Roberto Kiss nos brinda com um excelente "Crossover",
que gira em torno de dois universos ficcionais de grande sucesso, Jornada nas Estrelas - "Star Trek"
e Guerra nas Estrelas - "Star Wars". Ele mescla com genialidade os personagens
destas duas sagas, utilizando para isso seu toque pessoal. Nesta aventura o personagem que chama mais
atenção é Jevlack, que posteriormente participa de outras aventuras do mesmo autor,
além de fascinante ele incorpora todas as qualidades de um líder carismático.
Em um dia comum para a Frota Estelar, onde
algumas das naves estão sendo usadas para o treinamento de Cadetes e Oficiais recém engajados, algo
fora do comum acontece além do Sistema Solar. Uma estranha anomalia espacial surge sem explicação e
desaparece trazendo o presságio do perigo e da ameaça do "Lado Negro". Estes fatos desencadeiam
uma corrente de acontecimentos inesperados que são mais do que a Capitã Lisa Donner e o impetuoso Jevlack
esperavam em suas rotinas de comando.
"Diário de bordo, data estelar 3445.225, A nave estelar
Starfleet iniciou sua missão rumo a Omicron IV, e nós, como sua escolta, a estamos seguindo, mantendo
uma distância grande o suficiente para que possam manobrar sem terem que se incomodarem conosco, e
pequena o bastante para que possamos dar suporte em qualquer eventualidade. Confesso que vendo-a manobrar
ainda dentro do sistema Solar, em que devido ao grande tráfego de naves não podemos ultrapassar a dobra
um, acredito que esta seja a melhor turma de cadetes que a academia já formou, e que talvez esta não
venha a ser uma missão tão enfadonha, como tinha pensado antes. As aproximações que fazem dos planetas
que estamos deixando para trás, fornecem belas visões dos mesmos"
Enfim Trek Wars, é um exemplo de qualidade,
fluidez, senso de humor e belíssimas imagens, algumas criadas pelo autor e outras por seus colaboradores.
Leia sobre os agradecimentos e colaboradores nos itens: "Copyright" e
Nota Final do Autor. Para acompanhar esta obra,
sugerimos que antes você leia o prefácio e a
lista de personagens.
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Personagens nesta aventura.
- Anderson - Auxiliar de Engenharia da Thunderbold.
- Carlos - Tenente da USS Starfleet.
- Dewing - Tenente sob comando de Lisa Donner.
- Diana - Alferes no Comando das Armas da USS Starfleet.
- Dilow - Alferes graduado da USS Starfleet.
- Doller - Oficial de Ciências.
- Ferreson - Chefe-Enfermeiro da USS Thunderbold.
- Heim Stolh - Almirante.
- Jeena - Chefe-Engenheira da USS Starfleet.
- Jevlack - Capitão da USS Thunderbold.
- Lamark - Alferes Comunicações da USS Starfleet.
- Lilandra - Alferes nos transportes da USS Thunderbold.
- Lisa Donner - Capitã da USS Starfleet.
- Mateus - Alferes de Ciências da USS Starfleet.
- Matias - Primeiro-Oficial da USS Starfleet.
- Nilles - Piloto da USS Starfleet.
- Oshiro - Sub-Comandante da USS Thunderbold.
- Sander - Chefe de Transportes da USS Thunderbold.
- Terak - Oficial de Ciências da USS Thunderbold.
- Tirvik - Primeira Oficial sob comando de Jevlack.
- Darth Vader - Comandante em Chefe do Império.
- General do Império. - Acompanhante de Lauriel.
- Karakyr - General Rebelde.
- Lauriel - Comandante sob a bandeira dos Rebeldes.
- Mejev - General da Interditor Cabriam do Império.
- Quatronni - Comandante a serviço de Darth Vader.
- Rinander - Tenente da Exceler nave Rebelde.
- Siy - General.
- Safrã - Estrategista dos Rebeldes.
- Soer - Comandante e patrulheiro na Assalt Gunboard.
- Sornim - General da Exceler.
Prefácio
Algum tempo atrás, diga-se anos, havia uma inimizade forte entre fãs de Star Trek e Star Wars. Muitos comparavam os dois universos, tentando puxar o status de melhor para o seu lado.
Bom, gosto dos dois mundos, mas uma coisa que ambos os lados devem entender é o seguinte: ELAS NÃO PODEM SER COMPARADAS NO AMBITO DE MELHOR OU PIOR! Star Trek tem como tema base a exploração do espaço pela raça humana, Star Wars mostra uma grande aventura, batalha, no espaço. George Lucas já disse no começo "Há muito tempo atras em uma galáxia muito, muito distante..." Isso, por si só devia coibir as comparações depreciativas deste tipo.
Já faz um bom tempo que não vejo nada ligado as comparações do passado, os fãs de Star Wars, inclusive, parece que tem um universo mais coerente com as limitações tecnológicas impostas por George Lucas, do que os Trekkers, com algumas besteiras da Paramount, por isso, tomei coragem para finalmente mostrar este texto que fiz há um bom tempo, logo depois de a Fúria de Khan, em que comparo as tecnologias, não as trilogias, entre os dois universos, para mostrar, para o lado Star Wars, como funcionam as naves da federação, porque são solitárias, e do lado Star Trek, porque existem certas coisas "estranhas", como geradores de escudos do lado de fora das naves ou como a estrela do morte poderia se movimentar pelo espaço sem motores visíveis.
IMPORTANTE: Para ambos os universos, todas as comparações são NÃO CANÔNICAS, qualquer respaldo nas comunidades correspondentes será pura coincidência. O texto objetiva permitir uma fusão entre os dois mundos, especialmente porque escrevi uma aventura pessoal em que duas naves da Federação acabavam parando no universo e tempo em que ocorreram as aventuras de Star Wars. Como ambos os lados iriam me crucificar, deixei isso arquivado no meu velho XT até que, quando decidi dá-lo de presente aos meus sobrinhos dei um save nos dados que me interessavam. O texto a seguir é o prefácio da historia.
O Objetivo deste não é comparar as Trilogias Star Trek e Star Wars, mas sim permitir um crossover entre eles.
Primeiro coisa: Os fãs de Star Wars que me perdoem, mas em termos puramente técnicos, deixando o romantismo e aventura de lado, a tecnologia apresentada em Star Trek é superior a mostrada em todos os filmes de Star Wars que foram ao cinema, basicamente Teleportes, Sintetizadores, Campos de Dobra, Holodecks, e, principalmente a fonte de energia matéria/anti-matéria, que torna todos os outros possíveis. Entretanto, a eficácia da tecnologia em Star Wars me parece ser maior, afinal, um mero a-wing com quinze metros de comprimento tem seus próprios escudos e pode viajar no hiperspaço, bendito hiperdrive.
Segunda coisa: Boa parte das comparações são feitas com base nos jogos da Lucas Arts e Episódios de Star Trek.
Em Star Trek não temos naves pequenas, caças para combate, por isso vamos ver as diferenças e equivalências das naves maiores.
Objetivos da construção das naves.
As naves de Star Trek tem como objetivo primário a exploração do espaço, e, como secundário de defesa e patrulhamento do território da Federação.
Em Star Wars, as naves são, primeiro, muito maiores, um destróier imperial é 5.5 vezes maior que a Enterprise. São usadas para transportar tropas, armamentos e mercadorias. No jogo x-wing, temos uma nave de transporte de carga com quase a metade de um Nebulon-b,algo como 230 metros, a Enterprise tem, pelo que me lembro de ter lido em algum lugar, uns 300 metros. São equivalentes a porta-aviões e super petroleiros dos tempos atuais.
Outro motivo para as naves serem grandes, é para carregar suprimentos para a tripulação, pois ainda não foram concebidos os sintetizadores, nem os seus semelhantes, os teleportes.
Defesa das naves
Em Star Trek, as defesas da Enterprise são baseadas em escudos, ou seja, campos de força poderosos, que rodeiam a nave com um formato de bolha.
Em Star Wars, também existem os campos de força, mas, observando o jogo x-wing, e nos filmes do cinema, creio que estes campos seguem o contorno da nave, funcionando quase que como um espécie de "pele". Ou, como vi mais recentemente em Star Trek, também devem funcionar como campos de integridade das estruturas destas naves.
Ataque
Em Star Trek, temos apenas torpedos fotônicos e Phasers como armamento, sendo que os torpedos fotônicos são feitos de matéria e anti-matéria, então porque o nome fóton que vem de particulas de luz?. São potentíssimos e, numa comparação seriam cerca de 100 vezes mais destrutivos que um torpedo próton de Star Wars, claro que diminuí esta proporção, senão não tem estória. Os Phasers são feixes de energia coerentes que tem a velocidade da luz, com potência equivalente a dos torpedos. Podem ser usados de longa distância, mais de 40 mil quilômetros.
Em Star Wars temos os turbolasers das naves, mísseis de concussão, torpedos próton, mísseis de concussão avançados, torpedos prótons avançados, torpedos "pesados" e um pouco mais. Além dos caças da aliança rebelde e dos ties do Império.
Observando o universo Star Wars agora, descobri que existem estações espaciais com turbolasers maiores e, por conseguinte bem mais poderosos, as naves classe Victory, de Star Wars, tem dois destes que devem disparar com muito mais potência que as que vi nos jogos. Vamos estipular que tenham dois terços da força de um disrruptor romulano.
Velocidade
Agora sim vem a parte difícil de conciliar, em Star Trek, as naves viajam em "campos de dobra", podendo inclusive modificar a extensão deste ao redor da nave, e manobrar no hiperespaço. O Conceito de "dobra" 1, 2, 3... Em que a dobra seguinte é uma progressão geométrica da anterior não possui paralelo em Star Wars.
Em Star Wars, sem exceção, todas as naves podem atingir a velocidade da luz, grandes ou pequenas, graças a um dispositivo chamado Hiperdrive. Aparentemente este dispositivo permite que seja gerado um "campo de dobra" inicial para lançar a nave no hiperspaço, mas, uma vez neste, a nave não pode mais ser manobrada. Dependendo da posição do destino, não se pode fazer o salto de uma vez só, pois existe o risco de colidir com alguma estrela ou planeta que esteja no meio do caminho. As naves também não podem ser monitoradas no Hiperspaço. Uma outra analogia seria a de que o hiperdrive cria algo como uma "fenda espacial" específica para um ponto de destino, o que foi chamado de velocidade da luz. Seja como for, para efeito da estória que virá a seguir, a "velocidade da luz" de Star Wars eqüivale a dobra 3 de Star Trek, e, na própria historia será tentado explicar como isso funcionaria.
Capacidade de Manobras
Apesar da Paramount insistir em vira e mexe mover as naves de Star Trek de forma lenta, elas na verdade tem velocidade máxima de impulso pouco menor que um y-wing de Star Wars, coisa de uns 600 Km/Hora, obtidos cronometrando no jogo x-wing, e comparando com Star Trek motion quando a nave passeava por sobre V'ger.
As naves gigantes de Star Wars, a não ser quando no hiperspaço, são lentas em torno de 90 Km.
O motivo das naves da Federação andarem solitárias pelo espaço foi retirado, considerei a explicação do . Daniel Takasugi bem melhor que a minha.
Robôs & Droides.
Agora é a vez de Star Trek ficar em desvantagem... COMO DIABOS NÃO EXISTEM ROBOS NESTE UNIVERSO? Na nova geração, fomos finalmente agraciados com a presença de Data, mas é só...
Em Star Wars, robôs é que não faltam, tem até um mouse droid que age ito uma barata. Em compensação, em Star Trek temos o holodeck, onde podemos criar todos os robôs que quisermos... Sem contar com certas fantasias...
Bom, agora, o que aconteceria em um confronto TREK-WAR? Considerando o tipo de armamento de cada lado, a vantagem seria do lado Trek, mas este mesmo lado tem algo chamado Diretriz Primeira, além do que o Império tem muito mais naves que a Frota Estelar. Isso sem contar com um tipo de nave chamada Interditor, que incapacita os hiperdrives, impedindo que as naves possam fugir. Como isso afetaria os motores de dobra?
