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LEMBRANÇAS – H2O – Parte 3/3

Voltamos ao continente e cada uma seguiu seu caminho. Voltei para casa, esperando não encontrar ninguém, pois não queria que me vissem chorar. Infelizmente não tive sorte, a Sam, minha madrasta, me viu entrar chorando. Corri para o meu quarto e fechei a porta, mas antes de trancá-la, ela entrou e me perguntou qual era o problema.

- Não é nada. – disse eu, mas enganá-la não deu certo.

Ela se sentou na cama onde eu estava deitada e fazendo um carinho nos meus cabelos continuou.

- Cleo, seja qual for o problema pode me contar. Estou do seu lado e para te ajudar, mas você precisa falar comigo.

Eu estava muito assustada e com um medo danado do que aconteceria quando eles descobrissem tudo. Engolindo um pouco o choro eu a indaguei.

- Qual é a sua função na questão do parque da Ilha Mako?

- Minha função é assegurar que ninguém invada o parque e destrua a natureza. Tenho de ficar de olho lá para que nada de errado aconteça na reserva.

- Então você tem de proteger as criaturas de lá, certo?

- Sim Cleo, mas o que isto tem haver com você estar chorando? Pode se abrir comigo.

- Amanhã vai ter um jantar na casa da Emma. Só para adultos. A Kim não pode ir e o Eliot não vai estar lá. Preciso que fale com o papai. Lá vamos ter uma conversa de adulto e tudo será explicado. Só me promete que por mais que o mundo se vire contra mim e de cabeça para baixo, você estará do meu lado, não importa o que aconteça.

- Eu prometo, mas você está me assustando Cleo. Tem certeza que não quer falar sobre isso agora.

- Tenho. Só fica aqui do meu lado um pouco.

Me lembro de ter adormecido em seu colo. Quando acordei, já era noite e a Sam já não estava mais lá comigo. Ouvi vozes conversando lá em baixo, mas não tive coragem de descer. Meu pai esteve no meu quarto, mas fingi que estava dormindo. Ainda o ouvi perguntar a Sam se eu poderia estar grávida. Como não ouvi resposta, acreditei que ela deva ter apenas demonstrado dúvida.

Meses depois, fiquei sabendo que meu pai queria levar a Kim de qualquer forma, afinal ela era da família e teria de se adaptar ao que quer que fosse, mas acabou cedendo aos argumentos da SAM e mandando-a dormir na casa de uma amiga dela.

No dia seguinte acordei bem cedo. Peguei o telefone e liguei para a mamãe. Falei do jantar e pedi o seu apoio. Precisaria dela mais do que nunca. Ela me fez a mesma pergunta que o papai havia feito para a Sam: “Você está grávida?”. Embora eu dissesse que não, ela repetiu a pergunta a qual neguei novamente. Disse que no jantar ela saberia. Desliguei o telefone, deixei-o na mesa de cabeceira e fui nadar pois queria ficar sozinha. Precisava me preparar para o que estava por vir.

Durante todo o dia fiquei sozinha, fui nadar bem longe de tudo e todos, pensando no que minha família ir fazer ao descobrir que era uma sereia. Será que eu seria expulsa de casa? Será que meu pai, minha mãe e minha madrasta me aceitariam como eu sou? E como seria com as outras meninas? Eram essas questões que pairavam na minha mente e que me atormentavam. Meu coração estava realmente apertado e a tristeza me dominava. Lembrei-me da reação do Lewis quando viu a minha calda pela primeira vez, seu olhar de surpresa, medo e horror. Será que minha família faria o mesmo?

Meses depois fiquei sabendo que meu pai, minha mãe e os pais das meninas trocaram telefonemas o dia todo tentando entender o caso.

Quando cheguei ao jantar, todos já estavam lá. As meninas vieram correndo ao meu encontro perguntando o que tinha acontecido e porque eu ter sumido o dia todo. Disse-lhes que tive que pensar, sozinha. Bella então perguntou:

- Você não mudou de idéia, mudou?

Disse-lhes que não. Agora iria até o final e ainda, em tom firme, disse:

- Eu falarei, por favor, vocês me ajudam quando eu pedir.

A Charlotte retrucou, mas fui firme na decisão e ela concordou.

Fomos para o deck onde nossos pais nos esperavam. Em um olhar rápido pelos presentes pude notar o quanto estavam intrigados e preocupados.

