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Poesias

O MONSTRO

No cume da mais alta montanha,
Aonde o plenilúnio faz morada,
Vivia um monstro de feições terríveis,
Oculto em sua caverna gelada.

Primogênito das moréias e substâncias mortas,
Sabia que era monturo do âmago da vida;
Vivissecção de tentativas perdidas;
Asco do criador, carne pútrida, oblívia.

Entre as amarguras da desgraça
E o ósculo amigo do venábulo,
Era visto como caça, ulceração da existência,
Criatura em contumbérnio com a demência,
Escarro da decadência, ser instável.

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O FOSSO

I

Nas profundezas escuras havia,
Nada mais que o silêncio intenso.
Oculto nas toscas formas do fosso jazia,
Uma natureza estranha, um ser ungüento.

Ao lado da capela vazia,
Havia um fosso cinzento.
Nada mais ali existia,
E tudo vivia a sinfonia do vento.

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