OBS: Claro que a Enterprise não pode resistir a Estrela da Morte! Mas, se tivesse tempo, abriria um buraco até o seu reator principal e a destruiria! Juntamente com ela.
As naves da historia são USS Thunderbold, Classe Excelsior e USS Starfleet, Classe Constitution Reformada, uma nave de patrulha e uma nave de treinamento, respectivamente. Tem mais uma, mas é segredo.
Do Lado de Star Wars, não temos a Milenium Falcon e a Estrela da Morte, mas haverá referências sutis as mesmas.
Com exceção de Darth Vader, nenhum personagem é conhecido. Acho que não sou capaz de respeitar a personalidade deles que já ficou consagrada entre os fãs, por isso, todos os personagens, de ambos os mundos, são inéditos, de forma que posso ter toda a liberdade para escrever como eu quero.
Pouca coisa será dita sobre os dróides de Star Wars. Meu interesse são as pessoas, e como não vai haver nenhum R2-D2, apenas unidades R2 comuns, e C3-PO, seria hipocrisia tentar criar novos droides que agradassem aos fãs da trilogia. Mas tentarei faze-los aprontar alguma coisa com o pessoal da Federação.
Agora, depois de postas as equivalências de ambos os mundos, vamos para a história.
****
Capítulo I
"Diário de Bordo, data estelar 3442.0, a nave estelar
Starfleet aproxima-se do maior planeta deste sistema, o qual estamos encarregados de fazer sua completa
análise e catalogação. O gigantesco planeta é gasoso, e tem uma peculiar formação atmosférica: uma
tormenta cujas dimensões ultrapassam a do nosso próprio planeta de origem, a Terra".
A "Capitã" Lisa Donner faz assim o seu primeiro
registro no diário de bordo de uma nave estelar. Olha sutilmente para a sua esquerda para observar o
verdadeiro comandante da nave, o Almirante Heim Stolh, esperando encontrar em suas feições qualquer
indicativo se o registro foi satisfatório ou não. Mas este apenas observa a tela, aparentemente encantado
em novamente - quantas vezes ele já esteve supervisionando os cadetes aqui? - ver um dos belos planetas
do sistema solar, Júpiter.
Lisa ainda se lembrava da primeira vez em que tinha visto o
planeta, em uma viagem de turismo quando tinha doze anos - ficara encantada! Foi quando havia posto na
cabeça que iria “incursar” na Frota Estelar e comandar sua própria nave, viajando pela galáxia.
- Senhor Doller, inicie as análises do planeta - comandou ao
Oficial de Ciências.
Entrara na Frota aos dezessete anos, aos dezenove estava no
mesmo planeta em que se encontra agora, se bem que no posto de navegadora, novamente apreciando uma bela
vista deste e de sua famosa tormenta, que era atração turística desde o início do século XXII. Após
formada, serviu por oito anos na USS Seler, na qual evoluiu até ser "Primeira" - como insistia
dizer - Oficial, tendo em algumas ocasiões, assumido o comando da nave quando o Capitão saia em suas
freqüentes missões de diplomacia. Belo comando, ficar de traseiro chato esperando o Capitão voltar e mais
nada para fazer...
- Capitã, existem partículas na atmosfera do planeta que são
estranhas a sua composição - informara Doller, aparentando perplexidade - considerando a quantidade de
partículas, não creio que possam ter vindo de uma "esteira de cometa". Suponho que possa se
tratar de restos de uma colisão de um grande meteoro. Considerando a pressão atmosférica e gravidade, não
acredito que seja possível encontrar nenhum vestígio de onde pode ter sido o impacto, isto, se ele tinha
dimensões suficientes para atingir a superfície antes de virar pó.
- Foi o cometa Shumacher-Levi - disse o Almirante - atingiu
Júpiter no final do século XX. Parabéns! O senhor foi o primeiro a formar tal teoria para explicar a
presença destas partículas como primeira opção.
Era raro o Almirante fazer tal elogio - isso quando o fazia -
Doller ficou com um sorriso bobo e o rosto corado.
- Prossiga com a sondagem senhor Doller, pode pagar bebidas
para todos depois, para comemorar - disse a "Capitã" percebendo que Doller agora fazia parte do
seleto clube de oito, opa! Agora são nove, pessoas que receberam um elogio do Almirante em uma missão de
treinamento. Incluindo ela própria.
Lisa fora indicada para o seu próprio comando, mas, devido a
sua idade vinte e sete anos e pouca experiência, a Frota decidiu que ela deveria fazer um curso de reciclagem,
comandando uma das suas naves de treinamento para cadetes mais avançados. Júpiter era apenas o aperitivo,
assim que uma nova nave de escolta fosse selecionada - a USS Denver apresentou problemas nos motores e
estava nas docas - eles partiriam para um setor recém mapeado, o mapeariam novamente, e ambas as análises
seriam comparadas para aferir a eficiência da tripulação. Como estariam em área pouco explorada, a escolta
era essencial e obrigatória.
No painel da navegadora, uma luz vermelha piscou por menos de
um segundo, chamando a atenção desta. Olhando para o painel ela não viu mais nada. Fez uma checagem de
nível três e nada apareceu. A Capitã percebeu.
- Senhora Nille, algum problema?
- Não sei Capitã, percebi um aviso de anomalia, mas foi tão
rápido que não pude ver qual seria. Estava fazendo uma checagem para tentar descobrir o que houve.
A Capitã pensou por alguns instantes.
- Computador, algum sinal foi apresentado no painel do navegador?
"Ocorreu um comando incorreto da mistura de matéria e anti-matéria
na câmara de cristais de dilítio, o erro foi automaticamente corrigido pelos programas gerenciadores"
- informou a voz feminina dos computadores.
- Engenharia! - Chamou a Capitã, demonstrando um certo desgosto
pelo ocorrido.
- Sim Capitã?
- Parece que um dos seus alunos descansou a mão indevidamente
sobre os painéis de controle da câmara de fusão, poderia por favor pedir mais atenção do mesmo?
- Era o que eu estava fazendo agora. Eu esperava que não
tivessem notado.
- Infelizmente para vocês, o pessoal da ponte está levando
esta missão de treinamento mais a sério, é tudo.
- Muito bom Capitã - disse o almirante desviando a atenção de
Júpiter - eu não sei porque consideraram que o seu período na Seler não forneceu experiência suficiente.
- Almirante! - Lisa ficou ligeiramente corada - quantos alunos
seus receberam dois elogios?
- Você é a segunda!
- Segunda? - Surpresa para todos na ponte - QUEM FOI O
PRIMEIRO?
- Jevlack! Ambos na mesma missão de treinamento. Aliás, ele é
o Capitão da nave que será nossa escolta amanhã. - ele mostrou a prancheta que sempre levava a tiracolo
nas missões de treinamento para suas anotações - A Frota me informou há cinco minutos.
- Seria incômodo as senhoras e senhores voltarem aos seus
afazeres? - perguntou a Capitã aos tripulantes da ponte, que ainda olhavam para ambos - Estamos aqui a
serviço!
Duas naves na mesma missão cujos Capitães receberam dois
elogios em vida do Almirante Stolh, isso sim era um evento inédito!
Desta vez, sem ninguém perceber, a mesma luz voltou a piscar,
pelo mesmo período de tempo.
"Diário pessoal do Capitão, data estelar 3368.10, depois
de encerrada nossa patrulha de seis meses na fronteira entre Federação e o Império Klingon, estamos
apenas aguardando a chegada da USS Nova, que irá nos render. Nossa próxima tarefa, como acabei de saber,
será escoltar a USS Starfleet em sua missão de treinamento externo. Pessoalmente considero essa missão
muito mais enfadonha que a última. Mas tem que existir um idiota para faze-lo!"
Jevlack pensou um pouco sobre o diário que fizera...
- Computador! Retire a afirmação final e substitua por
"Mas EU fui o idiota escolhido para faze-lo".
"Alteração efetuada"
Ótimo! - pensou - a frota pode não gostar de meus comentários,
mas são a pura verdade!
- Porque não muda para Nós fomos os idiotas escolhidos?
O Capitão Jevlack olhou para a sua Primeira Oficial - com
quem flertava nas raras ocasiões em que era possível, alias, esta era uma delas - e sorriu levemente.
- Tirvik, confesso ainda que não estou acostumado a uma
vulcana, ainda que mestiça, a demonstrar senso de humor.
- Com todas as coisas que nós - disse abraçando-o fortemente,
fazendo uso de sua força herdada da mãe - já fizemos, você só não está costumado com isso?
Usando sua própria força cibernética, ele também a apertou
firmemente.
- Ambos temos heranças de Vulcano, só que a minha é mais
forte - apertou com grande força - e aquilo foi um comentário de ocasião.
- Não há nada que me obrigue a seguir a filosofia vulcana,
afinal, sou geneticamente 62.221% humana e criada na terra desde que minha mãe morreu. Sorte sua!
Porque vulcanos gostam tanto de precisão?
"- Capitão, a USS Nova chegou" soou a voz do navegador,
que ficara no comando, pelo intercomunicador.
- Estamos a caminho - respondeu.
Jevlack deu um beijo carinhoso na testa de Tirvik e ambos
foram para a ponte. Considerando a missão que tinham agora pela frente, talvez não tivessem que esperar
outras três semanas para um momento íntimo como o último...
Assumindo o seu assento, fez uma saudação ao comandante da
Nova, que ainda tentou - inutilmente - anima-lo com um "depois vocês terão duas semanas de férias",
Jevlack ordenou a volta a terra em dobra máxima. Era melhor acabar com o "incidente" o mais cedo
possível.
- Tirvik, quais as características da Starfleet?
- A USS Monitor serviu a Frota por mais de 42 anos. Assim como
todas as naves da classe Constitution, foi reformulada e, após mais um período de dez anos, foi designada
para nave de treinamento e rebatizada como USS Starfleet, aparentemente por motivos políticos. Seus
sistemas duotrônicos foram substituídos assim como a de todas as naves da frota pelos atuais chips
isolineares, mas seus motores de dobra não foram atualizados, e, por questões de segurança, não pode
ultrapassar a dobra 5.
Dobra 5?
- Onde será feito o treinamento? - Perguntou dirigindo-se ao
navegador.
- Em Omicron IV, o último sistema do setor a ser mapeado -
respondeu após uma rápida consulta em seu terminal.
- 3.49 semanas em dobra 5, a partir da Terra - completou a primeira oficial Tirvik.
O Capitão Jevlack recostou-se em sua poltrona e suspirou muito
fundo. O resto da tripulação da ponte o invejava porque não se atreviam a fazer o mesmo.
- Navegador, reduza para dobra 6 pela próxima meia hora, Tirvik...
- Uma batida de coco saindo...
- Obrigado.
Vai ser uma looonga viagem...
****
A Capitã Donner acordou com o despertador - na verdade, o
despertador teve de acordar ela - ainda sonolenta viu-se no espelho. Olhos vermelhos e o cansaço evidente
eram a mostra da tarefa enfadonha de ontem, de ouvir os relatórios sobre a analise da atmosfera, das amostras
de minerais estudadas no laboratório, classificação e documentação total do planeta e, com a sua assinatura,
o encerramento da primeira missão na qual ela comandava uma nave.
Claro que para os outros tripulantes a tarefa até tinha sido
prazerosa, era a primeira vez em que faziam isso fora dos simuladores da academia, mas ela já tinha
acompanhado o mesmo diversas vezes na Seler, e analisar pela segunda vez um planeta no quintal de casa
era bem chato, diga-se a verdade.
Soou o sinal indicando que alguém pedia permissão para entrar.
- Um momento - disse enquanto se ajeitava para ficar mais apresentável.
- Pode entrar.
- Bom dia Capitã - disse o almirante chegando.
