. Era uma pena, agora Tobias não ia lhe fazer aquela visita...
****
Podia ver as estrelas pelo vidro. Estava embaçado devido a sua respiração, e já estava ficando muito quente ali. Há quanto estava flutuando sem rumo no espaço? Quatro horas? Cinco? Lia não sabia dizer. Só sabia que tinha ouvido que Blinter falara que o ar iria durar seis horas.
Foi uma sorte não ter sido revistada. Não acharam seu comunicador de emergência. Assim que foi lançada, tentou pegá-lo, mas devido ao pouco espaço existente, demorou muito para consegui-lo. A escuridão total dali também não ajudava. Mesmo com o brilho das estrelas, foi difícil digitar a mensagem.
Ainda havia a questão da sua localização. Sabia onde estava antes de ser capturada. Mas para onde foram durante as oito horas em que estivera naquela cela? Não tinha como saber. Poderia estar em qualquer lugar. Devia ter se suicidado quando teve a chance, não passaria por isso agora.
Como foi tola! Infiltrar-se como espiã sem apoio. Apenas Lauriel sabia que ela estava lá. Safrã havia dito que não valia a pena por espiões para vigiar Quattroni, porque nem seus homens de maior confiança sabiam o que ele iria fazer até que não fosse mais possível dete-lo. Mas era teimosa, disse que iria espioná-lo nem que fosse fazer isso por conta própria. Lauriel a apoiou, e estava de posse do único receptor que poderia fazer contato.
Começou a tossir, a garganta estava ficando irritada e seus olhos estavam lacrimejando. Seu ar devia estar acabando. Morrer sufocada em pleno espaço. Limpou o vidro para ver melhor, parecia que uma das estrelas estava se movendo. Não, alarme falso. Assim morre a melhor espiã rebelde que se tinha notícia. Já tinha se infiltrado no palácio do próprio imperador, como uma cozinheira. E quando a descobriram era tarde demais, já tinha cumprido com o seu papel. Foi por isso que achou que seria fácil espionar Quattroni.
Realmente foi fácil, mas nunca tinha descoberto nada útil, a não ser quando já era tarde. Tentou ser amante dele e nada conseguiu. Seu braço direito, Blinter, também não era do tipo de contar vantagem. Era fácil entrar no grupo, e também fácil de sair. Mas, todos os que entravam ganhavam um cinto que deveriam sempre usar. Esse cinto enviava um sinal de identificação, de forma que era impossível entrar em Qualquer compartimento sem ser anunciado, e se tirasse o cinto, os alarmes disparavam.
Pelo menos, eram leais entre si. No último ataque pirata àquela nave de carga, sua escolta tinha destruído algumas naves. Todos os sobreviventes – incluindo ela própria – foram resgatados e medicados. Logo depois, Quattroni foi chamado por Darth Vader, e Blinter estava ocupado supervisionando a transferência da carga. Era a chance única de entrar no escritório de Quattroni e descobrir algo. Seu cinto fora tirado para ser medicada, ela não iria disparar os alarmes e não poderia ser detectada. Tinha se preparado para a ocasião, estava com o uniforme de piloto e já tinha uma nave pronta para a fuga. Quanta presunção! Nunca imaginara que se fosse detectado algum movimento no escritório os droides de segurança seriam acionados. Foi capturada e levada a presença de Blinter, que apenas disse que esperava ter a chance de se divertir escolhendo de que forma ela iria morrer.
Eles a prenderam e a jogaram em uma cela, sem interrogatório e sem nenhum mal trato. Pensou que seria linchada, mas ninguém fez qualquer movimento para isso. Era como se não se incomodassem dela ser uma espiã, obviamente porque sabiam que não fora capaz de descobrir nada. Ninguém nunca descobriu nada dos piratas de Pestulon, e provavelmente ninguém iria vir a descobrir. Safrã estava certo, era uma missão inútil.
Bem, ela havia descoberto alguma coisa, havia um holograma ativo no escritório, e deu uma boa olhada nele antes de ser capturada. Se fosse resgatada, talvez essa informação pudesse ser de alguma valia.
Prestou atenção de novo nas estrelas, algo realmente se moveu lá fora! Tentou se posicionar para Ter uma visão melhor. Suspense, angústia, havia um objeto lá fora sim! Limpou o vidro e observou. Decepção, era apenas o lixo que a Storm devia ter ejetado antes de se lançar no hiperespaço.
Já estava ficando sonolenta, e lá dentro estava muito abafado. O ar estava acabando. Blinter sem dúvida devia ter tomado o cuidado para revestir o caixão com material isolante, para que ela não se congelasse antes de morrer sufocada. Quanta consideração a detalhes. Ela tinha que morrer do jeito escolhido por eles e ponto final!
Ainda havia algo que podia fazer, mas não tinha como! Em suas botas, havia uma injeção subcutânea. Iria coloca-la em coma, fazendo com que respirasse muito mais lentamente. Mas mal podia se mover lá dentro.
Conforme o tempo passava, foi aceitando a sua sorte. Fechou os olhos e respirava devagar. Depois de algum tempo, algo bateu no seu esquife, mas não se incomodou, já estava desacordada há mais de uma hora quando aconteceu.
****
Capítulo XII
Lauriel saiu do hiperespaço e começou a usar seus sensores para vasculhar a área.
"O que estamos procurando?"
- Um caixão, ou outro material similar – respondeu Lauriel.
"Existe um objeto que poderia ser isso, esta rodeado de detritos, parecem ser lixo compactado que foi ejetado por uma nave"
Verificou o que a unidade R2 dissera, sim, poderia ser. Deu força máxima nos motores, desligando as armas e escudos. Levaria mais uma hora para chegar. No momento estava pensando em como tirar Lia do caixão e como leva-la de volta. Ela não tinha um capacete extra, e no cockpit não havia lugar para as duas.
Conhecera Lia enquanto estava na capital do Império, servindo o seu dono. Ela era uma espiã rebelde e estava participando do golpe que libertou todos os escravos que lá se encontravam. O Império em si não tinha escravos, não precisava deles. Seus droides faziam o serviço muito melhor. Lhe dera uma oportunidade e aproveitara muito bem. Depois disso, ela a ajudou a entrar para a Aliança Rebelde, ensinando-lhe táticas de guerrilha e combate no espaço.
Quase nunca a via, mas acabaram ficando muito amigas, ela estava sempre espionando em algum lugar. Chegou a estar no Executor, mas saiu de lá assim que percebeu os estranhos poderes de Darth Vader.
Quando o último espião que a Aliança tinha posto para vigiar Quattroni foi descoberto, Lia se ofereceu para substituí-lo, coisa que fora sumariamente negada pelo comando rebelde. Ela era muito valiosa para que se arriscassem a perde-la em fazer o que nunca conseguiram, espionar os Piratas de Pestulon. Bom, ela os convencera, ou a deixavam ir, ou saia da rebelião.
Para o comando da Aliança, ela já estava perdida. Não lhe forneceriam apoio, mesmo porque seria impossível. E não haveria como se comunicar de dentro das naves dos piratas. Só poderia faze-lo uma vez, com um dispositivo de transmissão analógica de caracteres antigos. Lauriel tinha o único receptor para decodificar a mensagem. Como Lia mesmo disse antes de partir, "este receptor terá que ficar com alguém a quem eu confiaria minha vida."
Ela lhe confiou a vida e não iria decepciona-la.
O tempo passava, e já se aproximava do objetivo.
"Por acaso sabe como tirar seu amigo de lá?"
- Estou aceitando sugestões.
"Sugiro que ponha uma máscara de oxigênio no seu companheiro e depois o coloque no compartimento de carga. É vedado e aquecido."
- Droidezinho, eu te amo!
"Eu sei"
Nesse instante, pensou como era estranho que aquelas naves da Federação não possuíssem droides. Por que seria? Bom, não era hora de pensar nisso, Estava se aproximando do caixão. Parou a nave a poucos metros dele e saiu. Chegou até o esquife e notou que tinha uma abertura. Malditos! Queriam que ela ficasse vendo que ninguém chegava! Olhou pelo vidro. Lá estava Lia, desacordada. Bateu no caixão, mas ela não se mexia. Olhou o encaixe, Havia algumas travas do lado de fora. Voltou para a sua nave e abriu o compartimento de carga. Tudo voou pelo espaço, pegou a máscara de oxigênio e voltou. Respirou fundo e abriu o caixão.
A tampa foi arremessada com a descompressão, Lia também. Felizmente, com os jatos de manobras em seu traje, conseguiu alcança-la., Pôs a máscara nela e retornou a sua nave jogando-a no compartimento de carga e o fechando, não podia ser muito gentil no momento. A operação não durou mais que trinta segundos. Sabia que os tímpanos dela deviam ter se rompido, e os seus globos oculares deviam ter se congelado e rachado no frio do espaço. Voltou para o cockpit e fechou a carlinga.
"Ela está respirando, mas está em coma."
- Ela está viva! – disse – e acho que qualquer lesão que tenha poderá ser reparada pelos médicos da Starfleet.
"Vai voltar para lá?"
- E para onde mais eu poderia ir?
Programou o curso e partiu. Sabia que os Sensores daquelas naves a captariam duas horas antes de chegar. Também sabia que seria julgada pelos seus atos. Mas os rebeldes não deviam abandonar os seus. Ela iria deixar a rebelião por causa disso, mas antes, cuidaria para que Lia tivesse todos os cuidados necessários.
****
Sornim observava pelo monitor os caças rebeldes saindo da Starfleet e entrando no hangar recém operacional. Perderam metade das naves na explosão, e, segundo ordens superiores, deveriam se reunir com a frota que iria fazer uma grande investida. Para tanto, os caças da plataforma seriam levados a bordo da Exceler.
Jevlack lhe dissera que Ígnea pedira asilo. Não iria por nenhum obstáculo. A nave que ela tinha usado seria teleportada para o hangar deles, assim que as outras tivessem pousado. Ígnea ficaria a bordo da Starfleet até a decisão final. Caso o pedido fosse negado, seria transportada para a Estação. De qualquer forma, a Exceler deveria sair de lá em uma hora. A Starfleet e a Thunderbold iriam partir amanhã, para localizar a fenda que os trouxera até ali.
- Rinander, como está o nosso hiperdrive?
- Completamente operacional, senhor.
- Programe o nosso curso, não quero me atrasar.
- Sim senhor.
Bernard, um dos pilotos que vieram da Nave Liberdade iria ficar na plataforma. Pedira baixa do serviço e iria voltar ao seu planeta natal, para resolver um assunto particular. Era lamentável, ele era um bom soldado. E precisavam de todos os soldados disponíveis, agora.
As naves pousaram. Um brilho surgiu no hangar, era o y-wing de Ígnea, sendo transportado. Se tivessem esta tecnologia, poderiam transportar os seus caças para fazer ataques relâmpagos. Mas, se isso acontecesse, o Império não demoraria muito para tê-la também. E, com certeza desenvolveria algo para transportar um destróier inteiro.
Repassou as suas ordens novamente. Deveria recuperar todos os caças perdidos na atentado usando para isso os que estavam na plataforma. Partir na hora indicada para integrar a frota de ataque no que estava sendo chamado de operação eclipse.
A nave de carga Kanter iria acoplar na estação e deixar suprimentos lá. Na verdade, já estava se movendo para isso.
Mas estava com uma estranha sensação. E não sabia explicar o porque. Já havia checado todos os tripulantes, todas as câmaras de gravação estavam em ordem, haviam guardas nos locais mais delicados da nave, motores, hiperdrive, hangar, sala de controle.
Mesmo assim, sentia que iria acontecer algo muito ruim.
O Piloto da nave Kanter manobrou para o acoplamento no gancho da estação. Fizera isso dezenas de vezes, e não estava nem um pouco preocupado com isso.
Estava ansioso. Deveria sair da nave assim que possível. Pegou a interface com a sua nave oculta dentro do cargueiro. Tudo em ordem. Na hora indicada, partiria com ela. Os outros tripulantes não sabiam desta parte da missão. Sabiam apenas que seriam regiamente recompensados por se fazerem passar por rebeldes. Coitados.
Manobra perfeita, a nave engatou na estação.
- Façam a transferência – disse pelo comunicador interno aos tripulantes.
Respirou fundo, tentava se acalmar. O dispositivo já estava acionado. E não havia volta, tinha que escapar de lá em quatro horas.
****
Tirvik estava no comando da Starfleet, acompanhando as leituras que captavam. Várias naves passavam ao largo dos sensores, mas nenhuma ia em sua direção. A maioria eram de cargueiros, grandes, pequenos, gigantescos. Mas todos tinham sempre a mesma velocidade, a dobra três. Uma vez ou outra captavam um destróier Imperial, mas não deviam informar isso aos rebeldes, a não ser que estivessem vindo em sua direção. A Capitã estava supervisionando os testes de sistemas da engenharia. Pensou em Jevlack e na saudade que estava começando a incomoda-la. Muita coisa aconteceu desde o último encontro de ambos.
- Comandante, estou captando um x-wing vindo em nossa direção.
Um x-wing? Seria Lauriel voltando com a amiga?
- Na tela.
O x-wing foi mostrado. Tirvik observou as marcas de tiros na sua fuselagem. Eram as mesmas daquele que a comandante Lauriel pegou.
- Capitã Donner – chamou pelo comunicador – captamos a nave da comandante Lauriel retornando.
- Estou a caminho.
Observou a nave. Iria demorar cerca de duas horas para alcança-los. Realmente era muito vantajoso para eles que pudessem captar as naves duas horas antes que chegassem a sua posição. Dificilmente seriam pegos de surpresa agora. Ambas as naves estavam totalmente operacionais, e só estavam adiando a partida para o dia seguinte porque os sistemas necessitavam de testes extensivos.
A ponte estava completa. A tenente Nille recebeu alta e estava no posto de navegadora, Doller estava em seu posto de oficial de ciências, analisando os dados colhidos pelos sensores da estação e da nave Exceler. O armeiro era o Alferes Souza. Os substitutos também estavam de prontidão na ponte. O mesmo devia estar acontecendo na Thunderbold. Todo o pessoal estava sendo acostumado aos novos postos, e em alguns casos, a nova nave que serviam, como ela.
Pessoalmente não sentia dificuldade nisso. A Starfleet era mais simples, principalmente por ser uma nave de treinamento. Pelo menos 70% de todo o pessoal já estava dispensado dos cuidados médicos, o que habilitava ambas as naves a trabalharem próximas as necessidades médias.
Todos os sintetizadores estavam reparados, O computador central estava operacional. Os sensores foram ampliados com circuitos novos feitos por Anderson. E o mesmo ocorreu com os escudos. Sua dissipação de calor ficou mais eficiente com a atualização dos sistemas de controle. Infelizmente a Starfleet não poderia fazer as manobras que a Thunderbold fazia. Apesar de possuir aletas em seus motores de dobra com injetores de plasma, estes estavam inativos. No caso deles, aquelas aletas eram apenas enfeites. Lamentável.
Os pilotos rebeldes já tinham partido, apenas Ígnea ficou, aguardando a decisão de Jevlack. A Capitã Donner poderia decidir isso, já que ela era hóspede em sua nave, mas preferiu não chamar a questão para si. Pessoalmente, ela diria não. Havia o sério risco de, como Lauriel, ocorrer alguma coisa que pudesse torna-la uma ameaça.
Lauriel estava retornando, talvez trazendo sua amiga, talvez não. Na verdade, não havia espaço naquele caça para duas pessoas. Se ela tivesse localizado a amiga, como iria traze-la? Não teria como rebocar o caixão em que ela estava, e provavelmente ele não caberia em seu compartimento de carga.
A Capitã chegou a ponte, Tirvik cedeu o assento e ficou ao seu lado, como fazia na Thunderbold. Não iria ser difícil se acostumar a servir na Starfleet.
- Quanto tempo para a chegada?
- Um pouco mais de duas horas.
Chame o General Sornim.
- Sim Capitã.
Alguns instantes depois, surgia o General Sornim na tela.
- Capitã? O que deseja?
- General, captamos o x-wing da comandante Lauriel retornando. Deverá chegar em cerca de duas horas.
Ele ponderou por alguns instantes.
- Se ela se aproximar de sua nave, pode abate-la.
Tirvik ficou surpresa, a Capitã não.
- Existe a possibilidade dela estar trazendo a sua companheira.
- Ela é uma ameaça. Demonstrou isso.
- Talvez seja melhor decidir isso quando chegar a hora. Podemos entrar em contato com ela?
- Não, quando no hiperespaço, nossas comunicações não funcionam. Deixarei a decisão ao seu cargo.
- Obrigada. Pensarei no que fazer.
A comunicação foi cortada. Tirvik notou que ela estava tensa. Jevlack não iria interferir em sua decisão, isso ela já sabia. Mas não iria se negar a aconselha-la se ela pedisse.
- Capitã?
- Sim, comandante?
- Capitã, se Lauriel está retornando, pode indicar que achou a sua colega e que esta pode precisar de cuidados médicos. Ela sabe que nós dificilmente recusaríamos isso.
- Estou considerando isso também, mas não descartei a necessidade de destruir a sua nave.
Tirvik não disse mais nada. Havia coisas nos humanos que ela não entendia, mesmo sendo mais humana que vulcana.
****
Lisa tinha seguido para o observatório depois de ter falado com o General, e estava lá desde os últimos quarenta minutos. Tinha que decidir o que fazer com Lauriel, caso ela quisesse vir a bordo. E provavelmente o faria. Seus camaradas a consideravam uma traidora pela forma como agiu, e tinham razão nisso. Por mais nobre que fossem suas intenções, ela causou uma situação de extremo risco.
Mas não podia deixar de pensar no que faria se estivesse no lugar dela. Se soubesse que um amigo estava em dificuldades e recebesse ordens de abandona-lo. Se bem que já estivera há pouco tempo em uma situação similar. Quando estavam com os campos de dobra distorcidos. Jevlack ordenara que abaixasse seus escudos para que seus motores fossem destruídos. E ela, mesmo sabendo que isso iria condena-los, obedeceu.
Sim, provavelmente ela iria obedecer ordens. A não ser que não fizessem sentido.
- “Capitã" – era a voz de Tirvik – "o General Sornim esta partindo e deseja lhe falar"
- Transfira para o observatório – pediu.
Um monitor se ergueu da mesa, nele apareceu o General.
- Pois não?
- Capitã, falei com Jevlack e ele disse que a decisão será tomada pelo Capitão a qual Lauriel se comunicar.
Ela não estava surpresa. Segundo Tirvik, Jevlack não iria interferir no que ela decidisse.
- E qual seria essa decisão?
- Se a comandante Lauriel pedir para levar Lia a bordo, o Capitão em questão decidirá o que fazer. Não tenho nada contra tratarem de Lia, mas peço que Lauriel seja mantida como prisioneira até que seja preparada uma cela pa ra ela na estação. E, assim que solicitado, que a transportem para esta.
- Sim, acho isso aceitável.
- Foi o que o Capitão Jevlack disse. Estou partindo agora Capitã. Que a força esteja com vocês.
- Obrigada.
A comunicação acabou. Olhou pelas janelas e viu a Exceler acelerar e entrar no hiperespaço.
O que significava isso de força?
****
Um pouco mais de uma hora depois, Lauriel emergiu do hiperespaço. Segundo a unidade R2, Lia estava piorando muito. Precisava de cuidados urgentes. Notou que a Exceler não mais se encontrava na região.
"Estão configurando para ataque."
