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Dívidas de Sangue.
História para Ganhar um Nome.
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NOTA DE RODAPÉ - ENTREVISTA COM AUTORA...    
Imagem retirada da Internet.

Ana Cristina Rodrigues possui um misto de criatividade e voracidade dedicados a escrita. Sua temática é variada, mas em todas as obras podemos identificar muita sensibilidade, talvez por ter corpo e alma feminina, este teor sensível fique impreguinado em suas obras com maior intensidade. Não há palavras para resumir as qualidades desta jovem escritora, que demonstra em sua obra a paciência dos monges e ao mesmo tempo o vigor dos mais destemidos heróis ou heroínas. Realmente ler os escritos de Ana Cristina e adentrar em um novo universo, muitas vezes inspirado em universos alheios, mas sempre com um toque de originalidade e profundo conhecimento sobre o tema que aborda. Talvez ela poderia ser definida como uma alma em "borbulhante conflito", que procura o mesmo que todos nós, compreensão, amor e harmonia com tudo que a cerca. Para saber mais sobre a autora visite a sua página sabiamente chamada de Canto de Luar.

Além de cuidar de suas criações e ter publicações em inúmeros sites, Ana Cristina participa de vários projetos paralelos voltados a literatura, sua última incursão chama-se Fábrica de Sonhos, que coordena juntamente com outras duas "feras", Abelardo Pedroga e Daniel Gomes. Neste novo projeto eles reunem vários escritores amadores ou não, que podem trocar material e idéias para a criação de textos e compilação de antologias voltados para a Ficção Fantástica.

Há vários meses Ana Cristina desponta na lista dos mais lidos do Scriptonauta, mas isso não é surpresa para quem nasceu com o talento de contar histórias... Leia a entrevista que fizemos com a autora:

Primeiras palavras da autora:

"Acho que primeiro eu quero agradecer aos leitores do Scriptonauta, que por algum motivo inexplicável, tem mantido o "Dívidas de Sangue" no topo do site. Nem eu esperava isso! E claro, obrigada a Lorna por acreditar no material!"

Scriptonauta: Com quantos anos você começou a escrever e quais eram suas expectativas na época?

Ana Cristina: "Vamos ver... Pelo que eu lembre, aos dez anos eu já esboçava pequenas histórias. Nada de muito concreto, nem de meritoso. Só histórias. E as minhas expectativas eram basicamente as mesmas de hoje. Contar uma história, fazer as pessoas divertirem-se com o que estou escrevendo. E se possível, fazê-las parar para pensar. Não vim revolucionar a literatura, como tanta gente quer fazer. Aos treze, comecei a escrever mais a sério, inclusive poesias."

Scriptonauta: Quais são suas maiores influências?

Ana Cristina: "Ai, Deusa... São tantas! Literárias? J R R Tolkien, Marion Zimmer Bradley, Sir Walter Scott, Alexandre Dumas, Jules Verne, Isaac Asimov, Julio Dinis. Neil Gaiman, claro, assim como Chris Claremont, Stan Lee e Frank Miller. Principalmente este último, a "Queda de Murdoch", sua saga da desgraça do "Demolidor", me marca até hoje. Gene Roddenberry, a grande águia da Galáxia... Johan Huizinga e Georges Duby, que são historiadores com uma narrativa fluida, quase literária. Há aquelas pessoais, que são queridas demais.. Os amigos, os mestres..."

Scriptonauta: Qual sua opinião sobre o fenômeno denominado como "fanfiction" ou ficção de fã, que cresce a cada dia?

Ana Cristina: "É um caminho novo, aberto pela "internet" principalmente. Eu acredito que com o tempo, os "fanfiqueiros" vão amadurecer e seguir um caminho independente, criando seus próprios universos ficcionais. Escrever fanfics dá segurança ao iniciante, por já ter um "background" por trás. O problema é que muitos são fãs de programas de televisão, e escrevem sem o hábito da leitura, o que prejudica muito o ato da criação e da escrita. O ideal é que, ao seu apaixonar por uma referência televisiva ou cinematográfica, o escritor de "fanfics" busque suas raízes literárias. Um exemplo é quem gosta de "Buffy", que deve procurar ler mais sobre vampiros e seus antagonistas, para ter uma base melhor ao lidar com o universo ficcional."

Scriptonauta: Como a obra de Marion Zimmer Bradley influenciou seu modo de escrever? Esta influência de alguma forma tolhi sua ciratividade?

Ana Cristina: "A narrativa leve, fluida... O destaque dado às mulheres... O gosto pela fantasia. Antes de Tolkien, foi ela que me trouxe para o mundo fantástico. Só me policio para não imitá-la em excesso, nem tentar ser uma "médium" da MZB. Isso ela já tem demais. Minhas narrativas são geralmente femininas, eu dificilmente consigo tornar um protagonista masculino em uma personagem convincente. Eu acho que esse é o maior grilhão que a influência da Marion deixou na minha escrita."

Scriptonauta: Sei que você é uma grande freqüêntadora de Pbem´s (Play By Email), assim como eu. Isso de alguma forma te proporciona novas experiências e inspiração para confeccionar seus contos. Como ocorreu com o ótimo Dívidas de Sangue?