Lá estava meu pai, a Sam e minha mãe, os pais da Emma, a mãe da Charlotte, os pais da Bella e o pai da Rikki, além do Lewis e do Will.

Eu pedi que todos sentassem nas cadeiras. Quanto a nós, nos posicionamos do outro lado da piscina, sentadas no chão.

Eu, então, tomei a palavra. Com um nó na garganta e a voz embargada comecei:

- Quero pedir desculpas de antemão para o caso de eu engasgar ou começar a chorar durante essa conversa. Quero pedir também que não interrompam para que eu não desvie do assunto e possa terminá-lo. Todos poderão tirar suas dúvidas depois. Temos muito para falar, mas tem de ser devagar, pois nossas vidas vão mudar bastante a partir de agora. Aliás, as nossas vidas, minha, das meninas e da Sra Chatmam – disse apontando para cada uma delas – passou por uma mudança drástica. A Sra Chatmam foi a primeira, junto com mais duas amigas, Graice e Julia lá pelos anos 50. – fiz uma pausa olhando cada um nos olhos, vendo um sorriso passar pela face do pai da Rikki e uma sombra passar pelo rosto da mãe da Charlotte.

- Com a Bella, foi quando ela tinha nove anos de idade. Comigo, a Rikki e com a Emma, foi a seis anos e com a Charlotte foi a quatro anos, mas com ela foi apenas por um ano.

- Isso que aconteceu foi uma coisa maravilhosa, até diria espetacular, nos deu uma perspectiva diferente da vida, nos mostrou uma nova forma de ver as coisas. Pudemos ajudar muita gente nesses anos. Salvamos incontáveis vidas com nossos “dons”. Até mesmo o cometa Eva que quase destruiu a vida na Terra nós desviamos, aliás a Bella quis nos mandar embora naquele dia para se sacrificar sozinha para parar o cometa, no que negamos categoricamente. Nesta coisa de ajudar, quero pedir desculpas ao meu pai pelo concurso de pesca onde você acusou o Lewis de trapacear. Na verdade fui eu que levei o atum para o anzol dele e ao ver a confusão que causei, arrastei a Emma para me ajudar a levar mais peixes para perto do píer.

Meu pai tentou retrucar, mas fiz um gesto que esperasse, então continuei.

- Algumas pessoas que descobriram esta coisa não entenderam e tentaram nos prender. Outras se assustaram muito e ainda tem medo de nós, mas também temos amigos fieis – olhei para o Lewis, para a Sra Chatmam e para o Will nesse momento – que nos ajudaram a nos adaptar a essa nova realidade. Isso não é uma doença, na verdade é uma benção que abraçamos de coração.

Nessa parte minha voz estava bastante embargada e mal conseguia falar.

- Mas também tem um lado ruim: não poderíamos mais tocar na água. Nenhuma gota dela poderia tocar nossa pele. Até mesmo o suor de uma pessoa nos afeta. Quando não podíamos evitar ou algum acidente acontecia, normalmente desaparecíamos correndo. Sofremos com várias situações cômicas e perigosas por causa disso, mas conseguimos contornar todas elas, sendo que algumas foram com mentiras, e aqui peço desculpas por todas nós. Sei que meus pais entenderam quando disse que tinha fobia de água. Sei que os pais da Emma não a criticaram muito quando ela deixou de competir na natação. Apesar de ser muito amiga, não sei muito do relacionamento da Rikki com o senhor, Sr. Chadwick e nem da Bella com o Sr. E Sra. Hartley, na verdade nunca perguntei sobre isso, mas acredito que tenham passado pelas mesmas coisas que eu e a Emma.

Virei para os meus pais, – incluindo a Sam – olhando bem nos olhos deles e quase chorando disse a uma das frases mais difíceis de falar da minha.

- E pai, mãe e Sam, se quiserem me expulsar de casa depois de hoje eu entenderei porque não é todo mundo que suporta, não só conhecer nosso segredo, mas também ver o que vocês vão ter agora.

Neste momento, meus olhos se encheram de água, lágrimas escorreram e uma sombra passou pelo rosto. Um calafrio na espinha fez tremer meu corpo.

A Charlotte então completou.

- Acredito – disse ela olhando em volta – falar por todas que isso também vale para nós. – As meninas concordaram balançando as cabeças em sinal de aprovação.