Olhou seu painel e viu que as naves de patrulha estavam vindo na sua direção, com o sistema de armas ativo.
- Aqui é a comandante Lauriel para a USS Starfleet, solicito ajuda médica para a minha amiga! Por favor, serei atacada em breve.
- Comandante Lauriel – era a Capitã Donner – o General Sornim solicitou que a mantivéssemos prisioneira, para o caso de fazer este pedido, aceita estas condições?
- Sim! Podem fazer o que quiserem, mas ajudem Lia!
As naves rebeldes pararam o ataque. Posicionaram-se uma de cada lado e a escoltavam em direção a Starfleet.
- Capitã, detectamos a sua amiga em seu compartimento de carga, se abaixar seus escudos a teleportaremos diretamente para a enfermaria.
Ela desligou os escudos. Alguns segundos depois, a unidade R2 indicava que Lia não mais estava na nave. Só então ela realmente relaxou. Conseguira!
O hangar da Starfleet se abriu e ela pousou. As Outras naves também o fizeram. Os seguranças estavam lá para detê-la. Tudo bem, ela já tinha se disposto a isso. Provavelmente iria ser expulsa da Aliança, mas não se incomodava.
Desceu do x-wing e foi escoltada pelos guardas até a sua cela. Não havia portas, era fechada por um campo de força. Não era muito diferente de seus aposentos. Tinha um sintetizador, uma cama, e uma pia. Pediu que lhe informassem sobre Lia, mas os guardas disseram que apenas a Capitã poderia autorizar essa informação.
Ficou andando de um lado para outro na cela. Estava ansiosa. Lia estaria viva ou morta? Se estivesse viva, a tecnologia deles poderia reparar os ferimentos que possuía?
- Comandante?
Lauriel olhou em direção a voz. Era Tirvik.
- Como está Lia?
- Muito mal, seus tímpanos foram rompidos, alguns órgãos entraram em colapso devido a falta de oxigênio, sua retina ocular ficou seriamente danificada. Mas o doutor disse que se ela sobreviver às próximas horas, irá se recuperar plenamente.
Ficou um pouco mais aliviada.
- Quanto tempo ficarei aqui até que a Aliança venha me levar?
- Mais algumas horas. Provavelmente saberá se Lia ira sobreviver ou não antes que a levem.
Pelo menos isso. Saberia se teve sucesso antes de seu julgamento.
- Por que veio até nós?
- Porque eu vi que vocês estão melhor equipados para trata-la, e estavam mais próximos também. E Ígnea? Partiu com a Exceler?
- Não, ela está a bordo, mas confinada aos seus aposentos. A Capitã não quer correr o risco de que outra piloto rebelde aja da mesma forma que você.
Desculpe Ígnea, mas fiz o que tinha de ser feito.
****
Jevlack estava em seu gabinete tomando uma batida de coco. Finalmente podia relaxar um pouco. Seus circuitos foram reparados durante a noite, e seu braço parou de formigar. Estava com o copo a dois centímetros de sua boca quando soou a campainha.
A contragosto, pôs o copo na mesa.
- Entre!
Terak entrou.
- Capitão, todos os sistemas estão reparados. Estamos apenas efetuando os testes de rotina. Poderemos partir assim que a comandante Lauriel for teleportada a estação.
- Muito bem – voltou a pegar o copo e bebericou um pouco – e qual o curso que aconselha seguirmos?
- Teremos de fazer mapeamentos para identificar onde está o portal com exatidão. Isso irá levar alguns dias, mesmo que as duas naves se dividam para isso.
- Certo. O que sugere que façamos com o pedido de Ígnea e a rebelde que está sendo tratada na Starfleet?
- Não tenho muitos fatos para decidir. Creio que terá que usar a sua intuição humana.
Uma das coisas que ele apreciava em Terak era a sua maneira polida de dizer problema seu!
- Bem, ainda tenho um pouco de tempo para pensar... – notou que o alerta amarelo foi acionado.
- Vamos – disse.
Atravessou a porta e entrou na ponte, Matias tinha assumido o comando quando Terak saiu.
- Senhor Matias, qual a situação? – perguntou enquanto assumia o seu posto.
- Houve uma explosão no casco da nave Kanter, e uma nave saiu pela abertura feita. Segundo os registros que recebemos da Aliança, é um tie-advanced, um caça imperial. Ele já entrou no hiperespaço e está se afastando de nós em dobra três, seguindo o curso 2-2-4 marco 6.
Na tela via-se a estação e a nave acoplada a ela.
- Nossos sensores estão captando um acumulo de energia na Kanter, pode ser algum tipo de dispositivo explosivo – disse Terak.
- Senhor! Os caças rebeldes estão bombardeando a Kanter, e existem naves de transporte saindo da Estação.
- Se ela tem uma bomba armada, é a única coisa que podem fazer.
- Erguer escudos! – disse Jevlack – Terak, diga a Starfleet para se afastar daqui. Navegador, tudo a ré ag......
A tela iluminou a ponte com uma coloração azulada, ondas de impacto atingiram a Thunderbold frações de segundo depois. Jevlack não precisava proteger os seus olhos como os outros fizeram. O impacto foi forte, mas possivelmente não grave. A luz azulada diminuiu, e na tela via-se as estrelas, a Starfleet, e algumas naves rebeldes girando sem controle. A estação e a nave de carga desapareceram.
- Relatório!
- Um momento Capitão – disse Terak – Todos os decks reportam que está tudo bem, nossos escudos suportaram o impacto. O mesmo ocorreu com a Starfleet.
- Não há sinal da estação ou dos transportes que a estavam deixando – disse o armeiro. - Tudo no raio de um quilômetro foi vaporizado.
Fora aquela a nave que trouxera o equipamento necessário para que a Exceler pudesse viajar pelo hiperespaço. Um caça do Império estava escondido lá. A Estação rebelde foi destruída por ela, e com certeza era um alvo secundário.
- Ainda temos a Exceler em nossos sensores?
- Não Capitão, ela saiu do alcance há cerca de trinta minutos.
A Exceler sem dúvida devia ter sido sabotada de alguma forma. E não havia como avisa-los. E a Primeira Diretriz não permitia que fossem atrás deles.
****
Sornim repassava a situação da nave enquanto estavam no hiperespaço. Todos os esquadrões estavam completos. Tudo o que conseguiram coletar das naves estavam bem seguros. Não se arriscou a transmiti-los a Safrã, com medo que pudessem ser interceptados pelo Império.
- General, estamos saindo do hiperespaço.
Olhou para a janela, gostava de ver o efeito da saída. As estrelas encolhiam, como fachos de luz sendo apagados por uma borracha invisível. Então sua admiração virou estupefação, viu quatro naves imperiais.
- Meia volta! Caímos em uma cilada!
Os navegadores começaram a fazer a programação urgente do hiperdrive, mas nada acontecia. Ele simplesmente não aceitava novas coordenadas. Começaram fa zer diagnósticos, sem resultado.
- Senhor! - disse um deles - o hiperdrive não está aceitando novas coordenadas. Estamos presos aqui.
- General - disse outro - há um interditor na área, mesmo que o hiperdrive funcionasse, não poderíamos fugir.
O hiperdrive fora sabotado novamente. Mas como? Não era hora de pensar.
- Identifique nossos oponentes, preparar os caças para serem lançados. Preciso do mapa detalhado da situação!
Uma vez que seu hiperdrive não poderia ser utilizado, sua prioridade era evacuar a nave. Mas para isso teria que destruir o interditor que impedia que os hiperdrives destas pudessem ser usados. Precisava saber qual era a posição das naves do Império para formar uma estratégia que permitisse a fuga de alguns tripulantes, ao menos.
O mapa tático surgiu após alguns segundos preciosos de análise dos sensores. Haviam cerca de quarenta tie-bombers a pouco mais de um quilometro de distância. Longe demais para serem atingidos por eles, mas próximos o suficiente para alveja-los com os mísseis. Na verdade, já o estavam fazendo. Os operadores dos canhões da Exceler já estavam tentando detê-los com os mísseis de concussão e turbo-lasers. Mas era uma questão de tempo até seus escudos caírem. Próximos a estes e disparando canhões íons, estavam doze tie-defenders. Mais distante e aproximando-se a meia velocidade, estavam cinco transportes de assalto, obviamente um time de captura. Eles tinham uma chance! não queriam destruir a nave, e sim captura-la.
- Preparem dois esquadrões de a-wing para conter estes tie-bombers. Todos os b-wing e y-wing serão usados para destruir o interditor, quero todos os x-wing disponíveis para lhes dar cobertura. Todos os outros devem ser usados para deter os tie-defenders. Usem os shuttles de assalto se for necessário.
Os comandantes de esquadrões foram avisados, dois grupos de seis a-wing se preparavam para serem lançados, do lado de fora, vários mísseis já estavam atingindo os escudos da Exceler, enfraquecendo-os. Oito b-wings e dez y-wing estavam sendo trazidos para o hangar. Os dois tipos de bombardeiros seriam carregados com mísseis pesados. Assim que o interditor fosse destruído, as naves de evacuação seriam lançadas. Se, acontecesse dos escudos da Exceler cederem antes disso, elas também seriam lançadas e protegidas pelos a-wing que estariam próximos.Os seis x-wing que tinham iriam ser usados para dar cobertura aos bombardeiros e os dois k-wing restantes iram ajudar no ataque aos tie-defenders. Restavam apenas quatro transportes e cinco shuttles, para serem usados na evacuação. Sornim sabia que a Exceler não poderia ser salva.
Ainda havia o fato de que estavam cercados por quatro destróieres. Com certeza um enxame de caças imperiais seriam lançados contra as suas naves. As chances de fuga eram mínimas, mas existiam.
O primeiro esquadrão de caças foi lançado, mas não foram muito longe, antes de manobrar o suficiente, os tie-defenders os atingiram com uma barreira de disparos de íons, ficando desabilitados. Quatro a-wings ficaram fora de combate antes mesmo de começar. Os mísseis continuavam a atingir a Exceler, e seus escudos cederam em 60%.
Fora tudo calculado! Os bombardeiros estavam na posição exata para ataca-los quando emergissem do hiperespaço. Agora via os transportes levando as tropas de assalto que iriam captura-los. Nenhum caça rebelde foi abatido. Mas porque? E, acima de tudo como souberam para onde iam? Olhou para as coordenadas em que estavam. Estavam erradas! não era para irem a este ponto! Pensou no hiperdrive que não aceitava novas coordenadas. Como poderiam tê-lo sabotado? Não havia como faze-lo, a não ser que ele já tivesse sido instalado sabotado! A nave Kanter! Ela estava acoplada a estação! Iria sabota-los também.
Tentou se comunicar, mas não seria possível. Os imperiais saturaram todas as freqüências de longo alcance com estática.
A segunda leva de a-wings partiu e esta teve mais sorte, saíram no momento em que os tie-defenders estavam ocupados com os dois a-wings que escaparam do primeiro ataque. A prioridade deles eram os bombardeiros, travaram os mísseis de dispararam a vontade. Conseguiram destruir quatorze, depois tiveram que fazer manobras evasivas para escapar do ataque reorganizado dos tie-defenders.
Sornim observava tudo do tático, ouvindo atentamente a comunicação dos pilotos.
"Vermelho dois, pegue o da direita."
"Amarelo cinco cuidado com a retaguarda."
"Aqui é vermelho seis, meus escudos caíram, atingiram meus sistemas, as armas estão inoperantes."
- General, mais naves estão sendo lançadas pelos destróieres.
"Faça evasivas até que o sistema seja recuperado, vou tentar dar cobertura."
- Quantas?
"Vermelho seis?"
- No total, mais de trinta, todos assalt gunboat, e continuam lançando mais.
- Nossos escudos?
"Vermelho seis?"
Ele demorou um pouco para responder.
"Esqueça! ele está desabilitado"
- Agora em 24%.
Muito mal. Se fossem desabilitados agora, não poderiam lançar mais naves. ainda restavam mais oito tie-bombers, e dez tie-defenders. Eram naves muito rápidas e tinham escudos tão fortes quanto aqueles dos a-wing.
"Vermelho um, tem três na sua cauda, vá para a direita"
O que eles poderiam fazer agora? Não podiam pedir socorro, e não poderiam fazer frente a força que enfrentavam.
"Meu leme não está respondendo, preciso de oito segundos para que seja reparado."
Mesmo com as unidades R2 embutidas nos a-wing, elas não poderiam reparar a nave no caso de uma desabilitação total. E o mesmo acontecia com os outros caças.
"Peguei! Vermelho um, desligue os motores para que passem por você."
- Estamos prontos para lançar o esquadrão de x-wings.
- Mande-os auxiliarem os a-wings enquanto os bombardeiros não são lançados.
"Obrigado amarelo dois, meu leme voltou a funcionar."
"Amarelo dois?"
- Caças lançados senhor, deveram engajar com os tie-defenders em quarenta segundos.
"Amarelo dois?"
"Amarelo dois???"
"Eu o estou vendo, parece que o pegaram."
"Mas que droga!"
Precisavam de um milagre!
****
Capítulo XIII
Seu instinto provara novamente que estava certo, a princesa não sabia de nada. E era muito frágil também, pelo menos foi a primeira impressão. Nem precisou usar a arma, assim que a encarou, ela se atirou aos seus pés implorando para que a soltasse. Dizendo que faria qualquer coisa para isso. Falou que sei pai pagaria qualquer resgate e por ai foi.
Para Blinter, aquilo foi uma decepção! Chamou os seus guardas e lhes disse para fazer o que quisessem com ela, desde que não a deixassem com marcas. O seu grito desesperado ainda ecoava em seus ouvidos.
Mas tivera uma agradável surpresa depois. Assim que deixou a "coitada" a sós com três guardas, ouviu barulho de luta. Muita luta! Achou que eles estavam se divertindo até que ouviu um deles gritar de dor. Outro gritou um "por favor, não" . Depois disso resolveu entrar. Um guarda estava no chão, curvado e agonizando. Foi um chute certeiro. Outro estava morto, com a barriga cortada. O terceiro apontava seu blaster para a princesa e esta segurava uma faca que pegara com um dos outros dois.
Então a princesa não era tão frágil assim. Acertou-a com a arma de treinamento, e quando se debateu de dor, foi pega por ele e pelo outro guarda que conseguiu ficar incólume. Agora a adorável princesa estava acorrentada em sua cela. Pensava seriamente em vende-la como gladiadora, agora. Pelo menos conseguiria um pouco mais.
Estava indo ver Quattroni agora. Tinham acabado de emergir do hiperespaço para rebocar a nave que seria usada como isca, e estava curioso para ver como ela era.
Quattroni estava em sua posição característica, mãos nas costas, observando a janela. Demonstrava muita imponência assim.
- Senhor?
- Sim Blinter? Eu vi o seu relatório. Mas não concordo com a sua classificação para a princesa.
Ele ainda não sabia que a princesa tinha muita personalidade.
- Bem, agora eu também não.
Contou a ele o ocorrido.
- Interessante – disse de forma pensativa – não aprecio prisioneiros que demonstram tanta firmeza de caráter.
Blinter aguardava que ele completasse o pensamento.
- Quando iniciarmos a nossa operação, provavelmente teremos um período de muita espera. Use esta princesa para entreter a tripulação. Mas sem marcas.
- Acho que até já sei o que fazer.
Quattroni voltou a olhar para as estrelas. Pelo menos era o que parecia, ao olhar na mesma direção que ele, viu uma nave que nunca vira antes. Tinha três cilindros e um disco.
- Selecione os pilotos que irão conduzir os cargueiros de transporte – disse Quattroni – Iremos precisar de quatro.
- Sim senhor.
Foi até o console mais próximo e convocou voluntários. Deveriam se apresentar ao chefe de operações para seleção. Voltou a olhar para a nave. Era absurdamente diferente do que conhecia.
- De onde veio esta nave? Se me permite perguntar.
- Tudo o que sei, é que foi localizada há algumas décadas, a deriva no espaço. Toda a tripulação estava morta. E a nave estava inoperante. Os cientistas do Império tentaram por anos decifrar os seus sistemas e equipamentos, sem sucesso. Claro que alguma coisa conseguiram descobrir, mas a sua fonte de força é desconhecida. Acharam algo parecido com um reator, mas não sabiam qual o combustível que geraria tanta energia para alimentar seus motores. Teorizaram que poderia ser anti matéria.
Anti-matéria? Por vários milênios centenas de mundos tentaram usar a anti matéria como fonte de energia. Todas fracassaram em um grande cabum, até que finalmente definiram que era impossível usa-la.
Observando melhor, viu que haviam vários destróieres estelares do império patrulhando a área. Observou o painel tático. Doze destróieres e quatro interditores. O Império não queria que soubessem o que tinham. Mesmo que alguém chegasse até ali, não teria como retornar. Haviam também centenas de naves em patrulha. Todas tie-defender e tie-advanced. Os caças mais rápidos e poderosos do Império.
Haviam também quarenta corvetes modificados, com muitos canhões lasers, em contraste com os corvetes normais, com apenas dois. Quanto mais analisava as forças imperiais em patrulha ali, mais se impressionava. A área total em patrulha chegava a quinhentos quilômetros ao redor da nave. Ainda haviam vários satélites que interferiam maciçamente nas comunicações, mesmo nas internas. Não havia como se comunicar ali, a não ser que soubessem como filtrar a estática.
Quattroni deveria saber, mas provavelmente não o diria. Tinha um código de honra que o fazia manter os segredos que lhe confiavam. Se qualquer um dos piratas sequer comentasse entre si o que viram aqui depois que tudo acabou sem necessidade, seriam executados imediatamente. Incluindo ele mesmo.
Apenas ficou observando, assim como Quattroni, enquanto se aproximavam da nave.
- Senhor Blinter, já selecionei os pilotos que pediu.
- Leve-os para o hangar e aguarde instruções.
- Uma nave do império virá busca-los – disse Quattroni sem se mover.
- Eles forneceram algum código de autorização?
- Sim, "Emperor".
- Atenção operações do Hangar, uma nave do Império irá solicitar permissão para pousar, o código será "Emperor" Confirme.
- Emperor – foi a resposta.
- Confirmado – disse Blinter, encerrando a comunicação.
Quattroni ainda não se movia, e isto já o estava incomodando. Parecia o próprio Darth Vader.
- Blinter, foi o próprio Darth Vader quem planejou esta operação, não preciso dizer que ela deve ser executada a risca.
Agora entendeu porque ele estava agindo assim. Estava preocupado.
- Entendo perfeitamente – disse.
- Não, não entende. O objetivo do contrato é compreender a tecnologia daquela nave. Temos vários meios para isso, e nenhum deles é garantido. É possível que esta nave seja destruída. Não importa realmente, desde que descubramos qual o fundamento que permite que se mova. Isso é tarefa para especialistas, mas não temos especialistas capazes de descobrir isso.
- Então, como faremos?
- Há alguns dias, apareceram mais duas naves parecidas com esta – apontou pela janela – funcionais. Com certeza, os tripulantes sabem como funciona.
- E devemos capturar estas naves?
- Se possível. Na verdade, temos que montar uma armadilha que atraia estas naves. É possível que estejam aqui procurando esta que se perdeu, ou então também se perderam, como esta. Nosso plano parte do princípio de que se localizarem esta nave, irão investiga-la.
- E como faremos para que a localizem?
- Tudo ao seu tempo, Blinter. Tudo ao seu tempo.