Ana Cristina: "Minha história com PBEMs é longa. Já passei por muitos, como jogadora e como organizadora. Para mim, além de uma forma de jogar RPG e de interagir com diversas pessoas, são um exercício de escrita. É uma grande história coletiva, que aponta diversos caminhos. O "Dívidas de Sangue", além de um crossover entre Darkover e Star Trek, é um crossover de Pbem's, pois tanto Daimian Ridenow e Ian-Mikhail são personagens de um jogo sobre o universo criado por Marion Zimmer Bradley. Eu precisava apresentar o universo de origem da Callista de forma rápida e ágil, interagindo com o cenário de jogo. Esse foi o ponto de partida do conto, que está sinceramente me surpreendendo pela receptividade..."

Scriptonauta: Você é formada em História. De que forma você utiliza este vasto conhecimento em suas obras? Há alguma técnica de pesquisa eficiente para a criação de ambientes e personagens?

Ana Cristina: "Da mesma forma que uso todo o meu conhecimento. A única coisa que a formação em história me forneceu de diferente foi disciplina e método de trabalho. Bom, eu desconfio sempre de formulas prontas. Cada caso é um caso, e assim tem sido comigo. O universo em que se passa "História para ganhar um nome" foi sendo construído conforme eu fui escrevendo os textos que nele ocorrem. Já, por exemplo, o mundo ficcional dos meus contos na "Sci-Pulp", são mais pensados, eu fiz perfis dos personagens, pesquisas na internet..."

Scriptonauta: Seu trabalho é prolifero, tanto é que há obras suas em várias páginas dedicadas a publicação independente. Mas noto uma predileção por ambientes ligados a Idade Média ou a Antigüidade. O que mais a fascina neste período de tempo?

Ana Cristina: "Difícil definir exatamente o quê. Eu, como historiadora, trabalhei até com História dos séculos XIX e XX. Talvez seja a estranheza dos tempos mais distantes, que torna o passado um país estrangeiro, como já definiu um filósofo. Eu estou tentando gradualmente abrir meu leque de experiências, trabalhando com ficção cientifica mais pesada. Porém o fascínio é algo inexplicável, quem sabe uma influência da Marion Zimmer Bradley, do Walter Scott e do Tolkien juntos?"

Scriptonauta: Quais são seus projetos futuros? E suas expectivas referente a eles. Além de terminar a dissertação e finalmente ser Mestra em História?

Ana Cristina: "Bem, eu agora estou apostando muito no meu projeto - em conjunto com o Abelardo Pedroga e o Daniel Gomes - da Fábrica de Sonhos - br.groups.yahoo.com/group/fabrica_dos_sonhos/, que é uma lista de discussão de escritores de FC e Fantasia. Mais do que discussão, queremos fomentar a criação coletiva, em conjunto, e a troca de idéias. A minha expectativa é que a Fábrica se torne um ninho de novos escritores dos gêneros fantásticos, mas na sua vertente menos considerada na América Latina. Porque parece que desse lado do Rio Grande, só o tal "realismo fantástico" é digno de consideração e de ser publicado. Gabriel Garcia Marques e Jorge Amado são muito bons, no entanto eu acredito que o fantástico não deve se prender só a ruas empoeiradas e sotaques exóticos misturados a lendas locais redivivas. O fantástico tem que ser universal, calar fundo em todos. Eu acho que o sucesso desses dois fora da América Latina deve-se mais ao exotismo do que a fantasia... Pelo visto, o quadro está aos poucos sendo revertido, com a publicação no Brasil de autores nacionais que fogem desse modelão. Espero que a Fábrica seja parte desse grande processo.

Estou revisando um livro de história de arte, que espero que seja publicado. Tem um projeto, em andamento, de uma História em Quadrinhos baseada em uma das minhas personagens mais antigas. Primeiro será on-line, mas se der certo vai sair em papel! E continuar escrevendo, pesquisando..."

Scriptonauta: Ser mãe e cuidar de um lar te ajuda a criar experiências motivadoras com e para suas personagens femininas?

Ana Cristina: "Claro. Eu acho que qualquer experiência ajuda a criar. Ser mãe é criar vida - e administrá-la depois... E me faz pensar não só nas personagens femininas, mas em fantasia que crianças possam ler e ouvir."

Scriptonauta: Quais são suas palavras para os novos escritores, ou para aqueles que pretendem ingressar no mundo de sonho e imaginação da escrita?

Ana Cristina: "Aiai. Não é fácil. Não é reconhecido socialmente. Você não vai ser o cara ou a moça mais legal da turma. Mas quando você finalmente vê seu nome impresso, e começa a receber mensagens de pessoas que gostaram dos teus escritos... Tudo vai valer muito a pena. Não se pode desistir, e tem que ter muita vontade, ler muito, trabalhar o texto, receber críticas - e rebate-las, defenda seus textos, por pior que eles sejam, há sempre algo bom. E só reforçando: TEM QUE LER MUITO. Escrever é um processo duplo. Você tem ter algo dentro de si para colocar no papel."

Obrigada a todos, e em especial à Lorna!

Ana Cristina Rodrigues.


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