- Bom dia! Espero que tenha tido uma noite melhor que a minha.
- Com o tempo, aprende-se a suportar tarefas não muito apreciativas.
Bom - entregou-lhe um disco - estas são as ordens da Frota, a senhorita, como Capitã deve recebê-las.
Era uma espécie de encenação, afinal ela já sabia quais seriam
as ordens, só não conhecia o destino ainda.
- A Thunderbold chegará em algumas horas, como ela será a nossa
escolta, cabe a você, como comandante da missão, determinar os parâmetros que ela deve seguir.
Lisa olhou assustada para o almirante. Cabia a ela?
- Ora Capitã - o Almirante entendeu a surpresa dela - apesar
de, na prática, eles nos mandarem sair correndo em caso de emergência e ficarem para cobrir a nossa fuga,
é a senhorita que deve dar as ordens ao Capitão da Thunderbold sobre a que distância ele ficará de nós,
se deve patrulhar a área ou simplesmente observar o nosso trabalho. Claro que Jevlack virá a bordo para
discutir esse assunto, bem como oferecerá sugestões. Nossa partida está agendada para as dezesseis horas.
Eles devem chegar por volta das quatorze. Falando nisso, não se esqueça que o ponto de encontro é em
órbita da Terra.
Dirigiu-se a porta, mas antes, acrescentou:
- A senhorita é a Capitã, eu e os outros Oficiais professores
ficaremos apenas observando e só iremos intervir em caso de necessidade. Para todos os efeitos a nave
está nas mãos de vocês.
O Almirante saiu dos aposentos deixando a Capitã com o coração
acelerado. Logo depois, ela balançou a cabeça para espantar de vez o sono e acionou seu comunicador.
- Tenente Dewing?
"- Sim Capitã?"
- Reúna os oficiais na sala de reuniões em uma hora, vamos discutir a nossa missão.
"- Sim senhora"
Vamos ver estas ordens. Pensou acionando o seu monitor e inserindo
o disco.
"Diário de bordo, data estelar 3369.210, a Thunderbold chegou ao
local do encontro com a USS Starfleet três horas mais cedo que o previsto. Como a tarefa que temos diante
de nós é altamente rotineira e sujeita a varias situações monótonas, permiti que toda a tripulação - com
exceção dos altos oficiais - pudesse descer a terra em turnos e relaxar um pouco. Confesso que, ao saber
que a Capitã da nave é a tenente Comandante Donner, fiquei mais tranqüilo, pois já ouvi falar muito bem
dela pelo seu último Oficial Comandante."
Jevlack e os altos Oficiais da nave estavam na sala de reuniões,
discutindo - talvez seja melhor dizer jogando conversa fora - sobre a missão de escolta.
- Bem meus caros - dizia Jevlack - todos nós já estivemos do
outro lado desta história, por isso, vamos agir como se fosse uma missão conjunta normal. Aqueles cadetes
estão empolgados e todos sabemos que esta é, sem dúvida, a parte do treinamento mais bem vinda da academia.
- Capitão - replicou o tenente comandante Oshiro - há de
convir conosco que ficar três semanas e meia nos arrastando ao lado de uma nave cheia de calouros não é
uma algo muito apreciável.
- Depois que a missão terminar - interveio Tirvik - nós iremos
continuar com a exploração do setor. Além disso, nossa missão secundária e fazer um levantamento mais
detalhado dos seis planetas classe M mapeados em Omicron IV.
- Sim - conformou-se Oshiro - vamos ter algo para nos ocupar,
quando estivermos lá. Não podemos usar o raio trator para puxá-los e ir na dobra máxima?
Jevlack apenas sorriu como que para se consolar.
- Oshiro, se esta fosse uma reunião formal eu te daria um sermão agora!
- Desculpe-me senhor.
- Além disso, esta manhã, o almirante já me disse que não.
Oshiro olhou para o seu Capitão, espantado, Tirvik apenas riu, divertida. Os outros oficiais disfarçaram
como puderam.
- Tirvik, afinal que raios de "motivos de segurança"
foram esses que impedem que eles atinjam mais que a dobra cinco? - perguntou o tenente Ícaro.
- Há quatro meses, a nave de treinamento Hangler por pouco não
invadiu a zona neutra por erro de navegação. Estava em dobra sete e sua escolta teve muitas dificuldades
para posicionar-se e acionar o raio trator para detê-la.
- Erro de navegação? - Perguntou Oshiro não acreditando.
- Esta foi a explicação oficial. Pessoalmente creio que o
Capitão da nave respondeu a um sinal de socorro captado e, o navegador, não atentou para o fato que a
rota traçada violaria a zona neutra.
- Jeena, aproveite o tempo que nos resta antes do encontro, e verifique o nosso raio de tração - ordenou o Capitão a Chefe de Engenharia.
- Sim senhor.
- Senhora Nille, posicione-nos ao lado da Thunderbold.
- Sim Capitã.
A Starfleet movimentou-se - muito rápido, na opinião dos
tripulantes da Thunderbold - para o lado de sua nave escolta.
- Abra um canal para a Thunderbold.
- Boa tarde, Capitão - disse Lisa, assim que Jevlack apareceu
na tela - sei que não deve estar muito animado com a situação, mas prometo que tentaremos nos comportar
como "gente grande"
- Olá Capitã, Almirante, obrigado pela sua preocupação, mas
pelo que o Comodoro Brand me disse, não creio que terei nenhum problema.
- Conheceu meu Comandante? - Lisa estava surpresa, ainda mais
que Brand falara bem a seu respeito.
- Nos encontramos há uns dois anos, em Rigel II, numa
conferencia de novas tecnologias. Foi quando me disse que você seria promovida a Primeira Oficial.
- Gostaria de vir a bordo, para discutirmos a missão? - Lisa
achou seu convite um pouco destoado dentro do rumo da conversa, mas, como Capitã, tinha uma missão a
cumprir - e trinta minutos para começa-la.
- Com prazer - Respondeu o Capitão Jevlack sorrindo.
- Almirante?
- Falarei com Jevlack mais tarde, quando estivermos em curso. Pode ir recepciona-lo.
- Obrigada - Lisa dirigiu-se a sala de transporte.
Por uma questão de cortesia - e para tranqüilizar os tripulantes
da outra nave - o transportes dos visitantes foram controlados apenas pela Thunderbold, o encarregado de
transporte Sander, da Starfleet, ao invés de se sentir ofendido, ficou aliviado. Mesmo com todos os
sistemas de segurança, ele estava nervoso para faze-lo.
- Capitã - disse Jevlack assim que o teleporte terminara -
permissão para a vir a bordo.
- Concedida, Capitão, este - referindo-se a pessoa ao seu
lado - é o meu primeiro oficial Matias.
- Prazer em conhece-lo, e encantado em vê-la pessoalmente.
- Fico agradecida - Lisa ficou levemente corada.
- Desculpe-me, não pretendia embaraça-la, é que agir de
forma galante era muito comum para mim no século XXI.
-Século XXI?
- Hum - Jevlack percebeu a estranheza de todos na sala - vejo que não conhecem a minha história. Pergunte ao almirante depois, Capitã. Devemos partir em vinte minutos e a história levará mais que esse tempo.
- Certo, então vamos para a sala de reuniões. Se tiver a bondade de me seguir...
- O prazer será meu - disse Jevlack, esperando que o almirante não comentasse nada a ela sobre a preferência nacional dos brasileiros que, infelizmente nas décadas em que ele estivera "fora de circulação", ficaram muito menos acentuadas.
O cadete de primeira classe Greyson ainda estava muito sentido com a bronca que levara do engenheiro chefe no dia anterior. Estava flertando com uma bela moça que supervisionava o painel de controle de fusão matéria / anti-matéria quando pôs sua mão espalmada diretamente no painel. Se os sistemas gerenciadores não tivessem corrigido o erro imediatamente, a nave com certeza teria se despedaçado com o campo de dobra assíncrono que teria se formado. Mas ainda não estava tranqüilo. Não porque sua ficha ficaria com esta mácula para sempre, mas sim porque, segundo os registros do computador, os sistemas gerenciadores atuaram mais oito vezes para efetuar a mesma correção, sem nenhum motivo aparente, exceto que era necessário.
Pensou em comunicar ao engenheiro chefe, mas estava com medo de levar outro sermão sobre aqui não é praça pública para flertes.
- Computador, checagem de nível um em todos os sistemas relacionados ao controle da câmara de fusão.
Uma checagem nível dois nada revelara.
"A checagem completa nos sistemas indicados irá demorar dezoito horas"
- Execute - pediu. Se nada aparecesse iria comunicar ao engenheiro.
- Curioso - disse em voz alta o oficial de ciências Terak, da Thunderbold - Comandante, nas últimas três horas registrei por duas vezes uma estranha flutuação em nossos geradores de fusão ao mesmo tempo em que isso ocorria na Starfleet. Não há nenhuma falha em nossos geradores, portanto parece que eles estão refletindo as flutuações vindas da nave de treinamento, como se estivessem em ressonância. - Olhou para Tirvik esperando sua decisão.
Sentada na cadeira de comando, Tirvik ponderava sobre a notícia.
- Esta flutuação afetaria nossa missão de alguma forma?
- Não. É insignificante dentro do campo de dobra e desprezível como conseqüência. Mas não poderia fazer nossos reatores reagirem desta forma.
- Não temos tempo para determinar as causas agora, uma vez que partiremos em alguns minutos. Porém, assim que possível entre em contato com o engenheiro chefe da Starfleet, e descubra o que esta causando esta flutuação.
- Sim comandante.
A Starfleet tem programas gerenciadores para evitar que os cadetes, inexperientes, cometam erros perigosos. Só espero que não surja algum imbecil engenhoso capaz de burlar estes programas.
- O.k. Capitã, ficaremos a distância seguindo vocês, e, uma vez lá nos manteremos afastados a no máximo trinta segundos em dobra máxima, para o caso de qualquer inconveniente que possa ocorrer.
Dessa forma, Jevlack encerrava a rápida reunião. Rapidamente chegaram a sala de transporte, e, para surpresa de todos, ele pediu para que Sander efetuasse o transporte. Sander ficara nervoso, mas se recusasse poderia ofender o Capitão.
- É só fazer como sempre. Pode até fechar os olhos. Pensando bem, não feche não.
- Não se preocupe senhor - Sander se acalmara com o comentário - Boa viagem.
Teleporte efetuado, a Capitã retornou a ponte.
- Senhora Nille, traçar curso para Omicron IV, dobra um. Assim que sairmos do sistema Solar, vá para a dobra cinco.
- Curso traçado Capitã.
Lisa olhou para o almirante, este apenas sorriu.
- Engatar!
- Senhor Oshiro.
- Sim Capitão?
- Siga aquela nave - disse apontando para a tela.
- Com prazer senhor - respondeu com um sorriso.
Assim, começava a primeira missão oficial da Capitã Lisa. Bem como a primeira missão de escolta do Capitão Jevlack.
PS: A missão de Lisa em Júpiter não foi oficial, apenas de treinamento, portanto, a de Omicron IV é a primeira mesmo!
****
Capítulo II
"Diário de bordo, data estelar 3445.225, A nave estelar
Starfleet iniciou sua missão rumo a Omicron IV, e nós, como sua escolta, a estamos seguindo, mantendo
uma distância grande o suficiente para que possam manobrar sem terem que se incomodarem conosco, e
pequena o bastante para que possamos dar suporte em qualquer eventualidade. Confesso que vendo-a manobrar
ainda dentro do sistema Solar, em que devido ao grande tráfego de naves não podemos ultrapassar a dobra
um, acredito que esta seja a melhor turma de cadetes que a academia já formou, e que talvez esta não
venha a ser uma missão tão enfadonha, como tinha pensado antes. As aproximações que fazem dos planetas
que estamos deixando para trás, fornecem belas visões dos mesmos."