Esperei alguns segundos para que assimilassem e continuei.

- Eu realmente quero que vocês entendam que somos felizes assim e nada vai mudar isso.

De supetão eu falei:

- Somos sereias! – disse colocando meus pés na água da piscina, provocando a transformação. Logo em seguida, Rikki, Emma e a Bella fizeram o mesmo.

Fez-se um silencio sepulcral no deck. Nem mesmo o vento ou o mar faziam qualquer barulho.

Olhando nos olhos de minha mãe, pude ver o medo e o horror estampado no rosto. Ela foi a primeira a se manifestar.

- Isso eu não agüento, Cleo, sinto muito. Me faça um favor, nunca mais me procure. – disse ela saindo correndo.

Aquela frase me levou ao pranto, gritei suplicando que ela ficasse e me escutasse, mas ela se foi. Desde aquele dia nunca mais consegui falar com ela. Anos depois a vi no shopping, mas quando me viu ela virou o rosto e foi embora.

Nossos pais ficaram ali por uns minutos sem falar absolutamente nada. O espanto era geral.

Os pais da Bella quebram o silencio com a seguinte frase:

- Temos de procurar um especialista para reverter o processo e fazer você ficar normal de novo.

Ela retrucou imediatamente:

- Pai eu sou normal, não estou doente. Eu agora sou assim, sou uma sereia.

Pude ver uma lágrima escorrer pelo seu rosto. Foi realmente uma ducha de água fria para ela também. Ela virou-se para a Rikki que estava ao seu lado e disse:

- Pode me secar rapidamente?

Ela então exibiu seu poder e a secou com rapidez.

- Obrigado! – disse ela e foi para perto do Will abraçando-o.

Os pais da Emma chegaram perto dela e o pai falou:

- Agora tudo faz sentido. Poderia ter nos contado antes filha, ai seria mais fácil lidar com seu irmão.

A mãe dela perguntou com a voz tremula:

- Você se sente bem assim? Não dói ou incomoda?

- Sim mãe, estou ótima, não dói nada, na verdade dói só quando estou de pé e me transformo, ai é queda na certa pois meus pés viram cauda. Você vai ver que não somo ameaça a ninguém, só que a natureza escolheu a gente para cuidar não só da ilha, mas de muitas outras coisas também.

O pai da Rikki veio até ela com uma expressão indefinida no rosto, abaixou-se perto dela e disse:

- Vou te contar um segredo filha, sua avó, minha mãe que você nunca conheceu e – olhando para Sra chatmam – se chamava Julia, era uma sereia. Foi ela que insistiu em que eu te levasse para a praia. Ela acreditava que você poderia abraçar a causa. Sua mãe foi embora quando soube do caso. Ela tentou de todas as formas me impedir de vir até aqui. Bem que desconfiei quando você me chamou para este jantar.

Eu nunca tinha visto a Rikki tão feliz. O sorriso no seu rosto era de pura emoção. Também vi uma lágrima correr no seu rosto. Ela usou seu poder para secar-se rapidamente, revertendo a transformação, se levantou e deu um forte abraço no pai.

A mãe da Charlotte ainda estava espantada,  quando escutamos:

- Mãe, a um tempo atrás você disse que eu era um “espírito livre” como a vovó Gracie. Ela era uma sereia. Eu fui por um tempo e agora eu serei de novo uma também.

A Sra Watsford se recompôs e respondeu de forma bem calma e serena:

- Eu esperava que você nunca descobrisse sobre isso. Agora não tem volta. Tudo bem eu entendo. Não é por isso que vamos ser inimigas filha. Se for escolha sua, eu fico feliz por você.

- Alias, porque perdeu seus poderes? – Perguntou a Sra. Watsford.

Ela olhou para nós e abaixando a cabeça disse:

- Eu tentei machucar as meninas – e apontou para nós – ai eu perdi meus poderes. – completou ela sem entrar em maiores detalhes.

Elas se abraçaram de forma bem fraterna.