Nada mais disse. O controle do hangar informou que um shuttle do Império forneceu o código correto e estava pousando no hangar. Blinter foi até o console tático para observar o que ia ocorrer.
Foi uma operação rápida, a nave pousou, os pilotos embarcaram e logo em seguida a nave partiu. Seguiu lentamente até alcançar uma nave de transporte de carga. Desembarcou um piloto e prosseguiu para a próxima. A mesma operação se repetiu por mais três vezes. Nenhum piloto fez nenhum movimento. Não sabiam o que era para fazer.
Quattroni afastou-se da janela no momento em que o último piloto foi levado ao seu transporte. Foi até o painel de comunicações e digitou um código, provavelmente o que permitia que pudessem se comunicar ali naquela área.
- Aqui é Quattroni – disse aos pilotos – vocês devem levar estes transportes de carga até o local que eu lhes indicar.
Ele colocou um disco com informações e as transferiu.
- Assim que acoplarem na nave nas posições indicadas deverão por as naves em sincronia. Iremos leva-la para um local que já está programado em seus hiperdrives. Não tentem descobrir que local será.
Blinter imaginou se algum deles seria tolo o suficiente para desafiar a ordem.
Os transportes executaram a ordem de forma impecável. Assim que o último acoplou, o controle de acionamento dos hiperdrives deles foi transferido para a Storm.
- Agora – disse Quattroni – me diga o que pensa em fazer com a nossa hóspede da nobreza.
- Bem – começou ele – já ouviu falar de um jogo que os orchinianos gostam?
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"Diário de bordo, suplemento. A nave Kanter que estava acoplada a estação espacial rebelde explodiu, destruindo a si mesma e a estação, bem como todas as naves rebeldes que estavam próximas. Uma nave do Império foi detectada deixando o cargueiro, momentos antes da explosão. A Starfleet e a Thunderbold escaparam incólumes, porém nos deixou com um problema para resolver. O que fazer com a comandante Lauriel que ainda é prisioneira na Starfleet e com as oito naves rebeldes que sobreviveram a explosão?"
Jevlack, Lisa, Terak e Tirvik estavam na sala de reuniões da Thunderbold para definir o que fazer. Tinham uma prisioneira, uma rebelde pedindo asilo e oito pilotos de caças que não tinham oxigênio suficiente para ir a qualquer lugar. Todos posicionaram-se ao lado da Thunderbold e seus pilotos foram transportados para bordo.
- Quem tem a patente mais alta dentre eles? – perguntou a Terak .
- O Comandante Bernard. – respondeu.
- E o que ele diz sobre o que querem fazer? – perguntou a Capitã Donner a Tirvik, que tinha falado com ele.
- Bem, pelo que ele me disse, não tem no momento nenhum lugar para ir. Todos as bases rebeldes estão sendo transferidas de lugar, devido a alguma grande movimentação. Ninguém sabe quais as novas posições. E as comunicações só podem ser feitas mediante freqüências que apenas os comandantes de cruzadores podem ter acesso.
- Em suma, eles não tem para onde ir a não ser onde estão – concluiu Jevlack.
- Sim, exatamente isso.
Primeiro, tinham que decidir sobre o que fazer com Lia e Ígnea, agora tinham onze convidados. Um deles na prisão, e outro em coma.
- Alguém tem alguma idéia sobre o que devemos fazer?
- Poderíamos seguir o mesmo curso que a Exceler e dizer a eles o que aconteceu. E então transferir os pilotos. – disse Tirvik.
- Não creio que a Exceler esteja disponível agora. Creio que foi sabotada novamente e que pode muito bem ter sido destruída a esta altura.
- É mais provável que o interesse seja captura-la – afirmou Terak.
- Porque?
- Os fatos corroboram para isso. Quando aquele destróier chegou, o hiperdrive dela e seu hangar foram destruídos. O destróier parou a distância mínima para lançar seus caças. E agora, a nave de carga, depois de fornecer os equipamentos necessários para os seus reparos, destruiu a estação. Se o alvo fosse a Exceler, teria explodido quando estava próximo a esta. Provavelmente o Império deseja os dados que ela compilou a nosso respeito. Já sabem que podemos fugir facilmente deles. É lógico que decidam obter informações através de um meio alternativo. No caso, a nave que esteve mais próxima a nós neste período. A destruição da estação provavelmente foi apenas para evitar que reforços pudessem ser enviados.
Não havia manual ou regra sobre o que fazer agora. Jevlack, por enquanto, teria que manter os pilotos com eles. Pelo menos isso adiava a decisão sobre Ígnea. Não tendo onde deixa-la, ela continuaria com eles. Já Lauriel era mais difícil. Era uma prisioneira, mas não deles. Se não conseguissem contato com os rebeldes, teria que liberta-la em algum local.
- Deve existir algum planeta onde possamos deixa-los – disse – até lá, vamos mantê-los como convidados enquanto procuramos pela fenda. Quando a acharmos, a mapearemos e os levaremos ao planeta que quiserem, desde que isso não incorra em risco para nós.
- E, enquanto procuramos – disse Donner – podemos tentar estabelecer contato com alguma nave rebelde.
- Certo. Esta reunião está encerrada. Terak, transporte àqueles caças para o nosso hangar. Lisa, você tem três x-wing na Starfleet, certo?
- Sim, um de Lauriel e dois dos que a escoltaram. Mas os tínhamos transportado para a estação para que voltassem em um transporte que levaria Lauriel.
- Pelo menos, isso nos deixou com naves para todos, caso não tenhamos onde pô-los. A propósito, peça ao seu engenheiro chefe para que faça um relatório sobre o que causou a distorção. Acho que ele esqueceu de nos dizer.
- Sim Capitão, e eu esqueci de cobra-lo.
Lisa e Tirvik retornaram a Starfleet.
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Não acreditava que ainda não tinham capturado os rebeldes. Tudo foi calculado com precisão estrema. A Exceler sairia o hiperespaço exatamente a mil e trezentos metros de onde os tia-bombers estavam posicionados, e a oitocentos metros dos tie-defenders. Já deveria estar desabilitada. No entanto, não só ainda estava operacional como conseguira lançar dezoito naves.
É verdade que seis foram desabilitadas, mas antes conseguiram abater mais da metade dos bombardeiros e dois tie-defenders. Só podia ser explicado pela incompetência dos pilotos. Foi por isso que ordenara que sessenta e quatro assalt gunboat fossem lançados e circundassem o nebulon-b rebelde. Não queria arriscar que algum deles conseguisse escapar.
- General, perdemos mais dois tie-defenders.
Impressionante. A única explicação era que os rebeldes não estavam tentando desabilitar as naves do império, o que lhes dava alguma vantagem.
- Envie dez levas de esquadrões de assalt gunboat para ataca-los. Prepare os tie-interceptores, se alguma nave se aproximar a me nos de dez quilômetros de qualquer destróier, deve ser destruída.
- Sim senhor!
Queria os pilotos vivos porque sem dúvida um deles era a sua escrava. Mas não ia arriscar a missão por ela. Vader não seria condescendente com isso caso algum escapasse. Suas ordens foram de capturar a Exceler intacta, e o maior número possível de rebeldes vivos. Possível, não todos.
- Mais dois a-wings e um x-wing desabilitados, senhor.
- A primeira leva de assalt os alcançou, dois estão avariados.
- Mande todos os que sofrerem danos retornarem.
Não iria arriscar a muitas baixas. Já perdera vinte e seis bombardeiros e cinco caças. Observou no mapa tático a situação. Os sinais verdes eram os rebeldes, e os vermelhos as naves do Império. Havia tantos sinais vermelhos que dificilmente se via um verde. Como não conseguiam supera-los?
- Foram lançados b-wings senhor, estão em alta velocidade e sendo protegidos por todas as naves.
Já chega! Pensou que seria uma operação rápida, mas aquilo estava levando tempo demais. A tenacidade dos rebeldes era realmente incrível. Usou a sua caixa de comunicações novamente. Ordenou aos seus caçadores que ainda estavam a bordo da Exceler para que pusessem em prática o plano secundário. Ele mesmo idealizou esta salvaguarda, mas não imaginou que seria necessário.
- Quatro levas de assalt gunboat se engajaram com os rebeldes senhor, agora restam apenas dois a-wing para serem imobilizados.
- Apenas quatro naves para cada caça, todas as restantes devem imobilizar a Exceler.
- Dois k-wing foram lançados, partiram muito rapidamente. Segundo as análises, estão com toda a potência nos motores. Senhor! Está o indo diretamente para o Interditor Cabriam.
Pensou um pouco. Sem dúvida era um ataque do tipo tudo ou nada. Iriam lançar todos os mísseis assim que estivessem ao alcance.
- Lance os tie-interceptores da Cabriam. Devem destruir os k-wings a menos que sejam desabilitados antes. Se dispararem, destruam os mísseis.
Os k-wing conseguiram desviar de dois esquadrões de assalt gunboat que tentaram intercepta-los, em mais alguns segundos, poderiam disparar os mísseis. Um terceiro esquadrão se aproximou, um deles desviou, o outro não. Devia estar com o leme inoperante. Foi presa fácil.
- A Exceler está inoperante!
O ultimo k-wing conseguiu disparar todos os mísseis antes de ser desabilitado. Se atingissem o Interditor, ele seria destruído. Felizmente os tie-interceptores destruíram todos.
Finalmente! Todas as naves rebeldes estavam inutilizadas, agora naves de captura estavam sendo enviadas para pegar os pilotos. E ele tinha certeza de que ninguém conseguiria escapar da Exceler.
Sornim olhava para o oficial que lhe dissera que aos transportes estavam inutilizados. O sabotador agiu novamente. Todos os caças foram inutilizados e o mesmo aconteceu com a Exceler. Não podiam mais lançar caças, e nada na nave funcionava mais. Os canhões íons colocaram em colapso todos os sistemas computadorizados. Haviam soldados presos nos elevadores, e estavam sem a gravidade artificial. Todos os que não estavam usando as botas magnéticas estavam flutuando na nave. E, em breve, a equipe de assalto chegaria. Tinham que se preparar.
No hangar, a primeira linha de defesa estava montada. Sessenta homens esperavam que os transportes de assalto tentassem pousar. Barricadas estavam sendo preparadas no interior da nave para dificultar a movimentação das tropas imperiais. Eles podiam estar condenados, mas não se renderiam.
As naves se aproximavam, seis delas. Quando estavam a menos de sessenta metros duas saíram de formação e seguiram para outros pontos da nave. Com certeza, para as comportas que eles já tinham lacrado.
Estava aguardando na ponte o desfecho inevitável. Pela janela, via os transportes circundando a nave. Os que se dirigiam ao hangar estavam sendo alvejados por armas de mão. Os dois transportes que se separaram se ligaram magneticamente ao casco da nave, um na dorsal e outro na parte dianteira. Podia se ver um brilho surgindo por debaixo deles. Deviam estar perfurando o casco para invadir-los.
- General?
Olhou na direção em que vinha a voz. Eram os dois pilotos que pilotavam os y-wing junto com Bernard e Lauriel, no dia em que encontraram a Starfleet.
- Sim?
- General, ordene que os seus homens se rendam - ele apontou a arma para ele.
Eles eram os espiões? Não podia acreditar. Chegaram juntamente com Lauriel e Ígnea. Não fazia sentido.
- Não - disse, sem demonstrar a sua confusão - podem me matar, se quiseram.
- Muita coragem. Mas não é a nossa missão. Devemos apenas acelerar a sua já certa derrota.
Eles estavam certos. Já estavam derrotados. Mas ainda havia esperança. Deveriam ter se encontrado com a frota rebelde, e, quando perceberem que não ia mais chegar, iam investigar e descobrir o que aconteceu. Apesar de, no momento, o comando não poder perder tempo com isso. A Exceler podia ser dispensada, foi chamada para integrar a frota apenas como reforço.
Atingiram-no em seu braço com um tipo de dardo. Ele tentou retira-lo, mas perdeu as forças e a consciência antes disso. Não viu a brava luta de seus comandados, conseguindo se defender por quase uma hora.
Os rebeldes tentavam deter os transportes com as suas armas de mão, mas era inútil. Um destróier já estava se aproximando deles, já se preparando para fazer a operação de acoplagem. Estavam condenados desta vez, e não havia nenhuma nave para reboca-los, agora.
Os rebeldes eram alvejados com tranqüilizantes, queriam todos vivos. A fuselagem da Exceler foi aberta em vários pontos e milhares de metros cúbicos de gás foram injetados. Os afortunados que conseguiam máscaras não tinham como se defender da falta de visão provocada. Mas seus oponentes tinha visão infravermelha.
Duas horas depois, a Exceler estava totalmente vazia. Todos os tripulantes foram levados como prisioneiros. Todos os dados armazenados em seus computadores seriam agora analisados por uma equipe especificamente designada para este fim. O General Soer tivera total sucesso em sua missão para o império.
- General Soer, o ultimo rebelde foi capturado.
Não demonstrou nenhuma emoção, mas estava muito satisfeito.
- Nossas baixas?
- Trinta e oito naves e sete pilotos. Os outros foram resgatados.
Um elevado número, mas devia ser levado em consideração que não destruíram nenhuma nave rebelde, e que todos foram capturados com vida. Operações deste tipo normalmente são custosas.
- Prossiga conforme o planejado.
Naves de transportes foram até a Exceler para levar os prisioneiros. Iriam permanecer sedados até que um cargueiro preparado para ser uma prisão chegasse, dentro de alguns minutos. Deveria ser uma operação rápida, para não se arriscar a que alguma surpresa desagradável estragasse tudo agora.
O cativo General Sornim estava sendo levado para a sua nave. Deveria leva-lo a Darth Vader assim que possível. No momento, um time de analistas e outro de reparos estavam aguardando que a nave rebelde fosse limpa, para pô-la novamente em operação. Precisavam dela operacional para analisar quaisquer dados que possuísse. Os prisioneiros também eram úteis. Caso nada fosse descoberto seriam interrogados em busca que quaisquer informações sobre as naves.
Foi a sala de controle e começou a verificar a catalogação dos prisioneiros. Queria aproveitar o seu tempo e localizar os seus caçadores para liberta-los e também o seu prêmio pessoal.
****
Ígnea chegou ao local em que Laureil estava confinada. Ela estava sentada na cama. Simplesmente esperando que algo acontecesse.
- Oi - disse.
- Olá, e desculpe. Acho que minha ação acabou com a sua chance de ir embora com eles.
Ela sorriu.
- Talvez. Mas não estou preocupada com isso agora. Vim dizer que Lia irá se recuperar.
Ela respirou com alívio.
- Ótimo. Pelo menos ela poderá assistir ao meu julgamento. O que foi aquela trepidação que senti há algumas horas?
- Bem - ela não sabia como dizer - A estação explodiu. Aquela nave de carga era uma armadilha do Império.
- Como? E a Exceler?
- Provavelmente foi sabotada novamente. E desta vez, não há ninguém para ajuda-la.
O destino era estranho as vezes. Se Lauriel não tivesse ido salvar Lia, estaria a bordo da Exceler agora, que provavelmente tinha caído em alguma armadilha.
- E o que vão fazer conosco?
- No momento, continuamos a ser hóspedes, com ais oito pilotos que sobreviveram a explosão. Bernard está entre eles.
- Bernard? Mas ele não iria embora com a Exceler?
- Isso é o que eu chamaria de sorte grande! Ele pediu dispensa para resolver alguns assuntos particulares em seu planeta natal. Seu pai morreu e sua família o chamou. Ele foi transferido para a Estação e iria aguardar o seu transporte. Enquanto estava lá resolveu dar uma última volta em um caça, fazendo a patrulha. Foi quando a nave explodiu.
- Sorte grande! Ele não gostaria de participar dos jogos em Hoth?
- Acho que não. No momento, é a patente mais alta, e está com muita coisa para pensar.
- E para onde vamos?
- Não sei. Só sei que partiremos amanhã.
- Mudam as naves, mudam os comandantes, mas a constante é a mesma, nunca sabemos para onde vamos ou porque.
****
O shuttle chegou ao hangar do destróier Dankan. O General Soer aguardava os seus convidados. Dois rebeldes - os caçadores - e o General Sornim.
- Onde está o outro?
- Não sabemos, não o vimos depois que partimos da estação.
Era uma pergunta meio de retórica. Não era o que realmente queria saber.
- Onde ela está? Morreu quando o hangar explodiu?
- Não, a última informação que tivemos foi que ela ficou na nave dos estrangeiros.
Na nave dos estrangeiros! Algum deus devia estar brincando com ele. Maldição! Lutou contra a frustração e raiva que se acumulavam. Pelo menos poderia descontar nos prisioneiros, quando fossem ser interrogados. Dirigiu-se ao General Sornim.
- General, devo cumprimenta-lo pela sua defesa.
Sornim não se dignou a responder.
- Se quer ficar em silêncio, tudo bem. Não serei eu quem irá interroga-lo. Levem-no para a cela.
Os guardas o levaram embora. Soer retornou a ponte, seguido pelos caçadores.
- Entre em contato com Quattroni - disse ao operador.
Um dos caçadores se perdera. Não o localizara entre os rebeldes capturados, e nem a sua escrava. Uma pena. Mas algo estava mudando nele. Até antes de se encontrar com Vader, vingar-se tinha sido o único motivo que o mantinha na frota imperial. Agora, sendo um General e tendo completado sua primeira missão, já não estava mais com a mesma determinação. Claro que se ela fosse pega, ele ainda iria ficar profundamente satisfeito. Mas isso estava deixando de ser a sua primeira prioridade.
- Senhor, ele não responde. Seu contato disse que está fazendo um serviço e ficará indisponível pelos próximos dias.
- Muito bem, programe o nosso curso, temos uma entrega a fazer. E diga ao chefe da prisão para já deixar preparados os droides de interrogatório - virou-se para os caçadores - quanto a vocês, creio que não mais poderão ser úteis. No entanto, ainda existem caçadores na Liberdade, correto?
- Sim - disse um deles - ainda têm dois.
Talvez ainda pudesse ser útil aos planos de Vader. Já que aqueles seriam inúteis para o contrato original, iria usa-los para saber onde estava a Liberdade e qual seria a missão urgente desta, tanto que a Exceler foi chamada para que ela não se atrasasse.
- Vocês estão dispensados. Não há como usa-los novamente. Peguem o shuttle no hangar e retornem a sua base. Informem Quattroni do ocorrido. Ainda tenho um contrato com os dois que sobraram. Irei ver se posso usa-los. Digam isso a ele também.
Eles anuíram e saíram em direção ao hangar. Assim que pegaram o shuttle, Soer deu a ordem para partirem. Cerca de vinte minutos depois, entraram no Hiperespaço.
Foi até os seus aposentos relaxar um pouco. Demorariam várias horas até chegar ao destino. Felizmente não teriam que fazer o caminho de volta. O planeta prisão do Império ficava próximo de onde iam.
****
Sornim aguardava em sua cela. Pelo menos agora podia entender algumas coisas. Os espiões provavelmente vieram para a Exceler por golpe de sorte, sorte deles, bem entendido. Deviam estar na nave Liberdade apenas aguardando a chance de fazerem algo. Quando a nave estranha foi localizada, se ofereceram para participar e informaram ao Império.
Acabaram vindo para a Exceler, e sabotaram o hiperdrive para que não pudessem fugir. Depois devem ter indicado de onde viria a nave de reparos. O império interceptou esta nave e sabotou o novo hiperdrive também. Esta, com certeza iria fazer alguma coisa na estação, mas não tinha o que imaginar.
