Espirituais
William
Padre William olhava para fora, pela janela de sua carruagem. O caminho era difícil, como todos os outros. Era demorado como todos os outros.
O noviço à sua frente não fazia idéia de seus pensamentos. Ninguém fazia. Estava sozinho. Lembrava dos caminhos que o levaram até ali. Lembrou-se do tempo em que era apenas William Montblanc, filho de costureiros, costureiro como seus pais. Simples e sonhador como todos os outros. Que amava como todos os outros.
Apaixonara-se cedo, como de costume na época. Porém, enquanto ainda fazia planos de felicidade uma fatal doença tirara o maior tesouro de sua vida: sua amada Marie Fontaine. Nunca houveram palavras para tanta dor. E, no meio de tanto sofrimento, jurou vingar-se do único ser que lhe pareceu culpado no momento: Deus.
Em busca da Luz – 1 – Houve uma época
Houve uma época em que Bruxos e Bruxas não eram caçados ou jogados em fogueiras. E foi nessa época que tudo aconteceu.
A lua brilhava no céu. Eu observava as estrelas, e a lua por entre as nuvens. “Será que me lembrarei disso algum dia, em outra vida, ou outro lugar?” Eu me lembrava também da bela ruiva da estalagem. Feliz, alegre.
Eu havia me empenhado em chegar naquele lugar. Foram semanas de cavalgada em meu corcel negro, Dialon. Companheiro fiel de muitas aventuras, Dialon havia se tornado um amigo inseparável. Compartilhara comigo diversos rituais à lua cheia, guardava em seu dorso documentos mágicos que continham meus diagramas secretos. Ainda posso sentir o seu pelo e a bela montaria, que eu havia aprendido a fazer com um coureiro.
Aprendendo a ver
Diamanne, nesta história, ensina nosso bruxo as artes da visão de luz, magia pura e simples ao alcance de qualquer um.
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O dia amanheceu, e logo nos primeiros raios de sol despertei. Dormir ao relento não era ruim, desde que estivesse com os acessórios certos. O problema era a obrigatoriedade de acordar cedo. E depois de uma noite de festa, acordar cedo não era uma boa idéia.
Sentei-me na relva, ainda com alguns laços me prendendo ao plano astral, mas bem que eu poderia chamar isso de preguiça.
O outro lado da história
Os fatos nunca se limitam ao que nossos olhos podem ver e ao que nossos ouvidos podem ouvir. Há sempre muito mais.
Recomendo ler antes – Maryam, de Monica Medeiros.
O dia acabava de amanhecer. Olhei para o lado e vi que ela ainda dormia. Essa mulher realmente me ama, pensei. Há muito tempo ela tinha aprendido a não precisar dormir, mas mesmo assim dormia comigo. Eu ainda não havia aprendido. Mesmo após vários anos de treinamento, eu ainda não conseguia isso.
Dei um beijo em sua face e a vi se espreguiçar, lentamente, sem nem sequer abrir os olhos. Sorri.
Viagem Estática
O círculo com que se manifesta o sentido infinito do universo, deve ter em seu interminável caminho uma forma de retorno, como hoje se pode viajar pela terra em uma “circunvolução” perfeita, e talvez em um futuro bem próximo locomover-se por este sistema planetário, ou, quem sabe, fazer viagens intergalácticas.
Sou modesto por construção, não por humildade, mas limito-me aos métodos físicos que usa o caminhante, terra, mar e ar, assim, formo o conhecimento interno e externo caminhando em contato com o mundo de fora. – ESTA SERÁ, POIS, UMA VIAGEM AO TEMPO, ÀS IDADES, ÁS RAÇAS E ÁS ORIGENS. – Sejamos um pouco jesuítas e respondamos com perguntas às próprias perguntas que possam ser formuladas na mente; regredir ao útero materno ou ao útero terrestre não é penetrar em nós mesmos? – Descobre teu passado, oh! Tu, cujo nome agora é humanidade.