Superado o susto, meu pai veio até mim e me deu um abraço dizendo:

- Vai levar um tempo para eu me acostumar com isso, mas vamos nos entender. Vou tentar falar com sua mãe, mas pela reação dela não vai ser nada fácil. – eu pedi a Rikki que me secasse e quando voltei a ter pernas abracei-o como se tivesse passado muito tempo sem vê-lo. Quando nos separamos, ele continuou – Posso não ser tão estudado quanto você, mas se escondeu isso por tanto tempo e agora, do nada, resolveram falar só pode ter algo muito perigoso perturbando vocês para virem com todo esse evento para falar do segredo. Tem mais alguma coisa que devamos saber?

Eu olhei para cada uma delas e respondi para eles:

- Tem sim! – disse soluçando com um nó na garganta – Dentro de quatro dias vai haver um eclipse total do sol. Ele tem um efeito nocivo para nós sereias. Vai nos transformar definitivamente em sereias se não estivermos protegidas. Seus efeitos vão durar dois meses. Só existe um lugar no mundo onde estaremos protegidos, é no fundo do oceano. Muito fundo mesmo. Estaremos partindo amanhã pela manhã para chegarmos onde temos de ir. Vamos ficar sem poder nos comunicar por dois longos meses.

- Não é bem assim. – Disse o Vincent.

Ele chegara sem ser notado. Todos olharam para ele espantados, inclusive eu.

- Como assim? – perguntei

- Uma sereia mensageira poderá vir todas as semanas trazer cartas das garotas para vocês. Ela deixará uma bolsa no píer com as cartas. Ela fica nas redondezas por quarenta e oito horas, pegará a bolsa no píer novamente com a resposta de vocês e vai embora.

Sem aguardar qualquer pergunta e diante das expressões de espanto ele continuou.

-  Existem sereias, macho e fêmea, que não querem voltar a ter pernas. Eles não sofrem o efeito do eclipse. Aliás, a mensageira de vocês se encontra aqui. Gostariam de conhecê-la?

O “sim” foi geral. Mas meu pai parou no meio da frase e perguntou:

- Quem é você, aliás?

Todas nos viramos para ele aguardando a resposta. Vincent fez um movimento com a mão direita colocando-a sobre a tatuagem do tridente, fechou-a e em segundos, e ao mesmo tempo, a tatuagem sumiu e um tridente apareceu em sua mão. Ele então falou com uma voz muito forte, mas suave.

- Eu sou Poseidon, rei dos mares.

Foi outro espanto geral. A Sam murmurou em voz baixa, mas audível “Um deus mitológico vivo, e aqui bem perto de mim”. O Vincent sorriu e colocou.

- Muitos falam que sou um “deus” porque eu vivo muito tempo, mas não sou deus, apenas um sereia que sabe como manipular a mágica que nos criou.

Ele então foi até a Sra Watsford fazendo um gesto para que Charlotte e a Sra Chatmam se aproximasse dele. Elas se aproximaram e ele falou:

- Espero que vocês não tenham um ataque. Preciso que sejam fortes.

Ele se virou para o canal e gritou:

-  Gracie.

Vimos um rosto sair das águas. Era um rosto marcado pelo tempo, mas ainda muito bonito. As três, Sra Chatmam, Sra Watsford e a Charlotte começaram a chorar ao mesmo tempo. A Charlotte correu pelo píer e mergulhou no canal e foi dar um abraço em sua avó. A Sra Watsfor foi até a beira do píer, esticou a mão para sua mãe e disse.

- Você poderia ter me contado que iria embora. Eu não iria ficar zangada, de maneira nenhuma.

Gracie sorriu e olhando para a Louise e disse.

- Estou esperando por este momento á muito tempo Louise. Voltaremos a nadar juntas.

A Sra Chatmam então começou a sorrir. Um sorriso de gratidão e felicidade que contagiou todas nós.

- Vocês tem até amanhã cedo, as seis horas da manhã para se despedir, então vamos partir. – disse o Vicnent. Ele mergulhou na água e sumiu.

Abracei minha família por alguns minutos, agora já bem mais aliviada, agradecendo ao apoio dado. Depois virei para a Sam e disse.

- O Ryan e o Zen pegaram uma amostra dos cristais da Ilha Mako a uns dois anos atrás. Se eles divulgarem qualquer coisa sobre a ilha vai dar muito problema. Ela é o berço das sereias e tem de ser protegida. Você me prometeu estar do meu lado e me ajudar, então, preciso que dê um jeito de afastá-lo de lá.