O novo hiperdrive instalado estava ajustado para chegar às coordenadas onde foram atacados. E todos os tripulantes foram capturados vivos! Tanto empenho se justifica. Com certeza queriam toda a informação possível sobre aquelas naves.
E agora conseguiram. Todas as naves foram capturadas, e qualquer informação que possuam também. No entanto, ele ainda tinha um trunfo. Quando percebeu que seria impossível escapar, destruiu todos os registros que estavam armazenados na Exceler. Provavelmente era por isso que estava sendo levado em separado agora. Todos os outros foram levados para uma nave de carga que com certeza tinha como destino a prisão inescapável do Império.
Nada a fazer a não ser esperar. Pelo menos algo o tranqüilizava, as naves da Federação não poderiam ser capturadas. Eram poderosas demais, muito rápidas e podiam detectar qualquer nave duas horas antes que chegasse. Mesmo Darth Vader não teria meios de alcança-los.
Acabou dormindo. Foi acordado por dois guardas. O levaram até o hangar e embarcaram em um shuttle. De onde estava, não podia ver pelas janelas, a não ser um curto espaço, onde podia perceber que estavam indo para alguma outra nave. Provavelmente outro destróier estelar.
Chegaram ao hangar desta nave e desceram. Era um hangar diferente, muito maior do que o último de onde saíra. Devia ser um outro tipo de destróier. Foi levado até a ponte. A porta se abriu e o encaminharam até o centro desta. Estremeceu! Ouviu um ruído de respiração alta, mecânica, ruidosa.
- General Sornim - disse uma voz metálica - é um prazer conhece-lo.
Virou-se lentamente. Ali, na sua frente estava Darth Vader.
- Temos muito o que conversar - continuou ele - pelo que fui informado, todos os registros de suas nave foram destruídos. Mas acredito que ainda se lembre do que eles registravam.
Ele só podia rezar para ter uma morte rápida.
****
Capítulo XIV
Ele digitou a seqüência de ativação e observou os quatro transportes entrarem no hiperespaço carregando a nave. Depois, foi pessoalmente ao controle do hiperdrive e entrou as coordenadas. Comunicou-se com as outras naves de sua frota. Deveriam ficar por ali até serem chamados. Em seguida, a Storm partiu, para um rumo ignorado por todos, menos por Quattroni.
- Por que os outros não estão vindo conosco? – perguntou Blinter.
- Por que nós temos que fazer algumas coisas naquela nave, e apenas eu, você e mais oito pessoas poderão saber o que é.
- Tudo bem, desculpe por perguntar.
Blinter deixou a ponte. Quattroni ficou a observar o efeito da viagem no hiperespaço enquanto sua mente divagava. A nave em questão era dispensável, seu pessoal era dispensável, sua frota era dispensável. E provavelmente era o que ocorreria quando tivessem que enfrentar seus oponentes. Há algumas horas recebera mais informações sobre os estrangeiros, as naves eram Thunderbold e Starfleet, e tinham meios de detectar naves viajando no hiperespaço. Isso forçava a repensar o seu estratagema. Não poderia surpreende-los, portanto teria que camuflar as naves. A Revenger era capaz disso, mas as outras não.
Teria que usar a sua nave pessoal para atingir o objetivo, e não havia garantias de que também não poderiam detecta-la. Precisava de uma contingência. Chamou Blinter e disse para que preparasse os droides inquisidores, e que pegasse vinte mouse droides, e que deveria acoplar um míssil bloqueador na Revenger.
Precisava achar um meio de detê-los enquanto sua frota não chegasse, e o míssil era a única coisa que possuía para isso. Se funcionasse, impediria que eles pudessem fugir, se não, Vader o acharia e o mataria.
Agora já achava que fora apressado em aceitar a tarefa, devia Ter ponderado mais. Não sobre os riscos, mas sim sobre a possibilidade de sucesso. Vader ofereceu um planeta pelo serviço, e ele aceitou. Nunca tinha falhado em completar um serviço antes. Não desde que se tornara um pirata, e sabia muito bem que o primeiro também seria o último.
Antes de ser um pirata, já tinha conhecido a derrota, em um jogo com um homem chamado Lando. Neste período, Quattroni era um contrabandista, transportando cargas ilegais nas barbas do Império e em dezenas de outros reinos menores. Como de hábito, haviam locais específicos para aqueles que tinham esta profissão se encontrarem. Foi em um destes locais seletos que tinha aceitado participar de um jogo com cacife muito alto. O jogo até que foi bom, pelo menos nas primeiras três horas. Ganhava e perdia, mas se mantinha estável. Talvez a culpa fosse do excesso de bebidas, ou então foi mesmo um jogo preparado, não que isto importasse agora. Ele tinha boas cartas e apostou o que tinha de mais valioso na época, um transporte coreliano muito rápido, talvez o mais rápido de toda a galáxia. Lando ganhou e ficou com a nave, e ele nunca mais jogou desde então. Coincidentemente também parou de beber.
No entanto, de certa forma aquilo foi bom, lhe deu uma nova determinação. Sem meios de prosseguir como seu próprio chefe, teve de aceitar ser subalterno em algum outro local, pelo menos até conseguir se firmar novamente. Foi convidado para entrar em uma associação de piratas e rapidamente, devido a sua capacidade de planejamento estratégico, acabou por assumir um dos postos mais elevados. Com o tempo, formou sua própria facção. Comprou uma nova nave, não tão grande quanto a antiga, mas que podia ser modificada para ter talvez a mesma velocidade. Fez muitas modificações nela e a batizou de Revenger. Mas era uma pena que Lando não tivesse mais a sua antiga nave. Nesta época, a perdera em um outro jogo. Talvez um dia, seu caminho acabasse cruzando com o novo dono desta.
Mas ele ainda sentia uma ponta de saudade, talvez por isso todas as suas naves de transportes fossem do tipo do Outrider, como a que ele usou quando foi até o Executor.
A Storm veio logo em seguida. Um poderoso cruzador, capaz de rivalizar com um destróier estelar. Foi um bônus que recebera quando fez o seu primeiro serviço para o Império. A nave foi capturada em um combate feroz, e acabou ficando com ela para ser sua nova nave base. Foi só então que finalmente aceitou fazer qualquer espécie de serviço, com exceção de espionagem. Se Quattroni soubesse que Soer estava usando os seus caçadores para isso...
Algum tempo depois capturou um cruzador rebelde e alguns corvetes, e então sua fama começou a crescer, e também o número de espiões que passaram a ser localizados entre seu pessoal. O Império começou a contrata-lo para serviços de ocasião, mas cada vez mais fazia contratos mais difíceis e mais gratificantes monetariamente. Mas ele se aproveitava deles. Cada vez que enfrentava rebeldes ou outra força qualquer, procurava capturar algumas naves, foi assim que conseguiu vários caças x-wing e alguns b-wing também. Todo e qualquer prisioneiro rebelde era vendido ao Império, e se este não estivesse interessado, o mesmo era jogado no compactador.
Ultimamente, passou a selecionar melhor os contratos. Quando alguém do Império chamava, ele ia pessoalmente negociar o serviço, e sempre avisava que nunca aceitaria um serviço que considerasse impraticável. Mesmo que Vader o pedisse. Este de agora pareceu possível, antes que fosse informado que as naves possuíam recursos até então não imaginados.
Devia ter imaginado isto quando foi oferecido um planeta como pagamento. E a única coisa que tinha de descobrir era como as naves se movimentavam. Nada de armas, nada de tecnologia, apenas o conhecimento técnico.
Ele nunca perguntou a nenhum contratante o motivo do serviço, mas agora queria perguntar. Talvez fosse hora de começar a mudar as suas regras. Começar a interrogar os espiões e fornecer serviços de espionagem. Talvez!
- Senhor, estamos chegando ao destino.
Divagara por várias horas. Bom, era hora de preparar a armadilha.
- Blinter, leve oito homens até o hangar e me espere lá.
Saiu da ponte e foi até o hangar, sabendo muito bem que Blinter já estaria lá com os homens.
****
Aqueles robozinhos já a estavam deixando doida! De quem foi a grande idéia de tira-los das naves? Vários tripulantes e oficiais comunicaram que as unidades R2 estavam fazendo confusões pela nave, abrindo painéis, tentando se ligar ao computador principal, e até fazendo brincadeiras. Na verdade, um deles estava na ponte quando chegou.
- Eu quero essa coisa de volta a nave dela. – foi o que tinha dito.
Só que a "coisa" em questão estava com outras idéias. Quando tentaram tira-la da ponte, se agarrou ao console de ciências com uma pinça e não queria mais sair de lá! E os rebeldes estavam todos na Thunderbold.
- Computador, que diabos essa coisa está tentando fazer?
"O droide de serviços gerais está tentando fazer uma interface com a memória principal, no entanto, devido a impossibilidade e estabelecer uma linguagem de interface padrão, o mesmo não esta sendo possível"
- Então diga a este "droide" para parar com isso.
"A unidade aparentemente não possui este interesse."
Isso já era ridículo. Interesse?
- Convença ele!
Passado alguns instantes, a unidade R2 tremeu violentamente e foi jogada longe. Obviamente levara um choque extremo. Soltou alguns assobios que ninguém entendeu.
"Não tenho a programação adequada para responder a altura."
Bom, quase ninguém. A unidade emitiu mais alguns sons enquanto se dirigia ao turboelevador. Assim que entrou começou a balançar de um lado para o outro.
- Mas o que ele esta querendo? – perguntou.
- Acho que quer usar o turboelevador, mas o computador não esta atendendo.
Mais alguns sons. Então, de repente, a porta se fechou, e o turboelevador partiu com uma velocidade incrível em direção ao hangar. O som que o droide fez parecia-se muito com um grito de susto.
"Tenha uma boa viagem e não se esqueça de não usar nossos serviços novamente."
- Tem certeza de que ele não conseguiu fazer a interface com o computador? - perguntou Lisa a Doller.
- Se fez, parece que o nosso computador levou vantagem. Mas o que me surpreende é que eles parecem possuir uma certa personalidade.
- E desagradável! – completou Lisa – avise a sala de transporte para focalizar estas coisas e pô-las de volta ao seu lugar.
- Sim Capitã.
Ela tomou a seu assento e ficou a pensar na situação. Tirando a aparente insurreição dos droides, ela tinha que decidir o que fazer com Lauriel. Deveria deixa-la na prisão ou confina-la aos seus alojamentos? Terak estava examinando os mapas estelares da galáxia para verificar se havia algum planeta onde poderia deixar os seus convidados, Tirvik estava na enfermaria, esperando Lia despertar. E Jevlack devia estar dormindo a essa altura. Na verdade, ela também deveria dormir. Iriam partir no dia seguinte para tentar localizar a fenda que os trouxera.
- Doller, ache o pessoal do turno da noite para assumir a ponte. É hora de dormir.
- Entendido.
****
Lia acordou, ou pelo menos pensou que tinha acordado. Abriu os olhos mas não viu nada. Tentou se mover e notou que estava presa! Procurou prestar atenção aos sons, mas nada! Começou a gritar, perguntando aonde estava e notou que sua garganta doía horrivelmente, alias agora notou que todo o seu corpo estava doendo. Sentiu que alguém a segurava, e estava injetando alguma coisa em seu braço. Não sabia o que era, mas sentiu-se mais relaxada imediatamente.
Sentiu algo no seu ouvido, como que um estalo. Doeu um pouco, depois melhorou. Então ouviu uma voz, metálica, fria. "Está se sentindo melhor agora?". Era uma voz de mulher "Nós estamos cuidando de você, ficou muito ferida, mas tenha paciência, em breve poderá enxergar e ouvir novamente".
Tentou sentir como estava. Havia dores no peito e região abdominal, suas pernas formigavam, e sua cabeça estava latejando. Não podia ver nada, e agora entendia o porque: Estava cega! E o motivo de ouvir uma voz metálica também estava explicado, também estava surda. Com certeza a imobilizaram na cama para não se ferir quando acordasse. Sentiu agora que estava sendo solta. "Tente não se mover, chamamos a sua amiga para conversar com você".
Amiga? Devia ser Lauriel. Agora se lembrava do que aconteceu. Fora enterrada no espaço e tinha perdido os sentidos. Como estava cega e surda, o caixão deve ter sido aberto e a descompressão deve ter causado estes danos. Mas estava viva! Provavelmente receberia próteses para recuperar a visão e a audição, alias, para a audição já tinha alguma coisa, provavelmente um dispositivo simples apenas para que pudessem se comunicar com ela.
O jeito era esperar. Começou a se sentir um pouco tonta, devia ser efeito do tranqüilizante.
- Quanto tempo fiquei desacordada? – perguntou, o que causou uma grande dor na garganta.
"Umas dezesseis horas. Já chamei o Doutor, sua amiga deve estar sendo acordada."
Acordada! Então era o período de descanso. Seu olfato devia estar afetado também, pois não sentia cheiro algum dos produtos químicos que normalmente estão nas enfermarias das naves rebeldes.
Depois de algum tempo ouvindo apenas alguns poucos sons de pessoas se movimentando no local em que estava, finalmente reconheceu a voz de Ígnea.
"Olá menina! Se acha que sofreu muitos ferimentos, espere só até ver o seu cabelo!"
Era Ígnea, sem dúvida.
- Ainda bem que não posso ver! Foi você quem me salvou? Onde estou?
"Lauriel a salvou, e você esta a bordo da Starfleet. Uma nave estrangeira."
- Nave estrangeira? Onde está Lauriel?
"Presa, desobedeceu ordens para te salvar. Ainda bem que está deitada, porque é uma história meio complicada."
"Talvez seja melhor eu explicar" – disse a mulher que falou com ela anteriormente - "Meu nome é Tirvik, sou a primeira oficial desta nave. Sua amiga Lauriel estava aqui como convidada nossa quando captou o seu sinal de socorro. O superior dela negou-lhe permissão para partir, alegando que além de ser possivelmente inútil, podia ser uma armadilha."
- E ele tinha razão.
"Sim, mas ela não concordou. A prova de que estava certa é que você está aqui. A Exceler, o cruzador rebelde, não pôde esperar a chegada dela. Por isso nós concordamos em detê-la até que uma prisão fosse preparada na plataforma espacial."
- E essa prisão não ficou pronta ainda?
"A plataforma foi destruída. Comandante Ígnea, acho melhor explicar a sua amiga quem nós somos e em que ponto estamos."
Durante horas, Ígnea contou-lhe sobre a Federação, A partida da Exceler e da explosão da plataforma.
- Então Lauriel está presa aqui... Mas o que vão fazer com ela?
"Ninguém ainda sabe. Só me disseram que por enquanto ela ficará aqui até que encontrem uma base rebelde ou um planeta para deixa-la. Na verdade, o mesmo se aplica a todos nós. Somos em onze, tem três aqui e oito na outra nave."
Ela bocejou, indicando o sono que sentia.
"Agora descanse. Segundo o médico você vai sobreviver."
- Acho que podia responder isso sem a ajuda dele.
"Você é muito mentirosa."
****
Sornim caminhava lentamente, cambaleando até, escoltado pelos guardas do Império. Estava apático, o interrogatório de Vader foi muito avassalador para a sua mente. Lembrava-se vagamente de falar algo sobre campos de dobra, de ter sentido o seu corpo ser comprimido por gigantescas mãos invisíveis, de existir outra consciência dentro de si.
Estava indo ser executado, e isso seria mostrado pa ra os seus antigos tripulantes, como aviso a eles sobre o que o Império faria caso não colaborassem. Uma porta se abriu e os guardas o jogaram lá dentro, sem muita cerimônia.
Olhou ao redor, tentando aparentemente entender onde se encontrava. Sua mente estava muito confusa, ele mal entendia o que estava ocorrendo. Sabia apenas que estava em perigo, mas qual e como enfrenta-lo eram pensamentos que apenas com muito esforço se formulavam. Viu uma câmara no alto da cela. Estava sendo observado. Fez menção de dizer algo, mas naquele instante esqueceu-se de como articular as palavras.
Nomes vieram a sua mente, de amigos, inimigos, conhecidos, alguns nem sabia o que significava. Mas eram nomes, nomes que indicavam força, nomes que indicavam derrota, mas nenhum indicava esperança. Olhou novamente para o cubículo onde estava. Apenas paredes e a câmara, nada mais. Porque um condenado iria ter algo mais? Porque foi condenado? Onde estava agora?
O esforço para ter pensamentos coerentes estava ativando memórias desconexas.
Tirvik... quem era? Jevlack... amigo! Não... Acordado? Talvez... Lauriel, traidora. Mas quem ela traiu? Quem traiu ela? Milhares de pensamentos surgiam, mas apenas alguns eram notados pela sua consciência, pelo menos, o que sobrou dela.
Acordado, sim, havia um pensamento seguindo esta palavra, o porque ele não sabia, o porque ele não tencionava saber. Olhou ao redor. Cubículo. Iria ser executado, seus homens iriam vê-lo. Darth Vader destruiu sua mente, Darth Vader escancarou portas de sua mente, Darth Vader era o lorde negro. Quem era Darth Vader?
Sentou-se no chão, os pensamentos soltos estavam começando a aliena-lo. Foi capturado, interrogado e agora ia ser morto. Isso era um pensamento coerente. Acordado... aquele que despertou... isso era pensamento antigo, de lenda antiga. Tirvik... pensamento recente... vulcana... língua vulcana. Jevlack... pensamento recente, pensamento antigo, língua vulcana. Mas porque estes pensamentos podiam ser percebidos se os outros eram praticamente ignorados?
"General Sornim, sua execução será efetivada em sessenta segundos."
Quem era Sornim? Era ele! Foi ele. Não, ainda era ele antes que não fosse mais ele.
"59, 58, 57, 56..."
Contagem regressiva, um lançamento. Não, contagem regressiva, seu lançamento fora da vida. Agora sua mente começava a encontrar o elo rompido por Vader.
"47, 46, 45, 44..."
Ia ser morto, seus homens iam ver. Transmissão ao vivo! Estava sendo gravado. Ele estava acordado, não, despertado. Não, alguém ia ser despertado, ou acordado. Mas porque isso é insistente? Porque pensar nisso quando se vai ser morto.
"39, 38, 37, 36..."
Pensamento recente, pensamento antigo. Donner, humana simpática. Tirvik, vulcana simpática, Lauriel, comandante simpática, comandante teimosa. "Aquele que despertou enfrentará... " o pensamento era insistente. Mas qual a relação? Porque estes nomes? Nomes de força, nomes que significam algo. Donner, potencial, Tirvik, conhecimento, Jevlack, despertado, Lauriel, vingança. Ígnea, fogo do solo. Sornim, planejador... Conseguiu finalmente encontrar um motivo para estes nomes virem a sua mente.
"28, 27, 26, 25..."
Quando Vader invadiu a sua mente, de certa forma ele teve acesso a alguns dos seus sentidos, isso mais do que qualquer coisa que ocorreu depois foi o choque responsável pela sua consciência ter ficado semi catatônica. Foram estes sentidos que forçaram estes pensamentos desconexos. Eram tão poderosos que interrompiam qualquer outro pensamento coerente. Agora estavam enfraquecendo. Não, estavam sendo suplantados pelos instintos primários de sobrevivência.
"19,18,17,16..."