Aproximar-se dos planetas de dar "rasantes" nos
mesmos era quase que um ritual para as naves de treinamento. Os cadetes aproveitavam a baixa velocidade
imposta pelas regras da Federação dentro do sistema solar para ver os mundos que antes só visitavam por
naves de transportes pequenas.
- Sr. Oshiro, quanto tempo até a nossa primeira parada na
estação espacial 26?
- Assim que sairmos do sistema solar, cerca de 32 horas.
Como a viagem seria longa, devido ao novo limite imposto as
naves de treinamento, seriam feitas paradas em pelo menos quatro estações espaciais, em que os cadetes
e tripulantes da nave escolta descansariam um pouco. Estas paradas também eram aproveitadas para intercâmbio
de informações e experiências entre ambas as tripulações. Também era comum alguns cadetes irem para a
nave escolta para conhecerem as tecnologias das naves de exploração da frota, uma vez que as das naves
de treinamento, normalmente, não tinham os mesmos avanços.
- Um bom ângulo - comentou Oshiro a Tirvik, que estava ao seu
lado observando as manobras - A navegadora deles é excelente, a visão de Netuno ficou magnífica com esta
aproximação.
- Concordo - replicou sem tirar os olhos da tela.
- Capitão - chamou o Oficial Terak - devemos informar a
Starfleet que as suas luzes de navegação estão apagadas?
- Não senhor Terak - respondeu com um leve sorriso - deixe-os
descobrir isso por conta própria.
Terak ergueu as sobrancelhas, peculiaridade comum a todos os
vulcanos, e que sempre intrigou-o. Mesmo Tirvik tinha esta característica, apesar de ter sido criada na
terra, entre humanos.
- Sairemos do Sistema Solar em quatro minutos, Capitão.
- Deixe-os partirem com dois segundos de vantagem, depois os
seguiremos. Manteremos a mesma distância que agora até a estação 26.
- Entendido senhor.
Tirvik observava as evoluções, e uma ponta de saudosismo bateu
nela. Tinha sido nesta mesma nave em que tinha feito o seu treinamento final, antes da formatura. Servira
como Oficial de Ciências, mas percebeu que desejava mesmo um comando. Servira na USS Denver como Alferes,
onde fora promovida até tenente. Depois de um curso de especialização a Frota a designou para a Thunderbold
como Primeira Oficial, onde conhecera Jevlack, o único humano a ter um nome vulcano de que se tinha notícia.
Apaixonara-se por ele, e tinha sido correspondida. Não era difícil separar as questões pessoais das profissionais,
graças a sua herança vulcana e ao fato de que, antes de recuperar a memória, o Capitão tinha sido
aprendiz também em Vulcano. Aparentemente, era a única que sabia o seu nome verdadeiro. Jevlack gostou do
nome que recebera quando fora encontrado e o adotou mesmo quando foi para a academia.
- Capitão! Mensagem codificada do Almirante Stolh para o
senhor.
- No meu gabinete, Tirvik, assuma - disse levantando-se em
seguida.
- Sim senhor - respondeu indo para a cadeira de comando.
"No meu gabinete" Tirvik sorriu consigo mesma. Ele
era... diferente. Em várias ocasiões durante a patrulha na fronteira do Império Klingon, ele comandara
a nave da sala de reuniões, onde observava mapas holográficos táticos que permitiam uma melhor visão da
situação. Bem diferente do ensinado na academia. Mas o que realmente ela mais apreciava nele, era que
ele sabia como acariciar orelhas pontudas.
- A Starfleet entrou em dobra cinco, comandante.
- O.k., vamos atrás.
- Computador, decodifique a transmissão do Almirante Stolh,
código de autorização Jevlack, tesla - ômega.
O símbolo da Federação apareceu na tela por alguns momentos,
logo depois surgia o rosto - bem mais velho do que imaginara - do Almirante.
- Olá meu caro, faz muito tempo que não nos vemos...
- Como diria Tirvik : 13 anos, 4 meses, 8 dias e... Que horas
são?
A risada do Almirante foi jovial.
- Computador, especial do Capitão.
O sintetizador de alimentos materializou um copo de batida de
coco.
- Servido? - disse indicando o copo - posso transferir a
estrutura molecular dele para a Starfleet.
- Como conseguiu fazer isso?
- Difícil mesmo foi o leite condensado, que ninguém mais sabia
fazer quando despertei neste século - seu rosto ficou mais sério - o senhor não fez uma chamada codificada
para bater papo.
- Não, não fiz. Eu estou preocupado. Parece que ocorreram
flutuações de energia estranhas no sistema de Omicron no mês passado. Pedi que a frota enviasse uma nave
para examinar, mas me responderam que não encontraram nada incomum.
- Mesmo assim a missão de treinamento será lá? - espantou-se
Jevlack.
- Já tinha sido definido desde o começo. Só um evento concreto
poderia mudar os planos. Foi por isso que eu escolhi a sua nave pessoalmente quando soube que a Denver
não poderia ser a nossa escolta. Você é um excelente Capitão, e a Thunderbold, uma das naves mais
modernas da Frota.
- Sua "Capitã" sabe disso?
- Não, eu gostaria que quando chegarmos a Estação 26 nós nos
reuníssemos para discutir o assunto.
- Está bem Almirante, mas confesso que não gosto da situação.
- Eu também não, esta nave está cheia de calouros, e apenas quatro
Oficiais com experiência real em campo. Cinco se contarmos com a Tenente Comandante Donner.
- Que tal fazermos algumas manobras de guerra simuladas
quando chegarmos a estação 26? Do tipo, "Bobeou, dançou?"
- Igual a suas no Kobayash Maru?
- Oras, eu ganhei, não foi? E SEM TRAPACEAR, como alguém que
conheci.
- Sim mas, se fosse para valer, você não estaria aqui agora.
- Tudo bem - desistiu - comunicarei a minha tripulação para dar
aos seus alunos toda a experiência possível nas nossas paradas.
- Obrigado. E, quanto a bebida, me mostre na estação 26 como
se prepara.
Jevlack sorriu enquanto o Almirante terminava a transmissão.
O que mais faltava acontecer?
Doller observava com curiosidade seus registros. Não tendo nada
para fazer, ficou analisando os campos de dobra da Starfleet e da Thunderbold, tentando determinar as diferenças
entre ambos. Mas o que ele observava era uma estranha sincronia. Cada pequeno ajuste feito no campo de
sua nave para mantê-lo estável, era correspondido microssegundos depois pelo campo da nave de escolta, e
vice versa. Para todos os efeitos, era um reflexo perfeito. Só que eram constantes e inversas! O campo
de sua nave sofria sempre uma distorção de sobreposição, em que cada nacela repentinamente gerava seu
próprio campo de dobra, e não um em conjunto. Havia a correção e uma distorção idêntica ocorria na
Thunderbold. Esta corrigia e a Starfleet voltava a ter a mesma distorção inicial. Pareciam estar fazendo
algum tipo de jogo.
Talvez fosse um fato comum quando duas naves viajavam próximas,
de qualquer forma, iria perguntar ao engenheiro chefe quando tivesse uma folga.
- Bom - disse a Capitã - já que pelas próximas horas não há
nada especial para ser feito, quero falar um pouco com o Almirante, Matias, assuma.
- Sim senhora. Hã, pode me fazer um favor?
- Sim?
- Me conte a história depois.
- Combinado! - ela fez um sinal de positivo com a mão e saiu.
- Computador - disse quando entrou no turboelevador - onde está o
Almirante Stolh?
"O Almirante Stolh encontra-se na área recreativa dos oficiais número 2."
- Deck 6 - comandou.
Cumprimentou alguns tripulantes no caminho, agradeceu aos cumprimentos
de outros. Todos os que viam estavam empolgados. Alguns ficavam olhando pelas janelas o efeito da viagem do campo de dobra.
A sala de recreação estava bem tranqüila, apenas cinco oficiais - apesar de serem todos cadetes, pelas
notas e pontuações eles tiveram postos honorários nesta missão - e o Almirante. Na grande janela via-se o
efeito de estrelas sendo "esticadas" pelo campo de dobra, e, ao fundo, a Thunderbold. Era uma
visão magnífica. Lisa nunca tinha visto como uma nave aparecia viajando em velocidade de dobra antes.
Foi até a mesa em que estava o Almirante e sentou-se, pedindo
licença.
- Capitã! - fingiu surpresa - já está abandonando o seu posto?
- Eu decidi que preciso achar o que fazer durante a viagem, além
disso, o Capitão Jevlack disse algo que me intrigou.
- E o que seria?
- Algo sobre ele ser do século XXI. Ele também disse para lhe
perguntar sobre isso.
O Almirante sorriu.
- Você já olhou nos arquivos?
- "Assunto confidencial, necessária autorização superior."
- disse Lisa imitando a voz sintética do computador.
- É uma pena você não ser Capitã oficial. Mas posso ajudar um
pouco. Em 2095, foi lançada uma nave com um novo protótipo de motor de dobra. Fora criado por Zefram
Cochrane quando este estava em Alpha Centaury. Por algum motivo, não temos o registro de quem era o
piloto ou os seus acompanhantes, Sabemos apenas que era um humano e dois vulcanos. Tudo o que temos de
"oficial" foi que a nave desapareceu durante os testes.
- Algum motivo para isso?
- Parece-me que houve sabotagem nos motores de dobra. Houve
uma investigação e, depois dela, quase tudo foi retirado dos registros. Mesmo Jevlack não pode informar
nada sobre o assunto, exceto que foi escolhido pessoalmente por Cochrane.
- Pessoalmente? - os olhos da Capitã se iluminaram - Preciso
conversar com ele.
- Imaginei que diria isso. Crescemos ouvindo sobre o
"grande visionário".
"continuando, vinte e cinco anos atrás, uma nave de exploração
vulcana encontrou a nave a deriva no espaço. E, para surpresa geral, seus tripulantes estavam vivos.
Ocorreu uma falha na contenção de matéria e anti matéria e o sistema de segurança tentou conter os
elementos com campos de força, só que a tripulação ficou bem no meio daquela mistura. Seja como for, o
campo de dobra continuou funcionando, porém altamente deturpado, de tal forma que funcionou como câmara
de distorção temporal, em que o tempo dentro do campo passava muito mais lentamente do que fora, coisa
de 1 segundo por década - Aliás, a Federação chegou a testar esse tipo de animação suspensa, mas a
dispensou por ser cara demais."
"Desnecessário dizer que eles não ficaram intactos nessa
história. Afinal, mesmo em velocidade incrivelmente reduzida, os compostos de matéria e antimatéria os
estavam atingindo e matando!"
Lisa imaginou a cena por uns momentos, três pessoas imóveis
como em uma holofoto, sendo consumidos pela antimatéria. Estremeceu.
- Conseguiram salva-los com teleporte sincronizado com o
desligamento do campo de dobra. Um dos vulcanos acabou morrendo. Jevlack e o outro sobreviveram e
receberam próteses vulcanas para substituir os órgãos e membros perdidos. Jevlack tem uma pele com
sensores que dão a mesmas sensações que nós temos, embora possua travas de segurança para evitar sensações
fortes - como dor extrema.
-Quando despertou não se lembrava de nada, e os vulcanos o
batizaram de Jevlack, que, confesso, não sei bem o que significa, exceto que é uma onomatopéia fonética
para "despertado". Mesmo quando recuperou a memória, não quis dizer o nome verdadeiro, alegando
que quem vive de passado é museu!.
- Interessante. Pragmático como um vulcano.
- Ele recebeu treinamento da doutrina vulcana enquanto
permaneceu seis meses na nave de pesquisas. Tem sentimentos como qualquer humano, mas os controla quando
a situação o exige.
- E o que o levou a entrar para Frota?
- Ele era militar antes, contemporâneo da guerra de Alpha
Centary. Nada mais lógico que continuar com a carreira. Fez apenas um curso de reciclagem. E, na
simulação da Kobayash Maru, foi o único a destruir as naves Klingons. Claro que não cumpriu com a meta,
que era salvar a nave, voltar vivo e não causar uma guerra.
