A HORA DE DESPERTAR – Parte 5
Quando o shuttle partiu, Tanah e Ethan estavam na oficina supervisionando a fabricação das peças para consertar a nave auxiliar Arcônida.
Em sua maioria eram peças mecânicas que foram quebradas pelo impacto contra o planeta.
- Quando chegarmos ao planeta teremos feito mais da metade do serviço e logo você poderá voltar para casa. Disse Ethan com satisfação.
Tanah demonstrava estar visivelmente preocupado com o tempo embora soubesse que não teria motivos para isto, mas tinha que transparecer para manter sua estória.
Encostado à parede do fundo da oficina, sentiu uma vibração diferente que o assustou.
- Ethan, o que está acontecendo, digo, esta vibração?
Ele colocou a mão na parede e sorrindo colocou:
- São os jatos de manobra, estamos mudando o curso. Provavelmente estamos voltando para o planeta onde o encontramos.
Indo até o intercom, chamou a ponte:
- Oficina para a ponte, Sr. Alex?
- “Tenente Alex na escuta.”
- Para onde estamos indo?
-”Quem quer saber?”
- Desculpe. – disse ele piscando para Tanah – Tenente comandante Ethan.
- “Senhor, estamos voltando para o planeta. Chegaremos em três horas”.
- Obrigado. – Agradeceu o engenheiro e desligou o intercom.
Tanah, meio sem graça e curvado para frente pediu desculpas alegando que ainda não havia se acostumado com a Saratoga.
Ethan deu de ombros e voltou para o torno onde uma nova peça estava quase pronta.
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Três horas mais tarde a Saratoga estava em órbita do planeta onde tudo aquilo havia começado.
Chegando ao hangar, Tanah e Ethan se dirigiram para a plataforma onde deveria estar o shuttle número 1, mas ao chegarem a encontraram vazia.
- Onde está o shuttle número 1? – Perguntou ele ao chefe do hangar.
- Saiu em missão com a comandante. Você vai ter que utilizar o número 2.
Ethan fez um gesto de pouco caso e com um sinal para Tanah, foi em direção ã outra plataforma.
- O que houve? – perguntou o Naat.
- A comandante saiu com a outra nave.
Ao ouvir isto, uma ponta de desconfiança surgiu bem lá no fundo de sua mente.
- Onde ela foi? – perguntou ele distraidamente.
- De vez em quando saímos para fazer vistorias no casco externo. Vai ver o capitão mandou ela para variar um pouco o ambiente.
Tanah não se deu por satisfeito, mas não tinha nada para apoiar sua desconfiança a não ser o fato de a segunda pessoa em comando naquela nave ter saído assim de repente.
Ambos entraram no shuttle 2 e logo estavam indo para o planeta. O shuttle pousou perto da nave Arcônida e logo os robôs de manutenção vieram para buscar as peças trazidas.
Tanah entrou com Ethan dirigindo-se para o hangar onde o engenheiro teve uma surpresa ao ver a nave de destino das peças fabricadas por ele.
- Isto é uma nave auxiliar?! – perguntou ele no maior espanto. – Isto é gigantesco.
- Sim, é uma nave auxiliar. Existem umas 10 ou 20 abordo, eu acho. Se tivéssemos só uma não teríamos como consertá-la, pois retiramos muitas outras peças de outras iguais a esta.
Cerca de uma hora mais tarde, um dos robôs aproximou-se de Tanah e falou em intercosmo:
-”Tudo está pronto, faltam apenas as quatro últimas peças que não chegaram.”
- As peças se encaixaram corretamente?
-”Sim senhor, as peças serviram perfeitamente.”
Tanah virou-se para o engenheiro que estava meio perdido no diálogo entre o robô e o Naat e falou.
- Seu pessoal fez um bom trabalho. As peças serviram perfeitamente. Mais uma vez obrigado. Fica faltando apenas as quatro peças que estavam sendo fabricadas no momento de nossa partida…
Sua fala foi interrompida pelo barulho vindo lá de fora: era o shuttle número 3 trazendo as peças que faltavam.
- Aí vem a última leva de carga. – falou Ethan sorrindo.
Os robôs foram ordenados a buscar a nova carga. Eles formaram uma fila e foram em direção a saída e depois para o shuttle que acabara de chegar.