"Aquele que despertou..." Sim! Era uma lenda antiga que seu povo recitava em cerimônias religiosas, agora podia se lembrar das palavras exatas. Ainda estava confuso, mas esse pensamento era claro. É hora de morrer. Já estava morto, mas podia dizer algo. Podia dizer o que devia.
"15, 14, 13, 12..."
Levantou-se, olhou para a câmara e disse bem alto e sem nenhuma hesitação:
"11..."
- Aquele que despertou...
"10..."
- ...do passado, deverá enfrentar...
"9..."
- ...seu semelhante de agora...
"8..."
- ...para que o universo...
"7..."
- ...não pereça.
"6.."
Estava feito! O porque ele não sabia, apenas sabia que tinha que dizer isso. Fez uma postura serena, igual a que fazia durante as cerimônias religiosas. Fechou os olhos e moveu a cabeça para baixo. Ninguém saberia o porque dele ter dito isso. Nenhum pensamento surgiu depois disso. Agora ele sabia, sabia o que iria acontecer, sabia o desfecho, e sabia que o Império um dia cairia. Suas lendas estavam se concretizando.
"2, 1"
De todas as paredes, vários feixes de energia foram lançados, em menos de um décimo de segundo, nada restava no local, exceto a câmara.
Soer tinha acabado de assistir a execução. As últimas palavras de Sornim foram estranhas, porém pareceu que foram dirigidas a Darth Vader. Bom, não era problema dele, tinha sua nova missão: Destruir o posto rebelde de onde partiu a nave Kanter.
- Avise as naves da frota que devemos partir imediatamente.
- Sim senhor.
Três destróieres estelares e um interditor começaram a se mover, assumindo formação. Entraram no hiperespaço e seguiram rumo ao destino, já com a estratégia traçada. O interditor iria posicionar-se a dois mil quilômetros de distância, para evitar ataques dos rebeldes, um destróier ficaria entre este e a base, para garantir a sua posição, os outros dois iriam se posicionar a oito quilômetros. Era muito prático saber exatamente a posição da base e as suas defesas.
Sem prisioneiros. O ataque começaria com tie-advanceds e tie-interceptores para controlar os quarenta caças rebeldes da base. Os bombardeiros atacariam os dezoito containeres e vinte e seis transportes de carga.
Uma operação rápida e de pouco risco, porém, depois que vira a tenacidade com que os rebeldes poderiam reagir quando tinham um forte líder, um batalhão completo de tie-fighters seriam lançados do terceiro destróier que seria posicionado mais atrás, e ficaria de patrulha, para o caso de caças rebeldes fugirem do cerco.
Foi até a sua cabina, e ficou aguardando que saíssem do hiperespaço. Seriam várias horas de espera. Enquanto isso, iria beber alguma coisa de forma a comemorar a sua libertação! Sim, agora se sentia livre daquela obsessão que o perseguiu depois que fora humilhado na capital do Império com a fuga dos escravos. Para ele que foi rei de seu próprio império, ter sido atacado por uma mera serviçal e ser quase morto tinha sido uma afronta enorme. Intolerável! Sentia que se não podia controlar seus servos, não merecia comandar seu planeta. Renunciou ao trono e só iria retornar depois que pegasse a megera que o tinha desmoralizado.
Entrou para o Império para isso. Uma vez que tinha renunciado, não iria usar sua armada para atacar os rebeldes, eles tinha uma força maior. Como já foi dito, Soer era arrogante, mas não tolo. No Império, esperava subir de posto para um dia cruzar com ela. Mas mesmo depois de alguns anos, percebeu que as chances de que ela morresse em outro confronto qualquer eram grandes. Foi nessa época que Quattroni começou a fazer serviços para o imperador. Entrou em contato com seu grupo e oficializou o contrato, seriam disponibilizados caçadores para Soer, porém o único objetivo destes seria localizar e capturar a escrava dele. Não deveriam ser usados para mais nada além disso. Claro que se fornecessem alguma informação que pudesse ser de valia ao Império, Soer poderia fazer com ela o que bem entendesse, e se fosse possível qualquer serviço extra, desde que não desvirtuasse o objetivo, também poderia ser feito, com, é claro, um pagamento adicional.
Mas agora percebeu que conquistou uma posição por si só. Aproveitou os caçadores para fornecer serviços ao Império, comandou a captura da Exceler, e toda a estratégia foi desenvolvida por ele. E era simples, já que os rebeldes são mais combativos, melhor é sufoca-los por um ataque esmagador. Mas não poderia fazer isso sempre. Era melhor ter uma estratégia bem feita para evitar surpresas. Sua missão de agora e a anterior são basicamente testes de sua capacidade. A primeira foi difícil, porém conseguiu o sucesso com baixas aceitáveis, apesar de não serem as ideais. Só depois, os outros generais informaram que Sornim era um dos mais brilhantes estrategistas rebeldes. Foi por isso que a vitória tinha sido tão custosa.
O objetivo de seu ataque de agora era privar os rebeldes de possível envio de suprimentos. Os containeres possuíam material para montar diversos caças, bem como vários tipos de mísseis. Eram o objetivo principal, o secundário era destruir toda a força existente por lá. Havia um terceiro, capturar possíveis sobreviventes que tivessem se ejetado de seus caças, interroga-los e localizar outras bases desta espécie. Os tripulantes da Exceler seriam usados para isso. Na verdade, a própria Exceler seria usada em uma armadilha, seria entregue a ele para isso. Basicamente sua frota seria usada para "limpar a área de reforço".
Só não entendia que área de reforço seria esta. Reforço para que? Sabia pelos seus caçadores que a Aliança Rebelde estava preparando um ataque em larga escala, e sabia também que deveria ser com relação ao projeto secreto do Império. Não sabia o onde nem quando. Bom, o onde deveria ser em um local próximo da área a ser limpa. O quando... deveria ser breve.
Ficou em uma posição mais confortável na cadeira. Pediu para ser avisado vinte minutos antes de chegarem ao destino. Podia até cochilar um pouco, se quisesse. E chegou mesmo a cochilar.
Foi despertado no horário previsto. Foi a ponte e repassou a estratégia. Os caças estavam prontos, o interditor e o destróier que deveria protege-lo iriam sair do hiperespaço primeiro. Eles sairiam poucos momentos depois.
Ao sair do hiperespaço, os destróieres colidiram com algumas naves de patrulha, reduzindo o número de oponentes. Os caças foram lançados como planejado, e não houve surpresas. Ocorreram alguns casos de dois ou mais caças rebeldes se mostrarem fortes o bastante para causar algum problema, mas foram destruídos após uma saraivada de mísseis. Foram localizados alguns pilotos que ejetaram, todos foram capturados. Agora analisariam os destroços para determinar o tamanho real da perda rebelde, e iriam para um ponto de encontro que Vader especificou. Toda a operação durou apenas vinte e sete minutos.
- Capitão, a Starfleet informa que esta tudo pronto.
Jevlack agradeceu a Matias. Ambas as naves estavam com sessenta e oito por cento do pessoal trabalhando. O suficiente para enfrentar qualquer surpresa.
- Senhor Matias, trace curso para as coordenadas iniciais de nossa busca, dobra sete.
- Curso traçado Capitão.
- Engatar.
A Thunderbold e a Starfleet partiram para localizar a fenda espacial, e saírem do meio daquela guerra, antes que não pudessem mais se manter a margem dela.
****
Capítulo XV
"Diário de bordo, data estelar 3342.3, após oito dias de constante busca, ainda não foi possível localizarmos nenhum sinal da fenda que possivelmente nos trouxe aqui. Ainda considero a possibilidade de ter de dividir as naves para acelerar a busca perigosa, porém talvez seja necessário uma vez que segundo o nosso oficial de ciências, a fenda deverá se abrir para a nossa galáxia em breve”.
- Terak, já vasculhamos metade da área que você indicou, e nada foi detectado. É possível que a fenda esteja fechada?
- Não propriamente fechada, Capitão. Ela pode estar no estado intermediário entre uma "respiração" e outra.
- Capitão, estamos capitando um sinal de socorro. - disse Diana - É um sinal automático, da Federação.
Outra nave chegou até onde estavam?
- Alguma identificação?
- Não senhor, apenas que este tipo de código já não é usado há mais de dez anos, e que possui uma falha na seqüência básica. Mas positivamente é um dos nossos.
Mais de dez anos?
- De onde vem o sinal?
- Curso 1-17-6 marco 4.
Alguma coisa estava errada. Nenhuma nave usaria um sinal já descartado, a não ser que não tivesse sido atualizada. Só que todas as naves da frota foram atualizadas nos últimos anos. Se este sinal era mesmo de uma nave da frota, deveria ter se perdido antes deste período.
- A Starfleet está nos contatando senhor.
- Pode completar.
A Capitã Donner surgiu na tela, com toda a certeza, era sobre o sinal que captaram.
- Capitão - disse ela - creio que também esta captando este sinal de socorro.
- Sim, estava pensando no que fazer a respeito.
- Pensando? Capitão, é um sinal de socorro da frota. É nosso pessoal.
- Sim, mas é um sinal que não é usado há anos. Se vem de uma nave que chegou aqui antes da atualização dos códigos, como nunca foi detectada? E porque só agora esta enviando este sinal?
- Eu não sei - disse ela - só saberemos se investigarmos.
- Concordo, mas não quero arriscar as duas naves nisto. Primeio quero consultar os nossos convidados sobre o que existe na direção de onde vem o sinal. Eu a informarei de minha decisão. Thunderbold desliga.
- Diana, peça ao comandante Bernard para se encontrar comigo no meu gabinete, Terak, a ponte é sua.
Jevlack levantou-se e foi ao seu gabinete, pensar um pouco nas possibilidades enquanto aguardava a chegada de Bernard. Ao sentar-se em sua mesa, programou o console para indicar o provável local de origem do sinal em um holograma.
- Computador, indicar rotas comerciais no mapa em questão.
"Não existem rotas comercias indicadas para o setor"
Talvez isso explicasse o porque da nave não ter sido detectada, caso estivesse ali há vários anos.
- Computador, qual a quantidade de naves da Federação que poderiam enviar o tipo de sinal de socorro captado estão registradas como desaparecidas?
"Existe o registro de vinte e oito naves que poderiam enviar este sinal e que desapareceram nos últimos setenta anos"
- Quantas desapareceram quando estavam indo em direção a Omicron IV?
"Nenhuma nave foi dada como perdida enquanto seguia em direção ao sistema recém mapeado de Omicron IV"
Interessante, outras fendas poderiam estar se abrindo entre as galáxias, em épocas diferentes. Épocas diferentes? A fenda é um rompimento do continuum espaço. O tempo faz parte deste continuum. E se esta fenda também estivesse alcançando o passado? Era uma possibilidade, e explicaria muitas coisas.
-Entre! - disse ao ouvir o som da campainha.
- Capitão - disse Bernard entrando - queria me ver?
- Sim Comandante. Nós captamos um sinal de socorro de uma nave de nossa frota. Pelas nossas leituras está em algum lugar do setor que vocês chamam de Gork. Existe alguma coisa por lá?
- Não. Fica longe dos grandes centros comerciais, e não tem planetas habitados. Gork significa "vazio".
"Vazio". Uma área vazia de uma galáxia totalmente conhecida. Muito conveniente a nave estar lá.
- Bernard, irei transferir os rebeldes para a Starfleet, mas não poderei enviar suas naves porque não há espaço no hangar dela.
- Sim senhor.
- Pode ir. Avise aos seus para se dirigirem a sala de transporte.
Bernard saiu, deixando Jevlack sozinho.
- Terak - disse pelo comunicador - venha ao meu gabinete.
Alguns momentos depois, Terak entrou.
- Sim Capitão?
- Sente-se - cruzou os braços e virou-se em direção a janela que ficava atrás dele - Terak, quais são as nossas reais chances contra um destróier estelar do Império?
- Baseado nos dados que temos referentes aos dois últimos que pudermos sondar, muitas. Sua maior fraqueza, para nós, são os seus geradores de escudos localizados fora da nave. É verdade que possuem uma blindagem extremamente sólida, mas seis feixes de phasers destruiriam a blindagem e o gerador.
Isso ele já imaginava. Mas havia uma questão não muito obvia.
- E depois? Essas naves tem de seiscentos a mil e seiscentos metros.
- Realmente, seria trabalhoso destruí-las. No entanto, sem escudos, podemos disparar diretamente em seus reatores internos. Creio que em pouco mais de um minuto o atingiríamos. Talvez menos se usarmos todos os phasers em conjunto com os torpedos fotônicos.
- E quanto podemos agüentar no caso de estarmos cercadas por elas?
- Senhor? - ele parecia confuso.
- Se tivermos de enfrentar mais de dez destas naves, quanto tempo poderemos resistir?
Terak ficou um pouco em silêncio. Pensando na pergunta.
- É possível suportar por pouco mais de trinta minutos. Isso se ficarmos fora do alcance de suas armas menores, voltadas para caças. As grandes, destinadas a naves de maior porte tem potência bem menor que o armamento para o qual nossas defesas foi projetado. Mas, porque pergunta?
- Apenas uma sensação que eu estou tendo. Nem sei bem porque.
Na verdade, Jevlack tinha uma idéia do porque estar sentindo este presságio. Quando esteve preso naquela bolha temporal, teve algumas visões estranhas, algumas relacionadas com as naves da frota. Talvez todas as falhas do continuum estivessem relacionadas, não importando onde e quando ocorressem, ou talvez ele simplesmente quisesse descobrir o que tinha acontecido com aquela nave. De qualquer forma, ele tinha que investigar o sinal.
- Terak, avise a Starfleet que iremos investigar o sinal de socorro, eles deverão continuar com as buscas da fenda.
- Sim senhor. Mais alguma coisa?
Pensou um pouco.
- Acione o alerta amarelo, dispensado.
- Sim senhor.
Terak saiu, alguns segundos depois, o alerta amarelo foi acionado. Jevlack levantou-se e aproximou-se do holograma da nave constitution danificada. Era uma lembrança que tinha feito para se lembrar de um estranho acontecimento que tinha presenciado um pouco antes de encontrar as naves romulanas perseguindo a nave Klingon. Não, provavelmente este sinal de socorro não tinha nada a ver com o incidente anterior. Mas ele desejava que tivesse. Ajudaria a responder algumas de suas perguntas pessoais.
Lezam foi arrastado sem poder fugir para o shuttle do Império, logo em seguida foi drogado. Quando abriu os olhos novamente, estava frente a um droide inquisidor. Lembrava-se agora vagamente do que tinha lhe acontecido. Devia ter falado, não se lembrava com certeza. Só lembrava de que seu posto foi atacado por uma grande força imperial. Dois destróieres e um Interditor garantiram a total derrota. Só não entendia o porque de um ataque tão feroz. Não era um posto defensivo, nem mesmo estratégico, apenas de peças de reposição e reparos em geral.
Não sabia nem mesmo porque ainda estava vivo, pois não sabia nada de útil sobre a rebelião. Foi quando os guardas chegaram e o carregaram para fora. Estava fraco, mal podia ficar em pé. Foi levado até a ponte, onde viu o General Soer em pé, bem no centro dela.
Ele olhou em sua direção e fez um sinal para um dos guardas. Logo em seguida recebeu um golpe violento na cabeça, que o jogou no chão. Ouviu Soer dizer alguma coisa, mas não foi capaz de entender, estava atordoado. Sentiu que o carregavam novamente. Perdeu os sentidos. Quando acordou pensou que estava sonhando! Estava em um shuttle, sozinho, sem nenhum sinal de qualquer nave do Império em parte alguma.
Com certeza, estavam monitorando a sua nave. Devia ter algum sinalizador escondido nela, mas não ia funcionar, ia programar o hiperdrive para um planeta em que poderia desaparecer sem deixar rastro. Foi até a cabine de comando e teve uma nova surpresa, não havia nenhum controle lá. Nem manche, painel, nada! O que significava isto? Prenderam-no em um shuttle de onde não poderia sair, e nem ir a qualquer parte.
Sentou-se em um dos assentos dos passageiros. Sua cabeça ainda doía, e precisava pensar no que fazer. Estava preso no espaço em uma nave que não poderia usar, sem comunicações e mais nada. Por que? Porque mantê-lo preso ali? Era um esforço sem sentido, que realmente não valia a pena. Mas foi o que fizeram.
Sentiu que a nave foi movimentada olhou pela janela e viu um calamari e alguns a-wings, Estava sendo resgatado pelos seus camaradas! Mas como o localizaram? Achava que estava enlouquecendo. Começou a olhar o interior da nave, embaixo dos bancos, abriu painéis, nada a ser achado.
O que ele não lembrava era que durante o interrogatório tinha dito que possuía um dispositivo de localização que era usado pelos rebeldes em perigo, que só podia ser acionado em contato com o dna específico de seu dono.
Eles implantaram o circuito em sua perna enquanto estava desacordado, e o puseram no shuttle para ser resgatado.
Ainda procurava por qualquer coisa dentro da nave quando ouviu que tentavam abrir a porta. Já devia estar dentro do hangar. Balançou a cabeça ainda tentando entender. Sentiu apenas um calor súbito. Foi a última coisa que sentiu na vida. Um poderoso explosivo dentro do shuttle destruiu o calamari. Soer conseguira uma terceira vitória desde que assumira o posto de General.
Bernard saiu da sala de transporte e, ao contrário de seus companheiros que foram conhecer os novos aposentos, seguiu em direção ao hangar. Lá chegando, notou que as naves estavam muito bem vigiadas. Pegar uma delas não seria fácil. Não estava com sua arma e, depois da incursão de Lauriel, ninguém poderia chegar próximo a elas sem autorização.
Cumprir com a sua missão seria muito difícil, mas Vader fora claro, depois de garantir que a Exceler seria sabotada, deveria encarregar-se de capturar a escrava de Soer, de qualquer forma. Precisava pensar em alguma distração para captura-la, pegar uma nave e partir. Mas como levar duas pessoas em uma única nave? Teria que achar uma forma. Podia por a nave em piloto automático e envia-la diretamente para as coordenadas que tinha. Soer estará esperando por lá pelos próximos dias. Sem considerar que levaria doze horas para chegar ao ponto de encontro.
Que tipo de distração seria eficaz? Voltou para o turboelevador e seguiu para o seu aposento. Deitou-se e continuou a pensar. Não poderia sabotar nenhum dispositivo na nave, os sensores internos iriam detecta-lo, e mesmo porque não conhecia nada para fazer qualquer espécie de sabotagem. Precisaria de outra coisa, algo que chamasse a atenção de todos. Tinha explosivos ocultos em uma de suas botas, podia por em algum local e detona-los. Mas teria tempo de captura-la e sair da nave? Bom, para captura-la bastaria uma dose do gás sonífero da sua outra bota. Mas ainda restava determinar como sairia da nave. Não poderia pegar nenhum caça, e mesmo que colocasse a mulher numa deles e a programasse para o destino correto, ainda havia aquela unidade R2 que podia mudar o curso.
Quanto a isso, poderia desativa-la facilmente. Ainda restava um detalhe: eles poderiam segui-la e liberta-la antes de chegar ao destino, e isso ele não teria como impedir. Em resumo, ele poderia criar uma distração suficientemente forte para desviar a atenção de todos enquanto pegava a comandante, poderia deixa-la inconsciente e coloca-la em um dos x-wings do hangar, desativar a unidade R2 e lançar a nave em pilo to automático. Quanto a ele mesmo, pegaria a outra nave e partiria em direção oposta.