- Que parte ele não completou? - perguntou curiosa.
- Voltar vivo - respondeu o Almirante sorrindo - a nave ficou
inoperante e sem suporte de vida. Todos teriam morrido. Talvez tenha sido por isso que ele pediu mais
dois reatores de fusão na reforma da Thunderbold.
- A Frota permitiu que ele especificasse alterações em uma
nave espacial?
- A Thunderbold, quando comandada pelo Capitão Mendonça, foi
atacada por duas naves romulanas e sofreu sérias avarias. Jevlack, que assumira o comando quando da morte
do Capitão nesta batalha, destruiu ambas e salvou a Thunderbold. Com isso foi promovido a Capitão e teve
suas sugestões acatadas quando a nave foi rebocada para ser reparada.
- Um impressionante currículo - comentou Lisa.
- Sim, foi por isso que...
Foi completamente sem aviso. Primeiro, toda a sala começou a
vibrar, logo em seguida o sinal de alerta vermelho soou pegando a todos de surpresa. Os outros cadetes da
sala se entreolharam, atônicos e sem saber o que fazer diante da situação. Lisa imediatamente gritou
para que fossem aos seus postos e dirigiu-se com dificuldade para a ponte. Antes de sair da sala ainda
ouviu o Almirante dizer que não era nenhuma simulação.
A nave realmente estava em stress, em perigo eminente de se
despedaçar.
****
- Relatório! - gritou Jevlack acima do som da vibração que
aumentava em escala crescente.
- Nossos motores de dobra perderam a sincronia, cada nacela
está gerando o seu próprio campo. Estão sobrepostos e a nave está exatamente no centro. O leme não
responde. - respondeu Tirvik.
- Desligar motores! - ordenou.
- Motores não respondem!
- Todos os sistemas da nave estão apresentando falha devido
a distorção dos campos de dobra - informou Tirvik de seu posto.
- Nossa velocidade está aumentando! - gritou Oshiro - vamos
abalroar a Starfleet.
- Erguer escudos! Tenente Souza! Avise a Starfleet para mudar
o curso.
- Eles não respondem!
- Comunicação automática de emergência!
- Entendido!
Atendendo a comunicação automática, os computadores da
Starfleet completaram a ligação mostrando sua ponte na tela. Jevlack ficou boquiaberto. A Starfleet
estava em alerta vermelho, na mesma situação que eles. Lisa estava ouvindo as mesmas coisas que Terak
e Tirvik lhe disseram. E estava ordenando a engenharia que parassem os motores mesmo que tivessem que
destruir o reator principal.
- Capitão - chamou Terak - Os campos de dobra da Starfleet
estão na mesma situação que os nossos, se nos aproximarmos mais os quatro campos ficarão sobrepostos.
Jevlack viu que Lisa devia estar prestando atenção também a sua tela e
tinha ouvido Terak. Pois logo em seguida tinha ordenado a engenharia - da Starfleet - que os escudos
fossem expandidos ao máximo.
Os escudos de ambas as naves colidiram, causando um forte
impacto em ambas. Oshiro chegou a perder o equilíbrio, mas conseguiu se agarrar ao seu console.
- Os escudos estão em grande pressão! Os emissores da
Starfleet estão superaquecendo. Os sistemas gerenciadores estão reduzindo a expansão para compensar.
Sem controle de potência, nem de leme, a nave em aceleração
e os escudos de ambas não agüentariam a pressão por muito tempo.
- Terak! Preciso de uma teoria agora!!!!
Terak fez uma rápida análise nos dados de seu console.
- De alguma forma, os motores de dobra de ambas as naves
estão conectados. O que pode ter causado a distorção simultânea, já que não funcionam de forma idêntica.
Se conseguirmos parar um deles, é possível que o outro volte ao normal.
- Capitão! Estamos em dobra sete e subindo em uma curva de
aceleração exponencial! Ultrapassaremos a escala em menos de um minuto. - gritou Oshiro.
- Sala de transporte - disse Jevlack pelo comunicador -
focalize os reatores de fusão e teleporte-os para o mais distante possível da nave, SEM QUESTIONAR!
- Impossível executar - respondeu o operador - o sistema
está inoperante!
Jevlack olhou para a tela, Lisa deu a mesma ordem, e obteve a
mesma resposta. Fechou os olhos. Só havia mais uma coisa a fazer.
- Armar torpedos fotônicos, travar no suporte das nacelas da
Starfleet.
Lisa arregalou os olhos.
- Torpedos armados e travados. Capitão.
- Capitão - interveio Terak - eles terão de baixar os escudos,
e isso nos deixa 2.7 segundos antes dos campos se sobreporem.
- Tenente Souza, dispare quando possível - Jevlack dirigiu-se
a tela - Capitã, abaixe seus escudos.
- Mesmo assim - retrucou Lisa - as nacelas continuarão funcionando
por algum tempo. Vocês serão destruídos.
- Minha missão é proteger vocês! OBEDEÇA A ORDEM IMEDIATO
DONNER!
Lisa abaixou a cabeça, o Almirante e todos na ponte da
Starfleet aguardavam o seu comando. O comando que mataria a tripulação da Thunderbold.
- Senhor Doller - disse Lisa lentamente - abaixe os escudos.
- Sim, Capitã - respondeu, sentindo provavelmente o mesmo que ela.
- Armas inoperantes! - gritou desesperadamente Souza ao tentar disparar os torpedos.
Jevlack teve o que julgou ser o seu último pensamento em vida: E, não
foi uma viagem enfadonha...
****
Capítulo III
Foi como ser disparado por um canhão! A tela apagou-se, e a
luzes de emergência se acenderam no mesmo momento em que todos eram arremessados para traz. Oshiro passou
ao lado da cabeça do capitão colidindo com a parede logo atrás. Jevlack - graças as seus membros biônicos
- conseguira se firmar no seu assento. Viu todos os sinais de alerta piscarem em todos os painéis, incluindo
o do amortecedor de inércia e controle de gravidade. Isso explicava o porque da sensação de balançar de
um lado para o outro. A única coisa que funcionava era o áudio, e tudo o que ouvia por ele eram gritos
vindo da Starfleet, somados aos próprios gritos dos tripulantes de sua nave. O estranho era que a aceleração
não diminuía, continuavam sendo impulsionados para frente com uma velocidade crescente.
Por que? - rugia sua mente - porque estamos acelerando?
A vibração era tanta agora que tudo o que ele podia ver eram
imagens borradas, mesmo de seu próprio corpo. Um novo indicador surgiu no painel de controle de armas, os
escudos da Thunderbold finalmente cederam.
Bom, vamos bater e isso acaba.
Ao contrário, a aceleração ficou ainda maior! Se as naves colidiram,
nem foi possível sentir...
Isso não acaba mais?
Usando a força de suas próteses, Jevlack arrastou-se para o
console do navegador, tinha que haver um jeito de parar os motores. Chegando lá, depois de muito esforço,
digitalizou o painel de controle de fusão neste. Tentou tudo o que sabia para desligar os motores, nada
funcionava. Só podia controlar densidade do plasma pelos cristais dilítio.
O que acontece se eu botar mais matéria que antimatéria?
Teoricamente a nave explodiria, caso os sistemas de segurança
não desligassem o reator. Mas os sistemas estavam praticamente todos funcionando em auxiliar.
"Os motores de dobra estão conectados de alguma forma"
foi o que dissera Terak! O que diabos estava funcionando na nave que ainda podia permitir tal conexão?
O controle de dominação!
Sendo uma nave escolta, o controle de dominação da Starfleet
foi fornecido a eles caso precisassem assumir o controle desta numa emergência! Jevlack comandou no painel
a mudança do código da Starfleet. Se tivesse alguma relação, a Thunderbold pararia de monitorar a Starfleet
e os sistemas gerenciadores desta deveriam por tudo de volta no lugar. Antes de terminar o comando, porém,
a situação se inverteu.
Se antes era como ser disparado por um canhão, o que aconteceu
quando Jevlack estava efetuando o comando foi o mesmo que ter atingido uma parede de concreto. TUDO foi
arremessado para a frente, incluindo ele mesmo e o painel que estava segurando, ambos arremessados de encontro
a tela. A desaceleração demorou cerca de quatro minutos para encerrar-se.
Jevlack olhou ao redor da ponte, e viu o estado de seus oficiais.
Terak e Oshiro estavam desacordados, Souza sangrava pelas fraturas expostas em seu maxilar, Tirvik agarrava o
ombro - podia-se ver que quebrara o braço e algumas costelas - Mesmo ele não estava em perfeito estado,
seu braço esquerdo formigava, e, ao ver melhor notou que a pele sintética fora arrancada e os circuitos e
mecanismos estavam expostos - e levemente danificados. Por uma fração de segundo, imaginou o estado do
restante da tripulação, mas, logo em seguida, voltou a agir como o capitão que vai direto ao assunto.
Fez uma rápida checagem no estado da nave, para ver se as
comunicações internas ainda funcionavam e se o sistema auxiliar de transporte podia ser utilizado.
- Aqui é o capitão! Todos aqueles que tiverem condições,
devem deixar os sistemas em modo automático e cuidar dos feridos que estiverem próximos. Aqueles que
estiverem próximos das salas de transporte devem focalizar os feridos mais graves e transporta-los
diretamente para a enfermaria. Os demais devem evitar atrapalhar o trabalho dos médicos e auxilia-los
assim que possível. Engenharia, assim que possível quero saber o que é mais rápido ser reparado, sensores
ou comunicações externas.
Alguns minutos depois, Oshiro, Tirvik e Souza eram teleportados.
Os outros não deviam estar em grave estado, ou deviam estar mortos. Mas isso era fácil verificar. Terak
estava com hematomas, talvez algum osso quebrado, mas vivo e respirando. O alferes Dilow, que substituía
Oshiro quando este tinha de se ausentar da ponte estava com o pescoço quebrado, Margô - substituta de
Terak - tinha uma torção nos quadris.
Bom, a nave estava morta no espaço, ele precisava de Terak
agora, assim foi acorda-lo.
- Capitão? - Terak disse após olhar ao redor - qual a nossa
situação?
- Me diga você, tudo que pude descobrir é que a nave está
estruturalmente intacta e a tripulação deve estar muito mal.
- Baixas?
- Dilow! - Jevlack estava cuidando de Margô com o equipamento
de primeiros socorros - Mas com certeza teremos mais.
- "Capitão" - soou a voz pelo comunicador -
"aqui é o auxiliar de Engenharia Anderson"
- Prossiga!
- A Engenheira Jeena está morta, respondendo a sua solicitação, podemos ter 10% de sensores em 15 minutos.
- Execute!
- Aqui é o capitão para todos os chefes de pessoal, quero um
relatório da situação em uma hora. Doutor Simon, selecione alguns alferes e os instrua a fazer a
estatística clínica da tripulação, não quero atrapalhar o seu trabalho.
- Fico agradecido! - respondeu o doutor, elevando a voz para
ficar acima dos lamentos dos pacientes.
- Creio que todas as enfermarias estejam lotadas. - Comentou
Terak, enquanto tentava obter dados sobre a situação da nave em seu console.
- Falando nisso, qual o seu estado?
- Melhor que o seu, posso garantir - respondeu referindo-se
ao braço do Capitão.
- E, com toda certeza, melhor que a da StarFleet. Capitão!
Ainda estamos em dobra 5!
- Desligue imediatamente! Qual o curso? - Jevlack olhou para
o console arrancado do navegador - Esqueça, me diga depois que o computador principal voltar a operar.
****
O comandante Soer patrulhava o setor em seu Assalt Gunboard,
e estava satisfeito por não ter detectado nada na última hora. De acordo com o plano era vital que os
rebeldes não soubessem para onde estavam indo.
- General Gala - chamou pelo rádio.
- O setor está limpo.
- Excelente - veio a resposta - aguarde a nossa chegada.