Ethan aproximou-se de Tanah e questionou:
- Depois que você partir, o que acontece com a nave maior?
- Ela vai se auto destruir. Todos os dados do computador sobre o que aconteceu desde a entrada no funil até a hora da minha partida serão transferidos para esta nave para que não se percam. Depois que eu partir ela explode.
- Não pode deixá-la para que eu possa estudá-la?
- Seria contra as regras. Além do mais a positrônica não permitiria. Se tentar desligar o computador, o dispositivo de segurança interpretará como destruição dele e explode a nave do mesmo modo. – fez uma pausa para Ethan absorver a explicação e observou que o engenheiro estava cabisbaixo e com uma expressão triste no rosto. Depois continuou.
- Você já tem a base para construir um computador positrônico, mais que isto não posso fazer.
- Eu entendo. – disse Ethan desapontado. Esperava conseguir a nave Arcônida para estudo. – Eu sempre fui um engenheiro muito curioso. Tinha que tentar.
- Eu sei, faria a mesma coisa se estivesse no seu lugar. – “O gerente tomaria sua nave a força se preciso” pensou Tanah e completou – Mas eu aconselho: a nave vai se fundir, vocês não devem estar por perto e não vai adiantar voltar para procurar destroços pois só vai sobrar metal derretido. Vocês já tem bastante coisa para estudar depois que recolheram o que sobrou da nave Druuf.
Quando Tanah terminou a frase, notou um robô parado perto de onde estava. Este robô então falou:
- “Senhor, estamos prontos. Tudo foi testado e está funcionando conforme as especificações.”
Virando-se para o humano, Tanah estendeu a mão e falou:
- Bem senhor Ethan, é hora de dizer adeus. – pegando a mão estendida do engenheiro completou – Me faça um favor: Agradeça ao Capitão Anderson, a Comandante Nuriel e a Doutora Dora por mim. Vocês não sabem o quanto me ajudaram.
Ethan fez um movimento com a cabeça e seguiu em direção à saída escoltado por um robô.
Enquanto via Ethan se afastar em direção a escotilha de saída Tanah pensava:
“Pena ter de enganá-los. São uma raça bem amigável. Porque será que o regente quer exterminá-los?”
Tão logo os shuttles partiram Tanah foi para a nave auxiliar, dirigindo-se para a ponte onde sentou-se em sua poltrona ao chegar.
Ativando o comunicador chamou a nave mãe:
- Nave Auxiliar para positrônica central, estamos prontos para partir.
Como parte da porta do hangar estava voltada para o chão, seria necessário abrir a tiros uma passagem para sair da nave mãe.
- Erguer escudos. – ordenou ele ao robô piloto.
Na tela surgiu a cintilância gerada pelo escudo gravitacional que logo foi substituída por um clarão que ofuscou a vista por alguns segundos.
Quando voltou a enxergar, Tanah viu um rombo no casco por onde poderia passar uma nave auxiliar sem problemas.
O estalo do alto-falante chamou sua atenção.
- “Positrônica central para nave auxiliar, todos os dados foram transferidos. Parta imediatamente e vá direto até a passagem dimensional. Ao sair do funil, encontre a nave Arcônida mais próxima e volte a Arcon para entregar ao regente todas as informações obtidas.
- Vamos embora. – ordenou Tanah ao robô piloto.
A nave partiu e tão logo atingiu o espaço pode-se ver um cogumelo atômico no planeta onde até bem poucos segundos atrás havia uma nave Arcônida da classe império caída.
-”Cálculo efetuado, transição em 10 segundos.” – era o robô piloto avisando.
Dez segundos mais tarde o espaço desapareceu e apareceu cerca de 5 unidades astronômicas adiante, bem perto da fenda dimensional.
A nave auxiliar logo a encontrou e entrou para sair daquele universo.
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Na Saratoga os instrumentos, e as telas, mostraram a explosão e o radar mostrava a nave auxiliar se afastando rapidamente.
Quando ela entrou em transição, o operador do radar exclamou surpreso:
- Capitão, a nave sumiu em um forte abalo na estrutura do espaço e apareceu, com outro abalo, perto de onde está a comandante desapareceu com o shuttle1.