Poderia dar certo, mas só poderia tentar uma única vez. E ainda precisaria encontrar uma arma. Ninguém andava armado em nenhuma das naves, com exceção dos seguranças, e estes não seriam muito fáceis de se enganar.
Ainda havia a questão de quando e onde agir, ele não sabia onde ela estava, e precisava descobrir, sem levantar suspeitas. Se bem que não iria levantar suspeitas por perguntar aonde estava um de seus companheiros. Só tinha um problema: Não sabia o nome dela! Conhecia a sua aparência, mas eram os seus dois companheiros que conheciam o seu nome. Era ridículo, mas era verdade. Teria que fazer uma visita a uma delas para saber qual deveria ser capturada.
Bom, Lauriel estava presa, então falaria com Ígnea. Assim que soubesse quem deveria pegar, agiria.Decidiu dormir no momento para estar em perfeitas condições quando fosse agir.
- Confirme isso - disse Safrã - quero certeza absoluta de que a Exceler foi capturada.
- Sim senhor - respondeu o operador de comunicações.
O Império passara a frente de novo! Segundo seus espiões, a Exceler foi capturada, com todos os tripulantes. Não conseguia contato com o posto avançado de onde partiu, e nem com a base que foi contatada para fornecer material de reparos. Desta vez, o Império foi de uma eficiência extrema. Mesmo os espiões mais bem colocadas apenas informaram que uma nave nebulon-b foi capturada pelo novo General Soer, e que Sornim tinha sido executado. Como o único nebulon-b que não dava notícias era a Exceler, provavelmente era ela.
E isto também significava que o Império tinha todos os dados que foram coletados. As naves agora estavam em local ignorado, e o último relatório que recebeu de Sornim dizia que se usassem a tecnologia deles, poderiam causar um cataclismo na galáxia. Ele forneceria maiores informações depois. Só que o depois não iria ocorrer.
A frota estava pronta, estavam aguardando que a Exceler chegasse, mas não poderiam esperar mais. Os tripulantes sabiam onde seria o ponto de encontro e com certeza o Império enviaria naves até onde estavam. Tinham que selecionar um novo local para posicionar-se para o ataque.
- Avise a todas as naves! Devem parar com qualquer manobra de treinamento e se prepararem para partir para o hiperespaço imediatamente.
- Sim senhor!
Não haveria muito tempo para fornecer as informações finais para o ataque, mas não tinham mais escolha.
Dezenove horas depois da partida da Thunderbold, Tirvik estava indo para a enfermaria, o doutor Cameron informou que a paciente rebelde queria conversar com alguma patente elevada. Seus canais auditivos já estavam plenamente reparados e sua visão já estava em adiantado grau de recuperação. Claro que ainda teria que usar um visor para proteção contra luzes fortes, mas era apenas temporário.
Entrou na enfermaria e conversou com o doutor. Lia já estava sentada na cama, com o visor, lendo alguns dos textos históricos da biblioteca da nave. Foi em direção a ela.
- Como tem passado? - começou.
- Muito bem, obrigada - respondeu desligando o monitor - creio que você seja uma vulcana, andei lendo as informações de seu computador. É incrível os avanços que conseguiram em apenas trezentos anos.
- Acho incrível você dominar a nossa língua e palavras em apenas alguns dias.
- Sou uma espiã, ter a mente aberta para certas coisas é fundamental, além disso, com tantas línguas nesta galáxia não foi muito difícil. Tem certa semelhança com a língua dos antigos.
- Então, sobre o que você queria falar?
- É algo que vi na nave de Quattroni antes de ser descoberta - ligou o monitor de novo - vi o holograma de uma nave lá, um tipo que nunca vi antes.
Ela acessava os dados com rapidez, e Tirvik já estava imaginando o porque disto.
- Aqui está! Veja, esta foi a nave que eu vi - virou o monitor para ela.
Tirvik ficou de boca aberta. Era uma nave classe constitution.
- Pensei que vulcanos controlassem suas emoções.
- Sou meio vulcana - disse, controlando a surpresa - Você viu isto na nave de Quattroni?
- Vi uma muito parecida com esta. Se bem que acho que algo na que eu vi estava diferente. Tive muito pouco tempo para observar detalhes.
Outra nave da Federação. Isso explicaria o sinal de socorro que captaram. Mas por que Quattroni teria um holograma desta nave? Se ela tivesse passado pela mesma coisa que eles, com certeza estaria inoperante, e vulnerável a qualquer ataque.
A questão era: qual nave seria esta? Havia apenas quatro naves desta classe ainda em operação: a Starfleet, a Intrepid II, a Potemkin e a Eldorado. De todas, a Starfleet era a única a ser usada exclusivamente para treinamento. E as outras basicamente para missões diplomáticas rotineiras. Nenhuma delas poderia ter passado por Omicron IV em situação normal.
Tinham que avisar a Thunderbold disto. Podiam estar rumando para uma armadilha.
Saiu da enfermaria e entrou no turboelevador em direção a ponte. No caminho, ele parou para a entrada de outro passageiro, Bernard. Ele a cumprimentou, e ela cumprimentou de volta. Foi quando ela notou que algo estava errado.
Os sentidos dos vulcanos são mais sensíveis que os dos humanos. Seu olfato tinha captado um odor estranho, acre, quando Bernard entrou. Ele tinha pedido o deck dois para o computador, onde ficava o observatório. Assim que ele chegou em seu destino, Bernard saiu. Tirvik seguiu para a ponte, mas logo em seguida voltou. Desceu no deck dois e desabilitou a abertura automática da porta, não queria que fosse anunciada. Abriu a porta manualmente e entrou no observatório.
Dentro do observatório o odor que sentira antes estava muito mais forte, mas ainda insuficiente para ser captado por humanos. Bernard estava ao lado direito das janelas, abaixado, pondo alguma coisa no ponto em que a parede unia-se ao chão. Parecia uma espécie de pasta que ele estava espalhando por lá.
Ela deveria ter pegado um phaser. Mas ele também não estava armado, e, como era bem mais forte que um humano, não deveria ter problemas. Ela se lembraria daquele pensamento infantil por muitos anos.
Aproximou-se e agarrou-o pelo braço direito. Ele tentou se desvencilhar, mas obviamente não tinha força para isso. Então, pegou algo com o seu braço livre e jogou no seu rosto. Era um tipo de spray, causou uma irritação em seus olhos, e suas narinas e garganta ficaram como que em brasa. Mas durou pouco tempo, alguns segundos depois, caiu no chão, semi-inconsciente.
Bom, ela ainda não tinha sucumbido, mas não podia se mover, seus músculos não obedeciam. Nem seus olhos podiam se abrir. Sentiu que estava sendo carregada, e não havia o que fazer, exceto se culpar por não ter chamado a segurança.
Foi levada até o turboelevador. Imaginou que, com certeza, alguém a veria. Quando a porta se abriu, ouviu-o perguntar a alguém onde era a enfermaria, Disseram que era dois decks abaixo, logo em seguida ouviu sons de luta, sentiu ser balançada de um lado para o outro. Foi movimentada de novo por mais alguns minutos, e então foi posta no chão. Pelo menos parecia ser chão, ouviu como que uma porta se fechando e depois mais nada. Onde estava?
Sua última referência era que estava dois decks acima da enfermaria, o que tinha de especial ali? Apenas áreas de lazer, alojamentos e alguns compartimentos de carga. O acesso as comportas laterais também ficava lá. O barulho que ela ouviu podia ser de uma porta se fechando ou a tampa de alguma caixa ou container. Ele podia tê-la posto dentro de um deles para deixa-la fora de vista enquanto achava um meio de fugir.
Tentou novamente se mover, sem sucesso, tentou ouvir algo. Tinha audição acurada o suficiente para ouvir o coração de alguém a dez metros de distância, mas agora não conseguia nada, e estava ficando cada vez mais sonolenta. Ouviu um barulho de alguma coisa se abrindo, acima dela. Algo foi posto do seu lado, emitia um som, como o de gás sendo liberado. Depois, novamente o barulho de algo sendo fechado. Exceto pelo som do gás, nada mais podia ouvir.
Ficou assim por um bom tempo, ficando cada vez menos consciente. Percebeu então que estava se movendo, balançando de um lado para o outro. Já não tinha mais meios de determinar o tempo que estava sendo decorrido, não sabia há quanto tempo estava ali e nem há quanto tempo estava se movendo. Só conseguia perceber levemente que estava sendo levada para algum lugar. Finalmente, perdeu os sentidos.
Bernard deixou a caixa contendo Tirvik no chão, ao lado de uma grande porta com acesso ao espaço. Era usada para acoplamentos com Shuttles muito grandes para o hangar ou com outras naves. Era na verdade um remanescente de uma outra época, quando as naves da Federação eram em quantidade reduzida, e os teleportes não tinham uma grande capacidade de operação em larga escala.
Agora, o que ele iria fazer? Não tinha mais gás, e ainda não sabia a quem pegar. A única coisa que tinha era alguém que, pelo uniforme, com certeza tinha uma patente elevada na nave. Esfregou o seu braço, a força dela era terrível, com certeza, sairia daquela caixa facilmente quando despertasse, e ainda havia a questão dos tripulantes que nocauteara pelo caminho. Trancou todos em caixas, assim como ela. Felizmente, nenhum deles era vulcano, o que indicava que o seu problema era com esta daqui.
Bom, não teria meios de cumprir sua missão de agora, mas poderia fornecer algo de maior valor para Vader, um dos tripulantes da nave. Só que precisava achar uma forma de imobiliza-la. Provavelmente os seguranças deveriam ter alguma coisa que pudesse ser usada para esta finalidade.
Ele não teria muito tempo, em breve dariam por falta dela. Na Thunderbold, algumas vezes viu que os tripulantes podiam localizar qualquer pessoa simplesmente perguntando ao computador da nave. Segundo lhe informaram, isso era possível graças à insígnia do uniforme, que eles também usavam para se comunicar. Abriu a caixa e retirou a insígnia dela. Olhando atrás desta, estava o nome, e posto do seu dono. Tirvik, primeira oficial.
Pelo que se lembrava das conversas que teve - e foram muitas durante os últimos dias - a hierarquia das naves eram; Capitão, primeiro oficial, tenentes comandantes, tenentes, sub tenentes e outras patentes menores. Ele tinha em mãos a segunda em comando da nave. Ira por aquela insígnia em outro local para ganhar um pouco mais de tempo. Faria o mesmo com os outros que deteve.
Na Thunderbold, ele não teve acesso a esquemas técnicos da nave, mas observando os tripulantes operarem os consoles, pôde aprender alguma coisa sobre a operação de certos sistemas, incluindo o tel eporte. Pretendia usa-lo para quando seu explosivo detonasse e pegar a sua cativa. Agora, sem o gás sonífero, teria que pensar um pouco em uma nova estratégia. Primeiro: achar uma forma de imobilizar Tirvik, Segundo: Descobrir quem deveria capturar, tinha três x-wings no hangar, podia fugir e levar Tirvik e a outra.
Saiu do compartimento de carga e foi até os seus aposentos. Lá chegando, tentou fazer o que deveria ter feito em primeiro lugar. Pediu ao computador para fornecer uma imagem de quem estava na prisão. Pessoalmente, preferia que seu objetivo fosse Ígnea, pois estando livre, seria mais fácil captura-la. O computador informou que a imagem não podia ser acessada por ele. Assim sendo, só restava pedir permissão a Capitã para visitá-la. Tinha que fazer isso e bem rápido, antes que notassem a falta da Primeira Oficial.
Tocaram a campainha, deixando-o de sobreaviso. Disse que podia entrar.
- Comandante, gostaria de falar com o senhor - disse a piloto rebelde que entrou.
Só haviam três pilotos rebeldes mulheres naquela nave, uma estava na enfermaria, e não conhecia, outra estava na prisão e a terceira estava em liberdade de movimentos. A que estava presa era Lauriel, portanto, aquela deveria ser Ígnea. Um problema resolvido, agora sabia a quem pegar. Precisava apenas posicionar todos os recursos que tinha a mão para isso.
- Pois não, o que deseja?
- Falei com a Capitã, para permitir que Lauriel ficasse fora da prisão e fosse confinada em seus alojamentos, ela me disse que poderia pensar no assunto, mas o senhor, como maior patente, deveria solicitar isso a ela.
- E você veio pedir que eu fizesse esta solicitação, certo?
- Sim, senhor.
Ele sentou-se na cadeira e indicou a ela para fazer o mesmo, ela aceitou.
- Foram raras as vezes em que eu me encontrei com a comandante Lauriel. Que garantias posso fornecer a Capitã de que ela não agirá impetuosamente de novo? Ou que futuras ações dela não voltem a por em risco a segurança da nave?
Ela abaixou a cabeça, obviamente não tinha nenhuma forma de indicar tais garantias.
- Calma - ele pôs a mão em seu ombro - veremos o que podemos fazer. Vou falar com a Capitã, espere aqui, ok?
- Sim senhor.
Ele levantou-se e, quando já estava saindo, ela disse:
- Boa sorte!
Ele sorriu em resposta. Boa sorte! E que sorte estava tendo. Precisava agir rápido agora. Precisava de alguma coisa para incapacitar sua futura cativa. Sem dúvida, a enfermaria deveria ter algo para deixar alguém inconsciente. A questão era: O que seria este algo? Com certeza, se pedisse os compostos que conhecia, o computador diria o famoso "a estrutura molecular do com posto não está disponível...". Porém, como era capaz de entender ordens de até mesmo de inferir respostas, um simples pedido para uma seringa hipodérmica de sedativo seria suficiente.
Ainda tinha alguns problemas em seu plano. Assim que seu explosivo detonasse, com certeza os escudos seriam erguidos. Ao contrário das naves deles, as da Federação não andavam constantemente com os escudos levantados, para poupar energia. Mas qualquer alerta de emergência iria aciona-los automaticamente. A Explosão teria que ocorrer depois que estivesse fora da nave, com as suas duas prisioneiras.
Entrou no turboelevador, e já previu um novo problema. Segundo lhe informaram, Lauriel tinha partido daquela forma para resgatar uma amiga que esta espionando Quattroni. E havia uma séria possibilidade de que esta o conhecia. Se isto ocorresse, teria de mata-la e a todos os que lá estivessem, para garantir o tempo necessário para cumprir a sua missão.
Saiu do turboelevador e ficou parado um pouco. Uma nave daquele porte com certeza deveria ter mais de uma enfermaria, mas não queria se arriscar a entrar justo na que estava a rebelde espiã resgatada. Andou lentamente, seguindo o corredor. Perguntou a um tripulante se ele sabia onde estava uma piloto rebelde em tratamento, ele lhe disse que era a enfermaria dois, e indicou o caminho, seria a sexta porta a direita.
Ótimo! Bastaria entrar em outra enfermaria. Andando mais um pouco, perguntou onde seria a enfermaria um para outro tripulante, ele disse que tinha de voltar e entrar na segunda porta a esquerda. Fez o caminho indicado e entrou, sem se anunciar. Lá dentro as camas estavam em uso, assim como na Thunderbold. Ele tinha ouvido comentários ainda na Exceler de que houve um acidente e muitos tripulantes estavam sem condições. Agora, apenas quatro das dezoito camas estavam ocupadas. Havia um enfermeiro ali que prontamente foi atende-lo.
- Pois não, o que deseja?
Ele sabia que não poderia achar a enfermaria vazia, mas não esperava que tivesse tantas pessoas por lá.
- Gostaria de alguma coisa para dormir. Algo rápido e eficaz.
- Tentou os indutores de sono?
- Não confio nesta coisa - mentiu ele, nem ao menos sabia do que ele estava falando.
- Bem - disse o enfermeiro indo em direção ao sintetizador - posso pedir algumas pílulas tranqüilizantes.
- Prefiro algo gasoso, se possível e de efeito rápido. Sou muito ansioso, e drogas de efeito lento não funcionam.
O enfermeiro voltou-se.
- Isso é um pedido um pouco estranho para mim.
- Por favor, se eu soubesse o nome do composto, eu mesmo pediria ao sintetizador de meu quarto.
- Seu não faz compostos médicos. Isso é para evitar que alguém venha a ficar viciado em drogas.
Ele já sabia disso.
- Muito bem, computador, tercksona, cem miligramas.
Uma ampola se materializou.
- Cheire isso - ele entregou a ampola a ele - é tiro e queda, mas o efeito dura cerca de trinta minutos, depois disso, se não estiver cansado, vai acordar de novo.
- Creio que será o suficiente.
Saiu da enfermaria e foi depressa para o turboelevador. A essa altura, já fazia quase uma hora desde que capturara Tirvik. Foi para a sala de transporte, encontrou uma alferes lá, como já esperava. E mais ninguém. Realmente, eles não estavam acostumados a um estado total de guerra.
Foi muito fácil, começou a puxar conversa com a moça, aparentemente tentando passar-lhe uma cantada, então, de repente, agarrou-a e a forçou a cheirar a ampola. Foi um pouco difícil, mas em menos de sete segundos ela estava estirada no chão.
Cerca de trinta minutos, foi o que disse o enfermeiro. O tempo teria que ser suficiente. Olhou os controles do transporte, eram praticamente idênticos aos da Thunderbold. Ótimo! Começou a se familiarizar com os controles. Primeiro, focalizar alvo. De dentro da nave, era muito mais simples, pois não precisava de coordenação com os sensores externos. Acessou o hangar e localizou os seis seguranças que lá estavam. Fixou suas coordenadas. Depois, tentou localizar Tirvik no depósito onde a deixara, foi fácil, era a única leitura vulcana de lá. Coordenada fixada. Agora, procurar o seu objetivo principal. Procurou por todos os sinais de vida que não tinham identificação. Apareceram as pessoas no depósito, ele mesmo na sala de transporte e mais alguns pontos dispersos. Isolou os da enfermaria. Tripulantes em tratamento não carregavam as insígnias para serem identificados.
Achou nove pontos. O que estava no centro da nave deveria ser Lauriel. Mesmo que quisesse, não poderia transporta-la, pois os campos de força de sua cela impediriam isso. Felizmente, não era ela a antiga escrava de Soer. Achou o ponto que estava no seu quarto. Também fixou estas coordenadas. Pronto!
Agora, era programar o transporte e agir com muita rapidez, com certeza algum aviso seria indicado de que o transporte estava sendo usado internamente. Se desse tudo certo, precisaria de cinco minutos para fazer tudo. Primeiro, uma passagem rápida pela sala de arsenal, para pegar algumas armas e dispositivos para imobilizar as prisioneiras que pretendia levar. Ele teria que pô-las dentro dos x-wings, e não queria arriscar que pudessem manobrá-los.
A programação estava pronta! Tudo tinha que ser perfeito. Não haveria como retroceder agora. Dentro de dois minutos tudo começaria.
Lisa acompanhava as leituras de Doller na tentativa de localizar a fenda. Era frustrante, nenhum sinal de nenhuma distorção no continuum. Ela queria uma folga, olhou ao redor da ponte e então percebeu que Tirvik ainda não tinha retornado da enfermaria.
- Computador, onde está a Imediato Tirvik?
"A Imediato Tirvik se encontra na enfermaria um...”
Estranho, ela tinha ido para a enfermaria dois.
- Senhora Nille, assuma a ponte. Estarei conversando com Tirvik na enfermaria um.
- Sim Capitã.
Pegou o turboelevador e foi para a enfermaria dois. Ao entrar, olhou ao redor e não a achou. O Enfermeiro que estava fazendo algumas análises levantou-se e foi atende-la.