Tirou as mãos do manche e desligou os motores. Poderia
descansar por alguns minutos. Súbito, soou o aviso de que uma nave desconhecida estava saindo do hiperespaço.
Não acredito! Pensou.
Olhou na direção em que vinha a nave e acionou o computador
para tentar identifica-la, sem sucesso. Observando a nave localizada a 120 quilômetros de distância, não
conseguiu reconhecer o seu desenho. Tinha um disco grande e mais dois cilindros atrás, todos ligados a
uma espécie de trapézio, pelo menos a forma com lhe parecia. Os sensores não conseguiam determinar o tipo de
material que compunha sua fuselagem. Ligou para o general.
****
Margô tinha acordado, e queixava-se de fortes dores.
- Terak, quero que você primeiro descubra o que aconteceu,
onde estamos, e onde está a Starfleet. Pelo que lembro quando estava no posto de Oshiro, estávamos além
de dobra 10. Vou querer saber como conseguimos uma energia "infinita" para fazer isso. - Jevlack
não queria pensar sobre o quanto podiam estar longe da federação naquela velocidade.
- Sim senhor.
- Forneça-me os dados iniciais em uma hora, na sala de reuniões.
Margô foi teleportada para a enfermaria. Os casos gravíssimos já
deviam ter sido atendidos - os que sobreviveram.
****
O Destróier Estelar Invictor saiu do hiperespaço 45 minutos
depois que a Thunderbold fora localizada por Soer. Como ordenado, Soer mantivera posição. Na ponte de
comando, o General Gala ouvia os relatórios iniciais sobre a nave desconhecida.
- A nave não respondeu a nenhuma de nossas transmissões.
Tem cerca de 400 metros de comprimento. Composição da estrutura: desconhecida, fonte de energia:
desconhecida. Captamos anti matéria dentro da nave, mas não conseguimos identificar como ela está contida.
A nave aparentemente tem escudos em sua estrutura, assim como os nossos, mas são de um tipo desconhecido.
Detectamos um hangar, mas parece ser pequeno, em relação a nave. Desta distância, não podemos obter mais
dados.
- Nossa posição para novo salto no hiperespaço fica a três
quilômetros daquela nave. Vamos nos aproximar - ordenou - Tenente, deixe quatro esquadrões de Tie-Bombers preparados.
- Sim senhor!
- Avise o Comandante Soer para ele fazer um vôo de reconhecimento sobre a nave.
E comunique-se com o comando do Império. Nossa missão é vital e não podemos nos desviar dela. Dentro de 17 horas
devemos sair daqui!
Soer não gostou nem um pouco, mas ordens eram ordens. Pôs a
nave em 2/3 de força e seguiu em direção a Thunderbold. Levaria cerca de 30 minutos para alcança-la.
****
Na hora pedida, Jevlack, Terak, um enfermeiro representando o
doutor Simon e o agora Engenheiro Chefe Anderson estavam na sala de reuniões. No centro da mesa aparecia
um holograma do setor, pelo menos até aonde os sensores podiam alcançar no momento. A Starfleet não tinha
sido localizada.
- Situação geral - pediu Jevlack.
- Estão inoperantes: sensores de curto alcance, escudos,
capacidade de manobras, velocidade de dobra, comunicações, 63% dos sintetizadores de alimentos, 80% dos
sintetizadores médicos, 75% dos sintetizadores de equipamentos, 8 turboelevadores, a trava de armas, o
computador principal e o suporte de vida funciona no manual - informou Anderson.
- Agora me dê as boas notícias, se é que sobrou alguma.
- Não temos problemas estruturais, basicamente precisamos
recuperar os chips isolineares de processamento dos computadores, que foram seriamente danificados.
Felizmente, temos os esquemas deles intactos, e a memória arquivada dos sistemas sofreu danos mínimos.
- Quanto tempo para recuperar o computador principal?
- 23 horas - respondeu Terak.
- E os demais sistemas?
- Calculamos 4 dias para reparar tudo.
- Quero escudos e capacidade de manobras em uma hora.
- Capitão - interveio Terak para alívio de Anderson, que ainda
não estava acostumado a pressões daquela natureza - é impossível sintetizar os chips necessários nesse
período.
- Não pedi para sintetizar nada - disse Jevlack sério - disse
que quero escudos e leme em uma hora. Temos um monte de chips nos sistemas auxiliares, monte alguma coisa com eles.
Terak ficou pensativo.
- Se sintetizarmos apenas os chips para reparar o comando manual - disse a Anderson - poderá ser feito a tempo.
- Sim - concordou - creio que sim.
- Ótimo, depois disso, priorize as comunicações e os sensores de curto alcance.
Quanto aos sintetizadores, cuide primeiro dos médicos, depois dos de equipamentos de reparos. Se não tiver
mais nada, pode ir. Quero relatórios a cada hora.
- Sim senhor - disse Anderson, levantando-se e saindo da sala.
- Terak, em quanto tempo podemos determinar a nossa posição?
- Preciso dos sensores 100% operacionais para isso. Estamos obviamente em área inexplorada - indicou o holograma -
a área que podemos mapear não existe em nenhum de nossos bancos de memória.
- Muito bem, enfermeiro Ferreson, qual o seu relatório?
- Tivemos 62 baixas, 44 estão em estado gravíssimo, 218 em
estado grave, porém fora de perigo, 257 apresentaram fraturas diversas, todas já medicadas, os 73 restantes
ainda não quiseram se apresentar na enfermaria, devem estar ilesos ou com ferimentos leves, como o senhor e o senhor Terak. O doutor pediu para que o
senhor ordene a cerca de 120 tripulantes que foram dispensados para se recuperar em seus aposentos para que obedeçam as ordens médicas.
- Como? - Jevlack olhou interrogativo para ele.
- Bem - ele estava embaraçado - parece que todo tripulante que é dispensado, ao invés de descansar 6 horas nos aposentos se apresentam aos seus superiores perguntando o que podem fazer.
Jevlack sorriu.
- Diga ao doutor que darei esta ordem quando possível.
- Sim senhor! Posso ir agora?
- Já terminou o relatório?
- Desculpe-me, 60% da tripulação não terão condições clínicas para trabalhar pelas próximas seis horas.
- Qual o tempo total para recuperação deles?
- Por três dias, teremos apenas 206. Pelas fichas clínicas.
- Obrigado, pode ir.
- Sim senhor.
-62 mortes!
- Terak, baseado na nossa situação, como imagina que esteja a Starfleet?
- Posso apenas supor que, no mínimo, estejam na mesma situação que a nossa.
No entanto, não devemos descartar a hipótese de que tenha sido destruída, e que, tenha sido justamente essa a causa de
estarmos vivos. Pelos registros que consegui obter, nossos motores realmente estavam trabalhando em conjunto,
apesar de forma errática. Também é possível que a própria intensidade da distorção dos campos de dobra tenha rompido este elo.
Realmente não tenho mais o que supor logicamente com os dados que tenho.
- Em quanto tempo pode acionar o computador principal parcialmente?
- Em quatro horas.
- Execute. Ache a Starfleet, mas, primeiro, ache onde nós estamos. Dispensado.
Terak saiu deixando o capitão observando o holograma.
****
Soer já estava exausto de tanto circundar a nave. Nenhum movimento
fora feito por ela nas últimas 6 horas. Ao aproximar-se de algumas vigias, tentava ver algum sinal de
vida, mas nada aparecia. Era como uma nave fantasma. O Invictor estava parado a 3 quilômetros de distância.
Provavelmente aguardando ordens do Império sobre o que fazer com a nave estrangeira.
- Comandante Soer - chamaram pelo rádio - retorne a Invictor
e apresente-se ao General Gala.
Até que enfim! 25 minutos depois, Soer encarava o general.
- Soer, quando partirmos, você ficará vigiando a nave até que
chegue um Interditor. Ao que tudo indica esta nave tem uma tecnologia que interessa ao Império e está,
por algum motivo desabilitada. Suas ordens são para desabilitar a nave caso ela faça algum movimento.
Terá um esquadrão de Assalt Gunboard para isso. É tudo. Descanse agora.
- Sim senhor - respondeu sem nenhuma satisfação.
Foi aos seus aposentos, jogou o seu capacete na cama e socou
a parede. Ninguém sabia o objetivo da missão, muito menos quanto tempo duraria. O aparecimento desta
nave não podia ter sido em pior hora! Ele tinha pressa em voltar a capital do Império. Tinha que se
vingar daquela escrava que ousou desafia-lo e fugir com os rebeldes.
Soer era filho de nobres do planeta Duran, acostumado a ter
tudo o que quisesse desde a infância, era mimado e extremamente prepotente. Mas era inteligente e
habilidoso também. Decidiu servir no Império, em parte para se sentir poderoso, podendo exigir e oprimir
qualquer um que fosse seu subalterno, e em parte porque gostava de ser militar. A forma de agir do
Império não era diferente da dele, todos são tolos, precisam ser comandados, a força se preciso.
Mas aquela escrava - ele nunca se referiu a ela pelo nome,
objetos não precisam ter nome - conseguiu escapar dele. Tinha-a recebido como parte do pagamento de uma
divida do pai dela. Uma linda mulher de cabelos negros.
Ela era sua propriedade, assim como os muitos servos na casa
de seus pais, portanto poderia fazer com ela o que quisesse. E por anos o fez. Mas, um dia, ao chegar em
casa, ela o atacara e fugira! Soubera depois que tinha sido resgatada por rebeldes, e que agora era uma
de suas comandantes.
Jurou encontra-la, acorrenta-la e dá-la como brinquedo a
Jabba, não sem antes dar-lhe o prêmio por sua ousadia. E iria faze-lo, assim que tivesse oportunidade.
Era rico, havia contratado caçadores para localiza-la e captura-la. Mas queria assistir a tudo. Por
isso queria voltar a capital. Eles a tinham localizado e apenas aguardavam que ele estivesse disponível
para efetuar a captura. Foi quando foi escalado para essa missão.
Soer era prepotente, mas não tolo. Sabia as conseqüências se
desertasse. Assim aceitou a missão, com a promessa de ter um mês de folga para resolver seus "assuntos pessoais".
Ordenou aos caçadores para não perde-la de vista até que retornasse. Pagou o dobro para isso.
Deitou-se na cama e dormiu. Programou o computador para
despertá-lo no horário.
****
Capítulo IV
A Comandante Lauriel chegou ao hangar 15 minutos antes da hora marcada para sair, como era de costume. Andou lentamente, observando as equipes fazendo o seu eterno trabalho de recuperar os caças rebeldes, que, quando retornavam - isso se retornavam - de uma batalha, sempre necessitavam de reparos. Sentiu o cheiro de solda no ar, de metal derretido, resíduos de plasma saídos de motores íons em reparos. Sentia-se em casa.
- “Olha só isso!"
-“Mais dois milímetros e acertavam o traseiro do piloto"
Os comentários sobre as avarias eram sempre jocosos...
Chegou defronte de sua nave, um a-wing do grupo vermelho, o rapaz da manutenção estava checando os sistemas.
- Comandante - disse quando a viu - seu pássaro está pronto.
- Obrigada - respondeu cordialmente.
Lauriel pôs o capacete e testou o sinal. Subiu ao cockpid e sentou-se. Gostava de fazer as verificações finais pessoalmente, e todos na nave Liberdade sabiam disso.
Escudos, turbolasers, mísseis de concussão avançados, hiperdrive, assento ejetor, leme... Mentalmente fazia um "check" em cada sistema que poderia precisar durante a missão. Teria mais um a-wing como acompanhante e três y-wings para dar cobertura em caso de necessidade.
Olhou para o painel e viu o resumo da missão:
"Duas horas atrás, em patrulha de reconhecimento, o esquadrão amarelo localizou uma nave desconhecida a cinco mil quilômetros de distância. A Liberdade não poderá ir em sua direção, pois, se o fizer, ficara a 6 horas de qualquer janela para o hiperespaço possível, e temos que estar na base de Tundra em dois dias, para integrar a frota de ataque."
