A Floresta
A fuga de Wurth após a peste marinha ser aplacada não foi fácil. O rei decidiu manter a bruxa em seus domínios por interesse próprio. Ela usara de seus truques para escapar do castelo, confundida como uma pedinte e assim escapou na companhia daquele arqueiro errante que deveria ter cumprido sua missão e desaparecido.
Um cavalo apenas, para duas pessoas, por mais robusto e forte que fosse se cansava mais rápido. Bruxa e arqueiro conseguiram escapar das tropas do rei se embrenhando pela floresta escura nos terrenos acidentados do sul do reino, um lugar onde ninguém queria entrar. Diziam que os elfos não desejavam companhias em suas terras. Ou era isso ou era enfrentar o rei de Wurth e seus desejos mesquinhos.
O cavalo já estava cansado. Pateava o chão, resfolegando, pedindo água. Lisisca o parou com cuidado e se preparou para desmontar. Qual não foi sua surpresa quando tanto ela como o arqueiro desabaram no chão. Estava dormindo? Não. Ele batia o queixo de febre, sua testa ardia e sua boca estava seca. Como aquilo tinha acontecido. Revistando sua roupa preta, buscando furos em sua cota de malha, ela encontrou duas perfurações por flecha, uma na coxa e outra no braço. Como ela esteve à sua frente o tempo todo, não conseguiu ver. E ele aturou a dor sem nada dizer ou demonstrar. Leia o texto completo »
Caça e caçador
A visão que o arqueiro teve da mulher que atormentou seus sonhos, o provocou e tentou matá-lo não podia ser mais diferente do que estava acostumado. A pedra da lua realmente dava resultado e quebrou o escudo de magia que a envolvia e que tanto sustentava seu poder. Passo após passo, respirando pausadamente, arco e flecha prontos, corda retesada, o arqueiro encontrou a bruxa caída no chão, chorando. Seus olhos de âmbar não pareciam mais tão poderosos nem seu aspecto era mais a imponente visão de antes. Era uma mulher derrotada no chão, olhando-o como se pedisse misericórdia, os longos cabelos castanhos esparramados pelas costas emoldurando seu rosto como um véu ondulado.
Um pouco abalado pela visão, o Windshadow baixou a guarda e a ponta da flecha começou a apontar para o chão. Era um erro, ele sabia, mas algo lhe dizia que Lisisca nada faria. A pedra da lua brilhava intensamente no chão e drenava os poderes mágicos da mulher ali caída ao seu lado. Leia o texto completo »
Os trilhos
Sâm sentou no chão segurando o choro de desespero e tristeza por Paulo, executado, abatido como um animal. A Fúria vasculhava o terminal em busca de qualquer coisa que servisse como moeda de troca, mas já não tinha muita coisa por ali. Pegaram algumas roupas das lojas e outras bugigangas, mas no final, não tiveram tanta sorte. Nem usar o rádio ela podia, pois os capangas da milícia poderiam ouvir.
Seu coração pulou descompassado com alguém mexendo na tranca da porta.
A Fúria
Paulo fazia sua usual ronda a passos demorados pelo corredor do mezanino da estação Barra Funda, vigiando a entrada sul do complexo. Sentia o estômago roncar. De seu ponto de vista, via Sâm fazendo o mesmo na entrada norte, andando de cabeça baixa, imersa em seus pensamentos. Fazia meia hora que Germano, Luciano e Fábio tinham deixado o terminal dirigindo três ônibus de viagem de volta ao prédio da polícia federal. Eles voltariam em uma hora para levar mais três e assim ficariam a tarde toda se tudo desse certo. Havia pressa para esvaziar o centro de refugiados do Pacaembu. Além da milícia que se aproximava, um núcleo de zumbis bastante relevante estava nas imediações. Germano fazia voos constantes de helicóptero pela área, mapeando as regiões perigosas e mandando construir barricadas.
Os três não usariam a picape que continuava estacionada lá embaixo, para o caso de Sâm e Paulo precisarem de uma saída estratégica. Muita coisa podia dar errado numa missão assim, apesar de terem feito saídas muito calmas nas últimas duas semanas. Os zumbis estavam confinados em corredores sem luz pela cidade, enquanto o corredor de segurança criado por Germano permanecia praticamente inviolável. Havia barricadas nas ruas que impediam a ação tanto de zumbis quanto de milicianos. Estes últimos eram o principal problema. Eles dominavam a região alta da Pompeia e eram uma dor de cabeça constante enquanto tentavam forçar passagem para a zona norte da cidade. A única ponte funcional que conectava a região montanhosa da ZN com o resto de São Paulo era a ponte da Freguesia do Ó, fortemente guardada pela guarda nacional.
Sem liberdade
Júlia passava os dias na cela da detenção. Tinha cama, banheiro e até uma televisão com um DVD. Nos canais abertos havia apenas o aviso de transmissão de emergência ativado. Fora isso, nada. À sua disposição tinha Minority Report, Alien e Madagascar. Ao menos servia para se distrair.
Uma moça chamada Sâmela sempre fazia a sua guarda. Um outro sujeito trazia comida e água três vezes ao dia. Mas sentia que eles não sabiam bem o que fazer com ela. Nem Júlia sabia o que fazer. A ficha lentamente caía de que um ano se passou desde a morte do Leo, em que esteve sozinha durante todo esse tempo, lutando para sobreviver e tentar manter tudo o que era dele consigo. Mas se alguma maneira sentia que esse tempo teria que ficar para trás em algum momento.



