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Só os Anjos Morrem Cedo
Por: John Dekowes

Quando ler o livro “Só os Anjos Morrem Cedo”, deixe a mente fluir despreocupadamente, sem nenhum pudor. Então poderá entender a catarse humana que é revelada por Halcen. Um ser humano em fase terminal de vida, que não quer ir ao encontro da morte, sem antes confessar a alguém os seus medos, desejos e toda aquela ansiedade que ainda é muito forte dentro de si. E, de repente, vê surgir essa oportunidade quando o seu corpo é invadido por uma entidade desconhecida. Um ser chamado Vortlan. Um guerreiro alienígena treinado para a batalha e puramente instintivo.

Vortlan também se surpreende ao perceber que caíra numa engenhosa armadilha; sendo prisioneiro dentro do corpo de um ser alienígena e com uma missão quase impossível. Por outro lado, via-se numa situação inusitada: era o hospedeiro do seu próprio hóspede! E tudo aquilo que Halcen lhe transmitia numa fusão de energia, num ímpeto explosivo, também causava mal estar e o fazia pensar a respeito. E a sua insatisfação não era menor.

Ele também possuía sentimentos aprisionados que nunca pudera revelar a alguém, e não eram menos diferentes nem menos importantes do que os daquele terráqueo. As vozes constantes dos Maharnóides lhe vinham sempre a mente ocupando completamente o seu pensamento:

Vortlan... Vortlan... nós, os maharnóides, somos apenas os lavradores do universo... apenas podamos para fortalecer as raízes das novas gerações... apenas cultivamos as raças do cosmo...

Eles haviam lhe preparado uma arapuca diabólica, e agora tentavam dissuadi-lo a se entregar, já que não podiam prende-lo enquanto estivesse ali, dentro daquele corpo. E as milhares de vozes dos Maharnóides, às vezes, se repetiam como num eco infinito, para depois retornarem no mesmo tom conhecido.

Este ser lhe passou todas as experiências que vivenciou durante a sua vida. Tudo será absorvido junto com as suas memórias e preservado através de você. Mas em outro mundo, em outro tempo, em outro lugar, em outro universo, como parte do crescimento e evolução de outra raça. Por isso, quando a mente deste novo Ser vagar em sonhos e devaneios, ele terá a impressão de já ter conhecido outros povos, viajado por lugares exóticos e estranhos... E quando esse Ser morrer, suas lembranças, assim como suas experiências serão aglutinadas a outra... É desta maneira que milhares de civilizações, raças, povos deste universo infindo são constituídos. Tudo segue um ciclo vital e divino. Nada pode impedir esse processo. Nós somos apenas uma infinita parte de um Todo, que está dentro de cada ser possuidor desta inteligência cósmica, portanto, quando um dia orar para os céus, você não estará mais do que, numa súplica, querendo voltar às suas raízes e se tornar uno... Não fica se questionando, pois quando menos perceber, descobrirá tudo e desvendará todo o mistério...

E as vozes em uníssono foram sumindo num eco, quase num sussurro. Os maharnóides não estavam mais ali, ou melhor, suas luzes de rosa metálico, agora se tornavam brancas, intensas e irradiantes...

Vortlan gostaria de acreditar que fosse verdade, mas as lembranças da fuga e destruição do seu planeta ainda eram recentes. E até o último instante, antes de ser envolvido pela forte energia luminosa vinda dos maharnóides, seus pensamentos eram cortados por imagens de Altÿon e da Terra. Eram os resquícios das memórias, restos das visões do passado...

Se um dia suas lembranças se voltarem para um lugar distante, seu peito se encher de solidão, seus olhos explodirem em lágrimas, e você chorar sem saber a causa, pode ter certeza de que é a saudade de voltar para o seu mundo, que este Ser enclausurado no seu corpo está sentindo...

Vortlan agora sabia; tinha a mais absoluta certeza de que tudo o que fizera desde o instante em que deixara Altÿon, fora planejado, organizado, feito de acordo com o que estava já estabelecido em um plano divino. Erhu-Dhyn era perfeito em sua sabedoria e poderoso na sua criação.

E o terráqueo Halcen, talvez estivesse bem próximo da verdade. quando predisse: “E um único fim, não é mais do que o começo de alguma coisa, não é mais do que o principio de uma nova realidade, não é mais do que uma reavaliação de todos os princípios morais, religiosos e universais. Não é mais do que dizer acabou, terminou, finalizou...

Só os Anjos Morrem Cedo” de John Dekowes vasculha a alma e os sentimentos humanos, sem nenhuma reserva. E, às vezes, levando o próprio leitor a se questionar sobre o que está lendo: as emoções serão suas, de Halcen ou de Vortlan?

Para ler o livro no formato digital visite: www.scarium.com.br.


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