"O Comando rebelde interceptou transmissões do Império e descobriu que outra nave com design similar fora localizada por eles. Assim como esta. Aparenta estar desabilitada e não responde a nenhuma transmissão."
"Sabemos, pelas transmissões, que as naves não pertencem ao Império, e são totalmente estrangeiras. O Imperador pessoalmente ordenou que a nave por eles localizada fosse capturada e sua tecnologia analisada. Não podemos deixar que eles tenham mais essa vantagem sobre nós."
"Dois a-wing e três y-wing serão enviados para observar a nave. Enviaremos a nave Exceler com material de pesquisa. Ela deverá chegar doze minutos após vocês estarem na área."
"Não devem, em hipótese alguma, provocar quem quer que esteja a bordo da nave desconhecida, porém, se ela tentar escapar, devem imobiliza-la. A Exceler está sendo equipada com computadores avançados para traduzir a linguagem dos alienígenas. Tentaremos estabelecer contato e negociar um acordo de trabalho conjunto. Eles devem estar com problemas, só isso justificaria essa estranha imobilização. Ofereceremos ajuda em troca de conhecimento."
Novamente, Lauriel se questionou sobre o porque de ter sido escolhida para liderar a missão. Era uma guerreira, não diplomata! Se a tecnologia deles for realmente superior, qualquer erro na comunicação poderá faze-los atacar.
Pensou como seria estar no lugar deles. Olhar pela escotilha e ver cinco naves desconhecidas rodeando-a, e, alguns minutos depois, uma nave tão grande quanto a sua, saindo do hiperespaço.
Maneou a cabeça. Teria atacado se fosse com ela. Maldita guerra!.
-“Comandante Lauriel?"
- Sim? - respondeu ao chamado do General Karakyr.
-“Está liberada para partir, que a Força os acompanhe."
- Obrigada! - ela não acreditava na Força, a única força que confiava, era a de uma arma.
Soou o sinal no hangar, pedindo que a área de decolagem fosse liberada. Sempre existe correria nesse momento. Mecânicos, pilotos, droides, qualquer um que estivesse no caminho saia correndo.
Fechou a carlinga e decolou, levantando os trens de pouso em seguida. Alguns segundos depois, sua companheira posicionou-se ao seu lado. A direita, um pouco abaixo, os y-wings os acompanhavam, mantendo a formação 4.
- Silêncio no rádio. - comandou.
Atrás deles, a nave Liberdade manobrava para entrar no Hiperespaço.
Dentro de 9 horas, chegariam na USS Starfleet.
****
Lisa abriu os olhos e viu o rosto - com hematomas - do Engenheiro Chefe Carlos. Sentia dores no corpo e certa tontura.
- Senhor? - tentou se levantar, mas foi detida pela enfermeira.
- Tenha calma, você levou uma pancada forte na cabeça.
Olhou ao redor, agora tinha reparado nos lamentos que chegavam aos seus ouvidos. Estava na enfermaria. Todas as camas ocupadas, haviam pacientes com lesões menos graves sentados no chão, sendo atendidos por toda espécie de tripulante. Alferes, tenentes, médicos, não havia distinção, parecia que bastava possuir conhecimento de primeiros socorros. Ainda foi preciso uns momentos para colocar os pensamentos em ordem e se lembrar do que tinha ocorrido.
- Estamos vivos? Como saímos da distorção de dobra?
- Destruímos o reator, como tinha ordenado. Os phasers de mão não funcionavam, por isso teleportamos uma bomba de retardo para a cúpula externa do reator. Foi a salvação, logo em seguida os transportes não foram mais capazes de focalizar nada.
- E a tripulação? - olhava novamente para os pacientes.
- Até o momento, 34 baixas, incluindo o almirante.
- O QUE? - A enfermeira não pode conte-la desta vez - como?
- Tenha calma! Antes de morrer, ele a promoveu a Capitã. Todos os oficiais honorários foram efetivados em seus postos. Ele forneceu-me os códigos de liberação dos sistema gerenciadores para que tenhamos o controle total da nave, se bem que temos que esperar até o computador principal voltar a operar.
Promovida? Era muita coisa para assimilar. Nada na academia, nem na sua experiência própria a preparara para uma situação como esta. Comandar uma nave inoperante, com provavelmente toda a tripulação com ferimentos. "Apesar de ser humano, ele controla suas emoções quando a situação o exige" As palavras do almirante lhe vieram a mente. Ela era a Capitã em definitivo agora, e tinha a responsabilidade de resgatar a nave.
- Qual a situação da nave?
- Todos os sistemas principais inoperantes, 15% dos auxiliares também. Temos transportes, suporte de vida e escudos, mas não temos energia para mantê-los.
- E quanto ao reator?
- Sintetizamos uma nova cúpula e a estamos instalando agora. Devemos acabar em 20 minutos. Teremos 80% de força em uma hora.
Lisa se levantou, apesar dos protestos da enfermeira.
- Vocês precisam de vagas - disse a ela - Tenente, algum sinal da Thunderbold?
- Não. Olhamos por todas as vigias disponíveis, e ninguém viu nenhum sinal deles.
- Qual a prioridade que tinha montado para depois que o reator voltasse a funcionar?
- Nenhuma ainda. Esperava que a senhora já estivesse desperta.
- Então ponha o pessoal disponível para consertar as comunicações externas. Precisamos saber se a Thunderbold sobreviveu. Me dê um relatório dos danos e os tempos estimados para reparos.
- Terei em meia hora.
- Ótimo! A propósito, quanto tempo fiquei desacordada?
- Doze horas, Capitã.
- Obrigada. Volte ao seu serviço.
- Sim senhora.
Bom, finalmente o primeiro comando por conta própria!
- Enfermeira, peça ao doutor para compilar a situação do pessoal, preciso saber quantos tripulantes estarão afastados, e por quanto tempo.
- Sim, Capitã.
Considerando tudo o que passaram, a nave estava em excelentes condições. A recuperação total foi calculada em 5 dias, sendo que em 20 horas estariam operacionais de novo. A Energia já estava restaurada, Lisa mandou que os escudos fossem levantados.
Tudo o que faltava era recuperar as centenas de chips isolineares danificados. Em duas horas teriam visão externa, em cinco o leme, quase que ao mesmo tempo em que teriam os sensores de curto alcance. Os de longo alcance só seriam recuperados em vinte horas. O computador principal já estava parcialmente recuperado. Carlos forneceu os códigos e os sistemas gerenciadores - os que ainda funcionavam - se desligaram. Os sintetizadores médicos eram prioridade no momento. As comunicações estavam semi - operacionais - Doller juntara alguns chips de sistemas auxiliares, misturara com outros de sintetizadores e conseguiu achar um "atalho" para desviar do sistema danificado - porém não conseguiram até o momento - 19 horas depois do incidente - contato com a Thunderbold.
No entanto captaram muitas outras transmissões, incompreensíveis. O Tradutor universal era a última coisa na agenda, Lisa o pôs logo depois dos sintetizadores. Aquelas transmissões a lembrou que ninguém sabia aonde estavam - ultrapassaram a dobra 10 - mas que não era território deserto. Além disso, dos 412 cadetes que estavam na nave, apenas 104 estavam em condições satisfatórias para efetuar os reparos. Teriam de esperar dois dias para terem mais 200.
- Tenente Carlos - chamou pelo comunicador - Como estão as armas e os sensores?
- Já temos os torpedos fotônicos, os phasers vão demorar mais, apesar de termos energia. Quanto aos sensores, podemos ativa-los em cerca de 40 minutos, muitos dos tripulantes que deviam ficar descansando estão ajudando.
Lisa preferiu não pensar no que o doutor iria dizer se soubesse.
- A propósito Capitã, o tenente Doller pediu para que quando possível você o encontrasse no observatório.
- Entendido.
Doller tinha se encarregado de determinar a posição em que se encontravam depois de ativar as comunicações.
****
Lauriel estava pensativa. Ainda faltavam 2 horas para alcançar a nave, mas nos últimos 20 minutos estava captando transmissões. Transmissões vindas da nave. Talvez estivessem em código, talvez não, mas era diferente de tudo o que já tinha captado antes. Parecia que era enviada pelo subespaço, mas seu equipamento não tinha capacidade para confirmar isso. Seja como for, não conseguiu entende-la, se era em código não era muito sofisticado. Mas era mais que o suficiente para ser uma língua desconhecida.
Um movimento ao seu lado lhe chamou a atenção. Era Ígnea, sua acompanhante. Ela gesticulava apontando para o rádio, e Lauriel indicou era para permanecer o silencio que ordenara. De repente, Ígnea gesticulou, indicando algo a sua esquerda.
Lauriel se virou, e viu o comandante Bernard mostrando uma pasta, onde se lia "não deveríamos avisar ao comando que a nave está transmitindo?" Ela pegou sua pasta e escreveu "Se eles podem transmitir, também podem captar" e mostrou para ele. Ele fez um sinal afirmativo e voltou para a formação.
Nada podiam fazer agora a não ser seguir em frente!
- Sim Doller? O que você quer que não podia ser dito pelo comunicador?
Doller se virou para ela, estava com um binóculo de alta potência nas mãos.
- Capitã - ele parecia extremamente preocupado - olhe na posição 3-3-22
Lisa pegou o binóculo e através da grande janela olhou para a posição indicada. Viu cinco pequenas naves vindo em direção a Starfleet.
- Enquanto analisava os registros de nossa viagem, notei algumas estrelas se movendo - disse Doller, enquanto ela ainda observava - Devem nos alcançar em menos de duas horas.
Lisa devolveu o binóculo e ficou pensativa. Olhava para as estrelas fixamente.
- Capitã? - Chamou Doller.
- Engenharia - disse Lisa pelo comunicador - quero todos trabalhando em sensores, leme, armas , visão externa e o tradutor universal. Quero eles funcionando em 90 minutos!
Lisa olhou para Doller.
- Bom, parece que chegou o batismo de fogo - comentou com um sorriso amarelo - vamos para a ponte.
"Diário de Bordo, Data estelar desconhecida: A Starfleet e a Thunderbold entraram em uma dobra impossível devido a um problema ainda desconhecido nos motores de dobra de ambas as naves. Mais de 80% da tripulação sofreu ferimentos devido ao forte aceleração a que fomos submetidos. Tivemos até o momento 35 baixas, incluindo o Almirante Stolh. Não temos contato com a Thunderbold desde o incidente, estamos em um setor não mapeado, com vários reparos para serem executados nos sistemas da nave e detectamos naves desconhecidas se aproximando em velocidade sub-luz. A fuga é impossível, pois não temos como manobrar em velocidade de dobra. Uma vez que ainda não temos como nos comunicarmos com os alienígenas, estamos nos preparando para um possível confronto."
"Meu primeiro registro sendo realmente a Capitã! Espero que não seja o último." Pensou lisa enquanto observava a tela com as naves se aproximando. Doller estava no posto de navegador, a alferes Diana no comando das armas, o alferes Lamark no painel de comunicações, Mateus no console do oficial de ciências, e Lisa em seu posto de Capitã. Não havia ninguém como suplente, na verdade não havia pessoal disponível.”
- Senhor Doller, situação de navegação.
- Leme respondendo, motores de impulso também.
- Alferes Diana?
- Torpedos fotônicos operacionais, trava de armas também, dois bancos phasers ainda inoperantes. Ainda não temos tático, sensores de longo alcance e mapeamento do setor.
- Mate us, o que temos sobre aquelas naves?
- Chegarão em 15 minutos Capitã, os sensores ainda não tem eficiência suficiente para uma análise mais detalhada, mas elas possuem armas de design paralelo aos disruptores romulanos. Sua fonte de energia é desconhecida, mas gera uma grande força para o seu tamanho. As naves maiores tem 20 metros de comprimento e dois tipos de disruptores, não tenho como precisar o porque da diferença. Carregam 8 mísseis cada. As menores tem 10 metros, possuem 6 mísseis, de um tipo diferente. E, Capitã, elas possuem escudos.