- Então é assim que eles viajam pelo hiper-espaço. Vamos transmitir estes dados para toda a galáxia. Se alguém algum dia eles voltarem estaremos preparados.
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Ao partir, Nuriel virou o shuttle um pouco de lado de modo a poder olhar para a Saratoga mais uma vez. Um sentimento de que nunca mais iria vê-la a deixou desconfortável. Entretanto, tinha plena consciência do que estava fazendo e acreditava que tudo daria certo. Tudo que tinha de fazer era confi…
O toque do alarme chamou-lhe a atenção e os pensamentos voltaram à sua missão.
Os instrumentos mostravam uma concentração elevada de táquions bem a sua frente além de uma forma desconhecida de energia que começava a afetar seus instrumentos de navegação. Uma rápida olhada para fora e pode ver uma deformação das estrelas ao fundo na direção indicada pelos instrumentos.
De repente, tudo desapareceu, inclusive o espaço e as estrelas. O fundo negro foi substituído pelo amarelo e fortes descargas energéticas começaram a “dançar” a sua volta. Mas logo tudo se acalmou.
“Estou no tal funil de descarga” pensou ela.
Verificando os instrumentos, viu leituras confusas e algumas até absurdas.
Acelerando, Nuriel teve de escolher qual direção seguir. Sem uma referencia para seguir não tinha como se orientar.
“Qualquer direção é tão boa como outra”.
O radar indicou, rapidamente, matéria sólida na direção 10 graus estibordo, azimute 35. Alguns segundos depois este objeto apareceu novamente, mas em uma posição bem diferente de onde deveria estar.
Nuriel decidiu, então, seguir na direção de onde veio o objeto. Digitando alguns comandos o shuttle alterou seu curso.
Dez minutos depois, os instrumentos começaram a voltar ao normal e uma espécie de abertura surgiu a sua frente.
Acelerando mais, o shuttle balançou quando o espaço a sua volta mudou de cor novamente: de amarelo para vermelho.
Uma gigantesca plataforma apareceu no radar a menos de 2 unidades astronômicas abaixo de sua trajetória.
“É o universo Druuf!” pensou ela assustada e digitando os comandos o mais rápido que podia, girou o shuttle 180 graus da direção em que viajava e acelerou ao máximo.
“Tenho que entrar novamente no funil antes que eles me vejam.”
Com aceleração máxima, o shuttle entrou no funil sacudindo bastante.
“Tenho que chegar ao outro lado antes que Tanah possa concertar a nave.
Cerca de uma hora após entrar no funil pela primeira vez, uma nova abertura apareceu a sua frente e mais uma vez o shuttle sacudiu bastante na hora em que o amarelo foi substituído pelo negro do espaço.
O alarme de localização disparou na hora. Uma quantidade gigantesca de naves de todos os tamanhos tinha sido localizada bem próxima a sua posição. A única coisa em comum era seu formato: esférico.
Quando uma delas começou a se mover em sua direção Nuriel achou melhor ativar o rádio e começou a chamar:
- Comandante Nuriel da USS Saratoga para a nave Terrana mais próxima, emergência.
A mensagem foi gravada pelo computador que começou a repeti-la.
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O capitão West estava jantando quando o intercom apitou e ele pode ouvir:
-”Capitão West, dirija-se à ponte imediatamente.”
Ele se levantou e saiu andando calmamente.
“Se fosse uma nave Druuf o alarme teria tocado. Não deve ser nada tão urgente assim” pensou ele.
Logo que entrou na ponte perguntou:
- O que há de tão importante tenente?
Um aceno dela e o operador de rádio ligou o alto-falante.
-”Comandante Nuriel da USS Saratoga para a nave Terrana mais próxima, emergência.”
- Esta mensagem está vindo de uma pequena nave que acabou de sair do funil e está se repetindo. A nave tem configuração desconhecida. Parece ser uma mensagem automática, apenas se repete. – falou o operador do rádio.
- Capitão, que eu saiba a Saratoga está nos estaleiros lunares e vai ficar lá um bom tempo desde a última batalha com os Druufs.
- Onde está a tal nave?
- 40 graus a bombordo, azimute 21 abaixo, distância 5 unidades astronômicas.
- Vamos ver qual é a desta nave. Abra um canal de comunicação.