- Pois não Capitã?
- Estou procurando Tirvik, mas acho que ela já saiu.
- A comandante Tirvik? Estive aqui o dia inteiro e não a vi!
- Não a viu??? Computador, qual a localização da comandante Tirvik?
"A Imediato Tirvik se encontra na enfermaria um."
Olhou para o enfermeiro e este demonstrava estar em evidente confusão. Começou a olhar ao redor, procurando pela Tirvik.
- Computador, com base na minha posição, onde está a comandante Tirvik?
"A Imediato Tirvik encontra-se a quatro metros, vinte e seis graus a sua direita."
Olhou na direção indicada e não viu nada, exceto um gabinete que continha amostras de tecidos e colônias de bactérias sendo estudadas. Foi em direção a este e ficou parada em frente.
- Computador, forneça agora a posição da comandante Tirvik com base em minha nova posição.
"A Imediato Tirvik encontra-se a vinte centímetros de distância, diretamente a sua frente."
Impossível! Não tinha nada lá!
- Em que altura?
"Cento e quatro centímetros do piso."
Cento e quatro centímetros, cerca de um metro. Levantou os vidros de amostras da prateleira que ficava a cerca de um metro do chão. Embaixo do quarto vidro, estava o comunicador de Tirvik.
- Computador, quantifique todos os que estão na nave e não estejam usando as insígnia de identificação, isole a áreas de enfermagem.
"Foi identificada uma pessoa na área de segurança, cela doze, oito pessoas no deck sete, nos alojamentos 11, 12, 15, 16, 20, 29, 30 e 31, uma pessoa no deck 8, na sala de transporte, e seis pessoas na área de carga um."
Sala de transporte e área de carga?
- Quantos dos sinais são de vulcanos?
"Apenas um."
Era ela!
- Qual a localização?
"Área de carga um."
- Segurança, envie uma equipe para se encontrar comigo na área de carga um, acelerado!
Saiu da enfermaria e foi rapidamente a área de carga um. Ao chegar, aguardou a chegada da equipe de segurança solicitada. Cerca de vinte segundos depois, chegaram as cinco pessoas que compunham a equipe. Realmente o pessoal mais experiente que tinha na nave agora fazia uma enorme diferença.
Fez sinal para que ficassem em silêncio. Todos pegaram os phasers - menos ela, que não tinha - e os regularam para atordoar. Aproximou-se do chefe da equipe e explicou ao seu ouvido qual a situação que a fez chamá-los. Ele indicou que entendeu e chamou os outros. Um deles ficou ao lado dela por precaução, os outros quatro entraram na sala para verificar o que estava ocorrendo.
- Capitã - chamou o chefe da equipe após alguns minutos - está tudo limpo.
Ela entrou, escoltada pelo outro segurança. Haviam apenas caixas lá dentro.
- Computador, quantos pessoas se encontram na área de carga um sem identificação?
"Existem sete pessoas na área de carga um sem identificação."
Sete? Eram oito antes.
- Alguma destas pessoas é vulcana?
"Negativo, apenas sete pessoas humanas."
A equipe começou a vasculhar a sala, começaram a abrir caixas, procurando pelas pessoas que o computador indicou.
- “Capitã" - era Nille a chamando - "A segurança informou que a sala de transporte esta sendo usada, sem autorização, ninguém responde na sala, já enviei uma equipe para lá.”
A sala de transporte estava sendo usada, e onde deveriam ter oito sinais agora tinham sete.
- Por acaso algo foi transportado da área de carga um?
- “Um momento Capitã."
A espera era angustiante.
- Capitã - disse um dos seguranças - achamos algumas pessoas presas dentro das caixas, parece que foram atacadas.
- Enfermaria, envie uma equipe a área de carga um, imediatamente.
- “Capitã, realmente o transporte foi focalizado na área de carga um, aparentemente uma das caixas foi teleportada para o hangar."
- Soe o alerta geral, isole todos os decks, estou a caminho. Continue me mantendo informada.
Saiu correndo e tomou o turboelevador em direção a ponte, quando estava a meio caminho, Nille voltou a lhe comunicar.
- “Capitã, os três x-wings do hangar foram teleportados para fora da nave, a distancia máxima de teleporte."
- Vá atrás deles imediatamente!
Quando disse isso, sentiu uma vibração, e o alerta vermelho foi acionado. Chegou a ponte alguns segundos depois, assim que entrou viu que a tripulação estava voltando aos seus postos. Alguma coisa tinha acontecido.
- O que foi esta vibração?
- Parece que houve uma explosão no observatório - respondeu Doller - como estamos bem acima dele, sentimos o impacto com muita força.
- Status da nave?
- Nenhum dano estrutural sério.
- Então vamos atrás deles. Agora!
- Eles já entraram no hiperespaço, Capitã.
Eles tinham duas horas antes que eles estivessem fora do alcance. Como foram três x-wings, três pessoas deviam estar faltando na nave.
- Acompanhe-os com os sensores. Segurança, quero que localizem todo o pessoal e me digam quem está faltando. Senhor Doller, verifique os registros e me descubra o que foi teleportado. Equipe de reparos, siga para o observatório e me informem dos estragos.
Ela queria todas as informações possíveis antes de partir atrás deles.
- Abra um canal para a Thunderbold.
Jevlack apareceu na tela alguns segundos depois. Ela ficou surpresa, estavam em alerta vermelho.
- Capitão?! - começou ela.
- Capitã Donner, lamento, mas estou com problemas, e pelo que estou vendo você também deve estar. Bom, você agora tem uma tripulação plenamente confiável. Terá que resolver o seu problema sozinha, como todo Capitão tem de fazer. Chamarei depois, se Thunderbold ainda existir.
A tela se apagou. Se a Thunderbold ainda existir?
- Senhor Doller, já tem algo?
- Sim Capitã, primeiro foi teleportado uma pessoa da sala de transportes para a sala da segurança, mais precisamente o depósito, vinte segundos depois, essa pessoa foi teleportada de volta. Depois disso houve o teleporte de uma caixa da área de carga para o hangar, imediatamente após os seguranças de lá foram levados para a sala de transporte. A pessoa que aparentemente estava nos controles se teleportou para o hangar. Logo depois houve o teleporte de alguém dos aposentos do comandante rebelde Bernard. U m minuto depois os x-wings foram teleportados. A explosão ocorreu quatro segundos depois.
- “Capitã, aqui é da equipe de reparos, os danos no observatório foram mínimos, os escudos de contenção mantiveram a pressurização da sala. Houve apenas um rompimento no casco com cerca de vinte centímetros."
- Pode reparar em velocidade de dobra?
- “Sem problemas."
- Então, execute, Equipe de segurança, já tem alguma posição?
- “Por enquanto, sabemos que estão desaparecidos dois pilotos rebeldes e a comandante Tirvik."
Três pessoas e três x-wing. Era evidente aonde estas pessoas estavam.
- Quais são os pilotos rebeldes?
- “Comandante Bernard e comandante Ígnea."
- Prossiga com a procura, me informe quando terminar.
O teleporte foi focalizado nos aposentos de Bernard. Também houve teleportes para o depósito de armas da segurança.
- Chefe de segurança, faça um inventário total dos seus equipamentos, quero saber se algo esta faltando.
- “Entendido Capitã."
Com certeza, alguma arma estava faltando.
- Capitã, a equipe que foi até a sala de transporte informou que foram encontrados os seguranças que estavam de guarda no hangar, todos desacordados.
- Doller, mostre a gravação do que ocorreu no hangar durante os teleportes.
Ele acionou alguns comandos no seu console.
- Pronto Capitã.
Na tela, apareceu a imagem do hangar, via-se os seus seguranças. Se moviam um pouco e alguns estavam conversando entre si. Algo foi teleportado para lá. Assim que notaram isso, todos eles ficaram alertas e sacaram suas armas, apontando em direção a caixa que acabara de chegar. Momentos depois os seis foram teleportados de lá. Durante alguns segundos nada aconteceu. Então, houve outro teleporte, era Bernard. Estava com uma phaser de mão na mão direito e carregava algo na esquerda.
- Amplie a imagem - pediu.
A imagem foi ampliada, agora podia ver o que tinha na mão esquerda, eram algemas, provavelmente roubadas do depósito da segurança. Novo teleporte. Era Ígnea. Ela olhou surpresa ao redor, e antes de perceber que Bernard estava lá, este a atingiu com um tiro, provavelmente regulado para atordoar. Isso a deixou surpresa.
- Congele a imagem.
A imagem ficou congelada na tela.
- Doller este teleporte foi o que ocorreu do aposento de Bernard?
- Sim Capitã, foi o penúltimo teleporte.
- Prossiga com a gravação.
A imagem voltou a se animar. Bernard pegou as algemas e prendeu nos pulsos e tornozelos de Ígnea, depois a carregou até um dos x-wing. A pôs lá dentro e aparentemente programou algo no painel. A carlinga se fechou após isso e os motores foram acionados. Depois ele correu para a caixa, abriu-a e pegou as outras algemas, colocando-as em alguém que estava lá dentro. Lisa já imaginava quem seria.
Ele tirou a pessoa de lá, pelo ângulo da imagem, não dava para ver quem era. A carregou para outro x-wing e aparentemente fez a mesma programação que tinha feito no ultimo. Quando se afastou, Lisa pode ver quem era a segunda pessoa, era Tirvik. Depois ele correu para o terceiro caça. Dez segundos depois, as três naves foram teleportadas.
- É o bastante, seqüestraram um dos nossos, e também levaram armas. Segurança, quero todos os pilotos rebeldes confinados aos seus alojamentos. Senhora Nille, vamos atrás deles, dobra máxima.
- Sim Capitã.
Bernard seqüestrou Ígnea e Tirvik. Naquele instante, veio a sua mente a lembrança do que tinha acontecido a Exceler, de como foi sabotada. Então Bernard provavelmente era o sabotador. Ele deixou a Exceler dizendo que tinha de resolver um problema particular. E não foi pego na explosão da estação porque, coincidentemente, estava fazendo a sua última patrulha. Tudo se encaixava agora. A estação foi destruída apenas para que houvesse um pretexto para que pudesse ficar com eles. Mas porque seqüestrar Ígnea também? Teria algo a ver com ela ter pedido asilo?
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Capítulo XVI
"Diário de Bordo, suplemento, Depois de dezoito horas seguindo o sinal de socorro que captamos, finalmente os nossos sensores detectaram a nave que provavelmente os está enviando. Aparentemente é da classe constitution, porém parece ser da série antiga, de antes da reformulação."
Matias foi deixado no comando, enquanto Jevlack e Terak conversavam no gabinete do Capitão sobre os dados obtidos pelos sensores. Havia algo preocupante, a cerca de quinze minutos dali, em dobra 3, foi captada uma frota de naves, e não se sabia se eram rebeldes ou não.
Pela tela, ele via que a nave sem dúvida era da federação, porém era incapaz de imaginar como uma nave classe constitution, antiga, poderia ter ido parar lá. Bem, em cinco minutos a alcançariam e poderiam analisa-la completamente. Mas já havia quase que uma certeza, como não houve resposta as suas comunicações, e o sinal estava apenas no automático, dificilmente haveria alguém vivo nela. Especialmente porque com certeza a nave deveria ter mais de cem anos.
- Comandante, captei flutuações esporádicas de energia a cerca de dois quilômetros da nave - informou Diana.
- Flutuações?
- De que tipo? - perguntou.
- Poderiam ser oscilações de um gerador, no entanto, os sensores não captam mais nada no momento.
- Alguma outra causa?
- Negativo.
Interessante, e preocupante também.
- Alguma outra leitura da nave?
- Nenhuma, está flutuando a deriva e aparentemente não possui danos estruturais.
Ele gostaria de saber o que Jevlack faria com a nave. Pessoalmente achava que deviam resgata-la, mas tinham um problema: Não tinham pessoal suficiente para opera-la, teriam que faze-lo através do controle de dominação. Acontece que mesmo que soubessem que nave era aquela, não estavam ao alcance da Federação para obter os códigos necessários. Teriam que ir a bordo e tentar descobrir. Isso se o computador de bordo pudesse ser posto em operação novamente.
Mas seria muito arriscado. Eles estavam em uma situação extremamente delicada. Perdidos em outra galáxia, sem uma maneira ainda segura de retorno, e na corda bamba na fútil tentativa de não violar a Primeira Diretriz. Fútil porque se continuassem por lá, seria impossível faze-lo. Pois toda vez que se defendessem contra um dos lados, o outro seria beneficiado.
Ainda havia a questão de impedi-los de obter a tecnologia deles, não propriamente porque representaria uma vantagem estratégica importante, mas sim porque isso poderia causar um novo rompimento no continuum, que teria conseqüências também para a galáxia deles.
Pelo que já tinha observado de Jevlack, este faria qualquer coisa para evitar isso, mesmo que implicasse em uma aliança com um dos lados, ou seja, violação intencional, e evitável, da Primeira Diretriz.
- Comandante, saímos da velocidade de dobra.
- Mantenha-nos a um quilômetro da nave. Diana, use o raio trator para estabiliza-la, e tentem descobrir qualquer indicação de que nave é esta.
- Sim, Comandante.
- Capitão, chegamos ao destino - disse pelo seu comunicador.
- "Comece com as análises, quero esta nave estudada centímetro por centímetro. Até a analise total não quero ninguém sugerindo aborda-la."
- Sim senhor.
- Comandante - chamou Diana - consegui o número de registro, NCC-1717. Segundo os nossos bancos de dados é a USS Defiant, desaparecida na fronteira do espaço Tholiano há setenta e dois anos.
- O que temos de sua arquitetura interna?
- Ao que tudo indica, está exatamente idêntico aos nossos esquemas desta classe de nave. No entanto, parece haver algumas diferenças em seus dispositivos. Seus geradores de escudos são maiores, e de configuração diferenciada do padrão. Também os emissores de phasers parecem diferentes. Estou captando também centenas de cápsulas de torpedos fotônicos a bordo, todos inativos. Os cristais dilítio da engenharia estão deteriorados. Existe apenas uma pequena fonte de energia, na ponte. Deve ser o que permitiu a emissão do sinal de socorro.
Depois de setenta anos sem operação, não seria de se surpreender.
- Mais alguma coisa?
- Sim, não estou captando nenhum resto mortal dos tripulantes. Segundo os últimos registros que temos da nave, sua tripulação morreu vítima de algo que os fez enlouquecerem e se atacarem mutuamente. Se a nave ficou a deriva por todo este tempo, os corpos ainda deviam estar lá.
- Não poderiam ter sido eliminados pelo sistema auto - limpante?
- Negativo, esta nave não possuía este recurso.
Um belo mistério tinham nas mãos. Uma nave que desapareceu há setenta anos aparece em uma galáxia do outro lado do universo. Espere um pouco...
- Diana, disse que a nave desapareceu no espaço Tholiano. Desapareceu como?
- Segundo o diário de bordo da Enterprise, ela desapareceu em uma fenda dimensional.
- Outra fenda – começou a falar alto – Bem, parece que não somos os primeiros a chegar aqui.
Chamou o Capitão, não havia mais o que fazer a não ser deixar a decisão ao cargo dele.
De sua visão privilegiada, Quattroni observava a Thunderbold. Nos últimos dias, havia recebido mais informações sobre os estrangeiros. Podiam transportar objetos e pessoas a distâncias imensas, não tinham caças, mesmo porque suas armas tinham poder suficiente para devastar a superfície de um planeta. E também não tinham nenhuma disposição em compartilhar a tecnologia deles. O porque ainda não tinham descoberto, ou melhor, não quiseram lhe contar.
Sua nave estava camuflada, e, conectada a ela, estava o míssil que esperava que pudesse impedi-los de fugir. A questão era: Como saber a hora exata de lança-lo? Eles não iriam enviar nenhuma nave para abordar a outra, iriam se transportar diretamente. Não precisavam de janela para o hiperespaço, já que podiam manobrar a nave neste. Só podia torcer para que as luzes da nave se acendessem quando eles recuperassem a energia desta. Isto é, se a recuperassem.
Repassou mais uma vez o seu plano mentalmente. Tinha droides inquisidores e mouse droides ocultos e desabilitados dentro da nave, para que não pudessem ser localizados. Seriam acionados assim que detectassem um fluxo de energia desta. A missão dos inquisidores seria temporariamente atrasar e capturar as pessoas enviadas para ela. Os mouse droides iriam tentar registrar o que foi modificado na nave, para que no caso de não conseguirem sucesso em captura-la ou qualquer tripulante que lá estivesse.
Tinham dados suficientes para duplicar cada detalhe da nave, mas precisavam saber qual a fonte de energia. Suspeitava-se de anti matéria, mas não sabiam como manipula-la. Era isso que precisavam descobrir.
Segundo analise dos cientistas do império, aqueles dois nacelas geravam um poderoso campo energético, que poderia muito bem reduzir a massa da nave, o que talvez possibilitasse a sua movimentação em velocidades muito superiores as deles. Quanto a ser capaz de detectar naves no hiperespaço, nada conclusivo foi descoberto. Apenas que havia um sistema de captação de takions que podia ser usado como sensor.
Seu único objetivo era descobrir como aquelas naves se movimentavam. Se aqueles nacelas tinham algo a ver com isso, e era o que os cientistas acreditavam, a única forma de descobrir era permitindo que eles ativassem a nave.
Acionou os jatos de manobras de forma que fosse impulsionado em direção a Defiant, queria ficar o mais próximo possível. Até o momento, seu dispositivo de camuflagem havia funcionado, mas ele temia que captassem a energia que estava usando para mantê-lo. Sua frota estava a cerca de quinze minutos de distância, e, com certeza, fora captada pela Thunderbold. Se eles tentassem rebocar a nave de lá, o míssil deveria detê-los por quase uma hora, tempo suficiente para que sua frota chegasse e tentasse cerca-los. O problema era se teriam poder de fogo suficiente para isso. Segundo dados fornecidos, suas armas haviam demonstrado que podiam destruir um caça com um único disparo.
Portanto, qualquer ataque teria que ser rápido e decisivo, a Storm deveria ter capacidade de fogo suficiente para conter a Thunderbold enquanto seus homens tentariam abordar a Defiant. E, quando conseguissem usariam as armas desta para poder enfrenta-los.
Se a tomassem.
Seus homens deveriam estar de prontidão. O silêncio do rádio seria quebrado apenas para chamá-los. Tinha que esperar agora. Poderia ter posto Blinder em seu lugar, mas preferiu faze-lo pessoalmente porque, se falhasse, nada mais daria certo. Se o míssil não fosse disparado na hora certa, ou se ele não funcionasse, nada mais seria preciso ser feito. Portanto, nada mais justo que, se fosse para ser condenado, que ele fosse o responsável.
Estava muito próximo agora, cerca de trinta metros da ponte da nave. Acionou os jatos novamente para estabilizar a sua posição. Súbito, a sua nave oscilou e começou a vibrar. Devia estar sofrendo os efeitos de um raio trator. Usou os jatos novamente para se afastar um pouco, a oscilação parou. Acionou um filtro espectroscópico e viu na sua tela que a Thunderbold estava com um raio trator focalizado na outra nave. Nem tinha imaginado que fariam isso. Repreendeu-se por seu erro, mas agora já era demasiado tarde. Manobrou a sua nave de forma que a Thunderbold ficasse na mira do míssil. Só precisaria agora aciona-lo e rezar para que não pudessem detê-lo em menos de dois segundos, que seria o tempo necessário para atingi-la.
