Textos marcados ‘Infinity’
MISSÃO INFINITY – A VERDADE
A junta de avaliação de exploração estava reunida no edifício sede no Rio de Janeiro a mais de seis horas. A representante do consórcio europeu batia a caneta de impaciência sobre seu caderno de anotações, balando a perna de irritação, enquanto o debate era mantido. O mundo voltava de um mergulho nas trevas e ainda assim ninguém sabia esperar sua vez de falar.
A discussão em pauta era a viabilidade de um resgate das operações na base Aldrin em Marte, em silêncio desde o início da Guerra dos Mil Dias, a guerra que mudou o perfil do mundo e moldou as nações e consórcios poderosos de nações que comandavam o globo. A bancada estava dividida. Aqueles que apoiava diziam que era uma dívida que eles tinham com aqueles que ficaram para trás quando a guerra estourou. Os tripulantes da estação espacial em órbita tinham morrido algum tempo depois quando um míssil foi disparado em terra. A nave que levava a primeira tripulação para fora do sistema solar também não chegou ao seu destino, que era Proxima Centauro. Mas a base Aldrin em Marte, estabelecida pela Missão Infinity, era um mistério. Após o armistício e o fim dos conflitos, quando as comunicações e antenas foram restabelecidas, nada vinha de Marte, exceto estática. Imagens do Hubble 3 na órbita da Lua mostravam o local, Terra Meridiani coberto por uma tempestade de areia, muito comum no inverno marciano.
MISSÃO INFINITY – ABANDONO
Domingo marciano. Dia de folga da tripulação da missão Infinity, recomendação do psicólogo da equipe, coronel Millano, que dormia profundamente em sua baia na penumbra avermelhada do planeta que entrava pelas escotilhas.
Lá fora, na atmosfera gélida, Partenza e Andrada jogavam golfe, aproveitando a baixa gravidade para dar tacadas que na Terra seriam impossíveis. Eles gastaram um tempo de seu ócio dos domingos de repouso para limpar o terreno, remover pedregulhos e cavar os buracos, mas enfim tinham um campo de areia vermelha bem propício para o jogo. Não tinham a sensação do vento no rosto e o aroma da grama cortada, mas apenas as tacadas de longa distância eram mesmo o mais importante.
MISSÃO INFINITY – OCUPAÇÃO
O nome escolhido para a base marciana era Aldrin, em homenagem a um dos primeiros astronautas na Lua. O módulo Infinity carregava todos os componentes e partes para a construção da base Aldrin, que aconteceria em Terra Meridiani, na região do equador de Marte, bem próximo ao local de pouso de uma antiga missão, chamada Opportunity, cujo rover permanecia no local, enterrado na areia vermelha. O local era apropriado, pois o telescópio de terra baseado no lado escuro da Lua na cratera Korolev tinha indicado a presença de uma rede de canais escavados por água e lava ancestral que acabou criando cavernas grandes o suficiente para a instalação de módulos de ocupação. Era uma medida de proteção contra radiação, raios cósmicos e a temperatura excessivamente baixa de Marte. Um robô de escavação tinha sido enviado dois anos antes para pode abrir caminho pelos canais e adaptar o local aos novos ocupantes. Este mesmo robô servia como uma mini-estação de transmissão, um rádio farol que guiava os sensores da Deméter desde que ela saiu da órbita terrestre.
Os quatro pilotos, Andrada, Millano, Oliveira e Partenza guiavam o módulo Infinity num posicionamento orbital arriscado para estabelecer uma posição segura para a entrada na atmosfera. Além de pilotos, cada um ali tinha uma formação específica crucial para o bom desempenho da missão. Partenza era engenheiro aeroespacial, tendo ele próprio desenvolvido o módulo Deméter. Oliveira era também engenheiro aeroespacial, mas sua especialidade era módulos de sobrevivência e terra-formação. Andrada era oficial das Forças Especiais, com formação superior em Logística, então seria responsável pelos inventários, racionamento, consumo e desperdício de energia. Millano era psicólogo, especialista em eventos traumáticos e suas consequências, talvez o oficial mais importante da nave.
MISSÃO INFINITY
Marte. O guerreiro vermelho. Símbolo da guerra e da destruição. O fascínio e devoção do ser humano para com esse deus romano extrapolavam os limites da capacidade científica. Era pura curiosidade que impulsionava o ser humano para este ponto avermelhado do espaço e o obrigava a se melhorar para enfim ocupar seu terreno.
Que tipo de surpresas poderiam esperar? Muitos não eram confiantes, afinal, analisavam aquele lugar seco e frio há séculos, sem encontrarem nada significativo que mudasse o rumo da civilização. Mas dessa vez, a esperança era que a missão Infinity trouxesse algum consolo e esperança para uma Terra mergulhada no caos de conflitos civis e religiosos, declínio da civilização e de um fundamentalismo quase psicótico, que tirava a vida de civis aos milhares. Agências espaciais visavam a ida ao planeta vermelho para uma ocupação definitiva, ao invés de apenas missões de ida e volta para recolhimento de amostras e implantação de sensores de varreduras e telescópios. Queriam um novo começo, queriam uma janela para o futuro.