- Aberto senhor- gritou o operador do rádio lá no fundo da sala de comando.
- Capitão West do cruzador Napoleão chamando a nave que se aproxima. Pare sua nave e aguarde para abordagem.
- “Tudo bem, desligando motores e aguardando”- respondeu ela.
- Navegador, vamos até aquela nave.
- Já estamos a caminho por ordem da tenente Júlia.
- Ops, desculpe. – falou o Capitão West.
O cruzador pesado movia-se na direção da pequena nave e em alguns minutos já estava ao lado dela.
- Que tipo de forma de vida existe a bordo da nave?
- Apenas uma forma de vida e é humana.
- Tipo de armas?
- Nada que possa identificar.
- Pena não termos um telepata disponível. Tudo bem, traga aquela nave para o hangar, mas quero eu o quero protegido por um forte campo de força. – falou o Capitão West dirigindo-se ao intercom e acionando-o
- Tenente Valdez, fica a seu cargo revistar a nave e escoltar a ocupante dela ao meu gabinete.
- “Sim, senhor”
Quando o shuttle foi pego pelo raio de tração Nuriel assustou-se e quando a superfície dourada da nave se abriu em um gigantesco hangar onde caberiam, com facilidade, pelo menos uns 30 shuttles iguais aos dela seu rosto ficou branco como cera.
Ao entrar pode observar caças colocados em pequenos nichos e mais ao fundo uma “pequena” nave esférica.
A sua esquerda, atrás de uma parede de vidro, um grupo de seres, todos humanos a primeira vista.
Ela ativou o trem de pouso e notou que ao fazer isto uma cintilância se formou junto às paredes do hangar e ao redor da nave ao fundo.
“A abertura do trem de pouso pode tê-los assustados.” pensou ela.
O shuttle foi colocado no “solo” e ela pode ver a porta do hangar sendo fechada.
Pelo rádio ouviu uma advertência:
- “Aguarde a pressurização do hangar. Quando a luz verde do teto do hangar se ascender, abra a porta de sua nave e saia bem devagar”. – a mensagem terminou com um estalo indicando que a pessoa havia desligado o transmissor.
Nuriel ficou olhando para o teto do hangar aguardando a lâmpada verde se ascender.
Nem bem a luz se ascendeu, uma tropa de 10 homens entrou no hangar e, apontando suas armas, cercaram o shuttle.
Nuriel levantou-se e foi em direção a escotilha para abri-la. Quando o fez pode ver que estava na mira de pelo menos quatro armas apontadas pelo pessoal da tropa que cercava a sua nave.
Uma mulher se aproximou e disse:
- Sou a tenente Olga Tiaf, por favor queira sair e afastar-se da nave.
- Preciso falar com o capitão West o mais rápido possível. – disse Nuriel.
- Tudo a seu tempo. Por favor, queira sair e afastar-se.
Nuriel saiu e andou uns 10 metros antes de ser barrada pela ordem da tenente.
- Ai está bom, pode parar.
Pelo canto do olho pode ver que alguns homens entraram na nave enquanto outro se aproximou trazendo um objeto cilíndrico com um círculo na ponta e começou a passá-lo perto de seu corpo.
- Não estou armada. Por favor, o tempo está passando.
- Se não passar pelos procedimentos não vai entrar na nave.
Um dos homens colocou a cabeça para fora do shuttle e disse:
- Tudo limpo aqui dentro. Não encontrei sinal de explosivos ou bombas.
- Obrigado soldado. – e dirigindo-se a Nuriel disse. – Siga-me.
A tenente Olga foi em direção a parede do hangar. Quando estava a apenas um metro de distância a parede se abriu em uma porta larga de dava para um corredor.
Algum tempo depois, andando por corredores e elevadores o grupo parou em frente a uma porta. Olga apertou um botão na parede e disse:
- Capitão, tudo bem. A comandante Nuriel está aqui fora.
A porta s e abriu e todos entraram.
Nuriel pode ver um homem com divisas de capitão sentado atrás de uma mesa. Seu escritório era bem sóbrio com poucos móveis: apenas uma mesa, um sofá e duas cadeiras.
- Sente-se, sou o Capitão West.
Nuriel puxou a cadeira mais próxima e sentou-se.
- Conte-me sua estória comandante.