Nada mais podia fazer agora, acionou o seus sensores e começou a fazer sondagens passivas, apenas captando as emissões dos sensores da Thunderbold. Através deles, começou a perceber dados das naves que não tinha imaginado antes, como por exemplo um poderoso campo duplo de energia rodeando a Thunderbold. Aparentemente, esses campos eram gerados pelas nacelas da nave. Interessante... Os escudos deles estavam abaixados. Se ele estivesse no lugar deles, não os deixaria assim.
Uma grande varredura foi focalizada na sua nave, ficou suando frio. Eles deviam ter captado alguma coisa e estavam tentando descobrir o que era. Olhou para o seu painel, viu que agora os escudos se ergueram. Foram vários minutos de angústia, até que a sondagem terminasse.
Jevlack consultava em seu gabinete os dados levantados pelos sensores. A nave estava intacta, sem nenhum dano detectado. Sua energia estava esgotada, restando apenas um ínfimo sendo usado pelo sinal automático. E estava totalmente vazia. Nenhum corpo foi localizado pelos sensores.
Onde estavam os corpos? Se alguém os retirou, porque não ficou com a nave? Talvez o que tivesse deixado os tripulantes loucos ainda estivesse agindo na nave. Só que os sensores não captaram nada. Só poderia ter alguma resposta enviando um grupo avançado, mas não estava disposto a isso.
Não podia deixar aquela nave ali, dando sopa para que alguém a encontrasse e pusesse por terra todo o esforço que estava tendo em não permitir que os habitantes daquela galáxia acessassem a tecnologia da Federação. Mas também não poderia ceder parte de sua tripulação para opera-la.
Não há muito o que fazer – pensou.
Levantou-se e foi até a ponte, Matias reassumiu sua posição. Terak insistiu em enviar um grupo avançado a nave, para reativa-la e leva-la de volta. Ele não tinha interesse nisso, não havia como convencer os Tholianos de que aquela era a nave que causou um incidente que perdura até a atualidade. Para todos os efeitos estava perdida, e ele preferia que ela continuasse assim.
- Senhor Matias, posicionar para ataque total, alferes Diana, energizar phasers e travar na Defiant.
- Capitão – chamou Terak – devo protestar sobre essa decisão.
- Protesto anotado.
- Armas prontas Capitão.
- Capitão – insistiu Terak – posso ao menos saber o porque?
Olhou para ele, seu rosto estava sério e com pouca paciência.
- Não vou arriscar a ficar com menos tripulantes na situação que estamos, e não vou ficar rebocando esta nave por aí, pois se tivermos um outro encontro com Imperiais ou Rebeldes dificilmente poderemos mantê-la. Esta nave está desaparecida há setenta anos, e no que tange a mim, continuará assim.
- Mesmo destruindo a nave, restarão destroços que poderão ser analisados. Ela está sem energia, portanto não explodirá. A grande maioria de destroços conterão componentes intactos.
Olhou para a tela em silêncio, ponderando sobre o que Terak disse. Queria destruir a nave para que não houvesse chance de alguém obter a tecnologia, mas os destroços realmente poderiam ser analisados.
- Alferes Diana, cancelar ordem.
- Sim Capitão.
As armas foram desligadas.
- Muito bem Terak, concordo em parte com você. Diana, forme um grupo com o engenheiro Anderson e explore a nave, verifique se pode reativa-la em quatro horas. – olhou para Terak – Independente de ser possível resgatar os diários ou não, ou de ela ficar operacional, eu a quero rebocada para a estrela mais próxima e lançada nesta. Matias, a ponte é sua.
Levantou-se e dirigiu-se ao turboelevador.
- Capitão, permissão para integrar o grupo avançado – pediu Terak.
- Negada! Quero você tentando descobrir o que foram aquelas emissões de energia que captamos se movendo próximo a nave.
- Sim senhor.
Foi até os seus aposentos e deitou-se na cama. Este novo incidente o incomodou muito. Ele não sabia o que tinha acontecido com aquela nave. Mas a situação era estranha demais para ficar perdendo tempo ali. Uma nave antiga cujo desaparecimento causou um incidente interestelar localizada em uma galáxia no outro lado do Universo, totalmente intacta. Com uma frota a cerca de quinze minutos de distância, e com estranhas flutuações de energia próximas. Aquilo estava errado! Não se encaixava, não se justificava.
Farejava armadilha, mas não tinha muita escolha. Uma vez que destruí-la com as armas estava fora de questão, não poderia evitar de enviar um grupo a bordo para pelo menos recuperar os diários, antes de lança-la em uma estrela, como planejara. Se retornassem, o comando da frota iria querer esses registros. Se não os levasse, fariam muitas perguntas, e só tinha o seu instinto para responde-las.
Se pudessem reativa-la no prazo estipulado, usariam o seu controle de dominação para arremessa-la em uma estrela, se não, a rebocariam para esse mesmo fim.
Diana vestiu o traje espacial e testou as botas magnéticas. Com exceção do sinal automático, nada mais funcionava, nem suporte de vida, e nem gravidade artificial. Foi até a sua posição na sala de transporte ao lado de Anderson e de mais quatro tripulantes. Apareceu na engenharia da Defiant. Como a nave estava totalmente inoperante, seria difícil se movimentarem por ela sem os turboelevadores, assim deveriam restaurar energia suficiente para aciona-los.
Estava tudo escuro. Acionaram as lanternas e dividiu-se em dois grupos, Anderson foi até o console principal e ela seguiu para o reator. Segundo as leituras do tricorder, tudo aparentava estar em boas condições para uso imediato. A atmosfera estranhamente estava respirável. Os outros foram investigar o deck em que estavam. Anderson abriu o painel e conectou uma unidade portátil de energia no local apropriado. As luzes da sala se acenderam, permitindo uma melhor visão. Tecnicamente, os controles eram iguais a da Starfleet, tinham apenas uma configuração diferente – e muito mais espaçosa. Não eram consoles digitalizados, o que talvez explicasse a pouca deterioração captada.
- Senhor Anderson, o que acha?
Ele estava fazendo uma análise dos sistemas.
- Bem, precisamos de cristais dilítio. Com isso podemos acionar a energia auxiliar em alguns minutos, reativando o suporte de vida e a gravidade artificial.
Ele abriu o estojo que trouxe e retirou os cristais que trouxera. Foi em direção ao controle do reator, abriu os painéis e começou a retirar os cristais esgotados e substituí-los pelos novos. Estava usando um polidor phaser para deixa-los em uma forma mais compatível com os sistemas mais antigos da nave. Naquela época, o formato padrão dos cristais eram bem diferentes.
Enquanto isso, Diana aproveitava a energia que a sala possuía e tentava obter algumas informações técnicas sobre a nave. Os sistemas eram duotrônicos, como o esperado. A última data estelar registrada nos registros da engenharia eram de cinqüenta anos atrás. Quando a energia se esgotou totalmente.
- Voilá! – exclamou Anderson.
O reator começou a operar, e os suportes de vida e gravidade artificial começaram a se reativar automaticamente. O sinal de alerta vermelho começou a piscar. O que era muito estranho. Segundo os registros, a tripulação foi vítima de uma doença, e não sofreu nenhum ataque. Ela subitamente sentiu o peso do corpo nos pés. Fez uma análise da atmosfera e confirmou que estava respirável.
- Atenção todos – disse pelo comunicador – o suporte de vida está funcionando, podem retirar os seus trajes.
-“Alferes Diana?" – era a voz de Terak.
- Sim Comandante – respondeu.
-“Nossos sensores detectaram que a energia auxiliar foi reativada, algum prognóstico para a recuperação da principal?"
- Você dá um braço e já querem a perna – resmungou Anderson – uns cinco minutos, já posso inclusive pré-aquecer os motores de dobra. Na verdade, estou estranhando um pouco as condições dos sistemas, parece que andaram sofrendo alguma espécie de manutenção.
- “Entendido, perdoe-me por apressa-lo."
Anderson seguiu para o painel de controle de fusão e começou a ativar o reator principal.
- Diana, pode satisfazer uma curiosidade?
- Pois não?
- Bem, o Capitão é humano mas tem nome vulcano, você é vulcana mas tem o nome humano, porquê?
- Quando minha mãe estava para me conceber, houve complicações no parto, uma humana a ajudou, salvando minha vida e a da minha mãe. O nome dela era Diana.
Ele a observou de uma forma estranha.
- Me parece algo meio sentimental.
- Na verdade, é plenamente lógico. Eles estavam na Terra quando isso ocorreu, e já tinham se decidido a me dar um nome terrestre, só não tinham decidido qual.
- Deixe para lá.
- Irei para a ponte, para tentar acessar os diários de bordo.
- Divirta-se, o computador principal estará operacional em alguns minutos.
- Sou uma vulcana, não tenho necessidade de me divertir.
Ele olhou irritado para ela.
- Eu só fiz um comentário
- Eu também.
Foi até o turboelevador e seguiu para a ponte. Era peculiar estar um uma nave estelar totalmente vazia. Ao chegar, fez um diagnóstico nos sistemas, todos estavam começando a se ativar, sensores, leme, motores de impulso, a nave iria ficar totalmente operacional em breve. E aquilo era estranho. Assim como eles, aquela nave também deveria ter sofrido a destruição de seus circuitos quando atravessou a fenda. Como estava tudo funcionando, estes circuitos deveriam ter sido reparados, o que indicava que a alguém esteve na nave. Ou então, que ao contrário dos registros, houve sobreviventes entre os tripulantes. Se foi isso, onde eles estavam agora?
- Computador?
Nenhuma resposta, ainda não estava operacional. Foi até a cadeira do Capitão e tentou acessar os registros de diário de bordo, mas seu acesso foi recusado. Claro, os sistemas não tinham informação de quem ela era e muito menos se estava autorizada a ver estes registros. O computador principal teria de ser restaurado, obter dados da Thunderbold e só então os diários ficariam disponíveis.Aproveitou e desligou o alerta vermelho. Ainda era um comando totalmente manual nesta época.
No painel de controle de armas, acionou a tela para obter uma visão externa. Viu a Thunderbold. Ergueu as sobrancelhas, a imagem estava sofrendo alguma espécie de deformação. Fez um diagnóstico e os sistemas indicaram que estava tudo correto. Mas não era o que a imagem apresentava. Parecia que algo translúcido estava entre eles e a Thunderbold. Provavelmente, devido ao tempo em que ficara inoperante, o sistema deveria estar com algum desgaste.
Diana nunca tinha visto uma ave de rapina camuflada antes, se tivesse desconfiaria de que a distorção poderia ser causada por alguma nave neste estado.
- “Diana, o computador está operacional."
- Obrigada senhor Anderson. Computador pode detectar a nave próxima?
"Afirmativo"
- Entre em contato com o computador desta nave e atualize os seus bancos de dados.
"Aguarde... O computador da Thunderbold foi confirmado como sendo da federação. A quantidade de dados a ser atualizada irá levar duas horas e dezessete minutos."
Bem abaixo do limite de quatro horas. No painel do navegador, viu que o reator já estava operando e que em menos de dez minutos os motores de dobra poderiam ser acionados.
- “Emergenc.....ahhhhhhhhh!"
Era alguém gritando no comunicador.
- Grupo avançado, reporte.
Nenhuma resposta.
- Engenheiro Anderson, por favor responda.
Nada.
- “Alferes Diana, a frota que captamos anteriormente está se movimentando em nossa direção, vamos teleportá-los imedi....."
A transmissão foi interrompida, olhando pela tela, viu que a Thunderbold estava sendo envolvida por um campo de energia amarelado, e onde antes via uma distorção na imagem, estava uma nave. Pegou o seu phaser e certificou-se de que estava regulado para tonteio.
Jevlack chegou a ponte tentando manter o equilíbrio, parecia que todos os sistemas da nave ficaram loucos, incluindo a gravidade artificial. O alerta vermelho estava acionado.
- Mas que diabos aconteceu?
- Uma nave descamuflou e lançou uma espécie de míssil em nós – respondeu Terak de seu console – a explosão liberou uma série de campos energéticos que estão interferindo com grande intensidade em nossos campos de dobra, e isto está causando interferência em todos os sistemas. Os sensores de longo alcance estão inúteis, agora.
- Se expandirmos nossos escudos, estes campos energéticos parariam de nos afetar?
- Talvez.
- Então faça.
- Sim senhor.
A oscilação parou, mas os sistemas continuavam a apresentar problemas.
- Capitão, não podemos expandir mais os escudos, pois iriam atingir a Defiant. E também creio que seria inútil, pois os campos de dobra continuam sem poder se estabilizar.
Droga!
- Desligar motores de dobra, totalmente.
- Capitão, devo lembra-lo de que se fizermos isso, precisaremos de vinte minutos até aquece-los nov...
- Que diferença fará em nossa situação? – cortou ele – execute.
- Sim senhor.
As luzes de alerta dos painéis pararam de piscar. Mas os sistemas ainda apresentavam muitos problemas.
- Os sistemas ainda estão tentando desviar a retroalimentação que sofreram – informou Terak – Teremos que reinicializar todos para que fiquem operacionais de novo.
- Quanto tempo?
- Cerca de vinte minutos. Controles parciais em dez.
Vinte minutos esperando que os sistemas voltassem a operar, e sem prognóstico de quando poderiam acionar os motores de dobra. Isto, se pudessem aciona-los novamente.
- Capitão?
- Execute – bufou.
Tudo foi desligado, com exceção do controle de gravidade. A nave inteira ficou as escuras, e ficaria assim por mais dez minutos, pois, como o alerta vermelho estava acionado, as luzes seriam a última coisa a ser reativada. Sentou-se na cadeira e cruzou os braços. Não havia nada que pudesse fazer, exceto esperar. O problema era que não tinham mais capacidade de dobra, ao menos por enquanto.
- Aquela frota que captamos estava vindo em nossa direção quando fomos atingidos.
- Uma armadilha – murmurou.
- Provavelmente. O senhor estava certo em querer destruir a nave.
- Diga isso na minha corte marcial.
Terak olhou surpreso para ele, não entendeu o seu comentário. Mas quando os sistemas voltassem a operar, entenderia. Lentamente, escudos, armas, sensores, transportes e todos os demais sistemas começaram a se ativar. Foram dez minutos muito longos, mas agora estavam 30% operacionais.
- Sistemas operacionais, senhor. A nave que disparou contra nós está se escondendo atrás da Defiant. Os campos energéticos ainda estão ativos, mas estão se dissipando. Enquanto esta situação se manter, não poderemos reativar os motores de dobra, e nem usar os sensores de longo alcance. Os de curto alcance também estão sofrendo interferência, mas podemos compensar. Os escudos estão com retração máxima para aumentar a sua eficiência.
- Energizar todas as armas, travar na Defiant.
- Senhor, o grupo avançado ainda está lá! – disse Matias.
- É uma ordem.
- Si m senhor.
A ponte ficou silenciosa como em um enterro. - Capitão, os escudos da Defiant estão ativos, e... Não pode ser...
- O que foi?
- São duas vezes mais poderosos que os nossos.
Uma nave de setenta anos com escudos mais poderosos que os deles?
- Não poderemos destruí-la antes que aquelas naves cheguem.
- Capitão, segundo minha análise, os escudos da nave possuem características semelhantes as das naves imperiais que detectamos antes. Parecem uma fusão entre os nossos e os deles. Nossas phasers estão apenas com 40% de força, levaremos dezoito minutos para vencer seus escudos, a menos que esperemos pela capacidade total.
Jevlack ficou olhando para a tela, observando a nave.
- Capitão? – chamou Terak.
O que aconteceria se houvesse uma fusão destas tecnologias?
- Capitão?
Uma nave perdida em uma área vazia de uma galáxia totalmente mapeada, muito conveniente.
- Capitão, o senhor está bem?
Gork quer dizer "vazio".
- Capitão?
Uma nave antiga localizada em uma galáxia no outro lado do Universo, totalmente intacta.
- Capitão?
Totalmente intacta.
- Capitão, suas ordens.
Intacta.
- Capitão, devemos disparar?
Um belo estratagema, acionar um sinal de socorro esperando que fossem investigar, e, depois, aguardar a ativação da nave.
- Fogo contínuo até segunda ordem!
Todos os phasers foram disparados contra a Defiant, causando um forte impacto nesta, porém, seus escudos resistiam, eles não só eram mais poderosos, mas tinham uma capacidade de dissipação de calor muito mais eficiente. Terak estava certo, no momento não tinham como destruir a nave, e a trava de torpedos fotônicos ainda estava inoperante.
- Senhor, estou captando algo...
Houve um impacto violento que jogou todos da ponte para o chão, alguns alertas de falha estrutural foram acionados. Outros impactos, menores, eram sentidos agora.
- Senhor – disse River, que estava substituindo Diana – fomos abalroados por uma nave, no lado inferior da seção disco. – fez alguns acessos rápidos no banco de dados – é um corvete modificado. Existem doze deles ao nosso redor, e estão nos atacando. Nossos escudos ainda não estão com força total, não suportarão por mais de quinze minutos.
As naves que estavam vindo chegaram. E estavam todas começando a ataca-los. Ficou pensando no que fazer. Não podia contar com suas manobras radicais, e nem poderia fugir dali. E, sem os campos de dobra, sua velocidade seria menor. Pelo menos, era uma faca de dois gumes, eles também não poderiam tirar a Defiant dali. Só gostaria de saber quem seriam eles.
- Estes campos de energia estão afetando os transportes?
- Eles podem atuar em um raio de quinhentos metros, no momento.
Por que ele não confiou em seus instintos? Sabia que algo estava incoerente com a situação, mas ignorou o que sentiu que devia fazer e seguiu o manual. E, graças a isso, agora estava em uma situação problemática. Devia ter destruído a nave, ou ao menos reboca-la para um local mais distante, para analisa-la com mais segurança. Pois bem: Doze naves disparando contra eles, um dano estrutural leve na seção disco, sem motores de dobra, sem manobras radicais, escudos apenas em 54%. Ainda bem que eles não concentravam o seu poder de fogo em um só ponto. E porque não? Porque, talvez, isso não fizesse diferença para os escudos deles, mas para os seus fazia!
- Travar os phasers na nave mais próxima.
- Pronto senhor.
Olhou para a tela, mostrava um corvete disparando em sua direção com todos os turbolasers possíveis.
- Fogo!
Seis feixes de energia atingiram a nave ao mesmo tempo, destruindo-a em alguns segundos.
- Travar na mais próxima, todos os phasers possíveis, disparar quando pronto!
Uma outra nave foi destruída.
- Capitão, uma outra nave chegou, bem diferente destas, e não temos sua identificação nos arquivos que recebemos dos rebeldes.
- Na tela!
Uma nave com hastes que tinham forma de meia lua surgiu, gigantesca! Começou a disparar contra eles, os impactos eram violentos, equivalentes a torpedos fotônicos. Não fosse pela característica da energia se dissipar rapidamente, já teriam sido destruídos.
- A Defiant está se movendo, está se afastando de nós.
Mas como... não era hora para isso.
- Matias, posicione para ataque total contra esta nave, River, dispare tudo quando pronto, incluindo torpedos fotônicos.
- A trava ainda está inoperante senhor.
- Então capriche na pontaria!
- Sim senhor.
Em dois segundos, a nave estava posicionada. Tudo o que era possível foi disparado, incessantemente. Até receberem um novo impacto, causado pela colisão de outra nave.
- Perdemos os escudos de bombordo!