- Pode deixar que vou tomar minhas providencias. Vou transferi-lo para bem longe, mas antes vou confiscar o cristal.

- Obrigada! – disse eu, virando para meu pai perguntei.

- O que vai dizer à Kim?

- Ainda não sei, mas até amanhã eu penso em alguma coisa junto com a Sam. Não se preocupe, eu te aviso na primeira carta.

A mesma coisa ouvi dos pais da Emma.

É impressionante como o tempo corre nestas ocasiões em que se quer ter mais tempo. Nem chegamos a comer o jantar preparado. Só ficamos ali sem dizer nada.

No dia seguinte, as seis horas da manhã,  o Vincent estava de pé no deck da Emma. Era hora de irmos. Todos estavam bastante emocionados.

A despedida não demorou muito, mas estávamos bastante emocionados. Meu pai e a Sam disseram ao mesmo tempo:

- Boa sorte, Cleo. – rimos juntos. Meu pai completou – Estarei ansioso pela sua primeira carta e mais ainda pela sua volta.

Fui até o Lewis e demos um longo beijo. Olhamo-nos nos olhos, sem falar nada. Sabíamos o que estava em jogo ali e para não estragar o momento, apenas nos separamos e pulei na água. Voltei-me para o deck, levantei o braço e acenei para todos que responderam cordialmente.

Os pais da Emma nada falaram apenas um abraço muito forte e demorado.

A Sra Watsford também deu boa sorte a Charlotte em um abraço de despedida.

Os pais da Bella a abraçaram e disseram:

- Nos desculpe por ontem a noite. Foi uma resposta impensada. Se você está feliz, não vamos interferir. Boa sorte.

Ela ainda deu um longo beijo no Will e pulou na água.

O pai da Rikki ainda falou antes dela mergulhar:

- Estou ansioso para ouvir tudo sobre o que passou nestes seis anos filha.

Eu a vi dar novamente aquele sorriso de felicidade antes de afundar no canal.

Faltavam Charlotte e a Sra Chatmam. O Vincent chamou as duas para perto de si, pegou o tridente e pediu:

- Toquem a ponta dos dentes, uma de cada lado.

Cada uma delas colocou o dedo em um dos garfos do tridente. Uma luz dourada se fez ao redor delas por alguns segundos. Quando se apagou ele disse.

- Agora vamos embora. – disse ele mergulhando no canal, seguido pela Charlotte e pela Louise.

Todas mergulhamos na água e fomos atrás do Vincent.

Nadamos por cerca de duas horas quando ele foi a superfície. Lá uma lancha grande nos esperava. Ele subiu e nos puxou para cima.

- Assim vamos mais rápido e não temos de parar para descansar. – disse ele.

Sentamos nos lugares apropriados para curtir a viagem que segundo o Vincent demoraria cerca de dois dias. Pelo posicionamento do sol pude ver que seguíamos para o norte. Mais tarde, soube que íamos em direção ao mar de coral, a nordeste a Austrália.

Dois dias depois, a lancha parou em um lugar onde o mar era muito azul e escuro.

- Chegamos. Eu indico o caminho para a caverna.

Todos pularam na água e nadamos para baixo, cada vez mais fundo. Uma luz surgiu no tridente do Vincent. Em poucos minutos, estávamos no mais absoluto escuro. Só a luz do tridente era vista. Seguimos em direção a um rochedo e uma caverna se apresentou. Entramos, nadamos por mais alguns segundos e emergimos em uma gigantesca caverna, onde podíamos ver uma cidade bem grande.

- Sejam bem vindas a nossa cidade. – Disse ele.

Seguimos até a margem onde fomos recebidas por outras sereias, machos e fêmeas.

Ao final da primeira semana, mandamos cartas aos nossos pais para contar sobre os dias passados lá. Em sua resposta, como havia prometido, meu pai contou que disse a Kim que eu havia viajado para fazer um curso de biologia marinha em alto mar junto com minhas amigas e que voltaria dali a dois meses.

Virei para as crianças e disse:

- Assim termina aquela passagem de nossas vidas. O tempo em que passamos na cidade naquela ocasião fica para outro dia.

Recebi um muito obrigado das crianças que saíram rapidamente para aproveitar a festa.

Levantamo-nos do lugar onde estávamos e seguimos até a varanda da casa. De lá pude ver toda cidade. A bela cidade das sereias.

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