Naves de 10 metros com escudos?
- Muito bem. Doller, toda força de impulso a frente. Vamos nos afastar.
- Sim Capitã.
Lauriel observou atônita quando a nave começou a se mover, fugindo deles. Eram incrivelmente rápidos!
- Atenção todos! - Lauriel quebrou o silencio do rádio - a nave estrangeira está fugindo de nós! Bernard! Sabe o que fazer, desabilite aquela nave.
- Entendido, esquadrão amarelo, armar os torpedos próton, abaixem os escudos da nave.
- Lembrem-se - avisou Lauriel - em menos de dois minutos a nave Exceler chegará a frente deles. Com certeza imaginarão que é um ataque hostil!
- Capitã! - informou Mateus - as naves aumentaram a velocidade e estão se aproximando! Tempo estimado - olhou para as leituras - dez minutos.
- Mateus, temos como disparar os phasers apenas o suficiente para abaixar os escudos deles?
- Creio que sim Capitã, mas eles têm que estar mais próximos para que eu tenha uma leitura precisa do nível necessário, senão os vaporizaremos.
- Me avise quando for possível. Alferes Diana, travar os phasers nas naves.
- Sim. Capitã!
- Capitã! - disse Diana em seguida - uma nave está saindo de velocidade de dobra na nossa frente.
Lindo! - Pensou Lisa.
- A nave tem cerca de 400 metros de comprimento Capitã - acrescentou Matias.
- Análise!
- Um momento - Matias usava freneticamente o seu painel - A nave tem vários canhões disruptores idênticos aos das naves menores, porém com um pouco mais de potência. Estou identificando outras naves pequenas dentro dela - Matias se virou para Lisa - Capitã, algumas são iguais as que estão nos perseguindo.
- Estão bloqueando o nosso caminho Capitã, e as outras naves estão muito próximas para nos desviarmos - informou Doller.
- Parada total. Matias, que danos as armas deles podem nos fazer?
- Nossos escudos podem resistir a elas. Mas tudo irá depender da intensidade do ataque.
- Nesse caso, vamos esperar. O próximo passo será deles.
- Bernard! - chamou Lauriel - Eles pararam, cancele o ataque. Vamos circular ao redor deles.
- Entendido.
A bordo da Exceler, o General Sornim ponderava sobre a situação. Estavam a 150 metros de distância de uma nave desconhecida que podia se mover quase tão rápido quanto um y-wing.
- Análise da nave - solicitou.
- A nave possui escudos poderosos, não identificamos canhões ou armas externas, pelo menos nada que se pareça com os nossos. Parece possuir dois lançadores na base da coluna dorsal que une o disco ao corpo. Se forem mesmo lançadores, seus mísseis devem ser devastadores para nós.
O General estremeceu. Ao saírem do hiperespaço cortaram o caminho deles, dando a impressão de emboscada. O pior era que estavam bem em frente aos supostos lançadores.
- Captamos anti matéria na nave, e uma incrível energia! Comparável a dos geradores do Executor. Existem 6 pares de dispositivos no disco da nave que poderiam ser disparadores de algum tipo, em pelo menos 4 deles existe uma fonte de energia ativa.
- E quanto as - ele não sabia como chamar aquilo - coisas também ligadas ao corpo da nave?
- Não sei dizer senhor, exceto que, no momento, parecem estar inativos.
Sornim ficou olhando para o monitor, pensando em como proceder.
- Comandante Lauriel - chamou - alguma informação para nós?
- Sim General, captamos transmissões vindas da nave, creio que podemos nos comunicar com eles.
- Muito bem, tentaremos entrar em contato, espero que nossos tradutores funcionem.
- Capitã - disse Matias - a nave maior está transmitindo um sinal em varias freqüências ao mesmo tempo. É possível que estejam tentando se comunicar, mas não temos como traduzir a mensagem.
- Talvez eles tenham, abra todos os canais.
- Pronto Capitã!
- Aqui é a Capitã Donner da USS Starfleet, da Federação dos Planetas Unidos, não temos intenções hostis. Estamos nesta área por acidente, se invadimos seu território, não foi intencional. Se podem nos compreender, respondam por favor.
- General, eles estão transmitindo algo nas mesmas freqüências que usamos, nosso tradutor conseguiu traduzir algo, vou por no áudio.
"....Federação .... Unidos ..... Hostis ..... acidente.... território .... intencional ... favor."
- A língua deles é muito diferente, mas tem pontos em comum com a nossa. Se mandarem mais palavras, poderemos traduzir com certeza.
- Retransmita o que pudemos traduzir.
- Sim Senhor.
- Capitã, estão retransmitindo parte do seu comunicado, parece que não o entenderam completamente.
- Nesse caso, transmita imagens e palavras correspondentes. Vamos torcer para que possam entender.
- Com o computador principal operando em 43% não vai ser muito rápido - comentou Matias.
- Bom, não temos mais o que fazer, e quando acabar a transmissão, estaremos totalmente operacionais, incluindo o nosso tradutor. Transmita em código cifrado uma mensagem relatando a nossa situação para a Thunderbold e repita essa mensagem até segunda ordem.
- Entendido Capitã. A transmissão demorará... 4 horas.
Lisa se lembrou do treinamento para contato com raças alienígenas, sobre a dificuldade de se comunicar com eles no caso do tradutor universal estar inoperante ou a linguagem não ser em forma fonética. Se retornasse para casa, teria coisas novas para ensinar.
****
Capítulo V
"Diário de Bordo, data estelar 3325.3, devido a um acidente ainda sem explicação satisfatória, ultrapassamos a dobra máxima e agora nos encontramos em território totalmente desconhecido. Temos apenas 40% de pessoal disponível para fazer os vários reparos necessários em nossos sistemas, os quais necessitamos para determinar nossa posição, localizar a USS Starfleet e encontrar uma forma de voltarmos ao espaço da federação. Agravando ainda mais a nossa situação, a equipe de manutenção enviada para reparar os sensores de curto alcance do lado externo da nave, localizou uma nave desconhecida mantendo posição a cerca de três quilômetros de distância. Posso no momento apenas supor que invadimos o espaço de alguma raça alienígena e que esta nave foi enviada para nos observar."
Jevlack olhou para Tirvik, que, contrariando as ordens médicas estava ajudando nos reparos dos sistemas da ponte. Estava com uma tala no braço ferido, e, por várias vezes, demonstrara dor ao usa-lo. Graças a interligação de todos os sintetizadores da nave pelo computador principal, a capacidade de criar as peças necessárias se multiplicou enormemente. Segundo o novo prognóstico, estariam totalmente operacionais em menos de duas horas.
O mais demorado seriam os sensores e as comunicações, isso porque estes equipamentos, além de terem os sistemas de controle danificados, também foram danificados externamente por estilhaços. Estilhaços estes identificados como sendo da Starfleet, mais precisamente da cúpula do reator.
- Tente o circuito a-4 novamente - pediu o chefe da equipe que estava reparando os sensores do lado de fora a Tirvik.
- Agora está funcionando - respondeu - já podemos localizar a nave alienígena.
- O que pode obter sobre ela? - perguntou Jevlack se aproximando.
Terak foi até o seu console e iniciou algumas leituras.
- Apenas a distância e dimensão. Está a três mil e duzentos e 9 metros de nós e tem novecentos e quatro metros de comprimento. Capitão! Existem dezenove naves menores circundando a Thunderbold.
- Como? Na tela!
Na tela via-se uma estranha configuração de nave. Era uma esfera - onde devia estar o piloto - ligada a dois painéis hexagonais.
- Todas as naves localizadas são variações desta - completou Terak.
A tela foi dividida em três. Uma outra nave tinha dois cilindros ligados a painéis similares as da primeira. A terceira nave tinha como diferença significativa apenas os painéis, em forma de pinça.
- Nossas armas?
- Todas operacionais agora - respondeu o alferes Thompson.
- Circuito a-8 - solicitou agora o chefe de manutenção.
- Testando. Operacional. Fontes de energia. - respondeu Tirvik olhando para o Capitão.
- Terak?
- Um momento senhor.
Jevlack ordenara que os sensores fossem restaurados para poderem determinar o verdadeiro perigo que estavam enfrentando. Para isso precisavam de, no mínimo, calculo de distâncias, identificação espectrográfica de energia e análise de ressonância induzida.
- A nave possui três reatores de energia, um dentro do casco e dois do lado externo. - disse Terak após uma análise inicial - São as esferas no topo do que parece ser a ponte de comando. Possui escudos que seguem as linhas da nave, e estes escudos parecem ser mantidos pelos dois reatores externos. Seus escudos são comparáveis aos nossos.
- Não me parece ser uma boa estratégia - comentou Tirvik.
- Creio que a causa seja a radiação gerada por estes reatores. Se estivessem no interior da nave, matariam todos os tripulantes. Aparentemente eles ainda não descobriram os campos de contenção. Existem centenas de armas parecidas com disruptores ao longo do casco, inferior e superior. Dois deles em especial são muito grandes. Todos estão energizados.
- Não estou surpreso - disse Jevlack - continue.
- As pequenas naves parecem ter como fonte de energia um reator de íon. Tem 10 metros de comprimento e parecem ser demasiado frágeis. No entanto, também possuem disruptores e são mais poderosos que nossos phasers de mão. Em uma analogia, diria que seriam caças protegendo um porta aviões.
- Capitão - chamou Thompson - estou captando uma outra nave com o mesmo formato triangular desta se aproximando em dobra 3. Deve chegar em 40 minutos.
Os sensores de longo alcance foram deixados de lado, ainda podiam ver apenas 10% da capacidade total. Um risco calculado.
- Muito bem, quando poderemos falar com eles?
- Em mais 30 minutos senhor - respondeu Tirvik.
- Capitão, as naves pequenas estão indo embora, retornando para a nave maior. Estou captando outras naves de um tipo diferente sendo lançadas. Parecem possuir lançadores de mísseis.
Jevlack nada disse, apenas observava na tela as naves partirem.
- Estão se movimentando... entraram em velocidade de dobra. Foram embora - disse Tirvik, incrédula - deixaram doze naves e partiram.
- Estas naves possuem escudos - Disse Terak.
- Quando as comunicações estiverem operacionais, retire o nosso pessoal lá de fora. E estejam prontos para partirem em dobra máxima.
- O leme ainda não está operacional em velocidade de dobra. - informou Tirvik, que temporariamente estava assumindo o posto de Oshiro.
- Engenharia! - chamou o Capitão pelo comunicador.
****
Soer viu a Invictor partir e deixa-los para enfrentar a estranha nave. Tudo o que sabiam sobre ela era que tinha escudos poderosos, possivelmente dois lançadores e 22 dispositivos que deviam disparar algo parecido com os seus turbolasers. Suas ordens eram claras, deter a nave até que o Interditor Cabriam chegasse. Tinham 40 minutos para isso. A missão da Invictor devia ser de extrema urgência, pois não podiam se atrasar nem um pouco.
Pela análise tática, se a nave tentasse fugir, teriam 15 minutos para dete-la antes que alcança-se a janela para o hiperespaço mais próxima. Claro! Isto se a nave fosse um destróier estelar. Mas não era. E se ela fosse mais rápida? Impossível - responderam os técnicos - seus motores não podem gerar tanta potência assim.
- Todos os caças, armar torpedos pesados!
Abaixar os escudos da nave para facilitar a captura, eram as ordens. Como seus escudos eram similares a da Invictor, apesar da diferença de tamanho, oito torpedos pesados deveriam fazer isso. Depois era disparar os canhões íons para garantir que ficassem inertes.
- Conforme foi planejado, Alphas 1 a 8, disparem os torpedos, o restante siga atrás para desabilitar a nave.
- Capitão! As naves estão se aproximando velozmente, parecem estar em f